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Pancreatite Internato de Cirurgia Geral James Gaston Faculdade de Medicina de Formosa - UniRV 1 | Pancreatite Aguda Anatomia O pâncreas é um órgão retroperitoneal, de forma que a dor da pancreatite tende a irradiar para o dorso. Ou seja, trata-se de uma dor visceral. Existe uma relação íntima da cabeça do pâncreas com o duodeno, de forma que ambas as estruturas compartilham a mesma vascularização: artérias do tronco celíaco e mesentérica superior. Dessa forma, quando há necessidade de retirar a cabeça do pâncreas, necessariamente parte do duodeno precisa ser retirado também (duodenopancreatectomia). Em outra análise, existe, também, uma íntima relação vascular entre a cauda do pâncreas e o baço, de forma que a ressecção da cauda do pâncreas geralmente requer a ressecção do baço, também. Além das relações vasculares, o ducto pancreático se liga à ampola de Vater, mesma região na qual se liga o ducto colédoco que secreta produtos do fígado e da vesícula biliar. Por esse motivo a principal causa de pancreatite aguda é litíase biliar. Etilogia -Litíase Biliar -Álcool -Drogas -Hipertrigliceridemia Quadro Clí nico - Dor em barra em abdome superior que irradia para dorso. - Vômitos - Sinal de Cullen: equimose periumbilical - Sinal de Grey-Turner: equimose em região de flanco - Sinal de Fox: equimose na base do pênis Obs: os sinais de equimose não são patognomônicos de pancreatite aguda. Eles acontecem em qualquer hemorragia retro- https://www.youtube.com/@saida.de.emergencia https://www.passeidireto.com/perfil/12165-james-gaston/ https://www.linkedin.com/in/james-gaston-93068a27b/ Pancreatite Internato de Cirurgia Geral James Gaston Faculdade de Medicina de Formosa - UniRV 2 | Pancreatite Aguda peritoneal. Dessa forma, a presença de equimoses no abdome no paciente com quadro de pancreatite pode ser sinal de gravidade, já que representam um possível sangramento pancreático. Diagno stico O diagnóstico de pancreatite aguda é baseado em pelo menos 2 dos seguintes tripés: 1- Clínica sugestiva; 2- Amilase e Lipase 3x maior que os valores de referência; 3- Exame de imagem sugestivo. A amilase e lipase se elevam mais ou menos no mesmo tempo, porém a amilase volta aos valores de referência mais rápido. A lipase, porém, é mais específica para o diagnóstico. Obs.: o aumento da lipase e amilase auxiliam no diagnóstico, porém não estabelecem gravidade. Valores extremamente elevados desses marcadores não são indicadores de pior prognóstico. Exame de Imagem 1- USG de vias biliares. Esse exame não é o melhor para ver sinais de pancreatite aguda, porém é importante para investigar se há cálculos biliares, buscando uma etiologia sugestiva. O cálculo capaz de provocar pancreatite aguda deve medir menos de 5mm, para ser pequeno o suficiente para passar pelas vias biliares. 2- TC com contraste. Esse exame é capaz de diferenciar os tipos de pancreatite aguda: -Edematosa/Intersticial -Necrosante Esse exame deve ser pedido de 48 a 72h exceto se: - Paciente grave; - Piora clínica; - Dúvida diagnóstica 3- USG endoscópica: Deve ser solicitada se suspeita de microlitíases. Classificação pela TC De forma didática: para procurar o pâncreas na tomografia deve-se achar os rins. A “cobrinha” que fica entre eles é o pâncreas. A ausência de sombra acústica na USG pode ser indicativa de pólipos vesicais. https://www.youtube.com/@saida.de.emergencia https://www.passeidireto.com/perfil/12165-james-gaston/ https://www.linkedin.com/in/james-gaston-93068a27b/ Pancreatite Internato de Cirurgia Geral James Gaston Faculdade de Medicina de Formosa - UniRV 3 | Pancreatite Aguda Quando se joga contraste existem dois possíveis resultados: 1- Pancreatite aguda edematosa Ocorre captação homogênea do contraste, mostrando que não há áreas de necrose: Esse tipo de pancreatite é o mais comum (80%). 2- Pancreatite aguda necrosante Ocorre captação heterogênea do contraste, indicando que existe um percentual de pâncreas necrosado. Nessa TC específica existem pequenos círculos mais hipodensos na região de necrose. Isso significa que há gás dentro do pâncreas, mostrando a presença de infecção. Progno stico SCORE DE RANSON (Importante Lembrar Totalmente da Grande Lista Para Evitar Sequestro de Homens na UR CA) Na admissão: Idade> 55 anos Leucometria> 16.000 TGO > 250 Glicemia > 200 LDH > 350 Primeiras 48h PO2 6L Queda do Ht > 10% Aumento de U> 10 Cálcio ou igual a 3 indica pior prognóstico. Importante lembrar que TGP, amilase, lipase e bilirrubinas não fazem parte do escore de Ranson. https://www.youtube.com/@saida.de.emergencia https://www.passeidireto.com/perfil/12165-james-gaston/ https://www.linkedin.com/in/james-gaston-93068a27b/ Pancreatite Internato de Cirurgia Geral James Gaston Faculdade de Medicina de Formosa - UniRV 4 | Pancreatite Aguda CRITÉRIOS TOMOGRÁFICOS DE BALTHAZAR Como a TC será solicitada de 48 a 72h o escore de Balthazar representa um escore tardio de avaliação de prognóstico. APACHE-II Se maior ou igual 8, indica preditor clínico de pior prognóstico. CRITÉRIOS DE ATLANTA Divide a pancreatite aguda em 3 graus: -Leve (80 a 90% dos casos): paciente não apresenta nem falência orgânica nem complicações locais ou sistêmicas. -Moderada: paciente apresenta falência orgânica transitória (máx. 48h). Ou seja paciente que chega com pancreatite aguda, porém desidratado e oligoanúrico. -Grave: Falência grave persistente. Tratamento Medidas iniciais: - Internação - Dieta zero por período curto - Hidratação venosa guiada por algum alvo (débito urinário, pressão, perfusão...), com Ringer Lactato e controle eletrolítico. Obs.: utiliza-se ringer lactato por ele ser menos inflamatório do que o soro fisiológico. - Analgesia - Atentar com queda de cálcio Reinício da dieta (dieta líquida de prova): Se pancreatite aguda leve - Valor calórico total menor que 30% em lipídios - Via oral entre 24h e 72h Caso o paciente não tolere a dieta por via oral: https://www.youtube.com/@saida.de.emergencia https://www.passeidireto.com/perfil/12165-james-gaston/ https://www.linkedin.com/in/james-gaston-93068a27b/ Pancreatite Internato de Cirurgia Geral James Gaston Faculdade de Medicina de Formosa - UniRV 5 | Pancreatite Aguda -Nutrição enteral (NG ou NJ): - Nutrição parenteral (caso o paciente não tolere de forma alguma as tentativas anteriores de reintrodução da dieta) Pancreatite Aguda de Etiologia Biliar -Se atenta às novas coledocolitíases para evitar colangite (BbT > 4) ou um novo episódio de pancreatite aguda: .CPRE com papilotomia endoscópica + Colecistectomia são necessários antes da alta. Complicaço es Em ambos os tipos de pancreatite aguda (edematosa ou necrosante) pode haver complicações: -Complicações precoces (4 semanas): Edema encapsulados (Pseudocistos). Necrose encapsulada (Walled-off necrosis – WON). Tratamento das complicações locais 1) Pseudocistos: complicação tardia mais comum (15% dos casos). Intervir se complicar com: - Compressão de estruturas: .Plenitude pós prandial .Náuseas, vômitos, anorexia - Ruptura, hemorragia .Abordagem: drenagem endoscópica 2) Necrose: intervir se o paciente complicar com: -Infecção (presença de gás visível na TC): .iniciar IMIPENEM(resolutivo em 40% dos casos). .Drenagem endoscópica ou percutânea (caso o ATB não resolva). .Necrosectomia cirúrgica (última opção, caso as medidas anteriores não resolvam): operar 3 a 4 semanas APÓS início do quadro (visualização anatômica menos dificultada devido quadro infeccioso). https://www.youtube.com/@saida.de.emergencia https://www.passeidireto.com/perfil/12165-james-gaston/ https://www.linkedin.com/in/james-gaston-93068a27b/