Logo Passei Direto
Buscar
Material

Prévia do material em texto

Capítulo VI ROTEIRO PARA UMA INTERVENÇÃO INSTITUCIONAL PADRÃO Vamos tratar de um roteiro para uma intervenção ins- titucional do tipo standard, isto é, a mais habitual, a mais corriqueira, a mais Antes de começar, no entan- to, eu gostaria de fazer uma breve classificação - que, se- guramente, será muito incompleta e esquemática - de algumas formas diferentes de intervenção, porque me pa- rece que, metodológica e tecnicamente, é uma questão que não estou seguro de ter conseguido transmitir no percurso destes capítulos. É um assunto importante, porque quan- do não fica claro, permanece nas pessoas uma dúvida enor- me no tocante à condição de contratação deste tipo de serviço. Então eu gostaria de, pelo menos, mencionar al- gumas delas. Tendo em vista a divisão já mencionada, dentro do ins- titucionalismo, entre a configuração de um campo de aná- lise e um campo de intervenção, tem-se que o campo de análise consiste apenas num espaço conceitual ou nocional. Em outras palavras, é um tema do qual o institucionalista quer se ocupar. Esse tema pode ser abstrato ou concreto; pode ser contemporâneo, passado ou futuro. E pode ser mui- 101to vasto ou mais restrito. Mas é um processo de produção Outra modalidade possível de prestação deste serviço de conhecimento com respeito a esse campo e não implica pode ser feita por parte de uma equipe que integra, que é uma intervenção técnica; envolve apenas o fato de que o interna à organização na qual se vai intervir. É o famoso institucionalista vai tentar entendê-lo. Aliás, isso pode abran- caso, por exemplo, do departamento de Recursos Huma- ger até mesmo um tipo de material que não é propriamente nos de uma empresa, que tem de fazer uma intervenção den- histórico-social, no sentido das formas institucionalizadas- tro de sua empresa mesma, ou um departamento de organizadas: pode ser um texto literário ou uma obra ar- acompanhamento institucional de uma universidade. quitetônica, por exemplo. Outra possibilidade é a de uma prestação de serviços Agora, o campo de intervenção, como já foi dito, pres- feita de uma maneira parecida com esta anterior, que aca- supõe um campo de análise, porque pode entender-se sem bamos de expor, mas menos caracterizada burocrática e pro- intervir, mas não se pode intervir sem entender. O campo fissionalmente. Por exemplo, é o caso de um Sindicato ou de análise pode não coincidir, em termos empíricos, com de um Partido político que, nos seus quadros, tem institu- o campo de intervenção. Ou seja, pode-se escolher como cionalistas que são militantes formais. Então esse Sindica- campo concreto de intervenção uma fábrica, uma indústria. to ou esse Partido político pede a seus militantes institu- Mas pode delimitar-se um campo de análise que não com- cionalistas uma intervenção em um setor, em um segmen- preende unicamente o entendimento dessa fábrica, e resol- to, em uma frente, em um espaço da vida e da atividade ver estudar o processo histórico de implantação desse tipo partidária, trabalho esse que pode ser ou não pago, con- de indústria no Brasil, para poder saber como funciona es- tanto que seja considerado como parte da vida militante. sa organização concreta, fabril, que se escolheu como campo Mas, em todo caso, é um acordo muito definido, pois se de intervenção. trata de uma oferta e uma solicitação formais, em que se Partindo, pois, dessa discriminação entre campos de reconhece no militante institucionalista um saber "especí- análise e campo de intervenção, digamos que as modalida- e ele é procurado nesta condição. des de intervenção podem ser variadas. Uma modalidade Existe uma quarta possibilidade, que é aquela pela qual de intervenção que é aquela a que nos vamos referir de um institucionalista que não se caracteriza como tal e não forma predominante quando repassarmos este roteiro stan- oferece seus serviços como tal, se infiltra em uma organi- dard, tradicional, é um serviço que é oferecido desde posi- zação à qual ele pode pertencer organicamente ou não, e ções mais ou menos clássicas, convencionais, habituais, o faz sob um rótulo, na condição de qualquer outra coisa dentro do panorama social. É o que se dá com o serviço que faça parte dos papéis formais existentes nessa organi- oferecido na condição de profissional liberal ou autônomo, zação, mas que não seja o de institucionalista. É o caso, na condição de sociedade científica uma sociedade cien- por exemplo, de um morador numa associação de bairro, tífica de Análise Institucional que oferece trabalhos, por em que ninguém sabe que seja institucionalista, ninguém exemplo; é o exercício que é oferecido por um estabeleci- está informado de que ele oferece serviços de instituciona- mento de prestação de serviços privados, um instituto de lista, mas que, dentro de seu papel de morador, opera co- Análise Institucional que pode ser uma sociedade anônima mo institucionalista, sem explicitar essa condição. de responsabilidade limitada ou uma microempresa; é o que Existe uma última possibilidade, dentro deste espectro pode ser oferecido por um departamento especial de uma esquemático, pobre, limitado, que consiste numa variação Faculdade, um departamento de Análise Institucional nu- dessa última possibilidade. Uma variação que parece a me- ma universidade. nos comprometida e, sem dúvida, é a mais difícil de todas: 102 103é a daquele que pratica o institucionalismo na convivência e, em muitas ocasiões, embora não em todas, à condição cotidiana. Ou seja: é aquele que nem oferece serviços co- de técnico se acrescenta a de funcionário ou de burocrata. mo institucionalista, nem é solicitado como tal, nem se Felizmente ou não, o institucionalismo não é assim; não infiltra sob outra condição não formal, mas simplesmente é isso o que ele propõe, apesar de que, em algumas oca- é um "cristão", isto é, é um próximo que, tendo assimila- siões infelizes possa vir a cair nisso. Então, essa amplitude do princípios teóricos, formas técnicas de operar, vive des- gera nos jovens agentes uma angústia, um mal-estar que po- sa maneira, convive dessa forma e, então, pratica o insti- de derivar numa recusa, que pode levá-los a adotarem uma tucionalismo com sua mulher, com os filhos, com os com- atitude depreciativa que os conduz a dizer: "Isso é muito panheiros, com os adversários. Em outras palavras: é aquele vago, muito complicado, muito impreciso; não faço; deixe- que tem do mundo uma concepção institucionalista e uma me tranqüilo como médico, como advogado, algo tradicio- maneira de viver de acordo com esses princípios. Isso in- nal e não demasiadamente autocrítico." É o famoso pro- clui o seu âmbito de trabalho, mas é principalmente na coe- blema de focalizar isso de maneira otimista ou pessimista. xistência, na colaboração cotidiana com seus companheiros A maneira pessimista é dizer que é muito complicado, muito que ele se comporta como institucionalista. impreciso, há demasiadas opções. A maneira otimista é di- Essa esquemática sistematização requer um tratamen- zer: "Graças a Deus, há tantas possibilidades e tantas mar- to, uma explicitação e uma abordagem muito detalhados gens para a invenção" e complexos das peculiaridades que adquire cada uma des- O que vamos desenvolver agora é apenas uma dessas sas inserções possíveis, o que não faremos por várias ra- formas de intervenção, que é a intervenção institucional stan- zões: porque ela não foi exaustivamente feita em texto algum dard, a qual: 1) não é a única (o que espero tenha ficado e suspeito que jamais será feita, porque é demasiadamente claro); 2) nem sempre é a melhor apesar de costumar ser ampla, heterogênea, complexa, inclusive por causa da pre- a mais clara e a mais sistematizada; e 3) muito tensão institucionalista de que cada intervenção tem de ser mente não é possível, porque as características da deman- singular, tem de ter uma característica de originalidade, de da não a propiciam. Então, deve-se ter cuidado, porque se irrepetibilidade, o que torna a sistematização dessas dife- a gente se aferra a esse tipo de intervenção, se se apega a renças eventualidades muito difíceis e improváveis. Mas, em esse modo de operar, corre-se o risco de pensar que quan- todo caso, o importante é reter isso, a amplitude de possi- do ela não é possível, não existem outros que, pelo menos, bilidades, amplitude essa que produz um efeito contraditó- deixaremos esboçados. rio nos jovens institucionalistas, porque esses novatos são Ora, a intervenção apresenta uma série de passos que formados dentro de uma orientação disciplinar: querem ser têm de ficar bem explicitados. São passos ideais, aos quais especialistas e querem ser profissionais e querem ter um cor- deveríamos prestar atenção, tratar em separado a cada um po de saber e de prescrições, de estratégias e de táticas, cla- deles durante a intervenção, se houvesse tempo, se houves- ro, simples, limitado e preciso. Querem saber quem são, que se calma, se houvesse dinheiro, se houvesse todas as condi- direitos têm, que deveres têm, qual o seu estatuto científi- ções necessárias para fazer as coisas de maneira confortável. co, qual sua condição profissional, e querem ter uma teo- Em geral essas condições não existem e, então, pulam-se ria simples, clara, assim como opções técnicas não dema- e misturam-se passos, e age-se, mais ou menos, "como é siadamente numerosas para poderem saber, com toda faci- possível". Se vocês querem um exemplo corriqueiro, conhe- lidade, o que devem fazer em cada conjuntura. E nisso con- cer esses passos e executá-los é como em algumas épocas siste a formação disciplinar que tende a produzir técnicos gloriosas da pedagogia, quando nos ensinavam a caminhar 105 104de maneira elegante e, então, se nos dizia: calcanhar-planta- mal e resolvem mal sua oferta, elas produzem uma deman- ponta, Ora, ninguém caminha as- da à qual não respondem. Isso traz em saú- sim. Mas acontece que caminhar assim resulta num andar de; os problemas sanitários, por exemplo. Então, quem é elegante. Depois, a gente não vai mesmo pensar nisso e sim- que gerou a demanda do serviço de saúde? Não foram ape- plesmente caminha mais ou menos tão elegantemente co- nas os estabelecimentos de saúde. Foram também os esta- mo pode. Ou como quando a gente aprende a nadar, que belecimentos de urbanização, não por geração de uma consiste primeiro em levar o braço direito, depois o braço demanda de saúde coerente, racional e consciente, articu- esquerdo, e bater as pernas coordenadamente, e a cabeça lada com a oferta, mas pela e pela falência se volta para esse ou aquele lado... Quando a gente nada de sua oferta. Mas esse exemplo que acabo de dar é insig- assim, só pensando nessas regras, se afoga, apesar de ser nificante, porque, devido às questões de atravessamento e a maneira mais correta de fazê-lo... às questões de transversalidade, isso se torna um complexo O primeiro passo consiste em fazer a análise da pro- mecanismo no qual a gente só consegue averiguar algumas dução da demanda. Isso, em um sentido particular, consis- das determinantes cruzadas da produção de demanda com te no cuidadoso exame que a organização ou a pessoa que a oferta... e em geral se perdem muitas. É importante que está para fazer a intervenção institucional faz, da maneira isso fique claro. Mas, em todo caso, o mínimo que pode- como ela ofereceu os serviços; ou seja, o estudo da forma mos saber sobre isso é que não existe demanda espontânea como ela produziu a demanda que lhe é feita. Temos enfa- e natural, nem universal, nem eterna, mas, pelo contrário, tizado muito que correntes atuais, tanto de Marketing quan- ela é produzida pela oferta. Portanto, a primeira coisa a to de Psicanálise, ou de Psicanálise e Marketing (que não ser feita a nível de um campo de análise e uma pesquisa, estão nada separados), têm insistido bastante na questão da a mais ampla possível, de como produzimos a demanda de demanda do usuário: o usuário demanda isso, mas não sa- serviços. Nesse caso, a demanda de Análise Institucional é, be que, na verdade, demanda outra coisa. Sistematicamen- como o leitor compreenderá, nem mais nem menos que o te se esquece, nessas leituras, nessas investigações, que não começo da análise da implicação. Porque se a análise da existe demanda espontânea, que toda demanda é produzi- implicação é a análise do compromisso sócio-econômico- da, é gerada, e que existe um cruzamento na natureza da político-libidinal que a equipe analítica interventora, cons- demanda, de tal maneira que não é necessariamente a or- ciente ou não, tem com sua tarefa, ela começa pela análise ganização que oferece um serviço a única responsável pela da implicação existente na oferta, ou seja, na produção da produção de demanda desse serviço. Muitas vezes, a pro- demanda. dução da demanda de um serviço, por exemplo, um servi- Na oferta ou produção de demanda há muitas carac- de saúde, é "naturalmente", em princípio, produzida terísticas que não podemos detalhar aqui, porque excede nos- pelos estabelecimentos de saúde que oferecem seus serviços. SOS propósitos. Mas há uma que temos de revelar, ter pre- Mas ela é produzida, igualmente, pela falência, por exem- sente, e eu gostaria de descrevê-la de maneira pitoresca, para plo, de outras ofertas de outras organizações e dos serviços que seja mais lembrada pelos leitores. Há uma piada fa- dessas organizações que são incompletos, que são distorci- mosa que se passa num forte militar, numa dessas guarni- dos, que são anacrônicos e que geram demanda de serviços ções que ficam lá na fronteira. Um oficial pede a um soldado de saúde porque não resolvem bem os problemas da sua es- que suba na torre de controle para ver se os índios estão pecificidade. Em outras palavras: como as organizações res- vindo ou não. É um forte americano, em território índio. ponsáveis pela demanda urbanística, de moradia, realizam Então, o vigia sobe, olha e diz: "Sim, os índios estão vin- 106 107do. são muitos; vêm correndo." O oficial pergunta: "Mas me dizer-lhe que esse problema não é privativo de nenhu- esses índios são amigos ou inimigos?", ao que o soldado ma especialidade. Esse problema tem de ser resolvido com responde: "Olhe, devem ser amigos, porque estão vindo to- seus amigos, seus companheiros, seus colaboradores ou dos juntos" Se a gente se lembra desta piada, fica mais zinho." Estou tratando de ser simples. O problema funda- fácil lembrar que a realidade com que trabalhamos vem to- mental é esse: quando a gente recebe uma demanda, a da junta. A divisão em especialidades, profissões, só existe primeira coisa que ocorre é que a gente tende a pensar que dentro da equipe, mas não nos usuários. A realidade "vem não tem nada a ver com a crítica dessa demanda; se o su- toda junta": as divisões que fazemos são totalmente pro- jeito está demandando em primeira instância, somos leva- duzidas. Mas a realidade vem junta e nós não estamos jun- dos a aceitar que é porque já sabe o que está demandando. tos; o mais que conseguimos, às vezes, é estar próximos, E se me procura, estou a seu dispor. Procura-me porque um ao lado do outro. E o que acontece é que cada especia- algum lado do problema tem a ver com o que faço, e então lidade, cada profissão, acha que os problemas da realidade o atendo, esquecendo-me de que, se ele me procura, é por- são problemas de seu campo. Isso não é maldade dos agen- que me ofereci. Não necessariamente me ofereci a essa pes- tes, isso pode ser uma desonestidade, e muitas vezes é. Mas soa que me procura; pode ser uma oferta vasta, ampla, não Mas acontece que o aparelho científi- cruzada. Mas se eu não me oferecer, ninguém me procura. disciplinar e a condição profissional estão estruturados Se eu não me constituo num lugar científico, profissional, para isso, para encarar qualquer problema da realidade e se não vendo o que faço, ninguém compra. estar, em princípio, convencido de que o problema é nos- Então, o que tenho de fazer é analisar, com cuidado, de cada um, do especialista, do profissional. Então, um como foi que vendi isso, para que foi que vendi, que coi- senhor ou uma organização vêm consultar-nos sobre um pro- sas, realmente, posso solucionar, que coisas posso solucio- blema de saúde. Eu sou especialista em saúde. Além disso, nar parcialmente e que coisas não devo solucionar, devo sou profissional. Vivo disso. Adquiri uma série de conhe- encaminhar noutra direção ou devo devolver, dar de volta cimentos nos quais confio porque eles se têm demonstrado ao usuário o que ele solicita de mim? Essa é a análise da eficazes. Cabe lembrar que obtenho todo o meu dinheiro, implicação na produção da demanda, ou seja, na oferta. todo o meu poder social e todo o meu prestígio através dis- Essa análise tem aspectos conscientes e pré-conscientes for- que eu faço. Então não tenho culpa de nada. Se alguém muláveis assim: "Companheiros de equipe, vamos ver co- me consulta por um problema de saúde, certamente ele tem mo foi que convencemos este fulano a nos procurar." Mas saúde ou não tem saúde e esse é meu problema. Então: "Ve- tem aspectos inconscientes, ou seja: que fiz eu, sem me dar nha que esse problema é comigo" Quantos profissionais, conta, o que foi que fizemos nós sem dar-nos conta, para quantos cientistas vocês conhecem que, após ouvirem cui- "capturar este peixe"? Mas é claro que essa pergunta não dadosamente alguma demanda, concluem que esse proble- tem uma resposta reflexiva e voluntária. A primeira coisa ma não é para eles resolverem, e encaminham a alguma a ser feita para isso é despojar-se da convicção de que a ofer- organização ou a outra especialidade? Não se conhece mui- ta de nossos serviços é lícita, válida, resolutiva etc., por tos profissionais assim... Existem poucos. Às vezes há quem que, pelo contrário, o que vivemos fazendo é lutar pela diga: "Sim, o problema é meu, mas seria conveniente fa- legitimação, pela autorização e pelo reconhecimento social zer uma consulta a um especialista em tal ou qual área." de nosso serviço. Isso já é muito, é difícil de se ouvir. O que é absolutamente O passo seguinte é a tentativa de análise do improvável de se ouvir é uma resposta do tipo: "Permita- nhamento, isto é: quais foram os passos intermediários que 108 109conectaram o usuário-demandante conosco? Há muitos, mas tata claramente naquela célebre frase que diz: "A ideolo- para dar um exemplo simples: qual foi o cliente que, defi- gia dominante é a ideologia das classes dominantes." En- nindo nossos serviços como eficientes, chegou à conclusão tão, as bases são, em geral, originais, singulares, solidárias de que seu próximo se beneficiaria também com esse servi- etc., mas estão infiltradas pelos interesses e desejos dos se- Quais são as razões válidas e as razões inconfessáveis, tores dominantes. Então, ser solicitado por elas não é ga- ou as razões recalcadas pelas quais ele fez esta recomenda- rantia de uma intenção transparente. Isso também tem de ção? O que acontece quando quem fez esta recomendação ser analisado. um congênere, isto é, não é exatamente um colega, mas O grupo que protagoniza a gestão parcial, em geral não outro profissional e outro especialista que resolveu fazer a contém todas as partes, mas apenas uma delas. Estamos fa- concessão de nos encaminhar alguém? São passos interme- lando de uma situação ideal em que, geralmente, vem ape- diários da conexão entre a oferta e a demanda. São as fa- nas um segmento (apenas uma parte faz a demanda). Por mosas fórmulas: consulta a organização tal ou o fulano de outro lado, uma organização numerosa nunca virá toda fa- tal porque "é o consulta porque "é caro"; con- zer uma solicitação. Vem um setor, que dá uma visão ab- sulta porque "é barato"; consulta porque ele é "dos nos- solutamente parcial da realidade. A compreensão da deter- É preciso ver o que significa cada um desses atributos: minação dessa parcialidade é importante, porque o fato de qual é o problema que aglutina a quem solicita. Consulta você considerar o parcial é que vai permitir-lhe imaginar porque "é daqui", porque "vem de fora" Tudo isso mo- que existe uma totalidade e que ela é complexa, contradi- dula a demanda, e o faz com elementos conscientes e in- tória, desigual, conflitiva. Isso, é claro, sabendo que uma conscientes no usuário, na mesma proporção neles do que organização nunca é integralmente totalizável. em nós, que ofertamos o serviço. Então a análise da gestão: como foi que esse grupo re- passo seguinte é a análise da gestão parcial. Isto é: solveu consultar e como foi que consultou. Mas o passo se- qual foi o setor da organização que assumiu o papel de vir guinte é a análise do encargo. consultar-nos ou fazer o contato. É o setor de direção? É Na análise do encargo há um problema terminológico o setor administrativo? É o setor financeiro? São os qua- que seria interessante ficasse claro para os leitores. Há uma dros intermediários? São as bases? É o proprietário? Ou discriminação muito importante, que é essa que se estabe- seja: a gestão parcial da demanda de serviços é protagoni- lece entre demanda e encargo. Nessa terminologia, deman- zada por diferentes segmentos da organização. E isto é muito da é a solicitação formal, consciente, deliberada, que nunca importante, porque nos pode dar toda uma antecipação dos coincide com o encargo, que é um pedido que envolve os motivos desta consulta, os interesses em jogo, os desejos três níveis da discriminação que fizemos entre má-fé, des- em pauta e, sobretudo, o grau de consenso, de unanimida- conhecimento e recalque. A diferença entre demanda e en- de que motiva os protagonistas dessa solicitação. Não é a cargo pode passar por esses três tipos de determinações. A mesma coisa ser solicitado pela direção ou pelos proprietá- demanda nunca coincide com o encargo. Mas não coincide rios e ser solicitado pelas bases. Costuma ser, para os insti- por quê? Por má-fé? Pode ser. É claro que as pessoas es- tucionalistas, infinitamente melhor ser solicitado pelas bases tão solicitando uma coisa, mas o que elas querem obter é do que pela direção ou pelos proprietários. Isso, sem dúvi- outra. Pode-se dar um exemplo clássico, mas não único, da, não é nenhuma garantia, porque as bases não são ho- nem exclusivo: a solicitação de intervenção institucional, na mogeneamente revolucionárias, nem homogeneamente pro- medida em que a Análise Institucional está cada vez mais gressistas, nem homogeneamente sinceras. Coisa que se cons- em moda e que crescentemente ocupa lugares formais, é uma 110 111solicitação consciente que, em geral, passa pela idéia con- de ioimbina e se isso não funcionar vai acabar implantan- fusa de que um serviço de Análise Institucional forma par- do uma prótese peniana para ver se opera, quando, sim- te da parafernália de serviços característicos do progresso, plificando humoristicamente, trata-se de algum conflito da tecnologia moderna em relações humanas. Então, a de- com a "mamãe" Não é comum isso? Trata-se, pois, manda é geralmente uma demanda do tipo: "Bom, veja, de um problema de ignorância. O usuário não tem como viemos consultá-lo porque sabemos da importância desta saber qual é o lugar e o expert adequado (?) para a con- disciplina e queremos melhorar o ambiente dos operários, sulta. da direção, ou queremos melhorar o clima entre professo- Mas pode ser, finalmente, um problema recalcado, in- res e alunos, a comunicação, o entendimento, a negocia- consciente, de quem vem consultar, que tenha reprimido (em ção etc." Por quê? Porque já se sabe que existe uma um sentido amplo) qual seja a diferença entre sua deman- tecnologia modernista que conhece do assunto e vai se ocu- da e o encargo recalcado, entre o que ele pede e o que ele par disso. Ora, acontece que o encargo pode não ter nada inconscientemente espera conseguir. a ver com isso. O encargo pode ter a ver, por exemplo, com Agora cabe aclarar uma coisa importante. Quando se algo que acontece quando, na organização, está surgindo simplificou isso, anteriormente, no tocante à diferença en- um grave conflito por problemas de condições de trabalho, tre a demanda e o encargo, em termos de má-fé, de desco- por problemas de nível de salário, por problemas de auto- nhecimento ou de recalque, falou-se no caso de quadros de ritarismo no ensino, todo tipo de atritos mais ou menos ex- proprietários ou de quadros diretivos que pedem um servi- plícitos. Então, há uma demanda, num plano manifesto, Mas se os quadros são de base, pode acontecer exata- de uma intervenção profilática, progressista, melhorada. O mente o mesmo: o pedido pode ser de fruto de má-fé, de encargo, no entanto, é: "Olhe, veja se acaba com esta re- desconhecimento ou de recalque, porque os quadros de base volta, localiza os líderes, me aconselha como desmontar este podem fazer essa solicitação, por exemplo, porque não que- movimento, como desmobilizar, como fragmentar, como rem trabalhar, descartado o fato de que todo trabalho é alie- paralisar isto." Isso pode ser feito com plena consciência nado, que sempre existe uma extração de mais-valia, e que e com má-fé. Muitas vezes o interventor solicitado tem uma sempre há dominação etc. Mas vocês devem ter ouvido, com trajetória que permite que lhe seja solicitado isso com toda estes grandes "protestos por- clareza, porque é um corrupto ou porque é um reacioná- que não se quer estudar, não se quer trabalhar. Então rio. Há especialistas em fazer essas coisas. Agora, quem tem solicita-se alguma reivindicação, mas se tem outro pedido fama de institucionalista dificilmente será solicitado aber- como encargo: "Dê um jeito para que a gente não traba- tamente para isso, porque já se tem uma vaga idéia de que lhe." Já tenho recebido demandas dramáticas, heróicas, pelo se ele não é revolucionário, pelo menos é democrata ou hu- fato de ter sido colocado o cartão de ponto. É claro, numa manista. Então não se lhe pede isso diretamente. Mas se sociedade onde o trabalho é alienado, o cartão de ponto pode perceber, perfeitamente, que se diz uma coisa e se es- quer dizer muita coisa, e a maioria delas não é boa. Mas tá pedindo outra. também quer dizer que você tem um horário de trabalho Mas a diferença entre a demanda e o encargo pode não que odeia cumprir, ou um estudo que não tem vontade de passar pela má-fé. Pode ser fruto do desconhecimento, ou encarar, ou uma autocrítica que não consegue suportar. Sem seja, você pode perfeitamente ter uma impotência sexual, dúvida este desagrado pelo trabalho ou o estudo não é pro- psíquica, e procurar um urologista, que não sabe uma pa- duto de uma "natureza ruim", ou de uma essência "va- lavra sobre isso. O urologista irá receitar, então, cloridrato dia". Os determinantes do "desprazer ocupacional" na 112 113nossa sociedade são reais e espantosamente complexos. Fre- a todas as partes. O contrato de diagnóstico é um acerto, qüentemente a "resistência" à tarefa é uma tática de luta é um convênio feito para poder construir um dispositivo no que exprime o fato de que trabalhamos por dever ou força- qual possamos ouvir todas as partes. Porque só ouvimos dos pela sobrevivência. Mas, em todo caso, é bom que tais uma, aquela que fez a demanda parcial. Só que é bom fa- manobras fiquem claras para o Institucionalista. zer este novo acordo, porque ele implica que o diagnóstico Já dissemos que se trata da Análise de Encargo Par- já é uma operação de intervenção. Então já tem de ser au- cial. Já sabemos o que é encargo. E Análise da Demanda torizado, legalizado e, no caso de existirem honorários, já Parcial. Na realidade, não se podem separar esses dois pon- devem ser pagos. Senão, o que acontece? Que toda a inter- tos. Entendendo a demanda parcial e entendendo sua dife- venção pode acabar aí, no entanto não é valorizada pelos rença com o encargo parcial são dois pólos de uma usuários. Por isso, se entre outras coisas o institucionalista unidade não se pode entender um sem o outro, então vive disso, é interessante receber os honorários e também temos de caracterizar os analisadores naturais. Vocês se lem- porque um contrato de diagnóstico lhe dá credenciais para bram do que é analisador natural: é um fenômeno (dito em poder ter acesso aos lugares que têm de ser diagnosticados. termos clássicos, incorretos e ilustrativos), mais ou menos Senão, se vai lá, entra-se para diagnosticar e o segurança similar ao que Pichon Rivière chama de emergentes, que o manda embora. Depois do contrato de diagnóstico, cria- é o que surge como resultante de toda uma série de forças se dispositivos para recolher todo o material. Então, tenta- contraditórias que se articulam neste fenômeno que apare- se analisar, fundamentalmente, as defesas, isto é, quais fo- ce. E são "naturais", porque não foram fabricados por um ram as resistências que se levantaram nos outros setores que interventor institucional. Então, suponhamos um analisa- se foi ouvir. Com esse contrato, se assegura mesmo o res- dor chamado natural (criticamos a palavra natural porque peito geral necessário, pelo fato de que, em primeira ins- nada é "natural"), um analisador natural seria um terre- tância, o institucionalista foi solicitado por um setor, por moto, e nunca nos chamaram para analisar um terremoto um segmento qualquer, e não por todo o coletivo. porque temos pouco para dizer a respeito disso, pelo me- O passo seguinte consiste em, a partir desse diagnósti- nos enquanto acontecimento geológico. Então, não existem provisório, poder planejar uma política, uma estratégia, analisadores naturais propriamente ditos. Na verdade os uma tática e técnicas para começar sua intervenção. Mas analisadores são espontâneos ou históricos. Qual seria um não foi concluído ainda o diagnóstico provisório. Ainda é analisador desse tipo? Grande, pequeno ou médio, pode- um presuntivo já mais elaborado, mas não é sequer o diag- ria ser uma greve, a morte de um operário, o aumento das nóstico provisório. Então vai-se criar analisadores construí- doenças de trabalho, uma grande briga: esses são analisa- dos, ou dispositivos para poder recolher todos os dados do dores chamados naturais. Então, temos de caracterizá-los, diagnóstico provisório. Por enquanto, só se ouviu os seto- delimitar quais são. E quando tivermos feito tudo isso, po- res distintamente. Ouviu-se passivamente, mas não se criou deremos chegar ao que se chama diagnóstico provisório. Um condições para cutucar o não-dito que queremos investigar. primeiro entendimento sobre C que está acontecendo lá na Mas será que quando crio instrumentos de investiga- organização. Só que este diagnóstico provisório é o que os ção, de indagação, não estou deixando de ser instituciona- médicos costumam chamar de "presuntivo", que é uma hi- lista no sentido de que faço averiguações ativas sob a minha pótese ainda especulativa sobre o quadro. Mas então, te- ótica? Posso correr este risco? Sim e não. Evidentemente mos de fazer, a esta altura, um contrato de diagnóstico. Este é um procedimento ativo e não é "natural"; é artificial contrato já implica a construção de dispositivos para ouvir fizemos a diferença entre analisadores naturais e analisa- 115 114dores artificiais. Mas talvez isso se possa entender um pou- tos organizacionais? Isso agitou em nós ambições e desejos melhor simplificando esses dispositivos e analisadores que não tínhamos e agora percebemos? Por exemplo, quan- construídos. Eles não são tão indutivos assim, porque se do se mantém uma convivência prolongada, pode-se che- trata simplesmente de propor. Vamos dar um exemplo fá- gar à conclusão que dessa intervenção podem ter origem cil. Depois que se fez a investigação passiva, resolve-se que dezenas de outras intervenções, porque essa agência faz parte o analisador artificial que vai agitar o ambiente e que vai de uma cadeia nacional de agências e que se a equipe fez dar-nos o material mais profundo, mais crítico, mais com- uma boa intervenção aqui, vai conseguir outras interven- prometido, é uma reunião de cineclube. Cheguei à conclu- ções noutros lados. É possível não se dar conta de que essa são de que propor a projeção de um filme e uma ambição acordou-se nos interventores. Então, a análise da discussão sobre o mesmo. E importante, porque é indire- implicação significa pesquisar, exaustivamente, no coleti- to, desloca a problemática da situação espontaneamente re- interventor, quais foram os inconfessáveis e ferida. Por outro lado, não é demasiadamente indutivo, veis ou recalcados que foram ativados. Nova análise da porque o interventor não está baixando regras, mas está pro- implicação. Por que é importante? Porque o passo seguin- pondo um dispositivo agitador, um agenciamento ativador. te é o diagnóstico definitivo e o planejamento da interven- Os usuários podem aceitar ou não. Se não aceitam, terão ção definitiva. Nova política, novas estratégias, táticas, de pensar em outras alternativas. Uma vez aceito, pode dar técnicas definitivas, analisadores definitivos e um passo se- certo ou não. Pode ter um resultado rico ou pode não dar guinte fundamental: proposta de intervenção e novo em nada. Também pode-se propor outra coisa bem interes- contrato. sante: um laboratório prolongado de fim de semana em um Esse contrato definitivo que envolve maior compromis- espaço diferente do habitual: vamos nos reunir todos em so, que requer mais retribuição etc., exige ter muito claro um lugar e vamos conviver durante estes dois dias e aquilo com que se está lidando e quais foram as ressonân- permitam-nos observar o que acontece nessa convivência. cias inconscientes que isso despertou na equipe intervento- É muito recomendável e não é nada autoritário, nada im- ra. Também será preciso definir qual a orientação geral que positivo. vai ser dada ao processo, será necessário precisar quais são Depois que se executam os dispositivos do diagnóstico as estratégias, os movimentos fundamentais para conseguir provisório, reúne-se a equipe interventora e parte-se para os propósitos políticos; será necessário lançar as táticas, os analisar toda a colheita, fazendo-se a análise da demanda espaços onde se vai dar essa "guerra", a ordem dos mes- e do encargo definitivo. Da mesma maneira que ativamos mos, a importância dos mesmos e as técnicas, os procedi- esse coletivo ou mobilizamos e o colocamos em condições mentos: psicodrama, técnicas expressivas, qualquer técnica, de manifestar-se muito mais livremente, muito mais rica- mas pensada anteriormente; uma festa, um cineclube, uma mente, também somos mobilizados, somos igualmente ati- guerra simulada, um quebra-cabeça coletivo, toda técnica vados. Temos uma vivência de contato diferente. Então, é boa, sempre que a tática, a estratégia e a política estejam temos de voltar a fazer uma auto-análise da implicação: o bem claras e resultem do diagnóstico definitivo e do enten- que foi que isso acordou, despertou em nós, que não tínha- dimento da implicação. mos percebido em todos os passos anteriores? Particular- Depois temos a autogestão do contrato de intervenção, mente o material inconsciente. Por exemplo, depois de todo isto é, vamos fazer uma proposta de contrato definitivo, esse novo exame, podemos perceber que temos adquirido mas não vamos impor nenhum dos termos e deixaremos que solidariedade ou cumplicidade inconscientes com segmen- o coletivo proponha se quer pagar, quanto quer pagar, por 116 117que quer pagar, que tempo pensa destinar ao trabalho, que instrumentação de dispositivos para que esse coletivo con- poderes quer nos dar e por que, o que será muito ilustrati- tinue fazendo, de forma permanente, o processo de auto- do significado que a intervenção tem para cada segmen- análise e o processo de autogestão que induzimos, que in- to. O interventor institucional nunca faz uma declaração troduzimos como hetero. Nós saímos, e o trabalho conti- assim: "Eu quero um contrato por tanto tempo, eu cobro nua. Podemos fazer um acordo de acompanhamento, de tanto e quero que se me autorize produzir tais e quais trans- nossas intervenções periódicas de atualização. E, finalmente, formações na organização ou introduzir tais mudanças." já por nossa conta, temos de discutir, profunda e exausti- Primeiro quero saber o que o coletivo propõe nesse senti- vamente, como vamos elaborar todo o material, como va- do, e por quê. Isso é completamente diferente das presta- mos teorizá-lo e o que vamos fazer com ele, se vamos ções de serviço profissionais habituais, em que o profissional publicá-lo ou se vamos obter algum tipo de benefício com diz: "Minha hora custa tanto, o tratamento vai durar tan- ele: o coletivo no qual intervimos está alheio, mas a impli- to tempo, e quero que você se deite e me deixe examinar cação e os problemas éticos, políticos e econômicos conti- seu ouvido esquerdo com este aparelho. Se não for assim, nuam sendo importantíssimos, sobretudo porque é um não atendo." Não é esta a idéia. Os temas a investigar são: material que nos pertence muito relativamente: é proprie- Como você concebe este serviço? Quanto tempo você acha dade do coletivo considerado. Nossa decisão deverá ser con- que vai durar? Quanto dinheiro você acha que deve ser pa- sultada com ele. go? E como está distribuído o pagamento? Quando cada A intervenção standard que tentei explicar tem milha- um pensa que deve pagar e por quê? Quais são os direitos res de variações, tanto que se pode dizer que a regra são que você nos vai dar para podermos intervir? Podemos es- as Mas, em todo caso, é um esquema para se con- tar aqui todos os dias? Podemos acompanhar o trabalho siderar e omitir os passos que não sejam possíveis, que não hora após hora? Podemos estar nas reuniões reservadas? sejam recomendáveis, condensar tantos outros etc. Em to- Podemos ver os livros contábeis da organização? É claro do caso, é importante que cada interventor possa inventar que depois de analisar a proposta o institucionalista pode um procedimento sui generis para cada situação. fazer uma contraproposta e fundamentá-la, para chegar a um acordo consciente. Depois vem a execução da intervenção, tal como foi planejada. Depois vêm as avaliações periódicas, que são mo- mentos de parada para qualificar os resultados e voltar a analisar a implicação que se vai gerando na equipe durante o processo. Consideração dos índices de transferência, re- sistência, produção, antiprodução, atravessamento, trans- versalidade, todos os conceitos que explicamos durante o curso e que agora não poderemos tratar em detalhes. Quando acaba a intervenção temos de fazer um prog- nóstico, que poderemos ou não comunicar ao coletivo. Po- deremos ou não propiciar a implantação de um dispositivo de auto-análise coletiva permanente; ou seja, no momento em que saímos da organização, ficará uma disposição e uma 118 119sb ob PERGUNTAS REFERENTES AO CAPÍTULO VI on 1) Que formas de intervenção institucional você conhece? 2) Qual é a vantagem do Roteiro Standard de intervenção institucional? 3) Repasse cada um dos itens do Roteiro Standard. 4) Que diferença existe entre um analisador natural e um construído? 5) Qual é a importância da autogestão do contrato? 120

Mais conteúdos dessa disciplina