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Organização dos Serviços de Saúde: Atenção Básica, Média e de Alta Complexidade Conteudista Prof. Me. Sérgio Ricardo Boff e Prof.ª M.ª Gizela Faleiros Revisão Textual Denise Costa 2 Objetivos da Unidade ............................................................................................................3 Organização dos Serviços de Saúde ................................................................................. 4 Acesso ao Serviço de Saúde ............................................................................................... 6 Organização do Sistema de Saúde .................................................................................. 10 Redes de Atenção em Saúde .............................................................................................12 Atenção Primária à Saúde .............................................................................................................. 13 Média Complexidade...........................................................................................................16 Alta Complexidade ..............................................................................................................16 Em Síntese .............................................................................................................................18 Material Complementar ......................................................................................................19 Atividades de Fixação ........................................................................................................20 Referências ............................................................................................................................21 Gabarito ................................................................................................................................ 23 Sumário 3 Atenção, estudante! Aqui, reforçamos o acesso ao conteúdo on-line para que você assista à videoaula. Será muito importante para o entendimento do conteúdo. Este arquivo PDF contém o mesmo conteúdo visto on-line. Sua disponibili- zação é para consulta off-line e possibilidade de impressão. No entanto, re- comendamos que acesse o conteúdo on-line para melhor aproveitamento. • Aprender sobre a conformação dos serviços de saúde; • Compreender como é e em que se baseia a divisão do serviço de saúde em níveis de atenção; • Conhecer a responsabilidade das ações dentro de cada um dos níveis e como isso pode otimizar o acesso do usuário. Objetivos da Unidade 4 Organização dos Serviços de Saúde Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os serviços de saúde incluem to- dos os serviços que lidam com o diagnóstico e tratamento de doenças, ou a promo- ção, manutenção e restauração da saúde. Incluem os serviços de saúde pessoais e não pessoais. Serviços de saúde são as funções mais visíveis de qualquer sistema de saúde, tanto para os usuários quanto para o público em geral. Prestação de serviços refere-se à forma de insumos como dinheiro, pessoal, equipamentos e medicamen- tos que são combinados para permitir a realização de intervenções de saúde. A utilização dos serviços de saúde representa o centro do funcionamento dos siste- mas de saúde. O conceito de uso compreende todo contato direto, ou seja, consul- tas médicas, hospitalizações; ou indireto, como a realização de exames preventivos e diagnósticos. O processo de utilização dos serviços de saúde é resultante da inte- ração do comportamento do indivíduo que procura cuidados e do profissional que o conduz dentro do sistema de saúde (Travassos; Martins, 2004). O atendimento da população dentro do sistema de saúde ou como as pessoas são inseridas nesse sistema, além de quais serviços são oferecidos, decorrem de alguns fatores importantes. O primeiro é o fator político, ou seja, como são elaboradas e tratadas as leis da saúde, uma vez que esta deve ser vista como um direito de todos os cidadãos. O segundo fator importante é o econômico, relacionado às riquezas do País, medido pelo Produto Interno Bruto (PIB), sendo aí a origem do dinheiro a VOCÊ SABE RESPONDER? Qual é o propósito da divisão dos serviços de saúde em diferentes níveis de atenção e como essa abordagem pode aprimorar o acesso dos usuários aos cuidados de saúde? Os serviços de saúde devem ser estruturados de forma a garantir meios adequados para que as necessidades de assistência aos cidadãos sejam atendidas, tendo como compromisso o acesso aos bens e serviços existen- tes em cada região, Estado ou Município do País, visando, dessa forma, à manutenção e recuperação da saúde dos indivíduos. 5 ser investido na saúde, pois vale lembrar que o sistema de saúde é financiado por recursos públicos, oriundos de impostos. Outro fator a ser lembrado é a rede de serviços assistenciais, composta por hospitais, unidades básicas de saúde, ambu- latórios, consultórios, laboratórios clínicos e radiológicos, serviços de reabilitação, odontologia, de saúde mental, nutrição, entre outros. Mas, para que tudo isso funcione, é necessário um complexo sistema que envolve planejamento, informação, avaliação e controle, ou seja, usar a informação advinda de bancos de dados dos serviços de saúde, com o objetivo de propor e acompanhar as ações, bem como o funcionamento desses serviços, de modo que todo esse sis- tema é localizado e gerenciado pelo Ministério da Saúde, por meio das secretarias estaduais e municipais de saúde. Outro fator a ser considerado diz respeito às pessoas que trabalham nos serviços de saúde, profissionais e técnicos graduados em cursos de Saúde, como Medicina, Enfermagem, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Terapia Ocupacional, entre outros. Além dos trabalhadores da saúde, devem-se considerar outros profissionais, tais como técnicos graduados em cursos e outras carreiras que não são da Saúde, mas que trabalham nos serviços de saúde. Assim, para que a ideia da assistência integral seja efetivamente implantada e estru- turada no sistema de saúde, é necessária a organização e integração de todos esses componentes, ou seja, hospitais, ambulatórios de especialidades e Unidades Básicas de Saúde (UBS) devem estar integrados entre si e também articulados aos sistemas de planejamento, informação, controle e avaliação. Os sistemas e serviços de saúde cer- tamente estão em constante proces- so de construção e desenvolvimento, objetivando sempre o melhor estado de saúde para a população, de modo que esses sistemas, não sendo estáti- cos, devem colaborar com as necessi- dades e mudanças sociais e culturais que acompanham o desenvolvimento da sociedade. 6 Acesso ao Serviço de Saúde No Brasil, a Constituição de 1988 assegura a saúde como direito universal a ser ga- rantido pelo Estado e, mesmo com os avanços conquistados, ainda se convive com a realidade desigual e excludente do acesso ao Sistema Único de Saúde (SUS). Apesar de a legislação brasileira garantir esse acesso, foi apenas mais uma etapa alcançada na construção do SUS. Para se concretizar o direito à saúde, é necessário ter como alicerce um modelo social fundamentado na solidariedade humana e na igualdade social, ou seja, no contexto brasileiro, isso mostra que a legalidade de uma proposta não assegura a sua implementação, “[...] não se cria igualdade por Lei, ainda que não se consolide a igualdade sem a Lei” (Assis, 2012). Travassos e Martins (2004) discutem a questão de acesso e acessibilidade. O termo acesso é apresentado como um dos elementos dos sistemas de saúde, os quais ligados à organização dos serviços, refere-se à entrada no serviço de saúde e à con- tinuidade do tratamento, abrangendo a entrada nos serviços e o recebimento de cuidados subsequentes. Já a acessibilidade é vista como um dos aspectos da oferta de serviços relativos à capacidade de produzir serviços e de responder às necessidades de saúde de uma determinada população. Nesse caso, a acessibilidade é mais abrangente do que a mera disponibilidadede recursos em um determinado momento e lugar, tratam-se das características dos serviços e dos recursos de saúde que facilitam ou limitam seu uso por potenciais usuários. Assim, acessibilidade é um fator de oferta importante para explicar as variações no uso de serviços de saúde de grupos populacionais, representando uma dimensão relevante nos estudos sobre a equidade nos sistemas de saúde (Travassos; Martins, 2004). Importante Vale fazer aqui uma distinção entre assistência em saúde e aten- ção em saúde. A assistência seria entendida como um conjun- to de procedimentos clínico-cirúrgicos dirigidos a indivíduos, estejam doentes ou não, ou seja, relaciona-se diretamente aos serviços de saúde. Já a atenção em saúde é mais abrangente, seria um conjunto de atividades intra e extra setor da saúde – intersetorialidade – que, incluindo também a assistência indivi- dual, não se esgota nesta, atingindo grupos populacionais com o objetivo de manter a condição de saúde, requerendo ações concomitantes sobre todos os determinantes do processo saú- de-doença (Narvai, 2008). 7 Saiba Mais Ao analisar o acesso ao serviço de saúde, Assis (2012) cita di- mensões específicas desse acesso, tais como disponibilidade, acessibilidade, adequação funcional, capacidade financeira e aceitabilidade. A disponibilidade é percebida como relação en- tre o volume e o tipo de serviços existentes – o volume de usu- ários e o tipo de necessidade. A acessibilidade é caracterizada pela relação entre localização da oferta e dos usuários, distância entre os quais, forma de deslocamento e custos. A adequação funcional é “[...] entendida como a relação entre o modo como a oferta está organizada para aceitar os usuários, e a capacida- de/habilidade destes em acomodarem-se a esses fatores [...]” (Assis, 2012) e de perceberem a conveniência dos mesmos. A capacidade financeira dos serviços e a relação entre os custos e a sua oferta; e, finalmente, a aceitabilidade é entendida como a relação entre as atitudes dos usuários, trabalhadores de saúde e práticas desses serviços. Com relação ao uso de serviços de saúde ou às formas de sua utilização, Assis (2012) sugere que o acesso é mediado por três fatores individuais: predisponentes, capaci- tantes e de necessidades de saúde. Os fatores predisponentes são aqueles que exis- tem previamente ao surgimento do problema de saúde e afetam a predisposição das pessoas para usar serviços de saúde, como variáveis sociodemográficas – idade, gênero, raça, hábitos, entre outros. Os fatores capacitantes são condicionados pela renda, cobertura securitária pública ou privada e pela oferta de serviços, ou seja, o meio disponível para as pessoas usarem os serviços. Os fatores determinantes se referem às necessidades de saúde que podem ser explicadas pelas condições diag- nosticadas por profissionais ou pela autopercepção. Segundo Travassos e Martins (2004), os determinantes da utilização dos serviços de saúde podem ser descritos como aqueles fatores relacionados à necessidade de saúde: morbidade, gravidade e urgência da doença; aos usuários: como idade e sexo, região, renda, educação, cultura, prestadores de serviço, recursos disponíveis, são características da oferta como a disponibilidade de médicos, hospitais, ambulatórios e a política de saúde. A influência de cada um dos fatores determinantes do uso dos serviços de saúde varia em função do tipo de serviço – ambulatório, hospital, assistência domiciliar – e da proposta assistencial – cuidados preventivos, curativos ou de reabilitação. 8 Pinheiro e colaboradores (2002), ao analisarem o perfil de morbidade referida, aces- so e uso de serviços de saúde em homens e mulheres no Brasil, mostram-nos que as mulheres costumam procurar mais que os homens o serviço de saúde; entre as crianças com até 5 anos de idade, a procura é maior para meninos, não havendo diferença até os 14 anos. A partir dos 15 anos de idade, os diferenciais entre os sexos são significativos, mesmo entre os idosos. Quadro 1 – Taxas de procura por serviços de saúde, segundo faixa etária, sexo e região urbana e rural Faixa Etária Urbana Rural Total Homens % Mulheres % Dif. Homens % Mulheres % Dif. Homens % Mulheres % Dif. 0 a 4 anos 19,3 18,3 -10 NS 12,6 11,8 -0,8 NS 17,7 16,7 -1,0* 5 a 9 anos 10,7 10,3 -0,4 NS 5,8 6,1 0,3 NS 9,4 9,3 -0,1 NS 10 a 14 anos 7,9 8,4 0,5 NS 4,8 5,1 0,3 NS 7,1 7,7 0,6 NS 15 a 24 anos 7,0 13,4 6,4** 4,4 10,8 6,4** 6,5 12,9 6,4** 25 a 49 anos 9,2 18,1 8,9** 6,8 14,3 7,5** 8,7 17,5 8,8** 50 a 64 anos 14,8 23,9 9,1** 9,1 17,2 8,1** 13,5 22,6 9,1** 65 anos ou mais 21,1 25,9 4,8** 13,2 17,0 3,8** 19,2 24,3 5,9** Total 10,9 16,7 5,8** 7,2 11,8 4,6** 10,1 15,8 5,7** Fonte: Adaptado de Pinheiro et al., 2002 Quanto ao motivo da procura de serviços de saúde, Pinheiro e colaboradores (2002), além de Travassos e colaboradores (2002), mostram-nos que, mesmo quando ex- cluídos os partos e atendimentos de pré-natal, as mulheres buscam mais serviços para a realização de exames de rotina e prevenção, enquanto que os homens pro- curam serviços de saúde dominantemente por motivo de doença. Ainda entre os homens, destaca-se maior proporção de procura motivada por problemas odonto- lógicos, acidentes ou lesões (Quadro 2). 9 Quanto aos locais que a população busca para atendimento, Barata (2008) mostra que os centros de saúde foram os serviços mais procurados em geral, sugerindo a importância do serviço de atenção básica como local habitual de procura. Em se- guida, aparece o hospital como equipamento mais buscado, principalmente pelos idosos. A proporção de pessoas que buscaram atendimento em prontos-socorros foi semelhante à dos que utilizaram o hospital, depois a procura é por consultórios médicos e clínicas. Quadro 2 – Distribuição das pessoas segundo o motivo da procura eo tipo de serviço de saúde procurado, segundo sexo e região urbana e rural Urbana** Rural** Total** Homens % Mulheres % Homens % Mulheres % Homens % Mulheres % Motivo da procura Exames de rotina ou prevenção 29,5 40,8 22,5 36,7 28,4 40,3 Doença 34,8 32,1 44,4 41,3 36,3 33,4 Problema odontológico 12,4 10,8 12,3 8,9 12,4 10,5 Tratamento ou reabilitação 12,0 11,1 7,3 6,4 11,3 10,4 Acidente ou lesão 7,2 2,8 7,0 2,1 7,1 2,7 Vacinação 3,4 2,0 5,9 4,3 3,7 2,3 Atestado de saúde 0,7 0,3 0,6 0,3 0,7 0,3 Outro motivo 0,1 0,0 0,0 0,0 0,1 0,0 Total n 14.406 22.564* 2.640 3.764* 17.046 26.328* % 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 Fonte: Adaptado de Pinheiro et al., 2002 10 Figura 1 – Tipo de estabelecimento de saúde procurado pela população Fonte: Fundação Seade, 2006 #ParaTodosVerem: gráfico em que se apresentam as seguintes informações: Tipo de estabelecimento no eixo vertical – Centro de saúde; Pronto-Socorro; Hospital; Consultório; Centro Diagnóstico; eixo horizontal – de 0 a 40%. Legenda: em amarelo – Baixa e nula; em cinza – Média e alta. Fim da descrição. Vídeo Você poderá compreender os princípios que fundamentam a organização das ações que otimizam o acesso do usuário aos serviços do SUS. Organização do Sistema de Saúde A Constituição Federal de 1988 estabelece em seu Artigo 198: “As ações e serviços públicos de saúde integram uma rede regionalizada e hierarquizada e constituem um sistema único” (Brasil, 1988). Nesse sentido, com o objetivo de aperfeiçoar a política de saúde do País e buscar subsídio para estratégias nacionais de organização da atenção à saúde nas diversas dimensões do sistema, a Constituição de 1988 defi- niu estratégias para a organização do cuidado à saúde visando à promoção da aten- ção integrada e regionalizada por meio da organização de redes de atenção como elemento essencial para a garantia dos princípios de universalidade, integralidade e equidade. Ou seja, as ações e serviços de saúde conformam uma rede regionalizada e integrada em um sistema único em todo o território nacional. http://bit.ly/48H3miz http://bit.ly/48H3miz 11 Paralelo a isso, o processo de construção do SUSprivilegiou as bases municipais de ações e serviços de saúde em consonância à descentralização, porém, a integração das ações e serviços de saúde e o processo de descentralização levaram à neces- sidade de definir o espaço regional para a construção do SUS, onde se constata que a maioria dos municípios isoladamente não possui condições de garantir oferta integral a seus cidadãos. O pacto pela saúde (Brasil, 2006) ressalta a necessidade de aprofundar o processo de regionalização da saúde como estratégia essencial para consolidar os princípios de universalidade, integralidade e equidade do SUS, sendo uma das responsabilida- des gerais da gestão dos Estados “[...] coordenar o processo de configuração do de- senho da rede de atenção à saúde, nas relações intermunicipais, com a participação dos municípios da região” (Brasil, 2006). Na sequência, o Programa mais saúde: direito de todos: 2008-2011, do Ministério da Saúde, instituiu os Territórios Integrados de Atenção à Saúde (Teias) como mo- delo de organização de redes de atenção à saúde adequado ao processo de con- solidação do SUS, de acordo com os princípios de universalidade, integralidade e equidade. O Teias consiste em um conjunto de políticas, programas e unidades de atenção à saúde, os quais articulados no espaço de uma região de saúde de maneira funcional por meio de estratégias clínicas e estruturas públicas de planejamento, gestão e governança (Brasil, 2007). O Decreto n.º 7.508/2011 regulamenta a Lei Orgânica da Saúde (Lei n.º 8.080/90), estabelecendo estratégias e instrumentos para a consolidação das redes de aten- ção à saúde, valorizando a construção de relações colaborativas entre os entes federados por meio do contrato organizativo de ação pública da saúde e fortale- cendo o papel de coordenação dos gestores estaduais e das comissões de inter- gestores (Brasil, 2011). A Norma Operacional de Assistência à Saúde (Noas), editada em 2002, enfatizou a necessidade de consolidar uma lógica de estruturação de re- des regionalizadas como um sistema de saúde integrado regionalmente, introduzindo elementos estratégicos de integração intermunicipal como a delimitação de referências territoriais para a elaboração de políticas, pro- gramas e sistemas organizacionais e o estabelecimento de instrumentos de planejamento integrado, como os planos diretores de regionalização e de investimentos (Brasil, 2002). 12 Redes de Atenção em Saúde Uma rede de atenção à saúde é formada por um conjunto de unidades, de diferentes funções e perfis de atendimento, que operam de forma ordenada e articulada no território, de modo a atender às necessidades de saúde de uma população. As diferentes redes de atenção à saúde podem ser organizadas em decorrência das ações desenvolvidas, dos tipos de casos atendidos, das formas como estão articula- dos e são prestados os atendimentos. Redes de perfil mais abrangente integram ações individuais e coletivas, voltadas à promoção, prevenção, diagnóstico, tratamento e acompanhamento dos principais problemas de saúde que acometem uma população de referência, o que permite uma diversificação maior na composição das suas unidades. Saiba Mais A primeira descrição completa de uma rede regionalizada foi apresentada pelo Relatório Dawson, publicado em 1920, por so- licitação do governo inglês, fruto do debate de mudanças no sistema de proteção social depois da Primeira Guerra Mundial. Sua missão era buscar, pela primeira vez, formas de organizar a provisão de serviços de saúde para toda a população de uma dada região (Gran Bretana, 1964). A ideia da assistência em rede obriga que a oferta dos serviços seja estruturada de forma organizada e integrada de todos os componentes, como dito, hospitais, am- bulatórios de especialidades, UBS e todos os outros serviços oferecidos devem es- tar integrados entre si e também articulados aos sistemas de planejamento, informação, controle e avaliação. Assim, uma rede de ações e serviços de saúde pressupõe conexões e comunica- ções, ou seja, quando um serviço de saúde está integrado em uma rede, deve-se compreender que sozinho não resolverá as demandas que chegam e que deverá contar com outros serviços de saúde – de menor ou maior complexidade –, bem como com outras redes que se articulam e lhe dão suporte. 13 A ideia de rede de assistência deve estar associada ao princípio de integralidade, este se relaciona ao conceito de resolutividade, ou seja, os serviços de saúde devem cobrir e satisfazer a todas as necessidades do indivíduo e do coletivo, deve oferecer acesso e qualidade para todos os níveis de atenção. Assim, os serviços do SUS se organizam em ações de atenção básica, de média e alta complexidade, que devem envolver assistência ambulatorial e hospitalar em todas as especialidades. Vídeo Você pode complementar seu aprendizado sobre o conceito de rede de atenção à saúde. Atenção Primária à Saúde Segundo Starfield (1998), atenção primária é atenção essencial à saúde, é baseada em tecnologia e métodos práticos, cientificamente comprovados e socialmente aceitos, tor- nados universalmente acessíveis a indivíduos e famílias na comunidade, a um custo que tanto a própria comunidade, quanto o país possa arcar em cada estágio de seu desenvol- vimento. É parte integral do sistema de saúde do País, do qual é função central, sendo o enfoque principal do desenvolvimento social e econômico global da comunidade. É o primeiro nível de contato dos indivíduos, da família e da comunidade com o sistema nacional de saúde, levando a atenção à saúde o mais próximo possível do local onde as pessoas vivem e trabalham, constituindo o primeiro elemento de um processo de atenção continuada à saúde. Ou seja, configura-se como a “porta de entrada” do sistema de saúde brasileiro, de modo que nesse nível de atenção espe- ra-se que todos os serviços sejam acessíveis e resolutivos frente às principais e mais frequentes necessidades de saúde da população. Leitura Para saber mais sobre a organização de re- des regionalizadas de serviços de saúde e como isso contribuiu para as propostas de reforma do sistema brasileiro, tomando como referência a experiência dos países que construíram sistemas universais. https://bit.ly/3RyPsJo https://bit.ly/3RyPsJo https://bit.ly/3Rg2lqp https://bit.ly/3Rg2lqp 14 Vídeo Assista ao vídeo sobre os principais concei- tos acerca da atenção básica. Portanto, uma vez que a atenção básica é o primeiro nível da atenção à saúde no serviço, podemos entender que esse tipo de atendimento utilizará recursos e tecno- logia de baixa densidade, o que significa que a atenção básica inclui procedimentos mais simples e baratos, porém, isso também significa que devem ser capazes de atender a maior parte dos problemas comuns de saúde da comunidade. No Brasil, há diversos programas governamentais relacionados à atenção básica, tal como a Estratégia de Saúde da Família (ESF), que leva serviços multidisciplinares às comunidades por meio das Unidades Básicas de Saúde (UBS). Na UBS deve ser encontrada uma equipe multiprofissional, pois é possível rece- ber atendimentos básicos em Pediatria, Ginecologia, Clínica Geral, necessitando também do profissional de Enfermagem, auxiliar de Enfermagem ou técnico de Enfermagem, mais agente comunitário de saúde e Odontologia, neste caso sendo necessário, então, o cirurgião-dentista, auxiliar de consultório dentário ou técnico em higiene dental. Os principais serviços oferecidos são consultas médicas, inalações, injeções, curativos, vacinas, coleta de exames laboratoriais, tratamento odontoló- gico, encaminhamentos para especialidades e fornecimento de medicação básica. A atenção básica também envolve outras iniciativas, tais como as equipes de con- sultórios de rua, que atendem pessoas em situação de rua; o Programa melhor em casa, de atendimento domiciliar; o Programa Brasil sorridente, de saúde bucal; o Deve ser centrada na pessoa, de forma a satisfazer suas necessidades de saúde, im- plicana acessibilidade e deve estar dispo- nível para utilização dos serviços de saúde pelos usuários a cada novo problema ou episódio de um mesmo problema, afinal, é o primeiro recurso a ser buscado quan- do há necessidade ou problema de saúde; coordena, ainda, os cuidados quando as pessoas recebem assistência em outros níveis de atenção (Oliveira; Pereira, 2013). https://bit.ly/3NhwN23 https://bit.ly/3NhwN23 15 Programa de Agentes Comunitários de Saúde (Pacs), que busca alternativas para melhorar as condições de saúde de suas comunidades etc. Site Você sabia que para saber sobre os serviços oferecidos, quantidade de atendimento, tipos de serviços prestados, quantidade de profis- sionais, morbidade e mortalidade, deve-se procurar a Secretaria Municipal de Saúde de sua Cidade? Lembrando que a Lei 12.527/2011 regulamenta o Direito constitucional de acesso às informa- ções públicas, ou seja, possibilita, a qualquer pessoa, sem a necessidade de apresentar mo- tivo, o recebimento de informações públicas dos órgãos e entidades, valendo para os três poderes da União, Estados, Distrito Federal e Municípios. Entidades privadas sem fins lucra- tivos também são obrigadas a dar publicida- de a informações referentes ao recebimento e à destinação dos recursos públicos por elas recebidos. Você sabia que o site Datasus oferece acesso à mensuração do estado de saúde da popu- lação? No Departamento de Informações do SUS (Datasus), você terá acesso a informa- ções referentes a dados de mortalidade e de sobrevivência – Estatísticas vitais (mortalida- de e nascidos vivos) –, controle das doenças infecciosas – informações epidemiológicas e morbidade –, dados de morbidade, incapaci- dade, acesso a serviços, qualidade da atenção, condições de vida e fatores ambientais passa- ram a ser métricas utilizadas na construção de indicadores de saúde. São também encontra- das informações sobre assistência à saúde da população, os cadastros – rede assistencial – das redes hospitalares e ambulatoriais, o ca- dastro dos estabelecimentos de saúde, além de informações sobre recursos financeiros, demográficos e socioeconômicos. https://bit.ly/47Ek6pn 16 Média Complexidade Na rede de saúde, os serviços de média complexidade também podem ser cha- mados de atenção secundária. São serviços especializados em nível ambulatorial e hospitalar, com densidade tecnológica intermediária entre a atenção primária e a terciária. Esse nível compreende serviços médicos especializados, de apoio diagnós- tico e terapêutico, além de atendimento de urgência e emergência (Ederman, 2013). Os tipos de atendimento de média complexidade compreendem consultas ambu- latoriais de especialidades médicas e odontológicas, atendimentos de urgência e emergência, atendimentos em saúde mental, certos tipos de exames laboratoriais e de imagem e cirurgias. A tecnologia disponível para serviços no nível secundário é mais sofisticada que a ofertada no nível primário. Assim, equipamentos necessários para diagnóstico por imagem, por exemplo, provavelmente serão de uma geração mais recente e avança- da. Além disso, os profissionais no nível secundário são de áreas especializadas, tais como Cardiologia, Endocrinologia, Ortopedia, ou mesmo Psiquiatria e Oftalmologia. Nessa perspectiva, os usuários recebidos no nível secundário, advindos ou encami- nhados pelo nível primário, devem ser atendidos por profissionais com grau de es- pecialização maior e também com equipamentos com maior tecnologia e precisão. Esse nível de atendimento, diferentemente da atenção primária – que é municipa- lizada –, deve ser organizado por meio de bases em macro e microrregiões de cada Estado, devendo apresentar tanto ambulatórios quanto hospitais. Trocando Ideias Em sua cidade ou bairro, quais são os principais problemas en- frentados pela população local, tendo em vista a forma de or- ganização/estruturação dos serviços? Quais são os principais serviços oferecidos à população? Qual é a principal carência quanto a tais serviços? Alta Complexidade Esses serviços também podem ser chamados de nível terciário. São considerados os procedimentos que envolvem alta tecnologia e custo, devendo ser oferecido à população acesso a serviços qualificados, sempre integrados aos demais níveis de atenção à saúde. 17 Nesse nível de serviço, a expectativa é de que exista um suporte tecnológico e pro- fissional capaz de atender a situações que no nível secundário não puderam ser tra- tadas por serem casos mais raros ou complexos demais. Para que isso aconteça, o aparelhamento presente na alta complexidade é compos- to por máquinas de tecnologia avançada, tais como equipamentos para ressonância magnética, tomógrafos e hemodinâmicas; já o profissional deve ser capaz de aten- der a situações que no nível secundário não puderam ser tratadas por serem casos mais raros ou complexos. Tudo isso faz com que nessas instituições sejam ofereci- das soluções tecnológicas que tragam mais eficiência. O efetivo controle sobre os processos é o que garante o funcionamento adequado dos serviços. Tal controle se deve ao uso de um banco de dados ou à implementação de protocolos com registros eletrônicos das informações médicas sobre os usuários e as devidas orientações para o tratamento da doença em questão. Quanto à organização do sistema de saúde por níveis de complexidade, a distribuição dos serviços assistenciais deve ser feita baseada em uma escala, sendo interessante que para cada grupo de UBS – atenção primária – seja oferecido também um ambulatório de espe- cialidades e um hospital geral – média complexidade. Essa organização também deve ser repetida entre os serviços de alta complexidade em relação à média complexidade. Vídeo Você aprenderá um pouco mais sobre as diferen- ças acerca da média e alta complexidade, além dos serviços relacionados a cada um desses níveis. Normalmente, esses serviços são ofere- cidos em hospitais de grande porte, sub- sidiados pela iniciativa privada ou pelo Estado, nos quais podem ser realizadas manobras mais invasivas, podendo ocor- rer intervenção em situações em que a vida do usuário do serviço possa estar em risco, dando suporte mínimo para a pre- servação da vida, sempre que for preciso. http://bit.ly/420z0Fi http://bit.ly/420z0Fi 18 Neste processo de aprendizado, adquirimos um entendimento fundamental sobre a organização dos serviços de saúde, compreendendo a divisão desses serviços em diferentes níveis de atenção. Conhecemos as responsabilidades das ações em cada nível e reconhecemos como essa abordagem pode otimizar o acesso do usuário aos cuidados de saúde. A compreensão da conformação dos serviços de saúde, juntamente com o conhe- cimento sobre a divisão em níveis de atenção, permitiu-nos apreciar a importância da hierarquia e regionalização na entrega de serviços de saúde de qualidade. A noção de que as ações são distribuídas de acordo com a complexidade dos casos fortalece a eficácia do sistema de saúde, melhorando o acesso e garantindo que cada nível atue em consonância com sua competência. No geral, esse processo de aprendizado nos proporcionou uma visão mais completa e informada sobre como os serviços de saúde são organizados e como essa orga- nização impacta positivamente o atendimento e a acessibilidade para os usuários. Em Síntese 19 Material Complementar Gênero, Morbidade, acesso e Utilização de Serviços de Saúde no Brasil O objetivo do trabalho é analisar o perfil de morbidade referida, acesso e uso de serviços de saúde em homens e mulheres no Brasil, segundo idade e região urbana e rural. A alta prevalência de atendimento indica que as barreiras de acesso dos que procuram serviços de saúde são pequenas. No entanto, o elevado percentual de não procura face às necessidades percebidas sugere que as barreiras de acesso são an- teriores e dependem da oferta. https://bit.ly/3O2uDUw Acesso aos Serviços de Saúde: Abordagens, Conceitos, Políticas e Modelo de Análise O acesso aos serviçosde saúde é um tema multifacetado e multidimensional, envol- vendo aspectos políticos, econômicos, sociais, organizativos, técnicos e simbólicos, no estabelecimento de caminhos para a universalização da sua atenção. Assim, o artigo pretende discutir, como revisão teórica, as diferentes abordagens, a análise do contexto e as políticas voltadas para grupos especiais sobre acesso, demarcando um modelo de análise pautado nos aspectos acima referidos, a partir de releituras sobre a temática em questão. https://bit.ly/3O69Gb4 Atenção Básica em Saúde: Comparação entre PSF e UBS por Estrato de Exclusão Social no Município de São Paulo O artigo compara as modalidades assistenciais Programa de Saúde da Família (PSF) e Unidade Básica de Saúde (UBS) tradicional por estrato de exclusão social no Mu- nicípio de São Paulo, considerando as opiniões de usuários, profissionais de saúde e gestores. https://bit.ly/3u6vr3H Acolhimento em uma Unidade Básica de Saúde: A Satisfação do Usuário em Foco A qualidade da atenção prestada pelos serviços de saúde está diretamente ligada ao acolhimento e à satisfação do usuário, fundamentais no processo de mudança do trabalho em saúde. Assim, o estudo objetivou avaliar o acolhimento em uma UBS na perspectiva do usuário, analisando também a satisfação dos usuários e a participa- ção destes no controle social. https://bit.ly/4aYeo4v Leituras 20 1 – Com base no texto, qual fator é fundamental para o funcionamento adequa- do dos serviços de saúde e sua capacidade de oferecer assistência integral à população? a) A riqueza do país, medida pelo Produto Interno Bruto (PIB). b) A estrutura física e organização da rede de serviços assistenciais. c) A formação dos profissionais de saúde. d) A utilização dos serviços de saúde. e) O financiamento público e as leis de saúde. 2 – Com base no texto, qual é o principal objetivo da organização das redes de atenção à saúde, de acordo com as estratégias estabelecidas pela Constituição Federal de 1988 e as regulamentações posteriores? a) Estabelecer a hierarquização dos serviços de saúde. b) Promover a descentralização das ações de saúde. c) Garantir a integralidade dos serviços de saúde. d) Definir o financiamento dos serviços de saúde. e) Delimitar as responsabilidades dos municípios na gestão da saúde. Atividades de Fixação Atenção, estudante! Veja o gabarito desta atividade de fixação no fim deste conteúdo. 21 ASSIS, M. M. A.; JESUS, W. L. A. de. Acesso aos serviços de saúde: abordagens, conceitos, políticas e modelo de análise. Ciênc. Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 17, n. 11, p. 2.865-2.875, nov. 2012. Disponível em: . Acesso em: 5/12/2017. BARATA, R. B. Acesso e uso de serviços de saúde: considerações sobre os resultados da Pesquisa de condições de vida 2006. São Paulo em Perspectiva. São Paulo, v. 22, n. 2, p. 19-29, jul./dez. 2008. BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Congresso Nacional, 1988. Disponível em: . Acesso em: 06/01/2017. BRASIL. Ministério da Saúde. Mais saúde: direito de todos – 2008-2011. 5. ed. Brasília, DF, 2007. Disponível em: . Acesso em: 06 jan. 2017. BRASIL. Gabinete do Ministro. Portaria GM/MS n.º 399, de 22 de fevereiro de 2006. Divulga o pacto pela saúde 2006 – consolidação do SUS – e aprova as diretrizes operacionais do referido pacto. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 23 fev. 2006. BRASIL. Norma operacional da assistência à saúde: Portaria GM/MS n.º 373, de 27 de fevereiro de 2002. Brasília, DF, 2002. BRASIL. Presidência da República. Decreto n.º 7.508, de 28 de junho de 2011. Regulamenta a Lei n.º 8.080, de 19 de setembro de 1990, para dispor sobre a orga- nização do Sistema Único de Saúde (SUS), o planejamento da saúde, a assistência à saúde e a articulação interfederativa, e dá outras providências. Brasília, DF, 2011. ERDMANN, A. L. et al. A atenção secundária em saúde: melhores práticas na rede de serviços. Rev. Latino-Am. Enfermagem, Ribeirão Preto, SP, v. 21, n. esp., p. 131-139, fev. 2013. Disponível em: . Acesso em: 08/01/2017. FUNDAÇÃO SEADE. Pesquisa de condições de vida na região metropolitana de São Paulo 2006. São Paulo, 2006. Referências 22 GRAN BRETAÑA. Ministerio de Salud. Informe Dawson sobre el futuro de los ser- vicios médicos y afines, 1920. Washington, DC: Opas/OMS; 1964. (Publicación Científica; 93). KUSCHNIR, R.; CHORNY, A. H. Redes de atenção à saúde: contextualizando o de- bate. Ciênc. Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 15, n. 5, p. 2.307- 2.316, ago. 2010. Disponível em: SciELO - Brasil - Redes de atenção à saúde: contextualizando o de- bate Redes de atenção à saúde: contextualizando o debate. Acesso em: 06/01/2017. NARVAI, P. C.; PEDRO, P. F. S. Práticas de saúde pública. In: NARVAI, P. C.; PEDRO, P. F. S. et al. Saúde pública: bases conceituais. São Paulo: Atheneu, 2008. p. 269-297. OLIVEIRA, M. A. de C.; PEREIRA, I. C. Atributos essenciais da atenção primária e a estratégia saúde da família. Rev. Bras. Enferm., Brasília, DF, v. 66, n. esp., p. 158-164, set. 2013. Disponível em: . Acesso em: 06/01/2017. PINHEIRO, R. S. et al. Gênero, morbidade, acesso e utilização de serviços de saú- de no Brasil. Ciênc. 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Justificativa: O financiamento público e as leis de saúde são fundamentais para o funcionamento adequado dos serviços de saúde e sua capacidade de oferecer assistência integral à população. Sem financiamento adequado, os serviços de saú- de podem lutar para fornecer cuidados de qualidade, manter infraestruturas, pagar salários e adquirir equipamentos e medicamentos necessários. Além disso, as leis de saúde estabelecem as bases para a organização, funcionamento e regulação dos serviços de saúde, incluindo direitos e deveres dos pacientes e profissionais, pa- drões de cuidados e políticas de saúde. Uma legislação robusta e um financiamento adequado garantem que os serviços de saúde sejam acessíveis, equitativos e efica- zes, contribuindo para a saúde e bem-estar da população. Questão 2 c. Garantir a integralidade dos serviços de saúde. Justificativa: O principal objetivo da organização das redes de atenção à saúde, conforme estabelecido pela Constituição Federal de 1988 e regulamentações pos- teriores, é garantir a integralidade dos serviços de saúde. A integralidade implica em fornecer um espectro completo de cuidados para as necessidades de saúde da população, desde a prevenção e promoção da saúde até o tratamento e a reabilita- ção. Isso inclui garantir o acesso a diferentes níveis de atenção (básica, secundária, terciária) e a continuidade do cuidado ao longo do tempo. A integralidade também abrange a atenção às dimensões biológicas,psicológicas e sociais da saúde, reco- nhecendo que a saúde não é apenas a ausência de doença, mas um estado de com- pleto bem-estar físico, mental e social. Gabarito