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Disciplina: Avicultura
Professora: Ana Carolina Dohler
AULA 6: Cama de Aviário
CAMA DE AVIÁRIO
O objetivo do uso da cama de aviário é evitar o contato direto da ave
com o piso, servir de substrato para a absorção da água, incorporação das
fezes e penas e contribuir para a redução das oscilações de temperatura no
galpão. Os cuidados que o avicultor deve ter com a cama deve ser o mesmo
cuidado que se dispensa no manejo da ração e da água, pois ela tem um papel
muito importante no desempenho de frangos de corte. No Brasil a reutilização
de cama de aviário é praticada por aproximadamente 6 lotes, nos USA
aproximadamente 15 lotes e nos EU a cama é trocada cada lote. Devido esta
prática de reutilização de cama de aviário que devemos dar uma atenção
especial ao manejo da mesma.
A cama tem uma série de funções importantes, tais como:
● Ser altamente absorvente, favorecendo a retenção da água das excretas;
● Diluir as excretas, reduzindo o contato das aves com esta fonte de
contaminação;
● Isolar as aves, especialmente quando jovens, do frio induzido pelo piso;
● Proteger as aves do contato com uma superfície dura e desconfortável.
Por isto, a escolha de um material adequado para a cama é
fundamental. Para a escolha deste material é importante ficar atento às
seguintes características:
● Ser proveniente de material seco e de fácil absorção de água;
● Ser livre de fungos, mofo e não ser proveniente de madeira tratada;
● Ser macio e ter partículas de tamanho médio que possibilitem absorver o
impacto do peso da ave e evitar lesões de patas e de peito;
● Apresentar baixa condutividade térmica (ou seja, ser isolante e não transmitir
para a ave nem calor e nem frio);
● Ser de fácil compressão e de baixa densidade;
● Ser apropriado para a utilização posterior como fertilizante de solo;
● Ser de fácil aquisição e com preço acessível.
O material normalmente utilizado na criação intensiva de frangos de
corte no Brasil tem sido a maravalha. No entanto, periodicamente, tem-se
observado escassez do produto no mercado e consequente aumento nos
preços praticados, trazendo dificuldades aos produtores em muitas regiões do
país. A reutilização das camas, desde que adequadamente manejadas, tem
contribuído para reduzir o custo e minimizar a falta da maravalha. Contudo, a
procura por materiais alternativos que permitam obter a mesma eficiência
técnica da maravalha tem sido uma constante nos últimos anos.
Os materiais mais utilizados: maravalha, casca de arroz, sabugo de
milho, capim cameron, bagaço de cana-de-açúcar, resto da cultura de soja,
resto da cultura de milho e serragem. Além destes materiais, existem outras
opções regionais como casca de café, palhada de feijão, entre outras.
● Maravalha: é o material mais utilizado como cama de frango. Possui um bom
poder de absorção. O material utilizado normalmente é pínus ou eucalipto.
Atenção especial quanto à qualidade, deve ser seca para evitar o crescimento
de fungos e livre de contaminantes, a procedência deve ser conhecida.
● Sabugo de milho triturado: menor capacidade de retenção de umidade que a
maravalha. Pouco utilizado devido à dificuldade de escala (pouca
disponibilidade) seria uma alternativa ecologicamente viável.
● Casca de arroz: em algumas regiões existe disponibilidade, não recomendado
utilizar na pinteira, pois o pintinho deixa de ingerir ração e passa a comer a
casca de arroz.
● Casca de café: regiões produtoras de café, boa alternativa, para reduzir custo
com a cama.
● Areia: material que possui excelente absorção e drenagem. Areia grossa e
com pedriscos deve ser evitada, pois danifica a máquina de extração da
cutícula da moela. Outro cuidado que devemos ter é com o pintinho de um dia
que ingere areia e deixa de consumir ração. Na pinteira o ideal é revestir a
cama com papel. A temperatura da cama de areia fica 2°C mais baixa, quando
comparada com a cama de maravalha.
● Feno de gramíneas: materiais como o capim elefante, napier, braquiária, etc.
Dificuldade no manejo para secar, porém deveria ser mais pesquisado pela
facilidade de cultivo e volume produzido por hectare.
● Girassol: pé do girassol triturado é uma alternativa para regiões produtoras de
biodisel.
Problemas que interferem na qualidade da cama do aviário.
É conhecido que os frangos não expressam todo o seu potencial
genético em um ambiente inadequado e a qualidade do ambiente em um
aviário é altamente dependente da qualidade da cama.
Os dois fatores que podem influenciar esta qualidade são a umidade e
as excretas. A produção de excretas não pode ser controlada. Assim, o
avicultor pode e deve controlar o nível de umidade da cama. Excesso de
umidade na cama aumenta a incidência de calos no peito e pés, queimaduras
de pele, formação de crostas, hematomas, condenações e desclassificações.
Além disso, a cama úmida também é a causa de um dos problemas ambientais
mais graves da produção moderna de frangos de corte – a AMÔNIA . O olfato
humano é capaz de detectar nível de amônia ao redor de 20 partes por milhão
(ppm) e este nível de sensibilidade pode ser perdido com exposição contínua.
Nível de amônia de apenas 25ppm já deprime o ganho de peso e leva à piora
da conversão alimentar de frangos de corte. Além disso, este nível eleva a
incidência de infecções virais e condenações. A exposição contínua à amônia,
mesmo em níveis baixos, já causa irritação da mucosa respiratória das aves,
aumentando a susceptibilidade a doenças respiratórias.
Alguns produtos, como gesso agrícola e sulfato de alumínio, quando
incorporados à cama, podem favorecer a fixação do nitrogênio e evitar a
liberação da amônia para o ambiente. Além destes problemas, em cama úmida
os quadros de coccidiose podem ser agravados, pois os oocistos encontram
ambiente favorável para a esporulação, aumentando assim o nível de desafio.
Entretanto, cama seca e poeirenta também pode causar problemas, tais como
desidratação de pintos, doenças respiratórias e maior taxa de condenação.
O ideal é que a umidade da cama fique entre 20% e 25%. Uma regra
prática para estimar o teor de umidade é espremer nas mãos um pouco de
cama. Se houver aderência das partículas e formação de uma bola, ela estará
úmida demais. Se houver apenas ligeira aderência das partículas, ela estará
com nível de umidade próximo do ideal. Se não houver qualquer aderência, ela
estará seca demais.
Os fatores que afetam a umidade da cama são:
● Temperatura ambiente;
● Ventilação inadequada;
● Bebedouros mal regulados;
● Nebulizadores e sistemas de resfriamento evaporativo mal regulados;
Reutilização de cama de frangos
A escassez de bons materiais para cama de frango e o consequente
aumento nos preços praticados traz dificuldades aos produtores de diversas
regiões do país. Uma das alternativas encontradas para diminuir estes
problemas é reutilizála, desde que seja adequadamente manejada. Também,
com a promulgação da Instrução Normativa nº 15, de 17 de julho de 2001, que
proíbe em todo território nacional a produção e a comercialização de cama de
aviário para a alimentação de ruminantes, foi necessário “aprender” a reutilizar
essa cama.
A reutilização de cama pode ser proposta, desde que sejam respeitadas
rigorosas normas sanitárias. Deste modo, a primeira exigência é não terem
ocorrido doenças contagiosas no lote anterior. A segunda exigência é retirar,
lavar e desinfetar todos os equipamentos antes de recolocá-los no galpão, que
já deverá estar desinfetado. Entretanto, a etapa fundamental para eliminar os
agentes causadores de doenças contagiosas é a fermentação da cama.
A reutilização de cama de aviários pode ser realizada pela fermentação
e pelo uso da cobertura com lona. A fermentação é um método biológico,
natural, de decomposição da matéria orgânica em ambiente anaeróbico. O
aumento da temperatura e a diminuição do pH da cama, decorrentes da
atividade microbiana, inviabilizam a sobrevivência dos principais
microrganismos patogênicos, quando este método é bem executado.
No reuso da cama pelo método da cobertura com lona é feita a retirada
dos equipamentosdo aviário. Os mesmos são lavados e desinfetados. É
realizada a cobertura da cama com lona plástica em toda a sua extensão sem
enleirar. Deve se vedar bem as laterais, postes e extremidades. A cama fica
coberta com a lona plástica por dez dias. Após esse período, a lona é retirada.
Junto a ela retiram se também os focos de umidade, e faz se o revolvimento da
cama. Uma nova camada de cama deve ser reposta. O aviário deve ser
preparado para um novo alojamento.