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Scheila Maria
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GASTRO – ASCITE
# aspectos gerais #
É o acumulo patológico de fluido na cavidade peritoneal. A cavidade peritoneal,
normalmente, contém aproximadamente 100 ml de líquido (transudato fisiológico). A
partir de 500 mL de líquido acumulado é clinicamente detectável.
A origem do líquido pode variar: bile, plasma, urina, linfa, sangue.
Os derrames de sangue ou pus na cavidade peritoneal não representam ascite, mas
respectivamente, hemoperitôneo e pioperitôneo.
{para diferenciar o hemoperitôneo de uma ascite sanguinolenta podem ser observados dois
aspectos: (1) no hemoperitôneo o líquido vai clareando durante a drenagem, no ascítico não. (2)
o sangue da ascite hemorrágica não coagula}
A grande maioria das ascites tem como causa a cirrose hepática (devido a retenção de água
e sódio + hipoalbuminemia e hipertensão portal – fatores localizadores de edema da cirrose
hepática), mas veremos isso adiante.
O seu aparecimento pode ser agudo ou insidioso (essa tem pior prognóstico)
Na SEMIOLOGIA devemos atentar para o que?
o Uso de álcool, tipo de bebida, uso diário ou não, quantidade e tempo de uso;
o Vírus de hepatites crônicas, icterícia com colúria, transfusões ou uso de plasma;
o Uso anterior de drogas farmacológicas com potencial hepatotóxico;
o Exposição ocupacional a substâncias hepatotóxicas;
o Histórico de morte por insuficiência hepática na família sem causa conhecida;
Em geral a ascite não-complicada associada a cirrose NÃO produz dor abdominal. A
presença dessa queixa pode indicar a existência de peritonite bacteriana espontânea ou de
outra causa para a ascite (tuberculose peritoneal, ascite pancreática, ascite hemorrágica).
Pode ocorrer perda de massa muscular cirrose, tuberculose peritoneal, neoplasias.
Pode ser classificada nos seguintes graus:
o Grau1: detectada apenas por ultrassonografia
o Grau2: moderada, detectada pelo exame físico {abdômen de batráquio e sinal da
macicez móvel, ao exame físico}.
o Grau3: grande, importante distensão abdominal. Diretamente visível, confirmada pelo
sinal da onda ascítica (Piparote positivo).
A patogênese da ascite inclui
o Aumento da pressão hidrostática (Hipertensão Portal)
o Diminuição da pressão osmótica coloidal
o Saída de fluidos para a cavidade peritoneal
o Aumento da permeabilidade dos capilares peritoneais.
# fisiopatologia #
Agora vamos ver bem explicadinho como se forma a ascite por hipertensão portal, que é a sua
principal causa. Vamos lá:
Fontes:
Medcurso
Dani
Isabella
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A hipertensão portal decorrente do aumento da pressão sinusoidal, ativa os mecanismos
vasodilatadores. Esses mecanismos mediados, principalmente, pela produção aumentada de
NO levam a uma consequente vasodilatação esplâncnica e arteriolar em nível periférico, que
geram uma hipovolemia. A vasodilatação do compartimento vascular arterial faz com que os
barorreceptores sinalizem com aumento do sistema renina-angiotensina-aldosterona, atividade
simpática (aumentando o DC) e ADH com objetivo de reter água e sódio na tentativa de corrigir
o estado hipovolêmico provocado pela vasodilatação. A ativação contínua do sistema vasoativo
leva a um hiperfluxo portal, que juntamente com saturação do sistema de drenagem linfático
provoca o extravasamento de líquido na cavidade peritoneal. Um outro ponto chave na ascite é
a hipoalbuminemia provocada pela desnutrição comum em pacientes cirróticos avançados, e
pela redução na sua produção pelo fígado comprometido o que leva à diminuição da pressão
coloidosmótica intravascular contribuindo com a perda de líquido para o terceiro espaço.
Algumas das teorias sobre sua fisiopatologia são:
1. Overflow = “superabundância” (retenção renal inadequada): Doença hepática
retenção primária de água e sódio expansão do volume vascular ascite
2. Underfilling = “enchimento incompleto” (diminuição do volume circulante
efectivo): HT Portal saída de fluidos para o peritoneo ascite diminuição do
volume intravascular retenção secundária (compensatória) de água e sódio.
3. Vasodilatação arterial periféria: dilatação vascular pelo óxido nítrico diminuição do
volume plasmático retenção de água e sódio ascite
# exame clínico abdominal #
Abdome em avental (ascites menores) ou globoso com o paciente está de pé e em batráquio
(por dilatação dos flancos) com o paciente em decúbito dorsal.
Avaliar aparecimento de estrias e herniações, aspecto da cicatriz umbilical (pode estar
protruída ou aplainada).
Pode ocorrer circulação colateral venosa:
o Tipo porta: presente quando ocorre hipertensão portal, ao redor da cicatriz umbilical,
em cabeça de medusa.
o Tipo cava: surge nas obstruções de VCI ou ilíacas primitivas com fluxo indo de baixo
para cima.
o Misto porto-cava: mais raro, quando há obstrução das duas veias ou o peso de
grandes ascites comprime a VCI.
Quantidades inferiores a 1500 mL são dificilmente detectadas à percussão.
“Macicez móvel”: raramente deixa de ser obtido nas ascites de pequenas a grandes.
Realizar em todos os pctes. Para sua obtenção percutimos o flanco até encontrarmos uma
região claramente maciça. Fixamos este ponto e solicitamos ao paciente que assuma o
decúbito lateral do lado oposto ao que estamos percutindo. Nova percussão no ponto fixado
revela som timpânico devido ao deslocamento de líquido para o lado contra-lateral.
O “Sinal do piparote” não é útil para ascites pequenas, geralmente só tem valor para
ascites acima de 5L. É o menos sensível e mais específico. Para sua obtenção colocamos
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uma das mãos espalmada em um dos flancos enquanto no flanco contra-lateral damos um
piparote; este provoca uma onda de líquido que é perceptível pela palma da mão no flanco
oposto.
“Semi-círculos de Skoda”: Delimitamos pontos que correspondem a zona de transição
entre o timpanismo e a submacicez/macicez. A união dos pontos percutidos forma um
semi-círculo com concavidade voltada para cima pois na ascite o líquido se concentra na
região de maior declive, ou seja, nos flancos e andar inferior do abdome. Difere do cisto de
ovário, bexigoma e gravidez (concavidade para baixo). Diagnóstico diferencial.
OU SEJA: Pesquisa de macicez móvel em todos os pacientes; Pesquisa de Piparote em ascites
médias e grandes volumes; Pesquisar os Semicírculos de Skoda nos casos de dúvida
diagnóstica em relação aos diagnósticos diferenciais da ascite. OK? OK.
# exame clínico geral #
Buscar aspectos gerais que possam estar relacionados a causa, principalmente às
hepatopatias crônicas.
Distribuição do edema periférico: na hepatopatia crônica se concentra nos MMII (a
tendência ao desenvolvimento de bloqueio funcional da veia cava inferior leva ao edema de
membros inferiores) e abdome. No nefropata ou cardiopata com anasarca o edema se
distribui até pelo rosto.
Sinais de insuficiência hepática: podem ser encontrados no pcte com cirrose (aranhas
vasculares, telangiectasias).
Todos os pacientes evoluem com circulação hipercinética, traduzida por hipotensão
arterial, aumento do débito cardíaco e fluxo sanguíneo tecidual aumentado, traduzido por
hiperemia de face e mãos, podendo haver dispneia e cianose, esses quando existe
hipertensão pulmonar.
Eritema palmar pode aparecer também e sinais de feminilização (queda de pelos e
ginecomastia) nos homens.
Derrame pleural à direita: ocorre em 6% dos pctes; pode ocorrer também falsa macicez
nas bases do pulmão ou pulmões ocupando menor espaço devido a elevação das cúpulas
diafragmáticas.
# etiologia#
1. CIRROSE HEPÁTICA:
o Corresponde a 85% dos casos de hipertensão portal gerando ascite.
o Causada por álcool, hepatites virais, toxinas, drogas, doenças metabólicas,
hemocromatose.
o Leva a hipertensão portal devido a fibrose do tecido, hipoalbuminemia e liberação de
NO (vasodilatador)
o Sintomas incluem anorexia, astenia e perda de peso.
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o Ao exame clínico há a ascite, eritema palmar, telangiectasias, icterícia, esplenomegalia,
edema periférico, ginecomastia, hipocratismo digital e circulação colateral.
o Complicações: hipertensão portal, alteração no metabolismo de glicose, colesterol e
fármacos, disfunção imunológica, síndrome hepatorrenal e evolui para carcinoma
hepatocelular.
2. INSUFICIÊNCIA HEPÁTICA FULMINANTE
o Necrose de um grande número de hepatócios, evolui para encefalopatia hepática até 8
semanas após o início dos sintomas.
o Causas: infecção viral (50-60%), drogas (25-30%), hipóxia.
3. HEPATITE ALCOÓLICA
o Decorrente do consumo excessivo de álcool (15-20 anos)
o Esteatose hepática evolui para fibrose causando da resistência sinusoidal ao fluxo e
hipertensão porta.
o Os sintomas são os mesmo da cirrose.
4. NEOPLASIAS – METÁSTAES.
o É a segunda causa mais comum de ascite. Pode revelar líquido de aspecto variado,
amarelo-citrino, hemorrágico ou quiloso.
o As neoplasias malignas mais comumente associadas incluem: tumor de ovário, CA
colorretal, de estômago e pâncreas.
o Metástases disseminadas pela veia porta, circulação sistêmica ou vasos linfáticos
causando oclusão.
o Pode ocorrer ainda aumento da permeabilidade dos capilares do peritôneo devido ao
processo inflamatório gerado ou a substâncias liberadas pelos tumores, que aumentam
a permeabilidade peritoneal.
o A ascite decorrente é classicamente do tipo exsudativa com elevado teor de proteínas
(numa composição semelhante ao plasma).
o Possui citologia positiva em amostra única em pouco mais de 80% dos casos.
5. OBSTRUÇÃO DE VEIA PORTA
o Trombose idiopática da veia porta (ausência de doença hepática) contribui para a
maioria dos casos de hipertensão porta na criança.
6. TUBERCULOSE PERITONEAL:
o No Brasil é a 3ª causa mais comum de ascite, principamente em jovens não
cirróticos
o Decorrente da reativação de um foco latente do BK.
o Os principais achados clínicos são a ascite e a febre moderada.
7. ASCITE BILIAR
o Presença de bile na cavidade peritoneal.
o O extravasamento pode se fazer de forma aguda caracterizando a peritonite biliar
(com dor) ou de forma mais lenta (ascite biliosa)
o Etiologia: complicações cirúrgicas do tracto biliar, biópsia percutânea do fígado,
traumatismo abdominal.
o A dosagem de bilirrubina > 6mg/dL é diagnóstica.
8. SÍNDROME DE BUDD-CHIARI
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o Obstrução venosa do efluxo hepático
o Causada por contraceptivos orais ou trombose de veias hepáticas
o A obstrução ao efluxo leva ao aumento da pressão pós-sinusoidal com consequente
dilatação e aumento da pressão sinusoidal. Isso aumenta a filtração nos sinusóides,
formação da linfa e ascite.
o Sintomas: ascite, hepatomegalia, dor no QSD
9. DOENÇA VENO-OCLUSIVA
o Causa rara de congestão hepática
o Caracterizada por esclerose subendotelial com espessamento e obliteração das
vênulas terminais e sinusóides hepáticos.
o Etiologia: Radioterapia, Imunossupressores nos transplantes renal e de medula óssea.
As veias esclerosadas podem sofrer tromboses que podem atingir as veias hepaticas de
maior efluxo, mimetizando o síndrome de Budd-Chiari
10. PERICARDITE CONSTRICTIVA
o Inflamação do pericárdio e consequente espessamento, cicatrização e calcificação.
o Causas: principal idiopática. Outras são: tuberculose, cirurgia, traumatismo.
o Ocorre aumento da pressão venosa que desencadeia o quadro de ascite.
11. INSUFICIÊNCIA CARDÍACA
o A origem cardiogênica é a quarta causa de ascite. Juntamente com a pericardite
constritiva somam 5%.
o Incapacidade do coração para bombear o sangue eficazmente. Necessidades
metabólicas do organismo comprometidas
o Congestão venosa leva ao quadro de ascite pelos mesmos mecanismos.
12. SÍNDROME NEFRÓTICA
o Causa + comum de ascite em criança, hemodiálise.
o Fisiopatologia: Comprometimento da função da membrana basal glomerular,
permeabilidade glomerular, albuminúria, hipoalbuminemia, pressão osmótica
oncótica do plasma, filtração transcapilar de água para o interstício.
o Quadro clínico: hipoalbuminemia, proteinúria muito acentuada, edema, ascite,
hipercolesterolemia, lipidúria
o Sintomas: edema, letargia, anorexia, astenia, dor abdominal, vômitos, diarréia.
o Complicações: hipovolemia, infecção, trombose, insuficiência renal aguda, insuficiência
renal crónica
13. ASCITE PANCREÁTICA:
o Presença de secreções pancreáticas na cavidade peritoneal
o Fisiopatologia: Extravasamento crônico de pseudocisto pancreático, Ruptura de um
ducto pancreático. Patogênese: Adultos pancreatite alcoólica, Crianças
pancreatite traumática
o Caracteriza-se por: Perda de peso recente acentuada, Ausência de resposta da ascite
aos diuréticos, Ausência de peritonite, Ausência de dor intensa.
14. ENDÓCRINA (hipotireoidismo – mixedema)
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# diagnóstico #
“todo caso de ascite de recente começo ou de recente piora deve ser puncionado”.
1. Punção do líquido ascítico.
A paracentese pode ser diagnóstica ou terapêutica (aliviar sintomas compressivos) e deve
ser realizada em todos os doentes com ascite (contra indicações apenas em CID e
fibrinólise primária). É importante também para diagnóstico da PBE.
MÉTODO: Deve ser realizada com o paciente em decúbito dorsal, após anestesia local, com
assepsia cuidadosa da área a ser puncionada. Para determinar o ponto de punção traça-se
uma linha imaginária do umbigo à espinha ilíaca ântero-superior esquerda a dividi-la em 3
partes. Na junção entre o terço médio e o inferior procede-se a inserção da agulha. {é feito
do lado esquerdo devido ao risco de perfuração do ceco, que é mais fixo}.
O exame do líquido colhido deve incluir: (a) aspecto macroscópico; (b) exames
bioquímicos como proteínas, glicose, lipídios, marcadores tumorais, amilase e LDH; (c)
citologia convencional e oncótica; (d) bacterioscopia (Gram/Ziehl-Nielsen) e; (e) cultura
(bactérias, fungos)
Na cirrose esse líquido é transparente ou amarelo citrino.
Deve-se observar se o líquido é claro, turvo ou purulento (a quantidade de leucócitos
contribui para essa definição).
o [neutrófilos] = 1000/µL = líquido claro
o [neutrófilos] = 5000/µL = líquido turvo
o [neutrófilos] > 50.000/µL = líquido purulento
Liquido turvo representa infecção ou células tumorais; líquido branco leitoso = ascite alquilosa;
marrom-escuro = concentração de bilirrubina ou perfuração do trato biliar; negro = necrose
pancreática ou melanoma metastático, sanguinolento = ascite maligna ou paracentese
traumática.
A quantidade de hemácias determina a coloração para os tons rosa e avermelhado – não
confundir com líquido hemorrágico!
Contagem celular, gradiente soro-ascite de albumina (GSAA), o método Gram e a cultura do
líquido são testes obrigatórios.
a. Contagem celular: 10 µL de líquido ascítico. Contagem de leucócitos na ascite
cirrótica não complicada: 281 ± 25 células/mm³ com limite superior de 500
células/mm³, podendo chegar até 1000 mm³ com predomínio de linfócitos.
Contagem de PMN sendo < 250/µL o valor normal. PMN >250/µL indica processo
inflamatório agudo ou peritonite bacteriana.
b. GSAA: tem correlação direta com a pressão portal. Alémdisso, [proteína] na ascite
tem relação direta com [proteína] sérica e inversa com a pressão portal, ou seja, (
pressão portal [proteína] GSAA). GSAA > 1,1g/dL (95 a 97% hipertensão portal).
c. Para ascites com GASA > 1,1 os níveis de proteína devem ser analisados. Para a
contagem da proteína temos, quando ≥ 25 g/dL indicam que os sinusóides
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hepáticos estão normais e permitem a passagem de proteína para o líquido, como
ocorre na ascite cardíaca. Níveis <25g/dL indicam que foram lesados e cicatrizaram
e não permitem mais a passagem de proteína como na cirrose.
OU SEJA, o diagnóstico da ascite deve diferenciar se há obstrução porta ou se é doença do
peritôneo. Para esclarecer isso temos que classificar o líquido ascítico da seguinte forma:
Transudato Exsudato
GSAA ≥ 1,1g/dl GSAA < 1,1g/dl
< 25g/L de proteína > 25g/L de proteína.
O peritôneo está normal. Peritôneo doente (infecção ou tumor).
Há hipertensão porta Não há hipertensão porta
pressão portal; [proteína]; GSAA ↓pH, ↓glicose, ↑proteína, ↑desidrogenase láctica
2. Cultura e coloração de GRAM são outros exames rotineiros {alguns resultados estão
na tabela abaixo, juntamente com os aspectos do líquido da punção}.
3. Ultrassom: é o método de escolha para se detectar pequenas coleções líquidas no
abdome, que aparecem como imagens anecoides (livres de ecos). Pode detectar a causa
da ascite demonstrando alterações cirróticas, massas abdominais, metástases, cistos
pancreáticos.
Entidade Aspecto
macroscópico
Prot.
g/L
SAAG
g/dL
Erit.
>10000/µ
L
Leuc.
por µL
Outros exames.
Cirrose Cor de palha ou
tinto bile
<25 >1,1 1% <250
Neoplasia Cor de palha,
hemorrágico,
mucinoso
(tumores
mucinosos e
pseudomixoma) ou
quiloso
>25 <1,1 20% >1000 (+
linfócitos
)
Citologia
Biópsia peritoneal
Peritonite
tuberculos
a
Claro, turvo,
hemorrágico,
quiloso
>25 <1,1 7% >1000 Biópsia peritoneal,
coloração e cultura
p/ bacilos
Peritonite
piogénica
Turvo ou
purulento
>25
(purul
ento)
<1,1 Pouco
comum
PMN Coloração de Gram e
cultura+
I.C.C. Cor de palha 15 a
53
>1,1 10% <1000
Nefrose Cor de palha ou
quiloso
<25 <1,1 Pouco
comum
<250 Extracção c/ éter,
coloração por sudão
(qdo quiloso)
Ascite
pancreátic
a
Turvo,
hemorrágico ou
quiloso
>25 <1,1 Variável Variável Amilase
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4. Outros exames complementares: radiografia abdominal simples, ecografia
abdominal, TC, biopsia peritoneal.
Todos esses pacientes cirróticos com ascite devem ser submetidos a exame ultrassonográfico,
com ou sem Doppler, ou tomografia computadorizada. Essa conduta visa a afastar a presença
de daignósticos de carcinoma hepatocelular (ascite associada a 25% dos casos) e de trombose
portal (contraindicação à realização de transplante hepático), e espessamento peritoneal, além
de descartar doença renal
o RX abdominal simples: opacidade difusa de todo abdome com perda de definição das
margens do psoas (muito pouco valor diagnóstico).
o Ecografia abdominal: detecta quantidades de 100mL de líquido com acuidade de 100%
o TC: permite um diagnóstico da ascite com segurança e também diferencia as coleções
líquidas livres das massas sólidas ou císticas, uma vez que o liquido ascítico apresenta
menor densidade radiológica que as estruturas sólidas adjacentes. Por ser um método
caro é utilizada, geralmente, apenas para pesquisa etiológica.
o Biopsia por laparoscopia: pesquisa etiológica em casos específicos {tumor, tuberculose
peritoneal e doença metastática do fígado}
FLUXOGRAMA RESUMO PARA DIAGNÓSTICO
# complicações #
PBE (peritonite bacteriana espontânea): mais frequente complicação da ascite do cirrótico
(pode ocorrer também quando as etiologias são síndrome nefrótica, IC ou IHA). Cultura
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positiva do líquido ascítico para apenas um agente microbiano e contagem de PMN ≥
250/mm³. Sua etiologia se baseia na translocação de bactérias intestinais (E.coli e
Klebsiella. Pode ocorrer pneumococo nas ascites de origem nefrítica) que passam para o
interior dos linfáticos e atingem o sangue. Ocorre então bacteremia e posterior deposição
do patógeno no líquido ascítico. Apenas as ascites de baixo teor proteico podem
desenvolver PBE (pois as opsoninas – defesa – estão diretamente relacionadas à [proteína]
na ascite). O paciente com PBE pode apresentar-se com febre, dor abdominal difusa,
náuseas e vômitos, ou com instalação recente de encefalopatia hepática ou agravação de
preexistente (em 1/3 dos casos o paciente está com ascite assintomática e o diagnóstico da
PBE é feito apenas pelo exame do líquido ascítico). O ttt inclui antibioticoterapia
intravenosa com cefotaxima (2g IV, 12/12h). Diagnóstico: contagem de PMN > 250mm³com
cultura positiva monobacteriana.
OBS: pctes com presença de múltiplos patógenos e aumento da PMN (>250) sugere peritonite
secundário a ruptura de víscera ou abscesso. Já a presença de múltiplos patógenos sem aumento
de PMN (<250) sugere perfuração intestinal pela agulha da paracentese.
Peritonite secundária: deve ser diferenciada da PBE pois o tratamento na PBS é cirúrgico
(mortalidade praticamente de 100% nos pacientes que não sofrem a intervenção cirúrgica).
Já na PBE a mortalidade em caso de cirurgia é alta (80%). Devido a essa diferença na
conduta é de extrema importância diferenciá-las. Na PBS (1) a cultura do líquido é positiva
para múltiplos organismos (2) decorre de perfuração no TGI; (3) proteína total >1,0g/dl;
(4) glicose < 50mg/dl e; (5) LDH maior que o limite sérico normal.
Hérnias
Hidrotórax hepático
oBS: lembrar que a hepatite B e C apresentam potencial de cronificação podendo causar cirrose
hepática na evolução
# Terapêutica #
O tratamento da ascite exsudativa originada, portanto de uma doença peritoneal depende
exclusivamente do tratamento da doença de base, seja tuberculose, seja neoplasia. Tratada (se
possível) a doença de base, a ascite reverte. Todas as considerações terapêuticas a respeito
desse tema terão como foco a única forma de ascite que necessita de um manejo específico: as
originadas por hipertensão porta, em especial da cirrose hepática ou hepatopatia crônica.
Muitas formas de tratar a ascite encontram-se disponíveis. As questões relevantes a terapia
dizem respeito à reversibilidade ou não da doença (geralmente não há), colaboração e
aderência ao tto e expectativas quanto a sobrevida.
1. REPOUSO, RESTRIÇÃO DE SAL E ÁGUA: o repouso facilita a movimentação dos fluidos. A
função renal e resposta a diuréticos pioram na posição ortostática devido a um aumento dos
hormônios de retenção hidrossalina. Restrição de sódio (2g/dia = < 88mmol) para induzir um
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balanço negativo de sódio (sódio urinado > sódio ingerido) é a única maneira de controlar a
ascite na terapia conservadora.
Pacientes que excretam > 80mEq/dia de Na na urina podem controlar a ascite apenas
com restrição de sal na dieta.
Na presença de hiponatremia (Na<120-125 mEq/L), uma restrição hídrica é
recomendada, em torno de 1000-1500mL/dia.
2. DIURÉTICOS: produz balanço negativo de sódio em pacientes com cirrose e ascite, associada
a restrição da ingestão. Deve-se fornecer dose capaz de reduzir a ascite sem provocar
hipovolemia acentuada {avaliando a perda ponderal do paciente}. A consequência mais temida
da hipovolemia no cirrótico é a síndrome hepatorrenal.
Espironolactona: é o diurético de escolha para terapia inicial, na dose 100-400mg/dia
tendo cuidado com hipercalemiae a ginecomastia, que indica suspensão da droga.
Furosemida: deve ser acrescentada ao esquema terapêutico em indivíduos não
responsivos as doses iniciais de espironolactona. Dose de 40-160mg/dia.
Geralmente utiliza-se uma segunda opção que é o esquema combinado já desde o início:
espironolactona 100mg + furosemida 40mg com aumento a cada 3-5 dias mantendo a
proporção {100mg/80mg; 100mg/120mg}
# Ascite refratária #
A ascite refratária foi definida como
"aquela que não pode ser mobilizada,
ou cuja recorrência precoce (após
paracentese terapêutica) não pode ser
satisfatoriamente prevenida por
terapêutica apropriada". OU SEJA: é
aquela resistente a associação alta de
diuréticos (400mg de espironolactona
+ 160mg de furosemida). A maioria
dos doentes com ascite refratária
apresenta acentuada retenção de
sódio e grave incapacidade de excretar
água, esta podendo causar
hiponatremia dilucional. O fluxo renal
e a filtração glomerular diminuem
acentuadamente. A ascite não é mobilizada nem com o correto emprego de diuréticos. Ela
também pode ser intratável porque os pacientes desenvolvem sistematicamente complicações
com o uso de diuréticos em doses corretas. Essas complicações são: encefalopatia; insuficiência
renal induzida por diuréticos; hiponatremia diurético-induzida; hipopotassemia ou
hiperpotassemia resistentes às medidas corretoras. Convém atentar para a falsa ascite
refratária, o médico devendo se certificar se o seu paciente faz correta restrição de sódio, se
não está tomando anti-inflamatórios não hormonais ou se já se instalou peritonite bacteriana
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espontânea. Dosa-se o sódio urinário de 24h, se for > 80mEq/dia e o paciente não estiver
perdendo peso certamente se trata de má adesão a dieta {por que na dieta restritiva o
paciente ingere em torno de 88mEq/dia, sendo que 10mEq ele perde por via não urinária. Logo,
se urina contem mais que 80mEq/dia há um balanço negativo de sódio com redução obrigatória
do líquido ascítico}. Na ascite refratária o sódio urinário é característicamente inferior a
80mEq/dia. A ascite refratária é observada em 10% dos cirróticos ascíticos.
# Terapia da ascite refratária #
Paracentese de grande volume: a paracentese de grandes volumes (5-15L) pode ser
realizada de maneira eficaz sendo apenas necessária uma infusão de coloides para
manutenção do volume intravascular {recomenda-se a retirada de 5-9L a cada 2
semanas, com infusão de 6-10g de albumina para cada 1L retirado}. Além de ser uma
opção terapêutica para a ascite refratária pode ser realizada como medida inicial na
ascite tensa (seguida do uso de diurético + restrição salina) visando uma estabilização
mais rápida do quadro e da resposta a terapia conservadora.
TIPS (shunt portossistêmico transjugular intrahepático): excelente efeito no tto da
ascite refratária com resultados superiores a paracentese de repetição, porém sem
melhora da sobrevida. O incoveniente é o risco de encefalopatia hepática.
Shunt peritôneo venoso e cirurgia de derivação portossistêmica são terapêuticas que
foram substituídas pelo TIPS.
Transplante hepático: É a terapia definitiva, indicada nos pacientes com reserva
hepática mais comprometida.