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CENTRO UNIVERSITÁRIO FAVENI ESTRUTURA E FUNCIONAMENTO DA EDUCAÇÃO BÁSICA GUARULHOS – SP 2 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 4 1 SURGIMENTO E DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO PÚBLICA ................... 5 1.1 Educação Básica e o calendário escolar ............................................................. 11 2 HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO NO BRASIL............................................................. 13 2.1 Portugal e Brasil na transição do feudalismo para o capitalismo .................... 13 2.2 Capitalismo concorrencial e economia mercantil-escravista ........................... 15 2.3 Passagem do capitalismo concorrencial para o monopolista ......................... 16 2.4 Alterações realizadas no texto da LDB ........................................................... 17 3 ANÁLISE TÉCNICA E POLÍTICO-IDEOLÓGICA DAS BASES LEGAIS.............. 18 3.1 Políticas Educacionais na Sociedade brasileira .............................................. 18 3.2 Índice Nacional da Educação Básica para 2017 ............................................. 19 3.3 O dever da família e do Estado. ..................................................................... 21 3.4 Objetivos Gerais da Educação ....................................................................... 21 3.5 Práticas pedagógicas entre o ensino fundamental e o ensino médio ............. 22 3.6 A preparação para o trabalho ......................................................................... 22 3.7 A formação ética e o pensamento crítico ........................................................ 22 4 HUMANIDADES X CIÊNCIAS .............................................................................. 23 4.1 O papel social da educação ............................................................................ 24 4.2 A construção histórica da educação popular .................................................. 24 4.3 Golpe Militar de 1964. ..................................................................................... 27 4.4 Novo Milênio marcado por ascensões de governos populares. ...................... 27 5 FINALIDADES E OBJETIVOS DAS DIRETRIZES CURRICULARES NACIONAIS DA EDUCAÇÃO BÁSICA ......................................................................................... 28 5.1 As Diretrizes Nacionais Básicas da Educação Básica e a qualidade na educação 30 3 5.2 As DCNEB e suas articulações com o currículo e as propostas pedagógicas nas escolas ...................................................................................................................... 31 5.3 Marcos legais da educação básica ..................................................................... 32 5.4 Competências exclusivas sob as quais a União deve legislar. ............................ 34 6 ORGANIZAÇÃO DO CURRICULO DA EDUCAÇÃO INFANTIL NA BNCC ......... 35 6.1 Pontos de mudança que a BNCC trouxe ............................................................ 36 6.2 A necessidade da escola trabalhar o acolhimento real das crianças .................. 37 7 O PERFIL DO EDUCADOR SOCIAL .................................................................... 41 7.1 O pedagogo social deve ser sensível e ter uma escuta ativa.............................. 44 7.2 O educador social e a educação não formal ....................................................... 45 7.3 Fundamentos teóricos que pautam o trabalho social .......................................... 45 7.4 Atuação do educador social em espaços coletivos ............................................. 47 8 A ATUAÇÃO DO MEC E DO INEP NO SISTEMA EDUCACIONAL BRASILEIRO 49 8.1 A Constituição Cidadã e o acesso à educação para todos ................................. 50 8.2 A importância deste acontecimento para o País ................................................. 51 8.3 O analfabetismo e o ensino superior ................................................................... 52 8.4 A Lei de Diretrizes e Bases da Educação ........................................................... 53 8.5 A importância de pesquisas e estudos publicados pelo Inep .............................. 54 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................... 55 4 1 INTRODUÇÃO Prezado aluno! O Grupo Educacional FAVENI, esclarece que o material virtual é semelhante ao da sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro – quase improvável - um aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma pergunta, para que seja esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum é que esse aluno faça a pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão a resposta. No espaço virtual, é a mesma coisa. Não hesite em perguntar, as perguntas poderão ser direcionadas ao protocolo de atendimento que serão respondidas em tempo hábil. Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da nossa disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à execução das avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da semana e a hora que lhe convier para isso. A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser seguida e prazos definidos para as atividades. Bons estudos! 5 1 SURGIMENTO E DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO PÚBLICA O Brasil entra para a História da chamada Civilização Ocidental exatamente ao abrir-se o século XVI. Sua história coincide, pois, com o período caracterizado pelo surgimento e desenvolvimento da educação pública. As relações entre Estado e Educação no Brasil remontam às origens de nossa colonização. Quando os primeiros jesuítas aqui chegaram em 1549, chefiados pelo padre Manoel da Nóbrega, eles cumpriam mandato do Rei de Portugal, D. João III, que formulara, nos “Regimentos”, aquilo que poderia ser considerado a nossa primeira política educacional (SAVIANI, 2018). A partir daí foi elaborado o plano de ensino de Nóbrega dirigido tanto aos filhos dos indígenas como aos filhos dos colonos portugueses. Tal plano foi logo suplantado pelo plano geral dos jesuítas, a “Ratio Studiorum”, com o que se privilegiou a formação das elites centrada nas chamadas “humanidades” ensinadas nos colégios e seminários que foram sendo criados nos principais povoados (SAVIANI, 2018). O ensino jesuíta então implantado, já que contava com incentivo e subsídio da coroa portuguesa, constitui a nossa versão da “educação pública religiosa”. Os jesuítas dominaram a educação brasileira até a metade do século XVIII quando, em 1759, foram expulsos pelo marquês de Pombal, primeiro-ministro do Rei de Portugal, D. José I (SAVIANI, 2018). 1.1 Período Colonial As atividades educativas dos jesuítas, iniciadas em 1549 com as rendas religiosas trazidas pelo primeiro governador-geral, desenvolveram-se no contexto da Contra-Reforma e da política de colonização e comércio da coroa portuguesa. A política, baseada principalmente na monocultura agrícola exportadora, na propriedade extensiva da terra e no trabalho escravo, provocou o enriquecimento da burguesia e da realeza e o empobrecimento de grandes setores da população metropolitana e colonial (PILETTI, 2003). 6 1.2 Período Monárquico O nascimento do Brasil como país independente foi marcado por dois fatos que previram significativamente a futura "democracia": a declaração de independência do herdeiro português do trono e o encerramento da Assembleia Constituinte pelo monarca. O que apresentou a democracia que seria dada para o país, um verdadeiro "cavalo de Tróia" para o povo brasileiro (PILETTI, 2003). 1.3 Período Republicanoàs necessidades educacionais básicas de todas as pessoas que pudessem universalizar a educação básica e ampliar as oportunidades de aprendizagem para crianças, jovens e adultos" (BRASIL, 1997). Outro aspecto que merece destaque diz respeito ao processo de avaliação educacional, pois tanto o ensino básico quanto o superior devem criar avaliações 35 abrangentes que visam medir o desempenho das instituições de ensino com os alunos, com o objetivo de promover medidas de melhoria da qualidade quando necessário para atingir este objetivo, temos experimentado em instituições de ensino: • Avaliação Nacional da Alfabetização (ANA) – realizada ao final do ciclo de alfabetização, no 3º ano do ensino fundamental. • Prova Brasil – realizada ao final do ensino fundamental, no 9º ano do ensino fundamental. • Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) – realizado ao final do ensino médio e também como processo seletivo para algumas universidades públicas. • Exame Nacional de Avaliação do Estudante (ENADE) – realizado por estudantes de cursos de graduação ciclicamente. Os referenciais curriculares nacionais que orientam redes de ensino e escolas, na atualidade, são: • Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) – constituídos nos anos 1990 e de caráter não obrigatório. • Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) – constituídas nos anos 2000 e de caráter não obrigatório. • Base Nacional Comum Curricular – sancionada em 2017 e de caráter obrigatório. 6 ORGANIZAÇÃO DO CURRICULO DA EDUCAÇÃO INFANTIL NA BNCC A BNCC é o documento de registro preceptivo de maneiras básica no âmbito educação no Brasil (BRASIL, 2018). Na companhia curricular, é de grande importância os direitos de fixação e desenvolvimento, os campos de experimento e os objetivos de fixação e desenvolvimento. Para que os professores e gestores da educação básica possam elaborar currículos e planejamentos, é preciso engatar atividades aos objetivos de fixação e desenvolvimento. Antes de alcançá-los, no entanto, a BNCC aborda importantes entendimentos de crianças como indivíduos, enfatizando o conhecimento básico de 36 direitos de aprendizagem e desenvolvimento e áreas de especialização (BRASIL, 2018). O direito à educação infantil é uma conquista recente. Antes do nascimento da BNCC, o entendimento atual sobre a infância e a proteção dos direitos das crianças foi resultado de mais de 30 anos de luta, pesquisa, legislação e documentos norteadores. Entre esses documentos, destacam-se os seguintes: • Constituição Federal de 1988: instituiu atendimento em creche e pré- escola, um dever do Estado e um direito das crianças de 0 a 6 anos (BRASIL, [2020]). Posteriormente, a Emenda Constitucional nº 53, de 2006, alterou a idade de 6 para 5 anos (BRASIL, 2006). • Lei nº 9.394/96, ou Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB): reconheceu a educação infantil como parte da educação básica (BRASIL, 2018). • Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil (RCNEI): instituiu objetivos, conteúdos e orientações didáticas para a educação infantil em 1998 (BRASIL, 1998). • Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (DCNEI): orientaram a organização do planejamento em eixos de interações 2 A BNCC e a organização curricular da educação infantil e brincadeiras e trouxeram o marco conceitual da indissociabilidade entre cuidar e educar. As diretrizes foram criadas em 1999 e alteradas para sua última versão em 2009 (BRASIL, 2010). • Plano Nacional de Educação (PNE): criado pela Lei nº 13.005/14 (BRASIL, 2014), indica as diretrizes e metas para a política educacional no Brasil de 2014 a 2024. O PNE apresenta metas para garantir acesso à educação de qualidade e estratégias para que os objetivos educacionais sejam cumpridos na educação nesse período estimado. O conhecimento dos documentos que regem a educação básica é essencial para todo profissional da área da educação. 6.1 Pontos de mudança que a BNCC trouxe 37 No cenário atual, professores e instituições de ensino estão adequando seus currículos e práticas para atender às normas da BNCC (BRASIL, 2018). Esta alteração é necessária para implementar várias recomendações para a educação básica em geral, incluindo a educação infantil. Após a sua homologação, foi dado um prazo máximo de dois anos para sua implementação nas escolas. Essa adaptação pode ser considerada turbulenta, visto que grande parte da implementação ocorreu durante a pandemia da covid-19, um momento desafiador agravado pela distância física e pela educação on-line improvisada. Durante a pandemia de Covid-19, a administração buscando a adaptação de professores ao planejamento diários de aulas e a incerteza associada à doença, tiveram como missão avaliar se o currículo da sua escola cumpre os novos regulamentos em vigor (BRASIL, 2018). Vale destacar que a BNCC era um documento extenso, que a foi amplamente consultada pela comunidade escolar, aprovada pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) e revisada por diversos intelectuais da educação. Portanto, instituições de ensino devem se organizar para atender às exigências da BNCC, adequando seus currículos e práticas de ensino (BRASIL, 2018). O que mudou fundamentalmente no currículo da educação infantil, gerando a necessidade de sua adequação? Um dos conceitos mais visíveis, que norteia todas as recomendações do documento, é a obrigatoriedade, que destaca "educar e cuidar" (BRASIL, 2018, p. 36) como pontos importantes, para ser adequado na rotina de educação de uma criança. A interação de eixos e jogos também é crucial do ponto de vista da criança como figura principal em seu aprendizado. 6.2 A necessidade da escola trabalhar o acolhimento real das crianças A possibilidade de engajamento não é exatamente nova. Essa compreensão do cuidado como parte integrante do processo educativo já foi amplamente discutida nas DCNEI, em seu capítulo sobre a organização do espaço, tempo e materiais (BRASIL, 2010) Mas a BNCC, retoma e enfatiza que o cuidado com os filhos pequenos deve ser entendido como o ponto de partida da educação, que está totalmente relacionada ao ensino, que transforma momentos como banho ou limpeza e higiene pessoal em 38 oportunidades de proporcionar à criança a auto compreensão e criar vínculos de respeito e confiança entre professores e alunos (BRASIL, 2018). A escola precisa trabalhar o acolhimento real das crianças como indivíduos, valorizando a presença da família e da comunidade e entendendo esses atores como parceiros complementares para o desenvolvimento da socialização e da autonomia dos alunos (BRASIL, 2018). Outro ponto de mudança da BNCC é colocar a criança como protagonista em todos os contextos que interagem, criam e transformam a cultura e a sociedade. A BNCC oferece o desenvolvimento do ensino baseado em experiências e exemplos reais, onde os alunos podem contextualizar o que aprendem e criar significado, sendo protagonistas na construção de aprendizados. Isso pode ser estranho para os professores, que costumam ser o centro do processo educacional e os detentores de todo o conhecimento. Nos últimos anos, a educação tem como foco o aluno em seu processo de desenvolvimento, tornando-o figura central no ensino-aprendizagem. Em suas descobertas, o professor é um mediador, provocador e comparador do aluno (BRASIL, 2018). Neste novo contexto, as crianças devem ser respeitadas como sujeitos, têm o direito de escolher, podem expressar os seus interesses sem opressão e julgamento, fazendo-as pensar e formular hipóteses, além de expressar preferências. No cotidiano escolar, as decisões sobre as experiências do grupo podem e devem ser compartilhadas com as crianças, incentivando a alternância do professor e da criança como protagonista em uma relação de dependência mútua, não de submissão (BRASIL, 2018).Segundo Oliveira (2020), se uma criança tem espaço para assumir um papel de liderança, ela não apenas interage com a sociedade que a cerca, mas também tem a oportunidade de criar, experimentar e moldar a realidade na qual está inserida. Os professores devem proporcionar aos alunos estes momentos de experimentação e criação de conhecimento, de forma autónoma e segura. A BNCC também lançou os direitos de aprendizagem e desenvolvimento, que se referem a pré-requisitos importantes para o desenvolvimento dos entendimentos e compreensão de valores dos alunos. Por fim, outra mudança importante é a organização do currículo com base em cinco campos de experiências (BRASIL, 2018). 39 O educar Nas últimas décadas, debates e pesquisas sobre o cenário educacional do país têm mostrado que as instituições de educação infantil precisam desenvolver práticas educativas que integrem as funções de educar e cuidar. As práticas de treinamento devem sempre incluir padrões de qualidade. Qualidade da educação infantil: [...] advém de concepções de desenvolvimento que consideram as crianças nos seus contextos sociais, ambientais, culturais e, mais concretamente, nas interações e práticas sociais que lhes fornecem elementos relacionados às mais diversas linguagens e ao contato com os mais variados conhecimentos para a construção de uma identidade autônoma (BRASIL, 1998, p. 23). As instituições educativas infantis devem assumir o seu papel e proporcionar a todas as crianças elementos culturais que promovam o progresso dos seus processos de desenvolvimento e alarguem os meios de integração social. As oportunidades de aprendizagem devem levar em consideração o ponto de vista da criança, que participa ativamente do processo de criação do conhecimento, que é ativa e pensante, que pode criar novos conhecimentos em interação com objetos de conhecimento encontrados no ambiente onde ele é colocado. Essas visões das crianças devem ser consideradas para posicioná-las como protagonistas de sua aprendizagem (BRASIL, 1998). Para que ocorra a aprendizagem, as práticas de ensino devem ter a interação e o brincar como eixos estruturantes. Deste ponto de vista, educação significa proporcionar situações terapêuticas, comunicação, jogos e aprendizagem orientada, e que: [...] possam contribuir para o desenvolvimento das capacidades infantis de relação interpessoal, de ser e estar com os outros em uma atitude básica de aceitação, respeito e confiança, e o acesso, pelas crianças, aos conhecimentos mais amplos da realidade social e cultural (BRASIL, 1998, p. 23). Nesse processo, a educação oferece oportunidades à criança para que possam desenvolver mediante experiências que ajudam a se desenvolver fisicamente, esteticamente, emocionalmente, eticamente e cognitivamente. 40 O cuidar A enfermagem deveria ser uma das áreas da educação infantil em escolas. Reconhecer essa necessidade significa que ela é parte integrante do processo de aprendizagem. No entanto, você deve entender que cuidar de bebês, crianças muito pequenas e crianças pequenas requer conhecimento das especificidades de seus estágios de desenvolvimento (BRASIL, 1998). Como vimos antes, no início, quando instituições infantis eram voltadas para a boa ordem, as pessoas que nelas trabalhavam não precisavam ter treinamento especial. Visto que o cuidado e a enfermagem são vistos como aspectos integrantes do processo educativo, devem ser realizados por profissionais qualificados e com conhecimento especial desta etapa do desenvolvimento humano. Então: A base do cuidado humano é compreender como ajudar o outro a se desenvolver como ser humano. Cuidar significa valorizar e ajudar a desenvolver capacidades. O cuidado é um ato em relação ao outro e a si próprio que possui uma dimensão expressiva e implica procedimentos específicos. O desenvolvimento integral depende tanto dos cuidados relacionais, que envolvem a dimensão afetiva, dos cuidados com os aspectos biológicos do corpo, como a qualidade da alimentação, e dos cuidados com a saúde quanto da forma como esses cuidados são oferecidos e das oportunidades de acesso a conhecimentos variados (BRASIL, 1998, p. 24). O papel do professor A presença de profissionais qualificados trabalhando nos estabelecimentos de educação infantil no Brasil é relativamente recente. Os docentes estiveram presentes nas escolas infantis desde os primeiros jardins da infância, sem, no entanto, nenhuma formação específica. Isso porque o cuidar e o educar não eram vistos como responsabilidades educacionais, e sim como um direito assistencial das famílias (BRASIL, 1998). Foi a LDB quem primeiro lançou a obrigatoriedade do ensino superior para professores de educação infantil. Seu título VI tem art. 62, esta lei dispõe o seguinte: A formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível superior, em curso de licenciatura, de graduação plena, em universidades e institutos superiores de educação, admitida, como formação mínima para o exercício do magistério na educação infantil e nas quatro 41 primeiras séries do ensino fundamental, a oferecida em nível médio, na modalidade Normal (BRASIL, 1996). Um período de dez anos foi fixado para o período de transição, ou seja, pela união de profissionais cuja formação ainda não era exigida. O Plano Nacional de Educação estabeleceu metas específicas relacionadas com a formação de professores em todo o país, assumindo que esta é condição básica para a qualidade do ensino. O perfil do professor da educação infantil Trabalhar com crianças de 0 a 5 anos exige versatilidade do professor. Isso significa que ele deve ser capaz de trabalhar com diferentes conteúdos, que abrangem cuidados e educação de crianças pequenas desde a puericultura básica até a informação especializada, portanto exige diferentes áreas do conhecimento. Neste contexto, o papel do professor requer uma formação muito extensa. A formação básica é o ponto de partida para outras reflexões e formações posteriores que surgem do cotidiano da sala de aula. Os componentes desta educação continuada são: • a reflexão constante do professor sobre suas atividades e resultados alcançados, • escuta atenta das crianças, • comunicação e troca de informações com os pares e comunicação com as famílias. Os principais instrumentos de reflexão sobre a prática docente são: observação, registo, planejamento e avaliação. 7 O PERFIL DO EDUCADOR SOCIAL Para iniciar o estudo da educação social, você precisa entender o que significa a categoria discursiva "social" e os motivos que levaram ao seu surgimento nas últimas décadas. Segundo Lazzarato (2011), o termo “social” passou a ser utilizado como estratégia da administração pública a partir de quando a relação entre economia capitalista e política começou a se tornar problemática. 42 Assim, o chamado homem Economicus - nascido em no início do século XX, pela necessidade e motivação de obter lucro e tudo o mais que antecede o lucro econômico no ideal típico da modernidade - acaba propondo a desigualdade. Esta desigualdade manifesta-se tanto a nível organizacional como pessoal, no alargamento das diferenças de classes sociais, na marginalização de muitos que passam a fazer parte dos grupos marginalizados desta sociedade em expansão e crescimento. Beck (2019, p. 133), analisando o crescimento do desemprego em massa e o aparecimento de novas pobrezas em todo o mundo, refere-se a “[...] uma minoria cada vez mais pequena, que, na zona cinzenta do desemprego subemprego e desemprego permanente, devem viver com recursos públicos cada vez mais escassos ou "à custa do trabalho informal" ou ilegal. Aqui é possível fazer algumas observações sobre questões sociais: inclui um grupo de pessoas que não estão na mesma situação de poder que outras, e em muitos casos, nãotêm as mesmas condições económicas de participação na vida social, aspectos fisiológicos, cognitivos, culturais e históricos. Assim, quando falamos em educação social, logo pensamos naqueles que a sociedade, através das lógicas dominantes concretizadas em sua cultura, acaba por excluir por diversos motivos. Esses grupos também são chamados de minorias sociais nos tempos modernos - não pelo aspecto numérico, mas sim pela assimetria de poder com que surgiram ao longo do tempo. Outra forma de olhar o social se baseia nas diferenças que esses “outros” apresentam em relação a uma norma social historicamente estabelecida. Louro (2011, documento online) explica o seguinte: [...] a diferença é sempre atribuída e nomeada no interior de uma determinada cultura. E, é claro, ela é atribuída a partir de uma posição que se toma como referência. No contexto da sociedade brasileira, ao longo de sua história, foi sendo produzida uma norma a partir do homem branco, heterossexual, de classe média urbana e cristão. Assim, o pedagogo social deve estar ciente de que desenvolve suas atividades educativas com esses públicos muitas vezes estigmatizados, rotulados e marcados, por serem formados de forma diferente da norma mencionada pela autora. Eles foram chamados de "oprimidos" pelo educador Paulo Freire (um ícone da educação social brasileira). No entanto, Freire (2003) reconhece que: 43 [...] os chamados marginalizados, que são os oprimidos, jamais estiveram fora de. Sempre estiveram dentro de. Dentro da estrutura que os transforma em “seres para outro”. Sua solução, pois, não está em “integrar- se”, em “incorporar-se” a esta estrutura que os oprime, mas em transformá- la para que possam fazer-se “seres para si”. Assim, cabe à pedagogia social buscar essa problematização e propor formas de libertação desse opressor. Isso pode ser alcançado pela transformação desses grupos sociais e na mentalidade e cultura, bem como no contexto de ações específicas e mobilização na busca de políticas públicas efetivas. Gohn (2009, documento online) refere-se à atuação do assistente social no campo da educação informal que é introduzida em inúmeros projetos e programas educativos informais: O Educador Social ajuda a construir com seu trabalho, espaços de cidadania no território onde atua. (...) Nestes territórios um trabalho com a comunidade poderá construir um tecido social novo onde novas figuras de promoção da cidadania poderão surgir e se desenvolver tais como os “tradutores sociais e culturais”. Estes tradutores são aqueles educadores que se dedicam a buscar mecanismos de diálogo entre setores sociais usualmente isolados, invisíveis, incomunicáveis, ou simplesmente excluídos de uma vida cidadã, excluídos da vivência com dignidade. Com base na citação do autor, podemos começar a traçar um perfil de pedagogos sociais, cujas características são a capacidade de traduzir a cultura e seu desenvolvimento social. Como qualquer processo de tradução, requer conhecimento da cultura da comunidade em questão, bem como dos processos de marginalização e outras dificuldades que pode encontrar e deve mudar para salvar a comunidade e resgatar sua nacionalidade. Abaixo estão outros elementos que compõem o perfil de um assistente social: • Animador; • Desafiador; • Dialógico; • Propositivo; • Interativo; • Sensível; • Democrático; • Cidadão; • Solidário; 44 • Transformador; • Problematizador; • Libertador; • Aprendente. 7.1 O pedagogo social deve ser sensível e ter uma escuta ativa Assim, o pedagogo social tenta usar suas habilidades de comunicação e comunicação com grupos de pessoas para incentivá-los a continuar lutando por seus ideais, convidando-os a se opor às situações de marginalização que podem existir na vida, dando uma chance a si mesmo. Nesse sentido, oferece sempre novas atividades que aumentam a conscientização cidadã e a participação democrática com o auxílio de estagiários (GOHN, 2009). Um pedagogo social deve ser sensível para compreender quais problemas afligem a comunidade em que trabalha. Informações sobre suas necessidades e neste diagnóstico inicial ele deve ser capaz de planejar as ações específicas necessárias (GOHN, 2009). Esse fato Pedagogo social, além de demonstrar solidariedade e cidadania, também contribui para a mudança almejada. No entanto, essa mudança ocorre apenas porque questiona a realidade e o contexto social e cultural em que esses grupos estão inseridos. Isso permite, por meio da autoconsciência, libertá-los para buscar novos rumos em suas vidas. Todas essas interações, sugestões, desafios e problemas do pedagogo social partem do entendimento de que ele não é o dono da verdade absoluta sobre tudo o que ali acontece, pois, o pedagogo social é também aquele que aprende e se desenvolve com o grupo. Além disso, uma ferramenta-chave é um diálogo aberto, e contínuo, no qual todos têm tempo e voz para participar e comunicar seus pensamentos. Freire (2003, pp. 78-79) afirma: O diálogo é este encontro dos homens, mediatizados pelo mundo, para pronunciá-lo, portanto, na relação eu–tu. Qual esta é a razão por que não é possível o diálogo entre os que querem a pronúncia do mundo e os que não a querem; entre os que negam aos demais o direito de dizer a palavra e os que se acham negados deste direito. É preciso primeiro que, os que assim se encontram negados no direito primordial de dizer a palavra, reconquistem esse direito, reprimindo que este assalto desumanizante continue. Se é dizendo a palavra com quer, “pronunciando” o mundo, os homens o transformam, o diálogo se impõe como caminho pelo qual os homens ganham significação enquanto homens. Por isto, o diálogo é uma exigência 45 existencial. E, se ele é o encontro em que se solidarizam o refletir e o agir de seus sujeitos endereçados ao mundo a ser transformado e humanizado [...]. Seguindo o pensamento do autor, entendemos que é por meio dessa relação dialógica que o pedagogo social pode mostrar respeito às vozes marginalizadas, na situação social e cultural da minoria, para que elas possam revelar quem são e expor seus ideais. Para que possam desenvolver e decidir sobre suas ações para mudar a si mesmos e suas comunidades. 7.2 O educador social e a educação não formal Anteriormente, analisamos o perfil de um pedagogo social que desenvolve atividades voltadas para o fortalecimento e mudança de grupos culturais que se encontram em situação marginal ou que têm menos poder para se expressar ou mesmo agir encontrando-se em determinada situação social. Assim, o pedagogo social passa a atuar em diversos campos relacionados à educação liberal, pois atualmente essas atividades ocorrem em organizações não governamentais, que formam as chamadas o terceiro setor. Estas áreas de atividade oferecem um novo e importante campo de atuação para o pedagogo profissional. Conforme observa Gohn (2009, documento online): [...] as práticas da educação não formal se desenvolvem usualmente extramuros escolares, nas organizações sociais, nos movimentos, nos programas de formação sobre direitos humanos, cidadania, práticas identitárias, lutas contra desigualdades e exclusões sociais. Para realizar essas práticas, é necessário um especialista educacional com requisitos humanos e técnico-científicos para planejar, criar, implementar e controlar tais atividades com esses grupos - esse é o papel do pedagogo social. Gohn (2009, documento on-line) acrescenta que a educação não formal se constitui como: [...] um espaço concreto de formação com a aprendizagem de saberes para a vida em coletivos. Esta formação envolve aprendizagens tanto de ordem subjetiva relativa ao plano emocional e cognitivo das pessoas, como aprendizagem de habilidades corporais, técnicas, manuais etc., que os capacitam para o desenvolvimento de uma atividade de criação, resultandoum produto como fruto do trabalho realizado. 7.3 Fundamentos teóricos que pautam o trabalho social 46 O papel do pedagogo social é ser capacitado para realizar atividades planejadas e bem planejadas nos grupos em que atua, onde o diálogo temático é sempre o fio condutor das atividades formativas de pessoas. Porem: [...] há metodologias que supõem fundamentos teóricos e ações práticas: atividades, etapas, métodos, ferramentas, instrumentos etc. O espontâneo tem lugar na criação, mas ele não é o elemento dominante no trabalho do Educador Social, pois o seu trabalho deve ter: princípios, métodos e metodologias de trabalho (GOHN, 2009, documento on-line). Em outras palavras, a tarefa de um pedagogo social é conhecer os fundamentos teóricos que orientam o trabalho social, bem como métodos adequados, métodos e ferramentas com as quais desenvolver sua atividade. Este é talvez o ponto que nos favorece como pedagogos que trabalham na educação social hoje. Freire (2003) apresenta um plano prático para o trabalho dos pedagogos sociais nos locais que hoje conhecemos como educação informal. Tal sistema usa as seguintes etapas em sua implementação: • Diagnóstico • Elaboração • Implementação Inicialmente, a fase de diagnóstico envolve localizar o criador social e abarcar os aspectos culturais e históricos que se desenvolveram ao longo do tempo com esses grupos sociais. Esta etapa inclui tanto os aspectos técnicos do diálogo quanto as qualidades intangíveis necessárias ao pedagogo social, como sensibilidade, atenção, solidariedade e amor. Freire (2003, p. 102) comenta: “[...] quanto mais investigo o pensar do povo com ele, tanto mais nos educamos juntos. Quanto mais nos educamos, tanto mais continuamos investigando”. O diagnóstico é um ato de investigação, de buscar as causas e mapear as origens de tais problemas ou demandas sociais que devem ser mediadas pelas ações concretas desenvolvidas pelo educador social. Feito este diagnóstico, elencam-se as possíveis causas dos problemas existentes, estabelecem-se os principais temas e os principais temas e objetivos a atingir em conjunto com a comunidade, as propostas de trabalho são sempre feitas em conjunto, inclusivas e problematizadoras (GOHN,2009). 47 Esta etapa também inclui uma análise dos recursos necessários. Dentre eles, vale destacar as pessoas envolvidas, considerando suas habilidades e informações necessárias; tempo requerido; materiais concretos utilizados em oficinas ou reuniões com alunos; métodos que podem ser aplicados na prática. Isso inclui várias técnicas, desde exposições dialógicas até o uso de metodologias ativas com esses grupos sociais. Após a elaboração do diagnóstico e da proposta de trabalho, inicia-se o período de implementação da proposta, quando o assistente social é responsável pelo alcance de metas previamente definidas com base nas práticas desenvolvidas nesses grupos. Essa etapa também exige comprometimento, participação de todos e comunicação para se tornar eficaz e entregar os resultados esperados. Dessa forma, o pedagogo social pode alcançar seus resultados a partir de atividades educativas informais, que são sua luta pela problematização, libertação e mudanças sociais. De fato, como Gohn (2009, documento online) repete: A educação não-formal tem seu próprio espaço-forma cidadãos, em qualquer idade, classe socioeconômica, etnia, sexo, nacionalidade, religião etc., para o mundo da vida! Ela tem condições de unir cultura e política (aqui entendidas como modus vivendi, conjunto de valores e formas de representações), dando elementos para uma nova cultura política. Assim, quando buscamos a mudança humana, devemos nos situar-nos em seus mundos culturais, muitas vezes sugerindo quebras de paradigmas dominantes e ampliando a visão desses sujeitos para empreender novas leituras críticas do mundo. Estes passos são muito importantes para alcançar novos estilos de vida, melhor qualidade e justiça social no futuro. 7.4 Atuação do educador social em espaços coletivos Você teve a oportunidade de conhecer os perfis dos educadores sociais e seu papel na instrumentalização de grupos historicamente carentes ou menos privilegiados ao longo do tempo. Nesse sentido, Ribeiro (2006, documento online) enfatiza: O conceito de educação social está indissociavelmente vinculado ao de exclusão, como veremos. É como uma resposta afirmativa e adequada que a educação social emerge no debate sobre: Que educação oferecer aos milhares de crianças, adolescentes e adultos excluídos da e na escola; do e no emprego; da e na terra; das e nas instituições sociais? Highlight 48 Assim, entendemos que o papel da pedagogia social é muito importante, sobretudo na indicação de possíveis atividades educativas informais, incluindo o fortalecimento/cumprimento das atividades educativas formais realizadas pela escola por meio dessas atividades alcançando grupos sociais marginalizados ou vulneráveis. Cabe esclarecer que no Brasil ocorrem atividades educativas informais, das quais são realizadas por iniciativa de políticas públicas e realizadas em instituições sociais, de saúde e até mesmo educacionais (RIBEIRO, 2006). Além disso, iniciativas baseadas nas atividades de responsabilidade social de grupos empresariais que atuam na educação informal, onde um percentual de lucros é destinado para a finalidade adotada por esta organização. No entanto, a maioria das atividades voltadas para a criação de iniciativas educacionais liberais, onde o trabalho de pedagogia social ocorre em organizações do terceiro setor, que incluem organizações não governamentais (ONG). Essas comunidades geralmente estão organizadas em associações, fundações, institutos, cooperativas sociais e outros, e como movimentos sociais que historicamente têm apoiado direitos sociais. Em todo o caso, independentemente da organização, a atividade de pedagogia social nestes departamentos visa fortemente desenvolver o sentido de cidadania (RIBEIRO, 2006). Hoje pode-se considerar que as possibilidades de organização de redes e troca de informações e mobilização dos mais diversos grupos sociais, em alguns casos uma análise crítica da vida social, são em benefício de objetivos comuns o contexto aprofundou-se, o que confere efeitos mais positivos aos recursos sociais implementados. Segundo Gohn (2009), o campo de atuação da educação informal pode ser limitado, tendo em vista a busca da cidadania tão almejada pelos pedagogos sociais, a partir dos seguintes requisitos, usualmente implementados: • Educação para a justiça social; • Educação para direitos (humanos sociais, políticos, culturais, etc.); • Educação para liberdade; • Educação para democracia; • Educação contra discriminação; • Educação pelo exercício da cultura; 49 • Educação para a manifestação das diferenças culturais. Como você pode ver, a cidadania requer uma consciência de quem somos e como nos constituímos, como as forças que nos cercam na sociedade acabam por produzir os significados que nos colocam naquele contexto. Assim, por exemplo, podemos considerar os inúmeros esforços dessas organizações do terceiro setor e a maneira como muitos educadores sociais se emprenham para estudar atualmente o sexismo e as atitudes sexistas. 8 A ATUAÇÃO DO MEC E DO INEP NO SISTEMA EDUCACIONAL BRASILEIRO O MEC e o Ineps vinculados ao MEC são responsáveis pela organização e funcionamento do SEB. O MEC é responsável pela elaboração e execução de atividades voltadas para o desenvolvimento da educação, enquanto o Inep é responsável pela pesquisa e pela produção e divulgação dos resultados para a sociedade, de modo que essas informações sirvam de base para a elaboração de uma nova política educacional. Neste sentido, o trabalho do Ministério da Educação e Cultura está relacionado com questões relativas à educaçãoem geral, mas também à política nacional de educação e suas questões especiais. Também é responsável pelas especificidades de cada área da educação, como educação infantil, educação básica, ensino médio e superior, educação de jovens e adultos, educação profissional, educação especial e ensino a distância, bem como séries. É importante destacar a atuação principal do MEC na organização e promover o debate sobre diretrizes e constituições. Segundo Prado (2000), o MEC teve prioridade na elaboração das diretrizes curriculares na segunda metade da década de 1990. Em contraste, do final dos anos 1990 ao início dos anos 2000, o foco mudou para a formação de professores, o que exigiu uma reestruturação da educação básica. Se você observar com atenção as prioridades que o MEC estabeleceu para suas atividades, compreenderá melhor a importância do papel desse órgão na política nacional de educação, como verá na próxima seção. Mas antes de assumir essa função como MEC, conheça melhor o Inep, cujo trabalho é fundamental para monitorar e melhorar a qualidade da educação no país. 50 O Inep é um instituto cuja principal atividade no sistema educacional brasileiro é a criação e organização dos mais importantes critérios de avaliação dos sistemas. Além disso, é responsável por propor e organizar mecanismos para realizar essas avaliações. Além disso, o Inep é responsável pelo desenho, desenvolvimento, implementação e organização de sistemas de avaliação, estatísticas, testes de desempenho, pesquisas quantitativas e qualitativas no campo da educação (BRASIL, 2020). O Inep também propõe outros métodos que possam ser necessários para gerar e disseminar informações sobre o sistema de ensino e é responsável pelo censo do ensino fundamental e superior. A organização do SNE é garantida pela constituição federal. Nesse sentido, cabe ao Inep avaliar e controlar a SNE. Além disso, a LDB tem tarefas importantes relacionadas à educação dos governos sindicais, estaduais e municipais (BRASIL, 2020). 8.1 A Constituição Cidadã e o acesso à educação para todos A atual constituição federal foi promulgada em 1988 no Brasil. É chamada de Constituição dos Cidadãos porque foi promulgada após 21 anos de ditadura militar e visava garantir direitos fundamentais iguais para todos os cidadãos. Vejamos um pouco sobre esse momento, para entender a importância da Constituição Cidadã nos dias de hoje. O Brasil teve um total de sete constituições em um período de menos de 200 anos (de 1824 a 1988) (TEIXEIRA, 2008; SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, 2018). • A primeira constituição foi criada durante o Império, em 1824, fortalecendo o poder de D. Pedro I. O principal destaque do ensino foi a sistematização de um ensino seriado e gratuito, mas sem estabelecer diretrizes, como defende Teixeira (2008). • Em 1891, a república foi estabelecida com uma nova carta constitucional, e mulheres e homens analfabetos não podiam votar. Em relação à educação, o MEC e o Inep são menos importantes na educação brasileira bem como são responsabilidade da União, unidades federais (TEIXEIRA, 2008, p. 153). • Em 1934, a constituição foi estabelecida, marcando a chamada segunda república. O texto enfatiza a destinação de recursos fiscais para o Highlight Highlight Highlight Highlight 51 desenvolvimento da educação e a criação de um fundo para esse programa. Na rede estadual de ensino, também foi prevista a realização de concurso público para professores. • Apenas três anos depois, em 1937, o Estado Novo foi estabelecido com uma nova constituição que limitava a liberdade de expressão e as liberdades políticas. Com relação à educação, a constituição agora prevê a educação vocacional, que é especialmente projetada para setores desfavorecidos da sociedade. A educação cívica e a educação física tornam-se obrigatórias em, e a educação religiosa torna-se voluntária. • A democracia foi restaurada sob o selo de uma constituição até 1946, quando as eleições presidenciais diretas retornaram. Por meio dessa Constituição, foi garantido o direito à educação, tornando-se também obrigatória a organização da educação básica em língua nacional. Entretanto, o destaque dessa Constituição é a instituição da Lei de Diretrizes e Fundamentos com a “institucionalização dos sistemas educacionais” (TEIXEIRA, 2008, p. 160). • Já em 1967, uma nova constituição marcou o regime militar, que voltou a tornar indiretas as eleições presidenciais. • Somente em 1988 foi adotada a Constituição dos Cidadãos, que restaurou a democracia em todo o País. 8.2 A importância deste acontecimento para o País O texto (1988) especifica as responsabilidades de cada instituição e/ou indivíduo com relação a aspectos e níveis específicos de ensino. Assim, a competência é compartilhada entre a União (Governo Federal), os Estados e os Municípios no sentido de assegurarem "o acesso à cultura, educação, ciência, tecnologia, pesquisa e inovação", conforme disposto no artigo 23, V. (BRASIL, 1988, pág. 5). Nesse sentido, um dos principais pontos da Constituição Federal de 1988 ao qual você deve se atentar é: Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: I- igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber; Highlight Highlight 52 III - pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino; IV - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais; V - valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, na forma da lei, planos de carreira, com ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos, aos das redes públicas; VI - gestão democrática do ensino público, na forma da lei; VII - garantia de padrão de qualidade; VIII - piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação escolar pública, nos termos de lei federal. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006); IX-garantia do direito à educação e à aprendizagem ao longo da vida. (BRASIL, 1988, p. 26). O significado deste ponto é fortalecer os princípios básicos da educação de acordo com os princípios de um país em democratização, como governança democrática, liberdade de ideias e pluralismo, e a necessidade de garantir a qualidade da educação. Além disso, a constituição enfatiza a competência dos municípios na educação infantil e na educação básica - o que significa que as escolas desses níveis são responsáveis pelas redes municipais, embora possam contar com apoio técnico e financeiro dos governos, Estadual e União para o ensino médio. A União é responsável pelo ensino superior. O artigo 22 da Constituição (1988) estabelece no artigo 22, que a União é responsável por legislar de acordo com as diretrizes e princípios da educação nacional. Assim começou uma série de discussões para confirmar um texto que corresponda mais definitivamente à legislação que rege esta formação. Assim, em 1996, foi publicado o texto da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, sob a Lei nº. 9.394. 8.3 O analfabetismo e o ensino superior Para saber qual o nível de educação necessário para cada pessoa e para a sociedade como um todo em um determinado momento da história e do país, uma série de perguntas devem ser respondidas. O nível mínimo de educação oferecido à 53 população permite a todos para obter e exercer plenamente a cidadania? O quadro profissional formado responde às necessidades do país? A educação formal é suficiente ao longo do tempo, permitindo vislumbrar um futuro mais promissor? A educação promove o desenvolvimento social do país? A escolaridade média da população é suficiente para garantir a soberania nacional sobre as demais nações? (HELENE, 2017). Vamos começar analisandoalguns desses pontos e principalmente como comparamos com outros países. Não entraremos em uma análise muito detalhada. Vejamos apenas alguns indicadores que mostram o desempenho recente do sistema educacional e seu desenvolvimento nas últimas décadas. O desempenho atual pode ser descrito pelo analfabetismo na faixa etária de 15 a 24 anos - indicador que reflete a educação básica nos últimos anos - e pela taxa de participação no ensino superior e pelo número médio de anos estudados no mesmo nível - demonstram sua capacidade de formar trabalhadores qualificados no país. O desenvolvimento das últimas décadas pode ser analisado comparando, por exemplo, o analfabetismo em várias faixas etárias. Esses indicadores são suficientes para uma avaliação abrangente, embora não detalhada, do nosso sistema educacional. Limitamo-nos a comparações internacionais com países sul-americanos que participam da mesma realidade geopolítica e possuem características culturais, econômicas e sociais semelhantes às nossas (HELENE, 2017). 8.4 A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Após a Constituição Federal instituída em 1988, tem uma organização que trata do assunto da educação, Lei de Diretrizes e Bases da Educação foram estabelecidas, mas esta LDB ainda é válida hoje e muda em algumas seções devido à necessidade de atualizações. Algumas das mudanças mais profundas pelas quais passou a atual LDB foram: instituição de ensino básico, que tem duração de 9 anos, Lei nº11.274, de 2006, com prazo de implantação até 2010; pela lei n. 13. 415 de 2017. Outro ponto a destacar é a formação de professores, que se apresentou de formas distintas em cada LDB. Em 1961, professores primários foram obrigados a se 54 formar no chamado ensino normal. O art. 59 descreve as exigências necessárias a essa formação: Art. 59. A formação de professores para o ensino médio será feita nas faculdades de filosofia, ciências e letras e a de professores de disciplinas específicas de ensino médio técnico em cursos especiais de educação técnica. Parágrafo único. Nos institutos de educação poderão funcionar cursos de formação de professores para o ensino normal, dentro das normas estabelecidas para os cursos pedagógicos das faculdades de filosofia, ciências e letras (BRASIL, 1961). Com a advento da A Lei 5.692/71, aconteceram outras mudanças. A LDB 1971 estabeleceu diretrizes e bases para o primeiro e o segundo graus, contemplou a escola normal e, no bojo da profissionalização obrigatória adotada para o segundo grau, transformou-a numa das habilitações desse nível de ensino, passando a ser chamada de Habilitação Específica para o Magistério (HEM). Desapareciam os Institutos de Educação e a formação de especialistas e professores para o curso normal passou a ser feita exclusivamente nos cursos de Pedagogia. A nova Lei adotava, pela primeira vez, um esquema integrado, flexível e progressivo de formação de professores. 8.5 A importância de pesquisas e estudos publicados pelo Inep A missão do Inep é "produzir conhecimento científico e informações oficiais para aprimorar a política educacional, promover o desenvolvimento social e econômico do país" e sua visão é ser uma instituição reconhecida como instituição estratégica para a produção de informações especializadas e inovadoras sobre educação no Brasil (BRASIL, 2021, DOCUMENTO ONLINE). Considerando todos os exames e pesquisas nacionais que o instituto realizou há alguns anos, você pode imaginar o quão grande é nosso banco de dados nacional. A análise dessas informações é particularmente importante para a tomada de decisões quando é necessário preparar e implementar medidas voltadas para melhorando a educação em seus vários níveis. Imagine: a base de dados poderia ser segmentada para entender o desempenho do aluno de um estado para outro em um exame como o Enem, refletindo esses resultados na tomada de decisão para que um determinado estado de baixo desempenho obtenha uma determinada política pública assim como 55 subsidiar o ensino médio. Por outro lado, também é possível aprender com os resultados dos alunos dos estados que tiveram melhor resultado. Nesse sentido, o professor Demerval Saviani (2012, p. 298) aponta que o papel do Inep, desde sua criação, sempre foi especificamente o de “apoiar a formação de políticas educacionais” no país. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. História da Educação. SP: Moderna, 1989. BECK, U. Sociedade de risco: rumo a uma outra modernidade. 2. ed. São Paulo: Editora 34, 2019. 56 BRASIL, Constituição Federal; SEB, DICEI. Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais da Educação Básica. Brasília: MEC, SEB, DICEI, 2013. BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, ano 122, n. 191-A, p. 1-32, 5 out. 1988. BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 5 out. 1988. BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília: Ministério da Educação, 2018. BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional da Educação. Diretrizes curriculares nacionais gerais da educação básica. Brasília, DF, 2013. BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional da Educação. Diretrizes curriculares nacionais gerais da educação básica. Brasília, DF, 2013b. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/docman/julho-2013-pdf/13677- diretrizes-educacaobasica- 2013-pdf/file> . Acesso em: 03 jan. 2023. BRASIL. Ministério da Educação.Base nacional comum curricular. Brasilia, DF: Ministério da Educação, 2017. BRUEL, Ana Lorena de Oliveira. Políticas e legislação da educação básica no Brasil. Curitiba: InterSaberes, 2012. CARNEIRO, Gisele. Educação Popular. Curitiba: Inter Saberes, 2020. ESTEVAM, Carlos. A questão da Cultura Popular. In: FÁVERO, Osmar (Org.). Cultura popular e educação popular: memória dos anos 60. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1983, p. 33-47. FÁVERO, Osmar (Org.). Cultura popular e educação popular: memória dos anos 60. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1ª edição, 1983. FREIRE, P. Educação como prática da liberdade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1967. FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2015. 57 FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 28. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2003. FREIRE, P. Política e educação. 4. ed. São Paulo: Cortez, 2001. FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. 45. ed. São Paulo: Cortez / Autores Associados, 2003. GOHN, M. G. Educação não-formal e o papel do educador (a) social. Meta: Avaliação, v. 1, n. 1, 2009. HEIN, Ana Catarina Angeloni. Organização e Legislação da Educação. Brasil. Pearson Education do Brasil, 2020. HELENE, OTAVIANO. Um diagnóstico da educação brasileira de de seu financiamento: Campinas, SP: Autores Associados, 2017 LAZZARATO, M. O governo das desigualdades: crítica da insegurança neoliberal. São Carlos: EdUFSCar, 2011. LOMBARDI, J. C. Periodização na história da educação brasileira: aspecto polêmico e sempre provisório. Revista HISTEDBR On-line, v. 32, p. 200-209, 2008. LOURO, G. L. Educação e docência: diversidade, gênero e sexualidade. Formação Docente–Revista Brasileira de Pesquisa sobre Formação de Professores, v. 3, n. 4, jan./jul. 2011. OLIVEIRA, Z. M. R. Educação infantil. São Paulo: Cortez, 2020. PILETTI, N. Estrutura e funcionamento do ensino médio. SP: Ática, 2003. RIBEIRO, M. Exclusão e educação social: conceitos em superfície e fundo. 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Revista Brasileira de Educação, v. 13, n. 39, p. 502-516, 2008.Aqueles que, talvez embalados por nossa história ingênua ou idealista com o nascimento e desenvolvimento de um novo regime, acalentavam sonhos republicanos, federalistas e democráticos, enfrentando uma dura realidade, uma grande decepção: • a ditadura militar dos primeiros anos; o coronelismo, a política governamental e a república do café-com-leite; • os movimentos tenentes da década de 1920 e sua vitória em 1930; • o desembarque de um novo estado em 1937, a posse presidencial em 1945, as tentativas sucessivas de golpistas na década de 1950; • o ensaio de 1961 e a instauração da ditadura militar em 1964, o golpe da Lei Institucional nº 5 de 1968 e o golpe 1969, que impediu o vice-presidente de se tornar presidente; • o grande acordo das forças conservadoras em 1985, que levou à chamada Nova República através do Colégio Eleitoral (PILETTI, 2003). Um século republicano em que a comunidade é constantemente ferida e a democracia, apesar de pequenos e raros avanços, está longe de ser alcançada. O século da República, onde as mudanças ocorridas foram maioritariamente impostas de cima para baixo e por isso quase sempre conservadoras e antidemocráticas. 7 Tabela 1 - Principais reformas do ensino médio no período republicano DOCUMENTOS LEGAIS AUTORIZAÇÕES LEGISLATIVAS REFORMAS DE BENJAMIN CONSTANT Decretos nº 981 de 8/11/1890, e nº 1075 de 22/11/1890 Por terem sido introduzidas antes da aprovação da Constituição e da instalação do Congresso, estas reformas não dependem de autorização legislativa. CÓDIGO EPITÁCIO PESSOA Decreto nº 3.890, de 1/1/1901 Autorizado pela Lei Orçamentária nº 746, de 31/12/1900. REFORMA RIVADAVIA CORREA Decreto nº 8 659, de 5/4/1911 Autorizado pela Lei Orçamentária nº 2 356, de 31/12/1910. REFORMA CARLOS MAXIMILIANO Decreto n º 11 530, de 18/3/1915 Autorizada pela Lei Orçamentária n º 2 924, de 5/1/1915. REFORMA JOÃO LUÍS ALVES OU ROCHA VAZ Decreto n º 16 782-A, de 13/1/1925 Autorizada pela Lei Orçamentária n º 4 911, de 12/1/1925, combinada com a Lei Orçamentária n º 40793, de 7/1/1924. REFORMA FRANCISCO CAMPOS Decreto n º 19 890, de 18/4/1931: dispõe sobre a organização do ensino secundário Independente de autorização legislativa: imposta pelo governo provisório, na inexistência de Cosntituição. 8 REFORMA GUSTAVO CAPANEMA Decreto-lei nº 4 244, de 9/4/1942: Lei Orgânica do Ensino Secundário Promulgada sob o Estado Novo, em que o Poder Executivo, na prática, exercia também as funções legislativas. LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO NACIONAL Lei nº 4 024, de 20/12/1961 Discutida e aprovada pelo Congresso Nacional. DIETRIZES E BASES DO ENSINO DE 1º E 2º GRAUS Lei nº 5 692, de 11/8/1971 Aprovada pelo Congresso Nacional em regime de decurso de prazo. LEI Nº 7 044, DE 18 DE OUTUBRO DE 1982: REVOGADA A PROFISSIONALIZAÇÃO COMPULSÓRIA Aprovada pelo Congresso Nacional DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO NACIONAL Lei nº 9 394, de 20 de dezembro de 1996 Discutida e aprovada pelo Congresso Nacional. Fonte: Piletti, 2003. De acordo com a Tabela 1 apresentada acima, a primeira reforma foi realizada por Benjamin Constant em 1890. A partir desse momento ocorreram outras reformas que incluíram disciplinas cientificas até chegar na Lei nº 9 394, de 20 de dezembro de 1996 – Diretrizes e Bases da Educação Nacional. A referida legislação chama de imediato a atenção para dois aspectos: 9 1) O autoritarismo que orientou a formulação da maior parte das reformas: as seis primeiras foram decretadas e a sétima por decreto-lei; 2) A personalidade das reformas, pelo menos verificáveis nominalmente, no caso das sete primeiras, que levam o nome do ministro que as inspirou (PILETTI, 2003). As quatro últimas, embora não reconhecidas pelos nomes de seus inspiradores, não foram muito além da organização da cúpula, apesar de suas discussões e dos movimentos sociais que se seguiram à sua adoção, exceção menos real em relação à nona, época em que conheceu a altura do exército da ditadura militar (PILETTI, 2003). Outros mecanismos especificamente antidemocráticos desenvolveram-se ao longo da velha república, manifestados na legislação e no controle do ensino secundário, um processo político mais amplo que apenas libertou os cidadãos do país e até os enganou dando a voto somente ao cidadão do sexo masculino e maior de 21 anos. É também expressão de uma peculiar concepção de governo herdada de nosso primeiro ditador militar republicano, que assumiu o poder com a renúncia do primeiro presidente, que, nas palavras de Lima Barreto, "não foi despotismo, democracia ou aristocracia; foi tirania doméstica (PILETTI, 2003). Sobre esse assunto, o autor aponta: Pensar o passado não deve ser compreendido como exercício de saudosismo, mera curiosidade ou preocupação erudita. O passado não é algo morto: nele estão as raízes do presente. É compreendendo o passado que podemos dar sentido ao presente e elaborar o futuro (ARANHA, 1989, p.12). 1.5 O Planejamento Educacional como Política Pública Entendemos o planejamento como um processo que inclui não apenas a elaboração de planos, mas também sua implementação e avaliação. O planejamento é, portanto, um processo dinâmico envolvendo um conjunto integrado de atividades com dimensões técnico-científicas e políticas. Esses recursos são analisados em detalhes a seguir. Em primeiro lugar, é preciso distinguir os diferentes níveis de planejamento das atividades educativas, dos quais pelo menos três podem ser identificados: educação, escola e ensino (BRUEL, 2012). 10 O primeiro nível refere-se às políticas públicas - as ações do poder público em nível federal, estadual ou municipal direcionadas aos acervos das escolas e instituições que compõem os sistemas e redes educacionais. O segundo nível diz respeito ao desenho das instituições educativas e educativas e inclui o seu projeto político-pedagógico, regimento interno, organização curricular, horários de funcionamento e espaços com informação e atividades que assegurem a aprendizagem dos alunos do ensino superior (BRUEL, 2012). Também inclui os processos administrativos da escola, a formação e atividades do Conselho e todas as atividades necessárias para atingir os objetivos da educação escolar. O terceiro nível de planejamento refere-se ao trabalho didático-pedagógico realizado em várias salas, que é organizado para aprender saberes de aprendizagem, saberes escolares. Aqui você encontra todas as formas de organizar o planejamento anual, mensal e diário das disciplinas, lições e atividades incluídas no currículo (BRUEL, 2012). Em relação a essa perspectiva, Charlot (1983) e Aranha (1989) afirmam que: Definir os fins educativos é definir, ao mesmo tempo, a sociedade, a cultura e o homem que se quer promover. Educar é realmente cultivar a criança para dela fazer um homem [...] Toda imagem do homem é uma imagem social. Fixar fins para a educação é escolher um tipo de homem, portanto de homem social, portanto de sociedade. Elaborando fins educativos, opta-se por um modelo, ao mesmo tempo, do homem e da sociedade. Essa escolha não é abstrata e intemporal. Há tantas escolhas possíveis quanto classes e grupos em conflito, pois a determinação dos fins pedagógicos exprime esse conflito (CHARLOT, 1983, apud ARANHA, 1989, p. 2). Todas as realidades sociais onde há interação entre indivíduos têm alguma forma de sistema jurídico. Cada jurisdição, via de regra, baseia-se em exigências individuais que visam assegurar a convivência social, que, quando coletivas, adquirem caráter coercitivo (MACHADO, 2011). Em um Estado Democrático de Direito, o reconhecimento e a garantia dos direitos públicossubjetivos vão além da questão jurídica, sendo a correspondência prática tarefa do Estado e de toda a coletividade. Sem descrever detalhadamente todos os problemas relacionados com a implementação de normas jurídicas de caráter social, não há obstáculo ao reconhecimento e proteção desses direitos sociais ou subjetivos (MACHADO, 2011). 11 O primeiro documento que tratou do direito à educação foi a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) elaborada pelas Nações Unidas em 1948. Seus 30 artigos estabelecem a educação como um dos ideais que todas as nações devem alcançar o direito fundamental para a educação. No Brasil, cuja retrospectiva histórico-legal-educacional foi curta até até 1988, as constituições anteriores não consideravam a educação como um direito de todos e não estabeleciam normas adicionais para o funcionamento da educação escolar.3 Muitas iniciativas Desde 1824 Constituição, as medidas legais não se materializaram, o apenas fortaleceu a tradição nacional de "domesticação" e controle da população pobre porque, segundo Machado (2011, p. 181), "o debate do era baseado na escola pública e na verdade, havia cerca de assuntos mais urgentes." Educação Básica e o calendário escolar Para haver um parâmetro de qualidade uniforme entre as escolas da educação básica nacional, o número de aulas do conteúdo curricular deve corresponder ao número mínimo de horas que os professores trabalham nas instituições de ensino. Por isso, é muito importante a elaboração de um calendário que oriente as atividades das etapas que compõem a educação básica, ou seja, jardim de infância, escola primária e ginásio (HEIN, 2020). A LDB de 1996 estabelece como incumbência das escolas, em seu art. 12, III “[...] assegurar o cumprimento dos dias letivos e horas-aula estabelecidos [...]”, reforçando a importância desse ato para que se atinjam os objetivos educacionais. Da mesma forma, ao referir-se às incumbências relativas aos docentes, reforça que devem “[...] ministrar os dias letivos e horas-aula estabelecidos, além de participar integralmente dos períodos dedicados ao planejamento, à avaliação e ao desenvolvimento profissional” (BRASIL, 1996, documento on-line). Os dias letivos ou horas de aula que compõem o calendário escolar da educação básica também devem incluir espaços de tempo para planejamento, avaliação e desenvolvimento profissional. Em seu art.24 desde a LDB de 1996 temos os principais pontos da educação básica no calendário escolar seguido na educação básica: 12 Art. 24 A educação básica, nos níveis fundamental e médio, será organizada de acordo com as seguintes regras comuns: I — a carga horária mínima anual será de oitocentas horas para o ensino fundamental e para o ensino médio, distribuídas por um mínimo de duzentos dias de efetivo trabalho escolar, excluído o tempo reservado aos exames finais, quando houver (BRASIL, 1996, documento on-line). Na LDB de 1996, o regulamento do ensino fundamental e médio estabelece a carga horária mínima anual de 800 horas, divididas em 200 jornadas de estudo que não devem incluir exames finais. Aspectos da educação infantil, que inclui a primeira etapa da educação básica, ainda estão em aberto (HEIN, 2020). Com essa determinação da LDB de 1996, conseguimos uma mudança significativa no número de horas no Brasil, pois ao passar de 720 horas para 800 horas anuais e de 180 para 200 por dia letivo, o Brasil renuncia à incômoda posição de no país embora seja signatário da Carta Universal dos Direitos Humanos de 1948, possui um dos menores períodos de educação permanente para os alunos (HEIN, 2020). Em relação ao ensino médio, existe menção na Lei nº. 13.415, de 16 de fevereiro de 2017, que alterou o art. 24, § 1º, da LDB de 1996: Art. 24 [...] § 1º A carga horária mínima anual de que trata o inciso I do caput deverá ser ampliada de forma progressiva, no ensino médio, para mil e quatrocentas horas, devendo os sistemas de ensino oferecer, no prazo máximo de cinco anos, pelo menos mil horas anuais de carga horária, a partir de 2 de março de 2017 (BRASIL, 2017b, documento on-line). Essa carga horária, que determina 1.000 horas-aula por ano no ensino médio, é confirmada na atual BNCC do ensino médio, o que valida essa proposta de ampliação. Para cumprir esta regra sobre o ônus da educação primária e secundária, alunos devem assistir pelo menos 75% das aulas para serem considerados alunos frequentes e serem admitidos (HEIN, 2020). Em relação à educação infantil, a Lei nº. 12.796, de 4 de abril de 2013, alterou a LDB de 1996, trazendo a seguinte menção: Art. 31 A educação infantil será organizada de acordo com as seguintes regras comuns: I — avaliação mediante acompanhamento e registro do desenvolvimento das crianças, sem o objetivo de promoção, mesmo para o acesso ao ensino fundamental; II — carga horária mínima anual de 800 (oitocentas) horas, distribuída por um mínimo de 200 (duzentos) dias de trabalho educacional; (BRASIL, 2013a, documento on-line). 13 Assim, os estudos das crianças devem ter pelo menos 800 horas-aula e 200 dias letivos no calendário escolar hoje. O que muda em relação a esta etapa do ensino básico, é a particularidade do currículo e essas aulas constituem atividades em jardins-de-infância e pré-escolas a frequência dos alunos é obrigatória, que neste caso constitui 60% das horas (HEIN, 2020). 2 HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO NO BRASIL É possível justificar o estudo da história da educação no Brasil identificando as mudanças e permanências ao longo do tempo e os estados que chamamos de “educação”. As dinâmicas culturais, econômicas, políticas e sociais afetam diretamente os processos educativos, de modo que identificar essas continuidades e descontinuidades permite compreender como determinadas circunstâncias levam a entendimentos específicos da educação e da política educacional (LOMBARDI, 2008). Se afirmarmos que as esferas cultural, econômica, política e social estão diretamente relacionadas às definições e características da educação em determinado tempo e espaço, considerando a história do Brasil, devemos considerar três diferentes períodos: colonial, imperial e republicano. No entanto, existem problemas com esta periodização. A primeira é que sabemos que a história do Brasil começa muito antes de 1500, quando chegaram colonos europeus. De fato, essas terras foram ocupadas por vários povos indígenas, que influenciaram nosso desenvolvimento cultural, histórico e social. Da mesma forma, só nos tornamos "Brasil" a partir de nossa experiência atlântica, ou seja, baseada em relações triangulares com metrópoles europeias, mas principalmente baseada na experiência da escravidão. Assim, quando falamos da história da educação no Brasil, podemos partir de um panorama das práticas educativas dos povos indígenas que ocuparam esses países, ou das formas de aprendizagem que os africanos escravizados trouxeram para as Américas (LOMBARDI, 2008). 2.1 Portugal e Brasil na transição do feudalismo para o capitalismo Nesta primeira fase temos dois períodos distintos: o primeiro período, 1500-1759, desde a conquista e colonização até a expulsão dos jesuítas do Brasil; e o segundo 14 período, 1759-1827, compreendeu a crise do Antigo Sistema em Portugal e suas consequências no Brasil (LOMBARDI, 2008). O primeiro período divide-se em duas fases: a pedagogia do padre jesuíta Manuel da Nóbrega, também conhecido como o período heroico (1549-1570); e a institucionalização da pedagogia jesuítica, ou ratio studiorum (1570-1759) (LOMBARDI, 2008). A chegada dos jesuítas à colônia marcou o início da educação formal no Brasil. Em retrospecto, pode-se dizer que a história era apenas um problema humano, ou seja, apareceu apenas desde a era moderna como algo que tinha que ser entendido e explicado. O motivo é relativamente simples, as pessoas garantiramsua existência principalmente no quadro de condições naturais que se relacionam com a natureza, por meio de uma categoria de "cuidado", o que significava a compreensão de que o ambiente natural lhes fornece os elementos básicos de enfrentamento, que foram introduzidos como processos de mudança brutos, exigentes, os mais primitivos que precisamente por isso levou a formas estabelecidas de vida social, de acordo com a abordagem cíclica do tempo, não foi necessário entender o significado e o propósito da causa das mudanças processadas no tempo, ou seja, o problema da história não foi apresentado (SAVIANI, 2013). Nas palavras do autor: Instituindo colégios e seminários, os jesuítas exerceram o monopólio do ensino até sua expulsão, o que confere um caráter orgânico a todo esse período marcado pelo pleno domínio das ideias pedagógicas classificadas no âmbito da concepção tradicional em sua vertente religiosa (SAVANI, 2013, p. 15). O segundo período também teve duas fases distintas. Na primeira, denominada Pedagogia Pombalina (1759-1808), as reformas do Marquês de Pombal provocaram mudanças educacionais que igualaram os aspectos laicos e religiosos da pedagogia tradicional e a aceitação das classes régias. A segunda fase é a educação durante o período Johannes (1808-1822), que se refere às mudanças ocorridas no campo da educação devido à transferência da corte portuguesa para o Brasil (LOMBARDI, 2008). As reformas pombalinas no ensino público abriram espaço para a circulação das ideias iluministas e das ideias pedagógicas do secularismo (SAVIANI, 2013). 15 2.2 Capitalismo concorrencial e economia mercantil-escravista Nessa segunda fase, de 1822 a 1889, temos as primeiras tentativas, fruto do processo de emancipação política e da formação do Império brasileiro, de organizar algo que poderíamos chamar de educação nacional. Nesse momento, foram feitas as primeiras tentativas de organizar a educação sob a responsabilidade do Estado, e no nível do governo imperial e dos governos provinciais (LOMBARDI, 2008). A constituição de 1824 estipulou que todo cidadão brasileiro tinha acesso a escolas primárias públicas. Segundo a historiadora Cynthia Veiga (2008, p. 502), era “a necessidade de educar e civilizar o povo”. Como invenção imperial, na maioria dos discursos aprender a ler, escrever e fazer matemática, assim como ir à escola, foram condicionantes na construção de uma nova sociedade (VEIGA, 2008). É importante sublinhar quem era considerado cidadão e assim tinha acesso à escola primária. Pessoas escravizadas foram legalmente impedidas de frequentar escolas públicas em várias províncias do império. Esse ordenamento jurídico não impedia que negros livres frequentassem escolas públicas, pois mesmo em uma sociedade escravista havia negros que sabiam ler, escrever e/ou ler. Mesmo que uma escola pública seja aberta a pessoas livres, isso não significa que seu maior grupo de brancos seja maciçamente alfabetizados. Segundo Lilia Schwarcz (2008, p. 503), citado em Veiga, "o censo de 1872 mostrou que 84% da população brasileira era analfabeta; portanto, é possível supor que muitos brancos, inclusive os ricos, não tinham leitura". Pergunte-se o que entendia por educação durante o Império e qual era o lugar da leitura e da alfabetização naquela sociedade. Isso pode ser feito com base em três observações: “a presença frequente de elites governamentais sobre a missão educacional da escola; precárias condições de trabalho das escolas públicas em geral; e finalmente o grande analfabetismo do século XIX" (VEIGA, 2008). A educação pública era muito incerta durante o período imperial. Seu objetivo era educar e civilizar, promover a coesão social, os valores da civilização (como percebido pela elite imperial) e a homogeneização cultural da população. Segundo Veiga (2008, p. 50), “a difusão da compreensão da importância da escola na ordem social é uma invenção imperial, associada à difusão da constituição”. A escola pública, considerada um fracasso do período imperial, em parte devido às limitadas condições 16 de vida do povo, foi criada no início da república como uma escola para alunos brancos de "boa origem" (VEIGA, 2008). 2.3 Passagem do capitalismo concorrencial para o monopolista Nesta terceira fase, observamos mudanças importantes na cultura, economia, política e, portanto, educação. A complexidade da sociedade levou à formação de várias políticas educacionais desde que a República foi proclamada em 1889. Portanto, há mais episódios na terceira fase. O primeiro período (1889-1930) corresponde ao momento que os historiadores chamam de primeira república. A política educacional baseou-se nos ideais do Iluminismo Republicano, escolas de ensino fundamental foram gradualmente lançadas nos estados, enquanto professores foram formados em “escolas normais” (LOMBARDI, 2008). O segundo período (1930-1964) corresponde ao Código Nacional do Ensino Primário, Secundário e Superior e à ideologia pedagógica reformada pelas reformas educacionais realizadas por Francisco Campos e Gustavo Capanema. Em 1930, ocorreu a Revolução de 1930, uma rebelião armada organizada pela oligarquia dos dissidentes dos estados de Minas Gerais, Paraíba e Rio Grande do Sul. Essa rebelião foi organizada após uma tempestuosa eleição presidencial, mas levou a outras demandas políticas e sociais. A Revolução de 1930 foi o evento que provocou a chegada do Getúlio Vargas à Presidência da República (LOMBARDI, 2008). Em 1932, foi divulgado o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova. Para compreender sua importância, é necessário contextualizar rapidamente a proposta. Com a fundação da Associação Brasileira de Educação (ABE) em 1924, ganhou força o movimento renovador, que defendia a superação de uma pedagogia tradicional em prol de uma pedagogia nova (SAVIANI, 2013, p. 15). A propagação do “Manifesto” de 1932 foi um divisor que marcou sobre a disposição do grupo renovador de exercer a hegemonia do campo pedagógico. Posteriormente, essas mudanças culminaram na aprovação da primeira Lei de Diretrizes Nacionais da Educação (LDB) Lei nº 4.024, de 1961 (BITTAR; BITTAR, 2012). Esse segundo período foi dividido em duas fases distintas: 1932 a 1947, que correspondeu ao governo do presidente Getúlio Vargas e explicitou o equilíbrio entre 17 a pedagogia tradicional e a nova pedagogia; a fase de 1947 a 1964 (LOMBARDI, 2008). O terceiro período (1964 -1984) correspondeu ao golpe de 1964 a uma ditadura civil-militar, quando houve uma reorganização da cultura, economia, política e sociedade devido à gestão dos militares no poder. O quarto período, iniciado em 1984 e que se estende até o presente, corresponde à transição para a democracia, à reorganização do estado com a vigência da Constituição de 1988 e à incorporação do Brasil aos quadros de globalização e neoliberalismo também conhecido como a Nova Ordem Mundial. Esse período foi caracterizado por uma série de reformas educacionais, que deram continuidade ao confronto entre as perspectivas crítica e neoliberal de educação, bem como a nova LDB (Lei nº 9.394, de 1996) (LOMBARDI, 2008). 2.4 Alterações realizadas no texto da LDB As alterações ao texto da LDB através das Leis nº 10.639, de 2003 (BRASIL, 2003) e nº 11.645, de 2008 (BRASIL, 2008), estabeleceram a obrigatoriedade do ensino das culturas africanas, afro-brasileiras e suas culturas indígenas para povos em geral e níveis de educação. Essas mudanças se devem à luta de e à mobilização dos movimentos indígenas e negros desde meados da década de 1970. Ambos defenderam a importância e o reconhecimento de sua cultura e história na compreensão da formação do Brasil. O quarto e último período, iniciado em 1984 e que se estende até o presente, corresponde à transição para a democracia, à reorganização do país com a entrada em vigorda Constituição de 1988 e à adesão do Brasil à Globalização e neoliberalismo também intitulado de nova ordem mundial. Esse período foi caracterizado por uma série de reformas educacionais, que deram continuidade ao confronto entre as perspectivas crítica e neoliberal na educação, bem como a nova LDB (Lei nº 9.394, de 1996) (LOMBARDI, 2008). As alterações ao texto da LDB por meio das Leis nº 10.639, de 2003 (BRASIL, 2003) e nº 11.645, de 2008 (BRASIL, 2008), estabeleceram a obrigatoriedade do ensino das culturas africanas, afro-brasileiras e suas culturas indígenas à povos em geral e diversos níveis de educação. Essas mudanças se devem à luta de e à mobilização dos movimentos indígenas e negros desde meados da década de 1970. 18 Ambos defenderam a importância e o reconhecimento de sua cultura e história na compreensão da formação do Brasil. Segundo Anísio Teixeira, a lei e o governo, tanto na educação quanto na vida nacional em geral, não foram formados pelo esforço da sociedade em disciplinar uma realidade concreta que aos poucos se transformaria. A lei era algo mágico que poderia mudar repentinamente a face das coisas. Na verdade, todas as nossas leis representavam um nível ideal de perfeição, como uma utopia platônica (PILETTI, 2003). Já chegamos a extremos incríveis. Leis perfeitas, definições ideais de instituições e realidades, às vezes como um ponto entre o trivial e o abominável, e essas definições ideais de lei emitem atos oficiais, cheios de poder mágico para transformar aquela realidade particular em uma realidade oficial semelhante de acordo com a lei (PILETTI, 2003). Juntamente com outros fatores como a exclusão da maioria e a tomada de decisões de cima para baixo e do centro para a periferia, esse formalismo jurídico acrescentou à nossa história o que pode ser caracterizado justamente como uma série de metamorfoses conflituosas à democracia. À medida que as grandes exigências de mudança e participação cidadã na vida nacional se tornavam quase insuportáveis, os governantes promoviam reformas pseudodemocráticas cujo verdadeiro objetivo sempre foi esconder a desigualdade e a injustiça social para fortalecer o status a seu favor (PILETTI, 2003). 3 ANÁLISE TÉCNICA E POLÍTICO-IDEOLÓGICA DAS BASES LEGAIS 3.1 Políticas Educacionais na Sociedade brasileira Segundo a LDB, a educação é um processo de formação do indivíduo que atravessa praticamente todos os campos de ação do homem, desde suas ações na vida familiar até sua atuação no meio acadêmico e profissional. Com base na legislação, entendemos que é papel da educação permitir que o sujeito desenvolva as habilidades necessárias para refletir sobre a realidade social e tomar as decisões que vão ditar o rumo de sua vida e influenciar a transformação da sociedade em que está inserido (SOARES, 2014). Entretanto, basta olhar ao seu redor para constatar que a realidade é outra. 19 Em 2017, de acordo com dados do IBGE, um relatório do Plano Nacional de Educação (PNE) concluiu que 1,95 milhão de crianças e adolescentes brasileiros entre 4 e 17 anos estão fora da escola. Além disso, não basta que as crianças e os jovens frequentem a escola, mas que esta ofereça um ensino de qualidade (SOARES, 2014). 3.2 Índice Nacional da Educação Básica para 2017 A média nacional do Índice Nacional da Educação Básica para 2017 foi de 5,8 para os anos iniciais do Ensino Fundamental, 4,7 para os anos finais do Ensino Fundamental e 3,8 para o Ensino Médio. Mas de quem é a responsabilidade por isso? A Constituição Brasileira de 1988 é clara em seu art. 205 ao atribuir esse papel ao Estado, em primeiro lugar, e à família, em segundo: "a educação, direito de todos e dever do Estado e da família" (BRASIL, 1988). Porém, apenas 12 anos depois, a ordem dessas atribuições sofre uma inversão, como aponta o professor Marco Aurélio Soares (2014), no art. 2º da LDB de 1996, a educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho (BRASIL, 1996 ). Aconteceu apenas por um descuido? Observe também que desaparece nesse trecho da LDB o princípio constitucional de que a educação é um direito de todos. Outro descuido? Bem provável que não. De acordo com Soares (2014), o Estado que sequer cumpriu seu papel de universalizar o Ensino Fundamental - busca, por meio da nova legislação, passar esse dever para a família, que ficaria responsável por requisitar esse benefício. Quadro 1 – O dever do Estado nos art. 208 da CF e do art. 4º da LDBEN DEVER DO ESTADO CF – ART. 208 LDBEN – ART. 4º Ensino obrigatório I - "educação básica obrigatória e gratuita dos 4 (quatro) aos 17 (dezessete) anos de idade, assegurada inclusive sua oferta gratuita para todos os que a ela não tiveram acesso na idade própria "I – ensino fundamental, obrigatório e gratuito, inclusive para os que a ele não tiveram acesso na idade própria! 20 Ensino médio "II – progressiva universalização do ensino médio gratuito. "II – universalização do ensino médio gratuito (modificado pela Lei n° 12.061, de 2009). Atendimento especializado "III – atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino. "III – atendimento educacional especializado gratuito aos educandos com necessidades especiais, preferencialmente na rede regular de ensino. Educação Infantil "IV – educação infantil, em creche e pré- escola, às crianças até 5 (cinco) anos de idade." "IV – atendimento gratuito em creches e pré- escolas às crianças de zero a cinco anos de idade. Niveis mais elevados de ensino "V – acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a capacidade de cada um." "V – acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a capacidade de cada um." Ensino Noturno "VI – oferta de ensino noturno regular, adequado às condições do educando." "VI – oferta de ensino noturno regular, adequado às condições do educando." Educação de jovens e adultos - “VII – oferta de educação escolar regular para jovens e adultos, com características e modalidades adequadas às suas necessidades e disponibilidades, garantindo- se aos que forem trabalhadores as condições de acesso e permanência na escola. Programas suplementares “VII – atendimento ao educando, em todas as etapas da educação básica, por meio de programas suplementares de material didático escolar, transporte, alimentação e assistência à saúde. “VIII – atendimento ao educando, no ensino fundamental público, por meio de programas suplementares de material didático-escolar, transporte, alimentação e assistência à saúde. Padrão de qualidade - “IX – padrões mínimos de qualidade de ensino, definidos como a variedade e quantidade mínimas, por aluno, de insumos indispensáveis ao desenvolvimento do processo de ensino-aprendizagem.” 21 Vaga na educação infantil - "X – vaga na escola pública de educação infantil ou de ensino fundamental mais próxima de sua residência a toda criança a partir do dia em que completar 4 (quatro) anos de idade (incluído pela Lei nº 11.700, de 2008). Fonte: Adaptado de Brasil (1988; 1996) 3.3 O dever da família e do Estado. De acordo com o artigo 2º, a finalidade da educação, responsabilidade familiar e estatal, inspirada nos princípios da liberdade e nos ideais da solidariedade humana, é o desenvolvimento integral do aluno, sua preparação para o exercício da cidadania e competência para o trabalho (PILETTI, 2003). É uma verdadeira extensão doconceito de escolaridade obrigatória, que passou a incluir três ciclos do ensino básico, mas não na totalidade, porque a definição do escalão etário limita a obrigatoriedade a crianças e jovens dos aos 17 anos. Assim, a obrigatoriedade inicia-se desde a fase pré-escolar da educação infantil e estende- se até o ensino médio, caso o aluno tenha a idade exigida por lei (BRUEL, 2012). Quando considero que um dos objetivos da educação, de acordo com a Constituição de 1988, é a preparação para o exercício da cidadania e, ao mesmo tempo, penso que a maioria dos jovens nem sabem quem é o prefeito de sua cidade, é para se preocupar em relação ao futuro da juventude de nosso país (PILETTI, 2003). Se você pensar no fato de que esses jovens têm que prestar vestibular em algum momento da vida, o desinteresse em buscar informações em geral cria uma grande desvantagem para eles. Claro, a escola não poderia ensinar a ele o que seu prefeito poderia ter em comum com seus estudos ou com o fato de que ele deveria aprender a dirigir o futuro dele e de seu país. Obviamente, preparar-se para o exercício informado da cidadania não se limita a apenas conhecer o nome do prefeito e do partido político. Mas se essa coisa básica não acontecer, o que os outros dirão? (PILETTI, 2003). 3.4 Objetivos Gerais da Educação Parece que os grandes objetivos da educação foram escritos nas constituições, mas nem sempre foi assim. Somente depois de 1934 foi acrescentado à nossa constituição um capítulo sobre educação e cultura. Antes disso, a educação continha algumas parcas disposições, como a educação básica gratuita e a criação de colégios 22 e universidades na Constituição de 1824, e os que determinam as competências do Congresso Nacional (art. 34, item 30, e art. 35) e a laicidade do ensino ministrado nos estabelecimentos públicos (art. 72, parágrafo 6º) na de 1891 (PILETTI, 2003). E mesmo depois de 1934 estaríamos errados se pensássemos que os objetivos gerais da educação foram constitucionalmente definidos de forma clara e precisa com o capítulo sobre educação e cultura. De acordo com a Constituição de 1934, "a educação é direito de todos e deve ser garantida pela família e pelas autoridades encarregadas de fornecê-la aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País, de forma que possibilite a efetivação de fatores morais e econômicos na vida do povo brasileiro e possa desenvolver no espírito do Brasil a consciência da solidariedade humana" (Art. 1 9) (PILETTI, 2003). 3.5 Práticas pedagógicas entre o ensino fundamental e o ensino médio A educação básica no Brasil é dividida em três etapas distintas, das quais são muito importantes na vida como aluno da educação básica brasileira. Essa ordem, porém, é apenas uma forma de organização, e a formação plena do indivíduo ocorre por meio da construção simultânea, que ocorre em todas as etapas da educação. Portanto, essas etapas devem ser pensadas e construídas de forma que haja integração entre todas elas e, portanto, entre todas elas as competências e habilidades que se formam nesse ciclo de continuidade do ensino fundamental ao superior. Educação de qualidade na escola, é o que visa ao final desse processo alcançar os principais objetivos da educação brasileira (BRASIL, 2017). 3.6 A preparação para o trabalho O ensino secundário desempenha um papel importante na preparação para o trabalho, tendo em conta que muitos alunos não continuam a sua vida académica, saem da escola diretamente para o mercado de trabalho. Isso não significa profissionalização precoce e/ou formação incerta para atender às demandas imediatas do mercado de trabalho. Ao contrário, é o desenvolvimento de competências que dá ao aluno a oportunidade de participar de forma ativa, crítica, criativa e responsável das mais diversas organizações da vida profissional (BRASIL, 2017). 3.7 A formação ética e o pensamento crítico A educação ética e o pensamento crítico demonstram que não é apenas sobre a aquisição de conteúdo e domínio de técnicas, mas também sobre o desenvolvimento 23 humano, valores morais e pensamento crítico dos alunos. A educação e a atitude éticas são tão importantes quanto a aquisição de habilidades e competências para a construção de uma sociedade mais justa, ética, democrática, inclusiva, sustentável e sólida (BRASIL, 2017). Existe a possibilidade, porém de o professor após apresentar diversas maneira corretas de comportamento para o aluno, questionar sobre quais práticas eles costumam ver com destaque no seu dia a dia. Por fim, tratar dos fundamentos científico-tecnológicos é uma forma de conectar a teoria com a prática. Com isso, pode proporcionar aos alunos uma compreensão mais ampla sobre objetos e processos, permitindo que eles utilizem as tecnologias existentes, adquiram as linguagens da tecnologia digital e tenham consciência de seu uso, desenvolvendo uma mente crítica (BRASIL, 2017). 4 HUMANIDADES X CIÊNCIAS Examinando os currículos do ensino médio aprovados durante a República, duas características principais emergem: a enciclopédia, que aparece isolada em grande parte das disciplinas cursadas, e a redução gradativa da carga horária voltada para a disciplina de humanidades, inversamente proporcional ao tempo destinado à matemática e às ciências naturais (PILETTI, 2003). O plano de 1890 previa o estudo de vinte disciplinas 24 horas por semana, incluindo revisões naquelas disciplinas em que o curso regular era gasto. Tal sistema fazia com que, por exemplo, no 7º ano, fossem estudadas quinze disciplinas entre aulas e repetições. Em 1901 as revisões deixaram de existir, o número de disciplinas foi reduzido para dezesseis anos, e o número de horas de aulas semanais variou de dezessete no 1º ano para 26 no 6º ano. A situação mudou parcialmente em 1911, quando o número total de disciplinas foi reduzido para quatorze e um máximo de sete para o ano. Em 1915, o número total de disciplinas permaneceu inalterado. Em 1925, foram introduzidas seis novas disciplinas - educação moral e cívica, filosofia, história da filosofia, literatura brasileira, literatura de línguas latinas e sociologia - ou um total de 21 disciplinas (PILETTI, 2003). Desde 1931, o ensino secundário - que segundo o plano de 1890 durava sete anos e depois seis anos - foi dividido em básico, de cinco anos e adicional, de dois anos. A primeira fase continha treze disciplinas obrigatórias, enquanto a segunda oferecia três opções de acordo com a carreira universitária pretendida: 1º) Direito; 2º) 24 cursos médicos, farmacêuticos e odontológicos; 3º) curso de engenharia e arquitetura (PILETTI, 2003). Em 1942, o ensino secundário foi ainda dividido em dois períodos, cuja denominação e duração mudaram: ensino médio, com duração de quatro anos, e ginásio, com duração de três anos e em duas modalidades: curso clássico e curso científico. A partir de 1961, o ensino secundário, apesar de manter a sua estrutura e duração, apresentava duas diferenças importantes: por um lado, essa denominação passou a abranger tanto o ensino secundário como o ensino técnico-profissional, que se equiparavam em termos de continuação dos estudos (PILETTI, 2003). 4.1 O papel social da educação A educação é, por sua própria natureza, um evento coletivo: não se pode falar dela quando se pensa em pelo menos duas pessoas, se pensa em fenômenos naturais importantes, em fatos importantes ou nos significados atribuídos a determinados símbolos (LOPES, 2012). Além disso, sabe-se que entre os tópicos educacionais a escolha do conteúdo das discussões não é espontânea ou aleatória, mas é escolhida com base nos valores dominantes do grupo, podendo até ser, como já disse meio de disseminar ideologias. Pois, como afirma Freire (2001): Nenhuma realidade é porque tem que ser. A realidade pode e deve ser mutável, deve ser transformável. Mas, parajustificar os interesses que obstaculizam a mudança, é preciso dizer que “é assim mesmo”. O discurso da impossibilidade é, portanto, um discurso ideológico e reacionário. Para confrontar o discurso ideológico da impossibilidade de mudar, tem-se de fazer um discurso também ideológico de que tudo pode mudar. Eu não aceito, eu recuso completamente essa afirmação, profundamente pessimista, de que não é possível mudar (FREIRE, 2001, p. 169). Dessa forma, o impacto da educação é visto além do alcance do universo professor-aluno e da pequena comunidade local, podendo ser visto em uma escala ainda maior em toda a sociedade. Portanto, haja vista que a educação tem efeitos tão abrangentes, é necessário compreender seu papel no tecido social (LOPES, 2012). 4.2 A construção histórica da educação popular A educação pública nasceu fora da escola, mas seus princípios tiveram um impacto tão grande na sociedade que ultrapassaram as fronteiras e os muros das escolas, influenciando as práticas educativas tanto as que acontecem nas 25 dependências da escola quanto as que são implementadas pelas instituições de ensino. É importante lembrar que, até a década de 1940, a educação popular visava estender a educação formal a todos, principalmente às periferias das cidades ou do campo. No final da década de 1940, começaram a surgir os primeiros embriões do que se dizia respeito a questões relacionadas à formação básica (FREIRE, 2001). Após a segunda guerra mundial, surgiram os princípios da democracia, cuja estrutura internacional se mesclava com as mobilizações nacionais da época, que enfatizava o movimento educacional voltado para o povo. Se se procurava o desenvolvimento social e económico do país, era evidente a necessidade de criar e programar uma política de educação básica, que não se limitasse à alfabetização da população pobre, que também estivesse em alto nível a serviço do mundo moderno (FREIRE, 2001). Avançamos para a década de 1960, que se caracterizou por um período de avanços no processo de industrialização do Brasil. Nele, destacamos a migração rural e as rápidas mudanças econômicas, sociais, políticas e culturais do país. No início desta década, ocorreram novas desordens políticas e culturais que continuaram a surgir do clima pós-1945 (CARNEIRO, 2020). E como na década anterior, a pobreza continuou a piorar tanto nas cidades rurais quanto nas outras cidades. As mobilizações sociais ferviam e reivindicavam melhores condições de vida para os moradores. Após a revolução cubana em 1959, as figuras de Che Guevara e Fidel Castro tornaram-se inspiração para movimentos populares que também buscavam mudanças profundas que mudaram estruturalmente a sociedade brasileira (CARNEIRO, 2020). Nasceram movimentos políticos e socioculturais que uniram sindicatos, organizações estudantis e movimentos ligados à Igreja Católica. Entre as comunidades religiosas é interessante destacar a pastoral social e a teologia da libertação, fortemente motivada por preconceitos sociais, e as Comunidades Eclesiásticas de Base (CEB), que se empenham na edificação do reino de Deus para os pobres e oprimidos. As CEBs contribuíram para o nascimento de várias outras organizações com o mesmo objetivo (CARNEIRO, 2020). Em 1961, destaca-se a criação do Movimento de Educação Básica (MEB). Sob a liderança da Igreja Católica Romana a Conferência Nacional dos Bispos (CNBB). 26 Com o método ver-julgar-agir, os alunos estavam prontos para entender e mudar o mundo, além de ler e escrever (CARNEIRO, 2020). Em relação à educação e cultura popular, a CNBB defendeu uma proposta ousada para a educação de jovens e adultos. Nesse sentido, de acordo com Favero (1983): A expressão “cultura popular” surge como uma denúncia dos conceitos culturais em voga que buscam esconder o seu caráter de classe. Quando se fala em cultura popular acentua-se a necessidade de pôr a cultura a serviço do povo, isto é, dos interesses efetivos do país. Em suma, deixa-se clara a separação entre uma cultura desligada do povo, não popular, e outra que se volta para ele e, com isso, coloca-se o problema da responsabilidade social do intelectual, o que obriga a uma opção. Não se trata de teorizar sobre cultura em geral, mas de agir sobre a cultura presente, procurando transformá-la, estendê-la, aprofundá-la (FAVERO, 1983). De fato, o conhecimento da maioria da população era entendido como uma forma de cultura considerada inferior, atrasada e ultrapassada. Assim nasceu o termo "cultura popular". No entanto, não podemos esquecer que quem desenvolveu originalmente o termo "cultura popular" foram intelectuais que participaram da elite cultural da sociedade (FAVERO, 1983). Percebe-se que no Brasil o conceito de "cultura popular" começou a se desenvolver a partir da década de 1960, levando à reinvenção de ideias e à sugestão de novas práticas. Nesse período, o termo “cultura popular” começou a adquirir diferentes significados e intensificação. Nessa época, novos problemas começaram a aparecer devido à mentalidade evolutiva dos intelectuais. Uma delas foi a consciência das diferenças culturais entre as diferentes classes, que alimentou ainda mais o processo político e a vontade dos intelectuais de participar desse processo (FAVERO, 1983). Todos os povos têm cultura, porque trabalham, porque transformam o mundo e, ao transformá-lo, se transformam. A dança do povo é cultura. A música do povo é cultura, como cultura é também as formas como o povo cultiva a terra. Cultura é também a maneira como que o povo tem de andar, de sorrir, de falar, de cantar, enquanto trabalha (...) Cultura são os instrumentos que o povo usa para produzir. Cultura é a forma como o povo entende e expressa o seu mundo e como o povo se compreende nas suas relações com o seu mundo. Cultura é o tambor que soa pela noite adentro. Cultura é o ritmo do tambor. Cultura é a ginga dos corpos do povo ao ritmo dos tambores (FREIRE, 2003, p. 75-76). Acreditamos que a cultura popular faz parte do cotidiano das pessoas, ou seja, da vida das pessoas independente de classe social. Como bem adverte Freire, a 27 cultura é a concretização do nosso trabalho: são necessárias a ação e a reflexão sobre este mundo onde nós vivemos, para concretizarmos de forma consciente (FREIRE, 2003). 4.3 Golpe Militar de 1964. O golpe militar de 1964 foi um freio às mudanças ocorridas no Brasil, desde o início da década de 1960, os militares alinharam-se politicamente com as forças do capital nacional e internacional, a sociedade brasileira estava ideologicamente pronta para aceitar e principalmente apoiar o golpe autoritário (CARNEIRO, 2020). A famosa Marcha da Família com Deus pela Liberdade reuniu de 500 a 800 mil pessoas na São Paulo em 19 de março de 1964, três semanas antes do golpe. As bandeiras de batalha eram contra o comunismo, proteção da família e da propriedade privada e contra o ateísmo. A marcha foi patrocinada por grandes empresários, fazendeiros, banqueiros, parlamentares da oposição e interessados em derrubar o então presidente João Goulart. Esses setores coordenam a logística, comunicação e mobilização do evento. Goulart era visto como um esquerdista – uma ameaça aos interesses da elite. Na verdade, o presidente planejou várias mudanças no país, a mais polêmica e "assustadora" foi uma reforma agrária que mudaria essencialmente a estrutura do latifúndio brasileiro que foi criado após o Brasil colonial, também propôs a democratização da educação, acabando com o analfabetismo, dando o voto aos analfabetos e nacionalizando as refinarias internacionais de petróleo. Já afirmava Freire (1967) que: A inexperiência do povo brasileiro tem raízes histórico-culturais, presentes no colonialismo e na escravidão, e cujos efeitos são percebidos ainda hoje. As relações de dominação fazem parte da trajetória do país. Isso tolheu apossibilidade de emancipação e participação democrática da população (FREIRE, 1967). O poder econômico nacional e internacional considerava esses e outros meios uma ameaça à sua hegemonia (CARNEIRO, 2020). 4.4 Novo Milênio marcado por ascensões de governos populares. O novo milênio foi marcado pela ascensão de governos populares no Brasil e em outros países latino-americanos. Mas, pelo menos no caso do Brasil, a mudança 28 estrutural foi limitada pelo poder do capital. No entanto, restaram legados importantes, como a redução da desigualdade social (CARNEIRO, 2020). Espaços de democracia participativa foram criados ou ampliados. Conferências, conselhos, mediações, mesas de diálogo e outros proporcionaram um diálogo inédito entre Estado e sociedade civil. As políticas nacionais foram criadas por meio de um processo de diálogo inédito e com ampla participação popular. A partir da segunda metade da década de 2010, o Brasil voltou a passar por um período de instabilidade democrática, quando o governo estava quebrado e o desenvolvimento econômico e social fracassado. A suspensão do mandato da presidente Dilma Rousseff e a posse do por Michel Temer em 2016 marcaram o fim do mais longo contrato social da Nova República (CARNEIRO, 2020). As várias formas pelas quais a cultura popular pode ser realizada servem ao mesmo objetivo, que é a educação revolucionária do povo; não é que este ensine o que deve fazer, mas esta iniciativa deve partir das suas condições concretas de vida através das necessidades da prática e da realidade, não de interesses intelectuais (FAVERO, 1983; CARNEIRO, 2020). Nesse contexto, pode-se observar que naquela época o problema do intercâmbio entre intelectuais e pessoas foi colocado em níveis cada vez mais baixos parece que ainda não entendeu que o problema não é apenas em níveis culturais, mas também sobre diferenças culturais. Com diferentes níveis, não é o nível mais alto que tem a capacidade de buscar a unidade de ação e a direção do processo. Isso explica a busca por um lugar de destaque atribuído aos setores da classe média na ordem política alcançável (FAVERO, 1983; CARNEIRO, 2020). Deste ponto de vista, a cultura popular existe ao longo de nossas vidas e comunidades em geral e especificamente em coletividade e se completa considerando as contradições da sociedade em que vivemos, fazendo com que observemos de forma cuidadosa a maneira que nos portamos diante de cada situação no nosso cotidiano (FAVERO, 1983; CARNEIRO, 2020). 5 FINALIDADES E OBJETIVOS DAS DIRETRIZES CURRICULARES NACIONAIS DA EDUCAÇÃO BÁSICA Podemos entender a sociedade brasileira como um contexto muito mestiço, mesclado e miscigenada onde a diversidade cultural deve ser respeitada e 29 constantemente independente de ser problemática no âmbito social e também na escola (BRASIL, 2013). Essa contextualização inicial nos faz pensar: como a nação pode construir um projeto educacional nacional nesse contexto? Como planejar e medir, para que os mesmos critérios educacionais sejam ensinados e cumpridos em tantos lugares diferentes e com tantos alunos diferentes? (BRASIL, 2013). A resposta a essas questões reside na existência das diretrizes do currículo nacional para a educação básica, pois essas cumprem a obrigação de educação básica da União, tomada em Art. 9º, inciso IV, da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), que dispõe que a União: Estabelecer, em colaboração com os Estados, o Distrito Federal e os municípios, competências e diretrizes para a Educação Infantil, o Ensino Fundamental e o Ensino Médio, que nortearão os currículos e seus conteúdos mínimos, de modo a assegurar formação básica comum (LDB 9394/96, art.9). Assim, as diretrizes foram elaboradas e adotadas como atribuições federais e são obrigatórias, o que significa que, em nível nacional, as escolas devem segui-las na formulação de suas propostas pedagógicas e no desenvolvimento de propostas curriculares com os alunos. O primeiro objetivo da DCNGEB (2013) é: I – Sistematizar os princípios e diretrizes gerais da Educação Básica contidos na Constituição, na LDB e demais dispositivos legais, traduzindo-os em orientações que contribuam para assegurar a formação básica comum nacional, tendo como foco os sujeitos que dão vida ao currículo e à escola (DCNGEB, 2013, p.9). Em outras palavras, lembramos que temos direito à educação de qualidade e ela nos dá a formação humana, cívica e profissional garantida pela Constituição Federal e também pela própria LDB. O manual sistematiza e organiza como se dá este estudo nas escolas do nosso país. Como outro objetivo, DCNGEB apresenta o seguinte texto: II – Estimular a reflexão crítica e propositiva que deve subsidiar a formulação, execução e avaliação do projeto político-pedagógico da escola de Educação Básica (DCNGEB, 2013, p.10). Todos que já se envolveram direta ou indiretamente na construção do Projeto Político-Pedagógico (PPP) da escola, sabem que não é uma tarefa fácil, pois envolve várias etapas importantes que visam garantir a construção do documento escolar na verdade, um documento que carrega a identidade desta escola e de sua comunidade. 30 Portanto, a tarefa deste guia geral é também problematizar e oferecer reflexões sobre a importância da construção dos PPP para as escolas de ensino fundamental (BRASIL, 2013). E como terceiro objetivo, o DCNGEB estabelece: III – orientar os cursos de formação inicial e continuada de profissionais – docentes, técnicos, funcionários – da Educação Básica, os sistemas educativos dos diferentes entes federados e as escolas que os integram, indistintamente da rede a que pertençam (DCNGEB, 2013, p.10). Este terceiro objetivo está relacionado ao atendimento de cursos voltados à formação de professores e à continuidade desses cursos básicos nas escolas para garantir a discussão e reflexão contínua da teoria e a práxis seja estabelecida no ambiente escolar (BRASIL, 2013). Assim, para fins didáticos, conforme figura abaixo podemos definir resumidamente os objetivos do DCNGEB no seguinte diagrama: Fonte: Elaborado pelo autor. 5.1 As Diretrizes Nacionais Básicas da Educação Básica e a qualidade na educação Quando falamos em qualidade, a primeira coisa que vem à mente é que ela é subjetiva, ou seja, as pessoas pensam e vivenciam a qualidade de forma diferente, com diferentes padrões e perspectivas. Mas isso não significa que devemos deixar de lutar pela qualidade que desenvolvemos em termos de educação (BRASIL, 2013). Em vez disso, devemos criar padrões, regras pelas quais possamos ver a educação em todos os cantos do nosso país buscando a qualidade uniforme. Esse padrão de qualidade também é comprovado pela LDB, seu art. 3, inciso IX (BRASIL, 2013). As DCNGEB (2013) entendem que: O conceito de qualidade na escola, numa perspectiva ampla e basilar, remete a uma determinada ideia de qualidade de vida na sociedade e no planeta Terra. Inclui tanto a qualidade pedagógica quanto a qualidade SISTEMA TIZAR A EDUCAÇÃO BÁSICA NACIONAL ESTIM ULAR O PPP ORIENT AR A FORMAÇÃO INICIAL E CONTINUADA 31 política, uma vez que requer compromisso com a permanência do estudante na escola, com sucesso e valorização dos profissionais da educação. Trata- se da exigência de se conceber a qualidade na escola como qualidade social, que se conquista por meio de acordo coletivo. Ambas as qualidades – pedagógica e política – abrangem diversos modos avaliativos comprometidos com a aprendizagem do estudante, interpretados como indicações que se interpenetram ao longo do processo didático-pedagógico, o qual tem como alvo o desenvolvimento do conhecimento e dos saberes construídos histórica e socialmente (DCNGEB, 2013, p.23). Ressaltamos que a qualidade proposta e buscada no guia está relacionada à busca daqualidade social e planetária, onde alunos e professores se sintam considerados igualmente em termos de aprendizado e reconhecimento em nível nacional (BRASIL, 2013). 5.2 As DCNEB e suas articulações com o currículo e as propostas pedagógicas nas escolas Para operacionalizar e sistematizar os processos de ensino e aprendizagem nas escolas brasileiras, buscando ideias sobre qualidade social relacionadas e claras às formas de PPP das escolas, é preciso discutir os currículos escolares, de forma que tenha uma acessibilidade abrangente (BRASIL, 2013). A discussão sobre o currículo da escola é importante pela diversidade de escola e cultura dos nossos alunos. A cultura é entendida como uma produção social, a totalidade das práticas e dos discursos, que formam a identidade e participam da formação da subjetividade humana (BRASIL, 2013). Nesse sentido, afirma-se que: (...) toda política curricular é uma política cultural, pois o currículo é fruto de uma seleção e produção de saberes: campo conflituoso de produção de cultura, de embate entre pessoas concretas, concepções de conhecimento e aprendizagem, formas de imaginar e perceber o mundo. Assim, as políticas curriculares não se resumem apenas a propostas e práticas enquanto documentos escritos, mas incluem os processos de planejamento, vivenciados e reconstruídos em múltiplos espaços e por múltiplas singularidades no corpo social da educação (DCNGEB, 2013, p.24). Assim, entendendo o currículo como uma política cultural, considerando que propõe e articula os saberes a serem desenvolvidos em sala de aula, as diretrizes geram discussão e problematização porque refletem inúmeras culturas e podem concretizar o que se propõe nos projetos político-pedagógicos das escolas (BRASIL, 2013). 32 Essas PPPs, por sua vez, são bem elaboradas e seguem as próprias diretrizes, traduzindo a opinião da comunidade escolar sobre o tipo de aluno e a escola pretendida para aquele local, otimizando o acesso para que venha a evitar a evasão escolar. O projeto nacional de educação, onde todos possam aprender, desenvolver- se, tornar-se cidadão em igualdade de condições escolares, buscar um padrão de qualidade, uma forma acessível de solucionar a demanda, é incentivado e continuado com a implantação da educação nacional guia de Educação Básica (BRASIL, 2013). 5.3 Marcos legais da educação básica O significado e a importância da educação básica mudaram no Brasil após a Constituição Federal de 1988, quando pela primeira vez na história da educação brasileira ela foi vista como um direito público, subjetivo que prima pela justiça no acesso e a qualidade da educação, e em contraste com seu caminho anterior elitista e educação desigual. No que se refere à educação básica, podemos entender que existem alguns marcos legais que têm beneficiado a educação pública em vários aspectos, relacionados ao nível básico do processo escolar que analisamos neste capítulo. São eles: • Constituição Federal de 1988; • Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA); • Conferência Mundial sobre Educação para Todos; • Lei de Diretrizes e Bases (LDB) da Educação Nacional de 1996; • Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs); • Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) gerais para educação básica; • Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para a educação infantil e para o ensino fundamental. Iniciamos analisando os principais ensinamentos que a LDB 1996 traz para o art. 2 quando introduz o conceito de educação (BRASIL, 1996, documento online): "Art. 2. [...] visa o desenvolvimento integral do aluno, sua preparação para o exercício da cidadania e competência trabalho. ". A Lei do Tribunal de Contas Europeu nº 8069 de 13 de julho de 1990 destaca que: 33 Art. 4º É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária (BRASIL, 1990). A BNCC da educação infantil e básica, aprovada em 2017, é um importante marco legal para a educação básica hoje, porque pela primeira vez na história da educação brasileira, temos um documento que define direitos oportunidades de aprendizagem para todos os alunos do jardim de infância e do ensino fundamental. A BNCC tem como objetivo proporcionar aprendizagem essencial e desenvolver competências e habilidades nas áreas de experiências da primeira infância e áreas de conhecimento da educação básica. Além disso, é referência obrigatória para a elaboração dos currículos de todas as escolas do sistema educacional brasileiro. Os Planos Nacionais de Educação (PNEs), 2001 e 2014, também abordaram aspectos relacionados à educação básica nacional e propuseram metas que incluem a busca por uma educação de qualidade, garantindo o acesso à educação e a universalização do direito a educação neste nível inicial de educação. Na LDB, encontramos a definição de educação básica em seu artigo 21, onde há uma citação (BRASILIO, 1996, art. 21, documento online): "Art. 21 A educação escolar compreende: I — a educação básica, que compreende o ensino primário, o ensino básico e o ensino secundário [...]". O que a LDB propôs traz um novo entendimento para o conceito de educação básica, não a limita apenas à educação básica, mas valoriza a educação infantil como etapa importante e parte dessa base educacional, que se pretende foi construída e reiterada também a importância do ensino secundário, que permite o acesso ao futuro ensino superior. Chama-se educação básica justamente porque oferece meios para construir a trajetória de cidadãos socialmente produtivos e melhorar a qualidade de vida da comunidade. A legislação educacional atual, as pesquisas e estudos na área da educação confirmam a ideia de que, ao concluir todas as etapas da educação básica (infância, ensino fundamental e médio), o cidadão brasileiro alcança uma melhor qualidade de vida e cidadania. Cury (2002, p. 170), analisando o conceito de educação básica proposto pela LDB em 1996, afirma que “O resultado é que a educação infantil é o alicerce da 34 educação básica, a educação básica é sua estrutura e instrumento pedagógico e o médio a conclusão, e baseia-se na visão do todo como base para obter uma visão coerente das partes". Por meio dessa metáfora, o autor mostra a ideia principal de que, nesse caso, será entendido como a soma dos passos de componentes igualmente importantes com a ajuda de políticas e programas educacionais, pretendemos garantir o direito à educação. Admissão e permanência escolar e estabelecimento de padrões de qualidade são iniciativas que nem sempre garantem oportunidades iguais para todos. Os resultados educacionais também são afetados por outros fatores que estão fora do controle da escola porque pertencem a outras áreas, como economia, apoio à renda e segurança pública. 5.4 Competências exclusivas sob as quais a União deve legislar. Constituição Federal de 1988, art. 22, XXIV, elenca as competências exclusivas sob as quais a União deve legislar, referindo-se às “Diretrizes e Princípios da Educação Nacional. ” (BRASIL, 1988). Assim o fez a LDB de 1996 - Lei nº. 9.394, de 20 de dezembro de 1996 - entra em vigor para cumprir dever constitucional inerente a esta União. A Conferência Mundial sobre Educação para Todos realizada em Jomtien, Tailândia, em 1990, contou com a presença de Brasil, por iniciativa de: • Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco); • Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef); • Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD); • Banco Mundial. Naquela época, "[...] opiniões unânimes levaram a uma luta para atender