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ALEITAMENTO MATERNO E
NUTRIÇÃO NA INFÃNCIA
Ficha de créditos
Financiamento
Ministério da Saúde (MS)
Secretaria de Atenção Primária à Saúde (SAPS) 
Departamento de Gestão do Cuidado Integral 
Coordenação de Atenção à Saúde da Criança e do Adolescente (CACRIAD)
Estratégia QUALINEO
Apoio
Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes
Figueira (IFF)
Portal de Boas Práticas em Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente -
portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br
Centros Nacionais de Referência para o Método Canguru
Curso de Sensibilização na Atenção Humanizada ao Recém-nascido
– Método Canguru na Atenção Primária
2023
Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do
Adolescente Fernandes Figueira (IFF)
Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ)
Coordenação Geral
Maria Mendes Gomes
Lidiane Vianna Albernaz
Isabelle Aguiar Prado
Stephanie Matos Silva
Coordenação de Conteúdo
Zaira Aparecida de Oliveira Custódio
Roberta Borges Correia de Albuquerque
Supervisão da Oferta EaD
Karoline Corrêa Trindade
Rosimeiry Pereira Santos
2023. Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF). Fundação
Oswaldo Cruz (FIOCRUZ). Coordenação de Educação Coordenação de Atenção / Área de Atenção ao Recém-
nascido. Coordenação de Ações Nacionais e de Cooperação.
Alguns direitos reservados. É permitida a reprodução, disseminação e utilização dessa obra, em parte ou em sua totalidade,
nos termos da Política de Acesso Aberto ao Conhecimento da Fiocruz. Deve ser citada a fonte. É vedada sua utilização
comercial. 
Coordenação do Curso
Zeni Carvalho Lamy
Sérgio Marba
Luiza Geaquinto Machado
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Olá estudante!
O aleitamento materno é muito mais do que uma simples fonte de
nutrição para o bebê; é um elo fundamental entre a mãe e a criança que
transcende o aspecto físico. Além de oferecer uma combinação única de
nutrientes adaptados às necessidades do bebê, o leite materno
proporciona uma conexão emocional valiosa, fortalecendo os laços
afetivos entre mãe e filho.
03
APRESENTAÇÃO
O leite materno é um alimento completo, fornecendo uma gama
abrangente de vitaminas, minerais e proteínas essenciais para o
desenvolvimento saudável da criança. 
Sua composição dinâmica adapta-se às
mudanças nas necessidades do bebê ao
longo do tempo, proporcionando uma
proteção imunológica natural e contribuindo
para a formação adequada de órgãos e
tecidos.
Vamos conhecer mais sobre esse universo?
Bons estudos!
Sumário
01 Aleitamento Materno
02
Nutrição na Infãncia03
04
Considerações Finais
Referências
Banco de Leite
Na terceira etapa do Método Canguru,
compartilhada com a Atenção Primária,
devemos avaliar, incentivar, encorajar e apoiar
o aleitamento materno, trabalho este já
iniciado e cuidado durante a hospitalização do
bebê. Isso poderá ser uma tarefa fácil, se o
nosso conhecimento e as nossas habilidades
como orientadores e apoiadores encontrarem
uma mãe e uma família engajados e
desejosos para que tal aconteça. E, nessa
parceria, a pequena criança receberá, de
todos, a melhor alimentação, seja do ponto de
vista nutricional, seja do ponto de vista afetivo
(Brasil, 2015b). 
1. Aleitamento Materno
05
O contato pele a pele e seus inúmeros benefícios são hoje apontados não
apenas como facilitadores do vínculo e da segurança familiar, mas,
também, como estratégia de promoção da amamentação, em especial
para o grupo que mais se beneficia dela: o recém-nascido pré-termo
(Brasil, 2017).
O contato pele a pele e seus inúmeros benefícios são hoje apontados não
apenas como facilitadores do vínculo e da segurança familiar, mas,
também, como estratégia de promoção da amamentação, em especial
para o grupo que mais se beneficia dela: o recém-nascido pré-termo
(Brasil, 2017).
Qual a relação do Método
Canguru com o aleitamento
materno?
O Método Canguru vem mostrando que o envolvimento familiar com o
recém-nascido internado, o cuidado com a mãe, o apoio e as orientações
que precocemente ela recebe, bem como o contato pele a pele, facilitam a
produção do leite e a permanência do bebê por mais tempo em
aleitamento materno. 
Apesar de todas as evidências científicas provando a
superioridade da amamentação sobre outras formas de
alimentar a criança pequena, e apesar dos esforços de
diversos organismos nacionais e internacionais, as
prevalências de aleitamento materno no Brasil, em
especial as de amamentação exclusiva, estão bastante
aquém das recomendadas, e o profissional de saúde tem
papel fundamental na reversão desse quadro. 
Mas para isso o profissional precisa estar preparado, pois, por mais
competente que ele seja nos aspectos técnicos relacionados à lactação, o
seu trabalho de promoção e apoio ao aleitamento materno não será bem-
sucedido se ele não tiver um olhar atento, abrangente, sempre levando em
consideração os aspectos emocionais, a cultura familiar, a rede social de
apoio à mulher, entre outros. 
Um grande desafio da Atenção Primária, com suas equipes capacitadas, é
manter tais bebês amamentados por mais tempo, oferecendo orientação
e apoio necessários a partir de profissionais sensíveis para lidar com
situações diferenciadas das famílias (Brasil, 2015b). 
Esse olhar necessariamente deve
reconhecer a mulher como
protagonista do seu processo de
amamentar, valorizando-a,
escutando-a e empoderando-a
(Brasil, 2015a).
Vantagens do aleitamento materno para o bebê pré-termo:
Redução da mortalidade. 
Redução de morbidades: diminuição da
incidência de infecção e da taxa de
reinternação hospitalar por complicações
pulmonares e diarreia. 
Melhoria do desenvolvimento pulmonar, da
função visual, da maturação neurológica e do
desenvolvimento mental, motor e da
inteligência.
O leite humano apresenta um importante papel na maturação
intestinal da criança pré-termo. A absorção de nutrientes se dá de
forma mais adequada. Além disso, contém um tipo especial de
gordura: os ácidos graxos poli-insaturados de cadeia longa (LC-
Pufas), que ajudam no desenvolvimento cerebral. 
No início da vida, o bebê pré-termo
cresce em um ritmo mais lento e, depois
de algumas semanas, tem esse
crescimento acelerado. Mesmo assim,
devemos lembrar que, nos primeiros
meses de vida, é normal que esses bebês
sejam menores no peso e na estatura do
que os nascidos a termo (Brasil, 2015b). 
Condições da gestação
 O nascimento prematuro
Internação prolongada
Fatores socioeconômicos e
culturais
Rede sociofamiliar de
apoio disponível 
Apesar do reconhecimento das vantagens do aleitamento materno, a
prevalência de amamentação dos bebês pré-termo ainda é muito
baixa em comparação com os bebês a termo, principalmente no que
se refere ao aleitamento materno exclusivo (AME) (Brasil, 2018). 
As dificuldades na amamentação devem ser observadas
considerando-se os inúmeros fatores que envolvem a criança e sua
família. Considerar:
Situações que podem ser observadas: em relação à mãe e à família
Verdadeira
baixa de
produção de
leite
Insegurança
materna e
familiar sobre o
ganho de peso
adequado para
o bebê
Rede socio
familiar frágil
Situações que podem ser observadas: em relação ao bebê
Mamadas ineficientes;
Disfunções orais que dificultam a
extração do leite pelo bebê;
Baixo ganho ponderal em
aleitamento materno exclusivo;
Aleitamento misto sem
acompanhamento de profissional
capacitado;
Uso demamadeira e chupeta.
Situações que podem ser observadas: em relação à equipe
Capacitação insuficiente em relação
ao desenvolvimento específico do
bebê, ao manejo do aleitamento
materno e à situação psicoemocional
da mãe e da família
Insegurança em relação ao bem-
estar do bebê
Falta de fluxograma de assistência
para os bebês
O uso de chupetas e mamadeiras pode diminuir
significativamente o período de amamentação e
contribui para o surgimento de mordida cruzada e
respiração bucal, que trazem como consequências as
amigdalites e as rinites, devido ao ar não filtrado, não
umidificado, provocando assim o ressecamento das
mucosas. Além disso, a respiração bucal e suas
consequências podem dificultar o sono da criança.
Doença do refluxo gastroesofágico (irritabilidade, interrupção
das mamadas). 
Problemas respiratórios (maior gasto energético, cansaço às
mamadas). 
Anemia com repercussão clínica (sucção mais débil, gasto
energético). 
Hipotonia (sucção débil, mamadas ineficientes). 
Disfunções orais (mamadas ineficientes referentes às
alterações do funcionamento oral). 
Infecções (ITU). 
Condições clínicas que podem interferir na mamada e no ganho de
peso adequado: 
Síndromes;
Malformações;
Cardiopatias;
Distúrbios respiratórios, neurológicos ou gastrintestinais.
Doenças mais comuns que contribuem para o baixo ganho ponderal
do bebê pré-termo em AME: 
O padrão global de sucção/deglutição, que inclui o tônus muscular e a
coordenação, pode ser mais imaturo e necessitar de alguns ajustes.
Além disso, a sucção pode variar de acordo com o fluxo de leite na
mamada (quantidade), a fome, a saciedade, a viscosidade do leite e as
diferentes experiências orais do bebê. 
Durante o início da amamentação, o
treino diário entre mãe/filho, sem a
interferência de chupetas/mamadeiras e
com a atenção especial dos profissionais
de saúde, irá facilitar esse processo e, aos
poucos, a sucção desses bebês adquire
um padrão mais organizado e eficiente. 
Todas essas possibilidades devem ser consideradas na avaliação das
dificuldades na amamentação do bebê e em seu ganho ponderal. Neste
caso, contatos entre as equipes da UBS e os agentes comunitários devem
ser priorizados para o melhor acompanhamento da situação. Muitas
vezes, tais crianças necessitarão de encaminhamento a serviços
especializados (Brasil, 2015b).
O ganho de peso, apesar de ser um instrumento objetivo de avaliação da
mamada, não deve ser aferido diariamente na Atenção Primária, porque
dessa forma poderá interferir na autoconfiança da mãe. Retornos mais
frequentes, objetivando correções dos possíveis erros no manejo da
amamentação, com abordagem no aconselhamento, serão mais
efetivos!
Algumas práticas facilitadoras podem auxiliar na prática da
amamentação dessa população, tais como: 
Atenção especial aos bebês e às mães que apresentam algumas
dificuldades. 
Construção de um fluxo de atendimento para esses bebês afixado
nas UBS.
Fortalecimento da rede de apoio socio familiar. 
Acompanhamento frequente e regular, conforme protocolo da visita
domiciliar. 
Capacitação para lidar com o manejo do aleitamento materno para
esses bebês. 
Fortalecimento da referência e da contra referência com a rede
hospitalar.
As intervenções necessárias devem ser feitas reforçando sempre, na
família, a confiança em suas habilidades e a competência em cuidar de
si mesma e do bebê. 
Embora possa ser “trabalhosa” a prática da amamentação para essa
população de alto risco para desmame, é com certeza um investimento
em curto, médio e longo prazo! Mais do que outras pessoas envolvidas
neste processo, os bebês agradecem!
O banco de leite, tem como função desenvolver
atividades de assistência e apoio à amamentação,
promovendo, protegendo e apoiando o aleitamento
materno, individual ou em grupos; salientando as
vantagens e a importância da amamentação para a
nutriz, a criança, a família, a sociedade e o meio
ambiente; orientando a continuidade da lactação,
mesmo por impossibilidade por motivos de doença ou
trabalho, prevenindo e tratando precocemente
intercorrências mamárias para evitar complicações. 
 O Banco de Leite Humano (BLH) no Brasil tem se configurado como um dos
mais importantes elementos estratégicos da política pública em favor da
amamentação. É um serviço especializado vinculado a um hospital de
atenção materna e/ou infantil. 
2. Banco de Leite Humano
Qual é a finalidade essencial do banco de leite?
Uma das principais prioridades dos BLH no Brasil é atender os RN pré-
termo e os RN de baixo peso internados em unidades hospitalares que
necessitam de maior cuidado com a sua nutrição, responsável tanto pela
sobrevida imediata como pelo crescimento e o desenvolvimento a médio
e a longo prazos (MATTAR, 2003). 
Os profissionais da Atenção Primária à Saúde devem orientar as famílias
para buscar o apoio dos bancos de leite diante de alguma dificuldade
relacionada à amamentação. 
2. Banco de Leite Humano
A maioria das mães de bebês pré-termo deseja amamentar seus filhos;
entretanto, a vivência materna de situações estressantes a que elas
estão expostas (tanto no hospital como em casa) influenciam sua
autoestima, colaborando para diminuir a produção e a ejeção do leite,
favorecendo o desmame precoce (Brasil, 2015b).
Deve-se investir no fortalecimento da rede socio
familiar de apoio, respeitando as crenças e a
cultura de cada família, a fim de estabelecer
condutas apropriadas e facilitadoras para o
aleitamento materno exclusivo. 
10
Por outro lado, hoje sabemos da importância da participação paterna no
tempo de permanência da amamentação, o que nos lembra a
necessidade de buscarmos sua participação nas orientações, no cuidado
com o bebê e com a companheira. Caso a mãe não tenha companheiro,
é necessário detectar quem é seu maior apoio nessa tarefa e facilitar
informações e orientações a essa pessoa para o seu melhor
desempenho (Brasil, 2015b).
3. Nutrição na Infância
Sabemos que o aleitamento materno é a mais sensível, econômica e
eficaz intervenção para redução da morbimortalidade infantil. 
Porém, a implementação das ações de proteção e promoção do
aleitamento materno e da adequada alimentação complementar
depende de esforços coletivos intersetoriais e constitui enorme desafio
para o sistema de saúde, numa perspectiva de abordagem integral e
humanizada (Brasil, 2015a).
Se a manutenção do aleitamento materno é vital,
a introdução de alimentos seguros, acessíveis e
culturalmente aceitos na dieta da criança, em
época oportuna e de forma adequada, é de
notória importância para o desenvolvimento
sustentável e equitativo de uma nação, para a
promoção da alimentação saudável em
consonância com os direitos humanos
fundamentais e para a prevenção de distúrbios
nutricionais de grande impacto em Saúde Pública. 
Atualmente tem se falado da importância da alimentação para a
qualidade de vida e a prevenção de doenças crônicas não transmissíveis
na idade adulta, como hipertensão arterial, diabetes mellitus,
arteriosclerose, osteoporose etc., especialmente no 1º ano de vida, devido
ao crescimento e ao desenvolvimento acelerados, que aumentam as
necessidades nutricionais nessa fase.
Muitas vezes, as famílias fazem escolhas inadequadas
por desconhecimento ou questões culturais e repetem
modelos sugeridos pela vizinha ou pelos avós. Outras
vezes, são limitações financeiras ou por priorizarem
demandas de menor importância quando
comparadas à alimentação adequada da criança.
Nestes casos, devemos orientar e reforçar a questão
nutricional (Brasil, 2015b). 
A alimentação das crianças nascidas
pré-termo e de baixo peso é um
processo complexo que envolve
aspectos físicos, neurológicos, cognitivos
e emocionais, o que implica não só a
difícil tarefa de adequação de nutrientes
que interferirão na sobrevida da criança,
mas também o processo de interação
social e formação do apego, envolvendo
a família e a equipe de saúde (BRASIL,
2017). 
Na impossibilidade do aleitamento
materno, deve ser indicada uma fórmula
infantil que cumpra a Lei nº 11.265, de 3
de janeiro de 2006, e aNBCAL (Norma
Brasileira para Comercialização de
Alimentos para Lactentes, Crianças e
Primeira Infância). 
Nenhum outro tipo de leite (de
vaca ou de cabra, por
exemplo) supre a demanda
nutricional do lactente no
primeiro ano de vida, mesmo
com uma alimentação
complementar adequada
(Brasil, 2015b). 
 As fórmulas infantis podem ser
classificadas pela idade e por
necessidades nutricionais
específicas. As fórmulas são
produtos modificados para que
se aproximem da composição
do leite materno e têm como
funções a nutrição adequada e
a segurança alimentar,
atendendo aos padrões do
Codex Alimentarius/FAO/OMS.
08
Vamos conhecer algumas orientações para
as famílias (Brasil, 2015b): 
3. Nutrição na Infância
Utilize a fórmula dentro do prazo de validade
escrito na embalagem. 
Prepare a fórmula exatamente como for
indicado. Se ela for preparada fraca ou diluída
demais, pode prejudicar o crescimento ou
acarretar deficiências na nutrição da criança.
Se for preparada forte demais, pode
ocasionar desidratação e problemas nos rins.
Lave bem as mãos antes de preparar as
mamadeiras e alimentar o bebê. 
Esterilize as mamadeiras antes de colocar a
fórmula. Coloque a mamadeira em uma
panela com um pouco de água e, assim que
a água começar a ferver, aguarde 10 minutos,
escorra a água e deixe a mamadeira secando
ao natural em ambiente limpo e coberto. Em
seguida, guarde-a em recipiente coberto. 
Use sempre água filtrada e fervida. Para
amornar a água que foi fervida e ficou fria,
não use a própria mamadeira: esquente-a
em outra vasilha e depois prepare a
mamadeira. 
Confira sempre a temperatura da fórmula nas
costas da sua mão, antes de dá-la para o
bebê. 
A fórmula não deve ser misturada na água
fervente porque pode perder a sua qualidade.
Recomendamos ferver a água, desligar e
retirar a panela do fogo, marcar 10 minutos
para a água chegar à temperatura de 70°C e
só então misturar a fórmula, deixá-la esfriar
mais um pouco até ficar morna, para depois
oferecê-la à criança. 
3. Nutrição na Infância
Não aqueça a mamadeira no micro-ondas, porque a temperatura
não é a mesma em todo o líquido. Algumas partes estarão frias e
outras muito quentes, podendo queimar a boca do bebê. 
Não use engrossantes (fórmula com cereal), exceto sob
recomendação do pediatra/ médico da ESF. 
Prepare a fórmula na hora da mamada, para evitar que fermente e
perca os seus nutrientes. 
Não coloque a fórmula pronta na geladeira, mesmo que não a tenha
usado. 
Jogue fora a fórmula que sobrar na mamadeira. Germes e bactérias
da saliva do bebê conseguem sobreviver e se reproduzir nos restos.
Quando em uso de fórmula infantil, a água deve ser oferecida mesmo
antes dos 6 meses de idade. Podem-se sugerir, por exemplo, 50
ml/2x/dia e, se estiver calor, pode ser até 3x/dia ou 20 ml/de 5 a
6x/dia.
Por que não devemos dar leite de vaca integral no
primeiro ano de vida? 
O leite de vaca integral “in natura” na forma líquida ou desidratada (em
pó) é um alimento inadequado para crianças menores de 1 ano, pois
está associado a quadros de carência nutricional e ao aparecimento de
doenças crônicas não transmissíveis do adulto.
3. 1 Alimentação complementar 
Para a introdução da alimentação complementar, deve-se considerar a
maturidade fisiológica dos órgãos e sistemas e o desenvolvimento
global e oral da criança, tanto sensorial quanto motor, o que a habilita a
receber outros alimentos além do leite materno (mastigação,
deglutição, digestão e excreção). A maioria das crianças atinge esse
estágio de desenvolvimento por volta dos 6 meses de idade (Brasil,
2015b). 
Para as crianças nascidas pré-termo, antes de se considerar a
introdução da alimentação complementar, é importante considerar
dois aspectos: a idade corrigida e os “sinais de prontidão” para
aceitação de alimentos sólidos: 
Se há redução do reflexo de protusão de língua, o que permite a
aceitação de colher. 
Se a criança tem um bom controle da cabeça, o que é importante
para a deglutição segura de alimentos sólidos. 
Se o bebê tem a capacidade de se manter sentado com apoio.
Para essas crianças, a introdução da alimentação complementar deve
ser avaliada individualmente, considerando-se o desenvolvimento
neuropsicomotor e podendo ser iniciada a partir dos 6 meses da idade
corrigida. 
O Ministério da Saúde/Organização Pan-Americana da Saúde (MS/Opas)
e a Sociedade Brasileira de Pediatria recomendam que a alimentação
complementar deve ser iniciada aos 6 meses de idade para as crianças
nascidas a termo.
Aumento da morbimortalidade, devido ao risco
de contaminação no preparo dos alimentos. 
Diminuição da duração do aleitamento materno. 
Interferência na absorção de nutrientes, porque o
sistema digestório não está preparado para
receber alimentos diferentes do leite materno e,
portanto, não irá absorver tudo o que é preciso. 
Predisposição a reações alérgicas, como asma,
dermatite atópica e alergias alimentares. 
Problemas futuros, como hipertensão arterial,
diabetes, doença cardiovascular e obesidade. 
A introdução precoce da alimentação pode ocasionar: 
3. 1 Alimentação complementar 
14
Por outro lado, a introdução tardia da
alimentação está associada ao déficit de
crescimento e ao risco de deficiência de
micronutrientes (principalmente de ferro,
zinco e vitamina A), de energia e de
proteínas. Por isso, é importante avaliar
cada criança individualmente. 
O Ministério da Saúde, em seu CAB 23, traz orientações em relação à
alimentação da pequena criança (BRASIL, 2015a): 
3. 1 Alimentação complementar 
“Dar somente leite materno até os seis meses, sem
oferecer água, chás ou qualquer outro alimento”. 
Dica ao profissional e à equipe: revejam se as
orientações sobre o aleitamento materno são fornecidas
desde o acompanhamento pré-natal até a época da
alimentação complementar. 
“A partir dos seis meses, introduzir de forma lenta e
gradual outros alimentos, mantendo o leite materno até
os dois anos de idade ou mais”. 
Dica ao profissional e à equipe: antes de darem a
orientação deste passo, perguntem à mãe ou ao
cuidador como ela(ele) imagina ser a alimentação
correta da criança e, a seguir, convidem-na(no) a
complementar os seus conhecimentos de forma elogiosa
e incentivadora.
““Após seis meses, dar alimentos complementares
(cereais, tubérculos, carnes, leguminosas, frutas,
legumes), três vezes ao dia, se a criança receber leite
materno, e cinco vezes ao dia, se estiver desmamada”. 
Dica ao profissional e à equipe: sugiram receitas de
papas, tentando dar a ideia de proporcionalidade, de
forma prática e com linguagem simples.
3. 1 Alimentação complementar 
“A alimentação complementar deve ser oferecida de
acordo com os horários de refeição da família, em
intervalos regulares e de forma a respeitar o apetite da
criança”. 
Dica ao profissional e à equipe: uma visita domiciliar
pode ser uma estratégia interessante para aumentar o
vínculo e orientar toda a família sobre alimentação
saudável. 
“A alimentação complementar deve ser espessa desde o
início e oferecida de colher; começar com consistência
pastosa (papas/purês) e, gradativamente, aumentar a
consistência até chegar à alimentação da família”. 
Dica ao profissional e à equipe: organizem, em parceria
com a comunidade, oficinas de preparação de alimentos
seguros e/ou cozinhas comunitárias. Convidem famílias
com crianças sob risco nutricional. 
“Oferecer à criança diferentes alimentos ao dia. Uma
alimentação variada é uma alimentação colorida”. 
Dica ao profissional e à equipe: conversem sobre a
estimulação dos sentidos, enfocando que a alimentação
deve ser um momento de troca afetuosa entre a criança
e a família. 
“Estimular o consumo diário de frutas, verduras e legumes
nas refeições”. 
Dica ao profissional e à equipe: peçam à mãe que ela
faça uma lista das hortaliças mais utilizadas. Depois,
aumentem essa lista, acrescentando outras opções não
lembradas, destacando alimentos regionais e típicos da
estação. 
3. 1 Alimentação complementar 
““Evitar açúcar, café, enlatados, frituras, refrigerantes,
balas, salgadinhos e outras guloseimasnos primeiros
anos de vida. Usar sal com moderação”. 
Dica ao profissional e à equipe: articulem com a
comunidade e outros setores uma campanha sobre
alimentação saudável. 
““Cuidar da higiene no preparo e manuseio dos
alimentos: garantir o seu armazenamento e conservação
adequados”. 
Dica ao profissional e à equipe: realizem um grupo com
pais, avós e/ou crianças para lhes dar dicas sobre
cuidados de higiene em geral, alimentar e bucal. 
““Estimular a criança doente e convalescente a se
alimentar, oferecendo sua alimentação habitual e seus
alimentos preferidos, respeitando a sua aceitação”. 
Dica ao profissional e à equipe: avaliem em equipe
como está a acessibilidade da criança doente ao serviço
de saúde.
8
Suplementação vitamínica e mineral 
O profissional da atenção primária deve estar atento às necessidades
da suplementação vitamínica, devendo atuar para prevenir carências
de micronutrientes, especialmente nos primeiros anos de vida. 
Atente-se as orientações a seguir.
Vitamina A: a vitamina A possui importante papel
no funcionamento do processo visual, na
integridade do tecido epitelial e no sistema
imunológico, entre outros. Dose: Suplementação
por via oral a cada 6 meses: – dos 6 aos 12 meses
= cápsulas de 100.000 UI. – Dos 12 aos 59 meses =
cápsulas de 200.000 UI a cada seis meses.
Vitamina D: entre os fatores de risco para
deficiência de vitamina D estão a deficiência
materna dessa vitamina durante a gravidez
e a falta de exposição solar. Contribuem
para isso o hábito de viver em áreas urbanas
com prédios e poluição, que bloqueiam a luz
solar, pigmentação cutânea escura, o uso de
protetor solar e a utilização de alguns
anticonvulsivantes como fenobarbital e
carbamazepina. Dose: 400 UI por via oral por
dia, do 1º ao 18º mês de vida.
Ferro: a necessidade de ferro durante os primeiros
anos de vida é muito elevada, sendo importante a
consonância das ações de educação alimentar e
nutricional para alimentação complementar
adequada e saudável com a suplementação
profilática com sais de ferro para as crianças de 6 a
24 meses de idade. Dose: 1 mg/kg/dia de ferro
elementar (máximo de 10 a 15 mg/dia), do início da
alimentação complementar até os 2 anos de idade. 
As crianças nascidas pré-termo alimentadas exclusivamente ao
seio devem receber a prescrição na alta hospitalar descrita a seguir: 
Polivitamínico (solução oral) contendo vitaminas
A C e D – Dose: 12 gotas VO 1x/dia; ou, vitamina A
+ D, 4 gotas VO 1x/dia, mais vitamina C, 3 gotas
VO 1x/dia (a oferta de vitamina D deve ser de 400
UI/dia). 
Ferro (solução oral) - a suplementação de ferro é
iniciada na unidade neonatal (em caso de
internação prolongada) e também deve ser
mantida até os 2 anos. A dose para o bebê pré-
termo pode ser de 3-4 mg/kg/dia de ferro
elementar VO durante o primeiro ano de vida.
Posteriormente, 1 mg/kg/dia por mais um ano.
Sulfato de zinco (10 mg/ml) - Dose de 0,5-1
mg/kg/dia VO desde 36 semanas até 6 meses de
idade corrigida. Fonte: SBP / Seguimento
Ambulatorial do Prematuro de Risco Orientações
aos pais na alta da UTI Neonatal. 
OBS: Em áreas endêmicas de malária não deve ser
usado ferro. 
Quando o resultado da triagem para doença
metabólica óssea for alterado nas crianças nascidas
pré-termo, será preciso continuar a suplementação
de cálcio e fósforo após a alta, com solução
manipulada. Deve-se garantir o aporte de 200-250
mg/kg/dia de cálcio e de 110-125 mg/kg/ dia de
fósforo, considerando o conteúdo do leite adicionado
ao da solução de cálcio e fósforo. 
É muito importante a observação da alimentação no primeiro ano (assim
como também durante toda a vida) e também dos hábitos e do estilo de
vida (praticar atividade física), para que se viva de forma saudável e com
qualidade.
Considerações
finais
O aleitamento materno é um elo vital na cadeia da nutrição
infantil, oferecendo não apenas benefícios físicos, mas
também fortalecendo a base emocional entre mãe e bebê.
Para apoiar essa prática, os bancos de leite desempenham
um papel crucial, cujas mães enfrentam desafios na
amamentação recebam os benefícios nutricionais e
imunológicos essenciais.
A interseção entre aleitamento materno, bancos de leite, 
nutrição infantil e profissional nas APS cria uma sinergia
crucial para a promoção da saúde infantil. Ao compartilhar
conhecimentos, fornecer apoio prático e integrar a
comunidade na promoção do aleitamento materno, os
profissionais de saúde desempenham um papel ativo na
construção de bases sólidas para o crescimento saudável e
o desenvolvimento integral das crianças.
Esperamos que este conteúdo tenha sido proveitoso. Até a
próxima!
10
Referências
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de
Atenção Básica. Saúde da criança: aleitamento materno e alimentação
complementar / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento
de Atenção Básica. – 2. ed. – Brasília: Ministério da Saúde, 2015. 184 p. – (Cadernos de
Atenção Básica; n. 23) (a)
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações
Programáticas Estratégicas. Manual do Método Canguru: seguimento
compartilhado entre a Atenção Hospitalar e a Atenção Básica / Ministério da Saúde,
Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Ações Programáticas
Estratégicas. – Brasília: Ministério da Saúde, 2015. 274 p. (b)
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações
Programáticas Estratégicas. Método Canguru: manual da terceira etapa do Método
Canguru na Atenção Básica / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde,
Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. – Brasília: Ministério da Saúde,
2018. 98 p. 
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações
Programáticas Estratégicas. Atenção humanizada ao recém-nascido: Método
Canguru: manual técnico / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde,
Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. – 3. ed. – Brasília: Ministério da
Saúde, 2017. 340 p. 
MATTAR, M. J. G. Atuação do Banco de Leite humano na humanização da assistência
neonatal. In: MATTAR, M. J. G.; MARIANI NETO, C. Banco de Leite Humano: 15 anos de
funcionamento com qualidade. São Paulo: SES/SP, 2003.

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