Prévia do material em texto
ORGANIZAÇÃO, SISTEMAS E MÉTODOS Professora Me. Patrícia Rodrigues da Silva GRADUAÇÃO Unicesumar C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a Distância; SILVA, Patrícia Rodrigues da. Organização, Sistemas e Métodos. Patrícia Rodrigues da Silva. Maringá-Pr: Unicesumar, 2016. Reimpresso em 2023. 200 p. “Graduação - EaD”. 1. Organização. 2. Sistemas. 3. Métodos. 4. EaD. I. Título. ISBN 978-85-459-0247-8 CDD - 22 ed. 658.402 CIP - NBR 12899 - AACR/2 Ficha catalográfica elaborada pelo bibliotecário João Vivaldo de Souza - CRB-8 - 6828 Impresso por: Reitor Wilson de Matos Silva Vice-Reitor Wilson de Matos Silva Filho Pró-Reitor de Administração Wilson de Matos Silva Filho Pró-Reitor Executivo de EAD William Victor Kendrick de Matos Silva Pró-Reitor de EAD Janes Fidélis Tomelin Presidente da Mantenedora Cláudio Ferdinandi NEAD - Núcleo de Educação a Distância Diretoria de Design Educacional Débora Leite Diretoria de Pós-graduação e Graduação Kátia Coelho Diretoria de Permanência Leonardo Spaine Direção de Operações Chrystiano Minco� Direção de Polos Próprios James Prestes Direção de Desenvolvimento Dayane Almeida Direção de Relacionamento Alessandra Baron Head de Produção de Conteúdos Celso Luiz Braga de Souza Filho Gerência de Produção de Conteúdo Diogo Ribeiro Garcia Gerência de Projetos Especiais Daniel Fuverki Hey Supervisão do Núcleo de Produção de Materiais Nádila Toledo Supervisão Operacional de Ensino Luiz Arthur Sanglard Coordenador de conteúdo Patricia Rodrigues da Silva Design Educacional Thayla Guimarães Projeto Gráfico Jaime de Marchi Junior José Jhonny Coelho Arte Capa Arthur Cantareli Silva Editoração Melina Belusse Ramos André Morais de Freitas Revisão Textual Viviane Favaro Notari Ilustração André Luís Onishi Bruno Pardinho Em um mundo global e dinâmico, nós trabalhamos com princípios éticos e profissionalismo, não so- mente para oferecer uma educação de qualidade, mas, acima de tudo, para gerar uma conversão in- tegral das pessoas ao conhecimento. Baseamo-nos em 4 pilares: intelectual, profissional, emocional e espiritual. Iniciamos a Unicesumar em 1990, com dois cursos de graduação e 180 alunos. Hoje, temos mais de 100 mil estudantes espalhados em todo o Brasil: nos quatro campi presenciais (Maringá, Curitiba, Ponta Grossa e Londrina) e em mais de 300 polos EAD no país, com dezenas de cursos de graduação e pós-graduação. Produzimos e revisamos 500 livros e distribuímos mais de 500 mil exemplares por ano. Somos reconhecidos pelo MEC como uma instituição de excelência, com IGC 4 em 7 anos consecutivos. Estamos entre os 10 maiores grupos educacionais do Brasil. A rapidez do mundo moderno exige dos educa- dores soluções inteligentes para as necessidades de todos. Para continuar relevante, a instituição de educação precisa ter pelo menos três virtudes: inovação, coragem e compromisso com a quali- dade. Por isso, desenvolvemos, para os cursos de Engenharia, metodologias ativas, as quais visam reunir o melhor do ensino presencial e a distância. Tudo isso para honrarmos a nossa missão que é promover a educação de qualidade nas diferentes áreas do conhecimento, formando profissionais cidadãos que contribuam para o desenvolvimento de uma sociedade justa e solidária. Vamos juntos! Seja bem-vindo(a), caro(a) acadêmico(a)! Você está iniciando um processo de transformação, pois quando investimos em nossa formação, seja ela pessoal ou profissional, nos transformamos e, consequentemente, transformamos também a sociedade na qual estamos inseridos. De que forma o fazemos? Criando oportu- nidades e/ou estabelecendo mudanças capazes de alcançar um nível de desenvolvimento compatível com os desafios que surgem no mundo contemporâneo. O Centro Universitário Cesumar mediante o Núcleo de Educação a Distância, o(a) acompanhará durante todo este processo, pois conforme Freire (1996): “Os homens se educam juntos, na transformação do mundo”. Os materiais produzidos oferecem linguagem dialógica e encontram-se integrados à proposta pedagógica, con- tribuindo no processo educacional, complementando sua formação profissional, desenvolvendo competên- cias e habilidades, e aplicando conceitos teóricos em situação de realidade, de maneira a inseri-lo no mercado de trabalho. Ou seja, estes materiais têm como principal objetivo “provocar uma aproximação entre você e o conteúdo”, desta forma possibilita o desenvolvimento da autonomia em busca dos conhecimentos necessá- rios para a sua formação pessoal e profissional. Portanto, nossa distância nesse processo de cresci- mento e construção do conhecimento deve ser apenas geográfica. Utilize os diversos recursos pedagógicos que o Centro Universitário Cesumar lhe possibilita. Ou seja, acesse regularmente o Studeo, que é o seu Ambiente Virtual de Aprendizagem, interaja nos fóruns e enquetes, assista às aulas ao vivo e participe das dis- cussões. Além disso, lembre-se que existe uma equipe de professores e tutores que se encontra disponível para sanar suas dúvidas e auxiliá-lo(a) em seu processo de aprendizagem, possibilitando-lhe trilhar com tranqui- lidade e segurança sua trajetória acadêmica. Professora Me. Patrícia Rodrigues da Silva Graduada e Mestre em Administração pela UEM - Universidade Estadual de Maringá. Especialista em Recursos Humanos pela Unicesumar. Formação em Dinâmica de grupos pela SBDG - Sociedade Brasileira de Dinâmica de Grupo. Professora Universitária, nas modalidades presencial e a distância. Professora convidada em cursos de pós-graduação. Pesquisadora na área de organizações e educação, tendo como temas principais: gestão de pessoas, cultura e mudança organizacional, gestão de organizações, métodos e práticas de ensino. A U TO R A SEJA BEM-VINDO(A)! Caro(a) acadêmico(a), seja bem-vindo(a)! É com muita satisfação que lhe apresento o livro da disciplina de Organização, Sistemas e Métodos – OSM. Este é um livro de suma importância para o seu processo de forma- ção, pois, por meio dele, será tratada da instrumentalidade de processos básicos para uma boa gestão organizacional. Com o intuito de contextualizar sobre o assunto, na unidade I, intitulada “O Gestor Orga- nizacional e a empresa contemporânea”, iniciaremos a discussão tratando de aspectos básicos das organizações. Assim, serão apresentados os principais pontos que caracteri- zam o gestor organizacional, o papel de gerente e o processo de administrar. Falar-se-á, ainda na primeira unidade, sobre as mudanças e transformações vividas nas organizações e a evolução das teorias organizacionais. Essa “retomada” das teorias orga- nizacionais se faz necessária para, assim, compreendermos de que forma as atividades organizacionais estão relacionadas com as de OSM. Ao final, trataremos sobre os sis- temas administrativos, de forma que compreendamos as organizações como sistemas abertos. Na unidade II, que tem como título “Gestão de processos: gráficos de organização e controle”, as discussões se concentrarão em tratar da importância dos processos or- ganizacionais e das formas de controlá-los adequadamente. Observaremos que as or- ganizações estão permeadas por processos que precisam ser estudados, analisados e controlados em um contexto de boa gestão. Com esse fim, na segunda unidade, serão apresentados os principais gráficos de controle utilizados em uma organização, sendo eles: formulários, fluxograma, funcionograma e lotacionograma. Para que seja clara a compreensão sobre o assunto, caro(a) acadêmico(a), conhecere- mos os principais tipos e modelos de fluxograma, ilustrando as principais simbologias e significados utilizados em sua elaboração. Será apresentada, ainda, a representação gráfica do funcionograma e lotacionograma, como também destacada a contribuição dos formulários para o bom funcionamento dos sistemas e métodos administrativos. Na unidade III, que traz como título “Estrutura Organizacional, departamentalização e organograma”,des isoladas e específicas. II. Para a análise organizacional baseada nessa concepção, não se pode separar o todo das partes, visto que se faz necessário considerar as inter-relações en- tre as partes e com o todo. III. No enfoque sistêmico são considerados, também, os sistemas menores, os chamados subsistemas, dentre os quais está o subsistema administrativo. IV. O enfoque sistêmico considera não somente o ambiente interno de uma or- ganização, mas também o meio ambiente que a cerca, no qual estão os seus stakeholders. Representa uma caracterização do enfoque sistêmico o que se afirma em: a. Somente I. b. Somente I e II. c. Somente II, III e IV. d. Somente III. e. Somente IV. A REPRESENTATIVIDADE DAS TÉCNICAS DE OSM PARA O DESENVOLVIMENTO DAS ORGANIZAÇÕES São diversas as finalidades da área de OSM, das quais se destacam: a racionalização na distribuição de tarefas, a padronização de ferramentas e documentos, a eliminação de atividades desnecessárias, a elaboração de formulários e manuais, evitar o desperdício de tempo e retrabalho, redução de custos e principalmente, minimização de esforços e maximização de resultados. Neste artigo, os autores demonstram não somente a importância das técnicas de OSM para as organizações, mas demonstram como estas técnicas se materializam no con- texto organizacional. Para isso realizaram um estudo em três empresas de ramos de ne- gócio diferentes, utilizando de questionários que verificavam a utilização de algumas técnicas de OSM nestes ambientes. Cury (2000, p. 122) afirma que a função de O&M “tem como objetivo final a renovação da organização, por meio da manipulação da empresa como um sistema social, aberto, em permanente sintonia com as demandas de seu ambiente, externo e/ou interno”. Por meio das respostas dos questionários, os autores chegaram a conclusão de que as técnicas mais utilizadas nestas organizações são: o formulário e o manual e os estudos de layout. Outro ponto que é enfatizado é sobre como as técnicas de OSM podem au- xiliar a organização a desenvolver com mais agilidade e eficiência os seus processos. E isso acontece porque tais técnicas promovem a otimização de mão de obra, voltando-se para a redução de custos, sem que isso tenha efeitos negativos na satisfação das neces- sidades dos clientes. O artigo na íntegra está disponível em: . Fonte: Oliveira; Bittencourt; Moreira; Chagas; Pinheiro (2011, online). Material Complementar MATERIAL COMPLEMENTAR Manual de consultoria empresarial Djalma de Pinho Rebouças Oliveira Editora: Atlas. Sinopse: A aplicação do conteúdo deste livro considera os dois lados interessados no assunto: de um lado, o consultor ou empresa de consultoria que realiza os serviços e, de outro lado, a empresa-cliente que contrata os serviços de consultoria. A partir dessa abordagem dupla, o autor procura colocar esses dois lados trabalhando conjuntamente em parceria profi ssional, visando à alavancagem dos resultados da empresa-cliente e à perpetuação do negócio do consultor. Este livro trata da evolução do negócio consultoria, da consolidação do profi ssional como consultor, dos diferentes tipos de consultoria, da contratação e administração dos serviços da consultoria pelas empresas-clientes, bem como da vocação, das características e da ética do consultor. Tempos Modernos Sinopse: O fi lme conta a história de um operário de uma linha de montagem que, testando uma “máquina revolucionária” para evitar o horário de almoço, é levado à loucura pelas atividades repetitivas e monotonia do seu trabalho. Comentário: Apesar de antigo, o fi lme é muito utilizado em disciplinas que tratam da evolução das teorias organizacionais para retratar a linha de montagem e a falta de atenção e/ ou cuidados com os empregados. O foco estava somente em produzir e em exercer controle absoluto sobre os funcionários e o processo de produção. A necessidade de visão sistêmica é um dos imperativos nas organizações atuais. Para que as atividades de OSM tenham efeito positivo sobre a organização, é necessário que essa concepção seja absorvida por todos desse meio. Você compreendeu bem o que signifi ca visão sistêmica? O vídeo apresentado a seguir pode ajudar. Disponível em: . Acesso em: 26 nov. 2015. U N ID A D E II Professora Me. Patrícia Rodrigues da Silva GESTÃO DE PROCESSOS: GRÁFICOS DE ORGANIZAÇÃO E CONTROLE Objetivos de Aprendizagem ■ Descrever a importância e compreender o significado da gestão de processos para as organizações. ■ Apresentar o fluxograma como gráfico de organização e controle dos processos organizacionais. ■ Conhecer os principais tipos e modelos de fluxogramas. ■ Ilustrar as principais simbologias e significados utilizados na elaboração de fluxogramas. ■ Explicitar sobre a contribuição dos formulários para o bom funcionamento dos sistemas e métodos administrativos. Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ Estudo do ambiente organizacional ■ Gestão de processos e organizações ■ Gráficos de organização e controle dos processos: formulários, fluxograma, funcionograma e lotacionograma. INTRODUÇÃO O ambiente organizacional é composto por um conjunto de elementos complexos e em constante transformação. Dessa forma, é necessário que gestores/adminis- tradores estejam aptos para estudar esses elementos de modo que os objetivos definidos para a organização sejam alcançados. Mas como exercer essa tarefa? É no intuito de responder essa questão, caro(a) acadêmico(a), que foram elen- cados os tópicos desta segunda unidade do nosso livro didático. Em um primeiro momento, tratarei sobre o estudo do ambiente organizacio- nal, como uma forma de delinear, analisar e representar as atividades e os seus respectivos fluxos dentro das organizações. Esse estudo se justifica justamente pela complexidade dos elementos que compõem esse ambiente, como disse ante- riormente. E, para realizá-lo adequadamente, abordarei as concepções principais acerca do desenvolvimento de projetos e as etapas para a sua execução. Com espe- cial atenção para a etapa de sensibilização, também conhecida como etapa zero. Em um segundo momento, abordarei a gestão de processos, que representa um elemento orientador ao desenvolvimento do trabalho do analista de OSM, por sua perspectiva holística da organização, considerando o seu todo e as rela- ções existentes com seus ambientes interno e externo. Para fundamentar essa discussão, serão mencionados os seguintes assuntos: (1) processos organizacio- nais e reengenharia; (2) controle e avaliação dos processos. O terceiro e último momento desta unidade abordará os gráficos de orga- nização e controle dos processos. Para isso, serão apresentados os formulários administrativos, fluxograma, funcionograma e lotacionograma. É importante que os analistas de OSM tenham familiaridade com o uso de gráficos de controle, pois estes o auxiliarão a compreender e analisar adequadamente os processos organizacionais. Diante dessas considerações, vamos começar as nossas discussões. Boa lei- tura! Boas reflexões! 53 Introdução Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . GESTÃO DE PROCESSOS: GRÁFICOS DE ORGANIZAÇÃO E CONTROLE Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. II ESTUDO DO AMBIENTE ORGANIZACIONAL Agora que conhecemos a importância e o surgimento da área de OSM nas organizações, chega o momento de tratarmos da gestão de projetos e estudo dos processos organizacionais, ou seja, conhecer a forma de delinear, analisar e representar as atividades e os seus respectivos fluxos dentro das organizações. Para isso, é necessário abordar algumas perspectivas da realização desses estudos, de forma e elucidar essa ação e auxiliar a área de OSMna operaciona- lização de suas atividades nos ambientes organizacionais. Assim, vamos iniciar falando sobre o desenvolvimento de projetos. Desenvolvimento de projetos para estudos organizacionais Os projetos organizacionais são elaborados no intuito de possibilitar uma condu- ção técnica adequada das atividades e uma gestão organizacional mais adequada com eficiência e eficácia. De acordo com Maximiano (2004), os projetos são aquelas atividades/tare- fas especiais e programadas que fogem da rotina das atividades funcionais da organização e têm começo e fim programados. Ao tratar de projetos, mesmo que certos empreendimentos se repitam, o produto final é singular, ou seja, dife- rente dos anteriores. Como exemplo, podem-se citar as empresas de construção civil, que, embora estejam constantemente erguendo edifícios, os resultados são sempre singulares. 55 Estudo do Ambiente Organizacional Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Em um contexto de OSM, o projeto é observado enquanto método admi- nistrativo, ou seja, uma forma metodologicamente delineada para se estudar e analisar o contexto organizacional. O autor Araujo (2011) ressalta que o desen- volvimento de projetos contribui para a eficácia na busca de soluções para os problemas organizacionais e, consequentemente, para o alcance de excelência. Não somente na gestão de processos, mas também nas demais ações organizacionais. A série de etapas delineadas na gestão de projetos, além de possibilitar uma condução técnica do trabalho de mudanças visando a uma mais adequada gestão organizacional, tem como pro- pósito preparar a organização para atuar de modo eficaz e eficiente em estudos organizacionais e, mais especificamente, em gestão de proces- sos (ARAÚJO, 2011, p. 29). Considerando essa concepção do autor, notamos que o desenvolvimento dos projetos organizacionais auxilia o gestor/administrador na condução das ativi- dades organizacionais e no controle das fases necessárias para desenvolvê-las. Ressalto, caro(a) acadêmico(a), que esse controle não tem a finalidade de “enges- sar” as atividades, até mesmo porque diferentes problemas e fatos podem surgir durante o processo, mas sim de corrigir falhas para projetos posteriores e oti- mizar os resultados alcançados. Mas como iniciar a operacionalização dos projetos nas organizações? Para responder essa questão, vamos tratar do conceito de sensibilização, percebida como a etapa precursora ao desenvolvimento de projetos organizacionais. Vimos que os projetos organizacionais auxiliam os gestores/administrado- res na condução das atividades da organização. Partindo desse ponto, como inserir esse tipo de atividade no contexto organizacional? Fonte: a autora. GESTÃO DE PROCESSOS: GRÁFICOS DE ORGANIZAÇÃO E CONTROLE Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. II Sensibilização (etapa zero) A sensibilização, também conhecida como etapa zero, é, segundo Araújo (2011), o momento em que os indivíduos envolvidos no projeto têm o seu primeiro con- tato com o que será executado e se mostra importante por permitir participação e poder de sugestão para o projeto antes de seu início. Assim sendo, sensibilizar é a palavra-chave para essa etapa. Isso porque a sensibilização possibilita que as pessoas envolvidas com o pro- jeto entendam “as razões e os porquês da proximidade de uma nova mudança” (ARAUJO, 2011, p. 30). Essa ação tende a diminuir ou, até mesmo, eliminar as resistências individuais e grupais na organização. Por esse motivo, na etapa zero (sensibilização) ocorrem encontros, reuniões, workshops e outros eventos, com o objetivo de elucidar sobre as perspectivas e elementos do projeto, mas, princi- palmente, promover a participação dos envolvidos em sua execução. Por vezes, uma reunião curta, ao longo do expediente, manhã ou tarde, pode conduzir o grupo ao processo de mudança, sem maiores conse- quências. A conversa franca, a apresentação do projeto em meio às fa- ses ou etapas que fecham a estratégia a ser desenvolvida, a tecnologia ou as tecnologias a serem utilizadas, são o caminho certo para o escla- recimento dos procedimentos direcionados a todo o estudo (ARAUJO, 2011, p. 30). Notamos, assim, que a sensibili- zação corresponde ao processo comunicativo entre os idealizado- res e elaboradores do projeto com os indivíduos que irão participar da sua execução. É um processo de esclare- cimento e conscientização que auxilia não somente no aspecto técnico e ins- trumental, mas também no aspecto comportamental, visto que a sensi- bilização possibilita que as pessoas tenham expectativas reais em relação ao seu papel na execução do projeto. 57 Estudo do Ambiente Organizacional Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Complementando as nossas discussões, o autor Johann (2004) também trata da fase de sensibilização em projetos de mudança organizacional, mas em uma perspectiva mais gerencial, estando essa fase voltada para a alta adminis- tração e para aqueles que ocupam cargos de gestão na organização. Para Johann (2004), é necessário que os membros da alta administração entendam o projeto de mudança, o seu processo e benefícios, utilizando-se, para isso, de reuniões, workshops, entrevistas, seminários etc. Assim, cada organização encontrará a metodologia que mais se encaixa a sua realidade e atividades para a sensibilização. O importante, de acordo com Araújo (2011), é descaracterizar a reunião formal na realização desta etapa, visto que o que se busca é a aproximação das pessoas aos propósitos do estudo, pro- jeto a ser realizado. Agora que conhecemos a etapa inicial para o desenvolvimento de proje- tos de estudo organizacional, serão apresentadas, no quadro a seguir, as etapas seguintes e suas características. ETAPAS CARACTERÍSTICAS DEFINIÇÃO DO OBJETO DE ESTUDO É da maior importância a definição correta do objeto de estudo, principalmente para que seu responsável não tenha incertezas sobre o que será realizado. O objeto de estudo pode ser qualquer elemento ou processo organizacional, tais como: distribuição do trabalho em uma unidade específica, fusão ou eliminação de unidade ou a gestão da organização como um todo. GERAÇÃO DE UMA PESQUISA PRELIMINAR Serve para aumentar o grau de certeza sobre o que foi definido na etapa anterior. É uma fase de con- firmação da real necessidade de estudar o que foi definido. Assim, essa etapa envolve: visualização dos processos organizacionais, observação do ambiente interno, levantamento de informações de estudos já realizados, estudo de documentações, contato com pessoas envolvidas com o que será estudado, estudo de projetos anteriores etc. GESTÃO DE PROCESSOS: GRÁFICOS DE ORGANIZAÇÃO E CONTROLE Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. II DESENHO DO PROJETO É a elaboração propriamente dita do que será desen- volvido. Ao desenhar o projeto é necessário detalhar cada segmento e o título deve mostrar claramente o que será estudado. Os seguintes tópicos represen- tam um modelo para desenho de projeto: Título do projeto, Unidades envolvidas; Temporalidade (crono- grama); Concepção (justificativa para a realização); Objetivos; Insumos (recursos necessários); Restrições ambientais; Detalhamento programático de acordo com os módulos a serem desenvolvidos. EXECUÇÃO DO PROJETO Representa o momento em que o projeto é opera- cionalizado. Assim que o responsável vá ao campo de trabalho e acompanhe o desenvolvimento de atividades, utilizando-se para isso de entrevista, questionário e/ou observação. ALINHAMENTO DOS PRINCIPAIS PROBLEMAS E NECESSIDADES Nesta etapa, o responsável e os participantes do projeto devem estar preparados para identificar deficiências e promover o alinhamentodo que foi inicialmente planejado. É uma etapa importante para dar lógica ao esforço da etapa seguinte. FORMULAÇÃO E ESCOLHA DE ALTERNATIVAS DE AÇÃO Encontrar alternativas de ação e despender esforços para a escola da melhor opção. É um momento de dialogar com os envolvidos no projeto para encon- trar a melhor alternativa para o problema identifica- do. MUDANÇA, ACOMPANHAMENTO, INTRODUÇÃO DE MECANISMOS REGULATÓRIOS São ações que permitem gerenciar o desenvolvi- mento do projeto, visto que, por mais bem elabo- rado que seja o projeto, sempre são necessários pequenos ou eventualmente grandes ajustes. É importante então acompanhar a mudança, objeti- vando o sucesso do projeto como um todo. REAVALIAÇÃO Deve ser implementada algum tempo após o encer- ramento da fase anterior. Assim, é preciso escolher o momento adequado para reflexão sobre o que foi implantado. Quadro 4: Etapas do projeto de estudo organizacional Fonte: adaptado de (2011). A partir das etapas apresentadas, notamos a necessidade de planejamento ao considerar a mudança por meio da realização do estudo organizacional. Tais eta- pas não devem ser percebidas como uma forma de engessamento do que será 59 Estudo do Ambiente Organizacional Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . realizado dentro da organização, mas sim como uma maneira de criar parâme- tros que oferecem orientação aos desenvolvedores e executores do projeto. A figura a seguir apresenta um resumo destas etapas. Início Término De�nir o objeto de estudo Promover a pesquisa preliminar Desenho do projeto Formular alternativas de ação Identi�cação dos principais problemas e necessidades Mudar eReavaliar Execução Figura 3: Etapas do projeto de estudo organizacional Fonte: Araújo (2011, p. 38). Sendo assim, a gestão de projetos está vinculada a observação, descrição e aná- lise dos processos organizacionais, já que é por meio desses que a organização “ganha vida”, executando as atividades necessárias ao seu funcionamento e per- tinentes para se atingir objetivos definidos. Sobre a gestão de processos, vamos tratar no tópico a seguir. Gerência de Projetos – PMBOK O Guia PMBOK introduz conceitos da gestão de projetos, resume os proces- sos de entrada e saída e aborda as práticas de gerenciamento. Trata-se de uma metodologia de gerenciamento de projetos que abarca processos e técnicas no intuito de auxiliar no desenvolvimento de projetos. Para saber mais sobre o assunto, acesse o link: . Fonte: a autora. GESTÃO DE PROCESSOS: GRÁFICOS DE ORGANIZAÇÃO E CONTROLE Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. II GESTÃO DE PROCESSOS E ORGANIZAÇÕES Antigamente, quando se desejava estudar organizações, estas eram fracionadas em departamentos e as análises eram fragmentadas de acordo com os objetivos, estruturas internas, linhas de autoridade e funções de cada uma dessas frações. São os estudos estruturais, de acordo com Araújo (2011). Em outra perspectiva, mais contemporânea, segundo Araújo (2011), fala-se em gestão de processos, que são os estudos pautados em uma visão holística da organização, considerando o seu todo e as relações existentes com seus ambien- tes (interno e externo). Ou seja, considerando as organizações enquanto sistemas abertos, assunto abordado na unidade I de nosso livro didático. Araújo (2011) ressalta que as duas formas de estudos dos ambientes orga- nizacionais ainda são realizadas. A decisão para uma ou outra será tomada a partir de elementos do contexto da organização estudada, tais como competên- cia técnica dos profissionais envolvidos, aspectos políticos, econômicos, sociais ou, ainda, estratégias estabelecidas pela alta administração. Em nossas discussões, consideraremos a perspectiva da gestão de proces- sos organizacionais, fazendo o uso de técnicas, gráficos e outras ferramentas que possam auxiliar no estudo de organizações e na representação do seu cenário de atividades de maneira clara e pontual. Processos organizacionais e reengenharia Para isso, vamos compreender o que é um processo. De acordo com Maximiano (2004, p. 27), “um processo é a estrutura de ação de um sistema. Todas as 61 Gestão de Processos e Organizações Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . organizações podem ser desmembradas em processos”. Por meio dessa con- cepção do autor, percebemos que os processos tratam das atividades de uma organização, que são estruturadas por meio de etapas para se atingir objetivos definidos. E, para que esses objetivos sejam alcançados, é necessário que essas etapas sejam cumpridas e respeitadas. Sobre os processos, Araújo (2011) afirma que são representados por uma sequência de atividades definidas a partir de um cronograma estabelecido previa- mente e que tantos os recursos envolvidos quanto os objetivos almejados devem se apresentar de forma simples e nítida. As atividades são as tarefas executadas pelas pessoas ou máquinas, no intuito de transformar o insumo em produto ou outra atividade. Dessa maneira, é necessário conhecer o processo existente, qual a sua funcio- nalidade, desempenho e pontos críticos. Para isso, é indispensável um completo levantamento do que acontece nas diversas atividades e tarefas realizadas, exe- cutado por uma equipe responsável que atuará junto às pessoas diretamente envolvidas da realização do trabalho (CURY, 2012). Nessa perspectiva, cabe tratar da “Reengenharia de Processos”, como uma forma de análise e reformulação da maneira como a empresa operacionaliza as suas tarefas em busca do alcance de metas. De acordo com D´Ascenção (2007), o intuito dessa ferramenta é redefinir os processos organizacionais, tornando- -os mais eficientes, o que resulta em redução de gastos, otimização do tempo de execução e melhoria na qualidade de produtos e serviços. D´Ascenção (2007) destaca, ainda, que a Reengenharia de Processos acon- tece por meio de 5 (cinco) etapas, que são representadas na figura a seguir. Identi�cação do processo problemático Levantamento detalhado do processo Análise crítica do processo Redesenho do processo Implantação do novo processo 54321 Figura 4: Etapas da reengenharia de processos Fonte: adaptada de D´Ascenção (2007). Considerando essas etapas, vimos que a atividade de diagnóstico está presente já no início da reengenharia de processos, o que reforça a concepção de que o GESTÃO DE PROCESSOS: GRÁFICOS DE ORGANIZAÇÃO E CONTROLE Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. II analista de OSM deve ter um “olhar apurado” para a identificação de problemas e descompassos no ambiente organizacional, para, a partir daí, definir/propor soluções de melhoria. Complementando as nossas discussões, Oliveira (2013) afirma que a ges- tão de processos deve acontecer de forma contínua, representando, assim, um procedimento acumulativo de repensar o negócio, as suas partes e atividades integrantes, redesenhando-o. No que diz respeito à coordenação das atividades, Araújo (2011) afirma que pode ser realizada pelo gestor de qualquer área, consultor interno ou externo, como também por um profissional indicado pela alta direção. O importante é que seja claramente definido o “owner” do processo que ficará responsável pela sua preparação, execução e avaliação. A partir dessas perspectivas, é possível visualizar a quantidade de proces- sos que existem em uma organização. Por exemplo, quando são definidas metas de venda para o trimestre ou semestre em uma empresa, é necessário ter cla- reza sobre o processo que precisará ser operacionalizado, para que essas metas sejam alcançadas. Assim sendo, é necessário um planejamento no qual estejam apresentadasas etapas (passo a passo), o prazo, os profissionais e os ambientes envolvidos, ou seja, toda a estrutura da atividade. Além disso, é necessário definir como deverá ser o envolvimento das pessoas que participarem do processo, pois um elemento fundamental para que o objetivo seja atingido é o cumprimento das etapas esta- belecidas. O planejamento pode ser representado nos projetos organizacionais, dos quais tratarei posteriormente. Controle e avaliação dos processos organizacionais O controle e a avaliação, enquanto atribuições do profissional de OSM, corres- pondem ao acompanhamento do desempenho dos sistemas administrativos, realizando comparações entre os resultados alcançados e os previstos. Para isso, são utilizados nessa etapa indicadores de desempenho, relatórios, formulários e outros documentos que auxiliam nessa comparação. Como vimos anteriormente, a organização é formada por processos que abar- cam um conjunto de atividades para atingir os objetivos, que, segundo Gonçalves 63 Gestão de Processos e Organizações Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . (2000, p. 7), “toma um input, adiciona valor a ele e fornece um output a um cliente específico”. Percebemos, assim, que é necessário que os gestores/administradores controlem o andamento dessas atividades no dia a dia das organizações. Essa ação auxiliará o desenvolvimento de suas ativi- dades, de modo que possam identificar falhas ao longo do caminho, analisá-las e implementar as mudanças neces- sárias. Nessa perspectiva, o controle sobre os processos permitirá localizar pontualmente o problema e tratá-lo de maneira adequada. Sobre esse assunto, Oliveira (2013) destaca que o controle dos processos diz respeito a uma função admi- nistrativa, com o intuito de medir e corrigir o desempenho para assegurar o cumprimento dos objetivos organizacio- nais, como também dos planos estabelecidos como forma de alcançá-los. Controle é uma função do processo administrativo [...] com a finali- dade de realimentar os tomadores de decisões, de forma que possam corrigir ou reforçar esse desempenho ou interferir em funções do pro- cesso administrativo, para assegurar que os resultados satisfaçam aos desafios e os objetivos estabelecidos (OLIVEIRA, 2013, p. 402). Dessa forma, é necessário que a etapa controle e avaliação seja realmente efe- tivada dentro das organizações, pois é dessa maneira que os processos podem ser devidamente avaliados. Sobre o controle e a avaliação, Cury (2012, p. 301) diz que correspondem a uma prática que permite revelar “as vantagens ou os defeitos existentes nos novos métodos de trabalho, permitindo correções finais”. Complementando essa ideia, sobre as fases (etapas) do processo de controle e avaliação, Oliveira (2013) diz que deve seguir a seguinte sequência: (1) esta- belecimento de padrões de medida e avaliação; (2) medida dos desempenhos apresentados; (3) comparação do realizado com o esperado; (4) ação corretiva. Oliveira (2013) ainda afirma que o controle dos processos pode ser exercido em três estágios diferentes: GESTÃO DE PROCESSOS: GRÁFICOS DE ORGANIZAÇÃO E CONTROLE Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. II ■ Preliminar ou prévio: são as atividades efetuadas antes da ocorrência do evento ou fato que se pretende controlar, procurando evitar variações no plano estipulado e minimizar o surgimento de problemas. ■ Corrente ou em tempo real: atividades efetuadas ao mesmo tempo da ocorrência do evento ou fato que se pretende controlar, corrigindo o desempenho durante a execução. ■ Pós-controle: atividades efetuadas após a ocorrência do evento ou fato que se pretende controlar, avaliando os desvios ocorridos, identificando as suas causas. Com a descrição apresentada sobre os estágios de controle, notamos que esses são independentes entre si, mas todos com igual importância para que os pro- cessos levem a resultados satisfatórios. O importante aqui, caro(a) acadêmico(a), é que os gestores/administradores tenham consciência sobre a necessidade de controlar e avaliar constantemente os processos organizacionais. Já ao se tratar do relatório final, controle e avaliação dos processos, é neces- sário que ele seja elaborado com o máximo de informações possíveis, estimando, inclusive, a avaliação do sistema implantado ou do processo analisado. As revi- sões dos sistemas administrativos, dos processos organizacionais, dos métodos, das normas e dos procedimentos podem ser ocasionais ou periódicas. As revisões ocasionais ocorrem quando se julgar que as alterações do ambiente invalidam as premissas preestabelecidas, já as revisões periódicas, durante o funcionamento das atividades, de modo a requerer processos mais eficientes e eficazes (CURY, 2012; OLIVEIRA, 2013). É comum, ainda, que as pessoas apresentem resistências ao controle e avaliação dos processos, que pode ocorrer pelos seguintes motivos: falta de conhecimento sobre o sistema de controle, padrões de controle inadequados, avaliações incor- retas, ações corretivas com críticas pessoais (OLIVEIRA, 2013). Assim, notamos a necessidade do analista de OSM de conhecer de maneira aprofundada o pro- cesso de que controle e avaliação será operacionalizado. Notamos, assim, que as organizações são compostas por um conjunto de processos organizacionais. E como sabemos que OSM é uma área que privile- gia a eficiência, ou seja, a melhor maneira de desenvolver as atividades em uma 65 Gráficos de Organização e Controle dos Processos: Formulários, Fluxograma, Funcionograma e Lotacionograma Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . organização, por meio desses estudos, é possível encontrar os melhores moldes para o fluxo dos processos organizacionais. Percebe, caro(a) acadêmico(a), como as atividades de uma organização são complexas e precisam ser devidamente estudadas? Quando partimos de uma perspectiva de gestão de processos, percebemos o contexto global das atividades organizacionais e, consequentemente, os resultados são otimizados. Mas não basta reconhecer a existência desses processos, é necessário repre- sentá-los. Assim, chegamos às discussões sobre fluxograma, enquanto gráfico de controle dos processos organizacionais. Assunto de nosso próximo tópico. GRÁFICOS DE ORGANIZAÇÃO E CONTROLE DOS PROCESSOS: FORMULÁRIOS, FLUXOGRAMA, FUNCIONOGRAMA E LOTACIONOGRAMA Conforme as nossas discussões vêm sendo construídas, percebemos a necessidade de acompanhamento das atividades e processos organizacionais. Esse acompanhamento tem duas perspectivas: a primeira de organiza- ção e a segunda de controle desses processos e atividades. Dessa forma, é importante que conheçamos a maneira de realizar essa ação. Assim, minha preocupação foi tratar neste tópico das ferramentas que auxiliem o gestor/ administrador na execução de suas atividades. Sendo assim, abordarei, pri- meiramente, os formulários administrativos, como uma forma de organizar os processos, na sequência, os gráficos de controle mais utilizados, que são: formu- lários administrativos, fluxograma, funcionograma e lotacionograma. GESTÃO DE PROCESSOS: GRÁFICOS DE ORGANIZAÇÃO E CONTROLE Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. II Formulários administrativos De acordo com Cury (2012), os formulários adquiriram importância devido ao crescimento das organizações. Isso porque se mostram excelentes veículos de transmissão de informações, além de serem indispensáveis para o planejamento, a execução e o controle das atividades desenvolvidas na organização. Em uma perspectiva de OSM, os formulários têm como objetivo permitir que as informações sejam eficazmente tratadas, devendo, dessa forma, o responsável por sua elaboração dar especial atenção paraa sua elaboração, processamento e controle. Assim, os formulários devem ser conceituados como documentos padronizados e estruturados de acordo com a sua finalidade específica, para uti- lização em todas as unidades da empresa (CURY, 2012). A partir dessas concepções do autor, notamos que o foco dos formulários administrativos está em padronizar e estruturar a descrição e a análise dos pro- cessos organizacionais. Ressalto, caro(a) aluno(a), que o intuito não está em engessar o processo ou torná-lo mais dificultoso, mas sim em profissionalizar o ambiente organizacional, de maneira a reduzir ao máximo as falhas e, assim, otimizar os resultados. Ainda sobre o formulário, Cury (2012, p. 372) afirma que a sua estrutura deverá possuir: [...] características e campos apropriados, destinado a receber, preser- var e transmitir informações, cujos lançamentos são necessários para definir a natureza ou cobrir um fluxo de trabalho, desde seu início até sua conclusão. O formulário, então, constitui-se em um documento formal da organização e deve ser percebido como tal. Assim, o gestor/administrador deve ter essa consciência e preservar, para que essa noção do uso e da necessidade dos formulários seja disseminada por toda a organização. Nessa perspectiva, cabe a ideia de Araújo (2011) de que o formulário tem como tarefa principal ser um veículo que trans- porta informações de maneira organizada dentro da empresa, seja entre pessoas ou departamentos. Para que compreendamos melhor a funcionalidade dos formulários no con- texto organizacional, vamos a alguns exemplos de formulários que podem ser criados: 67 Gráficos de Organização e Controle dos Processos: Formulários, Fluxograma, Funcionograma e Lotacionograma Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . ■ Formulários de identificação dos funcionários (fichas cadastrais). ■ Formulários para solicitações diversas entre departamentos. ■ Formulários para solicitação de compra de matéria prima. ■ Formulários diversos utilizados pelo Departamento Pessoal (DP), como o de pedido de adiantamento de salário. ■ Outros que se mostrem necessários e adequados à realidade organizacional. Outro ponto destacado por Cury (2012, p. 371) é o fato de que “quanto mais complexa a empresa tanto mais necessária a existência de métodos racionais de coleta, análise, processamento e disseminação de dados”. Assim, é necessário que a criação ou racionalização dos formulários administrativos seja efetiva por um órgão e/ou profissional competente para tal tarefa, já que é necessário verifi- car: a sua necessidade, informações realmente relevantes, campos apropriados, fluxo de utilização e outros aspectos que se mostrem importantes (CURY, 2012). Notamos, então, que os formulários administrativos auxiliam no gerencia- mento, avaliação e controle dos processos organizacionais, de forma a oferecer subsídios para a tomada de decisão de gestores/administradores. Complementando as nossas discussões sobre o assunto, Oliveira (2013) des- taca que a necessidade dos formulários se justifica em decorrência dos seguintes fatores: ■ Importância de ter em mãos dados e informações certos e na hora certa, para, assim, utilizá-los rápida e corretamente. ■ Atendimento às exigências legais e governamentais. ■ Padronização nas comunicações. ■ Armazenamento de dados e informações. ■ Controlar o processo administrativo. ■ Tomar decisões das mais diversas ordens. Destaca Oliveira (2013) que o analista de OSM precisa considerar a utilização de formulários administrativos sempre que seja necessária a utilização de informações GESTÃO DE PROCESSOS: GRÁFICOS DE ORGANIZAÇÃO E CONTROLE Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. II após o momento em que elas se tornam disponíveis, ou seja, após a situação ter sido finalizada. Dessa forma, os formulários auxiliam no armazenamento ade- quado e na preservação de informações sobre os processos organizacionais. Vamos tratar, agora, de outra ferramenta utilizada na gestão dos processos orga- nizacionais: o fluxograma. Fluxograma: importância e vantagens O fluxograma é um tipo de gráfico que possibilita visualizar o andamento das atividades organizacionais, independente da sua especificidade. Imagine que, por meio do fluxograma, temos um cenário de todas as etapas, decisões e ações necessárias, do início até o final do processo. Conforme explicitado por Araújo (2011, p. 43), “as modernas tecnologias de estudo e gestão organizacional apontam a gestão de processos como a melhor alternativa para a busca de uma melhor dinamicidade do cotidiano das orga- nizações”. O autor destaca que, nos dias de hoje, para que tenham sucesso, as organizações precisam analisar o dia a dia, considerando a movimentação, a formação e o uso das informações a respeito dos processos organizacionais. E o fluxograma é uma ferramenta indispensável para a análise e gestão dos processos. O fluxograma é um gráfico de processo muito utilizado pelos analistas de OSM. Isso porque, para o estudo e exercício das atividades organizacionais, é Analista de formulários Não é muito comum, mas algumas organizações detêm em sua estrutura o cargo de analista de formulários. Este profissional absorve a função de ana- lisar formulários da empresa, codificá-los ou decodificá-los, otimizar os pro- cessos, promover planejamento eficaz, verificar a efetividade de formulários existentes, etc. Fonte: adaptado de Araújo (2013). 69 Gráficos de Organização e Controle dos Processos: Formulários, Fluxograma, Funcionograma e Lotacionograma Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . necessário seguir uma rotina que esteja claramente definida e seja compreendida pelos envolvidos no processo. Daí a importância do fluxograma. O fluxograma, de acordo com Llatas (2011), é uma representação gráfica da sequência (etapas) de um trabalho, caracterizando as suas operações, os res- ponsáveis e/ou unidades organizacionais envolvidas, tendo também um fim analítico. Buscando apresentar as vantagens do fluxograma, Llatas (2011, p. 95) afirma que esse gráfico permite: ■ Descrição de qualquer tipo de processo. ■ Visão clara e ampla de todo o processo. ■ Representação gráfica padronizada. ■ Simplificação da leitura e identificação dos processos. Assim, o fluxograma não apenas descreve a ordem das atividades, mas também possibilita a avaliação e o redesenho de sua operacionalização. Cury (2012) afirma que os trabalhos de análise administrativa levam à racio- nalização de métodos, processos e à implantação de novos sistemas, ou seja, os projetos de mudança dos ambientes organizacionais. Tal análise de rotinas visa identificar falhas, corrigi-las e promover melhorias nos processos executados na organização. Assim sendo, é necessária uma percepção clara acerca das etapas dos pro- cessos organizacionais. Para isso, Cury (2012) destaca que se faz necessário que os relatórios expressos somente em palavras sejam substituídos e/ou comple- mentados por uma representação esquemática, que possibilite a visualização do cenário e dos eventos que estão sendo analisados. Complementando as nossas discussões, Chinelato Filho (2011) ressalta que o fluxograma é um importante instrumento para que haja compreensão e aná- lise do funcionamento dos sistemas administrativos, já que, por meio dessa ferramenta, torna-se possível visualizar a sequência, a eficiência e as falhas nas operações do sistema. Uma das falhas apontadas pelo autor é a duplicidade de operações, que, quando existentes, precisam ser corrigidas. GESTÃO DE PROCESSOS: GRÁFICOS DE ORGANIZAÇÃO E CONTROLE Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. II Essa representação esquemática aumenta o grau de detalhamentodo processo, por meio dos gráficos que possuem símbolos representativos das ocorrências observadas. Esses símbolos são “dispostos no esquema de acordo com certas regras de uso generalizado, com a finalidade de tornar o fluxo de trabalho mais compreensível, sistemático e racional” (CURY, 2012, p. 233). Tratamos, assim, de uma representação gráfica de quaisquer tipos de fenô- menos, do passo a passo do processo, que expõe um raciocínio esquematizado, com o intuito de facilitar a compreensão da tramitação exata de um fluxo de trabalho específico, de um formulário ou rotina (ARAÚJO, 2011; CURY, 2012). Assim, é necessário compreender que existem diferentes formas de elaborar esses fluxos de trabalho, que são os tipos de fluxograma. Fluxograma: elaboração, simbologia e tipos principais Como vimos, caro(a) acadêmico(a), o fluxograma tem o intuito de retratar o processo de uma operação específica da organização, exatamente como ela acon- tece. Por esse motivo, essa ferramenta é considerada um gráfico de controle, que demonstra como as coisas são feitas em uma unidade de negócio ou na orga- nização como um todo. Sendo assim, é necessário saber elaborar o fluxograma adequadamente. Segundo Cury (2012), a elaboração do fluxograma é uma atividade que envolve uma pesquisa minuciosa das unidades organizacionais em análise, por meio do levantamento dos passos que envolvem o trabalho, que começa pelo operador inicial, passa pelos formulários envolvidos e vai até o final do processo. Assim, aconselha-se, para a elaboração dos fluxogramas, a adoção de uma meto- dologia especial, um roteiro. Para facilitar o nosso entendimento, vamos nos basear no roteiro de ela- boração e de análise, que será apresentado no quadro a seguir, com base nas concepções de Cury (2012): 71 Gráficos de Organização e Controle dos Processos: Formulários, Fluxograma, Funcionograma e Lotacionograma Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . ETAPAS CARACTERÍSTICAS 1. COMUNICAÇÃO As chefias envolvidas partilham com os emprega- dos a realização do trabalho e seus objetivos. 2. COLETA DE DADOS Busca por informações que serão fornecidas pelos executores do trabalho. Para isso, é importante ter em mãos um roteiro de entrevista pré-elaborado. 3. FLUXOGRAMAÇÃO Depois dos dados coletados, é o momento de escolher o tipo de fluxograma que será utilizado e elaborar já o primeiro rascunho. Este deverá ser analisado e, havendo incoerências, novas entrevis- tas deverão ser realizadas e ajustes realizados. 4. ANÁLISE DO FLUXOGRAMA Momento de partir do processo geral e descer progressivamente ao exame minucioso das diver- sas etapas que o compõem. 5. RELATÓRIO DA ANÁLISE Já ao final do estudo do processo, é o momento de preparar um relatório que tenha os seguintes itens: a) condições atuais; b) análise das condições existentes, por meio da identificação das falhas de processamento diagnosticadas; c) recomendações contendo fluxograma da rotina proposta. 6. APRESENTAÇÃO DO TRABALHO Exposição dos fluxogramas propostos de maneira clara e objetiva, destacando como esses se adap- tam à natureza do trabalho analisado. Quadro 5: Roteiro para elaboração de fluxogramas Fonte: adaptado de Cury (2012). Por meio das etapas apresentadas, caro(a) acadêmico(a), é possível visualizar a metodologia de construção de fluxogramas. Esse esquema facilita o nosso traba- lho enquanto analista de OSM, pois permite a criação de um esquema que pode ser utilizados nas mais diversas situações de análise organizacional. No que diz respeito à simbologia utilizada nos fluxogramas, Oliveira (2013) afirma que ela tem o objetivo de evidenciar origem, processo e destino da infor- mação componente de um sistema administrativo e que existe uma tendência em padronizar os símbolos convencionais que representam elementos ou situ- ações correntes. GESTÃO DE PROCESSOS: GRÁFICOS DE ORGANIZAÇÃO E CONTROLE Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. II O que o autor quer dizer é que, como o fluxograma é uma representação gráfica de um processo específico, é necessário que a simbologia utilizada seja de conhecimento de todos. É possível utilizar os mais diversos símbolos na ela- boração do fluxograma, que vão dos mais convencionais aos mais específicos, o importante é que esses não ofereçam dificuldade de compreensão na visua- lização do fluxograma. Por esse motivo, recomenda-se sempre a utilização de legendas na elaboração de fluxogramas. Mesmo assim, Oliveira (2013) afirma que alguns símbolos mais comuns se desenvolveram e tiveram a sua utilização ampliada, que chegam, inclusive, a construir uma linguagem corrente entre os profissionais que os utilizam. O importante é que as expressões simbólicas permitam ampliar, esclarecer e/ou interpretar os diferentes passos dos processos organizacionais. Dessa forma, os autores Araújo (2011), Cury (2012) e Oliveira (2013) expli- citam que, para melhor compreensão dos fluxogramas, a sua simbologia deve estar associada ao tipo de fluxograma apresentado. Dessa forma, vamos seguir essa concepção em nossas discussões, ou seja, as simbologias serão apresenta- das a partir de cada tipo de fluxograma. Segundo Oliveira (2013), os principais tipos de fluxogramas que podem ser utilizados pelos analistas de OSM são: (a) fluxograma vertical; (b) fluxograma parcial ou descritivo; (c) fluxograma global e de coluna. Vamos conhecer as espe- cificidades de cada um deles. a) Fluxograma vertical É um tipo de fluxograma também denominado folha de análise, folha de sim- plificação do trabalho ou diagrama do processo (OLIVEIRA, 2013). É o tipo mais utilizado para identificar as rotinas de um setor de trabalho específico e tem maior utilidade para trabalhos de levantamento, devendo ser traçado em formulário próprio com colunas verticais (ARAÚJO, 2011; LLATAS, 2011). As figuras a seguir representam a simbologia e o exemplo desse tipo de fluxograma: 73 Gráficos de Organização e Controle dos Processos: Formulários, Fluxograma, Funcionograma e Lotacionograma Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . SÍ M BO LO S Análise ou operação Execução inspeção Demora ou atraso Arquivo provisório Arquivo de�nitivo Transporte Figura 5: Simbologia do fluxograma vertical Fonte: Llatas (2011, p. 96). Ordem Símbolos Assinatura Rotina Atual X De recep- ção de mate- rialProposta Estudado por: Em ____ de ____ de 20____ Unidade Organizacional: Suprimentos Descrição dos Passos Unidades Organiza- cionais Recepção Recebe do fornecedor Nota Fiscal (NF) e Material Emite Aviso de Recebi- mento (AR) em quatro vias Arquiva 4ª via do AR em ordem numérica crescente Remete NF e 1ª via do AR para o setor de Contas a Pagar Remete a 2ª via do AR para o Setor de Compras Remete a 3ª via do AR e material para o Almoxarifado Recebe NF e 1ª via do AR Confere NF com AR Arquiva 1ª via do AR por ordem numérica cresc- ente aguardando pagamento Contas a Pagar Sí m bo lo s To ta is Análise ou operação Execução inspeção Demora ou atraso Arquivo provisório Arquivo de�nitivo Transporte 3 1 2 3 4 5 6 7 8 9 3 2 2 9 ø GESTÃO DE PROCESSOS: GRÁFICOS DE ORGANIZAÇÃO E CONTROLE Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. II Ordem Símbolos Assinatura Rotina Atual X De recep- ção de mate- rialProposta Estudado por: Em ____ de ____ de 20____ Unidade Organizacional: Suprimentos Descrição dos Passos Unidades Organiza- cionais Recepção Recebe do fornecedor Nota Fiscal (NF) e Material Emite Aviso de Recebi- mento (AR) em quatro vias Arquiva 4ª via do AR em ordem numérica crescente Remete NF e 1ª via do AR para o setor de Contas a Pagar Remete a 2ª via do AR para o Setor de Compras Remete a 3ª via do AR e materialpara o Almoxarifado Recebe NF e 1ª via do AR Confere NF com AR Arquiva 1ª via do AR por ordem numérica cresc- ente aguardando pagamento Contas a Pagar Sí m bo lo s To ta is Análise ou operação Execução inspeção Demora ou atraso Arquivo provisório Arquivo de�nitivo Transporte 3 1 2 3 4 5 6 7 8 9 3 2 2 9 ø Compras Arquiva NF em ordem alfabética de fornece- dor, aguardando fatura Recebe 2ª via do AR Registra entrega de material pela 2ª via do AR Remete 3ª via do AR para o Setor de Contabi- lidade - Controle de Estoques Recebe 2ª via do AR 10 11 12 13 14 Almoxari- fado Registra entrada de ma- terial na �cha de esto- que correspondente Arquiva 2ª via do AR em ordem cronológica - data de lançamento Recebe 3ª via do AR e material Veri�ca exatidão do AR e material recebido Arquiva 3ª via do AR em ordem cronológica 15 16 17 18 19 75 Gráficos de Organização e Controle dos Processos: Formulários, Fluxograma, Funcionograma e Lotacionograma Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Compras Arquiva NF em ordem alfabética de fornece- dor, aguardando fatura Recebe 2ª via do AR Registra entrega de material pela 2ª via do AR Remete 3ª via do AR para o Setor de Contabi- lidade - Controle de Estoques Recebe 2ª via do AR 10 11 12 13 14 Almoxari- fado Registra entrada de ma- terial na �cha de esto- que correspondente Arquiva 2ª via do AR em ordem cronológica - data de lançamento Recebe 3ª via do AR e material Veri�ca exatidão do AR e material recebido Arquiva 3ª via do AR em ordem cronológica 15 16 17 18 19 Figura 6: Exemplo de fluxograma vertical Fonte: Oliveira (2013, p. 276). Observamos, por meio do exemplo apresentado, que o analista de OSM precisa ter clareza das operações e das etapas do processo a ser representado, pois, com o formulário em mãos, ele preencherá e fará as conexões entre as etapas. Essas ações devem ser precisas, pois representarão o andamento da operação. Assim, Oliveira (2013) destaca que a operacionalização do fluxograma vertical acontece por meio da união de símbolos, interligados sequencialmente, conforme cada ação acontece. Outro ponto destacado por Araújo (2011) sobre esse tipo de fluxograma é que não é indicado para pessoas que tenham dificuldade na lei- tura e interpretação de gráficos, devido apresentar certo grau de complexidade. b) Fluxograma parcial ou descritivo Esse tipo de fluxograma tem os seguintes aspectos básicos, de acordo com Oliveira (2013): ■ Descreve o curso de ação e trâmites dos documentos. ■ É mais utilizado para atividades de levantamento e para rotinas que envol- vem poucas unidades organizacionais (departamentos). ■ A elaboração é um tanto complexa e mais difícil que o fluxograma vertical. A dificuldade apresentada pelo autor é mencionada, pois esse tipo de fluxo- grama não conta com formulário próprio para a sua elaboração. O analista de OSM deverá, então, traçar todas as etapas conforme as informações coletadas GESTÃO DE PROCESSOS: GRÁFICOS DE ORGANIZAÇÃO E CONTROLE Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. II nas entrevistas realizadas com os executores do processo estudado. Isso quer dizer que esse tipo de fluxograma deve ser “desenhado do zero”. Vamos aos sím- bolos utilizados para isso. Terminal Conector Arquivo Conferência SÍMBOLO SIGNIFICADO Executante ou responsável Operação Sentido de Circulação Documentos Informações Orais Decisão SÍMBOLO SIGNIFICADO Documentário Conector de Página Material Figura 7: Simbologia do fluxograma parcial ou descritivo Fonte: Oliveira (2013, p. 279). Para a construção desse tipo de fluxograma, Llatas (2011) diz que o analista de OSM pode se utilizar de softwares ou, então, fazê-lo manualmente. Vale men- cionar que o uso de softwares facilita o trabalho e proporciona maior rapidez, além de não deixar dúvidas no que diz respeito aos símbolos. Mesmo assim, o elaborador deverá ser conhecedor das etapas e atividades para que a represen- tação gráfica seja fidedigna. Llatas (2011) ainda destaca que esse tipo de fluxograma é muito utilizado para representar graficamente rotinas administrativas da organização. Descrever, por exemplo, os processos de recrutamento e seleção, de treinamento e desen- volvimento, de compra e pagamento de matéria prima, de cobrança de clientes, de pesquisa e prospecção de clientes, dentre outros. 77 Gráficos de Organização e Controle dos Processos: Formulários, Fluxograma, Funcionograma e Lotacionograma Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . c) Fluxograma global e de coluna Esse tipo de fluxograma é o mais utilizado pelas organizações, no levantamento e na descrição de rotinas, apresentando maior versatilidade por sua maior diver- sidade de símbolos (OLIVEIRA, 2013). É um tipo de fluxograma que permite demonstrar com maior clareza as etapas do processo em questão, podendo ainda ser utilizado para detectar problemas de distribuição de tarefas (LLATAS, 2011). Terminal Conector Página Demora ou atraso Conector Rotina Destruição de doc Circulação doc Circulação inf. orais Documento Material Informação oral Arquivo Decisão Figura 8: Simbologia do fluxograma global ou de coluna Fonte: Oliveira (2013, p. 282). Início Recebe pedido de um cliente que deseja efetuar a compra por meio de �nanciamento Confere se o cliente tem registro no SERASA ou no SPC Confere se o cliente tem registro no SERASA ou no SPC Efetua a venda com base nas recomendações do departamento de �nanças Nota �scal Término Recomenda a condição de pagamento compatível com o per�l do cliente DEPARTAMENTO DE VENDAS DEPARTAMENTO DE FINANÇAS DEPARTAMENTO DE VENDAS Figura 9: Exemplo de fluxograma global ou de colunas Fonte: Cury (2007, apud LLATAS, 2011, p. 103). GESTÃO DE PROCESSOS: GRÁFICOS DE ORGANIZAÇÃO E CONTROLE Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. II A partir das figuras apresentadas sobre o fluxograma global ou de colunas, nota- mos que esse é um tipo de gráfico que oferece uma perspectiva geral do fluxo de trabalho. Segundo Cury (2012), esse é um tipo de fluxograma apropriado para se transmitir o fluxo de trabalho para toda a organização. Agora que conhecemos o principal gráfico de controle dos processos organi- zacionais, vamos tratar outros tipos, que são o funcionograma e o lotacionograma. Funcionograma e lotacionograma Neste último tópico, caro(a) aluno(a), vamos tratar de duas ferramentas de con- trole dos processos organizacionais, mas que nem sempre recebem a devida importância por parte dos gestores, mas que se mostram indispensáveis sempre que se faz necessária a análise organizacional. Essas ferramentas são o funcio- nograma e o lotacionograma. O funcionograma, segundo Cury (2012), é um gráfico de controle restrito aos órgãos adotantes e tem como finalidade o detalhamento das atividades que compõem uma função específica, que originará um órgão (departamento) na empresa. Por meio de sua utilização, é possível visualizar a distribuição das ati- vidades entre os empregados, as atividades que precisam ser desenvolvidas e, assim, verificar a sua efetividade. Sobre o funcionograma, Chinelato Filho (2011) afirma que a sua utilização volta-se a apresentar de maneira detalhada às atribuições de um departamento da empresa, denominada também de unidade organizacional. O autor ainda res- salta que, geralmente, o uso desse gráfico de controle, é interno no órgão do qual se originou, coadunando, assim, com o autor anterior. A figura a seguir traz um exemplo de funcionograma: 79 Gráficos de Organização e Controle dos Processos: Formulários, Fluxograma, Funcionograma e Lotacionograma Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P enal e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Departamento de marketing Prospecção de clientes RESPONSÁVEIS: ATIVIDADES -Realizar pesquisas de mercado. -Analisar nichos de mercado. -Estudar a concorrência. -Realizar pesquisas de opinião. -Propor novos produtos e serviços. Relações Públicas RESPONSÁVEIS: ATIVIDADES -Elaborar e executar planos de comunicação interna. -Estabelecer políticas de comunicação empresarial. -Realizar pesquisas de varredura digital. -Estabelecer contato com a mídia. Vendas RESPONSÁVEIS: ATIVIDADES -Capacitar equipes de vendas. -Realizar estudos de preci�cação. -Analisar oferta e procura por produtos. -Realizar pós-venda. -Fazer previsão de vendas. -Estipular metas e objetivos. Figura 10: Exemplo de funcionograma Fonte: a autora. Considerando os apontamentos realizados a respeito do funcionograma, nota-se que esse gráfico organizacional oferece informações claras quanto ao funciona- mento de um setor específico. O funcionograma pode ser utilizado ainda para projetos específicos com “tempo de vida” definido, pois, com a clareza das atri- buições, realizar o controle sobre o andamento do projeto é mais eficaz. Quanto ao lotacionograma, Chinelato Filho (2011) afirma que é um gráfico que tem por objetivo demonstrar a disposição das pessoas (recursos humanos) dentro da organização, mostrando-se, assim, uma importante ferramenta para o departamento de RH, pois auxilia no planejamento quanto a: remanejamento, reorganização, admissão, transferências, promoção ou desligamento. Nesse grá- fico pode constar apenas o número de empregados por setor ou, então, o número previsto e real, por cargo ou departamento. GESTÃO DE PROCESSOS: GRÁFICOS DE ORGANIZAÇÃO E CONTROLE Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. II D EP A RT A M EN TO D E M A RK ET IN G SE TO R PR O SP EC Ç Ã O D E CL IE N TE S V EN D A S RE LA ÇÕ ES P Ú BL IC A S TO TA L C A RG O Pr ev is - to Re al Au sê n- ci a Pr ev is - to Re al Au sê n- ci a Pr ev is - to Re al Au sê n- ci a Pr ev is - to Re al Au sê nc ia A U X IL IA R 05 04 (0 1) 05 03 (0 2) 03 03 - 13 10 (0 3) A SS IS TE N TE 02 02 - 02 - (0 2) 01 - (0 1) 05 02 (0 3) A N A LI ST A 01 01 - 01 01 - 01 01 - 03 03 - Quadro 6: Exemplo de Lotacionograma Fonte: a autora. 81 Considerações Finais Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Embora o funcionograma e lotacionograma apresentados sejam fictícios, pode- mos visualizar as características da sua elaboração e, principalmente, analisar os dados para controle e tomada de decisão. A partir desse tipo de percepção, caro(a) acadêmico(a), os gestores/administradores podem tomar decisões mais acertadas no que diz respeito aos processos organizacionais. Dessa maneira, finalizamos esta unidade de nosso livro didático. Na sequên- cia, vamos falar do desenho e da análise da estrutura organizacional, abordando os seus principais componentes, que são: departamentalização e organograma. CONSIDERAÇÕES FINAIS Nesta segunda unidade, estudamos os principais elementos que compõem e orientam a gestão de processos nas organizações. Procurei descrever os princi- pais itens a serem percebidos nos mais diversos tipos de organização, quando do estudo de seu ambiente. Durante a apresentação dos conteúdos, pudemos notar que o estudo do ambiente organizacional é uma atividade complexa que deve ser realizada com o máximo de cuidado possível. Em uma perspectiva de OSM, compete ao seu responsável não somente conhecer os elementos organizacionais, mas, princi- palmente, considerá-los ao se avaliar um contexto específico. Ao tratar da gestão de projetos, vimos que o conjunto de etapas delineadas não tem o intuito de engessar a execução, mas sim de conduzir as atividades organizacionais de modo que o gestor/administrador detenha controle sobre as fases necessárias para se chegar ao objetivo final. Dentre esse conjunto de etapas, foi destacada a importância da sensibilização, como precursora ao desenvolvi- mento dos projetos organizacionais. É importante que você tenha compreendido a sua importância. Vimos, ainda, que a gestão de processos trata de uma perspectiva mais con- temporânea para o estudo das organizações e se pauta em uma visão holística da organização, considerando todas as suas relações e ambientes. Os processos GESTÃO DE PROCESSOS: GRÁFICOS DE ORGANIZAÇÃO E CONTROLE Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. II foram compreendidos como atividades de uma organização, que são estrutura- das por meio de etapas, no intuito de atingir objetivos definidos. Mas não basta conhecer os processos, não é mesmo? Por esse motivo, discutimos, também, sobre os gráficos de controle. Você deve ter percebido a atenção especial dada ao fluxograma, enquanto gráfico de controle. Estudamos que o fluxograma é um tipo de gráfico que pos- sibilita visualizar o andamento das atividades organizacionais, independente da sua especificidade. Encerro esta unidade destacando a importância de você ter assimilado as discussões aqui abordadas. Caso necessário, faça uma releitura. As atividades de autoestudo e aulas conceituais também vão te ajudar. Entusiasmo! 83 1. Foi estudado que os projetos organizacionais são importantes para uma gestão organizacional mais adequada, com eficiência e eficácia. Dessa forma, leia as afir- mativas a seguir considerando os seus objetivos: I – Possibilitar uma condução técnica adequada das atividades da organização. II – Definir o método administrativo adequado para analisar um contexto espe- cífico. III – Preparar a organização para atuar de modo eficaz e eficiente na gestão dos processos. IV – Auxiliar o gestor/administrador no controle das fases necessárias para de- senvolvimento das atividades organizacionais. a. Somente as afirmativas I e II estão corretas. b. Somente as afirmativas II, III e IV estão corretas. c. Somente as afirmativas I e III estão corretas. d. Somente a afirmativa IV está correta. e. Todas as afirmativas estão corretas. 2. Considerando a necessidade de esclarecimento sobre o que será executado nos projetos junto aos envolvidos, falou-se da sensibilização, também conhecida como etapa zero. Quais as características dessa fase? Analise as afirmativas a se- guir: I – Possibilita que as pessoas entendam as razões para a execução do projeto. II – Estimula as resistências individuais e grupais na organização. III – Visa elucidar as perspectivas e os elementos do projeto. IV – Acontece por meio de reuniões, workshops e outros eventos. Considerando V para verdadeiro e F para falso, as afirmações I, II, III e IV são, res- pectivamente. a. F-F-V-V. b. V-F-V-V. c. V-V-F-F. d. F-V-F-V. e. V-V-V-F. 3. Os gráficos de controle são ferramentas utilizadas para mapeamento, represen- tação gráfica e análise dos processos organizacionais. Sendo assim, analise aten- tamente os excertos apresentados a seguir. [...] possibilita visualizar o andamento das atividades organizacionais, indepen- dente da sua especificidade, representando graficamente a sequência de um trabalho. [...] tem como finalidade o detalhamento das atividades que compõem uma função específica, que originará um órgão (departamento) na empresa. [...] permitem que as informações sejam eficazmente tratadas, devendo, dessa forma, o responsável por sua elaboração dar especial atenção para elaboração, processamento e controle. [...] tem por objetivo demonstrar a disposição das pessoas (recursos humanos) dentro da organização. Os excertos apresentados correspondem, RESPECTIVAMENTE, a: a. Fluxograma, funcionograma, formulários administrativos e lotacionograma. b. Funcionograma, lotacionograma, fluxograma e formulários administrativos. c. Formuláriosadministrativos, fluxograma, funcionograma e lotacionograma. d. Lotacionograma, formulários administrativos, fluxograma e funcionograma. e. Fluxograma, formulários administrativos, lotacionograma e funcionograma. 85 PADRONIZAÇÃO DE PROCESSOS EM UMA EMPRESA DO SETOR MOVELEIRO: UM ESTUDO DE CASO Sabe-se da importância da padronização dos processos organizacionais para o bom funcionamento de uma organização. O artigo recomendado como leitura complemen- tar trata dessa padronização em uma empresa do setor moveleiro da região metropoli- tana de Belém. Os autores descrevem que a empresa conta com uma estrutura tradicio- nalmente familiar e não apresentava procedimentos padrão. Para a identificação da falta de padronização dos processos, foi realizado um diagnóstico do setor produtivo, que foi visto como o fator mais crítico que afetava a gestão de processos e gerava problemas de produtividade e qualidade, tais como desperdício de materiais e não conformidade nos produtos. Como o intuito da empresa, segundo os autores, era padronizar os processos, a partir da pesquisa foram elaborados fluxogramas, formulários de apoio ao gerenciamento da produção e um manual de funções para estabelecer as reais atribuições de cada cargo existente na empresa. A partir da utilização dessas ferramentas, os processos internos da empresa foram formalizados e simplificados, o que contribuiu para um controle sis- temático e contínuo das operações, reduzindo os problemas de desconformidades e desperdícios ao longo dos processos. Os autores do artigo apontam, ainda, que a padronização dos processos, com base na elaboração e aplicação de ferramentas formalizadas, contribuiu para o aumento dos ní- veis de produtividade e qualidade nos produtos finais da empresa, mostrando, assim, a sua relevância. Essa necessidade de padronização foi justificada pelos autores, uma vez que apresentava desconformidades e variabilidades na forma de execução de suas ati- vidades, que implicavam em um alto nível de erros e falhas de operação e em elevadas perdas de materiais por retrabalhos. O artigo na íntegra está disponível em: Fonte: Wanzeler; Ferreira; Santos (2010, online). MATERIAL COMPLEMENTAR Vimos, em nossas discussões, sobre a importância de saber elaborar corretamente fl uxogramas. O link a seguir pode auxiliar neste processo: . Acesso em: 11 ago. 2015. Gerenciamento de Projetos na Prática Roque Rabechini Jr; Marly Monteiro de Carvalho. Sinopse: Os textos deste livro foram elaborados por equipes que contam com renomados professores e pesquisadores nessa área, além de relatos de experiências concretas do gerenciamento de projetos no Brasil. Os 12 casos aqui reunidos têm diferentes objetos de estudo, desde os esportes radicais (trekking) até telecomunicações, e trazem à luz aspectos inovadores decorrentes da interdisciplinaridade da Gestão de Projetos com outras áreas de conhecimento, como gestão do conhecimento, gerenciamento ambiental e outras. U N ID A D E III Professora Me. Patrícia Rodrigues da Silva ESTRUTURA ORGANIZACIONAL, DEPARTAMENTALIZAÇÃO E ORGANOGRAMA Objetivos de Aprendizagem ■ Descrever os elementos que compõem a estrutura organizacional. ■ Apresentar as diferenças entre estrutura formal e informal, bem como as suas vantagens e desvantagens. ■ Conhecer as classificações de estrutura mecanicista e orgânica. ■ Expor os componentes da estrutura organizacional, os seus níveis de influência e abrangência. ■ Conhecer e ilustrar as formas de estruturação que podem ser utilizadas pelas organizações. ■ Conhecer e ilustrar os principais tipos de organograma.. Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ Estrutura organizacional. ■ Departamentalização. ■ Organograma. INTRODUÇÃO Nesta unidade, serão explicitados os elementos que compõem a estrutura de uma organização. Nas unidades anteriores, tivemos a oportunidade de tratar o ambiente complexo das organizações, como também conhecer sobre algumas das atividades do profissional de OSM nesses ambientes. Agora, chega o momento de aprofundar ainda mais os nossos estudos. No primeiro tópico desta unidade, abordaremos a estrutura organizacio- nal. Assim, serão mencionados os elementos importantes de serem analisados por gestores/administradores e analistas de OSM, antes mesmo de representá- -la graficamente. Veremos o quanto os estudos sobre a estrutura organizacional podem influenciar no alcance de metas, na regularidade das atividades da orga- nização e na ordem determinada para a tomada de decisão. Dessa forma, trataremos sobre: estrutura formal e informal, modelos de estrutura organizacional, diferenciação e integração de atividades e sobre os componentes da estrutura de uma organização, que são os sistemas de respon- sabilidade, autoridade, comunicação e decisão. No segundo tópico, será abordado o assunto departamentalização, men- cionado como a atividade precursora à elaboração do organograma. Este, que trata da representação gráfica da organização, será assunto do terceiro tópico. É importante que você compreenda a diferença entre esses dois elementos, pois isso o orientará nas demais atividades de estudo organizacional. Você perceberá, caro(a) acadêmico(a), que falaremos de formas diferentes de departamentalização, como também de tipos de organograma que podem ser utilizados pelas organizações. Não se concentrem em memorizá-los, mas sim em compreendê-los, de maneira que, em suas atividades de análise organi- zacional, saiba reconhecer qual se mostra mais adequado e melhor representa a organização. Espero que seja mais um momento de reflexões e aprendizado. Boa leitura! 89 Introdução Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . ESTRUTURA ORGANIZACIONAL, DEPARTAMENTALIZAÇÃO E ORGANOGRAMA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. III ESTRUTURA ORGANIZACIONAL Neste tópico, falaremos sobre os elementos que compõem a estrutura organiza- cional. Para isso, primeiramente, apresentarei os seus aspectos básicos, que vão desde os modelos e componentes da estrutura organizacional, até os níveis de abrangência e influência. Veremos que a estrutura de uma organização está além de sua representa- ção gráfica, que acontece por meio do organograma, pois, abarca uma série de elementos que influenciam e são influenciados diretamente pela dinâmica orga- nizacional. Por dinâmica organizacional, entendemos as articulações necessárias para o funcionamento da organização. Nelas, estão envolvidas as relações entre os diversos recursos da organização, tais como: humanos, financeiros, tecnoló- gicos etc. Mas qual a importância da estrutura organizacional? Para Cury (2012), a estrutura organizacional atende a três funções básicas: (1) atingir metas orga- nizacionais; (2) regulamentar as variações individuais sobre a organização; (3) determinar a ordem pela qual as decisões são tomadas e onde são executadas as atividades da organização. Por meio dessa concepção do autor supracitado, notamos que a estrutura de uma organização precisa estar alinhada e em sintonia com os seus objetivos. Já que é por meio dos estudos da estrutura organizacional que serão definidos os departamentos, níveis hierárquicos e relações de autoridade. “Estrutura organiza- cional é o conjunto ordenado de responsabilidades, autoridades, comunicações e decisões das unidades organizacionais de uma empresa” (OLIVEIRA, 2013, p.88). O autor Oliveira (2013) ressalta, ainda, que uma estrutura organizacional 91 Estrutura Organizacional Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e19 98 . adequada leva a facilidade e a qualidade nos processos decisórios e relatórios gerenciais, melhora nos processos de comunicação e maior comprometimento com os resultados. Em relação à percepção dos empregados, uma estrutura orga- nizacional bem delineada proporciona: ■ Identificação das tarefas necessárias. ■ Organização de funções e responsabilidades. ■ Recursos, informações e feedback aos empregados. ■ Medidas de desempenho alinhadas aos objetivos. ■ Condições de trabalho motivadoras. Assim, a estrutura organizacional define a forma pela qual as atividades são desenvolvidas, as relações existentes e necessárias para o desenvolvimento dessas atividades, as relações de poder e as hierarquias. Para elucidar essa concepção, vamos tratar de alguns elementos que compõem a estrutura de uma organização, começando pela definição de estrutura formal e informal. Estrutura formal e informal A princípio, quero ressaltar que todo e qualquer tipo de organização possui estrutura formal e informal, indepen- dente de seu tamanho ou ramo de atividade. Vamos entender a diferença entres esses termos a partir da perspec- tiva de Oliveira (2013): Estrutura formal, objeto de grande parte do estudo das organizações empresariais é aquela deliberadamente planejada e formalmente repre- sentada, em alguns de seus aspectos, pelo organograma [...]. Estrutura informal é a rede de relações sociais e pessoais que não é estabelecida ou requerida pela estrutura formal. Surge da interação social das pes- soas, o que significa que se desenvolve, espontaneamente, quando as pessoas se reúnem (OLIVEIRA, 2013, p. 84). ESTRUTURA ORGANIZACIONAL, DEPARTAMENTALIZAÇÃO E ORGANOGRAMA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. III Considerando essa perspectiva do autor, percebemos que estruturas formal e informal coexistem no contexto organizacional e não são excludentes, mas sim complementares. Isso quer dizer, prezado(a) aluno(a), que é necessário considerar ambas as estruturas quando nos propomos a analisar a organização, conside- rando as suas características. Outro ponto que vale ressaltar é que a estrutura formal, por ser explícita e repre- sentada em documentos, manuais, gráficos e outras formas de descrição, permite maior visualização por parte do analista de OSM. Em contrapartida, vimos que a estrutura informal surge das relações estabelecidas entre os membros da organiza- ção e, por esse motivo, está relacionada a aspectos implícitos das relações sociais. Esses aspectos implícitos podem surgir por diversas causas e precisam ser considerados e analisados em profundidade, já que podem ser bons ou ruins para a organização. Segundo Oliveira (2013), do ponto de vista negativo, os aspectos informais podem representar resistência ou alteração das ordens formais, como também cumprimento da tarefa diferente do desejado. Por outro lado, a estrutura informal pode também beneficiar a organização, tornando-se um bom lugar para líderes formais se desenvolverem, por exemplo. Como a comunicação e os relacionamentos são a base para a constituição desse tipo de estrutura, líderes formais que têm dificuldades em desenvolver empa- tia com as suas equipes podem ter sucesso explorando esses relacionamentos (OLIVEIRA, 2013). Complementando as nossas discussões, Cury (2012) destaca que a estru- tura formal tem aspectos que devem ser devidamente manipulados em busca Dada a importância desses dois tipos de estrutura, de que forma o gestor/ administrador pode promover a sua coexistência, de maneira que pessoas e organizações saiam ganhando? Fonte: a autora. 93 Estrutura Organizacional Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . de melhores resultados organizacionais, tais como: definir a importância das atividades, enfatizar a especialização em busca da maior efetividade, delimitar os processos de coordenação para otimizar a execução de atividades, definir os processos de controle entre pessoas e departamentos e definir o custo da estru- tura, no que diz respeito a sua montagem. No que tange aos aspectos a serem considerados na estrutura informal, Cury (2012) enfatiza que o mais importante é uma adequada intervenção organiza- cional, orientada pelos elementos da estrutura formal. É necessário estabelecer um processo político que envolve contatos com a cúpula da empresa, entrevista com gerentes setoriais e influências sobre os membros da organização. Ademais, é necessário que as relações sociais estabelecidas da estrutura informal também permitam preparar os empregados para a mudança. O público interno da organização precisa ser devidamente informado e ter participação ativa sobre o que vai acontecer, então, a estrutura informal pode auxiliar nesse processo, estimulando, inclusive, um clima propício à implantação de mudan- ças (CURY, 2012). A partir dos apontamentos realizados a partir das perspectivas dos autores, percebemos a necessidade de uma ênfase especial à estrutura informal, justa- mente por ela ser mais suscetível a mudanças e envolver aspectos subjetivos do contexto organizacional. Para trazer clareza sobre os seus principais aspectos, o quadro a seguir apresenta as suas vantagens e desvantagens, a partir da visão de Oliveira (2013, p. 86): VANTAGENS DESVANTAGENS Proporciona maior rapidez no processo decisório; Reduz distorções existentes na estrutura formal; Complementa a estrutura formal; Reduz a carga de comunicação dos chefes; Motiva e integra as pessoas da empresa. Provoca desconhecimento da realidade empresarial pelas chefias; Dificuldade de controle; Possibilidade de atrito entre as pessoas. Quadro 7: Vantagens e desvantagens da estrutura informal Fonte: adaptado de Oliveira (2013, p. 86). ESTRUTURA ORGANIZACIONAL, DEPARTAMENTALIZAÇÃO E ORGANOGRAMA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. III Notamos que a estrutura informal possui mais vantagens que desvantagens, não é mesmo? O que influenciará nesse contexto será a forma como tal estrutura será gerenciada, considerando para isso os elementos da estrutura formal. Assim, é importante que os gestores/administradores administrem a estrutura formal e informal, de modo que ambas tenham reciprocidade de aspectos e interesses, ou seja, se articulem trazendo benefícios às pessoas e à organização. Vamos falar, na sequência, dos modelos de estrutura organizacional. Modelos de estrutura organizacional Ao tratar dos modelos de estrutura organizacional, é necessário sempre levar em consideração os aspectos que envolvem o negócio, a organização. Não há um modelo de estrutura perfeito para todo tipo de organização, é necessário buscar aquela que melhor se adéqua à realidade em que será constituída. Cury (2012) explicita que projetar ou mudar uma estrutura organizacional é um processo complexo que exige manipulação adequada de diversos aspectos ligados ao ambiente da organização, tais como: elementos estratégicos, táticos e operacionais (internos e externos) e a cultura da organização. Em busca de um modelo de orientação a ser utilizado na elaboração ou pro- cesso de mudança de estrutura, Cury (2012) descreve a sua realização em cinco etapas, conforme segue: 1. Fixação de objetivos estratégicos da empresa: essa ação pressupõe a pre- visibilidade das consequências e resultados que se esperam alcançar. 2. Identificação dos maiores obstáculos para a empresa: fase em que é fun- damental a plena participação dos diretos e altos gerentes para, assim, realizar um exame minucioso dos obstáculos ou dificuldades da orga- nização, fazendo emergir elementos importantes para a constituição da estrutura. 3. Elaboração de estruturas alternativas: permite à alta cúpula da organiza- ção inferir sobre a possibilidade de mais soluções de estrutura, visto que não há estrutura perfeita, inclusive pelas influênciastrataremos sobre os elementos que compõem a estrutura de uma orga- nização. Para isso, serão apresentadas as diferenças entre estrutura formal e informal, bem como as suas vantagens e desvantagens. Conheceremos, assim, o significado das classificações de estrutura mecanicista e orgânica. Como nessa terceira unidade estaremos discutindo sobre estrutura das organizações, serão expostos os seus componentes, níveis de influência e abrangência. É necessário que o analista de OSM compreenda tais elementos, pois, somente assim, será possível estudar adequadamente a organização que se deseja analisar. Desse modo, conhece- remos as formas de estruturação que podem ser utilizadas pelas organizações, como também os principais tipos de organograma para representá-las. APRESENTAÇÃO ORGANIZAÇÃO, SISTEMAS E MÉTODOS Um ponto que merece destaque, caro(a) acadêmico(a), e que você perceberá ao longo das discussões propostas em nosso livro, é que sempre destacarei a neces- sidade de se considerar e analisar cada contexto organizacional. Nesta disciplina, falaremos de ferramentas e da forma delas serem operacionalizadas, mas o mais importante é reconhecer que cada organização é diferente da outra, sendo, assim, necessário reconhecer as suas particularidades ao estudá-las. Dito isso, na unidade IV, intitulada “Arranjo Físico (layout) e análise da distribuição dos trabalhos”, descreverei a importância dos estudos de layout dos contextos orga- nizacionais. Assim sendo, conheceremos as principais técnicas de layout utilizadas e a sua importância para o analista de OSM. Você perceberá, caro (a) aluno(a), que as discussões propostas nesta unidade serão bem instrumentais, pois têm justamente o intuito de promover a visualização da operacionalização desses elementos no contexto organizacional. Dessa forma, se- rão identificadas as etapas para estudo do layout e descritos os principais tipos de layout utilizados pelas organizações. Finalizaremos tratando dos aspectos principais dos Quadros de Distribuição do Trabalho (QDT), como um instrumento fundamen- tal para a gestão organizacional. Por fim, na unidade V, que traz como título “Manuais Administrativos e Desenvolvi- mento Organizacional”, abordaremos a importância dos manuais organizacionais. Você perceberá que falarei bastante sobre a resistência em utilizá-los, pois esse ain- da é um paradigma que precisamos superar. Os manuais devem ser percebidos en- quanto guias orientadores, e não como instrumentos que “engessam” os processos organizacionais. Visando, então, o rompimento de uma visão equivocada sobre os manuais, apre- sentarei os principais tipos de Manuais utilizados, destacando o seu papel para a implementação da mudança. Sobre a mudança, veremos que não há como evitá-la, mas, sim, preparar-se de maneira a absorvê-la gradativamente no contexto das or- ganizações. Dessa forma, será notada a importância do analista de OSM estudar o desenvolvimento organizacional (DO). Finalizando essa quinta unidade e o nosso livro, abordaremos os novos desenhos e ferramentas para OSM. Falaremos, assim, sobre: (1) “Arquitetura Organizacional”, que corresponde ao modelo que representa o ciclo de vida da organização; (2) “Ben- chmarking”, como uma estratégia de observação recomendada a gestores e exe- cutivos organizacionais, para inovar o contexto organizacional; (3) “Empowerment”, como uma forma de descentralização do poder decisório na organização. Falare- mos, ainda, sobre a Gestão da Qualidade Total, a Gestão com livro aberto – Open Book Management e a Gestão e organização reversa. Espero que esta seja uma jornada de conhecimento, questionamentos, indagações, mas, principalmente, desenvolvimento acadêmico e profissional. Boa leitura! Boas reflexões! Prof. Me. Patrícia Rodrigues da Silva APRESENTAÇÃO SUMÁRIO 09 UNIDADE I O GESTOR ORGANIZACIONAL E A EMPRESA CONTEMPORÂNEA 15 Introdução 16 Organizações, Administração e o Gestor Organizacional 30 Teorias da Administração e Surgimento Da Área de Organização, Sistemas e Métodos (Osm) 37 Organizações Vistas como Sistemas Abertos 43 Considerações Finais UNIDADE II GESTÃO DE PROCESSOS: GRÁFICOS DE ORGANIZAÇÃO E CONTROLE 53 Introdução 54 Estudo do Ambiente Organizacional 60 Gestão de Processos e Organizações 65 Gráficos de Organização e Controle dos Processos: Formulários, Fluxograma, Funcionograma e Lotacionograma 81 Considerações Finais SUMÁRIO UNIDADE III ESTRUTURA ORGANIZACIONAL, DEPARTAMENTALIZAÇÃO E ORGANOGRAMA 89 Introdução 90 Estrutura Organizacional 106 Departamentalização 117 Organograma 127 Considerações Finais UNIDADE IV ARRANJO FÍSICO (LAYOUT) E ANÁLISE DA DISTRIBUIÇÃO DOS TRABALHOS 135 Introdução 136 Estudo do Layout e Estrutura Organizacional 142 Técnicas e Tipos de Layout 150 Estudo da Distribuição do Trabalho 157 Considerações Finais SUMÁRIO 11 UNIDADE V MANUAIS ADMINISTRATIVOS E DESENVOLVIMENTO ORGANIZACIONAL 165 Introdução 166 Uso de Manuais na Organização 173 Gestão da Mudança e Desenvolvimento Organizacional 181 Novos Desenhos e Ferramentas para OSM 190 Considerações Finais 195 CONCLUSÃO 197 REFERÊNCIAS U N ID A D E I Professora Me. Patrícia Rodrigues da Silva O GESTOR ORGANIZACIONAL E A EMPRESA CONTEMPORÂNEA Objetivos de Aprendizagem ■ Descrever o que são organizações e seus componentes. ■ Apresentar os principais aspectos que caracterizam o gestor organizacional, o papel de gerente e o processo de administrar. ■ Explicitar sobre as mudanças e transformações vividas nas organizações e a evolução das teorias organizacionais. ■ Compreender como as atividades organizacionais estão relacionadas com as de OSM. ■ Conhecer os principais sistemas administrativos existentes nas organizações. Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ Organizações, administração e o gestor organizacional. ■ Teorias da administração e surgimento da área de organização, sistemas e métodos (OSM). ■ Organizações vistas como sistemas abertos. INTRODUÇÃO Seja bem vindo(a), prezado(a) acadêmico(a)! Para iniciar as discussões sobre a disciplina de Organização, Sistemas e Métodos (OSM), nesta primeira unidade, trataremos sobre “O Gestor Organizacional e a Empresa Contemporânea”. Com isso, serão contemplados assuntos que se voltam ao contexto das organizações e ao papel a ser desempenhado por administrado- res/gestores nesse cenário. Em um primeiro momento, serão descritos os principais conceitos que envolvem as organizações, como também os seus componentes. Assim, o termo “organizações” será explicitado como instituições formadas com um objetivo (foco) específico e detentoras de um conjunto de atividades que precisa ser devidamente gerenciado. No decorrer das discussões realizadas, você perce- berá que nem todas as organizações são empresas, mas que todas as empresas são organizações. A nossa sociedade é composta por uma série de organizações diferentes, cada qual com o seu papel, sendo assim, administrá-las adequadamente torna- -se fundamental. E a disciplina de OSM surge no intuito de criar e desenvolver métodos que permitam uma ação de administrar de forma mais eficiente e efi- caz. Assim, em um segundo momento, serão abordados os principais aspectos das teorias da administração, demonstrando a influência e/ou importância des- ses aspectos para o surgimento da área de OSM. Percebermos o quanto as mudanças e transformações vividas e experen- ciadas no mundo do trabalho impactam diretamente os métodos de trabalho desenvolvidos nas organizações. Esse fato justifica o último tópico abordado nesta primeira unidade de estudo, que apresenta as organizações vistas como sistemas abertos, que influenciam e são influenciadas por seu meio ambiente. Espero que as discussões propostas contribuam para o seu processo de for- mação, principalmente levando a reflexões e quebra de paradigmas sobre a importância da área de OSM para os administradores/gestoresque a organização sofre de seus ambientes interno e externo. 95 Estrutura Organizacional Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 4. Teste de alternativas quanto às vantagens: fase em que são avaliadas as opções estruturais da etapa anterior, quanto às vantagens e ao seu reflexo no comportamento dos empregados. 5. Opção pela melhor alternativa: é o processo de escolha, a finalização do processo, havendo a decisão sobre qual estrutura otimizará a consecução dos objetivos da empresa e aumentará a sua efetividade. A partir das etapas apresentadas, notamos que o analista de OSM tem condições de definir sobre o tipo de estrutura que irá reger a organização. É importante que haja clareza quanto a isso, pois é a partir da estrutura definida que serão cons- truídas todas as atividades da organização, inclusive as pertencentes à estrutura informal. Complementando o exposto, Daft (2015) afirma que, para se chegar ao modelo de estrutura organizacional ideal, é necessário considerar ainda as seguintes vari- áveis: estratégia organizacional, tamanho da organização, tecnologia e o grau de incerteza ambiental da organização. Realizada essa análise, o autor afirma que as estruturas podem ser definidas como mecanicistas ou orgânicas. As organizações mecanicistas apresentam estruturas mais rígidas e as suas atividades são partidas em tarefas separadas e especializadas. Nesse tipo de estru- tura, de acordo com Daft (2015), as atividades, os objetivos e a autoridade de cada empregado e departamentos são definidos precisamente pelos adminis- tradores/gestores de níveis elevados, em uma cadeia de comando burocrática clássica que apresenta as seguintes características: ■ Filosofia de gestão enfatizando a previsibilidade. ■ Tarefas e departamentos com baixo nível de interdependência. ■ Nível de especialização elevado. ■ Cargos com responsabilidades definidas e delimitadas. ■ Liderança autocrática – centralização da autoridade. ■ Regras e regulamentos rígidos – por escrito. ■ Fonte da autoridade é a posição ocupada pela pessoa no organograma. ■ Relações interpessoais formais. ESTRUTURA ORGANIZACIONAL, DEPARTAMENTALIZAÇÃO E ORGANOGRAMA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. III A partir desses aspectos, notamos que as estruturas mecanicistas são constitu- ídas de maneira rígida, oferecendo as pessoas pouca (ou nenhuma) autonomia no exercício de suas atividades. Robbins (2005) afirma que esse tipo de estrutura traz às organizações um perfil impessoal, rígido e regulamentado. Em termos de perfil da organização, é um tipo de estrutura percebida em ambientes estáveis e com pouca propensão à mudança. Do ponto de vista departamental, é percebida em setores com atividades altamente rotineiras e mecanizadas. Já as estruturas orgânicas são mais flexíveis, sendo denominadas, também, como inovadoras. É um tipo de estrutura que permite maior trabalho em grupo do que individual, na qual as pessoas se comunicam “transitando” pelas hierar- quias existentes. Ou seja, aquela comunicação formal, diretiva e hierarquizada percebida na estrutura mecanicista não é percebida. Ao abordar as característi- cas desse tipo de estrutura, Daft (2015) destaca: ■ Ênfase na necessidade de mudança e propensão ao risco. ■ Objetivos organizacionais definidos com ampla participação de todos os membros da organização. ■ A liderança adota um estilo democrático e a fonte de autoridade é o conhecimento. ■ O processo decisório é compartilhado entre chefes e subordinados. ■ Nível de especialização reduzido. ■ Critérios de departamentalização heterogêneos, voltados a atender as diferentes operações e missão da organização. Dessa forma, percebemos que, nas estruturas orgânicas, os elementos da orga- nização estão voltados a se ajustarem as suas necessidades. Ou seja, conforme as mudanças vão acontecendo, os elementos se adaptam e o funcionamento da organização se altera. Sobre esse tipo de estrutura, Robbins (2005) afirma que a formalidade e a impessoalidade são reduzidas, pois a ênfase está no sistema social da organização e nas pessoas, sendo que a autonomia é preservada, fazendo com que hierarquia e especialização sejam menos importantes. Na sequência, trataremos sobre os componentes da estrutura organizacional. 97 Estrutura Organizacional Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . COMPONENTES DA ESTRUTURA ORGANIZACIONAL Componentes são os elementos que delineiam o funcionamento da estrutura organizacio- nal. Llatas (2011) diz que são as atividades administrativas e operacionais necessárias para alcançar os objetivos organizacionais que foram previamente traçados. Do ponto de vista de estrutura interna, é necessário classificar as ativida- des administrativas e operacionais da organização, vistas a alcançar os objetivos almejados. Sob essa perspectiva, o analista de OSM deve analisar minuciosa- mente as funções existentes e agrupá-las em cargos e unidades organizacionais (departamentos). Nessa etapa, dois critérios são utilizados: o da diferenciação e o da integração. De acordo com Llatas (2011), o critério da diferenciação define que ativi- dades diferentes não podem ser alocadas em um único departamento, ou seja, deverão ser constituintes de um departamento separado. O critério de integra- ção analisa atividades/tarefas que se mostram semelhantes ou têm alguma relação e as agrupa em um mesmo departamento. Agrupadas as funções, é necessário definir os sistemas que orientarão as atividades da organização. Para orientar as nossas discussões, vamos seguir a classificação Diferenciação e integração auxiliam o gestor/administrador não somente na constituição da estrutura organizacional, mas também na elaboração da descrição de cargos na organização, sendo importante ferramenta para os seus responsáveis. Fonte: a autora. ESTRUTURA ORGANIZACIONAL, DEPARTAMENTALIZAÇÃO E ORGANOGRAMA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. III de Oliveira (2013) para os componentes da estrutura organizacional. Esse autor define esses componentes em quatro sistemas diferentes e interacionais: (1) siste- mas de responsabilidade, (2) sistemas de autoridade, (3) sistema de comunicações, (4) sistema de decisão. Vamos conhecer as suas características. a) Sistemas de responsabilidade Os sistemas de responsabilidade referem-se às obrigações que os empregados têm de fazer alguma coisa dentro da organização. Isso quer dizer que quando uma pessoa assume uma função, tem obrigações e deve prestar contas ao supe- rior hierárquico que lhe atribuiu a responsabilidade (OLIVEIRA, 2013). Entendemos, assim, que o sistema de responsabilidade é um componente da estrutura organizacional que define o conjunto de atribuições que os empre- gados detêm, a partir do momento que fazem parte de um departamento e exercem uma atividade específica. Oliveira (2013) destaca, ainda, que os siste- mas de responsabilidade são resultado da alocação de atividades na estrutura organizacional e constituídos por: especialização do trabalho, departamentali- zação, órgãos de linhas e assessoria. Sobre esses elementos, segundo Robbins (2005), a especialização do tra- balho volta-se a indicar o quanto as tarefas estão subdivididas na estrutura organizacional, em funções isoladas. Por funções isoladas, entendemos aqui as subtarefas ou etapas delegadas a diferentes pessoas, para cumprimento de um processo específico. Ao realizá-las, as pessoas responsáveis pelas tarefas tornam-se especialistas nelas. Seria a responsabilidade específica por uma única atividade. Em contrapar- tida, existem pessoas que desenvolver várias atividades em um mesmo processo organizacional, sendo assim, as suas responsabilidades são diferentes(ROBBINS, 2005). Sobre a departamentalização e os órgãos de linha e assessoria, trataremos posteriormente de maneira específica. b) Sistemas de autoridade Existem dois tipos de autoridade que devem ser mencionados: formal e infor- mal. Segundo Oliveira (2013), a autoridade formal é aquela estabelecida pela 99 Estrutura Organizacional Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . estrutura hierárquica da organização, ou seja, é delegada pelo superior hierár- quico imediato. Já a autoridade informal é vista, também, como autoridade adquirida, pois é aquela desenvolvida a partir das relações informais entre as pessoas dentro da organização. O autor complementa, ainda, que a autoridade pode ser hierárquica, que segue o mesmo raciocínio da autoridade formal. Ou seja, é aquela que segue as linhas de comando estabelecidas pela hierarquia da organização. Pode ser ainda funcional, que é aquela em que um departamento específico exerce autoridade sobre outro em decorrência da função que exerce. As figuras a seguir exempli- ficam esses tipos de autoridade: Figura 9: Exemplo de autoridade hierárquica. Fonte: adaptado de Oliveira (2013). Figura 10: Exemplo de autoridade funcional Fonte: adaptado de Oliveira (2013). ESTRUTURA ORGANIZACIONAL, DEPARTAMENTALIZAÇÃO E ORGANOGRAMA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. III c) Sistemas de comunicação Os sistemas de comunicação são componentes da estrutura organizacional por demonstrarem como acontece ou deve acontecer o fluxo de comunicação den- tro da organização. A comunicação é vista como um processo interacional entre pessoas ou departamentos e, para que esse processo aconteça com fluidez, é necessário que não haja barreiras e/ou dúvidas quanto ao seu funcionamento. Segundo Oliveira (2013), os sistemas de comunicação correspondem a rede de informações da organização, que permite o funcionamento da estrutura orga- nizacional de maneira integrada, eficaz. Para isso, nos sistemas de comunicação devem ser considerados: ■ O assunto a ser comunicado (o que). ■ A forma de comunicação (como). ■ O momento (quando). ■ O emissor da mensagem (de quem deve vir a informação). ■ O receptor da mensagem (para quem deve ir a informação). ■ O motivo (por que). ■ A frequência (quanto deve ser comunicado). Analisando esses aspectos, notamos que existe toda uma influência dos sistemas de comunicação na estrutura organizacional, por esse motivo, os esquemas de comunicação devem ser claramente definidos. Seguindo a mesma lógica apre- sentada anteriormente, o sistema de comunicação de uma organização pode ser formal e informal. O formal como aquele planejado, controlado e que segue uma corrente de comando baseada na escala hierárquica. E o informal como aquele que surge espontaneamente na estrutura organizacional, a partir de relações estabelecidas e necessidades de seus membros (OLIVEIRA, 2013). 101 Estrutura Organizacional Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . No que diz respeito ao fluxo da comunicação, Oliveira (2013) destaca que pode ser: (1) horizontal, quando realizada entre departamentos diferentes, mas no mesmo nível hierárquico; (2) diagonal ou transversal, quando acontece entre departamentos diferentes e de níveis diferentes; (3) vertical, que acontece entre níveis hierárquicos diferentes, mas em uma mesma área de atuação. Percebe, caro(a) acadêmico(a), a importância que os sistemas de comunica- ção têm dentro da organização? Eles podem assumir os mais diversos aspectos, tornando-se tanto facilitadores quanto dificultadores no contexto organizacio- nal. Daí, a importância de gestores/administradores compreenderem sistemas e realizarem ajustes que se mostrarem necessários. d) Sistemas de decisão Estão relacionados à forma como são realizadas as análises sobre um assunto específico dentro da organização, ou seja, a identificação do “caminho” percor- rido pelas informações antes que a tomada de decisão aconteça. “Considera-se a tomada de decisão como a busca de alternativas que satisfaçam a determinado nível mínimo objetivo, não buscando, necessariamente, a maximização dessa situação” (OLIVEIRA, 2013, p. 56). Notamos, assim, que os sistemas decisão se alinharão aos outros compo- nentes da estrutura organizacional, podendo facilitar ou dificultar a vida do gestor/administrador no contexto organizacional. Isso porque a decisão sempre dependerá de outros elementos, como os sistemas de autoridade de comunica- ção, por exemplo. O by pass. Representa a ação ou comunicação que não leva em conta o caráter hierárquico da comunicação formal, podendo levar a uma punição específica. Por exemplo, um gerente que decide dar uma informação ou or- dem diretamente a um membro de equipe ignorando o seu supervisor, que estaria na linha hierárquica intermediária. Fonte: Marras (2000, p. 44). ESTRUTURA ORGANIZACIONAL, DEPARTAMENTALIZAÇÃO E ORGANOGRAMA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. III De forma a orientar o processo decisório, Oliveira (2013) descreve alguns elementos (etapas) que podem orientar o gestor/administrador: ■ Identificação do problema. ■ Análise com base nas informações sobre o problema. ■ Estabelecimento de alternativas como solução. ■ Análise e comparação entre as soluções alternativas. ■ Seleção das alternativas mais adequadas. ■ Implantação da alternativa selecionada. ■ Avaliação da decisão (alternativa selecionada). Reitero, caro(a) aluno(o), que essas etapas não se estabelecem no sentido de fragmentar o processo de tomada de decisão, mas sim para orientar o gestor/ administrador nesse processo. O importante é que se tenha clareza sobre tais componentes, para que, assim, a decisão tomada seja a mais acertada possível. Delegação, centralização e descentralização do poder decisório Considerando as atividades de supervisão e coordenação de uma organização, faz-se necessário tratar da delegação, centralização e descentralização do poder decisório em uma estrutura organizacional. Vamos conhecer o significado des- ses três termos na percepção de Oliveira (2013), apresentado no quadro a seguir: CENTRALIZAÇÃO DELEGAÇÃO DESCENTRALIZAÇÃO Representada pela maior concentração de poder de decisão na alta administração da empresa. Transferência de determi- nado nível de autoridade do superior imediato ao seu subordinado, criando, assim, correspondente compro- misso pela execução da tarefa. O poder decisório da empresa é distribuído em seus diversos níveis hierárquicos, reduzindo, assim, a participação da alta cúpula. Quadro 8: Delegação, centralização e descentralização do poder decisório Fonte: adaptado de Oliveira (2013). 103 Estrutura Organizacional Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Chamo a atenção para as diferenças percebidas entre a delegação e a descen- tralização, pois ambas representam tomada de decisão compartilhada, mas de forma diferente. Essas diferenças são, por Oliveira (2013), da seguinte forma: a. A descentralização está ligada ao cargo, atingindo, geralmente, vários níveis hierárquicos. O seu caráter é mais formal, ou seja, é menos pes- soal e torna-se mais estável no tempo. b. A delegação está ligada a pessoa e atinge um nível hierárquico específico. Desta forma o seu caráter é mais informal, sendo assim, mais pessoal e menos estável no tempo. Por meio dessas características, notamos que o gestor/administrador precisa ava- liar o contexto de sua realidade para, então, decidir sobre a melhor maneira de gerenciar o processo decisório na estrutura organizacional. Essa é uma decisão importante, visto que tem influência diretasobre as atividades da organização e, consequentemente, nos resultados alcançados. Vamos abordar, na sequência, os níveis de influência e abrangência da estru- tura organizacional. Níveis de influência e abrangência da estrutura organizacional Os níveis de influência da estrutura orga- nizacional correspondem a uma divisão do escopo organizacional de acordo com o conjunto de atividades desenvolvidas para o funcionamento da organizacional. Essa divisão auxilia o desenvolvimento do trabalho do analista de OSM, por permi- tir uma visualização das especificidades de cada nível. De acordo com Cury (2012) e Oliveira (2013), esses níveis são: estratégico, tático e operacional. O nível estratégico, também conhecido como administração de cúpula ou alta administração, é composto por aqueles indivíduos responsáveis pela ESTRUTURA ORGANIZACIONAL, DEPARTAMENTALIZAÇÃO E ORGANOGRAMA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. III definição dos objetivos da empresa, como também pela elaboração do planeja- mento estratégico (CURY, 2012). Geralmente, estão nesse nível os fundadores da empresa, pessoas com conhecimento específico sobre o negócio e outros pro- fissionais com formação superior e/ou vasta experiência na área em que atua a organização. É nesse nível que são definidos os elementos: missão, visão, valo- res e diretrizes organizacionais. Podemos dizer que nesse nível estão alocados os “pensadores” do negócio. Nesse nível, estão aqueles que se responsabilizam “pelos processos de renova- ção organizacional, bem como pela definição das políticas e estabelecimento das diretrizes, com lógica no sistema aberto. É o nível que define ‘o que fazer’” (CURY, 2013, p. 175). No nível tático, também conhecido como administração setorial, estão os responsáveis pela interpretação das estratégias definidas pela alta cúpula da empresa, tomando, assim, as decisões sobre os meios, para que essas sejam exe- cutadas. São os gestores de departamentos quem definem como fazer (CURY, 2013). O planejamento tático, então, que é realizado e definido nesse nível, tem por finalidade otimizar uma área específica da organização, o departamento de produção, por exemplo (OLIVEIRA, 2013). Compreendemos, assim, que, no nível tático, estão aqueles responsáveis por uma área específica da organização, que são os gerentes de áreas e/ou departa- mentos. Vale ressaltar ainda, caro(a) acadêmico(a), que, dependendo dos sistemas de responsabilidade e realidade da organização, nesse nível, podem estar, ainda, coordenadores, supervisores e outros profissionais. Já o nível operacional é aquele responsável pela execução das atividades da empresa, o denominado “chão de fábrica”. De acordo com Oliveira (2013, p. 106), nesse nível, “o planejamento operacional cria condições para a adequada realização dos trabalhos diários da empresa”. A figura a seguir permite a visualização desses níveis da estrutura organiza- cional e a sua relação com os tipos de planejamento. 105 Estrutura Organizacional Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Figura 11: Níveis de influência da estrutura organizacional e tipos de planejamento Fonte: Oliveira (2013, p. 105). Ao analisarmos a figura apresentada, percebemos que, quanto mais alto o nível decisório, maior a influência exercida por ele e menor o número de pessoas que o ocupam. Quanto mais baixo o nível decisório, menor a influência e maior o número de pessoas que ocupam. Além disso, quanto mais alto o nível, menos operacionais são as suas ativi- dades e vice-versa. Mas, como vimos, essa não é uma visão generalizada, visto que os sistemas de responsabilidade, comunicação, autoridade e decisão podem variar de acordo com a realidade de cada organização. Os níveis de abrangência da estrutura organizacional correspondem às possibilidades de análise e estudo a partir das perspectivas que vêm sendo aqui propostas. De acordo com Oliveira (2013), os níveis de abrangência esclarecem sobre onde podem ser desenvolvidos e implementados os estudos sobre a estru- tura organizacional e classificam-se da seguinte forma: a. Nível de abrangência da empresa: os estudos e análises consideram toda a empresa, os seus negócios e contextos de atuação no mercado. b. Nível de abrangência da Unidade Estratégica de Negócio (UEN): a ampli- tude de análise é realizada em uma unidade ou divisão da empresa que seja responsável por desenvolver uma ou mais áreas. c. Nível de abrangência da corporação: quando a amplitude de análise con- sidera a administração corporativa, que acontece quando os estudos abrangem mais de uma unidade estratégica de negócios (UEN). ESTRUTURA ORGANIZACIONAL, DEPARTAMENTALIZAÇÃO E ORGANOGRAMA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. III Outro ponto que ainda vale mencionar é a avaliação da estrutura organizacional. De acordo com Oliveira (2013), o analista de OSM deve estar apto a compa- rar aspectos que envolvam estrutura atual e estrutura ideal para a organização e avaliá-los. Assim, torna-se possível detectar problemas e realizar adequações gradativamente, não gerando grandes impactos. Após tratar sobre todos esses elementos, o analista de OSM deverá propor o tipo de departamentalização mais adequada para a realidade da organização. Assunto que será abordado no tópico a seguir. DEPARTAMENTALIZAÇÃO Neste tópico, trataremos das formas de estruturação que podem ser uti- lizadas pelas organizações, Faz-se importante destacar que a forma de departamentalização de uma organi- zação deve pautar-se em sua realidade, considerando, assim, objetivos, estra- tégias, número de funcionários, áreas e cargos existentes, localização, dis- tribuição de produtos e serviços etc. Para estruturar as nossas discussões, vamos abordar aqui 10 (dez) tipos de departamentalização, com base nas concepções de Llatas (2011), Cury (2012) e Oliveira (2013), que foram alocadas em três perspectivas, conforme o qua- dro a seguir. 107 Departamentalização Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . TRADICIONAIS MODERNAS CONTEMPORÂNEAS Departamentalização fun- cional. Departamentalização por localização geográfica. Departamentalização linha e staff. Departamentalização tipo comissão ou colegiada. Departamentalização por produtos ou serviços. Departamentalização por clientes. Departamentalização por processo. Departamentalização por projeto. Departamentalização matricial. Departamentalização mista. Quadro 9: Tipos de departamentalização Fonte: adaptado de Cury (2012) e Oliveira (2013). A distribuição dos tipos de departamentalização em tradicionais, modernas e contemporâneas foi realizada no intuito de transmitir uma visão de evolução que é manifestada por Cury (2012). Sabemos que o ambiente quem envolve as organizações é altamente mutável e influencia diretamente os seus contextos de trabalho, inclusive, a forma como estão departamentalizadas. Vamos conhecer as características de cada tipo mencionado. Características dos tipos de departamentalização Já percebemos, em nossas discussões, que a departamentalização é um elemento resultante da análise e composição da estrutura organizacional. Veremos, neste tópico, tipos diferentes de departamentalização para uma organização, mas que pode gerar a seguinte pergunta: como definir o tipo ideal? Bom, se considerarmos a concepção de que a departamentalização é decor- rente dos elementos e componentes da estrutura, já começamos a encontrar a resposta para essa questão. Outro ponto que pode elucidar sobre esse fato é mencionado por Cury (2012), ao dizer que, normalmente, o tipo de departa- mentalização é definido de acordo com o estágio de vida da organização, ou seja, no início, são definidas e utilizadas estruturassimples, mas que orientem as suas atividades. Conforme a organização vai crescendo, as suas atividades se tornam mais complexas, exigindo novos estudos e análises a respeito de sua estrutura, levando, assim, à necessidade de novas formas de departamentalização. Notamos, assim, que a departamentalização de uma organização não precisa ser permanente, ela ESTRUTURA ORGANIZACIONAL, DEPARTAMENTALIZAÇÃO E ORGANOGRAMA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. III é mutável e influenciável conforme as necessidades que vão sendo manifestadas pelos ambientes: interno e externo. Vamos, então, conhecer as características de cada uma delas. 1) Departamentalização funcional Representa o tipo de departamentalização mais utilizada, sendo as atividades agru- padas de acordo com as funções existentes na organização. Segundo Llatas (2011) esse tipo agrupa os empregados de acordo com as suas funções desempenhadas, apresentando como vantagem a especialização de mão de obra e a sua contri- buição para a melhora do desempenho e da qualidade de produtos e serviços. Em contrapartida, Llatas (2011) e Oliveira (2013) ressaltam algumas desvan- tagens para esse tipo de departamentalização, tais como: a divisão por funções pode contribuir para o isolamento dos departamentos, reduzindo a interação, a comunicação deficiente e centralizada nos níveis mais altos, a visão parcial da organização, a insegurança das pessoas, a baixa adaptabilidade, a resistência à inovação e o pior cumprimento de prazos e orçamentos pelo foco estar na exe- cução da tarefa. A figura a seguir expõe esse tipo de departamentalização: Figura 12: Departamentalização funcional Fonte: Oliveira (2013, p. 106). 109 Departamentalização Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Notamos, assim, caro(a) acadêmico(a), a importância de avaliar com atenção a realidade da organização para, então, avaliar se essa forma de departamenta- lização é a ideal. Não por ser a mais utilizada pelas organizações, que se define como ideal para todas. Oliveira (2013) define que esse é um tipo de departamen- talização recomendada por organizações nas quais as atividades sejam bastante repetitivas e altamente especializadas. 2) Departamentalização por localização geográfica Também conhecida como territorial, esse tipo de departamentalização é muito utilizado por organização que têm a sua estrutura distribuída em territórios diferentes, por exemplo, filiais diferentes que precisam ser acompanhadas e administradas. De acordo com Oliveira (2013), a departamentalização por localização geográ- fica oferece uma oportunidade de gerenciar a produção estrategicamente, obtendo vantagens como: aproveitamento de recursos regionais, possibilidade de maior treinamento de pessoal e ação mais imediata para cada região, conhecimento sobre os fatores e os problemas locais, de forma a saná-los mais efetivamente. Mas a departamentalização por localização geográfica também representa um aumento de custos, em decorrência de instalações, mão de obra e outros nas diferentes filiais. Ademais, pode acontecer de o gestor/administrador perder o controle do ponto de vista gerencial, já que está “longe” de seu quadro de fun- cionários (LLATAS, 2011; OLIVEIRA, 2013). Assim, é importante analisar estrategicamente a organização, considerando esses pontos e outros que se mostrarem necessários para verificar se esse tipo de departamentalização é o mais adequado. A figura a seguir mostra um exem- plo desse tipo de departamentalização: ESTRUTURA ORGANIZACIONAL, DEPARTAMENTALIZAÇÃO E ORGANOGRAMA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. III Figura 13: Departamentalização por localização geográfica Fonte: a autora. 3) Departamentalização linha e staff A departamentalização linha e staff é uma estrutura muito utilizada pelas organi- zações, por definir órgãos de apoio (staff) aos departamentos que operacionalizam as atividades organizacionais, que são os órgãos de linhas. Segundo Cury (2012), nesse tipo de departamentalização os órgãos de staff atuam junto aos gerentes de linha, exercendo a função de assessoramento e de aconselhamento sobre um assunto/atividade específico. Dessa forma, o staff não tem autoridade sobre as pessoas do departamento ao qual está assessorando, pois a sua atuação é junto aos gerentes desses depar- tamentos, possibilitando, assim, melhor controle de quantidade e qualidade de produtos e serviços (CURY, 2012). Para isso, a relação entre esses profissionais deve ser recíproca. 111 Departamentalização Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Para que entendamos melhor a departamentalização linha e staff, tenha o seguinte raciocínio: os órgãos de linha são aqueles ligados a “atividades fim” da organização , como os departamentos de marketing, recursos humanos, produ- ção etc., que têm em sua composição responsáveis (gerentes). Enquanto isso, os órgãos de staff, voltam-se a atividades “meio” na organização, ou seja, orientam e auxiliam os gerentes de linha a desenvolverem o seu trabalho de maneira oti- mizada, eficiente e eficaz. Complementando as nossas discussões, Llatas (2011) destaca que a depar- tamentalização linha e staff remete a ideia de assessoria à estrutura linear da organização, já que posiciona o órgão de staff juntos aos gerentes de linha. Essa característica pode ser observada na figura a seguir: Figura 14: Departamentalização linha e staff Fonte: Llatas (2011, p. 108). As pessoas que compõem o órgão de staff podem ser da própria organização (consultores internos) ou de fora dela (consultores externos). O importante é que esses profissionais conheçam de maneira aprofundada o processo ao qual pres- tam apoio e tenham habilidades que complementem as dos gerentes de linha, e não que as sobreponham. ESTRUTURA ORGANIZACIONAL, DEPARTAMENTALIZAÇÃO E ORGANOGRAMA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. III 4) Departamentalização tipo comissão ou colegiada Esse é um tipo de departamentalização muito utilizado por grandes corporações no sentido de atender ao advento da administração mais pluralizada e em larga escala. De acordo com Cury (2012), na organização com estrutura colegiada, não existe a figura de um “grande chefe” tomando todas as decisões políticas e estratégicas da organização, mas sim uma pluralidade de membros que dividem responsabilidades e poder de decisão. Assim,a tomada (CURY, 2012). Esse tipo de departamentalização pode ser observada na figura a seguir: Figura 15: Departamentalização tipo comissão ou colegiada Fonte: Cury (2012, p. 216). 5) Departamentalização por produtos ou serviços. Nesse tipo de departamentalização, o orientador principal são os produtos ou os serviços da organização. De acordo com Llatas (2011), com essa departa- mentalização fica mais fácil mensurar o desempenho das unidades e o reflexo dos produtos e serviços no mercado. Assim, a principal vantagem desse tipo de Departamentos 113 Departamentalização Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . departamentalização está no fato de que cada unidade organizacional torna-se responsável por um produto/serviço específico. Complementando o exposto, Oliveira (2013) destaca que a departamentali- zação por produtos e serviços facilita: a coordenação dos resultados esperados, a alocação de capital para grupos específicos, a utilização máxima da capacitação de recursos, a fixação de responsabilidade dos departamentos para um produto ou linha de produtos/serviços, a flexibilidade para mudanças estruturais e a ino- vação e a criatividade. Esse tipo de departamentalizaçãopode ser observado na figura a seguir: Figura 16: Departamentalização por produtos ou serviços Fonte: Oliveira (2013, p. 125). 6) Departamentalização por clientes Nesse tipo de departamentalização, as atividades da organização são agrupadas de acordo com as necessidades de seus clientes, propiciando à organização uma situação favorável, visto que possibilita que os grupos de clientes sejam bem definidos. Além disso, acaba por assegurar reconhecimento, rapidez de aten- dimento e atendimento contínuo aos diferentes tipos de cliente da organização (OLIVEIRA, 2013). Para Llatas (2011), a departamentalização por clientes consiste em agru- par as atividades organizacionais de acordo com o público-alvo dos produtos e serviços oferecidos pela organização. Você perceberá, caro(a) aluno(a), que é um tipo de departamentalização muito utilizado pelo varejo, pelo fato de a sua estruturação favorecer o atendimento das necessidades do consumidor. A figura a seguir apresenta esse tipo de departamentalização: ESTRUTURA ORGANIZACIONAL, DEPARTAMENTALIZAÇÃO E ORGANOGRAMA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. III Figura 17: Departamentalização por clientes Fonte: adaptada de Oliveira (2013). 7) Departamentalização por processo Nesse tipo de departamentalização, a estrutura representa o processo de pro- dução. Segundo Llatas (2011), esse é um modelo muito comum e utilizado por indústrias que seguem o princípio da linha de montagem. Assim, na departamen- talização por processo, todas as etapas ficam alojadas em único departamento, tornando a coordenação e a avaliação das atividades mais eficazes, conforme pode ser visualizado na figura a seguir: Figura 18: Departamentalização por processo Fonte: Llatas (2011, p. 114). 8) Departamentalização por projeto A departamentalização por projetos é muito utilizada por organizações que desenvolvem atividades com início e fim definidos, por exemplo, empresas de engenharia e construção. Isso quer dizer que, nesse tipo de departamentalização, a divisão dos departamentos não é permanente, uma vez finalizado o projeto, a equipe que ali atuava é dissolvida e realocada para novos projetos. Segundo Oliveira (2013), o gerente do projeto pode ser responsável por ele todo ou por uma parte. O importante é que esse responsável esteja atento ao 115 Departamentalização Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . gerenciamento de recursos, ao trabalho da equipe, aos sistemas de comunicação instaurados e, principalmente, ao cumprimento de metas e resultados, como os prazos e a quantidade, por exemplo. Vejamos esse tipo de departamentalização demonstrado na figura a seguir: Figura 19: Departamentalização por projetos Fonte: adaptada de Oliveira (2013). 9) Departamentalização matricial Esse tipo de departamentalização surgiu em decorrência dos problemas gerados pelos modelos tradicionais, frente às demandas mais complexas do ambiente. Nesse caso, “há sobreposição de dois ou mais tipos de departamentalização sobre a mesma pessoa, geralmente, essa sobreposição refere-se à fusão entre a estru- tura funcional e a estrutura por projetos” (OLIVEIRA, 2013, p.131). Dessa forma, caro(a) acadêmico(a), notamos que a departamentalização matricial representa uma estrutura híbrida da organização, os gerentes de proje- tos assumem por completo a responsabilidade sobre as áreas funcionais, mesmo que, para isso, tenha que lidar com a resistência dos gerentes dessas áreas. Assim sendo, Oliveira (2013) destaca que, na departamentalização matri- cial, como a responsabilidade é compartilhada, exige-se um nível de confiança mútua, como também capacidade de improvisação na solução de problemas. Caso isso não ocorra, fica comprometida a clareza sobre as atribuições e auto- ridade de cada elemento da estrutura, aumentando, desse modo, os conflitos e comprometendo os resultados. A departamentalização matricial pode ser visualizada na figura a seguir: ESTRUTURA ORGANIZACIONAL, DEPARTAMENTALIZAÇÃO E ORGANOGRAMA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. III Figura 20: Departamentalização matricial Fonte: adaptada de Oliveira (2013). 10) Departamentalização mista O último tipo aqui mencionado, mas não menos importante, é o de departa- mentalização mista. Atualmente, o seu uso é bem frequente, justamente pela necessidade de cada parte da organização se adaptar a sua realidade (OLIVEIRA, 2013). Esse tipo de departamentalização permite atender diferentes demandas no contexto da organização. Um exemplo de departamentalização mista é apresentado na figura a seguir: Figura 21: Departamentalização mista Fonte: adaptada de Oliveira (2013). 117 Organograma Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Conhecidas as características dos 10 (dez) tipos de departamentalização propos- tos, o seu papel enquanto gestor/administrador e analista de OSM é verificar qual delas melhor representa a estrutura da organização estudada. Essa é uma tarefa fundamental, visto que a departamentalização é a atividade precursora ao orga- nograma, assunto do nosso próximo tópico. ORGANOGRAMA O organograma, como comentado ante- riormente, é a representação gráfica da estrutura organizacional. É por meio dele que são visualizados os departamentos, a organização hierárquica e as linhas de autoridade de uma organização. De acordo com Araújo (2011), tal representação grá- fica visa demonstrar: ■ A divisão do trabalho na organização, mediante unidades de direção, núcleos, conselhos, comissões, gerências, superintendências, departa- mentos, seções, serviços e setores. ■ A relação superior-subordinado, deixando implícitas as relações de auto- ridade e responsabilidade. ■ O trabalho desenvolvido pelas unidades organizacionais (departamen- tos) e, dependendo do modelo adotado, detalhar ainda o tipo do trabalho, os cargos existentes, a quantidade de pessoas por departamento e a rela- ção funcional. ■ A análise organizacional, que é possibilitada por meio do desenho ade- quado do organograma, com linhas bem definidas, esclarecimentos sobre convenções utilizadas, legenda com abreviações e siglas etc. ESTRUTURA ORGANIZACIONAL, DEPARTAMENTALIZAÇÃO E ORGANOGRAMA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. III Para que esses pontos destacados por Araújo (2011) sejam cumpridos, é impor- tante que haja conhecimento por parte de gestores/administradores, no que diz respeito à elaboração do organograma. Por esse motivo, na sequência, falare- mos sobre a elaboração. Elaboração do organograma Primeiramente, quero ressaltar que a elabora- ção (desenho) do organograma é resultado de todo o processo de estudo da estrutura orga- nizacional e é realizada a partir do tipo de departamentalização escolhido para a orga- nização. O organograma pode representar o todo organizacional, no caso de organizações menos departamentalizadas e de estrutura mais simples, por exemplo. Por outro lado, o organograma pode representar, também, um departamento específico e as suas subdivisões ou, então, diferentes filiais de uma mesma orga- nização, no caso de uma departamentalização por processos, por clientes ou por localização geográfica, por exemplo. O importante aqui, caro(a) acadêmico(a), é que entendamos que organograma não é a mesma coisa que departamenta- lização, mas sim um gráfico complementar ao processo de representação visual da organização. As características apresentadas a seguir representam técnicas utilizadas na elaboração de um organograma, a partir da concepção de Araújo (2011): ■ No alto da folha, obrigatoriamente, deve constar o título da organização ou departamento representado. ■ O retângulo representa a fração organizacional, ouseja, o departamento. Eventualmente, poderá significar o cargo, ocorrendo em situações isola- das de cargos diferenciados, como auditor, consultor etc. ■ A representação gráfica pode ocorrer tanto no sentido horizontal quanto no vertical. 119 Organograma Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . ■ Havendo siglas, estas devem ser elucidadas em legenda. ■ Linha tracejada ou pontilhada pode ter significados diversos, assim, é necessário explicar o seu significado na legenda. ■ Linha contínua no sentido vertical significa autoridade hierárquica da unidade (departamento) acima e, no sentido horizontal, coordenação. ■ Linha vertical que parte de uma autoridade hierárquica é a condutora do organograma. Isso quer dizer que todas as unidades se dirigem a essa linha, demonstrando o poder maior da organização nas mãos de seu executivo principal, ou do seu colegiado, no caso desse tipo de departamentalização. ■ Autoridade funcional é aquela ligada ao poder que o titular de uma uni- dade tem sobre outra, não representando autoridade hierárquica. Por exemplo, a gerência jurídica detém autoridade funcional sobre a gerência de recursos humanos, em assuntos de cunho legal-trabalhista. ■ Unidades provisórias são aquelas com duração limitada. Por exemplo: comissões, comitês, equipes e grupos de trabalho. ■ Deve ser obedecida ordem alfabética de entrada por grupamento de uni- dades semelhantes. Por exemplo, o departamento de recursos humanos abarca as divisões de: avaliação, recrutamento, seleção e treinamento. Na representação gráfica, tais divisões devem ser apresentadas nessa ordem. ■ Tradicionalmente, as unidades, os cargos e as funções são representados por retângulos. Entretanto, é crescente o número de organograma com formas diferenciadas para representá-las, tais como: quadrados, elipses e círculos. Perceba, prezado(a) aluno(a), que essas são concepções gerais no que diz res- peito à elaboração do organograma. Tais concepções representam aspectos que precisam ser seguidos, no sentido de tornar o organograma o mais claro possível para quem o visualizar. Pode haver que, ao analisar uma estrutura organizacio- nal, surjam elementos que não foram aqui mencionados, mas que precisam fazer parte da representação gráfica da empresa. Assim sendo, eles devem ser incor- porados, mas não se esqueça de mencioná-los na legenda, de modo a explicitar a sua função no organograma. ESTRUTURA ORGANIZACIONAL, DEPARTAMENTALIZAÇÃO E ORGANOGRAMA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. III Vamos conhecer, agora, os principais tipos de organograma. Tipos de organograma Ao tratar dos tipos de organograma, observe que utilizei a palavra: “principais”. Isso porque existe uma gama de modelos de organograma, mas trataremos, aqui, daqueles que são mais utilizados pelas organizações, conforme as concepções de Chinelato Filho (2011), Llatas (2011) e Araújo (2011). Para esses autores, os principais tipos de organograma são: Organograma Clássico ou vertical; Organograma horizontal; Organograma circular ou radial; Organograma funcional; Organograma matricial. Vamos conhecer as caracte- rísticas de cada um desses modelos. 1) Organograma Clássico ou vertical É o tipo de representação utilizada pela maioria das organizações. De acordo com Araújo (2011), um dos motivos para a sua utilização é a facilidade na elabo- ração e visualização. Nesse tipo de organograma, o órgão com maior autoridade é localizado no alto do desenho e as ordens fluem de cima para baixo, havendo, assim, poucas ou quase nenhuma comunicação horizontal. Geralmente, esse tipo de organograma representa a estrutura de organiza- ções mais tradicionais, instituições religiosas e militares (CHINELATO FILHO, 2011; LLATAS, 2011). Esse modelo pode ser visualizado na figura a seguir: 121 Organograma Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Figura 22: Exemplo de organograma clássico ou vertical Fonte: adaptada de Chinelato Filho (2011); Llatas (2011). 2) Organograma horizontal A lógica hierárquica é a mesma, no entanto a representação do fluxo de autoridade é da esquerda para a direita, e não de cima para baixo, como na representação anterior. Observe tal representação na figura a seguir. ESTRUTURA ORGANIZACIONAL, DEPARTAMENTALIZAÇÃO E ORGANOGRAMA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. III Figura 23: Exemplo de organograma clássico ou horizontal Fonte: adaptado de Chinelato Filho (2011); Llatas (2011). 3) Organograma circular ou radial É um tipo de organograma que, segundo Araújo (2011), tem dois argumentos sólidos para a sua utilização: (1) oferece um aspecto visual suave, principalmente quando se utiliza de cores para a sua representação; (2) reduz a possibilidade de conflitos entre superiores e subordinados, já que as linhas de autoridade não são facilmente identificadas. Recomenda-se a sua utilização em organizações em que a hierarquia, embora esteja presente, raramente é mencionada. 123 Organograma Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Figura 24: Organograma circular ou radial Fonte: adaptada de Llatas (2011). De acordo com Araújo (2011), nesse tipo de organograma, são importantes as seguintes características: ■ A autoridade hierárquica é representada do centro para a periferia. ■ A representação da estrutura apresenta certa complexidade. ■ A existência de muitos níveis hierárquicos pode dificultar a elaboração. ■ O uso de letras e números exige, naturalmente, a explicitação na legenda, realizada em folha à parte. Assim, notamos que esse tipo de organograma pode ser de difícil leitura e interpretação, mas representa um organograma utilizado por organizações con- temporâneas e/ou por departamentos nos quais as linhas de autoridade, embora existam, não precisam ser explicitamente visualizadas. ESTRUTURA ORGANIZACIONAL, DEPARTAMENTALIZAÇÃO E ORGANOGRAMA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. III 4) Organograma funcional Esse é um tipo de organograma também muito utilizado pelas organizações de pequeno porte, em que existem poucas chefias – hierarquias –, mas uma série de atividades – funções (ARAÚJO, 2011). Assim, a sua representação gráfica volta- -se apenas às funções da organização e às relações estabelecidas entre elas. Em alguns casos, a organização opta, inclusive, por colocar o nome da pessoa que desempenha a função indicada (CHINELATO FILHO, 2011; LLATAS, 2011). Vejamos a sua representação: Figura 25: Exemplo de organograma funcional Fonte: adaptada de Araújo (2011). 125 Organograma Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 5) Organograma matricial Segundo Chinelato Filho (2011), esse é um tipo de organograma bastante utili- zado quando os órgãos da organização não têm uma definição precisa. Assim, esses órgãos são mais bem representados em conglomerados de grupos de tra- balho por projetos, nos quais estão diversos especialistas que realizam tarefas ou atividades específicas. Complementando o exposto, Araújo (2011) destaca que a estrutura matri- cial é resultante da estrutura tradicional e da de projetos. Assim, a organização em matriz representa um tipo de concepção estrutural recente e contemporâ- nea, representando uma estrutura mista da organização. Araújo (2011) ressalta ainda que há dificuldade em conciliar esses dois tipos de estruturas, pelas suas demandas diferentes. Contudo, como envolve pessoal de alto nível de qualificação, é possível minimizar o conflito em relação a questões menosrelevantes. Nessas estruturas, as equipes vivem em constante mutação e as trocas são motivadas por diferentes projetos. A figura a seguir representa esse tipo de organograma: ESTRUTURA ORGANIZACIONAL, DEPARTAMENTALIZAÇÃO E ORGANOGRAMA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. III Figura 26: Organograma matricial Fonte: Araújo (2011, p. 173). Dessa forma, finalizamos mais uma unidade de nosso livro. Quero ressaltar, caro(a) acadêmico(a), que, ao se tratar de estruturação organizacional, é neces- sário que seja realizado um estudo minucioso sobre os aspectos que envolvem o contexto da organização. Não há como “escolher” um tipo de organograma ideal, pois esse será decorrente da realidade do negócio, da estrutura da empresa e do seu tipo de departamentalização. Na próxima unidade, aprofundaremos os nossos estudos sobre a análise organizacional, tratando do arranjo físico, da análise da distribuição do traba- lho e dos manuais organizacionais. 127 Considerações Finais Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . CONSIDERAÇÕES FINAIS Evidenciamos, nesta unidade, os principais elementos da estrutura organizacio- nal. Assim, foi enfatizada a necessidade de alinhamento desses elementos com os objetivos da organização, pois somente dessa forma eles são atingidos efi- ciente e eficazmente. Tratamos dos componentes da estrutura organizacional, que, subdivididos em sistemas (de responsabilidade, de autoridade, de comunicações e de deci- são), delineiam as ações de gestores/administradores, na concepção do tipo de departamentalização mais adequada para a organização em estudo. Além disso, as discussões sobre estrutura formal e informal, integração e diferenciação, delegação, descentralização e centralização, níveis de influência e abrangência foram realizadas no sentido de dar respaldo para o analista de OSM, de modo que ele possa desenvolver as suas atividades de análise organi- zacional detalhadamente. Ao se tratar de departamentalização, conhecemos os principais tipos que definem o negócio de uma organização. Foi destacada a necessidade de ana- lisar minuciosamente a realidade da organização, para somente depois definir a departamentalização mais adequada. Vimos, assim, que não existe um tipo ideal para todos os tipos de organização, pois a estruturação depende das suas características. Outro ponto destacado foi a diferença entre a departamentalização e o orga- nograma; embora ambos estejam relacionados à estrutura organizacional, cada qual tem o seu conjunto de especificidades. A departamentalização é uma ação precursora ao organograma, enquanto este corresponde à representação grá- fica da organização. Espero que os assuntos aqui discutidos tenham promovido não somente aumento do conhecimento, mas, principalmente, provocado reflexões acerca da necessidade e da importância dos estudos e definição de elementos da estru- tura organizacional. Vamos, agora, para as atividades de autoestudo, para reforçar o seu conhecimento! 1. Tendo por base o que foi estudado sobre a estrutura organizacional, marque V (verdadeiro) e F (falso) nas sentenças a seguir e assinale a alternativa que apre- senta a sequência correta: ( ) A estrutura organizacional é representada somente pelo organograma de uma organização. ( ) Quando a estrutura de uma organização é bem delineada, ela promove me- lhor organização das funções e responsabilidades. ( ) A estrutura formal é definida a partir dos relacionamentos interpessoais da organização, tendo, assim, mais traços de subjetividade. ( ) A estrutura informal reflete o estudo das organizações e o seu planejamento, sendo representada pelo organograma. ( ) As organizações mecanicistas apresentam estruturas mais rígidas e as suas atividades são partidas em tarefas separadas e especializadas. ( ) As organizações orgânicas apresentam estruturas mais flexíveis denomina- das, também, de inovadoras. ( ) Diferenciação e integração são formas de classificação das atividades (fun- ções) existentes e desenvolvidas na organização. a. F-V-F-F-V-V-V. b. F-F-F-V-V-V-V. c. V-V-F-V-F-F-V. d. V-F-V-F-V-V-F. e. F-F-V-V-V-F-F. 2. Foi estudado que a departamentalização corresponde a formas de organizar a estrutura organizacional, considerando objetivos, estratégias, número de fun- cionários, áreas e cargos existentes, localização, distribuição de produtos e servi- ços etc. Com isso, como definir o tipo de departamentalização ideal? Analise as afirmativas a seguir e assinale a alternativa correta: 129 I – Estudando minuciosamente os elementos e componentes da estrutura orga- nizacional. II – Conhecendo o estágio de vida das organizações, que, no início, são represen- tadas por estruturas mais simples para orientar as suas atividades. III – Focando exclusivamente nas funções existentes na organização, assim, não há perigo de errar na escolha do tipo ideal. Está correto somente o que se afirma em: a. I e III. b. II e III. c. I e II. d. II. e. III. 3. O autor Araújo (2011) destacou que a representação gráfica do organograma visa demonstrar a divisão do trabalho na organização, mediante unidades de direção, núcleos, conselhos, comissões, gerências, superintendências, departa- mentos, seções, serviços e setores. Isso quer dizer que no organograma: I – Devem estar claras as relações de autoridade existentes. II – São explicitadas as relações superior-subordinado. III – A linha contínua no sentido vertical significa autoridade hierárquica da uni- dade (departamento) acima e, no sentido horizontal, coordenação. IV - A representação gráfica pode ocorrer somente no sentido horizontal. Está CORRETO somente o que se afirma em: a. I e II. b. III e IV. c. I, II e IV. d. II, III e IV. e. I, II e III. A ESTRUTURA ORGANIZACIONAL COMO ELEMENTO FACILITADOR DA GESTÃO DO CONHECIMENTO O artigo de Edoardo Perrotti faz uma conexão entre os aspectos de relacionamento en- tre os temas Estrutura Organizacional e Gestão do Conhecimento. A importância da sua leitura ao se estudar a estrutura organizacional volta-se a principalmente compreender de que forma elementos como cultura, criatividade, comunicação e liderança podem influenciar o desenvolvimento da organização. O autor destaca que a empresa é entendida, então, como um estoque de conhecimento que consiste basicamente em como a informação é codificada e disponibilizada para aplicação, assim como no conhecimento relacionado à coordenação das ações da or- ganização. E o que acaba por determinar o seu sucesso é como os gestores promovem/ conduzem o processo de transformação dos recursos organizacionais, em busca do cumprimento do plano de ideias elaborado buscando superar outras empresas. Nesse sentido, é realizada uma revisão sobre os conceitos de: cultura organizacional, vista como o vínculo social que ajuda a manter a organização unida ao proporcionar normas adequadas do que devem fazer e dizer os empregados; a criatividade, como uma forma de gerar conhecimento no contexto da organização; a comunicação, perce- bida como a maneira mais eficaz de se transmitir conhecimento dentro da organização. O autor trata, ainda, de modelos alternativos específicos para organizações interessadas em administrar o conhecimento de maneira mais sistemática, traz alguns exemplos de empresas que se destacaram na implantação de um sistema de gestão do conhecimen- to em sua estrutura. O artigo na íntegra pode ser lido acessando o link disponível em: . Fonte: a autora. Material Complementar MATERIAL COMPLEMENTAR Estrutura Organizacional: uma abordagem para resultados e competitividade. Djalma de Pinho Rebouças Oliveira. Editora: Atlas. Sinopse: Este livro foi elaborado em razão da gradativa importância que os executivosestão proporcionando a esse instrumento administrativo chamado estrutura organizacional como fator de sustentação da produtividade e do desenvolvimento das empresas. Some-se a isso o baixo grau de conhecimento de todos os aspectos que devem ser considerados em um processo otimizado de estruturação organizacional das empresas. Para facilitar o entendimento e a aplicação dos conceitos, metodologias e técnicas apresentados ao longo da obra, sua abordagem é prática, mas devidamente sustentada pelo que de mais moderno existe nas teorias administrativas. Vimos, em nossas discussões, a importância de saber elaborar corretamente organogramas. O link a seguir pode auxiliar nesse processo: . Acesso em: 16 ago. 2015. U N ID A D E IV Professora Me. Patrícia Rodrigues da Silva ARRANJO FÍSICO (LAYOUT) E ANÁLISE DA DISTRIBUIÇÃO DOS TRABALHOS Objetivos de Aprendizagem ■ Descrever a importância dos estudos de layout dos contextos organizacionais. ■ Conhecer as principais técnicas de layout utilizadas e a sua importância para o analista de OSM. ■ Identificar as etapas para estudo do layout. ■ Descrever os principais tipos de layout utilizados pelas organizações. ■ Conhecer os aspectos principais dos Quadros de distribuição do trabalho (QDT). Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ Estudo do layout e estrutura organizacional. ■ Técnicas e tipos de layout. ■ Estudo da distribuição do trabalho. INTRODUÇÃO Estamos iniciando a unidade IV do nosso livro didático. Nesse momento, fala- remos de um assunto de suma importância para gestores/administradores e, de maneira bem específica, para os analistas de OSM. Esse assunto diz respeito aos estudos sobre arranjo físico (layout) e a análise da distribuição do trabalho. Assim, iniciaremos a discussão falando sobre as principais características do estudo do layout, relacionando-o com a estrutura organizacional. Conheceremos as principais técnicas de layout utilizadas, bem como a sua importância para o analista de OSM. Além disso, serão identificadas etapas que podem ser seguidas pelos profissionais para a realização desses estudos nos ambientes organizacionais. Falaremos, também, sobre a identificação da necessidade de realizar o estudo do arranjo físico/layout, tendo por base alguns princípios básicos, e sobre os principais tipos de layout utilizados pelas organizações, que são: (1) layout em corredor, (2) layout em espaço aberto, (3) layout panorâmico, (4) layout de escri- tório, (5) layout de fábricas, (6) layout pelo processo, (7) layout pelo produto. Para fechar as discussões sobre esta unidade, será abordada a análise da distribuição do trabalho nos ambientes organizacionais, que tem como foco asse- gurar que o tempo de operacionalização das atividades da organização atendam as suas necessidades, ao mesmo tempo em que as pessoas sejam alocadas ade- quadamente em seus cargos e funções. Nesse contexto, o Quadro de Distribuição do Trabalho (QDT) será men- cionado como ferramenta de instrumentalização utilizada pelo analista de OSM quando da realização da análise da distribuição do trabalho, como forma de visualizar e analisar as diversas atividades que são distribuídas a cada unidade organizacional. Mais uma vez, espero que os conteúdos aqui abordados contribuam para o seu processo de formação. Boa leitura! 135 Introdução Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . ARRANJO FÍSICO (LAYOUT) E ANÁLISE DA DISTRIBUIÇÃO DOS TRABALHOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IV ESTUDO DO LAYOUT E ESTRUTURA ORGANIZACIONAL Falar sobre o layout é abordar um elemento de suma importância para a organi- zação, ou seja, o arranjo físico de sua estrutura. Assim, o gestor/administrador deve estar apto a realizar estudos sobre o seu ambiente físico e optar pelo tipo de layout mais adequado. Com base nessa afirmação, vamos conhecer alguns con- ceitos na concepção de autores que tratam sobre o tema. Segundo Cury (2012), o layout de uma organização diz respeito ao arranjo dos diversos postos de trabalho nos seus espaços existentes. Essa disposição envolve, além da preocupação de melhor adaptar as pessoas ao ambiente de trabalho, con- siderando, para isso, a natureza da atividade desempenhada, a arrumação dos móveis, das máquinas, dos equipamentos e das matérias primas. Nessa mesma linha de pensamento, Araújo (2011) afirma que o espaço físico de uma organização é de suma importância, como também a frequência de remodelações ambientais e reformas pelas quais passam ao longo de sua tra- jetória. Dessa forma, além do aspecto visual e de conforto que deve prevalecer nos estudos de layout, devem ser enfatizados os estudos sobre o fluxo existente entre pessoas e papéis, constituindo como função do gestor/administrador “inter- vir justamente nas questões de espaço físico que envolvem a burocracia da sua unidade” (ARAÚJO, 2011, p. 93). 137 Estudo do Layout e Estrutura Organizacional Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Complementando essas afirmações, Oliveira (2013) destaca que o layout ade- quado proporciona à empresa maior economia e melhoria na sua produtividade, tendo como subsídio para isso a boa disposição dos instrumentos de trabalho, como também a utilização otimizada dos equipamentos de trabalho e das pes- soas que fazem parte de sua estrutura. Dessa maneira, o layout acaba por ser um assunto de extrema atenção para o analista de OSM, já que o estudo da estrutura organizacional tendo esse foco levará a melhores resultados e, principalmente, afetará o comportamento das pessoas, já que pode envolver mudanças nos métodos e processos de trabalho realizados por elas (OLIVEIRA, 2013). Assim, o autor Cury (2012, p. 396) destaca que os objetivos do layout são: ■ Otimizar as condições de trabalho do pessoal nas diversas unidades organizacionais; ■ Racionalizar os fluxos de fabricação ou de tramitação de processos; ■ Racionalizar a disposição física dos postos de trabalho, aproveitando todo o espaço útil disponível; ■ Minimizar a movimentação de pessoas, produtos, materiais e documen- tos dentro da ambiência organizacional. Já o autor Oliveira (2013, p. 354) aponta como objetivos do layout: ■ Proporcionar um fluxo de comunicações entre as unidades organizacio- nais de maneira eficiente, eficaz e efetiva; ■ Proporcionar melhor utilização da área disponível da empresa; ■ Tornar o fluxo de trabalho eficiente; ■ Proporcionar facilidade de coordenação; ■ Proporcionar redução da fadiga do funcionário no desempenho da tarefa, incluindo o isolamento contra ruídos; ■ Proporcionar situação favorável a clientes e visitantes; ■ Ter flexibilidade ampla, tendo em vista as variações necessárias com o desenvolvimento dos sistemas relacionados; Qual a importância de escolher adequadamente o layout de uma empresa? A escolha do layout está associada também à competitividade. Quando o layout de uma empresa é ideal, ele atende, também, ao mercado com- petitivo no qual ela se encontra. Dessa forma, o layout tem uma série de diversificações que podem, inclusive, ser observadas em um mesmo am- biente organizacional. O importante é analisar adequadamente o ambiente e, posteriormente, escolher o layout que melhor se adapta à necessidade e ao contexto da organização. Conheça mais sobre a relação do layout com a competitividade acessando o link a seguir: . Fonte: a autora. ARRANJO FÍSICO (LAYOUT) E ANÁLISE DA DISTRIBUIÇÃO DOS TRABALHOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IV■ Ter flexibilidade em caso de modificações nas tecnologias dos processos; e ■ Ter um clima favorável para o trabalho e o aumento da produtividade. A partir dos objetivos apresentados, notamos que os estudos de layout possibi- litam às organizações melhorar o desenvolvimento de suas atividades, pois os espaços organizacionais passam a ser percebidos também como estratégia para melhoria dos processos organizacionais. Mas de que forma pode ser implantado um projeto de layout? Cury (2012) afirma que isso pode acontecer por etapas, vamos conhecê-las: ■ Etapa 1 – levantamento de informações: fase em que o analista de OSM deve familiarizar-se com o plano e com os procedimentos adotados pela organização. ■ Etapa 2 – análise (crítica) do levantamento: fase de examinar as princi- pais dificuldades para a consecução dos objetivos, com atenção especial às defasagens existentes entre o prescrito e o que realmente é executado, ou seja, encontrado na prática. 139 Estudo do Layout e Estrutura Organizacional Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . ■ Etapa 3 – planejamento da solução: após a aprovação pela alta adminis- tração da empresa sobre o que precisa ser modificado, inicia-se a fase de organização das atividades que serão desenvolvidas. Para isso, o analista de OSM formula um plano experimental de layout o mais detalhado pos- sível e discute com os envolvidos na organização. ■ Etapa 4 – crítica do planejamento: é a fase de aprovação ou ajustes do planejamento elaborado. Para isso, deve-se verificar as percepções dos usuários do novo layout como supervisores e executores do trabalho, con- siderando a necessidades atuais e futuras da organização. ■ Etapa 5 – implantação: fase em que o novo layout foi escolhido e apro- vado pelos seus usuários, assim, programa-se a implantação da solução que melhor atenda aos interesses da organização. ■ Etapa 6 – controle dos resultados: período após a implantação no qual o analista de OSM ou equipe responsável deve acompanhar a mudança com o objetivo de verificar se a solução foi a mais adequada ou se há necessi- dade de ajustes/adaptações. Com base nessas etapas, caro(a) aluno(a), notamos que implantar um pro- jeto de layout não é tarefa simples. É necessário envolver todas as pessoas da organização, desde a alta administração e, principalmente, os usuários do novo layout. Nesse ínterim, o analista de OSM ou a equipe responsável deve estar preparada para reuni- ões de esclarecimento, negociações, ajustes na estrutura proposta e muita orientação sobre o que será primeiramente proposto e, depois, implantado. No intuito de facilitar o entendimento sobre as atividades a serem desenvolvidas pelo analista de OSM em cada etapa, o qua- dro a seguir, elaborado a partir de Oliveira (2013), pode auxiliar. ARRANJO FÍSICO (LAYOUT) E ANÁLISE DA DISTRIBUIÇÃO DOS TRABALHOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IV ETAPAS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS Levantamento de informações Estudo do local, considerando: planta baixa, vias de acesso, adequação do ponto de localização, preço do metro quadrado, possibilidades de adaptação e forma, possibilidades de ampliações e nível de flexibilidade do imóvel, análise das instalações, limite de carga suportável pelo imóvel. Estudo das divisões, móveis, equipamentos, considerando: formato e amplitude das salas, medidas e quantidade de móveis e equipamentos e suas formas de uso, aparência do ambiente proporcionado. Levantamento do fluxo de trabalho e atividades relacionadas, conside- rando: identificação e análise das atividades dos funcionários, estudo dos fluxos de trabalho e movimentos efetuados pelos funcionários no desempenho de suas atividades, estudo dos tempos de execução das operações, estudo da adequação do uso de máquinas e equipamentos. Análise do ambiente para execução das atividades, considerando: tem- peratura, umidade, ventilação, espaço, ruído, tipo e cores das pinturas, poeira e iluminação. Preparação da lista de checagem, que pode ser apresentada de formas simples, mas elencando todos os itens a serem considerados no estudo e na implementação do novo arranjo físico. Preparação de miniaturas dos móveis e equipamentos, considerando para isso a escala de planta baixa. Estudo e planeja- mento das soluções alternativas Considerar medidas padrão para o desenvolvimento dos trabalhos. Conhecimento dos seguintes aspectos: recursos e características da em- presa, natureza do trabalho ou serviço desenvolvido pela empresa, como também pela área em que atua. Considerar as interligações preferenciais para o arranjo físico. Considerar as interligações preferenciais entre as várias unidades organi- zacionais da empresa. Consolidação da solução escolhida Consolidação e apresentação do arranjo físico, utilizando-se de: dese- nhos, maquetes, planta baixa e cronograma de implantação. Implantação, ava- liação e controle dos resultados Verificação da lista de checagem anteriormente elaborada. Fornecimento de cópias das plantas aprovadas para: pintor, carpinteiro, encanador, técnico de divisórias, coordenador de mudança, técnico de telefones, etc. Fornecimento de informações para a equipe de trabalho. Estabelecimento de datas para a conclusão de cada serviço. Organização para o dia do início da mudança. Numeração de caixa, mesa, armário etc. Colocação de caixas, mesas, armários etc. em seus novos lugares. Acompanhamento do processo e ajustes necessários. Quadro 10: descrição das atividades na implantação de um projeto de arranjo físico Fonte: adaptado de Oliveira (2013). 141 Estudo do Layout e Estrutura Organizacional Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Com base no quadro apresentado, notamos que, para a realização do estudo e a implantação de layout, é necessário que o gestor/administrador esteja munido de informações sobre a estrutura organizacional. É necessário conhecer os ele- mentos que compõem essa estrutura e a relação proposta entre eles. Além disso, é preciso detalhar ao máximo as atividades e as outras especificações que influen- ciam no funcionamento da organização. Dito isso, é indispensável que seja escolhido o momento certo para a implanta- ção de um projeto de layout, pois agora sabemos que essa ação envolve e influencia todas as pessoas que fazem parte da organização. Dessa forma, o gestor/admi- nistrador deve estar atento a alguns sinais que podem indicar a necessidade de reorganização do seu ambiente físico de trabalho. Os autores Oliveira (2013) e Araújo (2011) sinalizam alguns aspectos que indicam a necessidade de estudos de layout, que são: ■ Demora excessiva no desenvolvimento das atividades. ■ Acúmulo e concentração excessiva de pessoas e formulários. ■ Confusão no fluxo de trabalho. ■ Projeção inadequada dos locais de trabalho. ■ Desconforto na execução das atividades e baixa produtividade. ■ Perda de tempo (lentidão) no deslocamento de uma unidade à outra. Observamos, assim, que o gestor/administrador deve estar atento e ter um “olhar apurado” sobre o funcionamento da organização, bem como o andamento dos processos que a compõem. Ao identificar falhas e possibilidades de melhoria nesses elementos, ele pode iniciar ou contratar alguém para que sejam inicia- dos os estudos sobre layout. Agora que já conhecemos a importância e as características do layout e da estrutura organizacional, vamos tratar sobre os seus princípios e principais tipos existentes e conhecer as suas características. ARRANJO FÍSICO (LAYOUT) E ANÁLISE DA DISTRIBUIÇÃO DOS TRABALHOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IV TÉCNICAS E TIPOS DE LAYOUT De acordo com Araújo (2011), quando é identificada a necessidade de realizaro estudo do arranjo físico/layout, faz-se necessário também considerar alguns princípios básicos, tais como: ■ As unidades organizacionais com funções similares e relacionadas devem ser colocadas perto umas das outras. Isso influenciará na redução do tempo e distância de transporte. ■ Grupos de serviços centrais, como expedição e recebimento de corres- pondência, secretarias etc., devem ser localizados próximos às unidades organizacionais que os utilizam com maior frequência. ■ Nas unidades organizacionais, o trabalho deve seguir um fluxo contínuo para frente, o mais próximo possível em linha reta. ■ Os móveis e os equipamentos devem ser arrumados em linha reta ou em simetria. ■ Deve ser evitada a colocação de postos de trabalho frontais (frente a frente). ■ Espaços de trabalho devem ser adequados às necessidades e conforto dos funcionários para desenvolverem as suas atividades. ■ As mesas devem ser dispostas de modo que nenhuma pessoa fique con- tinuamente voltada para uma fonte de luz intensa. ■ Móveis e equipamentos de tamanho uniforme ou mesma marca permitem maior flexibilidade no remanejamento e aproveitamento de espaço, melhor aparência estética, além de redução no custo de compra e manutenção. Ao identificar a necessidade de realização de estudos e mudanças de layout em uma organização, os gestores/administradores enfrentam muitas resis- tências por partes das pessoas que as compõem. Quais ações podem ser desenvolvidas para superar esse obstáculo “comportamental”? Fonte: a autora. 143 Técnicas e Tipos de Layout Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . ■ É necessário isolamento naquelas unidades que utilizam equipamentos que provocam ruídos. ■ Para atividades que exigem maior concentração ou tratamento de assun- tos sigilosos, devem ser destinados a salas ou compartimentos isolados. ■ Para os funcionários ou unidades que têm contato direto e contínuo com o público, o acesso deve ser facilitado. ■ Conhecer a capacidade de suporte de carga de peso é necessário para o estudo da localização de equipamentos pesados. ■ Instalação de equipamentos de combate a incêndio é necessária nos locais de concentração de material de fácil combustão, como também nas demais áreas, conforme exigência legal. ■ Evitar o recobrimento com material como vidro ou superfícies brilhantes dos tampos de mesa ou outro móvel no qual sejam realizados trabalhos em que se escreve muito, devido ao reflexo provocado pela luz. Mais uma vez, notamos que o estudo do arranjo físico de uma empresa tem o intuito de facilitar e/ou otimizar as atividades que são desenvolvidas em sua estrutura. Daí a sua importância. Sobre os princípios citados pelo autor, esses vão influenciar no tipo de layout proposto/ implementado na organização. Alguns dos autores que tratam do assunto, tais como Cury (2012), Araújo (2011) e Oliveira (2013), afirmam que existe uma diversidade de tipos de layout a serem utilizados pelas organizações. Pode haver, inclusive, tipos diferentes de layout em uma mesma organização, dependendo da sua necessidade e estrutura. Para organizar os nossos estudos na disciplina de Organização, Sistemas e Métodos, com base nos autores supracitados, vamos nos delimitar a tratar dos seguintes tipos: (1) layout em corredor, (2) layout em espaço aberto, (3) layout panorâmico, (4) layout de escritório, (5) layout de fábricas, (6) layout pelo pro- cesso, (7) layout pelo produto. Vamos conhecer as principais características de cada um deles. ARRANJO FÍSICO (LAYOUT) E ANÁLISE DA DISTRIBUIÇÃO DOS TRABALHOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IV LAYOUT EM CORREDOR Para Araújo (2011), esse layout é considerado um tipo de bom para incentivar as relações de grupo, principalmente se as atividades exigirem formação de equi- pes de trabalho. Isso porque as pessoas ficam dispostas em pequenos grupos e podem interagir diretamente ao desenvolverem as suas atividades. Nesse tipo de arranjo físico, as desvantagens envolvem o preço que se paga pelas divisórias e o espaço perdido na distribuição das salas (ARAÚJO, 2011). Mesmo assim, é um tipo de layout muito utilizado. A figura a seguir é um exem- plo desse modelo: Layout em corredor Figura 26: Exemplo de layout em corredor Fonte: Hessel (1985 apud ARAÚJO, 2011, p. 102). LAYOUT EM ESPAÇO ABERTO Diferentemente do “em corredor”, o layout em espaço aberto se adéqua para uti- lização em grandes áreas, com grande concentração de pessoas. Pode ocupar, inclusive, todo um andar, reservando espaços individuais (salas) somente para gerência ou supervisores (ARAÚJO, 2011). Para o desenvolvimento de suas atividades nesse modelo de layout, as pessoas 145 Técnicas e Tipos de Layout Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . são alocadas em estações de trabalho, mas, ao mesmo tempo, ocorre ampla comunicação, justamente pela facilidade em conversarem e trocarem ideias, pela própria condição que o ambiente as oferece. A título de exemplo, encontramos esse tipo de layout em setores ou empresa que trabalham com telemarketing. Para Araújo (2011), esse tipo de layout é recomendado para tarefas que não exi- jam grande grau de concentração. A figura a seguir traz um exemplo do layout em espaço aberto: Layout em espaço aberto Figura 27: Exemplo de layout em espaço aberto Fonte: Hessel (1985 apud ARAÚJO, 2011, p. 102). LAYOUT PANORÂMICO É um tipo de layout em que também há a divisão de salas, com a diferença de que, em sua maioria, são para utilização individual. Contudo, essas salas, dife- rentemente do layout em corredor, não são totalmente isoladas, visto que trazem como característica a utilização de divisórias transparentes (ARAÚJO, 2011), daí a sua classificação. ARRANJO FÍSICO (LAYOUT) E ANÁLISE DA DISTRIBUIÇÃO DOS TRABALHOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IV Um exemplo de layout panorâmico é apresentado na figura a seguir: Layout panorâmico Figura 28: Exemplo de layout panorâmico Fonte: Hessel (1985 apud ARAÚJO, 2011, p. 102). LAYOUT DE ESCRITÓRIO O layout de escritório é citado por Cury (2012) como aquele adequado ao espaço em que existe um fluxo racional de trabalho. O espaço deve ser apropriado ao desenvolvimento de atividades de forma que sejam evitados descolamentos des- necessários, de papéis, documentos, clientes ou empregados. Nesse sentido, Cury (2012) ainda ressalta que, quanto à disposição de móveis e espaços de trabalho, estes devem ser definidos de forma que não ocorram con- gestionamentos. A localização deve levar em consideração as fontes de iluminação e instalações, respeitando sempre a adequação a cada tipo de organização, ou seja, não existe um único padrão a ser definido. A figura a seguir traz um exem- plo de layout de escritório: 147 Técnicas e Tipos de Layout Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Adjunto e Secretaria Che�a Vão Recepção Arquivo Reuniões En tr ev is ta Reuniões Figura 29: Exemplo de layout de escritório Fonte: Cury (2012, p. 401). LAYOUT DE FÁBRICAS Nesse tipo de layout, Cury (2012) ressalta que devem ser considerados alguns pontos antes de sua elaboração, que são: ■ Estudar o programa de produção. ■ Fazer uma relação dos materiais e partes que integrarão o produto. ■ Relacionar as operações necessárias para a fabricação. ■ Programar as operações de cada unidade organizacional. ■ Decidir sobre a capacidade desejada da fábrica e dos equipamentos. ■ Programar as operações para as unidades de produção. ■ Decidir sobre a capacidade desejada da fábrica e dos equipamentos. ARRANJO FÍSICO (LAYOUT)e para a organi- zação. Boa leitura! 15 Introdução Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . O GESTOR ORGANIZACIONAL E A EMPRESA CONTEMPORÂNEA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. I ORGANIZAÇÕES, ADMINISTRAÇÃO E O GESTOR ORGANIZACIONAL Para iniciar as nossas discussões, caro(a) acadêmico(a), faz-se necessário que compreendamos algumas terminologias, pois elas constituirão o cerne princi- pal para tratar dos elementos que compõem a atividade de OSM, que é o nosso assunto principal. Vamos começar, então, abordando o termo “organização”. O que são organizações? O autor Maximiano (2004, p. 27) diz que “a sociedade humana é feita de organizações que fornecem os meios para o atendimento de necessidades das pessoas”. Não estamos falando aqui somente de empresas, mas sim do forneci- mento de serviços de saúde, água, energia, educação, segurança pública e tantos outros que são desenvolvidos em organizações. É necessário compreender que as organizações são instituições formadas com um foco específico, necessitando, para o seu funcionamento, de um con- junto de atividades previamente definidas e organizadas. Essas atividades que são desenvolvidas por meio de um esforço coletivo precisam estar devidamente estruturadas para que o objetivo inicial, previamente definido, seja alcançado. Percebemos, assim, que nem todas as organizações são empresas, mas todas as empresas são organizações. 17 Organizações, Administração e o Gestor Organizacional Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Basta olharmos ao nosso redor que perceberemos uma série de organiza- ções, cada qual com a sua finalidade e estrutura cumprindo com o seu papel na sociedade. São organizações: a igreja, a faculdade, a “turma” da sala de aula, os grupos sociais, as lojas, o grupo de amigos, a família e tantos outros agrupamen- tos dos quais fazemos parte e temos o nosso papel. Segundo D´Ascenção (2007), deu-se o nome de “organização” para a ação de formar agrupamentos humanos, distribuir o trabalho entre as pessoas desses agrupamentos e equacionar a utilização dos recursos, sempre visando o atendi- mento das necessidades estabelecidas. Dessa forma, identificamos que as pessoas são parte essencial de todo tipo de organização. E é a partir do desempenho em suas atividades que os objetivos estabelecidos para as organizações são alcançados. Perceba, caro(a) acadêmi- co(a), que aqui já notamos o primeiro vestígio do papel do administrador/gestor na estrutura organizacional: conduzir as pessoas adequadamente para que os objetivos sejam atingidos. Complementando essa ideia, Daft (2015) afirma que os principais elementos das organizações são as pessoas e os seus relacionamentos. Ou seja, as organiza- ções só existem a partir do momento em que as pessoas interagem, desenvolvem as suas funções, para, assim, alcançar as suas metas. Daft (2015) ainda ressalta que, mesmo que o trabalho seja estruturado em departamentos separados, ou mesmo em conjunto de atividades específicas, as organizações contemporâneas já mostram um esforço para que haja maior coor- denação horizontal das atividades relacionadas ao trabalho. Isso quer dizer que diminuem as fronteiras rígidas entre os departamentos e aumenta o trabalho em equipe, o que torna as organizações mais flexíveis e aptas a responderem às mudanças do ambiente externo com mais agilidade e segurança. Essa necessidade de as organizações se mostrarem mais flexíveis frente às pressões externas é abordada por Chinelato Filho (2011) ao dizer que as organi- zações são compostas por pessoas e estão voltadas a um público consumidor em constante mutação, por esse motivo, não podem, em hipótese alguma, ser estáticas. O GESTOR ORGANIZACIONAL E A EMPRESA CONTEMPORÂNEA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. I Precisamos, a partir de agora, identificar e compreender o funcionamento dos principais componentes de uma organização, bem como as características do processo de administrar o contexto organizacional. Por esse motivo, tratarei, a seguir, dos principais componentes das organizações. Funcionamento das organizações: principais componentes Vimos que nem todas as organizações são empresas, mas perceberemos, ao longo de nossas discussões, caro(a) acadêmico(a), que a estrutura de funciona- mento das organizações é constituída de componentes existentes também no contexto empresarial. Oliveira (2010) destaca que as organizações se constituem sobre duas perspec- tivas importantes: (1) tangível e (2) intangível. A perspectiva tangível corresponde ao espaço físico e a elementos estruturais, enquanto a intangível, àquela que somente pode ser visualizada quando representada em manuais, regulamen- tos, indicadores, gráficos e outros documentos, pois diz respeito aos elementos implícitos da organização, como os valores dos seus fundadores, por exemplo. Llatas (2012) complementa, ainda, que, ao tratar dos componentes de uma organização, estes podem ser abordados como estrutura formal e informal. A estrutura formal é a definição explícita do papel de cada um na organização, apresentada no organograma e demais manuais administrativos (falaremos sobre esse assunto posteriormente). Enquanto a estrutura informal se consti- tui de forma espontânea e improvisada por meio das relações interpessoais dos membros da organização. Percebemos, até aqui, que as pessoas são o principal recurso das organiza- ções, assim sendo, como o administrador/gestor deve conduzir o seu traba- lho para “aproveitar ao máximo” as pessoas na organização? Fonte: a autora. 19 Organizações, Administração e o Gestor Organizacional Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . A representação desses elementos no contexto das organizações é o que deno- minamos cultura organizacional, que, de acordo com Lacombe (2011, p. 275), é: O conjunto de crenças, costumes, sistemas de valores, normas de compor- tamento e formas de fazer negócios, que são peculiares a cada empresa, que definem um padrão geral para as atividades, decisões e ações da empresa e des- crevem os padrões explícitos e implícitos de comportamento e as emoções que caracterizam a vida na organização. Ou seja, a cultura organizacional representa todo o conjunto de caracterís- ticas que formam o “todo” organizacional. Características essas que podem ou não ser visualizadas. Aos elementos que podem ser visualizados, damos o nome de aspectos explícitos, representados pelos elementos da estrutura formal da empresa, tais como descrição de cargos, manuais, regulamentos, estrutura física, organogramas etc. Já os elementos que não podem ser visualizados são aqueles decorrentes da estrutura informal, denominados implícitos. Estes são “invisíveis aos olhos” e constituídos a partir dos relacionamentos, definindo hábitos, atitu- des, julgamentos e percepções dos membros da organização. Assim, prezado(a) aluno(a), notamos que uma organização também é cons- tituída e influenciada pelas subjetividades produzidas em seu cotidiano. Essas subjetividades são as questões implícitas e não materializadas, parte da estru- tura informal da empresa. Uma forma de representação “formal” da cultura organizacional de uma empresa acontece na elaboração do planejamento estratégico organizacional, pois neste são apresentados elementos importantes para o funcionamento de uma organização, como: missão, visão e valores, que exprimem a identidade organizacional. O GESTOR ORGANIZACIONAL E A EMPRESA CONTEMPORÂNEA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. I Além da cultura organizacional, outros componentesE ANÁLISE DA DISTRIBUIÇÃO DOS TRABALHOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IV ■ Programar operações das unidades de produção e montagem, para que os equipamentos se situem de modo lógico e racional. ■ Selecionar equipamentos, máquinas e facilidades necessárias para a pro- dução das variedades e quantidades programadas. ■ Determinar o intervalo de tempo entre sucessivas operações. ■ Verificar a existência de atividades que expõem a riscos. ■ Estabelecer as necessidades de espaços que se mostrem sazonais ou neces- sidades futuras. Esses pontos citados a partir do autor Cury (2012) representam alvos de aten- ção do gestor/administrador antes de “desenhar” o seu layout de fábrica. Assim, o desenho desse tipo de layout deve se iniciar com a análise do produto fabri- cado e a avaliação da sequência das operações. LAYOUT PELO PROCESSO O layout pelo processo ou funcional traz como característica o agrupamento das máquinas de acordo com a natureza da operação que é executada, segundo Cury (2012). Esse tipo de layout traz como vantagens: ■ Flexibilidade para suporte da variação e flutuação na demanda. ■ Redução da necessidade de duplicação de máquinas, ferramentas, matri- zes etc. ■ Custos reduzidos e manutenção e separação. ■ Maior controle sobre produtos de alta precisão ou artigos complicados. Notamos, assim, que no layout por processo é seguida uma sequência racional das operações, para que seja otimizado o resultado alcançado ao final da ativi- dade. A figura a seguir traz um exemplo desse tipo de layout: 149 Técnicas e Tipos de Layout Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Depto. Fresagem Depto. Têmpera Depto. Galvanoplastia Depto. Solda Depto. Torno Depto. Furadeiras Depto. Abrasivos Depto. Inspeção 1 2 3 1 3 4 5 5 6 6 2 4 Figura 30: Exemplo de layout pelo processo Fonte: Cury (2012, p. 404). LAYOUT PELO PRODUTO Segundo Cury (2012), o layout pelo produto é utilizado pelas organizações quando o processo de produção é contínuo e também os equipamentos para manuseio e movimentação de materiais fazem parte das unidades de processamentos e as máquinas tem uma sequência lógica, tendo como parâmetro o produto. É um tipo de layout muito adotado por indústrias de produção contínua, de linha de produção, nas quais os equipamentos estão dispostos ao longo de uma linha, tendo como parâmetro a sequência de operações, desde a chegada da matéria prima até a saída do produto finalizado (CURY, 2012). A figura a seguir ilustra esse tipo de layout: ARRANJO FÍSICO (LAYOUT) E ANÁLISE DA DISTRIBUIÇÃO DOS TRABALHOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IV 1 2 3 4 5 6 1 2 3 4 5 6 Departamento Produto “A” Departamento Produto “B” Figura 31: Exemplo de layout pelo produto Fonte: Cury (2012, p. 405). Com base nos tipos de layout apresentados, caro(a) acadêmico(a), notamos que é necessário sempre estudar a estrutura organizacional, o tipo de negócio, o ambiente em que a organização está inserida, antes de decidir por um tipo ou outro. O analista de OSM deve levar em consideração todos os fatores que se mostrarem relevantes e que, de alguma forma, influenciam no layout da orga- nização, para somente depois implementá-lo. Observamos, assim, que o estudo de layout deve envolver todo o contexto da organização, bem como os seus fluxos de trabalho, correspondendo a uma atividade que envolve análise, reflexão, diagnóstico e tomada de decisão. Dando continuidade as nossas discussões, vamos falar agora do estudo da distribuição do trabalho. ESTUDO DA DISTRIBUIÇÃO DO TRABALHO Neste tópico, vamos abordar o estudo da distribuição do trabalho, que tem como foco assegurar que o tempo de operacionalização das atividades da organização atendam as suas necessidades, ao mesmo tempo em que as pessoas sejam alo- cadas adequadamente em seus cargos e funções. 151 Estudo da Distribuição do Trabalho Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Segundo Cury (2012), os estudos sobre a distribuição do trabalho correspondem a uma técnica especializada de OSM, que tem por finalidade avaliar as formas de distribui- ção das atividades existentes na organização entre os seus diversos órgãos, definindo, assim, as tarefas individuais de cada empregado. Continua Cury (2012) que a metodologia de análise da distribuição do trabalho consiste na avaliação do tra- balho individual realizado pelos empregados de cada órgão, como também da sua classificação em ati- vidades e/ou tarefas de acordo com parâmetros estipulados pela organização. Complementando as nossas discussões e a partir da premissa de que a empresa não pode ser vista como um todo estático, Oliveira (2013, p. 333) afirma que “é imprescindível a realização de tarefas, as quais são distribuídas pelas áreas e unidades organizacionais, mediante critérios de natureza, similaridade e com- plementaridade”. Dessa forma, constituem objetivos básicos dos estudos sobre a distribuição do trabalho, segundo o mesmo autor: ■ Distribuir de forma balanceada as tarefas a serem realizadas entre as uni- dades organizacionais existentes. ■ Redistribuir as tarefas que já são realizadas na organização de maneira criteriosa e racional. ■ Funcionar enquanto instrumento de estudo da situação existente, dando suporte para a situação desejada. Notamos, assim, que os estudos da distribuição do trabalho constituem-se em ferramentas que podem oferecer subsídios aos gestores/administradores nos ARRANJO FÍSICO (LAYOUT) E ANÁLISE DA DISTRIBUIÇÃO DOS TRABALHOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IV mais diversos tipos de tomada de decisão. Para isso, é necessário analisar como essas ações podem ser instrumentalizadas, que são por meio da elaboração do Quadro de Distribuição do Trabalho (QDT). QUADRO DE DISTRIBUIÇÃO DO TRABALHO (QDT) Como vimos, o Quadro de Distribuição do Trabalho (QDT) representa a forma de instrumentalização utilizada pelo analista de OSM quando da realização da análise da distribuição do trabalho. De acordo com Araújo (2011), o QDT diz respeito a uma técnica utilizada justamente para visualizar a distribuição do tra- balho, que tem uma análise facilitada por fazer uso do gráfico demonstrativo. Para Cury (2012), o QDT é um instrumento que tem por objetivo analisar as diversas atividades que são atribuídas a cada unidade organizacional, utilizan- do-se do diagnóstico das tarefas executadas por seus empregados, com o intuito de verificar a carga de trabalho de sua distribuição. Observamos, assim, que o QDT pode auxiliar, inclusive, na elaboração da Política de Cargos da organização. Sobre os benefícios da elaboração do QDT, Oliveira (2013, p. 336) diz que é um instrumento de estudo que possibilita: ■ Visão panorâmica de todas as tarefas executadas na unidade organizacional; ■ Análise comparativa das tarefas executadas pelos diferentes funcionários; ■ Análise comparativa da duração das tarefas; ■ Verificar se a capacitação profissional dos funcionários está sendo efi- cientemente utilizada; ■ Verificar se há equilíbrio no volume de trabalho executado pelos funcionários; ■ Verificar o grau de especialização das tarefas; ■ Verificar o critério utilizado para a distribuição do trabalho entre os funcionários da unidade organizacional: natureza, similaridade ou com- plementaridade das tarefas; 153 Estudo da Distribuição do Trabalho Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . ■ Verificar se existem tarefas dispersas entre vários executores ou se os mes- mos estão executando tarefas desconexas; ■ Analisar,de forma global, a distribuição do trabalho entre os funcioná- rios; e ■ Estabelecer a situação ideal, racionalizando a distribuição das tarefas. Com base nesses pontos apresentados, notamos que QDT torna-se útil tanto para o analista de OSM, como para gestores/administradores, porque possibilita uma visão global sobre as atividades de cada departamento. Mas de que forma o QDT pode ser elaborado? Para Llatas (2011), a elaboração do QDT acontece por meio de duas ações: (1) a coleta de dados, (2) a listagem das atividades. Para a coleta de dados, são utilizados formulários que auxiliam no direcio- namento das informações relevantes à elaboração do QDT. O quadro a seguir traz exemplos de questões que podem ser feitas: UNIDADE ORGANIZACIONAL 1. Descreva ,em sua opinião, a função de sua unidade organizacional 2. Liste as operações que estão sob responsabilidade de sua unidade organizacional 3. Quais são os objetivos dessas operações? 4. Que operações são realizadas no desenvolvimento de políticas e estretégias relati- vas à empresa e/ou sua unidade organizacional? 5. Existem outras operações que também deveriam ser realizadas? 6. Que resultados sua unidade organizacional tem obtido? 7. Que outros resltados deveriam ser alcançados? 8. Que operações são executadas em parceria com outras unidades organizacionais? Quadro 10: Exemplo de questionário para levantamento de dados das atividades individuais e organizacionais Fonte: Llatas (2011, p. 156). ARRANJO FÍSICO (LAYOUT) E ANÁLISE DA DISTRIBUIÇÃO DOS TRABALHOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IV No que diz respeito à listagem de atividades, Oliveira (2013) afirma que ocorre após a identificação das tarefas que cada pessoa realiza. Assim, estas são agrupa- das em atividades e relacionadas em ordem de importância. Aquelas atividades de pequena importância podem ser agrupadas no item denominado “diversos”, de forma a facilitar o trabalho de identificação. “Ao elaborar a lista de atividades da unidade organizacional, é interessante colocar a duração de cada uma, bem como a participação percentual delas no tempo total necessário à execução de todas as atividades” (OLIVEIRA, 2013, p. 336). Por meio dessas especificações, notamos que a lista de atividades forne- cerá as informações relevantes à elaboração do QDT. Vale ainda ressaltar que a lista de atividades, segundo Cury (2012), para melhor visualização e organização, pode ser feita utilizando-se de formulários que listem as tarefas individuais, semanais e/ou as atividades de maneira geral, conforme quadros a seguir. LOGOTIPO E NOME DA EMPRESA LISTA DE TAREFAS SEMANAIS Divisão: Seção: Nome: Cargo: Data: Atividades Número Tarefas Diárias regulares ou esporádicas (indicar % dia) Quadro 11: Exemplo de lista de tarefas individuais Fonte: Cury (2012, p. 416). 155 Estudo da Distribuição do Trabalho Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . LOGOTIPO E NOME DA EMPRESA LISTA DE TAREFAS SEMANAIS Divisão: Seção: Nome: Cargo: Data: Atividades Número Tarefas Diárias Total semanal (ho- ras/semana) Quadro 12: Exemplo de lista de tarefas semanais Fonte: Cury (2012, p. 417). LOGOTIPO E NOME DA EMPRESA LISTA DE TAREFAS SEMANAIS Divisão: Seção: Nome do responsável: Cargo/funções: Assinatura: Data: Número Atividade desenvolvidas Quadro 13: Exemplo de lista de atividades Fonte: Cury (2012, p. 418). Os exemplos de quadro apresentados, prezado(a) aluno(a), darão subsídios para a elaboração do QDT, que, conforme Oliveira (2013, p. 345), tem por fina- lidade “consolidar e propiciar a análise, por cargo e funcionário, da distribuição de trabalho nas atividades e tarefas evidenciadas”. Um exemplo de QDT é apre- sentado a seguir: ARRANJO FÍSICO (LAYOUT) E ANÁLISE DA DISTRIBUIÇÃO DOS TRABALHOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IV ACOMPANHAMENTO DO FLUXO DE TRABALHO - QUADRO DE DISTRIBUIÇÃO DO TRABALHO (QDT) Data: Nome: Chefia: Analista: Unidade Cargo: Cargo: Data de revisão N° Atividades N° Subatividades Horas % Horas Obs Início Fim Total Sobre 480min=08:00hs TOTAL Quadro 12: Exemplo de quadro da distribuição do trabalho Fonte: Oliveira (2013, p. 322). Notamos, assim, que o QDT é um instrumento de extrema importância para os gestores/administradores, para que se consiga diagnosticar e analisar a opera- cionalização das atividades que compõem a estrutura organizacional. Conforme destaca Cury (2012), o QDT se constitui em uma ferramenta de análise das vari- áveis que compõem o cargo e as tarefas desenvolvidas por quem o ocupa. Como as nossas discussões foram pensadas em forma de um continuum para as atividades de OSM, em nossa próxima e última unidade, trataremos dos manuais organizacionais e das novas teorias e práticas administrativas. 157 Considerações Finais Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . CONSIDERAÇÕES FINAIS Nesta quarta unidade, abordamos os estudos sobre arranjo físico, também denominado layout e a análise da distribuição dos trabalhos nos ambientes organizacionais. O intuito, caro(a) acadêmico(a), foi levá-lo(a) à reflexão sobre essas impor- tantes ferramentas para os profissionais que se propõem a atuar na área de OSM. Espero ter alcançado tal feito. Ao longo de nosso livro didático, venho trabalhando a importância do controle dos processos organizacionais, sendo a atividade de OSM a área que oferece ferramentas e possibilidades para que esse controle real- mente aconteça. Não foi diferente nesta quarta unidade. Evidenciamos a importância da realização dos estudos sobre arranjo físico, de maneira a otimizar os processos da organização e atingir os objetivos definidos da melhor maneira possível. Assim, espero que tenha ficado clara a importância de organização e planejamento também para o ambiente físico da organização, visto que a disposição de móveis, maquinários ou outros itens influencia e muito nos resultados da organização. Tratamos dos principais tipos de layout, mas quero destacar a importância de sempre estudar o ambiente organizacional para saber qual ou quais tipos se mostram mais adequados. Mas, então, uma organização pode ter tipos de layout diferentes? Pode sim, caro(a) acadêmico(a). Daí a necessidade de conhecimento sobre esse assunto e, também, sobre os elementos da organização. Por fim, tratamos da análise da distribuição do trabalho, de maneira espe- cial sobre a elaboração do Quadro de Distribuição do Trabalho (QDT) como a ferramenta que auxiliará o analista de OSM na visualização e análise das ativi- dades que compõem a estrutura organizacional. Para isso, foram apresentados alguns exemplos de QDT, visando facilitar o entendimento sobre o assunto. Acredito que você tenha percebido a importância desses assuntos dentro da nossa disciplina de Organização, Sistemas e Métodos. Para reforçar o aprendi- zado, vamos às atividades de autoestudo. 1. Em nossas discussões, vimos a importância dos estudos de layout para as orga- nizações, devendo o gestor/administrador estar apto a realizar estudos sobre o ambiente físico e optar pelo layout mais adequado. Assim sendo, são objetivos do layout: I. Otimizar as condições de trabalho do pessoal nas diversas unidades orga- nizacionais. II. Racionalizar os fluxos de fabricação ou de tramitação de processos e a disposição física dos postos de trabalho, aproveitando todo o espaço útil disponível. III. Minimizar a movimentação de pessoas, produtos, materiais e documentos dentro da ambiência organizacional. IV. Ter um clima favorável para o trabalho e o aumento da produtividade. V. Proporcionar redução da fadiga do funcionário no desempenho da tarefa, incluindo o isolamento contra ruídos. a. Somente as afirmativas I, II e III estãocorretas. b. Somente as afirmativas II, III e IV estão corretas. c. Somente as afirmativas III e IV estão corretas. d. Somente as afirmativas I e V estão corretas. e. Todas as afirmativas estão corretas. 2. Implantar um projeto de layout no ambiente organizacional não é tarefa fácil, é necessário planejamento, organização e, principalmente, conhecimento sobre o ambiente que será reestruturado. Para isso, os autores Oliveira (2013) e Cury (2012) sugerem uma série de etapas para auxiliar o analista de OSM na implanta- ção de um projeto de layout. Que etapas são essas? Assinale a alternativa correta: a. Descarte do layout antigo, implantação do novo layout; avaliação. b. Diagnóstico de soluções; implantação; levantamento de informações e che- cagem. c. Reuniões com gestores da empresa; inspeção do ambiente organizacional; implantação do novo layout; controle dos processos. d. Levantamento de informações; estudo e planejamento das soluções alterna- tivas; consolidação da solução escolhida; implantação, avaliação e controle dos resultados. e. Planejamento; apresentação das soluções; implantação e checagem de in- formações. 159 3. Segundo Cury (2012), os estudos sobre a distribuição do trabalho correspondem a uma técnica especializada de OSM, que tem por finalidade avaliar as formas de distribuição das atividades existentes na organização entre os seus diversos ór- gãos, definindo, assim, as tarefas individuais de cada empregado. Isso quer dizer que a metodologia de análise da distribuição do trabalho: I. Consiste na avaliação do trabalho individual realizado pelos empregados de cada órgão da empresa. II. Consiste na classificação em atividades e/ou tarefas de acordo com parâ- metros estipulados pela organização. III. Representa uma etapa prejudicial ao contexto organizacional, por ocasio- nar demora no desenvolvimento dos processos. IV. Tem por objetivo distribuir, de forma balanceada, as tarefas a serem reali- zadas entre as unidades organizacionais existentes. Está CORRETO somente o que se afirma em: a. I. b. I, II e IV. c. II, III e IV. d. I, II e III. e. II e IV. Artigo: Análise e redesenho do layout de uma empresa: Estudo de caso de uma função de alumínio. Como as nossas discussões nesta unidade tiveram como foco os estudos sobre arranjo físico (layout) para a melhoria dos processos organizacionais, este artigo acaba por enri- quecer e muito as nossas discussões. Os autores tiveram como objetivo apresentar uma proposta de utilização da metodologia de Manufatura Enxuta aplicada ao projeto de layout de uma fundição de alumínio. Para isso, realizaram um trabalho em etapas que foram desde a identificação dos pontos de melhoria, o estudo de soluções para as restri- ções encontradas e, posteriormente, a elaboração de um plano de ações de segregação que envolvia pessoas, equipamentos móveis, máquinas em movimento e metal quente. Para alcançar tal feito, os autores fizeram uma contextualização sobre os fatores que envolvem o ambiente das fábricas, que, nesse caso, era o lócus da pesquisa, tais como, segurança, redução e eliminação de acidentes, diminuição de perdas de produção etc. Ao apresentarem o processo produtivo, demonstraram graficamente fluxo dos proces- sos da fundição. Essa demonstração evidencia assuntos importantes sobre a atividade de OSM, que discutimos não somente nesta unidade de estudo, mas ao longo de nosso livro didático. As propostas de melhoria começaram a ser tratadas a partir da represen- tação gráfica do layout inicial da fundição e propostas de ação para a execução das me- lhorias. É apresentado na sequência o layout final da fundição. A pesquisa realizada e apresentada pelos autores é realmente enriquecedora para as discussões sobre layout aqui propostas. Você pode acessar o artigo na íntegra acessando o link abaixo: . Fonte: Menezes; Monteiro; Rodrigues (2006, online). Material Complementar MATERIAL COMPLEMENTAR Projeto de Fábrica e Layout. Clóvis Neumann e Régis Kovacs Scalice Editora: Campus. Sinopse: Toda organização necessita de uma planta industrial que contemple as necessidades de espaço para operacionalização de suas atividades fabris e essa instalação deverá permitir implementar de forma otimizada seus processos produtivos internos. Este livro proporciona uma visão integrada de conceitos, modelos e técnicas apresentadas e suas aplicações no Projeto de Fábrica e do Projeto de Layout sob a abordagem da Engenharia de Produção. São apresentadas metodologias estruturadas para auxiliar na gestão do projeto de layout fabril, visando defi nir a localização dos departamentos operacionais e a posição de cada recurso produtivo, que, por sua vez, determinam os fl uxos de materiais e informações que, se forem bem feitos, podem proporcionar grandes melhorias na produtividade e lucratividade da empresa. Vimos, em nossas discussões, a importância da análise e distribuição do trabalho de forma a otimizar o desenvolvimento dos processos organizacionais. O link a seguir traz um vídeo, elaborado pela Universidade Aberta do Piauí, que mostra uma abordagem que pode auxiliar na compreensão do assunto. Disponível em: . Acesso em: 20 out. 2015. U N ID A D E V Professora Me. Patrícia Rodrigues da Silva MANUAIS ADMINISTRATIVOS E DESENVOLVIMENTO ORGANIZACIONAL Objetivos de Aprendizagem ■ Apontar a importância dos manuais organizacionais. ■ Apresentar os principais tipos de Manuais utilizados, destacando o seu papel para a implementação da mudança. ■ Descrever as características para a gestão da mudança nas organizações. ■ Identificar a importância de o analista de OSM estudar o desenvolvimento organizacional (DO). ■ Conhecer as ferramentas contemporâneas para OSM. Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ Uso de manuais nas organizações. ■ Gestão da mudança e desenvolvimento organizacional. ■ Novos desenhos e ferramentas para OSM. INTRODUÇÃO Chegamos à última unidade do nosso livro didático. Depois de discutirmos sobre as ferramentas e elementos que compõem a atividade de OSM, trataremos aqui de alguns desafios que os gestores organizacionais enfrentam no seu dia a dia e no processo de estudo organizacional. Nossas discussões serão sobre o uso de manuais, mudança organizacional e algumas tendências para OSM. Sobre o uso dos manuais, caro(a) acadêmico(a), caracteriza-se como um desafio, porque o processo de manualização organizacional nem sempre (para não dizer na maioria das vezes) é visto com bons olhos. Isso acontece porque erroneamente as pessoas enxergam o uso dos manuais como uma forma de engessamento das atividades e processos organizacionais. Veremos que muito pelo contrário. Implementar e incentivar o uso de manuais de organização ajudam a orga- nização a desenvolver as suas atividades de maneira orientada e com muito mais possibilidades de acerto. Ademais, veremos que existem tipos de manuais dife- rentes, cada qual com a sua finalidade, dando suporte ao gestor/administrador no alcance de resultados. Em um segundo momento, serão descritas as características que compõem o processo de gestão da mudança nas organizações. Dessa forma, identificaremos a importância de o analista de OSM estudar e ter como perspectiva a aborda- gem do desenvolvimento organizacional (DO). O intuito é percebermos que, mesmo a mudança sendo o “combustível” para a resistência, é possível (e neces- sário) superá-la. Por fim, serão abordadas algumas tendências para OSM, sempre no intuito de identificarmos aquela ou aquelas que se mostram mais eficazes para o estudo de nossas organizações. Assim, discutiremos sobre: arquitetura organizacional, benchmarking e empowerment. Espero que esta última unidade venha fechar com “chave de ouro” os nos- sos estudos sobre o assunto. Boa leitura! Boas reflexões! 165 Introdução Re pr od uç ãop ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . MANUAIS ADMINISTRATIVOS E DESENVOLVIMENTO ORGANIZACIONAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. V USO DE MANUAIS NA ORGANIZAÇÃO A manualização ainda representa um desafio para os gestores organizacionais. De acordo com Cury (2012, p. 427), “os manuais são documentos elaborados dentro de uma empresa com a finalidade de uniformizar os procedimentos que devem ser observados nas diversas áreas de atividades”. Oliveira (2013) complementa ao dizer que manuais representam um conjunto de normas, procedimentos, funções, atividades, políticas, objetivos, instruções e orientações, que, devidamente detalhado, serve de orientação, devendo ser obe- decido e cumprido pelas pessoas que integram a organização, individualmente ou em conjunto. Mesmo demonstrando essa importância, ainda existe resistên- cia das pessoas em aceitarem/utilizarem os manuais. É necessário que o gestor/administrador esteja preparado para enfrentar esse desafio e, assim, os manuais organizacionais serem concebidos como benéficos 167 Uso de Manuais na Organização Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . para as organizações. É necessário, com isso, disseminar a ideia de que os manu- ais representam um ótimo instrumento para racionalizar métodos de trabalho, aperfeiçoar sistemas de comunicação de maneira que favoreça a integração dos diversos subsistemas organizacionais (CURY, 2012). No intuito de reforçar e promover a utilização dos manuais organizacionais, algumas das vantagens apresentadas por Oliveira (2013) são: ■ Corresponde a uma importante e constante fonte de informações a res- peito dos trabalhos executados na empresa. ■ Facilitam o entendimento e a efetivação de normas, procedimentos e fun- ções administrativas. ■ Auxiliam na fixação de critérios e padrões, possibilitando a normatiza- ção das atividades administrativas. ■ Ajudam no treinamento de novos e antigos funcionários, possibilitando adequação, coerência e continuidade nas normas e procedimentos da empresa. ■ Representam um documento de consulta, orientação e treinamento, inclusive por apresentar o legado histórico da evolução administrativa da empresa. Em contraponto, os manuais organizacionais também apresentam algumas des- vantagens, segundo Oliveira (2013): ■ Representam um ponto de partida, e não a solução para todos os proble- mas administrativos. ■ A elaboração inadequada traz inconvenientes ao desenvolvimento das atividades. ■ O custo de preparação e atualização pode ser elevado. ■ Se não forem utilizados adequada e permanentemente, perdem o seu valor. ■ Em geral, são poucos flexíveis. ■ Deixam de lado os aspectos informais da estrutura organizacional. ■ Podem se tornar um “freio” para a iniciativa e criatividade individual. MANUAIS ADMINISTRATIVOS E DESENVOLVIMENTO ORGANIZACIONAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. V Vemos, assim, que os manuais organizacionais têm pontos positivos e negativos e, por esse motivo, é necessário atenção e cuidado, primeiramente, ao elaborá-los, e, depois, em sua utilização. Dessa forma, é necessário decidir adequadamente sobre os assuntos que serão tratados nos manuais, já que esses precisam ser cla- ros e concisos em suas informações. Normalmente, um manual é constituído de diversos tomos, segundo os subsistemas integrantes da empresa. Esses tomos compõem de normas, instruções, rotinas e outros instrumentos complementares, como qua- dros, tabelas, fluxogramas, catálogos, listas etc. (CURY, 2012, p. 427). Por “tomos”, o autor entende os tópicos (assuntos) que podem ser abordados nos manuais. Observamos, a partir de sua concepção, que eles se constituem em objetos instrucionais para os empregados e/ou demais pessoas que tiverem con- tato com a organização. Mas como os manuais devem ser elaborados? O autor Cury (2012, p. 429) considera a seguintes etapas básicas: 1ª reconhecimento da necessidade, pela alta administração, de a em- presa ter Manuais de Organização; no caso, foram escolhidos três tipos diferentes; 2ª sugestão dos títulos dos manuais, o que equivale à indicação da fina- lidade geral de cada um; 3ª fixação dos objetivos específicos de cada manual e respectivo con- teúdo; 4ª atribuição de responsabilidades pelo preparo de cada manual; 5ª critério sobre o uso de cada manual e a quem se destina cada tipo. É importante ressaltar, caro(a) acadêmico(a), que essas etapas servem de orien- tação para que o gestor/administrador possa tratar da elaboração dos manuais organizacionais. Isso quer dizer que servem de parâmetro para essa ação, não representam modelos que devem ser fielmente seguidos, visto que cada organi- zação tem o seu conjunto de especificidades. As empresas, principalmente as maiores, possuem diversos tipos de manuais, atendendo às necessidades dos seus mais diversos setores, tais como os manu- ais de: administração de pessoal, suprimento, finanças, contabilidade, comercial, serviços gerais, patrimônio, segurança empresarial, dentre outros (CURY, 2012). 169 Uso de Manuais na Organização Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Para compreender melhor a finalidade dos manuais, vamos tratar dos prin- cipais tipos utilizados pelas organizações, bem como os seus objetivos, com base na concepção de Cury (2012), Llatas (2011) e Oliveira (2013), que são: ■ Manual da organização. ■ Manual de políticas e diretrizes. ■ Manual de normas e procedimentos. ■ Manual de instruções especializadas. ■ Manual do empregado. ■ Manual de finalidade múltipla. Esses tipos e aspectos são apresentados no quadro a seguir: MANUAL DE ORGANIZAÇÃO Objetivos e características Conteúdos Comunicar aos gerentes de todos os níveis as linhas de autoridade de toda a empresa, como também retratar o seu plano organizacional. Documentar a forma como a empresa está organizada, informando no devido tempo as alterações que possam ocorrer. Fazer com que os documentos da organização sejam elaborados em conformidade com as políticas e objetivos gerais da empresa. Identificar o plano organizacional da empresa, incluindo a sua filosofia de gestão de atuação. Identificar, de maneira formal e clara, a forma como a empresa está organizada. Servir de base para a avaliação do plano orga- nizacional da empresa. Objetivos gerais e setoriais da empresa. Organograma. Funções principais das unidades organizacionais. Relações de linha e assessoria. Níveis hierárquicos e amplitude de controle. Grau de autoridade. Aspectos de centralização e des- centralização. Interação com sistemas de co- municações, de informações e de tomada de decisão. MANUAIS ADMINISTRATIVOS E DESENVOLVIMENTO ORGANIZACIONAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. V MANUAL DE POLÍTICAS E DIRETRIZES Objetivos e características Conteúdos Orientar a ação dos executivos e responsáveis pelas funções de direção e assessoramento, estabelecendo o modo de agir da empresa, expresso de maneira geral e filosófica. Padronizar os procedimentos das atividades da empresa. Criar condições para um nível adequado de delegação na empresa. Visar os objetivos gerais da empresa. Criar condições para melhor avaliação do plano organizacional. Políticas de marketing. Políticas de tecnologia. Políticas de logística. Políticas de recursos humanos. Políticas de produção. Políticas de finanças. MANUAL DE NORMAS E PROCEDIMENTOS Objetivos e características Conteúdos Descrever as atividades que interessam aos diversos órgãos da empresa e explicitar como elas devem ser desenvolvidas. Descrever as atividades que envolvem asdiversas unidades organizacionais da empresa, como também transmitir detalhes sobre a sua operacionalização. Veicular instruções aos preparadores das infor- mações que serão processadas nos centros de serviços. Proporcionar métodos que possibilitem a exe- cução uniforme dos serviços. Normas: quem executa ou pode executar os trabalhos do processo administrativo. Procedimentos: como devem ser executados os trabalhos. Formulários: indicação de docu- mentos que circulam no processo administrativo. Fluxogramas: indicação de gráficos representativos dos procedimentos descritos. Anexos. MANUAL DE INSTRUÇÕES ESPECIALIZADAS Objetivos e características Conteúdos Possibilitar treinamento e capacitação otimiza- dos a um grupo específico de funcionários. Servir de guia de trabalho e consulta para o grupo profissional. Objetivos básicos. Informações sobre cargo e função. Descrição das tarefas básicas. Interação das tarefas básicas com as de outros cargos e funções da empresa. Instruções básicas para a execução das tarefas. Instruções básicas para avaliação das tarefas. 171 Uso de Manuais na Organização Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . MANUAL DO EMPREGADO Objetivos e características Conteúdos Propiciar ao novo contratado rápido entendi- mento sobre a empresa. Propiciar clima agradável e interação entre o empregado e a empresa. Descrever direitos e deveres do empregado para com a empresa. Facilitar a realização de treinamento com o novo contratado. Atividades desenvolvidas pela empresa. Resumo do histórico da empresa. Objetivos gerais da alta adminis- tração. Explicações sobre os sistemas de autoridades. Políticas de incentivo. Direitos, deveres e obrigações do empregado. Regime de sanções. Descrição da postura a ser tomada diante de eventuais conflitos. Normas sobre o comportamento básico e de cumprimento obriga- tório. Serviços proporcionados pela em- presa aos seus funcionários. MANUAL DE FINALIDADE MÚLTIPLA Objetivos e características Conteúdos Esclarecer sobre os variados aspectos da em- presa para os empregados. Servir como base para o treinamento e a avalia- ção do plano organizacional da empresa. Título. Índice. Apresentação. Histórico da empresa. Políticas gerais adotadas. Aspectos básico e de funciona- mento. Unidades organizacionais, funções, autoridades e responsabilidades. Regulamento interno. Equipamentos disponíveis e formas de manutenção. Observações sobre: contratação, promoções, rescisões faltas, benefí- cios e atividades sociais. Quadro 12: Manuais de organização, seus objetivos e conteúdo Fonte: adaptado de Cury (2012); Llatas (2011) e Oliveira (2013). MANUAIS ADMINISTRATIVOS E DESENVOLVIMENTO ORGANIZACIONAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. V Com base nessas informações, notamos que os manuais organizacionais são documentos de instrução para novos e antigos empregados. Assim, correspon- dem a documentos valiosos a serem utilizados por gestores/administradores nos mais diversos contextos organizacionais. Por fim, vale ressaltar que o analista de OSM, o gestor/administrador, deve avaliar cada contexto no qual o manual está sendo elaborado e, posteriormente, aplicado, pois sabemos que as organizações têm características, bem como neces- sidades muito diferenciadas e específicas. É necessário, assim, identificar as suas reais necessidades e possibilidades de desenvolvimento e implementação dos manuais organizacionais. No próximo tópico, trataremos do desenvolvimento de projetos de mudança nas organizações. Os manuais organizacionais representam uma forma de profissionalização do ambiente organizacional e não uma forma de burocratização dos proces- sos administrativos. Para isso, é necessário conscientizar as pessoas sobre a sua importância e dinâmica de utilização. De que forma o gestor/adminis- trador deve intervir nesse contexto? Fonte: a autora. 173 Gestão da Mudança e Desenvolvimento Organizacional Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . GESTÃO DA MUDANÇA E DESENVOLVIMENTO ORGANIZACIONAL Iniciaremos este tópico realizando uma reflexão, caro(a) aluno(a): o que é mudança para você? Tal reflexão se faz necessária justamente pelo fato de que, apesar de reconhecermos a existência da mudança no atual contexto em que vivemos, nem sempre sabemos e/ou conseguimos lidar com ela. MUDANÇA ORGANIZACIONAL Dentro de um contexto de OSM, segundo Araújo (2011), a mudança organi- zacional é impulsionada pelas tecnologias de gestão de processos apresentadas ao longo dos estudos realizados sobre a área, sendo assim, é concebida como: [...] qualquer alteração significativa, articulada, planejada e operacio- nalizada por pessoal interno e/ou externo à organização que tenha o apoio e supervisão da administração superior e atinja, integradamen- te, os componentes de cunho comportamental, estrutural, tecnológico (equipamentos e conhecimento) e estratégico (ARAÚJO, 2011, p. 278). MANUAIS ADMINISTRATIVOS E DESENVOLVIMENTO ORGANIZACIONAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. V Diante das ideias do autor, notamos que a mudança organizacional diz respeito a toda e qualquer alteração necessária e existente na organização, mas que deve ser devidamente “pensada” e planejada para que obtenha sucesso. É necessá- rio, assim, que gestores/administradores estejam preparados para gerenciar os processos de mudança adequadamente, para que cheguem a resultados que bene- ficiem pessoas e organização. Ainda para Araújo (2011), a aceitação da mudança pode se constituir em um problema, pois sugere alterações na organização e nem sempre as pessoas as aceitam facilmente. Dessa forma, a gestão de processos que sejam destinados à mudança deve ser e estar articulada com o todo organizacional e nunca aconte- cer isoladamente ou para atender interesses pessoais ou pouco representativos das reais demandas da organização. Sobre os tipos de mudança, Chiavenato (2014) diz que podem ser: na estrutura organizacional, na tecnologia, nos produtos/serviços ou na cultura organizacio- nal. Apesar das tipologias, todas elas têm um único foco que é o desempenho organizacional melhorado. A seguir, apresentarei características dos tipos de mudança, conforme a percepção desse autor: ■ Mudanças na estrutura organizacional: redesenho da organização, mudança do formato do trabalho, nova configuração do negócio. ■ Mudanças na tecnologia: novos equipamentos, novos processos e rede- senho do fluxo de trabalho. ■ Mudanças nos produtos/serviços: novos produtos, novos serviços, desen- volvimento de produtos, novos clientes. ■ Mudanças na cultura organizacional: novas atitudes, percepções, expectati- vas, nova mentalidade, novas habilidades e competências, novos resultados. Complementando as nossas discussões, Oliveira (2013, p. 466) afirma que “as mudan- ças organizacionais podem provocar uma série de efeitos sobre as pessoas e, com base nessa situação, pode-se ter o início de um processo de resistência a mudanças”. Essa per- cepção do autor reforça a ideia anterior de 175 Gestão da Mudança e Desenvolvimento Organizacional Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . que a mudança não é algo aceito de forma espontaneamente. E isso é natural. As pessoas têm medo do novo, daquilo que vá mexer com a dinâmica a qual estão acostumadas. Por esse motivo, a mudança precisa ser articulada de maneira precisa. Ainda para Oliveira (2013), a simples expectativa da mudança pode oca- sionar resistência nas pessoas, como também: ■ Não aceitar o que incomoda. ■ Ter a tendência de aceitar somente o que convém. ■ Desconfiança. ■ Insegurançapessoal. ■ Receio de perder os benefícios atuais. ■ Dependência de outra pessoa. ■ Necessidade de ser “do contra”. Ademais, o processo de mudança pode gerar três situações (efeitos) sobre o comportamento do indivíduo (OLIVEIRA, 2013). Esses efeitos, que são apre- sentados na figura a seguir, são: situação de aceitação, situação de alienação e situação de resistência. Mudanças Organizacionais Situação de Alienação Situação de Aceitação Situação de Resistência Grau de Poder Características Pessoais Efeitos Pessoais -Econômicos -Organizacionais -Sociais Figura 32: Efeito das mudanças sobre as pessoas Fonte: Oliveira (2013, p. 467). MANUAIS ADMINISTRATIVOS E DESENVOLVIMENTO ORGANIZACIONAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. V Analisando esses elementos, podemos pensar que não é possível superar a resis- tência à mudança e as suas caraterísticas. Mas, ainda para Oliveira (2013), existem alguns processos que podem ser desenvolvidos pelo gestor/administrador para auxiliar na redução da resistência às mudanças, que são: ■ Informar às pessoas sobre fatos, necessidades, objetivos e possíveis efei- tos da mudança. ■ Persuadir a respeito de fatores que levaram à decisão da mudança. ■ Solicitar colaboração no diagnóstico, na decisão e também no planejamento. Expostos esses conceitos sobre a mudança organizacional, vamos tratar agora da sua implementação. Ao longo de nossas discussões no nosso livro didático, você notou que falamos muito em planejamento, organização e controle de atividades? Pois é, essa é uma característica da atividade de OSM e, no caso da mudança, não é diferente. Por isso, falaremos agora da implementação da mudança por meio de projetos. De acordo com Araújo (2011), para o desenvolvi- mento de um programa de mudança, são apontados sete pontos de observação. O autor enfatiza que esses pontos não representam uma forma rígida de execu- tar a mudança, mas servem de orientação para a sua rea- lização. O analista de OSM pode adotar esses pontos, como também adaptá-los e/ ou inová-los de acordo com o contexto que está sendo modificado. Os pontos cita- dos pelo autor são: 177 Gestão da Mudança e Desenvolvimento Organizacional Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 1. Busca de contínuo suporte da alta administração. 2. Os responsáveis pela condução dos processos de mudança devem ter cons- ciência de que o próprio processo, por si só, já é uma mudança importante na estrutura social da organização. 3. Evitar expectativas de que a mudança será a solução para todos os pro- blemas identificados na organização, como o de desenvolver lealdade absoluta pela organização, aumentar o moral etc. 4. Importante saber o alcance dos diversos programas de mudança, pois é certo que nem tudo será atingido conforme previamente delimitado. 5. Gestores e gerentes devem estar conscientes de que não podem esperar por resultados plenos e imediatos. 6. Os objetivos da mudança devem ser congruentes com os valores sociais mais simples da organização. 7. Gestores e gerentes devem ter em mente a necessidade de controle per- manente e contínuo sobre o processo de mudança. Considerando essas discussões, percebemos que a mudança se torna fator pre- ponderante para o desenvolvimento organizacional (DO). Para implementar a mudança no ambiente organizacional, é necessário também mudar o “pensamento” das pessoas sobre a necessidade de mudar. Por diversas vezes, o gestor/administrador enfrenta situações pouco confor- táveis nesse contexto. Quais seriam as medidas necessárias para preparar adequadamente os indivíduos para os projetos de mudança? Fonte: a autora. MANUAIS ADMINISTRATIVOS E DESENVOLVIMENTO ORGANIZACIONAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. V DESENVOLVIMENTO ORGANIZACIONAL (DO) “A necessidade de estudar DO prende-se ao fato de o analista de sistemas, orga- nização e métodos ter de conhecer determinados instrumentos que possam minimizar os tipos básicos de resistência às mudanças” (OLIVEIRA, 2013, p. 448). Fiz questão de iniciar o assunto com essa citação, já que, por meio dela, compreendemos a importância de se estudar o DO. O DO se constitui em um panorama de análise do gestor/administrador. Podemos dizer até mesmo que pode ser considerado uma filosofia de gestão. Quando uma organização tem o DO como parâmetro, os processos de mudança acontecem de maneira espontânea, pois a mudança já não é um problema a ser resolvido, mas sim um elemento que faz parte do todo organizacional. As pes- soas estão acostumadas com a mudança. De acordo com Robbins (2005), o DO compreende um conjunto de técnicas desenvolvido no intuito de entender, mudar e desenvolver a força de trabalho de uma organização, com a finalidade de melhorar os seus resultados, ou seja, aumentar a sua eficácia. Assim, o DO deve se pautar em valores democráticos e humanistas e enfati- zar o enfrentamento de problemas e conflitos entre os indivíduos que compõem os grupos de trabalho, como também os conflitos intergrupais. Devem ser enfati- zados nesse processo o conjunto de valores subjacentes, atribuindo, dessa forma, grande importância ao crescimento humano e organizacional (ROBBINS, 2005). Complementando o exposto, Chiavenato (2014) diz que DO diz respeito a uma abordagem moderna, democrática e variada ao desenvolvimento planejado das organizações. Para esse autor, o DO corresponde a uma soma entre os estu- dos do comportamento humano nas organizações com técnicas utilizáveis para tornar essas organizações mais eficientes. Além dos estudos sobre conflito abordados por Robbins (2005), de acordo com Chiavenato (2014), o DO deve levar em consideração as variáveis: ambiente, organização, grupo e indivíduo. Assim, o processo de desenvolvimento deve envolver os diversos cenários e elementos que compõem o todo organizacio- nal, já que somente dessa forma conseguirá se atingir os objetivos almejados. 179 Gestão da Mudança e Desenvolvimento Organizacional Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Segundo Oliveira (2013), o DO deve ter como base de sustentação alto nível de eficiência e eficácia nos processos da organização, objetivando aplicar o conhecimento da ciência do comportamento à remodelação dos processos de formação de grupos e das relações intergrupais. O autor destaca que, para ser concebido adequadamente, o DO parte de algumas premissas básicas, que são: ■ Há uma forma organizacional mais adequada a cada época vivida pela empresa. ■ A única forma de mudar uma organização é alterando a sua cultura. ■ É necessária conscientização social dos funcionários, para, assim, otimi- zar os resultados. Além disso, Oliveira (2013) afirma que o DO traz como características básicas: ■ Constitui-se em uma estratégia educacional que visa à mudança organi- zacional planejada. ■ As mudanças devem estar relacionadas com exigências ou necessidades da empresa, não das pessoas. ■ O agente de mudanças será o analista de OSM e, na maioria das vezes, não faz parte do quadro de funcionários. ■ Necessário alto nível de relacionamento, colaboração e respeito profis- sional entre o agente de mudança e as pessoas envolvidas no processo. ■ O agente de mudança deve ter clara e bem definida sua filosofia de atua- ção sobre o contexto analisado. Em termos de resultados alcançados pelo DO, apresentarei alguns dos que são apontados também por Oliveira (2013): ■ Desenvolvimento da competência interpessoal. ■ Mudança de valores das pessoas. ■ Desenvolvimento de crescente compreensão dentro dos grupos de tra- balho envolvidos. ■ Clima de aceitação e receptividade para o diagnóstico e a solução de problemas. ■ Criação de clima favorável para o estabelecimentode objetivos. MANUAIS ADMINISTRATIVOS E DESENVOLVIMENTO ORGANIZACIONAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. V ■ Clima de confiança, respeito e não manipulação entre chefes, colegas e subordinados. Oliveira (2013) aborda, ainda, as doenças empresariais e os seus principais sin- tomas, que podem ser observados no quadro apresentado a seguir: DOENÇAS SINTOMAS Econômicas • Retorno nulo ou irrisório sobre o capital investido. • Retorno baixo sobre o ativo total. Financeiras • Despesas financeiras elevadas. • Alta necessidade de capital de giro. • Alta influência de capital de terceiros. Técnicas • Alto nível de reclamações e devoluções de clientes. • Alta dependência tecnológica externa. Mercadológicas • Processo de distribuição inadequado. • Preços inadequados para os produtos vendidos. • Falta de competitividade no mercado. • Baixo retorno nas campanhas promocionais. Administrativas • Inadequada utilização de recursos disponíveis. • Trabalhos repetidos. Comportamentais • Falta de motivação. • Baixo nível de coesão. • Alto nível de atritos. • Alto nível de rejeição às mudanças. Quadro 12: Exemplos de doenças e sintomas empresariais Fonte: Oliveira (2013, p.459). Analisando o quadro apresentado, observamos que vários desses sintomas são frequentes nos ambientes organizacionais. Isso pode nos levar ao seguinte ques- tionamento: se são facilmente notados, por que não são devidamente tratados? É nesse momento, caro(a) acadêmico(a), que se desenvolve o importante papel do analista de OSM, que no processo de desenvolvimento organizacional deve, além de diagnosticar os sintomas, identificar causas das doenças e desenvolver planos de ação para que elas sejam superadas. Vamos, agora, ao último, mas não menos importante, tópico do nosso livro didático, que abordará algumas novas práticas e ferramentas de OSM. 181 Novos Desenhos e Ferramentas para OSM Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . NOVOS DESENHOS E FERRAMENTAS PARA OSM Neste último tópico, vamos falar sobre algumas das ferramentas contemporâ- neas para OSM. Vimos, ao longo do nosso livro didático, que a atividade de OSM é de suma importância para a organização. Dessa forma, gestores/administradores preci- sam estar preparados para identificar e escolher dentre as ferramentas e práticas existentes qual, ou quais, melhor se adapta a sua realidade organizacional. Além das estratégias que já foram mencionadas, tais como departamen- talização, gráficos de controle, estudo de arranjo físico, uso de manuais etc., é necessário buscar práticas diferenciadas, inovadoras, que venham dar suporte às decisões tomadas no ambiente organizacional e, consequentemente, otimi- zar os resultados e o valor do negócio. Ou seja, romper com velhos modelos, quebrar paradigmas. Segundo Araújo (2008), as organizações precisam saber lidar com o cená- rio de mudança do qual fazem parte, de forma a revisar parâmetros que regem os seus processos e métodos de trabalho. “A empresa moderna precisa de agili- dade para tornar-se mais responsiva às expectativas mutantes de seus clientes” (ARAÚJO, 2008, p. 60). MANUAIS ADMINISTRATIVOS E DESENVOLVIMENTO ORGANIZACIONAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. V Podemos observar, por meio dessa perspectiva, que a organização moderna precisa ter flexibilidade e utilizar ferramentas inovadoras, estratégicas, para enfrentar o seu dia a dia. É necessário que os gestores organizacionais atuem de maneira a promoverem um ambiente suscetível a mudança e preparado para ela. Assim sendo, falaremos, inicialmente, da arquitetura organizacional. ARQUITETURA ORGANIZACIONAL A arquitetura de uma organização diz res- peito ao modelo que representa o seu ciclo de vida. Para os autores Gurgel e Rodriguez (2014), a arquitetura organização diz respeito a forma pela qual o espaço organizacional é modelado, de modo a satisfazer aos objetivos da organização, como também às necessida- des e aspirações humanas. Assim, os autores destacam que está base- ada na distribuição de responsabilidade e de poder entre as pessoas dentro da organização e a explicitação do modo como esse poder flui nos canais de comu- nicação e espaços organizacionais. Ou seja, a arquitetura organizacional diz respeito aos possíveis caminhos do poder, presentes em cada etapa ou local da organização (GURGEL; RODRIGUEZ, 2014). Complementando, Araújo (2008, p. 99), diz que: A arquitetura organizacional surgiu como uma abordagem que prima pelo aperfeiçoamento do formato empresarial, procurando otimizar fa- tores considerados chaves como o próprio negócio da organização, as pessoas que o executam e as regras que o regem [...] visa à construção de projetos empresariais complexos, capazes de responder ao quadro de acirrada competitividade global dos primeiros tempos do século XXI. Notamos, assim, que, ao ter a visão da arquitetura organizacional, tem-se a pers- pectiva de inovação organizacional, pois as práticas existentes dentro da empresa estarão voltadas não somente à execução, mas, principalmente, à busca pela melhor maneira de realizá-las. 183 Novos Desenhos e Ferramentas para OSM Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Ainda para Araújo (2008), a arquitetura organizacional define a forma pela qual uma organização assume e cuida dos seus elementos constituintes. Esse conjunto de características direciona as ações dos executivos por meio da cria- ção de parâmetros que levam à tomada de decisão acertada. No que diz respeito ao objetivo da arquitetura organizacional, Gurgel e Rodriguez (2014) dizem que é identificar e apresentar os elementos organizacio- nais, na forma como se conectam, visando construir um macro elemento vivo e dinâmico, que, nesse caso, é a organização. Nesse sentido, alguns elementos que já tratamos em nossas discussões são os definidores da arquitetura organizacional, como: departamentalização, controle, poder e responsabilidade, comunicação e formalização. Ou seja, a arquitetura organizacional é o desenho da organização, considerando todos os seus elementos. O papel do gestor/administrador é tomar todos os elementos organizacio- nais, dar a eles um novo significado e promover a congruência organizacional. Para Araújo (2008, p. 103), “o modelo de congruência organizacional, que cons- titui um dos pilares da boa arquitetura organizacional, leva em consideração todas as características de um sistema [...]”. Isso quer dizer que organizações pautadas no modelo de congruência têm maior sinergia entre os elementos que a compõem e, principalmente, alcançam resultados mais otimizados. Araújo (2008) destaca que os elementos-chave que precisam ser congruentes em uma organização são: ■ Trabalho: atividade básica a que a organização se dedica e para o qual traça estratégias. ■ Pessoas: indivíduos que realizam as tarefas. ■ Organização formal: procedimentos e regras formais que determinam a estrutura organizacional. ■ Organização informal: comportamentos tácitos e elementos subjetivos que influenciam o funcionamento das organizações. De a acordo com a CTI, que é uma empresa especializada no segmento de Gestão Corporativa, ao buscar um nível ótimo de atuação, as empresas pre- cisam ter um conjunto de sete competências, os denominados “SETE Cs”, que são: confiança, compromisso, co-criação, conexão, comunicação, cele- bração e correção de rota e, por fim, cuidado. No link a seguir, são mencio- nadas as características de cada “C” exposto pela CTI: . Fonte: a autora. MANUAIS ADMINISTRATIVOS E DESENVOLVIMENTO ORGANIZACIONAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. V Aindaconsiderando os elementos que compõem a arquitetura organizacional, Araújo (2008) afirma que as organizações precisam criar sistemas de trabalho diferenciados. Dessa maneira, administradores/gestores precisam imaginar e descobrir formas alternativas de processar o trabalho dentro da organização. É nesse contexto que se situa o STAD. O STAD – Sistema de Trabalho de Alto Desempenho – é compreendido como uma metodologia nova que tem por intuito oferecer oportunidades de aperfei- çoamento que sejam extraordinárias para as organizações, que definam uma nova arquitetura organizacional, pautada nos elementos-chave tratados ante- riormente: trabalho, pessoas, organização formal e informal (ARAÚJO, 2008). Ainda para Araújo (2008), estão presentes nos STADs as seguintes características: ■ Ênfase na adequação entre todas as variáveis do desempenho empresa- rial como princípio primordial a ser respeitado. ■ Princípios específicos que guiam escolhas dos gestores organizacionais. ■ Medidas genéricas que servem de instrumental no trabalho de projeção organizacional. ■ Estilos diversos de projetos organizacionais, como equipes autônomas, hierarquias horizontais etc. Para a implantação do STAD, alguns princípios precisam ser seguidos, segundo Araújo (2008): 185 Novos Desenhos e Ferramentas para OSM Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . ■ Projeto focalizado no cliente e no ambiente. ■ Unidades com poder de decisão e autônomas. ■ Direção e metas claras. ■ Controle de variação na fonte. ■ Integração sociotécnica. ■ Fluxo de informação acessível. ■ Funções compartilhadas e enriquecidas pelo intercâmbio. ■ Práticas de recursos humanos que delegam poder. ■ Estrutura, processo e cultura que delegam poder. ■ Capacidade de reprojetar. Observamos, assim, prezado(a) aluno(a), que a metodologia de STAD pode tra- zer grandes benefícios à organização, principalmente no que diz respeito aos resultados alcançados. Mas, para adotar esse tipo de arquitetura organizacional, é necessário que a organização quebre velhos paradigmas, esteja aberta a novas concepções e reconheça a necessidade de inovar sempre. BENCHMARKING E EMPOWERMENT Neste nosso último momento de discussão, vamos tratar de duas ferramentas de muita importância para a gestão organizacional, que são: o benchmarking e o empowerment. Embora não sejam tão recentes, tais ferramentas são conside- radas práticas contemporâneas de gestão, utilizadas por organizações que têm uma perspectiva de gestão inovadora, que se volta à melhoria contínua. Iniciaremos falando sobre o benchmarking. Segundo Araújo (2008, p. 223), corresponde a “aprender com os outros o que eles fazem de melhor e por que fazem também, e, depois, tentar fazer melhor [...] ajuda no estabelecimento de objetivos e metas que conduzam a patamares extraordinários de qualidade”. MANUAIS ADMINISTRATIVOS E DESENVOLVIMENTO ORGANIZACIONAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. V Ou seja, o benchmarking corresponde a uma estratégia de observação utilizada pelos gesto- res e executivos organizacionais, para inovar metodologias de trabalho, produtos, serviços ou a organização como um todo, para, assim, aumentar a competitividade. É um processo de investigação e adaptação. Sabemos que cada organização tem o seu próprio contexto, a sua própria realidade e, assim sendo, muito do que se vê precisa ser adaptado, quando não superado, por aquele que “observa”. O autor Camp (1998) diz que o processo de benchmarking é visto como uma tecnologia e se inicia com o diagnóstico da empresa, avaliando as suas forças e fraquezas e comparando-as com as de empre- sas concorrentes e não concorrentes. Por meio da comparação, chega-se a um cenário com parâmetros de comparação que permitem a incorporação das melho- res práticas com base no próprio negócio e, também, nas empresas observadas. Assim, utilizando métricas que permitam mensurar e comparar variações de desempenho, podem ser estabelecidas metas (superiores) a serem atingidas, em busca de uma posição superior em relação ao concorrente (CAMP, 1998). Podemos dizer assim que a aplicação do benchmarking está relacionada à busca pela qualidade total nas organizações. O autor Camp (1998) identifica quatro tipos de benchmarking, que são: interno, competitivo, funcional e genérico. ■ Benchmarking interno: caracterizado pelo uso da ferramenta dentro da própria organização, departamentos, gerências, setores e unidades ope- racionais cujas práticas tenham se revelado melhores. ■ Benchmarking competitivo: tem como foco a investigação voltada para os concorrentes diretos dos produtos de uma empresa. ■ Benchmarking funcional: o intuito está em identificar líderes em fun- ções, quaisquer que sejam os ramos de atuação em que se encontram. ■ Benchmarking genérico: identifica o melhor em qualquer atividade ou lugar, não havendo, assim, limitações, busca-se o melhor. 187 Novos Desenhos e Ferramentas para OSM Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Vale destacar, ainda, conforme Camp (1998), que o benchmarking não se constitui em um “livro de receitas”, um programa, um modismo ou cópia a ser realizada. Como dito anteriormente, deve ser observado como uma tecnologia, uma fer- ramenta de gestão que objetive a melhora do desempenho e dos resultados da organização como um todo. Vamos falar, agora, sobre o empowerment. Também conhecido como “empo- deramento”, podemos dizer que, assim como o benchmarking, corresponde a uma estratégia de gestão utilizada pelas organizações, na qual o poder de tomada de decisão é distribuído na estrutura organizacional. Segundo Araújo (2011), o foco do empowerment está em fornecer mais capa- cidade decisória as pessoas que atuam na organização, de modo a aproveitar o capital intelectual de cada indivíduo. Dessa forma, para praticar o empowerment é necessário estabelecer critérios que viabilizem a sua eficácia. Compreendemos, assim, que o empowerment se constitui em uma estraté- gia de gestão que integra pessoas e organização. E, é claro, como tantas outras, precisa ser devidamente acompanhada e gerenciada, além de que, é necessário conhecer o contexto e a realidade organizacional para verificar a possiblidade de sua implementação. Complementando as nossas discussões, Gil (2014) afirma que o empower- ment, por se configurar em uma redução da dependência dos empregados em relação aos seus superiores e, consequentemente, ao controle individual sobre o trabalho que executam, representa um importante desafio para as organizações. Mas, ao mesmo tempo, o autor destaca que é uma ferramenta reconheci- damente eficaz quando o assunto é conferir qualidade ao trabalho executado. “[...] implica dotar os empregados de habilidades e de autoridade para tomar as decisões que tradicionalmente têm sido confiadas aos chefes” (GIL, 2014, p. 46). O empowerment é: “a criação ou fortalecimento do poder decisório nas mãos das pessoas da organização [...] conceder às pessoas oportunidades de participar ativamente do processo de tomada de decisão (e, também, decidirem)”, segundo Araújo (2008, p. 325). Ou seja, deve ser percebido como uma tecnologia a ser utilizada pelos gestores das organizações, tendo como elemento fundamental as pessoas, a sua criatividade e o seu comportamento. Assim, empowerment significa dar poder às pessoas que estão dentro da Gestão da qualidade Total É uma opção para a reorientação gerencial das organizações. Tem como pontos básicos: foco no cliente; trabalho em equipe, permeando toda a organização; decisões baseadas em fatos e dados; a busca constante da solução de problemas e da diminuição de erros. Valoriza o ser humano no âmbito das organizações, reconhecendo sua capacidade de resolverproble- mas no local e no momento em que ocorrem, e busca permanentemente a perfeição. Leia mais sobre essa abordagem de gestão acessando o link dis- ponível em: . Fonte: a autora. MANUAIS ADMINISTRATIVOS E DESENVOLVIMENTO ORGANIZACIONAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. V organização, no intuito de estimular e aproveitar melhor a sua criatividade e outras características individuais, além, é claro, de mantê-las ativamente engajadas com a arquitetura organizacio- nal. Assim, essa ferramenta busca: “parceria entre chefias e subordinados [...] viabili- zando o crescimento das pessoas e, por via de consequência, da organização” (ARAÚJO, 2008, p. 326). Outras práticas de gestão que merecem ser mencionadas, mesmo que breve- mente, são: o Open Book Management – Gestão com livro aberto – e a “Gestão e Organização Reversa”. As suas principais características são apresentadas no quadro a seguir: 189 Novos Desenhos e Ferramentas para OSM Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Open Book Mana- gement – Gestão com livro aberto Surgiu nos anos 1980 com Jack Stack. Estabelece total transparência no cotidiano da organização e nos dados contábeis-financeiros. Tem como premissa fazer com que as pessoas se sintam responsáveis pelo sucesso do negócio. Ajuda as pessoas a terem uma percepção diferenciada da organização. Condições críticas para aplicação: clima organizacional, tecnologia da informação, sistemas diferenciados de recompensa, disponibilização de números (dados) importantes. Não podem haver exceções. Não inclui “mais ou menos”, pois “é ou não é” totalmente aberta. Ainda causa “desconforto” em adotá-la. Gestão e Organiza- ção Reversa Constituída como uma tecnologia (ferramenta) ainda em formação. Foi concebida tendo como parâmetro a realidade organizacional brasileira. O foco do estudo organizacional está no fim do processo e não no seu início. Os resultados (mesmo que falhos) constituirão o início das análises. Não há diferença de quem não está diretamente envolvido com o problema. As informações sobre o processo acontecem na ordem reversa. Quadro 33: Outras tecnologias (ferramentas) para o profissional de OSM Fonte: adaptado de Araújo (2008). Essas duas tecnologias (ferramentas) apresentadas são, de acordo com Araújo (2008), desafios a serem transpostos pelos gestores das organizações brasileiras. Ainda são necessárias pesquisas sobre esses temas para que a sua clareza e acei- tação sejam maiores. O intuito de citá-las aqui, caro(a) acadêmico(a), foi justamente para que tenhamos a noção de que a atividade de OSM, mesmo tendo a sua origem em modelos tracionais de gestão, também deve ter o seu olhar no futuro. É neces- sário que o analista de OSM busque, além de estudar a organização e aplicar práticas existentes, desenvolver novas estratégias que atendam às necessidades existentes e possibilitem resultados otimizados. Dessa forma, encerramos as discussões do nosso livro didático sobre Organização, Sistemas e Métodos. Espero que os conteúdos aqui apresenta- dos tenham sido “energia” para o desenvolvimento do seu conhecimento como gestor/administrador. MANUAIS ADMINISTRATIVOS E DESENVOLVIMENTO ORGANIZACIONAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. V CONSIDERAÇÕES FINAIS Nesta última unidade, evidenciamos a importância de criar parâmetros e segui- -los adequadamente para o bom resultado organizacional. Assim, iniciamos falando sobre os manuais de organização. Tais manuais foram abordados como documentos que contêm normas, procedimentos, funções, atividades, políticas, objetivos, instruções e orienta- ções, etc., sobre a organização e a atividades. Mas, mesmo com essa riqueza de detalhes, as pessoas têm resistência em aceitá-los. Consideramos, assim, que a atuação do gestor/administrador é fundamental para a conscientização sobre a importância e uso de manuais. Falamos, também, sobre a mudança organizacional como toda e qualquer alteração necessária e existente na organização e, para que se obtenha sucesso, é necessário planejá-la adequadamente. Paralelamente ao processo de mudança, está o desenvolvimento organizacional (DO). O DO foi estudado como uma filosofia de gestão, um panorama de aná- lise do gestor/administrador. Isso porque, quando essa concepção é trabalhada dentro da organização, o processo de mudança tende a ser menos “doloroso”, ou seja, as pessoas estão mais adaptadas à necessidade de mudança e inovação. Por fim, mas não menos importante, tratamos de algumas tendências para OSM. Assim sendo, foram explicitadas características sobre arquitetura organiza- cional, benchmarking e empowerment. É importante que vejamos tais ferramentas como estratégias que vão auxiliar o analista de OSM no desenvolvimento de suas atividades. O meu intuito aqui foi levá-lo à reflexão e possibilidades de colocar em prá- tica esses pontos que se mostram tão importantes para fechar as discussões sobre a nossa disciplina de Organização, Sistema e Métodos. Espero ter alcançado tal feito. Mais uma vez, para reforçar o aprendizado sobre o conteúdo, vamos às ati- vidades de autoestudo. 191 1. Ao iniciar as discussões desta unidade, tratamos dos manuais de organização. Segundo Cury (2012, p. 427), “os manuais são documentos elaborados dentro de uma empresa com a finalidade de uniformizar os procedimentos que devem ser observados nas diversas áreas de atividades [...]”. Com base no que foi estudado sobre o assunto, esses manuais representam: a. Uma forma de engessar as atividades organizacionais. b. Mecanismos de controle e manipulação dos empregados. c. Rigidez e inflexibilidade no desenvolvimento das tarefas. d. Documentos de consulta, orientação e treinamento da organização. e. Um vínculo com o passado organizacional. 2. Vimos que a mudança organizacional é impulsionada pelas tecnologias de ges- tão de processos apresentadas ao longo dos estudos realizados sobre a área de OSM (ARAÚJO, 2011). Considerando essa concepção do autor e os pontos estu- dados sobre o assunto, analise as afirmativas a seguir: I. A aceitação da mudança pode se constituir em um problema, pois sugere alterações na organização e nem sempre as pessoas aceitam alterações facilmente. II. As mudanças na estrutura organizacional estão voltadas a compra de no- vos equipamentos, implementação de novos processos e redesenho do fluxo de trabalho. III. A resistência à mudança é algo natural, pois as pessoas têm medo do novo, daquilo que vá mexer com a dinâmica com a qual estão acostumadas. IV. No processo de mudança, os gestores devem cobrar as suas equipes de trabalho de maneira intensiva, assim, esperar por resultados plenos e ime- diatos. Está CORRETO somente o que se afirma em: a. I e III. b. II. c. II e IV. d. II e III. e. IV. 3. A arquitetura organizacional foi estudada com uma perspectiva sobre a qual o espaço organizacional é modelado e constituído. O seu foco está em satisfazer os objetivos da organização, como também as necessidades e aspirações huma- nas. Dessa forma, qual a importância da arquitetura organizacional? I. Ajuda a estabelecer os possíveis caminhos do poder, presentes em cada etapa ou local da organização. II. A partir dela, tem-se a perspectiva de inovação organizacional, pois se busca sempre a melhor maneira de desenvolver as práticas organizacio- nais. III. Representa o desenho da organização, considerando todos os seus ele- mentos. IV. É uma concepção que leva ao aperfeiçoamento dos elementos-chave da organização, que são: trabalho, pessoas, organização formal e informal. a. Estão corretas as afirmativas I e II, somente. b. Estão corretas as afirmativas II e III, somente. c. Estão corretas as afirmativas III e IV, somente.d. Estão corretas as afirmativas I e IV, somente. e. Todas as afirmativas estão corretas. 193 APLICAÇÃO DA GESTÃO REVERSA: UM ESTUDO DE CASO EM UMA EMPRESA DE REPARAÇÃO AUTOMOTIVA Autores: Mayara Almeida de Oliveira (UFS) Carlos Marcel da Costa Cardoso Góes (UFS) Isabelly Batista Costa Alves (UFS) Flavia Almeida Paes Barreto (UFS) Este artigo, caro(a) acadêmico(a), virá elucidar a aplicação da Gestão reversa como es- tratégia de estudo organizacional. Os autores apresentam aspectos relacionados a esse assunto, enfatizando a forma como é realizado o exame reverso dos processos, tendo como finalidade solucionar um problema específico. Para ilustrar o tema, foi realizado um estudo de caso em uma empresa de reparação automotiva, localizada em Aracaju/SE, no qual foram aplicados os princípios dessa me- todologia de gerenciamento para detecção das causas-raízes de uma falha na prestação do serviço. As discussões são iniciadas contextualizando a necessidade de as organizações de adap- tarem e buscarem práticas que as auxiliem, face as crescentes competições existentes no mercado. Fala-se da gestão reversa como diferente de outras abordagens que tratam de tecnologias de gestão organizacional. O estudo foi realizado em uma empresa localizada no Distrito Industrial de Aracaju, ca- pital sergipana, possuindo 4000 m² de área construída, com capacidade de atendimento de 300 carros por mês. Atualmente, conta com um quadro de 41 funcionários e emprega indiretamente cerca de 80 pessoas. Os resultados apontaram que a tecnologia de gestão reversa é uma possibilidade de abordagem para a resolução de problemas organizacionais e, dentre as suas principais vantagens, estão: a minimização da cadeia hierárquica, fornecendo agilidade ao proces- so decisório, a análise personalizada para cada problema e organização, a possibilidade do corpo funcional efetivamente envolvido no processo estudado, participar ativamen- te da tomada de decisões. Como desvantagem estão as incertezas relacionadas com sua utilização, por ainda ser uma ferramenta que decorre de maiores estudos. Para a leitura do artigo na íntegra acesse: . MATERIAL COMPLEMENTAR Gestão Organizacional: O Desafi o da Construção do Modelo. Antonio Tadeu Pegliuso, Rodolfo Cardoso, Thais Spiegel Editora: Saraiva. Sinopse: Este livro trata da busca da excelência na gestão das organizações, enfatizando a importância de cada organização adotar seu modelo de gestão organizacional. Além disso, discorre sobre como as organizações devem ajustar o ambiente de negócio, suas estratégias e os principais componentes da gestão - pessoas, arquitetura, rotinas e cultura. Cultura Organizacional por Marcelo Arantes – Vice-Presidente da Braskem Marcelo Arantes, VP de Pessoas e Organização da Braskem e cliente do Hay Group Brasil, fala sobre o poder da cultura e da arquitetura organizacional no desempenho de negócios da empresa. Confi ra o link disponível em: . Acesso em: 28 out. 2015. CONCLUSÃO 195 Estimado(a) acadêmico (a), chegamos ao final de nosso livro didático. Ao longo de nossos estudos, vimos diversos elementos que influenciam diretamen- te no contexto das organizações. Iniciamos as discussões de nosso livro de Organi- zação, Sistemas e Métodos tratando, na unidade I, sobre o gestor organizacional e a empresa contemporânea. Dessa forma, concluímos que, nos dias de hoje, as organi- zações perpassam e são influenciadas pelas mais diversas modificações do contexto que as envolve, sendo necessário que gestores organizacionais estudem e conhe- çam ferramentas que os auxiliem no controle e na condução das organizações e/ou departamentos pelos quais são responsáveis. Vimos, na unidade II, os gráficos de organização e controle e que eles são ferramen- tas essenciais para que as organizações funcionem adequadamente. Concluímos, assim, a extrema importância dos organogramas, fluxogramas, formulários e outras ferramentas de controle, como o lotacionograma. Nas unidades III e IV, abordamos, sucessivamente, a importância de compreender a estrutura organizacional e o arranjo físico da organização, sendo necessário, para isso, conhecer e explorar elementos, como o organograma, layout e quadros de dis- tribuição do trabalho (QDT). É essencial reforçar que tais elementos foram estuda- dos como instrumentos que auxiliam o gestor no desenvolvimento de seu trabalho. Por fim, concluímos com a unidade V, na qual foi tratado sobre os manuais admi- nistrativos, mudança e desenvolvimento organizacional, bem como as novas fer- ramentas para OSM. Essa é uma área que instrumentaliza gestores a organizarem as suas atividades de forma estruturada e exercendo controle sobre os resultados. Assim, espero ter contribuído para o seu desenvolvimento pessoal e profissional. Continue estudando e se desenvolvendo. Sucesso em sua jornada! CONCLUSÃO REFERÊNCIAS 197 ARAÚJO, L. C. G. Organização, Sistemas e Métodos e as tecnologias de Gestão orga- nizacional: Volume 2. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2008. ARAÚJO, L. C. G. Organização, Sistemas e Métodos e as tecnologias de Gestão orga- nizacional: arquitetura organizacional, benchmarking, empowerment, gestão pela qualidade total, reengenharia. Volume 1. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2011. CAMP, R. C. Benchmarking: identificando, analisando e adaptando as melhores prá- ticas que levam à maximização da performance empresarial: o caminho da qualida- de total. 3. ed. São Paulo: Pioneira, 1998. CHIAVENATO, I. Introdução a teoria geral da administração: Edição compacta. 4. ed. São Paulo: Manole, 2014. CHINELATO FILHO, J. O&M Integrado à informática: uma obra de alto impacto na modernidade das organizações. 14. ed. São Paulo: LTC, 2011. CURY, A. Organização e métodos: uma visão holística. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2012. CRUZ, T. Sistemas, organização & métodos: estudo integrado orientado a processos de negócio sobre organizações e tecnologias da informação. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2013. DAFT, R. Organizações: teorias e projetos. 11. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2015. D´ASCENÇÃO, L. C. M. Organização, sistemas e métodos. São Paulo: Atlas, 2007. GIL, A. C. Gestão de pessoas: um enfoque nos papéis profissionais. São Paulo: Atlas, 2014. GONÇALVEZ, J. E. L. As empresas são grandes coleções de processos. REA – Revista de Administração de Empresa. São Paulo: v. 40, n.1, p. 6-19, jan./mar. 2000. GURGEL, C.; RODRIGUEZ, M. V. R. Administração: elementos essenciais para a gestão das organizações. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2014. LACOMBE, F. J. M. Recursos Humanos: princípio e tendências. 2. ed. São Paulo: Sa- raiva, 2011. LLATAS, M. V. OSM – organização, sistemas e métodos: uma visão contemporânea. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2011. MARRAS, J. P. Administração de Recursos Humanos: do operacional ao estratégico. São Paulo: Futura, 2000. MAXIMIANO, A. C. A. Introdução à administração. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2004. MENEZES, J. O.; MONTEIRO, A. S.; RODRIGUES, S. Análise e redesenho do layout de uma empresa: Estudo de caso de uma fundição de alumínio. In.: SIMPEP, 13., 2006, Bauru. Anais... Bauru, 2006. REFERÊNCIAS REFERÊNCIAS MOTTA, P. R. Gestão contemporânea: a ciência e a arte de ser dirigente. 13. ed. Rio de Janeiro: Record, 2002. OLIVEIRA, D. P. R. Sistemas, organização e métodos: uma abordagem gerencial. 21. ed. São Paulo: Atlas, 2013. OLIVEIRA, J. M. de; BITTENCOURT, J. A.; MOREIRA, S. A.; CHAGAS, P. C.; PINHEIRO, M. A. A Representatividade das Técnicas de Osm para o Desenvolvimento das Organi- zações. In.: SIMPÓSIO DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO E TECNOLOGIA – SEGeT, 8., 2011, Resende. Anais... Resende-RJ, 2011. ROBBINS, S. P. Administração: mudanças e perspectivas. São Paulo: Saraiva, 2005. SILVA, R. O. Teorias da administração. São Paulo: Thompson Learning, 2008. WANZELER, M. dos S.; FERREIRA, L. M. L.; SANTOS, Y. B. I. Padronização de processosse mostram importan- tes para o funcionamento das organizações. Segundo Maximiano (2004), esses componentes são: os objetivos, os recursos, os processos de transformação e a divisão do trabalho, que podem ser observados na figura 1: RECURSOS HUMANOS MATERIAIS FINANCEIROS INFORMAÇÃO ESPAÇO TEMPO PRODUTOS SERVIÇOS PROCESSOS DE TRANSFORMAÇÃO DIVISÃO DO TRABALHO OBJETIVOS Figura 1: Principais componentes das organizações Fonte: Maximiano (2004, p. 26). Esses componentes são caracterizados por Maximiano (2004) da seguinte forma: ■ Objetivos: toda organização precisa ter uma finalidade definida, seja no fornecimento de produtos ou de serviços a uma comunidade. Esses obje- tivos devem estar explícitos em sua estrutura. A missão, visão e os valores organizacionais representam o DNA de uma organização. Esses elementos auxiliam ainda na adaptação aos processos de mudança instaurados no contexto organizacional e, principalmente, aju- dam a organização a ganhar identidade perante a sociedade. O artigo que pode ser acessado no link a seguir fala sobre o assunto e traz exemplos de missão, visão e valores organizacionais. Saiba mais em: . Fonte: a autora. 21 Organizações, Administração e o Gestor Organizacional Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . ■ Recursos: as pessoas representam o principal recurso da organização e, para que desenvolvam as suas atividades adequadamente, precisam de recursos: materiais, que envolvem o espaço, instalações, máquinas, móveis e equipamentos, e intangíveis, como tempo e conhecimento. ■ Processos de transformação: representa a forma como a organização transforma os seus recursos para produzir os resultados, denominados processos organizacionais. ■ Divisão do trabalho: pessoas e/ou grupos específicos que realizam tarefas específicas, que contribuem para a realização dos objetivos previamente definidos. Analisando a figura apresentada e os seus componentes, notamos, ainda, a neces- sidade de que estes sejam administrados adequadamente para que os fins da organização sejam realmente atingidos. Sendo assim, falaremos, a seguir, sobre a administração nas organizações. O gestor organizacional e a administração nas organizações Para fundamentar as nossas discussões sobre esse assunto, utilizarei a visão de Maximiano (2004, p. 37-38) que diz: Nas organizações, os administradores ou gerentes são as pessoas responsá- veis pelo desempenho de outras pessoas, que formam sua equipe, e sobre essa equipe tem autoridade [...] o papel e o trabalho dos gerentes de organizações vêm sendo estudados há muito tempo e representam as principais fontes de conhe- cimentos sobre a arte de administrar. A partir dessa percepção do autor, notamos que a ação de administrar/geren- ciar uma organização acontece por meio da articulação adequada dos recursos para se atingir os fins definidos. Assim sendo, é necessário que aqueles responsá- veis por esse papel estejam devidamente informados e preparados para atuar no contexto organizacional. Logo, compreender os seus componentes, bem como o seu funcionamento, torna-se imprescindível. Sobre o trabalho gerencial, Motta (2002) afirma que ele é atípico, não se parece com nenhuma outra função ou profissão e tem desafiado a habilidade de muitos profissionais que se propõem a estudá-lo ou a exercê-lo. Isso porque a realidade administrativa das organizações não se constitui em uma estrutura O GESTOR ORGANIZACIONAL E A EMPRESA CONTEMPORÂNEA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. I racional, controlável e passível de ser uniformizada, mas sim em uma realidade que precisa ser “dominada”. Motta (2002) caracteriza, inclusive, a estrutura organizacional como passí- vel de uma realidade caótica. Essa visão do autor nos leva à necessidade de uma reflexão profunda sobre o papel de ser dirigente em uma organização, princi- palmente, por esse papel estar cada vez mais voltado para a tomada de decisão. Sabemos que as organizações são diferentes e, assim, cada uma delas exige formas de atuação também diferenciadas. Contudo, a eficácia na ação gerencial pode ser demonstrada por meio de alguns comportamentos típicos de gerentes em contextos organizacionais e, também, na identificação de algumas compe- tências essenciais para fazê-lo (MOTTA, 2002; MAXIMIANO, 2004). Maximiano (2004) subdivide as competências gerenciais em intelectuais e interpessoais, técnicas e intrapessoais. Vamos conhecer as suas características principais: ■ Competências intelectuais: as formas de raciocinar de todo gestor, utili- zadas para elaborar conceitos, fazer análises, planejar, definir estratégias e tomar decisões. ■ Competências interpessoais: utilizadas pelo gerente/administrador para liderar a sua equipe, trabalhar com seus pares, superiores e clientes, bem como relacionar-se com a sua rede de contados. Assim, a capacidade de comunicação tem importante papel. ■ Competências técnicas: abarca conhecimento no que diz respeito à ati- vidade específica do gerente/administrador, da equipe e da organização. São as competências específicas de cada profissão, no caso das pessoas, e de cada ramo de atividade e atuação, no caso de organizações. ■ Competência intrapessoal: capacidade de introspecção, ou seja, a capaci- dade de cada pessoa em fazer reflexão sobre si mesma, como: autoanálise, autocontrole, autoconhecimento, administração do próprio tempo etc. 23 Organizações, Administração e o Gestor Organizacional Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . COMPETÊNCIAS INTELECTUAIS As formas de raciocinar de todo gestor, utilizadas para elaborar conceitos, fazer análises, planejar, de�nir estratégias e tomar decisões. COMPETÊNCIAS INTERPESSOAIS Utilizadas pelo gerente/administrador para liderar a sua equipe, trabalhar com seus pares, superiores e clientes, bem como relacionar-se com a sua rede de contados. Assim a capacidade de comunicação detém importante papel. COMPETÊNCIAS TÉCNICAS Abarca conhecimento no que diz respeito à atividade especí- �ca do gerente/administrador, da equipe e da organização. São as competências especí�cas de cada pro�ssão no caso das pessoas, e de cada ramo de atividade e atuação, no caso de organizações. COMPETÊNCIA INTRAPESSOAL Capacidade de introspecção, ou seja, a capacidade de cada pessoa em fazer re�exão sobre si mesma, como: autoanálise, autocontrole, autoconhecimento, administração do próprio tempo, etc. O GESTOR ORGANIZACIONAL E A EMPRESA CONTEMPORÂNEA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. I Essas competências caracterizadas a partir de Maximiano (2004) delineiam um perfil “ideal” para os administradores/gestores organizacionais. Mas sabemos que os ambientes das organizações não são estáticos, como já falamos anteriormente. Sendo assim, o perfil delineado a partir das características apresentadas repre- senta uma forma de percepção de competências mínimas para atuar enquanto administrador/gerente, mas que pode mudar de acordo com cada contexto. Ainda como parte do conjunto de competências influenciadoras no com- portamento de um administrador/gestor na organização, vale acrescentar o conhecimento empírico, representado pelo conjunto de experiências pessoais e profissionais vivenciadas por cada profissional ao longo de sua vida. Motta (2002) aborda a impor- tância desse tipo de conhecimento, ao mencionar que nem todas as habilidades gerenciais podem ser sistematizadas e ensinadas, muitas pre- cisam ser conquistadas na experiência do dia a dia, enfrentando, inclusive, as contradições e mutações da contem- poraneidade. O que corrobora com a ideia de o conhecimentoem uma empresa do setor moveleiro: um estudo de caso. In.: ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO, 30., 2010. São Carlos. Anais... São Carlos, 2010. GABARITO 199 UNIDADE I 1. A. 2. E. 3. D. 4. C. UNIDADE II 1. E. 2. B. 3. A. UNIDADE III 1. A. 2. C. 3. E. UNIDADE IV 1. E. 2. D. 3. B. GABARITO UNIDADE V 1. D. 2. A. 3. E.empírico ser tão influenciador no comportamento individual de administradores/gesto- res organizacionais. “Ser dirigente é como reger uma orquestra, onde as partituras mudam a cada instante e os músicos têm liberdade para marcar seu próprio compas- so. A organização será melhor se seus dirigentes forem melhores”. Fonte: Motta (2002, p. 28). 25 Organizações, Administração e o Gestor Organizacional Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Destaco, caro(a) acadêmico(a), que as características do administrador/ gestor não se limitam as que foram apresentadas, pelo contrário, desdobram-se cada vez mais, principalmente no atual ambiente de mudança em que vivemos. Por esse motivo que, posteriormente, tratarei dos aspectos principais das teo- rias organizacionais, mas, antes disso, vamos entender um pouco mais sobre os estudos de OSM. A área de OSM e o contexto organizacional Para iniciarmos as nossas discussões, propo- nho-lhe uma reflexão: tratamos como O&M ou OSM? Essa é uma dúvida muitas vezes apresentada pelos acadêmicos, pois encon- tramos autores e pesquisadores da área que utilizam as duas nomenclaturas. Em seu surgimento, essa função era apre- sentada somente como O&M (Organização e Métodos), uma ferramenta utilizada para racionalizar os processos de trabalho com foco na produtividade e melhor estruturação organizacional. Posteriormente, com a instituição da visão sistêmica no escopo organizacional, acrescentou-se o termo “sistemas”, passando, então, para a nomen- clatura OSM (Organização, Sistemas e Métodos). Utilizarei o termo OSM em nossas discussões, visto que essas serão realizadas no intuito de fornecer subsídios para a análise organizacional na atualidade. O mais importante, caro(a) aluno(a), é que, em um contexto organizacional, OSM seja percebida enquanto ferramenta de suporte para os gestores organizacionais. O surgimento da área OSM foi fortemente influenciado pelos fatos que envol- viam o contexto organizacional e social, principalmente das grandes indústrias. O crescimento acelerado das organizações, que era impulsionado, inclusive, pelo aumento da população nas grandes cidades, exigia uma série de ações por parte dos gestores que antes não era requisitada. Assim, começaram a emergir problemas estruturais e identificação de falhas nos processos executados dentro das empresas, levando a consequências como O GESTOR ORGANIZACIONAL E A EMPRESA CONTEMPORÂNEA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. I desperdício de tempo e mão de obra, tarefas executadas equivocadamente, retra- balho e aumento de custos. Segundo Chinelato Filho (2011), o surgimento da área de OSM possibilitou equilíbrio entre os recursos humanos, materiais e tec- nológicos, assim, a promoção de resultados mais satisfatórios, como a redução de custos, harmonia entre os empregados, melhora na qualidade e produtivi- dade, por exemplo. Essas ações se justificam, de acordo com Chinelato Filho (2011), porque o surgimento de problemas de natureza complexa exigiu dos gestores organiza- cionais uma atenção especial para os processos internos, ou seja, mais revisão e controle das atividades do escopo organizacional. Era necessário criar ferra- mentas que possibilitassem o acompanhamento das atividades desenvolvidas na organização e, consequentemente, o controle sobre essas atividades. Complementando essa ideia, Araújo (2011) ressalta que OSM é uma ativi- dade de assessoria e aconselhamento dentro da organização e, ao cumprir esse papel, presta assistência aos administradores/gestores nos mais diversos aspec- tos que envolvem a organização, tendo como enfoque a eficiência do trabalho. Dessa forma, o órgão de OSM tem uma posição de staff e não de linha na estrutura organizacional, isso quer dizer que esse órgão não tem autoridade de “mandar” no contexto organizacional, mas sim de assessorar os gerentes de linha no exercício de sua função (ARAÚJO, 2011). Falaremos sobre isso de maneira específica posteriormente, mesmo assim, percebo como importante mencionar essa características do órgão de OSM nesse momento. Existem os casos, também, de não haver um órgão específico de OSM na organização, o que ocorre na maioria das vezes segundo Cury (2012), mas sim a presença de analistas de OSM em outros órgãos, como recursos humanos, suprimentos, serviços gerais etc. Esses analistas atuam, então, como assessores das atividades desenvolvidas e, em termos estruturais, são subordinados à alta cúpula da organização. 27 Organizações, Administração e o Gestor Organizacional Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Observamos, assim, que a área de OSM ou os profissionais que exercem essa função tornam-se responsáveis pela análise e delineamento das atividades orga- nizacionais, promovendo, dessa forma, uma visão sistêmica da organização (CRUZ, 2013). A visão sistêmica possibilitará melhor integração de departa- mentos e pessoas e, principalmente, a realização de um trabalho sincronizado para o alcance dos objetivos organizacionais. Considerando essa estruturação sistêmica da atividade de OSM, percebemos que os cenários de atuação desses profissionais são diversos, que atuam enquanto analistas organizacionais nas mais diversas perspectivas. Para Cury (2012, p. 138), o analista de OSM “numa organização complexa, poderá manipular indicadores tanto do cenário institucional como dos cenários dos processos organizacionais e do de processos e métodos de trabalho”. Os cenários de atuação e função do analista de OSM podem ser observados no quadro apresentado a seguir: Quem exerce a função de OSM, seja em um órgão específico ou enquanto profissional da organização, tem um papel de analista. Sendo assim, quais seriam as características técnicas e comportamentais requisitadas para o exercício adequado dessa função? Fonte: a autora. O GESTOR ORGANIZACIONAL E A EMPRESA CONTEMPORÂNEA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. I METODOLOGIA DE TRABALHO CENÁRIOS DE ATUAÇÃO PRINCIPAIS INDICADORES ORGANIZACIONAIS ANÁLISE ADMINISTRATIVA Institucional - Áreas de políticas e estratégias; - Elementos-chave que determinam respostas aos impactos ambientais; - Forças-chave dos ambientes: interno e externo; Processos organizacionais - Processo decisório; - Centralização x descentralização; - Relações gerenciais; - Cultura organizacional; - Burocracia x adhocracia; - Introdução de novas tecnologias; - Estrutura organizacional; - Enfoque sistema aberto. Processos & métodos de trabalho - Estudo de tempos e movimentos. - Análise e racionalização do trabalho; - Fluxogramas; - Projetos de layout; - Formulários: análise e delineamento; - Comunicações administrativas; - Quadros de distribuição do trabalho (QDT). Quadro 1: Cenários de atuação da função de OSM nas organizações. Fonte: adaptado de Cury (2012, p. 124). Com base no quadro, observamos as atividades que constituem a atuação de OSM, seja no caso de haver um órgão específico para essa função, como tam- bém enquanto analistas da organização. Perceba, caro(a) acadêmico(a), que a metodologia de trabalho, nos três cenários de atuação mencionados, é a análise administrativa, o que ratifica a importância da função de OSM para as organiza- ções, bem como a possibilidade desses estudos em todos os tipos de organização, independentemente do seu tamanho ou ramo de atividade. Ao longo de nosso livro didático, trataremos dos indicadores apresentados no quadro. 29 Organizações, Administração e o Gestor Organizacional Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . A partir de que momento os primeiros “trabalhos” de OSM começarama se estruturar no escopo organizacional? Quem foram os seus precursores? Para res- ponder a essas questões, temos de recorrer à historicidade da Administração, pois a gênese dos estudos de OSM está na constituição de uma teoria organizacional. Sob essa perspectiva, os estudos realizados por Taylor e Fayol, dos quais falaremos posteriormente, foram fundamentais. Segundo Silva (2008), os estu- dos e experimentos de Taylor possibilitaram: análise do trabalho, padronização das ferramentas, seleção e treinamento dos trabalhadores, supervisão e plane- jamento e pagamento por produção. Essas medidas foram fundamentais para sanar muitos dos problemas estrutu- rais da época e, observando os seus aspectos instrumentais, muito se assemelham as técnicas de OSM como formas de simplificação do trabalho, acompanhamento e controle das atividades. Mas os problemas identificados na época também eram estruturais, assim, os estudos e experimentos de Fayol se mostraram essenciais. De acordo com Araújo (2011), diferentemente de Taylor que tinha os seus estudos voltados para a linha de produção (chão de fábrica), Fayol voltava os seus estudos para a alta cúpula e focava a estrutura central e superior da organi- zação. A ação de administrar para Fayol envolvia: prever, organizar, comandar e controlar. Notamos, assim, a sua preocupação com a gestão da organização e, consequentemente, os primeiros sinais da importância do planejamento no con- texto organizacional. Sob essa perspectiva, podemos dizer, caro(a) acadêmico(a), que o surgimento dos estudos de OSM aconteceu paralelamente, se não conjuntamente, com os primeiros estudos da Administração, por meio dos trabalhos e das conclusões realizadas por Taylor e Fayol, institucionalizados durante a Escola Clássica. O que leva a concepção de que os comportamentos e características requisitados àqueles que estão à frente das organizações refletem o contexto organizacional e os modelos de gestão predominantes. É por esse motivo que, ao estudar sobre as atividades de OSM, é necessário tratar, mesmo que brevemente, sobre as teorias da administração, mencionando as suas características principais. O GESTOR ORGANIZACIONAL E A EMPRESA CONTEMPORÂNEA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. I TEORIAS DA ADMINISTRAÇÃO E SURGIMENTO DA ÁREA DE ORGANIZAÇÃO, SISTEMAS E MÉTODOS (OSM) Neste tópico, vamos tratar dos principais aspectos da teoria da administração, dando enfoque ao surgimento da área de OSM nas organizações. Conforme men- cionado anteriormente, os administradores/gestores têm as suas ações delineadas pelos estímulos do ambiente do qual a organização faz parte. Isso quer dizer, caro(a) acadêmico(a), que toda ação tem um “pano de fundo” que a orienta e, no das teorias da administração e surgimento da área de OSM, são as próprias transformações da sociedade e do mundo do trabalho. Vamos compreender essa perspectiva ao abordar, brevemente, a evolução do pensa- mento administrativo. Vamos lá! Evolução do pensamento administrativo A área de OSM diz respeito a uma área de estudo. Estudo de processos, de ati- vidades, de metodologias, utilizando, para isso, ferramentas que auxiliam na realização de diagnósticos organizacionais precisos e detalhados. Para isso, é necessário que administradores/gestores saibam analisar os contextos organiza- cionais estudados, identificando os modelos de gestão predominantes e as suas características. Ao tratar da evolução do pensamento administrativo, notamos que caracterís- ticas marcantes de outras épocas ainda estão presentes nos contextos das orga- nizações atuais e nem sempre podem ser analisadas como um retrocesso, mas sim como uma característica inerente àquele tipo específico de organização ou de seu ramo de atividade. 31 Teorias da Administração e Surgimento Da Área de Organização, Sistemas e Métodos (Osm) Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Por esse motivo, vamos considerar, em nossas discussões, algumas variá- veis fundamentais das teorias administrativas, visando elucidar os processos de análise dos contextos organizacionais. Para isso, serão apresentadas, a seguir, as principais características da: Escola Clássica, Escola de Relações Humanas, Abordagem estruturalista e Abordagem Contingencial. A Escola Clássica – início do século XX De acordo com Araújo (2011), a Escola Clássica foi a primeira tentativa de análise do fenômeno organizacional, tendo como figura marcante Frederick Winslow Taylor. Foi nesse período que se desenvolveu o denominado taylorismo, um conjunto de princípios fortemente marcados pela divi- são do trabalho e uso de uma metodologia de produção para fins de racionalização do trabalho e aumento da produtividade. Um ponto histórico bastante discutido por diversos autores é a preocupa- ção dos administradores/gestores da época com os seus processos de fabricação, já que o momento era fortemente marcado por transformações tecnológicas, econômicas e sociais. Assim, o taylorismo se manifestou como um processo de assimilar, sistematizar, disseminar formas de melhorar a produtividade por meio da racionalização do trabalho (MAXIMIANO, 2004). Nesse contexto de notável expansão da indústria, Henry Ford se destaca com a inovação da linha de montagem, como a figura que “elevou o mais alto grau dos princípios da produção em massa, que é a fabricação de produtos não diferenciados em grande quantidade: peças padronizadas e trabalhador espe- cializado” (MAXIMIANO, 2004, p. 56). O GESTOR ORGANIZACIONAL E A EMPRESA CONTEMPORÂNEA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. I Outra figura marcante desse período foi Henri Fayol, que contribuiu de maneira diferente de Taylor, voltando-se mais às atividades da organização, e não ao processo produtivo. Para Fayol, administrar uma organização envolvia as ativi- dades de prever, organizar, comandar, coordenar e controlar (ARAÚJO, 2011). Essas atividades são, posteriormente, constituintes das denominadas funções do administrador/gestor. Essa preocupação de Fayol com a organização foi expressa nos 14 Princípios da Administração elaborados por ele e apresentados no quadro a seguir, con- forme Araújo (2007): 14 PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO DE ACORDO COM FAYOL DIVISÃO DO TRABALHO Autoridade DISCIPLINA Unidade de comando UNIDADE DE DIREÇÃO Subordinação dos interesses particulares ao interesse geral REMUNERAÇÃO Centralização HIERARQUIA Ordem EQUIDADE Estabilidade do pessoal INICIATIVA União do pessoal Quadro 2: Princípios da Administração. Fonte: adaptado de Araújo (2011). Sobre as diferenças entre eficiência e eficácia. Eficácia indica o resultado, utilizado quando a organização realiza os seus objetivos. Eficiência indica o processo, ou seja, quando a organização utiliza produtivamente ou de ma- neira econômica os seus recursos. Fonte: Maximiano (2004, p. 32). 33 Teorias da Administração e Surgimento Da Área de Organização, Sistemas e Métodos (Osm) Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Em termos de contribuição para a função de OSM, o autor Araújo (2011) faz uma observação importante ao dizer que Fayol contribuiu para OSM no prisma estru- tura, enquanto Taylor, no prisma metodológico. Traduzindo, a sigla OSM seria: Organização = Fayol e Métodos = Taylor, a inclusão do termo “sistemas” ocorreu frente à própria evolução das organizações. Falaremos sobre isso posteriormente. Cury (2012) acentua que o movimento da Escola Clássica apresentava algu- mas doutrinas centrais, conforme segue: ■ Rígida separação entre política e administração. ■ Administração considerada como ciência para que seja aceita na sociedade. ■ Estudo da administração como forma para descoberta de princípios.■ Economia e eficiência como objetivos básicos da administração. Vimos, então, que, nesse período, a busca nas organizações era por uma melhor engenharia humana, ou seja, a racionalização da forma como o trabalho se con- cretizava para, assim, aumentar a produção (CURY, 2012). Nesse contexto, a Experiência de Hawthorne teve seu marco histórico, pois foi o “despertar” para elementos que iam além da estrutura organizacional e racionalização do traba- lho, os elementos subjetivos que constituíram a base para os princípios da Escola de Relações Humanas. O GESTOR ORGANIZACIONAL E A EMPRESA CONTEMPORÂNEA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. I A Escola de Relações Humanas Como vimos, caro(a) aluno(a), o marco inicial da Escola de Relações Humanas foi a experiência de Hawthorne. Segundo Maximiano (2004), a partir dos resul- tados não esperados do projeto, os pesquisadores, dentre os quais se destacou Elton Mayo, notaram que, além dos elementos físicos, havia outros elementos que influenciavam na produtividade. Assim, algumas conclusões importantes foram apreendidas: ■ O tipo de tratamento dispensado pela gerência aos trabalhadores influen- cia o seu desempenho. ■ O indivíduo é mais fiel ao grupo de traba- lho do que à organização, sendo assim, o sistema social formado pelos grupos deter- mina o resultado. ■ Os supervisores devem fazer papéis de inter- mediários entre indivíduos e administração superior, e não de capatazes. ■ É necessário considerar o enfoque com- portamental nas organizações, pois isso impactará, inclusive, nos resultados alcan- çados, ou seja, na produtividade. Experiência de Hawthorne Nasceu de um famoso experimento realizado em uma fábrica da Western Electric na cidade de Chicago no Estados Unidos, entre os anos de 1927 a 1933. Por meio desse experimento, percebeu-se que o desempenho das pessoas era determinado não somente pelos métodos do trabalho, como acontecia na administração científica, mas também por elementos com- portamentais, como o relacionamento com as chefias e com os grupos de trabalho. No link a seguir é possível conhecer mais sobre os trabalhos reali- zados durante este estudo: . Fonte: a autora. 35 Teorias da Administração e Surgimento Da Área de Organização, Sistemas e Métodos (Osm) Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Complementando as nossas discussões sobre o assunto, Araújo (2011) afirma que foi na Escola de Relações Humanas que se iniciaram os primeiros estudos sobre motivação humana. Nesse contexto, Mary Parker Follet desenvolveu as suas primeiras pesquisas acerca da motivação partindo de valores individuais e sociais, para ela, a ação administrativa deveria buscar a integração das pessoas e a coordenação de suas atividades. Percebemos, assim, que, durante esse período, houve uma mudança drástica quanto à forma de enxergar o contexto organizacional. E essa nova percepção está relacionada aos estudos de OSM, porque sempre que nos propomos a ana- lisar um ambiente organizacional é necessário considerar e compreender as suas características, as suas prioridades e os seus enfoques. Notamos, ainda, que, durante esse período, o enfoque antes dado à racio- nalização das atividades por meio de estudos de tempo e movimentos dos trabalhadores, bem como a supervisão direta e cronometrada para aumento da produtividade, passa a demonstrar sinais de fragilidade. Isso porque se chegava a um novo momento para a teoria administrativa, não eliminando os pressu- postos antes instituídos, mas revendo-os e adequando-os às novas necessidades. Vamos falar a seguir da abordagem estruturalista. A Abordagem Estruturalista Pode-se dizer, caro(a) acadêmico(a), que o estruturalismo representou a renova- ção dos postulados da Escola Clássica e das Relações Humanas. De acordo com Araújo (2011), essa abordagem estabeleceu variáveis da organização formal e informal para constituição do todo organizacional e contou com a contribuição de Max Weber rumo à organização burocrática das organizações. É importante enfatizar que a burocracia na abordagem estruturalista teve o seu sentido original como direcionador, indicando uma forma de organiza- ção que “se baseia na racionalidade das leis. A conotação negativa dos papéis e regulamentos tem sua origem nas disfunções das organizações burocráticas” (MAXIMIANO, 2004, p. 60). Assim, a burocracia com conotação negativa, caracterizada pelo excesso de papelório, regras e morosidade de processos de trabalho, não descreve a essên- cia do pensamento burocrático. Maximiano (2004) destaca que as ideias centrais O GESTOR ORGANIZACIONAL E A EMPRESA CONTEMPORÂNEA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. I de Weber se voltavam a constituir um tipo de administração burocrática, que possibilitasse o exercício da autoridade com continuidade, disciplina, rigor e confiança, obtendo, assim, a obediência. Percebemos, assim, que o contexto das organizações sempre foi influenciado pelo ambiente que as cerca. A abordagem dos sistemas abertos, explicitada na Teoria dos Sistemas, tam- bém faz parte da evolução do pensamento administrativo. Como essa abordagem está vinculada à própria evolução das atividades de OSM, optei por tratar sobre ela separadamente, conforme discussões apresentadas a seguir. Em muitos momentos, prezado(a) aluno (a), os estudos de OSM são vistos como “burocráticos” para muitos gestores organizacionais, sendo essa co- notação um reflexo da própria concepção da burocracia. Mas por que isso acontece? Se fizermos uma reflexão a respeito dos pressupostos do pen- samento burocrático de Weber, perceberemos que OSM é uma atividade estruturada, que exige disciplina e que se desenvolve considerando um contexto organizacional. O livro publicado pelo Conselho Federal de Administração traz a primeira versão traduzida em português do livro de Max Weber, que pode ser acessa- da no link a seguir: . Fonte: a autora. 37 Organizações Vistas como Sistemas Abertos Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . ORGANIZAÇÕES VISTAS COMO SISTEMAS ABERTOS Neste tópico, compreenderemos os “tais elementos” que influenciam na dinâmica organizacional, ou seja, no funcionamento das organizações. Quando vistas enquanto sistemas abertos, as organizações reconhecem as pressões que recebem de todas as partes e se estruturam para lidar com elas. Essa concepção de sistemas abertos é originária da Teoria dos Sistemas ideali- zada por Ludwig Von Bertalanffy, que teve como essência de pensamento “a ideia de elementos que interagem e formam conjuntos para realizar objeti- vos” (MAXIMIANO, 2004, p. 63). Sendo assim, a teoria dos sistemas explora as totalidades dos sistemas, utilizando-se de abordagens de natureza holística, generalistas e interdisciplinares. Enfoque sistêmico e organizações Observadas sob a ótica criteriosa do analisa de OSM, as organizações são per- cebidas e consideradas um conjunto integrado de atividades desenvolvidas por pessoas em uma estrutura específica, no intuito de atingir um objetivo previa- mente estabelecido. Mas essas atividades não acontecem ao acaso, já que nenhuma organização está “sozinha no universo”, mas sim influencia e é influenciada por outros sistemas (externos), como também por subsistemas (internos). Em outras palavras, o enfoque de sistemas procura desenvolver técnicas, pro- cedimentos e ferramentas que possam ser utilizados nos estudos de organizações complexas. Nesse sentido, para a análise organizacional baseada nessaconcep- ção, não se pode separar o todo das partes, visto que se faz necessário considerar as inter-relações entre as partes e com o todo (LLATAS, 2011; ARAÚJO, 2011). A autora LLatas (2011) ainda destaca que nas organizações existem sistemas menores, os chamados subsistemas, dentre os quais está o subsistema adminis- trativo. Para que possamos compreender melhor os componentes de um sistema, vamos observar as características apresentadas na figura a seguir: O GESTOR ORGANIZACIONAL E A EMPRESA CONTEMPORÂNEA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. I Processo de transformação Retroalimentação Entradas C on tr ol e e av al ia çã o Entropia Saídas Objetivos Figura 2: Componentes de um sistema Fonte: Oliveira (2013, p. 34). Analisando os componentes do sistema apresentados por Oliveira (2013) sob a ótica das organizações, é necessário que eles sejam observados da seguinte forma: ■ Objetivos representam a razão de existência do sistema, ou seja, a finali- dade para a qual foi criado. ■ Entradas são os insumos, ou seja, todo material, informação e energia para funcionamento do sistema. ■ Processo de transformação representa a maneira como os elementos do sistema interagem, ou seja, o seu funcionamento em busca de resultados. ■ Saídas são os resultados do processo de transformação, ou seja, os pro- dutos ou serviços finalizados. ■ Controle e avaliação constituem uma ferramenta de análise para saber se as saídas estão condizentes com os objetivos estabelecidos, a partir do estudo do desempenho do sistema. ■ Retroalimentação, que corresponde ao feedback do sistema, representando um instrumento de controle, visando reduzir ou eliminar discrepâncias no sistema. Ao observarmos as organizações como grandes sistemas, identificamos todos esses componentes. E, como estamos analisando as organizações como sistemas abertos, faz-se necessário considerar o ambiente que a cerca, os denominados 39 Organizações Vistas como Sistemas Abertos Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . stakeholders, que são: o mercado, a concorrência, os consumidores e os clien- tes, a comunidade, os sindicatos, o Governo, os fornecedores e todos os outros grupos que, de alguma forma, exercem pressão sobre a organização. É importante frisar que os stakeholders compõem o ambiente externo da organização e influenciam o desenvolvimento das atividades dela. Segundo Oliveira (2013), o analista de OSM precisa considerar três níveis na hierarquia dos sistemas: 1. O sistema: a organização que está estudando. 2. Os subsistemas: as partes que compõem o sistema. 3. O supersistema ou ecossistema: o todo, que abarca o meio ambiente no qual a organização se insere. Outro ponto ressaltado por Oliveira (2013) é o de que as organizações estão em permanente processo de troca de informações com o seu ambiente. Um processo de intercâmbio que envolve fluxos contínuos de entradas e saídas de matéria, energia e informações, que, havendo a adaptação da organização ao seu ambiente, caracteriza-se, então, o equilíbrio dinâmico. Sob essa perspectiva, complementa Oliveira (2013), para compreender o funcionamento da organização enquanto sistema aberto e a sua interação com o ambiente, o entendimento sobre dois conceitos da Teoria dos Sistemas se mos- tram importantes, que são: a equifinalidade e a entropia negativa. A equifinalidade determina que “um mesmo estado final pode ser alcançado, partindo de diferentes condições iniciais e por maneiras diferentes” (OLIVEIRA, 2013, p. 37). Do ponto de vista organizacional, isso quer dizer que é possível atingir um mesmo objetivo, partindo de perspectivas diferentes. Por exemplo, os subsistemas administrativos, cada qual tem o seu papel, mas o foco está no cumprimento das metas e alcance dos objetivos organizacionais. A entropia negativa “mostra o empenho dos sistemas em se organizarem para a sobrevivência, por meio de maior ordenação” (OLIVEIRA, 2013, p. 37). Como vimos, enquanto grande sistema, as organizações sofrem influências do seu meio ambiente, por ser um sistema, está fadada ao desgaste. Chamamos esse desgaste de entropia. Quando acontece a entropia negativa, quer dizer que o O GESTOR ORGANIZACIONAL E A EMPRESA CONTEMPORÂNEA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. I sistema “reagiu” ao desgaste, o “negou”, e reagiu às pressões exercidas sobre ele. Ou seja, o sistema teve capacidade de reordenação e adaptação à nova situação imposta pela mudança. Por exemplo, quando uma empresa precisa inovar a sua linha de produtos em decorrência de novos perfis de públicos consumidores. Vamos falar, na sequência, dos subsistemas administrativos e sistemas de infor- mações gerenciais. Subsistemas administrativos e sistemas de informações gerenciais (SIG’s) Como vimos, a organização é compreendida como um grande sistema que inte- rage com o seu meio ambiente. E, nesse sistema, estão contidos subsistemas, cada qual com as suas funcionalidades, e a interação entre eles determinar o funcio- namento da organização. Para Oliveira (2013), os subsistemas variam de organização para organi- zação, visto que possuem uma natureza diversa que está associada ao ramo de atividade, contribuindo para o alcance dos objetivos com a máxima eficiên- cia. Considerando o exposto, os subsistemas empresariais são classificados por Oliveira (2013) em principais, complementares e de apoio, que são caracteriza- dos no quadro a seguir: Aprendendo a usar o enfoque sistêmico Uma das ideias mais importante do moderno enfoque sistêmico é a noção de que a natureza dos sistemas é definida pelo observador. Para enfrentar a complexidade, é preciso ter a capacidade de entendê-la. Quem pretende utilizar o enfoque sistêmico deve aprender a enxergar sistemas e sua com- plexidade. Para enxergar sistemas, é preciso educar-se para perceber os ele- mentos da realidade como parte de sistemas. Fonte: Maximiano (2004, p. 66). 41 Organizações Vistas como Sistemas Abertos Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . SUBSISTEMAS ADMINISTRATIVOS PRINCIPAIS Subsistema técnico de produção e mercado- lógico. COMPLEMENTARES Subsistema contábil, financeiro e de recur- sos humanos. DE APOIO Subsistema de informática, de organização e métodos e jurídico. Quadro 3: Subsistemas administrativos Fonte: adaptado de Oliveira (2013). O quadro apresenta os subsistemas administrativos em sua natureza genérica. Como mencionado anteriormente, cada organização tem a sua realidade, então, a caracterização dos sistemas pode variar de organização para organização. Mesmo assim, por meio da subdivisão apresentada no quadro podemos visua- lizar o cenário organizacional sob a ótica de subsistemas. Outro ponto que vale mencionar sobre o quadro apresentado é que nele, denominados subsistemas, estão as grandes áreas da administração, o que nos leva a compreender o conceito de interação necessária para o funcionamento do sistema. Ou seja, sabemos que, para uma organização funcionar adequada- mente e alcançar os seus resultados, é necessário que os seus departamentos desenvolvam as suas atividades e, também, interajam entre si para atender as necessidades e objetivos da organização. É nessa perspectiva que falamos dos sistemas de informação. Os sistemas de informação têm como função transformar dados coletados em informações relevantes para um fim específico. Araújo (2011, p. 59) ressalta que o objetivo dos sistemas de informação é “apresentar os fluxos de informa- ção, estabelecendo vinculações com o processo decisório na organização e dado pleno suporte aos tantos gestores responsáveis pela gestão de processos”. Os fluxos de informações são úteis para as próprias unidades das quais se originam,como também para outras unidades, permitindo, assim, uma visão macrodinâmica do todo organizacional (ARAÚJO, 2011). Daí a percepção de integração dos subsistemas da organização. O GESTOR ORGANIZACIONAL E A EMPRESA CONTEMPORÂNEA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. I Os sistemas de informação gerenciais (SIG’s) podem ser vistos sob duas pers- pectivas: a primeira que leva em conta os aspectos organizacionais, humanos e tecnológicos de tais sistemas, no intuito de otimizar o seu uso; e a segunda, considerada mais específica, por identificar esses sistemas como instrumentos que auxiliam os gerentes de nível médio a consolidar dados rotineiros, gerando, assim, relatórios gerenciais (LLATAS, 2011). É importante mencionar ainda que os SIG´s têm diversos desdobramentos. A constituição de um sistema de informações gerenciais em uma organização deve levar em consideração as suas áreas funcionais e as relações interdepartamentais existentes. “O sistema de informações é representado pelo conjunto de subsiste- mas, visualizados de forma integrada e capazes de gerar informações necessárias ao processo decisório dos executivos das empresas” (OLIVEIRA, 2013, p. 57). Observamos, assim, que os SIG´s oferecem condições para a tomada de deci- sões nas organizações. Atualmente, existem softwares exclusivos para ramos de atividades, áreas funcionais específicas, como também personalizados de acordo com a organização. Mas a funcionalidade desses sistemas de informação não se limita ao uso adequado do software, mas sim, da visualização por parte do admi- nistrador/gestor, da organização enquanto grande sistema. Agora que conhecemos as principais características que envolvem a ativi- dade de OSM, vamos conhecer sobre a sua operacionalização no contexto das organizações. Assim sendo, será necessário compreender sobre o funcionamento da estrutura organizacional, ou seja, sobre os seus processos. Assunto que será abordado na próxima unidade. As pessoas e seus comportamentos são determinantes na eficiência e eficá- cia dos sistemas de informação, pois são eles que alimentam esses sistemas e utilizam a informação adequadamente no contexto organizacional. Como os administradores/gestores devem atuar para que os funcionários tenham consciência desse papel? Fonte: a autora. 43 Considerações Finais Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . CONSIDERAÇÕES FINAIS Foram evidenciados nesta primeira unidade aspectos que envolvem todo o pro- cesso de gestão de organizações, como também a atuação do administrador/ gestor nos cenários organizacionais. Trato como cenários, caro(a) acadêmico(a), pois, por meio das discussões propostas, você pôde compreender que as práti- cas de gestão não se voltam somente a contextos empresariais, mas a todo tipo de instituições constituídas com um fim específico. A evolução da teoria da administração, que foi mencionada, teve o intuito de promover reflexões acerca do “pano de fundo” que envolve as organizações. É necessário que administradores/gestores contemporâneos percebam que existe uma história por traz de métodos, práticas e processos que se desenvolvem e são implementados nos contextos organizacionais. Nessa perspectiva, foram abordados componentes influentes no processo de funcionamento das organizações, tais como: cultura organizacional, proces- sos de transformação de trabalho, uso dos recursos organizacionais etc. A partir das discussões realizadas, notamos a necessidade de esses componentes serem administrados adequadamente para que os fins da organização sejam realmente atingidos. Falamos, ainda, que as competências que envolvem a ação de administrar/ gerenciar uma organização acontecem por meio da articulação adequada dos recursos para se atingir os fins definidos, dando especial destaque ao papel do gestor. Assim, o trabalho gerencial foi abordado como atípico e diferente de qualquer outro exercido. A partir dessa necessidade, começamos a notar os pri- meiros resquícios da importância da área de OSM, como uma forma de alcançar equilíbrio entre os recursos organizacionais, alcançado, assim, melhoras na qua- lidade e produtividade. Para que essas discussões sejam vistas como subsídios importantes ao res- tante dos conteúdos trabalhados na disciplina, ao final, ressaltei a importância da visão sistêmica ao considerar a organização, trazendo a tona considerações sobre as empresas vistas como sistemas abertos, devendo o seu funcionamento estar sempre pautado na análise organizacional. O GESTOR ORGANIZACIONAL E A EMPRESA CONTEMPORÂNEA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. I Espero ter propiciado a você reflexões e indagações sobre o assunto, pois, é a partir dessas inquietações que se inicia todo o processo de formação do conheci- mento. Que tal, agora, as atividades de autoestudo para reforçar o aprendizado? Vamos a elas! 45 1. Considerando o que foi tratado sobre as organizações e seus componentes, ana- lise atentamente as afirmativas apresentadas a seguir: I. Dentre os papéis dos administradores/gestores na estrutura organizacional, está o de conduzir as pessoas adequadamente rumo aos objetivos definidos. II. Falamos em organizações como uma forma de caracterizar as empresas cons- tituídas com fim lucrativo, somente. III. Organizações são instituições formadas com um fim específico, que, para ser atingido, o conjunto de atividades precisa ser coordenado adequadamente. IV. São perspectivas sobre as quais são constituídas as organizações: tangíveis e intangíveis. V. A estrutura formal de uma organização se constitui de forma espontânea e improvisada por meio das relações interpessoais. VI. Na estrutura formal de uma organização está explícito o papel de cada um, sendo apresentada no organograma e demais manuais administrativos. Considerando V para verdadeiro e F para falso, as afirmações I, II, III, IV, V e VI são, respectivamente: a. V-F-V-V-F-V. b. F-F-F-V-V-V. c. V-V-F-F-V-V. d. F-V-F-V-F-V. e. V-V-V-F-F-F. 2. A cultura organizacional representa todo o conjunto de características que formam o “todo” organizacional, que podem ou não ser visualizadas. Sobre os aspectos implícitos da cultura organizacional, pode-se afirmar que: a. São os elementos que podem ser visualizados, representados pelos elementos da estrutura formal da empresa. b. São facilmente visualizados, já que são expostos nos manuais e regulamentos da empresa. c. Representam os elementos formais da empresa, representados graficamente pelo organograma. d. Representam um conjunto de características decorrentes do tipo de estrutura física que a empresa tem. e. São decorrentes da estrutura informal e constituídos a partir dos relaciona- mentos, definindo hábitos e atitudes dos membros da organização. 3. Sobre o surgimento da área de OSM, é INCORRETO afirmar: a. Foi impulsionado pela necessidade de otimizar as atividades desenvolvidas na estrutura organizacional. b. Teve influência dos fatos que envolviam o contexto organizacional, principal- mente as grandes indústrias. c. Foi reconhecida como órgão de OSM, tem uma posição de staff e não de linha na estrutura organizacional, d. Representou uma forma de solucionar os problemas de natureza complexa das organizações, por seu caráter de execução. e. Surgiu diante da necessidade de racionalizar os processos de trabalho com foco na produtividade. 47 4. A partir das concepções acerca da evolução do pensamento administrativo, chega-se a necessidade de enxergar as organizações enquanto sistemas aber- tos, o denominado enfoque sistêmico. Como é caracterizado o enfoque sistê- mico das organizações? Assinale a alternativa correta: I. Representa um conjunto fragmentado de atividades que, mesmo sendo de- senvolvidas em um mesmo espaço organizacional, tem as suas funcionalida-