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Introdução e História da Anatomia e Fisiologia: Humana da Célula à Microscopia Fernanda Gomes Silva Introdução e História da Anatomia e Fisiologia Humana: da célula à microscopia 2 Introdução Antes de começarmos a estudar os sistemas do corpo humano, é necessário conhecermos pontos importantes para uma maior compreensão dos próximos conteúdos apresentados. Este conteúdo definirá a anatomia e fisiologia humana, apresentando sua história e evolução. Você também estudará as posições e os termos anatômicos, os sistemas em que o corpo é dividido, o mecanismo de transporte pela membrana e a homeostasia, os tecidos. Vamos iniciar nossa jornada no fascinante mundo da anatomia e da fisiologia? Objetivos da Aprendizagem Ao final do conteúdo, esperamos que você seja capaz de: • definir anatomia e fisiologia humana; • entender a história da anatomia e da fisiologia humana; • descrever a posição anatômica e termos anatômicos; • identificar os sistemas que compõem o corpo humano; • descrever os mecanismos de transporte pela membrana e homeostasia. 3 Introdução e definições da anatomia e fisiologia A anatomofisiologia pode ser dividida em dois ramos da ciência, a anatomia e a fisiologia, que irão proporcionar o conhecimento das funções e das partes do corpo humano. Para uma melhor definição, seguem seus conceitos. A palavra anatomia vem de anatome – cortar em partes ou separando, compreendida como a ciência que estuda as estruturas e organizações internas e externas dos seres vivos (TORTORA; NIELSEN, 2017). O estudo do corpo humano pode ser feito pela anatomia macroscópica, essa depende do seu enfoque e recebe várias denominações, podendo ser: anatomia radiológica, anatomia funcional, anatomia descritiva, anatomia comparada, anatomia regional, anatomia aplicada e anatomia de superfície. Além das denominações relacionadas anteriormente, temos as subáreas que podem ser relacionadas à anatomia, são elas: embriologia, biologia do desenvolvimento, biologia celular e histologia. A fisiologia, por sua vez, é a ciência que estuda o funcionamento normal de um organismo vivo e de suas partes componentes, isso inclui os processos físicos e químicos (SILVERTHORN, 2010). A palavra fisiologia vem da junção grega physis (funcionamento ou natureza) com a palavra logos (estudo ou conhecimento). A fisiologia tem as seguintes subáreas: neurofisiologia, endocrinologia, fisiologia cardiovascular, imunologia, fisiologia da respiração, fisiologia renal, fisiologia dos exercícios e fisiopatologia. O funcionamento não pode ser separado completamente da estrutura dos seres vivos, por isso a necessidade do estudo da anatomofisiologia. Cada estrutura do corpo está designada para desempenhar uma função específica, e a estrutura determina sua função. A função de um órgão ou tecido está relacionada à sua estrutura. Concepções gerais da história da anatomia e fisiologia A primeira forma de estudo da anatomia se dava pela dissecação e por cortes precisos, com o objetivo de revelar a organização estrutural de seres vivos. A prática de dissecação mais antiga que se tem relato é do grego Teofrasto, que era um dos discípulos de Aristóteles. No início o nome anatomia remetia apenas a dissecar e era usado como sinônimo do estudo da biologia. A busca por conhecimento e a 4 necessidade fizeram com que, desde a pré-história, o homem se interessasse por essa área de estudo. No início a dissecação era feita apenas em animais, após se estendeu para os seres humanos. No ano de 500 a.C, na Grécia, Alceméon, mesmo com o preconceito do estudo do corpo humano, realizou pesquisas anatômicas, tornando-se assim o “pai” da anatomia. Além dele, Empédocles, Anaxágoras, Esculápio e Aristóteles também foram grandes estudiosos da dissecação, mas foi na Escola de Alexandria que a anatomia prática começou a progredir. A dissecação por razões éticas e religiosas foi proibida em 150 a.C. Com isso, a dissecação de animais foi a saída para a continuidade dos estudos. Foram dissecados diversos tipos de animais, e os resultados obtidos eram aplicados na anatomia humana, fazendo com que ocorressem erros inevitáveis. Foi durante o século IX que houve interesse em voltar ao estudo do corpo humano, graças à Escola Médica de Salermo, na Itália. Há registros de que o estudo da anatomia recomeçou por razões práticas, uma vez que as guerras geravam grande quantidade de mortos em combate, e era preciso repatriar os corpos. A prática da dissecação era importante para determinar as causas das mortes e para descobrir enfermidades infecciosas. O progresso dos estudos anatômicos se deu no Renascimento, houve nesse período a descoberta de textos gregos sobre o assunto, e pensadores levaram a igreja a ser mais condescendente quanto à dissecação de cadáveres. Foi durante o Renascimento que os estudos anatômicos progrediram, pois nessa época se descobriram textos gregos que tratavam do assunto. Com isso a Igreja acabou cedendo e autorizando a realização de dissecações em cadáveres. O estudo da fisiologia teve seu início na Grécia, há mais de 2.500 anos. Um dos mais importantes nomes do estudo da fisiologia foi Cláudio Galeno, que dizia que o corpo era composto de quatro diferentes fluidos e possuía órgãos principais, o coração, o cérebro e o fígado. Galeno era responsável pelo tratamento de gladiadores, mas seus estudos eram realizados em animais. Uma importante contribuição aos estudos de fisiologia foi realizada por William Harvey, em 1628: ele descreveu a circulação sanguínea, mostrando que o corpo não produzia sangue continuamente. Com esse estudo, mostrou que o sangue circulava pelo corpo por causa do coração. No século XIX, várias mudanças aconteceram e o desenvolvimento tecnológico permitiu novas descobertas, sendo a principal delas a elaboração do conceito de homeostasia, fundamental para a fisiologia. Hoje a fisiologia tornou-se matéria obrigatória em qualquer curso da área da saúde, pois entende-se que o profissional é capaz de exercer sua profissão caso não saiba como funcionam as atividades que envolvem a vida. 5 O termo “necropsia” é utilizado quando há a necessidade de realizar um exame do corpo após a morte e a dissecação de órgãos internos, a fim de descobrir ou de confirmar o que ocasionou a morte do indivíduo. Curiosidade Planos anatômicos Antes de classificarmos os planos anatômicos, é necessário conhecer algumas divisões e conceitos. O corpo humano é dividido em cabeça, tronco e membros. A cabeça por sua vez é dividida em face e crânio; o tronco em pescoço, tórax e abdome; e os membros em superiores (ombro, braço, antebraço e mão) e inferiores (quadril, coxa, perna e pé) (TORTORA; NIELSEN, 2017). Para a anatomia, a descrição de qualquer região do corpo assume uma posição específica, e para essa damos o nome de posição anatômica. Nessa posição, a pessoa está ereta, olhando para o observador, com a cabeça na posição horizontal e os olhos voltados diretamente para frente. Os pés estão plantados no solo e dirigidos para frente, enquanto os braços estão estendidos, em cada lado, com as palmas voltadas para frente. Na posição anatômica o corpo está ereto. (TORTORA; NIELSEN, 2017, p. 12). É importante também compreender que há variações anatômicas entre os seres humanos, e isso prejudica suas funções. Os principais fatores que podem ocasionar essas variações são: idade, sexo, raça, biótipo etc. Para fazer a localização das diversas estruturas dos corpos, existem alguns termos direcionais utilizados pelos anatomistas, e esses termos quando agrupados em pares podem ter significados opostos, como anterior e posterior. Há assim os seguintes termos: superior, inferior, anterior, posterior, medial, lateral, intermediário, homolateral, contralateral, proximal, distal, superficial e profundo. 6 Figura 1 - Termos direcionais Fonte: Tortora e Nielsen (2017, p. 15). Tanto o corpo humano quanto os órgãos possuem suas descrições anatômicas baseadas em planos desecção, que são superfícies planas imaginárias que passam através do corpo. São eles: plano sagital, plano frontal, plano transversal e plano oblíquo. Baseado em Santos (2014), segue a definição de cada um deles. O plano sagital diz respeito aos planos de secção que dividem o corpo e órgãos em lado direito e esquerdo, plano vertical. Quando esse plano passa pela linha mediana, é chamado de plano mediano, tem metades iguais, direita e esquerda. Mas se o plano sagital não passar pela linha mediana e sua divisão for desigual, é chamado de plano paramediano. O plano frontal diz respeitos aos planos de secção que possibilitam a divisão do corpo ou órgão em anterior e posterior. E o plano transversal divide em inferior e superior. Os planos frontal, transversal e sagital formam um ângulo retro entre si. Já o plano oblíquo, passa pelo corpo ou órgão formando um ângulo entre os demais. 7 Figura 2 - Planos através do corpo humano Fonte: Tortora e Nielsen (2017, p. 16). O corpo humano pode ser estudado por nomes regionais, que delimitam as partes do corpo de acordo com sua localização específica. As principais regiões são a cabeça, pescoço, tronco e os membros superiores e inferiores. Reflita 8 Sistemas do corpo humano Para a organização estrutural do corpo humano, são necessários seis níveis: o químico, o celular, o tecidual, o orgânico, o sistêmico e o organismo, sendo que a exploração do corpo humano vem desde átomos e moléculas até uma pessoa viva. Serão apresentados agora esses níveis, de acordo com sua dimensão, do menor para o maior. Damos início pelo nível químico: nesse nível teremos todas as substâncias químicas necessárias para manter uma pessoa viva. Essas substâncias são constituídas por átomos, que são a menor unidade de matéria, e são essenciais para a manutenção da vida, temos como exemplo de átomo o carbono (C), o hidrogênio (H), o oxigênio (O), o nitrogênio (N), o cálcio (Ca), o fósforo (P) e o enxofre (S), que são essenciais para a manutenção da vida. Partimos agora para o segundo nível, o celular. As células são a composição de qualquer organismo, são unidades estruturais e funcionais básicas de um organismo. É nelas que são executadas as atividades metabólicas. São inúmeros os tipos de células encontrados no corpo humano, como células nervosas, células musculares e as células epiteliais. O nível tecidual pode ser conceituado pelos tecidos como grupos de células semelhantes em sua aparência, função e origem, que juntas realizam funções particulares. Temos apenas quatro tipos básicos de tecido: o tecido epitelial, o tecido conjuntivo, o tecido muscular e o tecido nervoso. Quando ocorre a união de diferentes tipos de tecidos, temos o nível orgânico. Para a formação dos órgãos são necessários dois ou mais tecidos diferentes, suas funções são específicas e é comum ter formas reconhecíveis. O quinto nível de organização é o sistêmico: nesse nível os órgãos se relacionam quando desempenham uma função comum. O sistema digestório é um exemplo do nível sistêmico. Vale lembrar que em alguns casos um órgão pode fazer parte ao mesmo tempo de outro sistema. O último nível de organização estrutural, o mais alto nível, é o organismo: ele tem todas as partes do corpo atuando em conjunto, qualquer ser vivo pode ser definido como um organismo. Como foi possível compreender, os seis níveis formam um indivíduo vivo, e esse indivíduo agora possui 11 sistemas, em que estão presentes vários órgãos, cada um desempenhando suas funções. 9 • Sistema tegumentar: tem como função proteger e controlar a temperatura do corpo. Fazem parte desse sistema os seguintes órgãos: pele, pelos, unhas, glândulas sudoríparas e sebáceas. • Sistema esquelético: sua função é a de sustentar, proteger e movimentar o corpo humano. Sistema composto por ossos, articulações e cartilagens. • Sistema muscular: esse sistema é responsável pela produção dos movimen- tos e sustentação do corpo. Composto por músculos e tendões. • Sistema nervoso: gera impulsos nervosos capazes de regular as atividades do corpo, percebe alterações ambientais internas e externas do corpo. Tem como componentes o encéfalo, medula espinhal, nervos. • Sistema digestório: realiza a digestão, absorção e eliminação de substâncias indesejáveis. Composto por boca, faringe, esôfago, estômago, intestino del- gado, intestino grosso, reto e ânus. Possui órgãos digestórios anexos: língua, dentes, glândulas salivares, fígado, vesícula biliar e pâncreas. • Sistema urinário: produz, armazena e elimina a urina. Os órgãos que com- põem esse sistema são os rins, ureteres, bexiga e uretra. • Sistema endócrino: junto com o sistema nervoso promove a manutenção do equilíbrio do organismo, por meio do controle das funções biológicas. Tem como componentes, glândulas e células produtoras de hormônio em diversos órgãos. • Sistema circulatório: responsável pelo transporte de O2, nutrientes, hormônios para as células e remoção de produtos indesejáveis; também tem como fun- ção a defesa do organismo e auxilia na manutenção do conteúdo de H2O e íons, pH e temperatura do corpo. O sangue, coração, vasos sanguíneos e sis- tema linfático são os seus componentes. • Sistema linfático: responsável pelo transporte de lipídios do trato gastroin- testinal, faz o retorno de proteínas e líquidos para o sangue, protege contra o desenvolvimento e proliferação de organismos causadores de doenças. Com- posto por linfa, vasos linfáticos e linfonodos. • Sistema respiratório: faz a troca gasosa de oxigênio inalado para o sangue e dióxido de carbono do sangue para o ar exalado. Tem como componentes os pulmões, cavidades nasais, faringe, laringe, traqueia e alvéolos. • Sistemas genitais: a principal função deste sistema é a reprodução, embora com particularidades diferenciadas conforme o sexo. No caso do sistema ge- nital feminino, sua principal função é a da reprodução e é composto por ová- rios, trompas, útero, vagina, glândulas mamárias. O sistema genital masculino tem como principal função também a reprodução, mas é composto por bolsa 10 escrotal, testículos, epidídimos, canais deferentes, uretra, vesículas seminais, próstata e pênis. Figura 3 - Esquema dos sistemas do corpo humano Fonte: Elaborada pelo autor (2018). Os seis processos mais importantes para a manutenção da vida do corpo humano são: o metabolismo (engloba todos os processos químicos que ocorrem no corpo), a responsividade (capacidade do corpo em responder alterações), o movimento (locomoção das células e órgãos), o crescimento (aumento das dimensões corporais), diferenciação (diferença entre estruturas e funções das células) e a reprodução (formação e novas células). Atenção 11 Célula: divisão celular – mitose Todos os organismos vivos são compostos por células, nenhum organismo é um ser vivo se não possuir pelo menos uma célula, como as bactérias (organismos unicelulares). O ser humano, juntamente com os outros animais e plantas, são organismos pluricelulares constituídos por uma perfeita organização que é capaz de formar os tecidos, órgãos, sistemas e assim o organismo como um todo. As células assumem funções diferentes de acordo com o local em que se encontram, regulando sua homeostase constantemente para manter-se em equilíbrio elétrico, bioquímico e físico. A divisão celular é um processo que ocorre por acaso (ou seja, não existe um motivo) e é estimulado, controlado e interrompido por fatores genéticos. Para que essa divisão aconteça, é necessário falar de dois grupos nos quais as células são divididas: o primeiro deles é o das células somáticas (células que compõem os órgãos, 23 pares de cromossomos); e o segundo é o das células sexuais (responsáveis pela existência da reprodução sexuada). As células dividem-se por meio de processos de mitose e meiose nos quais seu material genético, com todas as suas informações, é passado adiante. Nesse caso, patologias genéticas também podem ser passadas adiante se o DNA dividir-sede forma errada e esse erro passa pela seleção e reparo das células. Processo complexo, em que uma célula dá origem à outra. A mitose acontece por uma sequência de processos, sendo que, ao final, uma célula, denominada célula-mãe, dá origem a outras duas, as células-filha. As células-filha terão a mesma quantidade de cromossomos existentes na célula-mãe, sendo, então, uma cópia. Esse tipo de divisão está relacionado à reprodução assexuada. Já a meiose acontece de forma diferente. A célula-mãe dará origem a mais quatro células, sendo que essas terão apenas metade dos cromossomos da célula-mãe, e, por isso, a meiose está relacionada à reprodução sexuada. Tecidos e epitélio, tecido conjuntivo e tecido muscular Tecidos são grupos organizados de células que realizam funções específicas no organismo, geralmente, sua origem é embrionária, e podem ser classificados em três tipos básicos: tecido epitelial, tecido conjuntivo e tecido muscular. Cada um deles apresenta uma organização e funções características. Todos os três tipos de tecidos contribuem para a homeostasia, e proporcionam diversas funções, entre elas 12 a de proteger, sustentar, realizar comunicação entre células e produzir resistência a doenças. Segundo Tortora e Nielsen (2017, p. 106): Os tecidos do corpo desenvolvem-se a partir de três camadas germinativas primárias, os tecidos formados no embrião humano, chamados de ectoderma, endoderma e mesoderma. Os tecidos epiteliais se desenvolvem a partir de três camadas germinativas primárias. Todos os tecidos conjuntivos e a maioria dos tecidos musculares derivam do mesoderma. O tecido nervoso se desenvolve a partir do ectoderma. O tecido epitelial tem em sua composição apenas células, que ficam dispostas em lâminas contínuas, podendo ter camadas múltiplas ou simples. Possui pouca substância intersticial e com grande coesão, não sendo possível encontrar vasos sanguíneos. As suas principais funções são: barreiras que irão limitar ou auxiliar na transferência de substâncias para a parte interna ou externa do corpo; possuir superfícies secretoras capazes de liberar produtos que foram produzidos pelas células em sua superfície livre; possuir superfícies protetoras resistentes às influências abrasivas do ambiente. O epitélio de revestimento e cobertura e o epitélio glandular são os dois tipos de tecido epitelial, sendo o primeiro uma forma de cobertura externa da pele e também de alguns órgãos internos, e faz o revestimento interno de vasos sanguíneos, ductos, cavidade do corpo e do interior de sistemas genitais masculino e feminino. Já o epitélio glandular constitui a parte secretora das glândulas. O tecido conjuntivo é o tipo de tecido em maior quantidade distribuído no corpo. Está localizado abaixo do epitélio e sua função é a de sustentar e nutrir os tecidos sem suprimento sanguíneo, de proteger e isolar órgãos internos; é o principal sistema de transporte dentro do corpo, pois, o sangue é considerado um tecido conjuntivo líquido, e entre suas funções está a de ser o principal local para armazenamento de energia e fonte de resposta imune (TORTORA; NIELSEN, 2017). Conhecido como o tecido conectivo, suas fibras podem ser divididas em três tipos, fibras colágenas, elastinas e reticulares. Os tipos de células que compõem os tecidos conjuntivos variam de acordo com o tipo de tecido, e incluem fibroblastos, adipócitos, mastócitos, leucócitos, macrófagos e plasmócitos. O tecido conjuntivo pode ser dividido em tecido muscular e tecido nervoso. O tecido muscular é formado por células alongadas, responsáveis pela contração e relaxamento corporal, utiliza força produzida pelo ATP (trifosfato de adenosina). O tecido muscular produz os movimentos do corpo, gera calor e mantém a postura. Pode ser classificado como tecido muscular esquelético (estriado, voluntário, musculatura 13 superficial do corpo), tecido muscular cardíaco (forma as paredes do coração), e tecido muscular liso (involuntário, parede dos órgãos). O tecido nervoso é o mais especializado do organismo, constitui o sistema nervoso, é composto por dois tipos de células, os neurônios e neuróglia. É um tecido sensível a estímulos internos ou externos do corpo humano. Transporte de membrana e homeostasia Para sobreviver, todas as células do organismo devem construir um ambiente favorável, ou seja, um meio individualizado com características próprias. Para que isso ocorra, é essencial o mecanismo intrínseco, que irá controlar o meio interno das células em relação ao meio externo. A permeabilidade de uma membrana é definida pela capacidade dela ser atravessada ou não por algumas substâncias. Em uma solução, tem-se o solvente, meio líquido dispersante, e o soluto, partícula dissolvida. Conforme a sua permeabilidade, há quatro classificações: permeável, impermeável, semipermeável e seletivamente permeável. A passagem de partículas vai ocorrer sempre de um lugar com maior concentração para um outro com menor concentração. Isso acontece até que a distribuição das partículas seja uniforme. A membrana celular pode ser entendida como uma barreira que limita o meio extracelular e intracelular, composta de fosfolipídeos, ela garante que seja imisturável com relação a componentes internos e externos da célula, garantindo assim a delimitação de trânsito de substância. Entretanto, essa limitação é reservada a um grupo de substâncias, pois as lipossolúveis podem atravessá-la. A principal característica para a continuidade da vida celular é que ocorra transporte de substâncias pela membrana plasmática. Para manter as reações metabólicas, é preciso que certas substâncias se movimentem para o interior da célula e que outras que foram produzidas pela célula sejam movidas para o exterior. Dependendo do nível de energia celular, podemos classificar o processo de transporte em processos passivos e ativos. Segundo Tortora e Nielsen (2017, p. 64), “[...] nos processos ativos, a energia celular é usada para levar a substância ladeira acima, contra seu gradiente de concentração ou elétrico”. Nesse caso temos como exemplo o transporte ativo, que requer energia. É necessária energia para que as proteínas de transporte movimentem os solutos pela membrana até se unir ao gradiente de concentração (pode ser químico ou elétrico). Com esse transporte, a molécula transportada se une à que fará o transporte, liberando após a molécula já carregada em outro lado da membrana, e depois de um tempo retornará ao seu local de início. Já a bomba de sódio e potássio 14 se une ao íon Na+ da membrana interna e é liberada no meio externo, que por sua vez irá se ligar ao íon de K+ e voltará para o meio interno, isso ocorre graças à energia, que é resultado da hidrólise de ATP. Nos processos passivos, através da membrana há uma movimentação de substâncias ao longo do seu gradiente de concentração ou elétrico, e utilizando apenas sua própria energia de movimento, caracterizando assim o transporte passivo, pois ocorreu a difusão, que misturou de forma aleatória partículas utilizando energia cinética. Essa difusão pode ser simples ou facilitada. Outro tipo de difusão é a osmose, processo no qual há movimento efetivo de um solvente pela membrana seletivamente permeável. O transporte de membranas tem como característica a seleção de certas substâncias que irão entrar e sair, conservando assim o que chamamos de homeostasia. A palavra deriva dos termos gregos homeo (similar ou igual) e stasis (aquilo que é estático). A homeostasia tem como função manter o equilíbrio do meio interno, garantido assim que as funções do organismo continuem sendo realizadas de forma adequada. Destaca-se como ponto importante da homeostasia a manutenção do volume e da composição dos líquidos corporais. Segundo Tortora e Nielsen (2017, p. 8): O líquido dentro das células é chamado de líquido intracelular, abreviado como LIC. O líquido que banha as células é chamado de líquido extracelular, abreviado como LEC. O LEC quepreenche os estreitos espaços entre as células do tecido é conhecido como líquido intersticial. Para que ocorra o funcionamento adequado das células, é necessária a regulação da composição de seu líquido circundante. É por isso que muitas vezes o líquido intersticial é citado como meio interno do corpo. As perturbações provocadas para a perturbação da homeostasia podem vir do meio externo (por exemplo, o calor intenso de um verão) ou do meio interno (como o dia em que você fica sem o café da manhã e por isso o nível de glicose fica baixo). Geralmente os desequilíbrios de homeostasia são temporários e moderados, e as respostas das células são rápidas, restaurando o equilíbrio interno. 15 Conclusão • A anatomia pode ser entendida como a ciência que estuda a formação, a es- trutura e organização dos seres vivos, de forma externa e internamente. Já a fisiologia é a ciência que estuda as funções da matéria viva, investiga as fun- cionalidades orgânicas, e os processos e atividades vitais. • A primeira forma de estudo da anatomia era a dissecação. Para os estudos iniciais de fisiologia, o corpo era composto de quatro diferentes fluidos e pos- suía órgãos principais, o coração, o cérebro e o fígado. • O corpo humano é dividido em cabeça, tronco e membros. Tem como descri- ções anatômicas os planos sagital, frontal, transversal e oblíquo. • Seis são os níveis para a organização estrutural do corpo humano: o nível químico, o celular, o tecidual, o orgânico, o sistêmico e o organismo. E esses seis níveis são responsáveis pela formação de um indivíduo vivo, que possui 11 sistemas. • A célula é a composição de todos os organismos vivos, sendo possível afir- mar que nenhum organismo é um ser vivo se não possuir pelo menos uma célula. Sua divisão é um processo que ocorre por acaso (ou seja, não existe um motivo) e é estimulado, controlado e interrompido por fatores genéticos. As células dividem-se por meio de processos de mitose e meiose. A mitose acontece por uma sequência de processos, sendo que, ao final, uma célula, denominada célula-mãe, dá origem a outras duas, as células-filha. • Tecidos são grupos organizados de células que realizam funções específicas no organismo. Geralmente têm origem embrionária e podem ser classificados em três tipos básicos: tecido epitelial, tecido conjuntivo e tecido muscular. Cada um deles apresenta uma organização e funções características. • O transporte de material através da membrana plasmática é essencial à vida da célula. Para manter as reações metabólicas, é preciso que certas substân- cias se movimentem para o interior da célula e outras que foram produzidas pela célula sejam movidas para o exterior. • Quando há movimentos de substâncias ao longo do gradiente de concentra- ção feito pela membrana, utilizando sua própria energia, damos o nome de processo passivo. A energia para que esse processo ocorra é a energia celular. • Para que se tenha o equilíbrio no meio interno do corpo, é necessária a ho- meostasia, que agirá como uma reguladora dos processos do corpo. 16 Foram apresentados brevemente os processos de divisão e metabolismo celular. Esses processos são extremamente importantes para a célula sadia e para manter a homeostase. Para complementar seus estudos, temos a seguir um artigo interessante. Acesse! HEGENBERG, L. Evolução histórica do conceito de doença. Rio de Janeiro: Fiocruz, 1998. Disponível em: https://books.scielo.org/id/ pdj2h/pdf/hegenberg-9788575412589-03.pdf Acesso em: 9 fev. 2018. Saiba mais 17 Referências HEGENBERG, L. Evolução histórica do conceito de doença. Rio de Janeiro: Fiocruz, 1998. Disponível em: http://books.scielo.org/id/pdj2h/pdf/hegenberg-9788575412589-03. pdf. Acesso em: 14 Abr. 2023. Santos, N. C. M. Anatomia e fisiologia humana. 2. ed. São Paulo: Érica, 2014. Silverthorn, D. U. Fisiologia humana: uma abordagem integrada. 5. ed. Tradução de Ivana Beatrice Mânica da Cruz... [et al.]. Porto Alegre: Artmed, 2010. TORTORA, G. J.; NIELSEN, Mark T. Princípios de anatomia humana. Tradução de Alexandre Werneck e Cláudia Lúcia Caetano de Araújo. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017.