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INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS 
E INTERVENÇÃO FARMACÊUTICA
A administração de dois ou mais fármacos simultaneamente com alteração do 
efeito em comparação ao uso isolado do fármaco, é definida como interação 
medicamentosa. Esta associação de medicamentos frequentemente ocorre com 
o objetivo de melhorar determinado efeito farmacológico, contudo, muitas inte-
rações não são previstas e podem diminuir o efeito de um dos medicamentos 
ou provocar efeitos danosos.
Nos dias atuais, existem inúmeros programas computadorizados que conse-
guem verificar as interações medicamentosas, porém é necessário a intervenção 
farmacêutica para realizar a identificação das interações de maior importância 
clínica para o paciente. As principais interações medicamentosas de importân-
cia clínica estão apresentadas na Tabela abaixo.
FÁRMACOS MECANISMOS EFEITOS DA INTERAÇÃO
Linezolida + fluoxetina O metabolismo da sertoto-
nina é inibido pela monoa-
minoxidade.
Risco aumentado de síndrome 
serotonérgica (confusão men-
tal, hipertermia, hipertensão, 
entre outros). 
Digoxina + amiodarona A amiodarona pode reduzir 
a excreção da digoxina, pro-
longando seu efeito.
Os efeitos da digoxina são au-
mentados.
Varfarina + antibióticos 
macrolídeos
O efeito da varfarina é pro-
longado, pois os macrolídeos 
reduzem a flora intestinal e 
inibem seu metabolismo.
Maior risco de sangramento.
Teofilina + ciprofloxacino Inibem o metabolismo hepá-
tico feito pelas quinolonas.
Pode provocar toxicidade da 
teofilina
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| Interações medicamentosas e intervenção farmacêutica
CLASSIFICAÇÃO
Pode-se classificar as interações medicamentosas de acordo com o início de 
efeito, gravidade, documentação na literatura e mecanismo de ação.
Quanto ao início de efeito, são divididas em rápidas ou tardias: 
Em relação à gravidade do efeito, as interações podem ser classificadas em gra-
ves, moderadas ou leves: 
Efeito rápido
•	 Início da ação deve ocorrer em até 24 
horas após a utilização dos fármacos
•	 Necessário que ocorra monitoramen-
to ou intervenção para reduzir ou não 
os efeitos da interação.
Efeito tardio
Início da ação pode ocorrer após dias ou 
semanas
GRAVIDADE
GRAVES
a interação pode afe-
tar a evolução clínica 
ou causar danos per-
manentes no paciente, 
caso não seja corre-
tamente monitorada. 
Devido a isso, requer 
intervenção para pre-
venir ou reduzir os 
danos.
MODERADAS
a interação pode inter-
ferir na condição clíni-
ca do paciente, poden-
do exigir modificações 
na terapia
LEVES
o efeito da interação 
não necessariamente 
afetará o paciente, 
provocando apenas 
efeitos clínicos incon-
venientes, de modo 
que não é necessário 
alterar a terapia ou 
realizar intervenções 
mais complexas
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| Interações medicamentosas e intervenção farmacêutica
No que se refere à documentação na literatura, as interações medicamentosas 
estão classificadas segundo o grau de evidência descrita:
Em relação ao mecanismo de ação, as interações podem ser divididas em far-
macodinâmicas ou farmacocinéticas.
FARMACODINÂMICAS
• Acontecem entre dois ou mais fármacos, mediante seus próprios mecanis-
mos de ação ou competindo com receptores específicos. 
• Podem produzir ações de antagonismo (quando um fármaco anula a ação do 
outro) - são de fácil detecção e são usadas para impedir o efeito adverso de 
algum fármaco, porém podem ocorrer efeitos desagradáveis quando as dro-
gas apresentam o mesmo perfil toxicológico, como a associação de vancomi-
cina e gentamicina, pois os dois antibióticos possuem potencial nefrotóxico.
• Podem produzir ações de sinergismo (quando um fármaco potencializa 
a ação de outro) - podem ocorrer adição ou potencialização dos efeitos, 
além de possíveis efeitos tóxicos. 
GRAU DE EVIDÊNCIA
EXCELENTE
muito bem do-
cumentadas e 
estabelecidas 
por estudos con-
trolados
SUSPEITO OU 
RAZOÁVEL
pouco documen-
tada, ocorrendo 
apenas a sus-
peita de intera-
ção medicamen-
tosa.
BOM
 bem documen-
tadas e a litera-
tura indica que 
existe a intera-
ção, porém ainda 
são necessários 
estudos para 
estabelecer a 
evidência.
POBRE
muito pouco 
documentada, 
os estudos são 
relacionados a 
relatos de caso
IMPROVÁVEL
requer uma 
maior base far-
macológica para 
estabelecer a 
existência de in-
teração.
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| Interações medicamentosas e intervenção farmacêutica
• A associação de medicamentos para potencializar a eficácia é muito co-
mum, alguns exemplos são: sulfametoxazol + trimetroprima: melhora na 
eficácia terapêutica devido a interferência em diferentes rotas metabólicas 
da bactéria; penicilina G cristalina + procaína: aumento da duração de 
ação da penicilina. Já em casos de antagonismo, as 
FARMACOCINÉTICAS
• De acordo com o sítio de ação, podem estar relacionadas com os proces-
sos de absorção, distribuição, metabolismo e eliminação.
• Podem reduzir o gradiente de concentração dos fármacos, afetando a bio-
disponibilidade e a eficácia terapêutica.
ABSORÇÃO
• a absorção dos fármacos ocorre principalmente no intestino delgado, este 
processo pode sofrer alterações se for administrado em associação com 
antiácidos, resinas, alimentos ou substâncias adsorventes, pois a altera-
ção do pH gástrico ou intestinal pode alterar as velocidades de desintegra-
ção, dissolução ou absorção. Além disso, a diminuição da acidez gástrica 
causada por tratamento com inibidores da bomba de prótons pode preju-
dicar a absorção de determinados fármacos, devido a diminuição da sua 
lipossolubilidade, o que dificulta o processo de atravessar a membrana 
gástrica.
Tratamento com antiácidos:
• Pode interferir na motilidade gastrintestinal;
• Pode alterar a solubilidade de alguns fármacos, formando compostos com 
baixa solubilidade.
• Exemplo: administração de medicamentos com cálcio, magnésio ou alumí-
nio juntamente com tetraciclina ou rifampicina
• Recomendação: utilizar os fármacos que contém estes cátions no mínimo 
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| Interações medicamentosas e intervenção farmacêutica
duas horas após a ingestão de outro medicamento, para evitar a diminui-
ção da absorção e da eficácia terapêutica, que pode ocorrer pois o alu-
mínio reduz o esvaziamento gástrico e o magnésio aumenta a motilidade 
gastrintestinal. 
Substâncias adsorventes (ex: Carvão ativado)
• Ocorre diminuição da absorção de digitálicos e de certos antimicrobia-
nos, devido a isso, podem ser utilizadas em casos de intoxicação. 
Interações relacionadas a absorção
• Podem afetar a flora intestinal e alterar o efeito de alguns fármacos, um 
exemplo é o uso de antibióticos orais em conjunto com contraceptivos, 
isso ocorre pois alguns antibióticos diminuem a flora bacteriana no in-
testino grosso, estas bactérias tem a função de metabolizar ou realizar 
a desconjugação de alguns medicamentos que são absorvidos no intes-
tino durante o ciclo êntero-hepático, no exemplo citado acima, a falha de 
desconjugação reduz a reabsorção do contraceptivo para a circulação, de 
modo que seus níveis plasmáticos ficam abaixo do limite terapêutico.
DISTRIBUIÇÃO
• Após o fármaco atingir a circulação sanguínea, sua chegada aos tecidos de-
pende de vários fatores, tais como características físico-químicas (tamanho 
molecular, polaridade, solubilidade aquosa e lipídica) de seu princípio ativo 
e condições fisiológicas do paciente. A ligação a proteínas plasmáticas e 
tissulares é o meio pelo qual a maioria das interações relacionadas a dis-
tribuição ocorrem, o processo se caracteriza por rápido aumento do efeito 
farmacológico, seguido de redução após alguns dias de tratamento, devido 
ao aumento da quantidade de fármaco livre, disponível para ser excretado. 
• Estas interações tem importância clínica principalmente em fármacos com 
baixo índice terapêutico (fármacos que apresentam o valor da dose tóxica 
bastante próximo do valor da dose eficaz)
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| Interações medicamentosas e intervenção farmacêutica
METABOLISMO
• Apresentam elevada importância clínica e podem ocorrer através de dois 
mecanismos:inibição ou indução enzimática. É comum que muitos fár-
macos sejam indutores do metabolismo hepático por meio do citocromo 
P450, este aumento do metabolismo faz com que consequentemente as 
concentrações plasmáticas e os efeitos farmacológicos diminuam se os 
metabólitos forem inativos e se forem ativos, podem ocorrer efeitos tóxi-
cos. O processo de indução enzimática é dose-dependente, e o retorno 
aos níveis normais pode levar vários dias. Alguns exemplos de indutores 
enzimáticos do cito- cromo P450 são a rifampicina, a carbamazepina, a 
fenitoína, o fenobarbital, a progesterona e a testosterona. Resumindo, 
tanto na indução quanto na inibição, os principais efeitos resultantes de 
interações entre os fármacos são: 
ELIMINAÇÃO
• substâncias que acidificam o pH urinário podem aumentar a velocidade de 
excreção de fármacos básicos e reduzir a velocidade de excreção de fár-
macos ácidos. Como exemplo, pode-se citar o bicarbonato de sódio, que é 
maiores concentrações do 
fármaco (efeito terapêutico ou 
tóxico)
redução de efeito 
(concentração plasmática menor 
do que a mínima efetiva)
 menor duração de ação 
(devido ao aumento na 
velocidade de biotransformação)
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| Interações medicamentosas e intervenção farmacêutica
usado para aumentar o pH urinário, aumentando a excreção de fármacos 
ácidos.Estas alterações no pH podem prejudicar os processos de reabsor-
ção. 
• A secreção tubular do plasma para urina é um processo ativo envolvendo 
transportadores específicos para ácidos e bases fracos, que podem com-
petir com outro por esse transporte, diminuindo a velocidade de secreção 
tubular e a depuração renal ao mesmo tempo que as concentrações plas-
máticas do fármaco são aumentadas. A interação da penicilina com a 
probenicida, é um exemplo de interação muito eficaz e se caracteriza por 
redução da excreção de penicilina e aumento da meia-vida do antibiótico.
INTERAÇÕES ENTRE FÁRMACOS E ALIMENTOS
Nos hospitais, as interações fármaco-alimento podem prejudicar a eficácia da 
terapia medicamentosa, pois geralmente muitos pacientes internados são ido-
sos que fazem uso de diversos medicamentos e/ou apresentam distúrbios me-
tabólicos.
Geralmente, as interações fármaco-alimento são relacionadas aos processos de 
absorção, mais especificamente pela redução da solubilidade do princípio ativo 
causada pelo surgimento de complexos, diminuição do contato do fármaco com 
as superfícies de absorção devido a formação de barreiras físicas, alterações do 
fluxo sanguíneo e da motilidade gastrintestinal.
A administração de fármacos junto ou logo após as refeições normalmente pre-
judica a sua absorção, contudo existem algumas exceções em que a presença 
de carboidratos e gorduras melhora a absorção, é o caso da hidroclorotiazida, 
teofilina, metoprolol e diazepam. A ingestão de fármacos junto com alimentos 
também pode reduzir os efeitos colaterais de determinados fármacos como al-
guns anti-inflamatórios e antimicrobianos. Além disso, é importante lembrar 
que deve-se evitar a ingestão de sucos de frutas cítricas junto com medicamen-
tos, devido a possível alteração do pH gástrico que prejudicaria a absorção.
A interação entre as tetraciclinas e alimentos como o leite (ricos em cálcio) é 
uma das interações clássicas de fármaco-alimento, ela provoca a formação de 
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| Interações medicamentosas e intervenção farmacêutica
quelatos insolúveis que são excretados pelas fezes. Outros exemplos de intera-
ções entre fármacos e alimentos estão descritos na Tabela abaixo.
Medicamento Efeito Recomendação
Ciprofloxacino Pode ocorrer quelação do an-
tibiótico se for administrado 
junto com bebidas fortifica-
das com cálcio ou derivados 
lácteos.
Administrar o medicamento 
duas horas após as refeições.
Levotiroxina A absorção do medicamen-
to pode ser prejudicada pela 
presença de alimentos.
Administrar o medicamento 
de estômago vazio, 30 a 60 
minutos antes do café da ma-
nhã
Didanosina A biodisponibilidade das cáp-
sulas de liberação lenta é 
diminuída cerca de 19% na 
presença de alimentos e a da 
suspensão oral aproximada-
mente 50%
Utilizar o medicamento no mí-
nimo 30 minutos antes ou 2 
horas após as refeições 
Captopril A ingestão de alimentos, prin-
cipalmente os ricos em potás-
sio, reduz a absorção em 10 a 
50%.
Deve-se utilizar o fármaco 1 
hora antes ou 2 horas após as 
refeições.

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