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302 a) O tratamento inicial da rinite gestacional consiste em higiene ambiental e lavagem nasal com soluções fisiológicas. b) O tratamento com cromoglicato pode ser feito em qualquer período da gestação. c) O uso de corticoides tópicos deve ser indicado apenas após o segundo semestre de gestação. d) A principal forma da rinite na gestação é a alérgica. e) A fisiopatologia da rinite gestacional está relacionada com o aumento de Beta-estradiol e progesterona circulantes que aumentam, consequentemente, a expressão dos receptores H1 da histamina no epitélio nasal, dessa maneira, o cigarro não é fator de risco para desenvolver rinite na gestação. 22. A rinite atrófica ozenosa é uma doença idiopática e com sinonímia variada. São possíveis fatores etiológicos que podem justificar o seu surgimento, exceto: a) A infecção bacteriana causada pela Klebsiella pneumoniae. b) Deficiências variadas como de proteínas, vitaminas e ferro. c) Pode ser consequente a doenças da infância, como catapora, sarampo, difteria nasal, influenza e varicela. d) Infecção fúngica. e) Afecções que acarretam descalcificação das conchas nasais. 23. Sobre rinite atrófica ozenosa (RAO), assinale a alternativa correta: a) Na rinite atrófica ozenosa grau I as queixas são semelhantes da rinite comum, com obstrução nasal, secreção catarral amarelada, discreta anosmia e, algumas vezes, cefaleia. b) Os achados da RAO grau II à rinoscopia anterior incluem hipertrofia das conchas inferior e média. c) Os sintomas da RAO grau I incluem, além de obstrução nasal, a presença de crostas melicéricas e mau cheiro. d) À rinoscopia anterior na RAO grau II, observa-se acentuada atrofia osteomucosa em todas as conchas, aderidas ao esqueleto. e) Os sintomas da RAO grau II incluem obstrução nasal, crostas hematomelicéricas, odor fétido e anosmia. 24. Assinale a alternativa correta sobre rinites: a) A rinite alérgica é um fator de risco para a sinusite porque a RA promove a obstrução dos óstios dos seios paranasais. b) A rinite nã0-alérgica de origem infecciosa possui os mesmos microorganismos etiológicos envolvidos na patogênese da rinossinusite crônica. c) Eosinófilos na secreção nasal acima de 4% em crianças pequenas e >30% em adolescentes e adultos fala a favor de rinite alérgica. d) Os únicos corticoides tópicos nasais aprovados para crianças acima de dois anos é a budesonida e a fluticatisona. e) A terapia com descongestionantes nasais é muito importante para alívio sintomático dos sintomas obstrutivos, coriza, prurido e espirros. Leia o texto a seguir e responda às questões 25,26 e 27. EDN, masculino, 4 anos natural e procedente de Teresina-PI. É levado por familiares à unidade de saúde mais próxima do seu bairro com queixa de secreção nasal, espirros e 303 intenso prurido ocular. Quadro iniciou há 3 dias, sem febre ou mialgias. Durante a anamnese, foi revelado histórico de atopias e dermatites de contato. Ao exame físico geral, encontra-se afebril, anictérico, acianótico, edema palpebral bilateral com coloração azul-acinzentado, linha de Denie-Morgan, bulhas normofonéticas em dois tempos, ausculta pulmonar normal. No exame otorrinolaringológico apresenta-se com mucosa nasal pálida com secreção hialina, cornetos edemaciados e septo nasal centrado. 25. Qual é o provável diagnóstico do caso relatado acima? 26. Cite um exame para elucidar o caso e justifique sua resposta. 27. Cite e explique as medidas ambientais e comportamentais que devem ser orientadas aos familiares da criança. Leia o caso clínico abaixo e responda às questões 28, 29 e 30. Marisa, 12 anos, portadora de asma brônquica e rinite alérgica, em uso de corticoide inalatório em baixa dose há quatro meses, comparece à consulta de acompanhamento para avaliação. Relata piora dos sintomas no último mês, com nariz intensamente obstruído impedindo a respiração nasal, despertando durante a noite devido aos sintomas e abundante secreção hialina que lhe causa bastante constrangimento na escola. Relata fazer uso de descongestionantes nasais tópicos de 6 a 8 vezes por dia, porém com pequeno alívio sintomático. 28. Aponte uma hipótese diagnóstica para o quadro clínico apresentado por Marisa. 29. Explique o provável mecanismo fisiopatológico envolvido, baseado na sua hipótese diagnóstica. 30. De acordo com a sua hipótese diagnóstica, qual será a sua conduta? 304 RESPOSTAS E COMENTÁRIOS 1. A resposta é d). Sintomas de obstrução nasal, rinorreia e espirros são sintomas característicos de rinite. A congestão nasal grave pode levar à dificuldade de drenagem da tuba auditiva, acarretando em otalgia e diminuição da acuidade auditiva. Dor facial e sensação de pressão na região anterior da face são sintomas característicos de rinossinusite (SAKANO; SOLÉ, 2017). 2. A resposta é c). O substrato fisiopatológico das rinites com resposta imune tipo 2 está relacionada com a hipersensibilidade alérgica resultante da produção inadequada e contínua de IgE em resposta a um alergênico. A resposta será o influxo de eosinófilos, basófilos e linfócitos T à mucosa nasal e sintomas nasais agudos. A rinite com resposta imune tipo 1 está relacionada com uma infecção de vias aéreas superior prévia e, assim, ocorrerá aumento de IL-7 que leva ao influxo de neutrófilos e linfócitos T CD41 produtores de IFN-γ. Os canais receptores potenciais transcientes são canais que possuem ampla distribuição tecidual e possuem distintas subfamílias, podendo ser ativados por vários mecanismos como temperatura, compostos químicos, osmolaridade, estresse oxidativo e dor. A rinite neurogênica está relacionada com o aumento da expressão de canais TRP nos nervos trigeminais, e após estímulo nasal, há liberação excessiva de substância P e CGRP, que provocam aumento da permeabilidade vascular e obstrução nasal. A disfunção epitelial da mucosa nasal está relacionada a respostas imunológicas do tipo 1 ou tipo 2 e pode ser decorrente de uma disfunção ciliar ou mecanismo de barreira deficiente, isso facilita a migração subepitelial de moléculas exógenas imunoestimulatórias (SAKANO; SOLÉ, 2017). 3. A resposta é e). Características faciais típicas estão presentes em grande número de doenças, como a síndrome de Cushing, cujo sinais patognomônicos são a giba dorsal, estrias violáceas maiores de 0,5 centímetros e a face em lua cheia. Além disso, alguns sinais dermatológicos prenunciam doenças sistêmicas como o sinal de Romanã, que é um edema inflamatório unilateral das pálpebras relacionado com a Doença de Chagas. O sinal do guaxinim consiste na equimose periorbital bilateral, e é um forte indicativo de trauma cranioencefálico. Já os sinais típicos da rinite alérgica são a acentuação das linhas das pálpebras inferiores, sinal chamado de linhas de Dennie-Morgan, escurecimento da pele abaixo dos olhos, configurando as olheiras, e prega nasal horizontal (causada pelo frequente hábito de coçar a narina com movimento para cima) (SAKANO; SOLÉ, 2017). 4. A resposta é c). São fatores de risco para rinite alérgica em crianças: história familiar de atopia, IgE > 100 UI/ml antes dos seis anos de idade e introdução de fórmula para alimentação antes dos 6 meses de idade (CALDAS NETO et al., 2011). Hipertrofia de adenoides e o desvio de septo nasal são variações anatômicas que fazem diagnóstico diferencial com RA, no entanto, não são apontadas como fatores de risco para o desenvolvimento desta patologia. Em relação ao principal agente etiológico implicado na gênese da rinite alérgica, destacam-se os ácaros Dermatophagoides pteronyssinuse e Dermatophagoides farinae. (GOMES et al., 2015). O estudo intitulado Increased risk of asthma attacks and emergency visits among asthma patients with allergic rhinitis: a subgroup analysis of the improving asthma control Trial demonstrouque a coexistência de rinite crônica em pacientes asmáticos representa um risco três vezes maior para as exacerbações da asma em adultos e sete vezes maior em crianças, havendo uma elevada 305 taxa de RA em pacientes asmáticos que procuram a emergência por exacerbações. (BOUSQUET et al., 2006) 5. A resposta é e). Os TCHI por puntura com aeroalérgenos são os recursos mais utilizados no diagnóstico da alergia respiratória e evidenciam reações alérgicas mediadas por IgE. Têm alta sensibilidade e especificidade, comparáveis aos testes in vitro para determinação de IgE específica e com menor custo. A dosagem sérica de IgE total apresenta valor limitado para a triagem de doenças alérgicas, especialmente em crianças, uma vez que apresenta baixa sensibilidade, podendo estar aumentada em patologias como infecção pelo HIV, aspergilose pulmonar alérgica, sinusite fúngica alérgica, linfomas, tuberculose e parasitoses com ciclo pulmonar. O teste de provocação nasal (TPN) tem se mostrado uma ferramenta segura e muito útil no diagnóstico de rinite alérgica e não alérgica, no entanto, este teste é mais empregado em pesquisas. Citologia nasal tem por objetivo principal de fazer o diagnóstico diferencial das rinites eosinofílicas e não eosinofílicas, de acordo com a predominância de eosinófilos na secreção nasal (SAKANO; SOLÉ, 2017). 6. A resposta é e). Somente rinite alérgica possui antecedentes familiares e pessoais de atopias. Rinite eosinofílica não alérgica não está totalmente definida apresentando sintomas irritantes inespecíficos, associados a testes cutâneos negativos e níveis normais de IgE sérica. Em alguns casos, pode estar relacionada com pólipos nasais (SAKANO; SOLÉ, 2017). 7. A resposta é a). Os testes epicutâneos são de fácil realização, apresentam pequeno índice de reações adversas, são pouco dolorosos, possibilitam o teste de várias substâncias simultaneamente e o resultado do teste é obtido muito rapidamente. O teste intradérmico possui maior sensibilidade, porém, é mais doloroso e apresenta riscos maiores de reações adversas. RAST é um teste in vitro, em que se tem um antígeno específico ligado a uma fase sólida. Os testes in vitro não fornecem qualquer informação adicional aos testes cutâneos, além do custo elevado e da demora na obtenção de seus resultados. Estão indicados nos casos em que não se possa realizar os testes epicutâneos, como doença dermatológica ativa ou grave risco de reação adversa ao teste cutâneo (CALDAS NETO et al., 2011). 8. A resposta é d). Eosinofilia periférica é um achado comum para variadas situações como, prematuridade, hiperalimentação infantil, infecção viral, neoplasias, cardiopatias congênitas, doença inflamatória intestinal e pan-hipopituitarismo, dentre outras. Sendo um teste pouco sensível para diagnosticar Rinite Alérgica. As principais vantagens do Teste de Radioalergoabsorbância (RAST), em comparação aos testes cutâneos de hipersensibilidade, são sua segurança e o fato de os resultados não serem influenciados por doenças de pele ou medicamentos. No entanto, o RAST não é tão sensível quanto o teste cutâneo. Em pacientes com história de reações graves a alimentos, picadas de inseto, drogas ou látex, o teste cutâneo está indicado devido à sua maior sensibilidade, ainda que o RAST seja negativo. A citologia nasal com número aumentado de eosinófilos em muco nasal corada com coloração de Hansel é um indicador mais sensível de alergias nasais que a eosinofilia de sangue periférico, auxiliando a distinguir rinite alérgica de outras causas de rinite (CALDAS NETO et al., 2011), (PILTCHER, 2015). 306 9. A resposta é c). Os fatores de risco principais para a doença são: história familiar de atopia, IgE > 100 IU/ml, introdução de alimentos e fórmulas infantis precocemente, tabagismo materno antes da criança completar um ano, alergia alimentar e grande exposição a alérgenos intradomiciliares. É frequente a associação entre Rinite Alérgica (RA) e Asma, sendo a RA um forte fator de risco para o desenvolvimento da Asma, pelo quadro de hiperresponsividade brônquica que pode acometer alguns pacientes com rinite. Os benefícios clínicos das medidas de controle ambiental começam a ser observados após 3 a 6 meses após início do tratamento. O risco para o desenvolvimento de rinite alérgica e asma é maior para os lactentes cujas mães são fumantes (CALDAS NETO et al., 2011), (SAKANO; SOLÉ, 2017). 10. A resposta é a). Beclometasona e Ciclesonida só são liberados após os 6 anos de idade. Rupatadina e Bilastina não estão recomendados para crianças abaixo de 12 anos. Epinastina só é liberada após os 6 anos (SAKANO; SOLÉ, 2017). 11. A resposta é a). A citologia nasal tem como vantagem ser de fácil realização e auxiliar na diferenciação entre rinite alérgica, não alérgica e infecciosa (virais e bacterianas), porém, possui pouca especificidade. O grau da eosinofilia está associado com a quantidade de exposição ao alérgeno. As células normalmente encontradas neste exame são as células epiteliais, incluindo as colunares ciliadas e não ciliadas, células globosas e basais. Alguns neutrófilos e poucas bactérias podem ser identificados na lâmina, não representando achado significativo para o diagnóstico, especialmente se a amostra for retirada da porção anterior da concha inferior. De forma geral, a coleta da citologia é realizada na região do meato médio (CALDAS NETO et al., 2011). 12. A resposta é e). Os Testes cutâneos de hipersensibilidade imediata (TCHI) são os recursos mais utilizados no diagnóstico da alergia respiratória por possuírem alta sensibilidade e especificidade e com menor custo. Além disso, a reatividade cutânea a alérgenos é menos intensa nos extremos da vida havendo maior chance de resultados falso-negativos em crianças menores e em idosos, pelo mesmo motivo, devem ser evitados em pacientes que fizeram uso de anti-histamínicos orais ou uso de corticosteroides tópicos por mais de 7 dias, pois estes diminuem a respostas imunológicas e assim aumentam a probabilidade de um resultado falso-negativo. Outro uso importante do TCHI é a orientação da terapêutica ambiental e imunoterapia específica. Os testes cutâneos têm alto valor preditivo negativo, portanto, podem ser usados para excluir alergia como possível causa de sintomas nasais (SAKANO; SOLÉ, 2017). 13. A resposta é e). A rinoconjuntivite é uma comorbidade presente em cerca de 90% das doenças alérgicas, seus sinais e sintomas incluem prurido ocular, sensação de queimação, fotossensibilidade, lacrimejamento, vermelhidão e edema palpebral sendo a forma mais comum e mais branda dentre as alergias oculares. Quando os sintomas nasais são tratados, há uma melhora dos sintomas oculares pelo fato do reflexo naso-ocular estar frequentemente envolvido na etiopatogenia. Crianças com rinite alérgica que apresentam respiração bucal por tempo prolongado durante a fase de crescimento facial podem desenvolver a síndrome da face alongada. Ela se caracteriza pela maior altura vertical do terço facial inferior, com alturas faciais anterossuperior e total maiores (SAKANO; SOLÉ, 2017).