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Intervenção fisioterapêutica I
Autor
Marcos Vinícius Altoé Vescovi
Apresentação
A atuação do fisioterapeuta em doenças reumáticas e com idosos fraturados é muito comum na
rotina de quem se aventura pela Gerontologia. As unidades deste módulo tratam principalmente
dessas patologias. Convido você a aprofundar um pouco mais seus conhecimentos.
Neste módulo, será possível esclarecer os principais mecanismos de lesão, assim como
aprimorar o raciocínio clínico para uma melhor compreensão e desenvolvimento de um plano
terapêutico.
Prepare-se para elucidar suas dúvidas sobre como o fisioterapeuta pode atuar para melhorar os
sinais e sintomas apresentados pelos pacientes, assim como as recomendações de tratamento
mais indicadas. Então, vamos nos aprofundar?
Videoaula - Introdução a Fisioterapia aplicada à Reumatologia
Escaneie a imagem ao lado com um app QR code para assistir o vídeo ou acesse o link:
"https://player.vimeo.com/video/656875445".
Fisioterapia aplicada às doenças
reumáticas
1.
Como resultado do aumento da expectativa de vida da população, o número de pessoas que
vivem com, pelo menos, uma doença crônica está aumentando. Dentre estas, encontram-se as
doenças reumáticas inflamatórias, que afetam 2% a 3% da população em geral e com um valor
não negligenciável em pessoas idosas. Essas doenças podem causar um impacto significativo
na funcionalidade de um indivíduo, portanto, reduzindo a qualidade de vida (LAHAYE et al., 2019).
Baseando-se nisso, a atuação do fisioterapeuta torna-se fundamental no manejo dos sintomas
manifestados, na progressão da doença e na manutenção/recuperação do quadro funcional de
um paciente diagnosticado com uma doença reumática. Através de recursos e de uma
prescrição de exercícios personalizada e individualizada, é possível reduzir os danos articulares e
incapacitantes que, consequentemente, preservam a autonomia e a independência do idoso.
As doenças reumáticas na população idosa podem ter uma apresentação clínica e biológica
distinta quando comparada a indivíduos mais jovens, com respostas diferentes aos tratamentos
(LAHAYE et al., 2019). Sendo assim, convido você, aluno, a aprofundar seus conhecimentos sobre
a osteoporose, a osteoartrite, a artrite reumatoide e outras patologias reumáticas, que são as
mais prevalentes na população idosa.
A osteoporose é uma doença metabólica bastante comum e relacionada ao envelhecimento,
caracterizada pela redução da massa óssea, tornando a estrutura do osso mais delgada, mais
fraca e com elevado risco de fratura (LAZOWSKI-FRAHER, 2015).
Segundo os mesmos autores, a osteoporose é considerada uma doença silenciosa, visto que,
geralmente, há ausência de sintomas e é diagnosticada, geralmente, após a ocorrência de uma
fratura.
A osteoporose é um problema de saúde relacionado ao sexo feminino devido à perda mais
acelerada da massa óssea nos primeiros 5 a 10 anos após a menopausa. Ocorrendo
predominantemente entre 45 e 55 anos de idade, a menopausa faz com que as mulheres percam
tecido ósseo rapidamente devido ao decréscimo na produção ovariana de estrogênio, hormônio
Principais patologias reumáticas1.1
 Osteoporose1.1.1
que tem ação protetora sobre o osso(LAZOWSKI-FRAHER, 2015; GAMBACCIANI; LEVANCINI,
2014).
Embora os homens não apresentem mudanças semelhantes à menopausa, nas últimas décadas,
a osteoporose tornou-se relevante na população masculina em função do aumento do número
de fraturas (LOURES et al., 2017). Apesar de se apresentar em ambos os sexos, as taxas de
prevalência são maiores no sexo feminino (33% a 47%) quando comparadas ao sexo masculino
(2% a 8% para homens acima dos 50 anos) segundo estudos internacionais (YANG; KIM, 2014).
No Brasil, a osteoporose custa 1,2 bilhão de reais anualmente. Mais da metade (61%) desse
montante, o equivalente a 733,5 milhões de reais, está associado à perda de produtividade. Já as
despesas com hospitalização representam 234 milhões de reais e os custos cirúrgicos, 163
milhões de reais.
Leia mais em:
AZIZIYEK, R. et al. The burden of osteoporosis in four Latin American countries: Brazil, Mexico,
Colombia, and Argentina. 2019. J. Med. Econ., v. 22, n. 7, p. 638-644, jul. 2019. Disponível em:
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30835577/ [https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30835577/] .
Acesso em: 19 out. 2021.
Figura 1 – Diferenciação entre um osso normal e um osso acometido
pela osteoporose
Osso normal (esquerda) e osso com osteoporose (direita). Fonte:
cosmin4000/iStock.com
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30835577/
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30835577/
https://objetos.institutophorte.com.br/PDF_generator/img/01.jpg
https://objetos.institutophorte.com.br/PDF_generator/img/01.jpg
Além dos fatores hormonais que podem acometer ambos os sexos, outros fatores contribuem
para o desenvolvimento da osteoporose, dentre os quais podemos citar a nutrição inadequada
(incapacidade de absorção de cálcio; consumo excessivo de cafeína, álcool e sal; gastrectomia e
outros) e a inatividade física. Atividades com carga produzem estresses biomecânicos que
favorecem uma cascata de eventos à qual denominamos remodelamento ósseo (LAZOWSKI-
FRAHER, 2015). A Figura 1 ilustra o acometimento da massa óssea de um osso com osteoporose
comparado ao osso saudável.
A medida da densidade mineral óssea (DMO) é o exame de primeira escolha para diagnóstico da
osteoporose. Trata-se de um teste padronizado pela Organização Mundial de Saúde, desde 1992,
com caráter indolor e rápido, com baixa radiação e similar ao exame de radiografia. Com base no
resultado da DMO, a osteoporose pode ser diagnosticada e classificada pelo escore T obtido
(Tabela 1).
Tabela 1 – Classificação da perda óssea e osteoporose da OMS
Classificação Escore T
Osteopenia Entre -1 e -2,5
Osteoporose Abaixo de -2,5
Osteoporose severa Abaixo de -2,5 e associada a uma fratura por fragilidade óssea
Fonte: elaborada pelo autor (adaptada de Lazowski-Fraher, 2015, p. 84).
Após o diagnóstico da osteoporose, o tratamento deve ser instituído o mais precocemente
possível, visto que há um alto risco de fraturas. Aproximadamente 1 a cada 3 mulheres acima de
50 anos sofrerá fraturas por osteoporose em algum momento da vida. Para os homens, essa
taxa tende a ser de 1 a cada 5 indivíduos (LAZOWSKI-FRAHER, 2015).
O tratamento consiste em medicamentoso e não medicamentoso. Para o tratamento
medicamentoso, os agentes terapêuticos podem ser divididos em: agentes indutores de
formação óssea (paratormônio, teriparatida e fluoreto) e os inibidores de reabsorção óssea
(bifosfonatos, estrogênios, moduladores do receptor de estrogênio e calcitonina) (KHOSLA;
HOFBAUER, 2017).
Em relação ao tratamento não medicamentoso, Khosla e Hofbauer (2017) relatam que o
tratamento deve focar no controle dos fatores de risco e no estímulo de hábitos de vida mais
saudáveis, como:
Consumir alimentos ricos em cálcio, como leite e derivados e verduras verdes (rúcula, brócolis,
agrião, alface, entre outros).
Expor-se ao sol por, pelo menos, 15 minutos diariamente para fornecer a quantidade mínima
necessária para a manutenção do metabolismo ósseo e regulação da vitamina D.
Diminuir o consumo de álcool e café.
Incentivar a cessação do tabagismo.
Prevenir quedas e instituir uma rotina de atividade física adequada ao quadro clínico do paciente.
Os hábitos saudáveis que ajudam a construir e manter os ossos íntegros devem ser estimulados
ao idoso sempre. Tanto as mulheres quanto os homens precisam estar alertas aos fatores de
risco da osteoporose e as repercussões que a falta de cuidado pode trazer. Para os idosos, o
exercício terapêutico é de grande relevância, não só por ajudar a manter os ossos fortes, mas
também para melhorar o equilíbrio e a coordenação que, consequentemente, reduzem o risco de
quedas e novas fraturas.
Videoaula - Osteoartrite
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"https://player.vimeo.com/video/656876030".
A osteoartrite (OA), tambémD. Saúde óssea e osteoporose. In: TAYLOR, A. W.; JOHNSON, M. J. Fisiologia
do Exercício na Terceira Idade. 15. ed. Barueri: Manole, 2015. Cap. 6, p. 80-93.
LAZOWSKI-FRAHER, D. Saúde óssea e osteoporose. In: TAYLOR, A. W.; JOHNSON, M. J. Fisiologia
do Exercício na Terceira Idade. 15. ed. Barueri: Manole, 2015. Cap. 6, p. 80-93.
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7, n. 22, 2019.chamada artrose, osteoartrose ou artrite degenerativa, é uma
doença degenerativa considerada um problema de saúde pública, principalmente em uma
sociedade em envelhecimento. A OA afeta cerca de 250 milhões de pessoas no mundo, a maioria
idosos, e as principais articulações são a do quadril e do joelho (CHOW; CHIN, 2018; KOTTI et al.,
2014). O Grupo Científico da OMS sobre doenças reumáticas estima que 10% da população
Principais patologias reumáticas1.1
 Osteoartrite1.1.2
mundial que têm 60 anos ou mais possuem problemas clínicos significativos que podem ser
atribuídos à OA (JEVSEVAR, 2013).
Além dos próprios fatores do envelhecimento, a OA afeta estruturas inteiras da articulação,
iniciando pela cartilagem articular e, posteriormente, o osso subcondral, de forma progressiva e
irreversível, levando à incapacidade funcional e quadro álgico. Caracteriza-se por uma afecção
dolorosa das articulações por meio da insuficiência cartilaginosa, provocando um desequilíbrio
entre a formação e a destruição dos seus principais elementos (GOLDRING; GOLDRING, 2010).
Pacientes com AO podem ser classificados de acordo com a etiologia da doença. Os casos em
que não é identificado o fator de origem da OA são denominados idiopáticos e a OA pode estar
localizada em uma articulação específica ou ser generalizada, quando afeta três ou mais
articulações. Em contrapartida, a OA é considerada secundária quando a etiologia é identificada
(por exemplo: traumas, doenças musculoesqueléticas, deformidades congênitas e outros)
(GUCCIONE; MINOR, 2010).
Os sintomas da OA tendem a se desenvolver de maneira gradual e afetam normalmente uma
articulação ou algumas articulações. A dor geralmente é de caráter mecânico, ou seja, está
associada inicialmente ao movimento e, em fases mais avançadas da doença, com o repouso. As
articulações que sustentam o peso (como ficar em pé) geralmente tornam-se as mais doloridas
(GUCCIONE; MINOR, 2010).
Nas mãos dos indivíduos com AO, é comum o acometimento das articulações da base do polegar
(primeira articulação carpometacarpal e trapezioescafoide). Também são característicos os
nódulos de Heberden nas articulações interfalangianas distais e os nódulos de Bouchard nas
articulações proximais (ABHISHEK; DOHERTY, 2013), conforme ilustrado na Figura 2.
A OA também pode atingir a articulação do ombro (acromioclavicular e glenoumeral), porém,
geralmente são confundidas com lesão do manguito rotador por apresentarem sinais e sintomas
semelhantes. O principal comprometimento é o quadro álgico presente que limita as atividades
de vida diária, tais como fazer a higiene, vestir-se, tomar banho e outras, dessa forma
impactando na qualidade de vida do indivíduo (SOWA et al., 2017).
Na articulação do quadril o acometimento da OA tende a reduzir a amplitude de movimento e
causar quadro álgico na região inguinal ou nas nádegas, podendo se irradiar pela face medial das
coxas até os joelhos. Os pacientes, na maioria dos casos, assumem uma posição de quadril
levemente fletida, abduzida e rodada externamente, comprometendo, assim, a velocidade de
marcha, principalmente de indivíduos idosos (GUCCIONE; MINOR, 2010).
Já com relação à articulação do joelho, os pacientes queixam-se de dor ao levantar-se de uma
cadeira e, conforme a evolução do desgaste articular, o quadro álgico pode ocorrer com qualquer
movimento ou até mesmo no repouso. As deformidades mais comuns da OA no joelho são o
varismo e o valgismo (MORA; PRZKORA; CRUZ-ALMEIDA, 2018).
Por último, na coluna vertebral, o acometimento tende a ocorrer com mais frequência na região
lombar, seguida da região cervical e torácica. As alterações nas articulações interapofisárias são
semelhantes às articulações periféricas (JARRAYA et al., 2018).
O diagnóstico da OA baseia-se no histórico clínico, no exame físico e nos sinais radiológicos
apresentados pela estrutura articular. Kellgren e Lawrence, em 1957, criaram um sistema de
Figura 2 – Nódulos de Heberden e Bouchard nas articulações
interfalangianas
Fonte: ttsz/iStock.com
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graduação que auxilia na detecção dos sinais radiográficos mais comuns, como: estreitamento
do espaço articular, esclerose do osso subcondral e presença de osteófitos. Segundo esses
autores, a presença de osteófitos definidos e estreitamento ausente ou questionável do espaço
articular já indica a presença de OA.
O plano de tratamento da OA é dividido em medidas farmacológicas e não farmacológicas. O
primeiro consiste, inicialmente, no uso de fármacos, como analgésicos e anti-inflamatórios,
comumente administrados via oral ou intra-articular (infiltrações) nos casos mais avançados da
doença, principalmente em pacientes que não tenham respondido a outras intervenções
medicamentosas (JEVSEVAR, 2013; ABHISHEK; DOHERTY, 2013; GUCCIONE; MINOR, 2010).
Já o tratamento não farmacológico deve ser realizado por uma equipe multidisciplinar, visando a
melhora do quadro álgico, a manutenção da função articular, a melhora da força muscular, a
melhora da propriocepção e manutenção da funcionalidade.
VIdeoaula - Artrite reumatoide e fibromialgia
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A artrite reumatoide (AR) é uma doença autoimune caracterizada por uma inflamação crônica de
articulações e sistemas orgânicos que, quando persistente, promove degeneração das
Principais patologias reumáticas1.1
 Artrite reumatoide1.1.3
articulações, redução da funcionalidade, morte prematura e elevados custos socioeconômicos
(ALETAHA; SMOLEN, 2018).
A AR atinge até 5% da população em geral, podendo ocorrer em crianças, adultos e idosos,
porém, os últimos são os mais afetados, tendo um pico de incidência da sexta década de vida.
Outro dado importante é de que o sexo feminino é mais afetado em comparação ao sexo
masculino, chegando a proporções quatro vezes maior (GUCCIONE; MINOR, 2010; MYASOEDOVA;
CROWSON; KREMERS, 2010).
As membranas sinoviais, a cartilagem e o osso das articulações são os mais afetados pela AR.
Essa patologia caracteriza-se por um processo inflamatório nessas regiões que causa
destruição e degeneração progressiva. Dentre as articulações mais afetadas, podemos citar:
articulações metacarpofalangianas, punhos, cotovelos, da coluna cervical e articulações dos pés,
joelhos e tornozelos (ALETAHA; SMOLEN, 2018).
Os sintomas da AR possuem padrões diversos e tendem a sofrer variações populacionais, no
entanto, podem se desenvolver em poucos dias ou evoluir ao longo de semanas/meses
(ALETAHA; SMOLEN, 2018). Segundo Guccione e Minor (2010), as manifestações clínicas mais
prevalentes são:
Rigidez matinal durante mais de 3 minutos, configurando dificuldade para se movimentar ao acordar.
Envolvimento articular bilateral e simétrico.
Artralgia (dor) e presença de crepitações ao realizar movimento articular.
Fadiga, perda de peso e febre.
Nódulos reumatoides em algumas articulações.
Deformidades em articulações metacarpofalangianas e interfalangianas.
Figura 3 – Comparação entre uma mão normal e uma afetada por artrite
reumatoide
Fonte: ttsz/iStock.com
https://objetos.institutophorte.com.br/PDF_generator/img/03.png
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O diagnóstico da AR tem base em três fatores: a história clínica do paciente, o exame físico e as
evidências corroborantes colhidas em exames laboratoriais (proteína C reativa, fator reumatoide,
hemograma completo e outros) e radiografia. Os fisioterapeutas podem se orientar na radiografia
considerando três parâmetros: alinhamento, densidade e superfície óssea e espaço cartilaginoso
(GUCCIONE; MINOR, 2010).
Uma vez realizado o diagnóstico da AR, o tratamento deve iniciar o mais rápido possível e pode
ser feito de forma medicamentosa e não medicamentosa, assim como as demais doenças
reumáticas.Os fármacos auxiliam no controle da doença com a redução dos quadros
inflamatórios e controle dos demais sintomas. O tratamento não farmacológico tem como
princípio a mudança de hábitos de vida com inserção de atividade física permitida, controle
nutricional e alterações na rotina do paciente (ALETAHA; SMOLEN, 2018). É nesse contexto que o
fisioterapeuta tem seu papel bem definido no processo de manutenção e recuperação da
funcionalidade de um paciente com AR.
Videoaula - Espondilite anquilosante e lúpus eritematoso sistêmic
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"https://player.vimeo.com/video/656877317".
A fibromialgia (FM) é considerada uma síndrome reumática que apresenta dados
epidemiológicos muito variáveis em determinadas populações. No Brasil, a FM está presente
Principais patologias reumáticas1.1
 Fibromialgia1.1.4
aproximadamente em 3% da população, com predominância no sexo feminino, principalmente
entre 35 e 44 anos, porém também se apresenta na população idosa (PEREIRA et al., 2009).
A FM, por ser, muitas vezes, confundida com transtornos psiquiátricos/psicológicos, pode causar
um descaso dos sintomas referidos pelo paciente ao avaliador e às pessoas que estão ao seu
redor. Com manifestações clínicas de causa desconhecida, o seu diagnóstico é complexo e de
difícil detecção em exames laboratoriais ou exames por imagem (OLIVEIRA JÚNIOR; ALMEIDA,
2018). Geralmente, a detecção é feita com base nos relatos do paciente.
Os sintomas relatados pelos pacientes com FM são diversos, sendo o quadro álgico
predominante com uma característica espontânea, difusa concomitante e/ou itinerante,
modificada pela condição emocional. Há também outros comprometimentos, como redução da
força e do desempenho muscular, fadiga, rigidez articular, depressão, ansiedade, transtornos de
atenção, sono não reparador e outros (OLIVEIRA JÚNIOR; ALMEIDA, 2018).
Em relação ao tratamento, ainda não há um consenso global de qual o melhor manejo dessa
doença, porém, a recomendação mais atual é de uma abordagem multidisciplinar.
Medicamentos, exercícios físicos, acompanhamento com psicoterapia são algumas das
abordagens mais indicadas para controle da doença.
As doenças reumáticas podem estar presentes em pessoas de todas as idades, ou seja, desde
crianças até na população idosa. Há uma variedade de doenças reumáticas conhecidas, e cada
uma possui um grupo de risco e características únicas. No entanto, algumas doenças podem
persistir durante o envelhecimento do indivíduo adulto e estarem presentes em idosos.
A espondilite anquilosante (EA) é um exemplo de doença que pode estar presente na população
idosa. É caracterizada como uma doença autoimune inflamatória crônica, que afeta
principalmente as articulações da coluna, sacroilíacas e quadril, causando dor crônica intensa.
Nos casos mais avançados, pode produzir fraturas expressivas, como espondilolisteses ou fusão
da coluna vertebral (ZHU et al., 2019).
A prevalência da EA não é clara na literatura, no entanto, estima-se um valor entre 0,1% e 1,4% na
população. Alguns estudos relatam que a prevalência é igual em ambos os sexos, porém o que
mais se relata em estudos é que o sexo masculino é mais susceptível à doença do que o sexo
 Outras doenças reumáticas que podem
estar presentes na população idosa
1.1.5
feminino. Além disso, geralmente começa antes dos 30 anos e tem uma progressão lenta e
constante (ISOGAI et al., 2018).
As principais manifestações clínicas da EA incluem a rigidez progressiva da coluna vertebral,
quadro álgico, fadiga e inflamação articular no quadril, ombro e articulações periféricas dos
dedos das mãos e dos pés (ZHU et al., 2019).
A espondilite anquilosante não possui cura, sendo assim, os tratamentos propostos visam alívio
dos sintomas e controle da progressão da doença com uso de medicamentos e tratamentos não
medicamentosos. A intervenção não medicamentosa visa reduzir o quadro álgico e garantir uma
melhora da mobilidade, principalmente da região afetada, permitindo que o paciente tenha
melhor qualidade de vida (ZHU et al., 2019).
Uma segunda doença, que também aparece com frequência na população idosa, é o Lúpus
Eritematoso Sistêmico (LES). É descrita como uma doença inflamatória crônica multissistêmica
que ainda possui etiologia desconhecida, mas que pode estar relacionada a fatores genéticos,
ambientais e hormonais. Acomete diferentes grupos etários, entretanto, mulheres em idade fértil,
negros e asiáticos são os mais afetados por essa doença (SKARE et al., 2016). Conforme
Monticielo e colaboradores (2013), estima-se uma incidência de LES, no Brasil, de
aproximadamente 8,7 casos para cada 100.000 habitantes.
O diagnóstico do LES é feito por meio do histórico do paciente e exames laboratoriais (urina e
sangue) que podem auxiliar na detecção. Existe um exame denominado FAN (fator ou anticorpo
antinuclear) que permite o diagnóstico de forma mais precisa (MONTICIELO et al., 2013).
Por se tratar de uma doença autoimune, os sintomas do lúpus tendem a aparecer de forma lenta
e progressiva. Os principais sintomas apresentados são: fadiga, perda de apetite, perda de peso,
quadro álgico nas articulações, inflamação na pleura e outros. Tais sintomas contribuem para o
paciente tornar-se mais propenso ao sedentarismo e prejudica a funcionalidade (MONTICIELO et
al., 2013).
No tratamento do LES, podem ser adotados medicamentos para modulação do sistema
imunológico com corticoides, imunossupressores e antimaláricos. Já no tratamento não
medicamentoso, devem ser utilizadas abordagens para redução dos sintomas do paciente,
melhorando a qualidade de vida e a manutenção da funcionalidade (MONTICIELO et al., 2013).
O tratamento das doenças reumáticas, em geral, não é único e depende de cada doença
diagnosticada. Algumas possuem cura e outras não. O diagnóstico deve ser feito o mais
precocemente possível para um melhor prognóstico, evitando, assim, as deformidades e
limitações articulares que podem ocorrer durante a evolução da doença.
Não é um tratamento fácil, por isso é fundamental que toda uma equipe multidisciplinar esteja
coesa durante o tratamento. É nesse contexto que o fisioterapeuta torna-se essencial na equipe,
atuando de forma individualizada e personalizada na recuperação e manutenção da
funcionalidade do paciente.
Videoaula - Exercícios terapêuticos e técnicas de conservação de
energia
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Apesar dos sinais e sintomas das doenças reumáticas serem parecidos durante o curso da
doença, cada paciente estará em uma fase específica e deve-se, portanto, levar em consideração
cada particularidade apresentada, propondo-se um tratamento personificado para o paciente.
Como descrito anteriormente, o tratamento não farmacológico das doenças reumáticas visa
controlar os sintomas e minimizar as complicações inerentes a cada tipo de doença. A atividade
física, na forma de uma prescrição de exercícios terapêuticos, promove benefícios aos pacientes,
tais como: a redução do quadro álgico, a manutenção da mobilidade e da flexibilidade articular,
ganho de massa muscular e óssea e, por fim, a melhora da qualidade de vida (LAZOWSKI-
FRAHER, 2015).
Reabilitação1.2
Vale lembrar que indivíduos com doenças reumáticas possuem requisitos especiais para a
prática de exercícios físicos e propensão à fragilidade quando se trata da população idosa. Todo
tipo de exercício deve ser explorado quando aplicado ao quadro clínico do paciente, por exemplo,
exercícios cardiopulmonares para indivíduos com fadiga e redução de expansibilidade torácica,
assim como exercícios resistidos para fraqueza muscular, quadro álgico e risco elevado para
fraturas e lesões musculares (LAZOWSKI-FRAHER, 2015).
A proteção articular é o processo de redução das tensões, tanto internas como externas, sobre as
articulações envolvidas durante aatividade funcional. Ela pode ser compreendida como
adequação de posturas, organização e coordenação dos movimentos, treino de força muscular,
propriocepção e uso de órteses e adaptações, como a finalidade de preservar diversas estruturas
do sistema musculoesquelético, evitando lesões repetitivas, recidivas, amplificação e
cronificação de processos dolorosos ou o agravamento de alterações pré-existentes (ALMEIDA
et al., 2015).
A conservação de energia é o conjunto de estratégias que visa a execução dos movimentos em
várias atividades da vida diária (AVDs) e instrumentais (AVDIs) com o menor gasto energético
possível, bem como a distribuição adequada desse gasto ao longo do dia, através de
organização e planejamento sequencial, evitando fadiga e proporcionando melhor realização e
desempenho das atividades (ALMEIDA et al., 2015).
Figura 4 – Benefícios do exercício físico em pacientes com doenças
reumáticas
Fonte: elaborada pelo autor (adaptada de Lazowski-Fraher, 2015, p. 89).
 Proteção articular e conservação de
energia
1.2.1
https://objetos.institutophorte.com.br/PDF_generator/img/04.png
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As técnicas de conservação de energia auxiliam na redução da força, a eliminação de atividades
que prejudicam as articulações, o repouso, a simplificação do trabalho e evitar realizar tarefas
que não possam ser interrompidas de imediato (ALMEIDA et al., 2015).
As modalidades físicas são utilizadas para alívio do quadro álgico nos pacientes com doenças
reumáticas a fim de facilitar o exercício e a atividade física proposta. O fisioterapeuta pode
escolher uma variedade de agentes físicos que fornecem calor (superficial ou profundo) e frio
para as áreas afetadas. O calor tende a ser usado para analgesia localizada e para aumentar a
circulação local sob a área aplicada; já o frio produz analgesia local e aumenta a circulação
superficial da região após um período inicial de vasoconstrição (GUCCIONE; MINOR, 2010). O
Quadro 1 demonstra as principais modalidades utilizadas e suas formas de aplicação.
Quadro 1 – Modalidades físicas aplicadas às doenças reumáticas
Modalidade Objetivo Formas de aplicação
Calor
superficial
Analgesia localizada e aumento da circulação
superficial local.
Compressas úmidas, bolsas,
infravermelho e hidroterapia.
Calor
profundo
Afeta as propriedades viscoelásticas do colágeno e
aumenta a distensão plástica de ligamentos, no
entanto não tem eficácia demonstrada na OA e na
artrite reumatoide, sendo contraindicado nos casos
agudos.
Ultrassom, ondas curtas.
Crioterapia Produz analgesia local e aumenta a circulação
superficial da região aplicada após um período inicial
de vasoconstrição. É útil nas articulações que estão
edemaciadas e que pioram com a aplicação do calor
superficial.
Compressas geladas, compressas
de gel, compressas químicas,
imersão em água e gelo, gelo
seco, spray químico.
Fonte: elaborado pelo autor.
 Modalidades físicas1.2.2
Videoaula - Exercícios aplicados à reumatologia
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Os exercícios de alongamento e mobilidade articular são importantes para manutenção e ganho
de amplitude de movimento, principalmente naqueles pacientes com restrições articulares.
Podem ser aplicados os princípios da neurofisiologia do exercício no alongamento para
músculos com restrições e encurtamentos importantes.
O repouso prolongado não é indicado no caso de pacientes com doenças reumáticas, sendo
necessário que o paciente aprenda o posicionamento apropriado da articulação no repouso e,
além disso, seja encorajado a fazer exercícios de mobilidade em máxima extensão possível para
manutenção da amplitude de movimento (GUCCIONE; MINOR, 2010)
Vale lembrar que a dor deve ser respeitada, nunca ultrapassada e que deve ser mínima após
esses exercícios. A aplicação de modalidades físicas antes e após os exercícios podem auxiliar
no manejo da dor. É recomendado que a dor induzida pelo exercício não exceda mais de 1 hora
após o exercício (GUCCIONE; MINOR, 2010).
Reabilitação1.2
 Alongamentos e exercícios de
mobilidade
1.2.3
Os exercícios aeróbicos de baixo impacto e sem/com sustentação de peso, tais como as
caminhadas e o andar de bicicleta, são geralmente indicados para pacientes com doenças
reumáticas. Tais exercícios visam uma melhora da capacidade cardiopulmonar, uma
construção/manutenção da massa óssea, auxílio no treino do equilíbrio dinâmico, aumento da
força do core, além de melhorar a resistência do indivíduo (LAZOWSKI-FRAHER, 2015).
As caminhadas são uma excelente opção e de fácil acesso à população geral, que pode ser
incorporada no dia a dia e no estilo de vida das pessoas. Kemmler e colaboradores (2020)
descrevem, em uma metanálise, que a adoção da prática regular de caminhadas, entre 3 e 4
vezes na semana, com duração entre 30 e 60 minutos, contribui para o aumento da massa óssea
e melhora da capacidade cardiopulmonar de pacientes.
 Exercícios aeróbicos1.2.4
Segundo Guccione e Minor (2010), pacientes com doenças reumáticas e, principalmente, com
artrite reumatoide/OA, possuem uma diminuição de força muscular por diversos fatores, tais
como:
Processos de doença inflamatória intra e extra-articular.
Efeitos colaterais de medicamentos.
Desuso.
Inibição reflexa em resposta à dor e efusão articular.
Propriocepção comprometida.
Perda de integridade mecânica em torno da articulação.
Por isso, os exercícios de fortalecimento são fundamentais para o ganho de força muscular e
produzem diversos benefícios para o indivíduo idoso. A progressão dos exercícios pode ser
realizada, conforme Figura 5.
Os exercícios isométricos são fundamentais para a melhora do tônus muscular, da resistência
estática e no ganho de força muscular, porém devem ser adotados cuidados para evitar a
sobrecarga e, com isso, efeitos indesejados, como fraturas e dor. Os exercícios dinâmicos
(concêntricos e excêntricos) podem melhorar a resistência e a força muscular de forma
 Exercícios resistidos1.2.5
Figura 5 – Sugestão de progressão de exercícios resistidos para idosos
com doenças reumáticas
Fonte: elaborada pelo autor.
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significativa. O Quadro 2 apresenta as principais indicações de exercícios resistidos, conforme
Guccione e Minor (2010).
Quadro 2 – Recomendações para exercícios resistidos em pacientes com doenças reumáticas
Exercício Recomendação Benefícios
Sustentação de peso 30 a 60 minutos por dia, ao menos 3 dias na
semana.
O exercício de alto impacto é mais efetivo que o de
baixo impacto principalmente para indivíduos
osteoporóticos.
Melhora e estimula a
saúde óssea.
Pode auxiliar no treino
de equilíbrio.
Exercício isométrico Intensidade abaixo de 70% da carga voluntária
máxima.
Duração de contração de 6 segundos.
Frequência de 5 a 10 repetições diárias.
Minimiza a atrofia
muscular.
Melhora a função e a
sustentação de peso.
Melhora o tônus
muscular.
Exercício dinâmico
(concêntrico e
excêntrico)
Executar na amplitude indolor.
Intensidade progressiva até 70% da carga
voluntária máxima.
Ser capaz de realizar 8 a 10 repetições contra a
gravidade.
2 a 3 vezes na semana em dias alternados.
Aumenta a massa
muscular.
Melhora a
funcionalidade.
Promove proteção óssea
e articular.
Fonte: elaborado pelo autor (adaptado de Guccione e Minor, 2010, p. 1175).
Outra preocupação e recomendação de exercício, quando possível, é o fortalecimento da
musculatura da coluna vertebral, promovendo, assim, uma correção de postura. Segundo Webb e
Lazowski (2006), os exercícios de correção postural devem evoluir da seguinte maneira:
Exercícios de alcance de postura ereta ou mais ereta possível.
Exercícios para aumentar a capacidade de sustentação da postura ereta.
Exercícios de coordenação respiratória em postura mais ereta.
Exercícios de coordenação respiratóriadurante o movimento.
Treino de atividade de vida diária com sustentação ereta e controle respiratório.
Como descrito na proteção articular, outros dispositivos podem ser recomendados pelo
fisioterapeuta com o intuito de proteger e aliviar quadros álgicos intensos. Um desses exemplos
é a utilização de dispositivos auxiliares, como a bengala, como abordaremos mais adiante.
Podem ser utilizadas órteses de mãos e punhos para restringir a movimentação de articulações
específicas e auxiliar no quadro álgico e na formação do edema. O uso de joelheiras deve ser
 Órteses, palmilhas e dispositivos
auxiliares de marcha
1.2.6
recomendado quando existem queixas de insegurança que pode ou não estar associada a uma
instabilidade ligamentar do joelho. Órteses para coluna também podem ser prescritas e
benéficas para o alívio da dor.
O uso de palmilhas também pode ser adotado em pacientes com doenças reumáticas, visto que
auxiliam na correção dos desvios articulares e melhoram o quadro álgico. Os arcos plantares
geralmente são acometidos por esses desvios devido às deformidades em varo ou em valgo da
articulação do joelho.
Práticas profissionais - Artrose na Mão - Exercícios básicos
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Recapitulando a Unidade 1
As doenças reumáticas são patologias que provavelmente o fisioterapeuta encontrará durante a
prática clínica de indivíduos da população idosa. Dentre essas doenças, destacam-se a
osteoporose, a artrite reumatoide e a osteoartrite.
Além do quadro álgico dessas afecções, o declínio funcional é evidente, como forma de proteção
à dor existente durante a mobilização, o que causa tendência de imobilismo para o paciente e
encurtamento das estruturas afetadas.
O fisioterapeuta é bem indicado para avaliar e tratar os comprometimentos, remediar as
limitações funcionais e educar o paciente para conduzir o próprio tratamento. A reabilitação da
pessoa com doença reumática é geralmente direcionada para a manutenção e restauração da
mobilidade e força muscular, sempre tentando melhorar a qualidade de vida do indivíduo.
Videoaula - Principais fraturas
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Fraturas, próteses e intervenções
ortopédicas
2.
A população idosa está mais propensa à incidência de fraturas, pois tendem a aumentar com o
avançar da idade e na presença de comorbidades como a osteoporose. A incidência de fraturas
vertebrais, por exemplo, aumenta em mulheres com mais de 50 anos, chegando a uma chance de
40% durante a vida. Por outro lado, a idade média para fraturas de fêmur proximal é de cerca de
80 anos, e mais de 75% das fraturas do fêmur ocorrem por quedas de indivíduos com mais de 75
anos (TSUDA, 2017).
Nos idosos, a prevalência de fraturas é mais intensa não apenas devido à baixa densidade óssea,
mas também ao processo de envelhecimento dos demais órgãos e sistemas que, com sua
deterioração funcional, podem afetar o metabolismo ósseo e a massa muscular, alterando de
forma significativa o equilíbrio e os reflexos, que consequentemente aumentam o risco de
quedas.
As fraturas na população geriátrica trazem muitas complicações e prejuízos importantes para a
qualidade de vida do idoso. A redução da capacidade de locomoção e a tendência ao repouso
prolongado no leito promovem um aumento potencial na taxa de morbidade e mortalidade nessa
população. Outros problemas, como depressão e isolamento social, também podem estar
presentes no período pós-fratura de um idoso (HEIDARI et al., 2021).
O aparecimento dos sintomas das fraturas geralmente inicia-se após um trauma. No entanto,
podem ocorrer fraturas por achatamento, proveniente de desgastes ósseos e atritos excessivos
presentes nas vértebras e, dessa forma, os sintomas tendem a ser diferentes e perceptíveis
durante o desenvolvimento da lesão. As principais manifestações clínicas da fratura são: quadro
álgico, edemas, crepitações articulares, deformidades estruturais e redução de mobilidade do
segmento acometido (ROSEN; WALEGA, 2016).
Por tais razões, é de grande importância, durante a avaliação de pacientes fraturados, a
realização de um bom levantamento histórico do paciente, progredindo para a avaliação física e
exames por imagens para complementar o diagnóstico. Desse modo, é possível avaliar,
caracterizar e tratar os mais variados tipos de fraturas.
A seguir, serão abordadas as principais fraturas que ocorrem na população idosa, sendo elas:
fraturas de úmero, extremidade distal do rádio, quadril e vertebrais.
Fraturas2.1
Fratura proximal do úmero corresponde a 5% das fraturas do esqueleto e é o terceiro tipo de
fratura mais comum em idosos. Ocorre predominantemente em mulheres, devido à presença de
osteoporose. Nos casos mais complexos (fraturas com fragmentação acima de três partes), nas
quais há altos índices de necrose avascular e de retardo na consolidação, os pacientes com má
qualidade óssea e pacientes idosos devem ser submetidos à artroplastia (MARCHETTO, 2011).
A fratura da extremidade distal do rádio é uma das mais comuns no membro superior. Na
população idosa, a fratura de Colles é a mais conhecida e prevalente, ocorrendo comumente
devido a uma queda com a mão estendida, como um mecanismo de proteção. Tal fratura pode
resultar em deformidades, rigidez na articulação afetada e, consequentemente, limitações
funcionais importantes (GIOSTRI, 2011).
 Fratura de úmero2.1.1
 Fratura da extremidade distal do rádio2.1.2
Figura 6 – Fratura de Colles
Fonte: disponível em .
As fraturas de quadril e proximal de fêmur é um problema para a saúde pública, uma vez que
aumenta o risco de mortalidade em pacientes idosos, assim como as despesas de saúde, tanto
para a família quanto para o governo. Aproximadamente 12% das mulheres e 4,6% dos homens
aos 50 anos experimentarão uma fratura de quadril em sua vida. Além disso, mais de 85% dos
pacientes com fratura de quadril possuem 65 anos de idade ou mais (LIU; WANG; XIAO, 2018).O
tipo mais comum de fratura que envolve a articulação do quadril é a fratura proximal do fêmur
que pode ser classificada em extracapsular e intracapsular, conforme demonstra a Figura 7. As
fraturas intracapsulares são identificadas como do colo do fêmur, enquanto as fraturas
extracapsulares são as transtrocanterianas, entre as quais a mais prevalente é a
intertrocantérica (ALMEIDA, 2011).
 Fratura de quadril e fêmur2.1.3
https://objetos.institutophorte.com.br/PDF_generator/img/06.png
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http://www.facafisioterapia.net/2007/09/fratura-de-colles.html
http://www.facafisioterapia.net/2007/09/fratura-de-colles.html
As fraturas transtrocanterianas correspondem a 55% das fraturas do terço proximal do fêmur,
acometendo principalmente pacientes idosos com déficit de massa óssea (osteopenia ou
osteoporose) e aqueles com mais de 70 anos. Geralmente, essas lesões são provenientes de
traumas de baixa energia, como quedas de própria altura. Idosos do sexo feminino demonstram
maior prevalência do que do sexo masculino, em uma proporção de 3:1 (ALMEIDA, 2011).
Rosen e Walega (2016) relatam que as fraturas vertebrais podem ocorrer por causa de um
trauma moderado ou espontaneamente, devido à diminuição da resistência óssea e ao aumento
do atrito entre as estruturas. Essas fraturas apresentam quadros álgicos intensos, com
necessidade de analgesia, repouso e controle das condições clínicas. As principais
características são atribuídas às fraturas vertebrais:
Lesão traumática na coluna vertebral.
Quadro álgico local acentuado.
Deslocamento leve, moderado ou grave de vértebras.Presença de parestesia/paralisia em membros, principalmente nos inferiores.
Vale ressaltar que as fraturas vertebrais podem ser assintomáticas, porém, comumente estão
associadas a dor aguda, que aumenta com o movimento e é aliviada no repouso. A persistência
de dor local de uma fratura vertebral prévia, após 6 meses, pode sugerir que existem outras
causas, então a etiologia da dor deve ser reavaliada (ROSEN; WALEGA, 2016).
Após vários eventos de fratura na coluna, as vértebras colapsadas ou desgastadas
anteriormente podem levar à deformidade da coluna, com cifose subsequente, perda de altura e
uma dor crônica na coluna na área torácica média ou lombossacral.
Além disso, com a deformidade progressiva da coluna e a perda da altura, pode surgir uma
protuberância abdominal, que resulta em desconforto gastrintestinal, assim como algum grau de
Figura 7 – Tipos de fratura de quadril
Fonte: disponível em https://www.mdsaude.com/
[https://www.mdsaude.com/ortopedia/fratura-colo-femur]
 Fraturas vertebrais2.1.4
https://objetos.institutophorte.com.br/PDF_generator/img/07.png
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https://www.mdsaude.com/ortopedia/fratura-colo-femur
https://www.mdsaude.com/ortopedia/fratura-colo-femur
comprometimento pulmonar secundário à deformidade da caixa torácica (doença pulmonar
restritiva) (LAZOWSKI-FRAHER, 2015).
Na maioria das vezes, as fraturas podem trazer várias complicações para o indivíduo idoso,
culminando na redução da mobilidade e da funcionalidade. As complicações geralmente surgem
nas primeiras horas ou dias após a lesão, principalmente quando ocorrem danos de vasos
sanguíneos e nervos, síndrome compartimental, infecções e/ou embolia gordurosa. Outras
complicações também podem se desenvolver com o passar do tempo, como no caso de
problemas articulares e problemas cicatriciais (SCHRAY et al., 2018; CARPINTERO et al., 2014).
No Quadro 3 são apresentadas as principais complicações pós-operatórias de cirurgias
ortopédicas e uma breve descrição delas.
Quadro 3 - Principais complicações de fraturas em idosos
Complicação Descrição
Danos de vasos
sanguíneos
Podem ocorrer sangramentos internos ou externos (ferida aberta) que podem causar
choque hemorrágico, principalmente para fraturas de quadril e fêmur, comuns na
população idosa.
Lesão nervosa O golpe direto ao nervo próximo à fatura pode ocasionar em rompimento ou
esmagamento, que podem, por sua vez, ocasionar perdas funcionais que tendem a se
recuperar ou não.
Embolia
pulmonar
Muito comum quando ocorrem fraturas de quadril ou fêmur sendo um acometimento
mais grave. Nessa complicação, ocorre a formação de um coágulo e, posteriormente,
ocorre a soltura (êmbolo) promovendo um deslocamento para o pulmão. Por fim, uma
obstrução de vasos pulmonares pode ocorrer diminuindo a troca gasosa e evoluindo
com problemas respiratórios importantes.
Embolia
gordurosa
Comum em fraturas de ossos longos que promovem um deslocamento de êmbolos de
gordura presentes no interior da medula óssea desses ossos.
Síndrome
compartimental
Surge quando ocorre uma compressão de vasos sanguíneos adjacentes a músculos
lesionados pela fratura e que ficam edemaciados. Consequentemente, o fluxo
sanguíneo é comprometido com risco de bloqueio e de sofrer necrose. Se o
procedimento de fasciotomia não for realizado em tempo hábil, há um risco
aumentado de amputação do membro afetado.
Infecções Mais comuns em feridas expostas de fraturas devido ao contato com o meio externo
e contaminado.
Fonte: elaborado pelo autor.
Complicações de fraturas2.2
Caso queira aprofundar o conceito de síndrome compartimental recomenda-se a leitura do texto
produzido por Costa e colaboradores, em 2019, denominado Tratamento da síndrome
compartimental: Artigo de atualização.
Disponível em: https://acervomais.com.br/
[https://acervomais.com.br/index.php/saude/article/view/1167] .
Videoaula - Tratamento e reabilitação de fraturas
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Com o crescente envelhecimento populacional e o alto índice de comorbidades, como a
osteopenia e a osteoporose, que causam um déficit estrutural dos ossos, as fraturas tornam-se
cada vez mais prevalentes. Outro dado importante a ser demonstrado é que pacientes com
fraturas de ossos osteoporóticos apresentam maior risco de uma nova fratura, principalmente no
primeiro ano após o primeiro evento (COURT-BROWN et al., 2018).
O objetivo primordial no tratamento de fraturas de indivíduos idosos é o restabelecimento, o mais
precoce possível, da função prévia. As comorbidades são empecilhos para uma abordagem
Tratamento de fraturas2.3
https://acervomais.com.br/index.php/saude/article/view/1167
https://acervomais.com.br/index.php/saude/article/view/1167
cirúrgica rápida, levando a períodos de imobilização prolongada e, assim, ocorre o aumento dos
riscos de complicações.
Os métodos de fixação devem obedecer a dois princípios: o princípio da compressão e o princípio
do tutor. O primeiro visa a uma estabilidade absoluta, culminando em consolidação direta, sem
que haja formação de calo ósseo. No segundo, ocorre a formação de calo ósseo e a estabilidade
conferida é relativa (BITAR, 2011).O Quadro 4 apresenta os princípios da osteossíntese e alguns
exemplos de implantes, segundo a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) em
seu Manual do Trauma Ortopédico de 2011.
Quadro 4 – Princípios da osteossíntese
Princípio Estabilidade Consolidação Método Exemplos de implantes
Compressão Absoluta Primária Parafuso de tração
Placa de compressão
Banda de tensão
Parafuso 6,5mm e rosca 32mm
Placa DCP ou LCP
Fios de cerclagem + fios de
Kirschner
Tutor Relativa Secundária Haste intramedular
(HIM)
Placa em ponte
Fixador externo
HIM fresada e bloqueada
Placa DCP
Fixador externo modular tubo-a-
tubo
Fonte: elaborado pelo autor (adaptado de Bitar, 2011, p. 19).
O tratamento conservador é indicado somente em algumas fraturas classificadas como
incompletas ou sem desvios. Além disso, é restrita aos pacientes acamados, sem condições
principalmente para marcha ou que apresentam contraindicações absolutas para intervenções
cirúrgicas.
Sendo assim, o tratamento conservador tende a não ocorrer com tanta frequência para
determinadas fraturas e o tratamento cirúrgico deve ser feito por uma equipe experiente,
principalmente em ossos frágeis/osteoporóticos.
Nas fraturas de rádio sem desvios, na população idosa, pode ser adotado um tratamento
conservador com imobilização parcial através do uso de talas dorsais que permitem uma leve
flexão de punho, porém impedem a extensão (GIOSTRI, 2011).
Já os pacientes osteoporóticos que se queixam de dor devido às fraturas vertebrais devem ser
tratados com repouso, imobilização no local da fratura e agentes analgésicos. Nesses casos, a
 Tratamento conservador2.3.1
ocorrência de perda funcional pode ser de grande importância, principalmente no indivíduo idoso
(ROSEN; WALEGA, 2016).
O tratamento cirúrgico para fraturas de indivíduos idosos está indicado na maioria dos casos.
Segundo a literatura, a escolha do tratamento a ser adotado para indivíduos idosos depende de
determinados fatores, como idade fisiológica e qualidade óssea da estrutura afetada (BITAR,
2011).
O tempo ideal para abordagem de fraturas para indivíduos comuns é entre 24 e 48 horas. As
abordagens cirúrgicas em indivíduos idosos costumam ser um pouco mais tardias, quando
comparadas aos mais jovens, devido à avaliação do risco cirúrgico, principalmente por possíveis
comorbidades, como problemas cardiopulmonares, ou por adoção da antibioticoterapia
profilática. Para garantir uma cirurgia mais segura possível, o procedimento cirúrgico deve
obedecer a algumas regras, tais como descritas na Figura 8.
A escolha do melhor método de fixação e a técnica adequada são baseadas na idade, no grau de
mobilidade, no estado cognitivo e na pré-existência de doençasque possam interferir no
processo cirúrgico e/ou na reabilitação.
O tratamento cirúrgico traz consigo todos os riscos de complicações pós-cirúrgicas (risco
anestésico, complicações cardiopulmonares, infecções e outros), porém, o alinhamento
anatômico e a estabilização adequada permitem reconstituições e a recuperação precoce da
funcionalidade (CARPINTERO et al., 2014).
As indicações cirúrgicas mais frequentes são a colocação de síntese por meio de uma fixação
interna, a artroplastia total e a artroplastia parcial. As principais fixações usadas nas fraturas de
quadril estão representadas na Figura 9.
 Tratamento cirúrgico2.3.2
Figura 8 – Metas dos procedimentos cirúrgicos
Fonte: elaborada pelo autor.
https://objetos.institutophorte.com.br/PDF_generator/img/08.png
https://objetos.institutophorte.com.br/PDF_generator/img/08.png
Em fraturas vertebrais, o tratamento cirúrgico pode estar indicado para casos em que ocorrem
grandes deformidades e quando há comprometimento importante do canal medular ou das
raízes nervosas, gerando transtornos neurológicos (ROSEN; WALEGA, 2016).
As primeiras próteses foram confeccionadas com materiais de pouca biocompatibilidade, tais
como ouro, acrílico, vidro e baquelite. Com o avanço tecnológico, as próteses atuais são feitas de
materiais com maior compatibilidade biológica, sendo os mais empregados: o polietileno de alta
densidade, o cobalto, o crômio-titânio e o polimetilmetacrilato (AHERWAR; SINGH, 2015).
Devido à gama de variedades de próteses em todas as articulações do corpo, serão abordadas
neste capítulo somente as próteses de quadril, devido a sua alta prevalência na população. Na
maioria dos casos de fraturas de quadril e fêmur proximal em idosos, a artroplastia total ou
parcial é indicada, preferencialmente aos que possuem acima de 65 anos.
A prótese total de quadril pode ser dividida em dois componentes: um acetabular e o outro
femoral. A forma de fixação da prótese vai depender do grau de estabilidade necessário para a
fratura apresentada e, n o intuito de garantir o bom funcionamento da prótese, a fixação pode ser
inserida junto ao tecido ósseo, que é obtida por duas técnicas. A primeira técnica utiliza cimento
ortopédico (normalmente polimetacrilato de metila) que funciona como uma argamassa entre a
prótese e o osso hospedeiro, garantindo maior fixação entre as estruturas. Já a segunda técnica
não faz uso do cimento ortopédico, baseando-se na propriedade de crescimento do osso para
dentro dos poros criados entre as superfícies da prótese e o osso hospedeiro (BITAR, 2011;
ALMEIDA, 2011).
Segundo Ono e colaboradores (2010), o paciente idoso com uma fratura do colo femoral
deslocada, que tem baixa demanda, tem sido tratado com a prótese parcial de quadril. Nesse tipo
Figura 9 – Opções de fixação interna de fraturas de fêmur
Fonte: disponível em .
 Próteses2.3.3
https://objetos.institutophorte.com.br/PDF_generator/img/09.png
https://objetos.institutophorte.com.br/PDF_generator/img/09.png
https://drfernandes.com.br/queda-e-fratura-em-idosos/
https://drfernandes.com.br/queda-e-fratura-em-idosos/
de prótese, o acetábulo é preservado e somente o componente femoral é substituído, sendo o
modelo de Thompson o mais utilizado.
As artroplastias são intervenções cirúrgicas seguras, no entanto, existem alguns riscos de
complicações pós-operatórias principalmente para a população idosa. Além das complicações
pós-operatórias já apresentadas neste conteúdo, outros fatores de complicação são: soltura da
prótese, luxação e fratura periprotética (SCHRAY et al., 2018). Portanto, medidas de prevenção
sempre devem ser adotadas para todos os tipos de artroplastias, principalmente em relação ao
membro operado.
Figura 10 – Diferença entre artroplastia total e parcial
Fonte: disponível em https://drfernandes.com.br
[https://drfernandes.com.br/queda-e-fratura-em-idosos/]
Como mencionado anteriormente, o tratamento conservador não é muito adotado,
principalmente para fraturas, uma vez que promove perda de funcionalidade. No entanto, ele
ainda é indicado em algumas situações como no caso das fraturas vertebrais
A abordagem das fraturas vertebrais em fase aguda ou pós-aguda tem por objetivo a redução do
quadro álgico, a manutenção da estabilidade da fratura e a estimulação da mobilidade dentro
das possibilidades permitidas. O repouso prolongado no leito promove atrofia muscular,
fraqueza, rigidez articular, lesões por pressão, trombose venosa profunda, problemas
respiratórios, delirium e depressão (ERHAN; ATAKER, 2020).
Reabilitação aplicada às cirurgias de
fixação e artroplastias
2.4
 Reabilitação no tratamento conservador2.4.1
https://objetos.institutophorte.com.br/PDF_generator/img/10.png
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https://drfernandes.com.br/queda-e-fratura-em-idosos/
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Nessa fase inicial, exercícios de estabilização neuromuscular que preservam a estabilidade da
coluna vertebral podem ser iniciados juntamente com exercícios de amplitude de movimento
para membros inferiores e superiores. Geralmente, o tratamento conservador tem duração de 8 a
12 semanas e, durante esse período, o uso de órteses pode auxiliar no processo de consolidação
da fratura (PRATELLI; CINOTTI; PASQUETTI, 2010).
Após evidenciada a consolidação por radiografia, um programa de exercícios terapêuticos pode
ser iniciado. Os pacientes não devem sentir dor durante esse período e são preconizados
exercícios de fortalecimento de musculatura extensora dorsal, exercícios para redução de cifose
torácica (se existir), exercícios de equilíbrio e proprioceptivos (ERHAN; ATAKER, 2020).
Recursos, como agentes físicos, podem auxiliar na redução do quadro álgico, dentre os quais
destacam-se o calor (superficial ou profundo) e a crioterapia. Além disso, a estimulação elétrica
nervosa transcutânea (TENS), a acupuntura, tem demonstrado efeito benéfico na redução da dor.
Se essa não puder ser controlada ou houver uma progressão da deformidade vertebral, o
tratamento cirúrgico deve ser recomendado.
A instituição de um programa pré-operatório visa maximizar os ganhos pós-operatórios e
prevenir possíveis complicações que possam existir. Geralmente, os exercícios não envolvem o
segmento afetado, tentando manter estabilidade até o procedimento cirúrgico, porém, nessa
etapa, é possível contemplar:
Educação do paciente sobre sua lesão e os possíveis riscos associados ao procedimento cirúrgico.
Educação sobre os cuidados pós-operatórios, de como é realizado o procedimento cirúrgico e sobre o
quadro álgico que possa existir.
Exercícios de fortalecimento e/ou mobilidade de articulações não afetadas e que podem ser
movimentadas.
Quanto mais precoce for o contato do paciente com o profissional fisioterapeuta no pós-
operatório, mais rápida é a recuperação funcional do paciente e menores são os riscos de
complicações dos componentes cirúrgicos, respiratórios e motores.
Segundo Barros e colaboradores (2017), em seu guia de cuidados e orientações ao paciente
submetido a artroplastia de quadril, o tratamento fisioterapêutico pode ser dividido em duas
etapas:
 Reabilitação no pré-operatório2.4.2
 Reabilitação pós-operatória2.4.3
Imediato – é feito ainda no hospital onde é realizado um acompanhamento do paciente nas
primeiras atividades motoras, como se sentar, sair da cama, deambular, início de treino de marcha
com dispositivos auxiliares e no cuidado para prevenção de complicações.
Tardio – é realizado fora do ambiente hospitalar, após a alta, com instrução de exercícios para ganho
de força e mobilidade, exercícios para equilíbrio, treino de marcha progressiva e exercícios aquáticos.
Segundo Carneiro e colaboradores (2013), a reabilitação deve começar nas primeiras 24 a 48
horas após a cirurgia, com um programa progressivo para estabelecimento da deambulação o
mais precocemente possível.Segundo esses autores, o paciente deve ser estimulado a se sentar
na cama ou na poltrona, deve aprender exercícios respiratórios e ser educado a se levantar
sozinho, tomando as prevenções cabíveis. Para isso, o paciente necessita ter confiança no
fisioterapeuta e principalmente em si mesmo, para que isso não seja barreira para um treino de
marcha independente.
A recuperação funcional das próteses cimentadas é melhor, pois permite ao paciente uma carga
precoce a partir do 2º ou 3º dia de pós-operatório. Já no caso da prótese não cimentada, a carga
precoce deve ser adiada devido ao tempo necessário para a consolidação e adequação do
cimento (CARNEIRO; ALVES; MERCADANTE, 2013).Segundo Barbosa e Ferrari (2017), algumas
orientações devem ser realizadas no momento da alta hospitalar para evitar complicações como
a luxação da prótese, como segue:
No leito, a cabeceira deve ser elevada de maneira que o paciente não ultrapasse um ângulo de 90º
entre o tronco e os membros inferiores.
O paciente não poderá cruzar as pernas.
O paciente não pode se sentar com o tronco à frente do quadril.
Quando estiver deitado, deve evitar que o quadril faça rotações, tentando manter o máximo possível o
alinhamento quadril-joelho-pés.
É aconselhável a colocação de um coxim entre os membros inferiores para manter um leve grau de
abdução de quadril.
Quando sentado, o paciente não deve cruzar as pernas.
Práticas profissionais - Como Tratar Fratura de Colo do Fêmur
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Os dispositivos auxiliares de marcha são equipamentos de diferentes configurações, destinados
aos indivíduos que apresentam instabilidades durante a realização dos movimentos envolvidos
no processo de deambulação.
Dispositivos auxiliares de marcha2.5
Em relação aos dispositivos, há uma diversidade de materiais e preços, tornando, portanto, uma
escolha individualizada. Os dispositivos existentes são bengalas, muletas, andadores e cadeiras
de rodas, conforme descrito no Quadro 5.
Quadro 5 – Os diferentes tipos de dispositivos auxiliares de marcha
Dispositivo Objetivo Variação Orientações
Bengala Ampliar a base de
sustentação do
indivíduo durante a
deambulação.
Melhorar o equilíbrio.
Promover uma proteção
articular.
1 ou 4 ponteiras. A altura da bengala, em
centímetros, tem cerca de
metade da altura do usuário.
A altura irregular pode causar
lesões em estruturas do ombro
e da coluna vertebral.
Utilização na mão oposta ao
membro afetado para uma
melhor proteção articular.
Andador Melhorar o equilíbrio.
Alívio da sustentação
do peso, completa ou
parcialmente, sobre o
membro inferior.
Propicia uma
estabilidade anterior e
lateral.
Ajustáveis, articulados, com
rodinhas, com assento e
outros.
Não utilizar em escadas.
Cuidado ao utilizar em rampas.
Verificar a flexão de cotovelo
em torno de 30°.
Desvantagem: custo elevado,
necessidade de ambientes
amplos e maior gasto
energético para o paciente.
Muletas Aumentam o equilíbrio.
Proporcionam alívio
completo ou parcial
para sustentação do
peso em membro
inferior.
Permite uma
deambulação funcional,
enquanto é mantido um
estado de sustentação
restrita do peso.
Existem diversos tipos, como
as axilares, antebraços e
canadenses, que podem ser
de materiais diferentes
(madeira ou alumínio) e
ajustamentos diferentes.
A muleta axilar tem custo
reduzido, mas é de difícil
manejo, instabilidade e
tendência a desequilíbrio do
paciente, lesões nervosas e
vasculares na axila por uso
prolongado
Deve ser feita a verificação da
altura (30º de flexão de
cotovelo) e orientação para uso
bilateral. Observar sempre o
desgaste da ponteira distal.
Fonte: elaborado pelo autor.
O objetivo efetivo dos dispositivos auxiliares de marcha consiste em aumentar a base de apoio,
diminuir a carga sobre o membro afetado, fornecer informação sensorial sobre o deslocamento,
ajudar na aceleração e desaceleração durante a marcha, ampliar a base de suporte e diminuir o
desvio do centro de gravidade.
Muitas situações traumáticas ocorrem por ausência de informação ao paciente quanto ao
procedimento correto de utilização, ou pelo próprio dispositivo possibilitar a regulagem estrutural
para adequação. Lembre-se: o dispositivo deve ser um facilitador e não uma barreira funcional
para o paciente.
Recapitulando a Unidade 2
Nesta unidade, fomos capazes de perceber o quanto é importante a prevenção de fraturas em
indivíduos idosos, uma vez que a prevalência e as consequências, como morbidade e
mortalidade, são altas nessa população.
Dentre as fraturas mais prevalentes, as de quadril e fêmur proximal são as mais frequentes.
Provenientes de quedas de própria altura, na maioria das vezes, tais lesões podem comprometer
muito a funcionalidade e a qualidade de vida do idoso.
Foram descritas, ao longo da unidade, diversas abordagens, desde um tratamento conservador
até o tratamento cirúrgico, como a artroplastia. Vale lembrar que, independentemente do
tratamento adotado, a fisioterapia tem um papel fundamental na manutenção da funcionalidade
dentro das possibilidades.
Por fim, foram apresentados alguns cuidados no pós-operatório de artroplastia de quadril, assim
como os principais tipos de dispositivos auxiliares de marcha utilizados no treinamento
progressivo de marcha de pacientes submetidos à cirurgia.
Considerações finais
Caro aluno, parabéns por ter chegado até o final de mais duas unidades de estudo! Esperamos
que este material tenha contribuído muito para o seu aprendizado dentro do mundo da geriatria e
da gerontologia.
Vale lembrar que precisamos estar em constante aprendizado para o melhor atendimento ao
paciente, principalmente quando se trata da população idosa. Deixamos a sugestão para que
você, aluno, esteja sempre revisando a temática abordada, visto que, a todo momento, há
atualizações sobre os assuntos aqui abordados.
Autoria
Autor
Fisioterapeuta, pós-graduando pelo Programa de Residência Multiprofissional em Saúde do
Idosos pela Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), pós-graduado em Terapia
Intensiva Adulto no Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein (2017) e com
Aperfeiçoamento em Cuidados Paliativos (2019), Cardiorrespiratória (2017) e Fisioterapia
Oncológica (2019); possui experiência por dois anos em terapia intensiva e, durante um ano,
como Docente nos cursos da área da saúde.
Marcos Vinícius Altoé Vescovi
Autor do vídeo
Graduado em Fisioterapia - UFSC (1993); Mestre em Ciências Fisiológicas - UFSC (1997); e
Doutor em Ciências Fisiológicas - UFSC (2001). http://lattes.cnpq.br/4366680183383551
[http://lattes.cnpq.br/4366680183383551]
Paulo Heraldo Costa do Valle
http://lattes.cnpq.br/4366680183383551
http://lattes.cnpq.br/4366680183383551
Glossário
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promover a diminuição da inflamação dos tecidos musculares e articulações do corpo. Fonte:
https://www.tuasaude.com/[https://www.tuasaude.com/crioterapia] . Acesso em: 19 jun. 2021.
Refere-se ao deslizamento de uma vértebra sobre outra adjacente, acarretando a perda do
alinhamento esperado da coluna. Fonte: https://drricardoteixeira.com.br
[https://drricardoteixeira.com.br/espondilolistese/] . Acesso de: 12 ago. 2021.
É o grupo de músculos e tendões que se inserem (prendem) na região proximal do úmero (osso
do braço). É formado por 4 músculos do ombro: o subescapular, o supraespinhal, o infraespinhal
Artroplastia
Baquelite
Core
Crioterapia
Espondilolistese
Manguito rotador
https://www.hcor.com.br/hcor-explica/ortopedia/artroplastia-o-fim-das-dores-nas-articulacoes/
https://www.hcor.com.br/hcor-explica/ortopedia/artroplastia-o-fim-das-dores-nas-articulacoes/
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https://pt.wikipedia.org/wiki/Baquelite
https://pt.wikipedia.org/wiki/Baquelite
https://www.clinicalaposture.com/post/m%C3%BAsculos-do-core-qual-a-import%C3%A2ncia-deles-no-movimento
https://www.clinicalaposture.com/post/m%C3%BAsculos-do-core-qual-a-import%C3%A2ncia-deles-no-movimento
https://www.clinicalaposture.com/post/m%C3%BAsculos-do-core-qual-a-import%C3%A2ncia-deles-no-movimento
https://www.tuasaude.com/crioterapia
https://www.tuasaude.com/crioterapia
https://drricardoteixeira.com.br/espondilolistese/
https://drricardoteixeira.com.br/espondilolistese/
e o redondo menor. Fonte: https://www.einstein.br [https://www.einstein.br/Pages/Doenca.aspx?
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É a morte do tecido ósseo devido à falta de suprimento sanguíneo. Fonte:
https://www.cirurgiadequadril.com.br [https://www.cirurgiadequadril.com.br/problemas-
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É uma estrutura presente abaixo da cartilagem e que tem a função de regeneração natural da
cartilagem. Fonte: https://drmarciosilveira.com [https://drmarciosilveira.com/pacientes/wiki/o-
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É uma condição relacionada à perda de massa nos ossos que ocorre de forma gradual. Esse
estado pode levar a situações mais graves, como a osteoporose, doença que causa o
comprometimento direto na resistência óssea pela perda de grande massa. Fonte:
https://www.clinicaceu.com.br [https://www.clinicaceu.com.br/blog/o-que-e-osteopenia] .
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[https://clinicapinheirofranco.com.br/faq/o-que-sao-osteofitos-entenda] . Acesso em: 19 jun.
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É um sintoma caracterizado pela sensação de dormência ou formigamento de alguma parte do
corpo. Fonte: http://hospitalsaomatheus.com.br [http://hospitalsaomatheus.com.br/blog/voce-
ja-ouviu-falar-em-parestesia] . Acesso em: 19 jun. 2021.
É uma condição em que os membros inferiores, principalmente os joelhos, ficam virados para
dentro. Fonte: https://www.tuasaude.com/ [https://www.tuasaude.com/joelho-valgo/] . Acesso
em: 19 jun. 2021.
Necrose avascular
Osso subcondral
Osteopenia
Osteófitos
Parestesia
Valgismo
https://www.einstein.br/Pages/Doenca.aspx?eid=274
https://www.einstein.br/Pages/Doenca.aspx?eid=274
https://www.einstein.br/Pages/Doenca.aspx?eid=274
https://www.cirurgiadequadril.com.br/problemas-quadril/necrose-avascular
https://www.cirurgiadequadril.com.br/problemas-quadril/necrose-avascular
https://www.cirurgiadequadril.com.br/problemas-quadril/necrose-avascular
https://drmarciosilveira.com/pacientes/wiki/o-que-e-osso-subcondral
https://drmarciosilveira.com/pacientes/wiki/o-que-e-osso-subcondral
https://drmarciosilveira.com/pacientes/wiki/o-que-e-osso-subcondral
https://www.clinicaceu.com.br/blog/o-que-e-osteopenia
https://www.clinicaceu.com.br/blog/o-que-e-osteopenia
https://clinicapinheirofranco.com.br/faq/o-que-sao-osteofitos-entenda
https://clinicapinheirofranco.com.br/faq/o-que-sao-osteofitos-entenda
http://hospitalsaomatheus.com.br/blog/voce-ja-ouviu-falar-em-parestesia
http://hospitalsaomatheus.com.br/blog/voce-ja-ouviu-falar-em-parestesia
http://hospitalsaomatheus.com.br/blog/voce-ja-ouviu-falar-em-parestesia
https://www.tuasaude.com/joelho-valgo/
https://www.tuasaude.com/joelho-valgo/
É uma condição em que os membros inferiores, mas principalmente os joelhos ficam virados
para fora. Fonte: https://www.tuasaude.com/ [https://www.tuasaude.com/joelho-varo/] . Acesso
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Varismo
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LAZOWSKI-FRAHER,

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