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N O Ç Õ ES D E D IR EI TO A D M IN IS TR AT IV O 245 CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA A Administração Pública estará sujeita a vários meca- nismos que irão verificar a regularidade da sua atuação. Por vezes, mecanismos internos, assim como externos, sujeitam-se a controles exercidos por outros Poderes. Essa possibilidade de um Poder limitar o outro você poderá encontrar referida como sistema de freios e contrapesos ou checks and balances. Nada mais é do que a limitação mútua de um Poder para com outro, de forma que o poder que emana do povo seja exerci- do de forma equilibrada pelos representantes eleitos. CONTROLE EXERCIDO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA O controle administrativo é o controle exercido pela própria Administração Pública sobre seus atos. Uma importantíssima característica do controle inter- no é a amplitude, pois recairá tanto sobre os aspectos de legalidade como sobre os aspectos de mérito. Vejamos o artigo 70 da CF/88, que faz menção direta à existência do sistema de controle interno de cada Poder. Art. 70 A fiscalização contábil, financeira, orça- mentária, operacional e patrimonial da União e das entidades da administração direta e indireta, quanto à legalidade, legitimidade, economicidade, aplicação das subvenções e renúncia de receitas, será exercida pelo Congresso Nacional, mediante controle externo, e pelo sistema de controle inter- no de cada Poder. Tal informação deve ser desde já trabalhada em comparação ao controle externo exercido sobre outros poderes sobre a Administração Pública. Nesses casos, além de eles acontecerem nas hipóteses constitucio- nalmente previstas, em regra, deverão recair apenas sobre os aspectos de legalidade do ato praticado. A CF/88 fala mais uma vez sobre o controle interno no seu artigo 74. Art. 74 Os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciá- rio manterão, de forma integrada, sistema de con- trole interno com a finalidade de: I - avaliar o cumprimento das metas previstas no plano plurianual, a execução dos programas de governo e dos orçamentos da União; II - comprovar a legalidade e avaliar os resultados, quanto à eficácia e eficiência, da gestão orçamentá- ria, financeira e patrimonial nos órgãos e entidades da administração federal, bem como da aplica- ção de recursos públicos por entidades de direito privado; III - exercer o controle das operações de crédito, avais e garantias, bem como dos direitos e haveres da União; IV - apoiar o controle externo no exercício de sua missão institucional. Temos também a possibilidade de reexame da matéria por meio da interposição de recursos pelos eventuais interessados. Em regra, esses recursos serão analisados dentro da estrutura do próprio Poder, sen- do então classificados como recursos próprios. Quan- do à análise do recurso se der em outro Poder, será classificado como recurso impróprio. EXERCÍCIOS COMENTADOS 1. (CESPE-CEBRASPE – 2016) Julgue o item a seguir, acerca de controle da administração pública. O sistema de contencioso administrativo ocorre no âmbito de tribunais de competência especializada que não integram a estrutura do Poder Judiciário, cujas sentenças são dotadas de força de coisa julgada. ( ) CERTO ( ) ERRADO O contencioso administrativo nada mais é do que a discussão de direitos em âmbito administrativo, o que se dará conforme o assunto e a competência. No entanto, tais decisões ainda são passíveis de aprecia- ção por parte do Poder Judiciário. Resposta: Certo. 2. (CESPE-CEBRASPE – 2016) A respeito de reparação de danos, sindicância e processo administrativo, e controle interno da administração pública, julgue o item seguinte. O controle interno instituído pela Constituição Federal de 1988 foi mais um instrumento para a garantia da legalidade das ações nos órgãos e nas entidades da administração pública federal. ( ) CERTO ( ) ERRADO O controle interno a ser exercido pelos Poderes tem pre- visão no próprio texto constitucional. Nesse contexto, importantíssimo o artigo 74. Vejamos a sua literalidade. Art. 74. Os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciá- rio manterão, de forma integrada, sistema de con- trole interno com a finalidade de: I - avaliar o cumprimento das metas previstas no plano plurianual, a execução dos programas de governo e dos orçamentos da União; II - comprovar a legalidade e avaliar os resultados, quanto à eficácia e eficiência, da gestão orçamentá- ria, financeira e patrimonial nos órgãos e entidades da administração federal, bem como da aplicação de recursos públicos por entidades de direito privado; III - exercer o controle das operações de crédito, avais e garantias, bem como dos direitos e haveres da União; IV - apoiar o controle externo no exercício de sua missão institucional. Resposta: Certo. CONTROLE JUDICIAL Esse é o controle exercido pelo Poder Judiciário sobre os atos praticados pelos demais poderes e de seus pró- prios atos quando do exercício da função administrativa. Importante lembrar que no Brasil aplica-se o prin- cípio da inafastabilidade de jurisdição, segundo o qual nenhuma lesão ou ameaça de lesão a direito poderá ser afastada a apreciação do Poder Judiciário. Nesse contexto, importante lembrar que, em âmbito administrativo, teremos a ocorrência do con- tencioso administrativo nesses termos. Tribunais administrativos especializados apreciarão a matéria de sua competência, o que não afasta a competência do Poder Judiciário de apreciar novamente a matéria. No entanto, como já vimos anteriormente, essa análise, em regra, não poderá adentrar ao mérito administrativo dos atos analisados, devendo se ater aos aspectos vinculados. 246 Ainda, segundo o princípio da inércia que norteia a atuação do Poder Judiciário, deverá ser sempre pro- vocado por um dos interessados na sua manifestação. Dica O Poder Judiciário só poderá se manifestar sobre a execução de políticas públicas diante de situações extremas, quando o mínimo aceitável não tenha sido feito. Deverá, na análise, levar em conta o prin- cípio da reserva do possível, para que seja definido o mínimo aceitável na situação apresentada. Veremos agora algumas ações por meio das quais poderá ser provocado o Poder Judiciário para mani- festação. As situações e que ensejam seus usos são diferentes. Vejamos os pontos mais importantes. Mandado de segurança O mandado de segurança tem seus pormenores constantes da Lei nº 12.016/09. Segundo a própria Constituição Federal servirá para proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data. Outra condicionante é a ilegalidade ser praticada por autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público (como concessionárias de serviço público). O conceito de autoridade aqui deverá ser inter- pretado em sentido amplo, incluindo tanto servidores públicos, como agentes particulares de delegatários de serviços públicos. O mandado de segurança poderá ser tanto repres- sivo, preventivo. Ou seja, pode ser anterior a uma lesão ao direito. Temos situações em que não será cabível o manda- do de segurança. Vejamos. z Contra ato do qual seja cabível recurso administrativo com efeito suspensivo, sem necessidade de caução; z Contra decisão judicial transitada em julgado; z Contra lei em tese; z Para assegurar liberdade de locomoção (aqui será cabível o habeas corpus). Mandado de injunção Será cabível como remédio jurídico para garantir ao cidadão exercício de direito que dependa de norma ainda não existente. Vejamos a literalidade do texto constitucional para um melhor entendimento. Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasilei- ros e aos estrangeiros residentes no País a inviola- bilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: LXXI - conceder-se-á mandado de injunção sem- pre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdadesconsti- tucionais e das prerrogativas inerentes à nacionali- dade, à soberania e à cidadania; O mandado de injunção é regulamentado pela Lei nº 13.300/2016. Vejamos seu artigo 2º. Art. 2º Conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta total ou parcial de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerro- gativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania. Habeas data Este remédio constitucional tem como finalidade garantir o direito à informação. Ele consta expressa- mente do artigo 5º da Constituição Federal. Vejamos a literalidade do dispositivo. Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasilei- ros e aos estrangeiros residentes no País a inviola- bilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: LXXII - conceder-se-á habeas data: a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de entidades governa- mentais ou de caráter público; b) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo; O habeas data será cabível para obtenção de infor- mações pessoais. EXERCÍCIOS COMENTADOS 1. (CESPE-CEBRASPE – 2018) A administração pública, além de estar sujeita ao controle dos Poderes Legisla- tivo e Judiciário, exerce controle sobre seus próprios atos. Tendo como referência inicial essas informações, julgue o item a seguir, acerca do controle da administra- ção pública. O Poder Judiciário tem competência para apreciar o mérito dos atos discricionários exarados pela admi- nistração pública, devendo, no entanto, restringir-se à análise da legalidade desses atos. ( ) CERTO ( ) ERRADO O Poder Judiciário deverá analisar os atos admi- nistrativos apenas quando provocado. No entanto, o mérito administrativo, em regra, não deverá ser alterado, devendo a análise se ater aos elementos vinculados do ato administrativo. Resposta: Certo. 2. (CESPE-CEBRASPE – 2017) Com relação à classifica- ção da Constituição Federal de 1988, ao controle de constitucionalidade e à atividade administrativa do Estado brasileiro, julgue (C ou E). O controle de legalidade dos atos administrativos, que verifica a compatibilidade formal do ato com a legis- lação infraconstitucional, pode ser exercido tanto no âmbito interno, por meio da autotutela administrativa, quanto externo, pelos órgãos do Poder Judiciário. Comentários. ( ) CERTO ( ) ERRADO O artigo 70 da Constituição Federal traz as diretri- zes para o controle interno de cada Poder. Há tam- bém as hipóteses de controle externo. Uma delas é o controle realizado pelo Poder Judiciário, que deverá N O Ç Õ ES D E D IR EI TO A D M IN IS TR AT IV O 247 ocorrer mediante provocação. Abaixo o dispositivo constitucional citado. Art. 70. A fiscalização contábil, financeira, orçamen- tária, operacional e patrimonial da União e das enti- dades da administração direta e indireta, quanto à legalidade, legitimidade, economicidade, aplicação das subvenções e renúncia de receitas, será exercida pelo Congresso Nacional, mediante controle exter- no, e pelo sistema de controle interno de cada Poder. Resposta: Certo. CONTROLE LEGISLATIVO O controle legislativo é o controle realizado pelo Poder Legislativo sobre os demais poderes. O contro- le poderá ser político ou financeiro, de acordo com a hipótese constitucionalmente prevista. Em regra, o aspecto financeiro será aquele fiscali- zado com o auxílio do TCU (ou Tribunal de Contas de outra esfera, se for o caso), conforme previsto no arti- go 70 da Constituição Federal (leia novamente, agora nesse contexto). Temos aqui uma importante exceção no funcio- namento do controle legislativo. Veja que os termos “legitimidade, economicidade” constantes do disposi- tivo que você acabou de ler permitirão uma análise que poderá, conforme o caso, adentrar em aspectos do mérito administrativo. Portanto, fique atento com termos extremos nos enunciados das questões quan- do estiverem abordando a presente temática. Vejamos as competências exclusivas do Congres- sos Nacional trazidas pelo artigo 49, da Constituição Federal. I - resolver definitivamente sobre tratados, acor- dos ou atos internacionais que acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional; II - autorizar o Presidente da República a declarar guerra, a celebrar a paz, a permitir que forças estrangeiras transitem pelo território nacional ou nele permaneçam temporariamente, ressalva- dos os casos previstos em lei complementar; III - autorizar o Presidente e o Vice-Presidente da República a se ausentarem do País, quando a ausência exceder a quinze dias; IV - aprovar o estado de defesa e a intervenção federal, autorizar o estado de sítio, ou suspen- der qualquer uma dessas medidas; V - sustar os atos normativos do Poder Executi- vo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa; VI - mudar temporariamente sua sede; VII - fixar idêntico subsídio para os Deputados Federais e os Senadores; VIII - fixar os subsídios do Presidente e do Vice-Pre- sidente da República e dos Ministros de Estado; IX - julgar anualmente as contas prestadas pelo Presidente da República e apreciar os rela- tórios sobre a execução dos planos de governo; X - fiscalizar e controlar, diretamente, ou por qual- quer de suas Casas, os atos do Poder Executivo, incluídos os da administração indireta; XI - zelar pela preservação de sua competência legislativa em face da atribuição normativa dos outros Poderes; XII - apreciar os atos de concessão e renovação de concessão de emissoras de rádio e televisão; XIII - escolher dois terços dos membros do Tribunal de Contas da União; XIV - aprovar iniciativas do Poder Executivo refe- rentes a atividades nucleares; XV - autorizar referendo e convocar plebiscito; XVI - autorizar, em terras indígenas, a exploração e o aproveitamento de recursos hídricos e a pesquisa e lavra de riquezas minerais; XVII - aprovar, previamente, a alienação ou conces- são de terras públicas com área superior a dois mil e quinhentos hectares. Vejamos agora as atribuições que competem privativamente ao Senado Federal, art. 52 da CF/88. I - processar e julgar o Presidente e o Vice-Pre- sidente da República nos crimes de responsa- bilidade, bem como os Ministros de Estado e os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica nos crimes da mesma natureza cone- xos com aqueles; II - processar e julgar os Ministros do Supremo Tribunal Federal, os membros do Conselho Nacio- nal de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público, o Procurador-Geral da República e o Advo- gado-Geral da União nos crimes de responsabilida- de; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) III - aprovar previamente, por voto secreto, após arguição pública, a escolha de: a) Magistrados, nos casos estabelecidos nesta Constituição; b) Ministros do Tribunal de Contas da União indi- cados pelo Presidente da República; c) Governador de Território; d) Presidente e diretores do banco central; e) Procurador-Geral da República; f) titulares de outros cargos que a lei determinar; IV - aprovar previamente, por voto secreto, após arguição em sessão secreta, a escolha dos chefes de missão diplomática de caráter permanente; V - autorizar operações externas de natureza finan- ceira, de interesse da União, dos Estados, do Distri- to Federal, dos Territórios e dos Municípios; VI - fixar, por proposta do Presidente da República, limites globais para o montante da dívida consoli- dada da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; VII - dispor sobre limites globais e condições para as operações de crédito externo e interno da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, de suas autarquias e demais entidades controladas pelo Poder Público federal; VIII - dispor sobrelimites e condições para a con- cessão de garantia da União em operações de crédi- to externo e interno; IX - estabelecer limites globais e condições para o montante da dívida mobiliária dos Estados, do Dis- trito Federal e dos Municípios; X - suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; XI - aprovar, por maioria absoluta e por voto secre- to, a exoneração, de ofício, do Procurador-Geral da República antes do término de seu mandato; XII - elaborar seu regimento interno; XIII - dispor sobre sua organização, funcionamen- to, polícia, criação, transformação ou extinção dos cargos, empregos e funções de seus serviços, e a ini- ciativa de lei para fixação da respectiva remunera- ção, observados os parâmetros estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias; XIV - eleger membros do Conselho da República, nos termos do art. 89, VII. 248 XV - avaliar periodicamente a funcionalidade do Sistema Tributário Nacional, em sua estrutura e seus componentes, e o desempenho das administra- ções tributárias da União, dos Estados e do Distrito Federal e dos Municípios. Finalmente, vejamos as atribuições que competem privativamente à Câmara dos Deputados. I - autorizar, por dois terços de seus membros, a ins- tauração de processo contra o Presidente e o Vice- -Presidente da República e os Ministros de Estado; II - proceder à tomada de contas do Presiden- te da República, quando não apresentadas ao Congresso Nacional dentro de sessenta dias após a abertura da sessão legislativa; III - elaborar seu regimento interno; IV - dispor sobre sua organização, funcionamento, polícia, criação, transformação ou extinção dos cargos, empregos e funções de seus serviços, e a ini- ciativa de lei para fixação da respectiva remunera- ção, observados os parâmetros estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias; V - eleger membros do Conselho da República, nos termos do art. 89, VII. Importante! Quando a Constituição Federal se refere ao “Congresso Nacional”, devemos entender Sena- do e Câmara reunidos em sessão conjunta para deliberação. Comissão Parlamentar de Inquérito São comissões que podem ser criadas pela Câma- ra ou pelo Senado, em conjunto ou separadamen- te, mediante 1/3 dos seus membros, com poderes de investigação, para apuração de fato determinado e por prazo certo. As CPIs podem realizar diligências, convocar e tomar depoimentos, requisitar informações e documentos de órgãos, requisitar auditorias e inspeções do TCU. Segundo jurisprudência do STF, é vedado às CPIs fazer buscas e apreensões domiciliares, determinar interceptações telefônicas, dar ordem de prisão (exce- to em flagrante). Tribunais de Contas Como dito anteriormente, o Tribunal de Contas irá auxiliar o Poder Legislativo no exercício de suas atribui- ções constitucionais. Importante frisar que não estão a ele subordinados, nem fazem parte de sua estrutura. Ainda, em que pese o nome “tribunal”, suas decisões não fazem coisa julgada como as do Poder Judiciário. Em consequência, aquele que se julgar prejudicado poderá recorrer ao Poder Judiciário para apreciação da matéria. Conforme artigo 71, da CF/88, o controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxí- lio do Tribunal de Contas da União, ao qual compete: I - apreciar as contas prestadas anualmente pelo Presidente da República, mediante parecer prévio que deverá ser elaborado em sessenta dias a contar de seu recebimento; II - julgar as contas dos administradores e demais responsáveis por dinheiros, bens e valores públicos da administração direta e indireta, incluídas as fundações e sociedades ins- tituídas e mantidas pelo Poder Público federal, e as contas daqueles que derem causa a perda, extravio ou outra irregularidade de que resulte prejuízo ao erário público; III - apreciar, para fins de registro, a legalidade dos atos de admissão de pessoal, a qualquer título, na administração direta e indireta, incluí- das as fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, excetuadas as nomeações para cargo de provimento em comissão, bem como a das conces- sões de aposentadorias, reformas e pensões, ressal- vadas as melhorias posteriores que não alterem o fundamento legal do ato concessório; IV - realizar, por iniciativa própria, da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, de Comissão técnica ou de inquérito, inspeções e auditorias de natureza contábil, financeira, orçamentária, opera- cional e patrimonial, nas unidades administrativas dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, e demais entidades referidas no inciso II; V - fiscalizar as contas nacionais das empresas supranacionais de cujo capital social a União par- ticipe, de forma direta ou indireta, nos termos do tratado constitutivo; VI - fiscalizar a aplicação de quaisquer recursos repassados pela União mediante convênio, acordo, ajuste ou outros instrumentos congêneres, a Esta- do, ao Distrito Federal ou a Município; VII - prestar as informações solicitadas pelo Congresso Nacional, por qualquer de suas Casas, ou por qualquer das respectivas Comissões, sobre a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial e sobre resultados de auditorias e inspeções realizadas; VIII - aplicar aos responsáveis, em caso de ilega- lidade de despesa ou irregularidade de contas, as sanções previstas em lei, que estabelecerá, entre outras cominações, multa proporcional ao dano causado ao erário; IX - assinar prazo para que o órgão ou entidade adote as providências necessárias ao exato cumpri- mento da lei, se verificada ilegalidade; X - sustar, se não atendido, a execução do ato impugnado, comunicando a decisão à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal; XI - representar ao Poder competente sobre irregu- laridades ou abusos apurados. Cuidado com o termo! As contas do Presidente da República são apreciadas pelo TCU, enquanto as dos demais administradores de dinheiro e bens públicos são julgadas. EXERCÍCIOS COMENTADOS 1. (CESPE-CEBRASPE – 2018) Acerca do controle da atividade financeira do Estado e do controle exercido pelos tribunais de contas, julgue o próximo item. Compete ao Tribunal de Contas da União, entre outras atribuições, representar ao poder competente sobre irregularidades ou abusos apurados. ( ) CERTO ( ) ERRADO