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Anais do 17º Encontro Científico Cultural Interinstitucional – 2019 ISSN 1980-7406 IMPACTO DO ISOLAMENTO SOCIAL NA QUALIDADE DE VIDA DO IDOSO MARTINS, Amanda Eduardo MARAFON, Maria Eduarda Fraida Nunes RESUMO Este artigo concentra-se em dados que apontam que a faixa etária que mais cresce no Brasil são os idosos. A expectativa de vida que também teve aumento contribui, tornando-se mais importante o cuidado com essas pessoas, referindo assim também à saúde mental dos mesmos. Desta forma, é de extrema importância o incentivo a socialização. Estudos também mostram, que com o avançar da idade também é reduzida a participação na comunidade, com o não engajamento com tecnologia contribuindo e também afirma que grupos terapêuticos tem fundamental importância para a ressocialização. Por outro lado, para o envelhecimento saudável estas atividades fundamentais são prejudicadas. PALAVRAS-CHAVE: isolamento, idoso, qualidade de vida. 1. INTRODUÇÃO O novo cenário da pandemia do COVID- 19 traz consigo nossos desafios e adaptações para toda a população mundial e principalmente para os idosos, pois eles se veem diante de um risco eminente devido a faixa etária corresponder ao maior risco de óbito por haver menos resistência organísmica tendo que manter o isolamento social e se deparando com sua solidão podendo trazer assim consequências negativas significativas na qualidade de vida dos mesmos. O presente trabalho visa trazer uma pesquisa de cunho reflexivo sobre a pandemia e seus impactos, tendo como foco os idoso e na qualidade de vida dos mesmos, incluindo a saúde mental. 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2.1 ISOLAMENTO SOCIAL E SEU IMPACTO PARA O IDOSO Com o processo acelerado de transição demográfica a população idosa vem aumentando significativamente. Segundo IBGE Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (2018) o segmento populacional que mais cresce no Brasil são os dos idosos, estudos feitos em 2017 mostraram que os idosos estavam superando a marca de 30,2 em milhões de pessoas com 60 anos ou mais, o que representou um crescimento de 18% desse grupo etário desde 2012. Com o aumento da expectativa de vida dos idosos crescem as prevalências de doenças crônicas, limitação física, perda cognitiva e isolamento social, o que não é necessariamente um problema, mas exige atenção na implementação Anais do 17º Encontro Científico Cultural Interinstitucional – 2019 ISSN 1980-7406 de formas para lidar com esse fenômeno para manter condições necessárias para qualidade de vida dos idosos (BORIM, 2013). Quando nos referimos à qualidade de vida do idoso implica-se também a qualidade da saúde mental do mesmo. Durante o período de estágio com idosos estava muito presente no discurso deles o quanto a solidão afetava negativamente sua qualidade de vida. A solidão é um estado de quem se sente só, ela provoca um sentimento de vazio interior que pode estar presente no ser humano nas diferentes fases da vida e tende a ser mais frequente com o envelhecimento (LOPES, 2009). Segundo Carmona (2014) a solidão se consiste numa reação emocional de insatisfação pela ausência de relacionamentos significativos, e ainda pode ser definida como sentimento penoso e doloroso de uma carência que faz referência ao outro. Fatores psicológicos e sociais parecem estar relacionados com o seu surgimento como a depressão, o luto, o isolamento social e o abandono. O isolamento social é um fator que afeta significativamente o bem estar do indivíduo na terceira idade, pois isolamento e solidão são sinônimos, principalmente quando nos referimos a idosos que não possuem cônjuge ou familiares presentes. Quando eles se deparam com a falta de ocupação e de atividades que impliquem responsabilidade e interação social isso costuma ser fatores estressantes, pois conduzem a sentimento de desvalorização e inutilidade diante de uma sociedade altamente competitiva que valoriza a produção. (VAZ, 2008) Sendo assim é de extrema importância a procura por atividades alternativa que estimulem a produção intelectual. A mudança de ambiente também é outro fator desencadeador de estresse, pois o indivíduo idoso possui dificuldades para adaptar-se a novas situações que não façam parte do seu modo habitual de viver. Esse medo em alterar a rotina ocorre devido ao medo da mudança, mas quando conseguem romper essa barreira de insegurança se deslumbram com as novas oportunidades que podem alcançar. (VAZ, 2008) Diante do contexto atual ao qual estamos vivendo, esse isolamento geral devido à pandemia do Covid-19 se faz necessário trazer à tona reflexões sobre a qualidade da saúde mental dos idosos frente a esse cenário, já que o risco de morrer aumenta com a idade já que as maiorias das mortes ocorrem em idosos. A adoção de isolamento social, interrupção de trabalhos e o sofrimento gerado com os noticiários com mortes e hospitalização, causam danos emocionais afetando diferentemente cada grupo geracional. Sendo assim os danos vão muito além de fisiopatológicos e epidemiológicos, se estendem também ao impacto na saúde integral do idoso. (HAMMERSCHMIDT, 2020) Anais do 17º Encontro Científico Cultural Interinstitucional – 2019 ISSN 1980-7406 Um fato que não podemos ignorar é a hesitação ao estímulo do idoso a utilizar ferramentas tecnológicas. Elas podem facilitar aproximação social porém historicamente a população idosa brasileira apresenta níveis baixos de escolaridade e dificuldade no acesso aos recursos tecnológicos, interferindo de forma significativa na aquisição de informações filtradas em relação a pandemia, limitando também a possibilidade de comunicação, dificultando a orientação de comportamentos pessoais e coletivos e potencializando o sentimento de solidão com o afrouxamento de vínculos por falta de comunicação e interação. (HAMMERSCHMIDT, 2020) Também devemos nos preocupar com idosos trabalhadores, pois em nosso país muitos idosos têm responsabilidade financeira, apesar do senso comum estimá-los como aposentados. Dentre a luta de ter que trabalhar todos os dias pela necessidade do recurso financeiro sobrevém os medos em tempo de pandemia, sendo um deles o medo de morrer. (HAMMERSCHMIDT, 2020) E quando falamos em morte podemos atribuir um duplo significado, não se referindo apenas sobre o fim da vida, mas também do processo de desenvolvimento humano e está integralmente presente nesse novo cotidiano ao qual estamos vivendo, pois quanto mais vivemos mais corremos o risco de perder algo ou alguém importante e esse fator pode ser um gerador de estresse. Neste sentido as situações estressantes podem ser classificadas situações externas que apresentam uma ameaça ao bem estar do indivíduo e situações que desafiam os limites da nossa capacidade e do nosso autoconceito a exemplo da morte e do envelhecimento. (RIBEIRO, 2017) A solidão e o isolamento ao significarem uma rarefacção às relações sociais e um vazio afetivo, funcionam como fatores estressantes, obrigando a um esforço de superação, muitas vezes vivido através de comportamentos agressivos, de grande ansiedade ou depressão. O sofrimento dos idosos causado pelo sentimento de solidão é considerado como uma das experiências mais penosas e problemáticas. Este sentimento não acontece só em casos de vivências isoladas, mas também no seio das próprias famílias e em instituições, onde há, frequentemente, falta de comunicação, participação social e afetiva. (FREITAS, 2011) A IMPORTÂNCIA DOS GRUPOS TERAPEUTICOS Perez (2010) afirma que as atividades realizadas em grupos terapêuticos para terceira idade contribuem para exercícios novos permitindo assim os idosos serem ativos e se reorganizarem internamente contribuindo para a promoção e qualidade de vida, independentemente ativa e integrada socialmente. Tendo como benefícios a formação de novas relações sociais, troca de Anais do 17º EncontroCientífico Cultural Interinstitucional – 2019 ISSN 1980-7406 experiências, participação social, melhoria da autoimagem, promoção do crescimento pessoal e maior conscientização acerca do processo de envelhecimento. A criação de espaços grupais favorece a ressignificação de estereótipos atribuídos aos idosos. Os grupos terapêuticos são espaços de escuta e trocas sociais, que contribuem para a utilização de potencialidades e favorecem o desenvolvimento de redes psicossociais e afetivas que auxiliam significativamente no enfrentamento de questões frequentes decorrente do envelhecimento. Com o avançar da idade a maioria das pessoas idosas reduzem sua participação na comunidade, o que pode originar sentimentos de solidão e desvalorização, com efeitos ao nível da integração social e familiar ao nível de saúde física e psíquica. (TEIXEIRA, 2010) Uma forma de aumento das relações sociais em idosos passa pela promoção da saúde no idoso em grupo, isso remete o idoso para a possibilidade de viver a velhice com maturidade, potencializando os determinantes inerentes desse período da vida. Sendo assim trabalho em grupo com idosos pode ter diversas vantagens ao nível de relações sociais, como por exemplo, promover a interação social, aprender novas aptidões relacionais, fomentando a coesão e a aceitação, descobrir pontos em comum e assim consequentemente diminuir o isolamento, aumentar a autoestima através do altruísmo e da empatia, visto que para além de ser ouvido e apoiado o idoso sente-se valorizado por poder apoiar os outros. (TEIXEIRA, 2010) RESSIGNIFICAÇÕES DE RELAÇÕES PÓS PANDEMIA Com o cenário atual está havendo também um grande aprendizado e a projeção para o futuro é um cuidado e atenção com os idosos, mediante a estratégia de apoio e alerta para sinais e sintomas. Mesmo os que residem sozinhos precisam contar com pessoas de referência para falar sobre suas necessidades, sentimentos ou relatos de sua saúde física e mental. Além de ser necessário ressignificar o vínculo com os idosos também são importante atitudes de respeito e consideração com esse público. (HAMMERSCHMIDT, 2020) Entendemos que é estritamente necessário o distanciamento social, porém a autonomia e independência são fundamentais para um envelhecimento saudável. Desse modo se faz necessária liberdade para exercê-las respeitando o que é possível dentro do recomendado. É importante evitar atitudes de preconceito, infantilização e ridicularização do idoso pois a dignidade do idoso deve sempre prevalecer. (HAMMERSCHMIDT, 2020) Anais do 17º Encontro Científico Cultural Interinstitucional – 2019 ISSN 1980-7406 3. METODOLOGIA Foi realizada uma pesquisa de natureza básica, com método qualitativo, e como objetivo exploratório e descritivo, sendo assim foi realizado pesquisa bibliográficas com dado provenientes somente das referências teóricas proporcionando uma base teórica para uma análise reflexiva sobre o tema em questão, buscando trazer ideias relevantes com registro fidedigno de fontes para levantamento de informações pertinentes e atualizadas sobre o cenários atual e seu impacto social com enfoque voltado para os idosos que são o grupo de maior risco. 4. ANÁLISES E DISCUSSÕES Dentro do nosso campo de estágio tivemos contato com vários idosos, que e seus discursos apresentavam uma grande solidão, pois a maioria deles eram viúvos, solteiros, ou não moravam com os filhos. Dentro dos discursos deles era possível observar o valor que eles atribuíam aquele momento em que tinham contato e interação social, era nítido o sentimento de pertencimento em participar do grupo de Idosos do Centro de Convivência da Fag. Diante da pandemia nosso campo de estágio foi desativado, por seus participantes participarem do grupo de risco, sendo assim se faz necessário pensar sobre como está à saúde mental desses idosos que anteriormente tinham uma imensa satisfação por participarem de grupos sociais e amenizar o sentimento de solidão e isolamento e agora estão em distanciamento social, sozinhos e provavelmente preocupados com esse vírus que ameaça de forma direta e significativa a vida deles já que eles são grupos de risco. De acordo com Ribeiro (2017) o estresse das pessoas idosas está muito associado a redução de habilidades e limitações decorrentes do envelhecimento, conforme vamos envelhecendo utilizamos nossas experiências passadas para o enfrentamento de situações estressoras do momento presente. Como a atual momento é totalmente novo e ameaçador cabe aos idosos uma luta sem referência, e isso acaba sendo um agente excessivamente estressor, que não pode ser simplesmente ignorado. 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS Anais do 17º Encontro Científico Cultural Interinstitucional – 2019 ISSN 1980-7406 Viver o final da vida sem prazer pode se tornar bem deprimente. É de suma importância essa promoção da socialização da terceira idade. As melhoras de qualidade de vida do idoso, ficam principalmente baseadas em diminuir a solidão que eles sentem, riscos de ansiedade, depressão e aumentam a vontade de viver coisas novas e irem se descobrindo cada vez mais. Desta forma, promovendo índices maiores de felicidade individual. Não devemos esquecer que é de grande importância promover a proteção dos idosos nessa situação do COVID-19, já que os mesmos sofrem maiores riscos caso haja a contaminação, de forma que é possível utilizar de conferências telefônicas promovendo o contato mesmo sob distanciamento social, para o bem estar deles e continuando se sentindo acolhidos e lembrados, também aumentando o interesse para retorno dos grupos quando acabar o isolamento, pois saberão que seus amigos continuam seus amigos mesmo de longe e assim tomando todos os cuidados necessários para a saúde mental e físicas dos idosos, mostrando-os sua importância para a sociedade. Anais do 17º Encontro Científico Cultural Interinstitucional – 2019 ISSN 1980-7406 REFERÊNCIAS BORIM, Flávia Silva Arbex; BARROS, Marilisa Berti de Azevedo; BOTEGA, Neury José. Transtorno mental comum na população idosa: pesquisa de base populacional no Município de Campinas, São Paulo, Brasil, 2013. Disponível em :Acesso em 26/05/2020 CARMONA, Cecília Fernandes; COUTO, Vilma Valéria Dias; COMIM, Fabio Scorsolini. A experiência desolidão e a rede de apoio social de idosas, 2014. Disponível em Acesso em: 26/05/2020 FREITAS, Patricia da Conceição Barbosa. Solidão em idosos percepção em função da rede social, 2010. Disponível em Acesso em 03/06/2020 HAMMERSCHMIDT, Karina Silveira de Almeida; SANTANA, Rosimere Ferreira. Saúde do idoso em tempo de pandemia Covid-19. Disponível em : Acesso em 29/09/2020 LOPES, Renata Francion; LOPES, Maria Teresinha Francioni; CAMARA, Vilma Duarte. Entendendo a solidão do idoso, 2009. Disponível em:Acesso em: 26/05/2020 ODONI, Ana Paula de Carvalho; FRIGÉRIO, Rafaela Marega; MERLIN, Silvia Stahl. Atenção à saúde em grupos sob a perspectiva dos idosos, 2006. Disponível em Acesso em: 02/06/2020 PARADELA. Rodrigo. Numero de idosos crescer 18% em 5 anos e ultrapassa 30 milhões em 2017. Editora: Estatisticas sociais, 2018. Disponível em: Acesso em 01/10/2020 PEREZ, Marina Picazzio; ALMEIDAM, Maria Helena Morgani. O processo de revisão de vida em grupo como recurso terapêutico paraidosos em Terapia Ocupacional, 2010. Disponível em Acesso em 02/06/2020 RIBEIRO, Mariana dos Santos; BORGES, Moema da Silva; ARAUJO, Tereza Cristina Cavalcanti Ferreira; SOUZA, Mariana Cristina dos Santos. Estratégia de enfrentamento dos idosos frente ao adoecimento e a morte: revisão integrativa, 2017. Disponível em Acesso em : 29/09/2020 TEIXEIRA, Liliana Márcia Fernandes. Solidão, depressão e qualidade de vida em idosos, um estudo avaliativo exploratório e implementação piloto de um programa de intervenção, 2010. Disponível em Acesso em 03/06/2020 VAZ, Cícero Emilio; SANTOS, Geraldine Alves. Grupos da terceira, interação e participação social, 2008. Disponível em Acesso em 27/05/2020 https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/20980-numero-de-idosos-cresce-18-em-5-anos-e-ultrapassa-30-milhoes-em-2017 https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/20980-numero-de-idosos-cresce-18-em-5-anos-e-ultrapassa-30-milhoes-em-2017 https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/20980-numero-de-idosos-cresce-18-em-5-anos-e-ultrapassa-30-milhoes-em-2017 Anais do 17º Encontro Científico Cultural Interinstitucional – 2019 ISSN 1980-7406