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Discipulado para uma nova
3
IGREJA DISCIPULADORA
Roteiro para formar uma igreja discipuladora
Josadak Lima
IGREJA DISCIPULADORA
Roteiro para formar uma igreja discipuladora
1ª edição
São Bernardo do Campo - SP - 2016
Copyright
© 2016, Josadak Lima
Direios cedidos à Associaçâo da Igreja Metodista e Publicado pelo
Departamento Editorial da Igreja Metodista - Angular Editora.
É proibida a reprodução total ou parcial da obra, de qualquer forma ou por
qualquer meio sem a autorização prévia e por escrito do autor. 
A violação dos Direitos Autorais (Lei n.º 9610/98) é crime estabelecido pelo
artigo 184 do Código Penal
Secretaria Editorial Joana D’Arc Meireles Capa
Fabio Nelson Marchiori Diagramação Alexandre Paes Dias Revisão
Celena Alves
Lima, Josadak.
Igreja Discipuladora - Roteiro para formar uma igreja discipuladora. Volume
3 – São Bernardo do Campo, SP: Editeo, 2016.
p. 56
ISBN: 978-85-8046-042-1 1. Discipulado. 2. Missão 3. Caráter
Sumário
Capítulo 1
Procurando no discipulado formar a pessoa cristã virtuosa ..................... 11
Capítulo 2
As bases na formação discipuladora de Jesus .............................................. 23
Capítulo 3
O foco do discipulado na igreja local ........................................................... 31
Capítulo 4
Uma reprodução de alto impacto .................................................................. 39
Capítulo 5
Tornando-se uma igreja referencial .............................................................. 45
Capítulo 6
A chave da revolução do discipulado na igreja local .................................. 51
Apresentação
IGREJA DISCIPULADORA - Roteiro para formar uma igreja
discipuladora - parte da referência deixada pela igreja de Tessalônica, que
nasce e se alicerça no Evangelho e no discipulado de Jesus.
Em Tessalônica, a Palavra de Deus, personalizada na vida dos discípulos e
discípulas de Jesus, “sai” e caminha-se pelas estradas, nas ruas de outras
cidades, apresentando Jesus como Salvador, não como uma doutrina, mas
como um caminho para trilhar na companhia de outras pessoas que seguiam o
Mestre.
Desta forma, a igreja local em Tessalônica serve de referência para quem
quer formar uma igreja discipuladora e missionária; para quem quer adotar o
modelo de discipulado de Jesus como sua estratégia de crescimento tanto
qualitativo como quantitativamente.
O tempo chegou. O tempo é agora. De hoje em diante siga o curso da igreja
de Tessalônica, com o foco no discipulado, numa experiência para a vida
toda.
Josadak Lima Pastor Metodista da Sexta Região Eclesiástica
Capítulo 1 Procurando no discipulado formar a pessoa
cristã virtuosa
“Recordando-nos, diante do nosso Deus e Pai, da operosidade da vossa
fé,da abnegação do vosso amor e da firmeza da vossa esperança em nosso
Senhor Jesus Cristo”.
1Ts 1.3
Este livro baseiam-se no primeiro capítulo de 1 Tessalonicenses e tem como
propósito conduzir sua leitura na descoberta de uma igreja marcada por uma
espiritualidade contagiante e constituída por pessoas que buscam para si o
discipulado e que discipulam.
Trata-se, portanto, de um relacionamento de cuidado mútuo; cuidado que
abrange as diversas áreas do viver e do ser, com diligência, zelo, atenção e
solicitude.
O cuidado é vital, pois sem cuidado não há vida. No contexto cristão, o cerne
do cuidado é encontrar a genuína conversão, seguida, então, pela imitação de
Cristo, por meio de cristãos mais maduros.
partimos do fato de que o ser humano é, por sua natureza e essência, um ser
de cuidado. Sente a disposição de cuidar e a necessidade de ser ele também
cuidado. Cuidar e ser cuidado são existenciais (estruturas permanente) e
indissolúveis. 1 relevante, capaz de impactar o mundo com o evangelho,
como fez a comunidade dos tessalonicenses.
Com intuito de conduzir o assunto, observa-se que no primeiro capítulo de 1
Tessalonicenses há uma estreita relação com o restante da Bíblia e,
principalmente, com Jesus de Nazaré e Paulo. Vemos o interesse de Deus por
uma igreja
1 BOFF, Leonardo. Saber Cuidar. São Paulo, 2012, p. 12.
Ao mesmo tempo, revela-se um jeito de ser igreja, cuja atuação dinâmica
pode ser percebida pela exposição clara e íntegra do evangelho e o
discipulado dos convertidos ao cristianismo.
O retrato daquela pequena e recém-formada comunidade cristã era uma fé
ativa, amor capaz de sacrifícios e firme esperança. Eis o tripé que sustenta e
identifica uma igreja genuinamente cristã, capaz de vivenciar uma relação de
ajuda, por meio do discipulado.
Esta é a mais importante chave para entender toda a carta aos
Tessalonicenses. É também o quadro mais belo e completo que encontramos
dessa comunidade à qual foi considerada como referência para o primeiro
texto escrito do Novo Testamento.
Com isto, acredito ser esta igreja local do Novo Testamento que melhor
expressa as características concretas de uma comunidade que nasceu e
cresceu saudável, tanto quantitativo como qualitativamente.
Ela foi fundada e organizada por Paulo por ocasião de sua segunda viagem
missionária, conforme o relato de Atos 17.1-10. Era composta, em sua
maioria, por gentios artífices e pequenos comerciantes.
O que é tão surpreendente é que Atos 17 parece sugerir que a equipe
missionária de Paulo esteve nesta cidade de 200 mil pessoas apenas algumas
semanas, ou no máximo alguns meses, antes que as revoltas os forçassem a
fugir para Bereia. Ainda assim, deixaram atrás de si um núcleo de uma igreja
forte e vital, que permanece fiel, apesar da perseguição.2
Provavelmente, Paulo e sua equipe tenham chegado à Tessalônica no início
do verão do ano 50 d.C. Mas depois de fundar a igreja, tiveram de sair às
pressas devido a forte perseguição, e as pessoas que se converteram ao
cristianismo tiveram de se virar por conta própria, não havendo passado por
um período mais longo de instrução sobre as verdades da fé cristã e o
discipulado, rumo à maturidade em Cristo.
Contudo, na primeira oportunidade, Paulo (já em Corinto) enviou de volta à
Tessalônica seu mais jovem discípulo - Timóteo - o qual retornou trazendo
excelentes notícias dos fiéis (1Ts 3.1-6), e algumas perguntas sobre a nova fé
que haviam abraçado. O curto período de tempo que haviam permanecido ali,
não lhes fora suficiente para edificá-los totalmente na fé.
2 RICHARDS, Lawrence. Comentário devocional da Bíblia. Rio de Janeiro: CPAD, 2012, p. 886.
Então, com esta base, Paulo escreve 1 Tessalonicenses para elogiar sua fé e
responder as perguntas. Tudo indica ter sido este o primeiro, dos trezes livros
escritos por Paulo. Esta carta foi escrita num tom íntimo e amigável para
confortar e encorajar o grupo frente às inúmeras perseguições pelo fato de
terem abraçado a fé em Cristo.
As ênfases da carta são: 3
• a preocupação amorosa de Paulo pelos seus amigos e amigas em
Tessalônica;
• sofrimento como parte da vida cristã;
• a necessidade de se realizar o próprio trabalho, não vivendo da generosidade
alheia;
• a ressurreição dos cristãos que morreram;
• a prontidão para a vinda de Cristo.
Observe que a carta de 1 Tessalonicenses, capítulo 1, começa com o nome
daqueles que a envia: Paulo, Silas e Timóteo; equipe missionária bem
conhecida naquela comunidade cristã. 
Em seguida, temos a exposição da conexão entre doutrina e vida prática, na
qual fica ressaltado as virtudes da fé, amor e esperança, como identidade da
formação integral e existencial abrangente dos discípulos de Jesus. Portanto,
as virtudes da fé, amor e esperança devem ser algo óbvio na vida daqueles
que se convertem ao cristianismo e seguem Jesus.
De fato, com o advento do cristianismo, tanto as virtudes intelectuais
(sabedoria, ciência e intelecto) quanto às morais (justiça, prudência, fortaleza
e temperança), apesar de importantíssimas para o “viver bem”, passaram a ser
harmonizadas pela percepção das três virtudes maiores, chamadas teologais:
fé, esperança e amor:4
1) Fé é a crença naquilo que não se pode deter prova, imediata e certa, pelo
viés sensível; é um salto qualitativo na ordem do saber, onde aderimos
confiantemente aoCriador, ao supremo Ser – inacessível às cogitações
humanas e passamos a ver tudo sobre sua ótica.
2) Esperança, em sentido resumido, constituía a crença, no que nos foi dito
por Cristo, em relação à vida eterna. Em nosso dia a dia formulamos as
indagações mais fascinantes e mais incômodas, tais como: Qual é o sentido
da vida? Será que o humano é resultado do acaso? Mas, pela virtude da
esperança obtemos as respostas mais interessantes, resolvendo as situações
contraditórias da vida, na qual é possível descobrir caminhos fascinantes pela
perspectiva da revelação bíblica e também a iluminação na busca de sua
própria vida.
3 FEE, Gordon; Stuart, Douglas. Como ler a Bíblia livro por livro. São Paulo: Vida Nova, 2013, p. 431.
4 AQUINO, Santo Tomás. Da justiça. São Paulo: Vide Editorial, 2012, p. 10.
3) Amor culmina na consideração do próximo, independente de sua condição
pessoal, como pessoa com dignidade semelhante à nossa, fazendo-a sentar
-se à mesa em que nos banqueteamos. O amor ao próximo é a regra de ouro,
a suprema e única norma de conduta.
O modelo ético cristão deve ser iluminado por estas três virtudes
fundamentais da revelação. Com efeito, a presença dessas virtudes na vida
dos tessalonicenses tornou preeminentes outras facetas desta trilogia em si.
São três evidências do progresso espiritual daquela comunidade: 1) a
operosidade resultante da fé, 2) a firmeza produzida pela esperança e 3) a
abnegação como expressão do amor.
Operosidade resultante da fé
Toda obra espiritual deve ser produzida pela fé, a qual produz boas obras em
nós. A palavra “fé” (do grego pistis) tem variados usos e significados. Em
algumas partes da Bíblia, ela aparece como “fé salvadora”, num sentido
pessoal, na qual a pessoa sabe no que crê. Em outros, como “conteúdo e
verdade que compõe a teologia cristã”, também como o “dom da fé”.
A fé presente nos Tessalonicenses era uma fé dinâmica e produtiva, que
crescia e era observável; tinha expressão e visibilidade; podia ser medida ou
avaliada. Era o tipo de fé que resulta em serviço.
A “fé” deles foi descrita como uma “obra” (Almeida Revista Corrigida). Isto
traz à nossa mente aquela ocasião em que perguntaram a Jesus: “Que faremos
para realizar as obras de Deus?” (Jo 6.28) e responde: “A obra de Deus é
esta: que creiais naquele que por ele foi enviado” (Jo 6.29).
Neste sentido, a fé consiste numa ação, num feito, porém, não é um labor
pelo qual acumulamos méritos ou algo de que se possa orgulhar. Trata-se, na
verdade, do único trabalho que o homem pode fazer sem “roubar” de Cristo
sua glória de Salvador e sem negar o próprio estado de pecador desamparado.
Esta fé é uma obra sem méritos, pela qual a criatura reconhece seu Criador e
o pecador reconhece seu Salvador. Assim, a expressão “operosidade da vossa
fé” consiste na vida de fé que se segue à conversão.5
De fato, à semelhança dos tessalonicenses, não podemos somente receber o
evangelho, mas devemos agir de acordo com a mensagem. Nossa fé deve ser
operante e útil; também pode ser apenas sentimental, mas deve manifestar-se
em boas obras e atos de serviços. Não são as boas obras que produzem fé,
mas a fé que desencadeia a produção de boas obras.
5 MACDONALD, William. Comentário bíblico popular. São Paulo: Mundo Cristão, 2008, p. 713.
Vemos em toda a Bíblia que fé e obra são inseparáveis, uma depende da outra
– fé sem as obras é morta! (Tg 2.20). Assim, a fé bíblica não é passiva, mas
esforço ou labor incomum que busca compreender e abraçar o que foi dado
em potencial, sendo expressão da maneira como se vive. Portanto, o discípulo
ou a discípula de Jesus precisa de esforços intensos, diante de circunstâncias
difíceis.
Existe contraste entre obra e trabalho. Enquanto a obra pode ser agradável e
estimulante, o trabalho muitas vezes implica um esforço tão árduo a ponto de
chegar à fadiga e até à exaustão. 6
Um dos grandes desafios do discipulado é combinar fé e obras, compondo
um modo de ser integral, no qual a pessoa use os sentidos para ver, olhar de
fato. Ouvir, escutar além do compartilhar, sentir a respiração da alma, do tom
da voz: ver, julgar, agir.
Fé é uma palavra bíblica que se refere tanto à crença intelectual quanto à
confiança ou ao compromisso em um relacionamento. Os autores bíblicos
geralmente não fazem distinção entre fé como crença e fé como confiança,
mas tendem a considerar que a verdadeira fé consiste tanto no que se crê (que
Deus existe, que Jesus é o Filho de Deus etc.) quanto no compromisso para
com uma pessoa digna de confiança e capaz de salvar (confiança na pessoa
de Cristo como meio de salvação).7
A firmeza produzida pela esperança
A palavra “Esperança”, aqui, trata da volta de Jesus. O conceito de firmeza é
uma alusão à paciência ou uma resistência persistente. 
Os tessalonicenses estavam sofrendo duras perseguições por causa da
valorosa defesa da causa do Senhor. Apesar disto, tinham uma vida cristã
ativa e viril como resultado da esperança que tinham Jesus Cristo. Jesus era o
foco deles. 
Quando Jesus é o foco da vida de um discípulo e discípula, sua esperança
inspira, dando-lhe suporte para os ataques dos oponentes e força, do alto, para
contra-atacar até alcançar a vitória.
De fato, os cristãos de Tessalônica tinham uma esperança viva na vinda de
Jesus. Eram fiéis consistentes, perseverantes, firmes e constantes,
manifestavam as propriedades e um conjunto de resultados de experiências
que pontuam a vida cristã normal.
6 NOVO comentário bíblico Novo Testamento. Rio de Janeiro: Central Gospel, 2010, p. 558. 7
GRENZ, Stanley. Dicionário de Teologia. São Paulo: Vida, 1999, p.57.
Jó, é um belo exemplo desse tipo de esperança, pois, mesmo atingido por
golpes atordoantes, e apesar de seus argumentos, não perdeu a fé em Deus.
Ele afirmou: “Porque eu sei que meu Redentor vive e por fim se levantará
sobre a terra” (Jó 19.25). É a esperança no desespero; uma resposta à dúvida
de Jó 14.13-14.
Sendo assim, Deus, segundo a esperança e certeza de Jó, livrou-o das
acusações infundadas dos seus amigos e mostrou-lhes a sua ação. Ou seja:
• mostrou que a vida de Jó estava nas mãos de Deus;
• que Deus é o seu redentor;
• sua esperança na vida e na morte.
Jó não era um servo do Senhor casuísta. Sua absoluta confiança tinha como
eixo principal sua fé no Deus Todo-Poderoso. Jó fluía uma certeza no meio
de tanta incerteza: “eu sei”. Ele viu Deus com os olhos da fé e do
entendimento espiritual, aceitando os planos de Deus para sua vida.
Certamente, Jó é o testemunho clássico de alguém que atravessou problemas
e encontrou Deus. Ele aprendeu a crescer através das provações. Se Jó
pudesse nos dizer alguma coisa, quanto aos seus problemas e experiência
com Deus, com certeza nos diria: o sofrimento teve maravilhoso poder de
produzir em mim um refinamento de caráter excelente.
Só permanece em Cristo aquele que nutre uma viva esperança. No Novo
Testamento as provações são os elementos estimuladores da fé perseverante.
Ou seja: as provações funcionam como disciplina de Deus em prol do nosso
aperfeiçoamento espiritual.
Neste processo de refinamento do caráter, só aprendemos a perseverar se
permanecermos firmes na fé cristã. Ser perseverante não significa ser
indiferente, aceitar passivamente o destino, não é resignação, não é uma
disposição obstinada, mas uma atitude de bravura inspirada por Deus, que
resiste com firmeza sob quaisquer dificuldades.
A verdadeira esperança não está firmada em um credo; não se trata de aceitar
apenas pelo intelecto algo que está escrito num papel que contém uma
declaração doutrinária, mas é uma fé que nos leva à entrega de nós mesmos,
para vivermos de acordo com a vontade de Deus.
É crer na existência de um Deus pessoal, infinito e santo, que tem cuidado de
nós, sabendo que pode ser “achado”, quando o buscarmos com sinceridade de
coração.
Não podemos vislumbrar nenhum tesouro espiritual, se a fé em Deus não
estiver viva e ativa em nossos corações.
A abnegação como expressão do amor
O que realizamos no Reino de Deus sempre deve estar motivado pelo amorde Deus. Somente o amor é capaz de nos levar à disposição de doar-nos
voluntariamente, ao serviço uns aos outros, de nos tornar livres e nos deixar
crescer cada vez mais, até que cheguemos à altura e profundidade de Jesus
Cristo.
Somente o amor é capaz de gerar em nosso coração os mesmos sentimentos
de Jesus para com as pessoas; é reviver a vida de Jesus com pleno amor,
tornando-se testemunha do amor de Deus.
A palavra “amor” (do grego Ágape) tem aqui uma conotação de amor cristão,
que se manifesta por meio de trabalho árduo. Este tipo de amor não se resume
apenas numa emoção - um sentimento, atração ou impulso passional, mas sim
em atitude.
Onde há amor - o verdadeiro amor - há espírito de doação, altruísmo,
participação efetiva e edificação mútua - não só de palavras, mas por obras e
em verdade.
Com efeito, o discipulado não tem, por essência, o puro saber, mas o amor. A
sua finalidade última não é a ciência, mas a edificação pelo afeto. O seu
motor não é a razão, mas o aprender que nasce do desejo. O seu horizonte
não é o conteúdo cognitivo ou busca da verdade, mas o sentido da vida.
Embora, o discipulado seja, evidentemente, a procura do saber pela via da
cognição, o itinerário do afeto e do emocional só alcança seu propósito
quando alavanca amor à pessoa em discipulado pela vida, seja pela sua
própria ou das outras pessoas. Ao realizar esse desejo mais profundo,
cumpre-se, plenamente, aquilo que Irineu de Lião disse: “a glória de Deus é o
homem completamente v i v o”.
O serviço do discípulo e discípula de Jesus deve ser motivado pelo seu amor.
O cristianismo não é uma religião que se afirma no dever, mas no servir a
uma pessoa por amor. Ser escravo de Jesus é desfrutar da verdadeira
liberdade.
Comparado com o amor, o que se produz com base na motivação pelo lucro
monetário é desprezível. O amor a Cristo produz mais serviço do que o dólar
jamais poderia inspirar. Os tessalonicenses eram uma prova viva desse fato.8
O que a igreja deixa como marca, por essência, é o amor; é o que ela precisa,
antes de mais nada, compreendê-lo e exercitá-lo. 
O amor manifesta-se em olhares, gestos, atitudes e, às vezes, em palavras.
Não importa a expressão. O importante é amar. Jesus olhou seus discípulos
com olhar de amor, falou-lhes amorosamente e idealizou-lhes um projeto de
amor.
8 MACDONALD, William. Comentário bíblico popular. São Paulo: Mundo Cristão. 2008, p. 713.
Frequentemente distingue-se entre a fé do coração (emocional) e a da mente
(racional). Diz-se que a pessoa pode crer racionalmente em fatos a respeito de
Deus e, apesar disto, se não tiver confiança no coração,estará a meio metro de
distância da salvação.Essa distinção,todavia,não é bíblica.Felizmente.Afinal,
como se pode distinguir teologicamente – sem falar na perspectiva
psicológica e anatômica – entre as atividades racionais e emocionais da
mente? A Bíblia faz distinção, sim, mas apenas entre a fé do coração e a
confissão dos lábios (Mt 15.7-9),entre o que se pode chamar de fé verdadeira
e fé falsa.9
Não existe fé cristã sem amor. A fé operante só pode ser acompanhada por
amor. Portanto, aquele que crê impulsionado pelo amor, busca compreendê-
lo.
Sem amor,porém,nada somos.Isso não significa que nos apro - fundarmos no
conhecimento torna-se irrelevante. No entanto, o amor tudo supera.Ainda que
tenhamos dificuldades, o amor em Cristo Jesus nos faz vencê-lo.10
Pensar naquilo que promove o amor parece ser, à primeira vista, não tão
difícil de entender, pois, todos nós queremos ser apreciado e amado. O difícil
é quando isto inclui nossos ”rivais”.
Amar é prazeroso e recomendável pela atração e encantos intrínsecos;
proporciona prazer a todos que estão ao redor, à semelhança de uma
fragrância preciosas. Edificando o emocional e o espiritual das pessoas.
O amor é o princípio ético por excelente. No qual se destacam a generosidade
desinteressada e oblativa, sem qualquer outro interesse ou possibilidade de
gozo e satisfação do que o próprio fato de exercer-se e colocar-se em
movimento em direção a outra pessoa.11
O que é amável não desmerece ou desqualifica o próximo; não faz acepção
de pessoas. Veja:
9 GUNDRY, Stanley. 5 perspectivas sobre santificação. Editora Vida: São Paulo, 2006, p. 183.
10 GERMANO, Altair. Pedagogia transformadora. Rio de Janeiro: CPAD, 2013, p. 22.
11 BINGEMER. M.C. A Igreja e os intelectuais: contribuição para a construção da sociedade.
Bauru/SP: Edusc, 
1997, p. 21.
O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não
se ensoberbece, não se conduz inconvinientemente, não procura os seus
próprios interesses, não se exaspera, não se ressente mal,não se alegra com
a injustiça,mas regozija-se com a verdade.O amor tudo crê, todo espera,
todo suporta.(1Co 13.4-7).
Os dez princípios, apresentados por Ted Engstrom12, que seguem abaixo,
ajudarão ao educador ou educadora a fazer do amor algo prático em seu
ofício de educar:
1) “Precisamos tomar a decisão de desenvolver amizades em que não
exigimos nada em troca”. Essa é a base para o amor bíblico, incondicional e
não manipulador.
2) “Deve haver um esforço consciente para nutrirmos um interesse autêntico
por outras pessoas”. Esse interesse deve procurar o benefício das pessoas e
não os nossos próprios interesses.
3) “Cada um de nós é uma criatura ímpar. Consequentemente, levaremos
tempo, e muitas vezes um longo tempo, para conhecermos uns aos outros”.
Tempo expressa amor de modo prático.
4) “Comprometa-se a aprender como ouvir”. Ouvir atentamente é difícil,
especialmente, quando a pessoa que está falando é monótona, mas isso
expressa amor genuíno.
5) “Simplesmente, esteja presente, quer você saiba exatamente o que fazer ou
não”. Investir tempo em pessoas demonstrará o seu cuidado. Cuidar é amar.
6) “Sempre trate as pessoas de igual para igual”. Ser um líder não faz de
alguém melhor do que ninguém, nem mais valioso, aos olhos de Deus.
7) “Seja generoso com elogios legítimos e encorajamento”. É impossível
demonstrar amor através de criticismo amargo e depreciação. Os elogios
carregam a mensagem oposta.
8) “Faça de seus amigos prioridade, preferindo-os antes de si mesmo”. O
amor não pode ser praticado sem demonstrar o valor de seus amigos.
Considerar cada um superior a si mesmo é uma ordem do Senhor (Fp 2.3).
9) ‘’Aprenda amar a Deus com todo o seu coração, alma, mente, e força.
Depois, ame seu próximo como a si mesmo”. O Senhor deixou claro que
amar ao próximo está ligado com amar a Deus.
10) “Enfatize as qualidades e virtudes das pessoas, não seus pecados e
fraquezas”. Pecadores, somos todos; então, é importante que uma liderança
não dê a impressão de que é perfeita, sem pecados.
12 SHEDD, Russel. O líder que Deus usa: resgatando a liderança bíblica para a Igreja no novo milênio.
São Paulo: Vida Nova, 2000, p. 65.
A trilogia: fé, amor e esperança, manifesta a genuinidade do cristianismo
puro e simples. São realidades interiores que se expressam em atividades
transformadas em labuta amorosa e resistência sob pressão. Estes três
atributos do verdadeiro cristianismo estão firmados na Pessoa de Jesus.
A verdadeira fé se mostra por obras correspondentes; mas meras “boas obras”
que não emanam da fé.Carecerão de frutifica- ção espiritual: o amor
divinamente implantado fará surgir ações vigorosas de grande custo; motivos
menores que estes fracassarão sob prova.A esperança cristã manterá os
homens firmes sob tensão; o mero idealismo humano esfacela-se sob pressão.
13
13 AIRHART, Arnold. Comentário bíblico Beacon. Rio de Janeiro: CPAD, p. 361.
Capítulo 2 As bases na formação discipuladora de Jesus
“porque o nosso evangelho não chegou a vocês somente em palavra, mas
também em poder, no Espírito Santo e em plena convicção. Vocês sabem
como procedemos entre vocês, em seu favor”.
1Ts 1.5
O discipulado se apresenta no Novo Testamento sob uma forma prática,
espelhada em Jesus. Todas as suas categorias centrais encontram-se
reflexivamente ligadas entre si e, concretamente, percebível na relação de
Jesus com os doze, numa dimensão espiritualfirmada nos valores do
Evangelho do Deus. Essa relação diz especial respeito à questão da vivência
cristã.
Neste sentido, o Evangelho - método eficaz de Jesus - é reconhecidamente a
base da formação espiritual dos discípulos de Jesus. O Evangelho a que me
refiro, não é o evangelho escrito, mas o evangelho vivo que é Jesus, o qual
precisa ser acolhido e vivido no seu dinamismo até as exigências mais
radicais.
Foi este evangelho que chegou à Tessalônica e trouxe um grande resultado
espiritual. Quando a equipe missionária, liderada por Paulo, chegou na
cidade, não havia cristão ali; quando saíram, ficou uma igreja pujante e
crescente, com forte presença de conteúdo do evangelho.
Quando Paulo e sua equipe levaram a mensagem às pessoas, não fizeram com
palavras persuasivas. Utilizaram palavras, mas Deus usou essas palavras,
envolvendo-as com poder do alto.
Quem acolhe o evangelho sabe da sua natureza sobrenatural. A ação divina
disponibiliza e nos coloca a serviço do Reino e sob obediência ao mesmo
evangelho e à igreja local. Só “permanecendo” no evangelho podemos nos
tornar perfeito em Cristo e conhecedor da Verdade.
Assim, de nós mesmo, não podemos persuadir ninguém quanto o abraçar a fé
em Jesus Cristo; é uma obra do Espírito. Podemos, sim, compartilhar o
evangelho, mas a pessoa precisa abrir o coração e crer na mensagem,
combinada com a ação do Espírito Santo, que tem poder para convencer e
iluminar, para uma vida de radicalidade e de intensidade cristã, que remete
para uma fonte interior que, quem discípula deve ter o cuidado de defender e
valorizar.
Ao mencionar “ nosso evangelho”, Paulo não está insinuando que sua
mensagem fosse diferente da dos outros apóstolos. O conteúdo é o mesmo: a
diferença está nos mensageiros.14
Portanto, à semelhança dos tessalonicenses o discípulo e discípula de Jesus
contemporâneo, não deve tratar a mensagem evangélica como mera leitura
religiosa; pois não é. Nos seus diversos aspectos, a formação de um discípulo
tem um caráter essencialmente espiritual, mas que também assegura a
formação humana e intelectual.
1) “Em poder”, não com mero 
raciocínio ou eloquência humana.
De fato o “ poder” de Deus (do grego dinamis, uma dinamite espiritual) não é
produzido artificialmente. O Evangelho precisa operar poderosamente na
vida dos discípulos produzindo, primeiro, convicção do pecado,
arrependimento genuíno e confissão.
A persuasão humana não é capaz de gerar novas criaturas ou novos
discípulos e discípulas de Jesus. A mensagem de Paulo estava embasada na
Verdade de Deus, não em “motivos impuros” como diziam seus acusadores
(1Ts 2.3-4). Paulo não pregava a Palavra tentando “pegar as pessoas com
isca”, com tapeação, astúcia, artifício ou argumento falso com o propósito de
induzir ao erro.
Na época em que a carta de Paulo aos Tessalonicenses foi escrita, havia certo
tipo de pregador itinerante, chamado sofista. Eram pregadores de sofismas
(do grego Sóphisma - “sutileza de sofista”). O sofisma era um argumento
aparentemente válido, mas, na realidade, não conclusivo, e que supõe má-fé
por parte de quem o apresenta.
Se existe um “erro” na história da igreja, do qual temos de tirar algumas
lições, é a negligência da responsabilidade da pregação expositiva da Palavra.
A Palavra de Deus quando proclamada com fidelidade tem poder; ela é
instrumento do Espírito Santo para realizar a obra da graça. A Palavra é
suficiente.
O evangelho não é apresentação de uma ideia, mas a operação de um poder.
Quando o evangelho é pregado, o poder de Deus está em operação para a
salvação da humanidade, tirando-a dos poderes de destruição e transferindo-a
para a nova vida.
14 MACDONALD, William. Comentário bíblico popular. São Paulo: Mundo Cristão. 2008, p. 713.
Pregadores que se especializam em apelos sentimentalistas, que
impressionam e enganam as mentes incautas, estão mais para vendedores de
“indulgências” religiosas, do que para expositores da Palavra. Eles se
fundamentam em métodos e técnicas, muitas delas duvidosas. Podem até
possuir uma boa homilética, mas não têm o poder capaz de converter os
ouvintes dos “ídolos” ao Deus vivo e verdadeiro.
2) “No espírito santo”, não na energia da carne.
Qualquer ação na igreja, inclusive o discipulado, que seja desprovida do
poder produzido pelo Espírito Santo, se torna um “artifício” humano; é fogo
estranho, não vem do céu. Sabe do que nós precisamos hoje? É de uma
postura evangélica, isenta de relativismos e comprometimentos com a carne.
Paulo anunciou o evangelho no poder do Espírito Santo, ao invés de utilizar
as técnicas comuns que os gregos usavam para controlar a mente. Ele sabia
que uma pregação baseada apenas nesses artifícios humanos não promovia
mudança de vida; a mudança só ocorreria por meio do ato regenerador
proveniente do Espírito Santo, assim, o pecador pode realmente experimentar
mudanças radicais em seu interior.
Jesus utilizou o termo grego allon traduzido como “outro”, ao falar da vinda
do Espírito Santo (Jo 14.16), que quer dizer “outro do mesmo tipo” ou
semelhante a Jesus por natureza divina. Esta é uma promessa de consolo para
aqueles que creem em Cristo, que amam e guardam a sua Palavra. Ora, não
poderia haver consolo maior do que ouvir Jesus dizer: “Naquele dia
compreenderão que estou em meu Pai, vocês em mim, e eu em vocês.” (Jo
14.20).
O que Jesus quer que os discípulos entendam é que como ele é uma pessoa, o
Espírito Santo deve também ser uma pessoa, tal como Jesus. O Espírito Santo
representa Jesus assim como Jesus é o representante do Pai. Encontramos
consolo na pessoa do Espírito Santo porque a sua natureza é ser Consolador.
Sempre que precisarmos de conforto, ele estará junto de nós para ajudar em
todas as nossas necessidades. Realmente, como prometeu Jesus, não estamos
órfãos (Jo 14.16-18). O Espírito Santo viria e daria continuidade a obra
magnífica de Jesus entre os homens e a principal obra do Espírito, nesta
esfera, é convencer “o mundo” de que a única solução é Jesus Cristo.
8Quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo. 9Do
pecado, porque os homens não creem em mim; 10da justiça,
porque vou para o Pai, e vocês não me verão mais; 11e do juízo,por- que o
príncipe deste mundo já está condenado.(Jo 16.8-11)
Jesus afirma que, quando o Espírito chegar, convencerá o mundo incrédulo.
O verbo “convencerá”, significa persuadir, expor os fatos, levar a crer ou
aceitar. Como o Espírito Santo convence os ímpios? Através dos cristãos!
Nossas palavras, atitudes ou maneira influenciam as pessoas positiva ou
negativamente.
Evangelizar por meio do exemplo, com a própria postura é uma atitude
eficaz. Portanto, um bom discípulo de Jesus não é aquele que dá bons
conselhos, mas sim que, a luz de Deus, e sua sabedoria, é exemplo de cristão
autêntico.
Agora, vejamos outras três expressões que aparecem na sequência textual de
João 16.8-11. Em primeiro lugar, o Espírito Santo nos convence do “pecado”,
especialmente o pecado da incredulidade ou da rejeição a Pessoa de Jesus.
Este é o grande mal do mundo estar condenado no pecado por não crer em
Jesus Cristo.
O texto aponta que o Espírito Santo irá expor o pecado do mundo, despertar
na consciência da humanidade o conhecimento de sua natureza pecaminosa e
mostrá-la que não pode chegar a Deus sozinho, visto que está
irremediavelmente perdida.
A humanidade, por si mesma, não tem a mínima condição de compreender a
natureza de sua incredulidade. Somente o Espírito mostra às pessoas sua
condição de incredulidade em relação a Cristo, despertando a sua consciência
de culpa que leva ao verdadeiro arrependimento e, só assim, haverá genuína
conversão.
Como o Espírito Santo faz isto? Constrangendo o pecador, tornando-o
consciente da sua incredulidade, mostrando que não há nada em Jesus Cristo
que o torne impossível de crer. O pior de todos os pecados é não crer em
Deus.
Incredulidade é o único pecado que as pessoas se perdem definitivamente. A
responsabilidade da pessoa cristã é proclamar o evangelho, meio pelo qual o
Espírito Santo utilizapara convencer a humanidade de sua incredulidade.
Em segundo lugar, o Espírito Santo nos convence da “justiça”. Observe que
não é da injustiça, mas da justiça! A justiça do mundo é muito diferente da
justiça de Deus! Que justiça é esta? Jesus Cristo é a justiça de Deus. Foi
graças a sua vida reta, justa e sem pecado que o Senhor Jesus satisfez
plenamente o Pai.
Deste modo, o Filho cumpriu toda justiça divina com sua morte e
ressurreição, e nos tornou justificados (Rm 3.21-26; 4.25). Assim, a justiça de
Deus não se expressa no fanatismo religioso, nem nos cerimoniais e rituais da
religião judaica.
Quando o homem crê em Jesus, a justiça de Deus lhe é imputada. O Espírito
Santo faz com que toda a pessoa incrédula reconheça este padrão de justiça!
Na Pessoa de Jesus Deus estabeleceu um novo conceito de justiça, que foge
da questão do fazer e não fazer.
Em terceiro lugar, o Espírito Santo convence do “juízo”. O método de juízo
do mundo é oposto ao juízo divino. Observe a referência ao “príncipe deste
mundo”, como personificação do mal, o qual pela cruz de Cristo foi vencido
e julgado.
Satanás está derrotado e não pode deter a vitória daqueles que creem. Deste
modo, não precisamos temer o juízo de Deus, pois em Cristo fomos feitos
“justiça de Deus” e salvos da “ira futura” (2Co 5.21; 1Ts 1.10).
Todo aquele que rejeita a Jesus Cristo como Salvador pessoal compartilhará
do terrível julgamento no fim dos tempos, o juízo vindouro. Aqui fica claro o
poder espiritual da Igreja, Corpo de Cristo, dentro do mundo.
Portanto, não estar do lado de Jesus implica ficar do lado do diabo e está
condenado. Portanto, este é o juízo que fala da libertação das garras de
Satanás, que já está julgado pela cruz de Cristo; sua sentença final virá mais
tarde (Ap 20.1-3 e 10).
3) “Em plena convicção”, não no profissionalismo humano.
O discipulado é prático e vivencial. Implica em convicção de coração. À
semelhança de Paulo e sua equipe, precisamos nutrir grande confiança no
poder transformador do evangelho, pois se trata da Palavra viva de Deus.
O estilo de vida dos discípulos de Jesus deve confirmar a mensagem que
anunciam. O discipulado é uma obra divina que tem como finalidade modelar
os futuros discípulos e discípulas ao caráter de Jesus, e isto perpassa pela
“plena convicção”.
Paulo tinha uma convicção pessoal e uma confiança inabalável naquilo que
falava. Sua plena segurança de fé e convicções estavam moldada pela
imutável Palavra de Deus, não pela mutável cultura da época. O apóstolo não
apenas anunciava as Boas-Novas, como também levava uma vida coerente
com aquilo que pregava, expresso num discurso sempre pautado no
seguimento de Jesus Cristo.
Charles Spurgeon disse que quando nosso evangelho é pregado, completo e
poderosamente, e o Espírito Santo é enviado dos céus, nossas igrejas não só
retêm os seus membros, mas ganham novos convertidos; quando desaparece
o que constitui a força e a essência, o evangelho é encoberto e a vida de
oração é menosprezada e tudo se transforma em mera aparência física e se
torna ficção.
Capítulo 3 O foco do discipulado na igreja local
“De fato, vocês se tornaram nossos imitadores e do Senhor, pois, apesar de
muito sofrimento, receberam a palavra com alegria que vem do Espírito
Santo”.
1Ts 1.6
Com efeito, o testemunho de vida e as palavras das pessoas que discipulam
devem estabelecer o padrão de novos relacionamentos e novos estilos de
vivência cristã.
Os Tessalonicenses haviam imitado o exemplo de Paulo e de Jesus. Isto lhes
dava condição de ser modelo para as pessoas.
Na Bíblia a palavra imitação não tem apenas o significado de copiar; está na
base de toda a vida cristã e pressupõe reproduzir a Cristo por meio de
pessoas. O engajamento no seguimento de Jesus implica compreender a
profundidade e a relevância do seguir e do imitar. Imitar é participar.
Entre os primeiros discípulos, Jesus concedeu a esta palavra uma importância
fundamental, compreendendo-a como uma espécie de produtividade via
seguimento, ou seja, reprodução.
Jesus transformou o discipulado num projeto de vida. Ele falou do “jugo” do
discipulado (Mt 11.29-30), como algo leve e suave. Em outra parte, ele
afirmou: “Eu lhes dei o exemplo, para que vocês façam como lhes fiz” (Jo
13.15).
Os rabinos, do tempo de Jesus, frequentemente falavam acerca de tomar
sobre si “o jugo da Lei”, e sob a orientação deles, aquele fardo poderia se
tornar pesado. O “jugo” de Jesus, ao contrário, é suave, não porque seu
chamado ao discipulado seja menos exigente, mas porque esse jugo nos torna
pupilos daquele que é “manso e humilde de coração” (Mt 11.29).
O discipulado de Jesus, portanto, reside no convite pessoal: “vinde a mim”
(Mt 11.28). Este não é um convite para uma religião, mas para um
relacionamento. A opressão religiosa gera peso e dúvida. A “dúvida”, quando
causada pela ação inescrupulosa de líderes que só se importam consigo
mesmos, oprime a alma do indivíduo. O melhor caminho mesmo é aprender
de Jesus.
Quando o Evangelho de Cristo chega com poder no Espírito e em plena
convicção, gera uma profunda ruptura com o passado e estabelece os
alicerces de uma nova vida que prevalece. Daí em diante, Cristo é formado
no cristão; eles passam a produzir frutos para Deus, pois os ídolos são
deixados e as práticas erradas são abandonadas.
Hoje em dia, constituiu-se uma nova finalidade do sistema cristão que versa
no desenvolvimento de habilidades e satisfações meramente humanas. Em
alguns contextos, o discipulado é definido como referência a um período
especial da vida cristã, a qual uns chamam de primeiros passos, outros de
fundamentos, outros de integração etc. Esta maneira de ver o discipulado,
exclui a ideia de projeto que cobre toda a vida e tem relação com a
eternidade. 
Nasce assim a cultura do discipulado genérico, despersonalizado e sem o
mistério. Então, com a negligência desses fins últimos, o discipulado tem
perdido o seu brilho e encantamento, por isto tem se evanescido em questões
irrelevantes e se desviado em generalidades.
Certos círculos que se julgam preocupados com o discipulado de Jesus, não
enxergam que são reféns de sabedorias humanas, de boa gestão e de critérios
formais de alta performance. Não podemos identificar tais expressões como
discipulado de Jesus.
Para ser discípulo, é preciso renunciar à procura de segurança, deixar de
confiar em si mesmo,ou em qualquer criatura,aceitar a insegurança,
reconhecer-se injusto, pecador... É preciso destruir em si mesmo essa
impaciência de estar com a razão que parece inata na criatura humana.15
O discipulado foi confiscado, através dos séculos, pela ideia do ensino como
aprendizado de conhecimento e habilidades instrumentais, em detrimento da
virtude da sabedoria e dos relacionamentos comprometidos e pessoais.
Entretanto, na atualidade, emerge um novo horizonte de necessidades do
discipulado que não são meramente funcionais nem pode ser confundidas
com aprendizagem ou instrução, mas que solicitam respostas sobre o
significado da vida. Com isso, o discipulado já não pode ser entendido como
adaptação às exigências departamentais das igrejas ou instituições
eclesiásticas, nem como realização de personalidades autônomas e crítica.
Em síntese, o discipulado praticado hoje, se comparado ao modelo de Jesus,
encontra-se desfigurado e evanescente, por ter progredido mais em conteúdo
didático do que em sabedoria; mais em exposição bíblica ou preleção que em
diálogo; mais nos modelos estratégicos que no sentido vivencial; mais em
organizações do que em presença encorajadora.
15 COMBLIN, José. A fé no Evangelho. São Paulo: Paulus, 2010, p. 31.
Imitando quem é mais maduro
A imitação é própria de um discípulo e discípula. Sua essência e a existência
(o ser e o agir) requerem um exemplo de ação, um modelo para seguir,
adaptando-o às circunstâncias.
Com efeito, o meio pelo qual ocorre a imitação são as pessoas. Com isto em
mente, ressaltamos algumas proposições conceituais:
1) Conceito bíblico de discipulado não significa mera reprodução de
conteúdo;
2) A imitação éuma representação que resulta de um processo específico de
construção do ser a partir de princípios e valores cristãos, que visam efeitos
transformadores;
3) A imitação compõe-se de elementos estruturais definidos, dos quais o mais
importante é a figura da pessoa discipuladora;
4) A construção da imitação é formalizada na e pela pessoa discípula e da
discipuladora, na qual o currículo, a priori, é a vida de ambos.
O discipulado situa-se à imitação nas fronteiras ilimitadas do “possível”
lógico, casual e necessário. Portanto, quando Paulo afirma “vocês se
tornaram ossos imitadores” (1Ts 1.6) é para indicar um momento decisivo na
jornada cristã dos tessalonicenses. Aponta para uma experiência autêntica.
O mais difícil, os tessalonicenses já tinham: referenciais verdadeiros para
imitá-lo na fé. Todo verdadeiro discípulo e discípula de Jesus deve ser capaz
de repetir como Paulo disse: “Sede meus imitadores, como eu sou de Cristo”
(1Co 11.1). Isto é a imitação da imitação da verdadeira realidade original.
A permanência de Paulo e sua equipe em Tessalônica (no mínimo três
semanas) foi extremamente proveitosa; muito frutífera (1Ts 2.1). Ter uma
“vida frutífera” é a mais bela expressão que se pode dizer sobre a vida cristã,
especialmente no discipulado. Frutos são o efeito da atividade. Paulo
transformou o discipulado via imitação numa produção objetiva e de
profundo impacto existencial.
As igrejas implantadas por ele tinham este modelo vivo. Seus discípulos eram
pessoas que levavam outras pessoas a Cristo, por meio da mensagem das
Boas-Novas e do próprio exemplo virtuoso.
Eram gente que, à semelhança do apóstolo, se concentravam em Cristo e
refletiam sua imagem. Assim, o discipulado está vinculado a uma origem
divina e misteriosa. Nesta concepção, imitavam Jesus no conteúdo ou
princípios ensinados, na Pessoa ou estilo de vida.
Mas, o que eles observaram em Paulo durante aquele curto período? Viram o
amor sacrificatório (1Ts 2.7). A metáfora da “mãe” diz tudo. Com esta
representação, Paulo comunica a ideia de que, quem ama se entrega
incansavelmente.
Um coração de mãe é um coração que acolhe, nutre, cuida, consola e ajuda
filhos e filhas a dar os primeiros passos. Ninguém pode dar aquilo que não
tem. Por isso, precisamos desenvolver um coração de “mãe”, que se relaciona
de forma branda, afetiva e carinhosa.
De fato, o nível de entrega de Paulo aos Tessalonicenses foi tão profundo
que, além da mensagem do evangelho, ele doou-lhes a própria “vida”.
Envolvimento de coração e alma. Um amor altruísta. Uma oferta meiga e
generosa. Pessoal e total. Ao invés de conseguir algo para si próprio, ele
procurou entregar-se a si mesmo (1Ts 2.8). Ele doou o sangue. Doou a vida.
Não reteve nada! Este é o tipo de discipulador ou discipuladora que a igreja
precisa!
Nesta mesma perspectiva, em 1 Tessalonicenses 2.11-12, Paulo usa a figura
do “pai” para comunicar o conceito de afeto, compreensão, interesse, firmeza
e disciplina. Esta é uma relação de discipulado, de cuidado individual (cada
um/uma), norteada pela amizade e confiança mútua, onde se pode evocar o
testemunho dos discípulos quanto ao seu comportamento entre eles.
Como discipuladores, somos chamados a reverter a tendência egoísta de tal
maneira que o bem-estar do outro seja uma prioridade. Não existe
discipulado sem a marca da doação. A Palavra de Deus exige que
renunciemos, voluntariamente, nosso inegável direito de dependência
daqueles, cuja prosperidade espiritual, é resultante de nossas ministrações.
Sendo, pois, os Tessalonicenses “boa terra”, por receberem a boa semente e a
reproduzirem, tornaram-se verdadeiros discípulos de Jesus; uma espécie de
“cópias vivas” do povo de Deus que ali levou a Palavra, pregou o que vivia e
vivia o que pregava.
À semelhança de Paulo, as ações dos discipuladores não podem ser
orientadas por comportamento carnal, acompanhados de falsas honrarias,
falsos elogios, com segundas intenções para enganar os incautos.
Alguns, hoje, têm utilizado a capa da bajulação para conseguir se promover,
vantagem egoísta e glorificação de si mesmo. São lobos em pele de ovelhas
que, com suas ambições mundanas, procuram fisgar as pessoas, com o
pretexto do serviço a Deus.
Imitantes do Senhor Jesus Cristo
O conceito da imitação é a busca por um significado. Este lhe é emprestado
tanto pela pessoa que discipula quanto, principalmente, pela discipulada. Em
poucas palavras, a realidade final da imitação é a perfeição cristã. Nisto, o
objeto da imitação é Cristo, representado por quem se tornou mais maduro
em ação.
As pessoas que alcançam tal maturidade em ação, tornam-se referências (1Co
11.1; Cl 3.17). Uma vez assumida esta condição, esta pessoa se “distingue”
em matéria de responsabilidade em relação às outras.
Assim, no discipulado de Paulo, a imitação não tinha uma alusão “estética”
do mundo exterior, mas de realidades espirituais e morais do ser. Visava à
essência das coisas do reino de Deus e se afirmava como representação do
que “poderia ser”, levando os discípulos para o alvo que era crescer no
caráter de Cristo.
Hoje, este alvo não é um ilusório ideal filosófico que está distante das mais
altas exigências pedagógicas e morais da Bíblia, mas algo absolutamente
possível.
Essa imitação não é de aparência, mas de visão e caráter. Vem de dentro, pois
o Senhor habita em nós. Os cristãos de Tessalônica estavam sendo moldados
pelo caráter de Cristo demonstrado em Paulo e seus companheiros. Na
prática, dirigente de cultos gera dirigentes de cultos; professor de escola
dominical gera professores de escola dominical, administrador gera
administradores; discípulo de Jesus gera discípulos de Jesus. Se as pessoas
lhe seguirem, elas irão encontrar a Cristo?
O que teria corroborado para os tessalonicenses virem a ser fiéis imitadores
de Jesus? Teria sido apenas aquelas poucas semanas de Paulo e sua equipe
em Tessalônica? Certamente que não! Acredito que a estadia posterior do
jovem Timóteo à cidade trouxe tremenda contribuição ao processo, pois sua
missão se resume assim: “[...] para, em benefício da vossa fé, confirmar-vos e
exortar-vos” (1Ts 3.2).
Com a chegada de Timóteo à Tessalônica, os crentes não se sentiram mais
órfãos; agora havia alguém para lhes dar um abraço afetuoso, um olhar de
aceitação e disponibilizar seus ouvidos às queixas e sofrimentos deles. De
fato, nos momentos de pressões da vida, nada substitui a presença física
daqueles que amamos.
Tal como em Tessalônica, muitas comunidades hoje estão precisando de um
“enviado” como Timóteo, alguém incumbido de confortar corações aflitos e
calejados pelas lutas diárias. Todos nós, em algum momento de nossa vida,
temos necessidade de um “Timóteo”; uma pessoa acessível e que chegue
junto com o propósito de cuidar. 
Certamente, Timóteo colocou em prática uma atitude comum nas
comunidades do Novo Testamento: comer e beber juntos à mesa. É assim que
deve funcionar o discipulado!
Timóteo sabia que o ato de sentar-se à mesa com outra pessoa vai além de
tomar uma refeição. Comer é uma forma de comunhão; é um símbolo de
encontro de vidas. É na mesa que todos se sentem família. 
Não estou falando de ir à casa das pessoas motivados apenas para comer.
Refiro-me ao “estar juntos”, confortar e estimular a fé. Muitas pessoas
passam pela vida no anonimato, na obscuridade. Aos olhos do mundo, não
são ninguém. Essas pessoas, às vezes, só querem ser ouvidas, querem sentir-
se parte, sentir-se família e a igreja deve fazer esse papel: fazer com que as
pessoas se sintam família na fé.
A revelação divina e a realização humana “[...] receberam a palavra com
alegria que vem do Espírito Santo”. (1Ts 1.6)
Reencantar o discipulado significa vivenciar as implicações da revelação da
Palavra de Deus. Este é o primeiro degrau para seguir Jesus, cujos processos
de aprendizado e os processos vitais são, no fundo, as mesmas coisas. Trata-
se de um encontro, desde sempre marcado, do viver e do aprender enquanto
formação espiritual.
O breve trabalho de Paulo e sua equipe em Tessalônica foi o suficiente pararevelar Jesus Cristo por meio da mensagem do evangelho. Deus se revela a
humanidade, abre-lhe as cortinas dos céus e a convida a entrar em comunhão
com ele, na medida em que não apenas lê a sua Palavra, mas pratica o que ela
ensina.
A Bíblia não é subproduto dos pensamentos humanos acerca das coisas de
Deus, mas os pensamentos de Deus revelado ao seu povo, santo e temente a
ele (2Pe 1.20-21).
A relação dos tessalonicenses com a Palavra não se reduziu ao simples ato de
ouvir, porém, à semelhança do apóstolo João (Ap 10.9-10), experimentaram
“o comer o livro”, engolir tudo, mastigar, assimilando-o nos tecidos da vida.
Assim, o Espírito Santo testificava em seus corações, com indizível alegria.
Sem dúvida, que os tessalonicenses usufruíram daqueles seis efeitos da
Palavra de Deus descritos no Salmo 19.7-10:
1) “Restaura a alma” (v. 7). Refere-se à restauração espiritual. É o poder
terapêutico da Palavra de Deus, curando e transformando nosso ser interior.
2) “Dá sabedoria aos simples” (v.7). Somente a Bíblia instrui sobre a
habilidosa arte de viver a vida com sabedoria do alto e bom senso.
3) “Alegra o coração” (v. 8). Quando a Bíblia é ministrada ao nosso coração
promove a verdadeira alegria e gozo duradouro em nosso interior.
4) “Ilumina os olhos” (v. 8). A Palavra de Deus tem poder para nos trazer luz
e entendimento das coisas obscuras e confusas, sendo lâmpada para nossos
pés e luz para o nosso caminho.
5) “Permanece para sempre” (v. 9). A Palavra é imutável e relevante para
nossa vida em qualquer época, diante de quaisquer circunstâncias.
6) “Mais desejáveis do que o ouro” (vs. 9-10). Para o cristão, a Bíblia deve
ser infinitamente mais preciosa do que qualquer outra coisa no mundo.
Capítulo 4 Uma reprodução de alto impacto
“Assim, tornaram-se modelo para todos os crentes que estão na Macedônia e
na Acaia”.
1Ts 1.7
Quem começa como os tessalonicenses, na condição de imitadores, logo se
torna exemplo. Uma coisa leva a outra. Sobressai o caráter da ação e é
ativado o princípio regulador da imitação. Vemos isto com os
Tessalonicenses.
O texto diz que eles se tornaram discípulos-modelo, a começar pelo fato de
poderem sentir alegria em meio à tribulação (1Ts 1.6). Com efeito, o
discipulado não se circunscreve aos conceitos teóricos, mas vivencia a
prática, independente das circunstâncias.
A palavra “ modelo” (do grego typos) originalmente significa marcas
visíveis, cópias, imagem padrão e, por consequente, modelos que outros
poderiam imitar. O termo, em 1 Tessalonicenses 1.7, está no singular,
considerando a igreja como um todo; e o “vos” está no plural, apontando para
cada cristão, como indivíduo. Assim, a imitação também é, por si mesma, um
processo bíblico de ação contínua; uma operação que transforma o ser de
dentro para fora.
A imitação é um movimento dinâmico e uma atividade produtora que
transpõe limites religiosos. Esse caráter dinâmico do agir por imitação não se
completa, mas se expande em gerações de discípulos e discípulas que sempre
necessitarão da atividade de uma pessoa discipuladora, quer através de
leituras, encontros de grupo ou assessoria individual, para ir se reproduzindo.
Vemos também em Filipenses 3.16-17, Paulo, após declarar “ sedes
imitadores meus”, afirmar “observai os que andam segundo o modelo que
tende em nós”, ou seja, ele não está sozinho no tocante a ser exemplo aos
Filipenses; havia alguns outros modelos, como Timóteo e Epafrodito (2.19-
30), líderes bem conhecidos da igreja de Filipos: exemplos de vida cristã para
aquela comunidade.
Não há dúvida que, além desses, havia muitos outros que faziam parte deste
time de cristãos a ser imitados. Com efeito, a imitação, corresponde a um
processo de construção, ou seja, o discípulo ou discípula em ação através de
meios direto ou indireto de pessoas iguais a nós.
A imitação pode ser processada de dois modos: observar princípios e seguir
modelos vivos. Assim:
1) Envolve uma aprendizagem (conhecimento) persuasiva e crível,
subordinada a princípios bíblicos;
2) Uma identidade (modelo vivo) que decorre encantamento e emoção,
suscitando com intensidade os sentimentos de temor e piedade que a imitação
provoca.
Desta forma, o caráter do discipulador é chave: deve marcar pela grandeza de
sentimento (bondade) e pelo equilíbrio do bom senso (coerência). A questão
da imitação de um modelo vai além de um número de exemplos individuais
da vida cristã, mas, melhor dizendo, ao padrão único de resposta à Palavra de
Deus. Consiste, a priori, numa disposição de obedecer às Boas-Novas e crer
em Cristo como o Messias prometido no Antigo Testamento que Paulo
elogiava.
Já vimos que Timóteo foi enviado por Paulo a Tessalônica (1Ts 3.1-6) e que
partilhou com aquela comunidade o que havia recebido de Paulo (2Tm 2.2).
Observe que Paulo não estava falando de doutrinas, mas de verdades
espirituais encarnadas no seu estilo de vida como discipulador.
Como sabemos,
A partir de Paulo, tem havido uma ligação de discípulo a discípulo, de
geração a geração. Precisamos manter esta ligação intacta. Paulo estava
dizendo a Timóteo que transmitisse o que já tinha sido provado como
verdadeiro e confirmado por muitas teste- munhas confiáveis.16
Assim, a imitação reúne duas exigências:
1) A reprodução reconhecida do modelo que reforça o viver a verdade de
Deus;
2) A elevação moral e ética ou crescer no caráter cristão.
Portanto, não é suficiente conhecermos a sã doutrina; é preciso depositá-la,
de forma vivencial, na vida uns dos outros e certificar que quem a recebe está
apto para depositar da mesma forma na vida das outras pessoas. A rigor, o
discipulado cristão não consiste em lições ou segredos transmitidos em
particular, consiste num compartilhar de vidas. Toda vez que investimos,
assim, na vida de alguém começa um processo que, idealmente, nunca
terminará. Isto tem algumas implicações do “possível”, que se dimensiona:
16 COMENTÁRIO do Novo Testamento: aplicação pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 2009, p. 526.
• na realidade presente ou passada – as coisas como são ou eram;
• na opinião pública – como dizem que são ou parecem ser;
• na situação ideal – como deveriam ser.
Deus deseja que nos tornemos exemplos de alto nível de excelência. Portanto,
assim como Timóteo, não olhe para sua fraqueza, sua timidez e sua
vulnerabilidade, nem se importe com o que pensam e dizem a seu respeito,
apenas dê o primeiro passo rumo ao exercício da piedade, fortificando-se na
graça que está em Cristo Jesus!
Ao relembrar ao jovem Timóteo do caminho do discipulado (2Tm 3.10-13),
Paulo faz um lembrete histórico, onde faz uma lista de virtudes que é o
oposto aos itens vistos nos versículos 2 a 4.
O apóstolo apresenta uma espécie de currículo vivencial do discipulado
cristão, com nove artigos espirituais que Timóteo já havia recebido de Paulo
durante muitos anos de caminhada do discipulado.
Paulo está fazendo Timóteo lembrar-se não somente de que ele “conheceu
plenamente” ou “observou” a doutrina e a conduta do apóstolo, como se fosse
um mero estudante imparcial ou um observador desinteressado, mas também
de que ele se tomou um dedicado discípulo seu.Sem dúvida no início ele teve
dificul- dades para entender o sentido da instrução dada por Paulo, mas foi
em frente. Ele se apossou do ensino, creu nele, absorveu-o e viveu de acordo
com o mesmo. Do mesmo modo começou, sem dúvida, por observar o modo
de vida do apóstolo, mas depois passou a imitá-lo.17
Desta forma, a expressão “ tem seguido de perto” significa “estudar de
perto”, trata-se de um termo técnico que descrevia a estreita comunhão entre
o mestre e o aluno. Isto implica em imitar – imitação e composição de ações.
Ou seja: Timóteo observava o ensino e o exemplo de Paulo, por um longo
período de caminhada de duas vidas entrelaçadas. Agora, Timóteo, é
lembrado da lista de qualidades aprendidas, que em outra parte seu
discipulador denominou de “meus caminhos” (1Co 4.16-17).
17 STOTT, John. A mensagem de 2 Timóteo. São Paulo: ABU, 1989, p. 88.
Para Timóteo, andar ao lado de Paulo, foi necessário umalonga e árdua
jornada, cheia de aventuras, de experiências amargas e alegres. Timóteo
estava absolutamente seguro da genuinidade daquilo que havia aprendido
seguindo os passos de Paulo, pois o conteúdo ouvido e aprendido refletia-se
rigorosamente no caráter do seu amado mestre
Tanto com Paulo e sua equipe, e depois com Timóteo, os Tessalonicenses
vivenciavam uma vida cristã responsiva, com ênfase na reprodução de
discípulos. Eles foram bem discipulados e ficaram muito parecidos com seus
“pais” espirituais.
O modo como eles realizaram a imitação é um critério definitivo para nós.
Foram dois modos: atentar para as orientações e seguir o exemplo. Sempre na
primeira pessoa.
O texto indica que a ênfase da imitação se manifesta tanto na qualidade de
vida espiritual como na reprodução de novos discípulos. Você está chamando
outras pessoas a imitar o quê? Tem sido seu caráter, baseado no que já
alcançou de maturidade? Como está a reprodução daqueles que você está
acompanhando ou discipulando?
A afinidade destas duas perspectivas se mostra, entretanto, vinculada a outro
aspecto do discipulado: a aprendizagem (ou conhecimento). No discipulado,
o conhecimento decorre tanto das instruções específicas como da
contemplação ou observação do modelo exposto.
Ora, o prazer que a imitação gera em nós – de crescer na graça e no
conhecimento – se encerra sempre em uma aprendizagem e a questão
fundamental é sempre o objeto último da imitação: Jesus Cristo.
Capítulo 5 Tornando-se uma Igreja referencial
“Porque, partindo de vocês, propagou-se a mensagem do Senhor na
Macedônia e na Acaia. Não somente isso, mas também por toda parte
tornou-se conhecida a fé que vocês têm em Deus. O resultado é que não
temos necessidade de dizer mais nada sobre isso,pois eles mesmos relatam
de que maneira vocês nos receberam, e como se voltaram para
Deus,deixando os ídolos a fim de servir ao Deus vivo e verdadeiro, e esperar
dos céus seu Filho, a quem ressuscitou dos mortos: Jesus, que nos livra da
ira que há de vir”.
1Ts 1.8-10
Paulo elogiou esta igreja (nenhuma outra igreja recebeu este tipo de elogio)
porque eles não apenas eram discípulos-modelo para o mundo sem fé, mas
também eram um exemplo para todas as pessoas que creem. A mensagem da
vida deles teve um efeito que repercutiu além da Grécia; ficou conhecida por
todas as regiões.
Sua igreja tem sido comentada por outras comunidades a respeito do que está
acontecendo (positivamente)? Era isto o que ocorria em relação à igreja local
em Tessalônica. A primeira notícia é que eles haviam se convertido dos
ídolos a Deus. Na verdade estavam experimentando mudanças radicais de
crenças de vida.
O impacto destas coisas não escapou dos ouvidos de ninguém em toda Grécia
e fora dela. Os membros da sua igreja são verdadeiramente novas criaturas
em Cristo? O evangelho chegou nela com poder transformador?
O testemunho dos tessalonicenses não terminou em serem impactados pelo
evangelho e serem modelos para as outras pessoas. Eles reproduziram-se
como igreja. Assim, também, deve acontecer com as igrejas contemporâneas.
Deus brilha em nossos corações e na comunidade para sermos canais de
bênçãos para as pessoas.
Igreja discipuladora
Os tessalonicenses receberam o selo de autenticidade de igreja-padrão. Essa
igreja local não era sufocada pelo seu próprio cordão umbilical; não sofria da
síndrome do mar morto, que só recebe e sonega aquilo que vem de graça.
Pelo contrário, por intermédio dela, a Palavra “repercutiu”, “divulgou”,
“ressoou” em todas as direções. A igreja virou notícia e atingiu lugares
distantes. Tornou
-se uma espécie de “caixa acústica” do céu que irradiou e ecoava a mensagem
evangélica.
Assim como a igreja de Tessalônica, a nossa igreja local precisa amplificar o
Reino de Deus em outras localidades e culturas; temos de ser uma igreja viva,
onde a vida de Cristo pulsa e transforma.
A tarefa máxima da igreja local
Desde o seu nascimento, o movimento cristão teve de enfrentar barreiras de
natureza política, religiosa, social e racial, que trouxeram problemas à
proclamação do evangelho. Alguns desses problemas Paulo e sua equipe
missionária encontraram em Tessalônica.
Logo no início da igreja, em Jerusalém, o grande problema foi a visão estreita
dos judeus, que consideravam o cristianismo como seita do judaísmo, e em
Tessalônica esse grupo de oposição ao evangelho era muito forte.
5 Os judeus, porém, movidos de inveja, trazendo consigo alguns ho- mens
maus dentre a malandragem, ajuntando a turba, alvoroçaram a cidade e,
assaltando a casa de Jasom procuraram trazê-los para o meio do povo.
6Porém, não os encontrando, arrastaram Jasom e alguns irmãos perante as
autoridades, chamando: estes que tem transtornado o mundo chegaram
também aqui. 7Os quais Jasom hospedou.Todos estes procedem contra os
decretos de César,afirmando ser Jesus outro rei.(At 17.5-7).
Como podemos ver, esta posição era tão forte que, até no contexto da igreja,
para os gentios (povos de outras nações) que desejassem ingressar no
movimento cristão deveriam fazê-lo via os métodos da religião judaica
submetendo, inclusive, à circuncisão e à obediência da lei mosaica.
Alguns homens desceram da Judeia para Antioquia e passaram a ensinar aos
irmãos: Se vocês não forem circuncidados conforme o costume ensinado por
Moisés, não poderão ser salvo (At 15.1).
Porém, aos poucos essas barreiras foram sendo ultrapassadas e o evangelho
(como aconteceu em Tessalônica) se ampliou. Aquela igreja se engajou na
tarefa inacabada de levar as Boas-Novas ao mundo todo.
A igreja local de Tessalônica, formada por pessoas genuinamente
convertidas, extrapolaram a geografia do seu país (Grécia), numa ação
centrífuga, alcançaram os confins da terra. Não se acomodaram.
Nenhuma desculpa é valida para que o cristão e a cristã não faça parte do
programa prático da igreja quanto às atividades evangelizadora. Portanto, à
semelhança dos tessalonicenses, nossas igrejas não podem se restringir no
âmbito de sua influência imediata e muito menos dentro das quatro paredes
do templo.
Não podemos confundir, proclamação do evangelho com converter.
Proclamar o evangelho não é “converter” a pessoa. O trabalho da igreja é o
de compartilhar as boas-novas. Quem convence o homem é o Espírito Santo.
No livro de Atos, o livro bíblico da história da igreja, existe somente dois
tipos de evangelismo: 1) Evangelismo pessoal e 2) evangelismo em massa.
O primeiro método é o mais efetivo da evangelização, nele os melhores
resultados são alcançados. Com efeito, é o ato de testificar da obra de Cristo
aos perdidos individualmente. Jesus é o nosso grande referencial de
evangelismo pessoal. Há cerca de trinta e cinco entrevistas pessoais de Jesus
relatadas nos Evangelhos. A Igreja Primitiva nasceu num esplendor da obra
de testemunhar pessoalmente a respeito de Jesus Cristo. 
Ocasionalmente, multidões congregavam para ouvir um daqueles cristãos 
- especialmente onde ocorria algum notável milagre de cura, mas,
consistentemente, esses antigos crentes estavam ocupados nos mercados, nas
ruas, nas casas, persuadindo as pessoas a crerem em Cristo.
Em Atos 5.42, a Bíblia narra o extraordinário empenho evangelístico dos
primeiros cristãos: “E todos os dias, no templo, e nas casas não cessavam de
ensinar e de anunciar a Jesus Cristo ”.
Certamente, a expressão “todos os dias” inclui o evangelismo pessoal, onde
os cristãos estavam espalhados por toda a cidade e região testificando de
Cristo Jesus. Então, será que temos que nos concentrar na necessidade de
elaborar estratégias “inteligentes” de ações contínuas que contemplem o
objetivo mais amplo do trabalho de evangelização? Sim! Desde que estas
estratégias estejam encaixadas no plano geral de Deus para a igreja e nossa
vida.
Capítulo 6 A chave da revolução do discipulado na
igreja local
Discipulado é vida. Uma igreja discipuladora tem vida. Nesse caminho
vamos corrigindo equívocos que podem prejudicar a saúde da igreja, tanto
nos aspectos teológicos como pastoral e afetivo.
Neste processo, quem discipula nãoé mero repetidor de conceitos do
discipulado, mas formador de convicções no coração; alguém que não
trabalha sozinho nesse processo. Quem gravita, de uma forma ou de outra, na
comunhão de uma igreja discipuladora, tem papel preponderante no
crescimento em Cristo uns dos outros.
Desta forma, todos somos formandos e formadores, pois só no ouvir e
cuidado mútuo, na humildade e no desejo recíproco desse ouvir e ajudar é
que formaremos um novo jeito de ser igreja.
O discipulado abrange muitas facetas da vida cristã: renúncia pessoal,
reconhecimento da autoridade de Jesus, obediência explícita, permanência na
Palavra, servir com amor, cumprir a missão de Jesus etc. Exige-se equilíbrio
e muito senso de justiça e de amor. Nesse processo o papel de quem
discipulada é chave para o sucesso dos discípulos e discípulas,
disponibilizando meios para que possam desenvolver uma vida interior com
qualidade.
Outro aspecto importante é que a caminhada do discipulado não pode ser
conquistada pela força, mas pelo coração. Na escola de Jesus não se entra por
ser filho ou filha de alguém importante da igreja. Só se entra pela fé e só se
vive pela fé e amor. Ninguém também é excluído, para todos é oportunizado
seguir o Mestre.
Veja, agora, um esboço simplificado dos cinco processos indicados por
Ronald Habermas quanto ao discipulado de Jesus:
1) Discipulado por meio da observação. Implica num compromisso com os
princípios básico da fé.
Igreja discipuladora
2) Discipulado por meio da continuidade. Quando o discípulo ou a discípula
participa mais ativamente nos trabalhos do Mestre.
3) Discipulado por meio da experiência. Ter um aprendizado com mais
exatidão.
4) Discipulado por meio da imitação. O discípulo ou discípula escolhe
conscientemente reproduzir.
5) Discipulado por meio da transformação. Implica na vida adulta mais
desenvolvida, na qual quem está no discipulado se tornam pessoas que serão
imitadas.
O perfil do “ser discipulador” que a igreja precisa
O que é ser uma pessoa discipuladora? A discipuladora ou “discipulador é
um guia ou orientador espiritual comprometido pessoalmente com o
desenvolvimento integral dos discípulos”. 18 Mas o que significa ser isto?
Na prática do discipulado precisamos de uma combinação entre ser uma
pessoa conselheira e ser amiga. Quem discipula precisa ser uma pessoa
conselheira e não, simplesmente, amiga.
Às vezes, nós como discípulo e discípula temos muitos amigos, mas não
temos ninguém com sabedoria, maturidade e autoridade para nos ajudar nas
decisões difíceis. Precisamos de alguém que se comprometa a orar e procurar
a direção de Deus conosco.
Ao mesmo tempo, esta pessoa precisa ser amiga e não simplesmente dar
conselhos. Jesus chamou seus discípulos de amigos. Indicou que eles eram
íntimos e que se abria com eles, não escondendo seus pensamentos e desejos
(Jo 15.14-15).
É difícil ser um bom discipulador ou boa discipuladora sem ter um grau
significante de intimidade. Se tal pessoa for um homem ou mulher de Deus,
terá sabedoria do alto. Quem aconselha e não é amigo pode dar conselhos,
mas não está comprometido a compartilhar com essa pessoa as consequências
de suas decisões, pois não está intimamente ligado a ela.
Podemos ampliar um pouco mais a definição de uma pessoa que discipula,
esclarecendo o que significa estar comprometido pessoalmente ao
“desenvolvimento integral” daqueles quem discípula. Quem discipula é guia
ou orientador espiritual que tem uma relação íntima e comprometida com
alguns seguidores de Cristo para ajudá-los a crescer de forma pessoal em:
• sua identidade cristã (individualmente, e como parte da família de Deus);
• seu caráter cristão;
• suas habilidades ministeriais.
Podemos até afirmar que estes três campos são o currículo do discipulado.
18 KORNFIELD, David. As bases na formação de discipuladores. São Paulo: Sepal, p. 34.
A ordem acima reflete um sentido muito importante de prioridade.
Uma regra básica: cada pessoa discipuladora deve ser discipulada. Na
verdade a principal razão pela qual não discipulamos é porque não fomos
discipulados. É muito difícil, quase impossível, passar para alguém aquilo
que não recebemos. Se você quiser reinventar a roda, caindo em muitos erros
no caminho e sem ter uma pessoa que lhe aconselhe e guie, e com grande
probabilidade de fracassar, procure discipular sem ser discipulado!
Todos nós precisamos ser discipulado, pois todos temos “pontos cegos”, que
só as pessoas que andam conosco mais de perto conseguem enxergar, com
isso elas podem nos ajudar a corrigi-los. Outra grande vantagem de ser uma
pessoa que discipula, sendo também discipulada, é que, se estivermos
passando por qualquer tipo de dificuldade, temos onde recorrer para pedir
ajuda.
O termo “exemplo”, em 1 Timóteo 4.12, significa modelar ou refletir a forma
ou semelhança de uma determinada entidade. Com efeito, o poder modelador
de uma existência vivida sob a Palavra de Deus tem como retorno um efeito
sobre a comunidade (1Ts 1.6) que faz dela um exemplo formativo. Por isto, é
indispensável que quem discipula seja, antes, discipulada.
Bibliografia sugerida para leitura
BRISCOE, Stuart. Discipulado diário para pessoas comuns. São Paulo: Vida,
1992.
BONHOEFFER , Dietrich. Discipulado. Porto Alegre: Sinodal, 1989.
CAMPANHÃ, Josué. Discipulado transformando igrejas. São Paulo: Eclésia,
2002.
CÉSAR, Elben M. Lenz. Não perca Jesus de vista. Varginha, MG: Ultimato,
1997. COLEMAN, Robert. O Plano Mestre de evangelismo. São Paulo:
Mundo Cristão, 2006.
EVANS, Tony. Discipulado espiritual e dinâmico. São Paulo: Vida, 2000.
HARBERMAS, Ronald. O discipulado completo. Rio de Janeiro: Central
gospel, 2008.
HENRICHSEN, Walter. Discípulos são feitos, não nascem prontos. São
Paulo: Atos, 2002.
JONES, Milton. Discipulado: o ministério da multiplicação. São Paulo: Vida
Cristã, 1996.
KORNFIELD, David. As bases na formação de discipuladores. São Paulo:
Sepal, 1994.
MACARTHUR, John. Chaves para o crescimento espiritual. São Paulo: Fiel,
2000.
OGDEN, Greg. Elementos essenciais do discipulado. São Paulo: Vida, 2010.
PETERSEN, Willian. O Discipulado de Timóteo. São Paulo: Vida, 1986.
PHILLIPS, Keith. A formação de um discípulo. São Paulo: Vida, 1990.

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