Prévia do material em texto
PAG
MONITORIA
HUMANISMO
• Séc. XV – XVI;
• Contexto Histórico: transição entre Idade
Média e Idade Moderna, grandes navegações,
surgimento da burguesia;
• Não é considerado uma escola, mas um
período de transição;
• Ideais morais, estéticos e literários que
valorizam o ser humano e suas emoções;
• Racionalidade;
• Busca pela beleza e pela perfeição;
• Retomada do modelo clássico das culturas da
Antiguidade;
• Poética:
a) Poesia Palaciana: temas
líricos/satíricos/regilosos, uso de
redondilhas (medida velha) e de
figuras de linguagem, para a nobreza;
b) Teatro Profano: crítico e cômico, uso
de redondilhas, popular;
• Narrativa:
a) Historiografia: documentação de
fatos históricos, crônicas de Fernão
Lopes
b) Novelas de Cavalaria: teocentrismo,
resgate do Trovadorismo;
• Teatro: popular, objetivo de moralizar e de
criticar a sociedade;
a) Autos: temática religiosa;
b) Farsas: encenações populares, curtas,
de caráter cômico e baseadas no
cotidiano;
• Principais autores: Garcia de Resende
(poemas), Fernão Lopes (considerado o pai
da Historiografia portuguesa), Gil Vicente
(teatro), Miguel de Cervantes, Luís de
Camões, Giovanni Bocaccio.
QUESTÃO 01
Leia o texto para responder às questões 1 e 2:
Vem um Sapateiro com seu avental e carregado de
formas, chega ao 'batel infernal, e diz: Hou da barca!
Diabo — Quem vem ai?
Santo sapateiro honrado,
como vens tão carregado?
Sapateiro — Mandaram-me vir assi...
Mas para onde é a viagem?
Diabo — Para a terra dos danados.
Sapateiro — E os que morrem confessados
onde têm sua passagem?
Diabo — Não cures de mais linguagem!
que esta é tua barca, esta!
Sapateiro — Renegaria eu da festa
e da barca e da barcagem!
Como poderá isso ser, confessado e comungado?
Diabo — Tu morreste excomungado,
não no quiseste dizer.
Esperavas de viver;
calaste dez mil enganos,
tu roubaste bem trinta anos
o povo com teu mister.
Embarca, pobre de ti,
que há já muito que te espero!
Sapateiro — Pois digo-te que não quero!
Diabo — Que te pese, has de ir, si, si!
(Gil Vicente. Auto da Barca do Inferno. Adaptado.)
'batel: pequena embarcação.
O texto transcrito de Gil Vicente assume caráter
a) moralizante, uma vez que traz explicita critica aos
costumes do personagem.
b) educativo, pois o personagem reconhece seu erro e,
ao final, é perdoado.
LINGUAGENS 3°ANO/
Pré – Júlia Pimentel
PAG
MONITORIA
c) humoristico, com intenção de entreter mais do que
condenar comportamentos.
d) doutrinário, considerando a devoção do personagem
à religião quando em vida.
e) edificante, já que o comportamento do personagem
se toma exemplo a seguir.
QUESTÃO 02
Na situação apresentada, o sapateiro
a) espanta-se com a ideia de ir para o inferno, mas o
diabo admite que não pode levá-lo por ter sido um
homem cristão em vida.
b) opõe-se à ideia de ir para o infemo, alegando que fora
religioso em vida, mas o diabo o relembra dos pecados
cometidos.
c) mostra entusiasmo por seguir na embarcação do
diabo e reconhece que, mesmo tendo sido religioso,
acha justa a punição.
d) sujeita-se à ordem do diabo e toma lugar em sua
embarcação, com a esperança de que sua disposição
para o trabalho ainda possa salvá-lo.
e) confronta o diabo, considerando que este possa se
intimidar ao descobrir que fora um homem religioso em
vida.
QUESTÃO 03
Leia o texto abaixo, um trecho do Auto da Barca do
Infemo, de Gil Vicente, para assinalar a alternativa
correta no que se refere à obra desse autor e ao
Humanismo em Portugal. Nota: foram feitas pequenas
alterações no trecho para facilitar a leitura:
Vem um Frade com uma Moça pela mão, e um 'broquel
e uma espada na outra, e um 'casco debaixo do capelo;
e, ele mesmo fazendo a baixa, começou de dançar,
dizendo:
FRADE
Tai-rai-rai-ra-ra; ta-ri-ri-ra;
ta-rai-rai-rai-ra; tai-ri-ri-ra: tä-tä;
ta-ri-rim-rim-ra. Huhá!!
DIABO
Que é isso, padre?! Que vai la?
FRADE
Deo gratias! Sou cortesão.
DIABO
Sabes também o tordião?
FRAUDE
Por que não? Como ora sei!
DIABO
Pois entrai! Eu tangerel
faremos um serão.
Essa dama é ela vossa?
FRADE
Por minha a tenho eu,
sempre a tive de meu
DIABO
Fizestes bem, que é formosa!
E não vos punham lá grosa
no vosso convento santo?
FRAUDE
E eles fazem outro tanto!
DIABO
Entrai, padre reverendo!
FRAUDE
Para onde levais gente?
DIABO
Pera aquele fogo ardente
que não temestes vivendo.
FRAUDE
Juro a Deus que não te entendo!
E este hábito não me vale?
PAG
MONITORIA
DIABO
Gentil padre mundanal,
a Belzebu vos encomendo!
'broquel e casco-respectivamente, escudo e armadura
para cabeça - são elementos por meio dos quais o autor
descreve o frade.
capelo- chapéu ou capuz usado pelos religiosos.
pôr grosa-censurar.
a) O destino do frade é exemplar no que se refere à
principal caracteristica da obra de Gil Vicente: a critica
severa, de sabor renascentista, à Igreja Católica, de cuja
moral se distancia a obra do dramaturgo.
b) A proposta do teatro vicentino alegórico -
especialmente a Trilogia das Barcas - era a montagem
de peças complexas, de linguagem rebuscada, distante
do falar popular, para criticar, nos termos da moral
medieval, os homens do povo. condenavel, de um frade
que canta, dança e namora, trazendo consigo uma
dama, é exemplo
c) A imagem cómica, mas cabal do pressuposto das
peças de Gil Vicente de que, rindo, é possivel corrigir os
costumes.
d) O frade terá como destino o infero porque é homem
"mundanal", ligado aos gozos do mundo material, em
cujo pano de fundo percebe-se o sistema de valores do
homem medieval, para o qual não há salvação após a
morte.
e) O sistema de valores que pode ser entrevisto nas
peças de Gil Vicente, e especialmente no Auto da Barca
do Inferno, revela uma mentalidade avessa aos valores
da Idade Média.
QUESTÃO 04
Assinale a alternativa cuja máxima está em
conformidade com o excerto da questão anterior (03) e
com a proposta do teatro de Gil Vicente.
a) "O riso é abundante na boca dos tolos."
b) "A religião é o ópio do povo."
c) "Pelo riso, corrigem-se os costumes."
d) "De boas intenções, o infermo está cheio."
e) "O homem é o único animal que ri dos outros."
QUESTÃO 05
Na passagem da Idade Média para o Renascimento, dois
escritores portugueses se destacaram, por apresentar
características que já previam uma nova tendência
filosófica e artística.
Trata-se de:
a) Femão Lopes e Gil Vicente.
b) Camões e Bocage.
c) D. Dinis e Paio Soares de Taveirós.
d) Pe. Vieira e Gregório de Matos.
e) Garcia de Resende e Aires Teles.
QUESTÃO 06
Em relação ao "Auto da Barca do Inferno" de Gil Vicente,
considere as seguintes afirmações.
I. Trata-se de um grande painel que satiriza a
sociedade portuguesa de seu tempo.
II. Representa a transição da Idade Média para
o Renascimento, guardando traços dos dois
períodos.
III. Sugere que o Diabo, ao julgar justos e
pecadores, tem poderes maiores que Deus.
Quais estão corretas?
a) Apenas 1.
b) Apenas I ell.
c) Apenas I e III.
d) Apenas II e III.
e) I, II e III.
QUESTÃO 07
"Nos séculos XV e XVI, houve no mundo universitário
[europeu] um intenso debate filosófico (...) com o
resgate do platonismo, que estava associado à
inquietação de muitos religiosos e teólogos em relação
ao rigor doutrinário e institucional da Igreja. Assim como
os artistas, eles desejavam humanizar a religião e o
divino."
PAG
MONITORIA
(VAINFAS, Ronaldo e outros. História - vol. 1. SP: Saraiva, 2010. p. 236).
A partir do trecho acima, relativo ao Renascimento e ao
Humanismo, considere as afirmativas:
I. O resgate de filosofia da Antiguidade Clássica visava à
renovaçãode uma sociedade transformada pelo
crescimento urbano e comercial.
II. Os humanistas, orientados pelo pensamento greco-
romano, criticavam a Igreja, mas não se colocavam
como anticristãos.
III. A Igreja abrigava a inquietação dos humanistas,
como bem demonstra a pintura de Michelangelo nas
paredes do Vaticano.
IV. A valorização do humano, pelos pensadores
humanistas, não abalou a crença na existência de Deus.
Estão corretas
A. Apenas I e II.
B. Apenas II e III.
C. Apenas II e IV
D. Apenas III e IV.
E. I, II, III e IV.
QUESTÃO 08
O Humanismo foi um movimento com desdobramentos
filosóficos, políticos, culturais e artísticos. Sobre o
Humanismo, é INCORRETO afirmar que:
A. Durante a Renascença se inspirou nos conhecimentos
da antiga civilização grecoromana;
B. Valorizava o saber crítico voltado para um maior
conhecimento do homem e uma cultura capaz de
desenvolver potencialidades da condição humana. as
C. Difundiu ideias que se opunham ao teocentrismo
reinante, compreendendo o Homem como maior obra
divina.
D. Defendia a capacidade humana de criação e
transformação da realidade natural e social,
reafirmando a ideia de livre-arbítrio.
E. Defendia a necessidade da intervenção religiosa em
todas as áreas da vida humana a fim de promover o
progresso e a unidade dos espíritos e indivíduos.
QUESTÃO 09
O Texto mostra um diálogo entre o Diabo e a segunda
personagem, o Onzeneiro, quando chega à Barca do
Inferno. Leia-o para responder à questão proposta.
Texto
ONZENEIRO: Para onde caminhais?
DIABO: Oh! Que má-hora venhais,
Onzeneiro meu parente!
[...]
DIABO: Ora mui muito me espanto
Não vos livrar o dinheiro.
ONZENEIRO: Nem tão só para o barqueiro
Não me deixaram nem tanto..
[...]
E para onde é a viagem?
DIABO: Para onde tu hás-de ir;
Estamos para partir,
Não cures de mais linguagem.
[...]
VICENTE, Gil. Auto da Barca do Inferno. São Paulo: FTD, 1997.
O Diabo ouve o pretexto do Onzeneiro, mas não se deixa
levar pelos artifícios da eloquência do passageiro. Essa
atitude do Diabo pode ser comprovada no verso
A. "Não cures de mais linguagem."
B. "Oh! Que má-hora venhais,"
C. "Onzeneiro meu parente!"
D. "Não vos livrar o dinheiro."
E. "Para onde tu hás-de ir;"
PAG
MONITORIA
QUESTÃO 10
“Humanismo é uma palavra inventada no
século XIX para descrever o programa de
estudos, e seu condicionamento de
pensamento e expressão, que era
conhecido desde o final do século XV”.
HALE, John. Dicionário do renascimento
italiano. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor,
1988. p. 187. De acordo com o trecho
anterior, e por meio de seus estudos
históricos, é correto afirmar que o programa
humanista:
a) Era encabeçado por reis e papas (os
mecenas), os quais auxiliavam,
humanitariamente, os artistas do século XIX
a compreender as formas artísticas do
Renascimento.
b) Atrelava-se ao modo de pensar
renascentista, no qual o homem e a
natureza passavam a ser valorizados na
construção do conhecimento mundano.
c) Era marcado por uma valorização de
temas naturalistas, opondo-se aos temas
religiosos e sua ligação e proximidade com
a Igreja católica e a protestante do século
XIX.
d) Constituía-se por uma aproximação com
o mundo grego e romano, valorizando o
equilíbrio das formas e proporções, num
exemplo de arte barroca (humanista) do
século XV.
e) A valorização de ideias como a
coletividade e a expropriação da
propriedade privada.
PAG
MONITORIA
GABARITO
1. A
Gil Vicente vê no teatro uma forma de denunciar a
degradação dos costumes, seja no meio clerical, familiar
ou profissional, como no caso do sapateiro.
Aproximando-se do lema das comédias latinas "ridendo
castigai mores" ("rindo, corrigem-se os costumes"),
acredita no poder do riso como uma estratégia de levar
a Humanidade ao bom caminho. Assim, é correta a
opção [A].
2. B
É correta a opção [B], pois o Sapateiro, ao tomar
conhecimento do seu destino, começa por afirmar que
não pode ser condenado por ter morrido "confessado e
comungado". No entanto, o Diabo contra-argumenta,
acusando-o pelos seus atos e omissões: "calaste dez mil
enganos,Лtu roubaste bem trinta anos/o povo com teu
mister".
3. C
A obra de Gil Vicente faz critica a algumas práticas corruptas
da sociedade, ao mesmo tempo em que se aproxima de
valores religiosos. Assim, ao criar uma personagem de um
frade corrompido pelos pecados da luxúria, mas que a
princípio deveria seguir as regras morais, o autor faz uma
critica social. É interessante notar que a critica é feita de
forma cómica, a partir do perfil do Frade: nota-se que ele
chega à barca acompanhado de uma mulher, o que por si só
já é cômico, tratando-se de um frade. Dessa forma, a partir do
riso, Gil Vicente constrói uma obra de caráter moralista e
correcional dos costumes.
4. C
Está correta a alternativa [C], pois Gil Vicente usava a sátira
para fazer uma crítica à sociedade e aos costumes do seu
tempo. Assim, sugeria ao público uma reflexão sobre seus
próprios atos e, consequentemente, uma revisão dos valores.
5. A
6. B
7. E
"Nos séculos XV e XVI, houve no mundo universitário
[europeu] um intenso debate filosófico (...) com o resgate do
platonismo, que estava associado à inquietação de muitos
religiosos e teólogos em relação ao rigor doutrinário e
institucional da Igreja. Assim como os artistas, eles desejavam
humanizar a religião e o divino."
8. E
Defendia a necessidade da intervenção religiosa em todas as
áreas da vida humana a fim de promover o progresso e a
unidade dos espíritos e indivíduos.
9. A
10. D
O humanismo teve como parâmetros principais a
valorização do homem e da natureza e, a partir desses
modelos, erigiu todo um corpo teórico de procedimentos.
PAG
MONITORIA
QUESTÃO 01
QUESTÃO 02
QUESTÃO 03
QUESTÃO 04
QUESTÃO 05
QUESTÃO 06
QUESTÃO 07
QUESTÃO 08
QUESTÃO 09
QUESTÃO 10