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AVALIAÇÃO PSICOPEDAGÓGICA CLÍNICA AULA 2 Prof.ª Genoveva Ribas Claro 2 CONVERSA INICIAL Esta aula tem como objetivo abordar como é o processo da avaliação psicopedagógica clínica, que se inicia com a fase diagnóstica, tomando como referência uma queixa, momento em que o profissional procura o sentido da problemática do sujeito que é encaminhado. Nessa fase de investigação, de acordo com Weiss (2004, p. 27), acontece uma pesquisa do que não vai bem com o sujeito em relação a uma conduta esperada. O desvio de conduta é um sintoma que sinaliza que há um certo desvio em relação a determinados parâmetros existentes no meio. Essa problemática, apontada como motivo manifesto no diagnóstico, aos poucos vai diminuindo, e começa assim a surgir um motivo latente, que é o que realmente obstaculiza o aprendizado. Assim, nesta aula vamos entender como analisar essa queixa, e como deve acontecer a atuação do profissional, para a realização de um diagnóstico eficaz, com estabelecimento de intervenção adequada. Nesta aula, vamos: • refletir sobre a atuação do psicopedagogo clínico; • analisar a avaliação psicopedagógica clínica; • compreender a queixa na avaliação diagnóstica na psicopedagogia clínica; • estudar o desenvolvimento intelectual do sujeito. • identificar a Entrevista Operativa Centrada na Aprendizagem – EOCA. TEMA 1 – ATUAÇÃO DO PSICOPEDAGOGO CLÍNICO Uma das mais importantes habilidades que o profissional de psicopedagogia deve ter na avaliação clínica é um olhar diferenciado para as dificuldades de aprendizagem, com uma escuta relacionada a entender como o sujeito aprende. O psicopedagogo também deve estar preparado para lidar com possíveis reações em resposta a algumas tarefas, como resistências, bloqueios, ansiedade, entre outras. É preciso uma busca constante por conhecimento, com estudos voltados a compreender de forma mais completa o sujeito e suas potencialidades, considerando que os alunos já são criticados em demasia por 3 não corresponderem às expectativas de pais, professores, gestores e deles mesmos. A atuação do psicopedagogo visa identificar as causas dos problemas de aprendizagem, usando instrumentos próprios da Psicopedagogia. A forma de abordar o objeto de estudo assume características específicas: clínica, preventiva e teórica. O trabalho psicopedagógico na área preventiva é de orientação no processo de ensino e aprendizagem, visando favorecer a apropriação do conhecimento no ser humano, ao longo da evolução na área clínica. Não deixa de ser um trabalho preventivo, pois ao tratar alguns transtornos de aprendizagem, podemos evitar o aparecimento de outros. (Bossa, 2000, p. 30) A elaboração na área teórica visa criar um corpo teórico da Psicopedagogia, com processos de investigação e diagnóstico específicos, por meio de estudos das questões educacionais e da saúde, no que concerne ao processo de aprendizagem. Esse trabalho consiste na leitura e releitura do processo de aprendizagem e de não-aprendizagem. (Bossa, 2000, p. 30) A psicopedagogia tem o seu lugar na clínica e na instituição. Cada um desses implica uma metodologia específica de trabalho. Em ambos, no entanto, deve-se considerar especialmente as circunstâncias, isto é, o contexto de vida do sujeito, ou seja, a família, a escola, a sociedade. (Bossa, 2000, p. 87). A esse respeito, analise o esquema da figura a seguir. Figura 1 – Perspectiva Fonte: Elaborado com base em Weiss, 2004. 4 A perspectiva da sociedade é a mais ampla, pois consideramos o tipo de cultura, as condições e as relações político-sociais e econômicas vigentes, o tipo de estrutura social, as ideologias dominantes, e as relações explícitas e implícitas desses aspectos com a aprendizagem. Estão incluídos os aspectos físicos, pré-natal, perinatal, pós-natal, assim como exposição a doenças letais, desnutrição, acidentes e suas consequências. (Weiss, 2004, p. 16) A perspectiva da escola é reflexo do sistema socioeconômico, e, portanto, a possibilidade de aprendizagem por parte do aluno depende de como essas informações foram ensinadas. A escola é, então, participante do processo de aprendizagem, que inclui o sujeito no seu mundo sociocultural. Para Visca (1988), a escola é responsável pela aprendizagem sistemática: A aprendizagem sistemática é aquela que se opera na interação com as instituições educativas, mediadoras da sociedade, órgãos especializados para transmitir os conhecimentos, atitudes e destrezas que a sociedade estima necessárias para a sobrevivência, capazes de manter uma relação equilibrada entre a identidade e a mudança. Estas instituições, além disso, provêm ao sujeito as aprendizagens instrumentais que irão permitir o acesso a níveis mais elaborados de pensamentos (Visca, 1988, p. 78) É preciso considerar professores qualificados, apoio material e pedagógico, estrutura da escola, e o envolvimento da sociedade e da família. “A má qualidade de ensino provoca um desestímulo na busca do conhecimento” (Weiss, 2004, p. 18). Deve-se investigar: história escolar do aluno, sistema de avaliação e concepção pedagógica. A perspectiva do aluno está referida nos aspectos internos de aprendizagem, focando, assim, na questão da intrassubjetividade. Devem ser observados os aspectos orgânicos, os cognitivos (memória, atenção, linguagem, entre outros), e os emocionais, incluindo o relacionamento afetivo com a construção do conhecimento. Consideramos também que o fracasso escolar é causado por uma conjunção de fatores interligados, que impedem o bom desempenho do aprendente, embora se tente identificar, em alguns casos, um ponto inicial no nível interno ou externo. (Weiss, 2004, p. 20-21) Portanto, o trabalho psicopedagógico deve reconhecer e considerar as interferências desses elementos, não só na avaliação psicopedagógica, mas também na forma de intervenção do profissional. Não é possível excluir do processo de aprendizagem esses elementos virtuais, cujo influência sobre o sujeito é marcante. Pode-se dizer que a natureza das causas para a dificuldade 5 de aprendizagem aponta para o psicopedagogo a melhor forma como deve atuar na hora da intervenção. (Bossa, 2000, p. 87) TEMA 2 – REFLEXÃO SOBRE A AVALIAÇÃO PSICOPEDAGÓGICA CLÍNICA O primeiro passo no processo de avaliação psicopedagógica clínica é a análise da queixa. A queixa se refere ao surgimento de um sintoma, que é sinal de que algo não vai bem com o sujeito, ou seja, com seu processo de aprendizagem. Assim, a avaliação diagnóstica consiste em: • identificar, localizar e investigar o motivo da não aprendizagem; • analisar e interpretar os resultados encontrados por meio dos instrumentos; • prescrever e fazer os encaminhamentos necessários; • orientar os familiares, a escola e os demais profissionais, bem como o sujeito; • estabelecer procedimentos para prevenir o aparecimento de outras dificuldades. No processo de avaliação, o psicopedagogo deve controlar a ansiedade frente ao sujeito e à situação de avaliação, pois a situação avaliativa, para muitos, é considerada como uma forma de julgamento, de modo que o sujeito tende a ter expectativas em relação ao resultado; assim, evite elogios, como "acertou". Sendo a Psicopedagogia uma área interdisciplinar, que se relaciona com conhecimentos do campo da Educação e da Saúde, acima de tudo, ela investiga e compreende o processo de aprendizagem e a relação que o aprendiz estabelece com ele, levando em consideração a interação de fatores orgânicos, sociais, afetivos, pedagógicos e cognitivos. Tais situações relacionam-se às ideias de Visca (1988), ao se referir à psicopedagogia como uma área de conhecimento que favorece inter-relações com outras áreas. Assim, não devemos nos prender somente na busca por respostas que envolvam a questãocognitiva de forma isolada. Para se iniciar o diagnóstico psicopedagógico, é fundamental que o terapeuta tenha clareza quanto a dois grandes eixos de análise: (Weiss, 2004, p. 29) 6 • Eixo horizontal: onde está centrado o sintoma, a visão do presente “aqui- agora”. São utilizados instrumentos como: Entrevista Familiar Exploratória Situacional – EFES, Entrevista Operativa Centrada na Aprendizagem – EOCA; Sessões Lúdicas; Testagens diversas, provas operatórias de Piaget; entrevista com a equipe da escola e com outros profissionais; e análise da produção do sujeito no consultório. • Eixo vertical: é o histórico do sujeito. É feita anamnese com a família, com a escola e outros profissionais. Análise de documentos passados, como: álbuns, laudos, registros escolares, entre outros. TEMA 3 – A QUEIXA NA AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA NA PSICOPEDAGOGIA CLÍNICA Para a análise da queixa, são realizadas a observação participante e a observação lúdica. A observação participante é realizada pela E.O.C.A. (Entrevista Operativa Centrada na Aprendizagem). Na E.O.C.A., analisa-se o desenvolvimento físico, sensorial, motor, viso-motor e intelectual, e sua conduta diante da aprendizagem. No desenvolvimento físico, o psicopedagogo deve observar o modo como o paciente anda, sua postura e aparência. Ele verifica se há alterações físicas. No desenvolvimento sensorial, observa-se a capacidade de perceber e interpretar os estímulos que se apresentam aos órgãos dos sentidos. No desenvolvimento psicomotor, o foco é a forma como a atividade física se relaciona com o funcionamento psicológico. O desenvolvimento viso-motor envolve a associação da visão, da percepção e do desenvolvimento motor fino. No desenvolvimento intelectual, deve-se observar a capacidade de assimilar conhecimentos fatuais, compreender as relações entre eles, e integrá-los aos conhecimentos. De modo geral, o diagnóstico deve buscar uma compreensão global de sua forma de aprender e dos desvios que estão ocorrendo nesse processo. Busca-se organizar os dados obtidos em relação à vida biológica, intrapsíquica e social, de forma única e pessoal. Pode-se dizer que aquilo que é percebido pelo próprio sujeito, ou pelos outros, é chamado de sintoma; o sintoma é na verdade o que emerge da personalidade em interação com o meio social. (Weiss, 2005, p. 28) 7 O objetivo básico do diagnóstico psicopedagógico é identificar os desvios e os obstáculos básicos do modelo de aprendizagem do sujeito, que o impedem de crescer na aprendizagem dentro do esperado pelo meio social, entendendo aqui como modelo de aprendizagem o conjunto dinâmico que estrutura os conhecimentos que o sujeito já têm, os estilos usados nessa aprendizagem, o ritmo e áreas de expressão de conduta, a mobilidade e o funcionamento cognitivo, os hábitos adquiridos, as motivações presentes, as ansiedades, defesas e conflitos em relação ao aprender, as relações vinculares com o conhecimento em geral e com os objetos de conhecimento escolar em particular, e o significado da aprendizagem escolar para o sujeito, sua família e a escola. (Weiss, 2004, p. 34) O diagnóstico psicopedagógico é composto de vários momentos, os quais, temporal e espacialmente, tomam dimensões específicas, conforme a necessidade de cada caso, dentro de uma sequência diagnóstica estabelecida nos primeiros contatos com o caso, conforme Weiss (2004, p. 35-36) estabelece. Primeiramente, o contato com os pais, quando é preciso observar: • significação do sintoma na família ou, com maior precisão, articulação funcional do problema de aprendizagem; • significado do sintoma para a família, isto é, as reações comportamentais de seus membros ao assumir a existência do problema; relaciona-se com os valores da família com respeito ao não aprender; • fantasias de enfermidade e cura e expectativas acerca de sua intervenção no processo diagnóstico de tratamento; sentido do que a família espera a respeito do seu trabalho; • modalidade de comunicação do casal e função do terceiro; observar a relação dos pais entre si, os valores da família, a comunicação com os pais e com você. Com a escola, observar: • significação do sintoma na escola, visão do sintoma; • significação do sintoma para o professor (escola); • significado do sintoma para o professor (escola), reações dos membros da escola ao assumir o problema; • significado do sintoma; 8 • sentido do que a escola espera a respeito da sua intervenção (confirmação do não aprender como: tirar da responsabilidade da escola o fracasso; uma possibilidade de auxílio para o sucesso; uma ameaça externa); • observar os valores da escola, a comunicação entre seus profissionais e entre profissionais e o aluno. Com o sujeito, observar: • visão do sintoma para o sujeito (isto é, o que acontece); • significação do problema para o sujeito (o que significa o meu não aprender); • sentido do que o sujeito espera a respeito da sua intervenção; • observar as modalidades de comunicação do sujeito (o que pode ser feito na entrevista realizada com o sujeito no primeiro encontro, antes da E.O.C.A). Segue modelo de entrevista com o sujeito: 1. Nome: 2. Data do nascimento: __/__/__ Idade: ____Série: ___ Período: ______ 3. Escola atual: 4. Nome da Profª: 5. O que disseram que você viria fazer aqui? 6. Por que você acha que veio aqui? 7. Você acha que tem alguma dificuldade? 8. Em quê? 9. Gostaria de fazer um trabalho comigo para verificarmos em que posso lhe ajudar? A observação lúdica se refere à interação da criança com os brinquedos e as brincadeiras. Brincar é uma forma de expressão, pois, por meio do jogo, ela define seus papéis e seu espaço, mostrando suas relações interpessoais. Com base nesses processos, percebe-se os limites que impostos e demonstra-se como lidar com eles. A observação lúdica é uma técnica de compilação de dados que auxilia a investigar os aspectos mais significativos para a formulação das hipóteses. Trata-se de uma observação espontânea, em que 9 a motivação por brincar deve ser a sua maior preocupação, mais do que o fato de se sentir observada. Pontos a serem observados: • a interação da criança frente ao brinquedo; • o repertório cognitivo, afetivo, motor, funcional, social; • o nível e o tipo de linguagem; • a conduta; • o uso do brinquedo como função real; • a proposta de brincadeiras; • a centralização em brinquedos regressivos ou superior à idade da criança; • o levantamento de hipóteses. TEMA 4 – ANÁLISE DO DESENVOLVIMENTO INTELECTUAL Na observação participativa, a avaliação do desenvolvimento é uma pesquisa sistemática de sinais e sintomas que desviam do padrão. Um deles é o desenvolvimento intelectual, quando analisamos as funções mentais na resolução dos problemas, na seguinte ordem: Sensação, Percepção, Atenção, Memória, Raciocínio, Simbolização e Conceituação. A sensação diz respeito à recepção sensorial, seja ela pelo canal: visual, auditivo, tátil, gustativo ou olfativo. Na percepção, são discriminadas cores (agrupa os iguais, sem nomear), é feita a discriminação auditiva, a discriminação visual, e o reconhecimento ou identificação da fonte sonora. É o processo sensório-perceptivo da aprendizagem. No processo cognitivo, a atenção é uma dimensão da consciência que designa a capacidade de manter o foco em uma atividade. Observar: o tempo de atenção e de concentração em diversas atividades, se existe diferenciação de tempo no desenvolvimento das diversas atividades, se a atenção é seletiva, concentrada, se mostra atenção dirigida a detalhes, se ocorre ligada a estímulos visuais, auditivos, outros, ou se não apresenta vínculo a áreas específicas. Memória mede a capacidade de registrar, fixar e reconhecer objetos, pessoas e experiências passadas ou estímulos sensoriais. São fixados na memória fatosou situações que, quando ocorreram, provocaram emoções 10 associadas a prazer, medo etc., ou que foram significativas para a pessoa. Observar: memória de trabalho, de curto prazo e de longo prazo. O raciocínio mede a capacidade de resolver situações novas com rapidez e com êxito, mediante a realização de tarefas que envolvem a apreensão de relações abstratas entre fatos, eventos, antecedentes e consequências etc. Observar a capacidade de classificar, seriar, conceituar e simbolizar. A linguagem é a atividade mental associada com o processamento, a compreensão e a comunicação de informação. Estabelece relações entre os conceitos, por meio de elementos de outras funções mentais, além de criar novas representações, ou seja, novos pensamentos. Linguagem e pensamento são funções mentais superiores associadas. A linguagem reflete a capacidade de pensamento; então, se uma pessoa tiver um transtorno de pensamento, sua linguagem poderá ser prejudicada. A linguagem pode ser verbal, quando os sinais utilizados para os atos de comunicação são as palavras. A língua utilizada para os atos de comunicação é a língua verbal ou a linguagem não verbal, aquela que utiliza para atos de comunicação outros sinais que não as palavras. Por exemplo: o conjunto de sinais de trânsito utilizado para orientar motoristas, as bandeiras que orientam os pilotos em corridas de automóveis, além de gestos, mímicas, desenhos, símbolos etc. Vejamos um exemplo de teste para avaliar a linguagem, segundo Anderle (2019). PROVA DO REALISMO NOMINAL A) NÍVEIS 1. Total desconhecimento das correspondências entre letras e sílabas com um número arbitrário de letras. 2. Tentativa de correspondência entre letra e sílaba, com um número arbitrário de letras. 3. Capacidade de antecipar uma representação silábica. Elaboração de hipóteses silábicas. B) INTERPRETAÇÃO DA ESCRITA ANTES DA LEITURA CONVENCIONAL 1. Quantidade suficiente de caracteres • Esta prova tem por objetivo conhecer o nível de conceituação das crianças sobre qual a quantidade de caracteres escritos deve possuir uma palavra para ser lida. • Todos servem para ler, uns servem outros não, descrimina letras e números 11 • Poucas letras não servem para ler, dependendo do contexto uma letra serve ou não. • Diferenciação entre letras e números. É possível ser lido independente de ser uma palavra com poucos caracteres. Precisa haver uma variedade de caracteres para ser lido. 2. Momentos da relação entre números e letras: • Confunde-se números e letras • Distinção da função: números servem para contar e letras para ler • Conflito: número serve ou pode ser lido apesar de não se letra • Em todas as línguas os números são lidos ideograficamente 3. Características que deve possuir o texto para ser lido: • Somente as folhas com desenho podem ser lidas • É necessário haver tanto o desenho como a escrita • Somente as folhas com a escrita podem ser lidas 4. Distinção entre letras e sinais gráficos: • Os sinais de pontuação são mais pictográficos e não fonográficos como as letras • Não existe diferenciação entre eles e as letras ou números • Início de diferenciação limitado ao ponto, dois pontos, traços e reticências, são chamados de pontinhos, risquinhos, mas continuam ser assimilados como letras • Diferenciação inicial. Alguns são confundidos em função da semelhança com os números ou letras. • Diferenciação entre letras e sinais de pontuação. As crianças podem não nomeá-los mas sabem que estes são letras ou vão com elas. • Distinção nítida. Começam a utilizar denominações adequadas e a distinguir a função. 5. Orientação espacial da leitura • Não possui a orientação direita/esquerda, de cima para baixo • Transição, hora aponta corretamente ora não • Domina a orientação convencional da leitura 6. Leitura com imagens, palavras e orações • No processo de aquisição de leitura, a criança recorre a fontes de informação visual e não visual e coordena estas duas fontes para interpretar. • Para avaliar o nível dessa coordenação, propõe-se que a criança leia um texto acompanhado de imagens. • Texto e desenho indiferenciado • Diferenciação de texto e desenho • Imagem permite antecipar o texto. 7. Leitura sem imagens Leitura de Palavras • Objetivo: observar a maneira que a criança trabalha com o texto escrito sem outra referência mais familiar. • Leitura de palavras escritas 12 • A criança não utiliza nenhum referencial, vai dizendo palavras do seu vocabulário sem relação com o que está escrito. • Atribui às palavras grandes, nomes grandes e coisas grandes. • Se preocupa com a extensão da palavra escrita e da emitida oralmente, sem correspondência sonora • Se preocupa com alguns sons da palavra escrita e da emitida oralmente, sem correspondência sonora • Lê a palavra com falhas e corrige a leitura em função da compreensão desta • Lê corretamente Leitura de orações Objetivo: observar se a criança tem habilidade de operar simultaneamente com partes do enunciado oral e com as partes do texto. Nome: __________________________ Data: _____/_____/_____. PROVA DO REALISMO NOMINAL 1. Diga uma palavra grande:_____________________________ Por quê: ______________________________________________ 2. Diga uma palavra pequena:_____________________________ Por quê: ______________________________________________ 3. Qual é a palavra maior, ARANHA ou BOI?_________________ Por quê: _____________________________________________ 4. Qual palavra é maior, TREM ou TELEFONE?______________ Por quê: _____________________________________________ 5. Diga uma palavra parecida com a palavra BOLA.____________ Por quê: ______________________________________________ 6. Diga uma palavra parecida com a palavra CADEIRA._____________________ Por quê: _____________________________________________ 7. As palavras BALEIA e BALA são parecidas? ______________________________ Por quê: __________________________________________ 8. Diante de duas cartelas escritas MESA e CADEIRA, pede-se à criança: a) Onde está escrito CADEIRA? ( ) acertou ( ) errou b) Como você sabe? __________________________________________________ 9. Diante das três cartelas escritas COPO COLO e ÁGUA o examinador chama a atenção da criança para a semelhança visual entre as duas primeiras palavras e faz a pergunta: a) Esta palavra parecida com COPO é COLO ou ÁGUA? ( ) acertou ( ) errou b) Como você sabe?________________________________________________ 10. Diante do par de palavras BOI e ARANHA o examinador fala: a) Nestes cartões estão escritas duas palavras, BOI e ARANHA. Onde você acha que está escrito ARANHA? ( ) acertou ( ) errou e BOI? ( ) acertou ( ) errou b) Por quê: ____________________________________________ 11. Diante do par de palavras PÉ e DEDO, o examinador fala: a) Nestes cartões estão escritas duas palavras: PÉ e DEDO. Onde você acha que está escrito DEDO? ( ) acertou ( ) errou b) Por quê: _________________________________________ 13 Nome: ________________________________ Data: __/___/___. PROVA DE LEITURA COM IMAGEM 1. Leitura de palavras: 1.1 Apresenta-se para a criança 07 (sete) fichas, nas quais existem uma figura familiar e um texto abaixo de cada imagem. Pergunta-se para a criança: Há algo para ler? ( ) sim ( ) não Onde? ( ) apontou ( ) não apontou O que está escrito? 1.2. Ficha apresentada Resposta da criança 1. _________________________________ 2.____________________________ 3._________________________________ 4._________________________________ 5._________________________________ 6. _________________________________ 7. _________________________________ 1.3 Classificação: ( ) I. Texto e desenho não estão diferenciados ( ) II. O texto é considerado como uma etiqueta do desenho: nele figura o nome do objeto desenhado; há diferenciação entre o desenho e o texto. ( ) III. As prioridades do texto fornecem indicadores que permitemsustentar a antecipação feita com base na imagem. Obs: _____________________________________________________ 2. Leitura de orações: 2.1 Apresenta-se para a criança 04 (quatro) fichas com imagens e teto e pergunta-se: a) Há algo para ler? ( ) sim ( ) não b) Onde? ( ) acertou ( ) errou O que está escrito? 2.2. Ficha apresentada Resposta da criança 1. _________________________________ 2. _________________________________ 3. _________________________________ 4. _________________________________ 2.3. Classificação: ( ) I. Desenho e escrita na estão diferenciados (escrita e desenho constituem uma unidade indissociável) ( ) II. Diferenciação entre escrita e desenho (a escrita representa uma oração associada à imagem) ( ) III. Início de consideração de algumas propriedades gráficas do texto (a escrita continua sendo previsível tomando como base a imagem). ( ) IV. Busca de uma correspondência termo a termo, entre os fragmentos gráficos e segmentações sonoras. Nome: _________________________________ Data: __/__/__. PROVA DE LEITURA SEM IMAGEM 1. Leitura de palavras: 1.1 Apresenta-se para a criança uma lista de palavras e pergunta-se: O que você acha que está escrito em cada linha da ficha? 1.2 Palavra apresentada Resposta da criança 1. _________________________________ 14 2. _________________________________ 3. _________________________________ 4. _________________________________ 5. _________________________________ 6. _________________________________ 7. _________________________________ 8. _________________________________ 9. _________________________________ 10_________________________________ 1.3 Níveis: ( ) I. Não utiliza o referencial ( ) II. Preocupação com a extensão da palavra escrita relacionada ao tamanho do objeto ( ) III. Preocupação com a extensão da palavra escrita e da emitida oralmente, sem correspondência sonora. ( ) IV. Preocupação com alguns sons da palavra escrita que já conhece. ( ) V. Leitura da palavra com algumas falhas, reformula o produto em função da compreensão desta. ( ) VI. Leitura correta da palavra. OBS: ______________________________________________________ OBSERVAÇÃO DE LEITURA Nome: ______________________________________________________ Série: __________ Idade: _______Data: ______/______/______ FREQUÊNCIA DE APRESENTAÇÃO 1. Fluência nunca às vezes sempre Lê palavra por palavra Lê sem inflexão Ignora a pontuação Fraseia com deficiência Apresenta dúvidas e vacilações Repete palavras conhecidas Lê devagar Lê de forma rápida Perde o lugar que está lendo 2. Reconhecimento de palavras nunca às vezes sempre Tem dificuldade de reconhecer palavras comuns a 1ª vista Comete erro em palavras comuns Decodifica com dificuldades palavras desconhecidas Acrescenta palavras Salta linhas Substitui palavras por outras conhecidas ou inventadas Inverte sílabas ou palavras 15 3. Diante de palavras desconhecidas nunca às vezes sempre Tenta sonorizá-las som por som Tenta sonorizá-las sílabas por sílabas Não faz o reconhecimento pela forma, extensão ou configuração Falta-lhe flexibilidade para usar chaves fônicas ou estruturais 4. Utilização do contexto nunca às vezes sempre Advinha excessivamente com base no contexto Não utiliza o contexto como chave de reconhecimento Substitui palavras de aparência semelhante mas com significado diferente Comete divergências que alteram o significado Comete divergências que produzem disparates 5. USO DA VOZ nunca às vezes sempre Enuncia com dificuldade Omite o final das palavras Substitui os sons Gagueja ao ler Lê com atropelo A voz parece nervosa ou tensa O volume de voz é muito alto O volume de voz é demasiado baixo O volume de voz é desagradável Emprega certa cadência ao ler 6. HÁBITOS DE POSTURA nunca às vezes sempre Segura o texto mais perto Move a cabeça ao longo da linha Mantém postura corporal inadequada durante a leitura Segue linha com dedo ou com régua Move o livro sem necessidade Dá mostras de excessivo cansaço ao ler Esfrega os olhos ou enxuga lágrimas Observações: _______________________________________________________________ _____________________________________________ LEITURA COMPREENSIVA Nome: _____________________________________________________ Série:_________ Idade: ___________ Data: ____/____/_____ Compreensão Reconheceu Lembrou Sim Não Sim Não 1) detalhes 2) as ideias principais 3) ações em sequência 4) relações de causa e efeito 5) traços dos personagens do texto 16 Interpretação Sim Não 1) interpreta aspectos objetivos do texto 2) interpreta aspectos subjetivos do texto 3) estabelece relações entre os aspectos do texto e outros sequência 4) tem autonomia na interpretação Fonte: Anderle, 2019. TEMA 5 – ENTREVISTA OPERATIVA CENTRADA NA APRENDIZAGEM – EOCA A Entrevista Operativa Centrada na Aprendizagem (EOCA) é o primeiro encontro com o sujeito e o grande direcionador do trabalho investigativo. Foi elaborado por Visca (1988), como um instrumento de uso simples. que avalia em uma entrevista a aprendizagem do sujeito. Tem como objetivo avaliar o nível de pensamento e seu funcionamento, o vínculo com o objeto de aprendizagem, os aspectos emocionais e a avaliação da linguagem (expressiva, compreensiva, se sabe interpretar, se fala espontânea, além de leitura, escrita e produção). Com a EOCA, fica estabelecido o primeiro sistema de hipóteses, que irá definir a linha de pesquisa inicial do profissional. São disponibilizados materiais ao sujeito e solicitadas algumas consignas: Aberta, Fechada, Direta, Múltiplas e de Pesquisa. O psicopedagogo deve observar a temática, a dinâmica e o produto, nas dimensões afetivas e cognitivas do processo de aprendizagem. A EOCA é utilizada como ponto de partida em todo processo de investigação diagnóstica das dificuldades de aprendizagem. O instrumento consiste em uma entrevista semiestruturada que põe em evidência o aprendizado, e conta, como reativos, com qualquer material, dependendo da idade do educando e da queixa. Na idade escolar, podem ser: folhas pautadas, lápis de escrever, borracha, lápis colorido, giz de cera, papéis variados, revistas, tesoura, cola, livros de acordo com a idade do entrevistado, apontador, canetas, caneta hidrocor, folhas sulfite, régua etc. Os objetos são deixados sobre uma mesa, organizados de tal forma que o entrevistado precise abrir as caixas de lápis, abrir o estojo, apontar o lápis preto sem ponta, procurar o que deseja, observar todo o material para poder decidir o que utilizar. As consignas e intervenções possibilitam observar: 17 • a possibilidade de mudança de conduta; • a desorganização ou reorganização do sujeito; • as justificativas verbais ou pré-verbais; • a aceitação ou a recusa do outro (assimilação, acomodação, introjeção, projeção) Tipos de consignas e intervenções: • De abertura: “Gostaria que você me mostrasse o que sabe fazer, o que lhe ensinaram e o que você aprendeu.” “Esse material é para que você utilize como desejar, pode escolher e usar o que quiser.” • Para mudança de atividade. Consigna aberta: “Gostaria que você me mostrasse o que quisesse com estes materiais.” Consigna fechada: “Gostaria que você me mostrasse outra coisa que não seja... ou gostaria que você me mostrasse algo diferente do que já me mostrou.” Consigna direta: “Gostaria que me mostrasse algo de matemática, escrita, leitura, etc.” Consigna múltipla: “Você pode ler, escrever, pintar, desenhar, recortar etc.” Consignas para pesquisa: “Para que serve isto, o que você fez, que horas são, que cor você está utilizando etc.” Por meio da observação do tema, da dinâmica e do produto, pode-seobservar o sintoma e as causas históricas coexistentes (ansiedade, defesas, funções, nível de pensamento utilizado, grau de exigência, aquisições automáticas, aspectos da lateralidade, organização, ritmo de trabalho, interesses etc.). Estes três níveis de observação são os indicadores do primeiro sistema de hipóteses. a) Temática – Consiste em tudo que o sujeito diz, o que terá, como toda conduta humana, um aspecto manifesto e outro latente. b) Dinâmica – Consiste em tudo que o sujeito faz que não é estritamente verbal: gestos, tons de voz, postura corporal, etc. A forma de sentar, de pegar no lápis podem ser mais reveladoras que os comentários e até mesmo que o produto. c) Produto – É o que o sujeito deixa gravado no papel, na dobradura, na colagem etc. incluindo a sequência em que foram feitos. d) Dimensão afetiva – Alguns indicadores: alterações no campo geográfico e o de consciência (distração, inadequação da postura, fugas etc.); aparecimento de condutas defensivas (medos, resistência 18 à tarefa, à mudança, à ordem etc.); ordem e escolha dos materiais; aparecimento de condutas reativas (ansiedade, choro, etc.). e) Dimensão cognitiva – Alguns indicadores: leitura dos objetos e situação; utilização adequada dos objetos; estratégias utilizadas na produção da tarefa; organização; planejamento da atividade (antecipação); nível de pensamento utilizado. Deve-se registrar tudo o que foi observado: postura, ações, palavras, frases etc. Segue um modelo de registro. ENTREVISTA OPERATIVA CENTRADA NA APRENDIZAGEM – E.O.C.A. Nome: ____________________________________ Idade: _____ Data: _____/_____/_____ Horário: _________ a _______ Observador: ______________________________________________ Anotações Hipóteses Observações: _____________________________________________________ 19 NA PRÁTICA Estude um caso clínico em psicopedagogia e descreva quais os aspectos ou domínios importantes que devem ser analisados no comprometimento da aprendizagem. Explique qual ou quais aspectos afetaram significativamente o desenvolvimento do sujeito, explicando o seu entendimento sobre cada um deles. FINALIZANDO Nesta aula, refletimos sobre a atuação do psicopedagogo clínico, analisando o conceito de avaliação clínica, e compreendendo a queixa na avaliação diagnóstica na psicopedagogia clínica que é o primeiro passo para a avaliação. Estudamos também o desenvolvimento intelectual do sujeito, e como fazer as primeiras observações de seu desenvolvimento pela E.O.C.A. (Entrevista Operativa Centrada na Aprendizagem). 20 REFERÊNCIAS ANDERLE, S. S. Diagnóstico psicopedagógico. Slideshare, 2019. Disponível em: . Acesso em: 26 abr. 2019. BOSSA, N. A. A Psicopedagogia no Brasil: contribuições a partir da prática. Porto Alegre: Artmed, 2000. PAÍN, S. Diagnóstico e tratamento dos problemas de aprendizagem. 4. ed. Porto alegre: Artmed, 1992. VISCA, J. Clínica psicopedagógica: epistemologia convergente. Porto Alegre: Artmed, 1988. WEISS, M. L. L. Psicopedagogia clínica: uma visão diagnóstica dos problemas de aprendizagem escolar. Rio de janeiro: DP&A, 2004.