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Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem Direito Civil 1 Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem Direito Civil 2 Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem Direito Civil 3 Direito Civil Revisão Turbo | 41° Exame da OAB Sumário Aula 23/07/2024 – turno manhã ................................................................................................... 4 Aula 25/07/2024 – turno noite ...................................................................................................... 9 Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem Direito Civil 4 Aula 23/07/2024 – turno manhã Prof.ª Maitê Damé 1) FGV – 2022 – OAB – 35º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase Maurício, ator, 23 anos, e Fernanda, atriz, 25 anos, diagnosticados com Síndrome de Down, não curatelados, namoram há 3 anos. Em 2019, enquanto procuravam uma atividade laborativa em sua área, tanto Maurício quanto Fernanda buscaram, em processos diferentes, a fixação de tomada de decisão apoiada para o auxílio nas decisões relativas à celebração de diversas espécies de contratos, a qual se processou seguindo todos os trâmites adequados deferidos pelo Poder Judiciário. Assim, os pais de Maurício tornaram-se seus apoiadores e os pais de Fernanda, os apoiadores dela. Em 2021, Fernanda e Maurício assinaram contratos com uma emissora de TV, também assinados por seus respectivos apoiadores. Como precisarão morar próximo à emissora, o casal terá de mudar-se de sua cidade e, por isso, está buscando alugar um apartamento. Nesta conjuntura, Maurício e Fernanda conheceram Miguel, proprietário do imóvel que o casal pretende locar. Sobre a situação apresentada, conforme a legislação brasileira, assinale a afirmativa correta. A) Maurício e Fernanda são incapazes em razão do diagnóstico de Síndrome de Down. B) Maurício e Fernada são capazes por serem pessoas com deficiência apoiadas, ou seja, caso não fossem apoiados, seriam incapazes. C) Maurício e Fernanda são capazes, independentemente do apoio, mas Miguel poderá exigir que os apoiadores contra-assinem o contrato de locação, caso ele seja realmente celebrado. D) Miguel, em razão da capacidade civil de Maurício e de Fernanda, fica proibido de exigir que os apoiadores de ambos contra-assinem o contrato de locação, caso ele seja realmente celebrado. 2) FGV – 2022 – OAB – 35º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase Paulo é pai de Olívia, que tem três anos. Paulo é separado de Letícia, mãe de Olívia, e não detém a guarda da criança. Por sentença judicial, ficou fixado o valor de R$3.000,00 a título de pensão alimentícia em favor de Olívia. Paulo deixou de pagar a pensão alimentícia nos últimos cinco meses e, ajuizada uma ação de execução contra ele, não foi possível encontrar patrimônio suficiente para fazer frente às obrigações inadimplidas. Entretanto, Paulo é também sócio da sociedade Paulo Compra e Venda de Joias Ltda., sociedade que tem patrimônio considerável. Diante desse cenário, assinale a afirmativa correta. A) Tendo em vista a absoluta autonomia da pessoa jurídica em relação aos seus sócios, não é possível, em nenhuma hipótese, que, na ação de execução, Olívia atinja o patrimônio da pessoa jurídica Paulo Compra e Venda de Joias Ltda. B) É possível a desconsideração inversa da personalidade jurídica, a fim de se atingir o patrimônio da sociedade Paulo Compra e Venda de Joias Ltda., independentemente de restar configurada a situação de abuso da personalidade jurídica. C) Ainda que se comprove o abuso da personalidade jurídica, a legislação apenas reconhece a hipótese de desconsideração direta da personalidade jurídica, não se admitindo a desconsideração inversa, razão pela qual não é possível que Olívia atinja o patrimônio da sociedade Paulo Compra e Venda de Joias Ltda. D) É possível a desconsideração inversa da personalidade jurídica, a fim de que Olívia atinja o patrimônio da sociedade Paulo Compra e Venda de Joias Ltda., caso se considere que Paulo praticou desvio de finalidade ou confusão patrimonial. Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem Direito Civil 5 3) FGV – 2023 – OAB – 37º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase A Associação Atlética de uma renomada instituição de ensino jurídico brasileira, que possui mais de seiscentos associados, publica edital em seu site e, também, nas redes sociais, de convocação para uma Assembleia Geral, a ser realizada por meio eletrônico, trinta dias após a publicação, tendo como pauta a aprovação das contas dos diretores relativas ao exercício financeiro anterior e a alteração do estatuto. Diante da situação narrada, assinale a afirmativa correta. A) A convocação de Assembleia Geral feita pela Associação Atlética apresenta um vício formal que conduz à nulidade absoluta, haja vista a impossibilidade da realização de Assembleia Geral por meio eletrônico. B) A realização de Assembleia Geral por meio eletrônico é possível juridicamente, desde que respeitada a participação e a manifestação dos associados, salvo para alteração estatutária, que deverá ser feita por reunião presencial, de modo que o edital da Associação Atlética é nulo, admitindo-se a conversão. C) A realização de Assembleia Geral por meio eletrônico é válida, desde que garantida a participação e a manifestação dos associados, além do respeito às normas estatutárias, inclusive, para a finalidade de alteração dos estatutos. D) A realização de Assembleia Geral por meio eletrônico é anulável, por falta de previsão legal, admitindo-se, por conseguinte, a convalidação. 4) FGV – 2019 – OAB – 30º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase Arnaldo, publicitário, é casado com Silvana, advogada, sob o regime de comunhão parcial de bens. Silvana sempre considerou diversificar sua atividade profissional e pensa em se tornar sócia de uma sociedade empresária do ramo de tecnologia. Para realizar esse investimento, pretende vender um apartamento adquirido antes de seu casamento com Arnaldo; este, mais conservador na área negocial, não concorda com a venda do bem para empreender. Sobre a situação descrita, assinale a afirmativa correta. A) Silvana não precisa de autorização de Arnaldo para alienar o apartamento, pois destina-se ao incremento da renda familiar. B) A autorização de Arnaldo para alienação por Silvana é necessária, por conta do regime da comunhão parcial de bens. C) Silvana não precisa de autorização de Arnaldo para alienar o apartamento, pois se trata de bem particular. D) A autorização de Arnaldo para alienação por Silvana é necessária e decorre do casamento, independentemente do regime de bens. 5) FGV – 2023 – OAB – 37º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase Pedro e Joana casaram-se pelo regime da comunhão parcial de bens. Na constância do casamento, Pedro herdou ações e comprou um carro, enquanto Joana recebeu de doação um apartamento e ganhou um prêmio de loteria. Com base nessas informações, assinale a opção que indica, em caso de divórcio, os bens que devem ser partilhados. A) As ações e o apartamento. B) O carro e o prêmio de loteria. C) O carro e o apartamento. D) As ações e o prêmio de loteria. Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem Direito Civil 6 6) FGV – 2024 – OAB – 40º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase Vitória e Rodrigo foram casados, em regime de comunhão parcial de bens, e são pais de Mariana. Quando Mariana atingiu 16 (dezesseis) anos, os pais divorciaram-se, passando a residir em lares distintos e a compartilhar a guarda de Mariana. Mariana passou a residir com o pai. A respeito do dever de educação de Mariana, assinale a afirmativa correta. A) Caberá a Vitória e a Rodrigo, já que o dever de educação inseridocontra o descendente, se este for incapaz. Um ponto muito importante diz respeito à solidariedade entre todos os sujeitos do artigo 942, já que o parágrafo único informa que são solidariamente responsáveis com os autores os co-autores e as pessoas designadas no artigo 932. Observação: responsabilidade do incapaz (art. 928 do CC). De acordo com o referido artigo, a responsabilidade do incapaz é subsidiária. Assim, primeiro respondem os responsáveis pelo incapaz. Se estas pessoas não tiverem condições financeiras ou não forem obrigadas a tanto, então se irá responsabilizar o incapaz. Mesmo assim, de acordo com o parágrafo único, a indenização deverá ser equitativa e, se privar o incapaz ou as pessoas que dele dependam do seu sustento, então tal indenização não terá lugar. 15.1.2. Responsabilidade civil por fato de animal Prevista no art. 936 do CC: Art. 936. O dono, ou detentor, do animal ressarcirá o dano por este causado, se não provar culpa da vítima ou força maior. Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem Direito Civil 41 Atentar para as excludentes: nas quais o dono/detentor não será responsabilizado: culpa da vítima e força maior. 15.1.3. Responsabilidade civil do dono de edifício ou construção pela sua ruína O dono de edifício ou construção responde pelos danos que resultarem de sua ruína, se esta provier de falta de reparos, cuja necessidade fosse manifesta, consoante artigo 937 do CC. A responsabilidade é do dono do edifício ou da construção. 15.1.4. Responsabilidade por objetos caídos ou lançados do prédio Prevista no art. 938 do CC: Art. 938. Aquele que habitar prédio, ou parte dele, responde pelo dano proveniente das coisas que dele caírem ou forem lançadas em lugar indevido. Ponto muito importante a ser verificado que a responsabilidade é de quem habita o prédio. Assim, seriam responsáveis o locatário, comodatário, proprietário, enfim, quem estiver habitando o prédio. Caso não se saiba de onde partiu o objeto caído ou lançado, os tribunais têm entendido pela responsabilização do condomínio que, após (e caso) identificado o responsável, poderá ajuizar regresso contra o ofensor. Resolva a questão a seguir: 28) FGV – 2022 – OAB – 36º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase Henrique, mecânico da oficina Carro Bom, durante a manutenção do veículo de Sofia, deixado aos seus cuidados, arranhou o veículo acidentalmente, causando danos materiais à mesma. Ciente de que Henrique não tinha muitos bens materiais e que a execução em face de Henrique poderia ser frustrada, Sofia pretende ajuizar ação indenizatória em face da oficina Carro Bom. A esse respeito, é correto afirmar que Carro Bom responderá A) pelos danos causados a Sofia, devendo-se perquirir se houve culpa em eligendo pela oficina de um preposto desqualificado. B) subsidiariamente pelos danos causados por Henrique, caso este não tenha bens suficientes para saldar a execução. C) objetivamente pelos danos, sendo vedado o regresso em face do mecânico que atuou culposamente, pois a oficina não poderá repassar o risco de seu negócio a terceiros. D) objetivamente pelos danos, sendo permitido o regresso em face do mecânico que atuou culposamente. Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem Direito Civil 42 Gabaritos das questões: 1 – C 2 – D 3 – C 4 – B 5 – B 6 – A 7 – C 8 – D 9 – C 10 – A 11 – D 12 – C 13 – C 14 – A 15 – D 16 – D 17 – D 18 – D 19 – D 20 – D 21 – B 22 – B 23 – A 24 – A 25 – A 26 – D 27 – A 28 – D Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem Direito Civil 43 Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem Direito Civil 44nos deveres e direitos dos pais com relação aos filhos, no exercício do poder familiar, independe da situação conjugal de ambos. B) Com o divórcio, o dever de educação passa a ser somente do pai, com quem Mariana reside, sendo impossível fisicamente Vitória colaborar nesse sentido, dada a distância física de Mariana. C) Com o divórcio, caberá este dever somente ao pai, Rodrigo, pois, em que pese a guarda compartilhada, Mariana reside com ele. D) A guarda e a convivência determinam a quem caberá o dever de educar o filho, de modo que, nesse caso, o dever de educação passa a ser somente do pai. 7) FGV – 2019 – OAB – 29º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase Gumercindo, 77 anos de idade, vinha sofrendo os efeitos do Mal de Alzheimer, que, embora não atingissem sua saúde física, perturbavam sua memória. Durante uma distração de seu enfermeiro, conseguiu evadir-se da casa em que residia. A despeito dos esforços de seus familiares, ele nunca foi encontrado, e já se passaram nove anos do seu desaparecimento. Agora, seus parentes lidam com as dificuldades relativas à administração e disposição do seu patrimônio. Assinale a opção que indica o que os parentes devem fazer para receberem a propriedade dos bens de Gumercindo. A) Somente com a localização do corpo de Gumercindo será possível a decretação de sua morte e a transferência da propriedade dos bens para os herdeiros. B) Eles devem requerer a declaração de ausência, com nomeação de curador dos bens, e, após um ano, a sucessão provisória; a sucessão definitiva, com transferência da propriedade dos bens, só poderá ocorrer depois de dez anos de passada em julgado a sentença que concede a abertura da sucessão provisória. C) Eles devem requerer a sucessão definitiva do ausente, pois ele já teria mais de oitenta anos de idade, e as últimas notícias dele datam de mais de cinco anos. D) Eles devem requerer que seja declarada a morte presumida, sem decretação de ausência, por ele se encontrar desaparecido há mais de dois anos, abrindo-se, assim, a sucessão. Prof.ª Patricia Strauss 8) FGV – 2023 – OAB – 39º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase Marcelo alugou um cavalo do haras Galopante para, com ele, disputar uma corrida no dia 15, comprometendo-se a devolvê-lo no dia seguinte à corrida (dia 16). Entretanto, Marcelo se afeiçoou pelo animal e não o devolveu no prazo estipulado, usando-o para passeios em sua fazenda. O haras, com isso, deixou de alugar o animal para outro jóquei que pretendia correr com ele no dia 18 e já o havia reservado. Para completar, no dia 20, em um dos passeios com Marcelo, o cavalo se assustou com uma cobra e sofreu uma queda. No acidente, fraturou a perna e teve que ser sacrificado. Diante disso, assinale a opção que indica os prejuízos que o haras Galopante pode exigir de Marcelo devido à falta do cavalo. A) Deve ser incluído o aluguel que deixou de receber do outro jóquei, mas não o equivalente do animal, porque Marcelo ficou liberado da responsabilidade pela impossibilidade da prestação a partir do dia 20, eis que decorrente de caso fortuito. Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem Direito Civil 7 B) Devem ser excluídos tanto o aluguel que receberia do outro jóquei, por se tratar de dano hipotético, como o equivalente do animal, pois Marcelo ficou liberado da responsabilidade pela impossibilidade da prestação a partir do dia 20, eis que decorrente de caso fortuito. C) Deve ser incluído o equivalente pecuniário do cavalo, tendo em vista a responsabilidade de Marcelo pela impossibilidade da prestação enquanto estava em mora, mas excluído o aluguel que receberia do outro jóquei, por se tratar de dano hipotético. D) Devem ser incluídos tanto o aluguel que deixou de receber do outro jóquei como o equivalente pecuniário do cavalo, tendo em vista a responsabilidade de Marcelo pela impossibilidade da prestação, enquanto estava em mora. 9) FGV – 2023 – OAB – 37º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase Joana contratou Maria para fotografar a festa infantil de sua filha, Laura. No momento do contrato, Maria exigiu um sinal equivalente a 20% do preço pactuado para o serviço. O restante do preço seria pago após a festa, quando entregues as fotografias do evento. Acontece que Maria não compareceu à festa de Laura, deixando de tirar as fotografias contratadas. Joana contratou, às pressas, outro fotógrafo e conseguiu registrar o evento a seu gosto. Entretanto, teve de pagar valores mais altos ao novo fotógrafo, o que lhe gerou prejuízos de ordem material. Diante desse cenário, considerando-se que os danos de Joana se limitaram aos prejuízos materiais, assinale a afirmativa correta. A) Joana pode pedir a devolução dos 20% adiantados mais o equivalente, com atualização monetária, juros e honorários de advogado, mas não pode pedir indenização suplementar em nenhuma hipótese. B) Joana pode pedir apenas a devolução dos 20% adiantados e indenização suplementar, independentemente da prova do prejuízo. C) Joana pode pedir a devolução dos 20% adiantados mais o equivalente, com atualização monetária, juros e honorários de advogado, e, se provar maior prejuízo, pode pedir indenização suplementar. D) Joana pode pedir a devolução dos 20%, acrescidos de atualização monetária, juros e honorários de advogado, sendo esse o máximo de indenização possível. 10) FGV – 2022 – OAB – 34º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase Ivan, sócio da Soluções Inteligentes Ltda., celebra contrato de empreitada, na qualidade de dono da obra, com Demétrio, sócio da Construções Sólidas Ltda., tendo esta como a empresa empreiteira. A obra tem prazo de duração de 1 (um) ano, contratada a um custo de R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais), fracionados em 12 (doze) prestações mensais de R$ 200.000,00 (duzentos mil reais). O contratante, Ivan, necessita da obra pronta no prazo acordado. Em razão disso, acordou com Demétrio uma cláusula resolutiva expressa, informando que o atraso superior a 30 (trinta) dias importaria em extinção automática do contrato. Para se resguardar, Ivan exigiu de Demétrio que expusesse seu acervo patrimonial, mostrando o balanço contábil da empresa, de modo a ter convicção em torno da capacidade econômica da empreiteira para levar a cabo uma obra importante, sem maiores riscos. Transcorridos três meses de obra, que seguia em ritmo normal, em conformidade com o cronograma, Ivan teve conhecimento de que a empreiteira sofreu uma violenta execução judicial, impondo redução de mais de 90% (noventa por cento) de seu ativo patrimonial, fato que tornou ao menos duvidosa a capacidade da empreiteira de executar plenamente a obrigação pela qual se obrigou. Diante deste fato, assinale a afirmativa correta. A) Ivan pode se recusar a pagar o restante das parcelas da remuneração da obra até que Demétrio dê garantia bastante de satisfazê-la. Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem Direito Civil 8 B) O dono da obra pode requerer a extinção do contrato, ao fundamento de que há inadimplemento anterior ao termo, pela posterior redução da capacidade financeira da empreiteira. C) A cláusula resolutiva expressa prevista no contrato é nula, pois o ordenamento não permite a resolução automática dos contratos, por inadimplemento, impondo-se a via judicial. D) A parte contratante tem direito de invocar a exceção de contrato não cumprido, em face do risco iminente de inadimplemento. 11) FGV – 2021 – OAB – 33º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase Matheus, médico clínico-geral, recebe para atendimento em seu consultório o paciente Victor, mergulhador profissional. Realizando a anamnese, Victor relata que é alérgico à ácido acetilsalicílico. Desatento, Matheus ministra justamente esta droga a Victor como parte de seu tratamento. Victor tem danos permanentes em razão do agravamento de sua asma pelo uso inadequado do medicamento, tendo que comprarnovos medicamentos para seu tratamento e, ainda mais grave, fica impedido de trabalhar nos dois anos seguintes. A respeito da responsabilidade civil de Matheus, assinale a afirmativa correta. A) Ele responderá pelo regime objetivo de responsabilidade civil, tendo em vista que a atividade de Matheus é arriscada. B) Ele deverá indenizar Victor independentemente de culpa, isto é, de imperícia de sua parte, considerando existir relação de consumo. C) Ele, sendo profissional liberal, terá apurada sua responsabilidade mediante a verificação de culpa, responsabilizando-se unicamente pelos danos diretos verificados no caso. D) Ele deverá indenizar Victor pelas despesas do tratamento e pelos lucros cessantes até o fim da convalescença, além da pensão correspondente à importância do trabalho para que se inabilitou. Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem Direito Civil 9 Aula 25/07/2024 – turno noite 1. Parte geral: bem de família Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem Direito Civil 10 Resolva a questão a seguir: 12) FGV – 2016 – OAB – 20º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase Manoel, em processo judicial, conseguiu impedir que fosse penhorado seu único imóvel, sob a alegação de que este seria bem de família. O exequente, então, pugna pela penhora da vaga de garagem de Manoel. A esse respeito, assinale a afirmativa correta. A) A vaga de garagem não é considerada bem de família em nenhuma hipótese; portanto, sempre pode ser penhorada. B) A vaga de garagem que possui matrícula própria no registro de imóveis não pode ser penhorada, por ser acessória ao bem principal impenhorável. C) A vaga de garagem só poderá ser penhorada se existir matrícula própria no Registro de Imóveis. D) A vaga de garagem que não possui matrícula própria no registro de imóveis não constitui bem de família para efeito de penhora. 2. Direito das coisas: posse 2.1. Efeitos da posse O Código Civil estabelece, dos arts. 1.210 ao 1.222 os efeitos da posse. Tais efeitos podem ser de ordem material ou processual. Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem Direito Civil 11 Os efeitos materiais dizem respeito a percepção dos frutos e suas consequências, ao direito a indenização e retenção das benfeitorias, as responsabilidades e ao direito de usucapião. Já os efeitos processuais dizem respeito a possibilidade de utilização dos interditos possessórios, as ações possessórias e a legítima defesa da posse e do desforço imediato. 2.2. Proteção possessória Dentro dos efeitos da posse encontra-se a possibilidade que o possuidor tem de se utilizar das ações possessórias (ou interditos possessórios) para proteção e defesa de sua posse. Importante observar que as ações possessórias tanto podem ser exercidas pelo proprietário detentor da posse, como também por aquele que, embora não tenha a propriedade, se encontra na posse da coisa. Quanto a proteção possessória, o CC prevê os seguintes dispositivos: Art. 1.210. O possuidor tem direito a ser mantido na posse em caso de turbação, restituído no de esbulho, e segurado de violência iminente, se tiver justo receio de ser molestado. § 1° O possuidor turbado, ou esbulhado, poderá manter-se ou restituir-se por sua própria força, contanto que o faça logo; os atos de defesa, ou de desforço, não podem ir além do indispensável à manutenção, ou restituição da posse. Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem Direito Civil 12 § 2° Não obsta à manutenção ou reintegração na posse a alegação de propriedade, ou de outro direito sobre a coisa. Art. 1.211. Quando mais de uma pessoa se disser possuidora, manter-se-á provisoriamente a que tiver a coisa, se não estiver manifesto que a obteve de alguma das outras por modo vicioso. Art. 1.212. O possuidor pode intentar a ação de esbulho, ou a de indenização, contra o terceiro, que recebeu a coisa esbulhada sabendo que o era. Art. 1.213. O disposto nos artigos antecedentes não se aplica às servidões não aparentes, salvo quando os respectivos títulos provierem do possuidor do prédio serviente, ou daqueles de quem este o houve. 2.3. Ações possessórias Interdito proibitório: caso de ameaça ou risco ao exercício da posse do titular. Proteção de perigo iminente. Ação de manutenção de posse: caso de turbação ou perturbação à posse, ou seja, houve um atentado à posse, mas sem retirá-la do possuidor. Preservação da posse. Ação de reintegração de posse: caso de esbulho ou retirada da posse, quando o atentado se concretiza e o possuidor é destituído da sua posse. Devolução da posse. Cabível sempre que houver invasão, mesmo que parcial, do imóvel. Resolva a questão a seguir: 13) FGV – 2019 – OAB – 29° Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase Em 05/05/2005, Aloísio adquiriu uma casa de 500 m² registrada em nome de Bruno, que lhe vendeu o imóvel a preço de mercado. A escritura e o registro foram realizados de maneira usual. Em 05/09/2005, o imóvel foi alugado, e Aloísio passou a receber mensalmente o valor de R$ 3.000,00 pela locação, por um período de 6 anos. Em 10/10/2009, Aloísio é citado em uma ação reivindicatória movida por Elisabeth, que pleiteia a retomada do imóvel e a devolução de todos os valores recebidos por Aloísio a título de locação, desde o momento da sua celebração. Uma vez que Elisabeth é judicialmente reconhecida como a verdadeira proprietária do imóvel em 10/10/2011, pergunta-se: é correta a pretensão da autora ao recebimento de todos os aluguéis recebidos por Aloísio? A) Sim. Independentemente da sentença de mérito, a própria contestação automaticamente transforma a posse de Aloísio em posse de má-fé desde o seu nascedouro, razão pela qual todos os valores recebidos pelo possuidor devem ser ressarcidos. B) Não. Sem a ocorrência de nenhum outro fato, somente após uma sentença favorável ao pedido de Elisabeth, na reivindicatória, é que seus argumentos poderiam ser considerados verdadeiros, o que caracterizaria a transformação da posse de boa-fé em posse de má-fé. Como o possuidor de má-fé tem direito aos frutos, Aloísio não é obrigado a devolver os valores que recebeu pela locação. C) Não. Sem a ocorrência de nenhum outro fato, e uma vez que Elisabeth foi vitoriosa em seu pleito, a posse de Aloísio passa a ser qualificada como de má-fé desde a sua citação no processo – momento em que Aloísio tomou conhecimento dos fatos ao final reputados como verdadeiros –, exigindo, em tais condições, a devolução dos frutos recebidos entre 10/10/2009 e a data de encerramento do contrato de locação. Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem Direito Civil 13 D) Não. Apesar de Elisabeth ter obtido o provimento judicial que pretendia, Aloísio não lhe deve qualquer valor, pois, sendo possuidor com justo título, tem, em seu favor, a presunção absoluta de veracidade quanto a sua boa-fé. Resolva a questão a seguir: 14) FGV – 2015 – OAB – 16° Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase Mediante o emprego de violência, Mélvio esbulhou a posse da Fazenda Vila Feliz. A vítima do esbulho, Cassandra, ajuizou ação de reintegração de posse em face de Mélvio após um ano e meio, o que impediu a concessão de medida liminar em seu favor. Passados dois anos desde a invasão, Mélvio teve que trocar o telhado da casa situada na fazenda, pois estava danificado. Passados cinco anos desde a referida obra, a ação de reintegração de posse transitou em julgado e, na ocasião, o telhado colocado por Mélvio já se encontrava severamente danificado. Diante de sua derrota, Mélvio argumentou que faria jus ao direito de retenção pelas benfeitorias erigidas, exigindo que Cassandra o reembolsasse. A respeito do pleito de Mélvio, assinale a afirmativa correta. A) Mélvio não faz jus ao direito de retenção por benfeitorias, poissua posse é de má-fé e as benfeitorias, ainda que necessárias, não devem ser indenizadas, porque não mais existiam quando a ação de reintegração de posse transitou em julgado. B) Mélvio é possuidor de boa-fé, fazendo jus ao direito de retenção por benfeitorias e devendo ser indenizado por Cassandra com base no valor delas. C) Mélvio é possuidor de má-fé, não fazendo jus ao direito de retenção por benfeitorias, mas deve ser indenizado por Cassandra com base no valor delas. D) Mélvio é possuidor de má-fé, fazendo jus ao direito de retenção por benfeitorias e devendo ser indenizado pelo valor atual delas. 3. Direitos reais sobre coisas alheias e de garantia Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem Direito Civil 14 3.1. Diferença entre passagem forçada x servidão Todo imóvel deve ser acessível e, em razão disto, o dono do prédio encravado – sem acesso – pode exigir do vizinho a passagem forçada (art. 1.285 do CC). Este é um direito decorrente da vizinhança. Essa passagem será concedida pelo imóvel mais natural e que mais facilmente se preste a passagem, mediante indenização e a localização da passagem será fixada judicialmente quando não houver acordo entre as partes. Trata-se de instituto obrigatório. Já a servidão é voluntária/facultativa. É direito real e se constitui por acordo entre os proprietários de prédios vizinhos, para beneficiar um deles (prédio dominante), também podendo ser estabelecida quando um dos imóveis seja encravado (art. 1.378, CC). Observe que a servidão deve ser levada a registro no Cartório de Registro de Imóveis. Esta é a diferença entre elas. Veja que o enunciado 88 das Jornadas de Direito Civil prevê que esse direito a passagem forçada (vizinhança) “também é garantido nos casos em que o acesso à via pública for insuficiente ou inadequado, consideradas, inclusive, as necessidades de exploração econômica”. Perceba que não é por capricho do dono do prédio, mas em razão de ser insuficiente o acesso. Resolva a questão a seguir: 15) FGV – 2023 – OAB – 38° Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase Antônio é proprietário de um prédio que não tem acesso à via pública. De um lado, Antônio tem Ricardo como vizinho, cuja propriedade alcança a via pública. Do outro lado, Antônio tem Luíza como vizinha, cuja propriedade também alcança a via pública. Todavia, no caso do imóvel de Luíza, o caminho até a via pública é menos natural e mais difícil. Ricardo e Luíza recusaram-se a oferecer voluntariamente a passagem. Diante disso, Antônio pode exigir A) tanto a passagem de Ricardo quanto a de Luiza, a seu critério, mas só precisará pagar indenização cabal se escolher Luiza. B) tanto a passagem de Ricardo quanto a de Luiza, a seu critério, e deverá pagar indenização cabal a quem escolher. C) que Ricardo lhe dê a passagem, sem que seja obrigado a pagar qualquer indenização a ele. D) que Ricardo lhe dê a passagem, mediante pagamento de indenização cabal. 4. Direito das coisas: condomínio Veja o esquema na página a seguir... Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem Direito Civil 15 ótima citação do documento ou use este espaço para enfatizar um ponto- chave. Para colocar essa caixa de texto em qualquer lugar na página, basta arrastá-la.] Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem Direito Civil 16 Resolva a questão a seguir: 16) FGV – 2022 – OAB – 36º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase Otávio é proprietário e residente do apartamento 706, unidade imobiliária do condomínio edilício denominado União II, e é conhecido pelos vizinhos pelas festas realizadas durante a semana, que varam a madrugada. Na última comemoração, Otávio e seus convivas fizeram uso de entorpecentes e, em trajes incompatíveis com as áreas comuns do prédio, ficaram na escada do edifício cantando até a intervenção do síndico, que acionou a polícia para conter o grupo, que voltou para o apartamento de Otávio. No dia seguinte, o síndico convocou uma assembleia para avaliar as sanções a serem aplicadas ao condômino antissocial. Ficou decidido, pelo quórum de ¾, a aplicação de multa de cinco vezes o valor da contribuição mensal. Sobre a hipótese apresentada, assinale a afirmativa correta. A) A multa aplicada é indevida, pois apesar do comportamento de Otávio, ele é proprietário de unidade imobiliária autônoma, assim como os demais condôminos que deliberaram a multa em seu desfavor. B) O síndico poderia ter aplicado a multa de até cinco contribuições mensais, sem a convocação da assembleia. C) A aplicação da multa em face de Otávio é ilegal, pois a sanção deveria ser precedida por ação judicial para sua aplicação. D) O síndico aplicou corretamente a multa. Caso o comportamento antissocial de Otávio persista, a multa poderá ser majorada para até dez vezes o valor da contribuição mensal do condomínio. 5. Alimentos Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem Direito Civil 17 Súmula 596 do STJ: A obrigação alimentar dos avós tem natureza complementar e subsidiária, somente se configurando no caso de impossibilidade total ou parcial de seu cumprimento pelos pais. Súmula 621 do STJ: Os efeitos da sentença que reduz, majora ou exonera o alimentante do pagamento retroagem à data da citação, vedadas a compensação e a repetibilidade. Resolva a questão a seguir: 17) FGV – 2023 – OAB – 38º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase Robson, advogado de sucesso e bem-sucedido profissionalmente, foi preso e condenado, com sentença transitada em julgado, pelo crime de homicídio, iniciando o cumprimento de sua pena no regime fechado. Ele é pai de Raquel, 17 anos, fruto de sua união com Rose e ambos compartilham a guarda da filha. Rose e Robson divorciaram-se e, em ação própria, foi fixado o dever de Robson prover alimentos para Raquel. A respeito dos efeitos da prisão de Robson sobre o dever de alimentos, assinale a afirmativa correta. A) Afasta-se a obrigação de prestar alimentos de Robson considerando que a mãe de Raquel, Rose, ainda está viva. B) A prisão de Robson suspende o dever de prestar alimentos, que volta a produzir seus efeitos imediatamente após o cumprimento integral da pena. C) Robson poderá cessar a prestação de alimentos, independente de interpelação judicial, assim que Raquel alcançar a maioridade, o que acontecerá muito em breve. D) O fato de Robson estar preso não afasta sua obrigação alimentar. 6. Aceitação e renúncia Veja o esquema na página a seguir... Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem Direito Civil 18 Resolva a questão a seguir: 18) FGV – 2020 – OAB – 31º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase Arnaldo faleceu e deixou os filhos Roberto e Álvaro. No inventário judicial de Arnaldo, Roberto, devedor contumaz na praça, renunciou à herança, em 05/11/2019, conforme declaração nos autos. Considerando que o falecido não deixou testamento e nem dívidas a serem pagas, o valor líquido do monte a ser partilhado era de R$ 100.000,00 (cem mil reais). Bruno é primo de Roberto e também seu credor no valor de R$ 30.000,00 (trinta mil reais). No dia 09/11/2019, Bruno tomou conhecimento da manifestação de renúncia supracitada e, no dia 29/11/2019, procurou um advogado para tomar as medidas cabíveis. Sobre esta situação, assinale a afirmativa correta. A) Em nenhuma hipótese Bruno poderá contestar a renúncia da herança feita por Roberto. B) Bruno poderá aceitar a herança em nome de Roberto, desde que o faça no prazo de quarenta dias seguintes ao conhecimento do fato. C) Bruno poderá, mediante autorização judicial, aceitar a herança em nome de Roberto, recebendo integralmente o quinhão do renunciante. D) Bruno poderá, mediante autorização judicial, aceitar a herança em nome de Roberto, no limite de seu crédito. Revisão Turbo | 41º Exame de OrdemDireito Civil 19 7. Exclusão da sucessão Indignidade • Decorre de lei; • Hipóteses: art. 1.814 do CC; • Independe de manifestação; • Alcança o herdeiro legítimo e o testamentário (instituído ou legatário); • A exclusão depende da ação de indignidade: Art. 1.815-A. Em qualquer dos casos de indignidade previstos no art. 1.814, o trânsito em julgado da sentença penal condenatória acarretará a imediata exclusão do herdeiro ou legatário indigno, independentemente da sentença prevista no caput do art. 1.815 deste Código. • Prazo – 4 anos – abertura da sucessão; • Admite reabilitação, mediante perdão do ofendido; • Nem sempre os fatos são anteriores à morte do autor da herança. Deserdação • Decorre da vontade do autor da herança; • Hipóteses: art. 1.814 + art. 1.962 + art. 1.963, do CC; • Necessita de manifestação da vontade do autor da herança, em testamento; • Só atinge aos herdeiros necessários – descendentes, ascendentes e cônjuge; • A exclusão depende da ação de deserdação. Deve indicar a causa da deserdação no testamento; • Prazo – 4 anos – abertura do testamento; • Não comporta perdão, pois o ato correspondente é praticado em testamento (ato de última vontade). Pode, contudo, novo testamento revogar o anterior; • Os suportes fáticos são anteriores à morte do autor da herança. Resolva a questão a seguir: 19) FGV – 2019 – OAB – 30º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase Juliana, Lorena e Júlia são filhas de Hermes, casado com Dóris. Recentemente, em razão de uma doença degenerativa, Hermes tornou-se paraplégico e começou a exigir cuidados maiores para a manutenção de sua saúde. Nesse cenário, Dóris e as filhas Juliana e Júlia se revezavam a fim de suprir as necessidades de Hermes, causadas pela enfermidade. Quanto a Lorena, esta deixou de visitar o pai após este perder o movimento das pernas, recusando-se a colaborar com a família, inclusive financeiramente. Diante desse contexto, Hermes procura você, como advogado(a), para saber quais medidas ele poderá tomar para que, após sua morte, seu patrimônio não seja transmitido a Lorena. Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem Direito Civil 20 Sobre o caso apresentado, assinale a afirmativa correta. A) A pretensão de Hermes não poderá ser concretizada segundo o Direito brasileiro, visto que o descendente, herdeiro necessário, não poderá ser privado de sua legítima pelo ascendente, em nenhuma hipótese. B) Não é necessário que Hermes realize qualquer disposição ainda em vida, pois o abandono pelos descendentes é causa legal de exclusão da sucessão do ascendente, por indignidade. C) Existe a possibilidade de deserdar o herdeiro necessário por meio de testamento, mas apenas em razão de ofensa física, injúria grave e relações ilícitas com madrasta ou padrasto atribuídas ao descendente. D) É possível que Hermes disponha sobre deserdação de Lorena em testamento, indicando, expressamente, o seu desamparo em momento de grave enfermidade como causa que justifica esse ato. 8. Sucessão legítima Veja a tabela na próxima página... Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem Direito Civil 21 Resolva a questão a seguir: 20) FGV – 2019 – OAB – 28º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase Matheus, sem filhos, casado com Jane, no regime de comunhão parcial de bens, falece após enfarto fulminante. De seu parentesco em linha reta são ainda vivos Carlos, seu pai, e Irene, sua avó materna. A partir da situação acima, assinale a opção que indica a sucessão de Matheus. A) Serão herdeiros Carlos, Irene e Jane, a última em concorrência, atribuído quinhão de 1/3 do patrimônio para cada um deles. B) Serão herdeiros Carlos e Jane, atribuído quinhão de 2/3 ao pai e de 1/3 à Jane, cônjuge concorrente. C) Carlos será herdeiro sobre a totalidade dos bens, enquanto Jane apenas herda, em concorrência com este, os bens particulares do falecido. D) Serão herdeiros Carlos e Jane, esta herdeira concorrente, atribuído quinhão de metade do patrimônio para cada um destes. 9. Liberdade de testar, rompimento de testamento x redução de disposições testamentárias Princípio da liberdade limitada de testar: existe um percentual que não está sujeito à vontade do testador, quando existirem herdeiros necessários. Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem Direito Civil 22 Havendo herdeiros necessários – art. 1.789 – dispõe da metade da herança. Herdeiros necessários: art. 1.845 – descendentes, ascendentes e cônjuge. Deve ser respeitada a metade disponível aos herdeiros necessários: art. 1846 do CC (herança ≠ legítima). Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem Direito Civil 23 Resolva a questão a seguir: 21) FGV – 2022 – OAB – 34º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase Clóvis, funcionário público aposentado, divorciado, falecido em março de 2020 com 75 anos, era pai de Leonora, 40 anos, e Luciana, 16 anos. Faleceu sem deixar dívidas e sem realizar doações aos seus herdeiros necessários. Titular de um patrimônio razoável, foi vítima de um câncer descoberto no estágio terminal, 6 (seis) meses antes de sua morte. Desde o nascimento de Luciana, sempre foi uma preocupação de Clóvis proporcionar para ela as mesmas oportunidades desfrutadas por Leonora, quais sejam, cursar o ensino superior com auxílio paterno e, assim, conseguir o subsídio necessário para buscar uma carreira de sucesso profissional. Por este motivo, Clóvis vendeu os 3 (três) imóveis que compõem 70% do seu patrimônio de que era proprietário quando Luciana ainda era criança e depositou este dinheiro em conta bancária, juntamente com todas as suas economias, no intuito de deixar, quando de sua morte, somente patrimônio em dinheiro. No ano de 2019, ao saber de sua doença, Clóvis, em pleno exercício de suas faculdades mentais, elaborou um testamento público, destinando toda a parte disponível de sua herança à Luciana. Diante de seu falecimento, é possível afirmar que: A) Clóvis não poderia vender seus imóveis ao longo de sua vida, pois lhe era vedado determinar a conversão dos bens da legítima em outros de espécie diversa. B) Caberá à Luciana 75% da herança de Clóvis. Já Leonora receberá 25% da mesma herança. C) Clóvis perdeu a capacidade de dispor do seu patrimônio por testamento a partir do momento em que descobriu o diagnóstico de câncer. D) A herança deve ser dividia em partes iguais entre as filhas de Clóvis, ou seja, 50% para Luciana e 50% para Leonora. 10. Direito das obrigações: adimplemento e extinção das obrigações 10.1. Do pagamento Para que se tenha a liberação do vínculo obrigacional, com a extinção da obrigação é necessário que se cumpra o pagamento com seus cinco requisitos: quem paga, para quem se paga, o que se paga, onde se paga e quando se paga. Uma vez cumpridas tais exigências, teremos a extinção da obrigação através do pagamento. Se uma delas não for cumprida, poderá ser aplicado o ditado de que: “quem paga mal, paga duas vezes.” Veja o esquema na página a seguir... Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem Direito Civil 24 10.1.1. De quem deve pagar: artigos 304 a 307 Outras pessoas, além do devedor, podem pagar e outras pessoas além do credor podem receber. Quem pode pagar: • Devedor; • Terceiro interessado (por exemplo: fiador): ao pagar, se sub-roga nos direitos do credor primitivo; • Terceiro não interessado (amigo, por exemplo): ao pagar, não se sub-roga, mas tem direito de regresso contra o devedor, caso tenha feito o pagamento em seu nome; • Segundo o artigo 304 qualquer interessado poderá pagar a dívida e se o credor se opuser poderá o terceiro ajuizar ação de consignação em pagamento. Se houver pagamento por terceiro não interessado, sem que o devedor saiba ouem oposição ao devedor não terá o terceiro direito de pedir o reembolso para o devedor, se este último tinha meios para ilidir a ação. 10.1.2. Para quem se paga O pagamento será feito ao credor ou a quem de direito represente este credor. • Pagamento feito ao credor putativo terá validade se feito de boa-fé, ainda provado que depois não era credor. Aplicação da teoria da aparência (artigo 309); Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem Direito Civil 25 • Pagamento feito cientemente ao credor incapaz como regra não terá validade, mas se provar que o pagamento reverteu em benefício do incapaz, então será válido (artigo 310). 10.1.3. Objeto de pagamento e sua prova: artigos 313 a 326 Objeto do pagamento: arts. 313 a 318 do Código Civil. Prova: arts. 319 a 326 do Código Civil. Objeto: • Com relação ao objeto de pagamento, o devedor e credor não são obrigados a pagar ou receber um objeto diferente do contratado, ainda que sejam mais valiosos. Da mesma forma, sendo a obrigação divisível, não podem credor/devedor partilhar a prestação se assim não se estipulou; • Extremamente relevante o artigo 317 que trata sobre a revisão contratual por fato superveniente: Art. 317. Quando, por motivos imprevisíveis, sobrevier desproporção manifesta entre o valor da prestação devida e o do momento de sua execução, poderá o juiz corrigi-lo, a pedido da parte, de modo que assegure, quanto possível, o valor real da prestação. Prova: o devedor que paga, tem direito à quitação regular e pode reter o pagamento, se não lhe for entregue a quitação. Quitação é a prova efetiva do pagamento. Seus requisitos se encontram no artigo 320: Art. 320. A quitação, que sempre poderá ser dada por instrumento particular, designará o valor e a espécie da dívida quitada, o nome do devedor, ou quem por este pagou, o tempo e o lugar do pagamento, com a assinatura do credor, ou do seu representante. Parágrafo único. Ainda sem os requisitos estabelecidos neste artigo valerá a quitação, se de seus termos ou das circunstâncias resultar haver sido paga a dívida. Desta forma, preferencialmente se espera que a quitação preencha os requisitos do “caput” do art. 320. Contudo, caso não possua todos requisitos, poderá ainda assim o pagamento ser comprovado por outros meios, como estipula o parágrafo único do art. 320 do CC. 10.1.4. Do lugar do pagamento: artigos 327 a 330 Como regra geral, se nada for estipulado, o pagamento será feito no domicílio do devedor. Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem Direito Civil 26 Designados dois ou mais lugares, caberá ao credor escolher qual domicílio será efetuado o pagamento. Muito importante: “Artigo 330. O pagamento reiteradamente feito em outro local faz presumir renúncia do credor relativamente ao previsto no contrato.” Temos uma importante relação com o Princípio da boa-fé objetiva. Temos aqui a aplicação da “supressio” e da “surrectio”. “Supressio” significa supressão, por renúncia tácita, pelo não exercício com o passar do tempo. Já a “surrectio” significa que, ao mesmo tempo em que o credor, por exemplo, perde o direito do pagamento no domicílio estipulado, significa que o devedor ganha um novo domicílio para efetuar o pagamento. 10.1.5. Do tempo do pagamento: artigos 331 a 333 Como regra, a dívida deve ser paga no vencimento (artigo 331). No entanto, se não houver data de pagamento, o cumprimento da obrigação poderá ser exigido à vista (cuidar o contrato de mútuo, que tem regra própria no artigo 592 do CC). Já o artigo 333 trata sobre a possibilidade de vencimento antecipado da dívida. Isso ocorre: I - no caso de falência do devedor, ou de concurso de credores; II - se os bens, hipotecados ou empenhados, forem penhorados em execução por outro credor; III - se cessarem, ou se se tornarem insuficientes, as garantias do débito, fidejussórias, ou reais, e o devedor, intimado, se negar a reforçá-las. Resolva a questão a seguir: 22) FGV – 2020 – OAB – 31º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase Jacira mora em um apartamento alugado, sendo a locação garantida por fiança prestada por seu pai, José. Certa vez, Jacira conversava com sua irmã Laura acerca de suas dificuldades financeiras, e declarou que temia não ser capaz de pagar o próximo aluguel do imóvel. Compadecida da situação da irmã, Laura procurou o locador do imóvel e, na data de vencimento do aluguel, pagou, em nome próprio, o valor devido por Jacira, sem oposição desta. Nesse cenário, em relação ao débito do aluguel daquele mês, assinale a afirmativa correta. A) Laura, como terceira interessada, sub-rogou-se em todos os direitos que o locador tinha em face de Jacira, inclusive a garantia fidejussória. B) Laura, como terceira não interessada, tem apenas direito de regresso em face de Jacira. Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem Direito Civil 27 C) Laura, como devedora solidária, sub-rogou-se nos direitos que o locador tinha em face de Jacira, mas não quanto à garantia fidejussória. D) Laura, tendo realizado mera liberalidade, não tem qualquer direito em face de Jacira. 10.2. Da consignação em pagamento: artigos 334 a 345 A consignação é o depósito feito pelo devedor ou terceiro de uma coisa devida, para que consiga se liberar da obrigação. É um instituto misto, já que também é tratado no Código de Processo Civil, artigos 539 e seguintes do CPC. Uma vez julgada procedente a ação de consignação, teremos a liberação do devedor, que não será inadimplente e, assim, não terá contra ele as consequencias do inadimplemento. As hipóteses do pagamento em consignação são trazidas no artigo 335: Art. 335. A consignação tem lugar: I - se o credor não puder, ou, sem justa causa, recusar receber o pagamento, ou dar quitação na devida forma; II - se o credor não for, nem mandar receber a coisa no lugar, tempo e condição devidos; III - se o credor for incapaz de receber, for desconhecido, declarado ausente, ou residir em lugar incerto ou de acesso perigoso ou difícil; IV - se ocorrer dúvida sobre quem deva legitimamente receber o objeto do pagamento; V - se pender litígio sobre o objeto do pagamento. Como a consequência da consignação é a liberação do devedor, como se tivesse realizado o pagamento, para que a consignação tenha então força de pagamento, é necessário que concorram em relação às pessoas, ao objeto, modo e tempo, todos os requisitos sem os quais não é válido o pagamento. 10.3. Do pagamento com sub-rogação: artigos 346 a 351 A sub-rogação pode ser entendida como a substituição de uma pessoa por outra, realizada através do pagamento. O exemplo que pode ser trazido é o caso do fiador que paga a dívida do devedor, para que não seja responsabilizado pelo pagamento. Ao fazer isso, o credor sai da relação obrigacional, já que recebeu o pagamento e o então fiador passa a ser o novo credor do devedor (que não pagou e então continuará devendo, mas agora para o novo credor, que era seu antigo fiador). Importante destacar que na sub-rogação não há a extinção da dívida e sim a substituição de uma pessoa por outra através do pagamento. A sub-rogação transfere ao novo credor todos Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem Direito Civil 28 os direitos, ações, privilégios e garantias do primitivo, em relação à dívida, contra o devedor principal e os fiadores. Há dois grandes tipos de sub-rogação: legal e convencional. 10.4. Da imputação em pagamento: artigos 352 a 355 Imputar significa escolher, eleger, indicar. Quando um devedor tiver várias dívidas com um mesmo credor, sendo elas líquidas e vencidas, este mesmo devedor poderá escolher qual delas ele quer pagar. Requisitos para a imputação: • Mesmo credor e devedor; • Plural de dívidas; • Líquidas e vencidas; • Débitos da mesma natureza. Como regra,quem deverá escolher qual dívida será paga, é o devedor (artigo 352). Se o devedor nada fizer e a quitação for omissa quanto ao pagamento, então teremos a imputação legal, ou seja, a lei, no seu artigo 355, que diz quais serão as dívidas a serem pagas: Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem Direito Civil 29 Art. 355. Se o devedor não fizer a indicação do art. 352, e a quitação for omissa quanto à imputação, esta se fará nas dívidas líquidas e vencidas em primeiro lugar. Se as dívidas forem todas líquidas e vencidas ao mesmo tempo, a imputação far-se-á na mais onerosa. Assim: 1) Havendo capital e juros, primeiro se fará nos juros; 2) A imputação será feita na dívida vencida em primeiro lugar; 3) Se todas forem vencidas na mesma data, então a imputação deverá ser feita na mais onerosa. 10.5. Dação em pagamento: artigos 356 a 359 A dação ocorre quando o credor consente em receber objeto diferente do contratado. Assim, se exige uma obrigação previamente criada e um acordo posterior em que o credor aceita receber objeto diverso do contratado. Muito importante: Art. 359. Se o credor for evicto da coisa recebida em pagamento, restabelecer-se-á a obrigação primitiva, ficando sem efeito a quitação dada, ressalvados os direitos de terceiros. 10.6. Novação: artigos 360 a 367 Através da novação temos a extinção da obrigação anterior, com a criação de uma nova. O principal efeito é a extinção da dívida antiga, com todos os seus acessórios e garantias. Como a novação extingue a obrigação primitiva, liberando as garantias, se o for feita novação sem o consentimento do fiador, ele estará exonerado. Além disso, é necessária a chamada “intenção de novar”. O animo de novar está expresso no artigo 361. Não é possível que haja novação de obrigações nulas e extintas (artigo 367). Assim, a obrigação meramente anulável pode ser objeto de novação. 10.7. Compensação: artigos 368 a 380 Quando duas ou mais pessoas forem, ao mesmo tempo, credoras e devedora umas das outras, extinguindo-se a obrigação até onde se compensarem. Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem Direito Civil 30 10.8. Confusão: artigos 381 a 384 A confusão ocorre quando na mesma pessoa se confunde as figuras de credor e devedor. Ela pode ser total ou parcial, ou seja, ocorrer com relação a toda a dívida ou somente de parte dela. 10.9. Remissão de dívidas: artigos 385 a 388 A remissão é o perdão da dívida que é concedida pelo credor ao devedor. No entanto, para que se tenha a liberação do devedor, é necessário que ele aceite o perdão. Assim, é um negócio jurídico bilateral. A remissão pode recair sobre a dívida inteira ou sobre parte dela. Há formas de perdão expresso (escrito) e também tácito. Um exemplo de remissão tácita ocorre no artigo 386, em que o credor devolve o título da obrigação (cheque, por exemplo) ao devedor. No entanto, se devolver, restituir o objeto empenhado (garantia do penhor) não significa que perdoou a dívida, mas sim que não quer mais a garantia – artigo 387. 11. Direito das obrigações – inadimplemento Temos dois tipos de inadimplemento: 11.1. Cláusula penal: artigos 408 a 416 Cláusula penal é uma punição, penalidade de natureza civil e tem a ver com o inadimplemento obrigacional. Ela é contratada pelas partes e ocorre em caso de inadimplemento do contrato. É uma obrigação acessória. A cláusula penal pode ser classificada em: cláusula penal moratória e cláusula penal compensatória. Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem Direito Civil 31 11.1.1. Cláusula penal moratória Caso de inadimplemento parcial, em que ainda é possível o cumprimento. Serve para a punição de quem está em mora. Art. 411. Quando se estipular a cláusula penal para o caso de mora, ou em segurança especial de outra cláusula determinada, terá o credor o arbítrio de exigir a satisfação da pena cominada, juntamente com o desempenho da obrigação principal. Assim, quando houver clausula penal moratória, poderá o credor exigir o cumprimento da obrigação e o cumprimento da clausula penal moratória. 11.1.2. Cláusula penal compensatória Ocorre no caso de inexecução total da obrigação. Ela tem a função de antecipar as perdas e danos. Art. 410. Quando se estipular a cláusula penal para o caso de total inadimplemento da obrigação, esta converter-se-á em alternativa a benefício do credor. Se a cláusula penal tiver um valor muito alto, deverá o juiz reduzir. Art. 413. A penalidade deve ser reduzida equitativamente pelo juiz se a obrigação principal tiver sido cumprida em parte, ou se o montante da penalidade for manifestamente excessivo, tendo-se em vista a natureza e a finalidade do negócio. Não é necessária a comprovação de culpa do devedor, para que se possa solicitar a incidência da cláusula penal. Art. 416. Para exigir a pena convencional, não é necessário que o credor alegue prejuízo. Ainda que o prejuízo exceda o previsto na cláusula penal, não pode o credor exigir indenização suplementar se assim não foi convencionado. Se o tiver sido, a pena vale como mínimo da indenização, competindo ao credor provar o prejuízo excedente. Assim, não se pode cumular multa compensatória com indenização por perdas e danos decorrentes do inadimplemento da obrigação. Contudo, se no contrato estiver previsto tal possibilidade, a multa compensatória será já o mínimo de indenização. Cabe ao credor então comprovar o prejuízo excedente. Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem Direito Civil 32 Resolva a questão a seguir: 23) FGV – 2017 – OAB – 22º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase Festas Ltda., compradora, celebrou, após negociações paritárias, contrato de compra e venda com Chocolates S/A, vendedora. O objeto do contrato eram 100 caixas de chocolate, pelo preço total de R$ 1.000,00, a serem entregues no dia 1º de novembro de 2016, data em que se comemorou o aniversário de 50 anos de existência da sociedade. No contrato, estava prevista uma multa de R$ 1.000,00 caso houvesse atraso na entrega. Chocolates S/A, devido ao excesso de encomendas, não conseguiu entregar as caixas na data combinada, mas somente dois dias depois. Festas Ltda., dizendo que a comemoração já havia acontecido, recusou-se a receber e ainda cobrou a multa. Por sua vez, Chocolates S/A não aceitou pagar a multa, afirmando que o atraso de dois dias não justificava sua cobrança e que o produto vendido era o melhor do mercado. Sobre os fatos narrados, assinale a afirmativa correta. A) Festas Ltda. tem razão, pois houve o inadimplemento absoluto por perda da utilidade da prestação e a multa é uma cláusula penal compensatória. B) Chocolates S/A não deve pagar a multa, pois a cláusula penal, quantificada em valor idêntico ao valor da prestação principal, é abusiva. C) Chocolates S/A adimpliu sua prestação, ainda que dois dias depois, razão pela qual nada deve a título de multa. D) Festas Ltda. só pode exigir 2% de multa (R$ 20,00), teto da cláusula penal, segundo o Código de Defesa do Consumidor. 11.2. Arras ou sinal: artigos 417 a 420 Como o próprio nome nos ensina, arras é um sinal dado em um negócio, em dinheiro ou outro bem móvel entregue por uma parte à outra. Tal sinal irá constar em um contrato preliminar. São muito comuns em promessa de compra e venda de imóvel. Há dois tipos de arras: 1) Confirmatórias: quando não é estipulado no contrato a possibilidade de arrependimento quanto à celebração do contrato definitivo. Teremos então o artigo 418: Se a parte que deu as arras não executar o contrato, poderá a outra tê-lo por desfeito, retendo-as; se a inexecução for de quem recebeu as arras, poderá quem as deu haver o contrato por desfeito, e exigir sua devolução mais o equivalente, com atualização monetária segundo índices oficiais regularmenteestabelecidos, juros e honorários de advogado. A parte que sofreu com o inadimplemento do outro poderá pedir indenização suplementar ou execução: “A parte inocente pode pedir indenização suplementar, se provar maior prejuízo, valendo as arras como taxa mínima. Pode, também, a parte inocente exigir a execução do contrato, com as perdas e danos, valendo as arras como o mínimo da indenização.” (artigo 419). Como não está estipulado no contrato a possibilidade de arrependimento, não cumprido o contrato, já incide as arras. Sem cláusula de arrependimento e com perdas e danos. Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem Direito Civil 33 2) Penitenciais: quando consta no contrato a possibilidade de arrependimento. Aqui as arras terão função unicamente indenizatória, já que as partes podiam se arrepender, se assim quisessem. Está no artigo 420: Se no contrato for estipulado o direito de arrependimento para qualquer das partes, as arras ou sinal terão função unicamente indenizatória. Neste caso, quem as deu perdê-las- á em benefício da outra parte; e quem as recebeu devolvê-las-á, mais o equivalente. Em ambos os casos não haverá direito a indenização suplementar. Com cláusula de arrependimento e sem perdas e danos. Resolva a questão a seguir: 24) FGV – 2021 – OAB – 33º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase Valdeir e Max assinaram contrato particular de promessa de compra e venda com direito de arrependimento, no qual Valdeir prometeu vender o apartamento 901 de sua propriedade por R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais). Max, por sua vez, se comprometeu a comprar o imóvel e, no mesmo ato de assinatura do contrato, pagou arras penitenciais de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais). A escritura definitiva de compra e venda seria outorgada em 90 (noventa) dias a contar da assinatura da promessa de compra e venda, com o consequente pagamento do saldo do preço. Contudo, 10 (dez) dias antes da assinatura da escritura de compra e venda, Valdeir celebrou escritura definitiva de compra e venda, alienando o imóvel à Ana Lúcia que pagou a importância de R$ 750.000,00 (setecentos e cinquenta mil reais) pelo mesmo imóvel. Max, surpreendido e indignado, procura você, como advogado(a), para defesa de seus interesses. Sobre a hipótese apresentada, assinale a afirmativa correta. A) Max poderá exigir de Valdeir a importância paga a título de arras mais o equivalente, com atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, juros e honorários de advogado. B) Por se tratar de arras penitenciais, Max poderá exigir de Valdeir apenas R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais), e exigir a reparação pelas perdas e danos que conseguir comprovar. C) Max poderá exigir de Valdeir até o triplo pago a título de arras penitencias. D) Max não poderá exigir nada além do que pagou a título de arras penitenciais. 12. Direito contratual – evicção: artigos 447 a 457 Evicção é a perda total ou parcial de um bem, em regra, por meio de uma sentença judicial ou ato administrativo. A sentença judicial atribui a outra pessoa o bem. Funda‑se no mesmo princípio da garantia em que se assenta a teoria dos vícios redibitórios. 12.1. Requisitos da evicção Veja o esquema na página a seguir... Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem Direito Civil 34 12.2. Direitos do evicto A sentença judicial atribui a outra pessoa o bem. Funda‑se no mesmo princípio da garantia em que se assenta a teoria dos vícios redibitórios. Responsabilidade total (artigo 450 do CC): salvo estipulação em contrário, o evicto tem direito: Responsabilidade parcial (artigo 449 do CC): podem as partes excluir a responsabilidade pela evicção? Sim, expressamente. Contudo, mesmo com a existência de tal cláusula, se a evicção se der, tem direito o evicto (aquele que perdeu a coisa) a recobrar o preço que pagou pela coisa evicta, com algumas condições: • Se não soube do risco da evicção; • Se informado, não assumiu o risco da evicção. Isenção da responsabilidade pelo vendedor (artigo 457 do CC): quando o comprador sabe que está adquirindo bem alheio ou litigioso, caso venha a perder, não poderá demandar contra quem lhe vendeu. Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem Direito Civil 35 Resolva a questão a seguir: 25) FGV – 2019 – OAB – 30º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase Joana doou a Renata um livro raro de Direito Civil, que constava da coleção de sua falecida avó, Marta. Esta, na condição de testadora, havia destinado a biblioteca como legado, em testamento, para sua neta, Joana (legatária). Renata se ofereceu para visitar a biblioteca, circunstância na qual se encantou com a coleção de clássicos franceses. Renata, então, ofereceu-se para adquirir, ao preço de R$ 1.000,00 (mil reais), todos os livros da coleção, oportunidade em que foi informada, por Joana, acerca da existência de ação que corria na Vara de Sucessões, movida pelos herdeiros legítimos de Marta. A ação visava impugnar a validade do testamento e, por conseguinte, reconhecer a ineficácia do legado (da biblioteca) recebido por Joana. Mesmo assim, Renata decidiu adquirir a coleção, pagando o respectivo preço. Diante de tais situações, assinale a afirmativa correta. A) Quanto aos livros adquiridos pelo contrato de compra e venda, Renata não pode demandar Joana pela evicção, pois sabia que a coisa era litigiosa. B) Com relação ao livro recebido em doação, Joana responde pela evicção, especialmente porque, na data da avença, Renata não sabia da existência de litígio. C) A informação prestada por Joana a Renata, acerca da existência de litígio sobre a biblioteca que recebeu em legado, deve ser interpretada como cláusula tácita de reforço da responsabilidade pela evicção. D) O contrato gratuito firmado entre Renata e Joana classifica-se como contrato de natureza aleatória, pois Marta soube posteriormente do risco da perda do bem pela evicção. 13. Direito contratual – contrato de compra e venda: artigos 481 a 532 São dois os elementos da compra e venda: coisa e preço. a) Preço: o preço deve sempre ser pago em dinheiro ou redutível a dinheiro (cheque, cartão etc.). Há vários modos que o preço pode ser estabelecido. • A fixação do preço pode ser dada a taxa de mercado ou bolsa, em certo e determinado dia e lugar; • Pode ser estabelecido que terceiro fixe o preço; • Pode ser fixado em função dos índices ou parâmetros. Observação: preço que sua fixação fica ao livre arbítrio da outra parte - nulo, segundo artigo 489 do CC. b) Coisa: pode ser a venda de algo que já existe ou de bens que virão a existir (coisa futura) conforme artigo 483 do CC. Veja o esquema na página a seguir... Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem Direito Civil 36 13.1. Limitações ao contrato de compra e venda 13.1.1. Venda de ascendente a descendente Art. 496. É anulável a venda de ascendente a descendente, salvo se os outros descendentes e o cônjuge do alienante expressamente houverem consentido. Parágrafo único. Em ambos os casos, dispensa-se o consentimento do cônjuge se o regime de bens for o da separação obrigatória. Caso não tenha o consentimento, será passível de anulação. Os legitimados para a propositura da ação anulatória são os outros descendentes e o cônjuge do alienante. O prazo para ajuizamento da ação anulatória é de 2 anos, segundo o artigo 179 do Código Civil. Resolva a questão a seguir: 26) FGV – 2020 – OAB – 31º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase Antônio, divorciado, proprietário de três imóveis devidamente registrados no RGI, de valores de mercado semelhantes, decidiu transferir onerosamente um de seus bens ao seu filho mais velho, Bruno, que mostrou interesse na aquisição por valor próximo ao de mercado. No entanto, ao consultar seus dois outros filhos (irmãos do pretendentecomprador), um deles, Carlos, opôs-se à venda. Diante disso, bastante chateado com a atitude de Carlos, seu filho que não concordou com a compra e venda do imóvel, decidiu realizar uma doação a favor de Bruno. Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem Direito Civil 37 Em face do exposto, assinale a afirmativa correta. A) A compra e venda de ascendente para descendente só pode ser impedida pelos demais descendentes e pelo cônjuge, se a oposição for unânime. B) Não há, na ordem civil, qualquer impedimento à realização de contrato de compra e venda de pai para filho, motivo pelo qual a oposição feita por Carlos não poderia gerar a anulação do negócio. C) Antônio não poderia, como reação à legítima oposição de Carlos, promover a doação do bem para um de seus filhos (Bruno), sendo tal contrato nulo de pleno direito. D) É legítima a doação de ascendentes para descendente, independentemente da anuência dos demais, eis que o ato importa antecipação do que lhe cabe na herança. 13.1.2. Venda de parte indivisa de condomínio O condômino não pode alienar sua parte indivisa a terceira pessoa, se o outro condômino a quiser, tanto por tanto. O condômino que quiser pode exercer seu direito de preferência ou preempção, ajuizando ação no prazo decadencial de 180 dias contados da data em que teve ciência da alienação. No momento do ajuizamento, deve o condômino, efetuar a consignação do valor que deseja pagar. A ação pode ser ação adjudicatória, a fim de obter o bem para si. 14. Direito contratual: contrato de empréstimo – artigos 579 a 585 Duas são as espécies de empréstimos: mútuo e comodato. 14.1. Contrato de comodato Comodato é o empréstimo para uso, gratuito de coisas infungíveis. Pode ser bens móveis ou imóveis, mas precisa ser infungível. O contrato se perfectibiliza com a tradição da coisa. 14.1.1. Características do comodato a) Gratuidade do contrato. Se fosse oneroso, seria o contrato de locação; b) Infungibilidade do bem: restituição do mesmo objeto recebido como empréstimo; c) Contrato real, já que o aperfeiçoamento do contrato se dá com a tradição (e não com a aceitação); d) Contrato unilateral, já que após a tradição, só há obrigações para uma das partes, que é o comodatário (restituir a coisa) e não há obrigações para o comodante; e) Contrato não solene, já que não necessita forma especial para a sua celebração. Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem Direito Civil 38 14.1.2. Obrigações do comodatário a) Conservar a coisa – art. 582: o comodatário deve conservar a coisa como se fosse sua. Deve responder pelas despesas de conservação; b) O comodatário não pode nunca tentar cobrar do comodante as despesas comuns, feitas com o uso e gozo da coisa emprestada; c) Uso da coisa de forma adequada: responde por perdas e danos se usar o bem fora do que foi contratualmente previsto, além de, também poder ser causa de resolução do contrato; d) Restituir a coisa: deve ser restituída a coisa no prazo convencionado e não havendo este prazo, finda a razão pela qual ocorreu, o empréstimo deve ser restituído (empresta livros para o trabalho de conclusão de curso, e quando passado o evento, deverão ser devolvidos, por exemplo. 14.2. Contrato de mútuo O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis. O bem é emprestado para consumo. O mutuário se obriga a restituir ao mutante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade. É empréstimo para consumo, pois o mutuário não está obrigado a devolver o mesmo bem, do qual se torna dono. Ex.: dinheiro. Neste tipo de empréstimo, o mutuante transfere o domínio, a propriedade, do bem ao mutuário. Isso não acontece no comodato. Além disso, o mutuário se torna proprietário da coisa, correndo por conta desse, todos os riscos da tradição. 14.2.1. Características do mútuo O mútuo é temporário, se entende que em algum momento o que foi emprestado será devolvido. Mas e se não houver prazo para a restituição do bem? O CC determina que: • Até a próxima colheita, se o mútuo for de produtos agrícolas; • De 30 dias, pelo menos, se o mútuo for de dinheiro; • Do espaço de tempo que declarar o mutuante, se for de qualquer outra coisa fungível. Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem Direito Civil 39 Obs.: mútuo para um menor. O Código Civil protege o menor, dizendo que quem empresta para um menor, não poderá reaver o que emprestou. Contudo, há várias exceções, de quando o mutuante pode, portanto, reaver o que foi emprestado. São elas: a) O representante do menor ratificar o empréstimo; b) Se o menor, em caso de ausência do representante, se viu obrigado a contraí‑lo para os seus alimentos habituais; c) Se o menor tiver bens ganhos com o seu trabalho, caso em que a execução do credor não lhes poderá ultrapassar as forças; d) Se o empréstimo reverteu em benefício do menor; e) Se este obteve o empréstimo maliciosamente. Resolva a questão a seguir: 27) FGV – 2017 – OAB – 23º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase Cássio, mutuante, celebrou contrato de mútuo gratuito com Felipe, mutuário, cujo objeto era a quantia de R$ 5.000,00, em 1º de outubro de 2016, pelo prazo de seis meses. Foi combinado que a entrega do dinheiro seria feita no parque da cidade. No entanto, Felipe, após receber o dinheiro, foi furtado no caminho de casa. Em 1º de abril de 2017, Cássio telefonou para Felipe para combinar o pagamento da quantia emprestada, mas este respondeu que não seria possível, em razão da perda do bem por fato alheio à sua vontade. Acerca dos fatos narrados, assinale a afirmativa correta. A) Cássio tem direito à devolução do dinheiro, ainda que a perda da coisa não tenha sido por culpa do devedor, Felipe. B) Cássio tem direito à devolução do dinheiro e ao pagamento de juros, ainda que a perda da coisa não tenha sido por culpa do devedor, Felipe. C) Cássio tem direito somente à devolução de metade do dinheiro, pois a perda da coisa não foi por culpa do devedor, Felipe. D) Cássio não tem direito à devolução do dinheiro, pois a perda da coisa não foi por culpa do devedor, Felipe. 15. Responsabilidade civil A responsabilidade civil subjetiva é baseada na “teoria da culpa”, já que é necessária a verificação de culpa, para que se possa configurar tal requisito. Assim, para a verificação da responsabilidade civil subjetiva é necessário: conduta humana, culpa, nexo causal e dano. Já para a responsabilidade objetiva são necessários: conduta humana, nexo causal e dano. Iremos nos deter na responsabilidade objetiva e nos casos previstos no CC. Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem Direito Civil 40 15.1. Casos de responsabilidade objetiva 15.1.1. Responsabilidade civil por atos de terceiros Art. 932. São também responsáveis pela reparação civil: I - os pais, pelos filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em sua companhia; II - o tutor e o curador, pelos pupilos e curatelados, que se acharem nas mesmas condições; III - o empregador ou comitente, por seus empregados, serviçais e prepostos, no exercício do trabalho que lhes competir, ou em razão dele; IV - os donos de hotéis, hospedarias, casas ou estabelecimentos onde se albergue por dinheiro, mesmo para fins de educação, pelos seus hóspedes, moradores e educandos; V - os que gratuitamente houverem participado nos produtos do crime, até a concorrente quantia. O artigo 933 do CC prevê expressamente que a responsabilidade é objetiva, já que informa que os terceiros serão responsabilizados, ainda que não haja culpa por parte deles. De acordo com o artigo 934 se o empregador, por exemplo, pagar a indenização, terá direito de regresso contra o empregado que causou o dano. Há uma exceção: relações entre ascendentes e descendentes incapazes não haverá direito de regresso. Assim, o ascendente não tem regresso