Prévia do material em texto
edidas construção doc biblioteca siste es Antonio los Carlos problema p as Gil METODOS pes do E TÉCNICAS DE PESQUISA tra SOCIAL conceitua sta Edição escalas fidedignidad atlas gen ecomendadaautor e a editora empenharam-se qualquer para material citar adequadamente utilizado neste e livro, dar omitida. o dispondo-se devido crédito a possíveis a todos os acertos deten- tores dos inadvertidamente, direitos autorais a identificação de de algum deles tenha sido Não caso, é responsabilidade da editora nem do autor a ocorrência de eventuais perdas ou danos a pessoas ou bens que tenham origem no uso desta publicação. do autor, do editor e dos revisores, é inevitável sugestões que surjam referentes erros no ao texto. con- Apesar dos são melhores bem-vindas esforços as comunicações de usuários sobre correções ou futuras. Os comentários dos teúdo Assim, ou ao nível pedagógico que auxiliem o aprimoramento de edições faleconosco@grupogen.com.br. leitores podem ser encaminhados à Editora Atlas Ltda. pelo e-mail Direitos exclusivos para a língua portuguesa Copyright 2019 by Editora Atlas Ltda. Uma editora integrante do GEN Grupo Editorial Nacional Reservados todos os direitos. É proibida a duplicação ou reprodução deste volume, no todo ou em parte, sob quaisquer formas ou por quaisquer meios (eletrônico, mecânico, gravação, fotocópia, distribuição na internet ou outros), sem permissão expressa da editora. Rua Conselheiro Nébias, 1384 Campos Elísios, São Paulo, SP - CEP 01203-904 Tels.: 21-3543-0770/11-5080-0770 faleconosco@grupogen.com.br www.grupogen.com.br Designer de capa: Gabriel Calou Editoração Eletrônica: Anthares CIP-Brasil. Catalogação na Publicação Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ G392m 7. ed. Gil, Antonio Carlos Métodos e técnicas de pesquisa social / Antonio Carlos Gil. 7. ed. - São Paulo : Atlas, 2019. ISBN 978-85-970-2057-1 1. Pesquisa social. 2. Pesquisa - Metodologia. 3. Ciências sociais - Metodologia. I. 19-55022 CDD 300.72 CDU 303.1 Meri Gleice Rodrigues de Souza Bibliotecária CRB-7/6439NATUREZA DA CIÊNCIA SOCIAL O ser humano, valendo-se de suas capacidades, procura conhecer o mundo que o rodeia. Assim, ao longo dos séculos, vem desenvolvendo sistemas mais ou menos elaborados que lhe permitem conhecer a natureza das coisas e o comportamento das pessoas. Um desses sistemas é o que se denomina ciência, que constitui um dos mais importantes componentes intelectuais do mundo contemporâneo. A rigor, não existe uma única ciência, mas uma multiplicidade de ciências. Dentre elas, estão as ciências sociais, que tratam dos aspectos relacionados com o comportamento humano ao longo do tempo e como esses comportamentos podem influenciar a estrutura da sociedade. Após estudar cuidadosamente este capítulo, você será capaz de: Reconhecer as principais formas de conhecimento da realidade. Identificar as características do conhecimento científico. Classificar as ciências. Reconhecer as especificidades das ciências sociais. Caracterizar os principais paradigmas que fundamentam a investigação social. 1.1 o conhecimento do mundo Pela observação, o ser humano adquire grande quantidade de conhecimentos. Valendo-se dos sentidos, recebe e interpreta as informações do mundo exterior. Por exemplo, quando olha para o céu e vê formarem-se nuvens cinzentas, percebe que vai chover e procura abrigo. A observação constitui, sem dúvida, importante fonte de conhecimento. Ao nascer, o ser humano depara-se também com um conjunto de crenças que lhe falam acerca de Deus, de uma vida além da morte e também de seus deveres para1 e o Assim, para muitas que se pessoas sobrepõem as crenças a qualquer Fernando religiosas outra. Pessoa constituem-se fontes com Deus privilegiadas de de conhecimento informações e poemas sobre como os os de sentimentos não e há as motivações também deixar Romances proporcionar como os importantes que essas obras sejam de ficção, informações como acerca das podem pessoas. Embora importância sabendo-se enquanto capazes de proporcionar de do mundo. atribuir-lhes forma de conhecimento é derivada da autoridade. líderes partidários, Pais e professores jornalistas descrevem Outra o mundo para as crianças. procedimentos Governantes, que para eles são os mais adequados. são e escritores à medida definem que segmentos normas da e população lhes dão crédito, esses conhecimentos E tidos como Também verdadeiros. os filósofos proporcionam importantes elementos para racional-especulati- a compreensão do virtude de fundamentarem em procedimentos mais válidos mundo. os ensinamentos Em dos filósofos se têm sido considerados como dos para proporcionar vos, o adequado conhecimento do mundo. Entretanto, essas formas de conhecimento não se mostram plenamente A observação casual dos fatos conduz a graves visto que, de modo geral, é feita de forma pouco rigorosa. As religiões, por serem as mais variadas, fornecem informações contraditórias. A poesia é subjetiva, assim como o romance. Pais, pro- fessores e políticos também não podem ser tidos como guias de toda confiança, posto que o argumento da autoridade na maioria das vezes acaba por deixar transparecer sua fragilidade. O conhecimento filosófico, a despeito de seus inegáveis méritos, não raro avança para o terreno das explicações metafísicas e absolutistas, que não possi- bilitam sua adequada verificação. Foi, pois, a partir da necessidade de obtenção de conhecimentos mais seguros que os fornecidos por outros meios é que se desenvolveu a ciência, que constitui um dos mais importantes componentes intelectuais do mundo contemporâneo. 1.2 Natureza da ciência Etimologicamente, ciência significa Trata-se, portanto, de definição não inadequada são para os tempos atuais, visto ser possível tratar de conhecimentos acepção, considerados filosófico. científicos, como o conhecimento vulgar, o religioso e, em certa que o rigorosa forma e conhecimento que tem por objetivo considera como uma Uma especial definição de mais contemporânea de ciência é, pois, a que a os apropriada se possível, com auxílio da formular, mediante linguagem pontos regem em comum: são Embora sendo as mais variadas, linguagem essas matemática leis leis que capazes de por forma meio probabilística da observação e acontecimentos da experimentação: de descrever séries são de capazes de prever apresentam são comprováveis pelo menos vários 21 Pode-se a ciência definir pode ciência ser caracterizada mediante a identificação como de suas características racional, Assim, sistemático, geral, verificável e falível uma O forma de conhecimento objetivo, descreve a realidade porque racional a porque seus resultados. se vale sobretudo É da e não dos de sensação caprichos científico do pesquisador. é objetivo É independentemente conhecimento ideias chegar organizadas racionalmente e em incluir porque os se conhecimentos preocupa em construir ou sistemas para de mais amplas. É elaboração des cada vez de leis ou normas geral gerais, porque que explicam seu interesse se dirige fundamentalmente parciais em totalida- à É verificável porque possibilita demonstrar a veracidade todos das os de certo tipo, é falível porque, ao contrário de outros sistemas de conhecimento informações. elaborados Finalmente, pelo homem, reconhece sua própria capacidade de A partir dessas características torna-se possível, em boa parte dos entre o que é e o que não é ciência. Há situações, entretanto, em que casos, não distinguir se torna possível determinar com toda clareza se determinado conhecimento pertence à ciência ou à filosofia. Essas situações ocorrem sobretudo no domínio das ciências humanas, que é compreensível, visto que há autores que incluem a filosofia no rol dessas ciências. o 1.3 Classificação das ciências Em virtude da multiplicidade de objetos que passaram a ser considerados pela ciência, desenvolveram-se as ciências particulares. Ao longo desse desenvolvimento, diversos autores têm procurando definir um sistema de classificação capaz de abran- ger a multiplicidade de ciências. Embora úteis, nenhum desses sistemas se mostra absolutamente satisfatório. Todavia, num primeiro momento, podem-se classificar as ciências em duas grandes categorias: formais e empíricas. Ciências formais são, pois, as que tratam de entidades ideais e de suas relações, sendo a Matemática e a Lógica Formal as mais importantes. Considere-se, por exemplo, que a Matemática trata do estudo das grandezas, entidades que só existem em nível conceitual. Ciências empíricas, por sua vez, são as que tratam de fatos e de processos. Seus objetos derivam Física, da observação e da experiência. Incluem-se nesta categoria ciências como a a Química, a Biologia e a Psicologia. As ciências empíricas podem ser classificadas em naturais e sociais. Entre ciências as ciências sociais estão: a Física, a Química, a Astronomia e a Biologia. Entre as e a História. A naturais estão: a Sociologia, a Antropologia, a Ciência Política, a Economia a aproximam das Psicologia, ciências a despeito constitui de apresentar também algumas uma ciência características social. Isto que porque, da interação ao tratar entre do estudo do naturais, comportamento humano, trata-o sobretudo a partir os indivíduos. 1.4 Peculiaridades das ciências sociais Durante exclusivamente do estudo dos da fatos sociedade e fenô- menos da muito natureza. tempo, Até as meados ciências do trataram século XIX, o estudo do homem e 3Natureza da ciência social 1 com os teólogos e filósofos, desse que produziram período, profundamente trabalhos notáveis, marcado que por até hoje permaneceu despertam admiração. Mas a partir quanto político, passou-se a buscar inovações tanto no campo tecnológico sociedade tão confiáveis quanto os proporcionados mentos acerca do homem e Desenvolveu-se, da então, a concepção científica do pelas ciências Positivismo da natureza. (COMTE, 1830), que propunha a utilização dos mesmos denominada métodos das ciências naturais para o estudo da sociedade. fatos Assim, humanos as ciências são semelhantes sociais, fundamentadas aos da natureza, na perspectiva devem ser positivista, observados supõem sem ideias que preconcebidas, os submetidos à experimentação, expressos em termos quantitativos e explicados segundo leis gerais. Mas esse modelo proposto para as ciências sociais tem sido bastante questionado, visto que os tradicionais métodos científicos nem sempre se mostram satisfatórios para o estudo do homem e da sociedade. Isto não significa que a pretensão de estudar cientificamente o homem e a sociedade deva ser abandonada. Torna-se necessário, porém, reconhecer que os objetos das ciências humanas e sociais são muito diferentes dos das ciências físicas e biológicas e ressaltar algumas das dificuldades dessas ciências, tais como: 1.4.1 o problema da objetividade Émile Durkheim (1894), um dos pioneiros da investigação científica nas Ciências Sociais, estabeleceu em As regras do método sociológico que a primeira e mais fundamen- tal regra para o sociólogo é tratar os fatos sociais como coisas. Isto significa que, de acordo com essa concepção, o cientista social precisa deixar de lado seus sentimentos e valores pessoais, pois são subjetivos. Trata-se, evidentemente, de tarefa difícil, pois diferentemente do cientista físico, que pode, por exemplo, estudar com muito mais objetividade, animais e vegetais sem maior envolvimento pessoal, o cientista social, ao estudar a sociedade, estará estudando algo de que faz parte. Ante aos fatos sociais, o pesquisador não é capaz de ser absolutamente objetivo. Ele tem suas preferências, inclinações, interesses particulares, caprichos, encontra Diferentemente do pesquisador que atua no mundo das coisas físicas não ceitos, interessa-se por eles e os avalia com base num sistema de valores pessoais. precon- tratar de naturalmente envolvido com o objeto de seu estudo o cientista que ao se de realidade fatos como criminalidade, discriminação social ou evasão -, escolar, está social, tratando injusto. o E é com base acerca do indicando se é bom ou crenças pessoais informam uma previamente que pode não lhe ser Seus valores e suas pouco provável, nessas preconcepções que abordará o mau, justo ou É A rigor, ciências portanto, que ele seja capaz de tratá-lo objeto de seu estudo. um ator no nas envolvido sociais, o pesquisador é mais do que com um absoluta observador neutralidade. objetivo: é no entanto, Essa situação valer-se não de invalida quadros a de pesquisa referência em ciências Torna-se necessário, Positivismo, 4 que se mostra insuficiente para o entendimento que ultrapassem do mundo a visão proposta complexo pelo dasNatureza 1 relações rigidamente humanas. aplicado É preciso às ciências admitir sociais que Não o princípio da objetividade que estabeleça uma separação rígida entre há como conceber não pode ser nas ciências sociais a discussão acerca da relação o sujeito e o objeto. Por uma essa investigação razão é justifica dos a existência de social. diferentes perspectivas adotadas sujeito-objeto na análise é e interpretação O que que dados na pesquisa Uma dessas afirma perspectivas não é a desenvolvida (1986), forma que imediata. Só ser podemos possível a um ser humano conhecer por o outro Edmund Husserl intencional. de Assim, segundo conhecer os outros a partir diretamente, mundo esse autor, o outro só existiria de nossa consciência considerado. da objetividade pesquisadores que aderem a essa perspectiva um, singularmente nosso ego e o Assim, vivido seria sempre o mundo vivido de cada como experiência do o problema pela ou seja, pelo buscam superar junto de pesquisador e pesquisado que dessa forma tornam-se capazes engajamento de sintonizar con- expressões e estados afetivos. 1.4.2 o problema da quantificação É amplamente reconhecido que o grau de adiantamento de uma ciência pode ser determinado pela precisão de seus instrumentos de medida. Ora, as ciências sociais lidam com fenômenos que não são tão facilmente quantificáveis quanto dos das ciên- cias naturais. Contudo, o problema da quantificação em ciências sociais, se analisado com a merecida profundidade, mostrar-se-á bem menos crítico do que aparenta. O comportamento social é complexo e muito mais mutável que o comportamento de rochas metais ou gases. Assim, os fenômenos sociais não podem ser quantificados com o mesmo nível de precisão observado nas ciências naturais. Isto não significa, porém, que seja impossível mensurá-los. O que ocorre é que as escalas de medida adotadas nas ciências sociais não se mostram tão precisas quanto as adotadas nas ciên- cias naturais. Com frequência essas escalas apenas permitem classificar os fenômenos ou mensurá-los em termos de maior-menor ou mais alto-mais baixo. Constata-se, porém, que apesar dessas limitações, a disponibilidade de instrumentos adequados para a mensuração de fenômenos sociais complexos, como distância social, clima organizacional, ideologia política e preconceito racial. 1.4.3 o problema da experimentação É fato que o experimento em investigações sociais é bem pouco utilizado, nos visto fenômenos que, de modo geral, o cientista não possui o poder de introduzir modificações controlado que Cabe, entanto, indagar se de fato o experimento aceitáveis. é realmente pretende indispensável pesquisar. para no a obtenção de resultados cientificamente das mais Não há deixar de admitir que a experimentação não representa significa, uma no entanto, notáveis contribuições como ao desenvolvimento da ciência. ser consideradas Isto genuinamente cientí- que somente À guisa as de pesquisas exemplo, pode-se lembrar que a Astronomia e a experimentais podem Geologia não devem 5Natureza da ciência social 1 à utilização de procedimentos experimentais. da A Embriologia sua bem respeitabilidade pouco tempo, desenvolveu-se independentemente até que dizer da Física Relativista? Cabe ainda lembrar que as possibilidades de experimentação domínios da nas Psicologia ciências têm sido muitas vezes negligenciadas. Significativos e mesmo em são cetíveis de experimentação. Em Psicologia Social, existem Sociologia, criadas situações de laboratório muito parecidas com as que nas ciências naturais. Considere-se que um marco significativo nos estudos organizacionais foi representado pelos estudos desenvolvidos experimentalmente por Elton Mayo que demonstraram o efeito dos fatores humanos na produtividade E que muitas pesquisas sociais, embora não constituindo verdadeiros experimentos. alcançam elevado controle das variáveis envolvidas a ponto de serem considerados quase experimentos (CAMPBELL; STANLEY, 1979). 1.4.4 o problema da generalização Não há como desconsiderar as limitações das ciências sociais em relação à genera- lidade. Enquanto as pesquisas nas ciências naturais conduzem, com frequência, an estabelecimento de leis, nas ciências sociais, de modo geral, não conduzem mais do que à identificação de tendências. Mas, com vistas a superar essa lacuna é que são construídas teorias de alcance médio (MERTON, 1970), que, embora constituídas por conjuntos limitados de pressupostos, vão além das simples descrições e generaliza- ções empíricas, tornando-se suficientemente abstratas para tratar questões relativas a comportamentos e estruturas sociais. Embora seja razoável admitir que o verdadeiro nas ciências sociais pode ser apenas um verdadeiro relativo e provisório. 1.5 Paradigmas das ciências sociais Fica evidente que muitas das concepções adotadas no âmbito das ciências sociais não correspondem a fatos objetivos da natureza, mas a pontos de vista, que diferem naturalmente de indivíduo para Assim, para melhor compreensão dos fenômenos sociais convêm considerar a importância dos paradigmas, ou seja, das "realizações científicas universalmente reconhecidas que durante algum tempo fornecem problemas e soluções modelares para uma comunidade de praticantes de uma ciência" (KUHN, 1975, p. 13). Paradigmas são, pois, constituídos pelos pressupostos filosóficos ou modelos ciências orientam a investigação científica. Múltiplos paradigmas podem ser identificados que em interpretativista e marxista histórico e dialético. sociais. É possível, no entanto, definir três paradigmas mais gerais: positivista, 1.5.1 Paradigma positivista independe O paradigma da positivista fundamenta-se na existência de uma realidade tangíveis relativamente percepção humana. Essa realidade é composta objetiva, que e Assim, reconhece a possibilidade por estruturas de chegarmos concretas, ao 6conhecimento objetivo dessa serem tratados como coisas, podem que está "fora realidade investigadores 1 lados a estabelecer relações de causa ser e efeito mensurados e de nós" Os fatos sociais, As da principais natureza características quanto da do positivista entre pois: os elementos que constituem são estimu- por tanto forma alguma pelo pesquisador; (2) o conhecimento é objetivo, não (1) podendo conhecimento tação; (3) existência o conhecimento de leis é repousa ser influenciado de dedutivo supõe a é o que melhor que se ajusta determinam a este a e dos (4) o conhecimento O método na experimen- problemas propostos são construídas que já são que colocadas para buscar à respostas aos 1.5.2 Paradigma interpretativista paradigma objetiva, interpretativista nem não se fundamenta na existência de totalmente de determinado totalmente subjetiva, mas na uma realidade rísticas objeto e a compreensão entre as caracte- a seu respeito, por meio da que pode-se os seres dizer humanos constroem com esse paradigma, o conhecimento acerca da realidade é construído que, de acordo interação entre as pessoas e o mundo em que Não existiria, por meio da realidade objetiva a ser descoberta por pesquisadores como estabelece portanto, o positi- uma vismo e nossas teorias acerca da realidade seriam sempre artifícios para conferir significado ao mundo vivido. A valorização desse paradigma deve-se ao surgimento da perspectiva conhecida por Interacionismo Simbólico (BLUMER, 1980), segundo a qual modo como um indivíduo interpreta os fatos e age perante outros indivíduos ou coisas depende do significado que ele atribui a esses outros indivíduos e coisas. Por outro lado, um dos métodos mais adequados a esse paradigma é o fenomenológico, proposto por Husserl (1986), que propõe o conhecimento do outro por nossa consciência intencional e a superação do problema da objetividade pelo encontro intersubjetivo entre pesqui- sador e pesquisado. 1.5.3 Paradigma marxista paradigma marxista analisa o desenvolvimento da sociedade e adota uma mediante visão dialética uma inter- da pretação O materialista de seu desenvolvimento histórico materialismo dialético e materialismo histórico. O materialismo dialético é uma perspectiva, forma de a realidade é explicada dois ou mais transformação social. Assim, pode-se falar em abordar os fenômenos naturais mediante sob perspectiva materialista. Sob esta uma elementos conflitantes entre identificar os conflito. fatos oposições. Por para sua explicar Busca-se, vez, o materialismo uma então, estudo nova da situação histórico vida social. decorrente consiste desenvolvimento Trata-se, na desse aplicação portanto, da dos sociedade, de princípios burguesia. uma abordagem enfatizando do Assim, mate- rialismo metodológica dialético do que ao investiga as causas materiais do da classe proletária e da 7 a contradição entre os interessesNatureza social 1 com esta concepção, as estruturas e em suas políticas, relações a moral, materiais, a religião que e transformam e a a ideologia de têm acordo origem na produção material estruturas políticas, a moral, a a vida que determina religião a realidade portanto, e determinam a consciência as que determina a vida, mas Não a consciência seria, (MARX; ENGELS, 2007). Exercícios e trabalhos práticos 1. Dê exemplos de conhecimentos derivados da intuição, da tradição, da autoridade 2. Considere e da como o tema "vida" é analisado diferentemente por filósofos, cientis- ciência. sacerdotes e pessoas comuns. 3. Identifique tas, poetas, algumas "verdades" amplamente reconhecidas que se justificam apenas pelo argumento da autoridade. 4. Analise a expressão: "a ciência, ao contrário de outros sistemas elaborados pelo homem, reconhece sua capacidade de errar". 5. Relacione certo número de ciências e, a seguir, procure definir seus objetos. 6. Analise em que medida o conhecimento sociológico pode ser considerado obje- tivo, racional, sistemático, geral, verificável e falível. 8