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AVALIAÇÃO 
PSICOPEDAGÓGICA CLÍNICA 
AULA 2 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof.ª Genoveva Ribas Claro 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Esta aula tem como objetivo abordar como é o processo da avaliação 
psicopedagógica clínica, que se inicia com a fase diagnóstica, tomando como 
referência uma queixa, momento em que o profissional procura o sentido da 
problemática do sujeito que é encaminhado. 
Nessa fase de investigação, de acordo com Weiss (2004, p. 27), acontece 
uma pesquisa do que não vai bem com o sujeito em relação a uma conduta 
esperada. O desvio de conduta é um sintoma que sinaliza que há um certo 
desvio em relação a determinados parâmetros existentes no meio. 
Essa problemática, apontada como motivo manifesto no diagnóstico, aos 
poucos vai diminuindo, e começa assim a surgir um motivo latente, que é o que 
realmente obstaculiza o aprendizado. Assim, nesta aula vamos entender como 
analisar essa queixa, e como deve acontecer a atuação do profissional, para a 
realização de um diagnóstico eficaz, com estabelecimento de intervenção 
adequada. 
Nesta aula, vamos: 
• refletir sobre a atuação do psicopedagogo clínico; 
• analisar a avaliação psicopedagógica clínica; 
• compreender a queixa na avaliação diagnóstica na psicopedagogia 
clínica; 
• estudar o desenvolvimento intelectual do sujeito. 
• identificar a Entrevista Operativa Centrada na Aprendizagem – EOCA. 
TEMA 1 – ATUAÇÃO DO PSICOPEDAGOGO CLÍNICO 
Uma das mais importantes habilidades que o profissional de 
psicopedagogia deve ter na avaliação clínica é um olhar diferenciado para as 
dificuldades de aprendizagem, com uma escuta relacionada a entender como o 
sujeito aprende. 
O psicopedagogo também deve estar preparado para lidar com possíveis 
reações em resposta a algumas tarefas, como resistências, bloqueios, 
ansiedade, entre outras. É preciso uma busca constante por conhecimento, com 
estudos voltados a compreender de forma mais completa o sujeito e suas 
potencialidades, considerando que os alunos já são criticados em demasia por 
 
 
3 
não corresponderem às expectativas de pais, professores, gestores e deles 
mesmos. 
A atuação do psicopedagogo visa identificar as causas dos problemas de 
aprendizagem, usando instrumentos próprios da Psicopedagogia. A forma de 
abordar o objeto de estudo assume características específicas: clínica, 
preventiva e teórica. 
O trabalho psicopedagógico na área preventiva é de orientação no 
processo de ensino e aprendizagem, visando favorecer a apropriação do 
conhecimento no ser humano, ao longo da evolução na área clínica. Não deixa 
de ser um trabalho preventivo, pois ao tratar alguns transtornos de 
aprendizagem, podemos evitar o aparecimento de outros. (Bossa, 2000, p. 30) 
A elaboração na área teórica visa criar um corpo teórico da 
Psicopedagogia, com processos de investigação e diagnóstico específicos, por 
meio de estudos das questões educacionais e da saúde, no que concerne ao 
processo de aprendizagem. Esse trabalho consiste na leitura e releitura do 
processo de aprendizagem e de não-aprendizagem. (Bossa, 2000, p. 30) 
A psicopedagogia tem o seu lugar na clínica e na instituição. Cada um 
desses implica uma metodologia específica de trabalho. Em ambos, no entanto, 
deve-se considerar especialmente as circunstâncias, isto é, o contexto de vida 
do sujeito, ou seja, a família, a escola, a sociedade. (Bossa, 2000, p. 87). A esse 
respeito, analise o esquema da figura a seguir. 
Figura 1 – Perspectiva 
 
Fonte: Elaborado com base em Weiss, 2004. 
 
 
4 
A perspectiva da sociedade é a mais ampla, pois consideramos o tipo de 
cultura, as condições e as relações político-sociais e econômicas vigentes, o tipo 
de estrutura social, as ideologias dominantes, e as relações explícitas e 
implícitas desses aspectos com a aprendizagem. Estão incluídos os aspectos 
físicos, pré-natal, perinatal, pós-natal, assim como exposição a doenças letais, 
desnutrição, acidentes e suas consequências. (Weiss, 2004, p. 16) 
A perspectiva da escola é reflexo do sistema socioeconômico, e, portanto, 
a possibilidade de aprendizagem por parte do aluno depende de como essas 
informações foram ensinadas. A escola é, então, participante do processo de 
aprendizagem, que inclui o sujeito no seu mundo sociocultural. Para Visca 
(1988), a escola é responsável pela aprendizagem sistemática: 
 A aprendizagem sistemática é aquela que se opera na interação com 
as instituições educativas, mediadoras da sociedade, órgãos 
especializados para transmitir os conhecimentos, atitudes e destrezas 
que a sociedade estima necessárias para a sobrevivência, capazes de 
manter uma relação equilibrada entre a identidade e a mudança. Estas 
instituições, além disso, provêm ao sujeito as aprendizagens 
instrumentais que irão permitir o acesso a níveis mais elaborados de 
pensamentos (Visca, 1988, p. 78) 
É preciso considerar professores qualificados, apoio material e 
pedagógico, estrutura da escola, e o envolvimento da sociedade e da família. “A 
má qualidade de ensino provoca um desestímulo na busca do conhecimento” 
(Weiss, 2004, p. 18). Deve-se investigar: história escolar do aluno, sistema de 
avaliação e concepção pedagógica. 
A perspectiva do aluno está referida nos aspectos internos de 
aprendizagem, focando, assim, na questão da intrassubjetividade. Devem ser 
observados os aspectos orgânicos, os cognitivos (memória, atenção, linguagem, 
entre outros), e os emocionais, incluindo o relacionamento afetivo com a 
construção do conhecimento. Consideramos também que o fracasso escolar é 
causado por uma conjunção de fatores interligados, que impedem o bom 
desempenho do aprendente, embora se tente identificar, em alguns casos, um 
ponto inicial no nível interno ou externo. (Weiss, 2004, p. 20-21) 
Portanto, o trabalho psicopedagógico deve reconhecer e considerar as 
interferências desses elementos, não só na avaliação psicopedagógica, mas 
também na forma de intervenção do profissional. Não é possível excluir do 
processo de aprendizagem esses elementos virtuais, cujo influência sobre o 
sujeito é marcante. Pode-se dizer que a natureza das causas para a dificuldade 
 
 
5 
de aprendizagem aponta para o psicopedagogo a melhor forma como deve atuar 
na hora da intervenção. (Bossa, 2000, p. 87) 
TEMA 2 – REFLEXÃO SOBRE A AVALIAÇÃO PSICOPEDAGÓGICA CLÍNICA 
 O primeiro passo no processo de avaliação psicopedagógica clínica é a 
análise da queixa. A queixa se refere ao surgimento de um sintoma, que é sinal 
de que algo não vai bem com o sujeito, ou seja, com seu processo de 
aprendizagem. 
Assim, a avaliação diagnóstica consiste em: 
• identificar, localizar e investigar o motivo da não aprendizagem; 
• analisar e interpretar os resultados encontrados por meio dos 
instrumentos; 
• prescrever e fazer os encaminhamentos necessários; 
• orientar os familiares, a escola e os demais profissionais, bem como o 
sujeito; 
• estabelecer procedimentos para prevenir o aparecimento de outras 
dificuldades. 
No processo de avaliação, o psicopedagogo deve controlar a ansiedade 
frente ao sujeito e à situação de avaliação, pois a situação avaliativa, para 
muitos, é considerada como uma forma de julgamento, de modo que o sujeito 
tende a ter expectativas em relação ao resultado; assim, evite elogios, como 
"acertou". 
Sendo a Psicopedagogia uma área interdisciplinar, que se relaciona com 
conhecimentos do campo da Educação e da Saúde, acima de tudo, ela investiga 
e compreende o processo de aprendizagem e a relação que o aprendiz 
estabelece com ele, levando em consideração a interação de fatores orgânicos, 
sociais, afetivos, pedagógicos e cognitivos. 
Tais situações relacionam-se às ideias de Visca (1988), ao se referir à 
psicopedagogia como uma área de conhecimento que favorece inter-relações 
com outras áreas. Assim, não devemos nos prender somente na busca por 
respostas que envolvam a questãocognitiva de forma isolada. 
Para se iniciar o diagnóstico psicopedagógico, é fundamental que o 
terapeuta tenha clareza quanto a dois grandes eixos de análise: (Weiss, 2004, 
p. 29) 
 
 
6 
• Eixo horizontal: onde está centrado o sintoma, a visão do presente “aqui-
agora”. São utilizados instrumentos como: Entrevista Familiar Exploratória 
Situacional – EFES, Entrevista Operativa Centrada na Aprendizagem – 
EOCA; Sessões Lúdicas; Testagens diversas, provas operatórias de 
Piaget; entrevista com a equipe da escola e com outros profissionais; e 
análise da produção do sujeito no consultório. 
• Eixo vertical: é o histórico do sujeito. É feita anamnese com a família, 
com a escola e outros profissionais. Análise de documentos passados, 
como: álbuns, laudos, registros escolares, entre outros. 
TEMA 3 – A QUEIXA NA AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA NA PSICOPEDAGOGIA 
CLÍNICA 
Para a análise da queixa, são realizadas a observação participante e a 
observação lúdica. 
A observação participante é realizada pela E.O.C.A. (Entrevista Operativa 
Centrada na Aprendizagem). Na E.O.C.A., analisa-se o desenvolvimento físico, 
sensorial, motor, viso-motor e intelectual, e sua conduta diante da aprendizagem. 
No desenvolvimento físico, o psicopedagogo deve observar o modo como 
o paciente anda, sua postura e aparência. Ele verifica se há alterações físicas. 
No desenvolvimento sensorial, observa-se a capacidade de perceber e 
interpretar os estímulos que se apresentam aos órgãos dos sentidos. 
No desenvolvimento psicomotor, o foco é a forma como a atividade física 
se relaciona com o funcionamento psicológico. O desenvolvimento viso-motor 
envolve a associação da visão, da percepção e do desenvolvimento motor fino. 
No desenvolvimento intelectual, deve-se observar a capacidade de assimilar 
conhecimentos fatuais, compreender as relações entre eles, e integrá-los aos 
conhecimentos. 
De modo geral, o diagnóstico deve buscar uma compreensão global de 
sua forma de aprender e dos desvios que estão ocorrendo nesse processo. 
Busca-se organizar os dados obtidos em relação à vida biológica, intrapsíquica 
e social, de forma única e pessoal. Pode-se dizer que aquilo que é percebido 
pelo próprio sujeito, ou pelos outros, é chamado de sintoma; o sintoma é na 
verdade o que emerge da personalidade em interação com o meio social. (Weiss, 
2005, p. 28) 
 
 
7 
O objetivo básico do diagnóstico psicopedagógico é identificar os desvios 
e os obstáculos básicos do modelo de aprendizagem do sujeito, que o impedem 
de crescer na aprendizagem dentro do esperado pelo meio social, entendendo 
aqui como modelo de aprendizagem o conjunto dinâmico que estrutura os 
conhecimentos que o sujeito já têm, os estilos usados nessa aprendizagem, o 
ritmo e áreas de expressão de conduta, a mobilidade e o funcionamento 
cognitivo, os hábitos adquiridos, as motivações presentes, as ansiedades, 
defesas e conflitos em relação ao aprender, as relações vinculares com o 
conhecimento em geral e com os objetos de conhecimento escolar em particular, 
e o significado da aprendizagem escolar para o sujeito, sua família e a escola. 
(Weiss, 2004, p. 34) 
O diagnóstico psicopedagógico é composto de vários momentos, os 
quais, temporal e espacialmente, tomam dimensões específicas, conforme a 
necessidade de cada caso, dentro de uma sequência diagnóstica estabelecida 
nos primeiros contatos com o caso, conforme Weiss (2004, p. 35-36) estabelece. 
Primeiramente, o contato com os pais, quando é preciso observar: 
• significação do sintoma na família ou, com maior precisão, articulação 
funcional do problema de aprendizagem; 
• significado do sintoma para a família, isto é, as reações comportamentais 
de seus membros ao assumir a existência do problema; relaciona-se com 
os valores da família com respeito ao não aprender; 
• fantasias de enfermidade e cura e expectativas acerca de sua intervenção 
no processo diagnóstico de tratamento; sentido do que a família espera a 
respeito do seu trabalho; 
• modalidade de comunicação do casal e função do terceiro; observar a 
relação dos pais entre si, os valores da família, a comunicação com os 
pais e com você. 
Com a escola, observar: 
• significação do sintoma na escola, visão do sintoma; 
• significação do sintoma para o professor (escola); 
• significado do sintoma para o professor (escola), reações dos membros 
da escola ao assumir o problema; 
• significado do sintoma; 
 
 
8 
• sentido do que a escola espera a respeito da sua intervenção 
(confirmação do não aprender como: tirar da responsabilidade da escola 
o fracasso; uma possibilidade de auxílio para o sucesso; uma ameaça 
externa); 
• observar os valores da escola, a comunicação entre seus profissionais e 
entre profissionais e o aluno. 
Com o sujeito, observar: 
• visão do sintoma para o sujeito (isto é, o que acontece); 
• significação do problema para o sujeito (o que significa o meu não 
aprender); 
• sentido do que o sujeito espera a respeito da sua intervenção; 
• observar as modalidades de comunicação do sujeito (o que pode ser feito 
na entrevista realizada com o sujeito no primeiro encontro, antes da 
E.O.C.A). 
Segue modelo de entrevista com o sujeito: 
1. Nome: 
2. Data do nascimento: __/__/__ Idade: ____Série: ___ Período: ______ 
3. Escola atual: 
4. Nome da Profª: 
5. O que disseram que você viria fazer aqui? 
6. Por que você acha que veio aqui? 
7. Você acha que tem alguma dificuldade? 
8. Em quê? 
9. Gostaria de fazer um trabalho comigo para verificarmos em que posso lhe 
ajudar? 
A observação lúdica se refere à interação da criança com os brinquedos 
e as brincadeiras. Brincar é uma forma de expressão, pois, por meio do jogo, ela 
define seus papéis e seu espaço, mostrando suas relações interpessoais. 
Com base nesses processos, percebe-se os limites que impostos e 
demonstra-se como lidar com eles. A observação lúdica é uma técnica de 
compilação de dados que auxilia a investigar os aspectos mais significativos para 
a formulação das hipóteses. Trata-se de uma observação espontânea, em que 
 
 
9 
a motivação por brincar deve ser a sua maior preocupação, mais do que o fato 
de se sentir observada. 
Pontos a serem observados: 
• a interação da criança frente ao brinquedo; 
• o repertório cognitivo, afetivo, motor, funcional, social; 
• o nível e o tipo de linguagem; 
• a conduta; 
• o uso do brinquedo como função real; 
• a proposta de brincadeiras; 
• a centralização em brinquedos regressivos ou superior à idade da criança; 
• o levantamento de hipóteses. 
TEMA 4 – ANÁLISE DO DESENVOLVIMENTO INTELECTUAL 
Na observação participativa, a avaliação do desenvolvimento é uma 
pesquisa sistemática de sinais e sintomas que desviam do padrão. Um deles é 
o desenvolvimento intelectual, quando analisamos as funções mentais na 
resolução dos problemas, na seguinte ordem: Sensação, Percepção, Atenção, 
Memória, Raciocínio, Simbolização e Conceituação. 
A sensação diz respeito à recepção sensorial, seja ela pelo canal: visual, 
auditivo, tátil, gustativo ou olfativo. 
Na percepção, são discriminadas cores (agrupa os iguais, sem nomear), 
é feita a discriminação auditiva, a discriminação visual, e o reconhecimento ou 
identificação da fonte sonora. É o processo sensório-perceptivo da 
aprendizagem. 
No processo cognitivo, a atenção é uma dimensão da consciência que 
designa a capacidade de manter o foco em uma atividade. Observar: o tempo de 
atenção e de concentração em diversas atividades, se existe diferenciação de 
tempo no desenvolvimento das diversas atividades, se a atenção é seletiva, 
concentrada, se mostra atenção dirigida a detalhes, se ocorre ligada a estímulos 
visuais, auditivos, outros, ou se não apresenta vínculo a áreas específicas. 
Memória mede a capacidade de registrar, fixar e reconhecer objetos, 
pessoas e experiências passadas ou estímulos sensoriais. São fixados na 
memória fatosou situações que, quando ocorreram, provocaram emoções 
 
 
10 
associadas a prazer, medo etc., ou que foram significativas para a pessoa. 
Observar: memória de trabalho, de curto prazo e de longo prazo. 
O raciocínio mede a capacidade de resolver situações novas com rapidez 
e com êxito, mediante a realização de tarefas que envolvem a apreensão de 
relações abstratas entre fatos, eventos, antecedentes e consequências etc. 
Observar a capacidade de classificar, seriar, conceituar e simbolizar. 
A linguagem é a atividade mental associada com o processamento, a 
compreensão e a comunicação de informação. Estabelece relações entre os 
conceitos, por meio de elementos de outras funções mentais, além de criar novas 
representações, ou seja, novos pensamentos. 
Linguagem e pensamento são funções mentais superiores associadas. A 
linguagem reflete a capacidade de pensamento; então, se uma pessoa tiver um 
transtorno de pensamento, sua linguagem poderá ser prejudicada. 
A linguagem pode ser verbal, quando os sinais utilizados para os atos de 
comunicação são as palavras. A língua utilizada para os atos de comunicação é 
a língua verbal ou a linguagem não verbal, aquela que utiliza para atos de 
comunicação outros sinais que não as palavras. Por exemplo: o conjunto de 
sinais de trânsito utilizado para orientar motoristas, as bandeiras que orientam 
os pilotos em corridas de automóveis, além de gestos, mímicas, desenhos, 
símbolos etc. 
 Vejamos um exemplo de teste para avaliar a linguagem, segundo Anderle 
(2019). 
PROVA DO REALISMO NOMINAL 
A) NÍVEIS 
1. Total desconhecimento das correspondências entre letras e sílabas com um 
número arbitrário de letras. 
2. Tentativa de correspondência entre letra e sílaba, com um número arbitrário 
de letras. 
3. Capacidade de antecipar uma representação silábica. Elaboração de 
hipóteses silábicas. 
B) INTERPRETAÇÃO DA ESCRITA ANTES DA LEITURA CONVENCIONAL 
1. Quantidade suficiente de caracteres 
• Esta prova tem por objetivo conhecer o nível de conceituação das crianças 
sobre qual a quantidade de caracteres escritos deve possuir uma palavra para 
ser lida. 
• Todos servem para ler, uns servem outros não, descrimina letras e números 
 
 
11 
• Poucas letras não servem para ler, dependendo do contexto uma letra serve 
ou não. 
• Diferenciação entre letras e números. É possível ser lido independente de ser 
uma palavra com poucos caracteres. Precisa haver uma variedade de caracteres 
para ser lido. 
2. Momentos da relação entre números e letras: 
• Confunde-se números e letras 
• Distinção da função: números servem para contar e letras para ler 
• Conflito: número serve ou pode ser lido apesar de não se letra 
• Em todas as línguas os números são lidos ideograficamente 
3. Características que deve possuir o texto para ser lido: 
• Somente as folhas com desenho podem ser lidas 
• É necessário haver tanto o desenho como a escrita 
• Somente as folhas com a escrita podem ser lidas 
4. Distinção entre letras e sinais gráficos: 
• Os sinais de pontuação são mais pictográficos e não fonográficos como as 
letras 
• Não existe diferenciação entre eles e as letras ou números 
• Início de diferenciação limitado ao ponto, dois pontos, traços e reticências, são 
chamados de pontinhos, risquinhos, mas continuam ser assimilados como letras 
• Diferenciação inicial. Alguns são confundidos em função da semelhança com 
os números ou letras. 
• Diferenciação entre letras e sinais de pontuação. As crianças podem não 
nomeá-los mas sabem que estes são letras ou vão com elas. 
• Distinção nítida. Começam a utilizar denominações adequadas e a distinguir a 
função. 
5. Orientação espacial da leitura 
• Não possui a orientação direita/esquerda, de cima para baixo 
• Transição, hora aponta corretamente ora não 
• Domina a orientação convencional da leitura 
6. Leitura com imagens, palavras e orações 
• No processo de aquisição de leitura, a criança recorre a fontes de informação 
visual e não visual e coordena estas duas fontes para interpretar. 
• Para avaliar o nível dessa coordenação, propõe-se que a criança leia um texto 
acompanhado de imagens. 
• Texto e desenho indiferenciado 
• Diferenciação de texto e desenho 
• Imagem permite antecipar o texto. 
7. Leitura sem imagens 
Leitura de Palavras 
• Objetivo: observar a maneira que a criança trabalha com o texto escrito sem 
outra referência mais familiar. 
• Leitura de palavras escritas 
 
 
12 
• A criança não utiliza nenhum referencial, vai dizendo palavras do seu 
vocabulário sem relação com o que está escrito. 
• Atribui às palavras grandes, nomes grandes e coisas grandes. 
• Se preocupa com a extensão da palavra escrita e da emitida oralmente, sem 
correspondência sonora 
• Se preocupa com alguns sons da palavra escrita e da emitida oralmente, sem 
correspondência sonora 
• Lê a palavra com falhas e corrige a leitura em função da compreensão desta 
• Lê corretamente 
Leitura de orações 
Objetivo: observar se a criança tem habilidade de operar simultaneamente com 
partes do enunciado oral e com as partes do texto. 
Nome: __________________________ Data: _____/_____/_____. 
PROVA DO REALISMO NOMINAL 
1. Diga uma palavra grande:_____________________________ 
Por quê: ______________________________________________ 
2. Diga uma palavra pequena:_____________________________ 
Por quê: ______________________________________________ 
3. Qual é a palavra maior, ARANHA ou BOI?_________________ 
 Por quê: _____________________________________________ 
4. Qual palavra é maior, TREM ou TELEFONE?______________ 
 Por quê: _____________________________________________ 
5. Diga uma palavra parecida com a palavra BOLA.____________ 
Por quê: ______________________________________________ 
6. Diga uma palavra parecida com a palavra 
CADEIRA._____________________ 
Por quê: _____________________________________________ 
7. As palavras BALEIA e BALA são parecidas? 
______________________________ 
Por quê: __________________________________________ 
8. Diante de duas cartelas escritas MESA e CADEIRA, pede-se à criança: 
a) Onde está escrito CADEIRA? ( ) acertou ( ) errou 
b) Como você sabe? 
__________________________________________________ 
9. Diante das três cartelas escritas COPO COLO e ÁGUA o examinador chama 
a atenção da criança para a semelhança visual entre as duas primeiras palavras 
e faz a pergunta: 
a) Esta palavra parecida com COPO é COLO ou ÁGUA? ( ) acertou ( ) errou 
b) Como você 
sabe?________________________________________________ 
10. Diante do par de palavras BOI e ARANHA o examinador fala: 
a) Nestes cartões estão escritas duas palavras, BOI e ARANHA. Onde você acha 
que está escrito 
ARANHA? ( ) acertou ( ) errou e BOI? ( ) acertou ( ) errou 
b) Por quê: ____________________________________________ 
11. Diante do par de palavras PÉ e DEDO, o examinador fala: 
a) Nestes cartões estão escritas duas palavras: PÉ e DEDO. 
Onde você acha que está escrito DEDO? ( ) acertou ( ) errou 
b) Por quê: _________________________________________ 
 
 
13 
Nome: ________________________________ Data: __/___/___. 
PROVA DE LEITURA COM IMAGEM 
1. Leitura de palavras: 
1.1 Apresenta-se para a criança 07 (sete) fichas, nas quais existem uma figura 
familiar e um texto abaixo de cada imagem. Pergunta-se para a criança: 
Há algo para ler? ( ) sim ( ) não 
Onde? ( ) apontou ( ) não apontou O que está escrito? 
1.2. Ficha apresentada Resposta da criança 
1. _________________________________ 
2.____________________________ 
3._________________________________ 
4._________________________________ 
5._________________________________ 
6. _________________________________ 
7. _________________________________ 
1.3 Classificação: 
( ) I. Texto e desenho não estão diferenciados 
( ) II. O texto é considerado como uma etiqueta do desenho: nele figura o nome 
do objeto desenhado; há diferenciação entre o desenho e o texto. 
( ) III. As prioridades do texto fornecem indicadores que permitemsustentar a 
antecipação feita com base na imagem. 
Obs: _____________________________________________________ 
2. Leitura de orações: 
2.1 Apresenta-se para a criança 04 (quatro) fichas com imagens e teto e 
pergunta-se: 
a) Há algo para ler? ( ) sim ( ) não 
b) Onde? ( ) acertou ( ) errou 
O que está escrito? 
2.2. Ficha apresentada Resposta da criança 
1. _________________________________ 
2. _________________________________ 
3. _________________________________ 
4. _________________________________ 
2.3. Classificação: 
( ) I. Desenho e escrita na estão diferenciados (escrita e desenho constituem 
uma unidade indissociável) 
( ) II. Diferenciação entre escrita e desenho (a escrita representa uma oração 
associada à imagem) 
( ) III. Início de consideração de algumas propriedades gráficas do texto (a escrita 
continua sendo previsível tomando como base a imagem). 
( ) IV. Busca de uma correspondência termo a termo, entre os fragmentos 
gráficos e segmentações sonoras. 
Nome: _________________________________ Data: __/__/__. 
PROVA DE LEITURA SEM IMAGEM 
1. Leitura de palavras: 
1.1 Apresenta-se para a criança uma lista de palavras e pergunta-se: 
O que você acha que está escrito em cada linha da ficha? 
1.2 Palavra apresentada Resposta da criança 
1. _________________________________ 
 
 
14 
2. _________________________________ 
3. _________________________________ 
4. _________________________________ 
5. _________________________________ 
6. _________________________________ 
7. _________________________________ 
8. _________________________________ 
9. _________________________________ 
 10_________________________________ 
1.3 Níveis: 
( ) I. Não utiliza o referencial 
( ) II. Preocupação com a extensão da palavra escrita relacionada ao tamanho 
do objeto 
( ) III. Preocupação com a extensão da palavra escrita e da emitida oralmente, 
sem correspondência sonora. 
( ) IV. Preocupação com alguns sons da palavra escrita que já conhece. 
( ) V. Leitura da palavra com algumas falhas, reformula o produto em função da 
compreensão desta. 
( ) VI. Leitura correta da palavra. 
OBS: 
______________________________________________________ 
OBSERVAÇÃO DE LEITURA 
Nome: ______________________________________________________ 
Série: __________ Idade: _______Data: ______/______/______ 
 
 
 
 
 
FREQUÊNCIA DE 
APRESENTAÇÃO 
1. Fluência nunca às 
vezes 
sempre 
Lê palavra por palavra 
Lê sem inflexão 
Ignora a pontuação 
Fraseia com deficiência 
Apresenta dúvidas e vacilações 
Repete palavras conhecidas 
Lê devagar 
Lê de forma rápida 
Perde o lugar que está lendo 
2. Reconhecimento de palavras nunca às 
vezes 
sempre 
Tem dificuldade de reconhecer palavras comuns a 1ª 
vista 
 
Comete erro em palavras comuns 
Decodifica com dificuldades palavras desconhecidas 
Acrescenta palavras 
Salta linhas 
Substitui palavras por outras conhecidas ou inventadas 
Inverte sílabas ou palavras 
 
 
15 
3. Diante de palavras desconhecidas nunca às 
vezes 
sempre 
Tenta sonorizá-las som por som 
Tenta sonorizá-las sílabas por sílabas 
Não faz o reconhecimento pela forma, extensão ou 
configuração 
 
Falta-lhe flexibilidade para usar chaves fônicas ou 
estruturais 
 
4. Utilização do contexto nunca às 
vezes 
sempre 
Advinha excessivamente com base no contexto 
Não utiliza o contexto como chave de reconhecimento 
Substitui palavras de aparência semelhante mas com 
significado diferente 
 
Comete divergências que alteram o significado 
Comete divergências que produzem disparates 
5. USO DA VOZ nunca às 
vezes 
sempre 
Enuncia com dificuldade 
Omite o final das palavras 
Substitui os sons 
Gagueja ao ler 
Lê com atropelo 
A voz parece nervosa ou tensa 
O volume de voz é muito alto 
O volume de voz é demasiado baixo 
O volume de voz é desagradável 
Emprega certa cadência ao ler 
6. HÁBITOS DE POSTURA nunca às 
vezes 
sempre 
Segura o texto mais perto 
Move a cabeça ao longo da linha 
 Mantém postura corporal inadequada durante a leitura 
Segue linha com dedo ou com régua 
Move o livro sem necessidade 
Dá mostras de excessivo cansaço ao ler 
Esfrega os olhos ou enxuga lágrimas 
Observações: 
_______________________________________________________________
_____________________________________________ 
LEITURA COMPREENSIVA 
 
Nome: _____________________________________________________ 
Série:_________ Idade: ___________ Data: ____/____/_____ 
 
Compreensão 
Reconheceu Lembrou 
Sim Não Sim Não 
1) detalhes 
2) as ideias principais 
3) ações em sequência 
4) relações de causa e efeito 
5) traços dos personagens do texto 
 
 
16 
 
Interpretação Sim Não 
1) interpreta aspectos objetivos do texto 
2) interpreta aspectos subjetivos do texto 
3) estabelece relações entre os aspectos do texto e outros sequência 
4) tem autonomia na interpretação 
Fonte: Anderle, 2019. 
TEMA 5 – ENTREVISTA OPERATIVA CENTRADA NA APRENDIZAGEM – 
EOCA 
A Entrevista Operativa Centrada na Aprendizagem (EOCA) é o primeiro 
encontro com o sujeito e o grande direcionador do trabalho investigativo. 
Foi elaborado por Visca (1988), como um instrumento de uso simples. que 
avalia em uma entrevista a aprendizagem do sujeito. Tem como objetivo avaliar 
o nível de pensamento e seu funcionamento, o vínculo com o objeto de 
aprendizagem, os aspectos emocionais e a avaliação da linguagem (expressiva, 
compreensiva, se sabe interpretar, se fala espontânea, além de leitura, escrita e 
produção). 
Com a EOCA, fica estabelecido o primeiro sistema de hipóteses, que irá 
definir a linha de pesquisa inicial do profissional. São disponibilizados materiais 
ao sujeito e solicitadas algumas consignas: Aberta, Fechada, Direta, Múltiplas e 
de Pesquisa. O psicopedagogo deve observar a temática, a dinâmica e o 
produto, nas dimensões afetivas e cognitivas do processo de aprendizagem. 
A EOCA é utilizada como ponto de partida em todo processo de 
investigação diagnóstica das dificuldades de aprendizagem. O instrumento 
consiste em uma entrevista semiestruturada que põe em evidência o 
aprendizado, e conta, como reativos, com qualquer material, dependendo da 
idade do educando e da queixa. Na idade escolar, podem ser: folhas pautadas, 
lápis de escrever, borracha, lápis colorido, giz de cera, papéis variados, revistas, 
tesoura, cola, livros de acordo com a idade do entrevistado, apontador, canetas, 
caneta hidrocor, folhas sulfite, régua etc. 
Os objetos são deixados sobre uma mesa, organizados de tal forma que 
o entrevistado precise abrir as caixas de lápis, abrir o estojo, apontar o lápis preto 
sem ponta, procurar o que deseja, observar todo o material para poder decidir o 
que utilizar. 
As consignas e intervenções possibilitam observar: 
 
 
17 
• a possibilidade de mudança de conduta; 
• a desorganização ou reorganização do sujeito; 
• as justificativas verbais ou pré-verbais; 
• a aceitação ou a recusa do outro (assimilação, acomodação, introjeção, 
projeção) 
Tipos de consignas e intervenções: 
• De abertura: “Gostaria que você me mostrasse o que sabe fazer, o que 
lhe ensinaram e o que você aprendeu.” “Esse material é para que você 
utilize como desejar, pode escolher e usar o que quiser.” 
• Para mudança de atividade. Consigna aberta: “Gostaria que você me 
mostrasse o que quisesse com estes materiais.” Consigna fechada: 
“Gostaria que você me mostrasse outra coisa que não seja... ou gostaria 
que você me mostrasse algo diferente do que já me mostrou.” Consigna 
direta: “Gostaria que me mostrasse algo de matemática, escrita, leitura, 
etc.” Consigna múltipla: “Você pode ler, escrever, pintar, desenhar, 
recortar etc.” Consignas para pesquisa: “Para que serve isto, o que você 
fez, que horas são, que cor você está utilizando etc.” 
Por meio da observação do tema, da dinâmica e do produto, pode-seobservar o sintoma e as causas históricas coexistentes (ansiedade, defesas, 
funções, nível de pensamento utilizado, grau de exigência, aquisições 
automáticas, aspectos da lateralidade, organização, ritmo de trabalho, interesses 
etc.). Estes três níveis de observação são os indicadores do primeiro sistema de 
hipóteses. 
a) Temática – Consiste em tudo que o sujeito diz, o que terá, como toda 
conduta humana, um aspecto manifesto e outro latente. 
b) Dinâmica – Consiste em tudo que o sujeito faz que não é estritamente 
verbal: gestos, tons de voz, postura corporal, etc. A forma de sentar, de 
pegar no lápis podem ser mais reveladoras que os comentários e até 
mesmo que o produto. 
c) Produto – É o que o sujeito deixa gravado no papel, na dobradura, na 
colagem etc. incluindo a sequência em que foram feitos. 
d) Dimensão afetiva – Alguns indicadores: alterações no campo 
geográfico e o de consciência (distração, inadequação da postura, 
fugas etc.); aparecimento de condutas defensivas (medos, resistência 
 
 
18 
à tarefa, à mudança, à ordem etc.); ordem e escolha dos materiais; 
aparecimento de condutas reativas (ansiedade, choro, etc.). 
e) Dimensão cognitiva – Alguns indicadores: leitura dos objetos e 
situação; utilização adequada dos objetos; estratégias utilizadas na 
produção da tarefa; organização; planejamento da atividade 
(antecipação); nível de pensamento utilizado. 
Deve-se registrar tudo o que foi observado: postura, ações, palavras, 
frases etc. Segue um modelo de registro. 
ENTREVISTA OPERATIVA CENTRADA NA APRENDIZAGEM – E.O.C.A. 
Nome: ____________________________________ Idade: _____ 
Data: _____/_____/_____ Horário: _________ a _______ 
Observador: ______________________________________________ 
Anotações Hipóteses 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Observações: 
_____________________________________________________ 
 
 
 
19 
NA PRÁTICA 
Estude um caso clínico em psicopedagogia e descreva quais os aspectos 
ou domínios importantes que devem ser analisados no comprometimento da 
aprendizagem. Explique qual ou quais aspectos afetaram significativamente o 
desenvolvimento do sujeito, explicando o seu entendimento sobre cada um 
deles. 
FINALIZANDO 
Nesta aula, refletimos sobre a atuação do psicopedagogo clínico, 
analisando o conceito de avaliação clínica, e compreendendo a queixa na 
avaliação diagnóstica na psicopedagogia clínica que é o primeiro passo para a 
avaliação. 
Estudamos também o desenvolvimento intelectual do sujeito, e como 
fazer as primeiras observações de seu desenvolvimento pela E.O.C.A. 
(Entrevista Operativa Centrada na Aprendizagem). 
 
 
 
20 
REFERÊNCIAS 
ANDERLE, S. S. Diagnóstico psicopedagógico. Slideshare, 2019. Disponível 
em: . Acesso em: 26 abr. 2019. 
BOSSA, N. A. A Psicopedagogia no Brasil: contribuições a partir da prática. 
Porto Alegre: Artmed, 2000. 
PAÍN, S. Diagnóstico e tratamento dos problemas de aprendizagem. 4. ed. 
Porto alegre: Artmed, 1992. 
VISCA, J. Clínica psicopedagógica: epistemologia convergente. Porto Alegre: 
Artmed, 1988. 
WEISS, M. L. L. Psicopedagogia clínica: uma visão diagnóstica dos problemas 
de aprendizagem escolar. Rio de janeiro: DP&A, 2004.

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