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ELETROCARDIOGRAMA P R O F . B R U N O F E R R A Z Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Estratégia MED Prof. Bruno Ferraz | Eletrocardiograma 2CARDIOLOGIA PROF. BRUNO FERRAZ APRESENTAÇÃO: @estrategiamed /estrategiamedEstratégia MED t.me/estrategiamed @profbrunoferraz Futuro Residente, Eletrocardiograma (ECG) é um dos temas mais temidos dos estudantes de Medicina. No entanto, não preciso reforçar a fundamental importância desse método. Não é à toa que é um tema que vem crescendo nas últimas provas de Residência. Este capítulo não tem o propósito de ser um livro de eletrocardiograma tradicional. Focaremos os conceitos importantes para você acertar as questões nas provas. O entendimento do eletrocardiograma passa por três pontos: (1) entender a fisiologia cardíaca básica; (2) conhecer o eletrocardiograma normal e o significado das ondas e dos intervalos; e (3) ter um roteiro de análise. Muitos tópicos já foram abordados em outros livros e o intuito deste material é focar nesses três pontos. Devemos atentar para o fato de que nem toda questão que tem ECG é uma questão de eletrocardiografia. O inverso também é verdadeiro. Veja a estatística dos temas de ECG nas provas de Residência: @estrategiamed Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina https://www.instagram.com/estrategiamed/ https://www.facebook.com/estrategiamed1 https://www.youtube.com/channel/UCyNuIBnEwzsgA05XK1P6Dmw https://t.me/estrategiamed https://www.instagram.com/profbrunoferraz/ https://www.tiktok.com/@estrategiamed Estratégia MED Prof. Bruno Ferraz | Eletrocardiograma 3CARDIOLOGIA Atenção: ECG é cobrado em vários módulos da cardiologia e aqui está a estatística das questões que cobram APENAS o conhecimento do eletrocardiograma! Reparou que os distúrbios eletrolíticos, especialmente hipercalemia, são os queridinhos deste livro, não é? Vamos juntos! Prof. Bruno Ferraz Figura 1. Distúrbios eletrolíticos 35% 9% 7%5% 2%2% 16% 4% 6% 6% 6% Bloqueios AV Bloqueios de Ramo ECG no infarto Distúrbios do QT Pré-excitação ventricular Aumento/sobrecarga cavitária Alterações no QRS Ritmos ectópicos Arritmias ECG normal Outros Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Estratégia MED Prof. Bruno Ferraz | Eletrocardiograma 4CARDIOLOGIA Sobre o professor Sou Bruno Ferraz, carioca, vascaíno e portelense, nascido no subúrbio do Rio de Janeiro. Vim de uma família simples e lutei bastante para chegar à faculdade de Medicina. Desde a época do pré-vestibular (fiz o primeiro ENEM da história, que não valia aprovação), já gostava de ensinar Matemática e Física aos meus colegas e essa experiência garantiu minha aprovação em uma universidade pública (Física era matéria específica no vestibular de Medicina e mandei muito bem). Em 2001, entrei com 17 anos para cursar Medicina na UFRJ. Nessa época, a vida também não foi fácil. Fui monitor de diversas disciplinas, recebi Bolsa de Iniciação Científica e dei muitos plantões como acadêmico para conseguir complementar renda. Em razão disso, não tive condições de fazer nenhum curso preparatório para Residência e resolvi estudar por conta própria. Com alguns amigos, montamos um grupo de estudos e entendemos rapidamente a importância de estudar por questões. Depois de muita perseverança nos estudos e milhares de questões respondidas, passei para a minha segunda opção de Residência (Hospital da Força Aérea do Galeão). Queria fazer Residência em um hospital com recursos, visto que tinha sofrido bastante durante a graduação com a falta de insumos, tecnologia e medicamentos. Na escolha para Residência de cardiologia, também fiz a mesma aposta: optei por fazer Residência no Hospital Barra D’Or, um hospital privado e tradicional em cardiologia no Rio de Janeiro. Tive acesso à toda tecnologia de ponta que a cardiologia poderia oferecer (passei marca-passo e Swan-Ganz e assisti ao primeiro implante percutâneo de válvula aórtica dessa rede privada). Além disso, aproveitei o rodízio externo nas instituições mais tradicionais de cardiologia do Rio de Janeiro (UFRJ, INC, IECAC e UERJ). Terminando minha Residência, pouco tempo depois, fui convidado a ser Rotina da Unidade Cardiointensiva desse hospital, cargo que ocupo até hoje. Nesse mesmo hospital, fiz meu treinamento em ecocardiografia. Parece que fiz a escolha certa, não é? Hoje, sou titulado em Cardiologia, Ecocardiografia e Terapia Intensiva. Fiz meu mestrado em Engenharia Biomédica na COPPE-UFRJ (você se lembra de que eu falei que gostava de Matemática e Física?) e estou terminando meu doutorado em Cardiologia na UFRJ. Além disso, sou Médico do serviço de cardiologia do HUCFF/UFRJ. Sempre gostei de ensinar e o Estratégia MED é uma grande oportunidade de fazer o que mais gosto. Espero que apreciem este material construído com muito carinho! Grande abraço! Bruno Ferraz Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Prof. Bruno Ferraz | Resumo Estratégico | 2024 Estratégia MED EletrocardiogramaCARDIOLOGIA 5 SUMÁRIO 1.0 INTRODUÇÃO 6 2.0 O REGISTRO ELETROCARDIOGRÁFICO 6 2.1 AS DERIVAÇÕES 6 2.2 O PAPEL DE ECG 7 2.3 A LÓGICA DOS VETORES 8 3.0 AS ONDAS E OS INTERVALOS DO ECG 10 3.1 A ONDA P 10 3.2 O INTERVALO PR 13 3.3 COMPLEXO QRS 14 3.4 SEGMENTO ST 24 3.5 INTERVALO QT 28 3.6 ONDA T 29 3.6.1 DISTÚRBIOS DO POTÁSSIO 30 3.6.2 ONDA T ISQUÊMICA 31 3.7 ONDA U 35 4.0 SEQUÊNCIA DE ANÁLISE DO ELETROCARDIOGRAMA 36 4.1 ANÁLISE DO RITMO 36 4.2 ANÁLISE DO EIXO 37 4.3 ANÁLISE DA FREQUÊNCIA CARDÍACA 40 4.4 ONDA P 41 4.5 INTERVALO PR 42 Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Prof. Bruno Ferraz | Resumo Estratégico | 2024 Estratégia MED EletrocardiogramaCARDIOLOGIA 6 4.6 COMPLEXO QRS 42 4.7 SEGMENTO ST 42 4.8 INTERVALO QT 42 4.9 ONDA T 42 5.0 LISTA DE QUESTÕES 43 6.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 44 7.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS 45 Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Prof. Bruno Ferraz | Resumo Estratégico | 2024 Estratégia MED EletrocardiogramaCARDIOLOGIA 7 CAPÍTULO CAPÍTULO 1.0 INTRODUÇÃO Neste resumo, vamos estudar sobre o significado das ondas do eletrocardiograma e as alterações mais cobradas nas provas de Residência. 2.0 O REGISTRO ELETROCARDIOGRÁFICO O eletrocardiograma é um detector de sinais elétricos voltado para captar a atividade elétrica cardíaca e amplificá-la. 2.1 AS DERIVAÇÕES Você já imaginou se o ECG tivesse apenas UMA derivação? Significa que teríamos apenas uma “câmera” para monitorar TODA a atividade elétrica do coração. Muito pouco, não é? Por isso, foi criado um sistema tridimensional de câmeras ao redor do coração: plano frontal (DI, DII, DIII, aVF, aVL e aVR) e plano precordial (V1, V2, V3, V4, V5 e V6). Veja a figura abaixo: Figura 2. As derivações ao redor do coração. Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Prof. Bruno Ferraz | Resumo Estratégico | 2024 Estratégia MED EletrocardiogramaCARDIOLOGIA 8 Como as derivações são geradas? Elas são sempre construídas a partir de dois eletrodos, por isso são representadas por meio de vetores. As derivações que começam com a letra “a” (augmented, em português: amplificadas) são a exceção. Essas derivações são unipolares (polo único) e estão ligadas à uma grande resistência para serem geradas. Não precisa memorizar esse conceito, que é bem difícil. Citei apenas para você entender a origem das derivações. Vamos ver como é na prática? Figura 3. A origem das derivações: as derivações do plano frontal originam-se dos eletrodos colocados nos membros. As derivações do plano precordial originam-se dos eletrodos colocados no tórax. A resistência elevada fica no centro do triângulo para a geração das derivações que começam com a letra “a”. Fonte: Shutterstock. 2.2 O PAPEL DE ECG O registro eletrocardiográfico é documentado em um papel milimetrado. Em geral, o registro padrão doECG ocorre a uma velocidade de 25 m/s. Na horizontal, cada mm significa 0,04 segundos (40 milissegundos). Na vertical, cada mm significa 0,1 mV. Mas isso é importante? Sim! Esse conceito é importante para você entender como calculamos a frequência cardíaca no ECG. Além disso, os critérios de hipertrofia ventricular envolvem o conhecimento da amplitude do QRS! Por isso, toda vez que um ECG é realizado, um pulso elétrico de 1 mV de amplitude e 0,20 de duração é gerado a fim de mostrar qual é a calibração do aparelho. Em condições normais, o pulso de 1 mV ocupa 10 quadradinhos para cima e a duração de 0,20 ocupa 5 quadradinhos para a frente. Veja a figura abaixo: Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Prof. Bruno Ferraz | Resumo Estratégico | 2024 Estratégia MED EletrocardiogramaCARDIOLOGIA 9 Figura 4. O papel milimetrado utilizado no registro eletrocardiográfico tem essa configuração básica. À direita, observe o pulso gerado que confirma a calibração padrão. 2.3 A LÓGICA DOS VETORES Não entraremos em detalhes sobre os vetores, pois sabemos que é um assunto bem complexo. Pontuaremos o básico para que você entenda como se forma o registro eletrocardiográfico. Quando ocorre a despolarização de alguma região do coração, existe um vetor resultante da despolarização. Dependendo da câmera (derivação) que está captando essa despolarização, o vetor pode estar se afastando ou se aproximando. Com isso, esperamos registros diferentes, dependendo da câmera. Veja o exemplo abaixo: Figura 5. Repare a Corujinha que vê a seta em sua direção, ela registra uma onda positiva ao eletrocardiograma, pois observa um vetor sempre em direção a ela. A Corujinha que está na parte posterior da seta, vê exatamente o contrário, registrando uma onda toda negativa. Por fim, a Corujinha de cima observa uma parte da seta que se aproxima e outra que se afasta. Por isso, o registro é metade para cima e metade para baixo (bifásico). Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Prof. Bruno Ferraz | Resumo Estratégico | 2024 Estratégia MED EletrocardiogramaCARDIOLOGIA 10 Cada uma das Corujinhas representa uma derivação! Por isso, o registro é diferente em cada uma das 12 derivações: cada uma enxerga do seu jeito! Na figura abaixo, mostramos como o vetor de despolarização atrial será representado em DI, DII e DIII: Figura 6. O vetor de despolarização atrial pode ser projetado em outras derivações. Isso é válido para qualquer vetor. Por isso, as ondas terão amplitudes diferentes nas derivações. Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Prof. Bruno Ferraz | Resumo Estratégico | 2024 Estratégia MED EletrocardiogramaCARDIOLOGIA 11 CAPÍTULO 3.0 AS ONDAS E OS INTERVALOS DO ECG Para entendermos o eletrocardiograma normal, precisamos entender o significado das ondas e dos intervalos. O registro eletrocardiográfico representará toda a sequência de despolarização e repolarização do coração. Tudo começa no nodo sinusal que promove o início da despolarização atrial que gerará a onda P. Chegando ao nodo atrioventricular (NAV), ocorre um atraso fisiológico da condução entre o átrio e o ventrículo, que é representado pelo intervalo PR. Esse intervalo é importante, pois funciona como um grande filtro de altas frequências. Nas situações em que o átrio apresenta frequência de despolarização elevada (fibrilação atrial, por exemplo), o NAV “protege” o ventrículo, lentificando a condução. Por isso, nem todas as despolarizações atriais chegam ao ventrículo! Após o NAV, a despolarização chega ao feixe de His, fibras de condução muito rápida, distribuindo a despolarização por todo ventrículo, gerando o complexo QRS. Por fim, toda a massa ventricular precisa repolarizar, surgindo a onda T. Vamos ver a representação gráfica desses eventos? Figura 7. Sequência dos eventos que geram as ondas e os intervalos do ECG. Agora, vamos detalhar cada onda e intervalo importante para a análise do eletrocardiograma! Após apresentar o normal de cada um desses eventos, apresentaremos as condições patológicas. 3.1 A ONDA P A onda P representa a despolarização atrial. Em condições normais, a origem da onda P é o nodo sinusal e, com isso, será responsável pelo famoso ritmo sinusal! Por isso, para determinarmos o ritmo do ECG, é fundamental identificarmos a onda P! No ritmo sinusal, a despolarização ocorre na direção de DII e, por isso, essa é uma derivação ótima para avaliar a onda P! Veja a figura abaixo e entenda a despolarização atrial sinusal: Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Prof. Bruno Ferraz | Resumo Estratégico | 2024 Estratégia MED EletrocardiogramaCARDIOLOGIA 12 Figura 8. Despolarização atrial sinusal. O vetor de despolarização vai na direção de DII. Por isso, geralmente, essa é a derivação de maior amplitude da onda P. Observe as projeções do vetor de despolarização e observe que, no ritmo sinusal, a onda P estará positiva em DI, DII e aVF. DEFINIÇÃO DE RITMO SINUSAL Presença de ondas P positivas em DI, DII e aVF que originam um QRS. Com isso, se a onda P tiver um padrão diferente dele, devemos suspeitar de duas condições: ritmo atrial ectópico ou troca de cabos/eletrodos na realização do ECG. A troca de cabos/eletrodos mais comum é a inversão dos braços (trocar braço esquerdo pelo braço direito). Nesse caso, não só a onda P ficará negativa em DI, mas todo o traçado eletrocardiográfico. Além disso, na maioria das vezes, o aVR fica todo positivo! As outras trocas de eletrodos são incomuns e não estou aqui para confundir você. Além disso, nunca foi questão de prova. Já o ritmo atrial ectópico é causa de onda P negativa antes do QRS. Mas em qual derivação? Depende! Em qual região do átrio está surgindo a despolarização? Para onde está apontado o vetor de despolarização atrial? Por isso, não podemos citar um padrão! Nas provas, você vai suspeitar quando houver uma onda P negativa com QRS positivo em DI ou DII. A morfologia normal da onda P é arredondada e tem uma duração de até 0,10 segundos (2,5 quadradinhos) e amplitude até 2,5 mm. Por isso, a onda P normal tem 2,5 x 2,5 quadradinhos! Na presença de aumentos atriais, poderemos ter aumento da amplitude e/ou da duração da onda P. Como o início da onda P representa o átrio direito (local onde está o nodo sinusal), em caso de aumento dessa câmara, observaremos aumento da amplitude da onda P. Em contrapartida, no aumento do átrio esquerdo, observaremos aumento da duração. Com a figura abaixo, esses conceitos ficarão mais claros: Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Prof. Bruno Ferraz | Resumo Estratégico | 2024 Estratégia MED EletrocardiogramaCARDIOLOGIA 13 Figura 9. A onda P é gerada a partir da despolarização do átrio direito e esquerdo. Como o nodo sinusal fica no átrio direito, essa câmara despolariza primeiro. No aumento do átrio esquerdo, há aumento da duração da onda P e, em DII, podemos observar onda P bífida (em corcova de camelo). No aumento do átrio direito, há aumento da amplitude da onda P. Em V1, temos uma particularidade: como essa derivação fica muito próxima dos átrios, V1 manifestará uma onda P com primeira porção positiva (relacionada ao átrio direito) e segunda porção negativa (relacionada ao átrio esquerdo). Você se lembra do que falamos na lógica dos vetores? Às vezes, temos uma corujinha (derivação) que vê um vetor em dois momentos (aproximação e afastamento). Isso acontece em V1, com a onda P! Em situações de sobrecarga atrial esquerda, teremos um aumento importante da porção negativa, gerando o famoso índice de Morris! Veja a figura abaixo: Figura 10. Índice de Morris é um sinal de sobrecarga atrial esquerda. Fonte: acervo pessoal. Com isso, conseguimos definir os critérios para sobrecarga atrial esquerda: aumento da duração da onda P, associado ao entalhe (onda em corcova de camelo) na derivação DII,também conhecida como onda P mitrale, além da presença de índice de Morris. Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Prof. Bruno Ferraz | Resumo Estratégico | 2024 Estratégia MED EletrocardiogramaCARDIOLOGIA 14 3.2 O INTERVALO PR O intervalo PR é o atraso fisiológico da condução atrioventricular. Conforme dito anteriormente, é um atraso provocado pelo nodo AV visando à proteção dos ventrículos em caso de taquiarritmias atriais. Deve ser medido do início da onda P até o início do QRS e sua duração normal é de 0,12 a 0,20 segundos (3 a 5 quadradinhos). A análise do intervalo PR é fundamental para dois diagnósticos: bloqueios atrioventriculares (BAV) e pré- excitação ventricular. Quando o intervalo PR é maior que 0,20 segundos, teremos, no mínimo, bloqueio atrioventricular de primeiro grau. A partir do bloqueio de segundo grau, teremos alguma falha na condução atrioventricular (onda P que não gera QRS). Os BAV são detalhados no livro sobre bradiarritmias, mas vamos revisá-los rapidamente abaixo: • BAV de 1º grau: ocorre um atraso maior e fixo na condução atrioventricular, porém todo estímulo atrial atinge os ventrículos. Dessa forma, será caracterizada por aumento do intervalo PR (> 200 ms ou 5 quadradinhos). Figura 11. BAV de 1º grau • BAV de 2° grau Mobitz I (Wenckebach): ocorre aumento progressivo do intervalo PR até ocorrer falha de estimulação ventricular (uma onda P não gera um QRS). Figura 12. BAV de 2º grau Mobitz I • BAV de 2º grau Mobitz II: a falha de condução é inesperada. Está associado a distúrbio de condução no feixe de His e, com isso, denota pior prognóstico (bloqueio mais distal). Figura 13. BAV de 2º grau Mobitz II Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Prof. Bruno Ferraz | Resumo Estratégico | 2024 Estratégia MED EletrocardiogramaCARDIOLOGIA 15 • BAV de 3º grau ou BAV total (BAVT): não existe qualquer relação da atividade atrial com a ventricular. Nenhum estímulo atrial chega ao ventrículo! Figura 14. BAV de 3º grau (BAVT) Em outras situações, o intervalo PR pode ser curto. Se a despolarização está chegando mais rápido no ventrículo, significa que há algum atalho! E esse atalho é a via acessória! Com isso, o ventrículo é “excitado” antes do tempo, encurtando o intervalo PR e gerando a onda delta. Por isso, chamamos de pré-excitação ventricular, e sua principal causa é a famosa síndrome de Wolff- Parkinson-White. Se você quiser saber mais detalhes, veja nosso livro sobre as taquiarritmias. Neste momento, daremos foco ao diagnóstico eletrocardiográfico. Veja a figura a seguir: Figura 15. Pré-excitação ventricular. Fonte: livro sobre taquiarritmias. 3.3 COMPLEXO QRS O complexo QRS representa a despolarização ventricular e merece a análise mais demorada e minuciosa no ECG. Você sabe identificar as ondas do QRS? • A onda R é a onda positiva do QRS. Não existe onda R negativa! • A onda Q é negativa e vem antes da onda R. • A onda S é a onda que vem depois da onda R. Figura 16. A sequência de ondas do QRS. Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Prof. Bruno Ferraz | Resumo Estratégico | 2024 Estratégia MED EletrocardiogramaCARDIOLOGIA 16 Além disso, existe uma convenção de nomenclatura do QRS conforme o tamanho e a presença das ondas. Nem todo QRS tem todas as ondas! Quando a onda for pequena, representaremos com letra minúscula e quando a onda for grande, maiúscula. Veja o exemplo abaixo: Figura 17. Nomenclatura padronizada do QRS. A morfologia do QRS será importante na análise de uma diversidade de condições, especialmente a presença de fibrose secundária por infarto antigo e bloqueios de ramo, como veremos adiante. Na análise do QRS, três pontos são importantes: duração, amplitude e morfologia. A duração normal do QRS é 70-100 ms (algumas bibliografias colocam até 120 ms), isto é, um pouco menos que 3 quadradinhos. A largura do QRS é fundamental para identificar a origem da despolarização ventricular, assim como identificar bloqueios e distúrbios eletrolíticos. Se o QRS é estreito (até 120 ms), podemos dizer que a origem da despolarização é supraventricular. Por outro lado, no QRS largo (> 120 ms ou 3 quadradinhos), a origem pode ser ventricular (na maioria das vezes) ou supraventricular com condução aberrante (secundário à bloqueio de ramo, hipercalemia ou bloqueio dos canais de sódio). Ao encontrar um QRS largo, a principal hipótese que deve vir à cabeça é o bloqueio de ramo! Se o QRS está largo, significa que a despolarização do ventrículo está lenta (demorando mais tempo que o normal) e, por isso, devemos ter algum grau de bloqueio de ramo atrapalhando a despolarização ventricular. Agora, fique bem atento, pois darei a você uma dica bem simples: basta olhar para V1 para fechar o diagnóstico do bloqueio! Lembre-se de que V1 fica à direita, então, se V1 for positivo (QRS para cima), teremos bloqueio de ramo direito (BRD). Se V1 for negativo (QRS para baixo), teremos bloqueio de ramo esquerdo (BRE). Essa dica não funciona sempre, mas funciona na maioria das vezes e pode fazer você acertar uma questão! Agora, vamos ver os critérios completos de BRD e BRE: Figura 18. Critérios diagnósticos dos bloqueios de ramo. Fonte: acervo pessoal Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Prof. Bruno Ferraz | Resumo Estratégico | 2024 Estratégia MED EletrocardiogramaCARDIOLOGIA 17 O bloqueio de ramo é a principal causa de QRS largo na prática clínica e nas provas de Residência. No entanto, outras condições podem alargar o QRS e quero que você dê atenção especial para a hipercalemia! Falaremos com mais detalhes neste resumo. A tabela abaixo sumariza as causas de QRS largo: Causas de QRS largo (> 120 ms ou 3 quadradinhos) Bloqueio de ramo Hipercalemia Intoxicação por antidepressivos tricíclicos Pré-excitação ventricular Marca-passo Hipotermia Tabela 1. Causas de QRS largo. Existem situações em que observaremos um eletrocardiograma bonitinho em ritmo sinusal e, repentinamente, surgirá um QRS com características diferentes. O que será? Se o batimento ocorrer antes do previsto, teremos os batimentos prematuros ou extrassístoles. Eles podem surgir em qualquer lugar do coração. A morfologia, a duração do QRS e a relação com a onda P ajudarão na definição de sua origem. A tabela abaixo mostra as principais características dessas extrassístoles: Extrassístole atrial Extrassístole juncional Extrassístole ventricular QRS estreito (ventricular. No entanto, o ECG não é o método mais acurado para esse diagnóstico (ecocardiograma é o método de escolha). Além disso, existem diversos critérios para definir a hipertrofia ventricular ao ECG. Como estamos aqui para ajudar você, podemos dizer que o conhecimento desses critérios nunca foi cobrado em prova. Por isso, vamos passar a você o filé sobre esse tema. Como falado anteriormente, o QRS com amplitude aumentada é o primeiro achado que lhe faz pensar em hipertrofia. Na hipertrofia ventricular esquerda (HVE), onde você imagina ter um grande QRS? Nas derivações mais à esquerda, não é? Em V5 e V6. Você também esperaria um certo desvio do eixo para a esquerda, não é? Por isso, a amplitude do QRS em aVL também pode estar aumentada. Com isso, sutilmente, descrevi alguns critérios de HVE. O mais conhecido é: Critério de Sokolow Lyon: onda S em V1 ou V2 + onda R de V5 ou V6 > 35 mm Existe uma fase avançada da hipertrofia ventricular esquerda que gera um padrão típico chamado strain, no qual há sobrecarga ventricular esquerda. Nesse caso, há um infradesnivelamento do segmento ST em V5/V6 com inversão de onda T. Veja abaixo: Figura 20. ECG típico de hipertrofia ventricular esquerda. Há aumento da amplitude do QRS, além do padrão de strain em V5/V6. Usando o critério de Sokolow, vemos que a soma da onda S de V1 ou V2 com a onda R de V5 ou V6 (escolha a maior) é maior que 35 mm (ou 7 quadradões). Fonte: acervo pessoal. Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Prof. Bruno Ferraz | Resumo Estratégico | 2024 Estratégia MED EletrocardiogramaCARDIOLOGIA 20 Além da hipertrofia ventricular esquerda, outra condição que leva ao aumento da amplitude do QRS é a hipertrofia ventricular direita (HVD), comum em algumas questões da pneumologia, sobretudo doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). O diagnóstico de HVD pode ser difícil e tardio pelo ECG, visto que a massa habitual do VD é muito menor que do VE. Portanto, para surgirem os sinais eletrocardiográficos, a massa do VD deve ser consideravelmente maior que a massa do VE. Se a hipertrofia é do lado direito do coração, em quais derivações esperamos encontrar aumento de amplitude? Nas derivações à direita! V1 e V2. Veremos a morfologia normal do QRS mais adiante, mas você consegue imaginar que a onda R é pequena ou ausente em V1, visto que o vetor despolarização vai em direção oposta. Então, na presença de V1 positivo, devemos pensar em sobrecarga/hipertrofia ventricular direita. Na tabela abaixo, pontuamos outras causas de V1/V2 positivos e seus achados: Causas de V1/V2 positivo Bloqueio de ramo direito QRS largo, morfologia rSR’, onda S larga e empastada em derivações laterais. Hipertrofia/sobrecarga ventricular direita Desvio de eixo para a direita, aumento de átrio direito, strain de VD (inversão de T de V1 a V4). Cardiopatia hipertrófica Onda Q profunda em derivações laterais e inferiores + sinais de HVE. Pré-excitação ventricular Quando a via acessória está localizada na parede lateral esquerda. Dextrocardia Desvio de eixo para a direita + redução da amplitude do QRS nas precordiais. Infarto posterior Depressão horizontal do segmento ST, onda T positiva, R dominante em V2, ondas R altas e amplas. Erro de técnica Verifique se os eletrodos foram colocados corretamente. Na dúvida, repita o ECG. Tabela 3. Causas de V1/V2 com polaridade positiva. Não podemos nos esquecer que o eletrocardiograma é um exame complementar e, na maioria das vezes, o enunciado da questão vai ajudar você no diagnóstico diferencial. Se estivermos diante de um doente portador de DPOC, com onda R dominante em V1, a principal hipótese será sobrecarga ventricular direita! Use todas as informações da questão a seu favor! Para finalizar, quais são os outros critérios de HVD? Como a massa do VD está aumentada, esperamos um desvio do eixo para a direita. Além disso, devemos descartar que as alterações são secundárias ao bloqueio de ramo direito. Por isso, o QRS deve ser menor que 120 ms (QRS estreito). Outros achados corroboram esse diagnóstico, como: sinais de aumento de átrio direito (onda P Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Prof. Bruno Ferraz | Resumo Estratégico | 2024 Estratégia MED EletrocardiogramaCARDIOLOGIA 21 pulmonale – aumento da amplitude da onda P) e padrão do “strain de VD” (depressão do segmento ST com inversão da onda T em V1 a V4 e/ou parede inferior). Resumindo, para o diagnóstico de hipertrofia, olhe para V1/V2 e V5/V6: Figura 21. A chave para o diagnóstico de hipertrofia é olhar para a amplitude do QRS em V1/V2 e V5/V6. Na HVE, esperamos aumento da onda R nas derivações à esquerda V5/V6 e, consequentemente, aumento da onda S em V1/V2. Por outro lado, na HVD, o aumento da onda R é observado em V1/V2. Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Prof. Bruno Ferraz | Resumo Estratégico | 2024 Estratégia MED EletrocardiogramaCARDIOLOGIA 22 E a redução da amplitude do QRS? O que sugere? Conforme pontuado anteriormente, significa que está difícil captar a atividade elétrica do coração. Esse achado é chamado baixa voltagem e está presente em derrame pericárdico, obesidade, doenças infiltrativas (amiloidose, sarcoidose) e quando há pouco miocárdio viável (cardiomiopatia dilatada em estágio final). E o que define baixa voltagem? Veja o quadro abaixo. BAIXA VOLTAGEM – Critérios diagnósticos: - amplitude de TODAS as derivações do plano frontal 40 ms (1 quadradinho). - Profundidade > 2 mm (2 quadradinhos). - Amplitude > 25% do complexo QRS. - Qualquer onda Q em V1-V3. No infarto agudo do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST que não é reperfundido, observamos claramente essa evolução (redução da onda R e surgimento da onda Q) com o passar das horas. Veja a figura abaixo. Figura 25. Tempo é músculo! Quanto mais tempo o miocárdio sofre, menor a chance de salvarmos o miocárdio. Com o passar do tempo, perdemos viabilidade (redução da onda R), surgindo necrose/fibrose (onda Q). Medicina livre,venda proibida. Twitter @livremedicina Prof. Bruno Ferraz | Resumo Estratégico | 2024 Estratégia MED EletrocardiogramaCARDIOLOGIA 25 Com isso, você deve presumir que a onda Q patológica é sinal de fibrose, não é? Em tese, sim. Desde que ela siga aquelas regrinhas básicas de infarto/isquemia: (1) a onda Q deve respeitar um território coronariano e, com isso, deve aparecer nas derivações que olham para determinada parede e (2) devemos ter redução/ ausência da onda R na mesma derivação em que encontramos a onda Q. Quando encontramos esses achados, comumente chamamos de área/zona inativa. Dessa forma, fechamos a demorada análise do QRS. Não se esqueça da sequência: duração, amplitude e morfologia! Agora, vamos falar sobre o segmento ST! 3.4 SEGMENTO ST O segmento ST é uma faixa isoelétrica do ECG que começa com o término da onda S (ponto J) e termina no início da onda T, representando o intervalo entre a despolarização ventricular e a repolarização. A principal causa de alteração no segmento ST é a isquemia coronariana e, por isso, devemos olhar com carinho especial para esse segmento em pacientes com dor torácica. No entanto, caro Estrategista, nem tudo que supra é infarto e devemos ficar atentos aos outros diagnósticos diferenciais que serão expostos neste capítulo. Você verá mais detalhes sobre esse tema no livro sobre infarto agudo do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST, no qual você terá informações importantes sobre alterações isquêmicas e determinação do local do infarto e artéria acometida. Neste livro, vamos apenas revisar as características isquêmicas relacionadas ao segmento ST e os diagnósticos diferenciais. Para determinar se há supra ou infradesnivelamento desse segmento, é fundamental encontrarmos o ponto J (término da onda S), avaliando se houve elevação ou depressão desse ponto em relação à linha de base. Consideramos supradesnivelamento isquêmico quando existe elevação do segmento ST ≥ 1 mm em duas derivações contíguas (que olham para a mesma parede). Em V2-V3, o critério é mais rígido: a elevação, em mulheres, deve ser superior a 1,5 mm, em homens com idade maior que 40 anos, superior a 2 mm e, em homens com idade abaixo de 40 anos, superior a 2,5 mm. O infradesnivelamento é isquêmico quando a depressão do ponto J é maior ou igual a 0,5 mm de característica retificada ou descendente (ver figura): Figura 26. Alterações isquêmicas do segmento ST. Para maiores detalhes, consulte o livro de infarto com supradesnivelamento do segmento ST. Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Prof. Bruno Ferraz | Resumo Estratégico | 2024 Estratégia MED EletrocardiogramaCARDIOLOGIA 26 No entanto, sabemos que nem todo supradesnível é isquêmico. Por isso, devemos conhecer os diagnósticos diferenciais de supradesnível do segmento ST: • PERICARDITE: é um dos diagnósticos diferenciais mais cobrados nas provas. Uma dica importante: o quadro Figura 27. Alterações eletrocardiográficas da pericardite. • REPOLARIZAÇÃO PRECOCE: comum em jovens e pacientes saudáveis com menos de 50 anos. O aspecto eletrocardiográfico lembra a pericardite, mas pode apresentar um entalhe no ponto J (aspecto de anzol). Além disso, o supradesnivelamento é mais proeminente nas derivações do plano precordial (V2-V5). Uma Figura 28. Entalhe em aspecto de anzol sugere o diagnóstico de repolarização precoce. clínico ajudará você a chegar no diagnóstico (ver livro sobre as pericardiopatias). No eletrocardiograma, teremos supradesnivelamento difuso em lua crescente (com concavidade para cima) associado à infradesnivelamento do segmento ST. Veja a figura abaixo. forma simples de diferenciar a repolarização precoce de um infarto é avaliar a onda Q (onda Q patológica sugere IAM), avaliar a onda T (é assimétrica e com a mesma polaridade do QRS na repolarização precoce) ou buscar presença de imagem em espelho do infarto. Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Prof. Bruno Ferraz | Resumo Estratégico | 2024 Estratégia MED EletrocardiogramaCARDIOLOGIA 27 • BLOQUEIO DE RAMO/HIPERTROFIA VENTRICULAR: vimos no módulo sobre o QRS que o bloqueio de ramo e a hipertrofia podem afetar o segmento ST, assim como inverter a onda T. • ANEURISMA DE PONTA DE VE: alguns pacientes com infarto anterior podem ter acometimento da ponta do VE que pode evoluir com aneurisma. Nesse caso, podemos evidenciar um supradesnivelamento do segmento ST mantido (que não reduz após o infarto), associado à onda Q. Esse supradesnível é mais comum nas derivações precordiais. Figura 29. Síndrome de Brugada. • MARCA-PASSO: como o marca-passo estimula diretamente o ventrículo direito, gera morfologia de BRE, causa de supradesnível do segmento ST. • SÍNDROME DE BRUGADA: é uma canalopatia (mutação do canal de sódio cardíaco) com alto risco de morte súbita. Para maiores detalhes sobre essa síndrome, veja o livro sobre taquiarritmias. Neste livro, vamos focar nas alterações eletrocardiográficas: • elevação do segmento ST característica > 2 mm em V1-V3 seguida por onda T negativa; • morfologia semelhante à BRD. Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Prof. Bruno Ferraz | Resumo Estratégico | 2024 Estratégia MED EletrocardiogramaCARDIOLOGIA 28 RESUMINDO: Figura 30. Causas de supradesnivelamento do segmento ST. Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Prof. Bruno Ferraz | Resumo Estratégico | 2024 Estratégia MED EletrocardiogramaCARDIOLOGIA 29 3.5 INTERVALO QT O intervalo QT é medido do início do QRS até o final da onda T e representa a sístole ventricular, visto que engloba a despolarização (QRS) e a repolarização ventricular (onda T). A duração normal do QT é diretamente influenciada pela frequência cardíaca (FC): quanto mais baixa é a FC, maior é o QT. Por isso, utilizamos o valor do QT corrigido (QTC). Em geral, o próprio aparelho de ECG já lhe fornecerá o valor corrigido. Na prova, não teremos essa facilidade. No entanto, como você é aluno Coruja, darei a você duas dicas para não precisar calcular o intervalo QTC: 1. a primeira é bem simples: quando a FC está dentro da normalidade, consideraremos QT longo quando a duração for superior a 440-460 ms (aproximadamente 11 quadradinhos). O QT estará curto se for menor que 300 ms. DII longo é uma boa derivação para fazer a medição. 2. na correria da prova, você quer saber se o QT está normal: o que fazer? Dica mágica → trace uma linha no ponto médio entre 2 QRS. Se a onda T NÃO ultrapassar essa linha, posso lhe garantir que o QT é normal! Se ultrapassar, você terá de medir! Veja a figura: Figura 31. Dica prática para medir o intervalo QT. E qual é a importância da avaliação do intervalo QT no ECG? Nas provas, basicamente estarão envolvidos em dois cenários: distúrbios do cálcio e QT longo/Torsades des Pointes. Pacientes com QT longo têm maior risco de evolução para taquicardia ventricular polimórfica do tipo Torsades des Pointes, especialmente quando o QT tem duração superior a 500 ms. Esse tema é tratado com detalhes no livro sobre parada cardiorrespiratória (PCR) e taquiarritmias. Com relação aos distúrbios do cálcio, basta lembrar que o cálcio é fundamental para a sístole ventricular e o intervalo QT representa a sístole ventricular! Com isso, na hipercalcemia, a sístole ocorre mais rápido (QT curto). Em contrapartida, na hipocalcemia, o QT é longo. Veja a tabela abaixo com as principais causas de QT curto e longo. Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Prof. Bruno Ferraz | Resumo Estratégico | 2024 Estratégia MED EletrocardiogramaCARDIOLOGIA 30 Causas de QT longo (> 460 ms) Causas de QT curto (Hipotermia Tabela 4. Causas de QT longo e curto. 3.6 ONDA T A onda T reflete a repolarização ventricular, é naturalmente assimétrica, lembrando uma montanha-russa (sobe devagar e desce rápido), e tem polaridade similar à do QRS. Nas provas de Residência, a análise da onda T será fundamental para duas situações: distúrbios do potássio e isquemia. Figura 32. A onda T é assimétrica (em montanha-russa) e acompanha a polaridade do QRS na maioria das vezes. QRS para cima, onda T para cima! Nas derivações de transição (V3, V4), pode ter polaridade invertida em relação ao QRS sem refletir condição patológica. Assim como toda onda, devemos analisar morfologia, duração e amplitude. Quanto à morfologia, já citamos as características acima. A duração da onda T já foi realizada na análise do intervalo QT! Por fim, a amplitude normal é menor que 5 mm nas derivações periféricas e menor que 10 mm nas derivações precordiais. Agora, vamos conversar sobre as situações que mais alteram a onda T. Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Prof. Bruno Ferraz | Resumo Estratégico | 2024 Estratégia MED EletrocardiogramaCARDIOLOGIA 31 3.6.1 DISTÚRBIOS DO POTÁSSIO Considerando as questões que cobram apenas os conhecimentos sobre eletrocardiograma, esse é o tema mais prevalente nas provas, representando quase metade dessas questões. O distúrbio mais cobrado é a HIPERCALEMIA! Apesar de ser um tema bastante cobrado, é um tema MUITO simples e você não pode perder NENHUMA dessas questões com as dicas que lhe passarei! Entenda que o potássio e a onda T andam sempre juntos. Se o potássio sobe, a onda T sobe também. Além disso, a onda P é do contra e faz o movimento inverso. Com isso, podemos imaginar as principais alterações eletrocardiográficas dos distúrbios do potássio. Figura 33. Evolução das alterações eletrocardiográficas conforme nível sérico de potássio No entanto, algumas questões cobram conhecimentos além desses. Então, vou apresentar a grande dica para acertar TODAS as questões sobre esse tema. Vamos começar pelo distúrbio do potássio mais comum: HIPERCALEMIA. Imagine uma mão levantando a onda T (você lembra que a onda T acompanha o potássio?), provocando todas as alterações! Ao levantar, o QRS alarga e a onda P reduz de calibre! Repare que a onda T fica simétrica e apiculada (algumas Figura 34. Hipercalemia no ECG. Na hipocalemia, como esperamos uma onda T de pequeno calibre, imagine uma mão apertando a onda T. Com isso, surgirá uma onda U proeminente, além da onda P aumentada. Veja na figura: Figura 35. Hipocalemia no ECG. HIPERCALEMIA NO ECG HIPOCALEMIA NO ECG bibliografias chamam de aspecto de pá de pedreiro). Veja a figura abaixo: Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Prof. Bruno Ferraz | Resumo Estratégico | 2024 Estratégia MED EletrocardiogramaCARDIOLOGIA 32 3.6.2 ONDA T ISQUÊMICA A onda T é outra importante fonte de alterações isquêmicas ao ECG. Além da famosa onda T invertida, existem outras morfologias que também apontam para evento isquêmico. Por outro lado, nem toda onda T invertida significa isquemia. Por ser a alteração mais comum, vamos começar pela onda T invertida. ONDA T INVERTIDA O vetor de despolarização ventricular tem o mesmo sentido do vetor de repolarização ventricular e, por isso, a onda T deve ter a mesma polaridade do QRS. Com isso, se o QRS é negativo, a onda T será negativa também. Para a onda T ser considerada isquêmica, além da polaridade invertida, ela deve possuir amplitude superior a 1 mm e as famosas características das alterações isquêmicas (pelo menos duas derivações CONTÍGUAS, isto é, que olham para a mesma parede). Veja uma onda T invertida com características isquêmicas: Figura 36. Onda T isquêmica: QRS para cima, onda T para baixo (invertida) com amplitude superior a 1 mm. Existem outras causas de onda T invertida que estão expostas na tabela abaixo: Causas de onda T invertida Normal em crianças Padrão persistente juvenil Isquemia/infarto Bloqueio de Ramo Hipertrofia ventricular (padrão strain) Embolia pulmonar Tabela 5. Causas de onda T invertida. A presença de inversão de onda T de V1 a V4 (strain de VD) em paciente com dor torácica deve levantar a hipótese de tromboembolismo pulmonar (TEP). Aliás, muitas provas gostam de cobrar conceitos relacionados ao ECG nessa doença. Por isso, abrimos uma caixinha especial para falar sobre o ECG no TEP. Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Prof. Bruno Ferraz | Resumo Estratégico | 2024 Estratégia MED EletrocardiogramaCARDIOLOGIA 33 O ECG NA EMBOLIA PULMONAR A embolia pulmonar pode gerar diversas alterações no eletrocardiograma, sendo a maioria inespecífica. Essas alterações são secundárias à hipoxemia e sobrecarga ventricular causada pelo quadro clínico. As principais alterações eletrocardiográficas são: - Taquicardia sinusal: é a alteração MAIS COMUM (44% dos pacientes). - Bloqueio de ramo direito (QRS > 120 ms, padrão RSR’ em V1-V3 e onda S empastada nas derivações laterais): associado ao aumento de mortalidade (18% dos pacientes). - Strain de VD (inversão de onda T nas derivações direitas V1-V4 e/ou inferiores DII, DIII e aVF com eixo entre 0 e -90° com aparência de desvio de eixo para esquerda – pseudodesvio para esquerda): associação com hipertensão pulmonar. - Onda R dominante em V1: manifestação de dilatação ventricular direita aguda. - Aumento de átrio direito (P pulmonale – aumento da amplitude da onda P em DII > 2,5 mm): observado em 9% dos pacientes. - Padrão S1Q3T3: padrão clássico que evidencia onda S em DI, onda Q em DIII e onda T invertida em DIII. Esse achado tem sensibilidade de 54% e especificidade de 62% e está presente em 20% dos casos. Que decepção, não é? Achou que era patognomônico, mas não é! Qualquer causa de cor pulmonale agudo pode causar o achado de S1Q3T3 no ECG, além da embolia pulmonar, broncoespasmo agudo, pneumotórax e outros problemas pulmonares agudos. - Rotação horária: deslocamento do ponto de transição R/S em direção a V6 com uma onda S persistente em V6 (“padrão de doença pulmonar”), implicando rotação do coração em razão da dilatação do ventrículo direito. O ponto de transição R/S é o seguinte. Você já reparou em um ECG que, em V1, a polaridade do QRS é mais negativa? Em V2, a polaridade é menos negativa e geralmente em V3 ou V4 temos um QRS isoelétrico ou positivo (depende do paciente, da caixa torácica e outros fatores). Essa é a transição R/S. Na embolia pulmonar, a transição fica mais tardia em virtude da sobrecarga de cavidade direita. - Taquiarritmias atriais: fibrilação atrial, flutter atrial ou taquicardia atrial. Presente em 8% dos pacientes. - Alterações inespecíficas do segmento ST e alterações da onda T: presente em 50% dos pacientes. Ué? Com tanto sinal eletrocardiográfico, não tem nenhum sinal específico para TEP? Tem sim! Inversão simultânea da onda T nas derivações precordiais inferiores (II, III, aVF) e precordiais direitas (V1-4) é o achado eletrocardiográfico mais específico de embolia pulmonar, com especificidade de 99%. No entanto, é um sinal infrequente, presente em 4-11% dos casos. Pouca gente sabe disso, mas pode usar para tirar onda, já que não é cobrado nas provas. Nas provas de Residência, S1Q3T3 = TEP. Do ponto de vista prático, as principais perguntas sobre ECG e TEP que podem surgir são: - Qual é o achado mais comum? Taquicardia sinusal. - Qual é o achado mais específico? Se não tiver a inversão de T SIMULTÂNEA em precordiais e derivações inferiores nas opções, largue o dedo no S1Q3T3 e seja feliz! Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Prof. Bruno Ferraz | Resumo Estratégico | 2024 Estratégia MED EletrocardiogramaCARDIOLOGIA 34 Figura 37. Alterações eletrocardiográficas no paciente com TEP. ONDA T HIPERAGUDA Essa alteração já foi apresentada neste resumo quando falávamos sobre a evolução do infarto com supra (tópicosobre onda Q patológica). Nos primeiros minutos do IAMCSST, a primeira alteração eletrocardiográfica é a onda T hiperaguda. É uma onda T que geralmente é simétrica, ampla, apiculada e respeita a polaridade do QRS. Muitas vezes, esse eletrocardiograma pode ser considerado normal ou não diagnóstico. Por isso, diante de um paciente com dor torácica persistente, é recomendado um novo ECG em 30 minutos, caso o primeiro não tenha alterações. ONDA T BIFÁSICA Onda T bifásica tem apenas duas causas: isquemia ou hipocalemia. Quando a primeira porção é positiva e termina negativa, o diagnóstico é isquemia. Caso contrário, hipocalemia. Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Prof. Bruno Ferraz | Resumo Estratégico | 2024 Estratégia MED EletrocardiogramaCARDIOLOGIA 35 Figura 38. Diagnóstico diferencial da onda T bifásica. Diante de uma onda T bifásica, devemos considerar o diagnóstico de síndrome de Wellens. É uma síndrome que envolve o achado de onda T bifásica em V2-V3 em pacientes que apresentaram dor torácica (devem estar sem dor no momento do eletrocardiograma). Esse achado é altamente específico para estenose crítica da artéria descendente anterior. Figura 39. Onda T bifásica em V2-V3 em paciente assintomático, mas com história de dor torácica recente. Altamente sugestivo de estenose crítica de artéria descendente anterior. Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Prof. Bruno Ferraz | Resumo Estratégico | 2024 Estratégia MED EletrocardiogramaCARDIOLOGIA 36 3.7 ONDA U A onda U é uma onda acessória que nem sempre aparece (mais comum quando há bradicardia) e de origem desconhecida. A onda U normal corresponde a 10-20% da onda T, tendo a mesma polaridade. A tabela abaixo pontua as principais alterações relacionadas à onda U: Onda U aumentada Onda U negativa Hipocalemia Isquemia miocárdica. Hipotermia Hipertrofia ventricular esquerda. Bradicardia Digoxina Tabela 6. Causas de alterações na onda U. A ampla maioria das questões que cobram conhecimentos sobre onda U são sobre hipocalemia! Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Prof. Bruno Ferraz | Resumo Estratégico | 2024 Estratégia MED EletrocardiogramaCARDIOLOGIA 37 CAPÍTULO 4.0 SEQUÊNCIA DE ANÁLISE DO ELETROCARDIOGRAMA Estrategista, discutimos o significado, a normalidade e as causas de anormalidade de todas as ondas e todos os intervalos importantes do ECG. Agora, chegou a hora de organizar tudo em um roteiro de análise. Se não tivermos sequência, não olharmos onda por onda, podemos “comer mosca” em algum diagnóstico. Por isso, proponho a sequência simples de análise do ECG. Vamos tomar um refresco diante das ondas! Figura 40. Mnemônico para a sequência de análise do eletrocardiograma. 4.1 ANÁLISE DO RITMO Sempre vamos buscar o ritmo sinusal. Para isso, devemos analisar a onda P, que deve ser positiva em DI, DII e aVF. Além disso, cada onda P deve gerar um QRS. Se você tem alguma dúvida nesse tópico, volte e leia novamente o tópico sobre a onda P. Nas taquiarritmias e bradiarritmias, temos um algoritmo próprio para resolver essas questões (leia os respectivos livros para maiores detalhes). Nos pacientes com FC controlada, as outras possibilidades são: • ritmo atrial ectópico: as características da onda P serão diferentes das ondas P sinusal, mas são imprevisíveis (depende do local de origem da ectopia); • ritmo juncional: onda P será negativa em DII e DIII, como pode ser ausente ou até mesmo retrógrada (após o QRS). Depende do local de origem na junção AV; • marca-passo migratório: ondas P com múltiplas morfologias; • fibrilação atrial: ritmo irregular com ausência de onda P. As questões que cobram esses diagnósticos, exceto fibrilação atrial, são raras. Então, o importante é saber o que é ritmo sinusal! Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Prof. Bruno Ferraz | Resumo Estratégico | 2024 Estratégia MED EletrocardiogramaCARDIOLOGIA 38 4.2 ANÁLISE DO EIXO O eixo do QRS representa o vetor resultante da despolarização ventricular. A análise do eixo ajuda na identificação de bloqueios, origem de arritmias e diversas outras condições cardíacas. O vetor de despolarização geralmente vai em direção a DII, sendo aceitáveis algumas variações de acordo com o biotipo do paciente. Por isso, o eixo cardíaco normal vai de -30° a +90°. Algumas bibliografias pontuam de 0° a +90°, mas isso não influenciará a nenhum diagnóstico. Veja a figura abaixo: Figura 41. O eixo normal e seus desvios. Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Prof. Bruno Ferraz | Resumo Estratégico | 2024 Estratégia MED EletrocardiogramaCARDIOLOGIA 39 E como determinaremos o eixo cardíaco por meio do ECG? Existem 2 maneiras mais conhecidas. A primeira é bem simples: basta olhar para DI e aVF. Se o QRS for positivo em ambas as derivações, podemos garantir que o QRS é normal. Esse é o método dos quadrantes: Figura 42. Método dos quadrantes para determinação do eixo cardíaco. No método dos quadrantes, o eixo é normal quando está entre 0° e +90°. Outro método simples de avaliação do eixo é por meio da análise da derivação isoelétrica. Você se lembra do conceito que trabalhamos no módulo sobre vetores? Quando um vetor passa perpendicular a uma derivação, ela exibirá uma fase positiva e outra fase negativa. Essa é a ideia! Ao identificarmos a derivação com QRS isoelétrico, basta buscar a derivação perpendicular para encontrarmos o eixo! Veja dois exemplos abaixo: Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Prof. Bruno Ferraz | Resumo Estratégico | 2024 Estratégia MED EletrocardiogramaCARDIOLOGIA 40 Figura 43. No primeiro caso, demos o exemplo de um ECG em que a derivação isoelétrica está em DII. Com isso, a derivação perpendicular é aVL (-30°). No segundo caso, a derivação isoelétrica é DI e, por isso, o eixo está em aVF (0°). E quais são as condições que afetam o eixo cardíaco? Desvio de eixo para direita Desvio de eixo para esquerda Hipertrofia ventricular direita Hipertrofia ventricular esquerda Embolia pulmonar Bloqueio de ramo esquerdo Infarto lateral Infarto inferior DPOC Síndrome de Wolff-Parkinson-White Dextrocardia Bloqueio divisional anterossuperior (BDAS) Síndrome de Wolff-Parkinson-White Bloqueio divisional posteroinferior (BDPI) Tabela 7. Causas de desvio de eixo. Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Prof. Bruno Ferraz | Resumo Estratégico | 2024 Estratégia MED EletrocardiogramaCARDIOLOGIA 41 O desvio de eixo é condição fundamental para a identificação dos bloqueios divisionais (bloqueios de pequenos ramos do ramo esquerdo ou direito). O BDPI quase nunca é cobrado em prova de Residência, mas o BDAS você precisa reconhecer em razão de uma condição: a doença de CHAGAS! A alteração eletrocardiográfica clássica, presente em aproximadamente 50% dos doentes chagásicos, é o bloqueio de ramo direito (BRD) com BDAS. Como identificar? Basta encontrar um BRD (QRS largo com V1 positivo) e desvio de eixo para esquerda. Só isso? Exatamente. Só isso! Quando o desvio de eixo não estiver evidente, busque por polaridade negativa na parede inferior (DII, DIII e aVF). Figura 44. ECG típico de doença de Chagas. Repare que há BRD (QRS largo + V1 positivo com orelha de coelho rSR’) e BDAS (desvio de eixo para esquerda → DI positivo e aVF negativo, além de polaridade negativa em parede inferior – DII, DIII e aVF). 4.3 ANÁLISE DA FREQUÊNCIA CARDÍACA A análise da frequência cardíaca visa a identificação de taquiarritmias (FC > 100 bpm) e bradiarritmias (FCvenda proibida. Twitter @livremedicina Prof. Bruno Ferraz | Resumo Estratégico | 2024 Estratégia MED EletrocardiogramaCARDIOLOGIA 42 Figura 45. Como contar a frequência cardíaca em paciente em ritmo sinusal. Sabendo que cada quadradinho tem 40 ms, multiplicando 40 ms pelo número de quadradinhos entre dois QRS, saberemos o tempo necessário para acontecer um batimento. Com esse dado, basta fazer uma regra de 3 para saber o número de batimentos em 1 minuto, ou seja, 60 segundos. Para facilitar, basta dividir 1.500 pelo número de quadradinhos ou 300 pelo número de quadradões. No paciente com ritmo irregular, é um pouco mais complicado. Nesse caso, iremos no registro do DII longo e contaremos o número de QRS presentes em 30 quadradões. Por que 30? Um quadradão representa 0,20 segundos. Trinta quadradões, então, representam 6 segundos. Resolvido o problema! Sabendo o número de batimentos em 6 segundos, basta multiplicar por 10 e saberemos o número de batimentos em 60 segundos! Figura 46. Cálculo da FC em paciente com ritmo irregular. 4.4 ONDA P Vamos analisar: morfologia, duração e amplitude. Na análise da morfologia, procuraremos por alterações típicas de aumentos atriais (onda em corcova de camelo, índice de Morris). Lembre-se de que a onda P normal tem 2,5 por 2,5 quadradinhos. Aumento da amplitude sugere aumento de átrio direito, enquanto aumento de duração sugere aumento de átrio esquerdo. Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Prof. Bruno Ferraz | Resumo Estratégico | 2024 Estratégia MED EletrocardiogramaCARDIOLOGIA 43 4.5 INTERVALO PR Vamos analisar a duração do intervalo PR e a relação da onda P com o QRS. Nos bloqueios atrioventriculares, o intervalo PR estará aumentado. A partir do bloqueio atrioventricular de segundo grau, observaremos falha na condução (onda P que não gera QRS). Nas síndromes de pré-excitação, o intervalo PR estará curto. O intervalo PR normal tem 3 a 5 quadradinhos. 4.6 COMPLEXO QRS É a análise mais demorada do ECG. Vamos analisar: morfologia, duração e amplitude. Na análise da morfologia, vamos observar se há progressão natural da onda R nas precordiais e buscar ondas Q patológicas ou ondas acessórias (onda delta, onda J de Osbourne). A duração normal do QRS vai até 100-120 ms (no máximo, 3 quadradinhos). Em caso de QRS largo, pensar sempre na possibilidade de bloqueio de ramo e hipercalemia. Se a amplitude estiver aumentada, pensar em hipertrofia. Se estiver diminuída, pensar em derrame pericárdico. 4.7 SEGMENTO ST Vamos buscar supra ou infradesnivelamento do segmento ST, especialmente no doente com dor torácica. Para avaliar o desnível, procure o ponto J (final do QRS). Não se esqueça dos diagnósticos diferenciais de supradesnivelamento do segmento ST (pericardite, repolarização precoce, bloqueios de ramo, entre outros). 4.8 INTERVALO QT O intervalo QT normal dura até 11-12 quadradinhos e varia conforme a FC. Lembre-se da regra de traçar uma linha no ponto médio entre dois QRS. Se a onda T não ultrapassar, o intervalo QT é normal. Se ultrapassar, você deve medir. QT longo está associado a uso de medicamentos, hipocalcemia e aumento do risco de Torsades des Pointes. O intervalo QT curto está associado à hipercalcemia e uso de digitálicos. 4.9 ONDA T A onda T normal é assimétrica e concordante com o QRS. Onda T invertida pode ser de origem isquêmica. A onda T é peça- chave nos distúrbios do potássio: T fica aumentada, simétrica e apiculada na hipercalemia, enquanto fica achatada e reduzida na hipocalemia, além de exibir onda U proeminente. Esses são os nove passos na análise do eletrocardiograma. Não aplique esse método às taquiarritmias! Siga o algoritmo próprio disponível no livro específico. Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Prof. Bruno Ferraz | Resumo Estratégico | 2024 Estratégia MED EletrocardiogramaCARDIOLOGIA 44 Baixe na Google Play Baixe na App Store Aponte a câmera do seu celular para o QR Code ou busque na sua loja de apps. Baixe o app Estratégia MED Preparei uma lista exclusiva de questões com os temas dessa aula! Acesse nosso banco de questões e resolva uma lista elaborada por mim, pensada para a sua aprovação. Lembrando que você pode estudar online ou imprimir as listas sempre que quiser. Resolva questões pelo computador Copie o link abaixo e cole no seu navegador para acessar o site Resolva questões pelo app Aponte a câmera do seu celular para o QR Code abaixo e acesse o app https://estr.at/HZoQ Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina https://estr.at/HZoQ Prof. Bruno Ferraz | Resumo Estratégico | 2024 Estratégia MED EletrocardiogramaCARDIOLOGIA 45 CAPÍTULO 6.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. ECG: manual prático de eletrocardiograma. Helder José Lima Reis et cols. Editora Atheneu, 2013 2. Pastore CA, Pinho JA, Pinho C, Samesima N, Pereira-Filho HG, Kruse JCL, et al. III Diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia sobre Análise e Emissão de Laudos Eletrocardiográficos. Arq Bras Cardiol 2016; 106(4Supl.1):1-23 3. Waldemar Decache. ECG de bolso. Editora Revinter. Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Prof. Bruno Ferraz | Resumo Estratégico | 2024 Estratégia MED EletrocardiogramaCARDIOLOGIA 46 Futuro Residente, O aprendizado de eletrocardiografia demanda muito treino. Separei uma lista de questões especiais para você consolidar o que aprendeu neste resumo. Se alguma dúvida persistir, utilize o fórum de dúvidas! Terei o maior prazer em responder. Também estou disponível no Instagram (@ profbrunoferraz) e pelo e-mail (bruno.ferraz@estrategiamed.com.br). Até o próximo tema! Bruno Ferraz CAPÍTULO 7.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina mailto:bruno.ferraz@estrategiamed.com.br Prof. Bruno Ferraz | Resumo Estratégico | 2024 Estratégia MED EletrocardiogramaCARDIOLOGIA 47 Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina https://med.estrategia.com