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PRÁTICAS INTEGRATIVAS E COMPLEMENTARES E SEU DESENVOLVIMENTO NO BRASIL Aula 1 O QUE SÃO AS PRÁTICAS INTEGRATIVAS E COMPLEMENTARES O que são as práticas integrativas e complementares Olá, estudante! Nossa videoaula irá abordar as PICS, seu conceito e suas principais características. Mesmo cada prática tendo seus próprios atributos, todas elas carregam aspectos comuns. Esses 30/11/2024, 12:27 Práticas Integrativas e Complementares e seu Desenvolvimento no Brasil https://alexandria-html-published.platosedu.io/30aa4f2f-8fba-4d58-a339-d7950d58f2a7/v1/index.html 1/37 aspectos é o que tornam estas técnicas tão especiais! Além disso, conhecer um pouco da história das PICS poderá te ajudar bastante a compreender as suas diferentes formas de aplicações. Vamos nessa?! Ponto de Partida Olá, estudante! Seja bem-vindo à disciplina Aspectos Regulatórios de Terapias Integrativas e Complementares! Imagino que deva estar pensando: “Aspectos regulatórios? Será que tem Leis e essas coisas? Que chato!” E sim! Teremos a parte de legislação, mas não se assuste ou desanime porque queremos passar estes conhecimentos para você de forma leve e inserido na história das Práticas Integrativas e Complementares (PICS) de maneira que você seja capaz de compreender todos os aspectos que se relacionam com as PICS. Além disso, a história destas práticas vai muito além de Leis ou Decretos, elas surgiram da necessidade de ampliação do olhar e forma de cuidar da saúde das pessoas! Em nossa primeira aula vamos entender o que são as PICS e suas principais características. Também vamos conhecer alguns pontos relevantes da história relacionada ao modo de olhar para o ser humano e qual seria o modo de tratamento das doenças. 30/11/2024, 12:27 Práticas Integrativas e Complementares e seu Desenvolvimento no Brasil https://alexandria-html-published.platosedu.io/30aa4f2f-8fba-4d58-a339-d7950d58f2a7/v1/index.html 2/37 Você já parou para pensar de onde as PICS vieram e como foram desenvolvidas? Neste momento, para o ponto de partida, literalmente, vamos conhecer um pouco sobre as PICS, para então nos aprofundarmos pouco a pouco sobre seu desenvolvimento não só em nosso país, mas por todo o mundo. Está pronto? Vamos começar nossa trilha de conhecimento! Vamos Começar! As Práticas Integrativas e Complementares (PICS) são tratamentos que utilizam recursos terapêuticos baseados em conhecimentos tradicionais e buscam a prevenção de doenças, a recuperação da saúde, melhor qualidade de vida e bem-estar de indivíduos e coletividades. Estas práticas terapêuticas visam o cuidado integral ao paciente o considerando em seus vários aspectos: físico, mental, emocional, espiritual e social. Para isso, são utilizados sistemas, recursos e abordagens que estimulam os mecanismos naturais de prevenção de agravos e recuperação da saúde por meio de tecnologias eficazes e seguras, com ênfase na escuta acolhedora, no desenvolvimento do vínculo terapêutico e na integração do ser humano com o meio ambiente e a sociedade. Além disso, as diversas abordagens das PICS têm visão ampliada do processo saúde-doença e da promoção global do cuidado humano, especialmente do autocuidado. Para o mundo ocidental, até 400 a.C., toda doença era vista como castigo divino ou possessão demoníaca e os médicos eram sacerdotes. Hipócrates de Kos (460 – 370 a.C.) foi o primeiro a falar sobre o poder de cura do próprio indivíduo apontando que o homem sofria influências climáticas, alimentares, sociais e afetivas, a depender de sua idade e de onde vivia. Foi o primeiro médico que sugeriu a relação entre a personalidade humana e a contração de doenças e que a desarmonia do corpo poderia levar às doenças. 30/11/2024, 12:27 Práticas Integrativas e Complementares e seu Desenvolvimento no Brasil https://alexandria-html-published.platosedu.io/30aa4f2f-8fba-4d58-a339-d7950d58f2a7/v1/index.html 3/37 Mais tarde, a vez foi de Clarissimus Galeno (131 – 200 d.C.), que preconizava a utilização de medicamentos e procedimentos que eliminassem o problema de forma rápida. Nessa época, os procedimentos cirúrgicos passaram a ser aprimorados. Com Platão e o dualismo, e René Descartes com o racionalismo (século XVII), veio a visão do corpo como máquina, em que pensamento e matéria eram separados. Já no século XVIII, Johann Heiroth, trouxe os termos psicossomático e somatopsíquico, apontando para o adoecimento da mente com sintomas físicos e a influência que o corpo pode ter sobre a mente, respectivamente. Associado a este pensamento, Sigmund Freud trouxe as emoções como peças fundamentais para a investigação dos estados psicopatológicos. Apesar de Galeno não dar valor a qual causa ou origem das doenças, Hipócrates acreditava que estas deveriam ser observadas. Dessa forma, Galeno é considerado o precursor da medicina alopática, e Hipócrates, apesar de seus estudos que o levaram a patrono oficial da medicina, discorreu sobre as bases da medicina integrativa. Siga em Frente... O pensamento dualista com a separação de corpo e mente dominou a cultura ocidental, principalmente após Descartes. Ainda percebemos estas marcas na nossa cultura, porém, com os avanços da neurociência e da ciência contemplativa, a utilização de práticas de integração corpo-mente para manutenção da saúde começou a abrir caminho para a visão ampliada do ser humano, o considerando um ser inteiro em suas várias dimensões. Interessante ressaltar que quando olhamos para a história, percebemos como toda a evolução do homem, nas mais diversas áreas, possui relação muito forte com aspectos culturais. O mesmo podemos afirmar sobre a evolução da medicina, melhor ainda: evolução nos conhecimentos e cuidados com a saúde. Seguindo 30/11/2024, 12:27 Práticas Integrativas e Complementares e seu Desenvolvimento no Brasil https://alexandria-html-published.platosedu.io/30aa4f2f-8fba-4d58-a339-d7950d58f2a7/v1/index.html 4/37 este raciocínio, logo vem às nossas cabeças a relação forte da cultura dos povos orientais com as práticas integrativas. E isso não é à toa! Muitas destas práticas vêm de conhecimentos milenares, e orientais. Estes conhecimentos foram passados de geração em geração e mais tarde, com a globalização, veio a se difundir por todo o mundo. Dessa forma, podemos dizer que grande parte dos recursos é simples e natural, dado pela própria história destas técnicas. Entre os recursos utilizados pelas PICS podemos citar elementos da própria natureza, como água, produtos derivados de abelha, argila, barro, lama medicinal, plantas medicinais, essências derivadas de flores e óleos vegetais. Além disso, outros recursos podem ser citados: práticas de expressões artísticas, entre elas a dança e músicas; práticas advindas de culturas orientais; exercícios e atividades em grupos; meditações e movimentos corporais para proporcionar relaxamento e conforto mental; psicoterapias com abordagens sistêmicas; massagens; relaxamento; acupuntura; gases medicinais; tratamento manual de disfunções mecânicas do sistema musculoesquelético; e formação de redes sociais de apoio. A utilização das PICS proporciona a visão ampliada do processo saúde-doença, e possibilita aos indivíduos o desenvolvimento de maior autonomia sobre sua própria saúde, o que contribui para a promoção do autocuidado e o cuidado da coletividade. As práticas integrativas possuem diversos benefícios. Entre eles podemos citar maior relaxamento e bem-estar; melhora da qualidade do sono, ansiedade e quadros depressivos; redução e alívio da dor; diminuição de sinais e sintomas de diversas doenças; fortalecimento do sistema imunológico; estímulo para o contato profissional interagente; redução do uso de medicamentos bem como a diminuição de reações adversas à medicação; melhor qualidade de vida. 30/11/2024, 12:27 Práticas Integrativas e Complementares e seu Desenvolvimento no Brasil https://alexandria-html-published.platosedu.io/30aa4f2f-8fba-4d58-a339-d7950d58f2a7/v1/index.html 5/37 Ainda, estas práticas podem ser aplicadas em qualquer grupo de pessoas, de diferentesclasses sociais, idades, situação socioeconômica e profissional, visto que se caracteriza como um modo complementar nos cuidados com a saúde. Vamos Exercitar? Agora que você conheceu alguns fatos históricos que levaram ao desenvolvimento das PICS vamos retomar nosso questionamento lá do começo: de onde as PICS vieram e como foram desenvolvidas? No final da Segunda Guerra Mundial, o modelo de saúde vigente era insuficiente, além disso, o acompanhamento e os procedimentos médicos eram caros e inacessíveis para grande parte da população. Além das doenças que vinham dos regimes sociais e econômicos de produção, como as epidemias, que demandavam modelo distinto de atenção à saúde. Dessa forma, muitas comunidades lançavam mão de práticas naturais e muito antigas que vinham sendo passadas de geração a geração através do conhecimento popular. As PICS têm uma história sociocultural antiga, fazendo parte das tradições de muitos povos. Devido aos seus resultados positivos, inclusive com relação aos cuidados às doenças crônicas, endêmicas e mesmo epidêmicas, foram mais tarde acolhidas no setor público para auxiliar, como o próprio nome diz: complementar, nos cuidados com a saúde da população. Ainda, por meio da associação dos saberes populares e conhecimentos científicos, houve grande crescimento destas práticas, sendo cada vez mais bem aceitas e utilizadas em todo o mundo. Saiba Mais Sugestão de capítulo de livro Para entender com mais profundidade a importância da visão que as práticas integrativas têm do ser humano e sua relação com a 30/11/2024, 12:27 Práticas Integrativas e Complementares e seu Desenvolvimento no Brasil https://alexandria-html-published.platosedu.io/30aa4f2f-8fba-4d58-a339-d7950d58f2a7/v1/index.html 6/37 evolução nos cuidados com a saúde sugerimos a leitura do primeiro capítulo do livro Práticas integrativas e complementares em saúde, capítulo Aspectos multiprofissionais das práticas integrativas e complementares, disponível em nossa Biblioteca Virtual. MACHADO, M. G. M. et al. Práticas integrativas e complementares em saúde. Porto Alegre: SAGAH, 2021. Sugestão de artigo científico Para conhecer mais sobre a visão das PICS e a visão integral da saúde, leia o artigo Terapias Integrativas e Complementares: itinerário terapêutico e espiritualidade, uma possível reflexão. RODRIGUES, K. M. Terapias Integrativas e Complementares: itinerário terapêutico e espiritualidade, uma possível reflexão. Revista Contraponto, v. 2, n. 1, p. 182-196, 2015. Outras sugestões No site da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais disponibiliza encontramos uma página sobre as Práticas Integrativas e Complementares em Saúde em que traz informações sobre estas e perguntas frequentes. Vale a pena explorar a página para conhecer um pouco mais sobre as PICS. SECRETARIA DE ESTADO DE SAÚDE. Práticas integrativas e complementares em saúde. Minas Gerais. Referências Bibliográficas MACHADO, M. G. M.; et al. Práticas integrativas e complementares em saúde. Porto Alegre: SAGAH, 2021. MASCARENHAS, M. A.; JACOBSON, M. S. Práticas integrativas e complementares em saúde: fundamentos e aplicabilidades. Porto Alegre: Editora Universitária Metodista IPA, 2017. 30/11/2024, 12:27 Práticas Integrativas e Complementares e seu Desenvolvimento no Brasil https://alexandria-html-published.platosedu.io/30aa4f2f-8fba-4d58-a339-d7950d58f2a7/v1/index.html 7/37 https://seer.ufrgs.br/index.php/contraponto/article/view/54396/33257 https://seer.ufrgs.br/index.php/contraponto/article/view/54396/33257 https://www.saude.mg.gov.br/pics https://www.saude.mg.gov.br/pics NAIFF, N. Curso completo de terapia holística e complementar. 4. ed. São Paulo: Alfabeto, 2022. ROHDE, C. B. dos S.; MARIANI, M. M. de C.; GHELMAN, R. Medicina integrativa na prática clínica. 1. ed. Santana de Parnaíba: Manole, 2021. SOARES, M. C. R.; GIRONDOLI, Y. M. Orientações em saúde: Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS). Coordenadoria de Atenção à Saúde do Servidor. Instituto Federal, Espírito Santo. 2021. Disponível em: https://prodi.ifes.edu.br/images/stories/Pr%C3%A1ticas_Integrativas _e_Complementares_em_Sa%C3%BAde_PICS.pdf. Acesso em: 7 dez. 2023. Aula 2 PRÁTICAS INTEGRATIVAS E COMPLEMENTARES E A MEDICINA TRADICIONAL BRASILEIRA Práticas integrativas e complementares e a medicina tradicional brasileira Olá, estudante! Quando falamos de Medicina Tradicional Brasileira nos referimos às formas de cuidar que foram passadas de geração 30/11/2024, 12:27 Práticas Integrativas e Complementares e seu Desenvolvimento no Brasil https://alexandria-html-published.platosedu.io/30aa4f2f-8fba-4d58-a339-d7950d58f2a7/v1/index.html 8/37 https://prodi.ifes.edu.br/images/stories/Pr%C3%A1ticas_Integrativas_e_Complementares_em_Sa%C3%BAde_PICS.pdf https://prodi.ifes.edu.br/images/stories/Pr%C3%A1ticas_Integrativas_e_Complementares_em_Sa%C3%BAde_PICS.pdf em geração. Podemos dizer então que a nossa medicina tradicional é carregada da nossa história! E juntamente com a medicina popular encontramos as PICS! Vamos embarcar nessa história! Ponto de Partida Olá, estudante! Agora que você já aprendeu sobre a história das PICS e suas principais características, vamos seguir nessa jornada conhecendo como se deu o seu desenvolvimento em nosso país. Nesse momento, é importante pensar que a nossa história fez de nós o que somos hoje: um povo miscigenado, riquíssimo culturalmente e único! E faz parte dessa nossa história as práticas tradicionais que usamos hoje. As práticas integrativas utilizadas no Brasil estão inseridas nesse contexto, em que os intercâmbios culturais realizados aqui moldaram e enriqueceram tais práticas. Não seria à toa que o Brasil é considerado referência em PICS! Além de enraizadas em nossa história, as PICS são amplamente utilizadas no Brasil. Prova disso foi sua inclusão no sistema público de saúde e o alto volume de pesquisas na área com grande qualidade metodológica. 30/11/2024, 12:27 Práticas Integrativas e Complementares e seu Desenvolvimento no Brasil https://alexandria-html-published.platosedu.io/30aa4f2f-8fba-4d58-a339-d7950d58f2a7/v1/index.html 9/37 Agora, antes de começar esta aula, gostaria que você, estudante, explorasse as PICS que já conhece para entender suas origens e como chegaram aqui no país. Tenho certeza de que vai se surpreender! Vamos Começar! Cada país possui uma variedade própria de práticas de saúde, ligadas à cultura local ou importadas de outros costumes, reconhecidas com base nos aspectos socioculturais e diferentes graus de integração com a medicina convencional. O conjunto dessas práticas é chamado de Medicinas Tradicionais, Complementares e Integrativas (MTCI). Em muitos países, a Medicina Tradicional é a principal oferta de serviços à população ou, a forma de inserção nos sistemas de saúde acontece de forma complementar ao sistema convencional. Trazendo o tema para o Brasil, não há como falar das PICS, sem antes fazer um breve apanhado na Medicina Tradicional Brasileira, de onde várias destas práticas tiveram sua origem. Como já colocado, nosso povo “misturado” e único (e digo que me orgulho muito) tem a combinação de elementos indígenas, europeus e africanos na Medicina Tradicional que constituem os sistemas médicos locais. Estes se referem ao conjunto de conhecimentos para identificação e tratamento de doenças que envolvem diferentes atores sociais, que podem ser benzedeiras, curandeiros, pajés, xamãs e os “doutores de ervas”. Associado, temos o sistema biomédico, representado pela medicina moderna, formando um cenário de pluralismo médico, muito comum no Brasil. Para entender melhor, a influência da medicina europeia foi muito forte na fundação do Brasil, em que as práticas indígenas eram consideradas inferiores. Mais tarde, com os monastérios e seus hospitais, os receituários traziam remédios e plantas da tradição 30/11/2024, 12:27 Práticas Integrativas e Complementares e seu Desenvolvimento no Brasil https://alexandria-html-published.platosedu.io/30aa4f2f-8fba-4d58-a339-d7950d58f2a7/v1/index.html10/37 europeia. Porém, apesar de existirem até hoje, ao longo do tempo sua utilização sofreu adições e diferentes interpretações, além do nosso resgate cultural. Isso quer dizer que ao se pensar nas plantas e suas propriedades curativas, muito dos conhecimentos indígenas e africanos foram associados e utilizados, e a forma de uso foi sendo modificada ao longo do tempo. Ainda, nosso país é muito vasto territorialmente e sabemos que cada região possui particularidades culturais, gastronômicas, religiosas entre outras de acordo com a forma como se deu seu povoamento. Isso também influencia na forma como cuidamos de nossa saúde, nas práticas integrativas mais prevalentes, e nas plantas mais utilizadas. Ainda, em áreas rurais, no qual o acesso médico é restrito, as plantas medicinais acabam sendo uma alternativa valiosa. Ainda, nos centros urbanos também encontramos estas práticas em locais como mercados públicos e feiras livres. Nosso país é afro-luso-americano, e, portanto, também possui influências africanas profundas, desde costumes, tradições, religião, culinária e também cuidados com a saúde com o uso de recursos naturais para as preparações medicamentosas. Além da grande influência durante o período de colonização, nossas terras calmas e fecundas também atraíram olhares de outras partes do mundo. Em diferentes momentos históricos, variadas nações buscaram nosso país como seu novo lar trazendo consigo suas tradições. Podemos citar a imigração dos povos orientais, que trouxe consigo, entre outros, as artes marciais e a milenar Medicina Tradicional Chinesa, incorporando e enraizando seus conhecimentos em nossa cultura. O contexto histórico de desenvolvimento das MTCI teve como referência a Conferência Internacional sobre Cuidados Primários à Saúde, que aconteceu em 1978, organizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e Fundo das Nações unidas para a Infância (UNICEF) em Alma-Ata, sendo considerado um importante 30/11/2024, 12:27 Práticas Integrativas e Complementares e seu Desenvolvimento no Brasil https://alexandria-html-published.platosedu.io/30aa4f2f-8fba-4d58-a339-d7950d58f2a7/v1/index.html 11/37 marco para a saúde no mundo todo. Como resultado houve a adoção da conhecida Declaração de Alma-Ata que reafirmou o significado de saúde e o seu direito humano fundamental, sendo considerada uma das metas mundiais mais importantes. Além disso, nessa Declaração as Medicinas Tradicionais foram reconhecidas e foi recomendado seu uso nos cuidados primários em saúde. Várias conferências se sucederam e foi reiterada a necessidade de mais opções de saúde pública, com implementação de políticas nacionais e internacionais. Siga em Frente... A OMS instituiu, ainda na década de 1970, o “Programa de Medicina Tradicional” que formulou resoluções a fim de considerar o valor potencial das medicinas tradicionais para a expansão dos serviços de saúde regionais, e fornecer informações e orientações técnicas para propiciar as práticas de MTCI de forma segura e eficaz. Após, a OMS publicou a “Estratégia da OMS para a Medicina Tradicional” para os períodos de 2002-2005 e depois, 2014-2023, que abrangem o diagnóstico, desafios e potencialidades das Medicinas Tradicionais em cada período, assim como propor uma estratégia mundial de integração, regulamentação e promoção destas práticas. No Brasil, estas práticas realizadas por profissionais da saúde, são baseadas na experiência de diferentes culturas e dados científicos, para a promoção, prevenção e recuperação da saúde, levando em consideração a integralidade de cada indivíduo. Não só no sistema público de saúde, mas também no privado, estas práticas contribuem para a ampliação de ofertas de cuidados em saúde, racionalização das ações de saúde e estímulo a alternativas inovadoras e socialmente contributivas ao desenvolvimento sustentável de comunidades. As Medicinas Tradicionais Brasileiras, como medicinas indígenas, de matriz africana e dos povos tradicionais e outras práticas populares 30/11/2024, 12:27 Práticas Integrativas e Complementares e seu Desenvolvimento no Brasil https://alexandria-html-published.platosedu.io/30aa4f2f-8fba-4d58-a339-d7950d58f2a7/v1/index.html 12/37 em saúde, fazem parte então de políticas públicas do Ministério da Saúde e dialogam com a conhecida Política Nacional das Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC): Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas (PNASP), Política Nacional de Saúde Integral das Populações do Campo, da Floresta e das Águas (PNSIPCFA) e a Política Nacional de Educação Popular em Saúde (PNEP-SUS). Vamos Exercitar? Agora que você já viu como as práticas integrativas que utilizamos possuem passado antigo e rico, vamos pensar em algumas delas e como chegaram até aqui! De origem africana, os banhos e defumadores para rituais de proteção e renovação de energias se relacionam com plantas com propriedades aromáticas que se combinam para o descarrego de energias negativas. Seguindo este raciocínio, nossos povos indígenas também deixaram enraizados em nossa cultura o grande uso das plantas nos cuidados com a saúde. Muito do que já se conhecia dessas tradições foram comprovadas cientificamente mais tarde, com os avanços em fitoterapia e aromaterapia e as descobertas dos ativos presentes nas plantas. O yoga é um outro bom exemplo de intercâmbio cultural. De origem oriental, mais precisamente indiana, é uma filosofia que tem como princípio fundamental facilitar a conexão do corpo com a mente. Porém, em nossa cultura é mais realizada sua parte prática, ou abordagem física dessa filosofia. Apesar da técnica milenar de origem oriental, há literaturas que apontam a sua chegada em nosso país através do francês Léo Costet de Mascheville, que, na década de 1940, organizou o primeiro grupo de estudos de um tipo de yoga, criado por ele, denominado Sarva Yoga. Percebemos este intercâmbio cultural em diversas outras práticas, que foram modificadas ou adaptadas ao longo dos anos para seu 30/11/2024, 12:27 Práticas Integrativas e Complementares e seu Desenvolvimento no Brasil https://alexandria-html-published.platosedu.io/30aa4f2f-8fba-4d58-a339-d7950d58f2a7/v1/index.html 13/37 desenvolvimento em nosso país. E se estiver curioso sobre as origens da sua prática preferida e como ela chegou ao Brasil não fique na curiosidade! Faça pesquisas em nossa biblioteca e em bases de dados confiáveis, pois tenho certeza que não se arrependerá dessa busca por mais conhecimento. Saiba Mais Sugestões de capítulos de livro Aprimore seus conhecimentos sobre a Medicina Tradicional Brasileira com a leitura dos capítulos Aspectos das medicinas indígenas brasileira e Medicina tradicional brasileira (Seção II, Capítulos 11 e 12, respectivamente) do livro Medicina integrativa na prática clínica disponível em nossa Biblioteca Virtual. ROHDE, C. B. S.; MARIANI, M. M. C.; GHELMAN, R. Medicina integrativa na prática clínica. Santana de Parnaíba: Manole, 2021. Biblioteca Virtual. Sugestão de artigo científico Para entender um pouco sobre a relação das PICS com o conhecimento popular, leia o artigo Conhecimento popular e utilização das práticas integrativas e complementares na perspectiva das enfermeiras. GOMES, M. P. Conhecimento popular e utilização das práticas integrativas e complementares na perspectiva das enfermeiras. Journal of Nursing and Health, v. 11, n. 2, p. 1-14, 2021. Outras sugestões Segue o link para acesso ao material Estratégia da OMS sobre Medicina Tradicional, 2014-2023. 30/11/2024, 12:27 Práticas Integrativas e Complementares e seu Desenvolvimento no Brasil https://alexandria-html-published.platosedu.io/30aa4f2f-8fba-4d58-a339-d7950d58f2a7/v1/index.html 14/37 https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/enfermagem/article/view/19495/13388 https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/enfermagem/article/view/19495/13388 https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/enfermagem/article/view/19495/13388 https://drive.google.com/file/d/19Xh8wGeqoUjmKEhoEKECK7G_uu2irbBO/view https://drive.google.com/file/d/19Xh8wGeqoUjmKEhoEKECK7G_uu2irbBO/viewORGANIZACIÓN MUNDIAL DE LA SALUD. Estrategia de la OMS sobre medicina tradicional 2014-2023. OMS, 2013. Referências Bibliográficas BRASIL. Ministério da Saúde. Glossário Temático: práticas integrativas e complementares em saúde. Secretaria-Executiva, Secretaria de Atenção à Saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2018. BRASIL. Ministério da Saúde. Guia de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde para os Gestores do SUS. Livreto 1 – Contexto histórico da institucionalização das práticas integrativas e complementares em saúde no SUS. Departamento de Saúde da Família. Coordenação Nacional de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde. Brasília, Ministério da Saúde, 2020. LIMA, P. T. R. Bases da medicina integrativa. 3. ed. Santana de Parnaíba: Manole, 2023. Biblioteca Virtual. MENDES, I. A. C. Desenvolvimento e saúde: a Declaração de Alma- Ata e movimentos posteriores. Revista Latino-Americana de Enfermagem, v. 12, n. 3, p. 447-8, 2004. ROHDE, C. B. S.; MARIANI, M. M. C.; GHELMAN, R. Medicina integrativa na prática clínica. Santana de Parnaíba: Manole, 2021. Aula 3 PRÁTICAS INTEGRATIVAS E COMPLEMENTARES NO SETOR PRIVADO 30/11/2024, 12:27 Práticas Integrativas e Complementares e seu Desenvolvimento no Brasil https://alexandria-html-published.platosedu.io/30aa4f2f-8fba-4d58-a339-d7950d58f2a7/v1/index.html 15/37 Práticas integrativas e complementares no setor privado Olá, estudante! As PICS no Brasil se tornaram mais conhecidas após sua inserção no SUS. Porém, elas fazem parte do cotidiano de boa parte da população através do setor privado, seja para complementar tratamentos de saúde seja para a manutenção ou melhora da saúde e prevenção de doenças. Neste contexto, é muito importante que você, estudante, compreenda como está o desenvolvimento desta parcela dos atendimentos, que diga de passagem não para de crescer. Vamos para a videoaula! Ponto de Partida Olá, estudante! Eu tenho certeza de que uma de suas dúvidas, ou curiosidades, sobre as PICS é onde podemos encontrá-las. Pois bem, as terapias integrativas são bastante diversificadas permitindo uma vasta área de atuação com tais técnicas, em diferentes profissões. Estas práticas estão inseridas no setor público de saúde por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), mas também são muito procuradas 30/11/2024, 12:27 Práticas Integrativas e Complementares e seu Desenvolvimento no Brasil https://alexandria-html-published.platosedu.io/30aa4f2f-8fba-4d58-a339-d7950d58f2a7/v1/index.html 16/37 no setor privado. Este, inclusive, vem se tornando cada vez mais expressivo no mercado e está entre as áreas de maior crescimento. Alguma vez você já se perguntou em quais locais poderá atuar com as PICS, e o que precisa para trabalhar com segurança e ética? Imagine que você, formado em terapias integrativas, vinha realizando atendimentos a familiares e conhecidos, mas devido ao sucesso e à falta de espaço adequado para os atendimentos, resolveu dar mais um passo: abrir seu próprio negócio! Você sabe quais procedimentos e locais procurar para isso? Vamos Começar! O Brasil é referência mundial na área de práticas integrativas e complementares na atenção básica, modalidade esta que investe em prevenção e promoção à saúde com o objetivo de evitar que as pessoas fiquem doentes. Além disso, quando necessário, as PICS também podem ser usadas para aliviar sintomas e tratar pessoas que já estão com algum tipo de enfermidade. A utilização das práticas integrativas no Sistema Único de Saúde (SUS) vem crescendo a cada ano, como complemento em tratamentos convencionais de saúde. A quantidade de procedimentos relacionados a essas práticas, como uma sessão individual de auriculoterapia ou uma sessão de atividade coletiva, registrada nos sistemas do SUS entre 2017 e 2018, mais que dobrou, passando de 157 mil para 355 mil, aumento de mais de 126%. O reflexo desse aumento também pode ser visto no quantitativo de participantes, que cresceu 36%, de 4,9 milhões de participantes para 6,67 milhões no mesmo período. Porém, a atenção à saúde com as práticas integrativas não faz sucesso somente no setor público. O setor privado tem apontado grande expansão na área. 30/11/2024, 12:27 Práticas Integrativas e Complementares e seu Desenvolvimento no Brasil https://alexandria-html-published.platosedu.io/30aa4f2f-8fba-4d58-a339-d7950d58f2a7/v1/index.html 17/37 Vários estudos apontam esse fato às mudanças no estilo de vida provocadas pelo período pandêmico, que aceleraram este crescimento, com a busca por bem-estar e gerenciamento do estresse. O mercado da saúde está em pleno crescimento. É o que diz o estudo que mostra a grande ascensão no setor, em que empreendedores têm sido estimulados a focar nas áreas de serviços de saúde. Essa demanda e oferta do bem-estar e da saúde mostra a sua importância para o PIB nacional, resultando em oportunidades nos serviços de assistência à saúde. Há uma verdadeira alteração atualmente quando se fala em saúde, os próprios profissionais têm se interessado em empreender e colocar em prática meios de facilitar a sua vida e dos pacientes/clientes em questão. Ainda, podemos antever o que será necessário tanto para os cuidados presentes quanto os que possivelmente serão posteriormente. Sob essa ótica, o cuidar da saúde ganha um novo olhar que vai de encontro com a visão das práticas integrativas: o cuidado global do indivíduo, levando em consideração suas características pessoais e mais – o cuidar para não adoecer em vez de se cuidar somente quando a doença está instalada. Outras publicações mostram que os gastos dos consumidores com salões de beleza, massagem e spa cresceram 47,2% em 2021 na comparação com 2020. E este setor, valendo do padrão do consumidor por busca de bem-estar, vem sendo explorado para atrair mais clientes. A valorização de aspectos relacionados à saúde promove aumento da demanda por produtos e serviços orientados a uma vida saudável e melhoria da qualidade de vida. Há uma parcela crescente da população disposta a investir grande parte do seu tempo e de seus recursos para viver mais e melhor. 30/11/2024, 12:27 Práticas Integrativas e Complementares e seu Desenvolvimento no Brasil https://alexandria-html-published.platosedu.io/30aa4f2f-8fba-4d58-a339-d7950d58f2a7/v1/index.html 18/37 Siga em Frente... Contudo, as PICS também são muito procuradas no setor privado, ganhando cada vez mais adeptos. E os locais para se empreender e trabalhar com tais práticas são vastos. Podemos citar aqueles mais conhecidos e comuns como resorts e spas, salões de beleza e centros de estéticas e clubes esportivos. Porém, com a alta demanda, cada vez mais estabelecimentos e até mesmo empresas têm investido na área. Antes incomum, atualmente não é difícil encontrar empresas que desenvolvem projetos para a saúde e para o bem-estar de seus funcionários com serviços semanais, quinzenais ou mensais de massagens e outras práticas integrativas como meditação, yoga e práticas em grupo. Isso porque além de fomentar maior satisfação dos funcionários e um ambiente de trabalho mais agradável, os índices de abssenteísmo e afastamentos caem drasticamente além da maior e melhor produção. Ainda, muitos profissionais da área da saúde têm se dedicado exclusivamente ao atendimento das práticas integrativas em estabelecimentos próprios. Mas para isso, é necessário seguir alguns cuidados legais, éticos e de biossegurança. Para isso é importante conhecer as regras para abertura de estabelecimento de saúde junto de sua cidade como categoria do empreendimento de acordo com a metragem do local (por exemplo, consultório ou clínica); conhecer as regulamentações e leis locais relativas às terapias integrativas e normas sanitárias; documentos necessários para a abertura, tais como alvará da prefeitura, vigilância sanitária e corpo de bombeiros. Também devemos nos atentar aos valores da bioética e biossegurança no ambiente de trabalho, incluindo o respeito e a confidencialidade, vestir-se adequadamente, fazer uso dos equipamentos de proteção individual(EPIs) sempre que necessário, realizar o descarte correto de perfurocortantes, seguir práticas rigorosas de biossegurança incluindo protocolos de limpeza 30/11/2024, 12:27 Práticas Integrativas e Complementares e seu Desenvolvimento no Brasil https://alexandria-html-published.platosedu.io/30aa4f2f-8fba-4d58-a339-d7950d58f2a7/v1/index.html 19/37 do local, de superfícies e equipamentos e manutenção de ambientes limpos. Vamos Exercitar? E então, estudante?! Retomamos o questionamento do início desta aula e que acreditamos ser dúvida de muitos de vocês: quais os passos a seguir para abrir o próprio negócio em terapias integrativas? O primeiro passo é se dirigir à prefeitura de sua cidade para conhecer a legislação e as especificações locais. Quem te atender te direcionará sobre quais documentos providenciar para que fique tudo legalizado. Outro local muito importante é a vigilância sanitária municipal. Apesar de muitas pessoas não se sentirem bem com este órgão e até mesmo ameaçadas, lá você encontrará funcionários que irão te orientar com relação às leis sanitárias de sua cidade, os cuidados que deve tomar e todas as providências para que consiga seu alvará sanitário de funcionamento sem dor de cabeça e com segurança. Caso esta seja sua intenção, não se esqueça de que precisa de planejamento para tudo isso. Construa seu plano de negócios com calma, pense em cada detalhe e busque mais conhecimento na área do empreendedorismo para garantir seu sucesso! Saiba Mais Sugestão de capítulo de livro Para a leitura de capítulo de livro sugerimos Empatia: um roteiro para empreender (Seção 3, Capítulo 19) do livro Bases da medicina integrativa, disponível em nossa Biblioteca Virtual. LIMA, P. T. R. Bases da medicina integrativa. 3. ed. Santana de Parnaíba: Manole, 2023. Biblioteca Virtual. 30/11/2024, 12:27 Práticas Integrativas e Complementares e seu Desenvolvimento no Brasil https://alexandria-html-published.platosedu.io/30aa4f2f-8fba-4d58-a339-d7950d58f2a7/v1/index.html 20/37 Sugestão de artigo científico Leia o artigo Empreendedorismo e inovação na saúde: os novos empreendimentos na economia da saúde no Brasil para conhecer um pouco mais sobre os investimentos que vêm sendo feitos na área da saúde. AVENI, A.; MORAIS, R. S. G. A. Empreendedorismo e inovação na saúde: os novos empreendimentos na economia da saúde no Brasil. Revista Processus de Políticas Públicas e Desenvolvimento Social, v. 3, n. 6, p. 80-97, 2021. Outras sugestões No site da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa, você encontrará várias informações interessantes acerca dos cuidados sanitários na prestação de serviços e afins. Ainda, no site da prefeitura de sua cidade, procure por Vigilância Sanitária ou Vigilância em Saúde Coletiva, que irá encontrar informações direcionadas ao seu município! AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA – Anvisa. Referências Bibliográficas AVENI, A. Empreendedorismo e inovação na saúde: uma análise das oportunidades. Revista Coleta Científica, v. 4, n. 8, p. 67-81, 2020. BITTENCOURT, W. J. M. et al. Práticas integrativas e complementares em saúde. Porto Alegre: SAGAH, 2021. BRASIL. Ministério da Saúde. Cresce 46% procura por Práticas Integrativas Complementares no SUS. Conselho Nacional de Saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2019. CASTRO, A. R. et al. O crescimento do empreendedorismo em saúde. Revista Amor Mundi, v. 4, n. 8, p. 121-127, 2023. 30/11/2024, 12:27 Práticas Integrativas e Complementares e seu Desenvolvimento no Brasil https://alexandria-html-published.platosedu.io/30aa4f2f-8fba-4d58-a339-d7950d58f2a7/v1/index.html 21/37 https://periodicos.processus.com.br/index.php/ppds/article/view/454/527 https://periodicos.processus.com.br/index.php/ppds/article/view/454/527 https://periodicos.processus.com.br/index.php/ppds/article/view/454/527 https://www.gov.br/anvisa/pt-br HIRATA, M. H. Manual de biossegurança. 3. ed. Barueri: Manole, 2017. SILVA, J. V. Bioética: visão multidimensional. 1. ed. São Paulo: Iátria, 2010. Aula 4 PRÁTICAS INTEGRATIVAS E COMPLEMENTARES NO SETOR PÚBLICO Práticas Integrativas e Complementares no setor público Olá, estudante! Para que você tenha mais fluidez na aprendizagem sobre as PICS no setor público, é importante que compreenda as características do SUS. Vamos pensar juntos: quando vamos começar a trabalhar em um novo local, precisamos antes de tudo, entender a estrutura desse lugar, como as coisas funcionam, o que dá certo e o que não dá, e quais são os objetivos ou as metas a serem atingidas. Para iniciar um nova Política todos esses cuidados também são necessários. Então vamos entender o SUS! 30/11/2024, 12:27 Práticas Integrativas e Complementares e seu Desenvolvimento no Brasil https://alexandria-html-published.platosedu.io/30aa4f2f-8fba-4d58-a339-d7950d58f2a7/v1/index.html 22/37 Ponto de Partida Olá, estudante! Aprendemos sobre as PICS no âmbito do setor privado. Para o próximo passo vamos compreender como se deu a sua inclusão no serviço público de saúde, ou seja, no nosso Sistema Único de Saúde (SUS). Para isso vamos compreender primeiro sobre nosso sistema de saúde e suas abordagens na assistência à população para então inserirmos as PICS nesse contexto. Tenho certeza que entendendo os princípios fundamentais do SUS e suas maiores demandas, ficará mais fácil compreender o porquê da inclusão das PICS! As PICS são regulamentadas pelo Ministério da Saúde por meio da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) no SUS, que estabelece as diretrizes, os objetivos e as responsabilidades para a implantação e o desenvolvimento das PICS no SUS. A PNPIC também define os critérios para a inclusão, a exclusão e a atualização das práticas, bem como para a capacitação e a habilitação dos profissionais que as realizam. A implementação desta Política permitiu a abertura de possibilidades de acesso a serviços antes restritos à prática de cunho privado. Isso aponta para melhoria dos serviços e o incremento de diferentes abordagens que configuram prioridade do Ministério da Saúde, 30/11/2024, 12:27 Práticas Integrativas e Complementares e seu Desenvolvimento no Brasil https://alexandria-html-published.platosedu.io/30aa4f2f-8fba-4d58-a339-d7950d58f2a7/v1/index.html 23/37 tornando disponíveis opções preventivas e terapêuticas aos usuários do SUS. E antes de começar, deixo aqui uma pergunta para sua reflexão: por que será que as PICS foram introduzidas no SUS? Vamos Começar! O Sistema Único de Saúde (SUS) é considerado um dos maiores e mais complexos sistemas de saúde do mundo tanto em relação à cobertura quanto à população atendida, sendo mais de 200 milhões pessoas assistidas. Porém, antes dele, a assistência tinha foco médico-hospitalar, a promoção da saúde era tarefa exclusiva do Ministério da Saúde (MS) e todas as ações de saúde eram centralizadas no estado, assim, não havia participação das unidades federativas e dos municípios. Nessa época, o acesso dos cidadãos brasileiros à assistência era restrito. Assim, os cidadãos eram divididos em três grupos: os que podiam pagar pelos serviços de saúde; os trabalhadores que contribuíam com o Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (INAMPS) e tinham direito a assistência prestada por esse instituto; e os que não tinham nenhum direito à assistência, chamados de “indigentes”. Estes últimos dependiam totalmente das ações filantrópicas e da caridade. Contudo, a realidade social era de exclusão ao direito à saúde a maior parte da população, e isso passou a ser questionado por grupos da sociedade civil e por trabalhadores da saúde que, de forma articulada, começaram a debater sobre qual deveria ser o futuro da saúde brasileira. A partir dessas discussões surgiu o movimento da Reforma Sanitária. 30/11/2024, 12:27 Práticas Integrativas e Complementares e seu Desenvolvimento no Brasil https://alexandria-html-published.platosedu.io/30aa4f2f-8fba-4d58-a339-d7950d58f2a7/v1/index.html 24/37 Nesse mesmo período, no âmbito mundialobservavam-se inclinações para mudanças deste cenário que era comum em todo o mundo. Entre estas indicações estavam a Declaração de Alma-Ata. Também ocorreu aqui no Brasil, a 8ª Conferência Nacional de Saúde, realizada em 1986 que identificou o Estado como responsável por assegurar o direito à saúde para a população e aprovou a proposta de criação do SUS. Em 1990 surgia o SUS, regulamentado pela Lei nº 8.080, que dispõe sobre as condições para a promoção, a proteção e a recuperação da saúde e sobre a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes. A criação do SUS foi o maior movimento de inclusão social da história do Brasil e representou uma afirmação política de compromisso do Estado brasileiro para com os direitos dos seus cidadãos. Os serviços que compõem o sistema são: instituições de pesquisa, institutos de controle de qualidade, laboratórios farmacêuticos oficiais, agências reguladoras, laboratórios de análises clínicas, serviços de assistência direta à saúde e escolas técnicas do SUS. Para organizar e gerir essa rede grande e complexa de serviços, de modo que eles funcionem em consonância com os princípios do sistema, foi preciso uma legislação abrangente, capaz de atender às necessidades dos gestores e da população. Desse modo, a gestão pode estar sob o olhar das três esferas de governo (federal, estadual e municipal), mas cada qual com suas responsabilidades específicas. Quando o SUS foi concebido, seus princípios foram discutidos para guiar e organizar o trabalho de todos os envolvidos na construção e no funcionamento do sistema. Para isso, os princípios foram separados em doutrinários: universalidade, integralidade e equidade; e organizacionais: descentralização, regionalização, hierarquização e ainda, participação popular. 30/11/2024, 12:27 Práticas Integrativas e Complementares e seu Desenvolvimento no Brasil https://alexandria-html-published.platosedu.io/30aa4f2f-8fba-4d58-a339-d7950d58f2a7/v1/index.html 25/37 De modo simples, a universalidade diz que todo cidadão brasileiro tem direito a usar os serviços do SUS. A equidade assegura que os serviços devem ser ofertados de acordo com a necessidade de cada cidadão/população, com justiça social. A integralidade diz que os serviços devem ter foco na prevenção de doenças, na promoção da saúde, na cura e na reabilitação, atendendo às necessidades de saúde da população como um todo. A descentralização foi uma estratégia para redistribuição de responsabilidades pelas ações e pelos serviços tornando as três esferas responsáveis. Então antes o que era executado à nível federal, sem grande sucesso, passou a ser distribuído da seguinte maneira: Esfera federal – Ministério da Saúde: liderança do conjunto de ações e desenvolvimento de políticas de saúde, executando somente em caráter de exceção. Esfera estadual – Secretaria de Estado da Saúde: coordenação, desenvolvimento e avaliação das políticas de saúde, executando ações também em caráter de exceção ou em áreas estratégicas e de maior complexidade, podendo também executar ações de saúde em caso de carência do município ou omissão do gestor municipal. Esfera municipal – Secretaria Municipal de Saúde: responsável pela programação, execução e avaliação do atendimento, envolvendo a gerência das unidades de saúde e recursos humanos. A descentralização possibilitou o processo de regionalização, que deu a possibilidade de trabalhar a realidade local, com seus determinantes e suas características da comunidade em questão. Siga em Frente... Já a hierarquização trata da organização do SUS, partindo da classificação dos serviços e considerando a complexidade de cada 30/11/2024, 12:27 Práticas Integrativas e Complementares e seu Desenvolvimento no Brasil https://alexandria-html-published.platosedu.io/30aa4f2f-8fba-4d58-a339-d7950d58f2a7/v1/index.html 26/37 um deles. Assim, eles são categorizados de acordo com o tipo de cuidado prestado e com as tecnologias utilizadas, sendo divididos em três níveis de atenção à saúde: básico (ou primário), secundário e terciário, estes últimos conhecidos por média e alta complexidade. No tocante à participação popular e ao controle social em saúde, princípio este garantido pela Lei nª 8.142/90, prevê a organização e a participação da comunidade na gestão do SUS, que ocorre legalmente por meio dos Conselhos e das Conferências de Saúde nas três esferas de governo: nacional, estadual e municipal, com caráter deliberativo, composto de forma igualitária por usuários do SUS, trabalhadores do SUS e gestores – todos chamados de conselheiros de saúde. A implementação do SUS representou grande avanço nos cuidados com a saúde e na busca por melhorias dos serviços prestados. Em 2011 foi aprovada a Política Nacional de Atenção Básica, através da Portaria nª 2.488, estabelecendo a revisão de diretrizes e normas para a organização da atenção básica, para a Estratégia Saúde da Família (ESF) e o Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS). A atenção básica se caracteriza pelo conjunto de ações de saúde, de âmbito individual e coletivo, abrangendo a promoção e a proteção da saúde, a prevenção de agravos, o diagnóstico, o tratamento, a reabilitação, a redução de danos e a manutenção da saúde. Possui o objetivo de desenvolver atenção integral de forma a impactar na situação de saúde e autonomia das pessoas e coletividades. Seguindo os princípios do SUS, é desenvolvida por meio do exercício de práticas de cuidado e gestão, democráticas e participativas, por meio do trabalho em equipe, dirigidas às populações determinadas, observando critérios de risco, vulnerabilidade, resiliência e ética, considerando que toda demanda, necessidade de saúde ou todo sofrimento devem ser acolhidos. 30/11/2024, 12:27 Práticas Integrativas e Complementares e seu Desenvolvimento no Brasil https://alexandria-html-published.platosedu.io/30aa4f2f-8fba-4d58-a339-d7950d58f2a7/v1/index.html 27/37 As políticas públicas são diretrizes que servem para nortear as ações em determina área da vida social. Estas políticas estão sempre envolvidas com o momento histórico vivenciado e suas demandas. Em consonância, a PNPIC é um conjunto de normas e diretrizes com o intuito de incorporar e implementar as Práticas Integrativas e Complementares no SUS. As práticas integrativas, mediante abordagem interdisciplinar, proporcionam uma perspectiva direcionada para o cuidado continuado, humanizado e abrangente em saúde, ampliando conhecimentos e qualificando os profissionais de saúde para garantir a oferta segura e de qualidade aos usuários do SUS. Dessa forma, esta Política é baseada na perspectiva de prevenção de agravos e promoção e recuperação da saúde, baseada em modelo de atenção humanizada e centrada na integralidade do indivíduo, contribuindo para o fortalecimento dos princípios fundamentais do SUS. Entre os seus objetivos está a sua incorporação no SUS, com ênfase na Atenção Básica; o aumento da resolutividade; a racionalização das ações; e a participação popular promovendo o envolvimento responsável de todas as instâncias. A PNPIC, dentro do contexto de política pública de saúde, permitiu avanços no campo da saúde integrativa ao ampliar o olhar sobre o cuidado humanizado, continuado e integral de indivíduos e coletividades. Traz mudanças também na perspectiva predominantemente medicamentosa, biomédica, dispendiosa e do poder de decisão exclusivamente dos profissionais de saúde, para um cenário de promoção da saúde, com autonomia dos sujeitos e racionalização das ações. Esta Política busca, portanto, concretizar tal prioridade, oferecendo segurança, eficácia e qualidade na perspectiva da integralidade da atenção à saúde no Brasil. Vamos Exercitar? 30/11/2024, 12:27 Práticas Integrativas e Complementares e seu Desenvolvimento no Brasil https://alexandria-html-published.platosedu.io/30aa4f2f-8fba-4d58-a339-d7950d58f2a7/v1/index.html 28/37 Retomando nosso questionamento inicial, as PICS não foram introduzidas no SUS ao acaso. Houve grande mobilização e discussões acerca dasdemandas em saúde relacionadas com as terapias integrativas que vinham sendo apontadas pela OMS como práticas de grande importância para os cuidados com a saúde, além de tais possuírem visão em consonância com o olhar que a OMS havia traçado para o conceito de saúde. Ainda, a introdução das PICS tinha como objetivos ampliar os cuidados com a saúde da população brasileira e melhorar os índices de resolutividade do nosso sistema de saúde, além de fortalecer o SUS e seus princípios que foram mantidos e reforçados entre as diretrizes da PNPIC. Completando, por possuir olhar para atendimento continuado e integral em saúde, era esperado que com as PICS, associado a uma maior resolutividade, os gastos com a saúde, por exemplo, com medicalização, fossem diminuídos, representando economia de recursos públicos. As PICS também geram redução de gastos devido ao baixo custo de sua aplicabilidade, em comparação a outros tipos de tratamentos. Saiba Mais Sugestão de capítulo de livro Para conhecer mais sobre a implantação do SUS e sua relação com a Reforma Sanitária leia o capítulo Lei Orgânica: Leis 8.080/90 e 8.142/90 (Unidade 4), do Livro Saúde Coletiva, disponível em nossa Biblioteca Virtual. MOREIRA, T. C. et al. Saúde coletiva. Porto Alegre: SAGAH, 2018. Sugestão de artigo científico Na mesma entoada segue o artigo Desenvolvimento do SUS, rumos estratégicos e estratégias para visualização dos rumos, que aborda 30/11/2024, 12:27 Práticas Integrativas e Complementares e seu Desenvolvimento no Brasil https://alexandria-html-published.platosedu.io/30aa4f2f-8fba-4d58-a339-d7950d58f2a7/v1/index.html 29/37 https://www.scielo.br/j/csc/a/bMPrN3XpzGh9mDjVmrXMGGN/?format=pdf&lang=pt https://www.scielo.br/j/csc/a/bMPrN3XpzGh9mDjVmrXMGGN/?format=pdf&lang=pt o desenvolvimento do SUS sob a ótica de seus princípios e da Reforma Sanitária. SANTOS, N. R. Desenvolvimento do SUS, rumos estratégicos e estratégias para visualização dos rumos. Revista Ciências & Saúde Coletiva, v. 12, n. 2, p. 429-435, 2007. Outras sugestões Apesar da implementação das PICS no SUS, esta Política possui desafios, entre a formação profissional. Sobre o tema leia o artigo Formação profissional em Práticas Integrativas e Complementares: os significados atribuídos pelos trabalhadores da Atenção Primária à Saúde. SILVA, P. H. B. et al. Formação profissional em Práticas Integrativas e Complementares: os significados atribuídos pelos trabalhadores da Atenção Primária à Saúde. Revista Ciências & Saúde Coletiva, v. 26, n. 2, p. 399-408, 2021. Referências Bibliográficas BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional da Atenção básica. Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. Brasília: Ministério da Saúde, 2012. BRASIL. Ministério da Saúde. Saúde de A a Z: Sistema Único de Saúde. Brasília: Ministério da Saúde. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/s/sus. Acesso em: 8 dez. 2023. BRASIL. Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990. Dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providências. Brasília, DF: Diário Oficial da União, 1990. 30/11/2024, 12:27 Práticas Integrativas e Complementares e seu Desenvolvimento no Brasil https://alexandria-html-published.platosedu.io/30aa4f2f-8fba-4d58-a339-d7950d58f2a7/v1/index.html 30/37 https://www.scielo.br/j/csc/a/bMPrN3XpzGh9mDjVmrXMGGN/?format=pdf&lang=pt https://www.scielo.br/j/csc/a/bMPrN3XpzGh9mDjVmrXMGGN/?format=pdf&lang=pt https://www.scielo.br/j/csc/a/bMPrN3XpzGh9mDjVmrXMGGN/?format=pdf&lang=pt https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/s/sus BRASIL. Lei nº 8.142, de 28 de dezembro de 1990. Dispõe sobre a participação da comunidade na gestão do Sistema Único de Saúde (SUS) e sobre as transferências intergovernamentais de recursos financeiros na área da saúde e dá outras providências. Brasília, DF: Diário Oficial da União, 1990. BRASIL. Ministério da Saúde. Gabinete do Ministro. Portaria nº 2.488, de 21 de outubro de 2011. Aprova a Política Nacional de Atenção Básica, estabelecendo a revisão de diretrizes e normas para a organização da Atenção Básica, para a Estratégia Saúde da Família (ESF) e o Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS). Brasília, 2011. MOREIRA, T. C. et al. Saúde coletiva. Porto Alegre: SAGAH, 2018. SOARES, M. C. R.; GIRONDOLI, Y. M. Orientações em saúde: Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS). Coordenadoria de Atenção à Saúde do Servidor. Instituto Federal, Espírito Santo. 2021. Disponível em: https://prodi.ifes.edu.br/images/stories/Pr%C3%A1ticas_Integrativas _e_Complementares_em_Sa%C3%BAde_PICS.pdf. Acesso em: 7 dez. 2023. SOLHA, R. K. T. Sistema Único de Saúde: componentes, diretrizes e políticas públicas. 1. ed. São Paulo: Érica, 2014. Encerramento da Unidade PRÁTICAS INTEGRATIVAS E COMPLEMENTARES E SEU 30/11/2024, 12:27 Práticas Integrativas e Complementares e seu Desenvolvimento no Brasil https://alexandria-html-published.platosedu.io/30aa4f2f-8fba-4d58-a339-d7950d58f2a7/v1/index.html 31/37 https://prodi.ifes.edu.br/images/stories/Pr%C3%A1ticas_Integrativas_e_Complementares_em_Sa%C3%BAde_PICS.pdf https://prodi.ifes.edu.br/images/stories/Pr%C3%A1ticas_Integrativas_e_Complementares_em_Sa%C3%BAde_PICS.pdf DESENVOLVIMENTO NO BRASIL Videoaula de Encerramento Olá, estudante! Em nossa videoaula você conhecerá sobre as Práticas Integrativas e Complementares (PICS) e como se deu o seu desenvolvimento em nosso país, perpassando não só pelo setor público, mas também pelo nosso Sistema Único de Saúde (SUS) e sua relação com as práticas em questão. E você sabia que a participação popular, estimulada nas PICS pelo SUS possuem relação direta com estas técnicas por meio da nossa medicina tradicional? Vamos entender como! Venha comigo nessa aula! Ponto de Chegada Olá, estudante! As práticas integrativas e Complementares (PICS) são caracterizadas por um conjunto de recursos terapêuticos, com base na medicina tradicional e seus conhecimentos populares, que possuem uma visão ampliada, ou integral, do ser humano, observando seus aspectos físicos, emocionais e espirituais. Além 30/11/2024, 12:27 Práticas Integrativas e Complementares e seu Desenvolvimento no Brasil https://alexandria-html-published.platosedu.io/30aa4f2f-8fba-4d58-a339-d7950d58f2a7/v1/index.html 32/37 disso, as PICS buscam a prevenção de doenças, a recuperação da saúde, melhor qualidade de vida e bem-estar de indivíduos e coletividades. Devido às suas características, as PICS são capazes de trazer diversos benefícios, entre eles: maior relaxamento e bem-estar; melhora da qualidade do sono, da ansiedade e dos quadros depressivos; redução e alívio da dor; diminuição de sinais e sintomas de diversas doenças; fortalecimento do sistema imunológico; estímulo para o contato profissional interagente; redução do uso de medicamentos bem como a diminuição de reações adversas à medicação; melhor qualidade de vida. Também é importante dizer que as PICS podem ser utilizadas por todos, nas diversas fases da vida. Claro que as necessidades serão diferentes de pessoa para pessoa e cabe ao profissional qualificado na área definir qual ou quais as técnicas serão mais indicadas para cada caso. Como já foi dito, as PICS possuem relação direta com as medicinas tradicionais. Estas práticas estão ligadas a aspectos socioculturais de cada povo e em muitos lugares é a principal forma de acesso a cuidados com a saúde. No Brasil, existe uma riqueza cultural muito grande advinda da miscigenação que temos e da vasta área territorial. Essas características enriqueceram a nossa medicina tradicional e as PICS e, consequentemente, somos considerados referência mundial. Seguindo as recomendações da OMS, nosso país aderiu à inclusão das PICS nos serviços públicos de saúde. Isso se deu mediante o uso da Política Nacional das Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC), permitindo avanços na saúde integrativa e mudanças no olhar, até entãopredominantemente biomédico, ou medicamentoso. 30/11/2024, 12:27 Práticas Integrativas e Complementares e seu Desenvolvimento no Brasil https://alexandria-html-published.platosedu.io/30aa4f2f-8fba-4d58-a339-d7950d58f2a7/v1/index.html 33/37 Dessa forma, além desta Política alinhar suas diretrizes de acordo com os princípios do SUS, fortalecendo nosso sistema de saúde, também oferece mais segurança, eficácia e qualidade na atenção integral à saúde. Portanto, as práticas integrativas em nosso sistema público de saúde, por meio de uma abordagem interdisciplinar, proporcionam uma perspectiva direcionada para o cuidado continuado, humanizado e abrangente em saúde, ampliando conhecimentos e qualificando os profissionais de saúde para garantir a oferta segura e de qualidade aos usuários. E não podemos deixar o setor privado de lado. As áreas relacionadas à saúde e ao bem-estar estão entre as que mais cresceram nos últimos anos, com estimativas de se desenvolver ainda mais! Isso se dá porque, cada vez mais, as pessoas têm se preocupado com sua saúde e buscado por mudanças no estilo de vida. Sem dúvidas, as PICS ajudam muito nesse quesito, pois apresentam ferramentas simples para serem usadas no dia a dia, auxiliam no gerenciamento do estresse e fortalecem o autocuidado. É Hora de Praticar! Seus avós fazem acompanhamento de saúde na Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro onde moram para controle de diabetes e hipertensão. Numa dessas visitas você decidiu acompanhá-los e ficou sabendo que na UBS existem outros idosos com os mesmos problemas de saúde. Quando estavam indo embora, viu um cartaz na recepção que falava sobre as PICS, convidando os usuários do SUS a utilizarem as práticas, e ficou interessado em saber mais. Seria possível um cidadão participar de deliberações relacionadas à saúde na sua cidade? E as PICS, todos podem ter acesso? Reflita 30/11/2024, 12:27 Práticas Integrativas e Complementares e seu Desenvolvimento no Brasil https://alexandria-html-published.platosedu.io/30aa4f2f-8fba-4d58-a339-d7950d58f2a7/v1/index.html 34/37 Com a visão que você já tem das PICS e seus “primeiros passos” em nosso país, te deixo algumas perguntas para refletir: Você acha que as PICS ofertadas no SUS são diferentes daquelas presentes no setor privado? Será que sem o desenvolvimento da PNPIC as PICS teriam o mesmo reconhecimento que têm atualmente? De que forma podemos melhorar ainda mais a qualidade das PICS no Brasil? Resolução do estudo de caso Quando o SUS foi desenvolvido, entre os seus princípios está a participação popular. Esse direito, garantido pela Lei nº 8.142/90, que prevê a organização e a participação da comunidade na gestão do SUS, que ocorre legalmente por meio dos Conselhos e das Conferências de Saúde nas três esferas de governo: nacional, estadual e municipal, com caráter deliberativo, composto de forma igualitária por usuários do SUS, trabalhadores do SUS e gestores – todos chamados de conselheiros de saúde. Isso quer dizer, que você poderá participar das reuniões do Conselho de Saúde da sua cidade, que ocorre sempre de forma aberta à comunidade em que você possui, inclusive, direito à voto. Além disso, também são princípios do SUS a universalidade, integralidade e equidade. Isso quer dizer que todos têm direito aos serviços de saúde, de igualitária, justa e integral, ou seja, abrangendo todos os aspectos relacionados à saúde: prevenção, promoção e tratamento/reabilitação. Dessa forma, as PICS presentes no SUS também possuem acesso seguindo suas diretrizes e os princípios do nosso sistema. E caso perceba que em seu bairro existe uma demanda por determinada prática, que ainda não esteja presente, isso pode ser levado adiante mediante contato com gestores de saúde e participação nas 30/11/2024, 12:27 Práticas Integrativas e Complementares e seu Desenvolvimento no Brasil https://alexandria-html-published.platosedu.io/30aa4f2f-8fba-4d58-a339-d7950d58f2a7/v1/index.html 35/37 reuniões do Conselho de Saúde, com posterior desenvolvimento de projeto para a implementação do serviço. Dê o play! Assimile Este mapa mental te ajudará a rever a trajetória desta unidade para memorizar todos os conteúdos trabalhados. Fonte: elaborada pela autora. Referências 30/11/2024, 12:27 Práticas Integrativas e Complementares e seu Desenvolvimento no Brasil https://alexandria-html-published.platosedu.io/30aa4f2f-8fba-4d58-a339-d7950d58f2a7/v1/index.html 36/37 ANDRADE. L. Q. Terapias expressivas. São Paulo: Vector, 2000. BARROSO, P. F. História da arte. Porto Alegre: SAGAH, 2018. BRASIL. Ministério da Saúde. Política nacional de práticas integrativas e complementares no SUS: atitude de ampliação de acesso. Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. 2. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2015. BRASIL. Ministério da Saúde. Gabinete do Ministro. Portaria nº 971, de 03 de maio de 2006. Aprova a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) no Sistema Único de Saúde. Brasília, 2006. COQUEIRO, N. F.; VIEIRA, F. R. R.; FREITAS, M. M. C. Arteterapia como dispositivo terapêutico em saúde mental. Acta Paul Enferm, São Paulo, v. 23, n. 6, p. 859-62, 2010. MACHADO, M. G. M. et al. 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