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6. Bens Públicos 6. Bens Públicos 1/44 Prof. Igor Maciel 6 Bens Públicos Direito Administrativo para a 1ª Fase do Exame de Ordem (OAB) Documento última vez atualizado em 07/05/2024 às 18:04. 6. Bens Públicos 6. Bens Públicos 2/44 3 10 22 40 Índice 6.1) Noções Gerais 6.2) Classi�cação dos bens públicos 6.3) Principais Bens Públicos em espécie 6.4) Benfeitoria em Bem Público irregularmente ocupado 6. Bens Públicos 6. Bens Públicos 3/44 Noções Gerais Questão 2011 | 4000002234 De acordo com o critério da titularidade, consideram-se públicos os bens do domínio nacional pertencentes A) às entidades da Administração Pública Direta e Indireta. B) às entidades da Administração Pública Direta, às autarquias e às empresas públicas. C) às pessoas jurídicas de direito público interno e às pessoas jurídicas de direito privado prestadoras de serviços públicos. D) às pessoas jurídicas de direito público interno. Solução Gabarito: D) às pessoas jurídicas de direito público interno. A questão exige saber quais bens são considerados bens públicos. Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI. O Novo Código Civil superou a discussão sobre a definição de bem público. Segundo o seu artigo 98: Art. 98. São públicos os bens do domínio nacional pertencentes às pessoas jurídicas de direito público interno; todos os outros são particulares, seja qual for a pessoa a que pertencerem. Apenas podem ser formalmente considerados como bens públicos os bens de propriedade das pessoas jurídicas de direito público: União, Estados, Municípios e respectivas autarquias e fundações. Assim, os bens das sociedades de economia mista não podem ser considerados bens públicos, em que pese sujeitas à tomada de contas especial pelo TCU. Também não são considerados bens públicos os bens das demais pessoas jurídicas de direito privado integrantes da administração pública. 6. Bens Públicos 6. Bens Públicos 4/44 Desde a edição do atual Código Civil, tornou-se paci�cada pela lei a posição de que públicos são os bens titularizados pelas pessoas jurídicas de direito público interno. Consoante o art. 98 do CC/2002, constante do mencionado diploma legal: Art. 98. São públicos os bens do domínio nacional pertencentes às pessoas jurídicas de direito público interno; todos os outros são particulares, seja qual for a pessoa a que pertencerem. Vale lembrar que, pelo art. 41, CC/2002, são as pessoas de direito público interno: Art. 41. São pessoas jurídicas de direito público interno: I - a União; II - os Estados, o Distrito Federal e os Territórios; III - os Municípios; IV - as autarquias, inclusive as associações públicas; (Redação dada pela Lei nº 11.107, de 2005) V - as demais entidades de caráter público criadas por lei. A letra A está incorreta. INCORRETA. Segundo art. 98 do CC/2002, são públicos os bens do domínio nacional pertencentes às pessoas jurídicas de direito público interno; todos os outros são particulares, seja qual for a pessoa a que pertencerem. A letra B está incorreta. INCORRETA. Segundo art. 98 do CC/2002, são públicos os bens do domínio nacional pertencentes às pessoas jurídicas de direito público interno; todos os outros são particulares, seja qual for a pessoa a que pertencerem A letra C está incorreta. INCORRETA. Segundo art. 98 do CC/2002, são públicos os bens do domínio nacional pertencentes às pessoas jurídicas de direito público interno; todos os outros são particulares, seja qual for a pessoa a que pertencerem. A letra D está correta. CORRETA. Segundo art. 98 do CC/2002, são públicos os bens do domínio nacional pertencentes às pessoas jurídicas de direito público interno; todos os outros são particulares, seja qual for a pessoa a que pertencerem. 6. Bens Públicos 6. Bens Públicos 5/44 Segundo disposto no artigo 98 do Código Civil, são públicos os bens pertencentes às pessoas jurídicas de direito público interno. Relembrando, são pessoas jurídicas de direito público: Qualquer que seja sua utilização, os bens destas entidades – corpóreos, incorpóreos, móveis, imóveis, - estão sujeitos ao regime jurídico dos bens públicos e, portanto, gozam das seguintes características: a) Imprescritibilidade - Os bens públicos são insuscetíveis de aquisição mediante usucapião (prescrição aquisitiva de direito). Trata-se de interpretação literal do disposto no artigo 102 do Código Civil: Art. 102. Os bens públicos não estão sujeitos a usucapião. b) Impenhorabilidade – Os bens públicos não se sujeitam ao regime de penhora, eis que a satisfação de créditos da Fazenda Pública deve ser feita através do regime de precatórios; c) Não Onerabilidade – Os bens públicos não podem ser gravados como garantia de créditos em favor de terceiros. São espécies de direitos reais de garantia sobre coisa alheia: o penhor, a anticrese e a hipoteca. d) Inalienabilidade (relativa) – Os bens públicos que se encontram destinados a uma finalidade pública específica (afetados) não podem ser objeto de alienação, consoante será visto adiante. 6. Bens Públicos 6. Bens Públicos 6/44 Os bens públicos não podem ser adquiridos por usucapião. Não há exceções! Trata-se de disposição expressa tanto no Código Civil como em alguns trechos da Constituição Federal. Vejamos: Art. 183. Aquele que possuir como sua área urbana de até duzentos e cinquenta metros quadrados, por cinco anos, ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural. (...) § 3º Os imóveis públicos não serão adquiridos por usucapião. Art. 191. Aquele que, não sendo proprietário de imóvel rural ou urbano, possua como seu, por cinco anos ininterruptos, sem oposição, área de terra, em zona rural, não superior a cinquenta hectares, tornando-a produtiva por seu trabalho ou de sua família, tendo nela sua moradia, adquirir-lhe-á a propriedade. Parágrafo único. Os imóveis públicos não serão adquiridos por usucapião. Já o Código Civil, conforme visto, estabelece que: Art. 102. Os bens públicos não estão sujeitos a usucapião. Mas professor, as provas gostam deste ponto? Sim. E muito! 6. Bens Públicos 6. Bens Públicos 7/44 A imprescritibilidade é uma das principais características dos Bens Públicos e não há exceção sobre tal característica. O STF, inclusive, editou a Súmula 340 que possui o entendimento segundo o qual até mesmo os bens dominicais, que são desafetados, sem finalidade pública alguma a eles atrelada (consoante será explicado adiante) são imprescritíveis. Vejamos o enunciado da súmula: Súmula 340 – STF - Desde a vigência do Código Civil, os bens dominicais, como os demais bens públicos, não podem ser adquiridos por usucapião. Referida súmula encontra-se perfeitamente válida em nosso ordenamento jurídico tento em vista os artigos da Constituição Federal e o artigo do Código Civil já acima elencados. A doutrina entende que os bens de pessoas administrativas de direito privado que estejam sendo diretamente empregados na prestação de um serviço público passam a revestir características próprias do regime de bens públicos – especialmente a impenhorabilidade e a proibição de que sejam onerados (gravados) – enquanto permanecerem com essa utilização. Essa sujeição das regras do regime público, entretanto, decorre do princípio da continuidade dos serviços público e não de alguma característica formal ou da natureza do bem em si considerado, eis que não se pode transmudar o bem da pessoa jurídica de direito privado em bem público. Neste sentido: 4. No que tange à questão da impenhorabilidade dos bens afetados ao serviço público, o julgado recorrido não diverge da orientação do STJ, segundo a qual são impenhoráveis os bens de sociedade de economia mista prestadora de serviço público, desde que destinados à prestação do serviço ou que o ato constritivo possa comprometer a execução da atividade de interesse público (cf [1]. AgRg no REsp1.070.735/RS, Rel. Ministrodetenção, possuindo, portanto, natureza precária. Segundo consolidou o STJ, a posse é o direito reconhecido a quem se comporta como proprietário, não havendo como reconhecer a posse a quem, por proibição legal, não possa ser proprietário. Assim, a ocupação de área pública, quando irregular, não pode ser reconhecida como posse, mas como mera detenção. Ademais, eventual inércia ou omissão da Administração não tem o efeito de afastar ou distorcer a aplicação da lei. O imóvel público é indisponível, de modo que eventual omissão dos governos implica responsabilidade de seus agentes, nunca vantagem de indivíduos às custas da coletividade. Por fim, não se pode afirmar que tal ato configurará enriquecimento sem causa da Administração, eis que esta provavelmente terá um custo para demolir a construção feita ou, no máximo regularizá-la para adequá-la à legislação vigente, dada a provável inutilidade do imóvel, sendo incoerente tal afirmação. Neste sentido: Súmula 619 - STJ - A ocupação indevida de bem público configura mera detenção, de natureza precária, insuscetível de retenção ou indenização por acessões e benfeitorias. 6. Bens Públicos 6. Bens Públicos 42/44 Questão 2021 | 4000005340 Há muitos anos, Bruno invadiu sorrateiramente uma terra devoluta indispensável à defesa de fronteira, que já havia sido devidamente discriminada. Como não houve oposição, Bruno construiu uma casa, na qual passou a residir com sua família, além de usar o terreno subjacente para a agricultura de subsistência. A União, muitos anos depois do início da utilização do bem por Bruno, promoveu a sua noti�cação para desocupar o imóvel, em decorrência de sua �nalidade de interesse público. Na qualidade de advogado(a) consultado(a) por Bruno, assinale a a�rmativa correta. A) Bruno terá que desocupar o bem em questão e não terá direito à indenização pelas acessões e benfeitorias realizadas, pois era mero detentor do bem da União. B) A União não poderia ter noti�cado Bruno para desocupar bem que não lhe pertence, na medida em que todas as terras devolutas são de propriedade dos estados em que se situam. C) Bruno pode invocar o direito fundamental à moradia para reter o bem em questão, até que a União efetue o pagamento pelas acessões e benfeitorias realizadas. D) Caso Bruno preencha os requisitos da usucapião extraordinária, não precisará desocupar o imóvel da União. Solução Gabarito: A) Bruno terá que desocupar o bem em questão e não terá direito à indenização pelas acessões e benfeitorias realizadas, pois era mero detentor do bem da União. Análise do Caso A questão aborda o regime jurídico dos bens públicos, especialmente uma hipótese de ocupação de bem público pertencente à União, vale dizer, terra devoluta indispensável à defesa de fronteiras. É como dispõe o art. 20, II, CF/88: Art. 20. São bens da União: (...) II - as terras devolutas indispensáveis à defesa das fronteiras, das forti�cações e construções militares, das vias federais de comunicação e à preservação ambiental, de�nidas em lei; Os bens públicos não são passíveis de usucapião, conforme disposto nos arts. 183, §3º, e 191, parágrafo único, ambos da Constituição Federal de 1988: 6. Bens Públicos 6. Bens Públicos 43/44 Art. 183 (...) § 3º Os imóveis públicos não serão adquiridos por usucapião. (...) Art. 191 (...) Parágrafo único. Os imóveis públicos não serão adquiridos por usucapião. No mesmo sentido, o art. 102 do CC/2002: Art. 102. Os bens públicos não estão sujeitos a usucapião. Desse modo, poder-se-ia descartar a possibilidade de o particular vir a pleitear a usucapião da área por ele ocupada, independentemente do prazo de que se estivesse a tratar. A hipótese é de pedido juridicamente impossível, eis que encontra vedação expressa no ordenamento jurídico pátrio. Em relação à possibilidade de indenizar as benfeitorias e acessões promovidas no local, a Súmula 619 do STJ, deixa claro que: Súmula 619 do STJ: "A ocupação indevida de bem público con�gura mera detenção de natureza precária insuscetível de retenção ou indenização por acessões e benfeitorias." Portanto, o ocupante teria de deixar o imóvel, bem como não faria jus a nenhuma indenização. A letra A está correta. CORRETA. Segundo a Súmula 619 do STJ, a ocupação indevida de bem público con�gura mera detenção de natureza precária insuscetível de retenção ou indenização por acessões e benfeitorias. A letra B está incorreta. INCORRETA. As terras devolutas indispensáveis à defesa de fronteiras são bens públicos pertencentes à União, segundo o art. 20, II, CF/88. A letra C está incorreta. INCORRETA. Segundo a Súmula 619 do STJ, a ocupação indevida de bem público con�gura mera detenção de natureza precária insuscetível de retenção ou indenização por acessões e benfeitorias. 6. Bens Públicos 6. Bens Públicos 44/44 A letra D está incorreta. INCORRETA. Consoante a Súmula 619 do STJ, a ocupação indevida de bem público con�gura mera detenção de natureza precária insuscetível de retenção ou indenização por acessões e benfeitorias. Referências e links deste capítulo 1 2 3 4 5 6 7 http://www.jusbrasil.com/legislacao/1027008/constitui%C3%A7%C3%A3o-da-republica- federativa-do-brasil-1988 http://www.jusbrasil.com.br/busca?s=jurisprudencia&q=titulo:REsp%201.075.160/AL http://www.jusbrasil.com.br/busca?s=jurisprudencia&q=titulo:REsp%201.075.160/AL http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc19.htm#art22 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc19.htm#art22 Art. 21. Compete à União: (...) X - manter o serviço postal e o correio aéreo nacional; http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc46.htm#art1 Para ouvir ao áudio correspondente, acesse o LDI.Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 18.11.2008; AgRg no REsp 1.075.160/AL [2], Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 10.11.2009; REsp521.047/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em20.11.2003). http://www.jusbrasil.com/legislacao/1027008/constitui%C3%A7%C3%A3o-da-republica-federativa-do-brasil-1988 http://www.jusbrasil.com/legislacao/1027008/constitui%C3%A7%C3%A3o-da-republica-federativa-do-brasil-1988 http://www.jusbrasil.com/legislacao/1027008/constitui%C3%A7%C3%A3o-da-republica-federativa-do-brasil-1988 http://www.jusbrasil.com/legislacao/1027008/constitui%C3%A7%C3%A3o-da-republica-federativa-do-brasil-1988 http://www.jusbrasil.com/legislacao/1027008/constitui%C3%A7%C3%A3o-da-republica-federativa-do-brasil-1988 http://www.jusbrasil.com.br/busca?s=jurisprudencia&q=titulo:REsp%201.075.160/AL http://www.jusbrasil.com.br/busca?s=jurisprudencia&q=titulo:REsp%201.075.160/AL http://www.jusbrasil.com.br/busca?s=jurisprudencia&q=titulo:REsp%201.075.160/AL http://www.jusbrasil.com.br/busca?s=jurisprudencia&q=titulo:REsp%201.075.160/AL http://www.jusbrasil.com.br/busca?s=jurisprudencia&q=titulo:REsp%201.075.160/AL 6. Bens Públicos 6. Bens Públicos 8/44 Questão 2016 | 4000001501 A sociedade “Limpatudo” S/A é empresa pública estadual destinada à prestação de serviços públicos de competência do respectivo ente federativo. Tal entidade administrativa foi condenada em vultosa quantia em dinheiro, por sentença transitada em julgado, em fase de cumprimento de sentença. Para que se cumpra o título condenatório, considerar-se-á que os bens da empresa pública são A) impenhoráveis, certo que são bens públicos, de acordo com o ordenamento jurídico pátrio. B) privados, de modo que, em qualquer caso, estão sujeitos à penhora. C) privados, mas, se necessários à prestação de serviços públicos, não podem ser penhorados. D) privados, mas são impenhoráveis em decorrência da submissão ao regime de precatórios. Solução Gabarito: C) privados, mas, se necessários à prestação de serviços públicos, não podem ser penhorados. A questão aborda o tema do regime jurídico dos bens públicos, em especial os bens pertencentes às empresas estatais. Na situação, determinada empresa pública estadual destinada à prestação de serviços públicos foi condenada em vultosa quantia em dinheiro, por sentença transitada em julgado, em fase de cumprimento de sentença. O patrimônio das empresas estatais, pessoas jurídicas de direito privado, é constituído por bens privados, na forma do art. 98 do CC/2002, mas sofre modulações de direito público. Art. 98. São públicos os bens do domínio nacional pertencentes às pessoas jurídicas de direito público interno; todos os outros são particulares, seja qual for a pessoa a que pertencerem. Via de regra, os bens das empresas estatais podem ser penhorados, uma vez que são bens privados, sem as prerrogativas inerentes aos bens públicos. Todavia, deve-se Como a FGV já cobrou este ponto? 6. Bens Públicos 6. Bens Públicos 9/44 distinguir as duas espécies de empresas estatais (econômicas e de serviços públicos) para se apontarem situações excepcionais em que a penhora não será admitida. Os bens das empresas estatais econômicas podem ser penhorados, conforme exigência constitucional prevista no art. 173, § 1.º, II da CF/88. Art. 173. Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a exploração direta de atividade econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme de�nidos em lei. § 1º A lei estabelecerá o estatuto jurídico da empresa pública, da sociedade de economia mista e de suas subsidiárias que explorem atividade econômica de produção ou comercialização de bens ou de prestação de serviços, dispondo sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) (...) II - a sujeição ao regime jurídico próprio das empresas privadas, inclusive quanto aos direitos e obrigações civis, comerciais, trabalhistas e tributários; Lado outro, os bens das empresas estatais, prestadoras de serviços públicos, podem ser afastados excepcionalmente da penhora, quando estiverem afetados aos serviços públicos e forem necessários à sua continuidade, tendo em vista o princípio da continuidade dos serviços públicos. Por �m, caso a estatal não possua bens penhoráveis e patrimônio su�ciente para arcar com as suas dívidas, haverá a responsabilidade subsidiária do Ente federado respectivo. A letra A está incorreta. INCORRETA. O patrimônio das empresas estatais, pessoas jurídicas de direito privado, é constituído por bens privados, na forma do art. 98 do CC/2002. A letra B está incorreta. INCORRETA. Os bens das empresas estatais são bens privados, sem as prerrogativas inerentes aos bens públicos. Todavia, os bens das empresas estatais, prestadoras de serviços públicos, podem ser afastados excepcionalmente da penhora, quando estiverem afetados aos serviços públicos e forem necessários à sua continuidade, tendo em vista o princípio da continuidade dos serviços públicos. A letra C está correta. CORRETA. Via de regra, os bens das empresas estatais podem ser penhorados, uma vez que são bens privados, sem as prerrogativas inerentes aos bens públicos. Todavia, os bens das empresas estatais, prestadoras de serviços públicos, podem ser afastados excepcionalmente da 6. Bens Públicos 6. Bens Públicos 10/44 penhora, quando estiverem afetados aos serviços públicos e forem necessários à sua continuidade, tendo em vista o princípio da continuidade dos serviços públicos. A letra D está incorreta. INCORRETA. Os bens das empresas estatais prestadoras de serviços públicos podem sofrer penhora, quando estiverem afetados aos serviços públicos e forem necessários à sua continuidade, tendo em vista o princípio da continuidade dos serviços públicos. Classi�cação dos bens públicos A regra é que seus bens, em virtude de não serem bens públicos, não são impenhoráveis e muito menos inalienáveis. É possível que sobre um bem de uma sociedade de economia seja feita penhora e alienação. Contudo, acaso este bem esteja afetado à prestação de um serviço público, este bem revestir- se-á da característica da impenhorabilidade, enquanto afetado (adiante explicaremos a diferença de afetação para desafetação). Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI. A classificação dos bens públicos está prevista no artigo 99 do Código Civil: 6. Bens Públicos 6. Bens Públicos 11/44 Art. 99. São bens públicos: I - os de uso comum do povo, tais como rios, mares, estradas, ruas e praças; II - os de uso especial, tais como edifícios ou terrenos destinados a serviço ou estabelecimento da administração federal, estadual, territorial ou municipal, inclusive os de suas autarquias; III - os dominicais, que constituem o patrimônio das pessoas jurídicas de direito público, como objeto de direito pessoal, ou real, de cada uma dessas entidades. Parágrafo único. Não dispondo a lei em contrário, consideram-se dominicais os bens pertencentes às pessoas jurídicas de direito público a que se tenha dado estrutura de direito privado. São os bens públicos classificados, portanto, quanto à sua destinação em: a) Bens de uso comum do povo – São aqueles destinados à utilização geral pelos indivíduos, que podem ser utilizados por todos em igualdade de condições. Ex: ruas, praças, mares e rios. b) Bens de uso especial – São aqueles destinados à execução de serviços administrativos e dos serviços públicos em geral. São os bens das pessoas jurídicas de direito público utilizados para a prestação de serviços públicos (em sentido amplo). Ex: escolas públicas, hospitais públicos, prédios de repartições públicas. c) Bens Dominicais – São os bens públicos que não possuem uma destinação pública definida, que podem ser utilizados pelo Estado para fazer renda. Ex: terras devolutas, prédios públicos desativados e móveis inservíveis. Os bens públicos dominicais que são exatamente aqueles que não se encontramdestinados a uma finalidade pública específica (portanto desafetados), podem ser objeto de alienação, obedecidos os requisitos legais. Os conselhos profissionais possuem personalidade jurídica de direito público que exercem poder disciplinar sobre os integrantes da categoria profissional, além de possuírem autonomia administrativa e financeira. A Administração Pública descentralizou seu poder de fiscalização para estes entes que, por terem personalidade jurídica de direito público, seus bens são formalmente considerados bens públicos. Neste sentido: ADMINISTRATIVO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSELHO DE FISCALIZAÇÃO PROFISSIONAL. EXIGÊNCIA DE CONCURSO PÚBLICO. ART. 37, II, DA CF. NATUREZA 6. Bens Públicos 6. Bens Públicos 12/44 JURÍDICA. AUTARQUIA. FISCALIZAÇÃO. ATIVIDADE TÍPICA DE ESTADO. 1. Os conselhos de fiscalização profissional, posto autarquias criadas por lei e ostentando personalidade jurídica de direito público, exercendo atividade tipicamente pública, qual seja, a fiscalização do exercício profissional, submetem-se às regras encartadas no artigo 37, inciso II, da CB/88, quando da contratação de servidores. 2. Os conselhos de fiscalização profissional têm natureza jurídica de autarquias, consoante decidido no MS 22.643, ocasião na qual restou consignado que: (i) estas entidades são criadas por lei, tendo personalidade jurídica de direito público com autonomia administrativa e financeira; (ii) exercem a atividade de fiscalização de exercício profissional que, como decorre do disposto nos artigos 5º, XIII, 21, XXIV, é atividade tipicamente pública; (iii) têm o dever de prestar contas ao Tribunal de Contas da União. (...) (RE 539224, Relator(a): Min. LUIZ FUX, Primeira Turma, julgado em 22/05/2012, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-118 DIVULG 15-06-2012 PUBLIC 18-06-2012 RT v. 101, n. 923, 2012, p. 684-690) Alienação De acordo com o artigo 100, do Código Civil: Art. 100. Os bens públicos de uso comum do povo e os de uso especial são inalienáveis, enquanto conservarem a sua qualificação, na forma que a lei determinar. 6. Bens Públicos 6. Bens Públicos 13/44 Assim, os bens de uso comum do povo e de uso especial seriam inalienáveis, salvo se perderem tal condição transmudando-se para bens dominicais. Estes, nos termos do artigo 101, do Código Civil, podem ser alienados, observadas as exigências da lei: Art. 101. Os bens públicos dominicais podem ser alienados, observadas as exigências da lei. Os bens dominicais, como já comentado, são aqueles bens do Estado que são desafetados, não possuem uma destinação pública específica e que podem ser utilizados pela Administração Pública para fazer renda. É possível inferir, portanto, que tais bens são bens patrimoniais disponíveis, diante da sua natureza patrimonial e da não afetação a determinada finalidade pública. Tais bens podem sim ser alienados, respeitando as condições legais. E quais os requisitos legais para alienação de um bem dominical? De acordo com o artigo 76, da 14.133/21, os requisitos legais para alienação de bens públicos são: i��Demonstração do interesse público; ii��Prévia avaliação; iii��Licitação na modalidade leilão; iv��E, em caso de bens imóveis, prévia autorização legislativa; Como característica dos bens públicos temos a inalienabilidade. Os bens públicos, em geral, não podem ter a sua propriedade transmitida. Entretanto, essa característica, diferentemente da imprescritibilidade, não é absoluta. Há a possibilidade de um bem público ser alienado, nos termos dos artigos 100 e 101 do Código Civil: 6. Bens Públicos 6. Bens Públicos 14/44 Art. 100. Os bens públicos de uso comum do povo e os de uso especial são inalienáveis, enquanto conservarem a sua qualificação, na forma que a lei determinar. Art. 101. Os bens públicos dominicais podem ser alienados, observadas as exigências da lei Afetação X Desafetação A afetação e a desafetação são fatos administrativos dinâmicos que indicam a alteração das finalidades do bem público. Também podem ser denominados de consagração ou desconsagração. Importante se estudar o instituto da afetação eis que possui consequência direta na inalienabilidade do bem público. Os bens públicos afetados (que possuem uma destinação específica) não podem, enquanto permanecerem nesta situação ser alienados. Assim, os bens de uso comum do povo e os bens de uso especial não são suscetíveis de alienação enquanto assim estiverem destinados. Por outro lado, acaso ocorra a sua desafetação, tais bens serão considerados bens dominicais e poderão ser alienados, por não estarem afetados a um fim público. Apesar da afetação ser possível pela simples destinação do bem, pelo uso, a desafetação não é admitida pela doutrina pelo simples fato do não uso. Para Celso Antônio Bandeira de Melo em virtude do instituto da desafetação retirar a proteção do bem público quanto a indisponibilidade e inalienabilidade, tornando-o mais vulnerável às ingerências administrativas, seria necessária uma maior cautela para que esse bem fosse desafetado. Para o Autor em caso de desafetação de um: a) Bem de uso comum do povo – seria necessária uma lei ou um ato do Executivo previamente autorizado por lei; b) Bem de uso especial – trata-se de situação mais amena, sendo necessária uma lei ou um ato do Poder Executivo. Ressalte-se que o fato de os bens públicos estarem desafetados não interfere nas características de impenhorabilidade e imprescritibilidade. Tais bens continuam sendo impenhoráveis e não passíveis de usucapião. Por fim, conforme afirmou a FCC (MPE PB 2015): 6. Bens Públicos 6. Bens Públicos 15/44 Questão 2015 | 4000002004 O prédio que abrigava a Biblioteca Pública do Município de Molhadinho foi parcialmente destruído em um incêndio, que arruinou quase metade do acervo e prejudicou gravemente a estrutura do prédio. Os livros restantes já foram transferidos para uma nova sede. O Prefeito de Molhadinho pretende alienar o prédio antigo, ainda cheio de entulho e escombros. Sobre o caso descrito, assinale a a�rmativa correta. A) Não é possível, no ordenamento jurídico atual, a alienação de bens públicos. B) O antigo prédio da biblioteca, bem público de uso especial, somente pode ser alienado após ato formal de desafetação. C) É possível a alienação do antigo prédio da biblioteca, por se tratar de bem público dominical. D) Por se tratar de um prédio com livre acesso do público em geral, trata-se de bem público de uso comum, insuscetível de alienação. Solução Gabarito: C) É possível a alienação do antigo prédio da biblioteca, por se tratar de bem público dominical. A questão trata do regime jurídico dos bens públicos. Na situação, um prédio que abrigava uma biblioteca municipal foi parcialmente destruído em um incêndio e os livros restantes foram transferidos para uma nova sede. O Prefeito pretendia alienar o prédio antigo, ainda cheio de entulho e escombros. O prédio da Biblioteca Pública, antes do incêndio, ostentava a condição de bem público de uso especial, visto que afetado a um dado serviço público lato senso, segundo art. 99, II, Código Civil/02. Art. 99. São bens públicos: (...) Na desafetação, o bem é subtraído à dominialidade pública para ser incorporado ao domínio privado, do Estado ou do administrado. 6. Bens Públicos 6. Bens Públicos 16/44 II - os de uso especial, tais como edifícios ou terrenos destinados a serviço ou estabelecimento da administração federal, estadual, territorial ou municipal, inclusive os de suas autarquias; Com a destruição de parte de seu acervo, associada à remoção dos livros restantes para um outro local, pode-se a�rmar que o prédio deixou de ter qualquer destinação pública, operando-se, assim, sua desafetação tácita, a qual, segundo sustenta abalizada doutrina, é bastante para fazer com que o bem passe à condição de bem dominical, e, pois, torná- lo suscetível de alienação. Ensina Maria Sylvia Di Pietro: “Não há uniformidade de pensamento entre os doutrinadores a respeito da possibilidade de a desafetaçãodecorrer de um fato (desafetação tácita) e não de uma manifestação de vontade (desafetação expressa); por exemplo, um rio que seca ou tem seu curso alterado; um incêndio que provoca a destruição dos livros de uma biblioteca ou das obras de um museu. Alguns acham que mesmo nesses casos seria necessário um ato de desafetação. Isto, no entanto, constitui excesso de formalismo se se levar em consideração o fato que o bem se tornou materialmente inaproveitável para o �m ao qual estava afetado." Portanto, a desafetação tácita é juridicamente legítima, e o prédio passou a ser um bem dominical – sem destinação pública, desafetado – razão pela qual poderia, sim, ser alienado, observadas as condições legais, segundo art. 101, CC/02 c/c art. 17, I, Lei 8.666/93. CC/2002 Art. 101. Os bens públicos dominicais podem ser alienados, observadas as exigências da lei. Lei 8.666/93 Art. 17. A alienação de bens da Administração Pública, subordinada à existência de interesse público devidamente justi�cado, será precedida de avaliação e obedecerá às seguintes normas: I - quando imóveis, dependerá de autorização legislativa para órgãos da administração direta e entidades autárquicas e fundacionais, e, para todos, inclusive as entidades paraestatais, dependerá de avaliação prévia e de licitação na modalidade de concorrência, dispensada esta nos seguintes casos: A letra A está incorreta. INCORRETA. Os bens públicos dominicais podem ser alienados, observadas as exigências da lei, segundo art. 101, CC/2002. A letra B está incorreta. INCORRETA. 6. Bens Públicos 6. Bens Públicos 17/44 Para a doutrina, a desafetação tácita é juridicamente legítima. A letra C está correta. CORRETA. A desafetação tácita é juridicamente legítima, e o prédio passou a ser um bem dominical – sem destinação pública, desafetado – razão pela qual poderia, sim, ser alienado, observadas as condições legais, segundo art. 101, CC/02 c/c art. 17, I, Lei 8.666/93. A letra D está incorreta. INCORRETA. O prédio da Biblioteca Pública, antes do incêndio, ostentava a condição de bem público de uso especial, visto que afetado a um dado serviço público lato senso, segundo art. 99, II, Código Civil/02. Assim, este bem, enquanto bem dominical, poderá ser alienado, desde que respeitados os demais requisitos legais. Em muitas questões de concursos, inclusive na OAB, as bancas procuram confundir o candidato quanto ao tema bens públicos. Basicamente se discute a natureza jurídica dos bens das sociedades de economia mista e das empresas públicas. Estas, a princípio devem ser consideradas entes privados nos termos do artigo 173 da Constituição Federal: Art. 173. Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a exploração direta de atividade econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme definidos em lei. § 1º A lei estabelecerá o estatuto jurídico da empresa pública, da sociedade de economia mista e de suas subsidiárias que explorem atividade econômica de produção ou comercialização de bens ou de prestação de serviços, dispondo sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) [3] I - sua função social e formas de fiscalização pelo Estado e pela sociedade; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) [4] II - a sujeição ao regime jurídico próprio das empresas privadas, inclusive quanto aos direitos e obrigações civis, comerciais, trabalhistas e tributários; http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc19.htm#art22 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc19.htm#art22 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc19.htm#art22 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc19.htm#art22 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc19.htm#art22 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc19.htm#art22 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc19.htm#art22 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc19.htm#art22 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc19.htm#art22 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc19.htm#art22 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc19.htm#art22 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc19.htm#art22 6. Bens Públicos 6. Bens Públicos 18/44 Assim, se privados os bens das empresas estatais, a eles não se aplica o regime jurídico relativo aos bens públicos. Encontramos, inclusive, julgados no Supremo Tribunal Federal neste sentido: EMENTA: CONSTITUCIONAL. ATO DO TCU QUE DETERMINA TOMADA DE CONTAS ESPECIAL DE EMPREGADO DO BANCO DO BRASIL - DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS S.A., SUBSIDIÁRIA DO BANCO DO BRASIL, PARA APURAÇÃO DE "PREJUÍZO CAUSADO EM DECORRÊNCIA DE OPERAÇÕES REALIZADAS NO MERCADO FUTURO DE ÍNDICES BOVESPA". ALEGADA INCOMPATIBILIDADE DESSE PROCEDIMENTO COM O REGIME JURÍDICO DA CLT, REGIME AO QUAL ESTÃO SUBMETIDOS OS EMPREGADOS DO BANCO. O PREJUÍZO AO ERÁRIO SERIA INDIRETO, ATINGINDO PRIMEIRO OS ACIONISTAS. O TCU NÃO TEM COMPETÊNCIA PARA JULGAR AS CONTAS DOS ADMINISTRADORES DE ENTIDADES DE DIREITO PRIVADO. A PARTICIPAÇÃO MAJORITÁRIA DO ESTADO NA COMPOSIÇÃO DO CAPITAL NÃO TRANSMUDA SEUS BENS EM PÚBLICOS. OS BENS E VALORES QUESTIONADOS NÃO SÃO OS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, MAS OS GERIDOS CONSIDERANDO-SE A ATIVIDADE BANCÁRIA POR DEPÓSITOS DE TERCEIROS E ADMINISTRADOS PELO BANCO COMERCIALMENTE. ATIVIDADE TIPICAMENTE PRIVADA, DESENVOLVIDA POR ENTIDADE CUJO CONTROLE ACIONÁRIO É DA UNIÃO. AUSÊNCIA DE LEGITIMIDADE AO IMPETRADO PARA EXIGIR INSTAURAÇÃO DE TOMADA DE CONTAS ESPECIAL AO IMPETRANTE. MANDADO DE SEGURANÇA DEFERIDO. (MS 23875, Relator(a): Min. CARLOS VELLOSO, Relator(a) p/ Acórdão: Min. NELSON JOBIM, Tribunal Pleno, julgado em 07/03/2003, DJ 30-04-2004 PP-00034 EMENT VOL-02149-07 PP- 01270 RTJ VOL-00191-03 PP-00887) (grifo nosso). Contudo, tem sido recorrente encontrarmos no Supremo Tribunal Federal decisões que aplicam a determinados prestadores de serviço público a impenhorabilidade de seus bens enquanto afetados à prestação destes. Neste sentido: O recorrente foi denunciado perante a Justiça comum estadual pela prática de receptação dolosa de uma balança de precisão furtada da Empresa de Correios e Telégrafos (ECT). (...) Primeiro, note-se que as empresas estatais (empresas públicas e sociedades de economia mista) são dotadas de personalidade jurídica de direito privado, mas possuem regime híbrido, a depender da finalidade da estatal: se presta serviço público ou explora a atividade econômica, predominará o regime público ou o privado. É certo que a ECT é empresa pública, pessoa jurídica de direito privado, prestadora de serviço postal, que, conforme o art. 21, X, da 6. Bens Públicos 6. Bens Públicos 19/44 CF/1988, é de natureza pública e essencial, encontrando-se aquela empresa, por isso, sob o domínio do regime público. Ela é mantida pela União e seus bens pertencem a essa mantenedora, consubstanciam propriedade pública e estão integrados à prestação de serviço público. Daí que eles são insusceptíveis de qualquer constrição que afete a continuidade, regularidade e qualidade da prestação do serviço. Nesse contexto, vê-se que é plenamente justificada a tutela a bens, serviços e interesses da União diante do furto de bem pertencente à ECT, razão pela qual se atraiu a competência da Justiça Federal (art. 109, IV, da CF/1988), vista a conexão entre o furto (principal) e a receptação em questão (acessório). Também se acha albergada nessa tutela a incidência da referida majorante, não se podendo falar que foi dada, no caso, uma interpretação extensiva desfavorável ao conceito de bens da União. (...) Precedentes citados do STF: AgRg no RE 393.032-MG, DJe 18/12/2009; RE 398.630-SP, DJ 17/9/2004, e QO na ACO 765-RJ, DJe 4/9/2009. REsp 894.730-RS, Rel. originária Min. LauritaVaz, Rel. para acórdão Min. Arnaldo Esteves Lima, julgado em 17/6/2010. (grifo nosso) Além disso, encontramos na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal uma tendência a se aplicar algumas prerrogativas de direito público às empresas estatais que prestam serviços públicos em regime não concorrencial. Apenas para se ter uma ideia, tanto o Superior Tribunal de Justiça quanto o Supremo Tribunal Federal entenderam que a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), em que pese ser constituída sob a forma de empresa pública, está abrangida dentro do conceito de Fazenda Pública. É que, por prestar de forma exclusiva serviço público de competência da União (art. 21, X, CF) [5] , não desempenha a ECT atividade econômica, segundo entenderam os julgadores. Assim, os Correios estariam incluídos no conceito de Fazenda Pública, gozando de todos os benefícios e prerrogativas processuais inerentes, conforme sedimentou o STF: 2. O Pleno do Supremo Tribunal Federal declarou, quando do julgamento do RE 220.906, Relator o Ministro MAURÍCIO CORRÊA, DJ 14.11.2002, à vista do disposto no artigo 6o do decreto-lei nº 509/69, que a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos é "pessoa jurídica equiparada à Fazenda Pública, que explora serviço de competência da União".(CF, artigo 21, X) (STF - ACO: 765 RJ, Relator: Min. MARCO AURÉLIO, Data de Julgamento: 01/06/2005,Tribunal Pleno, Data de Publicação: DJe-211 DIVULG 06-11-2008 PUBLIC 07-11- 2008 ) Ainda é cedo para se afirmar que toda e qualquer empresa estatal que preste serviço público em regime não concorrencial deve ser considerada como ente integrante da Fazenda Pública e, portanto, ter seus bens submetidos a tal regime jurídico. Contudo, é cada vez mais comum o deferimento de benefícios aplicáveis apenas às pessoas jurídicas de direito público também a empresas estatais. 6. Bens Públicos 6. Bens Públicos 20/44 Questão 2012 | 4000002218 Sobre os bens públicos é correto a�rmar que A) os bens de uso especial são passíveis de usucapião. B) os bens de uso comum são passíveis de usucapião. C) os bens de empresas públicas que desenvolvem atividades econômicas que não estejam afetados a prestação de serviços públicos são passíveis de usucapião. D) nenhum bem que pertença à pessoa jurídica integrante da administração pública indireta é passível de usucapião. Solução Gabarito: C) os bens de empresas públicas que desenvolvem atividades econômicas que não estejam afetados a prestação de serviços públicos são passíveis de usucapião. A questão trata do regime jurídico dos bens públicos de forma bastante objetiva. Os bens públicos subordinam-se a regime jurídico distinto daquele aplicável aos bens privados em geral. Em resumo, as principais características dos bens públicos são: alienação condicionada, impenhorabilidade, imprescritibilidade e não onerabilidade. A título de exemplo, analisando o caso concreto referente à Companhia de Águas do Estado de Alagoas, o Supremo Tribunal Federal entendeu ser possível a sujeição das execuções desta ao regime de precatórios. Em decisão divulgada no Informativo 812, o STF entendeu que às sociedades de economia mista prestadoras de serviço público próprio do Estado e de natureza não concorrencial devem ser aplicadas o regime de precatórios. Neste sentido: EMENTA Agravo regimental no recurso extraordinário. Constitucional. Sociedade de economia mista. Regime de precatório. Possibilidade. Prestação de serviço público próprio do Estado. Natureza não concorrencial. Precedentes. 1. A jurisprudência da Suprema Corte é no sentido da aplicabilidade do regime de precatório às sociedades de economia mista prestadoras de serviço público próprio do Estado e de natureza não concorrencial. 2. A CASAL, sociedade de economia mista prestadora de serviços de abastecimento de água e saneamento no Estado do Alagoas, presta serviço público primário e em regime de exclusividade, o qual corresponde à própria atuação do estado, haja vista não visar à obtenção de lucro e deter capital social majoritariamente estatal. Precedentes. 3. Agravo regimental não provido. (RE 852302 AgR, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Segunda Turma, julgado em 15/12/2015, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-037 DIVULG 26-02-2016 PUBLIC 29-02-2016) 6. Bens Públicos 6. Bens Públicos 21/44 Em relação à imprescritibilidade, os bens públicos não podem ser adquiridos por usucapião, na forma dos arts. 183, §3º, e 191, parágrafo único, da Constituição Federal, bem como art. 102 do CC/2002. Não há nenhuma exceção a essa regra. CF/88 Art. 183. Aquele que possuir como sua área urbana de até duzentos e cinqüenta metros quadrados, por cinco anos, ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural. (Regulamento) § 1º O título de domínio e a concessão de uso serão conferidos ao homem ou à mulher, ou a ambos, independentemente do estado civil. § 2º Esse direito não será reconhecido ao mesmo possuidor mais de uma vez. § 3º Os imóveis públicos não serão adquiridos por usucapião. CC/2002 Art. 102. Os bens públicos não estão sujeitos a usucapião. No mesmo sentido, a Súmula 340 do STF dispõe: “desde a vigência do Código Civil, os bens dominicais, como os demais bens públicos, não podem ser adquiridos por usucapião”. Ademais, a Súmula 619 do STJ também disciplina que “a ocupação indevida de bem público con�gura mera detenção, de natureza precária, insuscetível de retenção ou indenização por acessões e benfeitorias”. Contudo, os bens públicos, na forma do art. 98 do CC/2002, são aqueles integrantes do patrimônio das pessoas jurídicas de direito público interno, ou seja, da União, Estados, Distrito Federal, Municípios, autarquias e fundações estatais de direito público. Assim, o patrimônio das empresas estatais, pessoas jurídicas de direito privado, é constituído por bens privados, na forma do art. 98 do CC, de modo que o regime jurídico aplicável aos seus bens é predominantemente privado, sofrendo determinadas modulações de direito público, especialmente no tocante à sua alienação e, no caso das estatais prestadoras de serviços públicos, à vedação de penhora de bens necessários à continuidade dos serviços. Portanto, os bens privados das empresas estatais podem ser adquiridos por usucapião, não sendo aplicável a imprescritibilidade típica dos bens públicos. A letra A está incorreta. INCORRETA. 6. Bens Públicos 6. Bens Públicos 22/44 Os bens públicos não podem ser adquiridos por usucapião, na forma dos arts. 183, §3º, e 191, parágrafo único, da Constituição Federal, bem como art. 102 do CC/2002. Não há nenhuma exceção a essa regra. A letra B está incorreta. INCORRETA. Os bens públicos não podem ser adquiridos por usucapião, na forma dos arts. 183, §3º, e 191, parágrafo único, da Constituição Federal, bem como art. 102 do CC/2002. Não há nenhuma exceção a essa regra. A letra C está correta. CORRETA. O patrimônio das empresas estatais, pessoas jurídicas de direito privado, é constituído por bens privados, na forma do art. 98 do CC, de modo que os bens privados das empresas estatais podem ser adquiridos por usucapião, não sendo aplicável a imprescritibilidade típica dos bens públicos. A letra D está incorreta. INCORRETA. Os bens privados das empresas estatais podem ser adquiridos por usucapião, não sendo aplicável a imprescritibilidade típica dos bens públicos. Principais Bens Públicos em espécie Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI. A Constituição Federal prevê em seu artigo 20 bens de titularidade da União e em seu artigo 26 bens de titularidade dos Estados. Este tema costuma ser cobrado em provas com a “letra fria” da norma. Por isso, iremos apenas transcrever os dispositivos e após mostraremos a forma de cobrança. Vamos ao texto da Constituição quanto aos bens da União: 6. Bens Públicos 6. Bens Públicos 23/44 Art. 20. São bens da União: I - os que atualmente lhe pertencem e os que lhe vierema ser atribuídos; II - as terras devolutas indispensáveis à defesa das fronteiras, das fortificações e construções militares, das vias federais de comunicação e à preservação ambiental, definidas em lei; III - os lagos, rios e quaisquer correntes de água em terrenos de seu domínio, ou que banhem mais de um Estado, sirvam de limites com outros países, ou se estendam a território estrangeiro ou dele provenham, bem como os terrenos marginais e as praias fluviais; IV as ilhas fluviais e lacustres nas zonas limítrofes com outros países; as praias marítimas; as ilhas oceânicas e as costeiras, excluídas, destas, as que contenham a sede de Municípios, exceto aquelas áreas afetadas ao serviço público e a unidade ambiental federal, e as referidas no art. 26, II; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 46, de 2005) [6] V - os recursos naturais da plataforma continental e da zona econômica exclusiva; VI - o mar territorial; VII - os terrenos de marinha e seus acrescidos; VIII - os potenciais de energia hidráulica; IX - os recursos minerais, inclusive os do subsolo; X - as cavidades naturais subterrâneas e os sítios arqueológicos e pré-históricos; XI - as terras tradicionalmente ocupadas pelos índios. § 1º É assegurada, nos termos da lei, à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios a participação no resultado da exploração de petróleo ou gás natural, de recursos hídricos para fins de geração de energia elétrica e de outros recursos minerais no respectivo território, plataforma continental, mar territorial ou zona econômica exclusiva, ou compensação financeira por essa exploração. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 102, de 2019). § 2º A faixa de até cento e cinquenta quilômetros de largura, ao longo das fronteiras terrestres, designada como faixa de fronteira, é considerada fundamental para defesa do território nacional, e sua ocupação e utilização serão reguladas em lei. Quanto ao texto, destaque-se: a) As terras devolutas indispensáveis à defesa das fronteiras, das fortificações e construções militares, das vias federais de comunicação e à preservação ambiental são bens da União. As http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc46.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc46.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc46.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc46.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc46.htm#art1 6. Bens Públicos 6. Bens Públicos 24/44 demais, são bens dos Estados. Não há previsão de terras devolutas de propriedade dos Municípios. b) Os terrenos de Marinha pertencem à União por questões de segurança nacional. Exatamente por isto, o STJ pacificou que: Súmula 496 – STJ - Os registros de propriedade particular de imóveis situados em terrenos de marinha não são oponíveis à União. c) As terras tradicionalmente ocupadas pelos índios são bens da União e, assim como os parques nacionais possuem destinação específica, sendo considerados bens de uso especial. Quanto aos Estados: Art. 26. Incluem-se entre os bens dos Estados: I - as águas superficiais ou subterrâneas, fluentes, emergentes e em depósito, ressalvadas, neste caso, na forma da lei, as decorrentes de obras da União; II - as áreas, nas ilhas oceânicas e costeiras, que estiverem no seu domínio, excluídas aquelas sob domínio da União, Municípios ou terceiros; III - as ilhas fluviais e lacustres não pertencentes à União; IV - as terras devolutas não compreendidas entre as da União. Destacamos que as águas públicas pertencem aos estados-membros, exceto se estiverem em terrenos da União, se banharem mais de um Estado, se fizerem limites com outros países ou se estenderem a território estrangeiro ou dele provierem (hipóteses em que pertencerão à União). Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI. Utilização de Bens Públicos por particulares A Administração pode outorgar a determinados particulares o uso privativo dos bens públicos, independente da categoria a que pertençam. Para Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo (2015, pg. 1045): 6. Bens Públicos 6. Bens Públicos 25/44 Questão 2012 | 4000002228 A autorização de uso de bem público por particular caracteriza-se como ato administrativo A) discricionário e bilateral, ensejando indenização ao particular no caso de revogação pela administração. Essa outorga, que exige sempre um instrumento formal, está sujeita ao juízo de oportunidade e conveniência exclusivo da própria administração e pode ser feita mediante remuneração pelo particular, ou não. Trata-se de interpretação do artigo 103, do Código Civil: Art. 103. O uso comum dos bens públicos pode ser gratuito ou retribuído, conforme for estabelecido legalmente pela entidade a cuja administração pertencerem. Os principais instrumentos utilizados pela administração são: Autorização de uso de bem público Segundo José dos Santos Carvalho Filho (2016, pg. 1214): Autorização de uso é o ato administrativo pelo qual o Poder Público consente que determinado indivíduo utilize bem público de modo privativo, atendendo primordialmente a seu próprio interesse. Trata-se de ato discricionário e precário onde a Administração consente que o particular utilize um bem público segundo seu interesse. O ato não exige prévia licitação e pode ser revogável a qualquer tempo sem necessidade de indenização. 6. Bens Públicos 6. Bens Públicos 26/44 B) unilateral, discricionário e precário, para atender interesse predominantemente particular. C) bilateral e vinculado, efetivado mediante a celebração de um contrato com a administração pública, de forma a atender interesse eminentemente público. D) discricionário e unilateral, empregado para atender a interesse predominantemente público, formalizado após a realização de licitação. Solução Gabarito: B) unilateral, discricionário e precário, para atender interesse predominantemente particular. A questão exige o conhecimento acerca da autorização de uso de bem público. A autorização de uso de bem público representa ato administrativo, discricionário e precário, editado pelo Poder Público para consentir que determinada pessoa utilize privativamente bem público. Tal ato depende da avaliação de conveniência e oportunidade do Poder Público, inexistindo direito subjetivo do particular na hipótese. Ademais, o ato é precário e pode ser revogado a qualquer momento, independentemente de indenização. Por �m, a autorização de uso possui outras características, a saber: pode ser onerosa ou gratuita, independe de autorização legislativa e pode recair sobre bens móveis ou imóveis. A letra A está incorreta. INCORRETA. A autorização de uso de bem público representa ato administrativo, discricionário e precário, editado pelo Poder Público para consentir que determinada pessoa utilize privativamente bem público. A letra B está correta. CORRETA. A autorização de uso de bem público representa ato administrativo, discricionário e precário, editado pelo Poder Público para consentir que determinada pessoa utilize privativamente bem público. A letra C está incorreta. INCORRETA. A autorização de uso de bem público representa ato administrativo, discricionário e precário, editado pelo Poder Público para consentir que determinada pessoa utilize privativamente bem público. A letra D está incorreta. INCORRETA. 6. Bens Públicos 6. Bens Públicos 27/44 A autorização de uso de bem público representa ato administrativo, discricionário e precário, editado pelo Poder Público para consentir que determinada pessoa utilize privativamente bem público. São, pois, características da autorização de uso de bem público: A principal característica da autorização é o predomínio do interesse do particular, cabendo-lhe – segundo seu interesse – utilizar ou não o bem autorizado. Exemplo: Fechamento de uma rua para organização de uma festa pela associação de moradores de um bairroe, para todos, inclusive as entidades paraestatais, dependerá de avaliação prévia e de licitação na modalidade de concorrência, dispensada esta nos seguintes casos: (...) i) alienação e concessão de direito real de uso, gratuita ou onerosa, de terras públicas rurais da União e do Incra, onde incidam ocupações até o limite de que trata o § 1o do art. 6o da Lei no 11.952, de 25 de junho de 2009, para fins de regularização fundiária, atendidos os requisitos legais; e Concessão de Uso Especial para Fins de Moradia – Estatuto da Cidade O Estatuto da Cidade (Lei 10.257/2001) previu a utilização de concessão de uso especial para fins de moradia como forma de regularizar a propriedade urbana nos Municípios. Art. 4º Para os fins desta Lei, serão utilizados, entre outros instrumentos: 6. Bens Públicos 6. Bens Públicos 33/44 V – institutos jurídicos e políticos: h) concessão de uso especial para fins de moradia; Trata-se de dispositivo já previsto no artigo 183 da Constituição Federal. Contudo, os dispositivos relativos ao tema do Estatuto das Cidades foram vetados, sendo hoje a matéria regulada pela MP 2.220/2001 com as recentes alterações da Lei 13.465/2017. De acordo com o artigo 183, da Constituição Federal a usucapião pró-moradia é devido em favor de quem possuir como sua por cinco anos ininterruptos e sem oposição, área de até 250m². Todavia, o possuidor não pode ser proprietário de outro imóvel urbano ou rural e deve utilizar o referido bem para sua moradia ou de sua família. Art. 183. Aquele que possuir como sua área urbana de até duzentos e cinquenta metros quadrados, por cinco anos, ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural. § 1º O título de domínio e a concessão de uso serão conferidos ao homem ou à mulher, ou a ambos, independentemente do estado civil. § 2º Esse direito não será reconhecido ao mesmo possuidor mais de uma vez. Tal direito não se aplica, naturalmente, aos imóveis públicos, nos termos do parágrafo 3º: § 3º Os imóveis públicos não serão adquiridos por usucapião. Mas professor, se a questão da regularização fundiária é tão importante, o que fazer quando pessoas de ocupam imóveis públicos? 6. Bens Públicos 6. Bens Públicos 34/44 O legislador não ficou omisso quanto à realidade social brasileira que inclui a existência de diversas ocupações irregulares, inclusive, em imóveis públicos. Mas se a Constituição Federal veda a aquisição destes imóveis por usucapião, como proceder à regularização fundiária? A Medida Provisória 2.220/2001 (recentemente alterada quanto às datas pela MP 759/2016 convertida na Lei 13.465/2017) criou o instituto denominado de Concessão de Uso Especial para fins de moradia. Segundo o artigo 1º: Art. 1º Aquele que, até 22 de dezembro de 2016, possuiu como seu, por cinco anos, ininterruptamente e sem oposição, até duzentos e cinquenta metros quadrados de imóvel público situado em área com características e finalidade urbana, e que o utilize para sua moradia ou de sua família, tem o direito à concessão de uso especial para fins de moradia em relação ao bem objeto da posse, desde que não seja proprietário ou concessionário, a qualquer título, de outro imóvel urbano ou rural. § 1º A concessão de uso especial para fins de moradia será conferida de forma gratuita ao homem ou à mulher, ou a ambos, independentemente do estado civil. § 2º O direito de que trata este artigo não será reconhecido ao mesmo concessionário mais de uma vez. § 3º Para os efeitos deste artigo, o herdeiro legítimo continua, de pleno direito, na posse de seu antecessor, desde que já resida no imóvel por ocasião da abertura da sucessão. Assim, a pessoa que detiver - até 22 de dezembro de 2016 - a posse mansa, pacífica e ininterrupta de imóvel público urbano de até duzentos e cinquenta metros quadrados por cinco anos e que o utilize par sua moradia ou de sua família, terá o direito à concessão de uso especial para sua moradia. Contudo, não poderá tal pessoa ser concessionário ou proprietário a qualquer título de outro imóvel urbano ou rural. Percebam que os requisitos para a concessão de uso especial para fins urbanísticos são bem parecidos com os requisitos da usucapião pró moradia e tem cabimento exatamente em razão de os imóveis públicos não poderem se adquiridos por usucapião. Referida concessão será gratuita e não será reconhecida ao mesmo cessionário por mais de uma vez. Além disso, o herdeiro legítimo do posseiro, desde que resida no imóvel por ocasião da abertura da sucessão, poderá continuar de pleno direito na posse de seu antecessor. 6. Bens Públicos 6. Bens Públicos 35/44 E se a posse no imóvel público for uma ocupação coletiva de várias famílias? A Medida Provisória também previu esta situação e estabeleceu a possibilidade da concessão de uso especial para fins urbanísticos coletiva. Ainda que os imóveis tenham mais de duzentos e cinquenta metros quadrados, se a ocupação for coletiva e não for possível identificar a individualização dos terrenos, será possível a concessão para fins urbanísticos de forma coletiva. Art. 2º Nos imóveis de que trata o art. 1º, com mais de duzentos e cinquenta metros quadrados, ocupados até 22 de dezembro de 2016, por população de baixa renda para sua moradia, por cinco anos, ininterruptamente e sem oposição, onde não for possível identificar os terrenos ocupados por possuidor, a concessão de uso especial para fins de moradia será conferida de forma coletiva, desde que os possuidores não sejam proprietários ou concessionários, a qualquer título, de outro imóvel urbano ou rural. Igualmente o limite temporal estabelecido foi o dia 22 de dezembro de 2016 e o parágrafo 1º ainda estabeleceu a possibilidade de somar a posse do atual possuidor com a de seu antecessor: § 1º O possuidor pode, para o fim de contar o prazo exigido por este artigo, acrescentar sua posse à de seu antecessor, contanto que ambas sejam contínuas. E como fica o cálculo da parcela de cada possuidor? De acordo com os parágrafos 2º e 3º, do artigo 2º, a cada possuidor será atribuída uma fração ideal, independentemente do tamanho da área que efetivamente ocupa, a não ser que haja um acordo escrito entre os ocupantes onde se discrimina frações ideais diferenciadas. Contudo, a fração ideal de cada possuidor não poderá ser superior a duzentos e cinquenta metros quadrados. 6. Bens Públicos 6. Bens Públicos 36/44 § 2º Na concessão de uso especial de que trata este artigo, será atribuída igual fração ideal de terreno a cada possuidor, independentemente da dimensão do terreno que cada um ocupe, salvo hipótese de acordo escrito entre os ocupantes, estabelecendo frações ideais diferenciadas. § 3º A fração ideal atribuída a cada possuidor não poderá ser superior a duzentos e cinquenta metros quadrados. Por fim, tais direitos dos artigos 1º e 2º também serão garantidos aos ocupantes regularmente inscritos de imóveis públicos com até duzentos e cinquenta metros quadrados e que estejam situados em área urbana, quanto a imóveis da União, Estados, DF e Municípios (artigo 3º). E se o imóvel ocupado pelas famílias estiver localizado em uma área de risco? Neste caso, caberá ao Poder Público garantir o direito à concessão de uso especial para fins urbanísticos em local diverso: Art. 4º No caso de a ocupação acarretar risco à vida ou à saúde dos ocupantes, o Poder Público garantirá ao possuidor o exercício do direito de que tratam os arts. 1º e 2º em outro local. Além disso, poderá o Poder Público também escolher local diverso quando o imóvel ocupado for (artigo 5º): I - de uso comum do povo; II - destinado a projeto de urbanização; III - de interesse da defesa nacional, da preservação ambiental e da proteção dos ecossistemas naturais; IV - reservado à construção de represas e obras congêneres; ou 6. Bens Públicos 6. Bens Públicos 37/44 V - situado em via de comunicação.E qual o procedimento para se obter o título de concessão? O título de concessão poderá ser obtido pela via administrativa perante o órgão competente da Administração Pública que terá o prazo de doze meses para decidir o pedido, a contar da data de seu protocolo. E, se o imóvel for pertencente ao Estado ou à União, caberá ao interessado instruir o pedido com certidão municipal que ateste a localização do imóvel em área urbana e a sua destinação para moradia do ocupante ou de sua família. Acaso recusado o pedido administrativo ou ainda em caso de omissão do Poder Público, será cabível a via judicial para regularizar a propriedade. Neste caso, a concessão de uso especial para fins de moradia será declarada pelo juiz mediante sentença. Destaque-se a questão do registro: § 4º O título conferido por via administrativa ou por sentença judicial servirá para efeito de registro no cartório de registro de imóveis. Reconhecido o direito à concessão de uso especial para fins urbanísticos, poderá o concessionário transferir seu direito? Sim. Esta a disposição expressa do artigo 7º, da MP 2.220/2001: Art. 7º O direito de concessão de uso especial para fins de moradia é transferível por ato inter vivos ou causa mortis. E como funciona a extinção do direito à concessão? 6. Bens Públicos 6. Bens Públicos 38/44 O direito à concessão de uso especial para fins de moradia extingue-se em caso de o concessionário dar ao imóvel destinação diversa da moradia para si ou de sua família. Além disso, o direito também será extinto acaso o concessionário venha a adquirir a propriedade ou a concessão de outro imóvel urbano ou rural. A extinção de tal direito será averbada no correspondente cartório de registro de imóveis, por meio de declaração do Poder Público concedente. Autorização de Uso na MP 2.220/2001 Por fim, destacamos os artigos 9º e 10º da Medida Provisória em epígrafe que estabelecem a autorização de uso em caso de imóveis comerciais e as definições do Conselho Nacional de Desenvolvimento Urbano. De acordo com o artigo 9º: Art. 9º É facultado ao poder público competente conceder autorização de uso àquele que, até 22 de dezembro de 2016, possuiu como seu, por cinco anos, ininterruptamente e sem oposição, até duzentos e cinquenta metros quadrados de imóvel público situado em área com características e finalidade urbanas para fins comerciais. (Redação dada pela lei nº 13.465, de 2017) § 1º A autorização de uso de que trata este artigo será conferida de forma gratuita. § 2º O possuidor pode, para o fim de contar o prazo exigido por este artigo, acrescentar sua posse à de seu antecessor, contanto que ambas sejam contínuas. § 3º Aplica-se à autorização de uso prevista no caput deste artigo, no que couber, o disposto nos arts. 4º e 5º desta Medida Provisória. Perceba, que esta autorização – ato mais precário que a concessão – ocorre quanto aos imóveis públicos que possuam fins comerciais (e não de moradia) e será conferida de forma gratuita. O prazo do possuidor pode ser acrescido ao de seus antecessores, para fins de contagem dos cinco anos e a poderá ser concedida em terreno diverso acaso ocorram algumas das hipóteses dos artigos 4º e 5º (área de risco ou áreas de interesse público. Rememorando: Art. 4º No caso de a ocupação acarretar risco à vida ou à saúde dos ocupantes, o Poder Público garantirá ao possuidor o exercício do direito de que tratam os arts. 1o e 2o em outro local. 6. Bens Públicos 6. Bens Públicos 39/44 Art. 5º É facultado ao Poder Público assegurar o exercício do direito de que tratam os arts. 1º e 2º em outro local na hipótese de ocupação de imóvel: I - de uso comum do povo; II - destinado a projeto de urbanização; III - de interesse da defesa nacional, da preservação ambiental e da proteção dos ecossistemas naturais; IV - reservado à construção de represas e obras congêneres; ou V - situado em via de comunicação. Conselho Nacional de Desenvolvimento Urbano A MP 2.220/2001 também criou o Conselho Nacional de Desenvolvimento Urbano, órgão consultivo e deliberativo, integrante da Presidência da República, com as seguintes atribuições: I - propor diretrizes, instrumentos, normas e prioridades da política nacional de desenvolvimento urbano; II - acompanhar e avaliar a implementação da política nacional de desenvolvimento urbano, em especial as políticas de habitação, de saneamento básico e de transportes urbanos, e recomendar as providências necessárias ao cumprimento de seus objetivos; III - propor a edição de normas gerais de direito urbanístico e manifestar-se sobre propostas de alteração da legislação pertinente ao desenvolvimento urbano; IV - emitir orientações e recomendações sobre a aplicação da Lei no 10.257, de 10 de julho de 2001, e dos demais atos normativos relacionados ao desenvolvimento urbano; V - promover a cooperação entre os governos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios e a sociedade civil na formulação e execução da política nacional de desenvolvimento urbano; e VI - elaborar o regimento interno. Cabe-nos, por segurança, conhecer a estrutura do CNDU disposta nos artigos 11 e seguintes da referida MP: 6. Bens Públicos 6. Bens Públicos 40/44 Benfeitoria em Bem Público irregularmente ocupado Art. 11. O CNDU é composto por seu Presidente, pelo Plenário e por uma Secretaria-Executiva, cujas atribuições serão definidas em decreto. Parágrafo único. O CNDU poderá instituir comitês técnicos de assessoramento, na forma do regimento interno. Art. 12. O Presidente da República disporá sobre a estrutura do CNDU, a composição do seu Plenário e a designação dos membros e suplentes do Conselho e dos seus comitês técnicos. Art. 13. A participação no CNDU e nos comitês técnicos não será remunerada. Art. 14. As funções de membro do CNDU e dos comitês técnicos serão consideradas prestação de relevante interesse público e a ausência ao trabalho delas decorrente será abonada e computada como jornada efetiva de trabalho, para todos os efeitos legais. Cessão de Uso A cessão de uso é (MARINELA, 2017, pg. 911): a utilização especial em que o Poder Público permite, de forma gratuita, o uso de bem público por órgão da mesma pessoa ou de pessoa diversa, com o propósito de desenvolver atividades benéficas para a coletividade, com fundamento na cooperação entre as entidades públicas e privadas. Para José dos Santos Carvalho Filho, a grande diferença entre esta cessão e as demais formas de utilização dos bens públicos até agora vistas, fundamenta-se no benefício coletivo decorrente da atividade desempenhada pelo cessionário. O mais comum é que a Administração ceda bens entre órgãos da mesma pessoa (Secretaria de Justiça cede prédio para a Secretaria de Administração do mesmo Estado), mas pode ocorrer a cessão entre órgãos de entidades públicas diversas ou para pessoas privadas que desempenhem finalidades não lucrativas (2015, pg. 1.228). Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI. 6. Bens Públicos 6. Bens Públicos 41/44 De acordo com o artigo 1.219 do Código Civil, o possuidor de boa-fé tem direito à indenização das benfeitorias necessárias e úteis, restando consolidado o entendimento pelo STJ que tal direito de retenção abrange também as acessões (construções e plantações) nas mesmas circunstâncias. Art. 1.219. O possuidor de boa-fé tem direito à indenização das benfeitorias necessárias e úteis, bem como, quanto às voluptuárias, se não lhe forem pagas, a levantá-las, quando o puder sem detrimento da coisa, e poderá exercer o direito de retenção pelo valor das benfeitorias necessárias e úteis. Ocorre que, para o STJ, nos casos em que o bem público foi ocupado irregularmente, a pessoa não tem direito de ser indenizada pelas acessões feitas, assim como não tem direito à retenção pelas benfeitorias realizadas, mesmo que fique provado que a pessoa estava de boa-fé. É que a ocupação irregular de bem público não pode ser classificada como posse, mas meradetenção, possuindo, portanto, natureza precária. Segundo consolidou o STJ, a posse é o direito reconhecido a quem se comporta como proprietário, não havendo como reconhecer a posse a quem, por proibição legal, não possa ser proprietário. Assim, a ocupação de área pública, quando irregular, não pode ser reconhecida como posse, mas como mera detenção. Ademais, eventual inércia ou omissão da Administração não tem o efeito de afastar ou distorcer a aplicação da lei. O imóvel público é indisponível, de modo que eventual omissão dos governos implica responsabilidade de seus agentes, nunca vantagem de indivíduos às custas da coletividade. Por fim, não se pode afirmar que tal ato configurará enriquecimento sem causa da Administração, eis que esta provavelmente terá um custo para demolir a construção feita ou, no máximo regularizá-la para adequá-la à legislação vigente, dada a provável inutilidade do imóvel, sendo incoerente tal afirmação. Neste sentido: Súmula 619 - STJ - A ocupação indevida de bem público configura mera detenção, de natureza precária, insuscetível de retenção ou indenização por acessões e benfeitorias. 6. Bens Públicos 6. Bens Públicos 42/44 Questão 2021 | 4000005340 Há muitos anos, Bruno invadiu sorrateiramente uma terra devoluta indispensável à defesa de fronteira, que já havia sido devidamente discriminada. Como não houve oposição, Bruno construiu uma casa, na qual passou a residir com sua família, além de usar o terreno subjacente para a agricultura de subsistência. A União, muitos anos depois do início da utilização do bem por Bruno, promoveu a sua noti�cação para desocupar o imóvel, em decorrência de sua �nalidade de interesse público. Na qualidade de advogado(a) consultado(a) por Bruno, assinale a a�rmativa correta. A) Bruno terá que desocupar o bem em questão e não terá direito à indenização pelas acessões e benfeitorias realizadas, pois era mero detentor do bem da União. B) A União não poderia ter noti�cado Bruno para desocupar bem que não lhe pertence, na medida em que todas as terras devolutas são de propriedade dos estados em que se situam. C) Bruno pode invocar o direito fundamental à moradia para reter o bem em questão, até que a União efetue o pagamento pelas acessões e benfeitorias realizadas. D) Caso Bruno preencha os requisitos da usucapião extraordinária, não precisará desocupar o imóvel da União. Solução Gabarito: A) Bruno terá que desocupar o bem em questão e não terá direito à indenização pelas acessões e benfeitorias realizadas, pois era mero detentor do bem da União. Análise do Caso A questão aborda o regime jurídico dos bens públicos, especialmente uma hipótese de ocupação de bem público pertencente à União, vale dizer, terra devoluta indispensável à defesa de fronteiras. É como dispõe o art. 20, II, CF/88: Art. 20. São bens da União: (...) II - as terras devolutas indispensáveis à defesa das fronteiras, das forti�cações e construções militares, das vias federais de comunicação e à preservação ambiental, de�nidas em lei; Os bens públicos não são passíveis de usucapião, conforme disposto nos arts. 183, §3º, e 191, parágrafo único, ambos da Constituição Federal de 1988: 6. Bens Públicos 6. Bens Públicos 43/44 Art. 183 (...) § 3º Os imóveis públicos não serão adquiridos por usucapião. (...) Art. 191 (...) Parágrafo único. Os imóveis públicos não serão adquiridos por usucapião. No mesmo sentido, o art. 102 do CC/2002: Art. 102. Os bens públicos não estão sujeitos a usucapião. Desse modo, poder-se-ia descartar a possibilidade de o particular vir a pleitear a usucapião da área por ele ocupada, independentemente do prazo de que se estivesse a tratar. A hipótese é de pedido juridicamente impossível, eis que encontra vedação expressa no ordenamento jurídico pátrio. Em relação à possibilidade de indenizar as benfeitorias e acessões promovidas no local, a Súmula 619 do STJ, deixa claro que: Súmula 619 do STJ: "A ocupação indevida de bem público con�gura mera detenção de natureza precária insuscetível de retenção ou indenização por acessões e benfeitorias." Portanto, o ocupante teria de deixar o imóvel, bem como não faria jus a nenhuma indenização. A letra A está correta. CORRETA. Segundo a Súmula 619 do STJ, a ocupação indevida de bem público con�gura mera detenção de natureza precária insuscetível de retenção ou indenização por acessões e benfeitorias. A letra B está incorreta. INCORRETA. As terras devolutas indispensáveis à defesa de fronteiras são bens públicos pertencentes à União, segundo o art. 20, II, CF/88. A letra C está incorreta. INCORRETA. Segundo a Súmula 619 do STJ, a ocupação indevida de bem público con�gura mera detenção de natureza precária insuscetível de retenção ou indenização por acessões e benfeitorias. 6. Bens Públicos 6. Bens Públicos 44/44 A letra D está incorreta. INCORRETA. Consoante a Súmula 619 do STJ, a ocupação indevida de bem público con�gura mera detenção de natureza precária insuscetível de retenção ou indenização por acessões e benfeitorias. Referências e links deste capítulo 1 2 3 4 5 6 7 http://www.jusbrasil.com/legislacao/1027008/constitui%C3%A7%C3%A3o-da-republica- federativa-do-brasil-1988 http://www.jusbrasil.com.br/busca?s=jurisprudencia&q=titulo:REsp%201.075.160/AL http://www.jusbrasil.com.br/busca?s=jurisprudencia&q=titulo:REsp%201.075.160/AL http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc19.htm#art22 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc19.htm#art22 Art. 21. Compete à União: (...) X - manter o serviço postal e o correio aéreo nacional; http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc46.htm#art1 Para ouvir ao áudio correspondente, acesse o LDI.