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Profª. Drª. Josaine C. S. Rappeti Pedrozo – Médica Veterinária 
 
 
 
 
OVARIECTOMIA EM ÉGUA 
 
Ovariectomia: remoção do(s) ovário(s) da égua. 
Indicações: as indicações mais comuns para a ovariectomia em éguas é remover as 
células tumorais da granulosa. Outras indicações incluem ovariectomia bilateral eletiva 
para prevenir o estro em éguas de passeio, a qual não quer para procriação, os outros 
tumores menos comuns também estão na lista das indicações para esse procedimento 
cirúrgico. 
Abordagem cirúrgica: 
As abordagens cirúrgicas para ovariectomia incluem a colpotomia ou abordagem 
vaginal, abordagem pelo flanco em estação ou deitado, e abordagem mediana ventral ou 
paramediana oblíqua e para-inguinal oblíqua. A seleção da abordagem dada é baseada 
no temperamento da égua, o tamanho do ovário a ser removido, se é unilateral ou 
bilateral, é planejado a preferência pessoal do cirurgião. 
Indicações: As células tumorais da granulosa são os tumores ovarianos mais comuns 
das éguas. As células tumorais da granulosa são consideradas um tumor sexual do 
cordão estromal no qual aumenta de um componente celular normal do ovário diferente 
das células germinativas ou epiteliais. Esses tumores secretam muitos hormônios que 
produzem anormalidades no ciclo sexual e mudanças comportamentais. 
Diagnóstico: os tumores das células da granulosa fazem com que a égua tenha mudança 
de comportamento, sendo o mais comum se comportarem como o garanhão. Algumas 
éguas mostram comportamento de anestro e outras com estro contínuo, raramente elas 
apresentam ciclo normal. O aumento do ovário é variável e usualmente palpado pelo 
reto, com o ovário contralateral sendo muito pequeno ou inativo. Os hematomas podem 
ser confundidos com os tumores e o diagnóstico deverá ser feito através do ultrassom. 
Podem ocorrer tumores bilaterais. 
Técnica de colpotomia – Preparo do paciente: remoção do ovário pela vaginal é uma 
abordagem viável para ovariectomia eletiva na égua com tumores ovarianos pequenos. 
Devido à vascularização do tumor ovariano, para ser realizada uma hemostasia acurada, 
abordagens alternativas são preferidas. Pré-operatório: jejum alimentar 36-48 horas, o 
reto deve ser esvaziado manualmente antes do procedimento cirúrgico, o períneo deve 
ser preparado para a intervenção. A bexiga deve ser esvaziada, deve ser confinada e as 
peias, maneias e cordas devem estar à disposição. A cauda deve ser amarrada em 
direção a cabeça, e pode ser enrolada com ataduras. A vagina é lavada com solução 
antisséptica (solução fisiológica 1litro + PVPI 10ml), essa lavagem ajuda a fazer a 
pneumovagina facilitando as manobras cirúrgicas, todo o fluido residual deve ser 
removido. 
Profª. Drª. Josaine C. S. Rappeti Pedrozo – Médica Veterinária 
 
Procedimento anestésico: a anestesia epidural pode facilitar a manipulação. A 
contenção química e a manipulação de uma pessoa experiente manejando a cabeça da 
égua são elementos necessários e importantes para o sucesso do procedimento. 
Técnica cirúrgica: com um bisturi abotoado (Figura a) (com lâmina escondida) deve 
ser projetado de 2 a 3 cm além do polegar e uma incisão deverá ser feita perfurando na 
porção lateral ou dorsolateral esquerda ou direita da passagem vaginal cranial, as 
incisões dorsais e ventrais devem ser evitadas devido ao dano potencial do reto e bexiga 
urinária respectivamente. As incisões na porção mediolateral da vagina pode levar a 
lacerações da trompa uterina e da artéria urogenital. A incisão deve ser de 4 a 5cm 
caudal ao cérvix e com um pulso inicial com a tentativa de penetrar toda a parede 
vaginal e o peritônio. Uma técnica alternativa se usa uma pequena incisão vaginal feita 
com uma lâmina, seguidos por um pulso com tesoura sem corte/romba, para penetrar no 
abdome, pode ser alargada com mão (dedos), passando para o abdome, o pedículo 
ovariano é anestesiado segurando uma gaze embebida em lidocaína sobre o mesmo por 
1 minuto. O emasculador Chassaignac (Figura b) é introduzido pela vagina e a alça do 
mesmo deve envolver o pedículo ovariano, com a ajuda da mão contralateral que estará 
no reto, segurando o ovário, dessa maneira facilitando o trabalho, um auxiliar deverá 
manipular o emasculador pelo lado de fora da vagina fazendo movimentos de rotação 
no local da empunhadura do objeto, que com isso irá “esmagar” o pedículo ovariano. 
 
 
 
Deve-se ter o cuidado ao envolver apenas o pedículo ovariano, e a pressão, hemostasia 
deve ser aplicada por 4 a 5 minutos, após o ovário deve ser removido do abdome. A 
cicatrização da vagina se dá em torno de 2 semanas. 
Pós-operatório: fica indicado antiinflamatórios (por 5 dias)por ex.: flunexin neglumine 
e antibióticos (por 5 dias) ex. ceptiofur 2 vezes ao dia associado a gentamicina uma vez 
ao dia. 
Complicações: Após a remoção do ovário deve-se verificar a presença de hemorragias 
que podem acontecer, caso o emasculador não fique o tempo suficiente para fazer a 
hemostasia. Evisceração do intestino através da incisão na vagina, quando ela foi muito 
grande. 
Abordagempara-inguinal oblíqua - ovariectomia unilateral. Para esse tipo de 
abordagem cirúrgica é necessário uma sala cirúrgica, bem como anestesia inalatória, é a 
mais indicada. Posicionada em decúbito dorsal e sob anestesia geral com abordagem na 
Bisturi abotoado (a) Emasculador Chassaignac (b) 
a 
b 
Empunhadura 
Alça 
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região para-inguinal oblíqua direita ou esquerda, conforme a necessidade. Após a 
abordagem feita através da pele, subcutâneo e fáscia do músculo reto do abdome, deve-
se identificar o ovário afetado. Ao chegar ao pedículo ovariano, para posterior ligadura, 
com fio náilon ou poliglactina 910 ou categut cromado (todos nº. 1) ou abraçadeira de 
náilon (tamanho médio). Remoção do ovário e o pedículo deve ser cuidadosamente 
inspecionado. Pode ser feita sutura contínua no músculo reto (fáscias), porém é 
recomendado fazer suturas em X, com fio poliglactina 910 (nº 1) ou mononaylon (nº 1). 
Redução do espaço morto como o mesmo fio, e pontos com sutura em zig-zague (nº 2-
0), e pontos de pele com fio mononaylon 3-0 com sutura contínua simples. A 
cicatrização total ocorre em 60 dias, porém os pontos de pele podem ser remodos em 14 
dias. 
Como complicações: hemorragia, infecções, peritonite, deiscência, e infecção da linha 
de sutura. 
 
Abordagem de Flanco: com o paciente em estação, sob anestesia epidural e local. Essa 
abordagem é preferida quando através da palpação retal o pedículo ovariano palpado é 
muito curto. Para os ovários que tenham menos de 10cm ou menos de diâmetro. A 
abordagem se dá incidindo a pele, SC, fáscias musculares dos oblíquos externo, oblíquo 
interno, transverso do abdome, e peritônio, após identifica-se o ovário para o pedículo 
ser ligado, com os fios já citados no texto. As suturas das fáscias musculares podem ser 
feitas plano a plano com a primeira linha de sutura com padrão em X, e as demais 
podem ser com padrão em Wolff. Redução do espaço morto, pontos contínuos simples 
de pele. 
 
 
Obs.: Após qualquer das abordagens cirúrgicas o paciente deve ser examinada 
diariamente, sendo verificada a temperatura, freqüência cardíaca, freqüência 
respiratória, pulso, se está urinando e defecando. E a qualidade da cicatrização, quando 
em pele. Exercício controlado. Após 30 dias ela pode Sr liberada para um potreiro 
pequeno, sem muito espaço para correr.