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102 pág.

Aula de Insulinoterapia e Antidiabéticos orais.

Farmacologia Universidade Federal de PelotasUniversidade Federal de Pelotas

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## Resumo sobre Insulinoterapia e Antidiabéticos OraisO material aborda de forma detalhada os aspectos fisiológicos, farmacológicos e terapêuticos relacionados à insulina e ao tratamento do diabetes mellitus, com ênfase na insulinoterapia e nos antidiabéticos orais. Inicialmente, destaca-se a estrutura da insulina, uma pequena molécula proteica composta por 51 aminoácidos distribuídos em duas cadeias (A e B) unidas por pontes dissulfeto, com peso molecular de 5.808 daltons nos humanos. A insulina circulante apresenta níveis basais entre 5 a 15 µU/ml, que podem aumentar para 60 a 90 µU/ml após as refeições, refletindo sua função fisiológica na regulação da glicose sanguínea.O diabetes mellitus é caracterizado como um distúrbio metabólico crônico, marcado pela hiperglicemia persistente, que pode resultar em complicações agudas e crônicas com alta morbidade e mortalidade. O texto diferencia os principais tipos de diabetes: o tipo 1, que envolve deficiência absoluta na secreção de insulina devido à destruição autoimune das células β pancreáticas, e o tipo 2, que combina alterações na secreção de insulina e resistência periférica dos tecidos-alvo. Também são mencionadas formas específicas, como o diabetes gestacional e diabetes secundário a fatores genéticos ou induzidos por fármacos. O fígado e os rins são destacados como órgãos principais responsáveis pela remoção e degradação da insulina circulante, por meio da insulina protease.### Tratamento do Diabetes: Insulinoterapia e Antidiabéticos OraisNo tratamento do diabetes tipo 1, a insulinoterapia é essencial para controlar a glicemia e prevenir complicações como a cetoacidose diabética. Já no diabetes tipo 2, o manejo envolve a normalização dos níveis glicêmicos e a prevenção de complicações a longo prazo, utilizando antidiabéticos orais e, em alguns casos, insulina. Os fármacos antidiabéticos são classificados conforme seu mecanismo de ação:- **Aumento da ação da insulina:** Biguanidas (ex.: metformina) e tiazolidinedionas, que melhoram a sensibilidade dos tecidos à insulina.- **Aumento da secreção de insulina:** Sulfoniluréias e meglitinidas, que estimulam as células β pancreáticas.- **Retardo da absorção de glicose:** Inibidores da α-glicosidase, que retardam a digestão e absorção de carboidratos.- **Incretinomiméticos:** Incluem inibidores da dipeptidil peptidase 4 (DPP-4) e agonistas do peptídeo-1 semelhante ao glucagon (GLP-1), que aumentam a secreção de insulina e reduzem a glicemia pós-prandial.O diagnóstico do diabetes é baseado em critérios glicêmicos, como glicemia casual ≥ 200 mg/dl na presença de sintomas clássicos, glicemia de jejum ≥ 126 mg/dl, ou glicemia 2 horas após sobrecarga oral de glicose ≥ 200 mg/dl.### Insulina: Tipos, Farmacocinética e PreparaçõesA insulina utilizada clinicamente pode ser de origem bovina, suína ou humana, sendo esta última produzida por técnicas de DNA recombinante, com concentração padrão de 100 U/ml. A insulina é degradada no trato gastrointestinal, por isso sua administração é parenteral (subcutânea, intravenosa ou intramuscular), além da via inalatória. A degradação ocorre principalmente no fígado e rins pela insulina protease.As preparações de insulina são classificadas conforme o tempo de início, pico e duração da ação, para melhor mimetizar a fisiologia da secreção insulínica:- **Insulinas de ação ultra-rápida:** Lispro, asparte e glulisina, com início em 5-15 minutos, pico entre 30-90 minutos e duração de 4-6 horas. São indicadas para controle prandial, reduzindo o risco de hipoglicemia.- **Insulina rápida (regular):** Início em 30-60 minutos, pico em 2-3 horas e duração de 8-10 horas, usada para controle pós-prandial.- **Insulina intermediária (NPH):** Início em 2-4 horas, pico em 4-10 horas e duração de 12-18 horas, utilizada para controle basal, geralmente em combinação com insulinas rápidas ou ultra-rápidas.- **Insulinas de ação prolongada:** Glargina e detemir, com início lento (2-4 horas), sem pico pronunciado e duração entre 12-24 horas, fornecendo um efeito basal estável.Além disso, existem associações comerciais de insulinas humanas misturadas, como 70% NPH com 30% regular, ou 75% NPH com 25% lispro, facilitando o manejo terapêutico.A pureza da insulina é um fator importante para reduzir reações adversas, como produção de anticorpos, alergias e lipoatrofias nos locais de aplicação. Insulinas menos purificadas apresentam maior risco dessas complicações, enquanto as insulinas humanas e suíno monocomponentes apresentam pureza elevada (1 ppm).---### Destaques- A insulina é uma proteína composta por 51 aminoácidos, essencial para o controle da glicemia.- Diabetes tipo 1 envolve deficiência absoluta de insulina; tipo 2 combina resistência e secreção inadequada.- Tratamentos incluem insulinoterapia e diversos antidiabéticos orais com mecanismos variados.- Insulinas são classificadas em ultra-rápidas, rápidas, intermediárias e prolongadas, para mimetizar a secreção fisiológica.- A pureza da insulina influencia diretamente a segurança e a tolerabilidade do tratamento.

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