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ORGANIZAÇÃO, SISTEMAS E MÉTODOS Prof. ME. MARINA HELENA PEREIRA VIEIRA Reitor Márcio Mesquita Serva Vice-reitora Profª. Regina Lúcia Ottaiano Losasso Serva Pró-Reitor Acadêmico Prof. José Roberto Marques de Castro Pró-reitora de Pesquisa, Pós-graduação e Ação Comunitária Profª. Drª. Fernanda Mesquita Serva Pró-reitor Administrativo Marco Antonio Teixeira Direção do Núcleo de Educação a Distância Paulo Pardo Edição de Arte, Diagramação, Design Gráfico B42 Design *Todos os gráficos, tabelas e esquemas são creditados à autoria, salvo quando indicada a referência. Informamos que é de inteira responsabilidade da autoria a emissão de conceitos. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida por qualquer meio ou forma sem autorização. A violação dos direitos autorais é crime estabelecido pela Lei n.º 9.610/98 e punido pelo artigo 184 do Código Penal. Universidade de Marília Avenida Hygino Muzzy Filho, 1001 CEP 17.525–902- Marília-SP Imagens, ícones e capa: ©envato, ©pexels, ©pixabay, ©Twenty20 e ©wikimedia G915b Sobrenome, Nome autor Titulo Disciplina [livro eletrônico] / Nome completo autor. - Marília: Unimar, 2020. PDF (XXX p.) : il. color. ISBN XXX-XX-XXXXX-XX-X 1. palavra 2. palavra 3. palavra 4. palavra 5. palavra 6. palavra 7. palavra 8. palavra I. Título. CDD – 610.6952017 006 Aula 01: 015 Aula 02: 021 Aula 03: 032 Aula 04: 042 Aula 05: 051 Aula 06: 059 Aula 07: 068 Aula 08: 078 Aula 09: 088 Aula 10: 098 Aula 11: 107 Aula 12: 115 Aula 13: 124 Aula 14: 133 Aula 15: 143 Aula 16: O contexto da Revolução Industrial Introdução à Organização, Sistemas e Métodos (OSM) Organização, Sistemas e Métodos (OSM): Definição e objetivos Sistemas Administrativos Sistemas de Informações Sistemas de Informações Gerenciais (SIG) Estrutura Organizacional Tipos de Estrutura Organizacional Hierarquia e Amplitude de Controle Liderança Comunicação Manuais Administrativos Balanced Scorecard (BSC) Análise SWOT Layout Benchmarking Introdução Caro aluno, Seja muito bem-vindo à disciplina de Organização, Sistemas e Métodos (OSM), da Universidade de Marília! Iniciaremos nosso livro abordando o contexto da Revolução Industrial para situar como as ferramentas de gerenciamento de processos tornaram-se tão relevantes para os estudos e para a prática organizacional. Dedicaremos algumas aulas para esclarecer o campo de atuação da OSM, seus objetivos, definições e aplicações, para que você possa compreender como as organizações buscam otimizar seus sistemas de gestão. Na mesma linha temática, estudaremos os sistemas administrativos e as estruturas organizacionais. Na sequência, apresentaremos a abordagem conceitual sobre os componentes e os elementos que fazem o delineamento da estrutura organizacional, como os sistemas administrativos, as formas de hierarquia e controle, a importância da liderança e formas de comunicação. Complementando a proposta do livro de fazer com que você se familiarize com o assunto, vamos apresentar algumas técnicas, procedimentos e ferramentas que auxiliam a área e os profissionais de OSM no estudo, levantamento de informações e na busca de melhores resultados organizacionais. Nesta disciplina, você também vai encontrar indicações de livros, sites, filmes e materiais que podem tornar o estudo mais interessante através de leituras, pesquisas e debates para enriquecer a sua aprendizagem. Certamente você terá uma identificação maior com alguma área, mas lembre-se que um bom profissional deve sempre ter um olhar sistêmico, ou seja, observar diferentes situações ao mesmo tempo. Os processos administrativos podem ter maior produtividade se estiverem adequadamente sistematizados e com informações disponibilizadas para auxiliar o processo de tomada de decisão, em todos os níveis. O objetivo dessa disciplina é prepará-lo para realizar esses procedimentos. 4 Para você, bom estudo e que essa disciplina possa contribuir para seu crescimento pessoal e profissional. Professora Marina Helena Pereira Vieira 5 01 O contexto da Revolução Industrial 6 Caro aluno, o aumento de produtividade é um fator chave para melhorar a competitividade de uma empresa, pois possibilita a produção de mais bens e amplia a oferta de serviços com menos recursos, simplesmente utilizando-os de forma mais inteligente. Por isso, é importante aprender a enxergar os elementos dos sistemas e as ferramentas adequadas que podem auxiliar no processo de melhoria de produtividade, de gestão e consequentemente, dos resultados da organização. Mas é importante lembrar que esse processo está inserido em um contexto histórico, no qual as transformações produtivas foram as precursoras do surgimento das diversas ferramentas que hoje conhecemos e embasam a estrutura de Organização, Sistemas e Métodos (OSM). Por isso, nesta primeira aula, retomaremos brevemente o surgimento das indústrias, com o advento das revoluções industriais, e a Administração Científica, que são fundamentais para a compreensão dos constructos teóricos dessa disciplina. A Revolução Industrial O século XVIII foi marcado pela primeira Revolução Industrial, caracterizada pela substituição da força muscular pela força mecânica e tendo como ícones as máquinas a vapor e os teares mecânicos. Também nessa época surgem as primeiras máquinas capazes de usinar metais em escala industrial, cujo princípio de funcionamento mecânico é semelhante ao que encontramos nas máquinas atuais (SILVA, 2017). No final do século XIX e início do século XX, a criação dos motores elétricos e à combustão, e a construção de ferrovias marcam o início da segunda Revolução Industrial. 7 Do ponto de vista dos meios de produção, as primeiras máquinas operatrizes concebidas durante a primeira Revolução Industrial possibilitaram a construção de máquinas maiores e com mais capacidade, e os motores elétricos passaram a substituir os motores a vapor como força motriz. Nessa época, também surgiram grandes mecanismos de manipulação e transferência automática de produtos entre as várias etapas de produção, chamados de linhas transfer, e que podem ser considerados os primeiros passos da automação das linhas de produção. Silva (2017) afirma que a sequência de produção nesse tipo de linha é fixa, e por isso esse modelo de automação é chamado de automação fixa, em oposição à automação flexível que surgiria posteriormente, durante a terceira Revolução Industrial. Do ponto de vista organizacional, os princípios da Administração Científica de Frederick Taylor impulsionaram a criação da linha de produção, na qual a especialização das estações de trabalho e os movimentos dos operadores eram de suma importância. Do ponto de vista social, os grandes fluxos migratórios de pessoas da zona rural para as cidades também marcaram a segunda Revolução Industrial. 8 É também importante destacar que toda a inovação tecnológica foi adotada não somente para promover maior eficácia da produção, mas também para realizar a dominação capitalista, à medida que as máquinas submeteram os trabalhadores a formas autoritárias de disciplina e a uma determinada hierarquia. 9 TEMPOS Modernos. Direção de Charles Chaplin. Acesse o link: Disponível aqui Para que você compreenda melhor o contexto desse período, indicamos o filme “Tempos Modernos”, de 1936 do cineasta britânico Charles Chaplin, em que o seu famoso personagem "O Vagabundo" (The Tramp) tenta sobreviver em meio ao mundo moderno e industrializado. O filme faz uma crítica à segunda Revolução Industrial e ao contexto social que se delineava nesse período. No filme, o personagem principal trabalha em uma fábrica em que os princípios do Taylorismo são aplicados de forma obsessiva. Os movimentos repetitivos e metas de produção crescentes levam o personagem a um colapso nervoso. O curioso é que quase um século após seu lançamento, a crítica ainda continua válida. 10 https://vimeo.com/46815391 O fim da Segunda Guerra Mundial é apontado, em muitas literaturas, como o fimda segunda Revolução Industrial. Nessa época, os conceitos de Administração Científica, a linha de produção de Henry Ford, as Teorias de Qualidade e Produtividade, e técnicas de amostragem de William E. Deming, já haviam evoluído bastante. Utilizando-se desses conceitos, Taiichi Ohno e Shigeo Shingo dão origem ao Sistema de Produção Toyota, que passa a ser chamado de Lean Manufacturing, ou Manufatura Enxuta, a partir de 1990, quando Womack, Jones e Roos criam esse termo em seu livro “A máquina que mudou o Mundo” (1990). A Manufatura Enxuta é um conceito de organização dos elementos da manufatura de forma a maximizar a eficiência dos processos, minimizar os desperdícios e concentrar os recursos em atividades que efetivamente gerem valor ao cliente. Muitas das ferramentas desenvolvidas nesse período serão tratadas com mais detalhes nessa disciplina. A segunda metade do século XX dá origem à terceira Revolução Industrial, cuja principal característica foi o uso de computadores para controlar máquinas e integrar processos. Uma das grandes mudanças desse período foi a integração dos computadores às máquinas operatrizes e o surgimento dos primeiros robôs industriais. 11 Computadores integrados à manufatura Fonte: Pexels. Surge, então, a automação flexível, que permite alterar a sequência de produção rapidamente com baixo custo, por meio de robôs, linhas programáveis, técnicas de engenharia e manufatura auxiliadas por computador (sistemas CAD/CAM), além de sistemas de controle e programação da produção (ERP, MES, CAPP). Em 2011, durante a feira de Hannover, foi cunhado o termo Indústria 4.0, referindo-se à quarta Revolução Industrial. Esse termo se refere a uma série de mudanças em curso na forma como as fábricas produzem bens, como trabalhamos e como nos comunicamos e nos relacionamos. O elemento marcante dessas alterações é a integração de tecnologias relacionadas a objetos (físico), informações (digital) e ao homem (biológico). A quarta revolução industrial, que terá um impacto mais profundo e exponencial, se caracteriza, por um conjunto de tecnologias que permitem a fusão do mundo físico, digital e biológico. Klaus Schwab, diretor e fundador do Fórum Econômico Mundial, diz que a Indústria 4.0 transformará fundamentalmente a forma como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos, portanto, é uma mudança de paradigma, não apenas mais uma etapa do desenvolvimento tecnológico. Certamente, diante dessa nova transformação, as relações humanas nas organizações sofrerão mutações que deverão ser analisadas a seu tempo (VIEIRA, 2020). 12 Diante dessas informações que você leu sobre alguns dos impactos gerados na sociedade pelas revoluções industriais e sobre a quarta Revolução Industrial que está sendo formatada atualmente, reflita: que impactos as novas tecnologias podem causar na sociedade e nos conhecimentos que você deve ter ao longo de sua carreira? Agora que retomamos o histórico e contexto das transformações que foram delineando a estrutura das indústrias e das atuais organizações, veremos na próxima aula como surgiu o conceito de Organização, Sistemas e Métodos (OSM) e a importância dessa disciplina na formação de gestores e no cotidiano das organizações. 13 Síntese da Revolução Industrial Fonte: Elaborado pela autora, 2020 Até breve! 14 02 Introdução à Organização, Sistemas e Métodos (OSM) 15 Prezado aluno, na aula anterior, nós vimos brevemente como as mudanças industriais transformaram o entendimento sobre a dinâmica das organizações. Com o crescimento da indústria, do mercado de consumo e da complexidade das empresas, foram surgindo problemas estruturais de difícil solução, desvios em relação aos objetivos previamente estabelecidos, além de defasagem de técnicas e processos. Esse contexto passou a exigir das organizações uma atitude de constante atenção aos seus processos e controle interno sem, contudo, deixar de lado os anseios da sociedade, que cada vez mais tem acesso a ações, estratégias e políticas das empresas das quais são consumidores. Esses fatores forçaram o surgimento de uma área de especialização entre as funções administrativas, chamada Organização, Sistemas e Métodos (OSM). Assim, podemos dizer que Organização, Sistemas e Métodos é uma área da administração que lida com um conjunto de técnicas que tem como objetivo principal aperfeiçoar o funcionamento das organizações. A função de Organização e Métodos é reconhecida pelas siglas O&M (Organização e Métodos); OSM (Organização, Sistemas e Métodos) e em algumas literaturas, por SO&M (Sistemas, Organização e Métodos), e ela será o assunto desta aula. Vamos lá? 16 Breve Histórico da OSM No decorrer da Era Industrial, estruturar uma organização era uma questão de colocar as coisas em ordem, definir os recursos necessários, as pessoas responsáveis, tarefas a serem executadas, relações de autoridade, responsabilidade, tomadas de decisão, etc.. Esses processos eram realizados no contexto da velha abordagem de O&M, que predominou até quase o final do século passado (CHIAVENATO, 2010). A finalidade central da área era garantir a estabilidade de características burocráticas da organização, como divisão do trabalho, especialização dos órgãos e pessoas, hierarquias, regras e regulamentos, formalização das comunicações e procedimentos sobre rotinas e tarefas. Segundo Curto-Junior (2011), a antiga área de Organização e Métodos envolvia mais o aconselhamento e era muito isolada. Havia pouca preocupação com “o que” fazer, e mais com o “como” fazer, a parte de formulários era excessiva e se limitava ao desenho dos fluxogramas. Contudo, na medida em que o mundo dos negócios ingressou na Era da Informação, as finalidades da velha O&M tornaram-se obsoletas. Tornavam-se necessárias novas configurações que possibilitassem uma formação mais participativa, flexível, incentivadora e humana às empresas. Assim, a O&M evoluiu e, como OSM, passou a ser orientada para o futuro, mais focada no cliente que na própria organização, mais totalizante, sistêmica, criativa e inovadora; e menos detalhista, conservadora e metódica. Portanto, a OSM pode ser considerada mais planejada na estratégia, procurando utilizar os melhores métodos para alcançar os objetivos da organização. Tem como finalidade auxiliar na elaboração e/ou melhoria dos procedimentos, e usa como ferramentas nesse processo: organogramas, formulários, fluxogramas, etc.. Assim, funciona como uma consultoria cujos objetivos principais são: eliminar o supérfluo, otimizar os recursos das empresas e maximizar os resultados (CURTO- JUNIOR, 2011). 17 Diferenças entre antigo conceito de O&M e a nova OSM Fonte: Adaptado de Chiavenato (2010). A especialidade de OSM Segundo Chiavenato (2010), a área de OSM responde à incumbência de tornar a empresa cada vez mais ágil, flexível, adaptável e rápida nas suas atividades. Trata-se de uma área que está continuamente organizando e reorganizando a empresa, que por sua vez constitui uma entidade viva, dinâmica e com desenvolvimento contínuo. Esse é um caminho sem fim, no qual a criatividade e a inovação são ferramentas indispensáveis para enfrentar a competição global. A adaptabilidade e a flexibilidade organizacionais são os únicos meios capazes de garantir a renovação e revitalização das organizações e por trás desses processos, está a área de Organização, Sistemas e Métodos. Essa disciplina ou especialidade trata da definição e do arranjo das principais características de todos os processos nas organizações, na qual se integram três condições básicas: 1. Organização: refere-se à estruturação da empresa, à definição das suas áreas internas de atividade (departamentalização), à atuação de linha (órgãos diretamente relacionados com os objetivos organizacionais) e de staff (órgãos de assessoria e apoio interno aos órgãos de linha). Também se relaciona aos canais internos de informação, grau de centralização/ descentralização do processo decisório, etc.. Nesse contexto, a palavra organização significa o ato de organizar, estruturar,pôr em ordem, consolidar, atribuir autoridade 18 e responsabilidade, definir quem faz o quê e quais serão as tarefas relevantes e essenciais para o negócio. De forma mais abrangente, para Maximiano (2009), o termo organização é um sistema de recursos que procura realizar algum tipo de objetivo. O mesmo autor exemplifica da seguinte forma: [...] uma empresa organizada tem uma estrutura organizacional que identifica as responsabilidades, a autoridade e a comunicação entre as pessoas que nela trabalham. (MAXIMIANO, 2009 p.111) A partir dessas informações podemos perceber que começa a se desenhar uma estrutura com atribuição de tarefas e a necessidade da comunicação entre os indivíduos. Esse acontecimento é indispensável para o desempenho das funções em prol do resultado esperado e do controle das ações direcionadas para tomada de decisões. 2. Sistemas: Para Maximiano (2009) “sistema é um conjunto de partes ou elementos que formam um todo unitário ou complexo.” De forma um pouco mais completa, Oliveira (2005) define sistema como um conjunto de partes interagentes e interdependentes que conjuntamente formam um todo unitário com determinado objetivo e efetuam determinada função. De maneira geral, os sistemas são caracterizados pelo conjunto de ações que se completam entre si, de forma a produzir informações estruturadas para um determinado fim. A principal base de um sistema corresponde a: entrada, processamento e saída, que será melhor detalhada posteriormente. Os sistemas permitem a agilidade das operacionalizações e auxiliam na redução de desperdício. Isso pode ser traduzido em lucro e aumento da competitividade da organização. 3. Métodos: De acordo com Paz (2015) os métodos são técnicas integradas que traçam caminho lógico para realização de tarefas, definindo a melhor maneira de se fazer as coisas, no sentido de economizar tempo, esforço e recursos, e consequentemente melhorar a produtividade. 19 Nas organizações, podemos dizer que método é a forma utilizada para obter resultado através de determinado processo. O método é a busca do conhecimento de forma sistemática sob uma visão conceitual; poderíamos dizer que é o “como se faz algo”. Assim, a junção dessas três condições de OSM permite organizar, sistematizar e metodizar as atividades das organizações para que seus desafios internos possam ser enfrentados e transformados em padrões de excelência organizacional. Para dar continuidade ao assunto, na próxima aula aprenderemos as principais definições e conceitos de OSM, bem como seu processo de aplicação. Te encontro lá! Até breve! 20 03 Organização, Sistemas e Métodos (OSM): Definição e objetivos 21 Prezado aluno, na aula anterior nós vimos uma introdução à especialidade de OSM, que surgiu em resposta às demandas organizacionais, a partir das transformações que ocorreram no mercado e da necessidade de se adaptar rapidamente a elas. A literatura científica tem sido extensiva em apontar as diversas mudanças que ocorrem no mercado, na sociedade e que impactam nas organizações. Apesar das raízes históricas da O&M circundarem o início da Administração Científica – e perpassado as diversas teorias administrativas, evoluindo em seu conceito e aplicação – é muito útil às organizações até os dias de hoje, mesmo que com diferentes configurações. Essa nova configuração pulverizou a atual OSM – que era centrada em uma área definida, para muitos outros setores e processos – ampliando sua capacidade de atuação, e isso acontece devido ao surgimento de novas estruturas organizacionais - que serão tratadas mais adiante - que modelam as características empresariais e as novas exigências para seus profissionais. Por isso, é importante que você, como gestor, conheça a definição conceitual da disciplina, muito além das técnicas que devem ser aplicadas. Isso porque, ao compreender o contexto teórico que envolve uma área de conhecimento, o profissional tem mais chances de encontrar soluções para problemas práticos que surgem diariamente nas organizações. Por esse motivo, esta aula é dedicada às definições teóricas mais populares na literatura, de forma a apresentar efetivamente o que é, qual o objetivo e o processo da OSM. Vamos lá? 22 Fonte: Wikimedia. Alvin Toffler, em seu livro “O Choque do Futuro”, de 1973, apresenta o termo “Ad-Hocracia”. Segundo o autor a sociedade do futuro será extremamente dinâmica e mutável. Em ambientes chamados de turbulentos as empresas precisam ser orgânicas, inovadoras, temporárias e, acima de tudo, nada burocráticas. A “Ad-Hocracia” caracteriza-se como o inverso da burocracia. Significa uma estrutura flexível capaz de amoldar-se contínua e rapidamente às condições ambientais em constante mutação. É uma estrutura organizacional que enfatiza a tomada de decisões descentralizada, poucos níveis administrativos, ausência de controles formais e poucas regras, políticas e procedimentos escritos. Essa organização que se agrupa e dissolve-se, que se modifica e altera-se a cada momento, faz com que as pessoas, em lugar de preencherem cargos ou posições fixas no organograma, passem rapidamente de um lugar para o 23 Fonte: TOFFLER, Alvin. O choque do futuro. Rio de Janeiro: Artenova, 1973. outro. A hierarquia tradicional dentro das empresas sofrerá um colapso, pois há a exigência de um maior número de informações dentro de um ritmo cada vez menor, o que inviabiliza a hierarquia vertical típica da burocracia. O autor salienta que o analfabeto do século XXI não será aquele que não souber ler ou escrever, mas aquele que não souber aprender a apreender, fato que se justifica mediante as constantes alterações do complexo e macro ambiente empresarial. Reflita e discuta com seus colegas: esse livro foi publicado no início da década de 70, quando já se visualizava uma ruptura com os tradicionais modelos hierárquicos de gestão. Observando as mudanças atuais, você acredita que seria possível uma empresa sem burocracia e sem controles formais? Como ela seria gerida? Quais características deve possuir? Definição de OSM Como já apresentado anteriormente, a disciplina ou especialidade que trata da definição e do arranjo das principais características de todos os processos nas organizações é denominada Organização, Sistemas e Métodos, uma área na qual se integram três condições básicas: sistemas, organizações e métodos. A OSM é uma especialidade da Administração que tem pouco mais de cem anos e remonta à Administração Científica. Ao longo do século XX, ela recebeu influência das diversas escolas de Administração até se tornar um modelo sistêmico e holístico que abrange todas as áreas e níveis da organização. Sua finalidade é estruturar, organizar, arranjar, integrar e coordenar as atividades a serem realizadas pela organização, a fim de facilitar o trabalho das pessoas envolvidas. Embora tenha sofrido muitas mutações ao longo dos anos, ela acompanhou paulatinamente as diferentes abordagens da administração, conforme pode ser observado no Quadro 1. 24 Quadro 1 – A influência dasabordagens administrativas sobre a OSM Fonte: Adaptado de Chiavenato, 2010. Abordagem da Administração Data aproximada Contribuição para OSM Administração Científica 1903 Método de trabalho, racionalização do trabalho, estudo de tempos e movimentos, princípios da administração. Teoria Clássica 1916 Processo administrativo (planejar, organizar, dirigir e controlar), princípios gerais da administração. Teoria Neoclássica 1957 Redefinição do processo administrativo e dos princípios de administração, tipos de organização, departamentalização. Teoria Humanística 1930 Organização informal, grupos sociais, dinâmica de grupo, motivação e liderança. Burocrática 1947 Características do modelo burocrático e disfunções da burocracia. Estruturalista 1950 Múltipla abordagem: análise intraorganizacional e ambiental. Comportamental 1957 Comportamento organizacional, motivação, estilos de gestão, padrões de liderança, incentivos, teoria da decisão. Sistêmica 1960 Conceito de sistemas e característicasde sistemas. Contingencial 1972 Relativismo na administração, análise ambiental, tecnologia. Complexa 2000 Teoria do caos da complexidade, competitividade, responsabilidade social, sustentabilidade. 25 A função da O&M baseava-se originalmente na abordagem estruturalista da administração, composta da Teoria da Burocracia de Weber. Mas com a ampliação do entendimento do seu escopo de atuação, observa-se que OSM é uma função derivada da Administração como um todo, e que acompanha de perto seus passos e toda sua evolução. Para Oliveira (2005), a responsabilidade básica da OSM é a de executar as atividades de levantamento, análise, elaboração e implementação de sistemas administrativos na empresa, criando ou aprimorando métodos de trabalho, agilizando a execução das atividades, eliminando atividades em duplicidade, padronizando, melhorando o controle, gerenciando os processos e solucionando problemas, também chamados de patologias organizacionais. Segundo Cury (2017) a função dessa área, que é uma das especializações de Administração, tem como objetivo a renovação organizacional e a remodelação da empresa, trabalhando sua estrutura (organograma), seus processos e métodos de trabalho administrativo, em busca da melhoria contínua. É uma ferramenta para a competitividade e que possui objetivos específicos, que veremos no próximo tópico. 26 Objetivos e atuação da OSM De forma generalista, a área de OSM cuida do desenvolvimento e melhoria dos processos organizacionais, executando as atividades de levantamento, análise, elaboração e implementação de sistemas administrativos na empresa. Para Oliveira (2005), o objetivo da OSM é o de criar ou aprimorar métodos de trabalho, agilizar a execução das atividades, eliminar atividades em duplicidade, padronizar, melhorar o controle, fazer o gerenciamento de processos e solucionar problemas. Muitos outros autores definem objetivos diversos nesse mesmo sentido. Uma das definições com o maior número de atributos foi proposta por Chiavenato (2010). Segundo o autor, com o intuito de transformar a atividade organizacional em um exemplo de excelência, a área de OSM tem os seguintes objetivos: 1. Organizar e reorganizar a atividade organizacional; 2. Metodizar e racionalizar a atividade organizacional; 3. Melhorar continuamente o trabalho organizacional; 4. Criar condições para utilizar adequadamente e otimizar o uso dos recursos da organização; 5. Promover a integração das atividades que compõem o trabalho organizacional; 6. Aumentar a eficiência e a eficácia organizacional e, consequentemente, aumentar a qualidade e a produtividade do trabalho; 7. Agregar valor ao negócio da empresa e às pessoas nele envolvidas; 8. Identificar os indicadores de desempenho da organização, de suas unidades e alavancar resultados. Assim, observa-se que a OSM procura sistemas racionais, que executem as várias tarefas da empresa dentro do parâmetro de produtividade e eficiência, garantindo assim, a execução, continuidade e segurança dos procedimentos e das informações envolvidas para gerar resultados corporativos. A OSM é usada no âmbito geral como uma função que diagnostica males/problemas administrativos e depois os cura/resolve. Uma das funções da OSM é diagnosticar problemas eminentes no processo administrativo (em sistemas já ativos) e depois consertá-lo, fazendo com que a empresa volte a operar em perfeita harmonia. 27 As atividades da área de OSM têm recebido um enriquecimento importante, com o advento da filosofia sistêmica, de um lado, e a expansão da informática, de outro, passando a abranger também o estudo das informações estratégicas e táticas utilizadas pela organização. A variedade, maior ou menor, dos trabalhos desenvolvidos pela área de OSM, vai depender do porte da empresa da complexidade do seu fluxo decisório, do processo produtivo utilizado, do produto final que é comercializado e do tamanho do mercado que é atingido. Deve ser ressaltado que, independente dessas variáveis, todo e qualquer estudo organizacional deve ser visto de forma sistêmica, devendo-se analisar as influências e dependências dos outros sistemas, suas implicações na conjuntura da empresa e seus reflexos gerais ante os recursos humanos, instalações e quaisquer outras alterações que mudem o contexto da instituição. Pode-se dizer que uma área de OSM atua desenvolvendo os trabalhos de: 1 - Estrutura organizacional Projetar a criação, união ou eliminação de unidades, bem como acompanhar a respectiva execução. Descrever e definir o objetivo e as funções de cada uma das unidades organizacionais. Divulgar, nos níveis competentes, os trabalhos desenvolvidos por OSM. Implantar, emitir e divulgar in loco os trabalhos desenvolvidos por OSM. Elaborar, emitir e divulgar as normas, regulamentos e manuais necessários. 2 - Racionalização do trabalho Definir a movimentação de documentos. Definir o fluxo de decisões dos sistemas. Elaborar e acompanhar os estudos dos sistemas e rotinas administrativas. Modificar os métodos de trabalho através da análise e criação de formas alternativas. Atualizar as técnicas administrativas e dos sistemas de trabalho. Definir os formulários e demais instrumentos que acompanhem e complementem as soluções operacionais, administrativas e funcionais adotadas. Fazer pesquisas sobre evoluções tecnológicas que possam ser utilizadas pela empresa em suas áreas. Desenvolver internamente novas opções tecnológicas. 28 3 - Desenvol�mento organizacional Estudar e definir os ciclos organizacionais. Analisar as alternativas de ação para promover a maturidade organizacional. Avaliar impactos ou desgastes provenientes das ações e dos ciclos. 4 - Controle de sistemas Análise de viabilidade econômica no desenvolvimento de sistemas. Elaboração de cronogramas físico/financeiro/pessoal para desenvolvimento. Avaliação de equipamentos, instrumentos e ferramentas à disposição. 5 - Sistemas de informação Análise e definição da amplitude dos níveis organizacionais contemplados. Definição e estruturação dos dados a nível operacional das informações transacionais. Definição e estruturação das atividades dos sistemas de informação para integração e planejamento das informações gerenciais. Definição e estruturação das informações visando proporcionar flexibilidade, adaptabilidade e respostas rápidas à tomada e ao apoio à decisão. 6 - Consultoria externa Acompanhamento e eventual participação nos contratos com consultores (ou analistas) externos. Controlar os serviços prestados por terceiros em sua área de atuação, qual seja OSM. Nota-se uma tendência atual no sentido de, cada vez mais, enriquecer a função da área de OSM, que deve ser compatível e acompanhar a evolução do meio ambiente onde a empresa se insere. 29 Processo de OSM Para sistematizar, organizar e metodizar os processos organizacionais, a OSM precisa estruturar sua ação considerando oportunidades, incertezas, possibilidades de melhorias, pessoas, entre outras variáveis relevantes. Resumidamente, o processo de OSM pode ser descrito pelas seguintes etapas (CHIAVENATO, 2010): 1. Ter uma visão ampla e generalizada da situação e priorizar a solução de problemas mais relevantes. 2. Definir corretamente o objeto de estudo, evitando ruídos e incertezas posteriores que podem afetar o rumo do trabalho. 3. Promover pesquisa preliminar, obtendo dados e informações que sejam significativos sobre o problema a ser analisado, a partir de manuais, organogramas, fluxogramas, relatórios administrativos, descrição de cargos, etc.. 4. Desenvolver um plano de trabalho com uma estimativa de duração do estudo e abordagem do problema. 5. Executar o plano de trabalho a partir da discussão e da análise das informações recebidas e da identificação dos principais problemas e necessidades. 6. Formular alternativas de ações possíveis para solucionar o problema, buscando o caminho mais adequado. 7. Implantar a solução escolhida, realizando a mudança e transformação proposta. Essa fase deve estar alinhada com as partes interessadas.8. Por fim, deve-se reavaliar a situação, verificando os pontos de melhorias e monitorando os resultados. Esse processo de OSM não é fixo e nem rígido, mas extremamente flexível e dinâmico. Algumas etapas podem ser omitidas, outras acrescentadas ou estendidas no sentido de aprofundar a análise ou buscar alternativas melhores. Além disso, a análise de OSM pode ser efetuada dos seguintes pontos de vista: Administrativo: avaliar o processo administrativo de planejar, organizar, dirigir e controlar, no sentido de introduzir melhorias, eliminar problemas, reduzir custos e agregar valor. Funcional: avaliar as atividades das várias áreas funcionais da empresa, como finanças, marketing, produção, RH, bem como suas interdependências, relações, etc.. Processual: avaliar o fluxo de trabalho existente, no sentido de eliminar desperdícios, tratar gargalos e restrições, aumentar a qualidade e a produtividade. Resultado: avaliar o desempenho em geral e os resultados alcançados no sentido de assegurar a excelência da empresa. 30 Agora que você conheceu mais detalhadamente os conceitos e a evolução da OSM, iniciaremos o aprendizado das teorias e técnicas que a compõe. Na próxima aula conheceremos mais a respeito de sistemas, suas definições e características. Até lá! 31 04 Sistemas Administrativos 32 Caro aluno, de forma muito simplificada, consideramos um sistema como um conjunto de componentes que se organizam para atingir determinado fim. Geralmente, seu processo se baseia em entrada, processamento e saída. Como exemplo, podemos pensar no sistema respiratório humano, que consiste em vários órgãos que funcionam como um todo para oxigenar o corpo ao inalar ar e exalar dióxido de carbono. Nesse sentido, a entrada seria o oxigênio presente no ar que respiramos, o processamento seria a troca gasosa (hematose) que supre a oxigenação do corpo humano, e a saída seria a expiração do gás carbônico produzido em nossas células durante o processo de obtenção de energia. Note que, apesar de parecer um processo relativamente simples, a respiração envolve pelo menos oito órgãos (fossas nasais, faringe/nasofaringe, laringe, traqueia, brônquios, bronquíolos, alvéolos e pulmões) e uma série de processos bioquímicos fundamentais para a continuidade da vida. Só em nosso próprio corpo, temos diversos sistemas (nervoso, digestivo, reprodutor, etc..) e em alguns deles, nossas ações voluntárias tem grande interferência, como horas dedicadas ao sono, alimentação, exercícios, entre muitas outras coisas. Isso significa que conhecer o funcionamento dos nossos sistemas internos nos ajuda a tomar decisões que podem gerar benefícios para nossa saúde. Quando partimos para o ambiente externo, mais propriamente para o ambiente organizacional, temos um contexto semelhante, no qual quanto mais conhecemos os sistemas organizacionais, mais decisões assertivas podemos tomar como gestor. Toda empresa pode ser entendida como um sistema social, porque é constituída por pessoas que interagem entre si para alcançar resultados organizacionais; e aberto, porque interage continuamente com o ambiente ao seu redor. Por isso, a área de OSM se interessa em analisar e oferecer consultoria e assessoria à empresa por meio de uma abordagem sistêmica e holística, focalizando os fenômenos organizacionais. Portanto, na aula de hoje aprofundaremos um pouco mais o entendimento sobre sistemas, focando os aspectos organizacionais e administrativos. Vamos lá? 33 Fonte: Dicionários de significados, disponível em: https://bit.ly/3kOsUlh. Acesso em: 15 ago. 2020. Holístico (ou holista) é um adjetivo que classifica alguma coisa relacionada com o holismo, ou seja, que procura compreender os fenômenos na sua totalidade e globalidade. A palavra holística vem do termo holos, que em grego significa "todo" ou "inteiro". O holismo é um conceito criado por Jan Christiaan Smuts, em 1926, que o descreveu como a "tendência da natureza de usar a evolução criativa para formar um "todo" que é maior do que a soma das suas partes". Sistemas A palavra Sistema vem do grego sistemis, que significa combinar, ajustar, formar um conjunto. Pode ser conceituado como um conjunto de partes integradas que têm a finalidade comum de alcançar determinado objetivo. Segundo Chiavenato (2010), o sistema constitui uma rede de interações entre as partes a fim de alcançar objetivos específicos, e desse conceito resultam três características básicas: 1. Um conjunto de partes: todo sistema apresenta vários elementos – partes, entidades, componentes ou órgãos – em seu conjunto. Essas partes são denominadas subsistemas. 2. Partes integradas: os elementos que compõem o sistema estão inter- relacionados e interagem entre si. Existe uma relação de reciprocidade entre as partes que constituem um sistema. 3. Propósito comum de alcançar determinado objetivo: todo sistema existe para alcançar um ou mais objetivos e suas partes integrantes devem ajustar-se entre si para possibilitar o alcance do objetivo global do sistema. 34 Sobre o funcionamento dessas características, alguns conceitos devem ser considerados: Sinergia: é a resultante do esforço coordenado de vários órgãos ou elementos na realização de uma função ou objetivo, sendo, portanto, a associação simultânea de vários fatores que contribuem para uma ação coordenada em prol dos resultados. Entropia: a entropia é a terceira lei da termodinâmica e refere-se à perda de energia em sistemas isolados, levando-os à degradação, à desintegração e ao seu desaparecimento. No contexto organizacional, podemos dizer que entropia significa que as partes do sistema perdem sua integração e comunicação, e a organização vai se reduzindo a formas mais simples e rudimentares de indivíduos e de grupos. Daí surge o conceito de Entropia Negativa, no sentido de evitar essa degradação ou Negentropia, isto é, a capacidade de reverter o processo, proporcionando integração e organização do sistema, geralmente por meio da comunicação e interação. Equifinalidade: um mesmo estado final pode ser alcançado partindo de diferentes condições iniciais e por diferentes maneiras/caminhos. 35 Componentes de um sistema De forma mais abrangente, os componentes básicos dos sistemas são: 1) Objetivo: é a razão da existência do sistema, isto é, a finalidade para a qual o sistema foi criado. 2) Entradas do sistema: as forças que fornecem ao sistema o material, a informação e a energia para a operação ou processo, o qual gerará determinadas saídas sintonizadas com os objetivos estabelecidos. 3) Processamento: é a parte do sistema que transforma, processa ou converte as entradas, produzindo resultados ou produtos. 4) Saídas do sistema: correspondem aos resultados do processo de transformação. As saídas podem ser definidas como as finalidades para as quais se uniram objetivos, atributos e relações dos sistemas. 5) Controles e avaliações do sistema: verificam se as saídas estão coerentes com os objetivos estabelecidos. Para realizar o controle e avaliação, é necessária uma medida de desempenho. 6) Retroalimentação, ou realimentação ou feedback do sistema: é um processo de comunicação que reage a cada entrada de informação, é um instrumento de regulação retroativa ou de controle. Pode ser positivo: quando a ação de saída é estimuladora de continuidade no processou ou negativo, quando a ação de saída é inibidora. A esquematização de um sistema pode ser vista na Figura 1: 36 Figura 1 – Elementos componentes de um sistema Fonte: Adaptado de Oliveira, 2007. Figura 2 - Síntese da diferença de eficiência e eficácia Fonte: Elaborada pela autora, 2020. A partir desses componentes, pode-se avaliar o funcionamento de um sistema. Na linguagem sistêmica, a eficiência de de um sistema é o quociente de saída sobre a entrada, isto é, a quantidade de saída por unidade de entrada. A eficácia, por outro lado, é a relação entre a saída e o alcance do objetivo do sistema, isso é, quanto mais o resultado contribuir para o alcance do objetivo, mais eficaz será osistema. Uma síntese desses conceitos pode ser vista na Figura 2. 37 Acesso em: 16 de ago. 2020. Para compreender melhor o conceito de eficiência e eficácia, recomendo a leitura de um artigo clássico, indexado no Instituto Universitário de Lisboa, com acesso aberto. Apesar de ter sido publicado há alguns anos, contém conceitos fundamentais de como a Teoria das Organizações explica a eficiência e eficácia: ROBALO, António. Eficácia e eficiência organizacionais. Revista Portuguesa de Gestão. Lisboa, [s/n], 105-116, 1995. Disponível em: https://bityli.com/DKRUS. Acesso em: 16 de ago. 2020. Uma leitura mais atualizada que, além de definir os termos, propõe um modelo quantitativo de aplicação, pode ser encontrado em uma revista nacional da Universidade de Santa Maria: PINTO, Nelson Guilherme Machado; CORONEL, Daniel Arruda. Eficiência e eficácia na administração: proposição de modelos quantitativos. Revista Unemat de Contabilidade, v. 6, n. 11, 107-130, 2017. Disponível em: https://bityli.com/bqq43. Classificação de um sistema Há várias maneiras de se classificar os tipos de sistema, as mais utilizadas no contexto organizacional levam em conta sua constituição, relacionamento com o meio, influência, etc.. Para apresentar as principais definições, uma síntese pode ser observada, no Quadro 2. 38 https://bityli.com/DKRUS https://bityli.com/bqq43 Quadro 2 – Classificação dos sistemas CRITÉRIO TIPOS Quanto à sua constituição Sistemas Físicos ou Concretos (Hardware): composto por elementos palpáveis, como equipamentos, máquinas, objetos e coisas reais. Sistemas Abstratos ou Conceituais (Software): composto por elementos intangíveis, como conceitos, filosofias, planos, ideias. Sistema Isolado: aquele que não troca matéria e nem energia com o ambiente externo, sendo delimitado por uma fronteira completamente restritiva. Quanto ao seu relacionamento com o ambiente Sistemas Abertos ou Orgânicos: aquele cujos elementos (ou parte deles) têm intenso intercâmbio com o ambiente. Sistemas Fechados ou Mecânicos: aquele cujos elementos não têm interação com o ambiente ou quando essa interação é pouco significativa. Quanto à influência das mudanças do ambiente Sistema Estável: aquele cujas mudanças no ambiente resultam em nenhuma ou pouca variação significativa no sistema. Sistema Dinâmico: aquele cujos elementos são mais sensíveis às variações externas, que exigem rápida adaptação às mudanças. Quanto ao tempo de existência Sistema Permanente: aquele que perdura por longo tempo, com objetivos de longo prazo ou constantes. Sistema Temporário: possui um curto tempo de vida, objetivos imediatos, pontuais. 39 Fonte: Elaborado pela autora, a partir de Alvarães (2012). Quanto à estrutura Sistema Técnico (estrutural): é todo aquele agrupamento de recursos e componentes físicos e abstratos existentes na empresa. Sistema Social: relação, pessoas, comportamento, cultura e atitudes. Quanto à complexidade Sistema Simples: possui poucos elementos, relação entre eles é direta e descomplicada. Sistema Complexo: possui muitos elementos e suas interrelações são múltiplas e complexas. Ambiente do sistema A estrutura de sistemas abertos é formada pelo seu intercâmbio com o ambiente. As organizações empresariais interagem com a sociedade de maneira complexa e intensa e são consideradas como sistemas abertos em razão dessa interação. Nesse sentido, o ambiente é onde o sistema está inserido, de onde provêm as suas entradas e onde lança suas saídas. Esse ambiente está em mudança contínua e força a organização a ter um processo de adaptação dinâmico, tanto para as ameaças quanto para as oportunidades. Padoveze (2003) propõe uma representação esquemática do ambiente da empresa como sistema aberto, conforme pode ser observado na Figura 3. 40 Figura 3 – Ambiente da empresa Fonte: Adaptado de Padoveze, 2003. O intercâmbio entre empresa e ambiente é constituído de fluxos contínuos de entradas e saídas de matéria, energia e/ou informações, caracterizando, dessa forma, o equilíbrio dinâmico, a partir da adaptação da empresa em relação a seu ambiente. Agora que você conhece mais profundamente o conceito de sistemas, podemos começar a tratar de alguns processos mais específicos. Assim, na próxima aula aprenderemos sobre os diversos Sistemas de Informações, que são fundamentais para o bom desempenho das organizações. Até logo! 41 05 Sistemas de Informações 42 Caro aluno, o ambiente empresarial está mudando continuamente, tornando-se mais complexo, menos previsível, e cada vez mais dependente de informações e de toda a infraestrutura tecnológica que permite o gerenciamento de enormes quantidades de dados. Assim, pode-se dizer que o sucesso de uma empresa depende, entre outras coisas, da qualidade dos seus sistemas de gestão do conhecimento e da informação. As transformações decorrentes do desenvolvimento tecnológico nas áreas de informação e comunicação afetaram significativamente a sociedade. Para acompanhar essas transformações, tanto as pessoas quanto as organizações têm procurado formas mais rápidas para se inserir nesse modelo atual de mercado. Na chamada Era da Informação, a tecnologia de informação e os sistemas de informação são grandes precursores e responsáveis pelo valor adicional às tomadas de decisões. Nesse sentido, esta aula tem por objetivo apresentar a importância dos sistemas de informações para a tomada de decisões nas organizações. Vamos nessa? Disponível em: Disponível aqui Para que você possa se aprofundar um pouco melhor no conceito da tecnologia da informação no contexto da Era da Informação, proponho a leitura do artigo: SILVA, Haydêe Maria Farias. A era digital: A criação de um novo mundo sob a influência tecnológica. Revista do Instituto de Desenvolvimento Econômico, Rural e Tecnológico Dados da Amazônia – IDAAM. Manaus, [s/n] 2019. 43 https://bityli.com/Y6TL5 Dados informação e conhecimento Para a formação dos sistemas e a consequente obtenção dos elementos fundamentais para a tomada de decisão é necessário compreender os conceitos de dados, informação e conhecimento. Dados: Os dados apresentam-se como elementos em sua forma bruta, os quais não podem por si só sustentar a estruturação necessária para tomada de ação. Os dados precisam passar por análise e transformações para se tornarem úteis (BAZZOTTI; GARCIA, 2006). Segundo Oliveira (2005), dado é qualquer elemento identificado em sua forma bruta que, por si só, não conduz a uma compreensão de determinado fato ou situação. Assim, para que essa compreensão ocorra, é necessário que os dados se transformem em informação. Informações: De acordo com Padoveze (2003), informação é o dado que foi processado e armazenado de forma compreensível para seu receptor e que apresenta valor real percebido para suas decisões correntes ou prospectivas. Para Oliveira (2005), a informação auxilia no processo decisório, pois quando devidamente estruturada é de crucial importância para a empresa, pois associa os diversos subsistemas e capacita a empresa a alcançar seus objetivos. O conceito de valor da informação está relacionado com: A redução da incerteza no processo de tomada de decisão. A relação do benefício gerado pela informação versus o custo de produzi-la. Aumento da qualidade da decisão. 44 Para medir o valor da informação o gestor deve dispor da informação de forma que ela reduza as incertezas encontradas no decorrer do processo decisório, e consequentemente, melhore a qualidade da decisão. Conhecimento: A base do conhecimento facilita reconhecer quais dados e informações são úteis para se atingir os objetivos traçados pela organização. Para Laudon e Laudon (2001), “conhecimento é o conjunto de ferramentas conceituais e categorias usadas pelos seres humanos para criar, colecionar, armazenar e compartilhar a informação”. As informações são, portanto, criadas a partir da transformação dos dados, através da aplicação do conhecimento humano. Resumo da diferença entre dados, informação e conhecimento Elaboradopela autora, 2020. Tecnologia da Informação (TI) O sucesso das empresas está vinculado à velocidade com que as informações são assimiladas e pela rapidez em que são tomadas as decisões. Os processos empresariais precisam ser dotados de confiabilidade, versatilidade, eficiência e 45 eficácia. Nesse sentido, a tecnologia de informação é utilizada para melhorar o desempenho das atividades da empresa, e por consequência, apoiar os processos empresariais. Os processos operacionais podem se tornar mais eficientes, e os processos gerenciais da empresa mais eficazes. Essas melhorias podem reduzir custos, melhorar a qualidade e o atendimento ao cliente e criar novos produtos e serviços (O’BRIEN, 2002). Conceitualmente, apresento três definições de autores da área: A tecnologia da informação surgiu da necessidade de se estabelecer estratégias e instrumentos de captação, organização, interpretação e uso das informações. (PEREIRA; FONSECA, 1997, p. 239) Um conjunto de métodos e ferramentas, mecanizadas ou não, que se propõe a garantir a qualidade e pontualidade das informações dentro da malha empresarial. (FOINA, 2001, p. 31) Tecnologia de Informação é todo e qualquer dispositivo que tenha a capacidade para tratar dados e/ou informações, tanto de forma sistêmica como esporádica, independentemente da maneira como é aplicada. (BATISTA, 2004, p. 59) Portanto, podemos concluir que a gestão estratégica das informações, resultante da Tecnologia da Informação é parte integrante de qualquer estrutura gerencial de sucesso. Pois, o uso adequado dos recursos da Tecnologia de Informação garante a qualidade e pontualidade das informações que são de vital importância para as empresas modernas. 46 Sistemas de informação A necessidade do Sistema de Informação (SI) nas empresas surgiu devido ao grande e crescente volume de informações que a organização possui. Com o Sistema de Informação estruturado à apresentação das informações, a empresa garante um grande diferencial em relação aos concorrentes, e os gestores podem tomar decisões mais rápidas e de fontes seguras. Segundo Gil (1999), os sistemas de informação compreendem um conjunto de recursos humanos, materiais, tecnológicos e financeiros agregados segundo uma sequência lógica para o processamento dos dados e a correspondente tradução em informações. Para Pereira e Fonseca (1997), os sistemas de informação são mecanismos de apoio à gestão, desenvolvidos com base na tecnologia de informação e com suporte da informática para atuar como condutores das informações que visam facilitar, agilizar e otimizar o processo decisório nas organizações. 47 De forma estruturada, os sistemas de informação dão condições para que as empresas reajam às mutações do mercado e se sintam alicerçadas por um processo decisório forte o suficiente para garantir a resolução dos problemas. Classificação dos sistemas de informação Os sistemas, do ponto de vista empresarial, podem ser classificados de acordo com a sua forma de utilização e o tipo de retorno dado ao processo de tomada de decisões. Segundo Bazzotti e Garcia (2006), essa classificação se define de acordo com contexto operacional ou gerencial, ou seja, Sistemas de Apoio às Operações e Sistema de Apoio Gerencial. Para melhorar a compreensão desses sistemas, observe o Quadro 3. 48 Quadro 3 – Síntese de classificação dos sistemas de informação: SISTEMA DEFINIÇÃO REFERÊNCIA Sistemas de Apoio às Operações Têm por principais metas processar transações, controlar processos industriais e atualizar banco de dados, fornecendo informações de âmbito interno. BAZZOTI; GARCIA (2006) Sistema de Processamento de Transações (SPT) Um sistema computadorizado que executa e registra as transações rotineiras e operacionais diárias necessárias para a condução dos negócios. LAUDON; LAUDON (2001) Sistemas de Informações e Tarefas Especializadas (SITE) São voltados a auxiliar o técnico na especialidade de alguma função ou atividade. Coloca à disposição informações capazes de guiar processos e auxiliar na tomada de decisão. PAZ (2015) Sistemas de Trabalho do Conhecimento e de Automação de Escritório (STC e SAE) Toda e qualquer tecnologia de informação que possui como objetivo principal aumentar a produtividade pessoal dos trabalhadores que manipulam as informações de escritório. BATISTA (2004) Sistema de Apoio Gerencial Quando os sistemas de informação se concentram em fornecer informação e apoio à tomada de decisão eficaz pelos gerentes, eles são chamados sistemas de apoio gerencial. O'BRIEN (2002) Sistema de Suporte da decisão (SSD) Os sistemas que possuem interatividade com as ações do usuário, oferecendo dados e modelos para a solução de problemas semiestruturados e focando a tomada de decisão. BATISTA (2004) 49 Fonte: Elaborado pela autora, a partir de Bazzotti e Garcia (2006) Sistema de Suporte Executivo (SSE) Dão suporte ao nível estratégico da empresa e ajudam a definir os objetivos a serem estabelecidos, utilizando-se de tecnologia avançada para a elaboração de gráficos e relatórios. BAZZOTI; GARCIA (2006) Sistema de Informação Gerencial (SIG) Representado pelo conjunto de subsistemas visualizados de forma integrada e capaz de gerar informações necessárias ao processo decisório, dando suporte para o planejamento, organização, controle e direção. OLIVEIRA (2005) Na Era da Informação, o diferencial das empresas e dos profissionais está diretamente ligado à valorização da informação e do conhecimento, proporcionando soluções e satisfação no desenvolvimento das atividades. Portanto, todos os sistemas são úteis e necessários às organizações para tomada de decisões. Particularmente, bastante popularizado e fundamental, temos o Sistema de Informação Gerencial (SIG), que será tratado separadamente e com mais detalhes, na próxima aula. 50 06 Sistemas de Informações Gerenciais (SIG) 51 Prezado aluno, nesse momento da disciplina, você já pode ter mais clareza de como o processo de sistematizar, organizar e disponibilizar a informação é crucial para o desempenho das organizações. Para construir esse conhecimento, passamos brevemente pelo histórico da evolução da área de OSM; as definições conceituais de sistemas no geral; depois, focamos mais especificamente os sistemas administrativos; tivemos na aula passada a conceituação de sistemas de informações e agora, finalmente, trataremos do Sistema de Informações Gerenciais (SIG), que reúne todos os constructos que já foram vistos e que se aplicam de forma estratégica e prática nas organizações. Vamos conhecer melhor o SIG? O Sistema de Informação Gerencial (SIG) No processo de trabalho, a tomada de decisão é considerada a função que caracteriza o desempenho da gerência. Independentemente do aspecto da decisão, esta atitude deve ser fruto de um processo sistematizado, que envolve o estudo do problema a partir de um levantamento de dados, produção de informação, estabelecimento de propostas de soluções, escolha da decisão, viabilização e implementação da decisão e análise dos resultados obtidos. O sistema de informação gerencial dá suporte às funções de planejamento, controle e organização de uma empresa, fornecendo informações seguras e em tempo hábil para tomada de decisão tática e estratégica para o direcionamento de ações. Definição Os Sistemas de Informação Gerencial (SIG) são sistemas ou processos que fornecem as informações necessárias para gerenciar melhor as organizações. Um SIG gera produtos de informação que apoiam muitas necessidades de tomada de decisão administrativa e são o resultado da interação colaborativa entre pessoas, tecnologias e procedimentos, que ajudam uma organização a atingir as suas metas. 52 Segundo Stair (2002), um sistema de informações gerenciais (SIG) é um agrupamento organizado de pessoas, procedimentos, banco de dados e dispositivos usados para oferecer informações de rotina aos administradores e tomadores de decisões. Bazzotti e Garcia (2006) definem como sistema de informação gerencial qualquer sistema que produzaposições atualizadas no âmbito corporativo, resultado da integração de vários grupos de sistemas de informação que utilizam recursos de consolidação e interligação de entidades dentro de uma organização. Assim, pode-se dizer que o SIG é um sistema voltado para a coleta, armazenagem, recuperação e processamento de informações usadas ou desejadas por um ou mais gestores no desempenho de suas atividades. Ele processa dados em informações que são utilizadas na estrutura decisória da empresa e proporcionam a sustentação administrativa para otimizar os resultados esperados. Portanto, o SIG é essencial para a execução das tarefas da organização, pois é o desenvolvimento e a consolidação do processo administrativo, representado pelas funções de planejamento, organização, direção, gestão de pessoas e controle, voltado para a otimização dos resultados globais da empresa (OLIVEIRA, 2008). 53 Fonte: GOSLING, Marlusa de Sevilha et al. Sistema Integrado de Gestão. Diálogos Interdisciplinares, v. 6, n. 2, p. 91-104, 2017. Acesse o link: Disponível aqui Para conhecer mais como o SIG pode impactar os processos de uma empresa, indico um artigo bem curto, que apresenta como uma empresa familiar conseguiu ser mais competitiva utilizando da ferramenta de gestão SIG. O apoio estratégico desta ferramenta auxiliou na coordenação e operacionalização das rotinas tornando a organização mais eficiente e possibilitando que decisões estratégicas fossem mais eficazes. O objeto do estudo desse artigo é uma organização que necessitava implantar um SIG que auxiliaria nos processos, na redução do trabalho operacional, na redução de erros e principalmente a obtenção de informações para controle, na tomada de decisão e planejamento estratégico. Objetivos O foco de um SIG é, principalmente, a eficiência das áreas: operação, marketing, produção, finanças e outras funcionais que recebem suporte dos sistemas de informação gerencial e estão ligados através de um banco de dados comum (STAIR, 2002). Stair (2002), ainda aponta que o propósito básico de um SIG é ajudar a empresa a alcançar suas metas, fornecendo a seus gerentes detalhes sobre as operações regulares da organização, de forma que possam controlar, organizar e planejar com mais efetividade. 54 https://revistas.brazcubas.br/index.php/dialogos/article/download/300/446/ Os gestores devem buscar projetar os sistemas de informação gerencial inserindo dados de origem interna e externa, existindo, portanto, uma interação entre os meios, resultando na concretização dos objetivos preestabelecidos pela empresa. Fontes externas: advêm do relacionamento com fornecedores, acionistas, clientes e concorrentes, facilitadas nas atuais circunstâncias pela evolução tecnológica. Fontes internas: estão relacionadas aos bancos de dados mantidos pela organização. Os bancos de dados são atualizados pela captura e armazenamento dos dados resultantes da integração dos diversos sistemas que compõem a organização, entre eles, sistemas de finanças, sistemas de contabilidade, sistemas de recursos humanos, sistemas de venda e marketing. Os sistemas de informação gerencial mudam constantemente para atender ao dinamismo dos negócios, o que vai ao encontro da necessidade de qualquer organização para sobreviver no mercado. Níveis de decisão A estrutura decisória da empresa, no contexto de processos gerenciais, classifica os sistemas de acordo com o problema organizacional que ajuda a resolver. Assim, os sistemas são classificados em: sistema de nível estratégico, de conhecimento, tático e operacional (BATISTA, 2004). As informações geradas pelos sistemas de nível estratégico são utilizadas na definição do planejamento estratégico da organização, ou seja, tomada de decisão a longo prazo. Os sistemas de nível tático são usados no controle do planejamento tático, definem as táticas ou metas a serem cumpridas e subsidiam as informações para o processo de decisão global de curto e médio prazo. Os sistemas de conhecimento envolvem a transmissão de conhecimento e informação entre os departamentos. Os sistemas de nível operacional são utilizados para o desenvolvimento das tarefas diárias da empresa, como exemplo: sistema de compra/venda. 55 Entende-se que sistemas de informação gerencial devam ser analisados e/ou desenvolvidos dentro da perspectiva da organização, em que tecnologia e empresa devem ser ajustadas entre si até que obtenham uma harmonização perfeita entre processos, disponibilizando informações de diversas atividades e setores para subsidiar todos os níveis de decisão (ROSINI; PALMISANO, 2012). Níveis de sistema Fonte: Adaptado de Batista (2004). Vantagens de um Sistema de Informação Gerencial (SIG) Segundo Oliveira (2008) e Laudon e Laudon (2001), pode-se afirmar que o sistema de informações gerenciais, sob determinadas condições, proporciona benefícios para as empresas, os quais podem ser observados no Quadro 4: 56 Quadro 4 – Benefícios de SIG Fonte: Adaptado de Oliveira (2008) e Laudon e Laudon (2001). CONCEITO RESULTADOS OBTIDOS Dados e banco de dados Informações mais rápidas e precisas. Informação Facilidade no fluxo de informações. Tomada de decisão Redução do grau de centralização das decisões na empresa. Integração Estímulo de maior integração entre os tomadores de decisão. Gestão Melhor adaptação da empresa para enfrentar acontecimentos não previstos. Tele trabalho Possibilidade de as pessoas acessarem os sistemas da empresa remotamente. Co-criação de valor Maior integração entre fornecedores e com os clientes da empresa. De acordo com Rezende e Abreu (2013), quando bem estruturado e planejado, o SIG contribui para reestruturar as organizações em diversos âmbitos facilitando o processo decisório e a geração de conhecimento personalizado. Os autores consideram que o papel estratégico do SIG é agregar valor aos produtos e serviços da organização, auxiliando de inteligência competitiva e empresarial sobre seus concorrentes. Portanto, Sistemas de Informações Gerenciais (SIG) abrangem uma coleção organizada de pessoas, procedimentos, softwares, banco de dados e dispositivos que fornecem informação rotineira aos gerentes e aos tomadores de decisão na otimização de planejamento de seus recursos. 57 Agora que você aprendeu como funcionam os sistemas, podemos começar a falar das estruturas organizacionais, tema que será abordado na próxima aula. Encontro vocês lá! 58 07 Estrutura Organizacional 59 Prezado aluno, em resposta às pressões do ambiente, as empresas adotam estratégias positivas, desenvolvendo novos produtos ou novos mercados, ou estratégias defensivas para proteger sua atual posição. Ambas as estratégias levam as empresas a mudanças organizacionais. Seguindo esse pensamento, podemos entender que a estratégia depende das características do ambiente e determina a configuração organizacional, visando atingir objetivos estabelecidos. A configuração organizacional, por sua vez, compreende a distribuição das responsabilidades, competências e poderes entre os gestores para a realização da estratégia. As estratégias formuladas pela cúpula empresarial, sejam elas quais forem, com o intuito de redirecionar o foco da organização e assim promover a expansão ou manutenção dos negócios, podem determinar a configuração e reconfiguração da estrutura da empresa. Nesta aula, conheceremos os conceitos de Estrutura Organizacional. Vamos nessa? Definição A estrutura organizacional vem sendo objeto de estudo de diversos autores, desde Weber, Barnard e Chandler nos primeiros anos do século 20, até Galbraith, Hall, Mintzberg e Child, nas décadas de 1970, 80 e 90 (PAULA, 2007). Embora haja publicações recentes sobre o tema, sua base teórica conceitual ainda é de autores clássicos, cujas definições são aqui apresentadas. Galbraith (1977) define organização como composição de pessoas com a finalidade de alcançar algum propósito compartilhado através da divisão do trabalho. Para organizar o trabalho é necessário estabelecer uma rede de relações entre indivíduosou grupos de indivíduos, de forma que seus trabalhos sejam coordenados e coerentes com a tarefa final, num mecanismo de coordenação identificada como estrutura organizacional. Segundo Vasconcellos (1989), a estrutura de uma organização pode ser definida como resultado de um processo através do qual: (i) a autoridade é distribuída; 60 (ii) as atividades – desde os níveis mais baixos até a alta administração – são especificadas e (iii) um sistema de comunicação é delineado, permitindo que as pessoas realizem as atividades e exerçam a autoridade que lhes compete para atingir os objetivos organizacionais. Maximiano (1986) explica que para juntar todas as tarefas especializadas é necessário estabelecer uma rede de relações entre indivíduos ou grupos de indivíduos, de forma que seus trabalhos sejam coordenados e coerentes com a tarefa final. Esta estrutura de coordenação chama-se estrutura organizacional. A estrutura organizacional, portanto, é o produto das decisões de divisão e coordenação do trabalho, e define não apenas as atribuições específicas, mas também o modo como devem estar interligados os diversos grupos especializados, chamados departamentos, graficamente dispostos em um organograma. Acesse o link: Disponível aqui A estrutura organizacional é o sistema de organização ou hierarquia de uma empresa, enquanto um organograma é a representação visual dessa estrutura organizacional. Ou seja, o organograma é a estrutura organizacional desenhada em forma de diagrama. Para que você possa compreender melhor o organograma, segue o link da página do professor José Luís Carneiro, em que você pode encontrar definições e um exercício com gabarito, para treinar suas habilidades no desenho de diagramas organizacionais funcionais. 61 https://www.jlcarneiro.com/exercicio-de-organogramas/ A função da estrutura organizacional De acordo com Donaldson (1999), não há uma estrutura organizacional única e que seja altamente efetiva para todas as organizações, uma vez que a otimização da estrutura variará conforme determinados fatores, tais com a estratégia ou o seu tamanho. Ou seja, dependerá de fatores contingenciais como estratégia, tamanho, incerteza com relação às tarefas e tecnologia, que refletem a influência do ambiente no qual a organização está inserida. Portanto, para ser efetiva, a organização precisa adequar sua estrutura a seus fatores contingenciais e, logo, ao seu ambiente. A estrutura organizacional materializa-se no organograma das organizações e, consequentemente, este define a divisão do trabalho e da autoridade, além do sistema de comunicação correlato. Há múltiplas tentativas de se identificar e descrever os níveis que compõem a estrutura organizacional. De forma generalista, Mintzberg (1995) afirma que a organização é composta de cinco partes: 1. Núcleo operacional: os operadores executam as quatro funções básicas, que são: assegurar as entradas para produção, transformar as entradas em saídas, distribuir as saídas e prover o suporte direto para estas atividades básicas; 2. Linha de média: gerência intermediária que liga o núcleo operacional ao ápice estratégico, envolvendo desde os gerentes seniores até os supervisores de primeira linha; 3. Ápice estratégico: composto pela alta cúpula da organização; 4. Tecnoestrutura: engloba as pessoas que auxiliam o trabalho das outras, através de padronização e técnicas; 5. Staff de suporte: é o trabalho que está fora do fluxo operacional de trabalho, mas dá suporte à sua execução. Esta função geralmente é esquecida, ou colocada junto com a tecnoestrutura. Para Child (1987), o desenho e redesenho da estrutura organizacional constitui uma das maiores prioridades da administração, pois a função da estrutura organizacional é auxiliar no alcance dos objetivos organizacionais, servindo como: 1. Estrutura básica – ao contribuir para a implementação de planos, bem como para a alocação de pessoas e de recursos para as tarefas que precisam ser feitas e ao proporcionar mecanismos para a coordenação dessas tarefas. Nessa 62 circunstância, assume a forma de descrições de cargos, organogramas, constituição de conselhos e de comissões; 2. Mecanismo de operação – ao indicar com clareza aos membros da organização e o que deles é esperado através de elementos normativos como procedimentos de trabalho, padrões de desempenho, sistema de avaliação, sistema de recompensas, programações e sistemas de comunicação; 3. Mecanismo de decisão – suportando o processo de tomada de decisão e seus requisitos de processamento de informação, o que inclui o fornecimento de arranjos favoráveis à obtenção de informações do meio externo e de procedimentos correspondentes para tratamento de informações. Componentes da estrutura organizacional Ao se discutir o tema estrutura organizacional, faz-se necessário dedicar atenção a seus elementos constituintes, observando como interferem no desenho organizacional. Embora a literatura apresente diversas variações dos componentes, neste tópico trataremos dos mais relevantes: Sistema de Responsabilidade; Sistema de Autoridade e Sistema de Comunicações. Sistema de Responsabilidade O sistema de responsabilidade está relacionado a conceitos como: Departamentalização: é o agrupamento, de acordo com um critério específico de homogeneidade, das atividades e recursos (humanos, financeiros, materiais e equipamentos) em unidades organizacionais. Portanto, o processo organizacional de determinar como as atividades devem ser agrupadas chama-se departamentalização. Podem ser apontadas algumas formas de departamentalizar uma estrutura organizacional: por função, por produto ou serviço, por território, por cliente, por processo, por projeto, matricial, entre outras. 63 Linha e assessoria: As unidades organizacionais de Linha têm ação de comando e são ligadas às atividades fins da empresa. Já as de Assessoria não têm ação de comando, pois só aconselham as unidades de linha no desempenho de suas atividades. Especialização do Trabalho: o grau em que as funções na organização são subdivididas em tarefas específicas. Sistema de Autoridade Ao descer do nível hierárquico mais alto para o nível hierárquico mais baixo, a amplitude de autoridade vai diminuindo até chegar ao limite mínimo. O sistema de responsabilidade é constituído por: Amplitude de controle: número de subordinados que um chefe pode supervisionar pessoalmente, de maneira efetiva e adequada. Níveis hierárquicos: representam um conjunto de cargos na empresa com um mesmo nível de autoridade. Delegação: transferência de determinado nível de autoridade de um chefe para seu subordinado, fazendo com que ele esteja comprometido com a execução da tarefa delegada. Centralização ou descentralização: é a maior concentração do poder decisório na alta administração de uma empresa. Já a descentralização é a menor concentração do poder decisório na alta administração da empresa, sendo, portanto, mais distribuído por seus diversos níveis hierárquicos. 64 Sistema de Comunicação Comunicação é o processo por meio do qual uma mensagem é transmitida de um ponto chamado emissor para outro chamado receptor, através de um determinado canal. Oliveira (2005) afirma existirem dois tipos diferentes de formação de esquemas de comunicação numa empresa: Formal: que é conscientemente planejado, facilitado e controlado. Ele segue a corrente de comando em uma escala hierárquica; e Informal: que surge espontaneamente na empresa, em reação às necessidades de seus membros. Segundo Oliveira (2005), quanto à direção, as comunicações na empresa podem ser: Horizontal: realizado entre as unidades organizacionais diferentes, mas do mesmo nível hierárquico; Diagonal ou transversal: realizado entre unidades organizacionais e níveis diferentes; e 65 Vertical: realizado entre níveis diferentes, mas de mesma área de atuação Condicionantes da estrutura organizacional Diversos autores divergem em alguns pontos que compreendem os condicionantes da estrutura organizacional, mas quatro fatoressão predominantemente citados na maioria da literatura acadêmica: Fator Humano: o fator humano deve ser entendido como as características dos indivíduos e grupos que formam a organização, assim como o clima organizacional existente. Vasconcellos (1989) ressalta ser fundamental para o alcance dos objetivos da organização, a existência de compatibilidade entre a estrutura administrativa e o tipo de pessoas que a compõe. Fator Tecnológico: os mecanismos ou processos através dos quais uma organização elabora seus produtos ou serviços. A tecnologia é um fator fundamental na composição da estrutura administrativa. Ela influencia o tipo de elemento humano que forma a organização, sua interação social, as tarefas que são executadas, a taxa de mudanças na organização, etc.. Fator Objetivos/Estratégia: um conjunto de metas globais (lucro, crescimento, filosofia para com o público, etc..), numa hierarquia de prioridades que constitui um importante fator de influência para o desenho da estrutura administrativa. Fator Ambiente: ambiente é tudo aquilo que envolve externamente uma organização (ou um sistema). É o contexto em que a organização está inserida. Como a organização é um sistema aberto, ela mantém transações e intercâmbio com seu ambiente. 66 Síntese da estrutura organizacional Fonte: Elaborada pela autora, 2020. Para facilitar a compreensão, observe um resumo da aula: Após compreender a definição, função e componentes das estruturas organizacionais, na próxima aula, vamos aprender sobre a tipologia dessa estruturação, que vai definir o funcionamento prático das organizações. Te encontro lá! 67 08 Tipos de Estrutura Organizacional 68 Caro aluno, chegamos à metade da nossa disciplina e começaremos agora uma fase de ferramentas práticas que permitirão ampliar seu conhecimento para o gerenciamento da área de Organização, Sistemas e Métodos. Até aqui, tratamos detalhadamente dos componentes que estruturam o processo administrativo e seus sistemas e constatamos a complexidade de gerir empresas com excelente desempenho. Dando continuidade à aula anterior, apresentaremos os principais tipos de estrutura organizacional e como essa estruturação define o funcionamento da organização e consequentemente, como se dão seus relacionamentos e busca por resultados. A Administração de empresas é embasada em teorias multidisciplinares e técnicas efetivas para solucionar problemas organizacionais, por isso, compilar esse conteúdo em uma disciplina ou um departamento, contribui para o desenvolvimento de estratégias que efetivamente melhorem o desempenho global corporativo, em todos os níveis e atividades. Nesta aula, conheceremos os tipos mais comuns de Estrutura Organizacional. Vamos nessa? Tipologia A estrutura organizacional se caracteriza por um conjunto de autoridades, responsabilidades, decisões e comunicações adotadas por uma organização. Na prática, é a forma como as atividades são divididas, coordenadas e organizadas, ajudando a definir a cultura organizacional e a hierarquia da empresa. Em uma empresa, a estrutura organizacional tem relação direta com a sua estratégia e está vinculada a diversos aspectos: humanos, físicos, jurídicos, econômicos, administrativos, financeiros, entre outros. Existem diversos modelos de estruturas organizacionais. Cada empresa possui particularidades, realidades e objetivos diferentes e é exatamente por isso que cada uma se adapta melhor a um tipo de estrutura organizacional. Nesse contexto, deve-se levar em conta que as organizações se baseiam em processos e resultados para definir corretamente sua estrutura, que por sua vez, compõe, de forma macro, a arquitetura organizacional, que busca compatibilizá-la juntamente com a estratégia e os processos. 69 A escolha de uma estrutura em detrimento de outra inevitavelmente envolve eventuais vantagens e desvantagens, privilegiando certos aspectos comparativamente a outros. Para Child (1987), o desenho da organização constitui uma das maiores prioridades, pois a função da estrutura organizacional é auxiliar no alcance dos objetivos organizacionais. Entre as tipologias que mais se destacaram na revisão bibliográfica, encontram-se as estruturas linear, funcional, staff, por projetos e matricial. Vamos conhecer brevemente cada uma delas? Estruturação das organizações Fonte: Elaborada pela autora, 2020. 70 Figura 4 – Organograma de estrutura linear Fonte: Elaborada pela autora, 2020. Estrutura Linear Sendo mais simples e antiga, foi originada dentro do exército e costuma funcionar bem com empresas pequenas. Com formato piramidal (altamente verticalizado), todos os órgãos são estruturados sob uma única/linear unidade de comando, isso quer dizer que cada colaborador recebe orientações de um único superior. Há centralização das decisões. As linhas formais de comunicação geralmente possuem fluxo descendente. Cada unidade de trabalho executa tarefas específicas e bem definidas. Corresponde a uma estrutura simples, conforme pode ser visto na Figura 4. As principais vantagens desse modelo são: rapidez no processo decisório, maior simplicidade e economia, facilita a unidade de mando e disciplina (disciplina rígida) e possui clara delimitação de responsabilidade e autoridade. Já entre as desvantagens, podemos citar: tendência burocratizante; sobrecarga da direção e das chefias e não favorece o espírito de cooperação e equipe. 71 Figura 5 – Organograma de estrutura Linear-Staff Fonte: Elaborada pela autora, 2020. Estrutura Linear Staff É o modelo de estrutura em que a(s) unidades(s) diretiva(s) conta(m) com uma unidade especial (órgão ou pessoa-staff). O staff deve ser independente em sua atuação com liberdade de opinião e servir de apoio, realizando assessoria e recomendações. Na prática, os órgãos com estrutura linear são os que realizam atividades-fim da empresa, enquanto atividades como consultoria, assessoria, planejamento, controle, etc.. são suportados por órgãos de staff. Um exemplo dessa estrutura pode ser observado na Figura 5. Dentre as vantagens, podemos citar: agrega conhecimento novo e especializado à organização, facilita a utilização de especialistas e possibilita a concentração de problemas específicos nos órgãos de staff. As principais desvantagens são: as funções exercidas pela unidade staff podem criar dificuldades de coordenação interna e os membros dos órgãos staff podem não aceitar com facilidade as limitações dos cargos que lhe são pertinentes e tendem a exercer atividades próprias dos órgãos de linha. 72 Figura 6 – Organograma de estrutura funcional Fonte: Elaborado pela autora, 2020. Estrutura Funcional Deriva da estrutura linear, mas se diferencia porque os colaboradores de qualquer área devem se reportar a todos os diretores. Em uma estrutura organizacional funcional, nenhum chefe de setor tem controle absoluto sobre seus subordinados. Além disso, cada colaborador pode ter de responder a várias chefias. Possui decisões descentralizadas, linhas de comunicação direta e a autoridade é funcional ou dividida. A Figura 6 apresenta um exemplo desse tipo de estrutura. As principais vantagens desse modelo são: promover o aperfeiçoamento, facilitar a especialização nos escalões hierárquicos superiores, facilitar o trabalho em equipe, maior flexibilidade de adaptação à empresa. As desvantagens são: não há unidade de mando, o que dificulta a disciplina, confusão quanto aos objetivos e aumento do conflito. 73 Estrutura por Projetos Nesse tipo de estrutura, todos os recursos necessários para alcançar o objetivo de cada projeto são separados, formando-se unidades independentes, cada uma dirigida por um gerente. A este é conferida plena autoridade sobre o projeto, podendo servir- se dos recursos materiais e humanos existentes na organização. Em suma, uma organização grande cria dentro de si uma estrutura temporária e pequena. Esse modelo funciona bem com empresas criativas e dinâmicas, que desenvolvem projetos para clientes. Cada projeto possui um líder diferente e a cadanovo projeto os colaboradores são realocados, reportando a um líder específico em cada projeto. Isso funciona muito bem em negócios relacionados à organização de eventos, desenvolvimento de softwares ou campanhas, etc.., isto é, empresas em que há diversos profissionais especializados para formar uma equipe assim que for necessário. Podemos visualizar essa estrutura, na Figura 7. 74 Figura 7 – Organograma da estrutura por projetos Fonte: Elaborada pela autora, a partir de Vargas (2003). As vantagens dessa organização giram em torno de sua unidade de objetivos e em sua unidade de mando. A clara compreensão de seu objetivo e a concentração dos esforços sobre ele cria um forte espírito de equipe. Já quanto às desvantagens, podemos citar o fato de que o aparecimento de uma estrutura nova, transitória e muito visível desconcerta a organização tradicional; os serviços se duplicam e os recursos podem ser utilizados ineficientemente; ocorre preocupação quanto à permanência no emprego, quando do término do projeto, ou quanto à carreira do pessoal comissionado. 75 Figura 8 – Organograma de estrutura matricial Fonte: Elaborada pela autora, 2020. Estrutura Matricial A estrutura matricial é multidimensional. Trata de maximizar as virtudes e minimizar os defeitos das estruturas anteriores. Para isso, combina a clássica estrutura vertical funcional com outra estrutura sobreposta a ela, horizontal ou transversal: a dos projetos. Assim, os órgãos permanentes (funcionais) atuam como prestadores de serviços nos projetos, e a organização de cada projeto é temporária, permitindo versatilidade e otimização dos recursos humanos. A ideia dessa estrutura é atender às necessidades de coordenação e especialização da empresa, ou seja, ao mesmo tempo em que cada projeto é independente, também precisa contar com um gestor sênior de cada departamento para garantir a qualidade do trabalho e o cumprimento das políticas da empresa. Um exemplo dessa estrutura pode ser observado, na Figura 8. Dentre as suas principais vantagens temos o equilíbrio dos objetivos, a coordenação entre os setores funcionais e a visão total do projeto através do coordenador (gerente do projeto). 76 Seu maior problema é que o pessoal envolvido venha a ter dois chefes: verticalmente, tem as ordens de seu chefe de departamento funcional; horizontalmente, as ordens do coordenador ou gerentes do projeto. Em uma situação de conflito, os funcionários poderão encontrar-se em apuros. Assim, finalizamos a aula ao apresentar os modelos mais comuns de estrutura organizacional. Na próxima aula, veremos com mais detalhes os organogramas e a respectiva amplitude de controle. 77 09 Hierarquia e Amplitude de Controle 78 Caro aluno, as últimas duas aulas trataram da estrutura organizacional e dos tipos mais relevantes dessa divisão estrutural encontrados na literatura. Para fechar esse contexto, esta aula, quase complementar, vai tratar de três definições importantes: Hierarquia, Amplitude de controle e Departamentalização. Embora sejam termos utilizados muitas vezes como sinônimos, eles trazem conceitos importantes para a compreensão do funcionamento de uma organização. E como já comentamos, o conhecimento teórico estruturado é uma ferramenta primordial para o desenvolvimento de técnicas que sejam capazes de articular recursos para se atingir os objetivos práticos do universo empresarial. Vamos nessa? 79 Fonte: Disponível aqui Antes de iniciar a leitura desta aula, que tal relembrar os conceitos aprendidos nas duas últimas aulas por meio da criação de um mapa mental? Existem muitos programas gratuitos para elaboração do seu “mind map”, e vou indicar um on-line que pode te ajudar nessa empreitada, com versão on- line, que pode ser acessado pelas redes sociais ou login do gmail (e-mail gratuito Google). Disponível a seguir. Você pode acessar outro de sua preferência, o importante é que ele possa abranger os tópicos mais relevantes do contexto das aulas, como definição de estrutura organizacional, sua função, componentes e condicionantes. E as tipologias mais comuns de estruturas. Certamente, isso o ajudará a compreender melhor e a reter esse conhecimento. 80 http://www.mindmeister.com/pt Hierarquia Para seu funcionamento pleno, as organizações dependem de múltiplas tarefas, desempenhadas por diversos funcionários, cada qual especializado em seus respectivos cargos. A pluralidade das funções impostas pela especialização do trabalho é a necessidade do desdobramento das funções de comando, cuja missão é dirigir essas atividades para que cumpram com os objetivos organizacionais. Assim, podemos definir hierarquia como sendo a distribuição ordenada dos poderes com subordinação sucessiva de uns aos outros, em uma série contínua de graus ou escalões. Em outras palavras, a hierarquia é uma ordenação contínua de autoridades que estabelece os níveis de poder e importância, de forma que a posição inferior é sempre subordinada às posições superiores. Na medida em que se sobe na escala hierárquica, aumenta a autoridade do administrador. A contrapartida, é que também, aumenta o nível de responsabilidade. Para evidenciar essa relação, Chiavenato (2014) propõe dois terminais de comunicação de cada cargo, apresentado na Figura 9. 81 Figura 9 - Terminais de comunicação da hierarquia Fonte: Adaptado de Chiavenato, 2014. 82 Hierarquia: é a ordenação de elementos em ordem de importância, podendo significar também, mais especificamente: a distribuição ordenada de poderes; a graduação das diferentes categorias de funcionários ou membros de uma organização. Autoridade: é o direito formal que a chefia tem de alocar recursos e exigir o cumprimento de tarefas por parte dos funcionários. A autoridade emana do superior para o subordinado, e este é obrigado a realizar seus deveres. Responsabilidade: é o dever de arcar com as consequências do próprio comportamento ou do comportamento de outras pessoas, devendo cumprir a tarefa para o qual foi designado. Quanto mais autoridade, mais responsabilidade. Para os teóricos clássicos da administração, a hierarquia é a base da organização formal e será pelas linhas de comando e de comunicação que a organização funcionará. Portanto, em decorrência da distribuição de autoridade e responsabilidade, surge o conceito de amplitude de controle, que será tratado na sequência. Amplitude de controle A amplitude de controle (ou amplitude administrativa, ou ainda, amplitude de comando) refere-se ao número de funcionários que um mesmo administrador consegue dirigir com eficiência e eficácia. Esse número varia de acordo com a organização e com o tipo de gestão. Por exemplo: quando a atividade demandar um suporte maior do supervisor a amplitude deve ser reduzida. Entretanto, quando as 83 Figura 10 – Tipos de amplitude de Controle Fonte: Elaborado pela autora, 2020. operações não exigem monitoramento direto, a amplitude pode ser aumentada, ou seja, um mesmo gestor pode supervisionar mais pessoas. A amplitude administrativa de uma empresa pode ser alta ou plana (achatada), conforme Figura 10. Alta / Aguda: há um grande número de cargos hierárquicos e a estrutura é verticalizada. A tomada de decisão é mais centralizada nos altos cargos; Plana / Achatada / Baixa: possui poucos cargos hierárquicos e estrutura horizontal. A tomada de decisão geralmente é feita em conjunto e conta com a participação de grande parte dos colaboradores. 84 Fatores que determinam a amplitude administrativa Características do líder: Atividades a serem realizadas, capacidade para lidar com os colaboradores, habilidades profissionais e tipo de liderança. Características dos colaboradores: Capacidade de trabalhar em equipe, habilidades profissionais e motivação. Características da organização: Grau de estabilidade da empresa, nível de delegação, tipo de controle exercido e nível de clareza na comunicação interna. Tipo de tarefas executadas: Grau de clareza ao delegar funções, nível de similaridade com a atividade desempenhada e comunicaçãoe aceitação dos objetivos. Centralização e Descentralização A amplitude administrativa, em termos gerais determina se uma organização é mais centralizada ou descentralizada. Se ela tiver muitos cargos hierárquicos, significa que há a necessidade de uma supervisão mais próxima dos subordinados, assim a empresa terá uma administração centralizada. Já, se a empresa tiver poucos cargos hierárquicos e tiver uma estrutura plana, a empresa é mais descentralizada e participativa. Para esclarecer: Centralização: é a concentração do poder decisório no topo da organização. Isso facilita o controle e coordenação das atividades, além de padronizar as decisões e torná-las mais consistentes com os objetivos globais da instituição. Parte do princípio de que as pessoas do topo usualmente são mais bem treinadas e preparadas para decisões, eliminando esforços duplicados de vários tomadores de decisão e reduzindo custos operacionais. Entretanto, tem como desvantagens: as decisões ficam distanciadas dos fatos e circunstâncias, pois os tomadores de decisão 85 têm pouco contato com as partes envolvidas e com a situação operacional; maior demora na tomada de decisão, pois depende da disponibilidade do gestor; as decisões passam pela cadeia escalar, dando margem a distorções e erros de comunicação. Descentralização: O poder decisório é deslocado para os níveis mais baixos da administração (fica distribuído pelos diversos níveis hierárquicos). É uma tendência moderna, pois proporciona maior autonomia aos cargos mais baixos e alivia a carga decisória da alta administração. A descentralização melhora a qualidade das decisões, pois os gerentes médios ficam mais próximos da operação e, portanto, conhecem melhor a realidade; melhora o aproveitamento das pessoas, com aumento da motivação, da criatividade e da autonomia; alivia os chefes principais do excesso de trabalho decisório; aumenta a agilidade e eficiência: a organização responde de forma mais rápida. Já as desvantagens são: falta de uniformidade das decisões; insuficiente aproveitamento dos especialistas centrais; necessidade de maior estrutura de apoio. 86 Delegação Delegação: Delegação é a transferência de determinado nível de autoridade de um chefe para seu subordinado, criando o correspondente compromisso pela execução da tarefa delegada. A delegação pode alcançar apenas tarefas específicas ou um conjunto de tarefas. É importante ressaltar que a responsabilidade final do cargo não pode ser delegada. Delega-se apenas a execução, ou seja, a responsabilidade pelo bom desempenho de uma tarefa e a respectiva autoridade para executá-la. A responsabilidade final pelo cumprimento permanece com o delegante e, dessa forma, ele é o verdadeiro responsável e deve manter supervisão aos delegados para que cumpram as funções. Algumas técnicas para delegação: Delegar a tarefa inteira: responsabilidade completa; Delegar à pessoa certa: conciliar o talento da pessoa com a tarefa, identificando os subordinados que desejam assumir mais responsabilidades; Delegar responsabilidade e autoridade: além de conhecer a tarefa, o indivíduo deve ter autoridade para desempenha-la da maneira que achar melhor e os membros da organização devem ter essa clareza; Proporcionar informação adequada: o funcionário deve compreender a tarefa e os resultados esperados, as provisões e recursos necessários e para quem e quando os resultados devem ser apresentados; Manter a retroação (feedback): manter aberta as linhas de comunicação, responder às questões e proporcionar orientação para melhorar o desempenho e autoconfiança de quem está desempenhado a atividade delegada; Avaliar e recompensar o desempenho: quando a tarefa é executada, deve-se avaliar os resultados e não os métodos, que devem ser lapidados em conjunto durante o processo de desenvolvimento do funcionário. Os erros devem ser corrigidos no particular, e quando o trabalho for bem feito, deve haver reconhecimento, recompensas e delegação de novas atividades. Ao observar a relevância da hierarquia, o papel da amplitude de controle e delegação de responsabilidades, somos levados a nos questionar sobre o efetivo papel das lideranças dentro das organizações, tanto como intermediadores da execução dos processos, quanto no desenvolvimento dos recursos humanos para o alcance de objetivos. 87 10 Liderança 88 Caro aluno, de forma generalizada, gestor é uma palavra utilizada para designar aquele que é responsável por administrar e coordenar as atividades de sua área. Trata-se de um termo comum no mundo corporativo e administrativo e possui variações de acordo com cada empresa, sendo também chamado de chefe, líder, supervisor, coordenador, encarregado, etc.. Mas independente da nomenclatura utilizada, o que se espera dessas posições é um bom exercício de liderança. Segundo a etimologia das palavras, liderar tem origem no inglês arcaico “laedan”, que significa guiar, chefiar. Nos dias atuais, a liderança é vista como um fator essencial e decisivo para as organizações como forma de alavancar a produtividade e assim gerar resultados positivos. Mas, para que isso aconteça o líder deve exercer adequadamente seu papel fundamental no direcionamento das atividades de sua equipe. A liderança é o processo de exercer influência sobre pessoas ou grupos nos esforços para realização de objetivos. Ela depende da conjunção das características pessoais do líder, dos subordinados e da situação que os envolve. É importante destacar que a liderança não se desenvolve automaticamente ao ocupar uma posição de maior hierarquia, porque não é uma qualidade ligada a títulos. Liderança é uma característica ligada a pensamentos e atitudes. Por ser complexa em sua definição e prática, muitas pesquisas sobre liderança foram desenvolvidas nos últimos anos, um interesse que começou com os estudos da Teoria das Relações Humanas, que enfatizavam a importância desse exercício. Por isso, as explicações teóricas sobre liderança compõem um campo de estudo bastante amplo e não seria possível tratar todos os conceitos nessa disciplina. Assim, na tentativa de simplificar os achados mais importantes sobre o tema, esta aula apresenta três teorias sobre liderança, que podem ser visualizadas no esquema, da Figura 11. 89 Figura 11 – Síntese das teorias sobre liderança apresentadas na aula Fonte: Elaborada pela autora, 2020. Traços de Personalidade As teorias com base nos traços constituem o marco inicial dos estudos sobre liderança, tendo surgido por volta de 1930. Tais teorias enfatizam as características pessoais dos líderes, ao defenderem que eles podem ser descritos como pessoas detentoras de traços físicos e de personalidade que os tornam diferentes dos demais. Segundo Rodrigues (2013), o principal pressuposto da teoria é que os líderes possuem características de personalidade especiais, que facilitam seu desempenho e os mantêm na posição de liderança. Para esta abordagem, o cerne da liderança está nas características e atributos pessoais, físicos, intelectuais e socioculturais, em razão de esses traços terem sido constantemente observados em diferentes situações às quais os líderes eram expostos. Em outras palavras, essas teorias consideram que os traços do líder são inatos (o líder já nasce feito), isto é, que diferentemente dos demais, eles possuem certos atributos pessoais que os levam a exercer forte influência sobre as pessoas e grupos que lideram. Esses atributos, segundo Chiavenato (2014) podem ser: Traços físicos: energia, aparência pessoal, estatura e peso. Traços intelectuais: adaptabilidade, agressividade, entusiasmo e autoconfiança. Traços sociais: cooperação, habilidades interpessoais e habilidade administrativa. Traços relacionados com a tarefa: impulso de realização, persistência e iniciativa. 90 Em resumo, um líder deve inspirar confiança, ser inteligente, perceptivo e decisivo para ter condições de liderar com sucesso. Embora tenham validade prática, algumas críticas foram feitas a esses modelos, e elas se baseiam nas seguintesrazões: as teorias de traços de personalidade ignoram a influência dos subordinados; não distinguem quais traços positivos são mais relevantes para cada tipo de empresa ou objetivo; não consideram que um indivíduo não pode ser líder permanentemente e apresentam uma abordagem simplista sobre as dificuldades e aprimoramentos necessários para gerir pessoas em ambientes mutáveis. Estilos de Liderança Segundo Chiavenato (2014), são teorias que estudam a liderança em termos de estilos de comportamento do líder em relação aos seus subordinados. Enquanto a abordagem dos Traços de Personalidade refere àquilo que o líder é, a abordagem dos Estilos de Liderança se refere àquilo que o líder faz, isto é, seu estilo de comportamento para liderar. Os estilos de liderança mais conhecidos são: autoritário, liberal e democrático. Vamos conhecê-los? Liderança Autocrática A liderança autocrática, também conhecida como liderança autoritária, é um estilo de liderança caracterizado pelo controle individual do líder sobre as decisões, métodos, políticas e procedimentos de trabalho. Nesse estilo, apenas o líder fixa as diretrizes, sem participação do grupo, determinando as providências e as técnicas para a execução das tarefas. O líder é dominador e determina qual tarefa cada um deve executar, quem serão pares de trabalho; e como se darão os elogios e as críticas ao trabalho de cada membro. 91 FRANKEL, David (Director). O Diabo veste Prada. STUDIOS DIATRIBE 20TH CENTURY FOX FILM CORPORATION. Comédia/Romance, 1h50, 2006. Para compreender melhor esse estilo de gestão, assista ao filme “The Devil Wears Prada”, em português: O diabo veste Prada, um filme de comédia dramática de 2006 dirigido por David Frankel e produzido por Wendy Finerman. O roteiro é baseado no livro Lauren Weisberger, lançado em 2003. A adaptação cinematográfica conta com Meryl Streep como Miranda Priestly, uma poderosa editora de revista de moda, e Anne Hathaway como Andrea "Andy" Sachs, jornalista formada que vai para Nova Iorque e consegue um emprego como coassistente na revista Runway. A relação de liderança e subordinação retratada no filme apresenta aspectos de estilos autoritários. 92 Liderança Liberal É o tipo de líder que acredita no potencial do grupo e que tem pouca participação. O líder liberal parte do pressuposto de que as pessoas possuem um nível de maturidade elevado, a ponto de não serem tão dependentes dele. Consegue entender que pode deixar a equipe à vontade, sem necessidade de acompanhamento constante. Essa não deve ser uma liderança omissa e a organização, estruturação de tarefas e motivação da equipe são responsabilidades do gestor. Mas, nesse estilo de liderança é possível deixar os profissionais livres para desenvolverem seus planos e metas, ter participação mínima nos processos da equipe, não delegar tarefas nem escolher quem serão os responsáveis por elas. Algumas empresas, tarefas e equipes podem não estar preparadas para o estilo liberal. Liderança Democrática A palavra democracia tem origem grega, e é formada pelos radicais demos (que tem como significado povo) e kratos (que corresponde à palavra “poder”). Como a etimologia já faz referência, esse tipo de liderança se baseia no regime político em que o povo participa das decisões. No universo corporativo, não é diferente. A liderança democrática prioriza a motivação, o desenvolvimento e a comunicação da equipe com o líder. Com olhar atento para a satisfação e para o relacionamento saudável dos colaboradores, o líder democrático consulta as pessoas, abre canais de comunicação e interações para que o trabalho tenha fluidez e consistência. As diretrizes são debatidas pelo grupo, estimulado e assistido pelo líder; o próprio grupo esboça as providências e as técnicas para atingir o alvo e o líder é objetivo e limita-se aos fatos em suas críticas e elogios. 93 Síntese dos estilos de liderança Fonte: Adaptado de Chiavenato (2014). Autocrático Democrático Liberal Tomada de decisões Apenas o líder decide e fixa diretrizes, sem qualquer participação do grupo. As diretrizes são debatidas e decididas pelo grupo que é estimulado e assistido pelo líder. Total liberdade para a tomada de decisões grupais ou individuais, com participação mínima do líder. Programação dos trabalhos O líder determina providências para a execução das tarefas. O próprio grupo esboça providências e técnicas para atingir o alvo. As tarefas ganham novos contornos com os debates. A participação do líder no debate é limitada, apresentando apenas alternativas ao grupo. Divisão do trabalho O líder determina qual a tarefa que cada um deverá executar A divisão das tarefas fica a critério do grupo Tanto a divisão das tarefas, como a escolha dos companheiros fica totalmente a cargo do grupo. Participação do líder O líder é pessoal e dominador nos elogios e nas críticas ao trabalho de cada um. O líder procura ser um membro normal do grupo. É objetivo e estimula com fatos, elogios ou críticas. O líder não faz nenhuma tentativa de avaliar ou regular o curso das coisas. Faz comentários apenas quando perguntado ou for necessário. 94 Liderança Situacional As abordagens contingenciais desenvolveram-se a partir de observações realizadas em ambientes organizacionais diferenciados e da consequente constatação de que os estilos de liderança poderiam ser eficazes para umas circunstâncias e não para 95 Figura 12 – Situações e Liderança Fonte: Nexus, 2019. outras, isto é, de que não havia um estilo de liderança específico, mas, sim, situações específicas às quais os líderes deveriam se adaptar. Para essa abordagem, não existe, portanto, um estilo ideal de se liderar em qualquer situação, sendo necessário pensar a liderança de forma contingencial e não em termos de traços e/ou comportamentos, na medida em que a eficácia da liderança encontra-se intrinsecamente vinculada à capacidade dos líderes de adaptar seus estilos e suas próprias escalas de valores às exigências de uma situação ou grupo específico (RODRIGUES, 2013). A Figura 12 mostra a relação de direção versus demanda da situação. E1 – Determinar: o líder supervisiona da tarefa até seu fim, direcionando o colaborador para elaborá-la até conquistar confiança. 96 E2 – Orientar / Persuadir: o líder contribui apoiando a obtenção de novas ideias e disseminando conhecimento quando o colaborador necessita de ajuda. E3 – Compartilhar / Apoiar: o líder se encarrega de estimular o colaborador para adquirir segurança e buscar o aprendizado, aumentando suas habilidades e conhecimento. E4 – Delegar: ocorre quando os colaboradores possuem maior autonomia e liberdade, tendo conhecimento e segurança com as tarefas. O líder mantém pouca supervisão e pouco apoio. Os modelos de liderança situacionais delineiam o comportamento do líder em relação ao ambiente no qual se vê inserido e encontra-se dividido em dimensões que ora focam na tarefa, ora nas pessoas ou em ambas, simultaneamente. Em tempos de mudança de paradigmas, novas concepções são agregadas nas discussões sobre estilos de liderança por incorporarem aspectos motivacionais e culturais do homem e da sociedade. Em qualquer processo de liderança e gestão, a comunicação é decisiva para se obter sucesso. No nosso próximo encontro, veremos os principais conceitos que envolvem o processo de comunicação. Espero vocês e até breve! 97 11 Comunicação 98 Prezado aluno, comunicação é uma palavra derivada do termo latino communicare, que significa partilhar, tornar comum. Através da comunicação, os seres humanos e os animais partilham diferentes informações entre si, tornando o ato de comunicar uma atividade essencial para a vida e para a coletividade. Desde o princípio dos tempos, a comunicação foi de vital importância, sendo uma ferramenta de integração, instrução, de troca mútua e desenvolvimento. O processo de comunicação consiste na transmissão de informação entre um emissor e um receptor que decodifica (interpreta) uma determinada mensagem. A comunicação, portanto, tem papel fundamentalno desenvolvimento social e também dentro das organizações. Podemos dizer que a comunicação empresarial é uma ferramenta estratégica de planejamento usada para: melhorar a imagem da empresa, a relação com clientes e fornecedores e para obter resultados. Conforme vimos nas aulas anteriores, os sistemas de informações das empresas sustentam essas múltiplas formas de comunicação e buscam informar os gestores cada vez mais precisamente, para facilitar o processo de tomada de decisão. Ocorreram muitas alterações nesses sistemas nos últimos anos, causadas por mudanças nos públicos-alvo, na concorrência cada vez mais forte e na existência das novas tecnologias. Entretanto, o processo de comunicação segue preceitos básicos que devem ser dominados por gestores para um processo gerencial eficiente e eficaz. Vamos aprender sobre eles? 99 CARVALHO JÚNIOR, Ciro Ferreira et al. Chatbot: uma visão geral sobre aplicações inteligentes. Revista Sítio Novo, v. 2, n. 2, p. 68-84, 2018: Disponível aqui A evolução tecnológica mudou drasticamente a forma como as empresas se relacionam com seus distintos públicos, e a tecnologia de inteligência artificial (IA) permite uma otimização dos processos de vendas e atendimentos, especialmente por meio dos chatbots. um programa de computador feito para interação com pessoas, por meio de linguagem natural, simulando um humano. Para conhecer mais sobre esse assunto, leia o artigo de Carvalho Júnior (2018), que apresenta as principais características que definem softwares desenvolvidos para imitar ações humanas no processo de comunicação empresarial. Contexto Através do ato de se comunicar, os seres humanos podem expressar seus sentimentos, pensamentos, e obter respostas, ou seja, se relacionar com o meio em que vivem. Indícios de comunicação estão presentes, desde os tempos de nossos mais remotos antepassados que, ao desenharem gravuras nas rochas de cavernas ou interior de grutas, expressavam a necessidade de registrar mensagens sobre seus costumes e crenças, como o exemplo da Imagem 14. 100 http://sitionovo.ifto.edu.br/index.php/sitionovo/article/view/140/86 Imagem 14 – Pinturas em cavernas Fonte: Pixabay. Esses registros são estudados até os dias atuais e trazem valiosas informações sobre nossa própria evolução. Na medida em que simples traços passaram a ter significados, otimizando a troca de informações, podemos dizer que surgiu a escrita, acompanhada de toda variante de idiomas, dialetos, símbolos e culturas de cada povo ou país do mundo, sendo reconhecidamente um grande avanço para a transmissão da mensagem humana. Desde a Antiguidade, período em que surgiram as primeiras formas de comunicação, o homem desenvolve novas maneiras de se relacionar, seja no âmbito pessoal ou profissional. Consoni (2010) afirma que longe de ser um processo unilateral, a comunicação é sobre tudo um exercício de mútua influência, a partir da transmissão de ideias ou emoções de uma parte para outra, utilizando códigos compartilhados pelo emissor e receptor. Para compreender melhor o processo de comunicação, o próximo tópico tratará dos elementos da comunicação. 101 Elementos da comunicação Seguno Haswani (2017), a comunicação possui uma vasta gama de definições originadas em áreas do conhecimento como a Matemática, a Filosofia, a Sociologia, a Medicina, a Física, entre outras. Entretanto, essas origens tão diversas não impediram a convergência dos autores quanto aos componentes básicos do processo de comunicação presentes em todos os textos teóricos da área: mensagem, emissor (ou fonte), receptor (ou destinatário), canal (ou meio) e resposta. Vamos ver agora, cada um deles: Mensagem: Qualquer pensamento ou ideia expressada por meio de uma linguagem codificada por uma série de símbolos ou fonemas, que serão mutuamente entendíveis (palavras escritas ou faladas, gestos, imagens, ícones) pelo receptor. Emissor ou fonte da mensagem: é quem inicia o processo da comunicação, geralmente é uma pessoa que necessita ou deseja passar uma informação à outra. É responsável também por transmitir a mensagem com todas as informações necessárias para que haja o entendimento assertivo e efetivo desta. Canal: consiste no instrumento de transmissão, geralmente inseparável da mensagem. É o meio pelo qual a comunicação é transportada, podendo ser uma interação face a face, um sistema de telefonia ou ainda uma mensagem de texto enviada via correios, pelo computador, etc.. Receptor ou destinatário: é aquela pessoa a quem a mensagem é dirigida; pode ser mais do que uma pessoa (um grupo, por exemplo). Se a mensagem não chegar ao receptor, a comunicação não ocorreu, o que pode acontecer também quando a mensagem "chega" ao receptor, mas ele não consegue compreendê-la. Respostas (ou feedback): é o processo de dar informações retroativas em relação à compreensão da informação, atitude, comportamento, etc.. 102 Outros termos comuns: Código: representa o conjunto de signos que serão utilizados na mensagem. Linguagem: códigos de linguagem que são utilizados para que haja a transmissão correta das informações. Contexto: também chamado de referente, trata-se da situação comunicativa em que estão inseridos o emissor e receptor. Ruído na Comunicação: ele ocorre quando a mensagem não é decodificada de forma correta pelo interlocutor, por exemplo, o código utilizado pelo locutor, desconhecido pelo interlocutor; barulho do local; voz baixa; dentre outros. Os ruídos são um dos maiores problemas da comunicação. Você pode ver detalhes e um exemplo na sequência Problemas na comunicação Dada a importância da comunicação em todos os campos da sociedade humana, não se pode negar a sua essencialidade nos tratos organizacionais, dentro e fora das empresas. Sendo assim, o gestor deverá planejar conscientemente como se dará a comunicação da empresa com seus agentes internos e externos, para proporcionar assertividade e confiabilidade ao negócio. Planejar a comunicação de uma empresa envolve levar em consideração os receptores, priorizar os objetivos da mensagem, escolher os meios adequados de envio e analisar a efetividade da recepção, buscando eventuais correções de problemas e retroalimentando todo esse sistema, garantindo assim um ciclo de melhoria contínua. 103 Classificamos como ruído tudo o que atrapalha a decodificação de uma mensagem. Escrever um texto com interpretação dupla, por exemplo, causa ambiguidade. Um sinal ruim de telefone pode dificultar a compreensão do que se diz. Um erro no servidor da empresa pode atrasar a entrega de um e-mail. Qualquer coisa que impeça ou dificulte a chegada da mensagem ao receptor é chamada de ruído na comunicação. Uma parte essencial do processo de comunicação para evitar o ruído é uso do feedback, pois é quando o emissor analisa se o receptor realmente recebeu a mensagem corretamente. O feedback se dá por exemplo quando repetimos ao telefone o endereço que a secretária nos passou, confirmando a exatidão. Ou quando o supervisor constata que o operário seguiu as recomendações dadas anteriormente. O feedback possibilitará a correção de algum erro causado por eventuais ruídos no processo de comunicação. Podemos concluir que a comunicação é fundamental e pode ser considerada como uma ferramenta estratégica de planejamento nas interações internas – que podem contribuir para o alinhamento de informações, processos e alcance de objetivos - e externas - para melhorar o fluxo de informações e o relacionamento organizacional, com o objetivo de garantir a sustentabilidade da empresa no mercado. Observe um exemplo de ruído, que causou problemas de comunicação, quando as mensagens foram passadas tipo “telefone sem fio”, sendo modificadas de acordo com a interpretação de cada receptor: Avisos sobre o cometa Halley De: Diretor Presidente / Para: Gerente Na próxima sexta-feira, aproximadamente às 17 horas, o cometa Halley estará nesta área. Trata-se de um evento que ocorre a cada 78 anos. Assim, por favor, reúnam os funcionários no pátio da Fábrica, usando capacete de segurança,quando eu explicarei o fenômeno a eles. Se estiver chovendo, não poderemos ver o raro espetáculo a olho nu, sendo assim, todos deverão se dirigir ao refeitório, onde será exibido um filme “Documentário sobre o Cometa Halley”. 104 Fonte: Desconhecida. Do: Gerente / Para: Supervisor Por ordem do Diretor-Presidente, na sexta-feira às 17 horas, o cometa Halley vai aparecer sobre a Fábrica, a olho nu. Se chover, por favor, reúnam os funcionários, todos com capacete de segurança e os encaminhem ao refeitório, onde o raro fenômeno terá lugar, o que acontece a cada 78 anos. De: Supervisor / Para: Chefe de Produção A convite do nosso querido Diretor, o cientista Halley, 78 anos, vai aparecer nu às 17 horas no refeitório da Fábrica, usando capacete, pois vai ser apresentado um filme sobre o raro problema da chuva na segurança. O diretor levará a demonstração para o pátio da Fábrica. De: Chefe de Produção / Para: Mestre Na sexta-feira às 17 horas, o Diretor pela primeira vez em 78 anos, vai aparecer nu no refeitório da Fábrica, para filmar o Halley, o cientista famoso e sua equipe. Todo mundo deve estar lá de capacete, pois vai ser apresentado um show sobre a segurança na chuva. O diretor levará a banda para o pátio da Fábrica. De: Mestre / Para: Funcionários Todo mundo nu, sem exceção, deve estar com os seguranças no pátio da Fábrica na próxima sexta-feira, às 17 horas, pois o Sr. Diretor e o Sr. Halley, guitarrista famoso, estarão lá para mostrar o raro filme “Dançando na Chuva”. Caso comece a chover mesmo, é para ir pro refeitório de capacete na mesma hora. O show ocorre a cada 78 anos. Aviso geral, anexado no mural: Na sexta-feira o chefe da Diretoria vai fazer 78 anos e liberou geral pra festa às 17 horas, no refeitório. Vão estar lá, pago pelo manda-chuva, Bill Halley e seus cometas. Todo mundo deve estar nu e de capacete, porque a banda é muito louca e o rock vai rolar até o pátio, mesmo com chuva. 105 E você, já viveu alguma situação complicada por conta de problemas de comunicação? 106 12 Manuais Administrativos 107 Caros alunos, na aula passada, falamos a respeito da comunicação como fator fundamental para o nosso desenvolvimento social e também como vantagem competitiva para as organizações e, por esse motivo, é muito importante que ela flua pela organização, com o objetivo de informar, motivar e contribuir para os resultados. Uma das formas de se garantir o alinhamento das informações, uniformidade dos processos administrativos e a ampla compreensão dos procedimentos é o uso de manuais, que contêm detalhamentos importantes sobre o funcionamento da organização. O propósito de um manual é fornecer diretrizes ou regras sobre como fazer ou usar algo de maneira sistemática. É uma espécie de guia de instruções que também ajuda a corrigir um problema que esteja acontecendo com um equipamento, como um computador, eletrodoméstico ou dispositivo mecânico. Já no setor empresarial, o manual costuma ser utilizado para gerir um conjunto de regras que fazem referência aos processos e procedimentos que compõe essa instituição. O manual administrativo, portanto, pode ser considerado na empresa como o conjunto sistemático de normas que indicam as atividades a serem cumpridas pelos indivíduos que mantêm relações de trabalho com a empresa, e a forma pela qual as mesmas deverão ser realizadas. Assim, nesta aula vamos analisar os Manuais Administrativos, que colocam a empresa naquilo que chamamos de normatização das rotinas e métodos de trabalho. Vamos nessa? 108 Os manuais são de grande importância na hora de transmitir informação às pessoas para desenvolver-se em uma determinada situação. É comum que os manuais acompanhem os produtos oferecidos no mercado, como uma forma de suporte ao cliente. Geralmente, os manuais costumam ter uma descrição do produto/serviço/processo e de sua utilização, seja para obter um bom rendimento como também para explicar e evitar possíveis problemas. Provavelmente, você já teve ter tido a experiência de ler algum manual que te ajudou em alguma empreitada, seja montar um móvel, acessar um software ou compreender informações relevantes de um processo. Para exemplificar como devem ser os manuais, seguem dois exemplos disponíveis na internet: Produto (Usuário aparelho Motorola i9): https://bityli.com/loOop Administrativo: Sistema Catarinense de Telemedicina e Telessaúde: https://bityli.com/fT4BY Observe que ambos seguem um padrão completo e detalhado, que objetiva atender todas as possíveis demandas de seus usuários. Conceito Uma das funções da área de OSM é a de elaborar e acompanhar os estudos dos sistemas e rotinas administrativas, emitindo normas, regulamentos e manuais necessários. Assim, o manual administrativo pode ser considerado como um instrumento ou ferramenta da área de OSM que pode auxiliar na padronização e normatização da rotina e métodos de trabalho (SILVA, 2013). 109 https://bityli.com/loOop https://bityli.com/fT4BY De acordo com Oliveira (2005), manual é todo e qualquer conjunto de normas, procedimentos, funções, atividades, políticas, objetivos, instruções e orientações que devem ser obedecidos e cumpridos pelos executivos e funcionários da empresa, bem como a forma como estes devem ser executados, quer seja individualmente, quer seja em conjunto. O manual possui caráter esclarecedor, reúne normas, diretrizes e sistemáticas operacionais, e, em alguns casos, identifica a forma de execução de uma atividade. Acrescenta-se ainda que, de acordo com Cury (2017, p. 427): Os manuais são documentos elaborados dentro de uma empresa com a finalidade de uniformizar os procedimentos que devem ser observados nas diversas áreas de atividades, sendo, portanto, um ótimo instrumento de racionalização de métodos, de aperfeiçoamento do sistema de comunicações, favorecendo, finalmente, a integração dos diversos subsistemas organizacionais, quando elaborados cuidadosamente com base na realidade da cultura organizacional. Os manuais são instrumentos de gerência, de relativa duração, reunidos dentro de uma capa característica, de fácil identificação, classificados, providos de índices organizados a fim de tornar máximo seu valor como obra de referência. Os manuais 110 devem ser encarados como um instrumento executivo-normativo, cuja utilidade para a organização está na razão direta de sua flexibilidade e rapidez em se adaptar às mudanças processadas em quaisquer das matérias que os integram. Normalmente um manual é constituído de diversos tomos (divisão editorial de uma obra), segundo os subsistemas integrantes da empresa, e compõem-se de normas, instruções, rotinas e outros instrumentos complementares como quadros, tabelas, fluxogramas, catálogos, listas etc.. Objetivos da criação de manuais Segundo Araújo (2008), alguns indicadores apontam a necessidade de criação de manuais. São alguns deles: Existência de filas; Contínua formulação de perguntas semelhantes pelos usuários; Desconhecimento do funcionamento interno de dada unidade; Problemas com processos voltados à coordenação entre as várias funções organizacionais; Necessidade de divulgação de mudanças em processos; Necessidade de criar manuais para fins de treinamento, reduzindo a ineficiência e aumentando a capacidade de melhorar a gestão de processos; Necessidade de formalização de políticas e diretrizes de uma organização, voltadas para direitos e deveres de seus agentes; Necessidade de definição de processos de admissão, treinamento e avaliação, destacando procedimentos. Diante desse contexto, o objetivo da manualização é reunir informações e dispô-las de forma sistematizada, criteriosa e segmentada de forma a construir um instrumento facilitador da gestão de processos. 111 Vantagens e desvantagens O uso dos manuais administrativos traz consigo inúmeras vantagens, tais como algumas citadas por Oliveira (2005): São uma importante e constante fonte de informações sobre os trabalhos; Facilitam o processo de efetivar normas, procedimentos e funções administrativas; Ajudam a fixarcritérios e padrões, bem como uniformizam a terminologia técnica básica do processo administrativo. Com isto, possibilitam a normatização das atividades administrativas; Possibilitam treinamento aos novos e antigos funcionários; Representam um instrumento efetivo de consulta, orientação e treinamento; Possibilita que os funcionários tenham melhor visão de sua representatividade; Representam um elemento importante de revisão e avaliação objetivas das práticas e dos processos institucionalizados; Aumentam a predisposição do pessoal para assumir responsabilidade, uma vez que aquilo que tem de ser feito está claramente estabelecido por escrito; Por outro lado, os manuais têm restrições e limitações, como: Estimula a excessiva burocratização quando apresentam normas a obedecer, procedimentos a cumprir e processos a executar. Há um custo para sua elaboração e manutenção; A não utilização constante e a não atualização pode torná-lo obsoleto em pouco tempo; Quando as relações informais são acentuadas, um manual perde expressiva importância para aquele universo de agentes; Muitas pessoas não se sentem atraídas pela leitura de grandes manuais; Etapas para elaboração de um manual Para Araújo (2008), a consolidação do uso correto de manuais implica quatro etapas: 1. Itemizar todos os manuais que a organização possui e verificar que função cada um exerce, seu uso, sua utilidade no momento, quais os tipos e em que áreas se localizam para, em seguida, verificar que demandas se fazem presentes; 112 2. Fazer a manualização das demandas detectadas. Em outras palavras, selecionar o modelo de acordo com o detalhamento e a qualificação que atendam a cada sistema; 3. Elaborar o manual que coloque em prática os estudos preliminares realizados; 4. Distribuir o manual aos agentes participantes do processo. Estrutura de um manual As orientações gerais para elaboração de manuais mostram que eles devem ser bem elaborados, claros, lógicos; sem restringir a criatividade humana; sempre voltados a agilizar o funcionamento da organização; objetivar sempre o atendimento às necessidades organizacionais; oferecer uma ordenação adequada a cada propósito, dentre outras coisas. Embora não haja uma “receita” para sua elaboração, uma estrutura mínima deve orientar a formatação de um manual: Introdução/apresentação – indicando os objetivos e como ele está estruturado, em termos da disposição do conteúdo; Sumário ou índice numérico – apresentando em itens o conteúdo e em que páginas se encontram. O sumário ou índice numérico permite a rápida localização das informações necessárias; Instruções para uso e atualização – instruções como sistema de codificação, utilização de anexos e apêndices; Conteúdo – procura responder às diversas questões. Nesse aspecto, cada manual, para cada situação, em diferente organização ou área de trabalho, constrói o conteúdo de seu instrumento conforme seus objetivos; Anexos, apêndices e glossário – dispostos no manual, ilustrando e auxiliando o entendimento das partes descritas, modelos de formulários, gráficos representativos, exemplos de outras áreas de trabalho ou organizações e glossários, entre outras fontes de informação; Referências – indicação dos autores citados e consultados para a estruturação do manual, bem como dos padrões adotados de acordo com as normas. 113 Agora que você já entendeu o que é e qual a finalidade de um manual, que tal treinar seus conhecimentos elaborando um pequeno roteiro para auxiliar uma tarefa? Suponha que seu avô idoso precisa aprender a instalar o aplicativo do Whatsapp em seu novo Smartphone. Ele mora sozinho e não tem quem o ajude. Para que ele possa realizar essa tarefa sozinho, você deve elaborar um manual, ensinando o passo a passo para execução desse procedimento. Use a criatividade, textos, imagens, descrições. O mais importante, é que seu manual seja claro para quem está utilizando e realmente consiga resolver o problema. Pense em como seu avô gostaria de aprender esse processo e qual a abordagem mais adequada para esse manual. 114 13 Balanced Scorecard (BSC) 115 Caros alunos, muitas empresas estão chegando à conclusão de que a atenção sistemática ao planejamento estratégico é uma atividade muito proveitosa e peça fundamental para sua evolução, ou até mesmo sobrevivência. Empresas pequenas, médias e grandes, distribuidores e fabricantes, bancos, instituições sem fins lucrativos, enfim, todos os tipos de organizações, devem decidir os rumos que sejam mais adequados aos seus interesses. Dentre as causas mais importantes da ênfase dada ao planejamento estratégico, pode-se citar que os ambientes de praticamente todas as empresas mudam com surpreendente rapidez. Essas mudanças ocorrem nos ambientes econômico, social, tecnológico e político. A empresa somente poderá crescer e progredir se conseguir ajustar-se à conjuntura, e o planejamento estratégico é uma técnica comprovada para que tais ajustes sejam feitos com inteligência. Nesse contexto, destacamos o Balanced Scorecard (BSC) como uma abordagem estratégica de longo prazo sustentada por um sistema de gestão, comunicação e medição de desempenho, cuja implementação permite criar uma visão ampla dos objetivos da empresa, e atingir todos os níveis da organização. Esse será o tema desta aula! Vamos nessa? 116 Segundo Kallás (2005), Balanced Scorecard significa Indicadores Balanceados de Desempenho. Este é o nome de uma metodologia voltada à gestão estratégica das empresas, que pressupõe que a escolha dos indicadores para a gestão de uma empresa não deve se restringir a informações econômicas ou financeiras. Isso porque as medidas financeiras sozinhas são inadequadas para guiar uma organização no seu propósito de criar valor. Atualmente, o aumento da competitividade tem feito com que as organizações se preocupem com os demais fatores envolvidos na produção de bens ou na prestação de serviços. Assim, o BSC inclui medidas mais operacionais de satisfação do consumidor, processos internos, inovação e outras atividades de melhoramento, tornando-se, portanto, um conjunto equilibrado ou balanceado de medidas e indicadores de desempenho. Compreendendo o contexto de BSC Assim como não é possível realizar um vôo seguro baseando-se apenas no velocímetro de um avião, indicadores financeiros não são suficientes para garantir que a empresa está caminhando na direção correta. É necessário monitorar, juntamente com resultados econômico-financeiros, desempenho de mercado junto aos clientes, desempenho dos processos internos e pessoas, inovações e tecnologia, etc.., que são capazes de alavancar os resultados financeiros esperados. Isto é o que se chama de criar valor com ativos intangíveis. 117 Fonte: Freepik. BSC, portanto, a partir de uma visão integrada e balanceada da empresa, permite descrever a estratégia de forma clara, através de objetivos estratégicos em quatro perspectivas: financeira, mercadológica, processos internos e aprendizado e inovação; sendo todos eles relacionados entre si através de uma relação de causa e efeito. Além disso, o BSC promove o alinhamento dos objetivos estratégicos com indicadores de desempenho, metas e planos de ação. Desta maneira, é possível gerenciar a estratégia de forma integrada e garantir que os esforços da organização estejam direcionados para a estratégia. 118 Figura 13 – Evolução do conceito de Balanced Scorecard Fonte: Adaptado de Herrera Filho (2019). Histórico e definição De acordo com Faria (2007), o BSC foi desenvolvido inicialmente por Robert Kaplan, professor da Harvard Business School (Estados Unidos), e por David Norton, executivo principal do Instituto Nolan Norton, no início da década de 90. De acordo com o autor, essa ferramenta nasceu com o objetivo de transformar em realidade as estratégias antes fadadas a permanecerem no papel. Sua criação surgiu devido ao fato de que a escolha dos indicadores para a gestão de uma empresa não deveria mais se restringir a informações econômicas ou financeiras, como há muito vinha sendo feita pelagrande maioria das empresas. Havia a necessidade de soluções inovadoras frente aos novos desafios organizacionais das empresas inseridas na economia do conhecimento e na Era da Informação. Segundo Herrera Filho (2019), como a própria estratégia competitiva, o conceito de BSC não é estático e sua dinâmica tem evoluído, incorporando a aprendizagem e novos conhecimentos decorrentes de sua implantação em centenas de empresas, em diferentes partes do mundo. A Figura 13 retrata a evolução do Balanced Scorecard. Esse histórico define-se, resumidamente, pelas seguintes características, dispostas no Quadro 5: 119 Quadro 5 – Características das fases do BSC Fonte: Adaptado de Herrera Filho (2019). FASES DO BALANCED SCORECARD CARATERÍSTICAS CONCEITUAIS Fase 1: Ferramenta de Mensuração Pesquisa "Medindo a performance nas organizações do futuro" (NORTON; KAPLAN, 1990), com o objetivo de desenvolver um novo modelo de medição de desempenho, com medidas de performance vinculadas à estratégia da organização. Fase 2: Ferramenta de Implementação de Estratégia Mais do que medir o desempenho, o BSC estava sendo utilizado como uma ferramenta de implantação da estratégia, incorporando quatro novos processos de negócios (Tradução da visão; Comunicação e conexão; Planejamento de negócios e Feedback e aprendizado) que possibilitavam a conexão dos objetivos estratégicos de longo prazo com as ações de curto prazo. Fase 3: Sistema de Gestão Estratégica Permitia o alinhamento de recursos organizacionais (equipes, informações, tecnologias, etc..) e criava o foco necessário para a implantação da estratégia, a partir de 4 princípios gerenciais: Traduzir a estratégia em termos operacionais; Alinhar a organização à estratégia; Transformar a estratégia em processo contínuo e Mobilizar a mudança por meio da liderança executiva. Fase 4: Gestão Estratégica Integrada Os objetivos estratégicos deveriam interligar-se em relações de causa e efeito; e a criação de mapas estratégicos possibilitava descrever e comunicar a estratégia para os participantes da organização. Novas perspectivas foram incorporadas no processo de BSC, incluindo finanças, clientes, processos internos e aprendizagem e renovação. De acordo com Herrera Filho (2019), o BSC pode ser entendido sob duas dimensões: 120 É um sistema de gestão que traduz a estratégia de uma empresa em objetivos, medidas, metas e iniciativas de fácil entendimento pelos participantes da organização. É uma ferramenta gerencial que permite capturar, descrever e transformar os ativos intangíveis de uma organização em valor para os stakeholders. O BSC é, portanto, um mecanismo eficiente para gerenciar o desempenho empresarial, e tem como principais objetivos: implementar estratégias efetivas, transformar a estratégia em medidas de ações específicas, comunicar e alinhar a estratégia em todos os níveis da organização, direcionar as mudanças operacionais com a estratégia, e a criação de valor aos ativos intangíveis. Perspectivas do BSC A metodologia do BSC considera em sua análise as seguintes perspectivas: Financeira: Os objetivos financeiros, em sua grande parte, estão ligados ao anseio pela obtenção de lucro, podendo ser medido, por exemplo, pela receita operacional, sobre o valor econômico agregado ou ainda pelo retorno sobre o capital empregado. Oliveira et al. (2011) apresentam cinco indicadores que são essenciais dentro da perspectiva financeira, sendo eles: receita operacional; retorno sobre o investimento; lucratividade; aumento da receita e produtividade; e redução de custos. Clientes: Oliveira et al. (2011) dizem que, sob a perspectiva de cliente, são identificados os clientes e o mercado em que a empresa deseja competir. Existem alguns valores que são oferecidos aos clientes por parte da organização, sendo eles: liderança em produtos, excelência operacional e a aproximação (identidade e intimidade) com o consumidor. Processos internos: Na perspectiva de processos internos, há o tratamento dos objetivos relacionados com as atividades da empresa que necessitam ser implementadas ou aprimoradas para gerar valor para o cliente. Oliveira et al. (2011) relatam que, nessa perspectiva, há a busca por indicadores que coloquem à vista os casos de ineficiência e ineficácia na condução dos processos. Inovação e Aprendizado: A perspectiva aprendizagem e crescimento contempla aspectos como habilidades e conhecimentos que são necessários para a sustentação das demais perspectivas. Também oferece a possibilidade de identificar, dentro do 121 sistema organizacional, os ativos intangíveis necessários para a realização das atividades empresariais e identificação das relações com os clientes. Implantação do BSC A metodologia utilizada pelo Balanced Scorecard consiste, basicamente, nas seguintes etapas: - Mobilização dos líderes para o processo de mudança cultural; - Tradução da estratégia e elaboração do mapa estratégico, com indicadores e metas; - Alinhamento da organização e dos processos à estratégia, com o desdobramento da mesma nos diversos níveis; - Motivação, conscientização e educação do comportamento das pessoas em direção à estratégia; - Monitoramento dos desempenhos, avaliação da implementação, revisão e ajuste da estratégia. Ao desdobrar os indicadores corporativos em setores, com metas claramente definidas, esse modelo traduz a missão e a estratégia de uma empresa em objetivos e medidas tangíveis, oferecendo uma visão do futuro e um caminho para chegar até ele. Assim, os executivos podem avaliar até que ponto suas unidades de negócios geram valor para os clientes atuais e futuros, e como devem aperfeiçoar as capacidades internas e os investimentos necessários em pessoal, sistemas e procedimentos, visando melhorar o desempenho futuro. 122 Acesse o link: Disponível aqui Para compreender melhor os constructos teóricos do BSC e verificar uma utilização prática que trouxe resultados, leia o artigo de Godoi e Prado (2016). Os autores identificaram o processo de planejamento adotado por uma fundação de direito privado, que atua em atividades de tecnologia da informação para comunicação, situada no interior de São Paulo, para identificar a viabilidade de implantação do BSC. GODOI, Bianca Maria Andrade; PRADO, Eduardo Vieira. Aplicação do Balanced Scorecard (BSC) como ferramenta de gestão em uma organização do terceiro setor. Unoversitas, n. 18, p. 1-32, 2016. 123 http://www.revistauniversitas.inf.br/index.php/UNIVERSITAS/article/view/251/169 14 Análise SWOT 124 Prezados alunos, em a Arte da Guerra, Sun Tzu escreveu: “Concentre-se nos pontos fortes, reconheça as fraquezas, agarre as oportunidades e proteja-se contra as ameaças”. Essa técnica de guerra, na verdade, é também a essência da ferramenta que vamos aprender nesta aula: A Matriz SWOT, um acrônimo das palavras em inglês: Strengths, Weaknesses, Opportunities, Threats, que significam, respectivamente: Forças, Fraquezas, Oportunidades, Ameaças e, devido à abreviação das palavras traduzidas para o português, no Brasil também é chamada de FOFA. A Análise SWOT (ou Matriz SWOT) é uma ferramenta-conceito utilizada para fazer a análise de um cenário (ou de um ambiente), proporcionando a base para o planejamento estratégico e o gerenciamento de uma empresa, por exemplo. Devido a sua simplicidade, pode ser utilizada para qualquer tipo de análise de cenário, desde a criação de um site na internet, passando por uma pequena empresa e indo até a gestão de uma grande multinacional. Vamos conhecê-la melhor? 125 Acesse o link: Disponível aqui Apesar de não apresentar uma enorme complexidade, a matriz SWOT requer a compreensão das etapas de elaboração, preenchimento e análise, para produzir resultados. Aprofunde seu conhecimento sobre análise SWOT e faça o download do ebook da Luz – Planilhas empresariais. Conceito Assim como BSC, a Matriz SWOT faz parte do conjunto de ferramentas estratégicas de uma organização que avalia perspectivas internas e externas, sendo um excelente complemento para o planejamentoestratégico. Foi criada entre as décadas de 1960 e 1970 por Albert Humphrey, que liderou diversos projetos de pesquisa na Universidade de Stanford, com o objetivo de avaliar como ocorria a elaboração do planejamento estratégico das organizações, considerando as estratégias internas e externas, que originou a estrutura da matriz SWOT (HOFRICHTER, 2017). O termo SWOT é a conjunção das palavras Strengths (forças), Weaknesses (fraquezas), Opportunitys (oportunidades) e Threats (ameaças) e é uma ferramenta que possibilita avaliar o comportamento das organizações por meio de análises internas e externas. Esta análise de cenário é “transportada” para uma grade do tipo “2×2″ (duas linhas e duas colunas) e divide o ambiente em duas classes: ambiente interno, que faz a combinação de forças e fraquezas de uma organização (Forças e Fraquezas) e ambiente externo que refere-se essencialmente às oportunidades e ameaças provenientes do mercado (Oportunidades e Ameaças), conforme Figura 14. 126 http://www.facped.com.br/arquivos/08.Ebook-GuiaRapidoAnaliseSWOT.pdf Figura 14 – Grade da Matriz SWOT Fonte: Leite e Gasparotto, 2018. As forças e as fraquezas são determinadas pela posição atual da empresa no mercado e se relacionam, quase sempre, a fatores internos (pessoas, modelo de gestão, etc..). Já as oportunidades e ameaças são as antecipações do futuro e estão relacionadas a fatores externos (novos concorrentes, mudanças econômicas, etc..). O próximo tópico trata mais detalhadamente desses pontos. Matriz A Análise SWOT deve ser elaborada com a participação da alta gestão, pois ela está ligada diretamente com as decisões relacionadas ao planejamento estratégico da empresa. Embora existam variações nos modelos que representam uma análise SWOT, sua forma de interpretação não difere muito um do outro. A ideia principal é relacionar as informações contidas nos quadrantes e como cada empresa deve definir seus planos de ação para chegar a um resultado específico que lhe interesse. Na sequência, você encontra a apresentação de cada quadro da matriz. 127 Definição de Strenghts (Forças) De acordo com Oliveira (2005), uma força ou um ponto forte é a diferenciação conseguida pela empresa – variável controlável – que lhe proporciona uma vantagem operacional no ambiente empresarial. As forças são características internas de uma organização, que podem gerar vantagens sobre os seus concorrentes, por ser um diferencial, ou facilitar a busca pelos objetivos impostos. Esses pontos positivos e precisam ser exploradas ao máximo, levando a empresa a alcançar sua missão e diminuir as suas fraquezas. São exemplos de forças de uma empresa: Profissionais altamente treinados; Localização excelente; Equipamentos modernos; Alta gestão e demais setores envolvidos na busca pelos objetivos. Definição de Weaknesses (Fraquezas) A fraqueza também é uma característica interna da empresa, que precisa ser controlada e melhorada, pois ela coloca a empresa em situação de risco se comparada aos seus concorrentes, dificultando a busca pelos objetivos impostos. Portanto, fraqueza ou ponto fraco é a situação inadequada da empresa que lhe proporciona uma desvantagem operacional no ambiente empresarial (OLIVEIRA, 2005). Destacam-se alguns exemplos de fraquezas dentro de uma empresa: Excesso de erros na produção Salários defasados Maquinário obsoleto Liderança despreparada Falta de planejamento 128 Definição de Oportunitties (Oportunidades) Oliveira (2005) destaca que a oportunidade é a força ambiental incontrolável pela empresa, que pode favorecer sua ação estratégica, desde que conhecida e aproveitada satisfatoriamente. As oportunidades são aspectos positivos e estão ligadas diretamente ao ambiente que a empresa se encontra ou pretende se instalar, sendo que não podem ser controladas pela entidade, mas estão relacionadas diretamente com as tomadas de decisão do planejamento estratégico. Se bem aproveitadas pela companhia, podem gerar rentabilidade e visibilidade. Alguns exemplos de oportunidades: Financiamento especial bancário Vendas de produtos com determinada estação anual Queda do dólar, permitindo a importação de matéria prima ou de cursos específicos Definição de Threats (Ameaças) Para Oliveira (2005), ameaça é a força ambiental incontrolável pela empresa, que cria obstáculos à sua ação estratégica, mas que poderá ou não ser evitada, desde que reconhecida em tempo hábil. Portanto, as ameaças são aspectos externos que impactam diretamente a empresa e não podem ser controladas, elas podem prejudicar o desenvolvimento da organização e acarretar perda de posicionamento no mercado e diminuir suas receitas e atividades. Alguns exemplos de ameaças: Novos concorrentes Instabilidade política Aumento dos combustíveis 129 Aplicação A Análise SWOT é utilizada especialmente para auxiliar no desenvolvimento de estratégias, podendo ser aplicada em diversas situações, tais como na análise de sistemas de integração, fluxo de informação e tarefas, etc.. Os principais benefícios dessa análise, de acordo com Ferreira et al. (2019), são: 1. simplicidade, pois não requer treinamento demorado nem habilidades técnicas para sua utilização com sucesso, o analista precisa apenas de uma compreensão abrangente da natureza da empresa e do setor em que ele opera; 2. custos menores, pois além de não requerer treinamento, reduz custos agregados ao planejamento estratégico; 3. flexibilidade, pois a análise SWOT pode melhorar a qualidade do planejamento estratégico de uma organização, mesmo sem contar com amplos sistemas de informações; 4. integração e síntese de diversas informações, sejam elas de natureza qualitativa e quantitativa, amplamente conhecidas ou recém adquiridas, e de diferentes fontes, transformando a diversidade de informações, antes uma fraqueza, em uma das maiores forças do processo de planejamento; 5. colaboração e troca de informações entre os gerentes das diferentes áreas funcionais. Para finalizar a contextualização, vale mencionar que a análise SWOT é uma das técnicas mais utilizadas em investigação social, quer na elaboração de diagnósticos, quer em análise organizacional ou elaboração de planos. No entanto, a sua utilização, nem sempre se traduz em contributos efetivos para os processos, sendo que, muitas vezes, ela surge mais como um ritual ou uma tentativa desprovida de conteúdo real, de sermos mais científicos ou técnicos nos processos de planejamento e/ou avaliação (FERNANDES et al., 2015). O modelo SWOT possibilita ao gestor uma identificação das potencialidades e vulnerabilidades da empresa em que atua. Através dele torna-se possível criar meios de manter-se no mercado fazendo melhor que os concorrentes, usando ações defensivas e adquirindo forças para explorar as melhores oportunidades. 130 Fatores para análise Conceito Exemplos Pontos Fortes (strengths) São fatos, recursos, reputação ou outros fatores identificados com o ambiente interno, que podem significar uma vantagem da organização em relação aos concorrentes/ ou um diferencial no cumprimento de sua missão. Recursos financeiros, liderança abertura a mudança, clima organizacional, tamanho e lealdade da base de clientes, itens de diferenciação de produtos e serviços, margem de retorno, economia de escala. Pontos fracos (weakness) São deficiências ou limitações que podem restringir o desempenho da organização, identificados com o ambiente interno. Inabilidades técnicas ou gerenciais, inadequado controle de custos, obsolescência de métodos e/ ou equipamentos, endividamento incompatível com o fluxo de caixa, alto índice de turnover, falta de definições estratégicas, vulnerabilidade à competição. Oportunidades (opportunities) São fatos ou situações do ambiente externo Novas tecnologias, tendências de mercado, 131 Fonte: Adaptados de Silveira (2001). que a organização pode vir a explorar com sucesso. novos mercados, novos produtos, créditos facilitados, alianças estratégicas, produtos complementares. Ameaças (threats) Antíteses das oportunidadessão situações do ambiente externo com potencial de impedir o sucesso da organização. Novas tecnologias, tendências de mercado, legislação restritiva, novos competidores, taxa de juros, abertura de mercado. Nas últimas aulas você teve a oportunidade de compreender que analisar os ambientes internos e externos é fundamental para que as organizações possam elaborar corretamente estratégias que as destaquem das demais. Na próxima aula, falaremos de um aspecto interno bastante simples, mas que exige muitos cuidados na implantação prática e que, se bem sucedido, pode melhorar a produtividade, qualidade, segurança e contribuir para muitos indicadores de uma empresa: a definição dos layouts (ou leiautes). Espero todos vocês! 132 15 Layout 133 Prezados alunos, falaremos nessa aula a respeito dos layouts organizacionais. Se você fizer um comparativo com sua vida pessoal, perceberá que todos nós trabalhamos para dispor as ferramentas que usamos de maneira que facilite nosso trabalho, seja na forma como escolhemos em que parede da sala ficará a TV, como arrumamos a louça para lavar, ou como organizamos, no geral, os cômodos de nossa casa, de forma que as pessoas e os processos domésticos possam fluir mais natural e livremente. Nas empresas, acontece a mesma coisa. O layout (leiaute) ou arranjo físico de uma organização preocupa-se com a localização física dos recursos de transformação, é uma forma de visualizar como estão dispostos os funcionários, as máquinas e os equipamentos de uma empresa. Seu objetivo está em uma melhor utilização do espaço físico disponível, conseguindo desta forma reduzir os custos e aumentar a produtividade. É uma das características mais evidentes de uma operação produtiva porque determina sua forma e aparência, também determina a maneira segundo a qual os recursos transformados, materiais, informações e clientes, fluem através da operação. Vamos aprender mais sobre isso? Acesse o link: Disponível aqui Antes de aprender as conceituações teóricas, assista ao vídeo “Como a mudança de layout traz mais qualidade para a marcenaria”, feito pela plataforma Gabster e disponível no Youtube, no link a seguir. 134 https://www.youtube.com/watch?v=CtoqIRpSGkU Definição de Layout Layout ou arranjo físico é o posicionamento dos equipamentos, maquinários, instalações e colaboradores dentro de uma organização, proporcionando a movimentação dos materiais, informações e consumidores (SLACK et al., 2009). Logo, o layout adequado se torna imprescindível, pois o emprego incorreto do mesmo ocasiona quebras em fluxos contínuos, aumenta a complexidade e incorre em altos custos desnecessários. Layout é considerado também como a adaptação do ambiente a uma atividade a ser desenvolvida, tendo como objetivo a aplicação e deslocamento eficientes de equipamentos, pessoas e insumos. De acordo com Corrêa e Corrêa (2009), as decisões de layout não são relatadas apenas para o planejamento de criação de uma recente instalação, mas também devem ser feitas e revisadas sempre que a estrutura física prejudicar o comportamento da operação. Além disso, o layout deve concordar com a estratégia competitiva do trabalho. Assim sendo, o layout é uma maneira de aprimorar os processos que podem influenciar nas prioridades competitivas de uma empresa de diversos modos: maximizando a satisfação dos clientes e as vendas; proporcionando o movimento de informações e matéria-prima; minimizando os riscos para os colaboradores; desenvolvendo a comunicação; maximizando a motivação dos colaboradores; maximizando o emprego eficiente das atividades e equipamentos (KRAJEWSKI; RITZMAN; MALHOTRA, 2009). O estudo do layout em qualquer meio é fundamental, pois disso necessita o bem- estar e, portanto, um rendimento satisfatório dos colaboradores. Uma boa distribuição dos mobiliários e utensílios proporciona mais eficiência aos fluxos de atividades e um progresso na própria imagem do ambiente (ALVES, 2008). Conforme explorado pelos autores Slack et al. (2009), dentre os principais objetivos de um layout, destaca-se: o prolongamento da movimentação, entendimento da movimentação, comodidade para os colaboradores, administração gerencial, fácil acesso aos maquinários, utilização do espaço físico e maleabilidade em longo prazo. 135 Principais tipos de layout Embora não haja unanimidade na literatura quanto aos tipos de layout, algumas classificações semelhantes aparecem em vários estudos de diferentes autores. Na sequência, vamos apresentar principais tipos de layout. Arranjo posicional (ou Arranjo de posição fixa) O arranjo físico posicional é caracterizado pelo fato de que o material ou pessoa, que são o resultado final da operação, permanecem estacionários devido a suas características e/ou condições que não permitem movê-lo entre as etapas do processo de produção (CORRÊA; CORRÊA, 2009). Segundo Slack et al. (2009), este tipo de arranjo também pode ser conhecido como arranjo por posição fixa. Neste tipo de arranjo os recursos transformados – materiais, informações ou clientes – não se movem entre os recursos transformadores, cabem às pessoas, máquinas e equipamentos se moverem quando houver necessidade. Os autores concluem ainda que este tipo de arranjo físico é utilizado quando o volume de produção é baixo e os custos para movimentar o produto são elevados. Alguns exemplos da utilização deste tipo de layout podem ser percebidos na construção civil, em restaurantes de alta classe, em manutenção de computador de grande porte, em estaleiros, dentre outros. Arranjo funcional (ou Arranjo por processo) No layout funcional ocorre um agrupamento de recursos produtivos que possuem funções semelhantes, o que acaba gerando setores ou áreas dentro da unidade produtiva. 136 Para Corrêa e Corrêa (2009) o arranjo físico funcional também é conhecido como arranjo físico por processo, pois este tipo de arranjo consiste em agrupar recursos que possuem processo similar. Os autores concluem, ainda, que este tipo de layout é utilizado quando os fluxos são variados e que ocorrem de maneira não contínua. A utilização deste modelo de arranjo físico é muito comum em: fábricas em que o setor de produção é divido em processos – tornearia, setor de furação, centros de usinagem – formando desta maneira vários setores dentro da fábrica. Outros exemplos são em hospitais, onde a área é dividida em centro cirúrgico, centro de tratamento intensivo, pediatria, unidade de terapia intensiva. Também podemos citar em lojas comerciais, em que a disposição física dos produtos permite com que estes sejam alocados de maneira setorizada, por exemplo, departamento infantil, departamento feminino, departamento masculino. Arranjo por produto (ou Arranjo linear / Arranjo em linha) No arranjo físico por produto, a disposição dos recursos é feita de maneira sequencial, baseada na linha de produção da organização. Para Corrêa e Corrêa (2009), este modelo de layout é necessário em empresas em que o volume do fluxo de produção é elevado e possuem sequências bem parecidas. O arranjo físico por produto é utilizado quando a organização necessita de uma produção linear tanto para fabricar um produto ou prestar algum tipo de serviço. Dessa maneira, cada centro de trabalho é responsável por parte da produção ou prestação de serviço. Ainda segundo o autor, as principais características do arranjo físico por produto são: Propício para organizações que possuem um sistema de produção com alta padronização, grande volume de produção e que se utiliza do conceito de produção contínua ou em massa; Possui um fluxo de materiais previsíveis; Este tipo de arranjo físico pode ser aplicado em empresas com qualquer que seja sua taxa de produção, alta ou baixa; Possui altos custos, devido à necessidade de maquinas e equipamentos com capacidade produtiva para altos volumes de produção. 137 Arranjo celular Entende-se como arranjo físico celular o tipo de layout cujo funcionamento ocorre de maneira que: assim que os recursos transformadores entram no processo de transformação,eles são pré-selecionados para serem alocados em uma parte específica da operação, que é denominada célula (SLACK et al., 2009). A utilização do arranjo físico celular se faz necessária quando a organização possui volume e variedade intermediários, o que impossibilita o uso do arranjo físico por produto – variedade pequena e volume grande – e o uso do arranjo físico por processo – volume pequeno e grande variedade (NEUMANN; SCALICE, 2015). Sendo assim, o layout celular busca unir a flexibilidade do layout por processo com a simplicidade do layout em linha. Alguns exemplos do emprego do arranjo físico celular são: empresas manufatureiras de componentes de computador; o setor de maternidade em um hospital; empresas de mobiliários; empresas de autopeças; dentre outros. 138 Fonte: Freepik. Arranjos mistos Para Neumann e Scalice (2015), o layout misto também é conhecido como layout híbrido. Além disso, eles acrescentam que um arranjo físico misto é quando se utiliza mais de um tipo de arranjo físico clássico para planejar o arranjo de uma unidade produtiva. Krajewski; Ritzman e Malhotra (2009) complementam que os gerentes de operações também criam planos de arranjos mistos ou híbridos quando introduzem células e automatização flexível, tal como um sistema de manufatura flexível (flexible manufacturing system — FMS), que envolvem produtos e processos diversos. 139 A utilização do arranjo físico misto é útil quando a organização visa obter as vantagens dos diferentes tipos de arranjo físico de maneira conjunta. Geralmente, essa combinação é proveniente de uma mesclagem dos arranjos físicos funcional, linear e celular (NEUMANN; SCALICE, 2015). Assim, ao selecionar o tipo de arranjo físico para uma organização é imprescindível atentar-se para alguns fatores que irão facilitar no processo de tomada de decisão sobre o layout a ser utilizado. Para Slack et al. (2009), as opções de escolhas de layout podem ser reduzidas ao analisar alguns pontos da organização tais como o tipo de operação que a mesma irá exercer, além das suas características de volume e variedade, e ao observar as vantagens e desvantagens que cada tipo de arranjo físico apresenta. 140 Leiam o estudo de caso do shopping da General Growth Properties Inc. para compreender como a definição e disposição do layout pode influenciar as estratégias de negócios. “Uma mãe de 35 anos de idade não sabe, mas a Internet tornou seus passeios ao shopping um pouco mais fáceis. Em 2000, o RiverTown Crossings abriu suas portas em Grandville, Michigan e, desde então, ela raramente circula por outras seções do shopping além de uma — a que inclui a Abercrombie Kids, a Gap Kids, a Gymboree e outras lojas de roupas para crianças. Nessa ala, ela pode encontrar e comprar quase tudo que precisa. Em um esforço para competir com o fascínio das compras on-line, a proprietária do shopping, a General Growth Properties, Inc., escolheu um layout que segue em sentido oposto àquele que há décadas é ditado pela sabedoria do varejo: ela reuniu lojas concorrentes. Os compradores estavam demandando esses clusters muito antes que o varejo pela Web decolasse, e a General Growth começasse a testar a ideia três anos atrás. Agora, todos os seus shoppings têm clusters. Preocupados com um futuro em que os compradores apontam e clicam, em vez de estacionar, caminhar e esperar na fila, os planejadores estão finalmente tentando tornar mais conveniente a oportunidade de fazer compras em shopping centers. Alguns donos de loja estão reformulando os layouts existentes ao remover acessórios grandes, como vasos de plantas e chafarizes, para desimpedir as linhas de visão da fachada das lojas. Outros estão acrescentando diretórios mais fáceis de entender que os atuais mapas dos shoppings. Alguns, em fase de projeto, estão optando por reunir lojas-âncora — um layout que reduz a caminhada. 141 Fonte: KRAJEWSKI, L.; RITZMAN, L.; MALHOTRA, M. Administração da produção e operações. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2009. Outros estão tentando oferecer aos compradores características da Web por meio de diretórios de alta tecnologia. No Dayton Mall, em Ohio, quiosques eletrônicos bem iluminados dão aos compradores acesso a e-mail e permitem que procurem por lojas que possuem determinadas mercadorias. Os quiosques também possuem impressoras para que os compradores possam impimir um mapa e, assim, poderem localizar e chegar mais facilmente à loja escolhida. Sob os novos projetos de layout está um antigo segredo do varejo: o shopping center tradicional foi projetado para ser difícil. Essa inconveniência planejada fazia com que os clientes que quisessem comparar preços caminhassem de um extremo a outro do shopping, assim, teriam todas as oportunidades possíveis para fazer compras impulsivas durante o trajeto. Muitos planejadores davam poucas opções de escolha aos usuários e os dirigiam diretamente em sua direção, usando rotas em espiral delimitadas por plantas, tapetes e outros acessórios na frente das lojas. Revisar o layout de um shopping center já existente para torná-lo mais prático é algo extremamente dispendioso. A maioria deles é como selva de escadas rolantes, chafarizes e áreas de lazer — e esses são os obstáculos fáceis. O problema mais difícil é imaginar como reagrupar lojas semelhantes que provavelmente estão operando de acordo com contratos de aluguel de longo prazo. Afinal de contas, um projetista de shopping não pode simplesmente ordenar que quatro locatários de lojas de sapatos peguem seus estoques e toda a infra-esturura que possuem e se mudem. E muitos varejistas ainda preferem se manter distantes dos concorrentes. A loja Hallmark Gold Crown de RiverTown está localizada no extremo norte do primeiro piso de um shopping, enquanto a loja American Greetings está no extremo sul do segundo piso. A estratégia de localização da Hallmark Cards requer espaço entre suas lojas e os concorrentes.” 142 16 Benchmarking 143 Caros alunos, chegamos à nossa última aula da disciplina de OSM. Passamos por diversos temas que compõem conceituações importantes, ações estratégicas e ferramentas práticas para auxilia-lo futuramente na grandiosa função de otimizar resultados organizacionais. Continuando a falar da importância de análises que envolvam o ambiente interno - conforme vimos no conteúdo de layout na aula anterior - e externo, veremos na aula de hoje uma abordagem estratégica que visa observar o mercado e se aperfeiçoar: o Benchmarking. A palavra Benchmarking tem origem da palavra inglesa “benchmark”, que significa referência. Seu conceito consiste em fazer uma análise profunda das melhores estratégias e ações de empresas que atuam no mesmo setor ou segmentos relacionados. Vamos aprender mais sobre isso? Acesse o link: Disponível aqui Para facilitar a compreensão da prática de Benchmarking, recomendo uma pequena animação da Consultoria SAGE, que mostra brevemente o contexto e aplicação dessa abordagem. Origem de Benchmarking De acordo com Siqueira (2016), o Benchmarking originou-se da palavra benchmark, que significa uma marca feita por agrimensor, indicando um ponto em uma linha de nível, um padrão ou um ponto de referência. 144 https://www.youtube.com/watch?v=6WfOWSH1Sfw Essa prática, que teve início na década de 1970 e foi difundida fortemente na década de 80, vem sendo usada por empresas de todos os tamanhos, a fim de analisar seu desempenho em comparação a produtos, processos, logísticas e muitos outros pontos em relação aos concorrentes (SIQUEIRA, 2016). Para realizar esse monitoramento, é necessário estabelecer os pontos que precisam ser pesquisados e posteriormente, avaliar os resultados encontrados, pois só é possível se beneficiar da prática quando existem planejamento e estudos apropriados. A medição de desempenho e o Benchmarking são iniciativas que têm tido importante papel em diferentes indústrias, pois fornecem informações essenciais para o planejamento e controle dos processos gerenciais. Possibilitam, ainda, o monitoramento e o controle dos objetivose metas estratégicas e a comparação do desempenho das empresas em relação a seus concorrentes. Desde o início dos anos 1980, diversos modelos, sistemas e métodos para concepção e implementação de sistemas de medição de desempenho têm sido propostos na literatura, os quais enfatizam a necessidade de seleção de um conjunto balanceado de indicadores financeiros e não financeiros. A prática do Benchmarking foi construída no século passado quando Frederick Taylor começou a inserir a metodologia científica nas empresas incentivando a comparação dos procedimentos e métodos de trabalhados. Com isso, a segunda Guerra Mundial tornou a utilização dessa fermenta uma prática bastante utilizada entre as empresas, possibilitando a comparação entre as mesmas (SIQUEIRA, 2016). Portanto, Benchmarking é um processo contínuo e sistemático para avaliar produtos, serviços e processos de trabalho de organizações. Os usuários dessa ferramenta são reconhecidos como representantes das melhores práticas, com a finalidade de inspirar melhoria organizacional (GONÇALVES, 2008). O Benchmarking foi caracterizado como uma ferramenta que gera as boas práticas reconhecidas de um segmento de mercado conduzido por uma organização. Assim, cabe aos administradores procurarem observar dentro da organização, buscar aprender com outras práticas que foram aplicadas em outras empresas a fim melhorar de seu desempenho e processo gerencial. 145 Fonte: Freepik. Objetivos de Benchmarking O Benchmarking desperta habilidades nos administradores em enxergar no mercado de trabalho as melhores ações administrativas praticadas por outras empresas e por outros setores concorrentes. Desta forma, podemos dizer que a investigação é imprescindível para o processo de Benchmarking, pois permite aprendermos com outras organizações e a partir da análise, usa-se a customização para que o processo não se torne uma cópia. Segundo Gonçalves (2008,) os objetivos que esta ferramenta apresenta servem de subsídio para a tomada de decisão do gestor e: Avaliar o resgate de uma empresa mais sólida e com propósitos; Criar uma cultura e/ou uma política empresarial capaz de produzir e manter o foco na melhoria contínua; Identificar os problemas e os vícios organizacionais e enxergar as áreas e departamentos a serem melhorados; Permitir vislumbrar as oportunidades e ameaças competitivas; Permitir e facilitar as mudanças organizacionais e a melhoria de desempenho das empresas através de um processo de aprendizado. Tipos de Benchmarking Como processo que visa alcançar a identificação e posterior análise das melhores práticas, o Benchmarking não se presta somente ao uso externo; ou seja, sua aplicabilidade não se restringe à investigação de outras empresas. Isso resulta numa 146 diferenciação entre vários tipos, na qual ademais, fatores diversos são considerados. Dentre os tipos de Benchmarking existem: Competitivo: mais usual devido à metodologia desta ferramenta apresentar uma investigação das boas práticas observadas, tendo como foco principal a vantagem competitiva entre organizações. Funcional: como o próprio nome revela, faz comparação entre funções específicas da empresa. O foco dessa análise são os processos e técnicas interessantes. Não é necessário usar concorrentes para essa análise, pois a ideia é se apropriar de boas ideias que podem ser aplicadas no seu negócio. Interno: é extremamente necessário para a comparação entre processos internos entre setores e departamentos dentro de uma empresa. Como busca as melhores práticas usadas dentro da própria organização, é uma ótima alternativa para empresas que possuem muitas filiais. Genérico: faz analogia ao Interno, pois se baseia no processo que atravessa várias funções, como por exemplo, o processo desde o pedido até a entrega do produto ao cliente. Menos comum na literatura, mas também podemos citar com o: Benchmarking de cooperação: ocorre quando duas empresas fazem uma parceria. Essa prática é muito comum quando cada uma delas possuem diferentes pontos de excelência a serem compartilhados. Aplicação de Benchmarking Muitos entendem o Benchmarking como um processo simples em que uma empresa se compara com outra. Mas, pra essa comparação ter êxito, é preciso implementação de algumas etapas. Segundo Araújo (2008), o Benchmarking é um processo de investigação. Assim, destina-se à mensuração de dados, por consequência lógica. Se a intenção com essa abordagem é posicionar as práticas de uma empresa em relação ao que existe fora dela, é necessário quantificar as informações de algum modo. Essa é a essência: explorar o desconhecido e converter o resultado em ação empreendedora. 147 A primeira etapa para a implantação do Benchmarking é determinar um ramo, um setor a ser analisado. Em seguida formatar um objetivo e delimitar um campo de ação a ser trabalhado. Após fixar essa fase, precisam-se averiguar os custos para a aplicação do melhor método. Em linhas gerais, para a implementação do Benchmarking será preciso: coletar os dados internos e externos, reconhecer um problema a ser estudado e formar uma equipe para análise dos dados utilizando a ferramenta. Em seguida deve ser realizado um exame dos dados, fazer uma comparação das diferenças e semelhanças com a organização, e implementar a melhoria. O Quadro 6 mostra mais detalhadamente processo de aplicação dessa técnica: Quadro 6 – Fases para implementação do processo de Benchmarking Fonte: Siqueira, 2016. FASE 1 FASE 2 FASE 3 FASE 4 FASE 5 Planejar Coletar Analisar Adaptar Melhorar Definir o objeto do estudo e onde aplicar o Benchmarking Definir métodos de coleta Identificar as falhas Analisar e propor alternativas Implementar planos de melhoria Definir a formação da equipe Coletar dados Identificar as causas das falhas Obter validação Monitorar resultados Selecionar parceiros Registrar conclusões Projetar desempenho futuro Definir planos de melhoria Reavaliar metas (feedback) 148 Vantagens de Benchmarking Conforme Chiavenato (2010), a maior barreira à adoção do Benchmarking está em convencer os gerentes de que seus desempenhos podem ser melhorados e ampliados diante do controle real por meio de uma ferramenta de comparação de dados. Isso requer o conhecimento de melhores métodos utilizados por outras organizações. O Benchmarking requer consenso e compromisso das pessoas. Nesse sentido, essa ferramenta administrativa é um meio para o melhoramento do desempenho empresarial, visando alcançar a vantagem competitiva. Ao fazer uso desta técnica, os gestores vivenciam experiências de empresas similares ajudando-os a compreender o processo de um ótimo desempenho organizacional que os possibilite aumentar os lucros. O quadro 7 nos dá um panorama das vantagens, comparando empresas que usam a técnica: 149 Quadro 7 – Vantagens das empresas que aplicam o Benchmarking Fonte: Adaptado de Siqueira (2016). OBJETIVOS NÃO APLICA APLICA Competitividade Focalização interna Conhecimento da concorrência Mudanças por meio da evolução Mudanças inspiradas no mercado Melhores práticas empresariais Poucas soluções Mais opções de práticas Manutenção das práticas atuais Desempenho superior Definição dos requisitos do cliente Baseada no histórico ou intuição Baseado nas práticas do setor Percepção subjetiva Avaliação objetiva Fixação de metas e de objetivos Internalizadas Externalizadas Abordagem reativa Abordagem proativa Medidas de produtividade Perseguição de estimativas Solução de problemas reais Caminho de menor resistência Adequação para compreensão dos resultados A premissa é que nenhuma empresa é melhor na sua plenitude, ou seja, não existe empresa 100% perfeita. Pensando nisso o Benchmarking é um processo contínuo que fornece informações valiosas aos empresários. 150 A prática do Benchmarking nos leva a um processo de aprendizagem. Sendo assim, o Benchmarking não é um ato isolado e nem uma imitação ou mesmo uma reinvenção e sim oferece uma nova roupagem aos bons processos aplicados nas empresas concorrentes paraassociar boas práticas a excelentes resultados. Para compreender como o Benchmarking pode mudar o desempenho das empresas, e até mesmo mudar critérios no mercado, veja o caso da empresa área Gol: Na década de 1990, o mercado aéreo doméstico brasileiro era dividido entre quatro empresas de aviação: Varig, TAM, Vasp e Transbrasil. O ano de 1998 ficou marcado como um ano negro para a aviação do país: uma grande ‘guerra de tarifas’ reduziu a rentabilidade de todas essas empresas, o que gerou sérios prejuízos e reduziu a ocupação nos vôos para taxas inferiores a 60 por cento — taxa considerada necessária para garantir a rentabilidade de uma empresa de transporte aéreo. No início de 1999, as já fragilizadas companhias aéreas brasileiras sofreram um duro golpe com a desvalorização cambial, que reduziu a demanda por viagens internacionais e domésticas e causou um efeito negativo sobre os custos que são, em grande parte, atrelados a moeda norte-americana. O ano 2000 foi um ano de equilíbrio na viação aérea nacional, com a Varig e TAM liderando o mercado voltado para o transporte de executivos e a Vasp e a Transbrasil procurando se manter em operação no mercado doméstico nacional, mais sensível a preço. Ainda nesse ano, o mercado reencontrou o equilíbrio, e as empresas procuraram não entrar em confronto direto, principalmente quando o assunto era a disputa por preços. Mas em 2001, a Gol chegou ao mercado. Dentro desse panorama competitivo, por iniciativa do Grupo Áurea — maior grupo de transporte rodoviário brasileiro — a Gol Transportes Aéreos Ltda. foi fundada com o propósito de atuar no mercado de transportes aéreos com uma nova forma de operação intitulada internacionalmente low cost, low fare (custo baixo, tarifa baixa). 151 Fonte: KRAJEWSKI, L.; RITZMAN, L.; MALHOTRA, M. Administração da produção e operações. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2009. Um grupo de executivos foi contratado e iniciou-se uma expedição para visitar as principais empresas desse segmento, como as norte-americanas Southwest e Jet Blue, a inglesa EasyJet e a irlandesa Ryanair. Foram feitos diagnósticos sobre o mercado, sobre os custos e sobre os objetivos, além de simulações em relação ao tamanho ideal para a nova empresa. Isso deu origem a um perfil baseado nos melhores benchmarkings internacionais. Em 15 de janeiro de 2001, a Gol realizou seu voo inaugural de Brasília a São Paulo, com o intuito de entrar no mercado aéreo brasileiro para agregar demanda e trazer para o transporte aéreo o passageiro sensível ao preço, como microempresários e profissionais liberais, o que tornaria o transporte aéreo viável para as classes média e baixa, que preferiam outros meios de transporte a aviação regular. Os resultados dessa operação baseada nas melhores práticas de mercado foram: mais de 31 milhões de passagens vendidas em menos de um ano e uma alta participação no mercado. 152 Conclusão Caro aluno, Nesse momento, você está concluindo a disciplina Organização, Sistemas e Métodos (OSM), da Universidade de Marília! Parabéns por ter chegado até aqui! Ao final dessa trajetória, espero que você tenha aprendido os conceitos mais importantes a respeito dos elementos da área de OSM e como a prática desta disciplina contribui para a otimização dos resultados organizacionais. De forma semelhante, também desejo que tenha compreendido a importância das ferramentas gerenciais que implementam melhorias e inovações nos processos administrativos, trazendo resultados efetivos para as empresas e facilitando o dia a dia dos colaboradores. É importante ressaltar que a proposta pedagógica de colocá-los em contato com as teorias e técnicas que auxiliam o gerenciamento das empresas, se baseia na expectativa de que, como futuros profissionais, vocês sejam capazes de aplicar conhecimentos para corrigir os problemas organizacionais, otimizar os processos administrativos e trazer resultados efetivos para as organizações que trabalham ou nas quais sejam gestores. Administração é uma ciência ampla, construída sob teorias de múltiplas áreas de conhecimento, com o objetivo de oferecer uma visão mais completa de como funcionam as organizações e de como evoluem ao longo da história, como enfrentam seus desafios e participam do progresso social, econômico e tecnológico. Os administradores, portanto, possuem conjuntamente a tarefa de escrever essa história de sucesso, pois são diretamente responsáveis pelo desenvolvimento das empresas. Muito mais que um diploma, espero que você conclua essa jornada do ensino superior com mais experiência, entendimento, senso crítico e questionamentos. Sim, meu caro, porque fazer as perguntas certas nos leva a buscar respostas cada vez mais interessantes e relevantes. Pesquisar os assuntos de forma aprofundada é o único caminho para o desenvolvimento, seja ele pessoal ou profissional. Lembre-se dos seus esforços: ficar estudando até tarde, conciliar o trabalho, a vida pessoal e os estudos, ler para compreender, preparar trabalhos, estudar para as provas e tantas outras abdicações que uma formação superior exige e use isso a seu favor, para sua construção, para o seu crescimento, para você se tornar a pessoa e o profissional que deseja ser. 153 Para finalizar, um pequeno conselho: entenda que somente seu diploma não te diferencia dos outros profissionais do mercado, você precisa estar em constante desenvolvimento, lapidar suas habilidades e desenvolver suas dificuldades. Ninguém disse que seria fácil, mas certamente, é enormemente gratificante. Grande abraço e até a próxima! Professora Marina Helena Pereira Vieira 154 Material Complementar Livro Planejamento estratégico Autor: Idalberto Chiavenato e Arão Sapiro Sinopse: Este livro apresenta todas as etapas do processo de planejamento estratégico - desde a intenção estratégica até o resultado final - constituindo-se em um manual para a elaboração do plano estratégico para organizações com ou sem fins lucrativos, empresas públicas ou privadas, empresas pequenas, médias ou grandes, empresas familiares ou empreendimentos de qualquer porte ou propósito. Com esta abrangência pioneira no mercado nacional, é destinado tanto aos estudantes de administração, pois atende à maioria dos programas dos cursos em nível de graduação e pós-graduação, como também é destinado a consultores e profissionais que se envolvem direta ou indiretamente com o processo decisório de planejamento do futuro das organizações. Editora: GEN - LTC Filme Black Mirror - Bandersnatch Ano: 2018 Sinopse: Em 1984, um jovem programador começa a adaptar um romance fantástico para videogame e põe em questão a própria realidade. Comentário: Talvez este seja um título incomum, mas Bandersnatch fala, principalmente, sobre escolhas e suas consequências. E um líder deve saber fazer escolhas e, inclusive, conviver com elas. A produção interativa da Netflix também deixa um recado: por mais que você capriche no planejamento, nada é à prova de erros. O filme do serviço de streaming brinca – 155 de uma forma muito bem pensada – com as nossas escolhas e o impacto que elas têm no nosso futuro. Claro, na vida real não temos a opção de voltar atrás, mas Bandersnatch nos ajuda a entender melhor sobre como funciona a dinâmica da ação e reação – e a lidar com ela de uma forma responsável. Web Murilo Gun é palestrante, professor de criatividade e fundador da Keep Learning School. Nesse vídeo, ele sobre criatividade como a base da inovação. Acesse o link 156 https://www.youtube.com/watch?v=wrZXq_xr_6g ALVES, L. F. R (coord.). Planejamento das Instalações Industriais. 1º ed. Universidade Federal de Ouro Preto, 2008. ARAÚJO, Luís César G. Organização, sistemas e métodos. São Paulo: Atlas, 2008. BATISTA, Emerson de Oliveira. Sistema de Informação: o uso consciente da tecnologia para o gerenciamento. São Paulo: Saraiva, 2004. BAZZOTTI, Cristiane; GARCIA, Elias. A importância do sistema de informação gerencial na gestão empresarial para tomada de decisões. Ciências Sociais Aplicadas em Revista, v. 6,n. 11, 01-18, 2006. CHIAVENATO, Idalberto. Iniciação a sistemas, organização e métodos - SO&M. Barueri: Editora Manole, 2010. CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à Teoria Geral da Administração. 9. ed. Barueri: Editora Manole, 2014. CHILD, John; SMITH, C. The context and process of organizational transformation. Cadbury Limited in its sector. 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