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6. Bens Públicos
6. Bens Públicos 1/44
Prof. Igor Maciel
6 Bens Públicos
Direito Administrativo para a 1ª Fase do
Exame de Ordem (OAB)
Documento última vez atualizado em 07/05/2024 às 18:04.
6. Bens Públicos
6. Bens Públicos 2/44
3
10
22
40
Índice
6.1) Noções Gerais
6.2) Classi�cação dos bens públicos
6.3) Principais Bens Públicos em espécie
6.4) Benfeitoria em Bem Público irregularmente ocupado
6. Bens Públicos
6. Bens Públicos 3/44
Noções Gerais
Questão 2011 | 4000002234
De acordo com o critério da titularidade, consideram-se públicos os bens do domínio
nacional pertencentes
A) às entidades da Administração Pública Direta e Indireta.
B) às entidades da Administração Pública Direta, às autarquias e às empresas públicas.
C)
às pessoas jurídicas de direito público interno e às pessoas jurídicas de direito privado
prestadoras de serviços públicos.
D) às pessoas jurídicas de direito público interno.
Solução
Gabarito: D) às pessoas jurídicas de direito público interno.
A questão exige saber quais bens são considerados bens públicos.
 Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI.
O Novo Código Civil superou a discussão sobre a definição de bem público. Segundo o seu 
artigo 98:
Art. 98. São públicos os bens do domínio nacional pertencentes às pessoas jurídicas de direito 
público interno; todos os outros são particulares, seja qual for a pessoa a que pertencerem.
Apenas podem ser formalmente considerados como bens públicos os bens de propriedade das 
pessoas jurídicas de direito público: União, Estados, Municípios e respectivas autarquias e 
fundações.
Assim, os bens das sociedades de economia mista não podem ser considerados bens públicos, 
em que pese sujeitas à tomada de contas especial pelo TCU. Também não são considerados 
bens públicos os bens das demais pessoas jurídicas de direito privado integrantes da 
administração pública.
6. Bens Públicos
6. Bens Públicos 4/44
Desde a edição do atual Código Civil, tornou-se paci�cada pela lei a posição de que
públicos são os bens titularizados pelas pessoas jurídicas de direito público interno.
Consoante o art. 98 do CC/2002, constante do mencionado diploma legal:
Art. 98. São públicos os bens do domínio nacional pertencentes às pessoas jurídicas de
direito público interno; todos os outros são particulares, seja qual for a pessoa a que
pertencerem.
Vale lembrar que, pelo art. 41, CC/2002, são as pessoas de direito público interno:
Art. 41. São pessoas jurídicas de direito público interno:
I - a União;
II - os Estados, o Distrito Federal e os Territórios;
III - os Municípios;
IV - as autarquias, inclusive as associações públicas; (Redação dada pela Lei nº 11.107, de
2005)
V - as demais entidades de caráter público criadas por lei.
A letra A está incorreta. INCORRETA.
Segundo art. 98 do CC/2002, são públicos os bens do domínio nacional pertencentes às
pessoas jurídicas de direito público interno; todos os outros são particulares, seja qual for a
pessoa a que pertencerem.
A letra B está incorreta. INCORRETA. 
Segundo art. 98 do CC/2002, são públicos os bens do domínio nacional pertencentes às
pessoas jurídicas de direito público interno; todos os outros são particulares, seja qual for a
pessoa a que pertencerem
A letra C está incorreta. INCORRETA.
Segundo art. 98 do CC/2002, são públicos os bens do domínio nacional pertencentes às
pessoas jurídicas de direito público interno; todos os outros são particulares, seja qual for a
pessoa a que pertencerem.
A letra D está correta. CORRETA.
Segundo art. 98 do CC/2002, são públicos os bens do domínio nacional pertencentes às
pessoas jurídicas de direito público interno; todos os outros são particulares, seja qual for a
pessoa a que pertencerem.
6. Bens Públicos
6. Bens Públicos 5/44
Segundo disposto no artigo 98 do Código Civil, são públicos os bens pertencentes às pessoas 
jurídicas de direito público interno. Relembrando, são pessoas jurídicas de direito público:
Qualquer que seja sua utilização, os bens destas entidades – corpóreos, incorpóreos, móveis, 
imóveis, - estão sujeitos ao regime jurídico dos bens públicos e, portanto, gozam das seguintes 
características:
a)  Imprescritibilidade - Os bens públicos são insuscetíveis de aquisição mediante usucapião 
(prescrição aquisitiva de direito). Trata-se de interpretação literal do disposto no artigo 102 do 
Código Civil:
Art. 102. Os bens públicos não estão sujeitos a usucapião.
b)  Impenhorabilidade – Os bens públicos não se sujeitam ao regime de penhora, eis que a 
satisfação de créditos da Fazenda Pública deve ser feita através do regime de precatórios;
c)  Não Onerabilidade – Os bens públicos não podem ser gravados como garantia de créditos 
em favor de terceiros. São espécies de direitos reais de garantia sobre coisa alheia: o penhor, a 
anticrese e a hipoteca.
d) Inalienabilidade (relativa) – Os bens públicos que se encontram destinados a uma finalidade 
pública específica (afetados) não podem ser objeto de alienação, consoante será visto adiante.
6. Bens Públicos
6. Bens Públicos 6/44
Os bens públicos não podem ser adquiridos por usucapião.
Não há exceções!
Trata-se de disposição expressa tanto no Código Civil como em alguns trechos da Constituição 
Federal. Vejamos:
Art. 183. Aquele que possuir como sua área urbana de até duzentos e cinquenta metros 
quadrados, por cinco anos, ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para sua moradia ou 
de sua família, adquirir-lhe-á o domínio, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano 
ou rural. (...)
§ 3º Os imóveis públicos não serão adquiridos por usucapião.
Art. 191. Aquele que, não sendo proprietário de imóvel rural ou urbano, possua como seu, por 
cinco anos ininterruptos, sem oposição, área de terra, em zona rural, não superior a cinquenta 
hectares, tornando-a produtiva por seu trabalho ou de sua família, tendo nela sua moradia, 
adquirir-lhe-á a propriedade.
Parágrafo único. Os imóveis públicos não serão adquiridos por usucapião.
Já o Código Civil, conforme visto, estabelece que:
Art. 102. Os bens públicos não estão sujeitos a usucapião.
Mas professor, as provas gostam deste ponto?
Sim. E muito!
6. Bens Públicos
6. Bens Públicos 7/44
A imprescritibilidade é uma das principais características dos Bens Públicos e não há exceção 
sobre tal característica.
O STF, inclusive, editou a Súmula 340 que possui o entendimento segundo o qual até mesmo 
os bens dominicais, que são desafetados, sem finalidade pública alguma a eles atrelada 
(consoante será explicado adiante) são imprescritíveis. Vejamos o enunciado da súmula:
Súmula 340 – STF - Desde a vigência do Código Civil, os bens dominicais, como os demais 
bens públicos, não podem ser adquiridos por usucapião.
Referida súmula encontra-se perfeitamente válida em nosso ordenamento jurídico tento em 
vista os artigos da Constituição Federal e o artigo do Código Civil já acima elencados.
A doutrina entende que os bens de pessoas administrativas de direito privado que estejam 
sendo diretamente empregados na prestação de um serviço público passam a revestir 
características próprias do regime de bens públicos – especialmente a impenhorabilidade e a 
proibição de que sejam onerados (gravados) – enquanto permanecerem com essa utilização.
Essa sujeição das regras do regime público, entretanto, decorre do princípio da continuidade 
dos serviços público e não de alguma característica formal ou da natureza do bem em si 
considerado, eis que não se pode transmudar o bem da pessoa jurídica de direito privado em 
bem público.
Neste sentido:
4. No que tange à questão da impenhorabilidade dos bens afetados ao serviço público, o 
julgado recorrido não diverge da orientação do STJ, segundo a qual são impenhoráveis os 
bens de sociedade de economia mista prestadora de serviço público, desde que 
destinados à prestação do serviço ou que o ato constritivo possa comprometer a execução 
da atividade de interesse público (cf [1]. AgRg no REsp1.070.735/RS, Rel. Ministrodetenção, possuindo, portanto, natureza precária.
Segundo consolidou o STJ, a posse é o direito reconhecido a quem se comporta como 
proprietário, não havendo como reconhecer a posse a quem, por proibição legal, não possa ser 
proprietário. Assim, a ocupação de área pública, quando irregular, não pode ser reconhecida 
como posse, mas como mera detenção.
Ademais, eventual inércia ou omissão da Administração não tem o efeito de afastar ou distorcer 
a aplicação da lei. O imóvel público é indisponível, de modo que eventual omissão dos 
governos implica responsabilidade de seus agentes, nunca vantagem de indivíduos às custas da 
coletividade.
Por fim, não se pode afirmar que tal ato configurará enriquecimento sem causa da 
Administração, eis que esta provavelmente terá um custo para demolir a construção feita ou, 
no máximo regularizá-la para adequá-la à legislação vigente, dada a provável inutilidade do 
imóvel, sendo incoerente tal afirmação.
Neste sentido:
Súmula 619 - STJ - A ocupação indevida de bem público configura mera detenção, de natureza 
precária, insuscetível de retenção ou indenização por acessões e benfeitorias.
6. Bens Públicos
6. Bens Públicos 42/44
Questão 2021 | 4000005340
Há muitos anos, Bruno invadiu sorrateiramente uma terra devoluta indispensável à defesa
de fronteira, que já havia sido devidamente discriminada. Como não houve oposição,
Bruno construiu uma casa, na qual passou a residir com sua família, além de usar o
terreno subjacente para a agricultura de subsistência. A União, muitos anos depois do
início da utilização do bem por Bruno, promoveu a sua noti�cação para desocupar o
imóvel, em decorrência de sua �nalidade de interesse público.
Na qualidade de advogado(a) consultado(a) por Bruno, assinale a a�rmativa correta.
A)
Bruno terá que desocupar o bem em questão e não terá direito à indenização pelas
acessões e benfeitorias realizadas, pois era mero detentor do bem da União.
B)
A União não poderia ter noti�cado Bruno para desocupar bem que não lhe pertence, na
medida em que todas as terras devolutas são de propriedade dos estados em que se
situam.
C)
Bruno pode invocar o direito fundamental à moradia para reter o bem em questão, até
que a União efetue o pagamento pelas acessões e benfeitorias realizadas.
D)
Caso Bruno preencha os requisitos da usucapião extraordinária, não precisará desocupar
o imóvel da União.
Solução
Gabarito: A)
Bruno terá que desocupar o bem em questão e não terá direito à indenização
pelas acessões e benfeitorias realizadas, pois era mero detentor do bem da
União.
Análise do Caso
A questão aborda o regime jurídico dos bens públicos, especialmente uma hipótese de
ocupação de bem público pertencente à União, vale dizer, terra devoluta indispensável à
defesa de fronteiras. É como dispõe o art. 20, II, CF/88:
Art. 20. São bens da União:
(...)
II - as terras devolutas indispensáveis à defesa das fronteiras, das forti�cações e
construções militares, das vias federais de comunicação e à preservação ambiental,
de�nidas em lei;
Os bens públicos não são passíveis de usucapião, conforme disposto nos arts. 183, §3º, e
191, parágrafo único, ambos da Constituição Federal de 1988:
6. Bens Públicos
6. Bens Públicos 43/44
Art. 183 (...)
§ 3º Os imóveis públicos não serão adquiridos por usucapião.
(...)
Art. 191 (...)
Parágrafo único. Os imóveis públicos não serão adquiridos por usucapião.
No mesmo sentido, o art. 102 do CC/2002:
Art. 102. Os bens públicos não estão sujeitos a usucapião.
Desse modo, poder-se-ia descartar a possibilidade de o particular vir a pleitear a
usucapião da área por ele ocupada, independentemente do prazo de que se estivesse a
tratar. A hipótese é de pedido juridicamente impossível, eis que encontra vedação
expressa no ordenamento jurídico pátrio.
Em relação à possibilidade de indenizar as benfeitorias e acessões promovidas no local, a
Súmula 619 do STJ, deixa claro que:
Súmula 619 do STJ: "A ocupação indevida de bem público con�gura mera detenção de
natureza precária insuscetível de retenção ou indenização por acessões e benfeitorias."
Portanto, o ocupante teria de deixar o imóvel, bem como não faria jus a nenhuma
indenização.
A letra A está correta. CORRETA.
Segundo a Súmula 619 do STJ, a ocupação indevida de bem público con�gura mera
detenção de natureza precária insuscetível de retenção ou indenização por acessões e
benfeitorias.
A letra B está incorreta. INCORRETA.
As terras devolutas indispensáveis à defesa de fronteiras são bens públicos pertencentes à
União, segundo o art. 20, II, CF/88.
A letra C está incorreta. INCORRETA.
Segundo a Súmula 619 do STJ, a ocupação indevida de bem público con�gura mera
detenção de natureza precária insuscetível de retenção ou indenização por acessões e
benfeitorias.
6. Bens Públicos
6. Bens Públicos 44/44
A letra D está incorreta. INCORRETA.
Consoante a Súmula 619 do STJ, a ocupação indevida de bem público con�gura mera
detenção de natureza precária insuscetível de retenção ou indenização por acessões e
benfeitorias.
Referências e links deste capítulo
1
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5
6
7
http://www.jusbrasil.com/legislacao/1027008/constitui%C3%A7%C3%A3o-da-republica-
federativa-do-brasil-1988
http://www.jusbrasil.com.br/busca?s=jurisprudencia&q=titulo:REsp%201.075.160/AL
http://www.jusbrasil.com.br/busca?s=jurisprudencia&q=titulo:REsp%201.075.160/AL
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc19.htm#art22
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc19.htm#art22
Art. 21. Compete à União: (...) X - manter o serviço postal e o correio aéreo nacional;
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc46.htm#art1
 Para ouvir ao áudio correspondente, acesse o LDI.Mauro 
Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 18.11.2008; AgRg no REsp 1.075.160/AL [2], Rel. 
Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 10.11.2009; REsp521.047/SP, Rel. 
Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em20.11.2003).
http://www.jusbrasil.com/legislacao/1027008/constitui%C3%A7%C3%A3o-da-republica-federativa-do-brasil-1988
http://www.jusbrasil.com/legislacao/1027008/constitui%C3%A7%C3%A3o-da-republica-federativa-do-brasil-1988
http://www.jusbrasil.com/legislacao/1027008/constitui%C3%A7%C3%A3o-da-republica-federativa-do-brasil-1988
http://www.jusbrasil.com/legislacao/1027008/constitui%C3%A7%C3%A3o-da-republica-federativa-do-brasil-1988
http://www.jusbrasil.com/legislacao/1027008/constitui%C3%A7%C3%A3o-da-republica-federativa-do-brasil-1988
http://www.jusbrasil.com.br/busca?s=jurisprudencia&q=titulo:REsp%201.075.160/AL
http://www.jusbrasil.com.br/busca?s=jurisprudencia&q=titulo:REsp%201.075.160/AL
http://www.jusbrasil.com.br/busca?s=jurisprudencia&q=titulo:REsp%201.075.160/AL
http://www.jusbrasil.com.br/busca?s=jurisprudencia&q=titulo:REsp%201.075.160/AL
http://www.jusbrasil.com.br/busca?s=jurisprudencia&q=titulo:REsp%201.075.160/AL
6. Bens Públicos
6. Bens Públicos 8/44
Questão 2016 | 4000001501
A sociedade “Limpatudo” S/A é empresa pública estadual destinada à prestação de
serviços públicos de competência do respectivo ente federativo. Tal entidade
administrativa foi condenada em vultosa quantia em dinheiro, por sentença transitada em
julgado, em fase de cumprimento de sentença.
Para que se cumpra o título condenatório, considerar-se-á que os bens da empresa
pública são
A)
impenhoráveis, certo que são bens públicos, de acordo com o ordenamento jurídico
pátrio.
B) privados, de modo que, em qualquer caso, estão sujeitos à penhora.
C)
privados, mas, se necessários à prestação de serviços públicos, não podem ser
penhorados.
D) privados, mas são impenhoráveis em decorrência da submissão ao regime de precatórios.
Solução
Gabarito: C)
privados, mas, se necessários à prestação de serviços públicos, não podem ser
penhorados.
A questão aborda o tema do regime jurídico dos bens públicos, em especial os bens
pertencentes às empresas estatais.
Na situação, determinada empresa pública estadual destinada à prestação de serviços
públicos foi condenada em vultosa quantia em dinheiro, por sentença transitada em
julgado, em fase de cumprimento de sentença.
O patrimônio das empresas estatais, pessoas jurídicas de direito privado, é constituído
por bens privados, na forma do art. 98 do CC/2002, mas sofre modulações de direito
público.
Art. 98. São públicos os bens do domínio nacional pertencentes às pessoas jurídicas de
direito público interno; todos os outros são particulares, seja qual for a pessoa a que
pertencerem.
Via de regra, os bens das empresas estatais podem ser penhorados, uma vez que são
bens privados, sem as prerrogativas inerentes aos bens públicos. Todavia, deve-se
Como a FGV já cobrou este ponto?
6. Bens Públicos
6. Bens Públicos 9/44
distinguir as duas espécies de empresas estatais (econômicas e de serviços públicos)
para se apontarem situações excepcionais em que a penhora não será admitida.
Os bens das empresas estatais econômicas podem ser penhorados, conforme exigência
constitucional prevista no art. 173, § 1.º, II da CF/88.
Art. 173. Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a exploração direta de
atividade econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos imperativos da
segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme de�nidos em lei.
§ 1º A lei estabelecerá o estatuto jurídico da empresa pública, da sociedade de economia
mista e de suas subsidiárias que explorem atividade econômica de produção ou
comercialização de bens ou de prestação de serviços, dispondo sobre: (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
(...)
II - a sujeição ao regime jurídico próprio das empresas privadas, inclusive quanto aos
direitos e obrigações civis, comerciais, trabalhistas e tributários;
Lado outro, os bens das empresas estatais, prestadoras de serviços públicos, podem ser
afastados excepcionalmente da penhora, quando estiverem afetados aos serviços
públicos e forem necessários à sua continuidade, tendo em vista o princípio da
continuidade dos serviços públicos.
Por �m, caso a estatal não possua bens penhoráveis e patrimônio su�ciente para arcar
com as suas dívidas, haverá a responsabilidade subsidiária do Ente federado respectivo.
A letra A está incorreta. INCORRETA.
O patrimônio das empresas estatais, pessoas jurídicas de direito privado, é constituído por
bens privados, na forma do art. 98 do CC/2002.
A letra B está incorreta. INCORRETA.
Os bens das empresas estatais são bens privados, sem as prerrogativas inerentes aos bens
públicos. Todavia, os bens das empresas estatais, prestadoras de serviços públicos, podem
ser afastados excepcionalmente da penhora, quando estiverem afetados aos serviços
públicos e forem necessários à sua continuidade, tendo em vista o princípio da continuidade
dos serviços públicos.
A letra C está correta. CORRETA.
Via de regra, os bens das empresas estatais podem ser penhorados, uma vez que são bens
privados, sem as prerrogativas inerentes aos bens públicos. Todavia, os bens das empresas
estatais, prestadoras de serviços públicos, podem ser afastados excepcionalmente da
6. Bens Públicos
6. Bens Públicos 10/44
penhora, quando estiverem afetados aos serviços públicos e forem necessários à sua
continuidade, tendo em vista o princípio da continuidade dos serviços públicos.
A letra D está incorreta. INCORRETA.
Os bens das empresas estatais prestadoras de serviços públicos podem sofrer penhora,
quando estiverem afetados aos serviços públicos e forem necessários à sua continuidade,
tendo em vista o princípio da continuidade dos serviços públicos.
Classi�cação dos bens públicos
A regra é que seus bens, em virtude de não serem bens públicos, não são impenhoráveis e 
muito menos inalienáveis. É possível que sobre um bem de uma sociedade de economia seja 
feita penhora e alienação.
Contudo, acaso este bem esteja afetado à prestação de um serviço público, este bem revestir-
se-á da característica da impenhorabilidade, enquanto afetado (adiante explicaremos a 
diferença de afetação para desafetação).
 Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI.
A classificação dos bens públicos está prevista no artigo 99 do Código Civil:
6. Bens Públicos
6. Bens Públicos 11/44
Art. 99. São bens públicos:
I - os de uso comum do povo, tais como rios, mares, estradas, ruas e praças;
II - os de uso especial, tais como edifícios ou terrenos destinados a serviço ou estabelecimento 
da administração federal, estadual, territorial ou municipal, inclusive os de suas autarquias;
III - os dominicais, que constituem o patrimônio das pessoas jurídicas de direito público, como 
objeto de direito pessoal, ou real, de cada uma dessas entidades.
Parágrafo único. Não dispondo a lei em contrário, consideram-se dominicais os bens 
pertencentes às pessoas jurídicas de direito público a que se tenha dado estrutura de direito 
privado.
São os bens públicos classificados, portanto, quanto à sua destinação em:
a) Bens de uso comum do povo – São aqueles destinados à utilização geral pelos indivíduos, 
que podem ser utilizados por todos em igualdade de condições. Ex: ruas, praças, mares e rios.
b) Bens de uso especial – São aqueles destinados à execução de serviços administrativos e 
dos serviços públicos em geral. São os bens das pessoas jurídicas de direito público utilizados 
para a prestação de serviços públicos (em sentido amplo). Ex: escolas públicas, hospitais 
públicos, prédios de repartições públicas.
c) Bens Dominicais – São os bens públicos que não possuem uma destinação pública definida, 
que podem ser utilizados pelo Estado para fazer renda. Ex: terras devolutas, prédios públicos 
desativados e móveis inservíveis.
Os bens públicos dominicais que são exatamente aqueles que não se encontramdestinados a 
uma finalidade pública específica (portanto desafetados), podem ser objeto de alienação, 
obedecidos os requisitos legais.
Os conselhos profissionais possuem personalidade jurídica de direito público que exercem 
poder disciplinar sobre os integrantes da categoria profissional, além de possuírem autonomia 
administrativa e financeira.
A Administração Pública descentralizou seu poder de fiscalização para estes entes que, por 
terem personalidade jurídica de direito público, seus bens são formalmente considerados bens 
públicos. Neste sentido:
ADMINISTRATIVO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSELHO DE FISCALIZAÇÃO 
PROFISSIONAL. EXIGÊNCIA DE CONCURSO PÚBLICO. ART. 37, II, DA CF. NATUREZA 
6. Bens Públicos
6. Bens Públicos 12/44
JURÍDICA. AUTARQUIA. FISCALIZAÇÃO. ATIVIDADE TÍPICA DE ESTADO. 1. Os conselhos de 
fiscalização profissional, posto autarquias criadas por lei e ostentando personalidade jurídica de 
direito público, exercendo atividade tipicamente pública, qual seja, a fiscalização do exercício 
profissional, submetem-se às regras encartadas no artigo 37, inciso II, da CB/88, quando da 
contratação de servidores. 2. Os conselhos de fiscalização profissional têm natureza jurídica 
de autarquias, consoante decidido no MS 22.643, ocasião na qual restou consignado que: 
(i) estas entidades são criadas por lei, tendo personalidade jurídica de direito público com 
autonomia administrativa e financeira; (ii) exercem a atividade de fiscalização de exercício 
profissional que, como decorre do disposto nos artigos 5º, XIII, 21, XXIV, é atividade 
tipicamente pública; (iii) têm o dever de prestar contas ao Tribunal de Contas da União.
(...) (RE 539224, Relator(a):  Min. LUIZ FUX, Primeira Turma, julgado em 22/05/2012, 
ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-118 DIVULG 15-06-2012 PUBLIC 18-06-2012 RT v. 101, n. 923, 
2012, p. 684-690)
Alienação
De acordo com o artigo 100, do Código Civil:
Art. 100. Os bens públicos de uso comum do povo e os de uso especial são inalienáveis, 
enquanto conservarem a sua qualificação, na forma que a lei determinar.
6. Bens Públicos
6. Bens Públicos 13/44
Assim, os bens de uso comum do povo e de uso especial seriam inalienáveis, salvo se 
perderem tal condição transmudando-se para bens dominicais. Estes, nos termos do artigo 101, 
do Código Civil, podem ser alienados, observadas as exigências da lei:
Art. 101. Os bens públicos dominicais podem ser alienados, observadas as exigências da lei.
Os bens dominicais, como já comentado, são aqueles bens do Estado que são desafetados, não 
possuem uma destinação pública específica e que podem ser utilizados pela Administração 
Pública para fazer renda.
É possível inferir, portanto, que tais bens são bens patrimoniais disponíveis, diante da sua 
natureza patrimonial e da não afetação a determinada finalidade pública. Tais bens podem sim 
ser alienados, respeitando as condições legais.
E quais os requisitos legais para alienação de um bem dominical?
De acordo com o artigo 76, da 14.133/21, os requisitos legais para alienação de bens públicos 
são:
i��Demonstração do interesse público;
ii��Prévia avaliação;
iii��Licitação na modalidade leilão;
iv��E, em caso de bens imóveis, prévia autorização legislativa;
Como característica dos bens públicos temos a inalienabilidade. Os bens públicos, em geral, 
não podem ter a sua propriedade transmitida. Entretanto, essa característica, diferentemente da 
imprescritibilidade, não é absoluta.
Há a possibilidade de um bem público ser alienado, nos termos dos artigos 100 e 101 do Código 
Civil:
6. Bens Públicos
6. Bens Públicos 14/44
Art. 100. Os bens públicos de uso comum do povo e os de uso especial são inalienáveis, 
enquanto conservarem a sua qualificação, na forma que a lei determinar.
Art. 101. Os bens públicos dominicais podem ser alienados, observadas as exigências da lei
Afetação X Desafetação
A afetação e a desafetação são fatos administrativos dinâmicos que indicam a alteração das 
finalidades do bem público. Também podem ser denominados de consagração ou 
desconsagração.
Importante se estudar o instituto da afetação eis que possui consequência direta na 
inalienabilidade do bem público. Os bens públicos afetados (que possuem uma destinação 
específica) não podem, enquanto permanecerem nesta situação ser alienados.
Assim, os bens de uso comum do povo e os bens de uso especial não são suscetíveis de 
alienação enquanto assim estiverem destinados. Por outro lado, acaso ocorra a sua desafetação, 
tais bens serão considerados bens dominicais e poderão ser alienados, por não estarem 
afetados a um fim público.
Apesar da afetação ser possível pela simples destinação do bem, pelo uso, a desafetação não é 
admitida pela doutrina pelo simples fato do não uso.
Para Celso Antônio Bandeira de Melo em virtude do instituto da desafetação retirar a proteção 
do bem público quanto a indisponibilidade e inalienabilidade, tornando-o mais vulnerável às 
ingerências administrativas, seria necessária uma maior cautela para que esse bem fosse 
desafetado.
Para o Autor em caso de desafetação de um:
a)  Bem de uso comum do povo – seria necessária uma lei ou um ato do Executivo 
previamente autorizado por lei;
b)  Bem de uso especial – trata-se de situação mais amena, sendo necessária uma lei ou um 
ato do Poder Executivo.
Ressalte-se que o fato de os bens públicos estarem desafetados não interfere nas 
características de impenhorabilidade e imprescritibilidade. Tais bens continuam sendo 
impenhoráveis e não passíveis de usucapião.
Por fim, conforme afirmou a FCC (MPE PB 2015):
6. Bens Públicos
6. Bens Públicos 15/44
Questão 2015 | 4000002004
O prédio que abrigava a Biblioteca Pública do Município de Molhadinho foi parcialmente
destruído em um incêndio, que arruinou quase metade do acervo e prejudicou
gravemente a estrutura do prédio. Os livros restantes já foram transferidos para uma
nova sede. O Prefeito de Molhadinho pretende alienar o prédio antigo, ainda cheio de
entulho e escombros.
Sobre o caso descrito, assinale a a�rmativa correta.
A) Não é possível, no ordenamento jurídico atual, a alienação de bens públicos.
B)
O antigo prédio da biblioteca, bem público de uso especial, somente pode ser alienado
após ato formal de desafetação.
C)
É possível a alienação do antigo prédio da biblioteca, por se tratar de bem público
dominical.
D)
Por se tratar de um prédio com livre acesso do público em geral, trata-se de bem
público de uso comum, insuscetível de alienação.
Solução
Gabarito: C)
É possível a alienação do antigo prédio da biblioteca, por se tratar de bem
público dominical.
A questão trata do regime jurídico dos bens públicos.
Na situação, um prédio que abrigava uma biblioteca municipal foi parcialmente destruído
em um incêndio e os livros restantes foram transferidos para uma nova sede. O Prefeito
pretendia alienar o prédio antigo, ainda cheio de entulho e escombros.
O prédio da Biblioteca Pública, antes do incêndio, ostentava a condição de bem público
de uso especial, visto que afetado a um dado serviço público lato senso, segundo art. 99,
II, Código Civil/02.
Art. 99. São bens públicos:
(...)
Na desafetação, o bem é subtraído à dominialidade pública para ser incorporado ao domínio 
privado, do Estado ou do administrado.
6. Bens Públicos
6. Bens Públicos 16/44
II - os de uso especial, tais como edifícios ou terrenos destinados a serviço ou
estabelecimento da administração federal, estadual, territorial ou municipal, inclusive os
de suas autarquias;
Com a destruição de parte de seu acervo, associada à remoção dos livros restantes para
um outro local, pode-se a�rmar que o prédio deixou de ter qualquer destinação pública,
operando-se, assim, sua desafetação tácita, a qual, segundo sustenta abalizada doutrina,
é bastante para fazer com que o bem passe à condição de bem dominical, e, pois, torná-
lo suscetível de alienação.
Ensina Maria Sylvia Di Pietro:
“Não há uniformidade de pensamento entre os doutrinadores a respeito da possibilidade de
a desafetaçãodecorrer de um fato (desafetação tácita) e não de uma manifestação de
vontade (desafetação expressa); por exemplo, um rio que seca ou tem seu curso alterado;
um incêndio que provoca a destruição dos livros de uma biblioteca ou das obras de um
museu. Alguns acham que mesmo nesses casos seria necessário um ato de desafetação.
Isto, no entanto, constitui excesso de formalismo se se levar em consideração o fato que o
bem se tornou materialmente inaproveitável para o �m ao qual estava afetado."
Portanto, a desafetação tácita é juridicamente legítima, e o prédio passou a ser um bem
dominical – sem destinação pública, desafetado – razão pela qual poderia, sim, ser
alienado, observadas as condições legais, segundo art. 101, CC/02 c/c art. 17, I, Lei
8.666/93.
CC/2002
Art. 101. Os bens públicos dominicais podem ser alienados, observadas as exigências da lei.
Lei 8.666/93
Art. 17. A alienação de bens da Administração Pública, subordinada à existência de
interesse público devidamente justi�cado, será precedida de avaliação e obedecerá às
seguintes normas:
I - quando imóveis, dependerá de autorização legislativa para órgãos da administração
direta e entidades autárquicas e fundacionais, e, para todos, inclusive as entidades
paraestatais, dependerá de avaliação prévia e de licitação na modalidade de concorrência,
dispensada esta nos seguintes casos:
A letra A está incorreta. INCORRETA.
Os bens públicos dominicais podem ser alienados, observadas as exigências da lei, segundo
art. 101, CC/2002.
A letra B está incorreta. INCORRETA.
6. Bens Públicos
6. Bens Públicos 17/44
Para a doutrina, a desafetação tácita é juridicamente legítima.
A letra C está correta. CORRETA.
A desafetação tácita é juridicamente legítima, e o prédio passou a ser um bem dominical –
sem destinação pública, desafetado – razão pela qual poderia, sim, ser alienado, observadas
as condições legais, segundo art. 101, CC/02 c/c art. 17, I, Lei 8.666/93.
A letra D está incorreta. INCORRETA.
O prédio da Biblioteca Pública, antes do incêndio, ostentava a condição de bem público de
uso especial, visto que afetado a um dado serviço público lato senso, segundo art. 99, II,
Código Civil/02.
Assim, este bem, enquanto bem dominical, poderá ser alienado, desde que respeitados os 
demais requisitos legais.
Em muitas questões de concursos, inclusive na OAB, as bancas procuram confundir o 
candidato quanto ao tema bens públicos. Basicamente se discute a natureza jurídica dos bens 
das sociedades de economia mista e das empresas públicas.
Estas, a princípio devem ser consideradas entes privados nos termos do artigo 173 da 
Constituição Federal:
Art. 173. Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a exploração direta de atividade 
econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos imperativos da segurança 
nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme definidos em lei.
§ 1º A lei estabelecerá o estatuto jurídico da empresa pública, da sociedade de economia mista 
e de suas subsidiárias que explorem atividade econômica de produção ou comercialização de 
bens ou de prestação de serviços, dispondo sobre:  (Redação dada pela Emenda Constitucional 
nº 19, de 1998) [3]
I - sua função social e formas de fiscalização pelo Estado e pela sociedade;  (Incluído pela 
Emenda Constitucional nº 19, de 1998) [4]
II - a sujeição ao regime jurídico próprio das empresas privadas, inclusive quanto aos direitos e 
obrigações civis, comerciais, trabalhistas e tributários;
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc19.htm#art22
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc19.htm#art22
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc19.htm#art22
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc19.htm#art22
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc19.htm#art22
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc19.htm#art22
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc19.htm#art22
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc19.htm#art22
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc19.htm#art22
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc19.htm#art22
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc19.htm#art22
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc19.htm#art22
6. Bens Públicos
6. Bens Públicos 18/44
Assim, se privados os bens das empresas estatais, a eles não se aplica o regime jurídico relativo 
aos bens públicos. Encontramos, inclusive, julgados no Supremo Tribunal Federal neste sentido:
EMENTA: CONSTITUCIONAL. ATO DO TCU QUE DETERMINA TOMADA DE CONTAS 
ESPECIAL DE EMPREGADO DO BANCO DO BRASIL - DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E 
VALORES MOBILIÁRIOS S.A., SUBSIDIÁRIA DO BANCO DO BRASIL, PARA APURAÇÃO DE 
"PREJUÍZO CAUSADO EM DECORRÊNCIA DE OPERAÇÕES REALIZADAS NO MERCADO 
FUTURO DE ÍNDICES BOVESPA". ALEGADA INCOMPATIBILIDADE DESSE PROCEDIMENTO 
COM O REGIME JURÍDICO DA CLT, REGIME AO QUAL ESTÃO SUBMETIDOS OS 
EMPREGADOS DO BANCO. O PREJUÍZO AO ERÁRIO SERIA INDIRETO, ATINGINDO 
PRIMEIRO OS ACIONISTAS. O TCU NÃO TEM COMPETÊNCIA PARA JULGAR AS CONTAS 
DOS ADMINISTRADORES DE ENTIDADES DE DIREITO PRIVADO. A PARTICIPAÇÃO 
MAJORITÁRIA DO ESTADO NA COMPOSIÇÃO DO CAPITAL NÃO TRANSMUDA SEUS BENS 
EM PÚBLICOS. OS BENS E VALORES QUESTIONADOS NÃO SÃO OS DA ADMINISTRAÇÃO 
PÚBLICA, MAS OS GERIDOS CONSIDERANDO-SE A ATIVIDADE BANCÁRIA POR 
DEPÓSITOS DE TERCEIROS E ADMINISTRADOS PELO BANCO COMERCIALMENTE. 
ATIVIDADE TIPICAMENTE PRIVADA, DESENVOLVIDA POR ENTIDADE CUJO CONTROLE 
ACIONÁRIO É DA UNIÃO. AUSÊNCIA DE LEGITIMIDADE AO IMPETRADO PARA EXIGIR 
INSTAURAÇÃO DE TOMADA DE CONTAS ESPECIAL AO IMPETRANTE. MANDADO DE 
SEGURANÇA DEFERIDO.
(MS 23875, Relator(a):  Min. CARLOS VELLOSO, Relator(a) p/ Acórdão:  Min. NELSON JOBIM, 
Tribunal Pleno, julgado em 07/03/2003, DJ 30-04-2004 PP-00034 EMENT VOL-02149-07 PP-
01270 RTJ VOL-00191-03 PP-00887) (grifo nosso).
Contudo, tem sido recorrente encontrarmos no Supremo Tribunal Federal decisões que 
aplicam a determinados prestadores de serviço público a impenhorabilidade de seus bens 
enquanto afetados à prestação destes. Neste sentido:
O recorrente foi denunciado perante a Justiça comum estadual pela prática de receptação 
dolosa de uma balança de precisão furtada da Empresa de Correios e Telégrafos (ECT). (...) 
Primeiro, note-se que as empresas estatais (empresas públicas e sociedades de economia 
mista) são dotadas de personalidade jurídica de direito privado, mas possuem regime híbrido, a 
depender da finalidade da estatal: se presta serviço público ou explora a atividade econômica, 
predominará o regime público ou o privado. É certo que a ECT é empresa pública, pessoa 
jurídica de direito privado, prestadora de serviço postal, que, conforme o art. 21, X, da 
6. Bens Públicos
6. Bens Públicos 19/44
CF/1988, é de natureza pública e essencial, encontrando-se aquela empresa, por isso, sob 
o domínio do regime público. Ela é mantida pela União e seus bens pertencem a essa 
mantenedora, consubstanciam propriedade pública e estão integrados à prestação de serviço 
público. Daí que eles são insusceptíveis de qualquer constrição que afete a continuidade, 
regularidade e qualidade da prestação do serviço. Nesse contexto, vê-se que é plenamente 
justificada a tutela a bens, serviços e interesses da União diante do furto de bem pertencente à 
ECT, razão pela qual se atraiu a competência da Justiça Federal (art. 109, IV, da CF/1988), vista 
a conexão entre o furto (principal) e a receptação em questão (acessório). Também se acha 
albergada nessa tutela a incidência da referida majorante, não se podendo falar que foi dada, 
no caso, uma interpretação extensiva desfavorável ao conceito de bens da União. (...) 
Precedentes citados do STF: AgRg no RE 393.032-MG, DJe 18/12/2009; RE 398.630-SP, DJ 
17/9/2004, e QO na ACO 765-RJ, DJe 4/9/2009.  REsp 894.730-RS, Rel. originária Min. 
LauritaVaz, Rel. para acórdão Min. Arnaldo Esteves Lima, julgado em 17/6/2010. (grifo 
nosso)
Além disso, encontramos na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal uma tendência a se 
aplicar algumas prerrogativas de direito público às empresas estatais que prestam serviços 
públicos em regime não concorrencial. Apenas para se ter uma ideia, tanto o Superior Tribunal 
de Justiça quanto o Supremo Tribunal Federal entenderam que a Empresa Brasileira de 
Correios e Telégrafos (ECT), em que pese ser constituída sob a forma de empresa pública, está 
abrangida dentro do conceito de Fazenda Pública.
É que, por prestar de forma exclusiva serviço público de competência da União (art. 21, X, CF) [5]
, não desempenha a ECT atividade econômica, segundo entenderam os julgadores. Assim, os 
Correios estariam incluídos no conceito de Fazenda Pública, gozando de todos os benefícios e 
prerrogativas processuais inerentes, conforme sedimentou o STF:
2. O Pleno do Supremo Tribunal Federal declarou, quando do julgamento do RE 220.906, 
Relator o Ministro MAURÍCIO CORRÊA, DJ 14.11.2002, à vista do disposto no artigo 6o do 
decreto-lei nº 509/69, que a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos é "pessoa jurídica 
equiparada à Fazenda Pública, que explora serviço de competência da União".(CF, artigo 
21, X) (STF - ACO: 765 RJ, Relator: Min. MARCO AURÉLIO, Data de Julgamento: 
01/06/2005,Tribunal Pleno, Data de Publicação: DJe-211 DIVULG 06-11-2008 PUBLIC 07-11-
2008 )
Ainda é cedo para se afirmar que toda e qualquer empresa estatal que preste serviço público 
em regime não concorrencial deve ser considerada como ente integrante da Fazenda Pública 
e, portanto, ter seus bens submetidos a tal regime jurídico. Contudo, é cada vez mais comum o 
deferimento de benefícios aplicáveis apenas às pessoas jurídicas de direito público também a 
empresas estatais.
6. Bens Públicos
6. Bens Públicos 20/44
Questão 2012 | 4000002218
Sobre os bens públicos é correto a�rmar que
A) os bens de uso especial são passíveis de usucapião.
B) os bens de uso comum são passíveis de usucapião.
C)
os bens de empresas públicas que desenvolvem atividades econômicas que não estejam
afetados a prestação de serviços públicos são passíveis de usucapião.
D)
nenhum bem que pertença à pessoa jurídica integrante da administração pública indireta
é passível de usucapião.
Solução
Gabarito: C)
os bens de empresas públicas que desenvolvem atividades econômicas que
não estejam afetados a prestação de serviços públicos são passíveis de
usucapião.
A questão trata do regime jurídico dos bens públicos de forma bastante objetiva.
Os bens públicos subordinam-se a regime jurídico distinto daquele aplicável aos bens
privados em geral. Em resumo, as principais características dos bens públicos são:
alienação condicionada, impenhorabilidade, imprescritibilidade e não onerabilidade.
A título de exemplo, analisando o caso concreto referente à Companhia de Águas do Estado de 
Alagoas, o Supremo Tribunal Federal entendeu ser possível a sujeição das execuções desta ao 
regime de precatórios. Em decisão divulgada no Informativo 812, o STF entendeu que às 
sociedades de economia mista prestadoras de serviço público próprio do Estado e de natureza 
não concorrencial devem ser aplicadas o regime de precatórios. Neste sentido:
EMENTA Agravo regimental no recurso extraordinário. Constitucional. Sociedade de economia 
mista. Regime de precatório. Possibilidade. Prestação de serviço público próprio do Estado. 
Natureza não concorrencial. Precedentes. 1. A jurisprudência da Suprema Corte é no sentido 
da aplicabilidade do regime de precatório às sociedades de economia mista prestadoras 
de serviço público próprio do Estado e de natureza não concorrencial. 2. A CASAL, 
sociedade de economia mista prestadora de serviços de abastecimento de água e saneamento 
no Estado do Alagoas, presta serviço público primário e em regime de exclusividade, o qual 
corresponde à própria atuação do estado, haja vista não visar à obtenção de lucro e deter 
capital social majoritariamente estatal. Precedentes. 3. Agravo regimental não provido.
(RE 852302 AgR, Relator(a):  Min. DIAS TOFFOLI, Segunda Turma, julgado em 15/12/2015, 
PROCESSO ELETRÔNICO DJe-037 DIVULG 26-02-2016 PUBLIC 29-02-2016)
6. Bens Públicos
6. Bens Públicos 21/44
Em relação à imprescritibilidade, os bens públicos não podem ser adquiridos por
usucapião, na forma dos arts. 183, §3º, e 191, parágrafo único, da Constituição Federal,
bem como art. 102 do CC/2002. Não há nenhuma exceção a essa regra.
CF/88
Art. 183. Aquele que possuir como sua área urbana de até duzentos e cinqüenta metros
quadrados, por cinco anos, ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para sua
moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio, desde que não seja proprietário de
outro imóvel urbano ou rural. (Regulamento)
§ 1º O título de domínio e a concessão de uso serão conferidos ao homem ou à mulher, ou a
ambos, independentemente do estado civil.
§ 2º Esse direito não será reconhecido ao mesmo possuidor mais de uma vez.
§ 3º Os imóveis públicos não serão adquiridos por usucapião.
CC/2002
Art. 102. Os bens públicos não estão sujeitos a usucapião.
No mesmo sentido, a Súmula 340 do STF dispõe: “desde a vigência do Código Civil, os
bens dominicais, como os demais bens públicos, não podem ser adquiridos por
usucapião”.
Ademais, a Súmula 619 do STJ também disciplina que “a ocupação indevida de bem
público con�gura mera detenção, de natureza precária, insuscetível de retenção ou
indenização por acessões e benfeitorias”.
Contudo, os bens públicos, na forma do art. 98 do CC/2002, são aqueles integrantes do
patrimônio das pessoas jurídicas de direito público interno, ou seja, da União, Estados,
Distrito Federal, Municípios, autarquias e fundações estatais de direito público.
Assim, o patrimônio das empresas estatais, pessoas jurídicas de direito privado, é
constituído por bens privados, na forma do art. 98 do CC, de modo que o regime jurídico
aplicável aos seus bens é predominantemente privado, sofrendo determinadas
modulações de direito público, especialmente no tocante à sua alienação e, no caso das
estatais prestadoras de serviços públicos, à vedação de penhora de bens necessários à
continuidade dos serviços.
Portanto, os bens privados das empresas estatais podem ser adquiridos por usucapião,
não sendo aplicável a imprescritibilidade típica dos bens públicos.
A letra A está incorreta. INCORRETA.
6. Bens Públicos
6. Bens Públicos 22/44
Os bens públicos não podem ser adquiridos por usucapião, na forma dos arts. 183, §3º, e 191,
parágrafo único, da Constituição Federal, bem como art. 102 do CC/2002. Não há nenhuma
exceção a essa regra.
A letra B está incorreta. INCORRETA.
Os bens públicos não podem ser adquiridos por usucapião, na forma dos arts. 183, §3º, e 191,
parágrafo único, da Constituição Federal, bem como art. 102 do CC/2002. Não há nenhuma
exceção a essa regra.
A letra C está correta. CORRETA.
O patrimônio das empresas estatais, pessoas jurídicas de direito privado, é constituído por
bens privados, na forma do art. 98 do CC, de modo que os bens privados das empresas
estatais podem ser adquiridos por usucapião, não sendo aplicável a imprescritibilidade típica
dos bens públicos.
A letra D está incorreta. INCORRETA.
Os bens privados das empresas estatais podem ser adquiridos por usucapião, não sendo
aplicável a imprescritibilidade típica dos bens públicos.
Principais Bens Públicos em espécie
 Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI.
A Constituição Federal prevê em seu artigo 20 bens de titularidade da União e em seu artigo 
26 bens de titularidade dos Estados.
Este tema costuma ser cobrado em provas com a “letra fria” da norma. Por isso, iremos 
apenas transcrever os dispositivos e após mostraremos a forma de cobrança.
Vamos ao texto da Constituição quanto aos bens da União:
6. Bens Públicos
6. Bens Públicos 23/44
Art. 20. São bens da União:
I - os que atualmente lhe pertencem e os que lhe vierema ser atribuídos;
II - as terras devolutas indispensáveis à defesa das fronteiras, das fortificações e construções 
militares, das vias federais de comunicação e à preservação ambiental, definidas em lei;
III - os lagos, rios e quaisquer correntes de água em terrenos de seu domínio, ou que banhem 
mais de um Estado, sirvam de limites com outros países, ou se estendam a território estrangeiro 
ou dele provenham, bem como os terrenos marginais e as praias fluviais;
IV as ilhas fluviais e lacustres nas zonas limítrofes com outros países; as praias marítimas; as 
ilhas oceânicas e as costeiras, excluídas, destas, as que contenham a sede de Municípios, 
exceto aquelas áreas afetadas ao serviço público e a unidade ambiental federal, e as referidas 
no art. 26, II; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 46, de 2005) [6]
V - os recursos naturais da plataforma continental e da zona econômica exclusiva;
VI - o mar territorial;
VII - os terrenos de marinha e seus acrescidos;
VIII - os potenciais de energia hidráulica;
IX - os recursos minerais, inclusive os do subsolo;
X - as cavidades naturais subterrâneas e os sítios arqueológicos e pré-históricos;
XI - as terras tradicionalmente ocupadas pelos índios.
§ 1º É assegurada, nos termos da lei, à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios 
a participação no resultado da exploração de petróleo ou gás natural, de recursos hídricos para 
fins de geração de energia elétrica e de outros recursos minerais no respectivo território, 
plataforma continental, mar territorial ou zona econômica exclusiva, ou compensação 
financeira por essa exploração.                (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 102, de 
2019).
§ 2º A faixa de até cento e cinquenta quilômetros de largura, ao longo das fronteiras terrestres, 
designada como faixa de fronteira, é considerada fundamental para defesa do território 
nacional, e sua ocupação e utilização serão reguladas em lei.
Quanto ao texto, destaque-se:
a)  As terras devolutas indispensáveis à defesa das fronteiras, das fortificações e construções 
militares, das vias federais de comunicação e à preservação ambiental são bens da União. As 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc46.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc46.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc46.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc46.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc46.htm#art1
6. Bens Públicos
6. Bens Públicos 24/44
demais, são bens dos Estados. Não há previsão de terras devolutas de propriedade dos 
Municípios.
b) Os terrenos de Marinha pertencem à União por questões de segurança nacional. Exatamente 
por isto, o STJ pacificou que:
Súmula 496 – STJ - Os registros de propriedade particular de imóveis situados em terrenos 
de marinha não são oponíveis à União.
c) As terras tradicionalmente ocupadas pelos índios são bens da União e, assim como os 
parques nacionais possuem destinação específica, sendo considerados bens de uso especial. 
Quanto aos Estados:
Art. 26. Incluem-se entre os bens dos Estados:
I - as águas superficiais ou subterrâneas, fluentes, emergentes e em depósito, ressalvadas, 
neste caso, na forma da lei, as decorrentes de obras da União;
II - as áreas, nas ilhas oceânicas e costeiras, que estiverem no seu domínio, excluídas aquelas 
sob domínio da União, Municípios ou terceiros;
III - as ilhas fluviais e lacustres não pertencentes à União;
IV - as terras devolutas não compreendidas entre as da União.
Destacamos que as águas públicas pertencem aos estados-membros, exceto se estiverem em 
terrenos da União, se banharem mais de um Estado, se fizerem limites com outros países ou se 
estenderem a território estrangeiro ou dele provierem (hipóteses em que pertencerão à União).
 Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI.
Utilização de Bens Públicos por particulares
A Administração pode outorgar a determinados particulares o uso privativo dos bens públicos, 
independente da categoria a que pertençam. Para Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo (2015, 
pg. 1045):
6. Bens Públicos
6. Bens Públicos 25/44
Questão 2012 | 4000002228
A autorização de uso de bem público por particular caracteriza-se como ato
administrativo
A)
discricionário e bilateral, ensejando indenização ao particular no caso de revogação pela
administração.
Essa outorga, que exige sempre um instrumento formal, está sujeita ao juízo de oportunidade e 
conveniência exclusivo da própria administração e pode ser feita mediante remuneração pelo 
particular, ou não.
Trata-se de interpretação do artigo 103, do Código Civil:
Art. 103. O uso comum dos bens públicos pode ser gratuito ou retribuído, conforme for 
estabelecido legalmente pela entidade a cuja administração pertencerem.
Os principais instrumentos utilizados pela administração são:
Autorização de uso de bem público
Segundo José dos Santos Carvalho Filho (2016, pg. 1214):
Autorização de uso é o ato administrativo pelo qual o Poder Público consente que determinado 
indivíduo utilize bem público de modo privativo, atendendo primordialmente a seu próprio 
interesse.
Trata-se de ato discricionário e precário onde a Administração consente que o particular utilize 
um bem público segundo seu interesse. O ato não exige prévia licitação e pode ser revogável a 
qualquer tempo sem necessidade de indenização.
6. Bens Públicos
6. Bens Públicos 26/44
B)
unilateral, discricionário e precário, para atender interesse predominantemente
particular.
C)
bilateral e vinculado, efetivado mediante a celebração de um contrato com a
administração pública, de forma a atender interesse eminentemente público.
D)
discricionário e unilateral, empregado para atender a interesse predominantemente
público, formalizado após a realização de licitação.
Solução
Gabarito: B)
unilateral, discricionário e precário, para atender interesse
predominantemente particular.
A questão exige o conhecimento acerca da autorização de uso de bem público.
A autorização de uso de bem público representa ato administrativo, discricionário e
precário, editado pelo Poder Público para consentir que determinada pessoa utilize
privativamente bem público.
Tal ato depende da avaliação de conveniência e oportunidade do Poder Público,
inexistindo direito subjetivo do particular na hipótese. Ademais, o ato é precário e pode
ser revogado a qualquer momento, independentemente de indenização. Por �m, a
autorização de uso possui outras características, a saber: pode ser onerosa ou gratuita,
independe de autorização legislativa e pode recair sobre bens móveis ou imóveis.
A letra A está incorreta. INCORRETA.
A autorização de uso de bem público representa ato administrativo, discricionário e
precário, editado pelo Poder Público para consentir que determinada pessoa utilize
privativamente bem público.
A letra B está correta. CORRETA.
A autorização de uso de bem público representa ato administrativo, discricionário e
precário, editado pelo Poder Público para consentir que determinada pessoa utilize
privativamente bem público.
A letra C está incorreta. INCORRETA.
A autorização de uso de bem público representa ato administrativo, discricionário e
precário, editado pelo Poder Público para consentir que determinada pessoa utilize
privativamente bem público.
A letra D está incorreta. INCORRETA.
6. Bens Públicos
6. Bens Públicos 27/44
A autorização de uso de bem público representa ato administrativo, discricionário e
precário, editado pelo Poder Público para consentir que determinada pessoa utilize
privativamente bem público.
São, pois, características da autorização de uso de bem público:
A principal característica da autorização é o predomínio do interesse do particular, cabendo-lhe 
– segundo seu interesse – utilizar ou não o bem autorizado. 
Exemplo: Fechamento de uma rua para organização de uma festa pela associação de 
moradores de um bairroe, para todos, inclusive as entidades paraestatais, 
dependerá de avaliação prévia e de licitação na modalidade de concorrência, dispensada esta 
nos seguintes casos:
(...)
i) alienação e concessão de direito real de uso, gratuita ou onerosa, de terras públicas rurais da 
União e do Incra, onde incidam ocupações até o limite de que trata o § 1o do art. 6o da Lei no 
11.952, de 25 de junho de 2009, para fins de regularização fundiária, atendidos os requisitos 
legais; e 
Concessão de Uso Especial para Fins de Moradia – Estatuto da Cidade
O Estatuto da Cidade (Lei 10.257/2001) previu a utilização de concessão de uso especial para 
fins de moradia como forma de regularizar a propriedade urbana nos Municípios.
Art. 4º Para os fins desta Lei, serão utilizados, entre outros instrumentos:
6. Bens Públicos
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V – institutos jurídicos e políticos:
h) concessão de uso especial para fins de moradia;
Trata-se de dispositivo já previsto no artigo 183 da Constituição Federal. Contudo, os 
dispositivos relativos ao tema do Estatuto das Cidades foram vetados, sendo hoje a matéria 
regulada pela MP 2.220/2001 com as recentes alterações da Lei 13.465/2017.
De acordo com o artigo 183, da Constituição Federal a usucapião pró-moradia é devido em 
favor de quem possuir como sua por cinco anos ininterruptos e sem oposição, área de até 
250m². Todavia, o possuidor não pode ser proprietário de outro imóvel urbano ou rural e deve 
utilizar o referido bem para sua moradia ou de sua família.
Art. 183. Aquele que possuir como sua área urbana de até duzentos e cinquenta metros 
quadrados, por cinco anos, ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para sua moradia ou 
de sua família, adquirir-lhe-á o domínio, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano 
ou rural.
§ 1º O título de domínio e a concessão de uso serão conferidos ao homem ou à mulher, ou a 
ambos, independentemente do estado civil.
§ 2º Esse direito não será reconhecido ao mesmo possuidor mais de uma vez.
Tal direito não se aplica, naturalmente, aos imóveis públicos, nos termos do parágrafo 3º:
§ 3º Os imóveis públicos não serão adquiridos por usucapião.
Mas professor, se a questão da regularização fundiária é tão importante, o que fazer 
quando pessoas de ocupam imóveis públicos?
6. Bens Públicos
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O legislador não ficou omisso quanto à realidade social brasileira que inclui a existência de 
diversas ocupações irregulares, inclusive, em imóveis públicos. Mas se a Constituição Federal 
veda a aquisição destes imóveis por usucapião, como proceder à regularização fundiária?
A Medida Provisória 2.220/2001 (recentemente alterada quanto às datas pela MP 759/2016 
convertida na Lei 13.465/2017) criou o instituto denominado de Concessão de Uso Especial 
para fins de moradia.
Segundo o artigo 1º:
Art. 1º Aquele que, até 22 de dezembro de 2016, possuiu como seu, por cinco anos, 
ininterruptamente e sem oposição, até duzentos e cinquenta metros quadrados de imóvel 
público situado em área com características e finalidade urbana, e que o utilize para sua 
moradia ou de sua família, tem o direito à concessão de uso especial para fins de moradia em 
relação ao bem objeto da posse, desde que não seja proprietário ou concessionário, a qualquer 
título, de outro imóvel urbano ou rural.
§ 1º A concessão de uso especial para fins de moradia será conferida de forma gratuita ao 
homem ou à mulher, ou a ambos, independentemente do estado civil.
§ 2º O direito de que trata este artigo não será reconhecido ao mesmo concessionário mais de 
uma vez.
§ 3º Para os efeitos deste artigo, o herdeiro legítimo continua, de pleno direito, na posse de seu 
antecessor, desde que já resida no imóvel por ocasião da abertura da sucessão.
Assim, a pessoa que detiver - até 22 de dezembro de 2016 - a posse mansa, pacífica e 
ininterrupta de imóvel público urbano de até duzentos e cinquenta metros quadrados por cinco 
anos e que o utilize par sua moradia ou de sua família, terá o direito à concessão de uso 
especial para sua moradia.
Contudo, não poderá tal pessoa ser concessionário ou proprietário a qualquer título de outro 
imóvel urbano ou rural.
Percebam que os requisitos para a concessão de uso especial para fins urbanísticos são bem 
parecidos com os requisitos da usucapião pró moradia e tem cabimento exatamente em razão 
de os imóveis públicos não poderem se adquiridos por usucapião.
Referida concessão será gratuita e não será reconhecida ao mesmo cessionário por mais de 
uma vez. Além disso, o herdeiro legítimo do posseiro, desde que resida no imóvel por ocasião 
da abertura da sucessão, poderá continuar de pleno direito na posse de seu antecessor.
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E se a posse no imóvel público for uma ocupação coletiva de várias famílias?
A Medida Provisória também previu esta situação e estabeleceu a possibilidade da concessão 
de uso especial para fins urbanísticos coletiva. Ainda que os imóveis tenham mais de duzentos 
e cinquenta metros quadrados, se a ocupação for coletiva e não for possível identificar a 
individualização dos terrenos, será possível a concessão para fins urbanísticos de forma coletiva.
Art. 2º Nos imóveis de que trata o art. 1º, com mais de duzentos e cinquenta metros 
quadrados, ocupados até 22 de dezembro de 2016, por população de baixa renda para sua 
moradia, por cinco anos, ininterruptamente e sem oposição, onde não for possível identificar os 
terrenos ocupados por possuidor, a concessão de uso especial para fins de moradia será 
conferida de forma coletiva, desde que os possuidores não sejam proprietários ou 
concessionários, a qualquer título, de outro imóvel urbano ou rural.
Igualmente o limite temporal estabelecido foi o dia 22 de dezembro de 2016 e o parágrafo 1º 
ainda estabeleceu a possibilidade de somar a posse do atual possuidor com a de seu antecessor:
§ 1º O possuidor pode, para o fim de contar o prazo exigido por este artigo, acrescentar sua 
posse à de seu antecessor, contanto que ambas sejam contínuas.
E como fica o cálculo da parcela de cada possuidor?
De acordo com os parágrafos 2º e 3º, do artigo 2º, a cada possuidor será atribuída uma fração 
ideal, independentemente do tamanho da área que efetivamente ocupa, a não ser que haja um 
acordo escrito entre os ocupantes onde se discrimina frações ideais diferenciadas.
Contudo, a fração ideal de cada possuidor não poderá ser superior a duzentos e cinquenta 
metros quadrados.
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§ 2º Na concessão de uso especial de que trata este artigo, será atribuída igual fração ideal de 
terreno a cada possuidor, independentemente da dimensão do terreno que cada um ocupe, 
salvo hipótese de acordo escrito entre os ocupantes, estabelecendo frações ideais 
diferenciadas.
§ 3º A fração ideal atribuída a cada possuidor não poderá ser superior a duzentos e cinquenta 
metros quadrados.
Por fim, tais direitos dos artigos 1º e 2º também serão garantidos aos ocupantes regularmente 
inscritos de imóveis públicos com até duzentos e cinquenta metros quadrados e que estejam 
situados em área urbana, quanto a imóveis da União, Estados, DF e Municípios (artigo 3º).
E se o imóvel ocupado pelas famílias estiver localizado em uma área de risco?
Neste caso, caberá ao Poder Público garantir o direito à concessão de uso especial para fins 
urbanísticos em local diverso:
Art. 4º No caso de a ocupação acarretar risco à vida ou à saúde dos ocupantes, o Poder 
Público garantirá ao possuidor o exercício do direito de que tratam os arts. 1º e 2º em outro 
local.
Além disso, poderá o Poder Público também escolher local diverso quando o imóvel ocupado 
for (artigo 5º):
I - de uso comum do povo;
II - destinado a projeto de urbanização;
III - de interesse da defesa nacional, da preservação ambiental e da proteção dos ecossistemas 
naturais;
IV - reservado à construção de represas e obras congêneres; ou
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V - situado em via de comunicação.E qual o procedimento para se obter o título de concessão?
O título de concessão poderá ser obtido pela via administrativa perante o órgão competente da 
Administração Pública que terá o prazo de doze meses para decidir o pedido, a contar da data 
de seu protocolo.
E, se o imóvel for pertencente ao Estado ou à União, caberá ao interessado instruir o pedido 
com certidão municipal que ateste a localização do imóvel em área urbana e a sua destinação 
para moradia do ocupante ou de sua família.
Acaso recusado o pedido administrativo ou ainda em caso de omissão do Poder Público, será 
cabível a via judicial para regularizar a propriedade. Neste caso, a concessão de uso especial 
para fins de moradia será declarada pelo juiz mediante sentença.
Destaque-se a questão do registro:
§ 4º O título conferido por via administrativa ou por sentença judicial servirá para efeito de 
registro no cartório de registro de imóveis.
Reconhecido o direito à concessão de uso especial para fins urbanísticos, poderá o 
concessionário transferir seu direito?
Sim. Esta a disposição expressa do artigo 7º, da MP 2.220/2001:
Art. 7º O direito de concessão de uso especial para fins de moradia é transferível por ato inter 
vivos ou causa mortis.
E como funciona a extinção do direito à concessão?
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O direito à concessão de uso especial para fins de moradia extingue-se em caso de o 
concessionário dar ao imóvel destinação diversa da moradia para si ou de sua família. Além 
disso, o direito também será extinto acaso o concessionário venha a adquirir a propriedade ou a 
concessão de outro imóvel urbano ou rural.
A extinção de tal direito será averbada no correspondente cartório de registro de imóveis, por 
meio de declaração do Poder Público concedente.
Autorização de Uso na MP 2.220/2001
Por fim, destacamos os artigos 9º e 10º da Medida Provisória em epígrafe que estabelecem a 
autorização de uso em caso de imóveis comerciais e as definições do Conselho Nacional de 
Desenvolvimento Urbano. De acordo com o artigo 9º:
Art. 9º É facultado ao poder público competente conceder autorização de uso àquele que, até 
22 de dezembro de 2016, possuiu como seu, por cinco anos, ininterruptamente e sem 
oposição, até duzentos e cinquenta metros quadrados de imóvel público situado em área com 
características e finalidade urbanas para fins comerciais. (Redação dada pela lei nº 13.465, 
de 2017)
§ 1º A autorização de uso de que trata este artigo será conferida de forma gratuita.
§ 2º O possuidor pode, para o fim de contar o prazo exigido por este artigo, acrescentar sua 
posse à de seu antecessor, contanto que ambas sejam contínuas.
§ 3º Aplica-se à autorização de uso prevista no caput deste artigo, no que couber, o disposto 
nos arts. 4º e 5º desta Medida Provisória.
Perceba, que esta autorização – ato mais precário que a concessão – ocorre quanto aos 
imóveis públicos que possuam fins comerciais (e não de moradia) e será conferida de forma 
gratuita.
O prazo do possuidor pode ser acrescido ao de seus antecessores, para fins de contagem dos 
cinco anos e a poderá ser concedida em terreno diverso acaso ocorram algumas das hipóteses 
dos artigos 4º e 5º (área de risco ou áreas de interesse público. Rememorando:
Art. 4º No caso de a ocupação acarretar risco à vida ou à saúde dos ocupantes, o Poder 
Público garantirá ao possuidor o exercício do direito de que tratam os arts. 1o e 2o em outro 
local.
6. Bens Públicos
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Art. 5º É facultado ao Poder Público assegurar o exercício do direito de que tratam os arts. 1º e 
2º em outro local na hipótese de ocupação de imóvel:
I - de uso comum do povo;
II - destinado a projeto de urbanização;
III - de interesse da defesa nacional, da preservação ambiental e da proteção dos ecossistemas 
naturais;
IV - reservado à construção de represas e obras congêneres; ou
V - situado em via de comunicação.
Conselho Nacional de Desenvolvimento Urbano
A MP 2.220/2001 também criou o Conselho Nacional de Desenvolvimento Urbano, órgão 
consultivo e deliberativo, integrante da Presidência da República, com as seguintes atribuições:
I - propor diretrizes, instrumentos, normas e prioridades da política nacional de 
desenvolvimento urbano;
II - acompanhar e avaliar a implementação da política nacional de desenvolvimento urbano, em 
especial as políticas de habitação, de saneamento básico e de transportes urbanos, e 
recomendar as providências necessárias ao cumprimento de seus objetivos;
III - propor a edição de normas gerais de direito urbanístico e manifestar-se sobre propostas de 
alteração da legislação pertinente ao desenvolvimento urbano;
IV - emitir orientações e recomendações sobre a aplicação da Lei no 10.257, de 10 de julho de 
2001, e dos demais atos normativos relacionados ao desenvolvimento urbano;
V - promover a cooperação entre os governos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos 
Municípios e a sociedade civil na formulação e execução da política nacional de 
desenvolvimento urbano; e
VI - elaborar o regimento interno.
Cabe-nos, por segurança, conhecer a estrutura do CNDU disposta nos artigos 11 e seguintes da 
referida MP:
6. Bens Públicos
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Benfeitoria em Bem Público irregularmente ocupado
Art. 11. O CNDU é composto por seu Presidente, pelo Plenário e por uma Secretaria-Executiva, 
cujas atribuições serão definidas em decreto.
Parágrafo único. O CNDU poderá instituir comitês técnicos de assessoramento, na forma do 
regimento interno.
Art. 12. O Presidente da República disporá sobre a estrutura do CNDU, a composição do seu 
Plenário e a designação dos membros e suplentes do Conselho e dos seus comitês técnicos.
Art. 13. A participação no CNDU e nos comitês técnicos não será remunerada.
Art. 14. As funções de membro do CNDU e dos comitês técnicos serão consideradas prestação 
de relevante interesse público e a ausência ao trabalho delas decorrente será abonada e 
computada como jornada efetiva de trabalho, para todos os efeitos legais.
Cessão de Uso
A cessão de uso é (MARINELA, 2017, pg. 911):
a utilização especial em que o Poder Público permite, de forma gratuita, o uso de bem público 
por órgão da mesma pessoa ou de pessoa diversa, com o propósito de desenvolver atividades 
benéficas para a coletividade, com fundamento na cooperação entre as entidades públicas e 
privadas.
Para José dos Santos Carvalho Filho, a grande diferença entre esta cessão e as demais formas 
de utilização dos bens públicos até agora vistas, fundamenta-se no benefício coletivo 
decorrente da atividade desempenhada pelo cessionário. 
O mais comum é que a Administração ceda bens entre órgãos da mesma pessoa (Secretaria de 
Justiça cede prédio para a Secretaria de Administração do mesmo Estado), mas pode ocorrer a 
cessão entre órgãos de entidades públicas diversas ou para pessoas privadas que 
desempenhem finalidades não lucrativas (2015, pg. 1.228).
 Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI.
6. Bens Públicos
6. Bens Públicos 41/44
De acordo com o artigo 1.219 do Código Civil, o possuidor de boa-fé tem direito à indenização 
das benfeitorias necessárias e úteis, restando consolidado o entendimento pelo STJ que tal 
direito de retenção abrange também as acessões (construções e plantações) nas mesmas 
circunstâncias.
Art. 1.219. O possuidor de boa-fé tem direito à indenização das benfeitorias necessárias e úteis, 
bem como, quanto às voluptuárias, se não lhe forem pagas, a levantá-las, quando o puder sem 
detrimento da coisa, e poderá exercer o direito de retenção pelo valor das benfeitorias 
necessárias e úteis.
Ocorre que, para o STJ, nos casos em que o bem público foi ocupado irregularmente, a pessoa 
não tem direito de ser indenizada pelas acessões feitas, assim como não tem direito à retenção 
pelas benfeitorias realizadas, mesmo que fique provado que a pessoa estava de boa-fé.
É que a ocupação irregular de bem público não pode ser classificada como posse, mas meradetenção, possuindo, portanto, natureza precária.
Segundo consolidou o STJ, a posse é o direito reconhecido a quem se comporta como 
proprietário, não havendo como reconhecer a posse a quem, por proibição legal, não possa ser 
proprietário. Assim, a ocupação de área pública, quando irregular, não pode ser reconhecida 
como posse, mas como mera detenção.
Ademais, eventual inércia ou omissão da Administração não tem o efeito de afastar ou distorcer 
a aplicação da lei. O imóvel público é indisponível, de modo que eventual omissão dos 
governos implica responsabilidade de seus agentes, nunca vantagem de indivíduos às custas da 
coletividade.
Por fim, não se pode afirmar que tal ato configurará enriquecimento sem causa da 
Administração, eis que esta provavelmente terá um custo para demolir a construção feita ou, 
no máximo regularizá-la para adequá-la à legislação vigente, dada a provável inutilidade do 
imóvel, sendo incoerente tal afirmação.
Neste sentido:
Súmula 619 - STJ - A ocupação indevida de bem público configura mera detenção, de natureza 
precária, insuscetível de retenção ou indenização por acessões e benfeitorias.
6. Bens Públicos
6. Bens Públicos 42/44
Questão 2021 | 4000005340
Há muitos anos, Bruno invadiu sorrateiramente uma terra devoluta indispensável à defesa
de fronteira, que já havia sido devidamente discriminada. Como não houve oposição,
Bruno construiu uma casa, na qual passou a residir com sua família, além de usar o
terreno subjacente para a agricultura de subsistência. A União, muitos anos depois do
início da utilização do bem por Bruno, promoveu a sua noti�cação para desocupar o
imóvel, em decorrência de sua �nalidade de interesse público.
Na qualidade de advogado(a) consultado(a) por Bruno, assinale a a�rmativa correta.
A)
Bruno terá que desocupar o bem em questão e não terá direito à indenização pelas
acessões e benfeitorias realizadas, pois era mero detentor do bem da União.
B)
A União não poderia ter noti�cado Bruno para desocupar bem que não lhe pertence, na
medida em que todas as terras devolutas são de propriedade dos estados em que se
situam.
C)
Bruno pode invocar o direito fundamental à moradia para reter o bem em questão, até
que a União efetue o pagamento pelas acessões e benfeitorias realizadas.
D)
Caso Bruno preencha os requisitos da usucapião extraordinária, não precisará desocupar
o imóvel da União.
Solução
Gabarito: A)
Bruno terá que desocupar o bem em questão e não terá direito à indenização
pelas acessões e benfeitorias realizadas, pois era mero detentor do bem da
União.
Análise do Caso
A questão aborda o regime jurídico dos bens públicos, especialmente uma hipótese de
ocupação de bem público pertencente à União, vale dizer, terra devoluta indispensável à
defesa de fronteiras. É como dispõe o art. 20, II, CF/88:
Art. 20. São bens da União:
(...)
II - as terras devolutas indispensáveis à defesa das fronteiras, das forti�cações e
construções militares, das vias federais de comunicação e à preservação ambiental,
de�nidas em lei;
Os bens públicos não são passíveis de usucapião, conforme disposto nos arts. 183, §3º, e
191, parágrafo único, ambos da Constituição Federal de 1988:
6. Bens Públicos
6. Bens Públicos 43/44
Art. 183 (...)
§ 3º Os imóveis públicos não serão adquiridos por usucapião.
(...)
Art. 191 (...)
Parágrafo único. Os imóveis públicos não serão adquiridos por usucapião.
No mesmo sentido, o art. 102 do CC/2002:
Art. 102. Os bens públicos não estão sujeitos a usucapião.
Desse modo, poder-se-ia descartar a possibilidade de o particular vir a pleitear a
usucapião da área por ele ocupada, independentemente do prazo de que se estivesse a
tratar. A hipótese é de pedido juridicamente impossível, eis que encontra vedação
expressa no ordenamento jurídico pátrio.
Em relação à possibilidade de indenizar as benfeitorias e acessões promovidas no local, a
Súmula 619 do STJ, deixa claro que:
Súmula 619 do STJ: "A ocupação indevida de bem público con�gura mera detenção de
natureza precária insuscetível de retenção ou indenização por acessões e benfeitorias."
Portanto, o ocupante teria de deixar o imóvel, bem como não faria jus a nenhuma
indenização.
A letra A está correta. CORRETA.
Segundo a Súmula 619 do STJ, a ocupação indevida de bem público con�gura mera
detenção de natureza precária insuscetível de retenção ou indenização por acessões e
benfeitorias.
A letra B está incorreta. INCORRETA.
As terras devolutas indispensáveis à defesa de fronteiras são bens públicos pertencentes à
União, segundo o art. 20, II, CF/88.
A letra C está incorreta. INCORRETA.
Segundo a Súmula 619 do STJ, a ocupação indevida de bem público con�gura mera
detenção de natureza precária insuscetível de retenção ou indenização por acessões e
benfeitorias.
6. Bens Públicos
6. Bens Públicos 44/44
A letra D está incorreta. INCORRETA.
Consoante a Súmula 619 do STJ, a ocupação indevida de bem público con�gura mera
detenção de natureza precária insuscetível de retenção ou indenização por acessões e
benfeitorias.
Referências e links deste capítulo
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http://www.jusbrasil.com/legislacao/1027008/constitui%C3%A7%C3%A3o-da-republica-
federativa-do-brasil-1988
http://www.jusbrasil.com.br/busca?s=jurisprudencia&q=titulo:REsp%201.075.160/AL
http://www.jusbrasil.com.br/busca?s=jurisprudencia&q=titulo:REsp%201.075.160/AL
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc19.htm#art22
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc19.htm#art22
Art. 21. Compete à União: (...) X - manter o serviço postal e o correio aéreo nacional;
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc46.htm#art1
 Para ouvir ao áudio correspondente, acesse o LDI.

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