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APG – SOI V
S1P1 - CERVICALGIA
OBJETIVOS DE ESTUDO
- RELEMBRAR A ANATOMIA CERVICAL;
- ESTUDAR ETIOLOGIA, FATORES DE RISCO, FISIOPATOLOGIA, MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS,
DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO DA CERVICALGIA;
- ENTENDER COMO A TECNOLOGIA PODE DESENCADEAR PROBLEMAS ORTOPÉDICOS.
,
ANATOMIA CERVICAL
A coluna cervical forma a parte superior da coluna vertebral, localizada entre o crânio e a vértebra T1. Ela
forma a estrutura óssea do pescoço e é composta por 7 vértebras, cada uma nomeada de acordo com
sua posição, de C1-C7. Existem três vértebras atípicas na coluna cervical. A primeira e a segunda
vértebras cervicais são conhecidas como atlas (é considerado uma vértebra atípica por não ter corpo
vertebral ou processo espinhoso) e áxis, enquanto a sétima vértebra é chamada de vértebra
proeminente, devido ao seu processo espinhoso alongado. O restante das vértebras cervicais, C3-C6,
têm uma estrutura anatômica semelhante e, portanto, são conhecidas como vértebras típicas.
As duas primeiras vértebras cervicais são vértebras especializadas, adaptadas para permitir a
movimentação da cabeça e para acomodar a articulação com o crânio.
A vértebra C7 é atípica por três razões: 1º o processo espinhoso de C7 é o mais longo, e pode ser
facilmente palpado quando a cabeça está flexionada anteriormente, já que é bastante proeminente nessa
posição. 2º Ele não é bífido, como nas vértebras cervicais típicas. 3º o forame transverso é pequeno
quando comparado às dimensões do processo transverso, e ele não contém as artérias vertebrais,
apenas as veias vertebrais.
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As demais vértebras cervicais são constituídas pelo corpo vertebral e pelo arco posterior, formando o
forame vertebral; e articulam-se entre si através dos discos intervertebrais (articulações
fibrocartilaginosas) e articulações zigoapofisárias/interfacetárias (sinoviais).
A neuroanatomia da região cervical envolve oito nervos espinhais cervicais, cada um com raízes
ventrais e dorsais. Os nervos espinhais formam ramos primários dorsal e ventral, responsáveis por inervar
diferentes regiões do pescoço e formar o plexo braquial, que supre o membro superior.
O músculo cervical e trapézio têm a função de apoiar e fornecer movimento e alinhamento da cabeça e
pescoço, além de proteger a medula espinhal e os nervos espinhais do estresse mecânico.
Existem 8 nervos espinhais, cada um composto por uma raiz ventral e outra dorsal; a raiz ventral contém
fibras eferentes dos neurônios motores no corno ventral da medula; já a raiz dorsal contém fibras
aferentes sensoriais primárias das células no gânglio da raiz dorsal. Após a junção das raízes, o nervo
espinhal se divide em 2 ramos: ramo dorsal, que inerva músculos, pele e articulações do pescoço
posterior; e o ramo ventral, que inerva os músculos pré-vertebrais e paravertebrais e forma o plexo
braquial.
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CERVICALGIA
Cervicalgia é um termo médico utilizado para descrever a dor na região cervical. A cervicalgia é uma das
queixas mais frequentes no dia a dia da prática clínica. Ela tem sido observada em cerca de 25% dos
indivíduos na faixa etária de 25 a 29 anos e em até 50% da população com mais de 45 anos de idade. A
cervicalgia pode ser classificada conforme o tempo de evolução e a etiologia:
A cervicalgia é um sintoma que traduzem, na maioria das vezes, um processo degenerativo ou um
distúrbio funcional das estruturas ligamentares, musculares, discais e osteocartilaginosas da região
cervical. Às vezes, porém, a cervicalgia constitui o sintoma revelador de uma doença local, regional ou
sistêmica grave.
ETIOLOGIA
Essa condição pode ser causada por diversos fatores, incluindo tensão muscular devido à má postura,
movimentos repetitivos ou estresse, lesões como aquelas decorrentes de acidentes de carro (efeito
"chicote") ou quedas, doenças degenerativas como a osteoartrite ou doenças dos discos intervertebrais,
hérnia de disco cervical, onde o material do disco pressiona nervos adjacentes, e inflamações como a
artrite reumatoide que pode afetar as articulações do pescoço.
Eu
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FATORES DE RISCO
Fatores de risco associados incluem distúrbios do sono, tabagismo, sedentarismo, obesidade, transtornos
psiquiátricos (p. ex., ansiedade e depressão), trauma e algumas ocupações, como trabalhadores que
usam prolongadamente o computador, fazem trabalhos manuais e profissionais de saúde.
ETIOPATOGENIA
Na teoria, a irritação do disco intervertebral, as articulações facetárias, as articulações uncovertebrais, os
ligamentos, os enteses e a inflamação desencadeada por uma compressão da raiz nervosa podem
causar dor. É preciso ressaltar também o papel dos músculos cervicais na gênese da dor desta região. As
cervicalgias estão com frequência associadas à sensibilidade focal e “pontos-gatilho” na musculatura do
pescoço.
Mais frequentemente, as cervicalgias ocorrem em razão de distúrbios mecânicos e musculoesqueléticos
inespecíficos. Trata-se de situações clínicas benignas, na maioria das vezes com evolução para a cura
em alguns dias ou semanas. Há também várias causas de dor cervical referida, muitas das quais são
patologias graves.
A prevalência de processos degenerativos da coluna cervical envolvendo discos (espondilose),
articulações facetárias e unciformes (osteoartrite) aumenta com a idade, chegando a ser um achado
quase universal na população com mais de 65 anos de idade. Com o processo de envelhecimento
normal, o disco intervertebral cervical desidrata e sofre um processo de fragmentação e fissuração
posterior. Traumas repetidos podem contribuir para o desenvolvimento deste processo, bem como o
desenvolvimento de osteoartrite prematura das articulações.
- Cervicalgia crônica comum: Geralmente, ocorre pós-trauma (síndrome do chicote) ou evolução de
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cervicalgias mecânicas comuns, em geral, associadas aos processos degenerativos discais e articulares
ao nível cervical.
- Cervicalgias agudas: Com frequência, são cervicalgias mecânicas comuns. Raramente constituem o
sintoma revelador de uma patologia subjacente.
APRESENTAÇÕES CLÍNICAS
- Cervicalgia crônica comum: Em adultos jovens, a dor ocupa toda a região cervical, irradiando, em
geral, pela região dos trapézios até a região dorsal. A mobilidade do pescoço é normal, mas a palpação
das massas musculares é dolorosa. O exame radiológico é inespecífico. Por outro lado, no paciente
idoso, a cervicalgia se apresenta habitualmente com dores mais localizadas na parte baixa do pescoço.
As contraturas musculares são menos intensas e menos difusas, mas os movimentos são dolorosos e
limitados. A radiografia mostra quase sempre uma osteoartrite importante.
- Cervicalgias agudas: Caracteriza-se por uma dor cervical de intensidade variada associada à atitude
viciosa do pescoço (TORCICOLOS). Tem início abrupto, geralmente durante a noite, com uma dor intensa
que impede qualquer movimento. Temos também a Neuralgia de Arnold, que está ligada ao sofrimento do
ramo posterior do segundo nervo cervical que leva à dor localizada na região homo-lateral do crânio. Às
vezes, se acompanha de cervicalgia posterior alta, com limitação dolorosa da rotação.
DIAGNÓSTICO
Não existe método diagnóstico de imagem capaz de identificar com segurança a estrutura de origem da
dor nas cervicalgias crônicas. Portanto, o diagnóstico deve se basear sobretudo em dados de história e
exame físico, que devem ser os mais completos possíveis e não dirigidos apenas à queixa cervical. Na
maioria das vezes, isto basta para se estabelecer o diagnóstico diferencial dessas patologias.
- Anamnese: tempo de evolução, início da dor (súbito ou progressivo), fatores de melhora ou piora, ritmo
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da dor (mecânica ou inflamatória), sinais de alerta (redflags), irradiação da dor e avaliação de
incapacidade.
Exame físico: Deve ser voltado para exclusão das causas de maior gravidade e requerem tratamento
mais imediato. Avalia-se se há limitação do movimento, deformidades, poontos de dor miofacial ou
acometimento neurológico associado. O exame envolve identificação de expressões faciais ou
comportamentos antálgicos, diferenciando de pacientes com queixas não orgânicas. Flexão anormal
anterior ou lateralmente e rotações do pescoço podem indicar torcicolo. Hipotrofia muscular ou queda do
ombro relacionam-se com radiculopatia, lesão de plexo braquial ou de nervos periféricos. A fraqueza de
etiologia neurológica deve ser diferenciada da induzida por dor.
Testes Clínicos: Alguns testes clínicos podem ser realizados para auxílio diagnóstico.
- O teste de Spurling é feito com o paciente sentado. O examinador gira e inclina a cabeça do paciente
para o lado doloroso, enquanto aplica uma pressão para baixo durante 10 segundos. O teste é positivo se
houver reprodução da dor e parestesia característica;
- O teste de Adson é uma forma de avaliação da permeabilidade da artéria subclávia que pode estar
comprimida pela costela cervical ou contratura dos músculos escalenos anterior e médio. O examinador
palpa o pulso radial do paciente em abdução, extensão e rotação externa do braço. O paciente, então,
inspira profundamente e prende a respiração enquanto roda a cabeça na direção do lado testado. A
diminuição na amplitude do pulso radial durante esta manobra é indicativa de compressão de artéria
subclávia.
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Exame Neurológico: Deve ser minucioso. Os membros devem ser examinados para atrofias,
fasciculações, força muscular e sensibilidade ao toque.
Finalmente, deve-se examinar o tronco e os membros inferiores para afastar a compressão medular
cervical e estabelecer o nível lesional.
Testes laboratoriais: O hemograma, a velocidade de hemossedimentação e a proteína C reativa
auxiliam no diagnóstico de infecções, doenças inflamatórias e neoplásicas. Outros testes específicos,
como eletroforese de proteínas, pesquisa do HLA B-27 e fatores antinúcleo, devem ser pesquisados em
casos determinados.
TRATAMENTO
As diferentes etiologias de cervicalgia discutidas exigem diferentes abordagens terapêuticas. Obviamente,
o tratamento deve ser dirigido à patologia subjacente, nos casos de cervicalgia sintomática. Nas
cervicalgias mecânicas, o tratamento visa tanto a diminuir a dor como a melhorar a função.
- Tratamento farmacológico: O alívio adequado da dor pode ser obtido, na maioria dos casos de
cervicalgia aguda, com analgésicos simples (paracetamol) que também podem ser utilizados por longos
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períodos nos pacientes crônicos. Muito raramente, a dor é tão intensa que exija o uso de derivados
opioides. Além dos analgésicos, anti-inflamatórios não hormonais e miorrelaxantes são frequentemente
utilizados no tratamento das cervicalgias. Os antidepressivos tricíclicos devem ser usados como
co-analgésicos em doses bem menores do que aquelas utilizadas na depressão. A principal utilidade está
na sedação noturna ou nos casos associados com depressão. Ocasionalmente, nas radiculopatias
agudas, podem-se utilizar glicocorticoides por curtos períodos.
- Exercícios: Considera-se que os exercícios sejam fundamentais para um adequado controle da
postura, alongamento e fortalecimento da musculatura do pescoço. Os exercícios não são recomendados
na fase aguda da dor e devem ser realizados de forma gradual.
- Imobilização: Um colar cervical de espuma que não imobiliza totalmente o pescoço é utilizado com
frequência para alívio da dor. Pode ser utilizado na fase aguda para obtenção de conforto e calor local ou
de forma mais prolongada, sempre associado a exercícios de fortalecimento da musculatura do pescoço.
- Acupuntura: O uso da acupuntura demonstrou-se eficaz no tratamento da cervicalgia crônica. Melhora
a cervicalgia crônica, e os benefícios se mantêm por pelo menos até seis meses
- Infiltrações locais: Uma injeção de esteroides e analgésicos pode ser aplicada nos pontos-gatilho dos
músculos trapézio e eretores do pescoço. Da mesma forma, a infiltração das articulações apofisárias tem
sido utilizada com benefícios para certos grupos de pacientes.
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REFERENCIAS
- MARTINS, Mílton de A.; CARRILHO, Flair J.; ALVES, Venâncio Avancini F.; CASTILHO, Euclid. Clínica
Médica, Volume 5: Doenças Endócrinas e Metabólicas, Doenças Osteometabólicas; Doenças
Reumatológicas. Barueri: Editora Manole, 2016.
- GUSSO, Gustavo; LOPES, José M C.; DIAS, Lêda C. Tratado de medicina de família e comunidade -
2 volumes: princípios, formação e prática. Porto Alegre: Grupo A, 2019.
- RIBEIRO, Priscila Dias C. Amerepam - Manual de Reumatologia. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2020.
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