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Técnicas de avaliação Apresentação Frente à competitividade global, as organizações necessitam capacitar e incentivar cada vez mais os seus colaboradores à qualificação. Outrossim, avaliar as competências, as habilidades e o conhecimento dos indivíduos é fundamental para o desempenho organizacional. Nessa Unidade de Aprendizagem você verá um pouco mais sobre algumas técnicas aplicadas nas avaliações de funcionários e suas duas categorias: os métodos individuais e os aplicados em múltiplas pessoas. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Reconhecer os métodos de avaliação mais comuns e utilizados nas avaliações individuais ou múltiplas. • Identificar as características das técnicas apresentadas e qual tipo ou momento elas devem ser utilizadas. • Diferenciar as diversas técnicas e seus pontos positivos e negativos.• Infográfico O processo de avaliação de funcionários requer, não apenas rigorosidade na aplicação das técnicas, mas na escolha da mais adequada (Múltipla e individual), levando em consideração seu contexto de trabalho, o que incluiu cargos e as competências requeridas. No infográfico a seguir, vemos os tipos de técnicas de avaliação individual e técnicas de avaliação múltiplas. Conteúdo do livro As técnicas de avaliação de desempenho são utilizadas como suportes metodológicos para o sistema de avaliação de desempenho nas organizações. Algumas técnicas são mais tradicionais e atualmente pouco usuais, enquanto que as mais utilizadas nas organizações, seja pelo método individual ou coletivo, são aquelas em que seus objetivos estejam alinhadas à estratégia organizacional fomentando o desenvolvimento de competências humanas. No capítulo Técnicas de avaliação, você vai conhecer os métodos de avaliação mais comuns e utilizados nas avaliações individuais ou equipes de trabalho, identificando as características das técnicas apresentadas, suas vantagens e benefícios e desvantagens. Boa leitura. GESTÃO DE DESEMPENHO HUMANO Beatriz Amália Albarello Técnicas de avaliação Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Diferenciar as técnicas de avaliação de desempenho. Reconhecer os métodos mais utilizados em avaliações coletivas. Relacionar geração continuada de conhecimento e a crescente es- pecialização com as técnicas de avaliação. Introdução Na sociedade do conhecimento, em meio a uma rede plural de relações materiais e imateriais que estabelecemos em nossa jornada laboral, avaliar a performance dos colaboradores torna-se cada vez mais complexo. As organizações do trabalho, assim, necessitam mobilizar técnicas de avaliação suficientemente eficientes para que possam mensurar o que é necessário medir no escopo do modelo de avaliação escolhido. Desse modo, são várias as técnicas que podem ser utilizadas nas etapas de um modelo de avaliação: técnicas de observação, entrevistas, aplicação de questionários estruturados, do tipo Likert, registro comportamental, etc. A preocupação da empresa com processos de medição e avaliação das pessoas ocorre em decorrência da necessidade de avaliação de resul- tados que se pretende alcançar em determinado período — o que ilustra a performance organizacional, de modo ampliado. Dessa maneira, a partir da mensuração da performance de seus colaboradores, a organização pode identificar pontos críticos e pontos positivos, respondendo com ações para mitigar os gaps (o que é ponto fraco e precisa ser melhorado), por um lado, e fomentando ainda mais os pontos fortes, por outro. Neste capítulo, assim, trataremos das diferentes técnicas de avaliação de desempenho, as quais as organizações podem mobilizar a fim de avaliar características que sejam importantes para balizar suas ações. Ainda, mostra- remos quais técnicas são mais adequadas para avalições coletivas e por que a atualização continuada das técnicas de avaliação é necessária, face à crescente especialização da performance profissional nas organizações pós-globalizadas. 1 As diferentes técnicas de avaliação Em primeiro lugar, comecemos pela refl exão acerca do signifi cado da palavra “técnica”, de modo ampliado. Ao acessarmos o dicionário de verbetes, temos que técnica diz respeito a “[...] um conjunto de processos de uma arte ou ciência; prática, arte” (TÉCNICA, 2009, p. 632). No âmbito da avaliação de desempenho nas organizações, as técnicas se referem, assim, ao conjunto de instrumentos que a organização lança mão para compor as diferentes etapas do(s) modelo(s) de avaliação de desempenho escolhido(s). As técnicas de avaliação de desempenho, dessa maneira, representam o meio utilizado para produzir/coletar dados, os quais serão utilizados para mensurar determinados aspectos da cotidianidade organizacional, a partir dos critérios passíveis de serem observados e analisados com as variáveis que cada técnica permite avaliar. Nesta seção, trataremos de diferentes técnicas de avaliação de desempenho que profissionais de gestão de pessoas (ou outros encarregados, líderes) podem utilizar em seus processos de avaliação da performance humana (REIFSCHNEIDER, 2008). A ideia de modelo de avaliação de desempenho é mais ampliada do que a noção de técnicas que possam ser utilizadas para coletas e análise de dados em cada etapa do processo de avaliação. Pense em um processo seletivo do tipo concurso público para professor universitário: consiste em um modelo de avaliação de competências diversas do candidato a docente. Agora, pense no conjunto de técnicas que os professores da banca examinadora podem lançar mão para avaliar as diferentes capacidades dos candidatos: 1. prova de títulos (graduação, especialização, mestrado, doutorado); 2. prova prática (durante a qual o professor candidato ministra uma aula); 3. entrevista (por meio da qual os professores da banca examinadora poderão co- nhecer características comportamentais e habilidades sociais do candidato, por exemplo. Por meio dessas técnicas de coleta de dados, os examinadores poderão, ao final do concurso, mensurar a performance do candidato avaliado. Por meio desse modelo de seleção, então, no concurso público, professores mais experientes (os quais compõem a banca examinadora) avaliam professores candidatos a integrar a equipe de professores de determinada área de conhecimento em uma universidade. Técnicas de avaliação2 Técnicas de avaliação conforme a natureza da pesquisa As diferentes técnicas de avaliação de desempenho nas organizações corres- pondem, modo ampliado, a naturezas qualitativa e quantitativa de pesquisa. Com relação a isso, Dias (2000, documento on-line) explica que: [...] os métodos qualitativos são menos estruturados, proporcionam um re- lacionamento mais longo e flexível entre o pesquisador e os entrevistados, e lidam com informações mais subjetivas, amplas e com maior riqueza de detalhes do que os métodos quantitativos. As pesquisas que ocorrem no campo organizacional, conforme explica Gray (2014, p. 16) são orientadas por diferentes áreas do conhecimento como “[...] sociologia, antropologia, filosofia, comunicação, economia, estatística”, adotando, variadas vezes, “visão multidisciplinar”. O acompanhamento da performance de colaboradores, no curso do direcionamento para o desenvolvi- mento em busca de resultados mais efetivos, também pode ser compreendido a partir dessa lente pluriparadigmática. Analogamente, as técnicas que líderes, colaboradores e profissionais de gestão de pessoas podem utilizar para avaliar desempenhos na/da organização devem responder às diferentes necessidades de avaliação de um contexto profissional, que busquem dialogar com os lócus de acontecimento de práticas e de estabelecimento de relações diversas. Por exemplo, entre modelos estruturados para avaliar performances específicas, resultados, capacidades organizacionais e competências individuais, a organização pode escolher estruturarum modelo 360°, em que diferentes atores (clientes, gestores, colaboradores, pares, etc.) envolvidos com a organização participam da avaliação de um colaborador ou time. Dentro dessa escolha, cada etapa de avaliação pode fazer uso de uma técnica de coleta de dados/informações diferente, entre variadas possibilidades, como veremos a seguir. Depois disso, ocorre a decodificação das informações, quando os avaliadores podem analisar o conteúdo das informações coletadas, interpretando-as, atribuindo significados, de acordo com o objetivo que norteia a avaliação (CHIZZOTTI, 2006). 3Técnicas de avaliação No escopo da gestão de pessoas, quando o avaliador está estruturando um processo de acompanhamento de performance no contexto organizacional, é importante que ele identifique quais são os elementos necessários para mensuração que traduzam critérios que sejam de atenção à determinada cultura de gestão de desempenho em uma organização X, Y, Z, conciliando esses critérios aos objetivos estratégicos da área de gestão de pessoas para o desenvolvimento de pessoas face aos resultados esperados. Uma vez elencados esses elementos, o avaliador pode, então, identificar técnicas de avalição qua- litativas e/ou quantitativas que explorem análises mais subjetivas ou objetivas acerca de um critério predefinido ou de critérios que devam ser conhecidos sobre determinadas interações organizacionais, mais dinâmicas: colaborador– líder, colaborador–colaborador, colaborador–tecnologia, colaborador–cultura organizacional, entre outras relações possíveis (BITENCOURT; AZEVEDO; FROEHLICH, 2009). Em termos teóricos, pesquisas qualitativas podem ser caracterizadas pela busca da compreensão como princípio do conhecimento, com foco no estudo da rede de relações possíveis no lugar de explicá-las por meio do isolamento de variáveis (FLICK; VON KARDORFF; STEINKE, 2000). Nesse sentido, a pesquisa qualitativa se concentra no “[...] como e no porquê do comportamento, envolve descrições não numéricas sobre a compreensão, sentimentos ou crenças subjetivas sobre as experiências” (PAPALIA; FEL- DMAN, 2013, p. 70). Por meio de uma abordagem qualitativa, por exemplo, os líderes podem captar impressões singulares dos colaboradores sobre a atividade realizadas, ou necessidade de buscar maior equilíbrio entre recursos e demandas do trabalho. Já as pesquisas quantitativas, conforme explicam Papalia e Feldman (2013, p. 70) “[...] lidam com dados numericamente medidos”, incluindo análises estatísticas. Aqui, podemos mensurar, por exemplo, o nível de engajamento no trabalho de colaboradores, a partir da aplicação de es- calas validadas para esse fim, como a Escala Utrecht de Engajamento no Trabalho. Essa escala somente pode ser aplicada por psicólogos e “[...] é composta por 17 itens respondidos em escala Likert de sete pontos (0 = nunca a 6 = sempre). Os respondentes foram instruídos a ler cada item e assinalar a alternativa que expressa melhor o modo como se sentem no trabalho” (MAGNAN et al., 2016, p. 135). Técnicas de avaliação4 A abordagem de pesquisa pode ser, ainda, mista, quanti-qualitativa, quando o pesquisador concilia as diferentes perspectivas no planejamento de sua pesquisa. Na avaliação de desempenho, o objeto a ser pesquisado é a performance do colaborador. A escala Likert pode ser relacionada ao trabalho seminal de Rensis Likert, publicado em 1932. Então, sempre que você se depara com algum questionário que pede para que escolha um número que melhor representa a intensidade de um sentimento, habilidade, percepção, entre outros, geralmente com o alcance de cinco pontos (aprovo fortemente, aprovo, indeciso, desaprovo, desaprovo fortemente), está acessando desdobramentos de mensuração somente possíveis a partir do trabalho de Likert (LIKERT, 1932). Considerando que o trabalho de Likert propôs um ponto neutro no meio da escala bidimensional de cinco itens, tenha cuidado para diferenciar escala Likert de escalas do Tipo Likert (DALMORO; VIEIRA, 2013, documento on-line): [...] o trabalho de Likert (1932) deixava claro que sua escala se centrava na utilização de cinco pontos, e não mencionava o uso de categorias de respostas alternativas na escala a ser utilizada. Embora o uso de escalas com outro número de itens, diferente de cinco, represente uma escala de classificação, quando esta não contiver cinco opções de resposta, não se configura uma escala Likert, mas sim do “tipo Likert”. Posto isso, podemos relacionar diferentes técnicas de coletas de dados (as quais possibilitam coletar e organizar diferentes informações para aná- lise de dados) a cada uma das abordagens de pesquisa supracitadas. Essas técnicas, assim, quando representam possibilidades, recursos para coletar dados e produzir entendimentos sobre desempenho nas organizações, de forma geral, perfazem a noção de técnicas de avaliação de desempenho. Vamos por partes. 5Técnicas de avaliação No Quadro 1, apresentamos diferentes técnicas de coleta de dados que podem ser utilizadas em pesquisas qualitativas. Fonte: Adaptado de Augusto et al. (2013). Técnica de coleta Descrição Observação Trata-se de um método de análise visual que consiste em se aproximar do ambiente natural em que certo fenômeno ocorre. Essa prática pode auxiliar na aproximação do pesquisador/obser- vador com a realidade/racionalidade local dos pesquisados/avaliados. A observação pode ser do tipo participante (pesquisador interage) e não participante, sem interação com o contexto, ava- liados, por parte do observador. Não prescinde, porém, de planejamento e sistematização. Entrevista Método mais utilizado na pesquisa qualitativa. Pode ser não estruturada, semiestruturada e es- truturada, o que pode ser relacionado com o grau de conformidade esperado após a elaboração e aplicação dos roteiros, com as devidas perguntas orientadas pelo objeto que se deseja estudar (aqui, o desempenho humano na organização). A entrevista bussolada pela abordagem qualita- tiva, outrossim, tende a ser menos estruturada e mais aberta. Pesquisa documental Consiste na prática de buscar informações com- plementares por meio da mineração de dados diversos, como números, notícias, ofícios, orga- nograma organizacional, desempenho de outros membros da equipe, movimentação do mercado que possa influenciar a performance da empresa, registros de atividades realizadas em determinado período; enfim, toda a sorte de fontes de dados secundários sobre um problema ou questão. Quadro 1. Técnicas de coletas de dados utilizadas em pesquisas qualitativas Técnicas de avaliação6 No caso de técnicas quantitativas, de modo ampliado, temos as apresentadas no Quadro 2. Fonte: Adaptado de Augusto et al. (2013). Técnica de coleta Descrição Questionários Os quais “[...] podem cumprir duas funções; descrevem cara- terísticas ao mesmo tempo em que possibilitam mensurar de- terminadas variáveis de um grupo”. Via de regra, em pesquisas quantitativas, utiliza-se questionário com perguntas fechadas, adotando escala Likert ou do tipo Likert como recurso de mensuração numérica (AUGUSTO et al., 2013, p. 750). Entrevista estrutu- rada fechada Objetiva a obtenção de resultados uniformes entre entre- vistados, permitindo, assim, uma comparação imediata, em geral mediante tratamentos específicos. Quadro 2. Técnicas de coletas de dados utilizadas em pesquisas quantitativas Os dados coletados, então, passam por diferentes tipos de análise. Análise de conteúdo e análise de discurso são os métodos mais utilizados para análise em pesquisas qualitativas (AUGUSTO et al., 2013). Para Bardin (2004), a análise de conteúdo diz respeito a um “[...] conjunto de técnicas de análise das comunicações”, ou seja, daquilo que fora produzido na fase de coleta de dados, visando, “[...] por procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens, obter indicadores quantitativos ou não, que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção(variáveis inferidas) das mensagens”. A análise de discurso, por sua vez, envolve pré-análise (identificação e formulação de hipóteses e indicadores que possam ser usados na interpretação final), descrição analítica e interpretação (AUGUSTO et al., 2013, p. 751). Os dados quantitativos, por sua vez, podem ser avaliados por meio de médias, pontos de corte, com atenção a diferentes variáveis, entre outros tratamentos de dados possíveis (FREITAS, MOSCAROLA, 2002): univariadas (descreve uma variável por vez); bivariadas (relaciona duas variáveis para explicações mais ampliadas; multivariadas (analisa concomitantemente diversas variáveis, categorias). 7Técnicas de avaliação Após esse breve panorama sobre técnicas de coleta e de análise, você, como responsável pelo desenvolvimento de um processo de avaliação de desempenho para integrar uma prática de gestão do desempenho (não esqueça que a última é uma ação contínua e inacabada) em determinada empresa, poderá mobilizar diferentes técnicas, de acordo com os seus objetivos de mensuração e análise. Não perca de vista a interpretação sobre desempenho, a partir do contexto laboral e suas contingências para a performance e estratégias do negócio. Passado versus presente: gestão de pessoas versus gestão com pessoas Para aprofundarmos nossa refl exão, vamos revisitar a historicidade da área de gestão de pessoas, estabelecendo relações acerca da percepção da performance com a estrutura do ambiente organizacional onde os indivíduos realizam seu trabalho. O estabelecimento do RH (recursos humanos) pode ser associado com a emer- gente necessidade de valorizar indivíduos nas organizações, com o surgimento do Movimento das Relações Humanas, com o questionamento do Taylorismo. À época, a ideia de performance estava vinculada com movimento e tempo (produzir mais em menos tempo), bem como com a separação do trabalho: os que pensam, de um lado; os que executam, de outro (TONELLI; LACOMBE; CALDAS, 2002). Contemporaneamente, a emergência de um indivíduo ativo, participativo, criativo, mobiliza o interesse das organizações que almejam resultados mais contundentes na sociedade da informação e do conhecimento. Então, nesse cenário, a ideia de performance e desenvolvimento humano assume uma perspectiva holística, integrativa e plural. É, desse modo, complexo inferir a priori todas as categorias que necessitam ser avaliadas e desenvolvidas em um espaço de compartilhamento de práticas, no dia a dia da organização. Não perca isso de vista ao eleger técnicas de avaliação, certo? Paulatinamente, a gestão de pessoas tem abandonado a ideia corretiva, de controle, para promover o indivíduo em sua integralidade, motivando-o e engajando-o em meio à pluralidade de relações engendradas no espaço de acontecimento de suas tarefas (Quais são os desafios? Quais são os atra- vessamentos do contexto?). Estamos falando de gestão com pessoas, a qual objetiva promover um ambiente cooperativo e de confiança (DEMO; FOGAÇA; COSTA, 2018). É, assim, imprescindível que mobilizemos essas reflexões para planejar um sistema de avaliação, considerando a escolha de técnicas para analisar um indivíduo ou um grupo. Técnicas de avaliação8 O método das escalas gráficas estabelece variáveis que a organização define como desempenho, seja características de assiduidade, proatividade, presenteísmo e até comportamentos observáveis de colaboração e relacionamento interpessoal. Cada variável é dividida em graus, que, em uma escala de Likert com cinco platôs, costumam ser classificados como: excelente (5), ótimo (4), regular (3), fraco (2), muito fraco (1), por exemplo. Assim, cada grau da escala tem um valor em pontos, sendo de responsabilidade do avaliador atribuir esses valores em cada variável de análise. Ao final, compara-se o resultado do funcionário com a meta estabelecida ou a média do grupo (PONTES, 2010; SNELL; BOHLANDER, 2016). O formulário da escala gráfica é de dupla entrada, sendo que as linhas representam os fatores que estão sendo avaliados e as colunas, os graus de avaliação (Figura 1). Fatores correspondem a características que se deseja avaliar em cada funcionário. Os graus de variação indicam quão satisfatório é o desempenho do indivíduo em relação a cada fator. Figura 1. Modelo de formulário de escalas gráficas. Fonte: Pontes (2010, p. 164–165). A escala acima, porém, é somente uma ilustração. Conforme mencionado, é impor- tante que você compreenda técnicas e processos de modo ampliado, e só então, face à análise do contexto, defina os critérios importantes para a avaliação. 9Técnicas de avaliação Até aqui, vimos que, independentemente da abordagem adotada, as técnicas de avaliação de desempenho traduzem diferentes preocupações da organização para com o acompanhamento de seus colaboradores e líderes, o que desvela características da cultura organizacional para treinamento, desenvolvimento e valorização de pessoas, por exemplo. No curso da prática de mobilizar técnicas para avaliar pessoas nas organizações, é importante conciliar objetivos organizacionais, políticas de gestão de pessoas, estra- tégias dos negócios e interesses individuais. Integração e aproximação entre líderes, liderados e organização são salvaguardas importantes para legitimar a eficácia da técnica de avaliação escolhida. Nesse sentido, na próxima seção, estudaremos sobre métodos adequados para avaliação de desempenho/intervenções coletivas. 2 Diferentes métodos para avaliações coletivas Agora que já conhecemos diferentes técnicas de coleta e de análise de in- formações concernentes à avaliação de desempenho, podemos realçar a importância de escolher a técnica mais efetiva de acordo com o que e com quem precisa ser avaliado. A escolha da técnica, assim, deve ser busso- lada pelos interesses de mensuração, o que desemboca na necessidade de a organização mobilizar técnica que dê conta de coletar informações com qualidade e robustez para que os encarregados procedam a análise ampliada de determinada performance organizacional. Por exemplo, se é interesse de avaliação acompanhar o desenvolvimento de habilidades comportamentais para um colaborador (como vimos na seção anterior), a partir de uma intervenção em treinamento realizado, a utilização de técnicas abertas, qualitativas, como observação e entrevistas em profundidade individuais, que exponham elementos subjetivos e relacionais (específicos) do avaliado, combinada com outros instrumentos psicométricos já validados, representam uma possibilidade de caminho assertivo para a coleta dos dados (HUTZ; BANDEIRA; TRENTINI, 2015). Por outro lado, se a mesma análise precisa ser realizada em um grande grupo, talvez a estratégia de entrevista seja mais bem executada se orientada pela técnica de grupo focal, por exemplo. Nesse sentido, nesta seção, estudaremos acerca da escolha de métodos mais adequados para avaliações coletivas. Técnicas de avaliação10 Você lembra do exemplo sobre o concurso público da seção anterior? Agora, imagine se, após o lançamento do edital, com a publicização da banca examinadora, geralmente composta por três professores especialistas no tema, encerradas as inscrições, são contabilizados 400 candidatos inscritos. Nesse mo- mento, a banca precisará reavaliar parte das etapas do concurso, lançando mão de entrevistas coletivas com vistas a alcançar o cumprimento da etapa de entrevista, pois, individualmente, teria de dedicar 400 a 800 horas (se as entrevistas tiverem duração média de 1 a 2 horas) para entrevistar todos os candidatos, o que tor- naria inviável a execução de todas as etapas do concurso no tempo previsto por um edital (geralmente um ou dois dias para as entrevistas). A decisão da banca examinadora de lançar mão de técnicas de entrevista coletiva, grupo focal, será fundamental para que efetivamente possa coletar as informações referentes à etapa qualitativa de avaliação. Assim, para coletar dados mensuráveis para desempenhode um grupo (coletivo), podemos identificar a relevância de técnicas que oportunizem a interação de diferentes indivíduos a partir de intervenções, pautas, colocadas pelo profissional que conduz a técnica, de modo que o que emerge da experi- ência represente dados e informações que possam ser categorizados de acordo com os interesses de análise. Uma das técnicas mais utilizadas para avaliação de um grupo é chamada de grupo focal. Via de regra, o grupo focal consiste em uma técnica de coleta de dados qualitativa, que pode ser realizada com grupos de oito a 10 pessoas, conduzido de forma não estruturada ou semiestruturada anteriormente, com um moderador. O moderador, aqui, assume a condução do debate, evitando fuga do tema proposto, no que tange às novas pautas que se apresentem como resultado no curso da discussão proposta. O objetivo do grupo focal é alcançar a percepção do grupo para um tema ou problema; pode ser gravado, para que o moderador transcreva a sessão logo depois, organizando as informações para proceder a análise (DIAS, 2000). 11Técnicas de avaliação Ainda, considerando grupos e equipes, bem como a perspectiva da gestão do desempenho, que envolve diagnóstico e ações de desenvolvimento contínuo, dinâmicas de grupo, aqui, representam intervenções que visam contribuir para o desenvolvimento de saberes e conhecimentos teórico-práticos que orientem novas performances (FRIEDMANN, 2000). Assim, líderes, organi- zações e profissionais de gestão de pessoas, de modo geral, podem promover ações para avaliar a capacidade de os colaboradores responderem a situações não previstas, alcançando, junto a isso, o desenvolvimento de reflexões e de capacidades a partir de encenações que “exemplifiquem” ineditismos dos cenários organizacionais, por exemplo. Na cotidianidade prática da gestão do desempenho, de modo adicional, técnicas como as dinâmicas em grupo podem fortalecer os vínculos sociais entre colaboradores de um time (incluindo líderes e liderados), o que reverbera na ampliação de seu potencial integrativo. Podemos aprofundar essa análise começando pela definição de grupos proposta por Martín- -Baró (1989), um dos autores seminais das reflexões sobre grupos: “[...] uma estrutura de vínculos e relações entre pessoas que canaliza em cada circunstância suas necessidades individuais e/ou interesses coletivos” (MARTÍN-BARÓ, 1989, p. 205–206). Portanto, para Martín-Baró (1989) a identidade do grupo depende dos três aspectos apresentados a seguir (MARTINS, 2003, p. 204–205). 1. Formalização organizativa: o que determina o pertencimento ao grupo, bem como a regulamentação das relações entre elas, “[...] divisão ou não das funções, sistematização das tarefas, distribuição de trabalho e atribuições”. 2. Relações com outros grupos: nesse aspecto, devemos destacar “[...] a dialética intergrupal produzida historicamente em cada sociedade interfere no surgimento do grupo, assim como a sua conexão com as necessidades e os interesses de uma classe social”. 3. Consciência de pertencer a um grupo: quando a vida do indivíduo passa a ser referenciada pelo fato de pertencer a determinado grupo, desdobrando-se em identidade: “[...] esse sentimento é que contribui para que um grupo de pessoas se sintam e atuem como grupo, possibilitando a sua identificação”. Técnicas de avaliação12 Essas análises mais aprofundadas (entendimentos que transcendem respostas simples para questões simples, “o quê?”, “como?”, mas que buscam significados que emergem de relações diversas) são fundamen- tais para o desenvolvimento bem-sucedido das dinâmicas, na medida em que as intervenções podem ser planejadas de modo mais sistêmico, com alinhamento aos elementos de caracterização do grupo, então objeto de intervenção. Além disso, “[...] planejar a atividade de forma detalhada é um exercício importante”, mesmo que dificilmente se consiga alcançar o que fora planejado, dada a modificação “[...] de inúmeras variáveis” na ação, daquilo “[...] que foi pensado de forma abstrata” (FRIEDMANN, 2000, p. 35). Após essa fase, cabe destacar, já na fase de execução, o papel do faci- litador: o “maestro” da orquestra (dinâmica). É tarefa do facilitador: “[...] orientar processos, despertar potenciais, desfazer bloqueios, abrir canais de comunicação, mostrar caminhos e possibilidades criativas, facilitar a expressão” (FRIEDMANN, 2000, p. 36). De modo adicional, é importante que os participantes possam identificar e significar as razões pelas quais participam da atividade, que possam mobilizar “[...] lembranças significa- tivas, habilidades, dificuldades, atividades” (FRIEDMANN, 2000, p. 41), em seus diferentes papeis desempenhados enquanto membros de um grupo: “[...] líderes, falantes, práticos, criativos, construtivos, teóricos, filósofos, organizadores, observadores (positivos e negativos) ” (FRIEDMANN, 2000, p. 42), etc. Não esqueça: se o desempenho é processo (ação), pode ser continu- adamente transformado e reavaliado; logo, as dinâmicas podem evi- denciar como o grupo lida com seus afetos, quais são “[...] os canais de comunicação que facilitam a expressão e/ou a canalização de emoções” (FRIEDMANN, 2000, p. 45), transformando, coletivamente, conflitos disfuncionais e tensão em aprendizado. Essa transformação coletiva é guiada pelo facilitador, que, em momentos difíceis do debate, deve assumir a mediação, buscando equilíbrio para impulsos disfuncionais. O objetivo é o desenvolvimento e o crescimento do grupo com a identificação e interpretação de recursos e demandas individuais (então socializadas), grupais e organizacionais. 13Técnicas de avaliação O lugar lúdico e “mágico” está dentro de cada um de nós. Veja, abaixo, um exemplo de dinâmica de grupo. Dinâmicas de resgate e autoconhecimento: em busca de valores perdidos Somos seres relacionais, uma vez que nossos valores estão conectados às pessoas com as quais compartilhamos nossas experiências laborais, por exemplo. Essas pessoas passam a ser relevantes na assumpção de quem somos e para onde estamos indo, certo? Com essa ideia, esta dinâmica orienta: [...] evoque, pois, todas aquelas pessoas que fazem parte de seu dia- -a-dia e do seu coração. O que cada um deles desperta em você com relação a valores? Faça um levantamento de forma individual. A seguir, junto com o grupo, reflita sobre as seguintes questões: Quais eram os valores importantes, essenciais, na sua infância?; Quais são os valores da geração do tempo atual?; Quem são as pessoas significativas de sua vida? (FRIEDMANN, 2000, p. 45). Com essa dinâmica, é possível que os integrantes grupo, ao socializarem seus valores ao mesmo tempo que os problematizam, possam aproximar-se uns dos outros, identificando forças e fraquezas comuns ou incomuns, as quais são importantes na caracterização do desempenho laboral. A autora explica que “[...] a proposta é resgatar os valores recebidos na infância de cada um e os valores que hoje serão transmitidos às novas gerações” (FRIE- DMANN, 2000, p. 45). Após a identificação dos dados, devem ser formados subgrupos, que farão a troca dos valores levantados, a partir de debate, conciliação e reflexão. Essa dinâmica toca a questão das diferenças intergeracionais nas organizações, as quais acabam, muitas vezes, lacunando a performance de equipes que não alcançam a integração esperada, dada a diferença de compreensão do contexto, da atividade e das relações, bem como das técnicas que devem ser mobilizadas, que emergem da diferença etária e das diferentes interpretações que daí decorrem. Nesta seção, vimos possibilidades de avaliar grupos, como grupos focais e dinâmicas de grupo, com alcance de envolver, também, desenvolvimento continuado no caminho da gestão do desempenho humano. Avaliar um grupo considerando sua natureza dinâmica representa potência para desenvolvimento e estabelecimento de vínculos, e o profissional de gestão envolvido não pode afastar-se dessa percepção, que é natureza fundanteda condição de ser grupo. Essa noção assume especial relevância na contemporaneidade, quando, cada vez Técnicas de avaliação14 mais, necessitamos observar dimensões ainda desconhecidas sobre os sentidos e significados de estarmos uns com os outros, produzindo algo coletivamente. Acompanhe, na próxima seção, essa vital reflexão para a prática de gestão de pessoas no contexto pós-globalizado. 3 Reflexões sobre técnicas de avaliação no contexto organizacional contemporâneo “Nada do que foi será, de novo, do jeito que já foi um dia. Tudo passa, tudo sempre passará.” O trecho da música composta pelos artistas brasileiros Nelson Motta e Lulu Santos anuncia semanticamente o necessário debate apresentado ao longo da tessitura de texto a seguir. A gestão de pessoas, necessariamente, precisa acompanhar as mudanças organizacionais (que nunca cessam) para que con- tinue a responder à realidade da empresa. Variadas vezes, profi ssionais de gestão de pessoas, presos a modelos consagrados na história da área, acabam por descaracterizar a realidade para mensurá-la (encaixotá-la) por meio de técnicas concebidas anteriormente. Em uma sociedade que resulta da conciliação de um exponencial desen- volvimento tecnológico com acesso facilitado à informação, não podemos ousar analisar o entorno tão somente por meio de uma lente escolhida antes de o presente mostrar-se como ele acontece, concorda? Vivemos a/na era do conhecimento, da especialização, da criatividade, da competitividade entre mercados e entre indivíduos (LASTRES; CASSIOLATO, 2010). Esses, entre muitos outros, são elementos vivos e dinâmicos, que traduzem o que somos, para onde estamos indo e do que precisamos para ir. Esta seção visa problematizar a ideia de avaliação de desempenho face às contingências da sociedade contemporânea para performances individuais e organizacionais, o que demanda atenção técnica e contextual (combinadas) se quisermos proceder, de fato, à gestão do desempenho humano. Para fundamentar tal trajetória reflexiva, lançaremos mão da Teoria U (SCHARMER, 2019). Em primeiro lugar, vejamos os antecedentes contex- tuais dessa teoria. Scharmer (2019) defende que precisamos vivenciar uma mudança de consciência que atenda ao bem-estar de todos, pois é iminente o arrefecimento da antiga lógica de organização. Ele explica: 15Técnicas de avaliação Vivemos um momento de profundas possibilidades e rupturas. Um momento marcado pela morte de uma antiga mentalidade e lógica de organização. E um momento marcado pelo surgimento de uma nova consciência e maneira de ativar campos sociais generativos. O que está morrendo e se desintegrando é um mundo do “eu primeiro”, “quanto maior, melhor”, e a tomada de decisões orientada a grupos de interesse que nos levou a um estado de irresponsabilidade organizada (SCHARMER, 2019, p. 15). Face a essa problematização, Scharmer (2019, p. 19) argumenta que existe um ponto cego nas “[...] lideranças e formas de gestão, nas mudanças sociais”, o que também pode ser interpretado na/da nossa experiência social cotidiana. Esse ponto cego, define ele, seria “[...] o lugar interior — a fonte — a partir da qual operamos” nossa vida, nossas experiências; “[...] quando agimos, nos comunicamos, percebemos ou pensamos”. Sinteticamente, o ponto cego da liderança é a fonte, é o quem: “[...] podemos ver o que fazemos (resultados), podemos ver como fazemos (processo)”; porém, na maioria das vezes, não temos “[...] consciência de quem: o local interior ou a fonte a partir da qual operamos” (SCHARMER, 2019, p. 18). Nesse caminho, o autor destaca duas fontes de aprendizado: “[...] (1) aprender refletindo sobre o passado, (2) aprender sentindo e atualizando possibilidades futuras emergentes” (SCHARMER, 2019, p. 21). Os métodos tradicionais de aprendizagem na organização, têm, historica- mente, relacionado a aprendizagem nas organizações a experiências passadas. Observe que, a essa lógica de aprendizagem, desenvolvimento, podemos relacionar um sistema de avaliação de desempenho que se propõe a mensurar, analisar, devolver ao colaborador dados para que atualize comportamentos específicos. Estamos gerindo somente o que já é conhecido, mesmo que ponto crítico ou ótimo. Scharmer (2019) sinaliza para o esgotamento dessa perspec- tiva (tão somente refletir a partir de dados e experiências passadas) quando enfrentamos situações cotidianas com desafios múltiplos; nesses casos, o foco nas experiências passadas pode ser o próprio obstáculo que impede que equipes enfrentem contingências com novas perspectivas. Deslocando essa ref lexão para o cenário da gestão de pessoas, mais pormenorizadamente, para as técnicas de avaliação do desempenho, é importante realçar que a ação de publicizar dados sobre o desempenho passado do colaborador pode ser necessário, mas insuficiente para que o colaborador alcance níveis de percepção sobre suas ações de modo a ensejar aprendizagens e atualizações necessárias e suficientes para uma Técnicas de avaliação16 realidade organizacional aqui e agora. Haverá sempre um elevado grau de obsolescência nessa resposta, independentemente da moderna técnica de avaliação escolhida, se essa prática não for tratada como um processo contínuo de gestão, com possibilidades de integração com aprendizagens com o futuro emergente, dando luz, quem sabe, aos desafios “disruptivos” da contemporaneidade, que exigem que “[...] avancemos cada vez mais” (SCHARMER, 2019, p. 22). Adentrando nas possibilidades da Teoria U, a ideia de nos conectarmos com o futuro emergente seria o que, de fato, diferencia nossa condição humana. Scharmer (2019) descreve essa capacidade humana: [..] temos o dom de nos envolver com duas qualidades e correntes de tempo muito diferentes. Uma das qualidades do momento presente define-se basi- camente como uma extensão do passado. O momento presente é moldado pelo que foi. A segunda é uma qualidade do momento presente que funciona como uma porta de entrada para um campo de possibilidades futuras. O mo- mento presente é moldado pelo que está querendo emergir. Essa qualidade de tempo, se conectada, opera a partir do presenciamento [traduzido do inglês presencing] do maior potencial futuro [...] a palavra pode ser combinada com sentir e presença. Significa sentir e realizar o maior potencial futuro de alguém. Sempre que lidamos com rupturas é o segundo fluxo de tempo que mais importa, pois sem esta conexão, tendemos a acabar como vítimas, em vez de cocriadores de rupturas. Com isso, temos que a Teoria U preconiza um tipo diferente de aprendi- zado, um clico de aprendizado profundo, com a adoção de um processo ora mobilizado pelas bordas do sistema: “[...] nos conecta às fontes mais profundas de conhecimento e nos leva a explorar o futuro fazendo” (SCHARMER, 2019, p. 22). Trazendo à cena de debate as possíveis reverberações de uma avaliação de desempenho, imagine você uma cena cotidiana quando um líder que, após constatar comportamentos sociais inadequados de um colaborador em uma avaliação de desempenho, solicita que esse colaborador tenha novos compor- tamentos com seus colegas e deixe de ter outros. Com relação a isso, Scharmer (2019) argumenta que, em uma dada organização, tomando por análise nossos relacionados sociais para mudar um relacionamento disfuncional para útil, por exemplo, “[...] não basta pedir que as pessoas o façam. Você precisa intervir mais a montante no processo de criação da realidade social. Você precisa alterar a construção deste relacionamento de um modo para outro, de reativo para criativo” (SCHARMER, 2019, p. 24). 17Técnicas de avaliação É, então, com essa intenção, que a Teoria U foca no potencial de indivíduos, grupos e organizações em função da consciência e atenção plena ao momento presente para observar, recuar, refletir e prototipar (agir em um instante) em direção ao futuro emergente. Podemos depreender, aqui, a possibilidade de ampliarmos o foco do eu para o eu nomundo (sistemas integrados holísticos, como na maioria das organizações contemporâneas, como apontado no início desta seção). Vamos às explicações. Em primeiro lugar, observe a Figura 2, com a representação do U. Como você pode observar, o formato em U integra dois movimentos, de descida ao longo do U, no lado esquerdo, e de subida, no lado direito, orientado para o desenvolvimento (SHARMER, 2018). Figura 2. Teoria U: sete maneiras de estar presente e modelar. Fonte: Scharmer (2019, p. 33). Cada etapa em destaque na representação acima, acredita Sharmer (2018), pode produzir diferentes mudanças no campo social cognitivo. Acompanhe a descrição de cada uma delas abaixo (SCHARMER, 2019, p. 34–35). Reconfirmação: significa ir além da repetição dos padrões do pas- sado; “[...] enquanto operamos a partir de reconfirmação, o mundo fica congelado por nossos velhos hábitos mentais e experiências passadas; nada de novo entra em nossa mente”. Técnicas de avaliação18 Visão: quando “[...] suspendemos nosso julgamento habitual, acordamos com novos olhos. Percebemos o que há de novo e vemos o mundo como um conjunto de objetos que são exteriores a nós”. Percepção: quando “[...] redirecionamos nossa atenção dos objetos para a fonte (lembra da fonte?), o sentir se amplia e se aprofunda”. Essa mudança, então, “[...] curva a linha de observação de volta para o observador. A fronteira entre observador e observado se abre”. Presenciamento: aqui, o período que pode ser caracterizado pela quie- tude, “[...] abandonamos, (deixamos ir) o antigo e nos conectamos à esfera circundante do potencial futuro. A fronteira entre observador e observado desmorona em um espaço onde o futuro emerge”. Criatalização: “[...] na medida em que deixamos vir e cristalizamos visão e intenção, a relação entre observador e observado começa a se inverter. A sua visualização acontece a partir do campo do futuro (e não do próprio ego)”. Prototipagem: “[...] ao aprovarmos protótipos, exploramos o futuro fazendo. A relação entre observador e observado continua sua inversão — diálogo ampliado (capacidade de um sistema de se ver, de ver seus próprios padrões). Execução: “[...] à medida que incorporamos o novo, evoluindo nossas práticas e infraestruturas e o relacionamento entre observador e ob- servado completa sua inversão. A incorporação acontece a partir do contexto do ecossistema maior”. Com o exposto, você pode conhecer os elementos da Teoria U, com a descrição das diferentes maneiras de estar presente e modelar. Trazendo essa analítica para a gestão de desempenho no âmbito da gestão de pessoas, intentamos que você possa refletir sobre maneiras de analisar, responder ao/ no campo social contemporâneo, de modo que as relações que produzem esse campo, com seus “[...] padrões de pensamento, conversação e organização” (SCHARMER, 2019, p. 25), com seus desfechos práticos, não sejam completa- mente submetidas a um rigor avaliativo que não mais dá conta de interagir com a realidade organizacional contemporânea. Lembre-se: a melhor técnica é aquela que autenticamente dialoga com a experiência de desempenho compartilhada (mede o que precisa medir) e, a partir disso, pode bussolar desenvolvimentos em diferentes níveis no espaço da cotidianidade. 19Técnicas de avaliação AUGUSTO, C. A. et al. 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Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links. Técnicas de avaliação22 Dica do professor Neste vídeo, apresentam-se algumas das técnicas mais comuns de avaliação utilizadas por empresas e instituições de ensino. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/62a2d537a28f3e045862909b44d0af1d Exercícios 1) A gestão por objetivos é um modelo de gestão presente em várias empresas, em distintos segmentos. Pensando nesse modelo de gestão e no processo de avaliação de desempenho dos funcionários, como você pensa que os objetivos devam ser estruturados em uma organização que adota esse sistema de gestão: A) Tem como principal característica a definição, em consenso, dos objetivos entre avaliador e avaliado. Sendo assim, aumenta-se o compromisso, tornando mais fácil acompanhar a evolução dos resultados e a agilidade nas ações de melhoria. B) É uma das técnicas de avaliação de desempenho mais utilizadas, pois é baseada na escala gráfica e no relatório descritivo. C) É aplicada especificamente em empresas privadas, pois está embasada em pesquisas de campo, além de trabalhar com escalas gráficas. D) É uma técnica específica, a qual utiliza o método de incidentes críticos para a definição dos objetivos. E) Foi desenvolvida para validar as comparações entre pares e definir quais funcionários são mais propensos a um ambiente crítico na busca de resultados. 2) Quando o gerente lista uma série de características consideradas importantes para o desempenho e classifica o funcionário em cada uma delas, de acordo com faixas incrementais, ele está utilizando a técnica de: A) Classificação. B) Distribuição forçada. C) Escalas gráficas. D) Incidentes críticos. E) Escolhas forçadas. Depois de sucessivas tentativas, a empresa Alfa optou por utilizar uma técnica tradicional de avaliação dos seus funcionários, que se baseia nas características extremas de desempenhos, 3) pontos positivos ou pontos negativos, com base nos fatos registrados. A técnica descrita é denominada de: A) Relatório descritivo. B) Lista de verificação. C) Pesquisa quantitativa de mercado. D) Escalas de comportamento. E) Incidente crítico. 4) Quando um supervisor precisa avaliar uma equipe maior e classificar todos da mesma forma, qual é a técnica de avaliação mais indicada entre os métodos de avaliação de múltiplas pessoas? A) Comparação em pares. B) Incidentes críticos. C) Escala de comportamento. D) Escala gráfica. E) Gestão por objetivos. 5) Na maioria das organizações, os recursos são limitados para os investimentos em desenvolvimento e planos de meritocracia, o que exige dos líderes a construção de curvas de desempenho de suas equipes. No último ano, constatou-se que 25% dos funcionários foram avaliados com desempenho elevado, 65% dentro do esperado e 10% com desempenho abaixo do esperado. Para isso, qual foi a técnica de avaliação utilizada? A) Escalas gráficas. B) Distribuição forçada. C) Listas de verificação. D) Comparação em pares. E) Incidentes críticos. Na prática Avaliar é um processo desafiador; contudo nos traz informações preciosas acerca do nosso desempenho. Seja no âmbito escolar ou organizacional, avaliar subsidia os envolvidos com informações de suas potencialidades e suas fragilidades, proporcionando reflexão e busca pelos avaliados de forma a melhorar sua performance. Saiba + Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Gestão de Pessoas (Métodos de Avaliação de Desempenho) Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Quais são os tipos de avaliação de desempenho Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Avaliação de desempenho: veja como funciona e como realizar esse processo Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://www.youtube.com/embed/I3m-a_p9E98 https://www.ibccoaching.com.br/portal/coaching/quais-sao-os-tipos-de-avaliacao-de-desempenho/ https://blog.solides.com.br/avaliacao-de-desempenho/