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Metodologia Cientifíca AULA 1

Aula 1 de Metodologia Científica: apresenta história e importância da pesquisa em saúde; conceitos de ciência e tipos de conhecimento; métodos científicos (indutivo, dedutivo, hipotético-dedutivo, dialético); classificação de pesquisas; busca em bases e descritores.

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METODOLOGIA CIENTÍFICA 
AULA 1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Cristiano Caveião
 
 
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CONVERSA INICIAL 
Você pode estar se perguntando: por que preciso saber o que é 
metodologia da pesquisa e como utilizá-la se não pretendo trabalhar como 
professor nem mesmo como pesquisador? Nesta aula, vamos lhe mostrar que 
não apenas aqueles que dedicam sua vida à pesquisa, como professores e 
cientistas, fazem uso dos estudos. Além disso, você conseguirá perceber a 
importância da pesquisa em saúde no seu cotidiano. Conhecer as normas para 
elaboração de um texto não significa que só as utilizará para escrever artigos e 
monografias, mas sim em diversas situações. 
Imagine que você está em busca de um emprego na sua área e uma das 
etapas do processo classificatório é enviar um texto para o recrutador. Ok, você 
começa a buscar ideias na internet para escrever seu texto e encontra um com 
as palavras exatas que gostaria de dizer. Você pensa: “que maravilha! Nem 
preciso escrever, pois alguém já fez por mim. Basta copiar e enviar”. Eis que o 
responsável pelo processo de seleção observa que o texto que você enviou foi 
escrito por ele mesmo há alguns anos e reprova sua inserção na empresa, pois 
observa que você não está preparado para tal e não dispõe de conhecimento, 
ou mesmo de ética em pesquisa. 
O exemplo citado é bastante simplório e não demonstra todas as 
situações em que a pesquisa se faz presente em seu cotidiano. Contudo, ao 
longo das aulas, com conhecimentos adquiridos, temos certeza de que 
conseguirá perceber o quão importante é a pesquisa em saúde. 
Nesta aula, vamos estudar os seguintes temas: 
• Aspectos históricos e a importância da pesquisa na saúde; 
• Ciência e conhecimento científico: conceitos e classificação da ciência, o 
conhecimento científico e outros tipos de conhecimento; 
• Método científico: desenvolvimento, histórico, método indutivo, método 
dedutivo, método hipotético-dedutivo, método dialético; 
• Classificação dos tipos de pesquisa; 
• Busca em bases de dados e descritores. 
 
 
 
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TEMA 1 – ASPECTOS HISTÓRICOS E A IMPORTÂNCIA DA PESQUISA NA 
SAÚDE 
As doenças acometem os homens há centenas de anos, contudo a 
assistência e o cuidado se diferem da forma como realizamos hoje. Antigamente, 
a “doença era tratada empiricamente, sendo desenvolvidas várias teorias para 
explicar sua origem” (Reis, 2005, p. 112) e as formas mais abordadas eram 
relacionadas aos aspectos espirituais (a doença era um castigo das divindades) 
ou mesmo humoral, ou seja, algum problema desenvolvido pelo próprio 
indivíduo. 
Com isso, percebe-se que o tratamento fundamentado em conhecimento 
científico não era utilizado, por isso os profissionais que atuavam nesse período 
(barbeiros-cirurgiões) utilizavam-se de técnicas antiquadas sem se preocupar 
com a ética ou moralidade das suas ações (Reis, 2005). Durante o período 
supracitado, as doenças não tinham um tratamento específico e os locais que 
aceitavam receber enfermos o faziam apenas com o intuito de que estes 
indivíduos pudessem ter um local para morrer em paz, vistos como depositários 
de indigentes. Somente após o início das pesquisas em saúde e da evolução 
nos tratamentos é que os hospices passaram a atuar como escolas médicas, 
nas quais o conhecimento e a prática foram interligados. 
Saiba mais 
É importante frisar que no período medieval existiram os hospices, que 
tinham apenas o intuito de depositários de indigentes, ou seja, locais que não 
atuavam com o cuidado e atendimento de doentes. 
Recentemente, mais especificamente na década de 1960, foram abertas 
novas instituições, também denominadas hospices, porém, se diferem daquelas, 
pois oferecem cuidado paliativo às pessoas que estão próximas da morte. Há 
que se destacar que os novos hospices proporcionam todos os cuidados 
necessários para aliviar o sofrimento e as dores dos pacientes (Florianni; 
Schramm, 2010). 
Em razão dos resultados positivos obtidos com a interrelação da prática 
com o conhecimento científico, a pesquisa em saúde consolida-se, inicialmente 
apenas com o intuito curativo e, posteriormente, estendendo-se a pesquisas 
sobre formas de prevenção de doenças e promoção da saúde. 
 
 
4 
O debate sobre a pesquisa em saúde, no Brasil, ganhou espaço a partir 
de 1990, quando o país passou a compor estudos promovidos por duas 
organizações: a Council on Health Research for Development (Cohred) e o 
Global Forum for Health Research. Essas organizações buscam promover e 
fortalecer pesquisas em saúde em países em desenvolvimento “nas agendas 
nacionais, regionais e global, na perspectiva de promover o desenvolvimento e 
reduzir as iniquidades em saúde” (Brasil, 2007, p. 6). 
O principal intuito do país na parceria com tais organizações era que 
novos estudos trouxessem soluções para os problemas apresentados no 
Sistema Único de Saúde (SUS), mas o principal desafio está em conseguir 
atrelar os resultados às ações práticas nos sistemas e serviços de saúde. 
Acredita-se que a melhor forma de realizar tal vínculo é por meio da 
“disseminação de informações que possibilitem abreviar o hiato existente entre 
o novo conhecimento e a sua utilização em benefício da população” (Brasil, 
2007, p. 6). 
Com os avanços nas pesquisas em saúde, várias doenças que dizimavam 
populações foram contidas, além de benefícios com tratamentos mais 
humanizados, como mostra a figura a seguir. 
Figura 1 – Exemplos de importantes inovações na medicina ao longo dos anos 
ANO INOVAÇÃO 
1796 Desenvolvimento da vacina contra vaíola, efetivamente erradicando uma 
doença que dizimou populações 
1842 Éter começa a ser utilizado como anestésico em cirurgias, permitindo que 
pacientes sejam operados sem sentir dor 
1899 Descoberta da aspirina (ácido acetilsalicílico) 
1921 Descobrimento da insulina, fundamental no tratamento do diabetes 
1928 Penicilina é descoberta como o primeiro antibiótico, salvando milhões de 
vidas 
1951 Descoberta a clorpromazina, primeiro antipsicótico, revolucionando o 
trabamento psiquiátrico 
1954 É patenteado o primeiro medicamento para leucemia 
1955 Introdução da vacina contra Pólio, uma das principais causas de 
debilitação à época 
1983 Identificação do vírus do HIV, causador da epidemia da AIDS 
 
Fonte: Pires, 2008. 
Obviamente, esses são apenas alguns exemplos, mas posteriormente 
novos estudos foram e vêm sendo realizados e novos benefícios foram e serão 
gerados, tais como: medicamentos para tratamento da AIDS, vacina para zika, 
 
 
5 
dengue, chikungunya e até a vacina para o COVID-19. A valorização e expansão 
da pesquisa em saúde impacta a vida das pessoas, conforme expõe Reis: 
O incentivo à pesquisa em saúde e a promoção de condições 
favoráveis à realização de estudos científicos geram uma prática 
profissional ampla, eficiente e especializada, pautada em um 
conhecimento seguro, flexível e sedimentado que enobrece o 
profissional e propicia uma assistência plena e garantida à população. 
(Reis, 2005, p. 112) 
Diante do exposto, podemos ressaltar a importância da pesquisa em 
saúde em sua busca por melhores condições de vida para as pessoas, para 
encontrar tratamentos para reabilitação dos enfermos e em formas de prevenir 
doenças. Portanto, seu objetivo está em produzir qualidade de vida às pessoas. 
(Interfarma, 2019) 
Além das ações diretas da pesquisa em saúde, como quando são voltadas 
para a produção de medicamentos e vacinas, temos também a ação indireta, 
que corresponde à influência que a pesquisa em saúde causa nas políticas 
públicas. Não entendeu a relação entre os dois temas? Vamos explicar! 
A questão posta em nossa Constituição Federal sobre a equidade em 
saúde já é um reflexo da interferência da pesquisa em saúde na política pública, 
tendo em vista que estudos apontam que “uma saúde melhor é um elemento 
necessário ao desenvolvimento e que os investimentos na saúde tornaram-seessenciais para as políticas de crescimento econômico que buscam melhorar as 
condições de vida das pessoas mais pobres” (Brasil, 2007), ou seja, um povo 
com saúde irá ajudar seu país a se desenvolver e a crescer. 
Vamos apresentar outra forma de influência da pesquisa nas políticas 
públicas a seguir. 
Pense nas campanhas publicitárias de saúde, como a de antitabagismo. 
O cigarro, em 1881, estava em plena expansão e várias indústrias faturavam alto 
com a venda de seus produtos. Paralelamente ao movimento em prol dos 
cigarros, havia grupos que alertavam sobre os riscos desse vício, embora a 
indústria tabagista crescesse exponencialmente. Entretanto, uma pesquisa 
realizada no ano de 1972 deu o start para os riscos ao uso do tabaco e, então, 
novas pesquisas foram realizadas para estabelecer a relação entre uso do 
tabaco e doenças graves (destarte que apenas a publicação sobre a possível 
relação entre doenças e o tabaco já seria o suficiente para retroceder as vendas 
de cigarro) (Boeira, 2006). A confirmação aconteceu e, assim, políticas públicas 
foram criadas para incentivar as pessoas a deixarem de fumar, tais como a Lei 
http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei%209.294-1996?OpenDocument
 
 
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n. 9.294, de 15 de julho de 19961, que dispõe sobre as “restrições ao uso e à 
propaganda de produtos fumígeros” (Brasil, 1996). A referida ação teve pleno 
êxito no ano de 2014 com a regulamentação da Lei antifumo/ambientes 100% 
livres do tabaco. Pouco mais de um ano após promulgada a lei antifumo, 
percebeu-se uma redução de 11% entre os tabagistas passivos (aqueles que 
não fumam, mas convivem com fumantes) (Brasil, 2014; Abe; Issa; Kallil Filho, 
2018). 
Com esses exemplos, conseguimos encontrar a primeira resposta para os 
primeiros objetivos de nossa aula: saber o início da pesquisa em saúde e 
esclarecer a importância dela para sociedade. Agora vamos conversar sobre o 
que é ciência e o que é conhecimento científico. 
TEMA 2 – CIÊNCIA E CONHECIMENTO CIENTÍFICO: CONCEITOS E 
CLASSIFICAÇÃO DA CIÊNCIA, O CONHECIMENTO CIENTÍFICO E OUTROS 
TIPOS DE CONHECIMENTO 
Ciência é sinônimo de conhecimento científico? E aquilo que sabemos 
porque todo mundo sabe, será que é conhecimento científico? São esses tópicos 
que iremos abordar neste tema, com o intuito de descobrir o que é a ciência e a 
diferença dela para conhecimento científico; o que é conhecimento científico e o 
que é conhecimento popular, além de conhecer as classificações da ciência. 
Então, para iniciar nossa conversa, vamos entender o que é conhecer: 
Conhecer é atividade especificamente humana. Ultrapassa o mero 
“dar-se conta de”, e significa a apreensão, a interpretação. Conhecer 
supõe a presença de sujeitos; um objeto que suscita sua atenção 
compreensiva; o uso de instrumentos de apreensão; um trabalho de 
debruçar-se sobre. Como fruto desse trabalho, ao conhecer, cria-se 
uma representação do conhecido - que já não é mais o objeto, mas 
uma construção do sujeito. O conhecimento produz, assim, modelos 
de apreensão - que por sua vez vão instruir conhecimentos 
futuros. (Araújo, 2004 apud França, 1994, p. 140) 
Diante do exposto, tem-se que o conhecimento é ter consciência das 
necessidades que o permeiam e ir em busca de respostas. Como esse 
conhecimento pode ser construído de várias maneiras, com ele nascem os tipos 
de conhecimento: empírico ou popular, científico, religioso ou filosófico, 
apresentados na figura a seguir: 
 
1 Novas atualizações (leis) foram criadas após a promulgação dessa lei. Citamos apenas a 
primeira como forma de exemplificar os fatos relacionados à pesquisa. 
http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei%209.294-1996?OpenDocument
 
 
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Figura 2 – Tipos de conhecimento 
 
Fonte: Caveião, 2020. 
Os conhecimentos não podem ser menosprezados pela forma como 
foram construídos. Por isso, mesmo classificado como um conhecimento 
empírico (senso comum), ainda é um tipo de conhecimento, elaborado por meio 
de metodologia diferenciada, a qual não apresenta profundidade e é subjetiva. 
Contudo, “não se distingue do conhecimento científico nem pela veracidade nem 
pela natureza do objeto conhecido: o que os diferencia é a forma, o modo ou o 
método e os instrumentos do 'conhecer'" (Araujo, 2006). 
Com relação ao conhecimento teológico, podemos destacar que também 
não pode ser constatado, já que seus acontecimentos transcendem gerações. 
Contudo, é importante ressaltar que nesse tipo de conhecimento a evolução é 
lenta e passível de estagnação. 
Há que se destacar que os tipos de conhecimento fazem a ciência evoluir, 
uma vez que as problemáticas do cotidiano necessitam de respostas. Assim, 
logo vêm o conhecimento empírico ou religioso ou filosófico e, em seguida, o 
estudo científico para certificá-lo (ou não). 
Agora que já sabemos o que é conhecimento, conhecimento científico e 
conhecimento popular, vamos descobrir o que é a ciência: Ciência é a junção 
organizada de vários conhecimentos científicos. Conforme aponta Cartoni (2009, 
p. 17), “é o processo de produção de conhecimento. Pode ser entendida, nesse 
Empírico
•É o conhecimento advindo da rotina, do cotidiano, por isso é conhecido como 
conhecimento popular. Ele surge por meio das experiencias adquiridas ao longo 
da vida (erros e acertos) e é transmitido de pais para filhos, passando de geração 
em geração. 
Científico
•Esse conhecimento é adquirido por meio da busca do saber com base em 
métodos fundamentados, em que haja prova do resultado obtido. Trata-se de 
lidar com fatos e situações reais que podem ser comprovadas.
Filosófico
•Advém do esforço humano em tentar conhecer e compreender as intercorrências 
humanas. Sendo filosófica, dispensa a necessidade de comprovação ou de 
provas lógicas. É a busca pelo sentido da vida.
Religioso
•Esse tipo de conhecimento está baseado naquilo que o individuo crê, o qual não 
precisa de provas lógicas ou de bases filosóficas para se fazer conhecedor.
 
 
8 
sentido, como um conjunto de métodos lógicos e empíricos que permitem a 
observação sistemática de fenômenos, a fim de compreendê-los e estabelecer 
padrões regulares que seguem”. 
Para Araujo (2005), ciência é concebida como: 
A ciência, pois, é uma forma de conhecimento que, compreendida num 
sentido mais específico, [...] "O discurso científico tem a intenção 
confessada de produzir conhecimento, numa busca sem fim da 
verdade" (Alves, 1987: 170). Para conseguir alcançar esse 
conhecimento mais adequado, mais fiel à realidade, a ciência busca o 
desejado equilíbrio entre as duas dinâmicas do conhecimento, isto é, a 
constante renovação e a consolidação dos conhecimentos já 
construídos. 
Sendo um conjunto de conhecimento, seu objetivo é responder a 
questionamentos, solucionar problemáticas e desenvolver formas de simplificar 
situações difíceis da vida. Em outras palavras, a ciência pode ser vista como 
uma forma de buscar o bem-estar das pessoas. 
Por ser organizada, a ciência tem classificações conforme aponta a 
imagem a seguir: 
Figura 3 – Classificação das ciências 
 
Fonte: Elaborado com base em: Wazlawick, 2010, p. 5. 
As ciências formais são assim classificadas por tratarem de elementos 
abstratos, diferentemente das ciências factuais, que atuam baseadas em fatos 
concretos, adquiridos por meio de dados empíricos, os quais, por sua vez, 
encontram-se atrelados a teorias. Por isso, como representante das ciências 
Formal ou 
empírica
• A ciência formal 
é aquela em que 
são estudadas 
ideias, 
idependentemen
te de sua 
aplicabilidade 
na natureza ou 
ao ser humano. 
Um exemplo de 
ciência formal é 
a matemática.
Pura ou aplicada
• Estuda o 
conceito básico 
sem 
preocupação 
com o período 
de 
aplicabilidade. 
Um exemplo 
desse tipo de 
ciência é a 
cosmologia.
Exatas e inexatas
• As ciências 
exatas são 
aquelas que têm 
resultados 
precisos 
(ciência da 
computação),já 
entre as 
inexatas 
encontram-se as 
ciências sociais, 
pois são 
aquelas que 
podem prever 
comportamento
s gerais de seus 
fenômenos, mas 
cujos resultados 
nem sempre são 
esperados.
Duras e Moles
• As ciênias duras 
são aquelas que 
utilizam rigor 
científico em 
sua 
metodologia. 
São 
exemplificadas 
pelas pesquisas 
médicas e em 
saúde. Já a 
ciência mole é 
baseada em 
estudos de 
caso, ou seja, 
quando se 
trabalha na 
impossibilidade 
de obter 
resultados 
controlados. 
Nomotéticas e 
idiográficas
• Nomotéticas são 
ciências que 
estudam 
fenômenos 
repetitivos, 
passíveis de 
previsões e 
idiográficas, são 
fenomenos 
únicos. 
 
 
9 
formais, apontamos a matemática, já do segundo grupo (factual), temos 
geologia, biologia e a química. 
Compreenda que a ciência não é indiscutível e sempre existe espaço para 
questioná-la. Imagine se ninguém tivesse questionado a ciência após ter sido 
constatado como verdade que a Terra era o centro do universo? Até hoje essa 
seria a verdade única, mas após novos estudos e pesquisas, hoje sabemos que 
não é assim. Não que a ciência aceite mentiras, mas ela aceita a verdade até o 
ponto em que se comprove o contrário, por isso sempre abre espaço para novos 
conhecimentos e novos estudos. Dessa forma, ela pode se reinventar e se 
renovar, ou seja, as verdades na ciência são transitórias (Cartoni, 2009). 
Diante disso, pode-se afirmar que o conhecimento científico deve se abrir 
a novas pesquisas para que esteja em constante progresso e atualização. Assim, 
é necessário que, ao iniciar um processo de investigação científica, esta seja 
pautada pelo critério da falseabilidade, que “exclui aqueles modos de evadir a 
falsificação logicamente admissíveis”, de maneira a minimizar os riscos de 
interferência do pesquisador nos resultados (Cartoni, 2009, p. 18). 
Compreenda que não é por falta de ética que o pesquisador pode realizar 
tal interferência, mas sim por ter como verdade e não conseguir perceber suas 
ações involuntárias em busca da sua verdade. Por isso, a metodologia deve ser 
muito bem fundamentada, para que lacunas como essas deixem de existir. Um 
bom pesquisador sempre terá uma postura crítica, ética e racional no 
desenvolvimento de seu estudo. 
Agora que já sabemos o que é conhecimento e ciência, seus tipos e 
classificações, abordaremos outra temática: método científico. Para isso, vamos 
analisar o que são método, metodologia científica e método científico. 
TEMA 3 – MÉTODO CIENTÍFICO: DESENVOLVIMENTO HISTÓRICO, 
MÉTODO INDUTIVO, MÉTODO DEDUTIVO, MÉTODO HIPOTÉTICO-
DEDUTIVO, MÉTODO DIALÉTICO 
Método científico é essencial para formular uma pesquisa, pois é por meio 
dele que você definirá os passos a seguir. 
Vamos utilizar um exemplo simples para mostrar que o método científico 
está em nosso cotidiano sem nos darmos conta disso. 
 
 
10 
Você vai pegar o transporte público para ir à faculdade e, para isso, antes 
de sair de casa, certifica-se de que seu cartão transporte está em sua carteira. 
Sai de casa, entra no ônibus e, ao passar o cartão transporte na máquina de 
cobrança, nada acontece. Diante disso, você começa a se questionar: “será que 
tenho créditos? Será que a máquina está quebrada?”. Esses questionamentos 
são hipóteses que você está formulando. Em seguida, inicia sua busca pelas 
respostas (verificar se há crédito, verificar se tem dinheiro para pagar etc.). O 
motivo de o seu cartão não ser aceito você pode nunca descobrir (nem todo 
estudo tem resultado positivo, mas isso é assunto para outra hora), mas o fato 
de você ter uma problemática e formular hipóteses já configura a utilização de 
um método científico. 
Afinal, o método científico é definido como regras utilizadas para 
realização de uma experiência que tenha o intuito de produzir/corrigir/integrar 
ciência (conhecimento), e pode ser conceituado como: etapas para elaboração 
de trabalhos científicos (Jacobsen, 2016; Borges, 2014). Dessa forma, 
determina-se que para ser um método científico é preciso existir um problema 
(questionamento), a formulação de hipóteses, testes das hipóteses e obtenção 
de um resultado, conforme demonstra a figura a seguir. 
Figura 4 – Resumo de método científico 
 
Fonte: Jacobsen, 2016. 
 
 
11 
Para ilustrar ainda mais o que é o método científico, temos a seguir a 
sugestão de um trecho do programa Mundo de Beakman, em que o apresentador 
explica o que é método científico. Acesse para saber mais: 
. 
Sabendo o que é um método científico e as etapas necessárias que o 
compõem, podemos passar a desvendar outros assuntos vinculados ao método 
científico, tais como: método indutivo, método dedutivo, método hipotético-
dedutivo e o método dialético. 
O método indutivo refere-se à análise de uma situação concreta por 
parte do pesquisador, o qual “realizará um processo de indução até chegar a 
uma premissa maior” (Borges, 2014, p. 86), ou seja, os resultados são obtidos 
por meio da observação sistemática do pesquisador, conforme afirmou Francis 
Bacon, pai do método indutivo. Para que o pesquisador faça uso desse método 
científico, é preciso que realize alguns procedimentos (Diniz; Silva, 2008, p. 4): 
• observação sistemática dos fenômenos; 
• elaboração de classificações a partir da descoberta de relação entre 
os fenômenos observados; 
• construção de hipóteses (verdades provisórias) a partir das relações 
observadas; 
• verificação das hipóteses por meios de experimentações e testes; 
• construção de generalizações, a partir dos resultados 
experimentados e testados, servindo como explicação para outros 
estudos que apresentem casos similares; 
• confirmação das hipóteses para se estabelecer as leis gerais sobre 
os fenômenos investigados. 
Esse método dificilmente abrange pesquisas no âmbito das ciências 
sociais, tendo em vista que se trata da repetição de fenômenos, o que é muito 
difícil de ocorrer em fenômenos sociais. 
O método dedutivo é o oposto da prerrogativa do método indutivo, 
configura-se em “pegar uma hipótese genérica e, por intermédio da dedução, 
chegar a uma conclusão, a uma solução ao problema” (Borges, 2014, p. 86). 
Diniz e Silva (2008, p. 6) expõem que o método dedutivo “parte das teorias 
e leis consideradas gerais e universais buscando explicar a ocorrência de 
fenômenos particulares”. As autoras continuam, ainda, afirmando que o método 
dedutivo surge das leis universais (pensamentos racionais) que chegam a 
determinada conclusão, assim, o “exercício do pensamento pela razão cria uma 
operação na qual são formuladas premissas e as regras de conclusão que se 
denominam demonstração”. 
 
 
12 
Entre os dois métodos, existem pontos de convergência, tal como a busca 
pela verdade, e pontos de divergência (figura 5): 
Figura 5 – Diferenças entre os métodos de indução e de dedução 
 
Fonte: Metodologia científica, [S.d.]. 
 Conhecendo esses dois métodos, passaremos a discutir sobre o método 
hipotético-dedutivo e o método dialético. Vamos iniciar pelo hipotético-
dedutivo, que pode ser considerado a junção dos métodos dedutivo e indutivo, 
acrescido de racionalização e experimentação. Trata-se de um método que 
versa na apresentação de hipóteses prováveis (com tendência de viabilidade) 
para a resolução de um problema, após o levantamento de possíveis resoluções, 
realiza-se uma limpeza de hipóteses falsas e encerra-se com a comprovação (ou 
não) das hipóteses que restaram. Assim, nesse método, trabalhamos com a 
problemática, as hipóteses, a exclusão de falsas hipóteses e, então, a 
comprovação (ou não) das hipóteses (Fumec, 2013). 
 Almeida [S.d.]) coloca o método hipotético da seguinte forma: 
[...] se o conhecimento é insuficiente para explicar um fenômeno, surge 
o problema; para expressar as dificuldades do problema são 
formuladas hipóteses; das hipóteses deduzem‐se consequências a 
serem testadas ou falseadas (tornar falsas as consequênciasdeduzidas das hipóteses); enquanto o método dedutivo procura 
confirmar a hipótese, o hipotético‐dedutivo procura evidências 
empíricas para derrubá‐las. 
Em relação ao método dialético, o autor o define como “empregado em 
pesquisa qualitativa, considera que os fatos não podem ser considerados fora 
de um contexto social; as contradições se transcendem dando origem a novas 
contradições que requerem soluções”. 
Compreenda que dialético vem de diálogo, ou seja, da argumentação e 
contra-argumentação, um debate de ideias que não permite comprovações, as 
 
 
13 
quais não tratam de objetos fixos e interligados a outras questões que estão ao 
seu redor. O método dialético encontra-se no campo qualitativo, visto que não 
há como mensurar os dados, pois estão em constante alteração. Diante disso, o 
método dialético configura-se nos seguintes passos: Tese, antítese e a síntese 
(que pode gerar uma nova tese). Sendo a tese uma pretensão de verdade, a 
antítese, elementos que desmontam a tese, a síntese é o que sobrou deste 
embate entre a tese e a antítese. 
Tudo o que vimos até agora são métodos, mas, afinal, o que é a 
metodologia? É a ciência em que se estuda o método científico. Em outras 
palavras, a metodologia refere-se aos métodos utilizados na pesquisa. 
Por fim, qual é a diferença entre método científico e metodologia? 
A metodologia se refere aos procedimentos e ao conjunto de técnicas que 
serão utilizados na pesquisa. Passamos a falar, então, em métodos como sendo 
“métodos de abordagem” e em metodologias como os “métodos de 
procedimento”, que podem ser chamados de técnicas de pesquisa (Fumec, 
2013, p. 93). 
TEMA 4 – CLASSIFICAÇÃO DOS TIPOS DE PESQUISA 
Ao falar em classificação por tipo de pesquisa, temos muitas análises a 
serem realizadas. A pesquisa pode ser classificada de acordo com a abordagem 
(quantitativa ou qualitativa), ou conforme sua natureza (básica ou aplicada). 
Temos, ainda, a pesquisa quanto ao seu objetivo (exploratória, descritiva ou 
explicativa) e quanto aos procedimentos (experimental, bibliográfica, 
documental, de campo, estudo de caso, de levantamento, e outras). 
Por enquanto, vamos nos ater apenas à sua natureza e ao objetivo, pois 
as demais classificações veremos nas próximas aulas. 
O tipo de pesquisa, considerando sua natureza, pode ser classificado em 
básica, que consiste em “gerar conhecimentos novos, úteis para o avanço da 
ciência, sem aplicação prática prevista. Envolve verdades e interesses 
universais” (Silveira;Gerhardt, 2009, p. 34), enquanto a pesquisa de natureza 
aplicada remete ao inverso da primeira, pois tem como objetivo gerar 
conhecimento para aplicação prática, ou seja, visa à resolução de problemas 
específicos, por isso está mais relacionada a interesses locais. 
 
 
14 
Passamos agora a discutir o tipo de pesquisa considerando seu objetivo. 
Para isso, utilizaremos a definição de Gil (2002, p. 41) para a pesquisa 
exploratória, que a esclarece muito bem: 
Pode-se dizer que estas pesquisas têm como objetivo principal o 
aprimoramento de ideias ou a descoberta de intuições. Seu 
planejamento é, portanto, bastante flexível, de modo que possibilite a 
consideração dos mais variados aspectos relativos ao fato estudado. 
Na maioria dos casos, essas pesquisas envolvem: (a) levantamento 
bibliográfico; (b) entrevistas com pessoas que tiveram experiências 
práticas com o problema pesquisado; e (c) análise de exemplos que 
"estimulem a compreensão”. 
As pesquisas exploratórias são comumente utilizadas em pesquisas 
bibliográficas ou estudos de caso. 
As pesquisas classificadas como descritivas visam descrever (como seu 
nome bem a denomina) as características de determinada população, grupo, 
enfim, objeto de estudo. Para esse tipo de objetivo, comumente utiliza-se a 
aplicação de questionários e realiza-se a observação sistemática, já que seu 
objetivo está em avaliar opiniões, crenças ou até mesmo dados demográficos, 
tais como idade, altura e estado de saúde. 
Para concluir a abordagem sobre o tipo de pesquisa descritiva, 
apontamos que essa, juntamente da exploratória, é uma das mais utilizadas por 
pesquisadores sociais. 
Por fim, a pesquisa explicativa comumente avalia “os fatores que 
determinam ou contribuem para ocorrência de fenômenos” (Gil, 2002, p.42). Ela 
tem o intuito de explicar o motivo dos fatos por meio do aprofundamento da 
realidade. Isso faz com que esse tipo de pesquisa seja muito delicado, uma vez 
que o risco de erros pode ser considerável. 
A utilização desse tipo de objetivo está relacionada a pesquisas do tipo 
experimentais ou ex-post facto (que estudaremos mais adiante). 
TEMA 5 – BUSCA EM BASES DE DADOS E DESCRITORES 
Você pode estar se perguntando sobre a necessidade deste tópico. 
Podemos fazer nossa pesquisa utilizando a base de sites de busca (como 
Google), porém, vale destacar que a busca pelo endereço ou a indicação de um 
local qualquer se difere da busca por informações científicas que podem dar a 
base para seu estudo. Sabemos que muitas informações inseridas na internet 
são falsas e sem comprovações, por isso é preciso saber onde e como buscar 
 
 
15 
essas informações, com fundamentação e evidência científica. Para nos auxiliar 
nessa busca, utilizamos as bases de dados eletrônicas, que são como imensas 
revistas científicas, prontas para serem acessadas a qualquer momento. 
Latorraca et al. (2019) expõem de forma brilhante a diferença entre 
realizar uma busca no google e em uma base de dados científica: 
“aproximadamente 413.000 resultados no Google Acadêmico com o termo 
‘myocardial revascularization’ tornam-se 99.540 no Medline (via PubMed) para 
uma busca simples usando o mesmo termo”. Segundo os autores, isso acontece 
porque a Pubmed tem uma base mais bem estruturada, que irá em busca apenas 
dos artigos científicos com embasamento no assunto, e não pela simples citação 
da palavra em seu texto. 
Agora que já citamos uma das bases da saúde (Pubmed), vamos 
apresentar as demais: Bireme, LILACS, IBECS, MEDLINE, Biblioteca Cochrane 
e SciELO (Quadro 1): 
Quadro 1 – Principais bases de dados da saúde 
BASE DE DADOS DESCRIÇÃO 
BIREME Biblioteca atrelada ao Sistema Latino-Americano e do Caribe de 
Informação em Ciências da Saúde. Visa disseminar o conhecimento 
para fins acadêmicos e de pesquisa. 
LILACS Base que integra o Sistema Latino-Americano e do Caribe de 
Informação em Ciências da Saúde. 
IBECS Utiliza a metodologia LILACS, desenvolvida pela BIREME, com a 
finalidade de posteriormente se poderem integrar as bases de dados 
IBECS y LILACS (Bases de dados de Literatura Latino-americana de 
Ciências da saúde), o que permitirá recompilar esta seleção de literatura 
científica latino-americana e espanhola numa única Base de Dados 
Bibliográfica LILACS-IBECS, como referência internacional 
PUBMED É uma base de dados desenvolvida pelo National Center for 
Biotechonology Information (NCBI) na Library of Medicine (NLM) 
disponível na web. É uma das diversas bases de dados que fazem parte 
do sistema de recuperação Entrez do NCBI, que é um sistema da busca 
e de recuperação que integra as informações das bases de dados da 
NCBI com o PubMed e inclui: MEDLINE, Nucleotide Sequences, Protein 
Sequences, Macromolecular Structures e Whole Genomes. 
MEDLINE É o maior componente do PubMed. Cobre mais de 4.800 revistas 
publicadas nos Estados Unidos e em mais de 70 outros países desde 
1966. Produzida pela National Library of Medicine (NLM), é uma base 
de dados de literatura internacional que reúne referências bibliográficas 
e resumos de revistas biomédicas, cobrindo as áreas de medicina, 
enfermagem, odontologia, medicina veterinária e ciência pré-clínicas. A 
atualização da base de dados é mensal. 
BIBLIOTECA 
COCHRANE 
É uma Biblioteca Virtual de Saúde (BVS) que tem acesso diferenciado 
à melhor coleção de fontes de informação de evidência sobre os efeitos 
das intervenções em saúde oferecidasaos profissionais de saúde dos 
países da América Latina e Caribe. 
SCIELO É uma biblioteca virtual piloto que abrange uma coleção selecionada de 
periódicos científicos brasileiros com base hospedada na FAPESP. 
Fonte: Latorraca et al., 2019. 
 
 
16 
Agora que já sabemos o que são e quais são as mais importantes bases 
de dados para saúde, vamos passar a discutir sobre os descritores. Estes são 
palavras/termos que podemos utilizar para definir a busca, ou seja, são 
definidores de assuntos. Entre os descritores mais conhecidos, encontram-se os 
DeCS, que significam descritores da saúde, e os MeSH, que correspondem a 
Medical Subheadings. A utilização do descritor dependerá da base de dados 
utilizada (Latorraca et al., 2019). 
Os descritores se aproximam das palavras-chave, porém se diferem por 
serem interligados., ou seja, por meio do termo utilizado, torna-se possível fazer 
a busca em qualquer banco de dados. 
Ao realizar uma busca, é preciso saber como utilizar o descritor, pois você 
pode fazer a junção de dois termos e não obter o resultado esperado, por isso 
utilizamos os operadores booleanos, que são conectores de termos. Funciona 
da seguinte forma: você indicará para abase de dados se você quer uma busca 
de publicações que tenham pelo menos um dos termos (or), se quer que ela 
busque publicações que tenham os dois termos utilizados (and), ou se você quer 
apenas um termo específico (not/and not), conforme aponta imagem a seguir 
(Latorraca, 2019, p. 62): 
Figura 6 – Descritores 
 
Fonte: Latorraca, 2019. 
A utilização desses operadores faz com que sua busca seja mais 
direcionada ao que se espera, assim, ela poderá ser mais abrangente quando 
utilizado termo or ou and, e mais específica no caso de not/and not. 
NA PRÁTICA 
Escolha um tema para a realização de uma pesquisa científica que seja 
relevante para a área da saúde. Identifique um problema (questionamento), 
formule hipóteses e organize as informações para essa pesquisa. 
 
 
17 
FINALIZANDO 
Em nossa aula, apresentamos o início da ciência, como surgiu e a 
importância dela para a sociedade atual. Depois, passamos a conversar sobre 
os tipos de métodos utilizados, e descobrimos que existem os hipotéticos, os 
indutivos, os dedutivos e o dialético. 
Em seguida, descobrimos o que é a metodologia (ciência em que se 
estuda o conjunto dos métodos) e a diferença entre ela e o método propriamente 
dito (que é a técnica utilizada). 
Para finalizar, apontamos as principais bases de dados da saúde e sua 
importância para a pesquisa científica, bem como o que são os descritores e 
como realizar uma busca utilizando os operadores booleanos. 
Em nossos próximos encontros, você vai conhecer os elementos de um 
trabalho científico e perceberá a importância dos temas tratados nesta aula para 
a realização de um artigo científico. 
 
 
 
 
18 
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	Conversa inicial
	Na prática
	FINALIZANDO
	REFERÊNCIAS

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