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PROFESSOR(A): MARCELLO SANTOS
Crime e o Direito Penal
Sociedade e Crime: Valores Históricos
Objetivo da Aula
Conhecer a importância dos conceitos históricos e evolutivos da sociedade e crime.
Apresentação
Sociedade e crime andam de mãos dadas, um não existe sem o outro. Nesta aula, 
estudaremos sobre a evolução histórica da sociedade e do crime, sob a ótica histórica, 
conceituando e exemplificando os pontos evolutivos mais importantes entre sociedade e 
crime. A melhor forma de olhar esse ponto é associar os conceitos com a sociologia criminal, 
justamente pelo fato de ela olhar tanto para o crime quanto para a sociedade.
Conteúdo
O conceito de sociedade é extremamente importante para diversas áreas do conhecimento, 
entre elas o direito, a história, a sociologia, a antropologia, a filosofia etc. A etimologia 
da palavra vem do latim societas, que tem seu sentido em “associar-se com os outros”. 
Historicamente, indivíduos se unem e vivem em grupos para perpetuar a sobrevivência da 
espécie. Destaca-se, ainda, que o homem, enquanto ser social, desenvolve mais as suas 
potencialidades quando está interagindo com os da sua espécie, pois é nessa troca social 
que o ser humano evolui e, por consequência, a sociedade também.
O crime segue a mesma evolução da sociedade; conforme ela evolui, tornando-se 
mais complexa, o crime também passa a ser mais complexo. O ato criminoso é inerente ao 
fenômeno social, mas antes vamos olhar para o conceito de sociedade, conforme alguns 
pensadores.
Iniciaremos por Émile Durkheim, que foi um estudioso, sociólogo, responsável por dar 
status científico à sociologia. Durkheim utilizou critérios objetivos e rigorosos para observar 
a sociedade como um todo. Segundo o autor, os fenômenos sociais que não são estudados 
pelas outras áreas do conhecimento são os fatos sociais:
Livro Eletrônico
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É fato social toda maneira de fazer, fixada ou não, suscetível de exercer sobre o indivíduo uma 
coerção exterior; ou ainda, toda maneira de fazer que é geral na extensão de uma sociedade dada 
e, ao mesmo tempo, possui uma existência própria, independentemente de suas manifestações 
individuais. (DURKHEIM, 2007, p. 13)
Essa teoria é revestida de generalidade, pois consiste em observar ações de determinados 
indivíduos que vivem em grupo ou sociedade. Um conceito extremamente importante 
trazido pelo sociólogo é o da exterioridade, que consiste e se caracteriza quando o fato 
social extrapola o âmbito individual, eclodindo na consciência coletiva que atua sobre a 
consciência individual e regrando seu modo de agir (DURKHEIM, 2007).
Durkheim leciona que o fato social é antecedente ao indivíduo, ou seja, não era gerado 
por ele, mas sim pelo contexto social no qual viveria. Ainda, sobre sua teoria, importante 
esclarecer que, para o sociólogo, existiam dois tipos de fatos sociais: os normais e os 
patológicos.
Fato social normal é uma fase correspondente ao desenvolvimento social positivo. Por 
outro lado, o fato social patológico se relaciona com a desestabilização da ordem social. O 
crime, aparentemente, tem caráter patológico, mas, para o autor, trata-se de um fato social 
normal! Observe que, para Durkheim, não existe sociedade sem crime. Isso pelo simples 
fato de que crime e sociedade andam lado a lado. Não existe sociedade sem atrito, sem 
colisão de direitos e deveres.
Assim, o crime seria, portanto, necessário e útil, visto que é inerente às condições da vida 
social, na medida em que produz a evolução da consciência moral e do direito da sociedade. 
Entretanto, quando o crime atingir níveis capazes de desestabilizar a ordem social, terá o 
caráter patológico (DURKHEIM, 2007).
Para observar as regras de forma mais objetiva, Durkheim ensina que é possível fazer 
uma análise dos fenômenos sociais de maneira objetiva, bastando considerar os fatos sociais 
como “coisas”. O autor acreditava que a explicação para as características de determinada 
sociedade viria de fora, da observação ampla e empírica dos fatos. Para demonstrar isso, 
não é necessário filosofar sobre sua natureza nem discutir as analogias que se apresentam 
com os fenômenos dos reinos inferiores, basta tratar os fenômenos sociais como coisas 
(DURKHEIM, 2007).
Durkheim faz essa crítica, pois a filosofia determina(va) como base para seu estudo 
o método dedutivo de conhecimento, que consistia em explicar a sociedade, partindo do 
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pressuposto da natureza humana – como a ideia de Adam Smith, da natureza egoísta do 
homem, ou de Marx e sua visão da história de que a sociedade circula sobre a luta de classes.
Buscando especificar a Teoria do Fato Social, Durkheim (2007) estabelece, em uma de 
suas obras, a definição de algumas características essenciais à existência do fato social, 
que são a coercitividade, a exterioridade e a generalidade, que passamos a analisar.
Iniciando pela coercitividade, para o sociólogo, seria algo que caracterizaria o fato 
social como uma imposição; ela determinaria um modo (operandi) específico para a ação 
e o pensamento, dentro do corpo social, independentemente de sua vontade. Assim, o 
interesse da coletividade é atendido em detrimento do interesse individual. A coercitividade 
pode ser identificada quando se nota a existência de obrigações ou restrições que alteram 
o modo de agir individual para que este se adapte ao modo diverso, comum à sociedade 
(DURKHEIM, 2007).
A coerção resulta de práticas constituídas em um nível institucionalizado (pelo Estado), 
na sociedade, possuindo diversos sentidos – por exemplo, regras jurídicas (Direito Penal), 
morais e religiosas (CABRAL, 2004). A coerção é uma característica importante para traçar os 
fatos sociais, visto que cada cidadão absorve de forma única as regras sociais. Para Durkheim 
(2007, p. 9):
De fato, a coerção é fácil de constatar quando se traduz exteriormente por alguma reação direta 
da sociedade, como é o caso em relação ao direito, à moral, às crenças, aos costumes, inclusive 
às modas. Mas, quando é apenas indireta, como a que exerce uma organização econômica, ela 
nem sempre se deixa perceber tão bem.
Explicando de outra forma, a coerção é manifestada pela ação direta da sociedade, 
como no caso dos costumes e das leis, hipótese em que ela é mais fácil de ser percebida; 
mas também é fato que, de forma indireta, todos são coagidos em algum nível.
Em sua obra, Durkheim utiliza como exemplo a forma de educar as crianças. Principalmente, 
durante a infância, os pais, por meio de um esforço contínuo, impõem maneiras de agir ou 
percepções que elas nunca iriam obter espontaneamente (DURKHEIM, 2007).
Passamos, então, a analisar a exterioridade, que pode ser traduzida pela convicção 
coletiva que prevalece sobre a individual, ou seja, o fato social não depende da vontade 
anterior de qualquer indivíduo para existir, mas sim existe em si mesmo.
O ser humano nasce em um mundo já anteriormente consolidado e constituído, e 
o indivíduo é resultado de múltiplas interações sociais (MUSSE, 2011). A exterioridade 
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seria, então, uma constituição biopsicológica que antecederia as pessoas, podendo ser 
compreendida como realidades preexistentes que determinavam múltiplos e frequentes 
comportamentos sociais.Durkheim (2007) acreditava que a sociedade deveria ser imaginada de forma igual a 
um organismo biológico, em que a saúde é desejável e a doença deve ser combatida. Assim, 
seria comum que, em várias sociedades, apresentasse-se o mesmo estado evolutivo, 
saudável ou não.
Por último e não menos importante, existe o atributo da generalidade, o qual imputa 
que o fato social é um fato amplo, geral, que abrange todos os indivíduos de uma sociedade 
(DURKHEIM, 2007). Ainda, a generalidade pode ser vista sob uma segunda definição: a da 
objetividade, em que se pode mais facilmente estabelecer um conceito. Para Durkheim 
(2007, p.10), “essa definição não é senão outra forma da primeira, pois, se uma maneira 
de se conduzir, que existe exteriormente às consciências individuais, se generaliza, ela só 
pode fazê-lo impondo-se”.
Para poder falar de sociedade e crime, preciso, antes, que você compreenda alguns 
aspectos muito importantes sobre o fato social que apresentei. Veremos, no decorrer 
deste módulo, repetidas vezes, os conceitos de crime e de sociedade sob vários aspectos.
Mas quero deixar muito claro que o fato social tem uma importância para a sociedade. 
A sociedade é algo que não podemos separar do ser humano, que é um ser social e vive em 
comunidades, e, por muitas vezes, essa vivência cria atritos sociais.
Alguns desses atritos podem ser denominados “crimes”, que se modificam conforme a 
sociedade se transforma, e, para poder compreender e estudar esse objeto, necessitamos 
sim compreender o fato social na sua forma mais ampla e pura.
Na Antiguidade, existiam crimes não muito complexos, considerando que as relações sociais 
também não eram. Da mesma forma, as garantias individuais não tinham complexidade (ou 
se é existiam), o que deixava margem para as vinganças privadas quando do cometimento 
de crimes.
A sociedade, evoluindo, passa a ter um pensamento mais moderno, concedendo garantias 
(constitucionais) para os indivíduos. Logo, a sociedade começa a se preocupar mais com os 
aspectos humanísticos, dando uma maior importância a esses, o que, por consequência, 
inicia um afastamento das penas cruéis, como: pena de morte, prisão perpétua e trabalhos 
forçados. Aos poucos, essas penas vão caindo em desuso e são retiradas do catálogo de 
sanções. Notem que, ao mesmo passo que a sociedade evolui, o direito também.
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Não distante, o crime também se transforma, com novos tipos, novas condutas 
criminalizadas, novas formas de cometimentos de crimes, crimes que não deixam vestígios, 
crimes digitais e crimes em redes sociais. O que pode nos nortear para compreender os 
saltos sociais é justamente a Teoria do Fato Social que, conforme demonstrado, abarca 
todos os pontos necessários para compreender “a sociedade, o crime e os valores históricos”.
Considerações Finais
A Teoria do Fato Social é de extrema importância, pois ela vai nortear nosso módulo 
por inteiro. Você deve compreendê-la, uma vez que todo o nosso estudo, a partir de agora, 
será baseado, de uma forma ou de outra, nela.
Compreenda que a Teoria do Fato Social trata de fenômenos sociais, consciência coletiva 
e valores aceitos e não aceitos. Ainda, demonstra quais são os valores dominantes e quais 
pensamentos estão vigorando em determinado período histórico.
Não podemos deixar essa teoria de lado, pois a norma penal que tutela bens jurídicos 
nada mais é do que uma manifestação social, que nasceu para rechaçar delitos (atitudes 
contrárias ao contrato social). Através da norma penal, o Estado pune o indivíduo (coerção 
da teoria vista), pois este “exteriorizou” condutas em desacordo com o acordo social coletivo.
Estamos diante de um quebra-cabeça e, a partir deste momento, vamos começar a 
organizar as peças em seus devidos lugares.
Materiais Complementares
Filme: Ladrões de bicicletas. A indicação desse filme se dá pelo cenário, Itália, pós-primeira 
guerra, com: direitos e garantias constitucionais muito mexidos frente aos acontecimentos; 
inexistência ou falta de compromisso das autoridades frente ao furto do bem; e valores 
sociais e morais sólidos para algumas pessoas, e outras, não.
• Data de lançamento: 24 de novembro de 1948 (Itália);
• Diretor: Vittorio De Sica;
• Indicações: Prêmio BAFTA de Cinema: Melhor Filme, MAIS;
• Adaptação de: BicycleThieves.
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Referências
CABRAL, Augusto. A sociologia funcionalista nos estudos organizacionais: foco em 
Durkheim. Cad. EBAPE. BR, Rio de Janeiro, v. 2, n. 2, p. 01-15, 2004.
CABRAL, João Francisco Pereira. A definição de ação social de Max Weber; Brasil Escola. 
Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/filosofia/a-definicao-acao-social-max-
weber.htm. Acesso em 22 de out de 2022.
DURKHEIM, Émile. As regras do método sociológico. 3a ed. São Paulo, SP: Martins Fontes. 
2007.
DURKHEIM, Émile. Da divisão do trabalho social. São Paulo, SP: Martins Fontes. 1999.
DURKHEIM, Émile. O suicídio: estudo de sociologia. São Paulo, SP: Martins Fontes. 2000.
MUSSE, Ricardo. Émile Durkheim. Fato Social e Divisão do Trabalho, Ed. Ática, 2011.
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	Sociedade e Crime: Valores Históricos
	Direito Penal: Evolução Histórica
	Direito Penal: Objetivos e a Norma Incriminadora
	Direito Penal: Limitador do Direito Punitivo Estatal
	Sociedade e Cultura como Fatores para o Crime
	Considerações Finais da Unidade

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