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CORPO DEBOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
1 
 
 
CORPO DEBOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
2 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CORPO DE BOMBEIROS MILITAR 
DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
Praça da República, nº 45, 
Centro, Rio de Janeiro – RJ. CEP: 20.211-350. 
www.cbmerj.rj.gov.br 
Tel.: (+55 21) 2333-2362. 
 
Copyright © 2019. Catalogação na fonte: 
Estado-Maior Geral do CBMERJ. 
 
 
 
Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro (Brasil). 
 
Manual de Combate a Incêndio Urbano: 2019 / CBMERJ. Rio de Janeiro: CBMERJ, 2019 
Prefixo editorial: 68512 
ISBN 978-85-68512-01-2 
Tipo de suporte: publicação digitalizada 
Formato E-book: PDF 
 
 
1. Corpo de Bombeiro Militar. 
 
CDD 341.86388 
 
 
É permitida a reprodução do conteúdo deste Manual desde que 
obrigatoriamente seja citada a fonte. 
Reproduções para fins comerciais são rigorosamente proibidas. 
 
 
 
CORPO DEBOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
3 
 
 
 
 
 
 
 
 
SECRETARIA DE ESTADO DE DEFESA CIVIL 
CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
ESTADO-MAIOR GERAL 
 
 
 
Governador do Estado do Rio de Janeiro 
WILSON JOSÉ WITZEL 
 
Secretário de Estado de Defesa Civil e Comandante-Geral do CBMERJ 
CORONEL BM ROBERTO ROBADEY COSTA JUNIOR 
 
Subcomandante-Geral e Chefe do Estado-Maior Geral do CBMERJ 
CORONEL BM MARCELO GISLER 
 
Subchefe Administrativo do Estado-Maior Geral 
CORONEL BM MARCELO PINHEIRO DE OLIVEIRA 
 
Subchefe Operacional do Estado-Maior Geral 
CORONEL BM LUCIANO PACHECO SARMENTO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CORPO DEBOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
4 
 
AUTORES 
TENENTE-CORONEL BM LEONARDO QUADROS CAMPOS 
CAPITÃO BM JEFERSON FERREIRA ANCELMÉ 
CAPITÃO BM FELIPE BERNARDINO DE OLIVEIRA 
1º TENENTE BM LUCAS MONNERAT FRANCO 
1º TENENTE BM FÁBIO TELLES FERREIRA 
1º TENENTE BM JOÃO FELIPE BUSSAD BONNO 
1º TENENTE BM GIOVANNI REIS DUARTE 
1º TENENTE BM EDUARDO FERREIRA ALMADA MENDES 
 
 
MANUAL DE COMBATE A 
INCÊNDIO URBANO 
 
 
 
 
MOPBM 3 -003 
 
 
 
 
Este manual foi elaborado por 
iniciativa do Estado-Maior Geral e 
atende as prescrições contidas na 
Portaria CBMERJ nº 962 de 26 de 
dezembro de 2017, publicada no 
boletim da SEDEC/CBMERJ nº 008 de 
11 de janeiro de 2018. 
 
 
 
 
 
Rio de Janeiro 
2019 
CORPO DEBOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
5 
 
REALIZAÇÃO 
ESTADO-MAIOR GERAL 
 
COORDENAÇÃO 
TENENTE-CORONEL BM ALEXANDRE LEMOS CARNEIRO 
MAJOR BM EULER LUCENA TAVARES LIMA 
MAJOR BM FÁBIO LUIZ FIGUEIRA DE ABREU CONTREIRAS 
CAPITÃO BM RAFAELA CONTI ANTUNES NUNES 
CAPITÃO BM DIEGO SAPUCAIA COSTA DE OLIVEIRA 
 
COLABORADORES 
TENENTE-CORONEL BM RENAN ALVES DE OLIVEIRA 
TENENTE-CORONEL BM RICARDO GOMES PAULA 
TENENTE-CORONEL BM PAULO NUNES COSTA FILHO 
TENENTE-CORONEL BM FELIPE DO VALLE PUELL 
MAJOR BM JOSIANE DOS SANTOS DE MELO 
 
REVISORES 
CAPITÃO BM DANIEL CAMPOS CORREIA 
1º TENENTE BM LUIZ FELIPE MOTTA FILGUEIRA GOMES 
SUBTENENTE BM DANIEL BISPO DA SILVA CARIUS DE FRANCA 
 
PROJETO GRÁFICO 
1º TENENTE BM DJALMA DE FIGUEIREDO JUNIOR 
 
 
CORPO DEBOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
6 
 
SUMÁRIO 
SUMÁRIO .................................................................................................................... 6 
OBJETIVO ................................................................................................................... 9 
FINALIDADE ............................................................................................................. 10 
REFERÊNCIA NORMATIVA E BIBLIOGRÁFICA ..................................................... 12 
DEFINIÇÕES E CONCEITOS ................................................................................... 15 
 ...................................................................................................................................... 
1 HISTÓRICO ........................................................................................................... 16 
2 TEORIA DA COMBUSTÃO .................................................................................... 18 
2.1 Calor ................................................................................................................ 19 
2.1.1 Formas de transmissão do calor ............................................................... 22 
2.1.2 Efeito do calor nos materiais ..................................................................... 25 
2.1.3 Pontos notáveis do calor ........................................................................... 26 
2.2 Combustível ..................................................................................................... 27 
2.3 Comburente ..................................................................................................... 28 
2.4 Tipos de combustão......................................................................................... 29 
2.5 Tipos de chamas.............................................................................................. 30 
3 TEORIA DO DESENVOLVIMENTO DE INCÊNDIOS ............................................ 33 
3.1 Os incêndios em estrutura ............................................................................... 34 
4 LEITURA DE FUMAÇA .......................................................................................... 49 
4.1 A ciência da fumaça......................................................................................... 50 
4.2 Princípios da leitura da fumaça ........................................................................ 51 
4.3 Considerações finais ........................................................................................ 57 
5 ÁGUA NO COMBATE A INCÊNDIO ...................................................................... 59 
5.1 Características da água ................................................................................... 59 
5.2 Aplicação da água no combate a incêndio ...................................................... 64 
5.2.1 Pressão ..................................................................................................... 65 
5.2.2 Linha de recirculação ................................................................................ 67 
5.2.3 Golpe de aríete.......................................................................................... 68 
CORPO DEBOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
7 
 
6 MANGUEIRA .......................................................................................................... 71 
6.1 Formas de estabelecimento ............................................................................. 71 
6.2 Dimensionamento de mangueiras ................................................................... 72 
6.3 Cálculo de Pressão Nominal ............................................................................ 73 
7 ESGUICHO ............................................................................................................ 76 
8 TÉCNICAS DE APLICAÇÃO DE ÁGUA ................................................................. 79 
9 ABORDAGEM DE AMBIENTE ............................................................................... 89 
9.1 Técnicas de proteção contra ignição dos gases .............................................. 91 
10 EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL................................................. 93 
10.1 Equipamento de proteção respiratória ........................................................... 98 
10.1.1 Riscos respiratórios. ................................................................................ 99 
10.1.2 Classificações do Equipamento de proteção respiratório ...................... 102 
10.1.3 Testes e procedimentos anteriores ao uso ........................................... 103 
10.2 Capacete de combate a incêndio.................................................................irá se espalhar ao longo do fluxo de fumaça. Sabendo disso, partimos para o 
estudo dos elementos de avaliação da fumaça para tomada de decisões. 
 
4.2 Princípios da leitura da fumaça 
Volume 
 O volume da fumaça, isoladamente, nos diz pouco sobre o incêndio, mas ele 
estabelece a base para se deduzir a quantidade de combustíveis que estão 
termolisando num dado espaço. 
 Um incêndio com uma queima em estágio inicial, fraca e limpa, com chamas 
pouco perturbadas (sem impedimentos à zona de reação), irá emitir uma pequena 
quantidade de fumaça visível; em contrapartida, um foco aquecido, e com chamas 
perturbadas num incêndio com a capa térmica bem definida numa construção com 
CORPO DEBOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
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pouca ventilação (poucas aberturas, provocando o rebaixamento do plano neutro) irá 
liberar um tremendo volume de fumaça. 
 Materiais úmidos irão queimar muito lentamente e produzir bastante volume 
de fumaça, de coloração bastante clara oriunda do vapor, e este, pouco denso. 
 As características dos materiais modernos (polímeros menos densos) podem 
produzir grandes volumes de fumaça mesmo com uma pequena chama presente. 
 O volume de fumaça pode ajudar com a impressão inicial sobre o incêndio. 
 Por exemplo, um pequeno foco pode ser suficiente para preencher com 
fumaça um pequeno restaurante fastfood. Por outro lado, será necessário um foco 
grande para que a fumaça preencha uma grande loja ou supermercado. Deste 
modo, o volume de fumaça dará a impressão do grau de desenvolvimento do 
incêndio. 
 Além disso, estruturas grandes demoram muito para perturbar as chamas, 
pela dificuldade de suas pontas de acessar o teto ou área suboxigenada, fazendo 
com que o ar quente do foco se acumule no teto, e pouca a fumaça percebida é 
oriunda da termólise de elementos próximos do teto (tinta, materiais de 
encanamento, fios, etc), fazendo com que de fora, focos grandes possam ser 
mascarados com pouco volume de fumaça. 
 
 Velocidade 
 A velocidade com que a fumaça escapa de uma estrutura é um indicador de 
pressão dentro de um cômodo da edificação. De um ponto de vista tático, o 
comandante de incidente precisa deduzir a CAUSA do aumento de pressão da 
fumaça. Do ponto de vista científico, apenas duas coisas podem ocasionar o 
aumento de pressão na estrutura: ou aumento de temperatura ou aumento de 
volume da fumaça. 
 Quando analisamos com calma a fumaça que escapa da estrutura, é possível 
discernirmos a causa desse aumento de velocidade. 
 A fumaça acelerada pelo calor irá subir, se misturar ao ar atmosférico e 
gradualmente diminuir sua velocidade ao longo da mistura com este ar (ao esfriar). A 
fumaça veloz, acelerada por restrição do volume, irá imediatamente ficar lenta e 
equilibrar-se com o fluxo de ar externo. 
CORPO DEBOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
53 
 
 Se além de veloz, a fumaça que escapa de uma estrutura é muito turbulenta 
(outras descrições, fumaça agitada, de aparência fervente, ou “feroz”), um Flashover 
está na iminência de ocorrer. Fluxo turbulento é causado por uma rápida expansão 
molecular dos gases dentro da fumaça e a restrição dessa expansão pelo 
compartimento (estrutura). 
 A mais importante observação da fumaça é esta: fluxo turbulento (rugoso) 
versus fluxo laminar de fumaça. Fumaça muito turbulenta (além do normal) está 
prestes a ignir, pois já possui temperatura suficiente. O Flashover será deflagrado 
assim que houver a mistura própria com ar. 
 
 
Figura 30. Fumaça excessivamente turbulenta: sinal de iminência de ignição 
Fonte: www.fireengineering 
 
 Comparar a velocidade da fumaça em diferentes saídas da edificação, pode 
ajudar o comandante de socorro a determinar a localização do foco do incêndio. 
Lembrando, contudo, que a velocidade da fumaça que se vê escapando da estrutura 
é, em último caso, determinada pelo tamanho da saída de exaustão. A fumaça irá 
seguir o caminho de menor resistência, e irá perder velocidade conforme a distância 
do foco aumenta. 
 Para encontrar a localização do foco pela comparação de velocidades, você 
deve apenas comparar saídas com tamanho parecido de abertura (portas com 
outras portas, janelas com janelas, etc). Um comandante experiente procura a 
fumaça mais veloz observando as menores saídas semelhantes, pois nelas, será 
mais facilmente notada a diferença de velocidade. 
CORPO DEBOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
54 
 
 
 Densidade 
 Enquanto a velocidade pode te ajudar a entender melhor sobre o incêndio (o 
quão quente, e onde), a densidade te dirá o quão ruins as coisas estão se tornando. 
Visto que a fumaça é uma mistura gasosa de vapores de hidrocarbonetos, gases e 
sólidos em pó, capaz de entrar em ignição subitamente, a densidade da fumaça irá 
nos dizer a quantidade de vapores combustíveis que estão sendo carregados nesta 
fumaça. 
 Espessura da fumaça também é indicativo da continuidade (proximidade 
entre as moléculas) do combustível. Na prática, fumaça densa irá propagar o 
incêndio mais violentamente do que a fumaça menos densa. 
 Nós já sabemos que a turbulência da fumaça é um alerta de ocorrência de 
Flashover, mas ainda, fumaça densa, ainda que num fluxo laminar, pode se ignir por 
conta da continuidade do combustível presente nela, se tiver contato com chamas 
ou fontes de ignição. 
 Outro ponto importante relativo à densidade: Fumaça espessa dentro de um 
compartimento reduz a chance de vida por conta de sua toxidez. 
 
 Coloração 
 Na avaliação inicial do cenário, na chegada do socorro, a cor da fumaça dirá 
o estágio do aquecimento dos materiais e ajuda também na localização do foco. 
Combustíveis sólidos emitirão uma fumaça clara e branca quando aquecidos 
inicialmente. Essa fumaça clara é oriunda da mistura de um pouco de umidade com 
fumaça de termólise, enquanto esta encontra-se em sua fase endotérmica (que 
precisa de energia para ocorrer). 
 
Fumaça Negra 
Quando as chamas aumentam e são perturbadas (pelo teto,pela zona 
suboxigenada nas partes altas do cômodo, ou pela própria convecção) há a 
liberação de fumaça negra. 
Normalmente, a fumaça negra apresenta a temperatura mais alta, pois é 
oriunda diretamente da ponta das chamas do foco. Fumaça negra e veloz é um forte 
CORPO DEBOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
55 
 
indicativo de proximidade do foco. 
A coloração da fumaça pode, além disso, ajudar também na localização do 
foco. Conforme a fumaça se distancia das chamas, ela aquece outros materiais 
combustíveis em seu caminho, e a umidade e vapores de termólise desses objetos 
torna a fumaça mais cinzenta, ou até clara, dependendo da distância. Enquanto a 
fumaça viaja, carbono contido nela irá se depositar ao longo das superfícies e 
objetos, o que também a torna mais clara. 
 
Fumaça Branca 
A fumaça clara quando observada, é resultado do aquecimento dos estágios 
iniciais dos combustíveis ao derredor do foco, ou é oriunda de focos mais 
desenvolvidos, cuja fumaça viajou uma maior distância. Porém, como saber na 
prática, diferenciar as duas situações de origem de fumaça branca? 
Para responder à essa questão, precisamos atentar para a velocidade, aliada 
à essa coloração. Fumaça branca que se encontra pressurizada indica distância do 
foco, ou gases desprendidos por combustíveis ao longo do fluxo. Fumaça branca 
que se encontra calma e laminar é indicativo de aquecimento em estágios primários. 
 
Fumaça Cáqui 
Sinal de termólise mais violenta (degradação rápida) dos materiais. Ocorre 
em faixas de temperaturas maiores, e é responsável pelo mais elevado grau de 
inflamabilidade da fumaça, contendo metano, metanol, formaldeído, ácido fórmico, 
ácido acético, hidrogênio e alcatrões altamente inflamáveis (o que dá a coloração), e 
toda essa mistura gasosa é conduzida por meio de gotículas e compõem essa 
fumaça. 
Estudos de degradação térmica de combustíveissólidos orgânicos indicam 
que, nessa fase da termólise, ela ocorre de forma exotérmica (libera energia 
enquanto ocorre), numa temperatura associada ao ponto de ignição dos 
combustíveis sólidos(Corradi, 2013). 
 
CORPO DEBOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
56 
 
 
Figura 31. Alcatrão: Condensação oleosa dos vapores de fumaça cáqui 
Fonte:www.wikipedia.org 
 
 A transição para a coloração cáqui pode ser indício de um incêndio 
subventilado, com a queda do plano neutro, “abafando” as chamas, mas mantendo-
se a alta temperatura nas superfícies combustíveis, e a queima apenas ocorrendo 
na fase sólida (brasas). 
 Nessa situação, a fumaça se torna mais densa (espessa) por conta da 
liberação violenta de vapores que não são queimados, mas a temperatura média da 
fumaça nas saídas tende a cair para abaixo de seu ponto de ignição, por conta da 
diminuição do fluxo de calor do incêndio (por isso é menor a visualização de Flame 
Over em fumaça cáqui). Esse cenário é propício para a ocorrência de um Backdraft, 
em caso de ventilação súbita. 
 
 
Figura 32. Fumaça Cáqui: Degradação violenta de combustíveis sólidos. 
Fonte:www.fireengineering.com. 
 
 Nos incêndios em estruturas de madeira (casas de estilo americano), a 
fumaça cáqui é tratada como indicativo de risco de colapso, visto que a temperatura 
CORPO DEBOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
57 
 
de ocorrência da termóliseem que esta fumaça é produzida, também representa 
perda de resistência mecânica da madeira estrutura. 
 
 Black Fire 
 “Black Fire” é uma expressão usada para descrever fumaça ultradensa de 
alto volume, veloz, com alta turbulência e muito negra (reunindo todos os sinais de 
risco juntos). “Fogo Negro” é um claro sinal de iminente autoignição ou Flashover. 
 O uso dessa expressão, é um jargão americano, criado para fomentar no 
bombeiro a preocupação com estruturas tocadas pela fumaça nessas condições, 
pois ela mesmo sem igninição causa quase os mesmos danos às estruturas que 
seriam causadas por chamas, como dilatação e colapso de estruturas metálicas, 
degradação feroz de materiais e morte de vítimas. 
 Lembrando que esta fumaça negra com alta densidade, é gerada na fase de 
desenvolvimento bem avançada, tendo suas chamas muito perturbadas. Essa 
fumaça pode atingir temperaturas próximas de 600º. 
 Tratemos essa fumaça como se fossem chamas, considerando atuar em 
proteção contra exposição, resfriamento e ventilação tática. 
 
4.3 Considerações finais 
Conhecer o significado de cada atributo nos ajuda a dimensionar melhor as 
condições do incêndio. Combinando estes atributos, observações básicas podem 
ser feitas antes que os militares adentrem na estrutura, ou mesmo em reavaliações 
durante o combate. 
 Comparar velocidade e coloração de diferentes aberturas ajuda a encontrar a 
localização do fogo. Fumaça bem negra e veloz estará próxima ao foco, enquanto 
fumaça mais clara, menos densa, e menos escurecida, tenderá a ficar mais longe 
deste. 
 Normalmente, vê-se distinção na velocidade e cor entre diversas aberturas. 
Nos casos onde a fumaça aparece com uniformidade (pouca diferença), de mesma 
CORPO DEBOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
58 
 
velocidade e coloração em diversas aberturas, deve-se deduzir que o foco está num 
ambiente confinado ou profundamente interiorizado. Nesses casos, a fumaça 
atravessa certa distância ou teve pressão perdida atravessando frestas de portas ou 
paredes, que neutralizaram sua cor e velocidade, equilibrando-se antes de escapar 
da estrutura. 
 Durante o processo de avaliação 360º da estrutura, observa-se essa 
diferença de fumaça, e para fins de padronização de comunicação entre a 
guarnição, são classificadas as faces da estrutura em “Alfa”, “Bravo”, “Charlie” e 
“Delta”. A fachada Alfa será sempre a que tem a entrada principal da edificação 
(portão principal) e o restante, será definido em sentido horário a partir desta. 
 Após a leitura e visualização. Se houver determinação de localização do foco, 
ou informações de vítimas ou estruturas expostas, essa padronização favorece a 
rapidez e entendimento das equipes pelo rádio, por exemplo: -“Atenção guarnição, 
fumaça muito veloz e negra em Charlie, possível local de foco, expondo o andar de 
cima à propagação, vítima acenando pela janela em Delta”. 
 
 
Figura 33. Croqui ilustrativo 
Fonte:os autores, 2018 
 
 Lembrando: Leitura da fumaça não é uma tática, mas é uma ferramenta que 
ajuda a construir as melhores opções táticas. Na essência, a aproximação com 
leitura da fumaça nos permite realizar um combate mais agressivo, possibilitado pela 
inteligência, em oposição à uma agressividade imprudente e temerária de um 
estabelecimento mais corrido do que pensado. 
 
CORPO DEBOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
59 
 
5 ÁGUA NO COMBATE A INCÊNDIO 
A água é o agente extintor mais utilizado no combate a incêndio, devido ao 
seu baixo custo e grande disponibilidade na natureza. Além disto, a água possui 
características físico-químicas que a fazem um excelente agente extintor para ser 
utilizado na maioria das ocorrências de incêndio estrutural urbano, atuando na 
extinção principalmente por resfriamento e secundariamente por abafamento. 
 A água utilizada em incêndios conduz eletricidade por possuir sais minerais 
em sua composição, o que a torna inadequada para incêndios envolvendo 
equipamentos energizados (classe C), em razão do risco de choque elétrico. 
Também não é indicada para ser usada no combate a incêndio em líquidos 
inflamáveis (classe B), pois tem densidade superior que a maioria destes 
combustíveis líquidos, fazendo com que ela vá para o fundo do recipiente e não 
resfrie ou abafe a superfície em chamas. 
 A água também não é indicada para extinguir incêndios envolvendo material 
pirofórico (classe D), uma vez que o oxigênio presente em sua composição promove 
violenta reação exotérmica (liberação de calor) ao entrar em contato com metais 
pirofóricos. 
 
5.1 Características da água 
A eficácia da água na extinção de um incêndio se dá basicamente por três 
principais características: alto valor do calor específico e do calor latente de 
vaporização, e alta capacidade de expansão quando muda de estado físico (do 
líquido para o gasoso). 
 
 Calor Específico 
 Calor específico é a quantidade de calor necessária para que cada grama de 
uma substância sofra uma variação de temperatura correspondente a 1°C. Essa 
grandeza é uma característica de cada tipo de substância e indica o comportamento 
CORPO DEBOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
60 
 
do material quando exposto a uma fonte de calor no que se diz respeito à absorção 
de energia e alteração de temperatura. 
 No caso da água, o calor específico é 1 cal/g°C. Isto significa que para elevar 
a temperatura de 1 grama de água em 1°C, é necessário que esta massa de água 
absorva 1 caloria. De maneira inversa, para abaixar a temperatura de 1 grama de 
água em 1°C, é necessário que esta massa de água perca 1 caloria. 
 Por possuir um dos mais altos valores de calor específico a água é muito 
eficaz na extinção por resfriamento, pois absorve grande quantidade de energia para 
pouco incremento de sua temperatura. 
 Uma vez que é possível sentir a absorção de energia através do aumento de 
temperatura, esta porção de energia é chamada de calor sensível. 
Para calcular a quantidade de calor sensível, utiliza-se a seguinte equação: 
 
 Q = m x c x ΔT 
 
 Onde: 
 Q = quantidade de calor sensível (cal); 
 m = massa da substância (g); 
 c = calor específico da substância (cal/gºC); 
 ΔT = variação de temperatura da substância (ºC). 
 
 Por exemplo, para 1 litro de água a 40ºC ser aquecido até que atinja 100ºC, 
qual a quantidade de calorias este volume de água deve absorver? 
 
 Utiliza-se a seguinte equação: 
 
 Q = m x c x ΔT 
 
 Tem-se que: 
 
 1 litro deágua tem massa de 1 kg = 1000 g de água; 
 c = calor específico da água = 1 cal/gºC; 
CORPO DEBOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
61 
 
 ΔT = variação de temperatura = 100ºC – 40ºC = 60ºC. 
 
 Então: 
 Q = 1000 g x 1 cal/gºC x 60ºC 
 Q = 60.000 calorias 
 
 Ou seja, para a temperatura de 1 litro de água se eleve de 40ºC para 100ºC, 
este volume de água precisa absorver 60.000 calorias. 
 
 Calor Latente de Vaporização 
 Calor latente de vaporização é a grandeza física relacionada à quantidade de 
calor que uma massa correspondente a 1 grama de determinada substância 
necessita absorver para passar do estado líquido para o estado gasoso. Durante a 
mudança de estado físico a temperatura da substância não varia, mas seu estado de 
agregação molecular se modifica. 
 O processo de vaporização ocorre quando o líquido atinge sua temperatura 
de ebulição, que no caso da água, a temperatura de ebulição é 100ºC. 
 A água possui um elevado valor de calor latente de vaporização, 540 cal/g, ou 
seja, para 1 grama de água, a 100ºC, passar do estado líquido para o estado 
gasoso, é necessário que absorva 540 calorias. 
 Para calcular a quantidade de calor latente de vaporização, utiliza-se a 
seguinte equação: 
 
 q = m x C 
 
 Onde: 
 q = quantidade de calor latente; 
 m = massa da substância em grama; 
 C = calor latente de vaporização da substância. 
 
 Por exemplo, para 1 litro de água a 100ºC no estado líquido passar para o 
estado gasoso, qual a quantidade de calorias este volume de água deve absorver? 
CORPO DEBOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
62 
 
 
 Utiliza-se a seguinte equação: 
 
 q = m x C 
 
 Tem-se que: 
 
 1 litro de água tem massa de 1 kg = 1000 g de água; 
 C = calor latente de vaporização da água = 540 cal/g. 
 
 Então: 
 Q = 1000 g x 540 cal/g 
 Q = 540.000 calorias 
 
 Ou seja, para que 1 litro de água a 100ºC passe do estado líquido para o 
estado gasoso este volume de água precisa absorver 540.000 calorias. 
 Tendo em vista a quantidade de calor sensível e a quantidade de calor latente 
vistas nos tópicos acima, percebe-se que um mesmo volume de água absorve 9 
vezes a quantidade de calor necessária para aquecer de 40ºC para 100ºC quando 
muda de estado físico. Veja o gráfico: 
 
 
1 - Quantidade de calor absorvido para 1 litro de água a 40°C 
CORPO DEBOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
63 
 
aquecer até atingir 100°C. 
2 - Quantidade de calor absorvido por 1 litro de água a 40°C 
ao passar totalmente para o estado de vapor d'água a 100°C. 
 
Figura 34.Gráfico – Quantidade de calor absorvido por 1 litro de água. 
Fonte: os autores, 2018 
 
 Sendo assim, observa-se que 1 litro de a água absorve um total de 600.000 
calorias ao passar do estado líquido a 40ºC para vapor a 100ºC. E que mesmo 
depois de transformado em vapor, continua absorvendo energia, pois o valor do 
calor específico do vapor é 0,5 cal/gºC. 
 Conclui-se que um combate usando água será tanto mais eficiente quanto 
mais conseguir evaporar a água. Cada litro de água que escorre deixa de absorver 
os 540cal/g que absorveria ao ferver e parte da energia que absorveria para 
alcançar os 100ºC, ou seja, a água que escorre na fase líquida, não conseguindo 
mudar de estado físico, é um recurso que deixa de ser usado no combate a 
incêndio. Sendo assim, o combate a incêndio ideal é aquele em que toda a água 
líquida é transformada em vapor d’água.Além disto, o excesso de água pode causar 
danos materiais desnecessários, durante e após o combate, e trazer consequências 
indesejáveis à estrutura da edificação, como por exemplo infiltrações. 
 
 Capacidade de Expansão 
 Apesar de a capacidade da água tornar insustentável a combustão pela 
retirada de calor da reação, é importante lembrar que, ao absorver energia 
suficiente, ela passa pelo processo de vaporização, no qual cada litro de água se 
transforma em 1.700 litros de vapor a 100ºC e 3.400 litros de vapor a 450ºC. 
 Existem técnicas de uso da água que aproveitam esta capacidade de 
expansão para atuar por abafamento, uma vez que o volume de vapor pode 
deslocar o volume de comburente (oxigênio) que envolve o foco do incêndio, 
tornando a mistura (combustível + comburente) pobre. Além disso, diminui a 
concentração de comburente no ambiente, assim como diminui a concentração de 
combustível disperso na atmosfera. 
 Para um melhor entendimento, vamos imaginar um esguicho descarregando 
120 litros por minuto (aproximadamente, 30 galões por minuto) de água, em um local 
com temperatura maior que 100ºC. A essa temperatura, a água transforma-se em 
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64 
 
vapor. Durante um minuto de operação, 120 litros de água serão vaporizados, 
expandindo-se para cerca de 204.000 litros (120 x 1.700) de vapor. Esse vapor é 
suficiente para ocupar um compartimento medindo 10 metros de comprimento por 
6,8 metros de largura e 3 metros de altura. Em atmosferas extremamente aquecidas, 
o vapor se expande em volumes ainda maiores. Essa expansão é rápida, e se o 
local estiver tomado por fumaça e gases, o vapor, ali gerado, expulsará esses gases 
ou, se caso a fumaça não for expulsa, diminuirá as proporções de combustível e 
comburente disperso na atmosfera do ambiente. 
 Esta característica de expansão da água pode configurar uma vantagem, 
como vimos, mas também pode se tornar uma desvantagem. Ao se expandir na 
parte superior do ambiente, o excesso de vapor d’água perturba o balanço térmico 
fazendo com que a fumaça da capa térmica desça e diminua a visibilidade. Além 
disso, se houver presença humana no ambiente, seja de bombeiros ou de vítimas, 
as condições de sobrevida serão agravadas, aumentando o risco de queimaduras e 
o desconforto extremo. Para evitar estes problemas, devemos fazer uso das 
técnicas de aplicação de água, as quais conheceremos neste manual, que visam o 
uso econômico da água e consequentemente uma produção reduzida de vapor. 
 
5.2 Aplicação da água no combate a incêndio 
Por muitos anos, a água tem sido aplicada no combate a incêndio sob a 
forma de jato pleno. Hoje sabe-se que a água apresenta um resultado melhor 
quando aplicada de modo pulverizado, pois quanto maior for sua fragmentação 
maior será a superfície de contato da água com o ambiente, o que acelera 
consideravelmente a absorção de energia e diminui a temperatura do incêndio numa 
velocidade muito maior. 
 Porém, a aplicação da água pulverizada não permite alcançar grandes 
distâncias, ou seja, por vezes, é necessário a utilização de jatos compactos, a fim de 
vencê-las. 
 A aplicação de água por uma linha de mangueira pode ser muito 
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65 
 
diversificada. A forma e eficiência com que a água é lançada variam conforme vários 
fatores: 
a. Pressão– quanto maior a pressão imprimida pela bomba, maior pode ser a 
velocidade com que flui a água ao deixar o esguicho. Em consequência disso, em 
um esguicho com a regulagem mantida, a pura variação da pressão acarretará 
mudanças no jato como alcance, dispersão e fragmentação; 
b. Vazão– é o volume de água que flui em determinado período de tempo. 
Quanto maior a vazão, maior a quantidade de água que flui. A vazão também 
interfere na fragmentação do jato e, principalmente, no “recuo” da mangueira. 
Quanto maior a vazão, maior a força que o jato d’água faz empurrando a mangueira 
para trás e maior também será o golpe de aríete provocado pela interrupção brusca 
no fluxo de água; 
c. Velocidade– a velocidade com que a água sai interfere no formato, na 
fragmentação e no alcance do jato d’água. Interfere também no recuo, no entanto, 
menos que a vazão. Ela é diretamente influenciada pela pressão imprimida pela 
bomba, mas pode ser alterada por outros meios como fechamento parcial do 
esguicho e a posição do anteparo do esguicho. Quanto maior a velocidadede saída 
da água, maior será sua fragmentação; 
d. Regulagem do jato– a regulagem de jato afeta principalmente o seu formato, 
além da fragmentação e da velocidade da água; 
e. Abertura– a abertura do esguicho interfere no formato do jato, na quantidade 
de água lançada e na velocidade de saída da água. 
f. Combinando as regulagens possíveis, será visto neste manual que há várias 
técnicas de combate a incêndio baseadas no manejo do esguicho e na aplicação de 
água. 
 
5.2.1 Pressão 
Com os equipamentos de combate a incêndio utilizados atualmente no 
CBMERJ, a pressão se torna o fator mais importante para a execução correta das 
CORPO DEBOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
66 
 
técnicas de combate ofensivo. 
 Pressão é a ação de uma força sobre uma área. Em termos práticos, isto é, 
no serviço de bombeiros, a pressão é a força que se aplica na água para esta fluir 
através de mangueiras, tubulações e esguichos, de uma extremidade a outra. É 
importante notar que o fluxo em si não caracteriza a pressão, pois se a outra 
extremidade do tubo estiver fechada por uma tampa, a água estará “empurrando” a 
tampa, apesar de não estar fluindo. 
 Para entender a importância da pressão na aplicação da água, é importante 
saber os seguintes conceitos: 
a. Pressão dinâmica -é a pressão de descarga, medida na expedição, enquanto 
a água está fluindo; 
b. Pressão estática - é a pressão sobre um líquido que não está fluindo, por 
exemplo, uma mangueira com esguicho fechado, sendo pressurizada por uma 
bomba. A ação da gravidade pode, também, produzir pressão estática. Por exemplo, 
no fundo de um tanque haverá pressão, resultante do peso da água sobre a área do 
fundo do tanque; 
c. Perda de carga - a água sob pressão tende a se distribuir em todas as 
direções, como quando se enche uma bexiga de borracha com ar. Contudo, as 
paredes internas de mangueiras, tubulações e esguichos impedem a expansão da 
água em todas as direções, conduzindo-a num único sentido. Ao evitar a expansão 
da água, direcionando-a, as paredes absorvem parte da força aplicada na água, 
“roubando” energia. Isto explica por que a força aplicada diminui de intensidade à 
medida que a água vai caminhando pelas tubulações. Isto chama-se perda de carga. 
 A força da gravidade é um outro fator que acarreta perda de carga. Quando a 
água é recalcada de um nível inferior para um nível superior, a força da gravidade 
“puxa” a água para baixo, o que diminui a pressão. A força da gravidade também 
poderá ser utilizada no aumento da pressão, ao se fazer a água fluir de um nível 
superior para um nível inferior. 
 
 Cálculo da perda de carga 
 Se for considerado o pé-direito de um pavimento medindo 3 metros e 
aproximando a soma da altura de 3 pavimentos para 10m (o metro a mais será 
CORPO DEBOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
67 
 
contado para que seja considerada a perda de carga por atrito na tubulação), então 
tem-se que em 3 pavimentos perde-se, por gravidade 10 m.c.a. o que corresponde 
a, aproximadamente, 15 PSI ou 1 BAR. 
 Se dividir por 3, tem-se que a perda de carga por gravidade pode ser 
considerada em termos práticos da seguinte forma: 
 
 1 pavimento= perda de 0,3 BAR ou 5 PSI. 
 
 Segundo dados dos fabricantes de mangueira, considerando uma vazão de 
30 galões por minuto, tem-se as seguintes perdas de carga a cada 15 metros de 
mangueira: 
 
a. de1,5” perde-se 2,25 PSI (ou 0,15 BAR). 
b. de2,5’’ perde-se 0,225 PSI(0,015 BAR). 
 
 Pressão nominal - conhecida como “pressão na bomba”, é a pressão 
apresentada no manômetro do painel de operação da bomba de incêndio. 
 
 Pressão residual - conhecida como “pressão no esguicho”, é a pressão da 
bomba de incêndio menos a perda de carga. 
 
5.2.2 Linha de recirculação 
O esguicho utilizado atualmente pelo CBMERJ foi projetado para funcionar 
sob uma pressão residual de 100 PSI (aproximadamente 7 BAR), e para imprimir 
esta pressão à água, a bomba centrífuga da viatura precisa atuar com alta taxa de 
rotação por minuto. A alta taxa de rotação aumenta a produção de calor através do 
atrito entre os componentes da bomba centrífuga. Como, no combate ofensivo, o 
esguicho fica mais tempo fechado do que aberto, esse fenômeno aquece a água 
que fica parada dentro do corpo da bomba, podendo provocar o superaquecimento 
CORPO DEBOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
68 
 
da mesma. 
 O aquecimento exacerbado da água no interior do corpo da bomba é 
prejudicial aos componentes da bomba. De acordo com o fabricante das viaturas de 
combate a incêndio, a bomba operando com todas as saídas fechadas por alguns 
minutos, poderá aquecer a água a ponto de danificar o elemento de vedação da 
bomba (selo mecânico). Além disto, caso o fluxo de água seja liberado após este 
aquecimento, poderá ocorrer um choque térmico nos componentes da bomba, tendo 
em vista que a água admitida na bomba estará mais fria que a água que já estava 
parada no interior dela. A água aquecida dentro da bomba, também pode provocar 
queimaduras graves caso entre em contato com alguém quando alguma expedição 
for aberta. Para evitar este problema faz-se o uso da linha de recirculação. 
 A linha de recirculação é uma linha auxiliar que é montada a fim de manter a 
troca da água no interior da bomba, retardando o aquecimento exacerbado e 
prolongando o tempo de operação. Esta linha é montada a partir de uma das 
expedições e deve ser conectada a uma das admissões. 
 Por limitações estruturais dos tanques das viaturas, quando utiliza-se uma 
linha de recirculação feita com mangueiras, a vazão de recirculação não pode ser 
elevada quando sob alta pressão, devendo ser reduzida através da abertura parcial 
da válvula de admissão. Caso a viatura não possua válvula na admissão, um divisor 
deve ser utilização para fazer o papel de limitador da vazão. 
 A válvula Bomba-Tanquenãodeveser utilizada para este fim, tendo em vista 
que possui diâmetro muito grande quando comparado às mangueiras, não 
permitindo assim que se atinja a pressão residual desejada. Também, não utilizar as 
válvulas do sistema pneumático fechando parcialmente de forma manual, pois estas 
válvulas acabam sofrendo sobrepressão e danificando o sistema pneumático. 
 
5.2.3 Golpe de aríete 
Algumas técnicas de aplicação da água implicam o fechamento repentino do 
fluxo. Quando o fluxo de água, através de uma tubulação ou mangueira, é 
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69 
 
interrompido de modo súbito, surge uma força resultante que é chamada “golpe de 
aríete”. A súbita interrupção do fluxo determina a mudança de sentido da pressão 
(da bomba ao esguicho, para do esguicho à bomba), sendo esta instantaneamente 
multiplicada. 
 
 
Figura 35. Ilustração do golpe de aríete. 
Fonte: Manual Básico CBMERJ, Vol. 3 
 
 Esse excesso de pressão causa danos aos equipamentos hidráulicos e às 
bombas de incêndio. A mangueira de combate a incêndio, geralmente, é o 
componente mais sensível aos danos ocasionados pelo golpe de aríete. 
 A intensidade do golpe de aríeteestá diretamente ligada à vazão de fluxo, 
quanto maior for a vazão, maior será a força do golpe de aríete. Há técnicas que 
permitem o fechamento brusco do fluxo de água quando se trabalha com baixa 
vazão. Na maioria das técnicas de combate ofensivo, a vazão a ser utilizada é a de 
30 GPM (galões por minuto) que é considerada baixa e é a menor regulagem de 
vazão permitida pelo esguicho utilizado pelo CBMERJ atualmente. 
 Caso esteja sendo utilizada outra regulagem de vazão os esguichos, 
hidrantes, válvulas e estranguladores de mangueira devem ser fechados lentamente, 
de forma a prevenir e evitar o golpe de aríete. 
 Algumas viaturas de combate a incêndio possuem válvula de alívio, que é um 
dispositivo de proteção contra sobrepressão do sistema hidráulico. Porém, ela é 
mais efetiva na proteção do corpo de bomba, não protegendode maneira eficiente 
as mangueiras utilizadas no combate. A linha de recirculação também permite um 
certo grau de alívio de sobrepressão do sistema. 
CORPO DEBOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
70 
 
 
 Observações importantes 
 Não importa a técnica utilizada, é importante saber o seguinte: 
a. Qualquer jato de água sobre um mesmo ponto por mais de 3 segundos é 
ineficiente. Se nesse tempo o jato não for capaz de sobrepujar as chamas (taxa de 
absorção de calor menor que a taxa de liberação de calor) é sinal de que é 
necessário aumentar a capacidade de resfriamento pelo aumento da quantidade de 
água (maior vazão ou mais linhas) ou pela otimização de seu emprego (maior 
fragmentação); 
b. Excesso de vapor de água é prejudicial ao combate, pois: 
c. Perturba o balanço térmico trazendo aos níveis mais baixos o excesso de 
calor dos níveis superiores; 
d. Com a descida do plano neutro, perde-se visibilidade; 
e. O vapor penetra na capa de aproximação, queimando os bombeiros; 
f. Água que escorre é água desperdiçada, pois ela absorve muito mais calor 
para evaporar e na forma de vapor, do que para aquecer no estado líquido. 
 
CORPO DEBOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
71 
 
6 MANGUEIRA 
Dependendo de como seja e esteja o local do evento de incêndio (tipo de 
edificação e estado da edificação, localização do foco, etc) e das condições gerais 
(funcionamento do preventivo fixo, quantidade de pessoal e viaturas empenhados na 
operação), será utilizado uma certa quantidade de mangueiras de 1¹/² polegadas 
para formar as linhas e 2¹/² polegadas montar a ligação da maneira mais apropriada, 
a fim de dar início o mais rápido possível às ações de confinamento, isolamento ou 
combate ao incêndio. 
6.1 Formas de estabelecimento 
Sem aprofundar muito nos assuntos referentes especificamente a Estratégias 
em Operações de Combate a Incêndio, é preciso termos em mente que dependendo 
do que a situação no local da operação de incêndio oferecer, o estabelecimento de 
mangueiras mais apropriado deverá ser executado para um combate mais eficiente. 
 
As opções de estabelecimento do combate são: 
a. Sistema preventivo fixo: recalcar água do hidrante de recalque ou do registro 
de parede localizado na caixa de incêndio do primeiro pavimento. Porém, o sistema 
preventivo pode não estar funcionando corretamente; 
b. Pela escada: recomendada para incêndios onde o foco esteja localizado no 
máximo até o sexto pavimento; 
c. Içamento de linha: técnica utilizada para incêndios onde o foco esteja 
localizado no máximo até o terceiro pavimento, devido a perda de carga da linha de 
1¹/² (38 mm) polegadas; 
d. Içamento de ligação: recomendada para incêndios onde o foco esteja 
localizado entre os quinze primeiros pavimentos; 
e. Hidrante elevado: caso nenhum dos tipos de estabelecimentos anteriores 
servirem, utiliza-se essa técnica. Esta depende da localização do foco no ambiente 
CORPO DEBOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
72 
 
sinistrado e da altura máxima que o cesto da viatura aérea pode desenvolver, sendo 
este o limite para utilização dessa técnica. 
 
 Cabe ressaltar, que o divisor deve ser estabelecido no pavimento onde se 
localiza o foco. Porém, caso não haja segurança para realizar esse procedimento, 
por exemplo, se todo o pavimento estiver em chamas,devemos colocar o divisor no 
pavimento imediatamente abaixo. 
 
6.2 Dimensionamento de mangueiras 
Em primeiro lugar, ao escolher a forma de estabelecimento que será utilizada, 
deve-se dimensionar a quantidade de mangueiras de 2¹/² (63 mm) polegadas a 
serem usadas na ligação. 
 Dessa forma, sendo o estabelecimento feito pela escada interna da 
edificação, será necessário, aproximadamente, uma mangueira de 15 metros para 
percorrer um andar e meio. Logo, a cada três pavimentos, utiliza-se duas 
mangueiras de 2¹/² (63 mm) polegadas. 
 Todavia, no caso de ser escolhido o estabelecimento pelo lado externo a 
edificação, por içamento de ligação, içamento de linha ou hidrante elevado, o 
dimensionamento muda um pouco. Será necessário, aproximadamente, uma 
mangueira de 15 metros para percorrer três pavimentos. 
 Por fim, para dimensionar quantas mangueiras de 1¹/² (38mm) serão 
utilizadas na linha onde haverá a progressão do Chefe e Ajudante de linha para 
combater o incêndio. Tendo em vista que durante essa progressão a mangueira fará 
curvas e como a maior distância a ser percorrida no ambiente seria o equivalente a 
sua diagonal, uma forma de compensar as perdas devido às curvas que a 
mangueira de 38mm irá fazer no interior da edificação sinistrada, é calculando e 
utilizando o semi-perímetro como base de dimensionamento da quantidade de 
mangueiras que serão utilizadas na linha. 
 
CORPO DEBOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
73 
 
6.3 Cálculo de Pressão Nominal 
Para saber o valor da pressão necessária na bomba da viatura de água 
(Pressão Nominal) para que a mesma chegue no esguicho a 100 PSI (Pressão 
Residual), dependerá das Perdas de Cargas devido ao atrito horizontal e vertical 
(gravidade) nas mangueiras ou na canalização preventiva. 
 Exemplo: Incêndio em um apartamento de um prédio residencial/comercial. 
Qual será a Pressão Nominal a ser utilizada no evento? Sabe-se que: 
a. o foco do incêndio está no apartamento 301; 
b. o prédio tem um andar térreo e outros dois acima, contendo estacionamento e 
playground, respectivamente; 
c. sistema preventivo fixo está inoperante; 
d. o ABT foi parqueado a 20 metros do edifício; 
e. o perímetro do apartamento é de 60 metros; 
f. Pressão nominal = Pressão residual + Perda de carga; 
g. Pressão residual = 100 PSI; 
h. mangueiras utilizadas no CBMERJ: 15 metros de comprimento. 
i. perdas de carga para mangueiras de 15 metros: 
j. mangueiras de 2¹/² (63 mm) polegadas = 0,225 PSI; 
k. mangueiras de 1¹/² (38 mm) polegadas = 2,25 PSI; 
l. Perda de carga por pavimento = 5,0 PSI. 
m. Pressão nominal (PN) = Perda de Carga (PC) + Pressão Residual (PR) 
 
 
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Figura 36. Esquema didático 
Fonte:autores, 2018 
 
 Sequência para calcular a Pressão Nominal: 
a. Dimensionamento de mangueiras: 
- estabelecimento pela escada interna do prédio: 02(duas) mangueiras de 2¹/² 
(63 mm) polegadas a cada 03(três) pavimentos. Então, se o incêndio é no 6º 
pavimento, utiliza-se 04(duas) mangueiras de 2¹/² (63 mm) polegadas, da base do 
prédio até o divisor; 
- para a linha simples: semi-perímetro (metade do perímetro) é 30 metros. 
Logo, utiliza-se 02 (duas) mangueiras de1¹/² (38 mm) polegadas. 
 
b. Cálculo da Perda de Carga: perda de carga por atrito nas tubulações das 
mangueiras (Perda de carga horizontal): 
- mangueiras de 1¹/² (38 mm) polegadas: 2 x 2,25 = 4,5 PSI 
- mangueiras de 2¹/² (63 mm) polegadas: 6 x 0,225 = 1,35 PSI 
- Somatório da Perda de carga na horizontal: PCh = 5,85 PSI 
 
c. Cálculo da Perda de Carga: perda de carga por atrito por gravidade (Perda de 
carga vertical): 
- por pavimento: PCv = 5 x 5 
- PCv = 25 PSI 
 
d. Perda de Carga(total): 
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- PC = PCh + PCv 
- PC = 5,85 + 25 
- PC = 30,85 
- Arredondando: PC = 30,85 PSI 
 
e. cálculo da Pressão Nominal: 
 Sabendo que a PC = 30,85 PSI e PR = 100 PSI: 
- PN = PC + PR 
- PN = 30,85 + 100 
- PN = 130,85 PSI 
- Arredondando: PN = 135 PSI 
 
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7 ESGUICHO 
Com o objetivo de utilizar a água como um potencial agente extintor em 
operações de incêndios, se faz necessário um equipamento que irá se conectar à 
mangueira, através de acoplamento do tipo Storz, a fim de proporcionar à água: 
direcionamento, controle de fluxo, alcance e formato. Chama-setalequipamento de 
Esguicho. Esse agente extintor que sai da ponta do esguicho, tem seu volume 
(vazão)medida em litros por minuto ou galões por minuto (gpm). A vazão de um 
esguicho depende da velocidade do jato e da área do orifício de abertura do 
esguicho. 
 Da mesma forma que os outros materiais operacionais, esse equipamento 
possui características próprias. Apesar de possuírem resistência a choques 
mecânicos e, no mínimo, às mesmas pressões estáticas e dinâmicas que suportam 
as mangueiras, devemos ter o máximo de cuidado no manuseio, manutenção e 
acondicionamento desse material. 
 Cabe ressaltar que apesar de existirem inúmeros tipos de esguichos, este 
capítulo irá se ater aos esguichos mais utilizados no CBMERJ e também no Brasil. 
 
 Esguicho tronco-cônico 
 Apresenta o corpo em forma de cone, cuja base possui uma união de engate 
rápido do tipo storz e na extremidade oposta um encaixe para bocas móveis de 
diversos diâmetros, chamadas requintes. Esse tipo de esguicho produz somente jato 
sólido, sendo este contínuo por não possuir elemento ou dispositivo que permita o 
controle de fluxo de água. 
 É encontrado nas Caixas de Incêndio do sistema preventivo de edificações, 
caso nesta seja previsto conforme o CoSCIP. 
 
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Figura 37. Esguicho tronco-cônico 
Fonte: Manual Básico de Bombeiro Militar 2017 – CBMERJ 
 
 Esguicho regulável 
 Nesse esguicho é capaz de realizar a abertura do jato, fechamento (gradual) 
e controle da angulação (jato compacto e jato neblinado). Contudo, não possui 
elemento ou dispositivo para regular a vazão. 
 Nos Subseção de Material Operacional (SsMOp) e nas viaturas operacionais 
do CBMERJ, encontra-se esse tipo de esguicho. Contudo, ainda que o Esguicho 
Combinado seja mais versátil, na ausência deste e dependendo da técnica de 
aplicação da água a ser aplicada, pode-se (e deve) utilizar o Esguicho Regulável. 
 
 
Figura 38. esguicho regulável 
Fonte: CBMGO, 2018. 
 
 Esguicho combinado 
 
No CBMERJ, atualmente se utiliza mais o Esguicho Combinado. Pois, neste 
se consegue fazer um conjunto de regulagens simultaneamente e com isso, tem-se 
a utilização da água de forma mais adequada para determinada técnica e assim, 
atinge-se o objetivo que se deseja. 
 
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Figura 39. esguicho combinado 
Fonte:os autores, 2018. 
 
 Partes e regulagens: 
a. punho: possui formato específico para que o militar o segure com uma das 
mãos; 
b. alavanca: tem a função de controlar o fluxo de água do esguicho e deve ser 
manuseada pela mão não utilizada para segurar o Punho; 
c. engate do tipo storz: geralmente é do tamanho de ½ polegadas, mas pode-se 
encontrar de 2 ¹/² polegadas também. Deve ser acoplado a um engate storz de 
mangueira; 
d. anel regulador de vazão: tem por objetivo regular e assim determinar a vazão 
de trabalho. Possíveis vazões no esguicho combinado: 30, 60, 95 e 125 GPM 
(galões por minuto). Além disso, possui uma última opção que é o Flush que, 
quando acionado, retira possível sujeira alojada no corpo interno do esguicho. 
e. anel regulador de jato: apresenta quatro tipos de jatos: 
- compacto: a água ao sair do esguicho, faz um ângulo de 0º com o mesmo; 
- neblinado estreito: a água ao sair do esguicho, tem formato de cone e faz um 
ângulo de 30º com o mesmo; 
- neblinado amplo: a água ao sair do esguicho, tem formato de cone e faz um 
ângulo de 60º com o mesmo; 
- neblina: a água ao sair do esguicho, faz um ângulo de 120º com o mesmo; 
 
 Cabe ressaltar que apesar de não se conseguir regular a pressão no 
esguicho combinado, para que o Esguicho Combinado funcione de forma 
condizente, a Pressão Residual deve ser 100 PSI/ 7 Bar, sempre. 
 
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79 
 
8 TÉCNICAS DE APLICAÇÃO DE ÁGUA 
Ataque direto 
 Tem como objetivo extinguir o foco por resfriamento do combustível. Para 
isso, devem ser aplicados jatos direcionados para o combustível. 
 O quanto de água será aplicada deverá seguir alguns parâmetros, como: 
a. quantidade de combustível: devemos aplicar a quantidade d'água de acordo 
com as proporções do material combustível inflamado; 
b. vazão: quanto maior a vazão, maior o alcance. A vazão acima da necessária 
pode danificar objetos que não precisariam estar sendo atingidos e danificados com 
a força da água. Portanto a vazão correta para o Ataque Direto é aquela que resfria 
o objeto sem deslocá-lo e sem alagar o ambiente; 
c. vapor gerado: devemos observar a quantidade de vapor gerado, se estiver 
ocorrendo produção de vapor além do esperado temos um sinal de aplicação de 
água em demasia, pode ocorrer, também, do jato estar sendo aplicado em local já 
resfriado o suficiente; 
d. tempo de aplicação de água em um mesmo ponto: Não devemos aplicar água 
quando não visualizamos mais chamas. O tempo máximo de Ataque em um mesmo 
ponto é de 3 segundos, após esse tempo, se não for observada a extinção do foco 
naquele ponto, ou uma melhora significativa dele, devemos reavaliar o alcance e o 
local onde está sendo aplicado o jato; 
 
 Geralmente o Ataque Direto é aplicado com Jato Compacto ou Neblinado 
estreito, a escolha irá depender da natureza do combustível e da avaliação da 
eficiência da aplicação de água; 
 Generalidades: Essa técnica pode ser aplicada de dentro para fora do 
ambiente ou de fora para dentro do ambiente. Temos que ter em mente que se for 
aplicada de fora pra dentro devemos atentar para evitar o deslocamento de fumaça 
quente em virtude do deslocamento de ar causado pelo jato, para locais ainda não 
afetados, assim como, atentar para a não presença de equipes ou vítimas dentro da 
estrutura, que seriam atingidas pelo vapor. Portanto, apesar da possibilidade de 
aplicarmos o Ataque Direto de fora pra dentro da estrutura incendiada, este, é 
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preferencialmente utilizado de dentro para fora caso seja possível adentrar no 
ambiente. 
 Também é bastante eficiente quanto tivermos combustíveis extensos ao ar 
livre em chamas. Para esses casos, aconselha-se o uso de mais de uma linha de 
ataque. 
 É adequado citar a funcionalidade desse ataque para locais abertos ou 
compartimentados, assim como para a proteção contra os efeitos da irradiação nas 
edificações vizinhas à incendiada. 
 
 Ataque direto modificado 
 Tem como objetivo o extinguir o foco por resfriamento do combustível e deve 
ser utilizado quando tivermos algum anteparo entre a linha de ataque e o foco que 
impeça o Ataque Direto. 
 Nesse tipo de ataque, direcionamos o jato para um anteparo qualquer que irá 
redirecionar a água para o foco, uma espécie de “ataque por tabela” 
 
 Ataque indireto 
 Tem como objetivo o criar vapor dentro do cômodo sinistrado 
 Assim, resfriar o ambiente através da mistura do vapor com a fumaça, 
diminuindo sua inflamabilidade e temperatura da capa térmica, essa produção de 
vapor, pode vir inclusive a extinguir as chamas. 
 Para isso, devem ser aplicados jatos direcionados para as paredes, chão e 
teto. 
 O quanto de água será aplicada deverá seguir como parâmetro a quantidade 
de vapor gerado.O Ataque Indireto se faz eficiente justamente pela produção de 
vapor, porém, o limiar entre funcionar bem e prejudicar a operação é tênue. A 
aplicação de água em demasia, nesse caso, irá gerar vapor acima do necessário, o 
que e causará desconforto térmico e diminuição da visibilidade para a linha de 
combate. 
 Portanto o combatente deverá empregar o Ataque Indireto no cômodo 
sinistrado atingindo paredes, chão e teto por um tempo de 20 a 30 segundos, no 
máximo, fechar a porta do ambiente, e aguardar cerca de 20 segundos para ocorrer 
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a troca de calor entre o vapor e a fumaça. 
 Após aguardarmos a estabilização do ambiente, o reequilíbrio térmico, 
observamos o resultadoda aplicação do jato, caso não sejam mais visíveis ou 
audíveis as chamas, o BM deve adentrar ao ambiente com esguicho fechado e 
iniciar o rescaldo, sempre medindo o uso água para que não seja além do 
necessário. 
 Nesse ataque, não se direciona o jato ao foco, portanto, objetos não atingidos 
pelas chamas podem ser atingidos e danificados pelos jatos, esse fato, traz à luz a 
necessidade de utilizar essa técnica somente quando não for possível a aplicação 
de técnicas tridimensionais. 
 
 Ataque combinado 
 Consiste na técnica de geração de vapor (Ataque Indireto) combinada com 
Ataque Direto à base dos materiais em chamas. 
 Deve ser utilizada seguindo os mesmos cuidados dos Ataques Direto e 
Indireto. 
 Os jatos deverão atingir paredes, teto e foco até que seja observada a 
aplicação de água necessária. Observa-se, então a ação do jato no ambiente e se 
necessário repetiremos o procedimento. 
 Devemos cobrir todas as superfícies do ambiente e ao mesmo tempo limitar a 
quantidade de água aplicada. Cada aplicação dura no máximo 2 segundos: começa 
no alto, molha o teto do ambiente, continua atingindo as paredes e termina pouco 
antes de alcançar o chão. 
 É importante salientar que para utilização desta técnica é necessário que se 
tenha um ambiente com ventilação adequada. Em casos de formação excessiva de 
vapor, como medida de emergência, os bombeiros podem lançar-se ao solo para 
evitarem sofrer queimaduras. Em seguida, deve ser reavaliada a ventilação do 
ambiente. 
 
 Ataque tridimensional- 3DWF (TRIDIMENSIONAL WATER FOG) 
 Em meados dos anos 80, na Suécia, surgiu o Ataque Tridimensional - 3DWF, 
com o objetivo de realizar um combate “volumétrico”. Essa técnica permite o controle 
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e resfriamento tanto da fumaça presente no ambiente, confinado por paredes e 
tetos, quanto dos sólidos combustíveis em chamas. Isso devido ao combate 
realizado no interior da estrutura, aplicando-se neblina de água no local, de forma 
moderada e apropriada, conforme necessidade. 
 Com isso, consegue-se absorver calor do interior da edificação, resfriar a 
mesma e extinguir o foco do incêndio. Tudo isso de forma rápida e segura, pelo fato 
de usar de forma certa a alta capacidade da água como agente extintor. 
 Conforme a mudança na regulagem do jato e no tempo de abertura do fluxo 
de água, o Ataque Tridimensional apresenta suas próprias variações. Assim sendo, 
deve-se utilizar o Esguicho Combinado para fazer as técnicas de Ataque 
Tridimensional e para tal, se faz necessário a pressão Residual a 100 PSI. 
 
 Pulso 
 Técnica que objetiva resfriar a capa térmica, com água micropulverizada, em 
ambientes limitados por paredes e teto, os quais se encontram na fase de 
desenvolvimento do incêndio. Dependendo do pé direito (altura do chão até o teto) 
do ambiente, o tempo de duração do pulso pode ser mais rápido ou um pouco mais 
duradouro. Isso devido ao volume e profundidade da capa térmica existente no 
interior do local. Então, classifica-se em Pulso Curto e Pulso Médio. 
 
a. Pulso curto 
 Em locais nos quais possuem pé direito normal (entre 2,5 e 3,0 metros) se faz 
o “pulso curto”. Este consiste na abertura total do fluxo (alavanca do esguicho 
combinado até o final) de água durante 0,2 segundos com imediato fechamento. 
Esse tempo de abertura do fluxo é o suficiente para lançar água micropulverizada 
em quantidade adequada ao ambiente, a fim de proporcionar a troca de calor e 
evitar excesso de vapores d’água. 
 
b. Pulso médio 
 Em locais nos quais possuem pé direito acima do normal (maior do que 3,0 
metros) se faz o Pulso Médio. Este consiste na abertura total do fluxo (alavanca do 
esguicho combinado até o final) de água durante 2,0 segundos, com imediato 
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fechamento. Esse tempo de abertura do fluxo é maior, se comparado ao Pulso 
Curto. Isso porque devido ao ambiente ser alto, a fumaça ganhará maior 
profundidade. Então, para que essa parte da fumaça mais próxima ao teto seja 
atingida, é preciso uma maior quantidade de água micropulverizada e assim, fazer 
com que haja a troca de calor necessária. 
 
c. Jatos x pulso 
 Dependendo das dimensões (comprimento x largura) do ambiente, deve-se 
utilizar um determinado pulso, tendo em vista o pé direito, com um tipo de jato, 
conforme o alcance que se deseja ganhar e também de modo a evitar perdas de 
água em paredes e teto do ambiente. 
 Portanto, para obter maior alcance e menor amplitude, utiliza-se o jato 
neblinado estreito. Entretanto, se o desejo é ter menos alcance e maior amplitude, 
utiliza-se o jato neblinado amplo. 
 Exemplos: 
- corredor de apartamento residencial(largura 1,5m x comprimento 6,0m): 
- pulso curto com jato neblinado estreito; 
- banheiro de apartamento residencial(largura 2,5m x comprimento 2,5m): 
- pulso curto com jato neblinado amplo; 
- galpão(largura 5,0m x comprimento 10,0m): 
- pulso médio com jato neblinado estreito. 
 
d. Aplicação de pulsos 
 Com o intuito de obter sucesso nessa técnica são necessários alguns ajustes 
para que a água seja aplicada de forma correta e o objetivo seja alcançado: 
- a pressão residual deve ser de 100 PSI, com a finalidade de impor velocidade 
a água e esta, ao passar pelo esguicho combinado, deparando-se com o anteparo 
giratório do mesmo, seja micropulverizada; 
- a vazão no esguicho combinado tem que ser regulada para 30 GPM. Com 
essa vazão, pode-se abrir e fechar o fluxo de água no esguicho de forma rápida, 
pois o Golpe de Aríete será mínimo, devido à pouca variação de vazão; 
- como há a presença de capa térmica e o feedback radiativo é alto, o Chefe e 
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84 
 
Ajudante de linha devem estar posicionados em quatro apoios (de joelhos no chão); 
- o Chefe da linha, no instante em que realizar o pulso, deve inclinar seu corpo 
para trás de forma a esticar o braço e obter um ângulo de 45º entre o esguicho e o 
solo, pois a água micropulverizada deve atingir o alvo: fumaça e gases aquecidos. 
Dessa forma, a água tocará na fumaça aquecida e ocasionará sua evaporação. 
- o Ajudante, que estará atrás do Chefe, a um braço de distância e ao lado 
oposto do mesmo, tem que dar “leve” na mangueira, colocando-a na altura da coxa; 
- no momento do pulso, a alavanca de controle do fluxo deve ser aberta por 
completo e seguidamente fechada; 
- caso se tenha errado o pulso devido ao uso de muita água ou alguma outra 
regulagem de forma errônea, o ideal é aguardar o excesso de vapor se diluir no 
ambiente e, após isso, executar o pulso de maneira correta; 
por fim, deve-se evitar a aplicação de dois pulsos consecutivos no mesmo 
lugar, pois isso acarretaria um excesso de vapor d´água no ambiente. Por isso, é 
importante lembrar que água perdida em ambiente aquecido, torna-se excesso de 
vapor d’água. Resultando no desequilíbrio do balanço térmico, descida do plano 
neutro, perda de visibilidade por parte dos combatentes e risco de queimaduras nos 
mesmos. Portanto, uma forma de melhor dimensionar quantos pulsos aplicar, é 
tentar imaginar o volume de uma caixa(s) d’água de 1.000 litros naquele ambiente. 
Pois, se a cada pulso gasta-se 0,5 litro d’água e o volume 1 litro de água gasosa 
equivale a 1700 litros de água líquida, multiplicando 1700 x 0,5, têm-se 850 litros. 
Apesar deste valor não ser mesmo do volume da caixa d’água (1000 litros), facilita a 
visualização de quantos pulsos aplicar no ambiente. Então, se o objetivo é atingir 
uma área maior, usa-se mais pulsos: imaginando duas caixas d’água, dois pulsos 
consecutivos em dois lugares diferentes. 
 
Pulso Curto Médio 
Vazão 30 GPM 30 GPM 
Pressão residual 100 PSI 100 PSI 
Tempo de abertura 
(fluxo de água) 
0,2 segundos 2,0 segundos 
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85 
 
Pé direito do cômodo Normal (2,5 – 3,0 metros) 
Acima do normal (maior do que 
3,0 metros) 
Fase do incêndio Desenvolvimento Desenvolvimento 
Objetivo Resfriar a Capa térmica Resfriar a Capa térmica 
Tipo de jato 
Neblinado estreito ou neblinado 
amplo 
Neblinado estreito 
Quadro 1 - Quadro Resumo 
Fonte: os autores, 2018. 
 
e. Pulso Longo de Alta Vazão - Z.O.T.I. 
 Durante a progressão dentro da edificação ou na chegada ao local de 
incêndio, pode-se deparar com um local na fase de desenvolvimento completo do 
incêndio, onde há a presença de chamas em sua totalidade e por isso um enorme 
fluxo de calor em seu interior. 
 Para extinguir as chamas, é necessário que a absorção de calor seja maior 
do que a produção e propagação do mesmo. Portanto, dependendo da proximidade 
da área total do local, será utilizado um jato neblinado estreito a uma vazão máxima 
do esguicho (125 GPM) com fluxo de água totalmente aberto para “escrever” letras. 
Para tanto, deve-se ter em vista o ponto mais distante no interior do ambiente, entre 
suas paredes e começando sempre a escrita na parte superior do mesmo. 
 A finalidade das letras é para melhor mensurar o tempo adequado de 
abertura do esguicho combinado e, dessa forma, lançar água em uma quantidade 
suficiente para absorver o calor necessário do interior do ambiente: 
- 30 m² : letra Z; 
- 20 m² : letra O; 
- 10 m² : letra T; 
- Corredores: letra I. 
 
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86 
 
 
Figura 40. ZOTI 
Fonte: Manual de combate a incêndio CBMDF. 
 
 Contudo, caso as chamas não sejam extintas, repete-se a técnica após 
aguardar o tempo de 30 segundos. 
 Cabe ressaltar que o posicionamento do Chefe e Ajudante de linha deve ser 
entre a parte tomada por chamas e a parte não atingida, por exemplo: na porta de 
um cômodo ou porta de entrada de residência em chamas. 
 Como a vazão a ser utilizada é alta, o fechamento do fluxo de água do 
esguicho deve ser feito de forma lenta, para minimizar o Golpe de Aríete e também 
evitar o rompimento da mangueira utilizada. 
 
f. Pacote d’água 
 Essa técnica consiste na abertura da alavanca de fluxo até sua metade e 
depois seu fechamento imediato, permitindo lançar “porções” de água, através de 
jato compacto, à distância sobre o combustível em queima no interior do ambiente. 
 Ao utilizar o Pacote d’água, não há a necessidade de disparar um ataque 
direto ao foco, com fluxo de água contínuo. Pois, tendo em vista as dimensões do 
local, evita-se o aumento da temperatura devido ao excesso de vapor d’água no 
ambiente e também possíveis danos ao mesmo. 
 Contudo, o foco pode ser visualizado e ainda pode ter presença de capa 
térmica ou gases aquecidos no ambiente. Então, pode-se utilizar, primeiramente, 
pulsos curtos ou médios, dependendo das dimensões do ambiente e em seguida 
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aplicar o pacote d’água. Enquanto os pulsos resfriam os gases aquecidos, o pacote 
d’água atinge a base do foco. Essa abordagem se chama pulse-penciling. 
 
g. Jato Mole 
 No interior do ambiente, durante uma progressão ou até mesmo no rescaldo, 
os combatentes podem se deparar com materiais liberando vapores combustíveis, 
devido atermólise. 
 Então, utiliza-se o Jato Mole como resfriamento preventivo no 
combustívelcitado para evitar a ignição do mesmo. Para tanto, tem-se que realizar a 
regulagem do jato para compacto, a uma vazão de 30 GPM e abertura parcial do 
fluxo de água, o necessário para cobrir toda a superfície do material que estava em 
decomposição química (termólise). 
 
h. Saturação por neblina 
 Estando um ambiente com foco incubado devido à baixa concentração de 
oxigênio e continua altamente inflamável devido atermólise dos materiais 
combustíveis naquele ambiente que não foram consumidos por chamas, tem-se o 
risco da ocorrência de um Backdraft. 
 Portanto, tendo a certeza de que esse fenômeno extremo do fogo poderá 
ocorrer, é recomendado realizar a Saturação por Neblina por uma fresta da porta do 
cômodo. A técnica consiste na aplicação de água, durante 3,0 segundos, através do 
jato neblina, por uma pequena abertura na parte superior da porta. 
 O objetivo é gerar uma grande quantidade de vapor d’água a fim de diminuir a 
alta combustibilidade do ambiente ao resfriar e diluir a fumaça, ao mesmo tempo que 
também atrapalha a concentração com o oxigênio por criar uma zona de pressão 
positiva no interior do ambiente e negativo no seu exterior. 
 Após a injeção de água, aguarda-se 15 segundos para permitir a troca de 
calor entre a neblina de água e os gases aquecidos no ambiente. O fato de ter uma 
grande quantidade de vapor sendo emanada no cômodo devido ao tempo de 
aplicação da água, pode trazer à tona o questionamento da possibilidade de ter 
vítimas dentro do ambiente e se o excesso de vapor acarretaria a morte das 
mesmas. 
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 Como dito anteriormente, devido a baixa concentração de oxigênio e altíssima 
temperatura no ambiente que continuou termolisando, as vítimas certamente já 
estariam mortas. Por isso, é de suma importância realizar uma abordagem de 
ambiente correta e assim verificar a queima lenta no local. 
 
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9 ABORDAGEM DE AMBIENTE 
 A água será aplicada com Jato Mole, de baixo para cima, em ziguezague, até 
a parte mais alta da porta. Com isso, evitaremos ou diminuiremos a degradação da 
porta pela temperatura. 
 Sendo a porta de grande importância para a limitação da oxigenação no 
ambiente, é possível também observar a evaporação da água ao encontrar a parte 
mais quente da porta. 
 Após a execução dos 4 pontos citados acima será iniciado o processo de 
entrada propriamente dita. 
 Para tanto, com a regulagem de jato no esguicho em neblinado estreito, 
executaremos em sequência: um Pulso Curto acima do Chefe, um Pulso Curto 
acima do Auxiliar, e um Pulso Médio Estreito dentro do ambiente. 
 Os pulsos acima da linha são de proteção e irão impedir o contato da linha 
com fumaça aquecida e a ignição de gases que sairão ao abrir a porta e o pulso no 
interior irá diluir, retrair o volume e diminuir a temperatura da fumaça no interior. Ao 
pulsar no interior do ambiente, o Chefe visualiza e avalia. 
 Para isso é necessário que o Chefe e o Auxiliar estejam sincronizados e se 
comuniquem de forma eficiente. O auxiliar deve abrir e fechar a porta, rapidamente, 
somente após o segundo pulso de proteção. 
 Após a execução deste ciclo completo, devemos aguardar de 5 a 8 segundos 
para a água reagir totalmente com o ambiente e, se necessário, refazer o 
procedimento até que as condições do ambiente estejam aptas para a progressão 
da Linha. 
 Serão feitos quantos ciclos o Chefe achar necessário para então adentrar no 
ambiente e progredir com segurança. 
 
 Progressão 
 Após ter sido feita a correta abordagem de ambiente e/ou passagem de porta 
pelo Chefe e Ajudante da linha, estes deverão realizar a Progressão no interior da 
edificação. Para isso, realizar alguns procedimentos. 
 Primeiramente, a dupla, que estará em quatro apoios, deverá estar 
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90 
 
posicionada em lados opostos, a um braço de distância entre os dois. A fim de 
facilitar a comunicação entre eles, seja ela visual ou por contato (capacete e/ou 
EPRA) e aumentar o campo de visão dos dois. O Ajudante deverá manter a 
mangueira segura em meia coxa, dando “leve” na mesma sem empurrá-la. Além 
disso, uma função essencial do Ajudante é fazer uma vigilância periférica e atentar a 
qualquer tipo de perigo que possa pôr em risco a segurança dele e do Chefe de 
linha. 
 Tendo presença de capa térmica nos cômodos, serão utilizados pulsos (curto 
ou médio) em seu interior, dependendo do pé direitoda estrutura. Pois, com essa 
técnica de aplicação de água, consegue-se resfriar, diluir e confinar a fumaça 
presente no ambiente. Em sequência, deve-se avaliar quantos pulsos serão 
necessários no local, mas é importante lembrar que não se pode pulsar no mesmo 
lugar. 
 Além disso, é importante regular o jato (neblinado estreito ou neblinado 
amplo) do pulso conforme as dimensões (comprimento x largura) do ambiente e 
também do alcance que se deseja atingir. 
 Feito os pulsos cabíveis ao local, aguarda-se o tempo necessário para a água 
micropulverizada reagir com o ambiente e então, continuam a progressão, 
realizando os pulsos e analisando o ambiente. Porém, caso algum pulso tenha sido 
aplicado de forma errônea ou sido usado quantidade de água exacerbada, deverá 
aguardar a nova formação do plano neutro, após ter um excesso de vapor d’água no 
ambiente e desequilíbrio do balanço térmico. 
 Entretanto, se no decorrer do caminho, for avistado um material combustível 
termolisando, tem-se que aplicar no mesmo o Jato Mole. Com isso, ao realizar um 
resfriamento preventivo no combustível em degradação química, evita-se que o 
combustível venha a entrar em ignição. 
 Cabe ressaltar que o caminho da progressão a ser feito pelos combatentes é 
sempre no sentido contrário ao foco, ou seja, sentido contrário ao da fumaça. Por 
isso, ao deparar-se com uma bifurcação no caminho, os combatentes deverão 
decidir em prosseguir no caminho citado. Todavia, o cômodo em anexo deverá ser 
resfriado por pulsos e, após controlado, a porta do mesmo deverá ser fechada, 
compartimentando o ambiente e evitando que fumaça venha a entrar novamente em 
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91 
 
seu interior. 
 Em determinando momento da progressão e devido às curvas da edificação, 
a mangueira pode ficar empatada em algum trecho. Então o Ajudante deve avisar 
imediatamente ao Chefe que irá desempatar a mangueira. Quando o Ajudante 
regressar para posição inicial, onde o Chefe parou e aguardou, deverá repetir o 
processo de comunicação, para que deem continuidade à progressão. 
 Ao encontrar o cômodo onde o foco está localizado, ainda há presença de 
gases aquecidos. Logo, deverá ser realizado a abordagem pulse-penciling no local. 
Pois, os pulsos resfriarão os gases quentes, enquanto o pacote d’água ao atingir a 
base do combustível, resfriará o mesmo. 
 Após os gases quentes terem sido resfriados e diluídos, o Chefe e Ajudante 
poderão ficar em pé (dois apoios) e , dirigindo-se ao foco, atacarão o mesmo com a 
técnica de pacote d’água. Quando, de frente combustível controlado, será aplicado o 
Jato Mole. Nesse momento, o ajudante pode sair de trás do chefe e ajudar a 
revolver o material, se ele permitir por não ser pesado. 
 Por fim, faz-se a ventilação hidráulica através da janela. Dessa forma, 
expulsa-se a fumaça clara do interior do ambiente e a guarnição realizará o 
Rescaldo do incêndio. 
 
9.1 Técnicas de proteção contra ignição dos gases 
Durante uma ocorrência de incêndio, dependendo dos objetivos e estratégias da 
operação, pode-se ter bombeiros realizando combate ofensivo. Contudo, estes 
combatentes podem realizar alguma abordagem errada no interior da edificação, 
mesmo que sem intenção. 
 Não só isso, mas também, se a equipe no exterior da edificação, realizar uma 
abertura de janela de forma errada, poderá hiperventilar o interior do ambiente e 
determinar a ocorrência de ignição da fumaça. Além das duas situações anteriores, 
o próprio incêndio pode quebrar vidros de janelas ou degradar portas, acarretando 
também o mesmo fenômeno. 
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 O Ajudante de linha ao perceber sinais de ignição da fumaça, iminência ou a 
ocorrência do Rollover, deve imediatamente avisar ao Chefe de linha, de forma 
verbal e também tocando o capacete e/ou cilindro do EPRA do mesmo. Caso os 
dois estejam em posição muito interiorizada, a ponto de não conseguirem abandonar 
o ambiente em menos de 2 (dois) segundos, deverão realizar técnicas de aplicação 
da água para se protegerem. 
 Então, o Chefe de linha deverá regular o jato, no esguicho combinado, para o 
neblinado amplo e logo em seguida pulsar na capa térmica ao mesmo tempo em 
que recua, de forma sincronizada. Com isso, o Ajudante de linha deverá ajudar 
realizando o recuo da mangueira e também continuar a verificação periférica. 
 Contudo, com a ocorrência do Rollover o feedback radiativo será extremo e 
com isso, pode-se ocorrer o Flashover. Para tanto, novamente, o Ajudante de linha 
avisará ao Chefe de linha quanto a ocorrência desse fenômeno extremo do fogo. 
 Com isso, o Chefe de Linha, de forma mais rápida possível, irá abrir todo o 
fluxo de água, regular o jato do esguicho para neblina, aumentar a vazão para 125 
GPM ao mesmo tempo em que se deitam lateralmente, Chefe e Ajudante de linha, 
um de frente para o outro. 
 Posteriormente, já deitados, os dois deverão voltar o rosto para o chão e o 
Chefe deverá esticar os braços. Porém, como a vazão utilizada é muito alta, o 
Ajudante deve ajudar o Chefe, na sustentação da mangueira, segurando-a. 
 
 
Figura 41. Proteção flashover 
Fonte: os autores, 2018, 
 
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93 
 
10 EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL 
As operações de combate a incêndio expõem as guarnições a riscos das 
mais variadas naturezas e intensidades, para tanto o militar deve possuir 
equipamentos capazes de mitigar e/ou até eliminar os danos gerados pelos riscos 
envolvidos nos combates. 
 Torna-se imprescindível que o combatente esteja usando todo o EPI 
(equipamento de proteção individual) sendo vedado o não uso ou o uso parcial dos 
EPIs em todas as operações de combate a incêndio urbano, não subestimando 
princípios de incêndios, vazamentos de GLP ou incêndios veiculares. 
 Um aspecto importante é a segurança psicológica e a confiança que o EPI 
traz ao bombeiro. O militar ao estar totalmente equipado se sente mais capaz a 
realizar suas atividades de combate a incêndio, e não é apenas uma sensação, de 
fato está muito mais preparado para cumprir a missão, podendo penetrar em 
ambientes onde seria impossível entrar sem o usos dos equipamentos. 
 Os EPIs não são capazes de fornecer proteção irrestrita aos usuários, 
cabendo aos mesmos conhecer as especificidades dos mesmos, seus cuidados 
quanto ao uso e no que tange a manutenção cumprir sem exceções todos os 
procedimentos. 
 Vale ressaltar que o não uso dos EPIs ou o uso inadequado pode causar à 
morte ou perigo a saúde e ao bem estar de forma instantânea ou a médio e longo 
prazo. 
 Os EPIs geram um aumento do peso do militar e gera uma limitação 
considerável da capacidade físicas do combatente. Segundo Moretti (-2003, Apoud 
OLIVEIRA, 2008) o militar pode chegar a ter em operações de incêndio uma 
sobrecarga de peso devido aos materiais empregados que pode chegar a 27Kg e 
pode chegar a reduções de capacidade física que chegam a 30%. 
 Outro fator que não pode ser negligenciado é a necessidade de aclimatação e 
adaptação do combatente urbano ao EPI. Os materiais empregados na proteção do 
bombeiro limitam os seus sentidos, diminuem a sua maneabilidade e destreza, para 
não perder capacidade operativa o usuário deve estar perfeitamente acostumado a 
usar os materiais, equipamentos e acessórios. 
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 A questão da limpeza dos equipamentos será abordada em cada material, 
dada a sua importância no que tange a prevenção de câncer. 
 Equipamentos sujos estão impregnados de contaminantes e agentes 
agressivos que podem contaminar o operador tanto pelas vias aéreas quanto de 
forma cutânea. 
 
 Devido a importância dos EPIs em relação a viabilização dos combates e 
principalmente na proteção da vida do usuário é necessário que os mesmos 
atendam a níveis deexcelência e proteção rigorosos. 
 Devem possuir CA (certificados de aprovação) expedidos pelo ministério do 
trabalho e emprego e ainda estar em consonância com as especificações da NFPA, 
EN ou similar. 
 Os Equipamentos que todo o militar que opera em ambientes de combate a 
incêndio urbano são: 
a. botas de combate a incêndio ou coturnos de combate a incêndio; 
b. roupas de aproximação; 
c. luvas de combate a incêndio; 
d. balaclava; 
e. capacete; 
f. equipamento de proteção respiratória autônomo; 
 
 Bota de combate a incêndio 
 As botas de combate a incêndio devem proporcionar proteção contra cortes, 
abrasão e perfurações em toda a região dos pés, tornozelos e pernas. Deve possuir 
ainda reforços em material substancialmente resistente no solado e na biqueira 
capaz de proporcionar proteção nessas áreas mais sensíveis. A bota de combate a 
incêndio deve ser resistente ao calor, a eletricidade, ser antiderrapante e 
impermeável. 
 O equipamento deverá sempre estar limpo, para tanto poderá ser usado 
sabão neutro e água, secando à sombra 
 
 
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95 
 
 
Figura 42. bota de combate a incêndio 
Fonte:www.bombeiros.com.br 
 
 Roupas de aproximação. 
 
 
Figura 43. Roupa de aproximação 
Fonte:http://www.seven-brazil.com/ 
 
 As roupas de aproximação devem ser capazes de proteger integralmente o 
combatente de: 
a. queimaduras na pele; 
b. calor e seus efeitos; 
c. abrasão e cortes; 
d. Penetração de vapor e gases aquecidos; 
e. Penetração instantânea de líquidos e fluidos. 
 
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96 
 
 As roupas de aproximação atuam devido à sobreposição entre camadas de 
tecidos específicos e camadas de ar. 
 As camadas feitas em tecidos resistentes às chamas e ao calor absorvem de 
forma lenta e moderada altos níveis de calor proporcionando a proteção contra a 
transmissão de calor externo ao ar interno (bolsão de ar) que está em contato com o 
bombeiro 
 Os bolsões de ar criam uma atmosfera interna com temperaturas amenas em 
relação ao ambiente externo à roupa, dessa forma o ar atua como isolante térmico. 
Não deve-se usar camadas de tecidos espessas ou que limitem a troca de calor 
por baixo da roupa de aproximação, para tanto é indicado que use-se roupas leves, 
de algodão por exemplo (por isso é contra indicado o uso de gandola por baixo da 
roupa de aproximação) 
 Bem como também não deve-se usar a roupa de aproximação justa ao corpo, 
nem mesmo apertar os tirantes de ombro do seu equipamento de proteção 
respiratório ou comprimir sua roupa de aproximação, todas essas práticas irão 
comprometer as condições normais dos bolsões de ar que são formados e a 
segurança. 
 É de grande importância não estar molhado, pois a água absorverá calor 
muito mais rápido do que o ar, queimando o bombeiro. 
 A absorção de calor pela água é 25 vezes maior do que pelo ar, por tanto o 
bombeiro deve estar seco. 
 
 Elementos básicos da roupa de aproximação: 
a. camada externa: a camada mais externa possui grande capacidade de 
proteção contra abrasão e contra cortes evitando assim que o bombeiro venha a se 
ferir ao entrar em contato com superfícies cortantes ou sofra contusões por ocasião 
de pequenos impactos. Possui grande capacidade de proteção contra as chamas e 
contra o calor radiado; 
b. camada intermediaria: tem como principal objetivo a proteção contra a 
propagação convectiva do calor. Irá promover a maior parte da proteção térmica 
fornecida pelo equipamento; 
c. camada interna: também conhecida como barreira de umidade é um 
CORPO DEBOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
97 
 
revestimento que evita a entrada de vapor ou umidade externa e favorece o 
escoamento dos líquidos oriundos da sudorese bem como o calor produzido pelo 
corpo; 
d. faixas reflexivas: Auxiliam na visualização noturna dos combatentes, 
favorecendo a segurança dos mesmos; 
e. gola, a punhos e sistemas de fechamento: Componentes de grande 
importância favorecem a vedação e a permanecia da integridade do bolsão de ar. 
Para tanto é necessário que todos sejam empregados diminuindo as chances de 
que o ar externo entre em contato com o ar interno; 
f. reforços externos: funcionam como amortecedores e protetores contra a 
abrasão. O reforços existente nos membros inferiores trazem grande conforto, 
facilitando o posicionamento correto do operador em 4 pontos. 
 
 Cuidados com a roupa de aproximação: 
a. Nunca utilize a roupa de aproximação sem um dos elementos existentes, sob 
o risco de morte ou graves lesões 
b. a roupa de aproximação deve ser guardada em local longe da luz solar, 
produtos agressivos, em local limpo e seco. 
c. Mantenha sua roupa de aproximação limpo. 
d. não utilize amaciantes 
e. use sabão ou detergentes habituais (sem amaciantes ou qualquer outro 
aditivo especial agregado) 
f. secar a sombra e nunca guardar enquanto estiver úmido. 
 
 Luvas de Combate a incêndio 
 As luvas de combate a incêndio são peças fundamentais na proteção do 
bombeiro, feitas em tecidos antichamas e retardantes de chamas. Devem proteger 
as mãos contra cortes, abrasões e calor. 
 Devem possuir mínima capacidade de estanqueidade e isolamento contra a 
entrada de fluidos e líquidos externos. 
 Não podem comprometer a maneabilidade do combatente. 
 Não guarde as luvas sem antes estarem limpas e secas, para a limpeza das 
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98 
 
luvas utilize apenas água e sabão neutro, secando à sombra. 
 
 
Figura 44. Luvas de combate a incêndio 
Fonte:www.petterepis.com 
 
 Balaclava 
 Confeccionada com o objetivo de proteger cabeça, couro cabeludo e pescoço 
contra o calor.Possui função de grande importância de ocorrência onde ocorrem 
explosões ou súbitas ignições de combustíveis líquidos.Geralmente feita em tecidos 
maleáveis, confortáveis e com grande capacidade de proteção térmica (geralmente 
tendo a aramida como base) 
 
 
.Figura 45.Balaclava de combate a incêndio 
Fonte:www.epibrasil.com.br 
10.1 Equipamento de proteção respiratória 
Dentro das inúmeras ações empregadas em uma operação de combate a 
CORPO DEBOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
99 
 
incêndio, existe o constante risco de comprometimento respiratório. 
 Seja por ausência de oxigênio, ar demasiadamente aquecido, presença de 
gases tóxicos e asfixiantes, a todo instante o bombeiro pode vir a sofrer danos 
imediatos ou a médio e longo prazo, podendo culminar na morte do mesmo ou em 
perda substancial da qualidade de vida. 
 Em decorrências da complexidade das ações de bombeiro, da 
impossibilidade de identificar durante a operação todos os contaminantes existentes 
e de outros aspectos que tornam o serviço de combate a incêndio extremamente 
peculiar, torna-se inviável empregar equipamentos de proteção respiratórios não 
autônomos. 
 
10.1.1 Riscos respiratórios. 
As atividades de combate a incêndio oferecem uma gama variável de riscos 
respiratórios. 
 A combustão pode diminuir a concentração de oxigênio, a produção de 
diversos gases asfixiantes e tóxicos podem comprometer de forma imediata a vida e 
a saúde, o próprio ar respirável pode estar sobremaneira aquecido comprometendo 
a segurança das vias aéreas. 
 
 Deficiência de oxigênio 
 O ar atmosférico em boas condições é livre de agentes agressivos e possui 
uma concentração de cerca de 20,9% de oxigênio. O ser humano para que possua 
um funcionamento satisfatório necessita de ao menos 20,0% de concentração de 
oxigênio. 
 Segundo o artigo “Lesões por inalação de fumaça em ambientes fechados” 
(Manual CBMGO), durante um incêndio em atividade, tipicamente a concentração de 
oxigênio cai para 10-15%, ponto no qualo óbito por asfixia ocorre. Entre 60% e 80% 
dos óbitos imediatos ocorridos na cena de um incêndio são atribuídos a inalação de 
fumaça. 
CORPO DEBOMBEIROS MILITAR106 
10.3 Equipagem. .................................................................................................. 107 
10.4 Estresse ou fadiga pelo calor ....................................................................... 110 
11 VENTILAÇÃO TÁTICA ....................................................................................... 115 
11.1 Definição de Ventilação Tática..................................................................... 115 
11.2 Tipos de Ventilação Tática ........................................................................... 118 
11.3 Configuração dos ventiladores..................................................................... 123 
12 BUSCA E SALVAMENTO EM INCÊNDIOS ....................................................... 129 
12.1 Ferramentas equipamentos e acessórios para buscas e salvamentos em 
incêndios .............................................................................................................. 129 
12.1.1 Ferramentas .......................................................................................... 130 
12.1.2 Materiais ................................................................................................ 132 
12.1.3 Equipamentos ....................................................................................... 133 
12.2 Aberturas forçadas em incêndios................................................................. 136 
12.3 Busca em incêndios ..................................................................................... 137 
12.3.1 Orientação em local de incêndio. .......................................................... 140 
12.3.2 Tipos de busca ...................................................................................... 141 
12.3.3 Técnicas de busca ................................................................................ 142 
12.3.4 Buscas em edificações elevadas .......................................................... 143 
CORPO DEBOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
8 
 
12.3.5 Busca em grandes áreas ...................................................................... 144 
12.4 Salvamento em incêndios ............................................................................ 145 
12.4.1 Técnica de transporte de vítimas em incêndios: ................................... 146 
12.4.2 Retirada utilizando Viatura aérea .......................................................... 150 
12.5 Sobrevivência em local de incêndio ............................................................. 151 
13 OPERAÇÕES DE COMBATE A INCÊNDIO ...................................................... 158 
13.1 Conceitos e definições ................................................................................. 158 
13.2 Pré-planejamento......................................................................................... 161 
14 OBJETIVOS TÁTICOS DO COMBATE A INCÊNDIO ........................................ 165 
14.1 Segurança ................................................................................................... 166 
14.1.1 Medidas de prevenção de acidentes ..................................................... 169 
14.1.2 Zona de segurança ............................................................................... 170 
14.1.3 Risco de colapso estrutural ................................................................... 171 
14.1.4 O oficial de segurança ........................................................................... 172 
14.2 Controle de pessoal ..................................................................................... 173 
14.3 Controle de acesso ...................................................................................... 173 
14.4 Área de reabilitação / Unidade médica ........................................................ 175 
14.5 EIR – Equipe de intervenção rápida (RAPID INTERVENTION TEAM - RIT)
 ............................................................................................................................. 176 
14.6 Prioridades táticas gerais ............................................................................. 178 
14.6.1 Diagrama dos objetivos táticos.............................................................. 179 
 ...................................................................................................................................... 
ANEXO 01 - ORAÇÃO DO COMBATENTE URBANO. ........................................... 184 
 
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9 
 
OBJETIVO 
 O Manual de Combate a Incêndio Urbano foi confeccionado com o objetivo de 
fornecer aos bombeiros militares informações técnicas e atualizadas sobre a 
atividade supracitada, sendo a doutrina de referência no âmbito do Estado do Rio de 
Janeiro. 
 
CORPO DEBOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
10 
 
FINALIDADE 
 
 
Por anos a fio, muito pouco se apresentou de inovação na área de Combate a 
Incêndios, no CBMERJ. O velho “Bomba-Armar” tem sido a principal ferramenta de 
treinamento desde a época do então Corpo de Bombeiros Provisório da Corte, 
criado pelo Imperador Dom Pedro II. É inegável o valor cultural e histórico deste 
treinamento, porém desde a época do império, muita coisa mudou na sociedade. Os 
incêndios não são mais iguais, as estruturas, os materiais e a própria sociedade é 
diferente. 
 Na época do bomba armar, as estruturas incendiadas demoravam mais a 
propagar o fogo, e por conta disso, o tempo resposta era essencial para o combate. 
Por isso tal treinamento era quase que exclusivamente voltado para velocidade de 
estabelecimento. Outro ponto, é que antigamente, os bombeiros não tinham 
equipamentos que possibilitasse trabalhar dentro da estrutura incendiada, por isso o 
combate era feito do lado de fora da edificação (defensivo), gastando mais água e 
mais energia, visto que não se “enxergava” o interior para se saber onde caía a água 
lançada. O treinamento bomba armar era feito em pátios abertos e com muito 
espaço para se estabelecer as mangueiras e correr em linha reta. 
 Com a chegada dos equipamentos (EPR e aproximação principalmente) os 
bombeiros puderam adentrar nos incêndios, de maneira que não podiam antes, para 
se fazer um combate mais eficaz. As construções e os materiais também mudaram, 
os incêndios passaram a conter materiais que pegavam fogo muito mais rápido, e os 
cômodos na maioria das vezes, já se encontravam perdidos em chamas com a 
chegada das equipes. 
Porém, o treinamento continuou o mesmo. Treinava-se de uma maneira 
completamente diferente dos incêndios na prática. O treinamento era feito focado 
somente em estabelecimento ao “ar livre” enquanto os incêndios eram 
compartimentados. O treinamento era completamente voltado para a correria, e na 
prática, se requer calma e técnica. O resultado disso é conhecido em muitas 
operações: excesso de destruição pela água, muita correria, desorganização, 
excesso de TEMPO de combate, grande ESFORÇO e desgaste físico das 
guarnições. Todos estes problemas são conhecidos e reconhecidos nas instruções, 
porém até agora pouco havia sido feito para mudar esse quadro. 
CORPO DEBOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
11 
 
 
 A criação deste curso é uma iniciativa para levar à tropa um meio diferenciado 
de treinamento, possibilitando realizar um combate muito, mas muito menos 
desgastante fisicamente e mentalmente, diminuindo drasticamente a necessidade de 
se chamar apoio operacional, menor quantidade de homens e de gasto de água. 
Além da grande rapidez de extinção, o que significa ficar muito menos tempo “na 
rua” e desguarnecendo a área operacional. 
 
 
CORPO DEBOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
12 
 
REFERÊNCIA NORMATIVA E BIBLIOGRÁFICA 
As normas e bibliografias abaixo contêm disposições que estão relacionadas com 
este manual. 
 
a. Bibliografia:DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
100 
 
 De acordo com a figura podemos observar algumas conseqüências do déficit 
de oxigênio no organismo: 
 
Concentração de Oxigênio Consequências 
20,9% Normalidade 
17% Perda parcial da coordenação motora 
Aumento da freqüência respiratória 
12% Vertigem, dor de cabeça e fadiga 
9% Inconsciência 
6% Morte em decorrência de PCR 
Figura 46. Tabela didática 
Fonte: CBMERJ 
 
 Temperatura elevada 
 A presença de gases e vapores em altas temperaturas podem causas 
diversas lesões nas vias aéreas. 
 Queimaduras de face, vermelhidão, inchaço e até sangramento são fatores 
que indicam danos ao trato respiratório que pode apresentar lesões tanto externas 
quanto internas. 
 Internamente pode ocorrer edemas pulmonares e lesões de tecidos que 
podem culminar na morte do bombeiro. 
 
 Presença de agentes danosos 
 Diversas substâncias são produzidas e liberadas no ambiente durante a 
combustão, dentre elas uma variada gama de gases que de acordo com as suas 
composições químicas podem gerar danos e até mesmo a morte aos indivíduos que 
estiverem expostos. 
 Dentre os principais agentes produzidos em incêndios em estruturas temos: 
Monóxido de carbono (CO), dióxido de carbono (CO2), dióxido de enxofre (SO2), 
ácido cianídrico (HCN), amônia (NH30) entre outros. 
 
a. Monóxido de carbono 
 O monóxido de carbono possui uma forte ligação com a hemoglobina 
(responsável pelo transporte de oxigênio). A afinidade do CO com a hemoglobina é 
da ordem de 200 a 300 vezes maior do que em relação da hemoglobina com o 
oxigênio. 
CORPO DEBOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
101 
 
 O monóxido de carbono não possui cheiro ou cor. É o produto da 
combustão que mais mata em incêndios. 
 
a. Dióxido de carbono 
 É um gás também inodoro e incolor com o monóxido, mas não é tóxico. 
 Em altas concentrações pode produzir a privação de oxigênio ao corpo, 
principalmente, coração e cérebro. 
 
b. Ácido cianidrico 
 É aproximadamente 20 vezes mais tóxico do que o monóxido de carbono, 
geralmente é obtido através da combustão de materiais sintéticos. 
 Segue a baixo imagem ilustrativa retirada do manual de combate a incêndio 
do CBMDF, volume 2 e presente também no livro Tactical firefighting,2003. Nela 
pode-se observar diversos outros gases que podem estar presentes na fumaça. 
 
CORPO DEBOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
102 
 
 
Figura 47. Relação entre gás, origem e seus efeitos toxicológicos 
Fonte: TacticalFirefighting 
10.1.2 Classificações do Equipamento de proteção respiratório 
a. autônomos ou independentes 
 Não sendo possível empregar equipamentos respiratórios que utilizem o ar 
ambiente melhorando ou tratando o mesmo, uma vez que não é possível identificar 
todos agentes agressivos presentes e levando em consideração a possibilidade de 
ausência de oxigênio em níveis compatíveis com a saúde humana, torna-se 
necessário empregar equipamentos que possuam autonomia em relação a 
atmosfera externa. Dessa forma o CBMERJ emprega equipamentos de proteção 
respiratória autônomos. 
CORPO DEBOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
103 
 
 
b. sistema aberto 
 Cilindros com ar respirável comprimido a alta pressão, fixado em 
suportes,possui mangueiras e reguladores de pressão que levam o ar até uma peça 
facial onde pode ser consumido pelo operador. Os equipamentos autônomos 
possibilitam o uso sem grande perda de agilidade e mobilidade permitindo razoável 
tempo de efetivo serviço. 
 
c. sistema aberto ou circuito aberto 
 O ar que é consumido pelo operador fica acondicionado no cilindro, após 
percorrer todo ciclo respiratório o ar é expelido através da válvula de exalação e é 
liberado ao meio externo,não sendo guardado ou reaproveitado dentro do sistema. 
 
d. fluxo de demanda ou demanda positiva 
Fluxo de demanda tem como objetivo liberar o fluxo de ar a medida que o 
operador inspire, ou seja, o ar vai sendo liberado de acordo com o consumo. Dentro 
da peça facial a pressão em relação ao meio externo é positiva, levemente superior 
e tem o objetivo de não permitir a entrada de gases e do ar externo no interior da 
peça, dessa forma se por algum motivo ocorrer um dano à vedação ou a outro 
componente comprometendo a sua integridade, a tendência é que a pressão 
positiva não permita e entrada de ar. 
 
10.1.3 Testes e procedimentos anteriores ao uso 
O EPRA é um elemento fundamental e o conhecimento de seus componentes 
é fundamental, dessa forma didaticamente foram divididos em grupos para facilitar o 
aprendizado, em seguida alguns apontamentos sobre alguns componentes a fim de 
enriquecer o arcabouço doutrinário do especialista. 
 
CONJUNTO COMPONENTES 
CONJUNTO DO SUPORTE DORSAL TIPO Conjunto de redutor de pressão; alças e 
CORPO DEBOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
104 
 
MOCHILA ajustes 
CONJUNTO DO CILINDRO Cilindro, registro, manômetro 
CONJUNTO DA PEÇA FACIAL Visor panorâmico, 
CONJUNTO DE REGULADOR DE 
PRESSÃO 
Mangueiras, sistema de alarme 
Figura 48. Relação entre conjunto e componente do EPRA 
Fonte: os autores, 2018 
 
 O equipamento de proteção respiratório necessita ser checado antes de ser 
empregado pelo bombeiro, cabendo ao próprio operador avaliar as condições de uso 
do EPRA. 
 São necessários 4 testes, são eles: 
a. inspeção visual detalhada; 
b. teste de vedação do sistema de alta pressão; 
c. teste do sistema áudio alarme; 
d. teste de vedação e exalação. 
 
 Inspeção visual detalhada: 
a. o bombeiro irá expor todo o equipamento, alargando tirantes e afrouxando as 
fivelas; 
b. deve observar se as mangueiras estão comprometidas (ressecadas, cortadas, 
queimadas, furadas etc.); 
c. deve observar o cilindro buscando anomalias em seu corpo (dilatações, 
rachaduras, deformações ou significativas alterações de coloração); 
d. deve observar a peça facial, buscando perfurações ou rachaduras no visor; 
e. deve Observar se todas as conexões estão em conformidade com o padrão 
de uso, inclusive a do sistema carona; 
f. deve Observar se os manômetros estão íntegros e sem anomalias (ponteiros 
desajustados, perfurações e rachaduras no visor). 
 
 Teste de vedação do sistema de alta pressão: 
a. o bombeiro travará o botão que libera fluxo de ar da válvula de demanda; 
b. abrir o registro do cilindro pressurizando o sistema; 
c. fechar o registro do cilindro; 
d. realizar a leitura do manômetro de operação e do manômetro do cilindro; 
CORPO DEBOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
105 
 
e. a leitura deverá ser compatível e se manter com alteração de no máximo 10% 
e, relação aos manômetros durante minuto; 
f. se cair mais de 10% durante esse período ou se permanecer um decaimento 
por mais de 1 minuto, poderá ocorrer um vazamento no sistema. 
 
 Teste do sistema áudio alarme 
a. o bombeiro deverá travar o botão que libera o fluxo de ar da válvula de 
demanda; 
b. abrir o registro do cilindro, pressurizando o sistema; 
c. o bombeiro colocará a válvula de demanda de tal forma contra a palma de 
sua mão que consiga liberar de forma lenta e gradativa o fluxo de ar; 
d. deverá liberar o fluxo de ar de forma lenta e gradual observando o manômetro 
de operação; 
e. a pressão decairá e ao aproximar-se de 50 bar o sistema apitará. 
 
 Teste de vedação e exalação: 
a. o bombeiro vestirá a peça facial, ajustando-a; 
b. irá tamponar com a mão a entrada do encaixe da válvula de demanda, não 
permitindo a passagem de ar; 
c. irá succionar o ar, buscando sentir o colabar da peça em seus rosto; 
d. depois expirará percebendo o funcionamento da válvula de exalação. 
 
 Cuidados e recomendações 
a. o EPRA deve ter sua recarga feita por bombeiros que saibam usar o 
compressor de ar; 
b. nunca poderão ser negligenciado os padrões de segurança quanto a testes 
hidrostáticos do cilindro e outros testes; 
c. os limites de segurança quanto a pressãomáxima devem ser seguidos; 
d. oepra deverá ser armazenado em local limpo, seco e longe da luz solar; 
e. oepra só poderá ser armazenado estando limpo; 
f. a peça facial deverá ser limpa com solução de água e sabão neutro, secando 
a sombra. 
CORPO DEBOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
106 
 
 
10.2 Capacete de combate a incêndio 
O bombeiro quando está dentro de uma estrutura combatendo incêndios, está 
exposto a uma série de riscos e a proteção da cabeça do bombeiro é vital por tanto 
o combatente deve ter um equipamento que supra as principiais necessidades de 
proteção. 
 A principal função do capacete de combate a incêndio é no que tange a 
proteção mecânica, ou seja, contusões, impactos agudos, batidas e afins. 
Essa proteção se dá tanto no que se refere a recepção e a dissipação do impacto 
mecânico. 
 O modelo de capacete empregado atualmente pelo CBMERJ é o Gallet F1, 
da MSA, e, além da proteção mecânica, também traz outras formas de proteção 
entre elas: 
a. Resistência térmica tanto ao calor quanto ao frio e resistência a eletricidade. 
b. Elementos: 
c. casco com formato em conchas e crista longitudinal, altamente resistente, 
produzido por termoplástico injetado, recoberto por uma camada de poliuretano. 
d. estofamento interno para a absorção de impactos 
e. berço (encaixe) de cabeça feito em tela confortável, moldura que se ajusta a 
concha. 
f. suspensão com sistema de catraca, para ajuste de circunferência craniana 
g. ajustes de pescoço 
h. ajuste de jugular com copo 
i. óculos de segurança produzido em policarbonato 
j. escudo facial revestido de material refletivo n cor dourada. 
k. botão de comando do óculos de segurança 
l. encaixe das lanternas 
m. encaixe do conjunto de comunicação 
n. protetor de nuca 
CORPO DEBOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
107 
 
 
 
 
 
Figura 49. Capacete de combate a incêndio estrutural 
Fonte: www.sossul.com.br 
 
10.3 Equipagem. 
A equipagem deverá ser feita com meticulosidade, uma vez que os materiais 
estando mal colocados não irão proporcionar toda a proteção necessária ao 
bombeiro. 
 De forma geral, serão seguidos os seguintes passos: 
a. colocação das botas de Combate a incêndio; 
b. colocação da roupa de aproximação (somente com a camisa vermelha de 
algodão por baixo); 
c. colocação e ajuste do EPRA; 
d. balaclava por cima da peça facial; 
e. capacete; 
f. ajuste fino e revisão (gola, dedal, punhos); 
g. luvas de combate a incêndio. 
 
CORPO DEBOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
108 
 
 
Figura 50. equipagem correta da peça facial e da balaclava de combate a incêndio 
Fonte: Manual básico CBMERJ 
 
Na foto é possível ver uma etapa parcial da equipagem, a perfeita colocação da 
balaclava por cima da peça facial. O ajuste da gola,do dedal feitos, faltando apenas 
os punhos. 
 
 
Figura 51. Bombeiro completamente equipado para combate a incêndio urbano 
Fonte: CEIB - CBMES 
 
 Na figura 51 já pode-se observar o bombeiro completamente equipado 
(inclusive com o uso do conjunto de aproximação (calça e jaqueta), e não só a capa 
CORPO DEBOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
109 
 
de aproximação. 
 
 Para que o bombeiro esteja perfeitamente equipado, é necessário que esteja 
utilizando corretamente todos os equipamentos de proteção individuais. 
Recapitulando, são: 
a. bota de incêndios; 
b. calça de aproximação; 
c. jaqueta de aproximação; 
d. balaclava; 
e. luvas para incêndio; 
f. capacete para incêndio estrutural; 
g. equipamento de proteção respiratório autônomo 
 
 Outro fator importante que deve ser levado em consideração é o tempo que 
se gasta equipando-se. O ideal é que demore em torno de 1 minuto e 30 segundos 
para que esse tempo seja alcançado é necessário intimidade com o material e 
organização do mesmo. 
 Segue uma sequência de equipagem: 
a. vista a calça de aproximação nas botas de incêndio, deixando a calça de 
forma que facilite com que o bombeiro calce as botas de forma rápida; 
b. calce as botas, subindo as calcas e colocando os suspensórios; 
c. coloque a jaqueta de aproximação, ajustando a alça dos dedos; 
d. coloque o EPRA, deixando as alças dos ombros mais frouxas e os tirantes 
abdominais mais apertados; 
e. coloque a balaclava no pescoço; 
f. coloque a peça facial, ajustando os tirantes de baixo para cima; 
g. ajuste a balaclava, vedando todo o rosto; 
h. ajuste a capa e abalaclava; 
i. coloque o capacete; 
j. coloque as luvas. 
 
CORPO DEBOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
110 
 
10.4 Estresse ou fadiga pelo calor 
O quadro de estresse térmico é caracterizado pelo comprometimento do 
sistema fisiológico e mental em razão da temperatura. 
 Em incêndios estruturais as temperaturas próximas ao teto podem chegar a 
1000°C, gerando grande fluxo de calor, O peso das ferramentas, equipamentos e 
acessórios, os fatores limitantes do EPI, o estresse mental entre outras variáveis 
tornam as operações de combate a incêndios em estruturas, extremamente 
perigosas à vida e a saúde do bombeiro. 
 Existem vários sinais e sintomas que são indicativos do quadro de estresse 
pelo calor. O bombeiro deve ser capaz de identificar nele e nos outros componentes 
da guarnição 
 Efeitos do organismo de acordo com o tempo de esforço. 
 
TEMPO EFEITOS 
EM MENOS DE 1 HORA TOLERÂNCIAMUSCULAR REDUZIDA 
CAPACIDADE MENTAL AFETADA 
BAIXA COMPREENSÃO 
BAIXA RETENÇÃO DE INFORMAÇÕES 
APÓS 2 HORAS CÃIMBRAS 
FADIGA 
PERDA DE FORÇA 
COORDENAÇÃO MOTORA REDUZIDA 
DOR DE CABEÇA 
NÁUSEA 
ATORDOAMENTO 
ESTÁGIO AVANÇADO COLAPSO 
INCONSCIÊNCIA 
MORTE 
Figura 52. relação entre tempo deexposição e efeitos fisiológicos. 
Fonte: Tatcticalfirefighting 
 
 Em operações de combate a incêndio estrutural, nota-se que o combatente 
está exposto a uma série de lesões em razão das altas temperaturas, dos meios 
limitados de arrefecimento corporal, da intensa atividade física, do estresse mental 
entre outras variáveis possíveis. 
 Existem formas de prevenir os efeitos do calor e de aumentar a resistência do 
individuo, uma vez não sendo possível existem formas de mitigar os danos e de 
restabelecer um quadro de normalidade. 
CORPO DEBOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
111 
 
 Dentro desse contexto iremos abordar: 
a. capacidade física; 
b. aclimatação térmica; 
c. hidratação; 
d. métodos de arrefecimento corporal passivos e ativos. 
 
 Capacidade Física 
 Necessidade de esforço físico intenso por períodos de longa duração, grande 
carga de peso e estresse mental entre outras variáveis estão presentes nas 
operações, para tanto torna-se imprescindível que o combatente esteja com vigor 
físico em boas condições. 
 “o excesso de peso, influencia o individuo quanto à tolerância ao calor, a taxa 
de sudorese, o ritmo cardíaco, o que leva um aumento da produção de calor 
metabólico” (Sharkey, B.J e Gaskill S. E (2009), “ Fitness andworkcapacity”). 
 Outro fator de grande relevância em relação ao preparo físico é a grande 
necessidade de resistência cardiorespiratória e de grande capacidade 
neuromuscular devido a carga de intensidade e duração das atividades. 
 
 Aclimatação térmica 
 Vale ressaltar ainda, que segundo o POP de Lesões pelo calor, que 70% do 
estresse térmico provém do próprio metabolismo endógeno e 30% do ambiente. 
 Nota-se que as temperaturas e as condições de calor chegam ao limite em 
incêndios estruturais, estar perfeitamente equipado não é o único pré-requisito, é 
necessário que ele esteja aclimatado ao calor e ao EPI. 
 O corpo humano possui uma temperatura média que gira em torno de 36,5 °C 
(sabendo que essa temperatura pode variar de acordo com uma gama de fatores 
externos e internos) dependendo da amplitude de variação térmica o corpo inicia 
uma série de mecanismos para regular a temperatura, entre eles a sudoresetem um 
destaque, uma vez que é o principal mecanismo de arrefecimentocorporal 
empregado. 
 As camadas da roupa de aproximação limitam bastante a ação de 
arrefecimento corporal gerada pela sudorese. As roupas de aproximação mais 
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112 
 
modernas possuem mecanismos que tem como função escoar um pouco do calor 
produzido e absorver os líquidos gerados, mitigando alguns efeitos nocivos do calor. 
 Dentro desse contexto torna-se imprescindível que alem do preparo físico, 
exista também, um preparo fisiológico, ou seja, o militar deve estar aclimatado. 
 A aclimatação, segundo Judge, em “Thermal Stress”, ITEC 471, é um 
processo de adaptação fisiológica, com o intuito de aumentar a tolerância do 
indivíduo quando é exposto a um dado ambiente térmico por um período longo. É 
um processo lento e progressivo, sendo necessário submeter o individuo a pelo 
menos três semanas de exposição ao calor para que a aclimatação seja 
completamente estabelecida. 
 Segundo Judge, em “Thermal Stress”, ITEC 471, durante a exposição ao 
calor, um indivíduo aclimatado perde por sudação aproximadamente 1,5l/h, 
enquanto um indivíduo não acliamatado esse valor é de 0,7L/h. 
 Contudo a perda de sais é consideravelmente menor em indivíduos 
aclimatados, diminuído os efeitos do desequilíbrio eletrolítico. 
 
 Hidratação 
 A hidratação tem papel de grande importância para o ser humano. O perfeito 
funcionamento do corpo depende da ingestão de líquidos. 
 A intensa atividade física, o excesso de calor entre outras variáveis presentes 
fazem com que o risco de desidratação durante e após o combate a incêndio seja é 
acentuado. 
 A desidratação moderada pode levar a perda de capacidade de resposta 
cognitiva e em casos graves ao colapso fisiológico. 
 Por tanto é indicado que o bombeiro possua uma rotina de hidratação mais 
intensa que se inicie no dia anterior e termine no dia posterior ao serviço. 
Durante as operações intensas, de média a longa duração a atenção deve ser 
maior ainda. 
 O revezamento de militares, o estabelecimento de uma zona de 
descompressão/reidratação deve ser montada. 
 Para tanto seguimos orientações quanto a hidratação exposta naNFPA1584 
que estabelece: 
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113 
 
a. a cada duas trocas de cilindro de 30 minutos; 
b. a cada 45 minutos de combate com qualquer outro equipamento pesado. 
c. deve se atentar que o tempo de permanência na zona de reabilitação não 
deve ser inferior a 10 minutos. 
d. deve se atentar que a sede é um sinal tardio de desidratação, ou seja, 
quando o bombeiro sente sede durante o combate ele já apresenta algum nível de 
desidratação. 
 
 Métodos de arrefecimento corporal 
 Existem formas de diminuir os efeitos do estresse térmico, diminuindo o 
tempo necessário para orestabelecimento do bombeiro, aumentando tambéma sua 
produtividade durante a operação. Dessa forma, existem duas estratégias possíveis. 
 O arrefecimento passivo consiste na retirada do EPI, hidratação e repouso à 
sombra. 
 A técnica que é bastante simples, para ser eficaz, necessita que a 
temperatura ambiente esteja próxima aos 15° C, dessa forma os ganhos são 
consideráveis. 
 Uma vez que a temperatura média do Rio de Janeiro é na maior do que a 
necessária, recomenda-se que esse método não seja feito de forma isolada. 
 Uma adaptação para o emprego do resfriamento passivo é o estabelecimento 
das zonas de reabilitação em locais climatizados por ar-condicionados. 
 Para ganhos consideráveis, os métodos de arrefecimento corporal ativos são 
mais indicados. 
Existem dois métodos: 
- sistema de arrefecimento por convecção forçada; 
- imersão de mãos e braço. 
 
 O sistema de arrefecimento por convecção forçada consiste na retirada do 
EPI conjugado com o fluxo de ar direcionado por um ventilador, provocando 
resfriamento do corpo pela evaporação do suor. É de suma importância que o fluxo 
de ar mandado esteja em uma temperatura inferior a da pele do bombeiro. 
 A imersão de mãos e braços consiste em técnica que visa o resfriamento 
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114 
 
corporal por meio do resfriamento de áreas altamente vascularizadas (composta por 
vasos sanguíneos de diâmetro variável). 
 A vaso dilatação favorece o aumento do fluxo sanguíneo e a aproximação dos 
vasos ao tecido cutâneo que esta sendo resfriado pela evaporação da sudorese, o 
sangue retorna a região central em temperaturas mais amenas. Dessa forma, 
recomenda-se a imersão por pelo menos 10 minutos em água a uma temperatura de 
10°C a 20°C. 
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115 
 
11 VENTILAÇÃO TÁTICA 
Após o estudo da Teoria do Fogo e Teoria do Desenvolvimento dos Incêndios, 
ficou notável que os riscos e ameaças relacionados a um evento de incêndio 
estrutural são potencializados pelo acúmulo de fumaça. De modo geral, a fumaça 
detém 70% da energia liberada em uma reação de combustão, além de ser 
composta por diversas substâncias tóxicas. Sendo assim, a fumaça tem grande 
influência na propagação de um incêndio estrutural e a sua inalação é a principal 
causa de vítimas fatais nos incêndios. 
 Para mitigar estes riscos potencializados pelo acúmulo de fumaça, 
desenvolveu-se a Ventilação Tática. 
 A fumaça possui 5 principais características: Quente, Opaca, Móvel, 
Inflamável e Tóxica. Ao retirar a fumaça de determinado ambiente através da 
Ventilação Tática, atua-se na diminuição da temperatura, melhora na visibilidade, 
diminuição do risco de ocorrência de fenômenos extremos e diminuição da 
toxicidade daquela atmosfera. 
 Um dos fatores que interferem no desenvolvimento de um incêndio é a 
quantidade de comburente disponível para a reação de combustão. E a Ventilação 
Tática altera diretamente este fator, e caso seja executada de maneira equivocada 
pode gerar resultados não desejados como propagação do incêndio e fenômenos 
extremos do fogo. 
 Portanto, é possível perceber o quão benéfica pode ser a Ventilação Tática se 
executada de maneira correta, assim como imaginar os prejuízos caso não seja. 
Neste capítulo serão abordados assuntos que ajudarão na execução da 
Ventilação Tática a fim de extrair os benefícios deste procedimento. 
 
11.1 Definição de Ventilação Tática 
Ventilação tática consiste na manipulação sistemática e coordenada do fluxo 
de ar, através de aberturas, jatos d’água, ventiladores e exaustores, a fim de retirar a 
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116 
 
fumaça do ambiente sinistrado e substituí-la por ar fresco e limpo para melhorar a 
eficiência das operações de combate a incêndio. 
 Duas palavras nesta definição são essenciais para entender o que faz uma 
ventilação táticas ser boa: sistemática e coordenada. 
 Sistemática: uma boa ventilação tática dificilmente acontece por acaso, este 
procedimento deve ser planejado e deve seguir metodicamente o planejamento para 
que se possa alcançar resultados favoráveis e previsíveis, diminuindo a 
possibilidade de ocorrência de acidentes. 
 Coordenada: a execução da ventilação tática deve ser coordenada com a 
execução do ataque. Sem coordenação entre as equipes de ventilação e de ataque, 
há grande chance de fracasso em ambas as atividades. Por esta razão, ventilação e 
ataque devem ser consideradas igualmente importantes. Apesar de não ser fácil, 
coordenar ventilação tática e ataque ao foco é o conceito chave para a diminuição 
do tempo de operação de combate a incêndio. 
 
 Ventilação tática efetiva 
 A remoção de produtos de combustão a qualquer momento durante um 
incidente fornece algum benefício. No entanto, o maior benefício da ventilação 
ocorre quando ela ajuda a equipe que atua no interior da edificação a realizar as 
tarefas mais importantes de resgatar e apagar o incêndio. Em situações de incêndio, 
onde a velocidade e a eficiência das ações são de grande importância, isso requer 
que ventilação,resgate e ataque de incêndio sejam realizados o mais rápido 
possível e em coordenação entre si. 
 Em combate a incêndio estrutural, resumindo a importância da ventilação 
tática: 
a. a ventilação tática é uma das considerações mais importantes do comandante 
do incidente. 
b. os métodos modernos de combate a incêndio envolvem ações coordenadas 
dentre as quais a ventilação tática recebe alta prioridade. 
c. a ventilação tática adequada pode ter um efeito positivo nas três prioridades 
do combate a incêndio: segurança, extinção e conservação da propriedade. 
d. Uma ventilação tática efetiva possui seis importantes benefícios: 
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117 
 
e. aumenta as chances de sobrevivência das vítimas e facilita as operações de 
busca e resgate. 
f. protege as equipes que atuam no interior da edificação; 
g. acilita a entrada das equipes na edificação; 
h. permite uma rápida progressão e localização do foco; 
i. diminui a possibilidade de propagação do incêndio; 
j. reduz os danos à propriedade. 
 
 Movimentação da fumaça 
 Destacam-se4 principais fatores que determinam a movimentação da fumaça 
de um incêndio estrutural: corrente de convecção, pressão aumentada no 
compartimento incendiado, pressão diminuída em corredores e escadas e sentido do 
vento natural. 
 
a. Corrente de convecção 
 A convecção de calor é a transmissão de energia por meio do transporte de 
matéria. Este fenômeno ocorre com os fluidos como consequência da diferença de 
densidades entre as diferentes partes deste fluido. Sabemos que quando uma 
substância absorve energia a agitação de suas moléculas aumenta, fazendo com 
que cada molécula ocupe um espaço maior conforme absorve energia e 
consequentemente aumente o volume da substância como um todo sem que altere 
sua massa. Sendo assim, a densidade da substância diminui e esta substância 
tende a se deslocar no sentido ascendente. 
 Por exemplo, quando colocamos água dentro de uma chaleira para aquecer 
em um fogão, a porção inferior de água fica mais próxima da fonte de calor 
aquecendo mais rapidamente que a porção superior. Com isto a densidade da 
porção inferior diminui, devido ao aumento da agitação de suas moléculas, ficando 
menos densa que a porção superior. Consequentemente, a água da parte de baixo 
tende a se deslocar para cima, assim como a água da parte de cima tende a se 
deslocar para baixo. A este movimento chamamos de corrente de convecção. 
 Um fluido aquecido tende a se deslocar em movimento ascendente, enquanto 
que um fluido resfriado tende a se deslocar em movimento descendente. 
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118 
 
 
b. Pressão aumentada no compartimento incendiado 
 O fluido (ar+fumaça+vapor) presente em um compartimento incendiado sofre 
um aumento de volume devido ao aumento da agitação molecular. Com o aumento 
de volume, aumenta também a pressão dentro deste compartimento, desta forma o 
fluido tende a se deslocar do compartimento incendiado para compartimentos não 
incendiados. De modo geral, a fumaça “foge” do foco. E este comportamento auxilia 
as equipes na busca pelo foco, afinal, se acompanharmos a fumaça no sentido 
inverso ao do seu deslocamento, geralmente, chegaremos ao local do foco. 
pressão diminuída em corredores e escadas; 
 
c. Pressão diminuída em corredores e escadas 
 Por serem ambientes com grandes comprimentos e relativamente estreitos 
corredores e escadas canalizam a movimentação de ar gerando um fluxo 
semelhante ao que acontece com um duto e potencializando a velocidade de 
deslocamento. 
 Segundo o Princípio de Bernoulli onde a velocidade de um fluido é maior, a 
pressão é menor (Efeito Bernoulli). Portanto, em corredores e escadas este efeito 
pode ocorrer, facilitando o deslocamento da fumaça para estes ambientes por 
diferença de pressão. 
 
d. Sentido do vento natural; 
 O vento natural deve ser considerado quando se determina quais 
procedimentos executar em um combate a incêndio, pois desempenha um papel 
fundamental na execução da ventilação tática, principalmente quando for ventilação 
tática horizontal. O lado do edifício de onde sopra o vento é chamado de barlavento 
e o lado para onde sopra o vento é chamado de sotavento. Preferencialmente, as 
aberturas de saída de fumaça devem ser feitas na fachada sotavento e as aberturas 
de entrada de ar na fachada barlavento. 
 
11.2 Tipos de Ventilação Tática 
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119 
 
Pode-se dividir os tipos de ventilação tática em dois grupos que se 
subdividem: Ventilação Natural e Ventilação Mecânica. 
 
a. Ventilação Tática Natural 
 Ventilação tática natural é a manipulação do fluxo de ar na qual são 
aproveitados o movimento natural dos ventos e o movimento natural da fumaça, 
através da realização de aberturas planejadas criando uma corrente de ar no interior 
da estrutura. Podendo ser vertical ou horizontal. 
 Entende-se por ventilação tática natural verticala remoção da fumaça por 
aberturas no teto da edificação. 
 A ventilação tática natural horizontal consiste na remoção da fumaça através 
das aberturas existentes nas paredes dos edifícios, como as janelas e as portas. 
Ventilação Tática Natural Vertical 
 Para a realização das ações de ventilação tática natural vertical devemos 
observar os seguintes aspectos: 
- o tipo da edificação sinistrada; 
- a localização, extensão e duração do incêndio; 
- os cuidados necessários quanto à segurança da equipe; 
- os caminhos de fuga alternativos para a equipe que irá realizar a abertura de 
saída; 
- o local mais adequado para realizar as aberturas. 
 
 A equipe que realiza a abertura de saída, a qual deve estar em comunicação 
permanente com o comandante de socorro ou com o seu superior imediato em 
grandes operações, de preferência através de um rádio portátil, é responsável pelo 
seguinte: 
- assegurar que são feitas apenas as aberturas necessárias. 
- evitar, o máximo possível, estragos desnecessários causados pelas 
manobras. 
- ficar atenta à coordenação com as equipes que se encontram no interior da 
edifícação. 
 
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120 
 
b. Ventilação Tática Natural Horizontal 
 O Manual de Ventilação Táctica, vol. XII, da Escola Nacional de Bombeiros, 
Sintra, Portugal frisa que embora muitos aspectos já referidos para a ventilação 
tática vertical tenham aplicação também nas manobras da ventilação tática 
horizontal, existem procedimentos que são próprios deste tipo de ventilação. A 
especificidade desses procedimentos está, tal como no tipo de ventilação anterior, 
relacionada com a localização e a extensão do incêndio e, consequentemente com 
as diversas formas de propagação horizontal, que são: 
- pelo contato direto das chamas através de elementos de compartimentação 
construídos em material combustível (porta de madeira); 
- pelo contato direto das chamas ou por convecção, através das aberturas 
entre compartimentos; 
- por convecção e por irradiação, através dos espaços não compartimentados; 
- por condução de calor, através de vigas e canalizações metálicas que 
atravessam os elementos de compartimentação; 
- pela combustão generalizada dos gases de combustão, vapores inflamáveis 
ou poeiras, em todas as direções. 
 
c. Ventilação Tática Mecânica. 
 De acorco com o Manual deVentilação Táctica, vol. XII, da Escola Nacional 
de Bombeiros, Sintra, Portugal a ventilação mecânica, não sendo o único meio para 
remover o ar contaminado, é um complemento precioso à ventilação natural. As 
suas vantagens são: 
- permitir um domínio mais rápido e eficaz do incêndio. 
- complementar a ventilação natural. 
- dar maior rapidez à remoção dos contaminantes, facilitando e tornando mais 
seguras as operações de busca e salvamento. 
- limitar os danos causados pela fumaça. 
 
 Porém, se for aplicada de formaincorreta, a ventilação mecânica pode causar 
problemas durante a operação. Uma vez que potencializa o fornecimento de 
comburente ao compartimento incendiado. 
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121 
 
 Para a realização de ventilação mecânica é necessário o emprego de 
equipamentos especiais, tais como ventiladores, os quais dependem de uma fonte 
de energia (combustível, eletricidade ou água). Também é possível executá-la com o 
esguicho utilizando jato neblinado. 
 
d. Ventilação Tática Mecânica Hidráulica 
 O Manual de Ventilação Táctica, vol. XII, da Escola Nacional de Bombeiros, 
Sintra, PT define Ventilação Mecânica Hidráulica da seguinte forma: 
 A ventilação mecânica hidráulica ou simplesmente ventilação hidráulica, pode 
ser utilizada em situações nas quais os outros tipos de ventilação mecânica não 
estão sendo usados. Este tipo de ventilação é tipicamente executada pelas equipes 
de bombeiros encarregadas das operações de extinção no interior do edifício. Em 
geral, esta técnica é utilizada para remover a fumaça do compartimento, após o 
incêndio estar extinto. 
 Para executar a manobra de ventilação hidráulica, trabalha-se no interior do 
edifício com o esguicho apontado para o exterior, utilizando jato neblinado, com um 
ângulo de abertura que cubra 85% a 90% da janela ou porta pela qual se pretende 
remover os produtos da combustão. O esguicho deve manter-se no interior a cerca 
de 100 centímetros da referida abertura. Quanto maiores forem as dimensões da 
saída de exaustão, maior será a velocidade com que esta se processa. 
 Para a realização da ventilação hidráulica devemos atentar para alguns 
fatores e avaliarmos os prós e contras desta manobra, pois esta: 
- aumenta os danos causados pela água no interior do edifício; 
- exige uma maior disponibilidade de água; 
- para realizá-la, a equipe de bombeiros tem que permanecer no interior do 
ambiente o qual estará com uma atmosfera contaminada e aquecida; 
- o procedimento interrompe-se sempre que, por qualquer razão, a equipe de 
bombeiros é obrigada a abandonar o local, por exemplo, para substituir os cilindros 
do EPRA. 
 Uma outra opção, utilizada quando não é possível a entrada no ambiente, é 
usar um cone de água com ângulo entre 15° e 30°, o qual deve tangenciar a 
abertura da saída de fumaça. Sendo lançado a uma angulação de 45°, no caso de 
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122 
 
aberturas em paredes (portas e janelas). 
 
e. Ventilação Tática Mecânica por Pressão Negativa 
 O Manual de Ventilação Táctica, vol. XII, da Escola Nacional de Bombeiros, 
Sintra, PT define Ventilação Mecânica por Pressão Negativa da seguinte forma: 
 A ventilação mecânica por pressão negativa (VPN) refere-se à técnica 
tradicional utilizada para ventilar mecanicamente um espaço, isto é, a remoção da 
fumaça por extraçãoatravés de exaustores colocados nas janelas, nas portas ou nas 
saídas abertas na cobertura. 
 Na ventilação por pressão negativa os exaustores devem ser colocados de 
modo a extraírem os produtos da combustão para sotavento, isto é, no sentido para 
onde sopra o vento. Deste modo, o processo de extração é apoiado pelo ar limpo 
que entra do lado oposto e substitui o ar contaminado que é removido do edifício. 
 A circulação de ar à volta do exaustor, pelo espaço existente entre o 
equipamento e o vão da abertura onde aquele está colocado, é um problema que 
pode surgir durante a VPN e que leva à redução da sua eficácia. Dado que a 
pressão interior é inferior à pressão atmosférica, cria-se um retorno de ar que arrasta 
parte da fumaça de volta ao interior do edifício. Este efeito evita-se cobrindo o 
intervalo à volta do exaustor com uma manta ou material similar. 
 Para que a VPN tenha os efeitos desejados, é necessário: 
- encaminhar o fluxo de ar o mais em linha reta possível, pois todas as 
mudanças de direção causam turbulência e diminuem a eficácia da manobra; 
- evitar abrir janelas e portas perto dos exaustores, a menos que se verifique 
que tal manobra tem efeitos positivos na extração; 
- remover todos os obstáculos à circulação do ar a ser extraído; 
- evitar os obstáculos à entrada de ar que está a barlavento, tais como 
escombros, cortinas, persianas ou quaisquer outros objetos ou indivíduos que façam 
diminuir o fluxo para o interior do edifício. 
 
f. Ventilação Tática Mecânica por Pressão Positiva 
 A ventilação mecânica por pressão positiva (VPP) é uma técnica que se 
baseia no aumento da pressão do ambiente interno insuflandoar limpo, criando uma 
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123 
 
diferença de pressão entre o interior de um edifício e os locais envolventes, 
utilizando, para tal, ventiladores de grande volume. Enquanto no ambiente se 
mantiver uma pressão superior à pressão atmosférica, a fumaça é arrastada para as 
áreas de menor pressão, isto é, para o exterior, através de aberturas controladas 
pelos bombeiros. 
 O local por onde a VPP é introduzida, normalmente pela porta exterior de 
acesso, designa-se por ponto de entrada. Ou seja, o ar deve ser insuflado pela 
mesma abertura de entrada das equipes. O ventilador deve ser colocado a uma 
determinada distância do ponto de entrada, de modo que o cone de ar projetado 
cubra completamente esta abertura. 
 O processo de remoção da fumaça pode ser otimizado aumentando a 
velocidade de circulação do ar. Para isto, pode-se fechar portas no interior do 
edifício, de modo a pressurizar um compartimento ou uma área de cada vez 
(ventilação sequencial). 
 
11.3 Configuração dos ventiladores 
A eficácia da VPP pode ainda aumentar se forem combinados mais do que 
um ventilador no ponto de entrada. 
g. configuração simples: consiste na utilização de apenas um ventilador disposto 
na abertura de entrada.; 
h. ventiladores em série: esta configuração permite uma adição de até 
aproximadamente 30% do volume de ar insuflado; 
i. ventiladores em paralelo: esta configuração pode ser usada quando a 
abertura de entrada tem largura maior que o convencional, por exemplo, uma porta 
de estabelecimento comercial; 
j. ventiladores em V: nesta configuração os ventiladores são dispostos de 
maneira que a linha de seus eixos de rotação formem um ângulo de 45º entre si e se 
cruzem na abertura de entrada. Desta forma, mantém a passagem livre para a 
passagem das equipes. Esta configuração faz com que a fumaça seja expulsa com 
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124 
 
o volume até 40% maior que a configuração simples. 
k. ventiladores empilhados: esta configuração pode ser usada quando a 
abertura de entrada tem altura maior que o convencional; 
l. ventiladores combinados: unindo diferentes configurações podemos criar 
diversos dispositivos com os ventiladores a fim de conseguirmos uma maior taxa de 
expulsão de fumaça. 
 
 A VPP pode ser empregada de maneira ofensiva, defensiva ou combinada. 
 Quando emprega de maneira defensivaa VPP tem por objetivo pressurizar 
ambientes a fim de impedir a entrada de fumaça nestes. A ventilação defensiva não 
visa a retirar a fumaça do ambiente, mas sim impedir que a fumaça o atinja. 
 Por outro lado, quando empregada de maneira ofensiva, a VPP tem como 
objetivo a retirada da fumaça do ambiente sinistrado, principalmente do local onde 
está o foco. 
 E por último, empregar a VPP de maneira combinadaconsiste em unir as 
duas formas anteriores, sendo assim, equipamentos são utilizados para insuflar 
ambientes não atingidos pela fumaça para impedir que esta se desloque para esses 
ambientes e simultaneamente atuar em ambientes com fumaça para a extração da 
mesma. 
 
 Aberturas de entrada e saída de ar 
 O sucesso das ações de ventilação está diretamente ligado à escolha do local 
para realização das aberturas de entrada e saída de ar. Para que seja defina a 
melhor posição para tais aberturas em determinadaedificação, deve-se observar o 
seguintes fatores: 
a. sentido do vento natural: o sentido do vento natural exerce grande influência 
nas fachadas no que se diz respeito à formação de regiões de pressão positiva e 
negativa. Sendo assim, as aberturas de entrada de ar devem ser realizadas 
preferencialmente a barlavento e as aberturas de saída de ar àsotavento. 
Dependendo da intensidade do vento, uma ventilação mecânica feita no sentido 
inverso (de sotavento para barlavento) não consegue vencer o deslocamento natural 
do ar prejudicando as ações de ventilação; 
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125 
 
b. localização do foco: a escolha do local de abertura de saída da fumaça deve 
ser feita o mais próximo possível do foco a fim de que ela realize o menor trajeto 
dentro da edificação. Desta forma, evita-se a propagação do incêndio, além de 
agilizar a saída da fumaça. Para a realização da VPP de maneira segura, não pode 
haver dúvida quanto à localização do foco, pois ventilar o ambiente sem saber onde 
está o foco para efetuar o combate pode ocasionar a propagação do incêndio; 
c. arquitetura: Os materiais construtivos e o desenho das construções podem 
facilitar ou dificultar a realização das aberturas. A dificuldade e o tempo para realizar 
a abertura são determinantes para a escolha da mesma. A realização das aberturas 
não pode demandar muito tempo, caso o local escolhido para determinada abertura 
exija tempo excessivo (laje de concreto, vidro blindado, porta blindada) a escolha de 
outro local deve ser considerada; 
d. exposições: a abertura de saída projetará calor e combustível (fumaça) ao 
seu redor, portanto, devemos avaliar a existência de exposições. Por exemplo, 
casas com paredes muito próximas uma da outra; janelas abertas acima da abertura 
de saída. Devemos então, eliminar estas exposições ou escolher outro local para a 
realização da abertura. 
 
 Realização das aberturas 
 Para que o fluxo de ar siga o sentido planejado, as aberturas seguir uma 
proporção a fim de evitar refluxos e turbulências. Para tanto a abertura de saída 
deve ter de 1,5 a 2 vezes a área da abertura de entrada. A realização de uma 
abertura grande é melhor que a realização de várias aberturas pequenas. Aberturas 
pequenas dificultam a vazão, aumentando a pressão e fazendo a fumaça ser 
expelida com maior velocidade. E quanto maior a velocidade de expulsão, mais 
longe a fumaça será lançada aumentando o risco de atingir estruturas no entorno da 
edificação sinistrada. 
 Qualquer intervenção deve ser realizada por bombeiros devidamente 
equipados com seus respectivos EPI.As técnicas e os equipamentos para realizar as 
aberturas de saída dependem do local escolhido (fachada ou cobertura). 
 Em fachadas, caso seja escolhida uma janela ou porta de vidro, o bombeiro 
deve posicionar-se acima e ao lado do local de abertura, a fim de proteger-se dos 
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126 
 
estilhaços e da fumaça que possivelmente sairá quando o vidro for quebrado, motivo 
pelo qual também deve iniciar a abertura de cima para baixo. Em paredes de 
alvenaria o comportamento deve ser o mesmo. Neste caso, a utilização de um moto-
cortador deve ser considerada para agilizar o procedimento. 
 No caso de portas e portões de metal e madeira, a primeira opção dever o 
emprego de técnicas de abertura forçada com intuito de preservar a estrutura da 
porta ou portão. Não sendo possível, a segunda opção é através da utilização de 
ferramentas de corte (moto-cortador e motosserra). 
 Quando o local para a realização da abertura for a cobertura da edificação 
algumas recomendações devem ser seguidas: 
a. verificar a estabilidade do telhado: telhados empenados indicam a iminência 
de desabamento; 
b. estabelecer a escada de gancho, encaixando o gancho na cumeeira e 
deslocar-se exclusivamente sobre ela; 
c. a plataforma mecânica pode facilitar o acesso e posicionamento no telhado e 
sempre que possível deve ser usada, pois diminui o risco de queda; 
d. lançar um pouco de água sobre o telhado, observando onde ocorre maior 
evaporação. Este é o local exato para abrir; 
e. telhas de barro podem ser retiradas com as mãos, croque ou outra ferramenta 
com cabo (pé de cabra, alavanca), ou cortadas com machado; 
f. telhas de metal ou fibrocimento (antigo amianto) podem ser cortadas com o 
moto-cortador; 
g. ao utilizar ferramentas pesadas, sempre que possível, ancorá-las; 
h. nunca cortar as estruturas de madeira, para tanto, deve-se bater sobre as 
telhas à procura de som oco que significa ausência do suporte; 
i. pode ser usada uma linha de mangueiras para proteção do bombeiro que 
está trabalhando na abertura; 
j. o sentido do vento deve ser observado para evitar que a fumaça, ao sair, 
envolva o bombeiro. 
 
 Principais situações que impedem a ventilação tática 
 Diversas situações impedem a realização das ações de ventilação tática. 
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127 
 
Porém, as principais a fim de alertar as equipes para que evitem cometer erros 
simples que podem gerar graves consequências: 
a. foco não localizado: a localização do foco é imprescindível para a realização 
da ventilação tática. Quando se inicia a operação de ventilação, o foco é 
inevitavelmente alimentado com comburente e com isso ganha intensidade. Para 
evitar a propagação do incêndio se faz necessário o ataque ao foco o mais rápido 
possível. Uma vez que o foco não foi localizado, ao iniciar a ventilação, o tempo 
decorrido até que seja localizado pode retardar demais o início do ataque e permitir 
a propagação do incêndio; 
b. quando o número de linhas de ataque estabelecidas não é suficiente para o 
número de focos: pelo mesmo motivo do risco de propagação, para cada foco 
existente deve ser estabelecida pelo menos uma linha de ataque; 
c. impossibilidade de realização de abertura de saída: iniciar uma VPP sem 
realizar abertura de saída, pode gerar um refluxo e a fumaça acabar saindo pela 
abertura de entrada, indo ao encontro das equipes que entrarão na edificação, 
levando calor, combustível, substâncias tóxicas e diminuindo a visibilidade; 
d. impossibilidade de combate ofensivo: caso o combate ofensivo não seja 
possível, realizar VPP irá alimentar o foco com comburente sem que haja uma linha 
de ataque para extingui-lo, aumentando o risco de propagação do incêndio. 
 
 
 Principais falhas durante a realização da ventilação tática 
 Assim como as situações impeditivas, também existem diversas falhas 
possíveis durante as ações de ventilação tática, as mais comuns são: 
a. abrir a entrada de ar antes da saída: se a saída de ar não estiver pronta e a 
entrada de ar for aberta, a fumaça virá diretamente na direção da equipe de 
combate. É a pior situação para o combate, justamente o que queremos evitar; 
b. iniciar a ventilação tática antes de pressurizar as linhas de ataque: risco de 
propagação do incêndio e potencialização das chamas sem controle; 
c. realizar a abertura de saída em local errado: risco de propagação por conta 
da existência de exposições ou risco de não conseguir estabelecer o fluxo de ar 
necessário para a extração da fumaça. 
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128 
 
 
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129 
 
12 BUSCA E SALVAMENTO EM INCÊNDIOS 
Nesse capítulo iremos tratar de técnicas utilizadas para ações de busca e 
salvamento em incêndios. 
 A escolha da técnica adequada esta diretamente atrelada aos seguintes 
fatores: 
a. tempo; 
b. capacidade física; 
c. conhecimento técnico; 
d. maneabilidade com o equipamento; 
e. recursos disponíveis; 
f. efetivo disponível. 
 Já considerando os quesitos acima devemos nos certificar que o uso deste 
conjunto de técnicas deve estar totalmente alinhado com a tática que esta sendo 
empregada na operação. 
 
 
12.1 Ferramentasequipamentos e acessórios para buscas e salvamentos em 
incêndios 
 
Figura 53.ferramentas,equipamentos e acessórios 
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130 
 
Fonte: autoria desconhecida 
 
 Para as ações de busca e salvamento em incêndios pode-se usar qualquer 
ferramenta ou material que se avalie necessário o uso. Porém existem algumas 
ferramentas e materiais mais adequados, para as ferramentas recomenda-se as 
mais versáteis e eficientes. No que tange aos equipamentos os voltados para 
Combate a Incêndio são os mais adequados. 
 
12.1.1 Ferramentas 
Machado: Eficiente para arrombamentos de portas de madeira e acesso em 
paredes de madeira, gesso e plástico. Sua lâmina pode ser utilizada como cunha e 
martelo em conjunto com o Halligan ou outra ferramenta. Com sua lateral é possível 
realizar a quebra de vidros com segurança. Além de poder ser utilizado para o 
aumento do alcance do tato a frete e teste de solo 
 
 
. 
Figura 55 - machado 
Fonte:www.universoaventura.com.br/produto/machado-de-bombeiro-2/ 
 
 Marreta: Eficiente para posicionar abrir acessos em paredes de alvenaria, 
posicionar alavancas nas frisas, estourar fechaduras, romper trincos e aplicar forças 
em alavancas. 
 
https://universoaventura.com.br/produto/machado-de-bombeiro-2/
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131 
 
 
Figura 54. Marreta 
Fonte:www.lizotferragens.com.br/Produto/MARRETA-OITAVADA-CABO-MADEIRA-
LONGO-5KG 
 
 Arrombador: Deve ser utilizado em conjunto com o malho, é extremamente 
eficaz para abrir portas comuns, porém, não é tão versátil e necessita do apoio de 
outra ferramenta; 
 
 
Figura 55. arrombador 
Fonte: Arquivo pessoal dos autores 
 
 Tesourão: Bastante eficiente para uso específico de corte de metais, 
cadeados e correntes, porém, pouco versátil; 
 
 
 
https://www.lizotferragens.com.br/Produto/MARRETA-OITAVADA-CABO-MADEIRA-LONGO-5KG
https://www.lizotferragens.com.br/Produto/MARRETA-OITAVADA-CABO-MADEIRA-LONGO-5KG
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132 
 
Figura 56. tesourão 
Fonte:/www.lojadomecanico.com.br/produto/86094/31/282/tesoura-para-cortar-
vergalhao-30-pol---somar-10016008-somar-10016008 
 
 Croque: Eficiente para realização de teste de teto e solo, pois possibilita 
alcance nas ações, possibilita ainda, trabalho em eletricidade (caso esteja 
devidamente testado); 
 
 
Figura 57. croque 
Fonte:www.loja.bombeiros.com.br/gancho-croque-bombeiro 
 
 Halligan: Uma Alavanca De Arrombamento é capaz de Perfurar, Arrombar, 
Cortar Chapas, Bater, Torcer, Tatear área a frente, Testar Solo a frente. É 
Extremamente Versátil e a mais indicada para a Guarnição de Busca e Salvamento 
em Incêndios; salvo caso específico de necessidade, anteriormente identificada. 
 
 
 
Figura58. Halligan 
Fonte:wfrfire.com/shop/product/hooligan-halligan-tool-549?category=1 
 
12.1.2 Materiais 
https://www.lojadomecanico.com.br/produto/86094/31/282/tesoura-para-cortar-vergalhao-30-pol---somar-10016008-somar-10016008
https://www.lojadomecanico.com.br/produto/86094/31/282/tesoura-para-cortar-vergalhao-30-pol---somar-10016008-somar-10016008
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133 
 
Cabo-guia: Uso eficaz para realizar busca sem se perder em grandes áreas e 
uso não tão eficiente para buscas em locais onde se tem muitos objetos soltos 
(cadeiras, mesas, grandes objetos). 
 
 
Figura 59. cabo guia 
Fonte:www.lightinthebox.com/pt/p/diametro-de-14-milimetros-dupont-corda-de-escalada-cinto-de-
seguranca-corda-corda-de-nylon-de-escape-10-200-m_p4646810.html 
 
 Mola-fita: o Binômio Mola-Fita dentre suas mais diversas aplicações, no 
cenário de busca e salvamento em incêndios, aparece como opção versátil para as 
seguintes ações: BM se ancorar a algo fixo ,se ancorar ao canga, transpor 
obstáculos, arrasto de vítimas, prender ferramenta ao EPI ,como cabo para busca 
em grandes áreas, entre outras aplicações; 
 
 
Figura 60. Mola fita 
Fonte:www.arcoeflecha.com.br/anel-de-fita-18mm-beal-80cm-p3503/ e 
www.climbclean.com.br/mosquetao-aco-formato-pera-abertura-grande-rosca-45kn-ce-en-nbr-uiaa-
usclimb~407~15~1~linhas~mosquetao-em-aco 
 
12.1.3 Equipamentos 
Lanterna: Utilizada para melhorar a visibilidade em ambientes de incêndio. 
http://www.arcoeflecha.com.br/anel-de-fita-18mm-beal-80cm-p3503/
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134 
 
Com a presença da fumaça no interior da estrutura a lanterna é fundamental . Em 
atmosferas com risco de ignição dos gases presentes na atmosfera, devemos ligá-la 
antes da entrada no ambiente pois o acendimento pode gerar faíscas. Existem, 
ainda, opções de lanternas intrinsecamente seguras que não exigem esse cuidado. 
 
 
 
Figura 61. lanterna 
Fonte:www.loja.sossul.com.br/lanterna-survivor-angulo-reto eimages-
americanas.b2w.io/produtos/01/00/sku/11040/8/11040864_1SZ.jpg 
 
 Rádio portátil: Deve estar presente em Guarnição de Busca e Salvamento, a 
má comunicação é grande responsável por graves erros em operações, além de 
servir como possível veículo de comunicação em casos de acidentes. Caso não 
exista a possibilidade do uso do mesmo, o uso do Cabo guia pode ser uma opção. 
 
 
Figura 62. rádio 
Fonte: Motorola 
 
 Cinto alemão: Possui diversas aplicações. Seus principais usos são do 
talabarte para ancorar o BM a um ponto fixo, para se fixar ao outro componente da 
Guarnição, seus olhais servem para acondicionamento de equipamento assim como 
para fixar o talabarte. 
 
http://www.loja.sossul.com.br/lanterna-survivor-angulo-reto
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135 
 
. 
Figura 63. cinto alemão 
Fonte:produto.mercadolivre.com.br/MLB-975421100-cinto-alemo-abdominal-c-talab-corda-_JM 
 
 Carona EPRA: É constituído por peça facial conectada à válvula de demanda, 
será fornecido para a vítima, caso necessário. 
 
 
 
Figura 64. carona 
Fonte:www.epibrasil.com 
 
 Material mínimo para ações de busca e salvamento em incêndios: 
a. EPI completo de combate a incêndio; 
b. Mola-fita; 
c. Ferramenta de arrombamento; 
d. Lanterna; 
e. Rádio portátil. 
f. Cinto alemão 
 
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136 
 
 
Figura 65. bombeiros equipados 
Fonte: CBMERJ 
 
12.2 Aberturas forçadas em incêndios 
Toda e qualquer entrada (abertura de um basculante que for) deve ser 
efetuada de acordo com a tática implementada pelo comando da operação. 
 Antes da realização de um arrombamento é indispensável a equipagem 
completa do BM, pois a atmosfera no interior do compartimento pode estar prestes a 
se ignir. 
 Temos de ter em mente que evitar esforços desnecessários é de fundamental 
importância, pois o vigor físico deve ser nosso aliado, para isso, a escolha da técnica 
e da ferramenta correta é indispensável. 
 A fadiga mental afeta a tomada de decisão, portanto avalie com calma, se 
possível, com uma segunda opinião, além de não esquecer de sempre verificar se a 
porta ou janela que se deseja abrir esta destrancada. 
 É importante que tenhamos em mente o que nos garante realizá-la, assim 
como o que fazer após o evento. 
 Quando o proprietário ou responsável legal estiver ausente. Nestes casos, é 
necessário atentar para a garantia constitucional de inviolabilidade de domicílio e de 
locais de trabalho. O artigo 5º, inciso XI da Constituição Federal garante a 
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137 
 
inviolabilidade de domicílio, bem como prevê as hipóteses em que se pode 
desconsiderar esta garantia: “salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para 
prestar socorro...” 
 Caso seja comprovada a necessidade, o BM deve-se possível, arrolar 
testemunha. 
 O Corpo de Bombeiros deverá restabelecer a segurança encontrada antes da 
abertura forçada de suas portas e janelas, o máximo possível, tentando localizar o 
proprietário ou responsável do localou acionando o policiamento para a guarda do 
local. 
 Colocar no quesito, se possível, com rubrica do responsável a qual foi 
entregue o local do evento 
 
12.3 Busca em incêndios 
As atividades de busca em incêndios se resumem á procura pelas vítimas. 
 As Buscas serão classificadas por Tipos (Rápida, Primária e Secundária), e 
por Técnicas (Varredura Visual, Busca por chamada e escuta e Busca às cegas). 
 Existem algumas regras gerais que devem ser seguidas nas Buscas: 
 
a. Para sua segurança o uso da ferramenta para aumentar alcance do tato do 
solo a frente, para que, quando a visibilidade for prejudicada, o militar consiga 
perceber solo frágil, objetos que obstruem o caminho, desníveis, escadas, poços de 
elevador, aberturas forçadas e transposição de obstáculos. etc. Assim como o uso 
do equipamento mínimo, a saber: EPI completo de combate a incêndio; Mola-fita; 
Ferramenta de arrombamento; Lanterna; Rádio portátil e Cinto alemão. 
 
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138 
 
 
Figura 66. o uso de ferramentas nas buscas 
Fonte: Instrução Busca em incêndios 6º Turno CECIU/CBMERJ 
 
Figura 67. o uso de ferramentas nas busca.
Fonte: Instrução Busca em incêndios 6º Turno CECIU/CBMERJ
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139 
 
 
 
Figura 68. bombeiros unidos pelo talabarte do cinto alemão 
Fonte: Instrução Busca em incêndios 6º Turno CECIU/CBMERJ 
 
b. Para sua segurança manter o comando da operação ciente das ações que 
estão sendo realizadas e quanto a localização, assim como uma comunicação 
adequada com o canga para que as ações ganhem em eficiência; 
c. Para sua segurança durante as Buscas apoiar o dorso da mão nas paredes, 
pois assim, caso, se toque em objetos eletrizados a tendência das mãos seja de 
desencostar do objeto eletrizado. 
d. Para sua segurança, verifique se o sistema de Luz e Gás do local encontram-
se desligados; 
e. Para sua segurança, nas operações de Busca em Incêndios deve-se ter entre 
a Guarnição e o foco uma linha de combate, exceto para os casos de Busca Rápida, 
nos quais o risco será avaliado antes da Ação de Busca. 
f. Para sua segurança, ao realizar buscas, deve-se ter emmenteo caminho de 
volta e mantê-lo livre, esta é sua rota de fuga. Assim, se algum imprevisto ocorrer o 
militar consiga voltar. 
g. Para sua segurança, ao progredir em um ambiente tomado por capa térmica, 
deve-se subventilar o ambiente que se entra, podem ser utilizados o auxilio de 
cunhas para fixar as portas e de lingas de borracha na fechadura para evitar que a 
mesma se tranque. Assim mantemos a compartimentação e a rota de fuga livre. 
h. Para sua segurança e conforto térmico quando houver grande quantidade de 
caloria presente na Capa térmica desloque-se em4 apoios. 
i. Para sua segurança, toda busca deve ser feita em dupla unida por cinto 
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140 
 
alemão ou outro material que realize a função 
j. Existe uma tendência das vítimas a se esconderem em determinados locais, 
por exemplo:De baixo de camas, Atrás de portas, Banheiros, Banheiras, no caso de 
crianças, caixas de brinquedos, armários, freezer e geladeiras. 
k. Para a marcação das áreas vistas deve ser feito um ‘/’ traço diagonal na porta 
da área buscada, ao passo que o cômodo for revisto, completar um ‘X’. Os traços 
podem ser feitos a giz, informar ao lado nome e guarnição do militar que realizou a 
busca naquele local. 
 
 
Figura 69. Exemplo de marcação de áreas já vistas 
Fonte: os autores, 2018 
 
12.3.1 Orientação em local de incêndio. 
a. Orientação pela regra da mão 
 A regra da mão consiste em: ao entrar no ambiente compartimentado com 
visibilidade prejudicada o militar coloca o dorso da mão na parede e realiza a 
progressão para a busca, sem retirar a mão ( esquerda ou direita) da parede, isso 
garantirá que o mesmo não se perca no ambiente, quando for necessário voltar, o 
militar troca de mão e assim conseguirá retornar exatamente para onde veio. 
 Esta técnica possibilita que militar se oriente sem a necessidade recurso 
material. A desvantagem está relacionada a necessidade da capacidade e 
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141 
 
treinamento do militar para realizar a técnica com segurança. 
 
b. Orientação pela linha de mangueira 
 Na busca pela linha a orientação da equipe de salvamento se dará da 
seguinte forma: A equipe de Busca segue a mangueira do combate e realiza as 
buscas pela periferia da linha amedida que a mangueira avança. 
 
c. Orientação por cabo guia 
 Uso eficaz para realizar busca sem se perder em grandes áreas e uso não tão 
eficiente para buscas em locais onde se tem muitos objetos soltos (cadeiras, mesas, 
grandes objetos). Ao percorrer o perímetro de um cômodo com objetos no meio, ao 
chegar à saída, todos os objetos ao centro estarão envolvidos pelo cabo guia. 
 
12.3.2 Tipos de busca 
a. Busca rápida: é específica para o seguinte caso: informação precisa sobre a 
localização da vítima, seja por contato visual ou por informação confiável.Na prática 
os militares que realizarão a busca, progridem até o local da informação e realizam o 
salvamento. 
b. Busca primária:Vítima não localizada, porém é possível a existência, deve ser 
rápida e sistemática para checar os locais que o acesso é possível. A guarnição 
deve realizar a Marcação das áreas vistas. Caso a equipe de Busca seja primeira a 
adentrar ao cômodo deve atentar para a Localização do foco, avaliação e 
confinamento. 
 Ex: 360º na casa, batendo nas portas fechadas, e checando locais acessíveis. 
Busca secundária: Busca minuciosa, depois do controle do incêndio, já com 
visibilidade adequada. Nesse momento é comum vítimas fatais serem confundidas 
com objetos queimados, se possível ser feita por BM diferente da busca primaria, 
pois a mesma pessoa tende a ter a percepção parecida com a da primeira busca. 
 Ex: cápsulas de sobrevivência, prováveis locais esconderijos. 
 
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142 
 
 
Figura 70. corpo carbonizado 
Fonte:olhoabertopr.blogspot.com/2016/09/laranjeiras-do-sul-corpo-carbonizado-em.html 
 
12.3.3 Técnicas de busca 
a. Varredura visual: 
 Técnica consiste em visualizar os cômodos do local afim de encontrar 
possíveis vítimas. É a busca mais adequada para situações nas quais temos boa 
visibilidade e conforto térmico, deve ser utilizada sempre que possível em conjunto 
com da Busca por Chamada e Escuta. 
 
b. Busca por chamada e escuta 
 Técnica consiste em: A todo momento que for possível e adequado, estar 
emitindo chamados de voz do tipo: “ Somos do Corpo de Bombeiros, alguém nos 
ouve ?’’ seguidos de instantes de silêncio para a escuta de uma possível resposta, 
pode ser realizada a qualquer momento e seu uso em conjunto com outras técnicas 
ode ser bastante eficiente. 
 
c. Busca às cegas 
 A Técnica consiste na entrada dos bombeiros em ambiente com visibilidade 
restrita ou inexistente.Utilizando uma das 3 técnicas de Orientação em local de 
incêndio e em dupla. O militar que vai a frente carrega a ferramenta de 
arrombamento, testa o solo a frente e orienta a dupla, o militar a retaguarda tateia 
todo local minuciosamente, realiza o ‘leque’( deita ao solo e tateia com braços e 
pernas a maior área possível). 
 É interessante o uso de ferramentas como Machado ou Halligan para ampliar 
o alcance do tato do solo a frente, este equipamento minimiza a possibilidade de 
uma . 
CORPO DEBOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
143 
 
 No centro do cômodo, caso seja maior do que o alcance de busca que o 
bombeiro tem no momento, temos a opção de deitar ao chão e tocando a parede 
com as mãos ou com a ferramenta para manter a localização, tatear o solo com 
braços e pernas afim de checar a área não buscada pela progressão ao longo das 
paredes. Também temos a opção deutilizar um cabo entre os bombeiros que ao 
progredirem na mesma direção com o cabo entre os dois podem plotar algum objeto 
no caminho. 
 É fundamental perceber que as três técnicas se complementam e devem ser 
usadas simultaneamente sempre que possível. 
 
 
Figura 71. Esquema Didático 
Fonte:os autores, 2018. 
 
12.3.4 Buscas em edificações elevadas 
Ao chegar no local do evento devemos sempre que possível realizar um 
reconhecimento em 360º da edificação, esse procedimento pode nos dar 
informações que na busca interna seriam mais difíceis de serem obtida como, por 
exemplo, a visualização de vítimas que necessitam de salvamento em fachadas 
diferentes da fachada do acesso assim como características da edificação. 
 Nas Operações de Busca no interior de edificações elevadas devemos ter em 
mente que os locais nos quais a fumaça tende a se concentrar, são os locais com 
mais riscos para as vítimas. Portanto, devemos seguir a seguinte ordem de 
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144 
 
prioridades na busca no interior da edificação. 
 
a. Pavimento do incêndio; 
b. Pavimento imediatamente acima do incêndio; 
c. Pavimento mais alto do prédio; 
d. Pavimentos entre o imediatamente acima do foco e o ultimo, de cima para 
baixo; 
e. Imediatamente abaixo do andar do foco; 
f. Prédios vizinhos. 
 
 
 
Figura 72. esquema didática 
Fonte: os autores, 2018. 
 
12.3.5 Busca em grandes áreas 
Ao se fazer necessária uma busca em grandes áreas como shoppings, 
fábricas, estacionamentos fechados, depósitos, cinemas, bibliotecas é vantajoso a 
procura pelo croqui, plantas do local, ou informações de alguém que conheça a 
edificação. Geralmente em eventos desse porte, informações dessa natureza podem 
ser adquiridas por funcionários do local, como técnicos de segurança e porteiros, por 
exemplo. 
 Em operações desse vulto, a coordenação das equipes e o controle de 
pessoal se fazem bastante necessárias para que as próprias equipes de busca não 
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145 
 
se tornem vítimas ou se percam. 
 
 
Figura 73. bombeiros unidos aumentando a área de varredura 
Fonte:Instrução Busca em incêndios 6º Turno CECIU/CBMERJ 
 
12.4 Salvamento em incêndios 
O salvamento de vidas deve ser sempre a prioridade tática das operações de 
combate a incêndio. 
 Porém é importante que entendamos a diferença entre evacuação e 
salvamento, a evacuação se trata da retirada ordenada de pessoas em locais de 
risco já o salvamento se trata da retirada dos seres vivos de local de risco IMINENTE 
à vida (Fumaça, Fogo, Risco estrutural). 
 Por vezes não será necessária a evacuação de pessoas em estruturas 
atingidas por algum sinistro, inclusive, este processo pode atrapalhar uma operação. 
 Deve ser levado em consideração que, por vezes, a melhor estratégia para 
retirar pessoas de local de risco será o próprio combate, principalmente em 
situações em que as guarnições estejam reduzidas. 
 A título de classificação e padronização de linguagem, podemos classificar as 
vítimas em 3 (três) classes: As que podem vir até mim, As que não podem vir até 
mim e as que necessitam ser Buscadas; 
 Se possível, ao encontrar a vítima, no caso desta estar consciente ,antes de 
retirar a vítima do local, podemos retirar dela algumas informações preciosas ( A 
própria vítima no local do socorro, é quem pode nos dar as melhores informações), 
para tanto podemos fazer perguntas diretas como: Existe mais vítimas, se sim, 
onde? 
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146 
 
 
12.4.1 Técnica de transporte de vítimas em incêndios: 
Qualquer técnica de transporte de vítima pode ser utilizada, a gosto ou 
habilidade do militar, porém, tendo em vista a possibilidade de risco térmico que 
impossibilite o deslocamento de pé. 
 Podemos utilizar as técnicas a seguir, de acordo com a demanda. 
 Se possível, ao encontrar a vítima, no caso desta estar consciente ,antes de 
retirar a vítima do local, podemos retirar dela algumas informações preciosas ( A 
própria vítima no local do socorro, é quem pode nos dar as melhores informações), 
por tanto podemos fazer perguntas diretas como: Existe mais vítimas, se sim, onde? 
 
a. Vítimas sem restrição de locomoção. 
- Apoio por 1 BM 
 
 
Figura 74. demonstração 
Fonte: Manual de combate a incêndio urbano CBMGO 2017 
 
b. Vítimas com restrição de locomoção. 
- Apoio por 2 BM 
 
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147 
 
 
Figura 75. demonstração 
Fonte: Manual de combate a incêndio urbano CBMGO 2017 
 
- Retirada por 2 BM pelas extremidades 
 
 
Figura 76. demonstração 
Fonte: Manual de combate a incêndio urbano CBMGO 2017 
 
- Retirada por 1 BM no ombro 
 
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148 
 
 
Figura 77. demonstração 
Fonte: Manual de combate a incêndio urbano CBMGO 2017 
 
- Retirada por 1 BM no colo 
 
 
Figura 78. demonstração 
Fonte: Manual de combate a incêndio urbano CBMGO 2017 
 
- Retirada por 1 BM com Mola-Fita pelo ombro 
 
CORPO DEBOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
149 
 
 
Figura 79. demonstração 
Fonte: Manual de combate a incêndio urbano CBMGO 2017 
 
- Retirada por 1 BM com Mola-fita em “L” 
 
 
Figura 80. demonstração 
Fonte:Instrução Busca em incêndios 7º Turno CECIU/CBMERJ 
 
- Retirada por 1 BM com Maca de arrasto 
 
CORPO DEBOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
150 
 
 
Figura 81. demonstração 
Fonte:Instrução Busca em incêndios 7º Turno CECIU/CBMERJ 
 
12.4.2 Retirada utilizando Viatura aérea 
Casos em que as vítimas, por algum motivo, ameaçam se jogar ou se 
encontram encurraladas pelo fogo/fumaça em edificações elevadas. As condições e 
velocidade de estabelecimento da viatura aérea irão depender da natureza do local 
assim como do modelo da viatura. 
 Durante esta ação de salvamento, o operador de cesto, se possível irá 
acompanhado de outro BM, que deverão estar equipados com EPI de Combate a 
Incêndio e ancorados ao cesto por no mínimo por cinto alemão, se possível com 
equipamento de Salvamento em Altura. 
 Ao cesto se aproximar da edificação, assim que possível o Operador de cesto 
deverá realizar a abordagem psicológica com a vítima solicitando que a mesma se 
acalme e que aguarde a aproximação e posicionamento adequado do cesto, no 
intuito de evitar que a vítima se jogue. A viatura deve se posicionar a frente do local 
sinistrado por conta dos riscos de explosões. 
 
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151 
 
 
Figura 82. demonstração 
Fonte: Registro do simlado operacional CBMGO Set.2018 
 
 
Figura 83. demonstração 
Fonte: Simulado operacional CBMGO Set.2018 
 
12.5 Sobrevivência em local de incêndio 
A Situação de sobrevivência em local de incêndio se trata de algum momento 
em que o bombeiro se perde, fica preso (colapso estrutural, trancado, cercado pelo 
fogo...) , ferido. 
 Tendo em vista a possibilidade de um cenário deste, devemos nos preperarar 
para ter a capacidade de reagir com tranquilidade e técnica a essa situação. 
 O primeiro passo deve ser o ACIONAMENTO MAYDAY. Pode ser acionado 
pelo próprio BM em apuros ou por algum BM que tenha a informação de outro BM 
em apuros. 
 Mayday: Mensagem de rádio com o único propósito de notificar o efetivo 
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152 
 
empenhado na operação que há um bombeiro ausente, preso , ferido, morto ou sem 
Ar 
 Por tanto, ao se perceber, ou perceber um companheiro em situação de 
emergência deve-se IMEDIATAMENTE informar no rádio: ‘Mayday, Mayday,Mayday’ 
Neste momento a prioridade do socorro se torna a vida do BM acidentado! 
 Fala-se 3 vezes pois, podemos ter interferência no rádio ou a mensagem não 
ser copiada. Dessa forma, minimizamos a possibilidade da mensagem não ser 
copiada pelo interlocutor. 
 Aoser estabelecido o contato com o interlocutor o BM que solicita emergência 
deve informar o protocolo ‘LUNAR’ 
 
 
Figura 84. esquema didático 
Fonte: CBMERJ 
 
Caso seja possível, o BM iniciar uma fuga, ele pode usar, além de todas suas 
habilidades, as técnicas específicas abaixo para essas situações. 
 
 Escape rápido pela escada 
 
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153 
 
 
Figura 85. demonstração 
Fonte:www.instagram.com/p/Bn_vAG7H1tf/?taken-by=firefightercollection17 
 
 Passagem por ambiente estreito (RETIRADA DO EPRA) 
 Ao se perceber que o orifício que se deve transpassar é menor que sua 
circunferência utilizando o EPRA, retire o suporte dorsal e passe o EPRA a frente, 
assim que o BM conseguir passar, ele recoloca o suporte dorsal. 
 
 Gestão do suprimento de ar (MEDIÇÃO DE DESEMPENHO); 
 O BM deve ter a ciência de sua autonomia utilizando o ERPA Sob esforço 
Físico, Térmico e Psicológico, qual tempo de trabalho tenho? Isso irá variar de 
pessoa para pessoa, porém, todos devem ter esta noção. O militar pode realizar sua 
medição de desempenho, em sua unidade, equipado com EPI de incêndio realize 
atividades de intensidade semelhante a um combate a incêndio, observe quanto o 
cilindro levou para ser consumido, e assim, terá um bom parâmetro sobre o tempo 
de autonomia de trabalho utilizando o EPRA. 
 
 Escape rápido em altura 
 
 
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154 
 
Figura 86. descida rápida 
Fonte:www.rescuetech1.com/rescuetechegress-nescapekitwhiteblue-new.aspx e 
www.skylotec.com/uk_en/2017/07/deus-exit-kit-for-private-users-for-self-rescue-by-abseiling-down-
from-high-buildings/ 
 
 Este equipamento a esquerda se trata de um sistema de fuga individual, 
Alguns metros de corda com um ‘Gancho’ em uma extremidade e um sistema de 
freio. Caso o BM se encontre em necessidade de evacuar o local com rapidez, este 
sistema pode ser utilizado. 
 
 Problemas com EPR 
 Caso o ar acabe e seja necessário a retirada da válvula de demanda, Tome a 
posição mais próxima ao solo possível e coloque a balaclava sobre o orifício de 
conecção da válvula de demanda. 
 
 
Figura 87.demontração 
Fonte: Manual de combate a incêndio urbano CBMGO 2017 
5.11.7 Equipe de intervenção rápida (RAPID INTERVENTION TEAM – RIT) 
 
 Equipe de intervenção rápida (RAPID INTERVENTION TEAM – RIT) 
 No caso de ter sido realizado o acionamento MAYDAY, o comando da 
operação deve ter todas suas atenções voltadas para o salvamento do BM em 
apuros, deve verificar a possibilidade de se empenhar uma dupla de militares para 
realizar a busca e o salvamento do BM, por vezes o combate será a forma mais 
eficiente, mas se tratando de incêndios de maiores proporções a RIT pode ser uma 
necessidade. 
 Devemos ter cuidado para não transformar a RIT em novas vítimas, portanto, 
o Comandante da Operação pode levar em consideração alguns aspectos. 
 O militar empenhado em uma missão dessa complexidade deve um preparo 
adequado, a seguir estão alguns aspectos a serem levados em consideração: 
Maneabilidade com os equipamentos; Domínio de Técnicas de busca e orientação 
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155 
 
em local de incêndio; Avaliação da vítima; Comunicação via rádio; Auto-resgate ; 
Preparo físico; Preparo emocional. 
 
 Avaliação do BM acidentado 
 
 
 
 
Figura 88. esquema didático 
Fonte:autores, 2018. 
 
 Nesses casos, a retirada do suporte dorsal do cilindro do EPRA pode ajudar. 
 
 Retirada de emergência do EPR 
 
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156 
 
 
Figura 89. demonstração 
Fonte:Manual de combate a incêndio urbano CBMGO 2017 
 
 Retirada de emergência do EPI 
 Um militar pela cabeça da vítima, retira o capacete, balaclava e peça facial; 
 Um militar em cada braço retira luvas e dedais da capa e logo a abertura do 
fecheclair da capa (sistema de emergência); 
 Após a soltura dos dedais e luvas um bm segura o acidentado pelos braços 
para cima da cabeça da vítima e outro puxa o militar na direção das pernas do 
acidentado. 
 Obs.: em caso de PCR, se possível um 4º BM realiza RCP, na 
indisponibilidade de 4 BMS, um dos 3 prioriza a RCP. 
 
 Transporte de BM com cinto alemão 
 
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157 
 
 
Figura 90. demonstração 
Fonte: Instrução Busca em incêndios 6º Turno CECIU/CBMERJ 
 
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158 
 
13 OPERAÇÕES DE COMBATE A INCÊNDIO 
Operações de Combate a Incêndio, independentemente do tipo ou proporção, 
são atividades complexas por natureza. Logo, organizá-las de maneira adequada é 
fundamental para que sejam bem-sucedidas em seus esforços. Alocar recursos 
humanos e materiais de forma otimizada deve ser uma das buscas incansáveis de 
qualquer organização, seja ela pública ou privada, militar ou civil, é nesta perspectiva 
que daremos início a este capítulo. 
 Inicialmente, abordaremos os conceitos e definições básicas para uma boa 
compreensão da organização de operações de combate a incêndio urbano. Em 
seguida, daremos maior atenção aos objetivos, ao pré-planejamento, às fases e 
gerenciamento deste tipo de operações. 
 Vale destacar que este capítulo se apoia nas filosofias do Sistema de 
Comando de Incidente (doutrina internacional), no Módulo 4 do Manual de Combate 
a Incêndio do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal e no Manual 
Operacional de Bombeiros de Combate a Incêndio Urbano do Corpo de Bombeiros 
Militar do Estado de Goiás, pois no que tange ao Gerenciamento de Operações de 
Combate a Incêndio Urbano são as doutrinas mais atualizadas e compatíveis ao 
CBMERJ. Serão feitas as devidas adequações à realidade do Estado do Rio de 
Janeiro, bem como aprofundamentos que se fizerem necessários para um 
entendimento mais fácil. 
 
13.1 Conceitos e definições 
Neste capítulo abordaremos a parte administrativa de uma atividade 
operacional. Em termos práticos, é fundamental entender que a atividade-meio e a 
atividade-fim da corporação são complementares. Pois, o “administrativo” não 
existiria sem o “operacional”, assim como, o “operacional” não funcionaria sem o 
“administrativo”. 
 A ênfase em destacar a importância de cada tipo de atividade tem o objetivo 
de reforçar e esclarecer que a todo momento as duas estão ocorrendo 
CORPO DEBOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
159 
 
simultaneamente, claro, o destaque, por vezes, é alternado. Contudo, isso se limita 
apenas ao campo visual, em essência nada muda, as duas estão sempre lá e devem 
estar sempre funcionando da melhor maneira possível com os recursos disponíveis. 
 Com isso em mente, é mais fácil perceber a aproximação que a organização 
de uma operação de combate a incêndio tem com a administração de uma empresa, 
por exemplo, até porque, a função básica de um administrador, segundo Trigueiro e 
Marques (2009), “[...] consiste em fazer com que as pessoas exerçam suas 
atividades, ao mesmo tempo em que atende aos anseios do cliente ou público, dos 
parceiros e colaboradores”. Todo bombeiro, dentro de sua esfera de atribuição, de 
maneira geral, é um administrador do patrimônio público que busca atender os 
anseios da população de sua área operacional. 
 Cabe a guarnição que for acionada, do comandante de socorro ao ajudante 
de linha, “[...]cumprir e assegurar-se de que as ações foram adotadas eficazmente, o 
que deve ocorrer em qualquer nível de atuação, sem eles ‘estratégicos, táticos ou 
operativos’” (CBMDF, 2009). 
 A esta altura podemos tomar posse de alguns conceitos do campo da 
administração e aplica-los a atividade de comando de operações de combate a 
incêndio, como por exemplo, as funções que um administrador deve desempenhar, 
são elas: planejar, organizar, liderar e controlar. Chiavenato (2000) entende que elas 
se inter-relacionam, não são apenas cíclicas, Art of Reading Smoke. Disponível em: 
. 
 
 Chiavenato, Idalberto. Princípios da Administração: O essencial em teoria 
geral da administração. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006. 
 
 Comportamento da Madeira exposta ao fogo. Disponível em: 
 
 
 Corpo de bombeiros da polícia militar do estado de São Paulo. Coletânea de 
Manuais técnicos de bombeiros- 17:Equipamentos de proteção individual e de 
proteção respiratória. São Paulo, 2006. 
 
 Corpo de bombeiros militar do distrito federal. Manual básico de combate a 
incêndio módulo 1: comportamento do fogo. 2° edição. Distrito federal,2009. 
 
 Corpo de bombeiros militar do distrito federal. Manual básico de combate a 
incêndio módulo 4: tática de combate a incêndio. 2ª edição. Distrito federal, 
2009. 
 
 Corpo de bombeiros militar do estado de Goiás. Manual operacional de 
bombeiros: combate a incêndio urbano. Goiás, 2017. 
 
CORPO DEBOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
13 
 
 Corpo de bombeiros militar do estado de Santa Catarina. Manual de 
capacitação em combate a incêndio estrutural. Santa Catarina. 2018. 
 
 Corpo de bombeiros militar do estado do espírito santo. Manual técnico: teoria 
de incêndio e técnicas de combate. Espírito Santo, 2014. 
 
 Corpo de bombeiros militar do estado do rio de janeiro. Manual básico de 
bombeiro militar- volume3: tecnologia e maneabilidade em incêndios. Rio de 
Janeiro, 2017. 
 
 Corpo de bombeiros militar do estado do rio de janeiro, procedimento 
operacional padrão: lesões por calor. Rio de janeiro, 2018. 
 
 Corradi, Bárbara Luísa Pereiraetal; Estudo da degradação térmica da madeira 
de eucalyptus através de termo gravimetria e calorimetria. Revistaárvore, 
2013 
 
 Da Silva Quintal, Pedro Emanuel. Caracterização do estresse térmico no 
combate a incêndio e avaliação de sistemas de arrefecimento individual. 
Coimbra, 2005. 
 
 Dodson, David W.The art of reading smoke, Fire Engineering,2005 
 
 Escola Nacional DE Bombeiros de Portugal, Combate a incêndios urbanos e 
industriais. Sintra, 2005. 
 
 Firefighter Survival. Disponível em: 
 
 Sharkey, B.J e Gaskill S.E Fitness andworkcapacity, 2009 
 
 TRIGUEIRO, Francisco Mirialdo Chaves; MARQUES, Neiva de Araújo. Teoria 
da Administração I. Florianópolis, CAPES-UAB, 2009. 
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15 
 
DEFINIÇÕES E CONCEITOS 
Para efeito deste manual, aplicam-se as definições específicas deste item: 
 
EN- European Norm 
NFPA- National Fire Protection Association 
NBR- Norma brasileira 
EPRA- Equipamento de proteção respiratória autônoma 
RIT – Rapid intervetion team 
EIR- Equipe de intervenção rápida. 
BSI- Busca e salvamento em incêndio 
COV- Condutor e operador de viaturas 
CoSCIP- Código de Segurança Contra Incêndio e Pânico 
SCI – Sistema de Comando de Incidentes 
POP – Procedimento Operacional Padrão 
OBM – Organização de Bombeiro Militar 
USFA – United States Fire Administration 
NFPA – National Fire Protection Association
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16 
 
1 HISTÓRICO 
No final do século XIX e início do século XX, o serviço de combate a 
incêndios enfrentava situações muito diferentes das encontradas atualmente. O 
perfil das edificações era de madeira maciça, e móveis e utensílios de queima lenta, 
além dos cômodos serem grandes e pouco compartimentados. Nessa época, o 
serviço envolvia quase que exclusivamente o estabelecimento mais rápido possível 
para se poder salvar o máximo da edificação, antes que o incêndio se 
desenvolvesse. O combate era feito basicamente do lado de “fora” das estruturas já 
incendiadas, pois não havia condições de se manter dentro das estruturas durante o 
combate. As guarnições eram muito grandes e contavam com grande quantidade de 
bombeiros. Uma guarnição de bomba continha 10 militares. 
 O treinamento para essa realidade envolvia o estabelecimento do “Bomba-
Armar”. Focado em mecanização de movimentos, agilidade e evoluções em pátio 
aberto. 
 Porém dentre os comandantes vanguardistas dos serviços de bombeiros à 
época, já se percebia que o combate exterior à edificação era muito pouco eficiente 
no que diz respeito ao dispêndio de recursos, além da necessidade de um 
treinamento que possibilitasse ao bombeiro prever como se dará o desenvolvimento 
de um incêndio. 
 Dentre os grandes pensadores do serviço de Combate a Incêndio, destaca-se 
Sir EyreMessey Shaw, cavaleiro da Rainha Vitória e Chefe da 
MetropolitanFireBrigade, pioneiro na moderna doutrina, introdutor das bombas à 
vapor no serviço e na descentralização de quartéis, e grande questionador do 
estereótipo de “incultos” dos bombeiros à época. 
 “Para atingir eficiência no nosso negócio, é necessário que aqueles que o 
praticam entendam não apenas o que fazer, mas como e porquê fazê-lo. Nenhum 
bombeiro conseguirá atingir proficiência na atividade se não conseguir ligar o elo 
entre a ciência e a prática”- Sir EyreMessey Shaw 
 Shaw dizia que a máxima eficiência seria atingida quando a tecnologia nos 
permitisse um combate mais próximo das chamas. 
 Na segunda metade do século XX, o quadro começou a mudar. A evolução 
CORPO DEBOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
17 
 
dos Equipamentos de Proteção Individual passou a possibilitar aos bombeiros, o 
trabalho dentro das edificações sinistradas (principalmente EPRAs). 
 A partir de então, começou-se a apresentar mudança na forma de combate, 
visto que os bombeiros passaram a trabalhar mais dentro das edificações 
sinistradas, porém o treinamento ainda consistia no mesmo. Bomba-Armar ao ar 
livre, enquanto no combate real, as equipes trabalhavam em incêndios sob 
estruturas compartimentadas. Rapidamente, começaram a surgir relatos de 
fenômenos estranhos, nunca antes vistos (Fenômenos Extremos do Fogo). De tais 
fenômenos, citamos 2 ocorrências notáveis. 
 No ano de 1981, ocorreu um incêndio na casa noturna Stardust Disco, na 
Irlanda. Neste evento, 48 pessoas foram mortas e 214 feridas, a grande maioria por 
ação das chamas. Tal evento gerou grande comoção popular, sendo caso de estudo 
de investigações e estudos científicos para se descobrir o “porquê” do 
desenvolvimento ter se dado de forma tão rápida. 
 Em 1982 uma misteriosa explosão mata dois bombeiros na Suécia, num 
apartamento sem indício de produtos perigosos, apenas mobília normal. 
 Autoridades Suecas entenderam que era necessário entender melhor o 
desenvolvimento dos incêndios, pois fenômenos estranhos e inexplicáveis do fogo 
ocorriam de forma inesperada, submetendo os bombeiros a riscos não conhecidos. 
 O então chefe dos bombeiros suecos Ander Lauren, aliado aos cientistas 
MatsRosander e KristerGisselson, criaram o chamado treinamento CFBT 
(ComparmentFire-BehaviorTrainning), e as técnicas de ataque tridimensional, sendo 
a primeira doutrina voltada para técnicas de combate a incêndio no interior de 
ambientes compartimentados no mundo, envolvendo a compreensão, previsão e 
prevenção de fenômenos extremos do fogo. 
 Cabe ressaltarou seja, no caso do corpo de 
bombeiros, elas coexistem desde antes do acionamento (quando o foco está no 
planejamento e na preparação), até a inspeção final e a desmobilização do local de 
evento. 
 Trigueiro e Marques (2009) definem, de forma resumida e adaptada, as 
funções do administrador da seguinte forma: 
a. planejar: é escolher ou estabelecer a missão da organização, seu propósito e 
objetivos, e depois determinar diretrizes, projetos, programas, procedimentos, 
métodos, sistemas, orçamentos, padrões e estratégias necessárias para atingi-los; 
b. organizar: é determinar os recursos e atividades necessárias para se atingir 
os objetivos, combinar esses recursos e atividades em grupos práticos, designar 
responsabilidades e delegar a autoridade necessária para realização da tarefa; 
c. liderar: é conseguir dos subordinados que eles façam aquilo que você deseja 
que eles façam, logo, abrange não só a qualidade, o estilo e o poder do líder, mas 
CORPO DEBOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
160 
 
também suas atividades relacionadas à comunicação, motivação e disciplina; 
d. controlar: é delinear os meios para se ter certeza de que o desempenho 
planejado seja realmente atingido. Definindo metas, considerando os indicadores 
atuais, para assim medir o desempenho alcançado com as decisões tomadas. 
 
 Para o planejamento a informação é imprescindível, além de estar apoiado 
em duas condições básicas: objetivos e como cumpri-los. 
 Quanto a organização, vale lembrar de uma ferramenta fundamental, o SCI 
(SCCO), destacando que não importa o porte da operação, esta deve ser implantada 
em qualquer evento desde a chegada da primeira equipe ao local. Este assunto não 
será objeto de estudo específico deste manual, até porque existem diversas 
literaturas que já exploram o tema, mas faz-se necessário que o leitor conheça-o, 
logo, é recomendado que seja lido o POP do CBMERJ, bem como demais 
bibliografias específicas 
 
 Já no tocante a liderança, é importante destacar que implica em (CBMGO, 
2017): 
a. formular e passar as ordens de forma adequada; 
b. verificar se as informações foram recebidas adequadamente; 
c. passar a ordem para quem tem condições de cumpri-la. 
d. E controlar é uma das funções mais importantes do comando de uma 
operação, pois é através dela que ocorre o acompanhamento das atividades 
planejadas, considerando as condições do evento e aplicando as correções 
necessárias. Implica em (CBMGO, 2017): 
e. acompanhar o desenvolvimento do incêndio; 
f. verificar se o que foi planejado está sendo executado fielmente; 
g. avaliar a necessidade de adaptação do planejamento; 
h. determinar mudanças no planejamento inicial. 
 
 De forma bem objetiva, devemos planejar as operações de combate a 
incêndio desde a rotina diária de uma unidade operacional (levantamento de 
recursos, treinamento operacional, entre outras atividades), já antecipando um 
possível acionamento, que no momento em que acontecer exigirá uma organização 
CORPO DEBOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
161 
 
melhor dos recursos, adaptando-se ao evento em específico, trançando-se objetivos 
que deverão ser alcançados pela equipe, com a liderança do comandante de 
socorro, também responsável pelo controle das atividades. 
 Não pode deixar de ser feita também a exposição de outros conceitos tão 
importantes quanto os que já foram mencionados, mas que por sua vez tiveram sua 
origem no meio militar e foram “adotados” pela administração civil. A estratégia e a 
tática. 
 A palavra “estratégia”, tendo sua origem na Grécia Antiga, significava 
inicialmente a “arte do general” (CBMGO, 2017), em seguida passou a ter uma 
conotação mais voltada para a guerra: “a arte e a ciência de conduzir um exército 
por um caminho” (CBMGO, 2017). 
 Hoje o termo possui as mais variadas definições, mas todas elas estão, em 
sua essência, ligada a ideia de “intenção” e “ação futura” (CBMGO, 2017). Logo, 
definir uma estratégia é traçar um norte a ser seguido no tocante ao emprego dos 
recursos disponíveis em relação aos objetivos a serem alcançados. Em termos de 
combate a incêndio, é a sequência que será adotada para utilização das táticas de 
combate e salvamento. 
 “Tática” que também deriva do grego, é definido por Chiavenato como um 
“esquema específico de emprego de recursos dentro de uma estratégia geral”, ou 
seja, no nosso contexto, um conjunto de técnicas de combate a incêndio. Por 
exemplo, pulsos médios e curtos que juntos compõe uma tática, o ataque 
ofensivo.Adianteesses conceitos serão mais explorados, por ora, basta uma noção 
básica dos seus significados. 
 Em suma, determinadas táticas são aplicadas em determinadas batalhas, 
seguindo uma estratégia para se vencer a guerra. No que tange ao combate a 
incêndio urbano, as táticas seriam um conjunto de técnicas específicas (modo 
ofensivo, modo defensivo, salvamento, busca rápida, entre outras já exploradas 
neste manual), enquanto a estratégia seria o sequenciamento ideal destas táticas 
para que os objetivos estabelecidos no planejamento sejam alcançados com maior 
eficiência. 
 
13.2 Pré-planejamento 
CORPO DEBOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
162 
 
Antes de falar especificamente das operações, se faz necessário lembrar que 
tão (ou até mais) importante quantoatender aos acionamentos, é estar preparado 
para o mesmo. 
 
 
Figura 91. esquema didático 
Fonte: Manual de combate a incêndio CBMGO, 2017 
 
 É neste contexto que serão exploradas aqui as medidas e ações a serem 
adotadas pelas seções operacionais das unidades e pelas guarnições de serviço, 
antes do acionamento para o atendimento de uma ocorrência de combate a 
incêndio, destacando o mapeamento da área de operação da unidade e de todos os 
recursos disponíveis a preparação técnica e o mapeamento da área de operação da 
unidade e de todos os recursos disponíveis. 
 
 Atribuições das Seções Operacionais 
 A rotina administrativa da seção operacional de uma unidade, no que tange 
ao combate a incêndio, tem como principais objetivos para se conseguir o mínimo de 
informações que influenciam diretamente no resultado final da ações de socorro: 
a. levantar as principais áreas ou edificações de risco localizadas na área de 
atuação da unidade operacional; 
b. plotar os principais pontos de abastecimento de água; 
c. elaborar mapas e croquis; 
d. verificar fatores favoráveis e adversos à ação de socorro; 
e. verificar os sistemas preventivos existentes; 
f. levantar dados sobre as características das edificações; 
CORPO DEBOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
163 
 
g. levantar contatos de emergência que auxiliariam em uma eventual ocorrência; 
h. planejar e coordenar o treinamento continuado da tropa; 
i. planejar e coordenar exercícios simulados em parceria com as diversas 
organizações presentes na área operacional. 
 
 Os levantamentos de área devem alcançar os “pontos críticos” de interesse 
para a Corporação, sejam pelo risco ou pela importância, tais como: hospitais e 
clínicas, locais de grande concentração de público, locais que utilizam ou 
armazenam produtos perigosos, etc. 
 Uma ferramenta importantíssima para que estes objetivos sejam cumpridos é 
a ficha de ponto crítico. Consiste em um modelo de ficha que contém informações 
relevantes, podendo ser elaborada de acordo com a particularidade da área de 
atuação de cada Organização de Bombeiro Militar (OBM), que após preenchida, 
deverá estar a pronto emprego para eventual consulta no centro de operações da 
unidade, assim como, para instruções rotineiras e simulados. 
 Para que esta ficha não perca a eficiência é importante que seja atualizada de 
tempos em tempos, estando a seção operacional sempre atenta a qualquer 
modificação significativa nas estruturas do “ponto crítico”. É importante também que 
ela seja preenchida em parceria com a seção de serviços técnicos,para que as 
informações sejam as mais precisas possíveis. 
 
 Atribuições das Guarnições de Serviço 
 Uma rotina operacional bem estabelecida é fundamental para o bom 
andamento do serviço, assim como, para a manutenção de atributos essenciais a 
operacionalidade do Corpo de Bombeiros Militar. Dentre todas as atividades que são 
realizadas dia após dia, deve-se ter maior atenção a: 
a. Assunção de serviço: 
b. conferência dos materiais e equipamentos; 
c. inspeção visual detalhada; 
d. testes dos equipamentos; 
e. orientações operacionais (briefing); e 
f. levantamento de recursos existentes na Seção de Materiais (Subseção de 
Material Operacional - SsMOp); 
CORPO DEBOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
164 
 
g. treinamento operacional; 
h. testes operacionais diários; 
i. instruções; e 
j. simulados operacionais; 
k. manutenção e acondicionamento dos equipamentos após ocorrência; 
l. avaliação das ações realizadas em ocorrência (debriefing); 
m. avaliar desde o recebimento do aviso até a desmobilização e retorno para a 
unidade; 
n. reforço dos pontos positivos; 
o. advertência aos pontos negativos e como corrigi-lo. 
 
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165 
 
14 OBJETIVOS TÁTICOS DO COMBATE A INCÊNDIO 
Este é um assunto que empiricamente todo bombeiro com “experiência de 
rua” sabe, mas que ao mesmo tempo faz-se necessário estar sistematizado a fim de 
estabelecer um protocolo, ou melhor, uma diretriz de prioridades a serem supridas 
em que todos sejam capazes de falar a mesma língua. Dessa forma, é possível 
aumentar substancialmente a eficiência das operações de combate a incêndio 
urbano pois estaríamos aplicando as táticas e técnicas corretas no momento 
adequado. Logo, é necessário estabelecer a ordem de importância e prioridade em 
uma hierarquia de objetivos. 
 Primeiro identificaremos as alternativas estratégicas relevantes, aquelas que 
nos dizem de maneira geral em que direção estratégica a operação deve acontecer. 
Objetivo, segundo Lacombe (2004), é o “propósito a ser atingido por uma 
organização, instituição, empresa, grupo empresarial ou por uma pessoa”. Aplicando 
isso ao combate a incêndio, entendemos que os objetivos táticos do combate a 
incêndio são uma relação de objetivos pré-estabelecidos comuns às ocorrências de 
combate a incêndio e que devem ser verificados de acordo com as características de 
cada socorro. 
 É importante ter em mente que as definições dos objetivos pelo Comandante 
da Operação se dará conforme definições estratégicas do mesmo, que irá avaliar a 
ocorrência e definir a sequência de aplicação das táticas que julgar mais eficiente. 
Portanto: 
a. não necessariamente todos os objetivos elencados aqui estarão presente em 
todas as operações; 
b. a ordem de importância e prioridade poderá variar conforme a operação se 
desencadear; 
c. alguns objetivos ocorrerão simultaneamente; 
 O que precisa ficar claro é que estaremos falando de algo extremamente 
dinâmico, que não deve ser seguido necessariamente como uma “receita de bolo”, 
mais parece um jogo de xadrez. 
 Os objetivos (e ramificações) táticos do combate a incêndio são: 
a. Segurança 
- Acesso adequado 
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166 
 
- Área de reabilitação/unidade médica 
- Equipe de intervenção rápida (eir) 
 
b. salvamento/busca 
c. proteção contra exposição 
d. confinamento 
e. extinção (combate propriamente dito) 
- ventilação tática; 
- salvatagem; 
- suprimento de água (ou abastecimento). 
 
 Importante: Serão expostos nesta seção apenas os ítens referentes a 
SEGURANÇA, CONFINAMENTO e PROTEÇÃO CONTRA EXPOSIÇÃO tendo em 
vista que os demais são (ou serão) tratados em capítulo (ou seção) específico(a) a 
fim do manual não ficar repetitivo. O cerne desta seção é a importância da aplicação 
sequencial, conforme as prioridades, do cumprimento dos objetivos inerentes ao 
combate a incêndio. 
 
14.1 Segurança 
A segurança na operação deve ser o primeiro objetivo do comandante do 
socorro. Para isso devem-se evitar acidentes ou minimizar o risco de acidentes 
durante a operação. 
 As atividades de segurança visam atender não somente aos bombeiros, mas 
também a outras pessoas que estejam trabalhando na área da ocorrência (policiais, 
pessoal de saúde, etc.) bem como os espectadores (curiosos ou transeuntes). 
 A profissão de bombeiro é cercada de muitos riscos, capazes de provocar 
ferimentos graves e até a morte. Independente da visão de herói que os bombeiros 
possuem, é inadmissível que se assuma riscos desnecessários. 
 Infelizmente, ainda não existe no Brasil um estudo adequado referente aos 
acidentes com bombeiros em serviço. Porém, é possível utilizar informações de 
outros países para nortear as ações preventivas, onde há indicações claras de 
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167 
 
causas de acidentes que ocorrem com frequência em operações, tais como: 
a. desconhecimento quanto ao comportamento do fogo; 
b. avaliação inadequada dos riscos; 
c. comunicação inadequada; 
d. procedimentos inadequados; 
e. quebra de procedimentos; 
f. falta de treinamento prático; 
g. falta de planejamento das ações; 
h. pessoal insuficiente; 
i. falta de condição de saúde ou preparo físico inadequado; 
j. falha de comando (visão em túnel); e 
k. falta ou interrupção no fornecimento de água. 
 Como toda atividade de risco, é importante a implementação de métodos de 
avaliação de riscos, onde se verifica a relação entre o risco e o benefício alcançado. 
 “Uma operação segura de combate a incêndio leva em conta o 
comportamento do fogo, uma estrutura adequada de comando e controle e os 
principais riscos” (CBMDF, 2009). 
 Para uma melhor compreensão de tudo que é necessário fazer para que se 
tenha uma operação de combate a incêndio segura, serão expostos aqui os 
seguintes assuntos: filosofia do risco benefício, medidas de prevenção de acidentes, 
zona de segurança, risco de colapso estrutural, figura do oficial de segurança, 
controle de pessoal, controle de acesso e equipe de intervenção rápida. 
 
 Filosofia do risco versus beneficio 
As decisões de vida e morte envolvem uma análise de risco / benefício 
baseada em dois objetivos principais: a proteção da vida (civil e bombeiro) e a 
proteção da propriedade. 
Os bombeiros devem ter em mente estas duas metas, atento às prioridades 
táticas. Vale ressaltar que com o passar do tempo o incêndio tende a se propagar e 
isso aumenta o potencial de morte ou lesão de bombeiros. 
O ente maior responsável pela doutrina dos serviços de emergência nos EUA, 
a Administração Nacional dos Serviços de Incêndio (United StatesFireAdministration 
– USFA) estabelece, através de sua divisão de ensino, a política de análise dos 
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168 
 
riscos nas ocorrências de combate a incêndio, a saber: “Aceitaremos grandes riscos 
para salvar vidas; aceitaremos um risco mínimo para salvar propriedades; não 
aceitaremos risco algum por vidas e propriedades já perdidas” (CBMGO, 2017) A 
Associação Nacional de Proteção contra Incêndios (NFPA) 1500, Departamento de 
Segurança e Saúde Ocupacional do Departamento de Bombeiros, afirma que o 
conceito de gerenciamento de riscos deve ser usado com base nos seguintes 
princípios: 
a. As atividades que apresentem um risco significativo para a segurança dos 
bombeiros serão limitadas a situações onde existam um potencial para salvar vidas 
em perigo; 
b. As atividades rotineiramente empregadas para proteger a propriedade devem 
ser reconhecidas como riscos inerentes à segurança dos bombeiros e ações devem 
ser tomadas para reduzir ou evitar esses riscos; 
c. Nenhum risco para a segurança dos bombeiros será aceitável quando não 
houver possibilidade de salvar vidas ou bens; e 
d. Em situações onde o risco para os bombeiros é excessivo, as atividadesdevem ser limitadas às operações defensivas. Assim, ao aplicar os princípios de 
gestão de riscos a uma operação de combate a incêndio delimitamos as ações de 
socorro em relação aos riscos em três tópicos: 
- arriscar muito para salvar muito; 
- arriscar pouco para salvar pouco; e 
- não arriscar nada para salvar nada. 
Um exemplo relativo à filosofia de risco versus benefício é o de se arriscar uma 
busca na edificação em chamas com risco elevado aos bombeiros, para salvar 
vítimas confirmadas no interior. Porém, não enviar bombeiros se não houver 
indicação exata da existência de vítimas. 
Ao encontrar uma situação incomum ou um evento único, pode ser muito difícil 
identificar com precisão os riscos. Para fazer isso de forma eficaz, use todos os 
recursos disponíveis, incluindo estatísticas de acidentes / lesões, estudos de casos 
de incêndio e experiências de seus e de outros. Situações diferentes, como 
vazamentos de gás, condições de incêndio em expansão e desmoronamentos de 
edifícios, apresentam riscos diferentes. Ao identificar o risco, é necessário formular 
um plano de segurança para o pior cenário possível. 
CORPO DEBOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
169 
 
Na avaliação do cenário é importante determinar a condição da vítima. Se isso 
não for possível, deve-se considerar a condição provável das vítimas nas 
circunstâncias, especialmente com o passar do tempo. Não exponha o pessoal a 
riscos desnecessários se não houver vida para salvar. 
Os Bombeiros Militares não fazem parte de uma profissão perigosa e sim de uma 
profissão que envolve riscos (DODSON, 2007) e a partir do momento em que se 
avalia e se mensura apropriadamente todas as condicionantes nas operações de 
combate a incêndio, adotando-se um nível de risco aceitável e estratégias e táticas 
eficazes, o Bombeiro Militar reduzirá dramaticamente as chances de acidente, 
lesões, ferimentos e/ou fatalidades. 
 
14.1.1 Medidas de prevenção de acidentes 
Constituem medidas de redução do risco e de prevenção de acidentes, entre 
estas podemos relacionar: 
a. manutenção e limpeza do EPI e EPRA; 
b. uso correto do EPI adequado; 
c. uso correto do EPRA; 
d. avaliação dos riscos; 
e. uso de comunicações integradas; 
f. técnicas de socorro adequadas; 
g. treinamento das equipes; 
h. planejamento, com a implementação de POP; 
i. preparo físico, psicológico e técnico adequado aos bombeiros; 
j. isolamento e sinalização adequados da área; 
k. controle dos acessos à área de risco; 
l. obrigatoriedade do trabalho em dupla; 
m. controle das atividades; 
n. avaliação adequada do comportamento do fogo; 
o. emissão de alertas de segurança quando necessário; e 
p. designação do oficial de segurança, sempre que possível. 
 
CORPO DEBOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
170 
 
A segurança é responsabilidade de todos os bombeiros envolvidos no 
socorro. Todos os bombeiros devem ser treinados para identificar e informar 
imediatamente os riscos durante a operação para que as informações possam ser 
repassadas a todos os envolvidos. 
14.1.2 Zona de segurança 
Conforme previsto na doutrina do Sistema de Comando de Incidentes (SCI), o 
primeiro respondedor deve estabelecer inicialmente um perímetro de segurança 
interno, que isolará a área onde qualquer bombeiro pode ficar vulnerável. Esse 
procedimento é fundamental quando há riscos de desabamento ou produtos 
perigosos envolvidos. Ninguém deve ser autorizado a entrar no perímetro interno 
sem a aprovação do comandante do incidente. 
Um outro perímetro, externo, cria uma zona de segurança onde o órgão 
respondedor pode operar sem a interferência de pessoas não autorizadas a atuarem 
na zona de impacto além impedir o tráfego de veículos não autorizados. 
Consideram-se os seguintes aspectos ao estabelecer os perímetros de 
segurança: tipo e localização do incidente, tamanho da área afetada, topografia, 
condições atmosféricas, áreas sujeitas a desmoronamentos, explosões, quedas de 
escombros e outros. 
Deve ser delimitada uma zona de segurança para prevenção contra risco de 
queda de materiais ou até mesmo o colapso da estrutura. Ela deve ser de, no 
mínimo, uma vez e meia a altura da edificação, considerando que objetos que caem 
da edificação podem, ao chocar-se com o solo, lançar detritos a distâncias 
superiores à altura da edificação. 
 
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171 
 
 
Figura 92. esquema didático 
Fonte: Manual de combate a incêndioCBMGO,2017. 
 
14.1.3 Risco de colapso estrutural 
Uma das mais importantes preocupações do comandante do incidente é 
aquela referente ao tempo que uma estrutura poderá se manter íntegra sob as 
condições do incêndio. 
Tipos mais novos de construção, com estruturas mais leves, tendem a 
suportar cada vez menos altas temperaturas. É importante também considerar que 
todos os tipos de edifícios podem conter falhas ocultas. 
O comandante da operação sempre deve ter consciência de tempo: quanto 
tempo o edifício está em chamas; quanto tempo as guarnições estão dentro da 
edificação e quanto tempo levará para realização das várias opções táticas. O tempo 
é implacável; sendo assim, o comandante tem que saber tirar proveito da situação 
enquanto ainda é possível. Quanto menor a consciência de tempo decorrido, 
maiores são as chances de perder um incêndio e o pior, perder vidas. 
Enquanto o comando estiver constantemente reavaliando opções de ataque, 
deve estar atento para os sinais de fraqueza estrutural ou colapso iminente, 
incluindo: rachaduras, queda de paredes apoiando-se em outras estruturas, torção 
ou dobra de vigas e pilares, barulhos estranhos, fumaça ou vazamento de líquido 
através de fissuras nas paredes e queda de tijolos. 
 
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172 
 
14.1.4 O oficial de segurança 
O oficial de segurança é um militar designado para minimizar os riscos e 
aumentar a segurança para os bombeiros e para as pessoas presentes no local. 
Esta função está prevista no SCI. 
Geralmente o Oficial de Segurança é designado em operações de longa 
duração ou que possua potencial de risco elevado, principalmente devido a fatores 
relacionados a limitação de recurso humano na cena. 
Deve ter experiência e treinamento para tomar as decisões adequadas, bem 
como autoridade para interferir na operação, caso verifique que há risco iminente 
para os bombeiros. Mesmo podendo exercer autoridade de emergência para deter 
ou prevenir ações inseguras quando a situação requeira providências imediatas, ele 
geralmente corrige ações ou condições inseguras por meio da linha normal de 
comando. 
Pode permanecer no posto de comando ou ser designado para uma área 
específica, dependendo do evento.São responsabilidades do oficial de segurança: 
a. manter-se inteirado de toda a operação; 
b. identificar situações perigosas associadas com o incidente; 
c. fazer seu próprio reconhecimento do evento para se informar dos riscos; 
d. ter acesso ao planejamento das operações; 
e. interromper uma atividade por questão de segurança; 
f. verificar o controle de pessoal; 
g. verificar se o EPI e EPRA estão sendo utilizados de forma segura e efetiva; 
h. estabelecer a zona de colapso; 
i. verificar a necessidade de material de iluminação; 
j. determinar a necessidade de instalação da unidade médica e do local de 
reabilitação; 
k. emitir alertas de segurança (informações de risco) para os envolvidos no 
evento. 
 
IMPORTANTE: é necessário entender que a nomenclatura “oficial de 
segurança” faz referência a uma função do SCI, ferramenta utilizada 
internacionalmente para o gerenciamento de operações, pelos mais diversos tipos 
CORPO DEBOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
173 
 
de organizações, logo, não necessariamente está limitada a ser executada apenas 
por oficiais militares, mas identifica o profissional competente e que possui 
autoridadepara exercer tal função. Seria mais fácil dar outro nome, como por 
exemplo, “militar de segurança”, mas isso só causaria mais confusão quanto a 
utilização do SCI, ferindo diretamente um de seus princípios (que exporemos mais 
adiante), o da “Terminologia Comum”, e indiretamente o da “Comunicação 
Integrada”. 
 
14.2 Controle de pessoal 
O controle de pessoal é fundamental para a segurança e é responsabilidade 
de todos os bombeiros, não somente dos chefes de guarnição ou comandante do 
incidente. 
Cada chefe de guarnição ou equipe deve ter controle sobre seus 
comandados. Na prática significa saber: 
- quantos são; 
- quem são; 
- onde estão; e 
- o que estão fazendo. 
- O controle de pessoal deve abranger não somente os bombeiros, mas 
também todo pessoal de apoio e especialistas presentes na área do evento. 
- Deve prever: 
- quem está na área (cadastro de todos os profissionais na área do evento); 
- localização na operação (qual a função que está exercendo e onde; se está 
designado ou não); 
- porque está no local; 
- especialidade. 
 
14.3 Controle de acesso 
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174 
 
O controle de acesso tem por objetivo registrar o acesso de bombeiros a 
áreas de maior risco durante as operações de combate a incêndio. 
Deve ser realizado, primeiramente, pelos chefes de guarnição. Com o 
aumento do número de bombeiros designados para atividades no interior da 
edificação, caberá ao Comandante da Operação designar um militar para manter 
este controle. 
O controle de acesso deverá ser implementado em todos os acessos às áreas 
de risco, porém é fundamental unificar as informações para que se saiba, a qualquer 
momento, quais são os bombeiros dentro da área e sua localização. 
Todo sistema de controle de acesso, seja manual ou informatizado, deve 
fornecer as seguintes informações: 
a. identificação do Bombeiro; 
b. tarefa; 
c. localização; 
d. hora de entrada e saída; e 
e. quantidade de ar respirável. 
 
O registro deverá ser tanto da entrada quanto da saída dos bombeiros. 
Caberá também ao controle de acesso registrar as vítimas que saem da edificação e 
orientá-las para a área de concentração das vítimas. 
A diferença entre controle de pessoal e controle de acesso é que o de 
pessoal é mais abrangente, faz referência a todos os profissionais envolvidos na 
operação e sua função. Já o de acesso é mais específico, é um controle mais 
minucioso, trata exclusivamente dos locais de acesso a operação de combate a 
incêndio em si, ou seja, as “entradas” para o local mais hostil ao combatente (zona 
quente). 
 
Acesso adequado 
“A abertura mais importante de um incêndio é aquela por onde devem entrar 
os bombeiros”. Paul Grimwood, em TacticalFirefighting, 2003. 
Constituem ações para garantir um acesso adequado ao interior da 
edificação: definir quais as vias de acesso ao local do incêndio e identificar as 
melhores; aplicar adequadamente as técnicas de arrombamento; estabelecer as 
CORPO DEBOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
175 
 
viaturas adequadamente à operação. 
Sempre que possível, a porta para entrada de bombeiros deve ser escolhida 
na área não atingida pelas chamas, o mais próximo possível do foco, entre o foco do 
incêndio e as vítimas ou a área de propagação. Essa entrada proporcionará aos 
bombeiros uma posição adequada para a proteção de vítimas e para o ataque ao 
fogo de dentro para fora da edificação. 
 
 
Figura 93. melhor acesso 
Fonte: Manual de combate a incêndioCBMGO,2017 
 
Na figura, é possível observar que o acesso à área de incêndio é realizado, 
geralmente, pelo interior da edificação utilizando as vias normais. Vale ressaltar que 
nem sempre essa opção será viável. 
 
14.4 Área de reabilitação / Unidade médica 
É importante que os bombeiros que saem da área de operação tenham um 
local adequado para se recuperarem do desgaste do combate.O local deve ter 
condições adequadas de abrigo (contra o sol nas operações diurnas ou contra o frio 
em operações noturnas) e possibilitar que os militares retirem os EPIs e descansem 
adequadamente. 
No mesmo local de reabilitação também poderá ser estabelecido a Unidade 
Médica (SCI). Pode ser estabelecida no local do evento uma unidade médica para 
atendimento em caso de grandes eventos ou ocorrências de risco. Tem por 
CORPO DEBOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
176 
 
finalidade atender apenas aos bombeiros e agentes que estejam trabalhando na 
operação. Caso haja dificuldade de efetivo o comandante da operação poderá 
providenciar junto ao tratamento às vítimas auxílio aos bombeiros que saem 
desgastados do combate. 
Nesta área são realizadas também atividades como avaliação das condições 
de saúde do bombeiro após o combate. 
Vale ressaltar que em qualquer operação de combate a incêndio é importante 
a presença de uma Ambulância (preferencialmente ASE Avançada - com médico), à 
disposição da ocorrência, para atender aos bombeiros que, porventura, sofram 
algum acidente durante a operação. 
 
14.5 EIR – Equipe de intervenção rápida (RAPID INTERVENTION TEAM - RIT) 
Dependendo do tipo e quanto maior o risco da operação, pode ser necessária 
uma Equipe de Intervenção Rápida (EIR), também conhecida como RIT 
(RapidIntervention Team), composta por bombeiros designados, exclusivamente, 
para atuar no salvamento de bombeiros acidentados durante a operação. 
Ocorrências em grandes áreas podem demandar mais de uma Equipe RIT, 
uma em cada face onde houver operação em uma grande edificação ou uma para 
cada pavimento que houver atividade de riscos mais elevados. 
 
Proteção Contra Exposição (isolamento) 
 A proteção contra exposição é o conjunto de operações necessárias para 
impedir a propagação de um incêndio às edificações vizinhas. Tem como 
fundamento preservar áreas adjacentes ao incêndio da ação do calor, das chamas e 
da fumaça, por meio da aplicação de jatos de água para resfriamento, evitando 
danos e prevenindo a propagação para outras estruturas. 
No combate a incêndio é da maior importância que uma ação rápida e inteligente 
seja levada a efeito para prevenir a propagação para edificações vizinhas, de 
cômodos contíguos ou de materiais próximos ao foco do incêndio. 
Imediatamente após o salvamento de vidas humanas e de animais, a missão 
mais importante da primeira guarnição a alcançar o local é assegurar-se que o fogo 
CORPO DEBOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
177 
 
não se propagará para as edificações vizinhas ou para materiais expostos. 
O isolamento tem como função também assegurar a liberdade de movimento 
para as viaturas e equipamentos do Corpo de Bombeiros, assim é importante o 
apoio de órgão de transito e da Polícia Militar em incidentes de maior vulto (CBMGO, 
2017). 
 
Confinamento 
 O confinamento abrange aquelas operações que são necessárias para 
prevenir a propagação do incêndio às partes ainda não afetadas de uma edificação. 
 O Comandante de Incidentes deve identificar a presença e / ou localização de 
quaisquer caminhos de fluxo de fumaça. Deve-se dedicar para controlar a ventilação 
e o caminho do fluxo de fumaça, visando proteger potenciais ocupantes da 
edificação e limitar o crescimento do incêndio. Se um fluxo de fumaça estiver visível, 
considere fechar portas e janelas para limitar o fluxo de ar. Ao fechar portas e 
janelas, os bombeiros devem estar cientes que qualquer potencial resgate deverá 
ser facilmente executado através destas. 
À medida que os gases do incêndio, aquecidos, estão se movendo em 
direção às áreas de baixa pressão, a energia do fogo está puxando oxigênio 
adicional das áreas de baixa pressão. Com base na planta da edificação e nas 
aberturas de ventilação disponíveis (portas, janelas, etc.), pode haver vários 
caminhos para o fluxo de fumaça dentro de uma estrutura. Quaisquer operações 
conduzidas no percurso desse fluxo colocarão os membrosem risco significativo 
devido ao aumento do fluxo de calor e fumaça em direção à posição do bombeiro. 
A tática de controle ou fechamento de pontos de ventilação de uma edificação 
limita o oxigênio no espaço, assim reduzindo o desenvolvimento do fogo, a taxa de 
liberação de calor e a produção de fumaça, assim limitando o movimento das 
massas de calor e fumaça da área do foco para o exterior e para outras áreas dentro 
do edifício. 
Outro processo de confinamento do incêndio está em assegurar que a porta 
de entrada que fornece acesso à área do incêndio é controlada e mantida fechada. 
Contudo deve-se tomar medidas para evitar que a porta fique travada atrás dos 
bombeiros que entram. Controle de abertura de portas também limita o 
desenvolvimento do fogo, controlando o caminho do fluxo de ar. 
CORPO DEBOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
178 
 
Os bombeiros devem ter conhecimento sobre as características construtivas 
das edificações e seus possíveis sistemas preventivos. O problema do confinamento 
de um incêndio num prédio público, industrial, comercial ou em prédios de 
apartamento poderá ser grandemente simplificado se os bombeiros tiverem um 
conhecimento adequado de sua construção, ocupação e conteúdo. Munido de um 
Pré-Planejamento, um comandante pode verificar, rapidamente, todos os fatos 
essenciais pertinentes a uma determinada edificação (CBMGO, 2017). 
 
14.6 Prioridades táticas gerais 
As prioridades táticas gerais identificam três objetivos, de maneira geral, que 
devem ser completados para estabilizar qualquer situação. Essas prioridades 
também estabelecem a ordem em que esses objetivos devem ser realizados. 
 Eles devem ser considerados como atividades separadas, embora inter-
relacionadas, que devem ser tratadas em ordem. O Comandante da Operação não 
deve avançar para a próxima prioridade até que o objetivo atual tenha sido concluído 
ou recursos suficientes tenham sido alocados para tal. 
As prioridades táticas gerais são: 
 
CORPO DEBOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
179 
 
 
Figura 94. esquema didático 
Fonte: Manual de combate a incêndioCBMGO,2017 
 
14.6.1 Diagrama dos objetivos táticos 
 
CORPO DEBOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
180 
 
Figura 95. esquema didático 
Fonte: os autores, 2018. 
 
Este diagrama busca facilitar a compreensão do que é mais importante nesta 
seção, e é a base para qualquer gerenciamento eficiente de uma operação de 
combate a incêndio,a compreensão de como procurar sequenciar o cumprimento 
dos objetivos, para que as prioridades táticas sejam executadas de maneira 
satisfatória. 
Faz-se necessário partir da premissa de que tudo está na perspectiva de um 
combate a incêndio, ou seja, desde o pré-planejamento (ainda no quartel) até a 
desmobilização e o regresso para a unidade. Logo, os termos utilizados são para 
denominar objetivos que exigirão o emprego de uma determinada tática a fim de que 
tal propósito seja atingido. 
Horizontalmente (da esquerda para a direita): a compreensão do tempo, 
quando, dentro das possibilidades, o objetivo deve “começar” e “terminar”. 
Exemplo: a segurança deve ser uma preocupação constante em todas as 
operações, seja de combate a incêndio ou não, inclusive, como já foi destacado, o 
próprio ato de se preparar através dos treinamentos já consiste em algo que 
influencia diretamente na segurança das operações, assim como o retorno para a 
unidade com todos os componentes da guarnição utilizando o cinto de segurança 
das viaturas. 
Verticalmente (de cima para baixo): a compreensão da sequência prioritária 
(ideal) do cumprimento dos objetivos. 
Em algumas ocasiões por algum motivo circunstancial, o Comandante da 
Operação julgará necessário “pular” um objetivo (exemplo: executar um 
“SALVAMENTO” por uma janela, sem que seja estabelecido um “ACESSO 
ADEQUADO - segurança”), mas assim que possível o comandante deverá 
determinar, se for o caso, que tal objetivosejacumprido.Em outras operações 
simplesmente não haverá necessidade de cumprir determinados objetivos, por 
exemplo, quando não há vítimas no interior da edificação em chamas, ou seja, o 
salvamento não será executado. 
Retângulos (com os objetivos): Visa facilitar a organização do diagrama. Não 
deve ser confundido com um limiteentre os objetivos(onde um começa e outro 
termina), tendo em vista a natureza dinâmica (objetivos diferentes sendo “atacados” 
CORPO DEBOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
181 
 
concomitantemente) da atividade. 
 
Por mais complexo que seja ilustrar essa dinâmica por escrito, vamos 
procurar fazê-lo com o seguinte exemplo. 
Situação: Incêndio no quarto de um apartamento no 3º pavimento de uma 
edificação residencial, com uma vítima na sacada da sala. 
 
Cronologia de objetivos: 
1º Momento) O Comandante de Operações percebeu que o estado da vítima 
era crítico e determinou que fosse estabelecida uma escada prolongável, pela 
equipe de Salvamento, para a retirada, o quanto antes, da vítima pela sacada 
(SALVAMENTO). Enquanto isso a guarnição de Combate a Incêndio deveria 
estabelecer os materiais, mas só iniciar o combate após autorização do comandante, 
tendo em vista que o Modo Ofensivo (tática de combate escolhida) poderia causar 
uma perturbação do equilíbrio térmico indesejada do ambiente, o que e, 
consequentemente, prejudicaria o salvamento (SEGURANÇA). 
 
 
 
Figura 96. Diagrama que ilustra o 1º Momento - Em azul estão destacados os objetivos a serem 
cumpridos nesta etapa 
Fonte: os autores, 2018. 
CORPO DEBOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
182 
 
 
2º Momento) Após a retirada da vítima e da guarnição de Salvamento da 
sacada, e recebendo o pronto do estabelecimento da guarnição de Combate a 
Incêndio, o Comandante estabeleceu a rota pela qual, a partir daquele momento, 
todo bombeiro envolvido deveria utilizar (ACESSO ADEQUADO). Também 
determinou o controle do incêndio (CONFINAMENTO). E em seguida o início do 
combate propriamente dito (EXTINÇÃO), com os cuidados necessários para a 
preservação do patrimônio (SALVATAGEM). Vale ressaltar que desde o início o 
Comandante de Operações mensurou que a quantidade de água disponível na 
viatura era suficiente para o combate (SUPRIMENTO DE ÁGUA). 
 
 
Figura 97.Diagrama que ilustra o 2º Momento - Em azul estão destacados os objetivos a serem 
cumpridos nesta etapa 
Fonte: os autores, 2018. 
 
Diagrama que ilustra o 2º Momento - Em azul estão destacados os objetivos a 
serem cumpridos nesta etapa. 
Note que: 
O acesso adequado foi estabelecido após o salvamento. 
CORPO DEBOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
183 
 
 
No final da operação alguns objetivos (e ramificações) não se fizeram 
necessários: EIR; Zona de Reabilitação/Unidade Médica; Busca; Proteção Contra 
Exposição*; e Ventilação Tática. 
Este exemplo, não muito distante do nosso dia a dia, ilustra como seria 
aplicado na prática a sequência de objetivos táticos a serem cumpridos e sua 
dinâmica. Quanto mais complexa a operação, provavelmente, maior o número de 
objetivos a serem cumpridos. 
IMPORTANTE: Caso seja necessário releia esta seção, pois é normal que ao 
ler a primeira vez os conceitos se tornem um pouco confusos e não fique claro o 
principal objetivo da seção que é organizar as prioridades a serem executadas em 
qualquer atividade de combate a incêndio urbano, buscando assim facilitar a 
“linguagem institucional” das operações, fazendo com que as atividades sejam 
sincronizadas o que torna possível aumentar não só a eficiência das operações, 
como a segurança da mesma. 
 
CORPO DEBOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
184 
 
ANEXO 01 - ORAÇÃO DO COMBATENTE URBANO. 
Senhor 
Vós que criastes os elementos 
Concedei-nos no calor dos combates 
A inteligência para avaliar 
A habilidade para combater 
A determinação para avançar 
E a coragem para o fogo vencerDai-nos também, Senhor 
A confiança e a certeza da vitória 
Mas se no fogo eu perecer, ó Deus 
Que o faça com honra 
E meus companheiros retornem para suas casas 
Para que minha morte não tenha sido em vão 
INCÊNDIO URBANO!que, após a difusão desta doutrina, até o presente momento 
nunca mais foram registradas mortes de bombeiros em combate a incêndio na 
Suécia. 
 
CORPO DEBOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
18 
 
2 TEORIA DA COMBUSTÃO 
Combustão é uma reação química na qual um material combustível reage 
com o comburente, produzindo energia, na forma de calor e luz. A reação necessita 
de um calor inicial, e se mantém de forma autossustentável, pois o calor produzido 
aquece o combustível ainda não queimado (reação em cadeia). 
 Os materiais são compostos por moléculas que possuem níveis de vibração e 
consequentemente estabilidade em suas formas e composições. Essa estabilidade 
molecular pode ser alterada a partir de fatores externos tais como alterações de 
temperatura, alteração de pressão, inserção de outras substâncias e etc. 
 
 
Figura 1. Molécula estável enquanto as condições externas são favoráveis 
Fonte:www.infoescola.com/quimica/molecula/ 
 
 Para o entendimento do funcionamento da combustão, criou-se o diagrama 
denominado Triângulo do fogo 
 
 
Figura 2. Triângulo do Fogo: Requisitos para ocorrência da combustão 
Fonte:brasilescola.uol.com.br/quimica/como-combater-um-incendio.htm 
 
 O triângulo do fogo trás de forma explícita os pré-requisitos para a existência 
CORPO DEBOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
19 
 
de uma reação de combustão. 
 Uma vez iniciada a combustão, a fonte inicial pode ser retirada. Toma-se 
como exemplo, a chama do isqueiro e um pedaço de tecido. Após o início da reação 
de combustão, a chama inicial ofertada para causar instabilidade molecular no 
combustível pode ser retirada que a combustão irá permanecer. 
 A esse processo de permanência ou melhor, auto sustentabilidade chama-se 
de reação em cadeia. Após iniciada a combustão, o fogo é representado pelos 
elementos do Tetraedro do Fogo. 
 
 
Figura 3. Elementos da combustão: Tetraedro do fogo 
Fonte:Manual básico de combate a incêndio CBMDF 
 
A reação em cadeia é o processo que une os três elementos, por isso a 
escolha do tetraedro como elemento representante. 
 Agora iremos ver de forma mais aprofundada um pouco mais sobre cada 
elemento da combustão. 
 
2.1 Calor 
O calor, fisicamente falando, é a transferência de energia térmica (energia 
cinética das moléculas) de um corpo para outro graças à diferença de temperatura 
entre eles. 
 
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Figura 4. Fluxo de calor 
Fonte:trabalhosparaescola.com.br 
 
 O calor flui sempre de um corpo de temperatura mais alta para um corpo de 
temperatura mais baixa, gradativamente, até que a temperatura dos dois seja igual 
(até atingir o equilíbrio térmico). Dizemos que o contato entre corpos de diferentes 
temperaturas, provoca um “Fluxo de Calor” até que os dois corpos estejam na 
mesma temperatura. 
 Fluxo de calor é a grandeza que mede a quantidade de calor (energia) que 
passa de um corpo para o outro, durante um tempo. Em outras palavras, é a 
“velocidade” com que o calor é transmitido. 
 O Fluxo de calor está diretamente relacionado com a área de contato entre os 
dois corpos. Quanto maior for a área de contato, maior será o fluxo de calor, e maior 
será a velocidade de troca de calor. 
 Um exemplo disso é o gelo de botequim: O mesmo é furado, para que 
aumente a superfície que “toca” a bebida. Dessa forma, a bebida é resfriada mais 
rápido. 
 
 
Figura 5. Gelo furado,área de contato maior permite gelar bebida mais rápido 
Fonte:www./h2frio.com.ar/ 
 
 O mesmo ocorre por exemplo com a madeira em pó. Sua área de contato 
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maior faz com que os grãos de madeira se aqueçam mais rápido, fazendo com que 
esse “pó de madeira” lançado no ar, pegue fogo tão rápido e fácil como um gás. 
 
 
Figura 6. Serragem- Madeira em pó 
Fonte:www.negociofeito.com.br 
 
 
Figura 7. Queima instantânea da serragem no fogo. Semelhante a um gás 
Fonte: autoria desconhecida 
 
 Temperatura: Significa o “grau” de agitação das moléculas. Quanto mais alta 
a temperatura, maior a agitação. Quanto mais “fornecemos” calor a um corpo, mais 
alta se torna sua temperatura. E quando um corpo “perde” calor, sua temperatura 
diminui 
 
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Figura 8. Movimento molecular 
Fonte:mundoeducacao.bol.uol.com.br 
 
2.1.1 Formas de transmissão do calor 
A transmissão de calor entre as moléculas de um mesmo corpo ou entre 
corpos distintos se dará de três formas e citaremos especificidades de cada uma: 
a. condução; 
b. irradiação; 
c. convecção; 
 
 Condução 
 É uma forma de transmissão de calor que ocorre em corpos sólidos. O corpo 
ou a área deste, em contato com a fonte ígnea tem um aumento do nível de agitação 
das moléculas (temperatura). Essa agitação vai se propagando molécula a molécula 
ao longo do corpo em contato. 
 
 
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Figura 9. Propagação de calor molécula à molécula ao longo do corpo 
Fonte: Manual de combate a incêndio CBMDF 
 
 A velocidade de propagação está ligada ao tempo de contato com a fonte, 
sua área de contato, e a resistência ao calor que aquele corpo possui. 
 Os materiais que possuem valores mais altos de condutividade térmica serão 
melhor condutores de calor em relação aos que possuem valores menores. 
 Observa-se que os metais possuem grande capacidade de condução de 
calor, por tanto estruturas metálicas, paredes que possuam metal em suas estrutura 
internas (concreto armado por exemplo) tendem a absorver e propagar o calor com 
grande facilidade. 
 Já materiais que possuam grandes quantidades de ar em suas estruturas 
tendem a não serem bons condutores visto que o ar é um excelente isolante térmico. 
Irradiação 
 É a transmissão de calor através de ondas eletromagnéticas. Cabe ressaltar 
que a radiação térmica é emitida em todas as direções, não necessitando de meio 
físico para sua transmissão (exemplo do sol que mesmo no vácuo sideral emite 
calor) No que tange a propagação de incêndios, a distância da fonte emissora do 
corpo receptor deve ser reduzida uma vez que o ar funciona como isolante térmico 
diminuindo assim o poder de emissão. 
 
 
Figura 10. Radiação térmica 
Fonte:Manual técnico de combate a incêndio CBMES 
 
 Quanto à irradiação, os principais atributos a serem lembrados num incêndio, 
são: 
a. todos os corpos emitem (inclusive corpos gasosos como a fumaça) 
b. é emitida em todas as direções 
c. seu efeito decai com o quadrado da distância no ar. 
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d. O 3º atributo citado da irradiação é o motivo de progredirmos ajoelhados (4 
apoios) num incêndio em compartimento. Um pouco que nos afastamos da fumaça, 
faz com que sua irradiação diminua ao quadrado. 
 
 Convecção 
 É a forma de transmissão de calor através dos fluidos aquecidos, sejam 
esses líquidos ou gases. 
 As moléculas que compõem o fluido que é aquecido devido a reação de 
combustão irão propagar calor para os outros materiais do ambiente. 
 O fluido quando aquecido tem o seu volume aumentado (o aumento de 
volume é uma das consequências do aumento de calor nos corpos). Em decorrência 
do seu aumento de volume, temos uma diminuição da densidade o que faz com que 
os fluidos quentes tenham uma tendência a subir (semelhante ao óleo na água), 
deixando um espaço vazio que é preenchido por uma porção de fluido mais denso 
(mais frio), até que este também se aquece. 
 A este efeito, damos o nome de correntes de convecção. Em caso de 
incêndio a fumaça que é produto da combustão é um excelente exemplo de 
propagação através da convecção. 
 
 
Figura 11. Convecção num incêndio.Fumaça sobe por densidade, propagando o calor 
Fonte: Manual técnico de combate a incêndio CBMES 
 
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2.1.2 Efeito do calor nos materiais 
O fornecimento de calor aos materiais produz os seguintes efeito: 
a. Aumento de temperatura nos corpos: Ao receber calor (energia térmica) o 
primeiro efeito gerado nesse corpo, é a maior agitação de suas moléculas. 
Gradativamente, esse aumento de agitação irá explicar os outros efeitos; 
b. Secagem: Os materiais na atmosfera têm a tendência de absorver a umidade 
do ar. Conforme aquecemos um corpo, essa água que se encontra absorvida nos 
corpos funciona como um lastro térmico, absorvendo expressiva quantidade de calor 
enquanto o corpo seca; 
c. Aumento de Volume: Com o aumento da temperatura, ocorre o fenômeno da 
dilatação térmica em sólidos, aumentando um pouco o seu volume. No caso de 
fluidos gasosos, esse aumento é mais expressivo; 
d. Diminuição da densidade: Nos gases, com o aumento de temperatura, o 
volume aumenta bastante, ocasionando o efeito da diminuição da densidade dos 
gases aquecidos, fazendo com que estes “subam” em relação à porção gasosa mais 
fria, que desce. Esse efeito provoca a transmissão por convecção; 
e. Mudança de estado físico: Ao atingir determinada temperatura, as moléculas 
não suportam mais se manter no mesmo estado físico, pois sua vibração vai ficando 
cada vez mais forte até o ponto em que as forças de atração das moléculas não 
conseguem “segurá-las” próximas. Os corpos podem fundir (caso de sólidos 
derretendo) ou evaporar (no caso de líquidos fervendo). Essa mudança ocorre sem 
mudar a composição química do material, visto que se houver o processo inverso 
(resfriamento), o material volta ao estado físico anterior (ex: vapor d’água 
condensando ou água congelando); 
f. Mudança de Estado Químico (TERMÓLISE): Alguns materiais, ao atingir 
determinada temperatura, alteram sua estrutura molecular através de reação 
química provocada pelo calor. As moléculas se “quebram” em “pedaços” de 
moléculas menores, se desprendendo em forma de vapores. Chamamos também de 
“degradação térmica” ou “decomposição térmica”; 
g. Os materiais combustíveis sólidos sofrem termólise antes de pegar fogo, e 
são os vapores da termólise que dão origem à chama 
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2.1.3 Pontos notáveis do calor 
O calor gera diversas alterações nos combustíveis, entre ela a degradação 
térmica e a liberação de vapores combustíveis. 
 A interação desses vapores combustíveis junto ao oxigênio dará início ao 
fenômeno da combustão. 
 Alguns combustíveis vão necessitar de muito mais energia para liberar 
vapores do que outros. 
 Outro ponto importante nesse aspecto é se a quantidade de vapores 
termólise é suficiente para manter uma combustão e a reação se manter de forma 
autossustentável ou não. 
 Após análises, estudiosos chegaram a 3 pontos básicos que são de grande 
importância para o estudo da combustão e cada substância terá os seus próprios 
pontos e temperaturas: ponto de fulgor, ponto de combustão e ponto de ignição. 
 Ponto de fulgor é a temperatura mínima necessária para que determinado 
combustível comece a se degradar a ponto de liberar vapores combustíveis em 
proporção suficiente para quando ofertada a presença de uma fonte ígnea a 
combustão se inicie,porém, a queima desses vapores ainda não energia o suficiente 
para que a reação se mantenha de forma autossustentável (ainda não há reação em 
cadeia). Dizemos aqui, que reunimos os elementos do triângulo do fogo. 
 Ponto de combustão é a temperatura mínima necessária para que tenha-se 
produzida a proporção suficiente de vapores de termólise para manter uma 
combustão quando ocorrer a presença de uma fonte ígnea. 
 Quando se atinge o ponto de combustão, diferentemente do ponto de fulgor, 
após a retirada da fonte de calor, a reação química se manterá de forma auto-
sustentável, pois as taxas de combustível já fornecem quantidade de energia capaz 
de suprir e manter a combustão. 
 Ponto de ignição é a temperatura onde a termólise é de tal forma violenta, 
que ela mesma produz energia enquanto ocorre (fase exotérmica da termólise), 
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27 
 
aumentando a temperatura sem necessidade de fonte externa. Isso provoca com 
que o combustível sólido entre em ignição sem necessidade de fonte ígnea. 
 
2.2 Combustível 
É toda substância capaz de entrar em combustão (queimar). 
 Os combustíveis podem ser divididos de acordo com seus estados físicos: 
a. sólidos (madeira, tecidos, papel, etc); 
b. líquidos (gasolina, álcool, querosene, etc); 
c. gasosos (GLP, GNV, acetileno, etc). 
 
 Cada grupo é dividido de acordo com os seus estados físicos, possuindo 
características similares, estudaremos separadamente cada uma delas: 
 
 Combustíveis sólidos 
 Os combustíveis sólidos de maneira geral não entram em combustão em 
seus estados físicos normais, é necessário que estes se aqueçam primeiro, 
termolisem, e depois entrem em combustão. 
 Um ponto de grande importância quando se fala de combustão de 
combustíveis sólidos é a questão superfície-massa (área de contato). Quanto maior 
for a área exposta, consequentemente maior será o fluxo de calor, e mais rápida se 
dará a combustão. Dessa forma concluímos que quanto mais particularizado estiver 
o combustível, maior será a velocidade de reação, podendo chegar a níveis 
praticamente instantâneos como gases explosivos (por exemplo grãos em 
suspensão). 
 
 Combustíveis líquidos 
 A maior parte dos Combustíveis líquidos, diferentemente dos sólidos, não 
sofrem decomposição térmica ao serem expostos ao calor. Os líquidos inflamáveis 
desprendem vapores de si mesmos à temperatura ambiente, não havendo 
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necessidade de aquecimento e termólise. Dizemos que os líquidos sofrem 
vaporização. 
 As moléculas dos combustíveis permanecem quimicamente iguais tendo uma 
alteração de estado físico. O processo de vaporização favorece a mistura gasosa 
com o oxigênio criando um ambiente altamente propício a combustão. 
Líquidos são considerados inflamáveis quando liberam vapores combustíveis em 
temperaturas abaixo de 37,8°C. Dizemos na prática, que líquidos inflamáveis liberam 
vapores à temperatura ambiente, produzindo atmosferas classificadas como de 
risco. 
 
 Combustíveis gasosos 
 Os gases são substâncias que se apresentam no estado gasoso em 
condições normais de temperatura e pressão, diferentemente dos vapores que em 
temperaturas normais se apresentam sob a forma física líquida ou sólida. 
 Os gases não necessitam se decompor para reagir com o oxigênio, bastando 
apenas estarem dentro de uma faixa certa de concentração que permita a reação 
com o comburente. 
 O combustível gasoso por tanto apresentará um limite superior de 
inflamabilidade (L.S.I) e um limite inferior de inflamabilidade (L.I.I). Os limites são as 
concentrações máximas e mínimas necessárias de gás em relação ao ambiente 
para que haja uma mistura combustível. 
 Caso a concentração de gás seja maior que o L.S.I diz-se que a mistura está 
rica e não há combustão. 
 Caso a concentração de gás seja menor que o L.I.I diz-se que a mistura está 
pobre e não há combustão. 
 
2.3 Comburente 
O ar que respiramos é composto aproximadamente de78% de Nitrogênio, 
21% por oxigênio e 1% de outros gases. 
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29 
 
 O comburente é o elemento que reage com o combustível. Na maioria das 
vezes o agente que atua como comburente é o oxigênio. 
 Contudo o oxigênio não é o único comburente que existe na natureza e em 
ambiente com ausência de oxigênio pode haver combustão, desde que existam 
outras substâncias que atuem como comburente, como o gás cloro. 
 Alguns combustíveis misturados com oxidantes químicos podem liberar 
oxigênio, por exemplo o Nitrato de potássio. 
 Emambientes compartimentados onde a demanda as atmosférico é 
restrita e consequentemente a de oxigênio também, as variações de quantidade de 
comburente pode influenciar na reação. 
 Vejamos: entre 14% e 8% a reação torna-se mais lenta (combustão lenta) 
e abaixo de 7% não há combustão. 
 
2.4 Tipos de combustão 
a. Quanto a velocidade 
- Combustão viva 
 A combustão viva é caracterizada pela presença de chamas, grande fluxo de 
calor é gerado. 
 Vale ressaltar que só há combustão viva quando houver gás ou vapor 
queimando. 
 Quando existe a presença de chamas, via de regra (salvo quando o oxigênio 
não é o comburente ou quando o incêndio está próximo do flashover) os níveis de 
oxigênio no ambiente estão em taxas superiores a 14%. 
 
- Combustão lenta 
 Tem como principal característica a presença de brasas (incandescência) e a 
ausência de chamas. Um ponto importante é não confundir combustão lenta com 
reação lenta que na verdade é a deterioração gradual do material, de forma muito 
lenta e quase imperceptível, a exemplo temos o processo de oxidação de metais 
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30 
 
(ferrugem). 
 
b. Quanto à liberação de produtos: 
 A combustão pode ser divida como completa ou incompleta. 
 
- Combustão completa 
 A combustão completa é aquela em que o combustível aquecido reage 
completamente como comburente não gerando outros elementos senão dióxido de 
carbono e água; são reações químicas raras em casos de incêndio. 
 
- Combustão incompleta 
 É a combustão que libera resíduos que não foram totalmente consumidos 
pela queima. 
 Esses resíduos na maioria das vezes tornam-se compostos intermediários 
que são reativos. Geralmente os compostos não consumidos (compostos 
intermediários, radicais livres etc) irão apresentar-se junto a fumaça, tornando a 
fumaça em alguns incêndios altamente combustível. 
 
2.5 Tipos de chamas 
As chamas podem ser de dois tipos e vão variar de acordo com forma de 
mistura entre o combustível e o comburente. 
 Para tanto torna-se necessário que abordemos a zona de reação, ou seja, o 
local onde ocorre a mistura entre o combustível e o comburente. 
 Podem ser classificadas em: 
a. chamas difusas; 
b. chamas pré-misturadas; 
 
 Chamas Difusas 
 São as chamas onde a mistura entre o combustível e o comburente se dão no 
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31 
 
mesmo local da zona de queima. 
 O combustível e o comburente são transportados por processos de difusão 
(onde um elemento se move de um local de alta concentração para outro de baixa) e 
se as concentrações estiverem assim como o calor em condições ideais haverá a 
combustão. 
 
 
Figura 12. Chama difusa 
Fonte: Manual de combate a incêndio CBMDF 
 
 Nesses casos a chama, geralmente possui uma coloração mais azulada 
próxima a base, devido a boa mistura feita entre combustível e comburente além do 
combustível ter a presença de cadeias combustíveis mais alongadas. 
 Já a ponta da chama, geralmente possui uma coloração mais amarelada, isso 
se dá pela grande presença de carbono em composições mais simples (devemos 
relembrar que na base da chama as composições moleculares são mais complexas 
e a medida que o combustível vai sendo consumido, vai se tornando mais simples) 
que fornece grande energia luminosa. 
 
 
Figura 13. Chama Difusa, reação só ocorre na fronteira entre vapores e o oxigênio, semelhante a 
uma casca 
Fonte:www.velascocar.com.br 
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32 
 
 
 As chamas difusas são as mais comuns, produzem mais luminosidade, porém 
devido à grande diferença entre as densidades do combustível e do comburente, 
são criadas áreas com divergências de pressão e correntes de convecção por isso 
são mais instáveis. 
 Geralmente as chamas difusas promovem a grande criação de resíduos 
(fuligem e fumaça negra), o principal fator é a perturbação da ponta da chama, que 
pode ser causada pela presença de anteparo, capa térmica ou pelas próprias 
correntes convectivas. 
 
 Chamas pré mistura 
 São as chamas onde a mistura entre o combustível e o comburente se dão 
em locais diferentes da zona de queima. 
 Nesses casos a zona de queima não necessita ter a presença de 
comburente, uma vez que o mesmo já foi misturado com o combustível. 
 Têm como características o baixo índice de resíduos, o alto poder calorífico, 
chama estável e com o corpo geralmente azulado. 
 Exemplos: Bico de Bunsen, as chamas de fogão, etc. 
 
 
Figura 14. Chama Pré-Misturada. Sua mistura ar/combustível ocorre antes da área de reação 
Fonte:www.agracadaquimica.com.br 
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33 
 
3 TEORIA DO DESENVOLVIMENTO DE INCÊNDIOS 
Para entendermos a dinâmica e a evolução de um incêndio em estruturas, 
primeiro precisamos entender o incêndio ao ar livre e suas peculiaridades: 
 
 
 
Figura 15. Dinâmica do incêndio ao ar livre 
Fonte: os autores, 2018 
 
 Como foi visto anteriormente, existem três formas de transmissão do calor 
(condução, irradiação e convecção). Independentemente do tipo de fogo ou 
incêndio, as três formas de transmissão vão ocorrer nas mesmas proporções, ou 
seja, cerca de 70% desse calor é liberado pela convecção, e os demais 30% 
liberados pela irradiação e pela condução. 
Pela diminuição da densidade dos gases e vapores da combustão, eles 
sobem devido à tendência a verticalização que possuem. Por não encontrarem 
nenhum tipo de obstáculo, esses produtos gasosos (fumaça) acabam se dissipando 
na atmosfera e, juntamente com eles, a energia que está sendo transportada. 
Dessa forma a energia liberada pela convecção é levada pela fumaça para 
longe dos combustíveis ainda não atingidos pelo fogo. Assim, percebe-se que há 
pouca ou nenhuma influência da convecção na transmissão desse calor 
(considerando plano o terreno em que este combustível está, e analisando este 
incêndio de maneira particular, sem considerar consequências de outras variáveis, 
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34 
 
como incêndios florestais). 
3.1 Os incêndios em estrutura 
E quando o incêndio acontece limitado por uma estrutura (paredes e teto)? 
Vamos perceber que a estrutura em si tem papel fundamental no desenvolvimento 
desse incêndio. 
 Imagine que um morador saiu de casa e esqueceu um resistor elétrico (um 
ferro de passar roupa, por exemplo) sobre o carpete, no chão. Sabe-se que 
conforme a temperatura sobe, as moléculas do material combustível se agitam cada 
vez mais. Com esse aumento de agitação, as moléculas de água contidas na 
composição do material começam a ser liberada na forma de vapor. Esse fenômeno 
é conhecido como secagem e pode ser observado através de uma fumaça bem 
clara e pouco densa que se desprende da superfície do material. Nesse momento, 
em razão justamente da alta concentração de vapor de água, no momento da 
secagem as chamas não sobem pela coluna se vapor que se formou. 
 Diz-se então que incêndio se encontra da sua fase inicial. Nessa fase, as 
características do incêndio vão variar de acordo com as características do 
combustível. Por exemplo, se o combustível estiver muito úmido, as chamas terão 
mais dificuldade de crescer (já que a secagem vai demorar mais a terminar); outro 
exemplo é um incêndio em que os materiais combustíveis se degradam com mais 
facilidade; ele vai ter um crescimento das chamas mais acentuado do que uma 
estrutura em que todo o combustível é madeira bruta. Por isso, é dito que na fase 
inicial um incêndio está limitado pelo combustível. 
 
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Figura 16. Fase inicial, limitada pelo combustível 
Fonte: autoria desconhecida 
 
 Conforme o tempo passa, a temperatura do material continua aumentando, 
consequentemente suas moléculas ficam cada vez mais agitadas. Conformea 
quantidade de vapor de água vai diminuindo, inicia-se o processo de termólise, ou 
seja, as moléculas começam a se quebrar em partes menores e mais simples em 
forma de vapores, porém instáveis, devido ao calor. Todos esses vapores (vapores 
combustíveis e vapor d’água), devido a diferença de densidade, sobem através da 
convecção. Estes produtos gasosos sobem aquecidos (levando 70% do calor 
produzido) e são retidos pelo teto. Após encontrarem o teto, eles passam a se 
deslocar lateralmente. Esse será o movimento dos gases e vapores durante toda o 
desenvolvimento do incêndio. 
 Na fase inicial, a fumaça ainda é laminar na sua parte inferior, ou seja, ela é 
calma. Essa fumaça ainda é rala e clara. Ainda assim, já é possível verificar que ela 
se acumula próximo ao teto. Seu deslocamento é lento devido à baixa temperatura. 
 Esse comportamento contido da fumaça leva a uma situação em que da parte 
exterior da estrutura o incêndio ainda é pouco visível. 
 Enquanto o tempo passa, as chamas aumentam. A quantidade de energia 
transmitida aumenta conforme a combustão se torna mais intensa. As chamas 
sobem cada vez mais pela coluna de gases e vapores. Com as chamas mais altas, a 
irradiação térmica aumenta. 
 Os combustíveis ao redor do foco inicial se aquecem e começam seus 
processos de secagem e termólise. Esses produtos desprendidos também se 
acumulam próximo ao teto. 
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36 
 
 A partir do momento em que as chamas tocam no teto, podemos dizer que se 
inicia a transição da fase inicial para a fase de desenvolvimento. Nesse momento, a 
perturbação da ponta da chama difusa inicia a produção de fumaça negra. 
 
 
Figura 17. Transição entre as fases inicial de desenvolvimento 
Fonte: autoria desconhecida 
 
 Deve-se lembrar que com as chamas altas a irradiação térmica é bem alta, o 
que ocasiona ainda mais desprendimento de vapores nos materiais ao redor, e cada 
vez mais material, principalmente vapores combustíveis se acumulam próximo ao 
teto. 
 Esse acúmulo de fumaça que existe desde o início do incêndio forma uma 
camada que se chama de capa térmica. 
 A capa térmica é a camada de produtos da combustão que se acumula na 
parte mais alta do cômodo e cresce de cima para baixo. A superfície da capa 
térmica que toca a zona de ar livre(costuma-se dizer que é a fronteira entre a capa 
térmica e a zona de ar livre) chama-se plano neutro. 
 O plano neutro também pode ser visto como a zona de reação da capa 
térmica com o oxigênio. 
 
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37 
 
 
 Esta capa térmica é formada pelos produtos da combustão incompleta e por 
vapores combustíveis que foram desprendidos dos combustíveis sólidos e não foram 
consumidos pela combustão. Esse fato deve ser sempre observado porque a partir 
dessa ideia fica perceptível que a fumaça é combustível, ou seja, ela própria, se 
estiver na temperatura correta e na concentração correta de oxigênio, entrará em 
combustão. 
 Quando se encerra o processo de secagem de todos os combustíveis ao 
redor do foco inicial, o incêndio entra na sua fase de desenvolvimento. Na fase de 
desenvolvimento o combustível perde protagonismo no incêndio. Na fase de 
desenvolvimento o incêndio está limitado pela ventilação. Isso significa que as 
características e a quantidade de oxigênio ofertada ao fogo determina as 
características do incêndio. Por exemplo, quanto mais ventilado o incêndio, mais alto 
o plano neutro vai se estabilizar e mais altas serão as chamas; se o ambiente é 
pouco ventilado, o plano neutro se estabiliza baixo e as chamas se mantém 
pequenas. 
 Ao se observar o foco na estrutura, vê-se que no ponto imediatamente acima 
do foco (na capa térmica) forma-se uma zona de pressão positiva, graças ao 
recebimento do fluxo de compostos gasosos chegando naquele ponto, e de maneira 
oposta, nos pontos ao redor da base do foco, temos zonas de pressão negativa. 
 Essa zona de pressão positiva no interior da capa térmica “empurra” os 
compostos gasosos de sua periferia, e isso faz com que a capa térmica se 
movimente na direção contrária a direção do foco (dizemos que a fumaça foge do 
foco). Por isso, dentro de uma estrutura, para encontrar o foco, deve-se seguir o 
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caminho contrário ao caminho do fluxo de fumaça. 
 
 
Figura 18. Movimentação da fumaça e feedback radiativo 
Fonte: Imagem alterada pelos autores, 2018 (autoria original desconhecida) 
 
 Como foi dito mais acima, não se pode ignorar que esses produtos da 
combustão que formam a capa térmica são, na realidade, a convecção gerada pela 
combustão. Essa convecção, sabemos, que carrega 70% da energia liberada pela 
combustão, é transportada até a capa térmica. A capa térmica, por sua vez, se 
locomove pela estrutura carregando toda essa temperatura. 
 Relembrando os conhecimentos já adquiridos sobre a irradiação térmica, 
sabe-se que todo corpo emite radiação e que ela é emitida para todos os lados. 
Como a capa térmica está aquecida, ela redistribui esse calor pela estrutura através 
da irradiação térmica, aquecendo todos os combustíveis no seu caminho. Esse 
processo de “retorno” da energia (da capa térmica para os combustíveis presentes 
na estrutura) é denominado de feedback radiativo. 
 Esse aquecimento dos combustíveis gera sua degradação (secagem e 
termólise), e seus produtos enchem a capa térmica, que se torna mais densa, 
espessa e combustível. 
 Dentro da estrutura os gases se dispõem em camadas, de acordo com sua 
temperatura. O ponto mais alto da estrutura é aquele que se encontra com mais 
energia (maior temperatura). Por outro lado, o ponto de menos temperatura está 
próximo ao chão. As temperaturas estão, então, distribuídas dessa forma no 
compartimento: quanto mais alto, maior a temperatura. A esta divisão da 
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temperatura é dado o nome de estratificação térmica, ou balanço térmico. 
 
 
Figura 19. Flame Over, Ignição da fumaça que sai da janela 
Fonte: Imagem alterada pelos autores, 2018 (autoria original desconhecida) 
 
 Suponha-se que determinada camada da capa térmica tenha alcançado seu 
ponto de ignição. Sabe-se que o interior da capa térmica é uma zona sub oxigenada, 
pode-se dizer que nessa região não existem os três requisitos da combustão, já que 
falta o oxigênio.Logo, apesar da temperatura, essa fumaça não entrará em 
combustão. 
Essa fumaça vai se locomover aquecida, aguardando apenas seu contato 
com o comburente. Se ela encontrar uma abertura para o exterior estrutura, ela 
chegará ao lado de fora e encontrará o comburente, fechando o triângulo. 
 Quando a capa térmica na sua temperatura de ignição vaza para o exterior da 
estrutura e entra em ignição ao se misturar com o oxigênio externo, acontece o que 
se chama de flame over. 
 O flame over se apresenta como uma “língua de fogo” que acontece apenas 
da abertura para fora. 
 Dentro da capa térmica também poderão adentrar bolsões de ar contendo 
oxigênio. Esses bolsões podem ser formados pela própria turbulência da fumaça, 
que “fagocita” partes de ar frio, ou pela injeção de ar em seu interior por alguma 
fresta ou abertura. Nesses bolsões também haverá alguma quantidade de fumaça 
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misturada. Dentro desses bolsões, portanto, caso exista energia o suficiente (ou 
seja, temperatura alta o suficiente), haverá a combustão do mesmo. 
 A combustão que ocorre dentro desses bolsões de ar que estão na capa 
térmica chama-se de ghost flames. Os ghostflames são percebidos através de 
clarões alaranjados no interior da capa térmica, apesar de, na prática, ser difícil de 
observá-los. 
 
 
Figura 20. Flame Over, Ignição da fumaça que sai da janela 
Fonte: Imagem alterada pelos autores, 2018(autoria original desconhecida) 
 
 Devido à estratificação térmica, a primeira porção de fumaça a atingir o seu 
ponto de ignição será aquela mais próxima ao teto. No entanto, a ausência de 
oxigênio não permite que esta porção entre em ignição. Aos poucos, camadas mais 
baixas da capa térmica vão aumentando de temperatura até atingir seus pontos de 
ignição. 
 Em determinado momento, o próprio plano neutro vai atingir seu ponto de 
ignição. Quando isso acontecer, chamas surgirão no plano neutro. A essas chamas 
que passam no plano neutro denomina-se de rollover. O roll over é, portanto, a 
ignição da capa térmica no plano neutro, que passa a ser a zona de reação. 
 
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Figura 21.Roll over no corredor 
Fonte: Imagem alterada pelos autores, 2018 (autoria original desconhecida) 
 
 
 Figura 22.Roll over 
Fonte: Imagem alterada pelos autores, 2018 (autoria original desconhecida) 
 
 Com a ocorrência do roll over, o feedback radiativo fica ainda mais alto. 
Dizemos que no momento em que o roll over ocorre, por onde ele passa, o feedback 
radiativo é máximo. 
 Com o aumento da irradiação de calor pela fumaça (feedback radiativo), os 
combustíveis sólidos presentes na estrutura passam então a receber um fluxo maior 
de energia. Esse maior fluxo de energia faz com que esses materiais termolisem 
mais ainda, liberando uma quantidade ainda maior de vapores combustíveis, que 
sobem para a capa térmica. 
Essa capa térmica, que está extremamente aquecida fica ainda mais 
combustível e mais cheia, o que faz o plano neutro descer ainda mais, aumentando 
a sua proximidade com os combustíveis, o que aumenta o feedback radiativo. 
Estabelece-se, então, condições de altíssima produção de energia e liberação de 
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vapores combustíveis. 
 As condições estabelecidas a partir desse momento são de alta 
combustibilidade, altas temperaturas e grande fluxo de energia. Essas 
características, que foram proporcionadas pelo roll over, podem gerar o fenômeno 
da generalização repentina do incêndio em todos os combustíveis presentes caso a 
concentração de oxigênio esteja adequada ou caso o oxigênio seja injetado nessa 
fase.Chama-se essa generalização instantânea de flashover. 
 Conforme aumenta a taxa de liberação de calor,seja esse aumento provocado 
por um rolloveroupor que vários combustíveis sólidos atingiram sua temperatura de 
ignição ao mesmo tempo, todos os materiais presentes em um cômodo entram em 
ignição. Tanto a capa térmica quanto os combustíveis sólidos passam a pegar fogo 
ao mesmo tempo, iniciando, então próxima etapa da evolução de um incêndio: a 
fase de pleno desenvolvimento. 
 São várias as condições determinantes para a ocorrência do flashover. Em 
geral, a temperatura da capa térmica deve ser de aproximadamente 600 ºC 
[temperatura de ignição do carbono (fuligem)] ou então o fluxo de calor deve ser de 
15-20 kW/m2, o que causa a ignição dos vapores provenientes da 
degradação(termólise)dos combustíveis sólidos. 
 
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Figura 23.Flashovervisto de dentro da estrutura 
Fonte: http://news.lifesafetyservices.com/blog/safe-from-flashover-thanks-to-passive-
fireprotection, acesso em janeiro de 2019 
 
 Nos momentos que antecede ou em que ocorre o flashover, o aumento da 
temperatura do ambiente gerará um aumento de pressão repentino, que será maior 
quanto mais próximo estiver do foco principal. Além dessa sobrepressão, a mudança 
brusca de temperatura ocasionará a quebra das janelas de vidro devido ao 
aquecimento irregular das suas estruturas e consequente dilatação irregular (a face 
voltada para dentro de aquece e se expande mais do que a parte do vidro voltada 
para fora). 
Dessa forma, o som da quebra generalizada de janelas e o aumento da 
pressão interna do ambiente (indicativos que serão abordados mais adiante) indicam 
que ocorreu ou em breve ocorrerá a generalização do incêndio. 
 
http://news.lifesafetyservices.com/blog/safe-from-flashover-thanks-to-passive-fire-%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20protection
http://news.lifesafetyservices.com/blog/safe-from-flashover-thanks-to-passive-fire-%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20protection
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Figura 24.Flashover e a consequente quebra de janelas 
Fonte: http://www.local1259iaff.org/flashover.html, acesso em dezembro de 2018 
 
 Outro fenômeno de comportamento extremo do fogo é o flashfire. Quando um 
cômodo fica fechado, após as chamas consumirem o oxigênio e a concentração 
deste ficar abaixo de 14%, não haverá mais chama e, portanto, não haverá a 
produção de fumaça preta. Com menos de 14% de oxigênio no ambiente, há o 
predomínio da combustão lenta – brasas. A fumaça produzida pelas brasas é clara, 
de coloração cáqui. Essa fumaça vai sendo produzida no cômodo e fica 
acumulando-se aumentando a pressão dentro do cômodo. 
Esse excesso de pressão expulsa fumaça pelas frestas das portas. A fumaça 
expulsa para um cômodo adjacente acumula-se. Apesar de clara, ela é combustível, 
http://www.local1259iaff.org/flashover.html
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visto que é composta por vapores da termólise dos materiais de dentro do cômodo. 
Quando a porta do cômodo sinistrado for aberta, as chamas podem reiniciar e 
alcançar a fumaça que vazou para o cômodo adjacente causando a ignição dessa 
fumaça no cômodo adjacente. 
 O mesmo pode acontecer se o calor por condução passar para um cômodo 
adjacente ao cômodo sinistrado ao ponto de iniciar a termólise de materiais nesse 
cômodo e a fumaça da termólise acumular-se nesse cômodo. 
 Há, no entanto, uma possibilidade de evolução alternativa do incêndio. 
Algumas condições devem ser respeitadas para que ocorra o flashover. Para que 
ele ocorra, a taxa de degradação dos combustíveis sólidos deve ser maior do que a 
capacidade das chamas de consumi-los, bem como sua temperatura deve ser alta o 
suficiente. Além disso deve haver necessariamente uma fonte constante de 
alimentação de oxigênio, mantendo a concentração dentro dos limites de 
inflamabilidade da fumaça. 
 Se existe uma grande concentração de combustível, mas não há uma capa 
térmica capaz de se formar e transmitir o feedback radiativo, irradiando temperatura 
o suficiente para a estrutura, a possível que esse incêndio atinja seu 
desenvolvimento completo sem a ocorrência de um flashover. 
 Segundo o Manual Técnico de Combate a incêndio do CBMER, “durante a 
fase de desenvolvimento completo é onde existe a maior taxa de liberação de 
energia do incêndio. A temperatura média dos cômodos fica entre 700 e 1500 ºC, 
dependendo das características dos combustíveis presentes. Esta fase do incêndio 
é caracterizada pela maior quantidade de liberação de energia, estando o incêndio 
limitado pela disponibilidade de combustível e comburente”. 
 No decorrer do incêndio é inevitável que, em algum momento, a combustão 
venha a decair. Chama-se essa fase de fase de decaimento. O decaimento pode se 
dar por duas razões: pelo exaurimento do combustível (que é a melhor das 
situações), ou pelo exaurimento do comburente. Quando há o exaurimento do 
comburente, dizemos que este incêndio está incubado. 
 Se não existe uma alimentação constante de oxigênio e há a ocorrência de 
chamas, deve-se ter em mente que as chamas diminuirão conforme a taxa de O2 no 
ambiente diminui. No entanto, para que a termólise ocorra, não é necessário 
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presença de comburente, de forma que mesmo que as chamas se apaguem, os 
vapores combustíveis continuarão a ser liberados, o que deixará o ambiente cada 
vez mais combustível, ainda que sem chamas. 
 Conforme a concentraçãode oxigênio cai no ambiente, as chamas diminuem. 
 Ao ficarem abaixo de 14%de concentração,a queima viva cessa e passa-se 
para a fase de queima lenta (brasas). Ainda que as chamas se apaguem, a 
temperatura no ambiente continua muito alta. Vapores combustíveis continuam 
sendo liberados, o que torna essa fumaça cada vez mais combustível. 
 Com as chamas diminuindo ao ponto de se tornarem brasas, para-se de ouvir 
o crepitar das chamas. A ausência de chamas também gera a interrupção da 
formação de fumaça negra, já que a fumaça negra é produzida pela perturbação da 
ponta da chama difusa; isso gera a mudança e cor da fumaça, que tende a ficar 
cáqui/amarelada. Pode-se perceber também que essa fumaça, devido a sua 
temperatura, sai do ambiente extremamente veloz e pressurizada. 
 Esse comportamento pode gerar sons similares a assobios ou sibilos na sua 
saída por aberturas quaisquer. Em razão da quantidade de vapores combustíveis, 
essa fumaça é muito densa. Esses vapores combustíveis presentes na fumaça, ao 
tocarem superfícies mais frias (como os vidros) se condensam, mas devido à sua 
natureza polimérica, como uma espécie de óleo negro, formando uma condensação 
oleosa. 
 Outro aspecto importante é que no tempo decorrido até a incubação do 
incêndio, existe tempo o suficiente para que a porta se degrade mesmo na sua parte 
externa. Essa degradação é visível pela termólise da porta, derretimento de verniz, 
bolhas e rachaduras da tinta etc. Vale lembrar que o incêndio pode não demonstrar 
todos esses sinais ao mesmo tempo. Até mesmo somente um deles pode ser visível, 
o que demanda observação precisa do cenário. Quanto mais sinais forem 
observados ao mesmo tempo, mais precisa será a avaliação e a identificação de que 
o incêndio está incubado. 
 
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Figura 25. Incêndio incubado e alguns sinais indicativos 
Fonte: Imagem alterada pelos autores, 2018 (autoria original desconhecida) 
 
 
Figura 26. Incêndio incubado em situação real. Porta degradada é um forte indicativo Fonte: Imagem 
alterada pelos autores, 2018 (autoria original desconhecida) 
 
 Percebe-se que neste momento há um cenário extremamente adverso. 
Fumaça muito quente, acima do seu ponto de ignição, altamente combustível, 
faltando somente uma concentração adequada de oxigênio para que ocorra a 
queima dela. Nesse momento, caso haja uma abertura desavisada de uma 
passagem para o oxigênio (como uma porta ou uma janela, por exemplo), será 
injetado o personagem que faltava para fechar o triângulo do fogo, o oxigênio. 
 Quando isso ocorrer, levará um tempo até que o oxigênio se misture com a 
fumaça, até que esta entre no seu limite de inflamabilidade. Quando este limite é 
atingido, a fumaça entrará em combustão violentamente, ocorrendo o conhecido 
backdraft, que é a explosão da fumaça que estava restrita no interior do ambiente e 
entrou em contato com o oxigênio exterior. Ou seja, o backdraft não ocorre 
instantaneamente ao se abrir a porta, havendo, portanto, um intervalo de tempo até 
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que haja a explosão da fumaça. 
 Esse intervalo de tempo é exatamente o momento em que será possível atuar 
para eliminar o risco de ocorrência deste fenômeno, como será visto mais a frente. 
 
 
Figura 27.Backdraft em exercício controlado em simulador tipo contêiner Fase III 
Fonte: https://www.charismanews.com/opinion/67721-prophetic-word-god-is-
preparing-a-spiritual-backdraft-for-the-ekklesia, acesso em setembro de 2018 
 
TABELA 01 
 
https://www.charismanews.com/opinion/67721-prophetic-word-god-is-preparing-a-spiritual-backdraft-for-the-ekklesia
https://www.charismanews.com/opinion/67721-prophetic-word-god-is-preparing-a-spiritual-backdraft-for-the-ekklesia
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4 LEITURA DE FUMAÇA 
Após o estudo da Teoria do Fogo e Teoria do Desenvolvimento dos 
Incêndios, entendemos melhor os “porquês” de muita coisa que acontecem nos 
incêndios, e também aprendemos sobre os fenômenos de comportamento extremo 
do fogo. 
 Aprendemos que há fenômenos que nos sinalizam a iminente ocorrência de 
uma generalização súbita (Flashover), como os Ghost Flames e o Roll Over, porém 
apenas o conhecimento desses fenômenos não nos garante uma ação mais segura, 
pois eles podem ocorrer violentamente enquanto já estamos expostos em 
progressão. 
 Essa teoria isoladamente, não nos fornece parâmetros para definirmos como 
podemos, taticamente falando, organizar o nosso socorro de forma mais segura. 
Necessitamos de elementos que nos forneçam uma melhor capacidade de 
previsão de qual será o próximo passo que o incêndio vai dar, para que possamos 
nos antecipar à este desenvolvimento. Para tal, utilizaremos a leitura da fumaça. 
 Comandantes de Operações que põem nas chamas o centro de suas 
atenções para escolha de sua tática, estão fadados a um estabelecimento 
fracassado, pois elas muito frequentemente dão uma falsa posição do foco 
(Flameover). 
 Ao invés da observação das chamas exteriores, uma análise comparativa de 
atributos da fumaça (volume, velocidade, densidade e coloração) podem ajudar o 
comandante de Socorro a determinar o grau de desenvolvimento do incêndio, o 
tamanho ea localização do foco, bem como, o potencial risco de um Flashover, e 
estimar onde e quando ele acontecerá. 
 Antes de conhecermos tais atributos, precisamos entender melhor a ciência 
oculta por trás da fumaça 
 
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Figura 28.Flameover: Pode iludir as equipes, oferecendo posição falsa do foco. 
Fonte: Imagem alterada pelos autores, 2018 (autoria original desconhecida) 
4.1 A ciência da fumaça 
 Dentro de uma estrutura, o calor produzido pelo foco e transportado pela 
fumaça, é absorvido pelos materiais, e os aquece. Tais materiais se degradam 
(termolisam) e desprendem gases e vapores, sem que estes queimem. Essa 
degradação térmica determina a inflamabilidade da fumaça. 
 Dentro de um cômodo, tais gases e vapores se difundem na atmosfera 
confinada, e contribuem para uma redução da taxa de oxigenação dela. Incêndios 
menos ventilados (mais confinados) dificultam a reação de combustão completa, 
gerando o aumento dos níveis de monóxido de carbono e gases tóxicos e, conforme 
o tempo passa e o incêndio evolui, essa fumaça poderá se ignir, e os fatores 
determinantes para isso são: A mistura certa (proporção ar+fumaça) e a temperatura 
certa (ponto de ignição da fumaça). 
 
 
Figura 29. Fumaça aquecida: Desenvolvendo-se até atingir a mistura e temperatura de ignição. 
Fonte: globo.com 
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 A fumaça que é observada saindo de uma estrutura deve ser interpretada 
como a fuga de um agregado de sólidos, aerossóis, gases combustíveis e restos de 
material em combustão que são tóxicos, inflamáveis, e voláteis. Os sólidos 
suspensos na capa térmica incluem carbono na forma de fuligem (em pó). Aerosóis 
constituem uma extensa gama de hidrocarbonetos oleosos e inflamáveis. Gases 
combustíveis são numerosos, contendo monóxido de carbono, cianeto de 
hidrogênio, acroleína, sulfeto de hidrogênio, e benzeno, encabeçando a lista. 
 Os gases da fumaça acima de seu ponto de fulgor (e misturados com ar) 
apenas necessitam de uma fonte de ignição. Longe do foco principal, uma simples 
pequena chama ou quebra de uma lâmpada pode provocar essa ignição. 
 Os gases de fumaça acima de sua temperatura de ignição necessitam 
apenas da mistura apropriada com o ar. 
 A ignição da fumaça, se ela estiver pressurizada e densa num quarto ou 
cômodo irá provavelmente resultar num surgimento de onda de choque. 
 Ao ignir, a fumaça acumulada também muda a dinâmica da propagação do 
incêndio: Ao invés do fogo se espalhar sobre as superfícies combustíveis aquecidas, 
ele

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