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Autor:Bruno do Nascimento Teixeira MED UEPA Exame físico do idoso O exame físico do idoso possui suas particularidades, pois para compreender os dados obtidos devem-se levar em consideração as alterações que ocorrem no envelhecimento, contudo deve-se levar em consideração que cada pessoa envelhece de uma maneira diferente, portanto a idade cronológica não guarda relação com o prognóstico do paciente. O exame físico deve ser realizado de maneira sistematizada e completa, abrangendo todos os segmentos do corpo, no sentido crânio-caudal. O médico deve sempre estar atento e observar a postura, fácies, deambulação (caminhada), os gestos, o modo de sentar e levantar do idoso para perceber as dificuldades, no entanto, deve manter-se próximo e vigilante, já que as quedas também podem ocorrer dentro de um hospital ou de um consultório. Antes de iniciar o exame, apresentar-se ao paciente, lavar as mãos e pedir para que ele se posicione sentado na maca. 1)Exame físico geral e qualitativo a. Avaliação do estado geral A avaliação do estado geral é subjetiva, devendo ser baseada nas observações e interpretações dos sintomas e dados exibidos pelo paciente, além da experiência do examinador em detectar o que o idoso está aparentando em sua totalidade. Podem assim ser classificado: Bom Estado Geral, Regular Estado Geral ou Ruim Estado Geral. Sendo que o idoso pode estar doente e mesmo assim ainda ser classificado como bom estado geral. b. Fácies Ao observar o rosto do paciente notar se o mesmo não possui alguma expressão fisionômica que caracterizam fácies típicas de algumas doenças, como o hipotireoidismo, hipertireoidismo, depressão, síndrome parkinsoniana (rosto inexpressivo), renal (edema facial e periorbitário bilateral, palidez cutânea), paralisia facial (decorrente de um AVC, hemiparesia com repuxamento bucal para o lado normal). Uma fácie não típica é uma fácie normal ou atípica. Parkingsoniana Renal Paralisia facial c. Pele e mucosas A pele é avaliada quanto a sua temperatura, comparando duas regiões com o dorso da mão; quanto a sua espessura e elasticidade, realizando uma prega cutânea e observando o quanto a pele se distende e a velocidade de retração quando a solta; quanto a presença de lesões elementares e de circulação colateral. Lembrando que a pele senil apresenta alterações causadas pelo envelhecimento, como diminuição da elasticidade, do turgor, da espessura, das secreções sudorípara e sebácea, e também alterações decorrentes da ação ambiental e das afecções acometidas, como exemplo zonas de hipo e hiperpigmentação por causa dos raios ultravioleta. Na inspeção da pele também se devem buscar sinais de carências nutricionais e vitamínicas, pois elas são mais comuns nos idosos, destacando-se as alterações tegumentares da pelagra (deficiência de vitamina B3) e do escorbuto (carência de vitamina C). Na inspeção das mucosas conjuntivas oculares, labiobucal, lingual e gengival devem-se observar a coloração, no qual o paciente pode estar normocorado, descorado ou pálido, cianótico, icitérico. Também notar lesões, principalmente na cavidade oral, como lesões ulcerosa, aftosas, saburra lingual, candidíase oral. Na pele e nas mucosas é muito importante observar o estado de hidratação do paciente idoso, pois os distúrbios hidreletrolíticos ocorrem com mais frequência e são mais graves nessa faixa etária. O idoso desidratado apresenta pele seca com diminuição do turgor e da elasticidade; perda do umedecimento e do brilho da mucosa oral e da língua por diminuição da produção de saliva, olhos afundados pela diminuição da secreção lacrimal das conjuntivas; excitação psíquica com o paciente confuso, desorientado ou abatimento (rebaixamento de nível de consciência, sonolência, delirium); podendo ainda ter oligúria, sede e diminuição abrupta do peso. Pele ressecada Prega cutânea Circulação colateral Icterícia Aftoses Saburra lingual Cianose Obs:Modificações da pele e fâneros com a idade • Diminuição da espessura e elasticidade, vasos mais visíveis – rugas • Flacidez – pregas nos membros • Cutis romboidal – aumento da espessura com aumento do quadriculado – nuca • Pele mais seca e rugosa – diminuição da atividade das glândulas sudoríparas e sebáceas • Melanose senil – alteração dos melanócitos – manchas hipercrômicas em mãos e face • Púrpura senil – facilidade de pequenos traumas em membros • Canície – cabelo branco • Calvície – diminuição dos bulbos capilares • Onicogrifose – alteração das unhas com aumento e irregularidade Espessura diminuída Púrpura senil d. Musculatura Uma das mais importantes alterações fisiológicas que acompanham o processo do envelhecimento é a perda de da massa muscular, contudo, sua acentuação é chamada sarcopenia, cuja inatividade física, fatores nutricionais, metabólicos, neuro-humorais e imunológicos contribuem para a sua fisiopatologia, que consiste na redução da massa (tamanho das fibras) e do número de fibras musculares, principalmente as de contração rápida, resultando em diminuição progressiva da força muscular com a idade. É uma das principais causas da síndrome da fragilidade do idoso, aumentando o risco de quedas, declínio funcional, redução da mobilidade, incapacidade e perda da independência. Para a investigação semiológica da musculatura empregam-se a inspeção e a palpação. Na inspeção o avaliador olha atentamente a superfície corporal do paciente em repouso, observando os relevos da musculatura. A palpação é feita com as popas digitais colocadas em forma de pinça, sendo que os músculos devem ser palpados com o paciente em repouso e também com leve grau de contração, e nunca se esquecer de avaliar ambos os lados da musculatura. Na musculatura verifica-se a troficidade que corresponde ao volume de massa muscular existente no corpo, e este pode ser normotrófico, hipotrófico ou hipertrófico; e também a tonicidade, que refere o estado de tensão elástica (ou contração leve mantida) que mostram os músculos em repouso, podendo apresentar-se normotônico, hipotônico ou hipertônico. e. Edema Em idosos a causa mais frequente de edema de membros inferiores é a imobilidade, agravada pela precariedade na drenagem venosa (estase venosa). Para caracterizar o edema leva-se em consideração a sua localização e distribuição, que refere se o edema é localizado ou generalizado (também chamado de anazarca); sua intensidade ou consistência, a qual é graduada pelo teste do cacifo, que se caracteriza pela ocorrência de uma impressão na pele à compressão feita com o polegar do médico. Se no teste do cacifo ocorre uma grande compressão do edema, diz-se que é um edema compressível, mole, como exemplo um edema inflamatório, mas o edema que deixa pouca impressão é considerado um edema duro, mais antigo, como exemplo o linfedema. Também é avaliada sua elasticidade, que pode indicar um edema elástico, caracterizado pelo retorno imediato da pele após descompressão, ou edema inelático, cuja pele demora a voltar após comprimida; sua sensibilidade, que também é notada ao realizar o teste do cacifo, temperatura da pele circunjacente; alterações de cor e textura. Hipotrofia Sinal do cacifo Edema f. Pesquisa dos gânglios linfáticos Com a idade, as alterações nos linfonodos dos idosos se acentuam, principalmente a incidência de linfomas. O exame dos gânglios linfáticos ou linfonodos se faz por meio da palpação. Esta é realizada com as polpas digitais e a face ventral dos dedos indicador, médio e anular e a superfície da pele onde se localiza o gânglio deve ser deslizada em movimentos circulares. No caso da extremidade cervical, ajusta-se a cabeça em uma posição que relaxe os músculos do pescoço, fletindo-se ligeiramente o pescoço e inclinando levemente a cabeça para o lado que se deseja examinar.Ao se palparem os gânglios devem ser observados: -TAMANHO DO GÂNGLIO: Em cm ou aproximar com elementos conhecidos (arroz, milho, azeitona). - CONSISTÊNCIA: Mole, elástico ou duro. - MOBILIDADE: Móvel ou fixo. - SENSIBILIDADE: Indolor (normal ou tumor) ou doloroso (inflamação). - ALTERAÇÕES TRÓFICAS DA PELE: Lesões como retrações ou ulcerações sobre o gânglio. Nesse exame devem ser palpados os gânglios: Cadeia occipital (abaixo da protuberância occipital externa, linha nucal superior). Cadeia retroauricular (atrás do pavilhão externo, desde a hélix até o lóbulo da orelha externa). Cadeia esternocleidomastóidea (bordo posterior do músculo ternocleidomastóideo). Obs:Comumente o edema de membros inferiores é atribuído de maneira incorreta à IC nessa faixa etária. Sabe-se que mesmo quando o edema de membros inferiores é devido a uma causa cardíaca, nos estágios iniciais da IC este é geralmente intermitente, de modo que nem sempre é detectado ao exame físico. O edema de membro inferior não constitui, assim, sinal confiável de IC nos idosos. Cadeia júgulo-carotídea (borda anterior do músculo esternocleidomastóideo). Cadeia submandibular (abaixo do ramo da mandíbula, desde o ângulo até as proximidades do mento). Cadeia submentoniana (abaixo do mento). Cadeia axilar (fossa axilar: linha axilar anterior, média e posterior). 2)Exame físico específico regional a. Inspeção do tórax Na inspeção do tórax do paciente idoso primeiro é importante caracterizar o tipo de tórax, pois muitos idosos possuem o tórax em tonel devido ao alargamento do diâmetro anteroposterior ou um tórax cifótico, devido às alterações esqueléticas que podem acentuar a curvatura dorsal da coluna, como a osteoporose com fraturas ou metástases ósseas. Observar o ritmo e a frequência respiratória do paciente, pois a frequência respiratória no idoso quando superior a 24 incursões respiratórias por minuto (taquipneia) pode preceder o diagnóstico clínico de infecção respiratória em até três a quatro dias. Também pode ser notada obstrução de vias respiratórias, cuja situação apresenta as tiragens intercostais, sendo comum nos portadores de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), especialmente na insuficiência respiratória. Pode ocorrer também em obstruções altas. Nas mulheres, as mamas devem ser sempre examinadas, pois o câncer de mama é comum nas idosas. Os homens podem apresentar a ginecomastia, a qual pode ocorrer no envelhecimento normal (sem patogênia), porém, causas clássicas como tumores, hepatopatia e uso de alguns medicamentos devem ser descartadas. Verificar a presença de abaulamentos, retrações ou tumorações. b. Ausculta cardíaca Ausculta cardíaca compreende a ausculta inicialmente das carótidas (pois as mesmas podem apresentar sopros por estenose carotídea) e ausculta dos focos precordiais, aórtico, pulmonar, tricúspide e mitral. Os idosos são mais propensos a apresentar doenças que causam modificações na fonese das bulhas, como miocardiopatias e arritmias, por isso, geralmente à ausculta, as bulhas cardíacas podem ser hipofonéticas. A primeira bulha apresenta o componente mitral mais alto e o tricúspide mais suave, podendo ocasionar um desdobramento audível na borda esternal inferior esquerda em idosos normais, em geral não influenciável pelo movimento respiratório. Até a quarta década de vida, a segunda bulha cardíaca (B2) é mais audível no segundo espaço intercostal esquerdo do que no direito. Com o envelhecimento, essa relação inverte-se, em virtude de modificações na posição da aorta e da artéria pulmonar. A terceira bulha é sempre patogênica no idoso e indicador confiável de insuficiência ventricular esquerda. A quarta bulha pode surgir sem significado patológico, como consequência da redução da complacência do ventrículo esquerdo que acompanha o processo de envelhecimento. Os sopros cardíacos são Tórax em tonel Tiragem intercostal Ginecomastia em idoso muito frequentes na idade avançada e decorrem principalmente da doença valvar calcificada, sendo a valva aórtica e a mitral as mais comumente afetadas. c. Ausculta pulmonar A ausculta pulmonar deve ser realizada em todo o tórax. Todo dado positivo pulmonar tem o mesmo significado que em um paciente jovem, pois o envelhecimento pulmonar, no máximo, pode ocasionar diminuição do murmúrio vesicular, mas nunca um ruído adventício. São frequentes as crepitações nas bases pulmonares desprovidas de significado clínico, particularmente quando desaparecem após a tosse. O aumento do diâmetro anteroposterior do tórax leva a uma interposição pulmonar entre o coração e a caixa torácica que pode alterar o exame. Observar à ausculta: Ritmo cardíaco:Regular,Irregular Tempo: 2 ou 3 tempos Fonese das bulhas cardíacas:Normofonéticas, Hiperfonéticas, Hipofonéticas Presença de sopro cardíaco, atrito pericárdico Obs:A dilatação e a perda da elasticidade da aorta ascendente e o espessamento dos folhetos da valva aórtica podem ser responsáveis pelo aparecimento de estalido protossistólico e/ou de sopro ejetivo, nem sempre com significado patológico. Se houver estenose aórtica, o sopro quase sempre se acompanha de frêmito, alterações da pressão arterial e dos pulsos. O sopro sistólico regurgitativo no foco mitral também pode não ter significado patológico e traduzir apenas espessamento e calcificação da valva mitral, sem que haja alteração funcional. Os sopros diastólicos sempre indicam disfunção valvar. d. Inspeção do abdome Na inspeção do abdômen deve-se avaliar o tipo de abdômen, no qual pode ser globoso, batráquio, ascítico, escavado, dentre outros. Além disso, também é importante verificar cicatrizes ou incisões cirúrgicas. Observar a presença de circulação colateral, abaulamentos, retraces, tumorações e ainda ondas peristálticas visíveis, as quais podem designar transito intestinal obstruído e abdômen agudo. O avaliador também realiza a manobra de valsalva, que consiste em pedir ao paciente que faça um esforço soprando na sua própria mão sem deixar o ar escapar, revelando possíveis abaulamentos como hérnias inguinais. e. Ausculta do abdome Na asculta abdominal devem ser ouvidos os ruídos hidroaéreos, que podem estar aumentados, a exemplo do peristaltismo de luta, que ocorre quando o paciente possui uma obstrução intestinal,e o intestino tentando vencer essa obstrução aumenta os movimentos peristalticos e estes são auscultados mais fortemente. Auscultar também as grandes artérias presentes no abdômen, como a artéria aorta abdominal, as artérias reais e também as inguinais para evidenciar sopros. Manobra de valsalva Abdômen globoso e distendido f. Palpação do abdome Na palpação deve-se perguntar se o paciente sente alguma dor e deixar a palpação da região dolorosa por ultimo. Inicia-se com a palpação superficial para verificar a sensibilidade, o tencionamento da parede, tumorações superficiais e se tiver suspeita de ascite, realizar o piparote ou macicez móvel dos flancos. Continuar com a palpação profunda para evidenciar possíveis tumorações profundas. Deve-se observar na palpação abdominal mais probabilidade de se encontrarem massas pulsáteis devido a aneurisma da aorta e às fezes. É comum o abdômen agudo em idosos apresentar distensão abdominal e pode advir sem rigidez intensa da parede abdominal. Essa alteração pode ser atribuída à fraqueza da parede abdominal e à distensão de alças intestinais verificadas na peritonite. O fígado em idosos pode ser palpável devido a anormalidades da caixa torácica e ainda assim não ser indicativo de insuficiência cardíaca direita ou de hepatopatias. Apalpação das regiões ingnais e hipogastro também é importante nos casos de diminuição do volume urinárioou incontinência, sob pena de deixar passar uma bexiga distendida. g. Pulsos É importante lembrar a necessidade de examinar o trajeto da aorta abdominal. As pulsações da parede abdominal podem ser visíveis e/ou palpáveis, como na pulsação epigástrica (pulso aórtico abdominal). Deve-se palpar o pulso aórtico abdominal, pois dilatações aneurismáticas e estenoses de seus ramos (renais, por exemplo) são mais comuns em idades avançadas. Assim o paciente idoso tem mais risco de possuir aneurisma de aorta abdominal, o qual se apresenta na palpação com um pulso forte e um abaulamento. Na ausculta apresenta sopro. Os pulsos periféricos devem ser rotineiramente palpados, pois a insuficiência vascular é mais comum nesses pacientes, consequência de doenças crônicas, como a hipertensão e o diabetes, e do tabagismo. Nas extremidades inferiores deve-se verificar o pulso tibial posterior e o pulso pedioso, sempre comparando com pulso homólogo também, para notar se não há diminuição da amplitude do pulso ou ausência do mesmo, o que revela uma dificuldade de perfusão sangue nas extremidades distais, podendo significar uma insuficiência arterial periférica ou obstrução arterial periférica. É importante tomar o pulso e contar a frequência cardíaca, principalmente durante a pesquisa de hipotensão postural, pois este pode ser um dado muito importante no diagnóstico etiológico. Em indivíduos normais, ela se eleva de 6 a 12 bpm na posição ereta. A falta de elevação da frequência cardíaca na queda da pressão arterial indica falha do sistema nervoso autônomo. Acentuado aumento na frequência de pulso (maior que 20 bpm), na posição supina, sugere hipovolemia. Obs: Logo após verificar os pulsos periféricos, deve-se olhar entre os dedos do paciente, evidenciando micose, frieira, lesões, ulcerações, principalmente em pacientes diabéticos. Também olhar as unhas para observar possível onicomicose nas unhas (unhas amareladas e espessas). Palpar a face plantar dos pés, para verificar diminuição da sensibilidade dos pés, como ocorre na diabetes. 3)Exame físico quantitativo e motor postural a. Pressão Arterial A medida da pressão arterial é um dado que não pode ser esquecido durante o exame físico do idoso. Com o envelhecimento, a pressão arterial sistólica eleva-se, o que constitui um fator de risco importante para as doenças cerebrovasculares, além do fato de que, entre esses acientes, a prevalência da hipertensão arterial essencial também é maior. O envelhecimento altera os mecanismos de controle da homeostase e pode predispor à hipotensão postural que ocorre quando há uma queda abrupta na PA ao passar da posição deitada para a posição de pé, com uma redução de 20 mmHg ou mais na pressão sistólica e/ou 10 mmHg ou mais na diastólica. Por isso deve-se aferir a PA do idoso em decúbito dorsal (deitado), depois de 2 a 3 minutos de descanso e em seguida, com o paciente de pé, com intervalo de 3 a 5 minutos. Muitas vezes são necessárias diversas mensurações, pois a variabilidade da PA aumenta com a idade. A hipotensão postural pode ser causada por desidratação, medicações e o idoso pode ter tontura, desmaios, quedas. Também é importante aferir a PA em ambos os braços, pois uma diferença de 10 a 20 mmHg em um dos lados sugere indícios de dissecção aórtica, doença vascular periférica ou estenose subclávia. b. Medidas antropométricas As medidas antropométricas são realizadas com o paciente em pé. Avaliar a altura e o peso na balança, utilizando-os para calcular o IMC (peso dividido pela altura elevada ao quadrado- kg/m2). As mudanças na composição corporal com o processo de envelhecimento diferem os indicadores do IMC das pessoas idosas para os adultos, sendo a normalidade para o idoso está entre 22 e 27 de IMC, abaixo de 22 considera-se baixo peso, com risco de desnutrição e acima de 27, sobrepeso ou obesidade, com riscos cardiovasculares e de locomoção. Obs: Os fatores que contribuem para a maior prevalência de hipotensão postural nos idosos: A medida da circunferência abdominal é feita com uma fita métrica, no ponto médio entre a última costela e a crista ilíaca. A circunferência abdominal tem uma correlação com o IMC e prediz o depósito de gordura visceral na região abdominal e consequente risco cardiovascular, síndrome metabólica, dislipdemia. A relação cintura-quadril é utilizada para avaliar a distribuição intra-abdominal de tecido adiposo que é associada ao aumento de processos mórbidos, principalmente doenças cardiovasculares, diabetes e hipertensão. Mensura-se a circunferência da cintura que é feita no local da cintura natural ou na menor curvatura entre a última costela e a crista ilíaca. Já a medida da circunferência do quadril é feita com o indivíduo de pés juntos, braços afastados do corpo, com a fita métrica ao redor da região de maior protuberância do quadril, sem comprimir a pele. Os pontos de corte para risco: • Homens: RCQ > 0,9 • Mulheres: RCQ > 0,8. A circunferência da panturrilha (CP) é a medida mais sensível para avaliação da massa muscular em idosos. É feita na maior circunferência no espaço entre tornozelo e joelho com a perna em 90º de flexão e apoiada. Se a circunferência da panturrilha > 31 cm o paciente está eutrófico, mas seas alterações no curso da marcha sem utilizar estratégias de compensação. O indivíduo é solicitado a levantar-se de uma cadeira alta com encosto reto e descanso para os braços, deambular 3 m, voltar e sentar-se novamente. Todo o teste é cronometrado e só para quando o paciente senta novamente na cadeira. Durante o teste, observam-se a mobilidade, o equilíbrio e a marcha do paciente. Assim é avaliado o tempo necessário para o indivíduo realizar a tarefa e sua interpretação são: Inferior ou igual a 10 segundos - indivíduo independente sem alterações no equilíbrio; Inferior ou igual a 20 segundos – indivíduo independente em transferências básicas (parcialmente dependente) e com baixo risco de quedas; Superior ou igual a 30 segundos- indivíduo dependente em muitas atividades da vida diária e na habilidade da mobilidade, pois possui déficit importante da mobilidade física e alto risco de quedas . c. Teste do alcance functional (functional reach) Este teste avalia o equilíbrio ântero-posterior. O Indivíduo se posiciona em pé, descalço, com o braço estendido ao longo de uma fita métrica presa à parede na altura do acrômio. O paciente inicialmente deve esticar o braço ao longo da parede e medir o tamanho do braço, deste o acrômio que deve estar junto ao 0 da fita métrica, até a ponta do dedo médio. Então o avaliador pede para o paciente inclinar-se para frente o máximo que conseguir sem perder o equilíbrio. Marca-se a nova medida e se faz a diferença com o primeiro valor. Um maior risco de quedas é detectado quando a diferença é menor que 15 cm. d. Balanço unipodal (one leg balance) Este avalia o equilíbrio latero-lateral e consiste em pedir que o paciente fique 5 segundos apoiado em uma perna só, realizando o teste com olhos abertos e com olhos fechados e com as duas pernas. e. Hand grip (força de preenção palmar) Avalia a força muscular. O Idoso, sentado e com o cotovelo fletido a 90º deve apertar com a mão o dinamômetro com a maior força possível. Fazer 3 tentativas com intervalo de 1 minuto entre elas. Considerar a melhor tentativa. Os valores de referência variam de acordo com sexo, idade e IMC. No geral o ponto de corte para mulheres é de 20kg e dos homens de 30kg.