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1ª Fase | 42° Exame da OAB 
Direito Penal 
2 
 
1ª Fase | 42° Exame da OAB 
Direito Penal 
3 
 1ª FASE OAB | 42° EXAME 
Direito Penal 
Prof. Nidal Ahmad 
Prof. Arnaldo Quaresma 
 
 
Sumário 
 
1. Aplicação da Lei Penal ............................................................................................................. 4 
2. Do crime ................................................................................................................................. 10 
3. Da Imputabilidade Penal ........................................................................................................ 26 
4. Concurso de Pessoas (arts. 29, 30 e 31 do CP) .................................................................... 27 
5. Aplicação da Pena ................................................................................................................. 29 
6. Da Suspensão Condicional da Pena ..................................................................................... 43 
7. Do Livramento Condicional .................................................................................................... 47 
8. Efeitos da Condenação .......................................................................................................... 50 
9. Extinção da Punibilidade ........................................................................................................ 54 
10. Crimes contra a vida ............................................................................................................ 67 
11. Lesão Corporal (art. 129 do CP) .......................................................................................... 74 
12. Crimes contra a honra.......................................................................................................... 77 
13. Crimes Contra o Patrimônio ................................................................................................. 80 
14. Crimes contra a Dignidade Sexual ....................................................................................... 94 
15. Crimes contra a Fé Pública .................................................................................................. 98 
16. Crimes contra a Administração Pública ............................................................................. 101 
17. Dos crimes contra a Administração da Justiça .................................................................. 110 
 
 
 
 
 
Olá, aluno(a). Este material de apoio foi organizado com base nas aulas do curso preparatório para 
a 1ª Fase OAB e deve ser utilizado como um roteiro para as respectivas aulas. Além disso, reco-
menda-se que o aluno assista as aulas acompanhado da legislação pertinente. 
 
Bons estudos, Equipe Ceisc. 
Atualizado em agosto de 2024. 
1ª Fase | 42° Exame da OAB 
Direito Penal 
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1. Aplicação da Lei Penal 
Prof. Nidal Ahmad 
@prof.nidal 
 
1.1. Da lei penal no tempo (art. 2o do CP) 
Pelo princípio tempus regit actum (“o tempo rege o ato”), a lei aplicável a um crime é 
aquela vigente ao tempo da execução deste crime. 
Exceção: 
a) A retroatividade da lei mais benéfica significa que a lei mais benigna prevalece 
sobre a mais severa, prolongando-se além do instante de sua revogação ou retro-
agindo ao tempo em que não tinha vigência; 
b) Ultratividade quer dizer que se a lei antiga for mais favorável, prevalecerá ao 
tempo da vigência da lei nova, mesmo estando revogada. 
 
1.1.1. Abolitio criminis (art. 2o, caput, do CP) 
Ocorre a chamada abolitio criminis quando a lei nova deixa de considerar crime fato que 
anteriormente era considerado ilícito penal. 
A abolitio criminis apaga todos os efeitos penais da sentença condenatória, permane-
cendo, no entanto, íntegros os efeitos na esfera extrapenal (na esfera cível e administrativa, por 
exemplo). 
Assim, se o agente praticar novo crime depois do trânsito em julgado de uma sentença 
condenatória por crime anterior que foi abolido, não será considerado reincidente, podendo, no 
entanto, ser demandado na esfera cível, para reparar o dano causado à vítima. 
Trata-se de causa de extinção da punibilidade, nos termos do artigo 107, III, do CP. 
 
1.1.2. Novatio legis in mellius (art. 2º, par. ún., do CP) 
Significa que a lei posterior, que de qualquer modo favorecer o agente, aplica-se aos fatos 
anteriores, ainda que decididos por sentença condenatória transitada em julgado (art. 2º, par. 
ún., do CP). 
Assim, se uma lei posterior deixar de prever uma circunstância de aumento de pena em 
relação a determinado crime, retroagirá para beneficiar o réu. 
1ª Fase | 42° Exame da OAB 
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1.1.3. Novatio legis incriminadora 
A novatio legis incriminadora, ao contrário da abolitio criminis, considera crime fato ante-
riormente não incriminado, e somente gerará efeitos para fatos praticados após a sua vigência. 
Por conferir tratamento severo, a novatio legis incriminadora, por evidente, não retroage 
para alcançar fatos praticados antes da sua vigência, tendo eficácia, portanto, somente em rela-
ção aos fatos praticados a partir da sua vigência. 
 
1.1.4. Novatio legis in pejus 
Significa que a lei nova conferiu tratamento mais severo do que a anterior, como, por 
exemplo, lei nova aumentar a pena cominada anteriormente ao crime. 
Incide, no caso, o princípio da irretroatividade da lei penal: “a lei penal não retroagirá, salvo 
para beneficiar o réu” (art. 5º, XL, da CF/1988). 
 
1.1.5. Crime permanente e crime continuado e a lei penal mais benéfica 
Crime permanente é aquele cuja consumação se prolonga ou protrai no tempo, por von-
tade do sujeito ativo. Ex: extorsão mediante sequestro (art. 159 do CP). 
Crime continuado ocorre quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pra-
tica dois ou mais crimes da mesma espécie, devendo os subsequentes, pelas condições de 
tempo, lugar, maneira de execução e outras semelhantes, ser havidos como continuação do 
primeiro, nos termos do artigo 71 do CP. 
Nesses casos, aplica-se a lei nova durante a atividade executória do crime permanente 
ou do crime continuado, ainda que seja prejudicial ao réu, já que a cada momento da atividade 
criminosa está presente a vontade do agente. É o que se extrai da Súm. 711 do STF: “a lei penal 
mais grave aplica-se ao crime continuado ou ao crime permanente, se a sua vigência é anterior 
à cessação da continuidade ou da permanência.” 
Ex: imaginemos o fato de o agente sequestrar a vítima no dia 5-10-2021, com a intenção 
de exigir resgate, praticando o crime de extorsão mediante sequestro (CP, art. 159), que previa 
pena de reclusão, de 8 a 15 anos. No dia 15-10-2021, enquanto a vítima estava no cativeiro, 
sobrevém lei nova, elevando a pena do crime de extorsão mediante sequestro, para 10 a 20 
anos, de reclusão. A vítima é resgatada no dia 20-10-2021, cessando, portanto, a permanência. 
Nesse caso, aplica-se a lei nova, ainda que mais grave, já que entrou em vigor antes da cessação 
da permanência, ou seja, enquanto o crime de extorsão mediante sequestro estava sendo 
1ª Fase | 42° Exame da OAB 
Direito Penal 
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executado. 
 
1.2. Lei temporária e lei excepcional (art. 3° do CP) 
Leis excepcionais: são feitas para durar enquanto um estado anormal ocorrer. Cessa a 
sua vigência ao mesmo tempo que a situação excepcional também terminar. Portanto, são aque-
las promulgadas em caso de calamidade pública, guerras, revoluções, cataclismos, epidemias 
etc. 
Leis temporárias: são as editadas com período determinado de duração, portanto, dota-
das de autorrevogação. É feita para vigorar em um período de tempo previamente fixado pelo 
legislador. Traz em seu bojo a data do início e da cessação de sua vigência. É uma lei que, desde 
a sua entrada em vigor, está marcada para morrer. 
Reúnem duas características: 
1) Autorrevogabilidade: em regra, uma lei somente pode ser revogada por outra lei 
posterior. As leis de vigência temporária e excepcionalconduz, em nenhuma hipótese, à aplicação da pena de prisão. Ninguém pode ser privado 
da liberdade em razão do não pagamento de uma multa estatal. 
Nos termos do art. 51 do CP, transitada em julgado a sentença condenatória, o valor da 
multa deve ser inscrito como dívida ativa em favor da Fazenda Pública. A multa permanece com 
sua natureza penal. A execução é que se procede em termos extrapenais. Em face disso, a 
obrigação de seu pagamento não se transmite aos herdeiros do condenado. 
A novidade introduzida pela Lei nº 13.964/2019 diz respeito à execução da pena de multa. 
Nos termos da atual redação do art. 51 do CP, a legitimidade para a execução da pena de multa 
passa a ser do Ministério Público, sendo executada perante o juiz da execução penal. 
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5.4. Da aplicação da pena (art. 68 do CP) 
Da leitura do art. 68 do CP verifica-se que, em relação à pena privativa de liberdade, a 
legislação penal adotou o critério trifásico, segundo o qual se deve encontrar a pena-base aten-
dendo-se ao critério do art. 59 deste Código; em seguida, serão consideradas as circunstâncias 
atenuantes e agravantes; por último, as causas de diminuição e de aumento. 
Em relação à pena de multa, convém repetir, o Código Penal adotou o sistema bifásico, 
conforme se extrai do art. 49 do CP. 
 
5.4.1. Primeira fase da fixação da pena: pena-base e circunstâncias ju-
rídicas 
Não há nenhum dispositivo legal norteando o juiz na fixação da pena-base, encarregando-
se a doutrina e a jurisprudência de estabelecer critérios basilares para o montante da pena-base, 
sempre ressaltando a discricionariedade do juiz. 
Todavia, em que pese o grau de discricionariedade, o juiz, nessa fase, está restrito à 
cominação legal da pena, devendo observar o mínimo e o máximo da pena legalmente prevista. 
Em outras palavras, ainda que todas as circunstâncias judiciais sejam favoráveis ao réu, a pena-
base não poderá ficar abaixo do mínimo legal. De outro lado, se as circunstâncias judiciais forem 
desfavoráveis ao réu, não será possível ao juiz fixar a pena-base além do máximo da pena co-
minada ao delito. Assim, por exemplo, em relação ao crime de furto simples (art. 155, caput, do 
CP), o juiz somente poderá fixar a pena-base dentro do limite de 1 (um) a 4 (quatro) anos. 
De todo modo, se todas as circunstâncias judiciais do art. 59 do CP forem favoráveis ao 
réu, a pena-base, como regra óbvia, deverá ser fixada no mínimo legal. Se alguma circunstância 
judicial for desfavorável ao réu, o juiz está autorizado a fixar a pena-base acima do mínimo legal. 
 
5.4.2. Segunda fase da fixação da pena: circunstâncias agravantes e 
atenuantes 
Após a fixação da pena-base, adotando como parâmetro as circunstâncias judiciais, cum-
pre ao juiz passar para a segunda fase, fixando a pena, ainda provisória, levando em conta as 
circunstâncias agravantes e atenuantes. 
No caput do art. 61, o Código Penal emprega o advérbio “sempre”, indicando que, via de 
regra, as agravantes são de aplicação obrigatória. Em razão disso, o juiz não pode deixar de 
agravar a pena, ficando o quantum da pena a seu critério. 
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Todavia, quando uma das circunstâncias agravantes funciona como elementar ou como 
circunstância qualificadora, não se aplica a agravante, a fim de evitar o bis in idem. 
Assim, se, por exemplo, o agente praticar homicídio por motivo fútil (art. 121, § 2º, II, do 
CP), não incide a agravante do art. 61, II, a, 1ª figura (ter sido o crime cometido por motivo fútil), 
pois a circunstância genérica funciona como “qualificadora” do homicídio. 
A quantidade da pena a ser agravada ou atenuada fica a critério do juiz, uma vez que não 
há nenhum dispositivo legal fixando os parâmetros. 
As circunstâncias atenuantes são de aplicação em regra obrigatória, pois o caput do art. 
65 reza que: “são circunstâncias que sempre atenuam a pena”. 
Entretanto, quando a pena-base for fixada no mínimo legal, a incidência da circunstância 
atenuante não pode conduzir à redução da pena abaixo da pena mínima cominada. É o que se 
extrai da Súm. nº 231 do STJ: “A incidência da circunstância atenuante não pode conduzir à 
redução da pena abaixo do mínimo legal”. 
É possível que a atenuante do art. 65 funcione na Parte Especial do Código Penal como 
causa da diminuição da pena. Nesse caso, não se aplica a atenuante genérica. Ex.: a circuns-
tância consistente em praticar crime por motivo de relevante valor moral ou social integra o ho-
micídio privilegiado (art. 121, § 1º, do CP); logo, não poderá ser considerada atenuante genérica. 
Ao contrário das circunstâncias agravantes, que somente podem ser aplicadas se expressa-
mente previstas em lei, pode o Magistrado considerar, na segunda fase de fixação da pena, 
atenuante não prevista em lei, levando em conta circunstância relevante, anterior ou posterior ao 
crime. É o que se extrai do art. 66 do CP. 
Assim, se, por exemplo, restar comprovado que o agente praticou o crime de furto em 
razão de desemprego ou moléstia grave na família, poderá o Magistrado considerar essa cir-
cunstância para atenuar a pena, ainda que não expressamente prevista em lei. 
 
5.4.3. Terceira fase da aplicação da pena: causas de aumento e de dimi-
nuição da pena 
Na terceira e última fase de aplicação da pena, o juiz deve considerar as causas de au-
mento e de diminuição da pena presentes no caso concreto. Essas causas de aumento e de 
diminuição da pena podem estar previstas tanto na Parte Geral do Código Penal quanto na Parte 
Especial. 
O cálculo decorrente da causa de aumento ou diminuição da pena deve incidir sobre a 
pena provisória, encontrada na segunda fase, de forma cumulada. 
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É importante salientar que, com o reconhecimento de causa de aumento ou de diminui-
ção de pena, o juiz pode aplicar pena acima da máxima ou inferior à mínima cominada em abs-
trato. 
 
5.5. Da reincidência (art. 63 do CP) 
A reincidência pressupõe uma sentença condenatória transitada em julgado por prática 
de crime. Há reincidência somente quando o novo crime for cometido após a sentença condena-
tória de que não cabe mais recurso. É o que se extrai do art. 63 do CP. 
Ex.: o agente pratica um crime, sendo processado e condenado. Não recorre, vindo a 
sentença transitar em julgado. Meses depois, vem a praticar novo crime. É considerado reinci-
dente, uma vez que cometeu novo delito após o trânsito em julgado de sentença que o condenou 
por prática de crime. 
Se o agente praticar o novo crime exatamente no dia em que transitar em julgado a sen-
tença penal condenatória pelo crime anterior, não incide a agravante da reincidência, pois a lei é 
expressa ao mencionar que o novo crime deve ser praticado “depois” do trânsito em julgado. No 
dia do trânsito, portanto, não se encaixa na hipótese legal. 
Além disso, complementando os pressupostos da reincidência, o art. 7º da Lei de Contra-
venções Penais (Decreto-lei nº 3.688/1941) dispõe que: “verifica-se a reincidência quando o 
agente pratica uma contravenção depois de passar em julgado a sentença que o tenha conde-
nado, no Brasil ou no estrangeiro, por qualquer crime, ou, no Brasil, por motivo de contravenção”. 
Assim, podem ocorrer várias hipóteses: 
a) o agente, condenado irrecorrivelmente pela prática de um crime, vem a cometer 
outro delito: é reincidente (art. 63 do CP); 
b) o agente pratica um crime; condenado irrecorrivelmente, vem a cometer uma con-
travenção: é reincidente (art. 7º da LCP); 
c) o sujeito pratica uma contravenção, vindo a ser condenado por sentença transitada 
em julgado; comete outra contravenção: é considerado reincidente (art. 7º da LCP); 
d) o sujeito comete uma contravenção; é condenado por sentença irrecorrível; pratica 
um crime: não é reincidente (art. 63 do CP). 
 
Informativo 636 STF: condenações anteriores pelo delito do art. 28 da Lei nº11.343/2006 
não são aptas a gerar reincidência. 
 
 
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5.5.1. Eficácia temporal da condenação anterior para efeito da reincidên-
cia 
Nos termos do art. 64, I, do CP, não prevalece a condenação anterior se entre a data do 
cumprimento ou extinção da pena e a infração posterior tiver decorrido período de tempo superior 
a 5 (cinco) anos, computado o período de prova da suspensão ou do livramento condicional, se 
não ocorrer revogação. 
Logo, o prazo de 5 (cinco) anos começa a correr a partir do cumprimento da pena ou a 
sua extinção por outro modo, por exemplo, incidência de uma causa extintiva da punibilidade, 
como a prescrição da pretensão executória, graça ou indulto. 
O período de prova do livramento condicional e da suspensão condicional da pena será 
computado para fins de cessar os efeitos da reincidência. 
Assim, em tese, ao agente condenado a 6 (seis) anos de reclusão, cumprindo 1/3 (ou 
seja, 2 anos), será concedido o livramento condicional (art. 83, I, do CP), restando outros 4 (qua-
tro) anos para o término da pena, que será o período de prova. 
Consideremos a hipótese de o agente ter iniciado o cumprimento da pena no dia 10-8-
2010. Após cumprir 1/3 da pena, dois anos, portanto, obteve o livramento condicional em 10-8-
2012, cumprindo integralmente a pena no dia 10-8-2016. 
Em 10-9-2017, o agente pratica novo crime. Nesse caso, não será considerado reinci-
dente, pois passaram-se mais de 5 (cinco) anos entre a data do cumprimento da pena e a prática 
do novo crime, computando-se o período de prova do livramento condicional. 
 
5.5.2. Crimes que não induzem reincidência 
O art. 64, II, do CP dispõe que, para efeito de reincidência, não se consideram os crimes 
militares próprios ou políticos. 
Convém ressaltar que, conquanto não gere reincidência, o trânsito em julgado de uma 
sentença penal condenatória por crime militar próprio ou crime político gera maus antecedentes, 
já que o art. 64, II, do CP limita-se a afastar a reincidência, nada dispondo sobre maus antece-
dentes. 
 
5.6. Concurso de crimes 
5.6.1. Concurso material (art. 69 do CP) 
Ocorre o concurso material, também chamado de real, quando o agente, mediante mais 
1ª Fase | 42° Exame da OAB 
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de uma ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não (art. 69, caput, do CP). 
Há, pois, pluralidade de condutas e pluralidade de resultados. 
Na hipótese de crimes conexos apurados na mesma ação penal, a soma das penas, pelo 
concurso material, será realizada na própria sentença, após a adoção do critério trifásico para 
cada um dos delitos. Ex.: o agente pratica o crime de estupro (art. 213 do CP) e, para assegurar 
a sua impunidade, mata, na sequência, a vítima (art. 121, § 2º, V, do CP). Imaginemos que o juiz 
fixe, em relação ao delito de estupro, a pena de 8 (oito) anos; e em relação ao crime de homicídio 
qualificado, a pena de 20 (vinte) anos. Ao final, verificando-se tratar de concurso material de 
crimes, o Magistrado aplicará o sistema do cúmulo material, somando as penas, alcançando a 
pena definitiva de 28 anos. 
De outro lado, na hipótese de não haver conexão entre os crimes, sendo, por isso, julga-
dos em processos distintos, a soma das penas será realizada perante o juízo da execução cri-
minal, por força do disposto no art. 66, III, a, da Lei de Execução Penal (Lei nº 7.210/1984). 
Nos termos do art. 69, caput, do CP, quando o agente realiza o concurso real de crimes, 
“aplicam-se cumulativamente as penas em que haja incorrido”. Portanto, no concurso material, 
as penas são cumuladas, somadas. 
Aplica-se, pois, o sistema do cúmulo material de fixação da pena. 
 
5.6.2. Concurso formal (art. 70 do CP) 
5.6.2.1. Conceito 
Ocorre o concurso formal (ou ideal) quando o agente, mediante uma só ação ou omissão, 
pratica dois ou mais crimes (art. 70, caput, do CP). Há unidade de conduta e pluralidade de 
crimes. 
A unidade de conduta concretiza-se quando os atos são realizados no mesmo contexto 
espacial e temporal, não exigindo, necessariamente, ato único. De fato, pode haver unidade de 
conduta mesmo quando fracionada em vários atos, por exemplo, agente que subtrai objetos per-
tencentes a pessoas distintas, no mesmo contexto fático. 
O Superior Tribunal de Justiça tem entendido que, praticado o crime de roubo em um 
mesmo contexto fático, mediante uma só ação, contra vítimas diferentes, tem-se configurado o 
concurso formal de crimes. 
 
5.6.2.2. Concurso formal perfeito e concurso formal imperfeito 
1ª Fase | 42° Exame da OAB 
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a) concurso formal perfeito, ou próprio (primeira parte do art. 70 do CP): ocorre quando 
o agente pratica duas ou mais infrações penais por meio de uma única conduta. Resulta de um 
único desígnio. O agente, de um só impulso volitivo, dá causa a dois ou mais resultados, sem 
desígnios autônomos em relação a cada um dos resultados. 
Desígnio autônomo caracteriza-se pelo fato de o agente pretender, mediante uma única 
conduta, atingir dois ou mais resultados. Ou seja, o agente, mediante uma ação ou omissão, age 
com consciência e vontade em relação a cada um deles, considerados isoladamente. 
Assim, se, por exemplo, o agente, na condução de veículo automotor, atropela e causa a 
morte de uma pessoa e lesão corporal em outra, pratica crime de homicídio culposo na condução 
de veículo automotor (art. 302 do CTB), em concurso formal perfeito, já que não tinha desígnios 
autônomos em relação a cada um dos resultados. 
b) concurso formal imperfeito, ou impróprio (segunda parte do art. 70 do CP): ocorre 
quando o agente, mediante uma ação ou omissão, pretende, de forma consciente e voluntária, 
o resultado em relação a cada um dos crimes. 
Ex.: o agente provoca fogo em uma residência com a intenção de matar todos os mora-
dores. O agente tem desígnios autônomos (intenção de matar) em relação a cada um dos mora-
dores da residência. 
A expressão “desígnios autônomos” abrange tanto o dolo direto quanto o dolo eventual. 
Assim, haverá concurso formal imperfeito, por exemplo, entre o delito de homicídio doloso com 
dolo direto e outro com dolo eventual. 
 
5.6.2.3. Aplicação da pena no concurso formal 
Em relação ao concurso formal perfeito, ou próprio, o Código Penal adotou o sistema de 
exasperação da pena. Aplica-se a pena do crime mais grave ou, se iguais, somente uma delas, 
mas aumentada, em qualquer caso, de um sexto até metade. 
O critério adotado pela jurisprudência para a fixação do aumento da pena em decorrência 
do concurso formal perfeito de crimes tem relação com o número de crimes cometidos pelo 
agente. 
 
Número de cri-
mes 2 crimes 3 crimes 4 crimes 5 crimes 5 ou mais 
crimes 
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40 
Aumento da 
pena 
1/6 de au-
mento 
1/5 de au-
mento 
1/4 de au-
mento 
1/3 de au-
mento 
1/2 de au-
mento 
 
No concurso formal imperfeito, ou impróprio, por conta do maior grau de reprovabilidade 
da conduta do agente, visando a não beneficiar agente que agiu com desígnios autônomos em 
relação a cada resultado, as penas devem ser somadas, adotando-se o critério do cúmulo ma-
terial, nos termos do art. 70, caput, 2ª parte, do CP. 
 
5.6.3. Concurso material benéfico (art. 70, par. ún., do CP) 
Se da aplicação da regra da exasperação da pena, no concurso formal, a pena tornar-se 
superior à que resultaria se somadas, deve-se adotar o critério do cúmulo material, porque, nesse 
caso, será mais benéfico (art. 70, par. ún., do CP). 
Ex.: suponha-se que o agente tenha praticado um homicídio simples (art. 121 do CP – 
pena de 6 a 20 anos) e uma lesão corporal leve (art. 129, caput, do CP – pena de 3 meses a 1 
ano), em concurso formal. Aplicado o critério da exasperação da pena, considerando-se a pena 
do crime mais agrave, acrescido de 1/6, resultaria na pena de 7 (sete) anos. 
Se aplicada a pena considerando-se o critério do cúmulo material, considerando-sea 
pena aplicada para crime de homicídio simples (6 anos) e lesão corporal leve (3 meses), a pena 
definitiva ficaria em 6 (seis) anos e 3 (três) meses. Essa seria a pena a ser aplicada, já que a 
aplicação do critério do concurso material é mais benéfica. 
Em face disso, a pena a ser aplicada não pode ser superior à que seria cominada se fosse 
caso de concurso material, aplicando-se, nesse caso, o disposto no art. 70, par. ún., do CP. 
 
5.6.4. Crime continuado (art. 71 do CP) 
5.6.4.1. Conceito 
Ocorre o crime continuado quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, 
pratica dois ou mais crimes da mesma espécie, devendo os subsequentes, pelas condições de 
tempo, lugar, maneira de execução e outras semelhantes, ser havidos como continuação do 
primeiro. 
 
5.6.4.2. Requisitos 
Para a incidência das regras do crime continuado é preciso verificar a presença de 
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requisitos dispostos no art. 71 do CP, consistentes: a) na pluralidade de condutas; b) na plurali-
dade de crimes da mesma espécie; c) nas mesmas condições de tempo, lugar, maneira de exe-
cução e outras semelhantes. 
a) Pluralidade de condutas: nos termos do art. 71 do CP, o crime continuado caracteriza-
se pelo fato de o agente praticar crimes mediante mais de uma ação ou omissão, exigindo, pois, 
pluralidade de condutas. 
Distingue-se do concurso material, que também exige pluralidade de condutas, por força 
da incidência dos demais requisitos, ou seja, a prática de crimes de mesma espécie, nas mesmas 
condições de tempo, lugar e maneira de execução. 
b) Crimes da mesma espécie: crimes da mesma espécie são os que estiverem previstos 
no mesmo tipo penal, considerando-se, inclusive, as figuras simples ou qualificadas, dolosas ou 
culposas, tentadas ou consumadas. 
De outro lado, a teor da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, não há como re-
conhecer a continuidade delitiva entre os crimes de roubo e de latrocínio, porquanto são delitos 
de espécies diversas, já que tutelam bens jurídicos diferentes.1 
c) Condições de tempo: exige-se, para caracterizar crime continuado, conexão temporal 
entre as condutas praticadas para que se configure a continuidade delitiva. Deve existir, em ou-
tros termos, certa periodicidade que permita se observar certo ritmo, certa uniformidade, entre 
as ações sucessivas, embora não se possam fixar, a respeito, indicações precisas. 
A jurisprudência tem admitido crime continuado quando entre as infrações penais não 
houver decorrido período superior a 30 (trinta) dias. 
d) Condições de lugar: deve existir entre os crimes da mesma espécie uma conexão 
espacial para caracterizar o crime continuado. 
A prática de crimes da mesma espécie em locais diversos não exclui a continuidade. As-
sim, crimes praticados em bairros diversos de uma mesma cidade, ou em cidades próximas, 
podem ser entendidos como praticados em condições de lugar semelhantes. 
e) Maneira de execução: a lei exige que a forma de execução das infrações continuadas 
seja semelhante, traduzindo-se no modo, forma e meios empregados para a prática dos delitos. 
Ex.: empregado de um estabelecimento comercial que subtrai, diariamente, objetos da empresa. 
Todavia, um crime de furto qualificado pela escalada e outro furto qualificado pela des-
treza, conquanto crimes da mesma espécie, inviabilizam a incidência do crime continuado, já que 
empregaram modos de execução distintos. 
 
1 STJ – HC 384875/SP – rel. Min. Ribeiro Dantas – 5ª Turma – j. 20-3-2018. 
1ª Fase | 42° Exame da OAB 
Direito Penal 
42 
5.6.4.3. Crime continuado específico (art. 71, par. ún., do CP) 
O crime continuado específico prevê a necessidade de três requisitos, que devem ocorrer 
simultaneamente: 
1) Contra vítimas diferentes: admite-se nexo de causalidade entre crimes que lesam 
interesses jurídicos pessoais, ainda que praticados contra vítimas diversas. 
Assim, admite o Código Penal nexo de continuidade entre homicídios, lesões corporais 
ou roubos contra vítimas diversas, podendo o juiz, de acordo com as circunstâncias judiciais do 
art. 59, caput, do CP, aumentar a pena de um dos delitos até o triplo, desde que a pena não seja 
superior à que seria imposta se o caso fosse de concurso material. 
2) Com violência ou grave ameaça à pessoa: mesmo que o crime seja contra vítimas 
diferentes, se não houver violência – real ou ficta – contra a pessoa, não haverá a continuidade 
específica, mesmo que haja violência contra a coisa. 
3) Somente em crimes dolosos: se a ação criminosa for praticada contra vítimas dife-
rentes, com violência à pessoa, mas não for produto de uma conduta dolosa, não estará carac-
terizada a exceção. 
 
5.6.4.4. Aplicação da pena 
Tratando-se de crime continuado comum, aplica-se a pena do crime mais grave, aumen-
tada de 1/6 até 2/3. 
O parâmetro para o aumento da pena entre 1/6 e 2/3 deve ser proporcional ao número de 
infrações praticadas. É o que se extrai da Súmula 659 do STJ: "A fração de aumento em razão 
da prática de crime continuado deve ser fixada de acordo com o número de delitos cometidos, 
aplicando-se 1/6 pela prática de duas infrações, 1/5 para três, 1/4 para quatro, 1/3 para cinco, 
1/2 para seis e 2/3 para sete ou mais infrações." 
 
Número de 
crimes 2 crimes 3 crimes 4 crimes 5 crimes 6 crimes 7 ou mais 
crimes 
Aumento de 
pena 
1/6 de au-
mento 
1/5 de au-
mento 
1/4 de au-
mento 
1/3 de au-
mento 
1/2 de au-
mento 
2/3 de au-
mento 
 
Com relação a crime continuado específico, previsto no art. 71, par. ún., do CP, aplica-se 
a pena do crime mais grave aumentada até o triplo. Todavia, segundo o entendimento do Su-
premo Tribunal Federal, no crime continuado qualificado, a majoração da pena não está adstrita 
1ª Fase | 42° Exame da OAB 
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ao número de infrações praticadas, haja vista que o art. 71, par. ún., do CP determina que poderá 
o juiz, “considerando a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do 
agente, bem como os motivos e as circunstâncias, aumentar a pena de um só dos crimes, se 
idênticas, ou a mais grave, se diversas, até o triplo”. Logo, a fração de aumento de pena no crime 
continuado qualificado lastreia-se nos vetores em questão, e não apenas no número de infrações 
praticadas. 
6. Da Suspensão Condicional da Pena 
6.1. Conceito 
Trata-se de um instituto de política criminal, tendo por fim a suspensão da execução da 
pena privativa de liberdade, evitando o recolhimento ao cárcere do condenado não reincidente 
condenado à pena não superior a 2 (dois) anos (ou a 4 anos, na hipótese de sursis etário ou 
humanitário), mediante o cumprimento de determinadas condições, fixadas pelo juiz, durante o 
período de prova. 
Os requisitos da suspensão condicional da execução da pena estão previstos no art. 77 
do CP. 
 
6.1.1. Requisitos objetivos 
a) Pena privativa de liberdade: quanto à qualidade da pena, somente a pena privativa 
de liberdade, seja reclusão, seja detenção, admite a suspensão condicional da execução da 
pena. 
Não cabe sursis em relação à pena restritiva de direitos e à pena de multa. É o que se 
extrai do art. 80 do CP, segundo o qual “a suspensão não se estende às penas restritivas de 
direitos nem à multa”. 
Não se aplica o sursis às medidas de segurança, uma vez que o instituto é voltado a 
suspender a execução da pena. E medida de segurança não tem natureza jurídica de pena. Além 
disso, verificada a inimputabilidade pela enfermidade mental, a sentença será absolutória impró-
pria, não havendo, pois, execução da pena a suspender. 
b) Quantidade da pena privativa de liberdade: como regra, a quantidade da pena im-
posta na sentença não pode ser superior a 2 (dois) anos, ainda que resulte, no concurso de 
crimes, de sanções inferiores a ela. 
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Tratando-se, entretanto, de condenado maior de 70 anos de idade, ao tempo da sentença 
ou do acórdão(sursis etário) ou em razão de saúde (sursis humanitário ou profilático), a pena 
aplicada pode ser igual ou inferior a 4 (quatro) anos (art. 77, § 2º, do CP). 
Em relação a concurso de crimes, em qualquer das suas espécies, a pena aplicada, con-
siderando os critérios da exasperação da pena ou cúmulo material, não pode ser superior a 2 
(dois) anos (ou 4 anos, na hipótese de sursis etário ou humanitário). 
c) Impossibilidade de substituição por pena restritiva de direitos: somente se aplica 
o sursis quando incabível ou não recomendável a substituição da pena privativa de liberdade por 
restritiva de direitos (art. 77, III, do CP). 
 
6.1.2. Requisitos subjetivos 
a) Condenado não reincidente em crime doloso: nem toda reincidência impede a con-
cessão do sursis, mas somente a reincidência em crime doloso. Isso quer dizer que a condena-
ção anterior, mesmo definitiva, por crime culposo ou por simples contravenção, por si só, não é 
causa impeditiva da suspensão condicional da pena. 
Todavia, a reincidência, ainda que em crime doloso, em decorrência de anterior condena-
ção a pena de multa, não impede a concessão do sursis (art. 77, § 1º, do CP). 
b) Circunstâncias judiciais favoráveis ao agente: não é indispensável que todas as 
circunstâncias sejam favoráveis, como ocorre com sursis especial. Basta que, no geral, não se-
jam desfavoráveis de modo a criar dúvidas fundadas sobre a possibilidade de o condenado voltar 
a delinquir. 
 
6.2. Condições 
Durante o período do sursis, o condenado deve cumprir determinadas condições, sob 
pena de ser revogada a medida e ter de cumprir a sanção privativa de liberdade. Essas condições 
são: a) legais: impostas pela lei (arts. 78, § 1º, e 81 do CP); b) judiciais: impostas pelo juiz na 
sentença (art. 79 do CP). 
No sursis simples, a condição legal e obrigatória consiste na prestação de serviços à co-
munidade ou limitação de fim de semana, no primeiro ano do período de suspensão (art. 78, 
§ 1º, 1ª parte, do CP). 
Tratando-se de sursis especial, satisfeitos os seus requisitos, as condições alternativas 
da prestação de serviços à comunidade e a limitação de fim de semana são substituídas por: 
proibição de frequentar determinados lugares; proibição de o condenado ausentar-se da 
1ª Fase | 42° Exame da OAB 
Direito Penal 
45 
comarca onde reside, sem autorização judicial; e comparecimento pessoal e obrigatório a juízo, 
mensalmente, para informar e justificar suas atividades (art. 78, § 2º, a e c, do CP). 
As condições legais do sursis especial, previstas no art. 78, § 2º, a, b e c, do CP, devem 
ser impostas cumulativamente. 
 
6.3. Período de prova 
É o prazo em que a execução da pena privativa de liberdade imposta fica suspensa, me-
diante o cumprimento das condições estabelecidas. 
Como regra, o período de prova varia entre 2 (dois) a 4 (quatro) anos (art. 77, caput, do 
CP). Sendo o condenado maior de 70 anos de idade ou por razões de saúde, o prazo varia de 4 
(quatro) a 6 (seis) anos (art. 77, § 2º, do CP). Tratando-se da contravenção, o período de prova 
varia de 1 (um) a 3 (três) anos (art. 11 da LCP). 
O período de prova deve ser fixado segundo a natureza do crime, personalidade do agente 
e intensidade da pena, não podendo o juiz, senão em hipótese excepcional, estabelecê-lo no 
prazo máximo. 
 
6.3.1. Causas de revogação do sursis 
Incidindo uma causa de revogação do sursis, deverá o condenado cumprir integralmente 
a pena privativa de liberdade cuja execução se encontrava suspensa, desconsiderando o tempo 
que permaneceu no período de prova, ainda que tenha cumprido as condições impostas. 
Assim, se, por exemplo, no primeiro ano o agente cumpriu prestação de serviço à comu-
nidade, sobrevindo causa de revogação do sursis, esse período não será descontando/detraído 
da pena privativa de liberdade que deverá ser executada. 
a) Revogação obrigatória: a revogação obrigatória decorre de lei, não ficando a critério 
do Magistrado decretá-la ou não. A margem de discricionariedade do Magistrado é limitada pela 
lei, sendo seu dever revogar o benefício. 
Nos termos do art. 81 do CP, a suspensão condicional da execução da pena será revo-
gada, no curso do prazo, ao beneficiário que: 
1) é condenado, sem sentença irrecorrível, por crime doloso: a lei não faz ressalva 
no sentido de que a condenação deva ser por crime praticado no curso da suspensão condicional 
da pena. Logo, não se mostra relevante se o crime foi praticado antes ou depois do início da 
suspensão condicional da pena. Basta que tenha havido sentença condenatória transitada em 
julgado pela prática de crime doloso, independentemente de quando foi praticado. 
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46 
Todavia, se a nova condenação se referir somente à pena de multa, não haverá revoga-
ção do benefício. Com efeito, se a condenação anterior à pena de multa, mesmo por crime do-
loso, não impede a concessão do sursis (art. 77, § 1º, do CP), também não pode ser causa de 
revogação do benefício. 
2) frustra, embora solvente, a execução de pena de multa ou não efetua, sem motivo 
justificado, a reparação do dano: trata-se da hipótese de o condenado solvente criar embara-
ços para frustrar a execução da pena de multa que obstem a cobrança da multa, não efetuando 
o seu pagamento. 
3) Também constitui causa obrigatória de revogação do sursis a ausência injustificada da 
reparação do dano. Assim, se justificada a impossibilidade de reparação do dano, por exemplo, 
a precária situação financeira do condenado, não incidirá a causa de revogação do benefício. 
4) descumpre a condição do § 1º do art. 78 do CP: como ocorre na hipótese da repa-
ração do dano, somente o descumprimento injustificado da prestação de serviços à comunidade 
ou da limitação de fim de semana ensejará a revogação do benefício. 
b) Revogação facultativa: incidindo uma causa de revogação facultativa do sursis, ficará 
a critério do juiz revogar ou não o benefício. 
As hipóteses de revogação facultativa estão previstas no art. 81, § 1º, do CP. Nesse caso, 
o juiz não está obrigado a revogar o benefício, podendo optar por advertir novamente o senten-
ciado, prorrogar o período de prova até o máximo ou exacerbar as condições impostas, conforme 
dispõe o art. 81, § 3º, do CP. 
São duas as hipóteses de revogação facultativa: 
1) o condenado deixa de cumprir qualquer outra condição imposta: na hipótese de 
revogação facultativa, a decisão fica sujeita à discricionariedade do juiz, que, em vez de revogar 
a suspensão, poderá prorrogar o período de prova. Aqui, a lei refere-se às condições legais 
previstas para o sursis especial (art. 78, § 2º, do CP) e às condições judiciais que foram deter-
minadas (art. 79 do CP). 
2) condenação irrecorrível, por crime culposo ou contravenção, à pena privativa de 
liberdade e restritiva de direitos: essa hipótese afasta a condenação à pena de multa, já que 
se refere, especificamente, às outras duas modalidades de penas. 
 
6.4. Extinção da pena 
Se o período de prova termina sem que haja ocorrido motivo para a revogação, não mais 
se executa a pena privativa de liberdade (art. 82 do CP). 
1ª Fase | 42° Exame da OAB 
Direito Penal 
47 
Assim, expirado o prazo de suspensão ou de prorrogação sem que tenha havido motivo 
para a revogação, o juiz deve declarar extinta a pena privativa de liberdade. 
Trata-se de sentença declaratória. Em face disso, considera-se, para fins de extinção da 
pena, a data do término do período de prova e não a data em que o juiz profere a decisão, ainda 
que seja em período posterior. 
 
7. Do Livramento Condicional 
 
7.1. Conceito 
Trata-se de um instituto de política criminal, destinado a antecipar o retorno do condenado 
ao convívio social, mediante determinadas condições e de forma precária, desde que preenchi-
dos os requisitos legais. 
 
7.2. Requisitos 
Os requisitos do livramento condicional, de ordem objetiva e subjetiva, encontram-se no 
art. 83 do CP.a) Natureza e quantidade da pena: assim como na suspensão condicional do processo, 
o livramento condicional somente pode ser concedido em relação à pena privativa de liberdade. 
Não cabe, pois, à pena restritiva de direitos e multa. 
Além disso, o benefício somente poderá ser concedido à pena privativa de liberdade igual 
ou superior a 2 (dois) anos (art. 83 do CP). A soma das penas é permitida para atingir esse limite 
mínimo, mesmo que tenham sido aplicadas em processos distintos, nos termos do art. 84 do CP. 
b) Cumprimento de parte da pena: nos termos do art. 83, I, do CP, se o criminoso não 
for reincidente em crime doloso e ostentar bons antecedentes, deverá cumprir mais de 1/3 da 
pena privativa de liberdade para obter o benefício. É a hipótese de livramento condicional sim-
ples. 
Se o condenado for reincidente em crime doloso, deverá cumprir mais da metade da pena 
privativa de liberdade, conforme dispõe o art. 83, II, do CP. Trata-se do livramento condicional 
qualificado. Por conta da ausência de expressa previsão legal, deve-se conferir ao condenado o 
tratamento mais benéfico. Ou seja, o condenado não reincidente em crime doloso, mas portador 
de maus antecedentes, deverá cumprir mais de 1/3 da pena para obtenção do livramento condi-
cional. 
1ª Fase | 42° Exame da OAB 
Direito Penal 
48 
Tratando-se de condenado por prática de tortura, crime hediondo, tráfico ilícito de entor-
pecentes e drogas afins, terrorismo e tráfico de pessoas (introduzido pela Lei nº 13.344/2016), 
desde que não seja reincidente específico em tais delitos, deve cumprir mais de 2/3 da pena (art. 
83, V, do CP). Trata-se do livramento condicional específico. 
Assim, sendo reincidente específico em crime hediondo ou equiparado, não é admissível 
o livramento condicional. Há reincidência específica, para efeito desse dispositivo, quando o su-
jeito, já tendo sido condenado por qualquer dos delitos hediondos por sentença transitada em 
julgado, vem novamente a cometer crime dessa mesma natureza. Ex.: após condenação defini-
tiva por crime de homicídio qualificado, o agente pratica e é condenado pelo crime de tráfico de 
drogas. Nesse caso, não terá direito a livramento condicional, por ser reincidente específico por 
crime de natureza hedionda e equiparado. 
c) Reparação do dano, salvo efetiva impossibilidade: nos termos do art. 91, I, do CP, 
a condenação torna certa a obrigação de indenizar o dano resultante do crime. Assim, o conde-
nado não pode obter o livramento condicional enquanto não reparar o dano causado, salvo 
quando insolvente. 
Na prática, esse requisito tem limitado alcance, uma vez que, via de regra, os condenados 
são pessoas pobres, absolutamente insolventes, sem a menor possibilidade de reparar o dano 
causado. 
d) Bom comportamento durante a execução da pena: o bom comportamento carcerá-
rio, via de regra, é aferido com base no atestado emitido pelo diretor do estabelecimento carce-
rário, considerando-se a conduta do condenado ao longo da execução da pena. Em outras pa-
lavras, para a verificação do requisito subjetivo não se leva em conta o crime praticado pelo 
condenado, mas seu comportamento durante o cumprimento da pena. 
Convém sinalar, por pertinente, que a prática de falta grave não interrompe o prazo para 
a concessão do livramento condicional. É o que se extrai da Súm. nº 441 do STJ, segundo a qual 
“A falta grave não interrompe o prazo para obtenção de livramento condicional”. 
De acordo com a Súm. nº 439/STJ, “admite-se o exame criminológico pelas peculiaridades 
do caso, desde que em decisão motivada”. 
b) Não cometimento de falta grave nos últimos doze meses: a Lei nº 13.964/2019 
acrescentou mais um requisito para a obtenção do livramento condicional, consistente no não 
cometimento de falta grave nos últimos 12 meses de execução da pena. 
As hipóteses de falta grave durante a execução da pena estão previstas no art. 50 da Lei 
nº 7.210/1984. 
1ª Fase | 42° Exame da OAB 
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Se o condenado praticou falta grave ao longo dos últimos 12 meses, não terá direito à 
obtenção do livramento condicional, ainda que preenchidos os demais requisitos. 
c) Bom desempenho no trabalho que lhe foi atribuído: trata-se de uma exigência sa-
lutar para o retorno do condenado ao convívio social, mas, infelizmente, de pouca efetividade 
prática, por conta da carência ou dificuldade de inserção do apenado no mercado de trabalho. 
Ao referir-se a “trabalho que lhe foi atribuído”, fica claro que não se trata apenas das ati-
vidades laborais desenvolvidas no interior do cárcere, mas também se refere ao trabalho efetu-
ado fora da prisão, por exemplo, o serviço externo, tanto na iniciativa privada como na pública. 
d) Aptidão para prover a própria subsistência mediante trabalho honesto: a lei não 
determina que o apenado deve ter emprego assegurado no momento da liberação. O que a lei 
exige é a aptidão, isto é, a disposição, a habilidade, a inclinação do condenado para viver às 
custas de seu próprio e honesto esforço. 
e) Constatação de condições pessoais que façam presumir que o liberado não vol-
tará a delinquir na hipótese de condenado por crime doloso, cometido com violência ou 
grave ameaça: tratando-se de condenado por crime doloso cometido com violência ou grave 
ameaça à pessoa, a concessão do livramento fica subordinada, além dos requisitos do art. 83 
do CP, à constatação, mediante perícia, de condições pessoais que façam presumir que o libe-
rado não voltará a delinquir (art. 83, par. ún., do CP). 
 
7.3. Livramento condicional vedado 
A Lei nº 13.964/2019, que altera o art. 112 da Lei nº 7.210/1984 (LEP), passou a prever 
vedação do livramento condicional a condenados pela prática de determinados crimes. 
É vedado o livramento condicional: 
• ao condenado pela prática de crime hediondo ou equiparado, com resultado morte 
(art. 112, VI, a e c, da LEP); 
• ao condenado expressamente em sentença, por integrar organização criminosa ou 
por crime praticado por meio de organização criminosa, não será facultada a pro-
gressão de regime de cumprimento de pena ou a obtenção do livramento condici-
onal ou outros benefícios prisionais se houver elementos probatórios que indiquem 
a manutenção do vínculo associativo (art. 2°, § 9º, da Lei nº 12.850/2013); 
• ao reincidente em crime hediondo ou equiparado (art. 83, V, do CP). 
 
7.4. As causas de revogação do livramento condicional 
1ª Fase | 42° Exame da OAB 
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50 
O livramento condicional, pela própria natureza do benefício, é passível de revogação a 
qualquer momento, desde que presente alguma hipótese que a justifique. 
As causas de revogação obrigatórias estão previstas no art. 86 do CP, ao passo que as 
causas de revogação facultativa estão previstas no art. 87. 
 
7.4.1. Causas de revogação obrigatória 
Quando ocorre uma causa obrigatória, não fica a critério do juiz revogar o livramento con-
dicional ou não, a revogação decorre da própria lei. 
A revogação obrigatória incide quando o liberado vem a ser condenado a pena privativa 
de liberdade, em sentença irrecorrível, por crime praticado durante ou antes da concessão do 
livramento condicional. 
A condenação pela prática de contravenção penal ou por crime a pena que não seja pri-
vativa de liberdade constitui causa de revogação facultativa. 
 
7.4.2. Causas de revogação facultativa 
Nas hipóteses de revogação facultativa, cumpre ao juiz deliberar acerca da revogação ou 
manutenção do livramento condicional. Trata-se, pois, de causas judiciais de revogação do livra-
mento condicional. 
Se mantido o livramento condicional, na hipótese da revogação facultativa, o Juiz deverá 
advertir o liberado ou agravar as condições (art. 140, par. ún., da LEP). 
Nos termos do art. 87 do CP, duas são as hipóteses de revogação facultativa: 
a) se o liberado deixar de cumprir qualquer das obrigações constantes na sentença; 
b) se o liberado for irrecorrivelmente condenado,por crime ou contravenção, a pena 
que não seja privativa de liberdade. 
 
8. Efeitos da Condenação 
 
8.1. Efeitos principais 
Como corolário lógico da sentença penal condenatória, o efeito principal consiste na apli-
cação de uma pena privativa de liberdade, restritiva de direitos e/ou multa, além de medida de 
segurança, no caso de agente semi-imputável que revela periculosidade. 
1ª Fase | 42° Exame da OAB 
Direito Penal 
51 
8.2. Efeitos secundários 
Além dos efeitos principais, a sentença condenatória gera efeitos secundários, também 
denominados efeitos mediatos, acessórios, reflexos ou indiretos, de natureza penal e extrapenal. 
 
8.2.1. Efeitos secundários de natureza penal 
São inúmeros os efeitos secundários da sentença penal condenatória transitada em jul-
gado, entre os quais podem ser destacados os seguintes: 
a) gerar a reincidência (art. 63 do CP); 
b) configuração de maus antecedentes, se não utilizada para fins de reincidência; 
c) fixação do regime inicial fechado na hipótese de prática de novo crime, ressalvada 
a hipótese da Súm. nº 269 do STJ; 
d) vedação da substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos na 
hipótese de prática de novo crime, ressalvada a hipótese do art. 44, § 3º, do CP; 
e) vedação da concessão da suspensão condicional da pena em relação ao novo 
crime (art. 77, I, do CP), e revogação do sursis (art. 81, I, e § 1º, do CP); 
f) causa de revogação do livramento condicional (arts. 86 e 87 do CP); 
g) aumento e interrupção do prazo da prescrição da pretensão executória, quando 
reconhecida a reincidência pela prática de outro crime (arts. 110, caput, e 117, VI, 
do CP); 
h) vedação da concessão da transação penal e da suspensão condicional do pro-
cesso, em relação ao novo crime (arts. 76, § 2º, I, e 89, caput, da Lei nº 9.099/1995). 
 
8.2.2. Efeitos secundários de natureza extrapenal 
Além de gerar efeitos penais, a sentença penal condenatória transitada em julgado gera 
efeitos extrapenais, ou seja, em outras áreas do direito, como na esfera cível, administrativa, 
trabalhista, eleitoral etc. Esses efeitos se dividem em genéricos e específicos. 
Os efeitos genéricos incidem sobre todos os crimes e estão previstos no art. 91 do CP, 
consistentes em reparar o dano e confisco. Incidem de forma automática, não sendo necessário, 
portanto, o juiz declarar na sentença. É o que se extrai, a contrario sensu, do disposto no art. 92, 
par. ún., do CP. 
Os efeitos específicos são aqueles previstos no art. 92 do CP. Nos termos do parágrafo 
único do art. 92, esses efeitos não incidem de forma automática, devendo o juiz declará-los 
1ª Fase | 42° Exame da OAB 
Direito Penal 
52 
motivadamente na sentença. 
 
8.2.3. Efeitos genéricos 
a) Tornar certa a obrigação de indenizar o dano causado pelo crime: nos termos do 
art. 91, I, do CP, constitui efeito da sentença penal condenatória “tornar certa a obrigação de 
indenizar o dano causado pelo crime”. Trata-se de efeito automático decorrente da sentença 
penal condenatória, já que meramente declaratória no tocante à indenização civil, não sendo 
necessário mandamento expresso no sentido de o réu reparar o dano resultante do crime. 
A sentença penal condenatória transitada em julgado permite à vítima promover a ação 
de execução ex delicto, nos termos do art. 63 do CPP, já que constitui título executivo judicial, 
conforme prevê o art. 515, I, do CPC. 
Assim, transitada em julgado a sentença penal condenatória, a sua execução no juízo 
cível visa tão somente estabelecer o quantum da reparação do dano, não sendo, portanto, objeto 
de discussão o mérito da causa. 
b) A perda em favor da União, ressalvado o direito do lesado ou de terceiro de boa-
fé, dos instrumentos do crime, desde que consistam em coisas cujo fabrico, alienação, 
uso, porte ou detenção constitua fato ilícito: é a hipótese do confisco como efeito da conde-
nação, previsto no art. 91, II, do CP. Trata-se da perda em favor da União de bens de origem 
ilícita, decorrente do delito praticado. 
Constitui efeito automático da sentença penal condenatória transitada em julgado, não 
sendo, pois, necessário que o juiz declare expressamente na sentença. 
 
8.2.4. Efeitos específicos 
1. Perda de cargo, função pública ou mandato eletivo: o art. 92, I, do CP prevê duas 
hipóteses de perda de cargo, função ou mandato eletivo como efeito da sentença penal conde-
natória: 
a) quando aplicada pena privativa de liberdade por tempo igual ou superior a 1 (um) 
ano, nos crimes praticados com abuso de poder ou violação de dever para com a 
Administração Pública; 
b) quando for aplicada pena privativa de liberdade por tempo superior a 4 (quatro) 
anos nos demais casos. 
 
A primeira hipótese, pode incidir quando o funcionário público praticar o delito no exercício 
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das suas funções ou em razão dela, e a pena privativa de liberdade seja aplicada por tempo igual 
ou superior a 1 (um) ano. 
Não se tratando de crime funcional, a perda do cargo, função pública ou mandato eletivo 
poderá incidir quando a pena aplicada for igual ou superior a 4 (quatro) anos. 
Esse efeito, no entanto, não é automático, ou seja, exige para sua incidência que o juiz 
declare expressamente em decisão motivada (art. 92, par. ún., do CP). 
2. Incapacidade para o exercício do pátrio poder (poder familiar), tutela ou curatela: 
além do vínculo entre o autor do fato e a vítima, a incidência do efeito específico consistente na 
incapacidade para o exercício do poder familiar, tutela ou curatela, depende de duas condições: 
a) que o crime seja doloso; b) que seja cominada pena de reclusão. 
Esse efeito não é automático, devendo ser declarado na sentença em decisão motivada, 
conforme se extrai do art. 92, par. ún., do CP. Assim, cumpre ao Magistrado, no caso concreto, 
avaliar a necessidade da imposição da incapacidade para o exercício do poder familiar, tutela ou 
curatela. Exemplo: pai condenado pela prática do crime estupro de vulnerável (art. 217-A do CP) 
contra filha de tenra idade. 
3. Inabilitação para dirigir veículo, quando utilizado como meio para a prática de 
crime doloso: a aplicação desse efeito específico depende de dois requisitos: a) que o crime 
seja doloso; b) que o veículo tenha sido utilizado “como meio” para a sua prática. Logo, não 
incide esse efeito no caso de crime culposo. 
 
8.2.5. Confisco alargado 
A Lei nº 13.964/2019 (“Pacote Anticrime”) introduziu mais um efeito da sentença penal 
condenatória. 
Nos termos do art. 91-A do CP, na hipótese de condenação por infrações às quais a lei 
comine pena máxima superior a 6 (seis) anos de reclusão, poderá ser decretada a perda, como 
produto ou proveito do crime, dos bens correspondentes à diferença entre o valor do patrimônio 
do condenado e aquele que seja compatível com o seu rendimento lícito. 
Para efeito da perda prevista no caput do referido artigo, entende-se por patrimônio do 
condenado todos os bens: 
 
Art. 91-A. (...) 
I – de sua titularidade, ou em relação aos quais ele tenha o domínio e o benefício direto 
ou indireto, na data da infração penal ou recebidos posteriormente; e 
II – transferidos a terceiros a título gratuito ou mediante contraprestação irrisória, a partir 
do início da atividade criminal. 
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§ 2° O condenado poderá demonstrar a inexistência da incompatibilidade ou a procedência 
lícita do patrimônio. 
§ 3° A perda prevista neste artigo deverá ser requerida expressamente pelo Ministério 
Público, por ocasião do oferecimento da denúncia, com indicação da diferença apurada. 
§ 4° Na sentença condenatória, o juiz deve declarar o valor da diferença apurada e espe-
cificar os bens cuja perda for decretada. 
§ 5° Os instrumentos utilizados para a prática de crimes por organizações criminosas e 
milícias deverão ser declarados perdidos em favor da União ou do Estado, dependendo 
da Justiça ondetramita a ação penal, ainda que não ponham em perigo a segurança das 
pessoas, a moral ou a ordem pública, nem ofereçam sério risco de ser utilizados para o 
cometimento de novos crimes. 
 
9. Extinção da Punibilidade 
 
9.1. Conceito 
Com a prática da infração penal, surge para o Estado o direito de punir o responsável, 
incidindo a possibilidade jurídica de o Estado impor uma sanção penal ao responsável pela prá-
tica do crime ou contravenção penal. 
 
9.2. Efeitos da extinção da punibilidade 
Em regra, as causas extintivas da punibilidade só alcançam o direito de punir do Estado, 
subsistindo o crime em todos os seus requisitos e a sentença condenatória irrecorrível. 
Excepcionalmente, a causa extintiva de punibilidade apaga o fato praticado pelo agente e 
rescinde a sentença condenatória irrecorrível. É o que ocorre com a abolitio criminis e a anistia. 
 
9.3. Causas de extinção de punibilidade (art. 107 do CP) 
9.3.1. Morte do agente 
A morte do agente constitui causa de extinção da punibilidade, por conta do princípio da 
personalidade da pena, segundo a qual a pena não pode passar da pessoa do condenado (art. 
5º, XLV, 1ª parte, da CF/1988). 
Essa extinção da punibilidade incide sobre todas as espécies de penas, inclusive a pena 
de multa. Assim, se, no curso da execução da pena de multa convertida em dívida ativa, o réu 
vier a falecer, deve ser declarada extinta a punibilidade do agente pela sua morte, não sendo 
possível, assim, direcionar a execução da pena de multa aos seus sucessores. 
 
9.3.2. Da anistia, graça e indulto 
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55 
A anistia, graça e indulto constituem espécies de indulgência, ensejando a renúncia do 
Estado ao direito de punir. 
São benefícios concedidos por órgãos diversos do Poder Judiciário, mas que somente 
ensejam a extinção da punibilidade após decisão judicial. 
 
9.3.2.1. Anistia 
Trata-se de uma espécie de exclusão da incidência do Direito Penal sobre uma ou mais 
infrações penais. Não exclui o crime, mas apenas a possibilidade de o Estado punir o agente que 
o praticou, razão pela qual tem efeito retroativo. 
A competência para a concessão de anistia é exclusiva da União e privativa do Congresso 
Nacional (art. 48, VIII, da CF/1988), com a sanção do Presidente da República, só podendo ser 
concedida por meio de lei federal. 
Não se aplica aos delitos referentes à prática de tortura, ao tráfico ilícito de entorpecentes 
e drogas afins, ao terrorismo e aos definidos como crimes hediondos (art. 5º, XLIII, da CF/1988; 
art. 2º, I, da Lei nº 8.072/1990). 
 
9.3.2.2. Graça 
A graça, ao contrário do indulto, é um benefício concedido a pessoa determinada, conde-
nada definitivamente pela prática de crime comum, consistente na extinção ou comutação da 
pena. 
Nos termos do art. 5º, XLIII, da CF/1988, a graça não pode ser aplicada em relação a 
delitos referentes à prática de tortura, ao tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, ao terro-
rismo e aos definidos como crimes hediondos. 
A competência para conceder a graça é do Presidente da República, nos termos do art. 
84, XII, da CF/1988, podendo, nos termos do parágrafo único desse artigo, delegar a atribuição 
“aos Ministros de Estado, ao Procurador-Geral da República ou ao Advogado-Geral da União”. 
 
9.3.2.3. Indulto 
O indulto coletivo constitui modalidade de clemência concedida a todo condenado que 
preencher os requisitos previstos no Decreto presidencial publicado geralmente no final de cada 
ano. Como se vê, o indulto, ao contrário da graça, tem caráter coletivo e é concedido esponta-
neamente. 
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Assim como a graça, a competência para conceder o indulto é do Presidente da Repú-
blica, nos termos do art. 84, XII, da CF/1988, podendo, nos termos do parágrafo único desse 
artigo, delegar a atribuição “aos Ministros de Estado, ao Procurador-Geral da República ou ao 
Advogado-Geral da União”. 
Os requisitos para a concessão do indulto variam de acordo com cada decreto publicado, 
considerando, invariavelmente, requisitos subjetivos (primariedade e bom comportamento car-
cerário, sem registro de falta grave ao longo do ano) e objetivos (tempo de cumprimento de 
pena). 
Nos termos do art. 2º, I, da Lei nº 8.072/1990, o indulto não pode ser aplicado em relação 
a delitos referentes à prática de tortura, ao tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, ao 
terrorismo e aos definidos como crimes hediondos. O art. 44 da Lei nº 11.343/2006 também veda 
a concessão do indulto aos condenados pelo crime de tráfico de drogas. 
O indulto também extingue somente a punibilidade, subsistindo o crime, a condenação 
irrecorrível e seus efeitos secundários. Assim, se o agente beneficiado com o indulto praticar 
novo crime, será considerado reincidente. 
 
9.3.3. Lei posterior que deixa de considerar o fato criminoso (abolitio 
criminis) 
A lei penal retroage, atingindo fatos ocorridos antes de sua entrada em vigor, sempre que 
beneficiar o agente de qualquer modo (art. 5º, XL, da CF/1988). 
Se a lei posterior deixar de considerar o fato como criminoso, excluir da seara penal a 
conduta como sendo delituosa, retroagirá para alcançar os fatos praticados antes da sua vigên-
cia, com a consequente extinção da punibilidade dos responsáveis. 
Nos termos do art. 2º do CP, a abolitio criminis gera o efeito de fazer cessar a execução 
e os efeitos penais da sentença condenatória, por exemplo, a reincidência, maus antecedentes, 
lançamento do nome do réu no rol dos culpados. 
Todavia, não apaga os efeitos civis da prática delituosa, já que a lei fala em cessação dos 
efeitos “penais” da sentença. 
 
9.3.4. Prescrição, decadência e perempção 
O art. 107, IV, do CP prevê como causas de extinção da punibilidade a prescrição, a de-
cadência e a perempção. 
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A prescrição será analisada em capítulo próprio, diante da abrangência do tema. 
 
9.3.4.1. Decadência 
A decadência é a perda do direito do ofendido e dos demais legitimados de oferecer re-
presentação, no caso de ação penal pública condicionada à representação, e de ajuizar a queixa-
crime, na hipótese de ação penal privada, em face do decurso do tempo. 
Os legitimados para apresentar representação ou queixa-crime têm o prazo de 6 (seis) 
meses, a contar da inequívoca ciência da autoria do fato, para exercer esse direito. Escoado 
esse prazo sem iniciativa do ofendido ou do seu representante legal, incide a decadência, e a 
consequente extinção da punibilidade do agente ofensor. 
Com efeito, nos termos do art. 103 do CP e do art. 38 do CPP, o ofendido ou seu repre-
sentante legal decai do direito de queixa ou de representação se não o exerce dentro do prazo 
de 6 (seis) meses, contados a partir do dia em que veio a saber quem é o autor do crime, ou, no 
caso da ação penal privada subsidiária da pública, do dia em que se esgotou o prazo para o 
oferecimento da denúncia. 
Como se trata de prazo penal, a contagem segue as regras do art. 10 do CP, incluindo-se 
o dia do começo, excluindo-se o último dia, considerando o calendário comum. Assim, se, por 
exemplo, o ofendido tomou ciência da autoria do fato no dia 3-3-2018, terá até o dia 2-9-2018 
para oferecer a representação ou ajuizar a queixa-crime. A partir do dia 3-9-2018 já incidirá a 
decadência e a causa de extinção da punibilidade. 
 
9.3.4.2. Perempção 
A perempção é uma causa de extinção da punibilidade que incide por conta da inércia 
processual do querelante. 
A perempção só é possível na ação penal exclusivamente privada, não sendo aplicável à 
ação penal privada subsidiária da pública, já que, diante da negligência do querelante, o Minis-
tério Público retoma a ação penal (art. 29, parte final, do CPP). 
As hipóteses de perempção estão elencadas no art. 60 do CPP. E, segundo se extrai 
desse dispositivo, a perempção somente é possível após o ajuizamento da açãopenal privada. 
 
9.3.5. Da renúncia ao direito de queixa ou perdão aceito nos crimes de 
ação penal privada 
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1) Renúncia ao direito de queixa: é a abdicação do ofendido ou de seu representante 
legal do direito de promover a ação penal privada. Trata-se de ato unilateral pelo qual o ofendido 
delibera por não ajuizar a queixa-crime contra o suposto ofensor. 
Nos termos do art. 104, caput, do CP: “o direito de queixa não pode ser exercido quando 
renunciado expressa ou tacitamente”. 
A renúncia ao direito de queixa somente pode ser exercida na ação penal exclusivamente 
privada, não sendo possível na ação penal privada subsidiária da pública, uma vez que, se o 
ofendido não oferecer a queixa-crime, o Ministério Público poderá oferecer a denúncia enquanto 
não incidir causa de extinção da punibilidade do agente, por exemplo, pela prescrição. 
2) Perdão do ofendido: o perdão do ofendido ou do seu representante legal consiste na 
manifestação, expressa ou tácita, de desistir do prosseguimento da ação penal privada. É a de-
sistência manifestada após o oferecimento da queixa, que obsta o prosseguimento da ação penal 
privada, conforme prevê o art. 105 do CP. 
O perdão aceito do ofendido é causa extintiva de punibilidade que incide somente na ação 
penal exclusivamente privada. 
Tratando-se de ação penal privada subsidiária da pública (art. 100, § 3º, do CP), a desis-
tência do ofendido de prosseguir com o processo não determina a extinção da punibilidade, 
mesmo que o réu aceite o perdão, pois se trata de ação penal pública, devendo o Ministério 
Público assumi-la como parte principal (art. 29 do CPP). 
Depois de iniciada a ação penal privada, o perdão do ofendido pode ser manifestado até 
o trânsito em julgado da sentença penal condenatória (art. 106, § 2º, do CPP). 
 
9.3.6. Da retratação do agente 
A retratação significa desdizer-se, retirar o que foi dito, confessar que errou. 
Em regra, a retratação do agente não tem relevância jurídica, funcionando somente como 
circunstância judicial na aplicação da pena. Excepcionalmente, o estatuto penal empresta-lhe 
força extintiva da punibilidade (art. 107, VI, do CP). 
A retratação, como causa de extinção da punibilidade, somente incide nos casos expres-
samente previstos em lei, por exemplo, nos crimes contra a honra, conforme prevê o art. 143 do 
CP. 
Nos crimes contra a honra, a retratação só é cabível na calúnia e na difamação, sendo 
inadmissível na injúria. Nos dois primeiros casos, importa à vítima que o ofensor se retrate ne-
gando que ela praticou o fato imputado. Na injúria, porém, não há imputação de fato, mas 
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atribuição ao ofendido de qualidade negativa, não importando a esta a retratação. 
Também incide na hipótese prevista no art. 342, § 2º, do CP, que trata do crime de falso 
testemunho ou falsa perícia, segundo o qual o fato deixa de ser punível, se, antes da sentença, 
o agente se retrata ou declara a verdade. Essa retratação só é possível até a sentença final do 
procedimento em que foi praticado o falso testemunho. 
 
9.3.7. Perdão judicial 
Perdão judicial é o instituto pelo qual o juiz, não obstante a incidência da infração penal 
praticada por agente culpável, deixa de aplicar a pena nos casos expressamente previstos em 
lei. 
O perdão judicial constitui causa extintiva da punibilidade de aplicação restrita. Significa 
que não é aplicável a todas as infrações penais, mas somente àquelas especialmente indicadas 
pelo legislador. 
A sentença que concede o perdão judicial é meramente declaratória da extinção da puni-
bilidade, não surtindo nenhum efeito penal ou extrapenal. É o que se extrai da Súm. nº 18 do 
STJ, segundo a qual “A sentença concessiva do perdão judicial é declaratória da extinção da 
punibilidade, não subsistindo qualquer efeito condenatório”. 
 
9.4. Prescrição 
9.4.1. Introdução 
Quando um indivíduo pratica, em tese, um fato típico e ilícito, surge para o Estado o poder 
e o dever de buscar a punição do responsável. E essa punição é concretizada com a sentença 
penal condenatória transitada em julgado, com a imposição de uma pena, surgindo, a partir de 
então, a pretensão do Estado de executar essa pena. 
Todavia, a pretensão punitiva e executória do Estado é limitada, não perdurando, via de 
regra, por tempo indeterminado. Com efeito, o direito de punir e de executar a pena imposta ao 
apenado encontra limites temporais, que, se não observados, podem levar à extinção da punibi-
lidade do agente pela incidência de prescrição da pretensão punitiva ou prescrição da pretensão 
executória. 
A prescrição penal, pois, é a perda da pretensão punitiva ou executória do Estado pelo 
decurso do tempo sem o seu exercício. 
 
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9.4.2. Imprescritibilidade 
Em regra, a prescrição alcança todas as infrações penais, inclusive os crimes hediondos 
e equiparados. 
Todavia, nos termos da Constituição Federal, alguns crimes são imprescritíveis, viabili-
zando, assim, o exercício da pretensão punitiva e executória a qualquer tempo. 
São imprescritíveis os crimes de racismo (art. 5º, XLII, da CF/1988; Lei nº 7.716/1989) e 
os referentes à ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o 
Estado Democrático (art. 5º, XLIV, da CF/1988). Os Tribunais Superiores passaram a considerar 
imprescritível também o crime de injúria racial (art. 140, § 3º, do CP). 
 
9.4.3. Prazos para o cálculo da prescrição (art. 109 do CP) 
A prescrição é regulada pelos prazos previstos no art. 109 do CP. Ou seja, os prazos 
previstos nesse artigo servem de parâmetro para o cálculo da prescrição da pretensão punitiva 
e executória: 
I – em vinte anos, se o máximo da pena é superior a doze; 
II – em dezesseis anos, se o máximo da pena é superior a oito anos e não excede a doze; 
III – em doze anos, se o máximo da pena é superior a quatro anos e não excede a oito; 
IV – em oito anos, se o máximo da pena é superior a dois anos e não excede a quatro; 
V – em quatro anos, se o máximo da pena é igual a um ano ou, sendo superior, não excede 
a dois; 
VI – em 3 (três) anos, se o máximo da pena é inferior a 1 (um) ano. 
 
Convém destacar que as penas restritivas de direitos, que substituem a pena privativa de 
liberdade, prescrevem no mesmo prazo das penas substituídas, nos termos do art. 109, par. ún., 
do CP. 
Ex.: suponha-se que o agente tenha sido condenado a 1 (um) ano pela prática do crime 
de furto, sendo a pena privativa de liberdade substituída por uma de prestação de serviços à 
comunidade. Essa pena prescreverá em 4 (quatro) anos. 
 
9.4.4. Redução dos prazos de prescrição em face da idade do sujeito 
(art. 115 do CP) 
O art. 115 determina que são reduzidos de metade os prazos da prescrição quando o 
criminoso era, ao tempo do crime, menor de 21 anos ou maior de 70 anos na data da sentença. 
 
9.4.5. Prescrição da pretensão punitiva 
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9.4.5.1. Prescrição da pretensão punitiva em abstrato (art. 109, caput, do 
CP) 
a) Contagem do prazo da prescrição da pretensão punitiva em abstrato: na prescri-
ção da pretensão punitiva, o decurso do tempo faz com que o Estado perca o direito de punir no 
tocante à pretensão de o Poder Judiciário julgar a lide e aplicar a sanção penal. 
A prescrição da pretensão punitiva ocorre antes de a sentença final transitar em julgado. 
Para saber qual o prazo de prescrição da pretensão abstrata punitiva devemos verificar o 
limite máximo da pena imposta em abstrato no preceito sancionador e enquadrá-lo em um dos 
incisos do art. 109 do CP. 
Ex.: suponha-se que um sujeito cometa um crime de lesão corporal leve (pena de 3 meses 
a 1 ano), não se descobrindo a autoria. Se o Estado, dentro de 4 (quatro) anos, não exercer o 
direito de punir, opera-se a extinção da punibilidade pela prescrição da pretensão punitiva.Aplica-se o disposto no art. 109. 
No concurso de crimes (concurso material, formal e continuado), a prescrição atinge a 
pretensão punitiva em relação a cada infração considerada isoladamente (art. 119 do CP). 
b) Termos iniciais da prescrição da pretensão punitiva (art. 111 do CP): o primeiro 
termo inicial é a data da consumação do delito (I). 
No caso da tentativa (II), o termo a quo da prescrição da pretensão punitiva é o dia da 
cessação da atividade criminosa. 
No crime permanente (III), a prescrição começa a correr do dia em que cessou a perma-
nência (art. 111, III, 1ª figura, do CP). Ex.: suponha-se que a vítima de sequestro permaneça 
presa durante 30 dias. A prescrição começa a correr a partir do dia em que conseguiu a liberdade. 
No crime continuado, a prescrição deve ser considerada em relação a cada crime, isola-
damente (art. 119). 
Nos crimes de bigamia e de falsificação ou alteração de assentamento de registro civil 
(arts. 235 e 299, par. ún.), a prescrição começa a correr da data em que o fato se tornou conhe-
cido de qualquer autoridade pública (art. 111, IV). 
Com o advento da Lei nº 14.344, de 24-5-2022, o legislador alterou a redação do art. 111, 
V, do CP. Agora, além de crimes contra a dignidade sexual contra crianças e adolescentes, o 
termo inicial do prazo prescricional a partir do momento em que a vítima completar 18 anos 
também contempla qualquer crime que envolva violência contra crianças e adolescentes. Eis a 
nova redação do inciso V do art. 111 do CP: “V – nos crimes contra a dignidade sexual ou que 
envolvam violência contra a criança e adolescente, previstos neste Código ou em legislação 
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62 
especial, da data em que a vítima completar 18 (dezoito) anos, salvo se a esse tempo já houver 
sido proposta a ação penal”. 
Nesse sentido, se uma criança de 10 anos for vítima de crime de estupro de vulnerável, 
por exemplo, ou qualquer outro crime praticado com violência, e a ação ainda não tiver sido 
instaurada, o prazo prescricional passará a correr a partir da data em que ela completar 18 anos. 
 
9.4.5.2. Prescrição da pretensão punitiva retroativa (art. 110, § 1º, parte 
final, do CP) 
A prescrição retroativa tem por pressuposto o trânsito em julgado da sentença penal con-
denatória para a acusação. Com o trânsito em julgado da sentença penal condenatória para a 
acusação, a base para calcular a prescrição se altera, passando a ser considerada a pena apli-
cada na sentença. Nesse caso, deve-se considerar a pena aplicada na sentença e enquadrá-la 
num dos incisos do art. 109 do CP para verificar o prazo prescricional. 
Verificado o prazo prescricional com base na pena aplicada na sentença, a prescrição 
retroativa deve ser considerada a partir da publicação da sentença ou acórdão condenatório para 
trás. Por isso o nome retroativo, porque sua incidência é verificada entre os marcos interruptivos 
existentes antes da sentença condenatória. 
Nos crimes em geral, a prescrição da pretensão retroativa pode ocorrer entre a publicação 
da sentença ou acórdão condenatório e o recebimento da denúncia ou queixa. 
No contexto dos crimes de competência do Tribunal do Júri, a prescrição retroativa pode 
incidir: a) entre a data da publicação da sentença condenatória e decisão confirmatória da pro-
núncia; b) entre a decisão confirmatória da pronúncia até a decisão de pronúncia; c) entre a 
pronúncia e o recebimento da denúncia. 
 
9.4.5.3. Prescrição da pretensão punitiva intercorrente ou superveniente 
à sentença condenatória (art. 110, § 1º, do CP) 
Sendo espécie de prescrição da pretensão punitiva, a prescrição da pretensão punitiva 
intercorrente incide somente antes do trânsito em julgado da sentença penal condenatória para 
todos. 
Como visto, nos termos do que dispõe o art. 109, caput, do CP, a prescrição da pretensão 
punitiva, salvo a exceção do § 1º do art. 110, é regulada pelo máximo da sanção privativa de 
liberdade. 
1ª Fase | 42° Exame da OAB 
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Há, porém, no art. 110, § 1º, uma primeira exceção: caso em que, não obstante se tratar 
de prescrição da pretensão punitiva, transitando em julgado a sentença condenatória para a acu-
sação, ou sendo improvido o seu recurso, a partir da sua publicação começa a correr o prazo 
prescricional regulado pela pena concreta. 
Ex.: suponha-se que o réu venha a ser condenado a 2 (dois) anos de detenção, tendo 
transitado em julgado a sentença para a acusação. Sendo a pena aplicada de 2 (dois) anos, o 
prazo prescricional é de 4 (quatro) anos (art. 109, V, do CP). O réu interpôs recurso de apelação, 
que, passados quatro anos, ainda não havia sido julgado pelo Tribunal. No caso, passados qua-
tro anos da data da publicação da sentença sem que o recurso interposto pela defesa tenha sido 
apreciado, ocorrerá a prescrição da pretensão punitiva superveniente ou intercorrente, prevista 
no art. 110, § 1º, do CP. 
 
9.4.6. Prescrição da pretensão executória (art. 110, caput, do CP) 
9.4.6.1. Conceito 
Na prescrição da pretensão executória, o decurso do tempo sem o seu exercício faz com 
que o Estado perca o direito de executar a sanção imposta na sentença condenatória. 
A prescrição da pretensão executória incide após o trânsito em julgado da sentença con-
denatória. 
Nos termos do caput do art. 110, a prescrição, depois de transitar em julgado a sentença 
condenatória, regula-se pela pena imposta na sentença e verifica-se nos prazos fixados no art. 
109, os quais aumentam de 1/3 se o condenado é reincidente. 
Ex.: suponha-se que o agente tenha sido condenado irrecorrivelmente a 4 (quatro) anos 
de reclusão pela prática do delito de roubo simples (art. 157 do CP). O prazo prescricional, con-
siderando a pena aplicada, será de 8 (oito) anos (art. 109, IV, do CP). Nesse caso, se o Estado 
não iniciar a execução da pena dentro de 8 (oito) anos, opera-se a extinção da punibilidade pela 
prescrição da pretensão executória. Aplica-se o disposto no art. 110 do CP. 
Ex.: réu condenado a 1 (um) ano de reclusão: prazo da prescrição executória: 4 (quatro) 
anos (art. 109, V). 
Tratando-se de reincidente, o prazo da prescrição da pretensão executória da pena priva-
tiva de liberdade é aumentado de 1/3 (art. 110, caput, in fine). Para tanto, é necessário que a 
sentença condenatória tenha reconhecido a reincidência. 
No concurso material e formal, cada delito tem seu prazo prescricional isolado, ainda que 
as penas tenham sido impostas na mesma sentença (art. 119 do CP). 
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9.4.6.2. Termos iniciais da prescrição da pretensão executória (art. 112 
do CP) 
a) do dia em que transita em julgado a sentença condenatória, para a acusação, ou 
a que revoga a suspensão condicional da pena ou o livramento condicional: em que pese 
o teor do artigo 112, I, do CP, o STF e o STJ consideram que o termo inicial seria a data do 
trânsito em julgado para todos. 
b) do dia em que se interrompe a execução, salvo quando o tempo da interrupção 
deva computar-se na pena: interrompida a execução da pena pela fuga do condenado, inicia-
se a contagem do prazo prescricional da prescrição executória (art. 112, II, 1ª parte, do CP). 
Nos casos dos arts. 41 e 42 do CP (superveniência de doença mental ou internação em 
hospital), em que se aplica o princípio da detração penal, embora interrompida a efetiva execu-
ção da pena, não corre a prescrição (art. 112, II, 2ª parte). 
 
9.4.6.3. Prescrição no caso de evasão do condenado ou de revogação 
do livramento condicional (art. 113 do CP) 
Ex.: suponha-se que o detento fuja faltando 2 (dois) anos para o cumprimento da pena. A 
partir da data da fuga começa a correr a prescrição da pretensão executória (art. 112, II, 1ª parte), 
ocorrendo em 4 (quatro) anos (art. 109, V, do CP). Ou seja, se nesse período de quatro anos o 
apenado não for localizado para dar continuidade ao cumprimento da pena, ocorrerá a prescriçãoda pretensão executória. 
 
9.4.7. Causas suspensivas da prescrição 
O Código Penal prevê causas impeditivas ou suspensivas da prescrição (art. 116), distin-
tas das causas interruptivas (art. 117). Na suspensão da prescrição, o tempo decorrido antes da 
causa é computado no prazo; na interrupção, o tempo decorrido antes da causa não é computado 
no prazo, que recomeça a correr por inteiro. 
 
9.4.7.1. Causas suspensivas da prescrição punitiva 
a) Enquanto não resolvida, em outro processo, questão de que dependa o reconhe-
cimento da existência do crime: nos termos do art. 116, I, do CP, a prescrição não corre en-
quanto não resolvida, em outro processo, questão de que depende o reconhecimento da exis-
tência do crime (questão prejudicial, tratada nos arts. 92 a 94 do CPP). 
1ª Fase | 42° Exame da OAB 
Direito Penal 
65 
b) Enquanto o agente cumpre pena no exterior: a segunda causa suspensiva é prevista 
no art. 116, II, do CP: antes de passar em julgado a sentença final, a prescrição não corre en-
quanto o agente cumprir pena no estrangeiro. Não impede o decurso do prazo prescricional, 
entretanto, estar o sujeito cumprindo pena, em razão de outro processo, no Brasil. 
c) Na pendência de embargos de declaração ou de recursos aos Tribunais Superio-
res, quando inadmissíveis: a Lei nº 13.964/2019 introduziu mais uma causa suspensiva da 
prescrição, visando a dificultar a incidência da prescrição da pretensão punitiva na pendência de 
recursos interpostos perante os Tribunais Superiores. 
Assim, enquanto tramitam os embargos de declaração ou recursos aos Tribunais Superi-
ores, o prazo prescricional ficará suspenso, aguardando julgamento inadmissível, sendo consi-
derado o período de suspensão do prazo prescricional, se inadmissíveis os recursos. 
d) Enquanto não cumprido ou não rescindido o acordo de não persecução penal. 
 
9.4.7.2. Causas suspensivas da prescrição da pretensão executória (art. 
116, par. ún., do CP) 
Depois de passada em julgado a sentença condenatória, a prescrição não corre durante 
o tempo em que o condenado está preso por outro motivo. 
Ex.: suponha-se que o sujeito seja condenado em duas comarcas, iniciando o cumpri-
mento da pena imposta na ação penal de uma delas. Enquanto está cumprindo a pena, não corre 
a prescrição da pretensão executória em relação à outra condenação. 
 
9.4.8. Causas interruptivas da prescrição (art. 117 do CP) 
Ocorrendo uma causa interruptiva, o curso da prescrição interrompe-se, desaparecendo 
o lapso temporal já decorrido, recomeçando sua contagem desde o início. 
A incidência das causas do art. 117, salvo a do inciso V, faz com que seja extinto o prazo 
decorrido antes da interrupção, recomeçando a correr a prescrição por inteiro (§ 2º). 
 
9.4.8.1. Pelo recebimento da denúncia ou da queixa 
O recebimento da denúncia interrompe o prazo prescricional, recomeçando a correr a 
prescrição da pretensão punitiva por inteiro, não se levando em conta o tempo já decorrido antes 
da interrupção. 
 
1ª Fase | 42° Exame da OAB 
Direito Penal 
66 
9.4.8.2. Pela pronúncia 
A pronúncia também interrompe a prescrição (art. 117, II). A decisão do juiz tem força de 
interromper a prescrição, ainda que o réu venha a ser absolvido no Júri. 
 
9.4.8.3. Pela decisão confirmatória da pronúncia 
Se o réu recorre da pronúncia e o Tribunal confirma, o Acórdão também interrompe a 
prescrição (art. 117, III, do CP), o mesmo ocorrendo quando é impronunciado ou absolvido su-
mariamente e o tribunal o pronuncia. 
 
9.4.8.4. Pela publicação da sentença ou acórdão condenatórios recorrí-
veis 
O art. 117, IV, do CP determina que a prescrição se interrompe pela sentença condena-
tória recorrível. A interrupção ocorre na data da publicação da sentença, i.e., no dia em que o 
escrivão recebe a sentença do juiz e a junta aos autos, independentemente do registro e de 
outras diligências. 
O acórdão condenatório, ainda que não unânime, e por isso sujeito a embargos infringen-
tes, também interrompe o prazo prescricional da pretensão punitiva. Isso ocorre quando, tendo 
sido absolvido em primeiro grau, o réu vem a ser condenado pelo acórdão do tribunal. Trata-se 
de acórdão recorrível. 
 
9.4.8.5. Pelo início ou continuação do cumprimento da pena 
Iniciando-se o prazo da prescrição da pretensão executória com o trânsito em julgado da 
sentença condenatória, interrompe-se pelo começo do cumprimento da pena. Fugindo o conde-
nado, a prescrição começa a correr da data da fuga (art. 112, II, 1ª parte), regulando-se pelo 
tempo que resta da pena (art. 113). Recapturado, interrompe-se a prescrição. 
 
9.4.8.6. Pela reincidência 
A reincidência somente interrompe o prazo da prescrição da pretensão executória, sendo 
inaplicável à prescrição da pretensão punitiva (art. 109). Nesse sentido, a Súm. nº 220 do STJ: 
“A reincidência não influi no prazo da prescrição da pretensão punitiva”. 
 
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Direito Penal 
67 
10. Crimes contra a vida 
 
Prof. Arnaldo Quaresma 
@profarnaldoquaresma 
 
10.1. Homicídio 
O homicídio consiste na eliminação da vida humana extrauterina provocada por outra pes-
soa. A eliminação da vida intrauterina (feto) caracteriza o delito de aborto. 
 
10.1.1. Homicídio privilegiado (art. 121, § 1º, do CP) 
O art. 121, § 1º, do CP descreve o homicídio privilegiado como o fato de o sujeito cometer 
o delito impelido por motivo de relevante valor social ou moral, ou sob o domínio de violenta 
emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima. Neste caso, o juiz pode reduzir a pena 
de 1/6 a 1/3. 
Motivo de relevante valor social: ocorre quando a causa do delito diz respeito a um 
interesse coletivo. A conduta, então, é ditada em face de um interesse que diz respeito a todos 
os cidadãos de uma coletividade. Ex.: pai desesperado pelo vício que impregna seu filho e vários 
outros alunos, mata um traficante que distribui drogas num colégio, sem qualquer ação eficaz da 
polícia para contê-lo. 
Motivo de relevante valor moral: diz respeito a um interesse particular, de ordem pes-
soal. Será motivo de relevante valor moral aquele que, em si mesmo, é aprovado pela ordem 
moral, pela moral prática, por exemplo, a compaixão ou piedade diante do irremediável sofri-
mento da vítima. 
Sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima: 
o texto legal exige, ainda, que o impulso emocional e o ato dele resultante se sigam imediata-
mente à provocação da vítima, ou seja, tem de haver a imediatidade entre a provocação injusta 
e a conduta do sujeito. 
 
10.1.2. Homicídio qualificado (art. 121, § 2º, do CP) 
O art. 121, § 2º, do CP prevê circunstâncias que qualificam o crime de homicídio, quando 
é cometido: a) mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe; b) motivo 
fútil; c) com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, 
ou de que possa resultar perigo comum; d) à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação 
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Direito Penal 
68 
ou outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido; e) para assegurar a 
execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime; f) feminicídio; g) contra agente 
de segurança pública; h) com emprego de arma de fogo de uso restrito ou proibido. 
Merece especial destaque a qualificadora do feminicídio. Não basta a vítima ser mulher 
para incidir a qualificadora do feminicídio, é preciso que o crime tenha sido praticado no contexto 
de violência doméstica e familiar ou por menosprezo ou discriminação à condição de mulher. 
Assim, se, por exemplo, o agente matar uma mulher apenas porque é torcedora do Sport Clube 
Internacional, não incide a qualificadora do feminicídio, já que o crime não foi praticado em razão 
de a vítima ser do sexo feminino, podendo incidir outra qualificadora, como a do motivo fútil. 
Trata-se, nesse caso, de femicídio e não de feminicídio. 
Tambémconstituem exceção a essa 
regra, uma vez que a lei temporária se autorrevoga com o término da sua vigência 
e a lei excepcional com a cessação da situação excepcional. 
2) Ultratividade: significa que uma lei revogada continua gerando efeitos. É o caso 
da lei temporária e da lei excepcional, que continuarão gerando efeitos em relação 
aos fatos praticados durante sua vigência, mesmo após revogadas. 
 
1.3. Do tempo do crime (art. 4° do CP) 
O Código Penal adotou a teoria da atividade, segundo a qual se reputa praticado o delito 
no momento da conduta, não importando o instante do resultado. 
Assim, se um adolescente com 17 anos, 11 meses e 29 dias efetuar disparo de arma de 
fogo contra a vítima, que vem a falecer cinco dias depois (quando já terá adquirido a maioridade), 
responderá conforme as normas do ECA, diante da teoria da atividade que rege o tempo do 
crime. 
 
1.4. Territorialidade (art. 5° do CP) 
Aplicam-se as leis brasileiras aos delitos cometidos dentro do território nacional. 
Nos termos do art. 5°, § 1°, do CP, há duas situações de território brasileiro por equipara-
ção: 
1ª Fase | 42° Exame da OAB 
Direito Penal 
7 
a) embarcações e aeronaves brasileiras de natureza pública ou a serviço do governo 
brasileiro onde estiverem; 
b) embarcações e aeronaves brasileiras, de propriedade privada, que estiverem na-
vegando em alto-mar ou sobrevoando águas internacionais. 
 
Os navios estrangeiros em águas territoriais brasileiras, desde que públicos, não são con-
siderados parte do nosso território. Em face disso, os crimes neles cometidos devem ser julgados 
de acordo com a lei da bandeira que ostentam. Se, entretanto, são de natureza privada, aplica-
se a lei brasileira (art. 5°, § 2°, do CP). 
 
1.5. Do lugar do crime (art. 6° do CP) 
O Código Penal adotou a teoria da ubiquidade ou mista, segundo a qual é lugar do 
crime tanto onde houve a conduta quanto o local onde se deu o resultado. 
Assim, na hipótese de o agente, que se encontra na cidade brasileira de Santana do Li-
vramento-RS, efetuar disparos contra a vítima que se encontra na cidade de Rivera, em solo 
uruguaio, separada por uma rua do Município brasileiro, vindo este a falecer, aplica-se a lei penal 
brasileira, já que os atos executórios do crime foram praticados em território brasileiro, embora o 
resultado tenha sido produzido em país estrangeiro. 
 
1.6. Extraterritorialidade (art. 7° do CP) 
Mesmo que o crime seja cometido fora do Brasil, os agentes sujeitam-se à lei brasileira, 
nas hipóteses mencionadas no art. 7° do CP, quais sejam: 
 
EXTRATERRITORIALI-
DADE INCONDICIONADA 
(INCISO I) 
a) contra a vida ou a liberdade do 
Presidente da República; 
b) contra o patrimônio ou a fé pública 
da União, do Distrito Federal, de Es-
tado, de Território, de Município, de 
empresa pública, sociedade de eco-
nomia mista, autarquia ou fundação 
instituída pelo Poder Público; 
c) contra a administração pública, por 
quem está a seu serviço; 
d) de genocídio, quando o agente for 
brasileiro ou domiciliado no Brasil; 
 
Nestes casos, o agente é punido 
segundo a lei brasileira, ainda 
que absolvido ou condenado no 
estrangeiro. 
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Direito Penal 
8 
EXTRATERRITORIALI-
DADE CONDICIONADA 
(INCISO II) 
 
a) que, por tratado ou convenção, o 
Brasil se obrigou a reprimir; 
b) praticados por brasileiro; 
c) praticados em aeronaves ou em-
barcações brasileiras, mercantes ou 
de propriedade privada, quando em 
território estrangeiro e aí não sejam 
julgados. 
 
Nestes casos, a aplicação da lei 
brasileira depende do concurso 
das seguintes condições (§ 2º): 
a) entrar o agente no território 
nacional; 
b) ser o fato punível também no 
país em que foi praticado; 
c) estar o crime incluído entre 
aqueles pelos quais a lei brasi-
leira autoriza a extradição; 
d) não ter sido o agente absol-
vido no estrangeiro ou não ter aí 
cumprido a pena; 
e) não ter sido o agente perdo-
ado no estrangeiro ou, por outro 
motivo, não estar extinta a puni-
bilidade, segundo a lei mais fa-
vorável. 
 
EXTRATERRITORIALI-
DADE CONDICIONADA 
(INCISO II) 
a) que, por tratado ou convenção, o 
Brasil se obrigou a reprimir; 
Nestes casos, a aplicação da lei 
brasileira depende do concurso 
das seguintes condições (§ 2º): 
 
 
1.7. Conflito aparente de normas 
Ocorre o conflito quando aparentemente duas ou mais normas podem ser aplicadas ao 
mesmo fato. É aparente, porque apenas uma delas acaba sendo aplicada à hipótese. 
 
1.7.1. Princípio da especialidade 
A norma especial prevalece sobre a norma geral. A norma penal especial é aquela que 
reúne todos os elementos típicos da lei geral, mas reveste-se de outros elementos que a tornam 
especial, que a particularizam, chamados especializantes. 
Ex.: tomemos como exemplo o caso de uma mãe matar, sob influência do estado puerpe-
ral, o próprio filho, logo após o parto. Nesse caso, o crime de infanticídio, previsto no artigo 123 
do CP, por ser especial, prevalece sobre a norma geral do homicídio, previsto no artigo 121 do 
CP, prevalecendo, no caso, a norma penal que define o crime de infanticídio, já que as elemen-
tares contidas nesse crime a tornam especial em relação à norma geral que define o homicídio. 
 
1.7.2. Princípio da subsidiariedade 
Ocorre quando a infração penal de maior gravidade absorve a menor de gravidade. Ou 
1ª Fase | 42° Exame da OAB 
Direito Penal 
9 
seja, a infração menos grave somente incide se o fato não constituir crime mais grave. 
A subsidiariedade pode ser expressa ou tácita: 
a) A subsidiariedade expressa ou explícita ocorre quando o seu próprio texto, subor-
dina a sua aplicação à não aplicação de outra, de maior gravidade punitiva. Ex.: o crime de 
importunação sexual, previsto no art. 215-A do CP, incluído pela Lei nº 13.718/2018, incidirá “se 
o ato não constitui crime mais grave”, conforme expressamente prevê o referido dispositivo legal. 
Logo, o delito de importunação sexual somente incidirá se a conduta do agente não caracterizar 
crime mais grave, por exemplo, estupro (art. 213 do CP) ou estupro de vulnerável (art. 217-A do 
CP). 
b) A subsidiariedade tácita ou implícita ocorre quando a norma penal não ressalva, de 
modo expresso, a sua incidência na hipótese de outra norma de maior gravidade punitiva não 
ser aplicável ao caso concreto. Ex.: o crime de constrangimento ilegal (art. 146 do CP) é tacita-
mente subsidiário em relação ao crime de estupro (art. 213 do CP). Assim, se, no caso concreto, 
o crime mais grave (art. 213 do CP) não restar caracterizado, ou seja, não ficar demonstrado que 
o constrangimento não teve por finalidade violar a dignidade sexual da vítima, pode-se aventar 
a incidência do crime de constrangimento ilegal (art. 146 do CP). 
 
1.7.3. Princípio da consunção 
O princípio da consunção é aplicado para dirimir conflito aparente de normas decorrente 
de uma sequência de fatos delituosos, que, isoladamente, constituem crime, mas que, ao final, 
devem ser subsumidos a um único tipo penal. 
Tomemos como exemplo o agente que pretende desde o início produzir a morte da vítima. 
Para tanto, utiliza-se de uma faca, golpeando a vítima em várias partes do corpo, vindo, ao final, 
a aplicar o golpe fatal, causando-lhe a morte. Há um único elemento subjetivo, sendo a conduta 
composta por vários atos praticados de forma progressiva até atingir o resultado mais grave. 
Surge, assim, o conflito aparente de normas: o agente responderá pelos delitos de lesão corporal 
(art. 129 do CP) e homicídio (art. 121 do CP) ou apenas pelo crime de homicídio? Nesse caso, 
aplicando-se o princípio da consunção, o agente responderá apenas pelo crime de homicídio 
(art. 121 do CP), pois as várias lesões corporais produzidas pelos golpes de faca constituíram 
meio necessário para a execução do delito pretendido, sendo, por isso, absorvidas pelo crime 
de homicídio. 
 
1ª Fase | 42° Exame da OAB 
Direito Penal 
10 
2. Do crime 
 
2.1. Relaçãomerece destaque a qualificadora do homicídio funcional (art. 121, § 2º, VII, do 
CP). A qualificadora alcança integrantes dos órgãos de segurança pública, bem como seus pa-
rentes consanguíneos até terceiro grau, desde que o homicídio tenha sido praticado no exercício 
da função ou em decorrência dela. Ou seja, para incidir a qualificadora, o homicídio deve estar 
necessariamente vinculado à função desempenhada pelo agente de segurança pública. 
A Lei nº 14.344/2022 introduziu mais uma qualificadora ao crime de homicídio, quando se 
tratar de vítima menor de 14 anos de idade (art. 121, § 2º, IX). Com isso, encontra-se tacitamente 
revogada a segunda parte do art. 121, § 4º, do CP, no que se refere à majorante em face de a 
vítima ser menor de 14 anos de idade. Além disso, passou a prever novas causas de aumento 
de pena. Nos termos do art. 121, § 2º-B, do CP, a pena do homicídio contra menor de 14 anos é 
aumentada de: 
I – 1/3 (um terço) até a metade se a vítima é pessoa com deficiência ou com doença que 
implique o aumento de sua vulnerabilidade; II – 2/3 (dois terços) se o autor é ascendente, 
padrasto ou madrasta, tio, irmão, cônjuge, companheiro, tutor, curador, preceptor ou em-
pregador da vítima ou por qualquer outro título tiver autoridade sobre ela. 
 
Vale destacar que a Lei nº 14.811/2024 introduziu mais uma causa de aumento de pena 
para o homicídio cometido contra menor de 14 anos (art. 121, §2º, inciso III): “2/3 (dois terços) 
se o crime for praticado em instituição de educação básica pública ou privada.”. 
 
10.1.3. Homicídio privilegiado-qualificado 
Perfeitamente possível a coexistência do homicídio privilegiado e as qualificadoras de na-
tureza objetiva, já que relacionadas ao fato praticado, por exemplo, o meio e o modo de execu-
ção. 
As qualificadoras relacionadas ao motivo torpe (inciso I) ou fútil (inciso II), bem como à 
1ª Fase | 42° Exame da OAB 
Direito Penal 
69 
conexão com outro crime (inciso V) ou ao fato de a vítima integrar órgão de segurança pública 
(VII), são consideradas de natureza subjetiva. Isso porque não estão vinculadas diretamente ao 
fato praticado, mas a condições ou características subjetivas ou pessoais, como a motivação, ou 
em relação à pessoa da vítima. Até mesmo o crime de homicídio por conexão é de natureza 
subjetiva, pois guarda relação com o motivo do crime, ou seja, o agente desenvolve a conduta 
homicida para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime. 
As qualificadoras relacionadas aos meios (inciso III) ou modos (IV) de execução, bem 
como a do feminicídio (VII), são consideradas de natureza objetiva. As duas primeiras, porque 
relacionadas diretamente ao fato praticado, não havendo qualquer vinculação com característi-
cas ou condições pessoais da vítima. 
 
10.1.4. Homicídio culposo (art. 121, § 3º, do CP) 
É um tipo penal aberto, que depende, pois, da interpretação do juiz para poder ser apli-
cado. A culpa, conforme o art. 18, II, do CP, é constituída de “imprudência, negligência ou impe-
rícia”. Portanto, matar alguém por imprudência, negligência ou imperícia concretiza o tipo penal 
incriminador do homicídio culposo. Ex.: ao manejar arma carregada para limpá-la, o agente aci-
ona, imprudentemente, o gatilho e mata uma pessoa que está ao seu lado. 
 
10.1.5. Perdão judicial (art. 121, § 5º, do CP) 
É a clemência do Estado, que deixa de aplicar a pena prevista para determinados delitos, 
em hipóteses expressamente previstas em lei. 
Somente ao autor do homicídio culposo pode-se aplicar a clemência, desde que ele tenha 
sofrido com o crime praticado uma consequência tão séria e grave que a sanção penal se torne 
desnecessária. 
Ex.: o pai que provoca a morte do próprio filho, num acidente fruto de sua imprudência, já 
teve punição mais do que severa. A dor por ele experimentada é mais forte do que qualquer pena 
que se lhe pudesse aplicar. Por isso, surge a hipótese do perdão. O crime existiu, mas a punibi-
lidade é afastada. 
 
10.2. Induzimento, instigação ou auxílio a suicídio ou a automutilação 
10.2.1. Conceito de suicídio e automutilação 
O suicídio decorre da conduta voluntária e consciente da própria vítima, que, por ato 
1ª Fase | 42° Exame da OAB 
Direito Penal 
70 
positivo ou negativo, busca eliminar a sua vida. É o chamado autocídio ou autoquíria. 
A automutilação decorre da conduta voluntária e consciente da própria vítima, que, por 
ato positivo ou negativo, busca provocar lesão em si própria. Nesse caso, a vítima não tem a 
intenção de eliminar a sua própria vida, mas de provocar autolesão, por exemplo, produzir cortes 
na pele, amputar alguma parte do corpo, bater com a cabeça na parede, utilizar fogo para quei-
mar parte da pele. 
Portanto, o crime consiste no fato de o agente induzir, instigar ou prestar auxílio a suicídio 
ou automutilação. Em outras palavras, constitui crime a conduta voltada a fazer com que a vítima 
pratique atos executórios para eliminar sua própria vida ou provocar lesões em si mesma. Trata-
se, em síntese, do crime de participação em suicídio ou automutilação. 
 
10.2.2. Consumação 
Com as alterações introduzidas pela Lei nº 13.968/2019, o delito de participação em sui-
cídio ou automutilação passou a ser crime formal, não mais exigindo para a sua consumação a 
produção do resultado naturalístico morte ou lesão corporal de natureza grave. 
Agora, para a consumação do delito, basta a conduta de induzir, instigar ou prestar auxílio 
ao suicídio ou à automutilação, ainda que resulte lesão corporal de natureza leve ou não resulte 
qualquer lesão. Nesse caso, o agente responderá pelo crime de participação em suicídio ou 
automutilação na sua modalidade simples, nos termos do art. 122, caput, do CP. 
A participação em suicídio ou automutilação com resultado lesão grave ou gravíssima, 
bem como com resultado morte configuram o crime na modalidade qualificada (art. 122, §§ 1° e 
2º, do CP). 
 
10.2.3. Figuras qualificadoras 
A Lei nº 13.968/2019 introduziu no ordenamento jurídico duas qualificadoras do crime de 
participação em suicídio ou automutilação: a) se resultar lesão corporal de natureza grave ou 
gravíssima; b) se resultar morte. 
Nos termos do art. 122, § 1º, do CP, se da automutilação ou da tentativa de suicídio resulta 
lesão corporal de natureza grave ou gravíssima, a pena será de 1 (um) a 3 (três) anos. 
Se da indução, instigação ou auxílio ao suicídio ou automutilação resultar qualquer um 
dos resultados previstos no art. 129, §§ 1º e 2º, do CP, incidirá a qualificadora do crime de parti-
cipação em suicídio ou automutilação (art. 122, § 1º, do CP); ausente qualquer circunstância que 
qualifica a lesão corporal, o crime será de participação em suicídio ou automutilação, na sua 
1ª Fase | 42° Exame da OAB 
Direito Penal 
71 
modalidade simples (art. 122, caput). 
Nos termos do art. 122, § 2º, do CP, se o suicídio se consuma ou se da automutilação 
resulta morte, a pena será de 2 (dois) a 6 (seis) anos. 
Se o agente, de forma dolosa, induzir, instigar ou auxiliar a vítima a eliminar a sua própria 
vida, o que efetivamente vem a ocorrer, responderá pelo crime de participação em suicídio na 
sua forma qualificada. 
O crime de participação em automutilação com resultado morte necessariamente é pre-
terdoloso. Isso porque estará presente o dolo na conduta de induzir, instigar ou auxiliar a auto-
mutilação, ao passo que o resultado morte decorre de culpa. Se o agente desejasse ou assu-
misse o risco em relação ao resultado morte, o crime seria de participação em suicídio e não em 
automutilação. 
 
10.2.4. Causas de aumento de pena 
O art. 122, §§§ 3º, 4º e 5º, do CP prevê circunstâncias que elevam a pena do crime de 
participação em suicídio. A pena será duplicada se o crime é praticado por motivo egoístico, 
torpe ou fútil, ou se a vítima é menor ou tem diminuída, por qualquer causa, a capacidade de 
resistência (art. 122, § 3º, I e II).A pena é aumentada até o dobro se a conduta é realizada por 
meio da rede de computadores, de rede social ou transmitida em tempo real (art. 122, § 4º). Au-
menta-se a pena em dobro se o agente é líder, coordenador ou administrador de grupo ou de 
rede virtual, ou por estes é responsável (art. 122, § 5º). 
 
10.2.5. Vítima menor de 14 anos ou contra quem não tem discernimento 
para a prática do ato 
Nos termos do art. 122, § 6º, do CP: 
 
Se o crime de que trata o § 1º deste artigo resulta em lesão corporal de natureza gravís-
sima e é cometido contra menor de 14 (quatorze) anos ou contra quem, por enfermidade 
ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato, ou que, 
por qualquer outra causa, não pode oferecer resistência, responde o agente pelo crime 
descrito no § 2º do art. 129 deste Código. 
 
Logo, se a vítima for menor de 14 anos de idade, e se resultar lesão corporal gravíssima, 
o agente responderá pelo crime descrito no art. 129, § 2º, do CP (art. 122, § 6º, in fine, do CP). 
Também responderá pelo crime de lesão corporal gravíssima se a vítima for acometida 
de enfermidade ou deficiência mental, e, por essa razão, não tem o necessário discernimento 
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para a prática do ato. Não basta, pois, que a vítima seja portadora de enfermidade ou deficiência 
mental, sendo necessário que, em razão disso, não tenha qualquer discernimento para o ato. 
Se a enfermidade ou deficiência mental não tem a potencialidade de retirar a plena capa-
cidade de discernimento da vítima, o agente responderá pelo crime de participação em automuti-
lação, se resultar lesão grave ou gravíssima, nos termos do art. 122, § 1º, do CP. 
O art. 122, § 6º, faz expressa remissão somente ao art. 129, § 2º, do CP. Nesse contexto, 
se da tentativa de suicídio ou da automutilação resultar lesão corporal grave em vítima menor de 
14 anos de idade, portadora de enfermidade ou deficiência mental sem o necessário discerni-
mento ou sem qualquer capacidade de resistência, forçoso concluir que o agente responderá 
pelo crime de induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio ou automutilação qualificado, com a 
pena aumentada em dobro (art. 122, §§ 1º e 3º, II, do CP). 
Conforme o art. 122, § 7º, do CP, se o suicídio se consuma ou se da automutilação resulta 
morte, e o crime tiver sido praticado contra vítima menor de 14 anos ou contra quem não tem o 
necessário discernimento para a prática do ato, ou que, por qualquer outra causa, não pode 
oferecer resistência, responde o agente pelo crime de homicídio, nos termos do art. 121 do CP. 
 
10.3. Infanticídio (art. 123 do CP) 
10.3.1. Conceito 
Trata-se de homicídio cometido pela mãe contra seu filho, nascente ou recém-nascido, 
sob a influência do estado puerperal. 
Estado puerperal é o estado que envolve a mulher durante o parto. Há profundas altera-
ções psíquicas e físicas, que chegam a transtornar a mãe, deixando-a sem plenas condições de 
entender o que está fazendo. 
 
10.3.2. Sujeitos do delito 
A autora do infanticídio só pode ser a mãe. Cuida-se de crime próprio, uma vez que não 
pode ser cometido por qualquer autor. 
O tipo penal exige qualidade especial do sujeito ativo. Entretanto, isso não impede que 
terceiro responda por infanticídio diante do concurso de agentes. 
Sujeito passivo é o neonato ou nascente, de acordo com a ocasião da prática do fato: 
durante o parto ou logo após. 
Antes do parto, o sujeito passivo será o feto, caracterizando, portanto, o delito de aborto. 
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Segundo boa parte da doutrina, estando a mulher sob influência do estado puerperal, 
responde ela por infanticídio, delito que também será atribuído aos eventuais concorrentes do 
fato, uma vez que se trata de circunstância de caráter pessoal que constitui elementar do crime. 
Logo, comunica-se aos coautores ou partícipes, nos termos do art. 30 do CP. 
 
10.4. Aborto (arts. 124 a 128 do CP) 
10.4.1. Aborto provocado pela gestante ou com seu consentimento (art. 
124) 
Trata-se de crime de mão própria, pois somente a gestante pode realizá-lo; contudo, isso 
não afasta a possibilidade de participação no crime em questão. 
Na primeira figura, é a própria mulher quem executa a ação material do crime, ou seja, ela 
própria emprega os meios ou manobras abortivas em si mesma. Se um terceiro executar ato de 
provocação do aborto, não será partícipe do crime do art. 124 do CP, mas, sim, autor do fato 
descrito no art. 126 (provocação do aborto com consentimento da gestante). 
Na segunda figura, a mulher apenas consente na prática abortiva, mas a execução mate-
rial do crime é realizada por terceira pessoa. Em tese, a gestante e o terceiro deveriam responder 
pelo delito do art. 124. Contudo, o Código Penal prevê uma modalidade especial de crime para 
aquele que provoca o aborto com o consentimento da gestante (art. 126). 
 
10.4.2. Aborto provocado por terceiro sem o consentimento da gestante 
(art. 125 do CP) 
Trata-se de forma mais gravosa do delito de aborto. 
Ao contrário da figura típica do art. 126, não há o consentimento da gestante no emprego 
dos meios ou manobras abortivas por terceiro. Aliás, a ausência de consentimento constitui ele-
mentar do tipo penal. 
As formas de dissentimento estão retratadas no parágrafo único do art. 126: 
a) dissentimento presumido: é necessário que a gestante tenha capacidade para con-
sentir, não se tratando de capacidade civil. Para o Código Penal, quando a vítima 
não é maior de 14 anos ou é alienada mental, não possui consentimento válido, 
levando à consideração de que o aborto se deu contra a sua vontade; 
b) dissentimento real: quando o agente emprega violência, grave ameaça ou mesmo 
fraude, é natural supor que extraiu o consentimento da vítima à força, de modo que 
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o aborto necessita se encaixar na figura do art. 125. 
 
10.4.3. Aborto consensual (art. 126) 
Para que se caracterize a figura do aborto consentido (art. 126), é necessário que o con-
sentimento da gestante seja válido, isto é, que ela tenha capacidade para consentir. Ausente 
essa capacidade, o delito poderá ser outro (art. 125). 
Trata-se de uma exceção à teoria monista. O legislador, para punir mais severamente o 
terceiro que provoca o aborto, criou o art. 126, aplicando a teoria pluralista do concurso de pes-
soas. 
 
10.4.4. Aborto legal (art. 128) 
a) Aborto necessário ou terapêutico: é a interrupção da gravidez realizada pelo médico 
quando a gestante estiver correndo perigo de vida e inexistir outro meio para salvá-lo. 
A excludente da ilicitude em estudo do crime de aborto somente abrange a conduta do 
médico. Não obstante isso, a enfermeira, ou parteira, não responderá pelo delito em questão se 
praticar o aborto por força do art. 24 do CP (estado de necessidade, no caso, de terceiro). 
b) Aborto humanitário, sentimental ou piedoso: o aborto humanitário, também deno-
minado ético ou sentimental, é autorizado quando a gravidez é consequência do crime de estupro 
e a gestante consente na sua realização. A lei não exige autorização judicial, processo judicial 
ou sentença condenatória contra o autor do crime de estupro para a prática do aborto sentimen-
tal. Basta prova idônea do atentado sexual. 
 
11. Lesão Corporal (art. 129 do CP) 
 
11.1. Lesão corporal leve ou simples (art. 129, caput) 
A definição de lesão corporal leve é formulada por exclusão, ou seja, configura-se quando 
não ocorre nenhum dos resultados previstos nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 129. 
 
11.2. Lesão corporal grave (art. 129, § 1º) 
A lesão corporal de natureza grave (ou mesmo a gravíssima) é uma ofensa à integridade 
física ou à saúde da pessoa humana, considerada muito mais séria e importante do que a lesão 
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simples ou leve. 
a) Incapacidade para as ocupações habituais, por mais de trinta dias:deve-se com-
preender como tal toda e qualquer atividade regularmente desempenhada pela vítima, e não 
apenas a sua ocupação laborativa, enquadrando-se, inclusive, as atividades de lazer. 
b) Perigo de vida: é a concreta possibilidade de a vítima morrer em face das lesões 
sofridas. 
A doutrina e a jurisprudência majoritária consideram que, neste caso, somente pode haver 
dolo na conduta antecedente (lesão corporal) e culpa no tocante ao resultado mais grave (perigo 
de vida), pois, havendo dolo em ambas as fases, haverá tentativa de homicídio. 
Portanto, o tipo só admite o preterdolo, uma vez que, se houver dolo quanto ao perigo de 
vida, o agente responderá por tentativa de homicídio. 
c) Debilidade permanente de membro, sentido ou função: não se exige que seja uma 
debilidade perpétua, bastando que tenha longa duração. 
Ex.: perda de um dos dedos (membro); perda da visão de um dos olhos (sentido); perda 
de um dos rins é debilidade permanente e não perda de função, pois se trata de órgão duplo. 
d) Aceleração de parto: significa antecipar o nascimento da criança antes do prazo nor-
mal previsto pela medicina. Nesse caso, é indispensável o conhecimento da gravidez pelo 
agente. 
Se, em virtude da lesão corporal praticada contra a mãe, a criança nascer morta, terá 
havido lesão corporal gravíssima (art. 129, § 2º, V, do CP). 
 
11.3. Lesão corporal gravíssima (art. 129, § 2º) 
Todas as circunstâncias qualificadoras elencadas neste parágrafo são tanto dolosas 
quanto preterdolosas, com exceção da circunstância contida no inciso V (aborto), que é neces-
sariamente preterdolosa. 
a) Incapacidade permanente para o trabalho: trata-se de inaptidão duradoura para 
exercer qualquer atividade laborativa lícita. A permanência não significa perpetuidade. 
Nesse contexto, diferentemente da incapacidade para as ocupações habituais, exige-se 
atividade remunerada, que implique sustento, portanto, acarrete prejuízo financeiro para o ofen-
dido. 
b) Enfermidade incurável: é a doença irremediável, de acordo com os recursos da me-
dicina na época do resultado, causada na vítima. 
c) Perda ou inutilização do membro, sentido ou função: perda implica destruição ou 
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privação de algum membro (ex.: corte de um braço), sentido (ex.: aniquilamento dos olhos) ou 
função (ex.: ablação da bolsa escrotal, impedindo a função reprodutora). 
No tocante a órgãos duplos, ter-se-á a perda quando houver a supressão de ambos, por 
exemplo, cegueira ou surdez total. Nessa hipótese, há a perda total da visão ou audição. Quando 
se der a supressão de apenas um órgão, estaremos diante da hipótese de debilidade (art. 129, 
§ 1º, III, do CP), pois a função não foi totalmente abolida, por exemplo, surdez em apenas um 
dos ouvidos. 
d) Deformidade permanente: deformidade é o dano estético de certa monta. Perma-
nente é a deformidade indelével, irreparável. Entende-se por irreparável a deformidade que não 
é passível de ser corrigida pelo transcurso do tempo. Ex.: perda de orelhas, mutilação grave do 
nariz, entre outros. 
e) Aborto: nesta hipótese, o agente, ao lesionar a vítima, não quer nem mesmo assumir 
o risco do advento do resultado agravador aborto. 
Portanto, para que possa se caracterizar a qualificadora da lesão corporal gravíssima, não 
pode ter sido objeto de dolo do agente, pois, nesse caso, terá de responder pelos dois crimes, 
lesão corporal e aborto, em concurso formal impróprio, ou, ainda, por aborto qualificado, se a 
lesão em si mesma for grave. 
 
11.4. Lesão corporal seguida de morte (art. 129, § 3°) 
O evento morte não deve ser desejado, nem ter o agente assumido o risco de causá-lo, 
sob pena de responder pelo crime de homicídio. Em outras palavras, trata-se de típico crime 
preterdoloso, em que o agente desenvolve conduta com dolo em relação a determinado resul-
tado, mas, por culpa, acaba produzindo resultado mais grave. 
No caso, o agente age com dolo em relação à lesão corporal, mas acaba produzindo, 
involuntariamente, a morte da vítima. 
A tentativa é inadmissível, pois o crime preterdoloso envolve a forma culposa e esta é 
totalmente incompatível com a figura da tentativa. 
 
11.5. Violência doméstica (art. 129, § 9º) 
Se a lesão for praticada contra ascendente, descendente, irmão, cônjuge ou companheiro, 
ou com quem conviva ou tenha convivido, ou, ainda, prevalecendo-se o agente das relações 
domésticas, de coabitação ou de hospitalidade, a pena será de 3 (três) meses a 3 (três) anos. 
Diversamente do que possa parecer, a qualificadora prevista no art. 129, § 9º, do CP não 
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se limita a alcançar apenas vítima mulher, incidindo ainda que a vítima seja homem, por exemplo, 
a agressão praticada pelo agente contra o irmão. 
O art. 129, § 9º, do CP incide se a lesão corporal for de natureza leve. Se for grave, gra-
víssima ou seguida de morte, incidirá, ainda, causa de aumento de pena em 1/3, nos termos do 
art. 129, § 10. 
 
11.6. Lesão corporal contra a agente de segurança pública (art. 129, 
§ 12, do CP) 
Se a lesão for praticada contra autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e 144 da 
CF/1988, integrantes do sistema prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, no exercí-
cio da função ou em decorrência dela, ou contra seu cônjuge, companheiro ou parente consan-
guíneo até terceiro grau, em razão dessa condição, a pena é aumentada de um a dois terços. 
Trata-se de crime hediondo, conforme se extrai do art. 1º, I-A, da Lei nº 8.072/1990. 
 
11.7. Lesão corporal no contexto de violência doméstica e familiar con-
tra a mulher (art. 129, §13, do CP) 
Se a lesão for praticada contra a mulher, por razões da condição do sexo feminino, nos 
termos do §2º-A do art. 121 do CP, a pena será de 1 (um) a 4 (quatro) anos. 
 
12. Crimes contra a honra 
 
12.1. Calúnia (art. 138 do CP) 
Calúnia é o fato de atribuir a outrem, falsamente, a prática de fato definido como crime. O 
Código Penal tutela a honra objetiva (reputação). 
A lei exige, expressamente, que o fato atribuído seja definido como crime. O fato criminoso 
deve ser determinado, ou seja, um caso concreto. É fundamental, para a existência de calúnia, 
que a imputação de fato definido como crime seja falsa. Se o fato for verdadeiro, não há que se 
falar em crime de calúnia. 
O momento consumativo da calúnia ocorre no instante em que a imputação chega ao 
conhecimento de um terceiro que não a vítima. 
A calúnia verbal não admite a figura da tentativa. Ou o sujeito diz a imputação, e o fato 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm
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está consumado, ou não diz, e não há conduta relevante para o Direito Penal. 
Já a calúnia escrita admite a tentativa. Ex.: o sujeito remete uma carta caluniosa e ela se 
extravia. O crime não atinge a consumação, por intermédio do conhecimento do destinatário, por 
circunstâncias alheias à vontade do sujeito. 
 
12.2. Difamação (art. 139 do CP) 
Difamar significa desacreditar publicamente uma pessoa, ofendendo sua reputação. 
O legislador protege a honra objetiva (reputação). A exemplo do crime de calúnia, o bem 
jurídico protegido é a honra, isto é, a reputação do indivíduo, a sua boa fama, o conceito que a 
sociedade lhe atribui. 
Dizer que uma pessoa é caloteira configura uma injúria, ao passo que espalhar o fato de 
que ela não pagou aos credores “A”, “B” e “C”, quando as dívidas X, Y e Z venceram, configura 
a difamação. 
Considerando que não se enquadra no tipo penal que define a calúnia, já que exige im-
putação falsa de fato definido como crime, se o agente imputar falsamente fato definido como 
contravenção, responderá pelo crime de difamação. 
A difamação atinge o momento consumativo quando um terceiro, que não o ofendido, 
toma conhecimento da imputação ofensiva à reputação. 
Quanto à tentativa, é inadmissível, quando se trata de fato cometidopor intermédio da 
palavra oral. Tratando-se, entretanto, de difamação praticada por meio escrito, é admissível. 
 
12.3. Injúria (art. 140 do CP) 
Injúria é a ofensa à dignidade ou ao decoro de outrem. 
Ao contrário dos delitos de calúnia e difamação, que tutelam a honra objetiva, o bem pro-
tegido por essa norma penal é a honra subjetiva, que é constituída pelo sentimento próprio de 
cada pessoa acerca de seus atributos morais (chamados de honra-dignidade), intelectuais e fí-
sicos (chamados de honra-decoro). 
Trata-se de crime formal. O crime consuma-se quando o sujeito passivo toma ciência da 
imputação ofensiva, independentemente de o ofendido sentir-se ou não atingido em sua honra 
subjetiva, sendo suficiente, tão só, que o ato seja revestido de idoneidade ofensiva. 
A injúria, quando cometida por escrito, admite a tentativa; quando por meio verbal, não. 
Nos termos do artigo 140, parágrafo 2 do CP se a injúria consiste em violência ou vias de 
fato, que, por sua natureza ou pelo meio empregado, se considerem aviltantes haverá a injúria 
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real com pena de detenção de três meses a um ano, e multa, além da pena correspondente à 
violência. 
Por sua vez, nos termos do artigo 140, parágrafo 3º CP (já com a redação atualizada pela 
Lei nº 14.532 de 2023) se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a religião ou à 
condição de pessoa idosa ou com deficiência haverá a injúria qualificada com pena de reclusão, 
de 1 a 3 anos e multa. 
Quando o agente se dirige a uma pessoa de determinada raça, insultando-a com argu-
mentos ou palavras de conteúdo pejorativo, responderá por injúria racial, nos termos do artigo 
2º A da Lei nº 7.716 de 1989, com pena de reclusão de 2 a 5 anos e multa não podendo alegar 
que houve uma injúria simples, tampouco uma mera exposição do pensamento (como dizer que 
todo “judeu é corrupto” ou que “negros são desonestos”), uma vez que não há limite para tal 
liberdade. 
Assim, quem simplesmente dirigir a terceiro palavras referentes à “raça”, “cor”, “etnia” ou 
“procedência nacional”, com o intuito de ofender, responderá por injúria racial nos termos do 
dispositivo legal citado. Ademais, vale destacar que, nos termos do parágrafo único do artigo 2º 
A da Lei nº 7.716 de 1989 a pena será aumentada de metade se o crime for praticado mediante 
o concurso de duas ou mais pessoas 
 
12.4. Ação penal 
Conforme se extrai do art. 145 do CP, nos crimes contra a honra, a regra é a de ação 
penal privada da vítima ou do seu representante legal. Todavia, resultando lesão física na vítima 
(injúria real com lesão corporal), apura-se o crime mediante ação penal pública incondicionada. 
No entanto, com o advento da Lei nº 9.099/1995, alguns autores entendem que se trata de ação 
penal pública condicionada à representação, já que é a prevista para os crimes de lesão corporal 
leve. 
Será penal pública condicionada à representação no caso de o delito ser cometido contra 
funcionário público, no exercício das funções (art. 141, II), e condicionada à requisição do Minis-
tro da Justiça no caso do inciso I do art. 141 (contra o Presidente da República ou Chefe de 
Governo Estrangeiro). 
Convém ressaltar: 
 
Súm. nº 714 do STF: É concorrente a legitimidade do ofendido, mediante queixa, e do 
Ministério Público, condicionada à representação do ofendido, para a ação penal por crime 
contra a honra de servidor público em razão do exercício de suas funções. 
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Além das causas de aumento de pena já previstas no art. 141 do CP, o legislador acres-
centou, por meio da Lei nº 14.344/2022, mais uma majorante, aumentando-se de um terço, se 
qualquer dos crimes contra a honra forem praticados contra criança, adolescente, pessoa maior 
de 60 anos ou pessoa com deficiência (inciso IV), exceto na hipótese prevista no § 3º do art. 140 
deste Código. 
Por último, vale destacar que a injúria qualificada do parágrafo 3º do artigo 140 será de 
ação penal pública condicionada à representação enquanto a injúria racial (art. 2º A da Lei nº 
7.716 de 1989) será de ação penal pública incondicionada. 
 
13. Crimes Contra o Patrimônio 
 
13.1. Furto (art. 155 do CP) 
13.1.1. Conceito 
O crime de furto consubstancia-se no verbo subtrair, que significa tirar, retirar de outrem 
bem móvel, sem a sua permissão, com o fim de assenhoramento definitivo. A subtração implica 
sempre a retirada do bem sem o consentimento do possuidor ou proprietário. 
É indispensável que o agente tenha a intenção de possuir a coisa alheia móvel, subme-
tendo-a ao seu poder, isto é, de não devolver o bem, de forma alguma. Assim, se ele o subtrai 
apenas para uso transitório e depois o devolve no mesmo estado, não haverá a configuração do 
tipo penal. Cuida-se, na hipótese, de mero furto de uso, que não constitui crime, pela ausência 
do ânimo de assenhoramento definitivo do bem. 
 
13.1.2. Consumação e tentativa 
O furto atinge a consumação no momento em que o objeto material é retirado da esfera 
de posse e disponibilidade do sujeito passivo, ingressando na livre disponibilidade do autor, ainda 
que este não obtenha a posse tranquila. A subtração opera-se no exato instante em que o pos-
suidor perde o poder e o controle sobre a coisa, tendo de retomá-la porque já não está mais 
consigo. 
Pode-se usar, por analogia, o teor da Súm. nº 582 do STJ, relativa ao roubo: consuma-se 
o crime de roubo com a inversão da posse do bem mediante emprego de violência ou grave 
ameaça, ainda que por breve tempo e em seguida à perseguição imediata ao agente e recupe-
ração da coisa roubada, sendo prescindível a posse mansa e pacífica ou desvigiada. 
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A tentativa é admissível. Ocorre sempre que o sujeito ativo não consegue, por circunstân-
cias alheias à sua vontade, retirar o objeto material da esfera de proteção e vigilância da vítima, 
submetendo-a à sua própria disponibilidade. 
 
13.1.3. Furto noturno (art. 155, § 1º, do CP) 
A causa de aumento de pena do repouso noturno só é aplicável ao furto simples, previsto 
no caput do art. 155, tendo em vista a sua posição sistemática na construção do tipo penal. Não 
se aplica, portanto, ao furto qualificado do § 4º. 
 
13.1.4. Furto privilegiado (art. 155, § 2º, do CP) 
A corrente majoritária sustenta ser de pequeno valor a coisa que não ultrapassa quantia 
equivalente a um salário mínimo vigente à época do fato. 
 
13.1.5. Furto qualificado (art. 155, § 4º, do CP) 
13.1.5.1. Com destruição ou rompimento de obstáculo à subtração da 
coisa 
É necessário que o sujeito pratique violência contra “obstáculo” à subtração do objeto 
material. A violência contra a coisa subtraída não qualifica o furto. 
 
13.1.5.2. Com abuso de confiança, ou mediante fraude, escalada ou des-
treza 
a) Abuso de confiança: é a confiança que decorre de certas relações (que pode ser a 
empregatícia, a decorrente de amizade ou parentesco) estabelecidas entre o agente e o propri-
etário do objeto. O agente, dessa forma, aproveita-se da confiança nele depositada para praticar 
o furto, pois há menor vigilância do proprietário sobre os seus bens. 
b) Mediante fraude: é o ardil, artifício, meio enganoso empregado pelo agente para dimi-
nuir, iludir a vigilância da vítima e realizar a subtração. São exemplos de fraude: agente que se 
disfarça de empregado de empresa telefônica e logra entrar em residência alheia para furtar, ou 
agente que, a pretexto de realizar compras em uma loja, distrai a vendedora, de modo a lograr 
apoderar-se dos objetos. 
c) Mediante escalada: escalada, que em direito penal tem sentido próprio, é a penetração 
no local do furto por meio anormal, artificial ou impróprio, que demanda esforço incomum. 
1ª Fase | 42° Exame da OAB 
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Escalada não implica, necessariamente, subida, pois tanto é escalada galgar alturas quanto sal-
tar fossos, rampasou mesmo subterrâneos, desde que o faça para vencer obstáculos. 
d) Mediante destreza: consiste na habilidade física ou manual do agente que lhe permite 
o apoderamento do bem sem que a vítima perceba. É a chamada punga. Tal ocorre com a sub-
tração de objetos que se encontrem junto à vítima, por exemplo, carteira, dinheiro no bolso ou 
na bolsa, colar etc., que são retirados sem que ela note. 
Importa dizer que se a vítima perceber a subtração no momento em que ela se realiza, 
considera-se o furto tentado na forma simples, pois não há que se falar no caso em destreza do 
agente (ex.: a vítima sente a mão do agente em seu bolso). 
 
13.1.5.3. Com emprego de chave falsa 
Chave falsa é qualquer instrumento de que se sirva o agente para abrir fechaduras, tendo 
ou não formato de chave. Ex.: grampo, alfinete, prego, fenda, gazua etc. 
 
13.1.5.4. Mediante concurso de duas ou mais pessoas 
Se for praticado em concurso de pessoas, seja na condição de coautoria ou participação 
e autoria, o furto será qualificado pelo concurso de pessoas. 
 
13.1.5.5. Furto de veículo automotor (art. 155, § 5º, do CP) 
Esta qualificadora diz respeito, especificamente, à subtração de veículo automotor. Con-
sideram-se como tal os automóveis, ônibus, caminhões, motocicletas, aeronaves, lanchas, jet-
skis. Para caracterizar essa qualificadora, afigura-se necessário que o veículo seja efetivamente 
transportado para outro Estado ou exterior. Se não ultrapassar a fronteira do Estado ou do País, 
essa qualificadora não incide, sendo o crime de furto simples, salvo se presente outra qualifica-
dora. 
 
13.1.5.6. Emprego de explosivo que cause perigo comum 
A Lei nº 13.654/2018 acrescentou o § 4º-A do art. 155 do CP prevendo outra qualifica-
dora para o crime de furto, quando praticado com emprego de explosivo ou de artefato análogo 
que causa perigo comum. 
A partir da edição do Pacote Anticrime (Lei nº 13.964/2019), o crime de furto com emprego 
de explosivo ou de artefato análogo que causa perigo comum passou a ser considerado hediondo 
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(art. 1º, IX, da Lei nº 8.072/1990). 
 
13.1.5.7. Utilização de substâncias explosivas 
A Lei nº 13.654/2018 acrescentou também o § 7º do art. 155 do CP prevendo outra qua-
lificadora para o crime de furto, segundo o qual a pena é de reclusão de 4 (quatro) a 10 (dez) 
anos e multa se a subtração for de substâncias explosivas ou de acessórios que, conjunta ou 
isoladamente, possibilitem sua fabricação, montagem ou emprego. 
 
13.1.5.8. Alterações promovidas pela Lei nº 14.155/2021 
Cumpre ressaltar que a Lei nº 14.155/2021, que entrou em vigor em 27-5-2021, acrescen-
tou os §§ 4º-B e 4º-C ao art. 155 do CP: 
 
§ 4º-B. A pena é de reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa, se o furto mediante 
fraude é cometido por meio de dispositivo eletrônico ou informático, conectado ou não à 
rede de computadores, com ou sem a violação de mecanismo de segurança ou a utilização 
de programa malicioso, ou por qualquer outro meio fraudulento análogo. 
§ 4º-C. A pena prevista no § 4º-B deste artigo, considerada a relevância do resultado gra-
voso: 
I – aumenta-se de 1/3 (um terço) a 2/3 (dois terços), se o crime é praticado mediante a 
utilização de servidor mantido fora do território nacional; 
II – aumenta-se de 1/3 (um terço) ao dobro, se o crime é praticado contra idoso ou vulne-
rável. 
 
13.2. Roubo (art. 157 do CP) 
13.2.1. Conduta típica 
A ação nuclear do tipo consubstancia-se no verbo subtrair, que significa tirar, retirar, de 
outrem, no caso bem móvel. Agora, contudo, estamos diante de um crime mais grave que o furto, 
na medida em que a subtração é realizada mediante o emprego de grave ameaça ou violência 
contra a pessoa, ou por qualquer outro meio que reduza a capacidade de resistência da vítima. 
Esta última hipótese constitui violência imprópria, consistente em outro meio que não constitua 
violência física ou grave ameaça, por exemplo, fazer a vítima ingerir bebida alcoólica, narcóticos, 
soníferos ou hipnotizá-la. 
 
13.2.2. Roubo próprio e roubo impróprio 
No roubo próprio, a violência ou a grave ameaça (ou a redução da impossibilidade de 
defesa) são praticadas contra a pessoa para a subtração da coisa. Os meios violentos são em-
pregados antes ou durante a execução da subtração. 
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Direito Penal 
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O roubo impróprio ocorre quando o sujeito, logo depois de subtraída a coisa, emprega 
violência contra a pessoa ou grave ameaça, a fim de assegurar a impunidade do crime ou a 
detenção da coisa para ele ou para terceiro (art. 157, § 1º, do CP). 
São exemplos típicos de roubo impróprio aquele em que o sujeito ativo, já se retirando do 
portão com a res furtiva, alcançado pela vítima, abate-a (assegurando a detenção), ou, então, já 
na rua, constata que deixou um documento no local, que o identificará, e, retornando para apa-
nhá-lo, agride o morador que o estava apanhando (garantindo a impunidade). 
 
13.2.3. Consumação e tentativa 
Nos termos da Súm. nº 582 do STJ, “Consuma-se o crime de roubo com a inversão da 
posse do bem mediante emprego de violência ou grave ameaça, ainda que por breve tempo e 
em seguida à perseguição imediata ao agente e recuperação da coisa roubada, sendo prescin-
dível a posse mansa e pacífica ou desvigiada”. 
 
13.2.4. Causas especiais de aumento de pena: roubo majorado (circuns-
tanciado) - art. 157, § 2º 
a) Se há o concurso de duas ou mais pessoas: pode haver concurso material entre 
roubo majorado e quadrilha armada, pois os bens jurídicos são diversos. Enquanto o tipo penal 
de roubo protege o patrimônio, o tipo da quadrilha ou bando guarnece a paz pública. 
b) Se a vítima está em serviço de transporte de valores e o agente conhece tal cir-
cunstância: a pena é agravada se a vítima, por dever de ofício (caixeiro viajante, empresa de 
segurança especialmente contratada para o transporte de valores), realiza serviço de transporte 
de valores (dinheiro, joia etc.). 
c) Se a subtração for de veículo automotor que venha a ser transportado para outro 
estado ou para o exterior: assim como no furto, esta majorante diz respeito, especificamente, 
à subtração de veículo automotor. Consideram-se como tal os automóveis, ônibus, caminhões, 
motocicletas, aeronaves, lanchas, jet-skis. 
d) Se o agente mantém a vítima em seu poder, restringindo sua liberdade: ocorre 
quando o agente restringe a liberdade da vítima por tempo superior ao necessário ou valendo-
se de forma anormal para garantir a subtração planejada. Ex.: subjugando a vítima, o agente, 
pretendendo levar-lhe o veículo, manda que entre no porta-malas, rodando algum tempo pela 
cidade, até permitir que seja libertada ou o carro seja abandonado. 
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Direito Penal 
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Trata-se de crime hediondo (art. 1º, II, a, da Lei nº 8.072/1990, com a redação dada pela 
Lei nº 13.964/2019). 
e) Se a violência ou grave ameaça é exercida com emprego de arma branca: essa 
qualificadora foi introduzida pela Lei nº 13.964/2019, e só terá incidência para fatos praticados a 
partir da sua vigência, ou seja, fatos praticados a partir do dia 23-1-2020. 
Arma branca é aquela em que o instrumento ou objeto é dotado de ponta ou gume, apto 
a matar ou ferir uma pessoa, por exemplo, punhal e espada. 
f) Se a subtração for de substâncias explosivas ou de acessórios que, conjunta ou 
isoladamente, possibilitem sua fabricação, montagem ou emprego. 
 
13.2.5. Roubo com emprego de arma de fogo (art. 157, § 2º-A, do CP) 
Importante alteração trazida pela Lei nº 13.654/2018, na qual o roubo “com emprego de 
arma” deixou de ser uma hipótese de roubo circunstanciado no art. 157, § 2º. Já o roubo com 
emprego de arma de fogo continua sendo punido como roubo circunstanciado no art. 157, § 2º-
A, I, do CP. 
Ou seja, o emprego de arma branca majora o crime de roubo de 1/3 até a metade, ao 
passo que o emprego de arma de fogo majorao crime de roubo em 2/3. 
A arma de brinquedo não serve para majorar a pena, uma vez que não causa à vítima 
maior potencialidade lesiva. Pode, no entanto, gerar grave ameaça e, justamente por isso, servir 
para configurar o tipo penal do roubo, na figura simples. 
Trata-se de crime hediondo (art. 1º, II, b, da Lei nº 8.072/1990, com a redação dada pela 
Lei nº 13.964/2019). 
 
13.2.6. Roubo com emprego de explosivo ou de artefato análogo que 
cause perigo comum 
Para caracterizar essa qualificadora, deve restar demonstrada a capacidade de o artefato 
causar perigo comum, apto a causar risco a um número indeterminado de pessoas. 
Curiosamente, o legislador considerou hediondo o crime de furto qualificado pelo emprego 
de explosivo ou artefato análogo, mas não considera hediondo o crime de roubo com emprego 
de explosivo ou de artefato análogo que cause perigo comum. Como, à evidência, não existe 
analogia in malam partem no Direito Penal, essa omissão do legislador significa que não será 
possível considerar esse tipo de roubo como hediondo. 
1ª Fase | 42° Exame da OAB 
Direito Penal 
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13.2.7. Roubo qualificado pelo resultado (art. 157, § 3º, do CP) 
Prevalece o entendimento doutrinário, que passou a admitir a possibilidade, indistinta-
mente, de o resultado agravador poder decorrer tanto de culpa quanto de dolo, direto ou eventual. 
a) Crime qualificado pelo resultado lesões graves: é uma das hipóteses de delito qua-
lificado pelo resultado, que se configura pela presença de dolo na conduta antecedente (roubo) 
e dolo ou culpa na conduta subsequente (lesões corporais graves). 
Trata-se de crime hediondo (art. 1º, II, c, da Lei nº 8.072/1990, com a redação dada pela 
Lei nº 13.964/2019). 
b) Crime qualificado pelo resultado morte (latrocínio): o crime de latrocínio ocorre 
quando do emprego da violência física contra a pessoa com o fim de subtrair o bem, ou para 
assegurar a sua posse ou a impunidade do crime, decorre a morte da vítima. Tratando-se de 
crime qualificado pelo resultado, a morte da vítima ou de terceiro tanto pode resultar de dolo (o 
assaltante atira na cabeça da vítima e a mata) quanto de culpa (o agente desfere um golpe contra 
o rosto do ofendido para feri-lo, vindo, no entanto, a matá-lo). 
Trata-se de crime hediondo (art. 1º, II, c, da Lei nº 8.072/1990, com a redação dada pela 
Lei nº 13.964/2019). 
 
Súm. nº 610 do STF: Há crime de latrocínio, quando o homicídio se consuma, ainda que 
não realize o agente a subtração de bens da vítima. 
Súm. nº 603 do STF: A competência para o processo e julgamento de latrocínio é do juiz 
singular e não do Tribunal do Júri. 
 
13.3. Extorsão (art. 158 do CP) 
13.3.1. Conduta típica 
Extorsão é o fato de o sujeito constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, 
e com o intuito de obter para si ou para outrem indevida vantagem econômica, a fazer, tolerar 
que se faça ou deixar de fazer alguma coisa. 
A diferença em relação ao roubo concentra-se no fato de a extorsão exigir a participação 
ativa da vítima fazendo alguma coisa, tolerando que se faça ou deixando de fazer algo em virtude 
da ameaça ou da violência sofrida. 
A ação nuclear do tipo consubstancia-se no verbo constranger, que significa coagir, com-
pelir, forçar, obrigar alguém a fazer (ex.: quitar uma dívida não paga), tolerar que se faça (ex.: 
permitir que rasgue um contrato) ou deixar de fazer alguma coisa (ex.: obrigar a vítima a não 
propor ação judicial contra o agente). 
O constrangimento pode ser exercido mediante o emprego de violência ou grave ameaça, 
1ª Fase | 42° Exame da OAB 
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os quais podem atingir tanto o titular do patrimônio quanto pessoa ligada a ele (filhos, pai, mãe 
etc.). 
 
13.3.2. Consumação e tentativa 
A extorsão atinge a consumação com a conduta típica imediatamente anterior à produção 
do resultado visado pelo sujeito. 
Para a consumação, portanto, o agente deve atingir o segundo estágio, isto é, a consu-
mação ocorre quando a vítima cede ao constrangimento imposto e faz ou deixa de fazer algo. 
Esse é o entendimento que prevalece na doutrina. Nesse sentido, a Súm. nº 96 do STJ: “O crime 
de extorsão consuma-se independentemente da obtenção da vantagem indevida”. 
A tentativa é admissível. Ocorre quando o sujeito passivo, não obstante constrangido pelo 
autor por meio da violência física ou moral, não realiza a conduta positiva ou negativa pretendida, 
por circunstâncias alheias à sua vontade. 
 
13.3.3. Extorsão qualificada (art. 158, §§ 2º e 3º) 
As duas hipóteses (lesão corporal grave ou morte) elencadas, como no roubo, caracteri-
zam condições de exasperação da punibilidade em razão da maior gravidade do resultado. 
Inusitadamente, o legislador deixou de considerar hediondo o crime de extorsão qualifi-
cada pelo resultado morte, ao dar nova redação ao art. 1º, III, da Lei nº 8.072/1990, que passou 
a prever como crime hediondo somente a extorsão qualificada pela restrição da liberdade da 
vítima, ocorrência de lesão corporal ou morte (art. 158, § 3º). 
 
13.3.4. Extorsão qualificada pela privação da liberdade (art. 158, § 3º) 
Trata-se da hipótese em que a privação da liberdade da vítima é condição indispensável 
para obtenção da vantagem indevida. É o chamado sequestro-relâmpago. 
Ex.: ladrão constrange a vítima a entregar-lhe o cartão magnético e a fornecer-lhe a se-
nha, acompanhando-a até caixas eletrônicos de bancos para sacar dinheiro. Nesse caso, ocorre 
o crime de extorsão qualificada, uma vez que é imprescindível a atuação do sujeito passivo do 
ataque patrimonial para a obtenção da vantagem indevida por parte do autor. Difere do roubo 
majorado pela restrição da liberdade da vítima, porque, neste caso, a restrição da liberdade é 
irrelevante para obtenção da vantagem indevida. Imaginemos o agente subtrair objetos da vítima, 
prendendo-a no banheiro. Trata-se de roubo majorado pela restrição da liberdade da vítima, pois 
1ª Fase | 42° Exame da OAB 
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trancá-la no banheiro não é condição indispensável para a subtração. 
A extorsão qualificada pela privação da liberdade da vítima com resultado lesão grave ou 
morte passou a ser considerada crime hediondo (art. 1º, III, da Lei nº 8.072/1990). 
 
13.4. Extorsão mediante sequestro (art. 159 do CP) 
13.4.1. Conduta típica 
O crime consubstancia-se no verbo sequestrar, que significa privar a vítima de sua liber-
dade de locomoção, ainda que por breve espaço de tempo. 
Exige a presença de um elemento subjetivo específico, consistente na finalidade de ob-
tenção, para si ou para outrem, de qualquer vantagem como condição ou preço de resgate. 
É crime hediondo. 
 
13.4.2. Consumação 
A consumação ocorre com a privação de liberdade de locomoção da vítima, exigindo-se 
tempo juridicamente relevante. 
Trata-se de crime permanente, cuja consumação se prolonga no tempo. Assim, enquanto 
a vítima estiver submetida à privação de sua liberdade de locomoção, o crime estará em fase de 
consumação. 
Tratando-se de crime formal, pune-se a mera atividade de sequestrar pessoa, tendo a 
finalidade de obter vantagem. Assim, embora o agente não consiga a vantagem almejada, o 
delito está consumado quando a liberdade da vítima é cerceada. 
 
13.4.3. Formas qualificadas (art. 159, § 1º, do CP) 
São formas qualificadas: 
a) sequestro por mais de 24 horas; 
b) sequestro de menor de 18 ou maior de 60 anos; 
c) sequestro praticado por bando ou quadrilha. 
d) É possível responsabilizar-se o agente pelo crime autônomo de associação crimi-
nosa (art. 288) em concurso material com a forma qualificada em estudo. Não há 
falar em bis in idem, uma vez que os momentos consumativos e a objetividade 
jurídica entre tais crimes são totalmente diversos, além do que a figura prevista no 
art. 288 do CP existe independentemente de algum crime vir a ser praticado pela 
1ª Fase | 42° Exame da OAB 
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quadrilha ou bando. 
 
13.4.4. Extorsão mediantesequestro qualificada pelo resultado: lesão 
grave ou morte (art. 159, §§ 2º e 3º, do CP) 
A regra, repetindo, é que, nesses crimes, o resultado agravador seja sempre produto de 
culpa. Contudo, na hipótese em apreço, a extrema gravidade das sanções cominadas uniu o 
entendimento doutrinário que passou a admitir a possibilidade, indistintamente, de o resultado 
agravador poder decorrer tanto de culpa quanto de dolo, direto ou eventual: 
a) se resulta em lesão corporal grave; 
b) se resulta em morte. 
 
13.4.5. Delação premiada (art. 159, § 4º, do CP) 
A Lei nº 8.072/1990, que instituiu os crimes hediondos, houve por bem criar, no Brasil, a 
delação premiada, que significa a possibilidade de se reduzir a pena do criminoso que entregar 
o(s) comparsa(s) a qualquer autoridade capaz de levar o caso à solução almejada, causando a 
liberação da vítima (delegado, juiz, promotor, entre outros). 
 
13.5. Dano (art. 163 do CP) 
13.5.1. Conduta típica 
Destruir quer dizer arruinar, extinguir ou eliminar. Inutilizar significa tornar inútil ou impres-
tável alguma coisa aos fins para os quais se destina. Deteriorar é a conduta de quem estraga ou 
corrompe alguma coisa parcialmente. 
É o dolo. Não há a forma culposa. 
Em que pese o art. 163 CP não exija expressamente um fim especial de agir, a jurispru-
dência tem entendido pela necessidade do animus nocendi, que é a vontade específica de cau-
sar um prejuízo patrimonial ao dono da coisa. 
Neste sentido, vem se entendendo que a conduta do apenado que rompe a tornozeleira 
eletrônica é atípica, justamente pela ausência de tal animus (RHC 151173-RS). 
 
13.5.2. Dano qualificado (art. 163, par. ún., do CP) 
 
I – Violência à pessoa ou grave ameaça a pessoa; 
II – Com emprego de substância inflamável ou explosiva, se o fato não constitui crime mais 
1ª Fase | 42° Exame da OAB 
Direito Penal 
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grave; 
III – Contra o patrimônio da União, de Estado, do Distrito Federal, de Município ou de 
autarquia, fundação pública, empresa pública, sociedade de economia mista ou empresa 
concessionária de serviços públicos; 
IV – Motivo egoístico e prejuízo considerável. 
 
13.5.3. Ação penal (art. 167 do CP) 
De acordo com o art. 167, a ação penal privada é cabível no crime de dano simples (art. 
163, caput, do CP) e qualificado somente na hipótese do inciso IV do parágrafo único. A ação 
penal pública incondicionada é cabível nas demais hipóteses. 
 
13.6. Apropriação indébita (art. 168 do CP) 
13.6.1. Conduta típica 
O núcleo do tipo é o verbo “apropriar-se”, que significa fazer sua a coisa alheia. Tendo o 
sujeito a posse ou a detenção do objeto material, em dado momento faz mudar o título da posse 
ou da detenção, comportando-se como se dono fosse. O pressuposto do crime de apropriação 
indébita é a anterior posse lícita da coisa alheia, da qual o agente se apropria indevidamente. A 
posse, que deve preexistir ao crime, deve ser exercida pelo agente em nome alheio, isto é, em 
nome de outrem. 
A apropriação indébita propriamente dita ocorre quando o sujeito realiza ato demonstrativo 
de que inverteu o título da posse, como a venda, doação, consumo, penhor, ocultação etc. Na 
negativa de restituição, o sujeito afirma claramente ao ofendido que não devolverá o objeto ma-
terial. 
O art. 168, § 1º, do CP prevê causas de aumento de pena, consistentes em ter recebido 
a coisa: a) em depósito necessário; b) na qualidade de tutor, curador, síndico, liquidatário, inven-
tariante, testamenteiro ou depositário judicial; c) em razão de ofício, emprego ou profissão. 
 
13.7. Estelionato (art. 171 do CP) 
13.7.1. Conduta típica 
Consiste em induzir ou manter alguém em erro, mediante o emprego de artifício, ardil, ou 
qualquer meio fraudulento, a fim de obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita em prejuízo 
alheio. 
A característica primordial do estelionato é a fraude: engodo empregado pelo sujeito para 
induzir ou manter a vítima em erro, com o fim de obter um indevido proveito patrimonial. 
1ª Fase | 42° Exame da OAB 
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91 
O meio de execução deve ser apto a enganar a vítima. Tratando-se de meio grotesco, que 
facilmente demonstra a intenção fraudulenta, não há nem tentativa, por atipicidade do fato. 
 
13.7.2. Consumação e tentativa 
Trata-se de crime material. Consuma-se com a obtenção da vantagem ilícita indevida, em 
prejuízo alheio, ou seja, quando o agente aufere o proveito econômico, causando dano à vítima. 
Via de regra, esses resultados ocorrem simultaneamente. Há, assim, ao mesmo tempo, a obten-
ção de proveito pelo estelionatário e o prejuízo da vítima. 
 
13.7.3. Fraude no pagamento por meio de cheque (art. 171, § 2º, VI, do 
CP) 
Se o indivíduo emite um cheque na certeza de que tem fundos disponíveis para o devido 
pagamento pelo banco, quando na realidade não há qualquer numerário depositado na agência 
bancária, não se pode falar em ilícito criminal, diante da ausência de má-fé. 
O que a lei penal pune é o pagamento fraudulento. Nesse sentido é o teor da Súm. nº 246 
do STF: “Comprovado não ter havido fraude, não se configura o crime de emissão de cheque 
sem fundos”. 
Emitir cheque significa pôr em circulação o título de crédito; frustrar o pagamento quer 
dizer iludir ou enganar o credor, evitando a sua remuneração. 
a) Emitir cheque sem provisão de fundos: o agente preenche, assina e coloca o cheque 
em circulação sem ter numerário suficiente na instituição bancária (banco sacado) para cobrir o 
valor quando da apresentação do título pelo tomador. No momento da emissão do cheque – que 
não significa simplesmente o seu preenchimento, mas a entrega a terceiro –, é preciso que o 
estabelecimento bancário, encarregado da compensação, já não possua fundo suficiente para 
cobrir o pagamento. 
b) Frustrar o pagamento de cheque: neste caso, o agente possui fundos suficientes na 
instituição bancária quando da emissão do cheque, contudo, antes de o beneficiário apresentar 
o título ao banco, aquele retira todo o numerário depositado ou apresenta uma contraordem de 
pagamento. 
c) Competência: conforme o art. 70, § 4º, do CPP, incluído pela Lei nº 14.155/2021, nos 
crimes previstos no art. 171 do CP, quando praticados mediante depósito, mediante emissão de 
cheques sem suficiente provisão de fundos em poder do sacado ou com o pagamento frustrado 
1ª Fase | 42° Exame da OAB 
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92 
ou mediante transferência de valores, a competência será definida pelo local do domicílio da 
vítima, e, em caso de pluralidade de vítimas, a competência firmar-se-á pela prevenção. 
d) Reparação do dano: arrependendo-se o agente antes da apresentação do título pelo 
beneficiário no banco sacado, e depositando o numerário necessário para cobrir a quantia cons-
tante do cheque, haverá arrependimento eficaz, não respondendo ele por crime algum. 
Se, por outro lado, o agente arrepender-se somente após a consumação do crime, ou 
seja, após a recusa do pagamento pelo banco sacado, incidirá a Súm. nº 554 do STF: “O paga-
mento de cheque emitido sem provisão de fundos, após o recebimento da denúncia, não obsta 
ao prosseguimento da ação penal”. 
Assim, o pagamento do cheque antes do recebimento da denúncia extingue a punibilidade 
do agente. 
 
13.7.4. Ação penal (art. 171, § 5º, do CP) 
A Lei nº 13.964/2019, ao incluir o § 5º ao art. 171 do CP, passou a considerar que o crime 
de estelionato será, via de regra, de ação penal pública condicionada à representação. Logo, a 
vítima terá o prazo de 6 (seis) meses a contar da ciência da autoria do fato para manifestar sua 
vontade acerca da persecução penal, sob pena de, extrapolado esse prazo, ocorrer a extinção 
da punibilidade, com base no art. 107, IV, do CP. 
Excepcionalmente, será, no entanto, de ação penal pública incondicionada se o crime de 
estelionato for praticado contra: a) a Administração Pública, direta ou indireta; b) criança ou ado-
lescente; c) pessoa com deficiência mental; d) maior de70 anos de idade ou incapaz. 
 
13.7.5. Alterações promovidas pela Lei nº 14.155/2021 
Cumpre ressaltar que a Lei nº 14.155/2021, que entrou em vigor em 27-5-2021, acrescen-
tou os §§ 2º-A e 2º-B ao art. 171: 
 
§ 2º-A. A pena é de reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa, se a fraude é cometida 
com a utilização de informações fornecidas pela vítima ou por terceiro induzido a erro por 
meio de redes sociais, contatos telefônicos ou envio de correio eletrônico fraudulento, ou 
por qualquer outro meio fraudulento análogo. (Incluído pela Lei nº 14.155/2021) 
§ 2º-B. A pena prevista no § 2º-A deste artigo, considerada a relevância do resultado gra-
voso, aumenta-se de 1/3 (um terço) a 2/3 (dois terços), se o crime é praticado mediante a 
utilização de servidor mantido fora do território nacional. (Incluído pela Lei nº 14.155/2021) 
 
13.8. Receptação (art. 180 do CP) 
13.8.1. Conduta típica 
1ª Fase | 42° Exame da OAB 
Direito Penal 
93 
Nos termos do art. 180, caput, do CP, a receptação é o fato de adquirir, receber, transpor-
tar, conduzir ou ocultar, em proveito próprio ou alheio, coisa que sabe ser produto de crime, ou 
influir para que terceiro, de boa-fé, a adquira, receba ou oculte. 
É pressuposto do crime de receptação a existência de crime anterior. Trata-se de delito 
acessório, em que o objeto material deve ser produto de crime antecedente, chamado de delito 
pressuposto. 
A receptação culposa constitui o fato de o sujeito adquirir ou receber coisa que, por sua 
natureza ou pela desproporção entre o valor e o preço, ou pela condição de quem a oferece, 
deve presumir-se obtida por meio criminoso (art. 180, § 3º). 
 
13.8.2. Receptação qualificada (art. 180, § 1º, do CP) 
Forma qualificada: tem como elemento subjetivo o dolo, seja direto ou eventual. 
 
13.8.3. Receptação punível autonomamente (art. 180, § 4º, do CP) 
Para a concretização do crime de receptação não importa se houve a condenação do 
autor do crime anterior. Porém, é necessário evidenciar-se a existência do crime anterior. 
 
13.8.4. Perdão judicial (art. 180, § 5º, do CP) 
Nos termos do art. 180, § 5º, 1ª parte, do CP, na hipótese da receptação culposa, se o 
criminoso é primário, deve o juiz, tendo em consideração determinadas circunstâncias, deixar de 
aplicar a pena. No caso, fixaram a doutrina e a jurisprudência que, além da primariedade, deve-
se exigir o seguinte: a) diminuto valor da coisa objeto da receptação; b) bons antecedentes; c) 
ter o agente atuado com culpa levíssima. 
 
13.8.5. Tipo qualificado (art. 180, § 6º, do CP) 
Outra forma qualificada: quando o produto de crime pertencer à União, Estado, Município, 
empresa de serviços públicos ou sociedade de economia mista. Exige-se que o agente tenha 
conhecimento disso. 
 
13.9. Escusas absolutórias (arts. 181 a 183 do CP) 
13.9.1. Imunidade absoluta (art. 181) 
Trata-se da chamada imunidade penal absoluta, também conhecida como escusa 
1ª Fase | 42° Exame da OAB 
Direito Penal 
94 
absolutória, incidente sobre os crimes contra o patrimônio, nas seguintes hipóteses: 
 
I – do cônjuge, na constância da sociedade conjugal; 
II – de ascendente ou descendente, seja o parentesco legítimo ou ilegítimo, seja civil ou 
natural. 
 
13.9.2. Imunidade relativa (art. 182, I, II e III, do CP) 
Consubstancia-se em imunidade penal relativa ou processual, que não extingue a punibi-
lidade, mas tão somente impõe uma condição objetiva de procedibilidade. 
Neste caso, ao contrário da imunidade absoluta, o autor do crime não é isento de pena, 
mas os crimes de ação penal pública incondicionada passam a ser condicionados à representa-
ção do ofendido. 
 
13.9.3. Exclusão de imunidade ou privilégio (art. 183 do CP) 
Dá-se nas seguintes hipóteses: 
 
I – se o crime é de roubo ou de extorsão, ou, em geral, quando haja emprego de grave 
ameaça ou violência à pessoa; 
II – ao estranho que participa do crime; 
III – se o crime é praticado contra pessoa com idade igual ou superior a 60 (sessenta) 
anos. 
 
14. Crimes contra a Dignidade Sexual 
 
14.1. Estupro (art. 213 do CP) 
14.1.1. Conduta típica 
Constranger significa tolher a liberdade, forçar ou coagir. Nesse caso, o cerceamento des-
tina-se a obter a conjunção carnal. Ato libidinoso é aquele destinado a satisfazer a lascívia, o 
apetite sexual do agente. Considerando que a conjunção carnal é a cópula vagínica, todos os 
demais atos que servem à satisfação do prazer sexual são considerados libidinosos, tais como 
o sexo oral ou anal, o toque em partes íntimas, a masturbação, o beijo lascivo, a introdução dos 
dedos na vagina. 
 
14.1.2. Sujeito ativo e passivo 
Antes da alteração introduzida no art. 213 do CP, o sujeito passivo do crime de estupro 
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era apenas a mulher. Atualmente, o estupro poderá ter como sujeito passivo homens ou mulhe-
res, quando constrangidos à prática de atos libidinosos de qualquer natureza. 
Atinente ao sujeito ativo, por sua vez, este pode ser homem ou mulher, indistintamente. 
 
14.1.3. Consumação e tentativa 
O delito consuma-se com a prática do ato de libidinagem (gênero que abrange conjunção 
carnal e vasta enumeração de atos libidinosos ofensivos à dignidade sexual da vítima), sendo 
perfeitamente possível a tentativa, quando, iniciada a execução, o ato sexual visado não se con-
suma por circunstâncias alheias à vontade do agente. 
Antes da Lei nova, se ocorresse conjunção carnal e atos libidinosos substanciais contra a 
mesma mulher, tínhamos estupro e atentado violento ao pudor. Discutia-se, apenas, se deveria 
incidir a continuidade delitiva ou se se tratava de concurso material de crimes. 
Agora, tendo o legislador unificado os tipos penais do estupro e do atentado violento ao 
pudor, passando a existir apenas o estupro e o estupro contra vulnerável, haverá crime único, se 
praticado no mesmo contexto fático. 
 
14.1.4. Formas qualificadas (art. 213, §§ 1º e 2º, do CP) 
Duas são as hipóteses: 1ª) ocorrência de lesões graves (que abrangem as lesões gravís-
simas) decorrentes da conduta do agente; 2ª) vítima maior de 14 anos e menor de 18 anos na 
data do fato. 
Quanto às lesões graves (ou gravíssimas), devem ocorrer da conduta. Com isso, deixou 
claro o legislador que tais resultados devem decorrer da conduta, portanto, da violência ou grave 
ameaça empregadas contra a vítima. 
O § 2º do art. 213, por sua vez, prevê o resultado qualificador morte, também decorrente 
da conduta. Neste particular, houve redução da pena máxima, que anteriormente era de 25 anos, 
passando para 20 anos de reclusão. 
Em ambos os casos, os resultados lesões graves (ou gravíssimas) e morte devem ocorrer 
a título de culpa do agente. 
 
14.2. Violação sexual mediante fraude (art. 215 do CP) 
14.2.1. Conduta típica 
O crime do art. 215 do CP abarca a prática de conjunção carnal ou a prática de ato 
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libidinoso diverso contra homens ou mulheres, mediante fraude ou outro meio que impeça ou 
dificulte a livre manifestação de vontade da vítima. 
Exemplo que se tem visto é a prática de simulações por médico no sentido de sugestionar 
estar examinando o(a) paciente para obter aludidos atos libidinosos, ou mesmo rituais de cura 
fraudulentamente praticados com o mesmo fim. 
Atentar para que não se configure a hipótese prevista no novel § 1º do art. 217-A, que 
prevê o tipo penal de estupro contra vulnerável, isto é, quando a vítima, além das demais hipó-
teses lá elencadas (vítima menor de 14 anos, pessoa que, por enfermidade ou deficiência mental, 
não tiver o necessário discernimento para a prática do ato), por qualquer outra causa, não possa 
oferecer resistência. Se a vítima, por exemplo, estiver absolutamente embriagada, absoluta-
mente narcotizada, dormindo, em estados de inconsciência, elevada senilidade, deficiência física 
que a incapacite de resistir etc., teremos estupro contra vulnerável. 
O sujeitoativo e passivo da aludida infração penal pode ser homem e mulher, indistinta-
mente. Trata-se, pois, de crime comum. No entanto, no caso de menor de 14 anos, o crime será 
o do art. 217-A do CP (estupro de vulnerável). 
 
14.2.2. Consumação e tentativa 
Tal como ocorre no estupro, consuma-se o delito com a prática do ato de libidinagem, 
sendo perfeitamente possível a tentativa quando, iniciada a execução, o ato sexual visado não 
se consuma por circunstâncias alheias à vontade do agente. 
 
14.3. Importunação sexual (art. 215-A do CP) 
14.3.1. Conduta típica 
A conduta do agente consiste em praticar ato libidinoso, com o propósito de satisfazer sua 
lascívia ou a de terceiro. A partir da introdução do art. 215-A do CP, o art. 61 do Decreto-lei nº 
3.688/1941 está revogado. Deve o ato libidinoso ser praticado contra alguém, ou seja, contra 
pessoa determinada. Assim, pratica o crime de importunação sexual o agente que se masturba 
diante de uma pessoa para satisfazer a sua lascívia. Agora, se o agente se masturbar em praça 
pública, sem visar a uma pessoa determinada, praticará o crime de ato obsceno (art. 233 do CP). 
Trata-se de crime que contém subsidiariedade expressa, ou seja, aplicam-se as penas da 
importunação sexual se a conduta não caracteriza crime mais grave. Assim, se, por exemplo, o 
agente empregar violência na prática do ato libidinoso, incidirá o crime de estupro (art. 213 do 
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CP). 
É tipificado também como crime comum, não se exigindo, portanto, qualidade especial da 
vítima. Pode, assim, ser praticado por qualquer pessoa. Da mesma forma, qualquer pessoa pode 
figurar como vítima. 
O agente desenvolve conduta com a consciência de praticar o ato libidinoso contra al-
guém. Eis o dolo. Além disso, o tipo prevê um elemento subjetivo específico, consistente no 
agente atuar com a finalidade de satisfazer a própria lascívia ou a de terceiro. 
 
14.3.2. Consumação e tentativa 
A consumação ocorre com a prática do ato libidinoso. Embora seja de difícil incidência, já 
que, se o agente inicia o ato libidinoso, estará consumado o crime, é possível a tentativa. 
 
14.4. Estupro de vulnerável (art. 217-A do CP) 
14.4.1. Conduta típica 
O crime de estupro de vulnerável consiste na conduta de ter conjunção carnal ou praticar 
outro ato libidinoso com menor de 14 anos, bem como com pessoa portadora de enfermidade ou 
deficiência mental ou incapaz de discernimento para a prática do ato, ou que, por qualquer outra 
causa, não apresenta condições de oferecer resistência (§ 1º). 
O crime é punido a título de dolo, devendo o agente ter ciência de que age em face de 
pessoa vulnerável. Se o agente não sabia que a vítima era menor de 14 anos de idade, pode 
incidir o erro de tipo (art. 20, caput, do CP). 
Nos termos do art. 217-A, § 5º, do CP, incide o crime de estupro de vulnerável indepen-
dentemente do consentimento da vítima ou do fato de ela ter mantido relações sexuais anterior-
mente ao crime. 
 
14.4.2. Consumação ou tentativa 
Tratando-se de crime material, a consumação ocorrerá com o resultado naturalístico, ou 
seja, com a conjunção carnal ou ato libidinoso diverso da conjunção carnal. 
 
14.4.3. Formas qualificadas (art. 217-A, §§ 3º e 4º, do CP) 
Os §§ 3° e 4° qualificam o delito de estupro contra vulnerável se da conduta ocorrer o 
resultado lesão grave (por consequência, gravíssima também) ou morte da vítima. 
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14.4.4. Ação penal (art. 225 do CP) 
Em relação aos crimes contra a dignidade sexual, a ação penal será sempre pública in-
condicionada. 
 
15. Crimes contra a Fé Pública 
 
15.1. Moeda falsa (art. 289 do CP) 
15.1.1. Conduta típica 
O tipo básico (caput) pune aquele que falsificar, fabricando ou alterando, moeda metálica 
ou papel-moeda de curso legal no País ou no estrangeiro. 
Falsificar significa conferir aparência enganadora, recaindo a conduta sobre moeda me-
tálica ou papel-moeda (nacional ou estrangeira). 
É essencial que a falsificação seja convincente, isto é, capaz de iludir os destinatários da 
moeda. 
 
15.1.2. Consumação e tentativa 
O crime consuma-se no momento da fabricação ou da alteração da moeda, desde que 
idônea a iludir. A tentativa é perfeitamente possível. 
 
15.1.3. Formas equiparadas (art. 289, § 1º, do CP) 
Nas mesmas penas incorre quem, por conta própria ou alheia, importa ou exporta, ad-
quire, vende, troca, cede, empresta, guarda ou introduz na circulação moeda falsa. 
 
15.1.4. Privilégio (art. 289, § 2º, do CP) 
Quem, tendo recebido de boa-fé, como verdadeira, moeda falsa ou alterada, a restitui à 
circulação, depois de conhecer a falsidade, é punido com detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) 
anos, e multa. 
 
15.1.5. Falsificação funcional (art. 289, § 3º, do CP) 
É punido com reclusão, de 3 (três) a 15 (quinze) anos, e multa, o funcionário público ou 
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diretor, gerente, ou fiscal de banco de emissão que fabrica, emite ou autoriza a fabricação ou 
emissão: 
I – de moeda com título ou peso inferior ao determinado em lei; 
II – de papel-moeda em quantidade superior à autorizada. 
 
15.2. Falsificação de documento público (art. 297 do CP) 
15.2.1. Conduta típica 
O art. 297 do CP trata da falsidade material, ou seja, aquela que diz respeito à forma do 
documento. 
As ações nucleares consubstanciam-se nos verbos falsificar, que significa formar, criar 
um documento; e alterar, que significa modificar o documento. Na hipótese, o documento é ver-
dadeiro, e o agente substitui seu conteúdo, isto é, frases, palavras que alterem sua essência, 
incidindo, portanto, sobre aspectos relevantes do documento. 
 
15.2.2. Consumação e tentativa 
O crime consuma-se com a falsificação ou alteração do documento, sendo prescindível o 
uso efetivo deste. 
A tentativa é possível, pois há um iter criminis que pode ser fracionado. A tentativa ocor-
rerá se, por exemplo, o agente, estando no início do processo de formação da escritura pública 
falsa, tendo preenchido apenas algumas linhas, é surpreendido por terceiro. Nessa hipótese, não 
ocorreu ainda a contrafação total do documento, portanto, o crime reputa-se tentado. 
Aplica-se a Súm. nº 17 do STJ: “Quando o falso se exaure no estelionato, sem mais po-
tencialidade lesiva, é por este absorvido”. Trata-se da aplicação da regra de que o crime-fim 
absorve o crime-meio. 
 
15.3. Falsificação de documento particular (art. 298 do CP) 
15.3.1. Conduta típica 
Também se trata de falsidade material, ou seja, aquela que diz respeito à forma do docu-
mento. 
Falsificar: significa formar, criar um documento. Ex.: o agente aproveitou-se do espaço 
em branco existente entre o conteúdo da carta e a assinatura do missivista para inserir aí uma 
confissão de dívida, cortando a parte do conteúdo da carta, e criando, dessarte, parcialmente o 
documento. 
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Alterar: significa modificar o documento. Na hipótese, o documento é verdadeiro, e o 
agente substitui seu conteúdo, isto é, frases, palavras que alterem sua essência, incidindo, por-
tanto, sobre aspectos relevantes do documento. 
 
15.3.2. Consumação e tentativa 
O crime consuma-se com a falsificação ou alteração do documento, sendo prescindível o 
uso efetivo deste. 
A tentativa é possível, pois há um iter criminis que pode ser fracionado. A tentativa ocor-
rerá quando, por exemplo, o agente, estando no início do processo de forjamento de um instru-
mento de cessão de direitos, em que ele figura como beneficiário, é interrompido por terceiros 
antes de sua finalização. 
 
15.4. Falsidade ideológica (art. 299 do CP) 
15.4.1. Conduta típica 
Na falsidade ideológica, o documento é formalmente perfeito, sendo, no entanto, falsa a 
ideia nele contida. 
O sujeito tem legitimidade para emitir o documento, mas acaba por lhe inserir um conteúdo 
sem correspondênciacom a realidade dos fatos. 
Ex.: assim, uma escritura lavrada pelo funcionário do Cartório de Registro de Imóveis é 
formalmente perfeita, pois a ele incumbe formar o instrumento público. Entretanto, se essa es-
crita encerrar declarações falsas prestadas pelo particular, haverá o crime de falsidade ideoló-
gica. 
Trata-se de crime de ação múltipla. Diversas são as ações nucleares típicas previstas: 
1) Omitir – deixar de inserir ou não mencionar. 
2) Inserir – colocar ou introduzir. 
3) Fazer inserir – proporcionar que se introduza. 
 
15.4.2. Consumação e tentativa 
Consuma-se com a omissão ou a inserção da declaração falsa ou diversa da que deveria 
constar. 
Trata-se de crime formal; prescinde-se, portanto, da ocorrência efetiva do dano, bastando 
a capacidade de lesar terceiro. Assim, o prejuízo a direito, a criação da obrigação ou a alteração 
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101 
da verdade sobre fato juridicamente relevante não são necessários à consumação do crime. 
 
16. Crimes contra a Administração Pública 
 
16.1. Dos crimes praticados por funcionário público contra a Adminis-
tração em geral 
16.1.1. Peculato (art. 312 do CP) 
16.1.1.1. Conduta típica 
O peculato próprio, na realidade, constitui uma apropriação indébita, só que praticada por 
funcionário público com violação do dever funcional. Antes de ser uma ação lesiva aos interesses 
patrimoniais da Administração Pública, é principalmente uma ação que fere a moralidade admi-
nistrativa, em virtude de quebra do dever funcional. 
O peculato próprio é formado pelo peculato-apropriação e peculato-desvio. 
No peculato-apropriação, a ação nuclear típica consubstancia-se no verbo apropriar. As-
sim como no crime de apropriação indébita, o agente tem a posse (ou detenção) lícita do bem 
móvel, público ou particular, e inverte esse título, pois passa a comportar-se como se dono fosse, 
isto é, alienando, doando, consumindo com o bem. 
O peculato-desvio está previsto na segunda parte do caput do art. 312: “ou desviá-lo, em 
proveito próprio ou alheio”. 
O agente tem a posse da coisa e lhe dá destinação diversa da exigida por lei, agindo em 
proveito próprio ou de terceiro. 
Por exemplo, o funcionário empresta o dinheiro público para perceber os juros. 
O peculato-furto é o denominado peculato impróprio, e está previsto no art. 312, § 1º, do 
CP. Trata-se de um crime de furto, só que praticado por funcionário público, o qual se vale dessa 
qualidade para cometê-lo. Aqui o agente não tem a posse ou detenção do bem como no peculato-
apropriação ou desvio, mas se vale da facilidade que lhe proporciona a qualidade de funcionário 
público para realizar a subtração. 
 
16.1.1.2. Sujeitos do delito 
Trata-se de crime próprio. Somente o funcionário público (art. 327, caput) e as pessoas a 
ele equiparadas legalmente (art. 327, §§ 1º e 2º) podem praticar o delito de peculato. 
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102 
A condição especial funcionário público, como elementar do crime de peculato, comunica-
se ao particular que eventualmente concorra, na condição de coautor ou partícipe, para a prática 
do crime, nos termos do art. 30 do CP. Portanto, é perfeitamente possível o concurso de pessoas, 
dada a comunicabilidade da elementar do crime (art. 30). 
 
16.1.1.3. Peculato culposo (art. 312, § 2º, do CP) 
Pune-se aqui o funcionário público que, por negligência, imprudência ou imperícia, con-
corre para a prática de crime de outrem. 
O funcionário, para ser punido, insere-se na figura do garante, prevista no art. 13, § 2º. 
Assim, tem ele o dever de agir, impedindo o resultado de ação delituosa de outrem. Não o fa-
zendo, responde por peculato culposo. 
Ex.: se um vigia de prédio público se desvia de sua função de guarda, por negligência, 
permitindo, pois, que terceiros invadam o lugar e de lá subtraiam bens, responde por peculato 
culposo. 
Nos termos do art. 312, § 3º, do CP, a reparação do dano, para dar causa à extinção da 
punibilidade, deve ser anterior ao trânsito em julgado da sentença criminal. 
Deve ser completa e não exclui eventual sanção administrativa contra o funcionário. A 
extinção da punibilidade somente aproveita o funcionário, autor do peculato culposo. 
Consoante a segunda parte do § 3º, no crime culposo, se a reparação do dano é posterior 
à sentença irrecorrível, isto é, transitada em julgado, haverá a redução de metade da pena im-
posta. 
 
16.1.2. Concussão (art. 316 do CP) 
16.1.2.1. Conduta típica 
A ação nuclear consubstancia-se no verbo exigir, isto é, ordenar, reivindicar, impor como 
obrigação. 
A vítima cede às exigências formuladas pelo agente diante do temor de represálias rela-
cionadas ao exercício da função pública por ele exercida. 
Assim, não é necessária a promessa da causação de um mal determinado; basta o temor 
que a autoridade inspira. 
Ex.: carcereiro que exige dinheiro dos presos sob sua custódia. Na hipótese, o simples 
fato de os presos encontrarem-se sob a guarda daquele gera neles o temor de eventuais 
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represálias. 
Contudo, não pratica esse delito, mas o de extorsão ou roubo, por exemplo, o policial 
militar que exige vantagem indevida da vítima utilizando-se de violência, ou ameaçando-a gra-
vemente de sequestrar seu filho. 
 
16.1.2.2. Consumação e tentativa 
Trata-se de crime formal. A consumação ocorre com a mera exigência da vantagem inde-
vida, independentemente de sua efetiva obtenção. Se esta sobrevém, há mero exaurimento do 
crime. 
É possível a tentativa, na hipótese em que o crime é plurissubsistente. 
 
16.1.3. Excesso de exação (art. 316, § 1º, do CP) 
16.1.3.1. Conduta típica 
Há duas formas de incidir o crime de excesso de exação: a primeira, quando se trata de 
exigência de tributo ou contribuição social indevido; a segunda, o tributo ou contribuição social é 
devido, mas o agente emprega meio gravoso ou vexatório para o devedor, o qual não é autori-
zado por lei. 
 
16.1.3.2. Consumação e tentativa 
a) Exigência indevida: aqui o delito se consuma no momento em que é feita a exigência 
do tributo ou contribuição social. 
Trata-se de crime formal, portanto, a consumação independe do efetivo pagamento do 
tributo ou contribuição social pela vítima. 
A tentativa é possível. Ex.: carta contendo a exigência de vantagem, a qual é interceptada 
antes de chegar ao conhecimento da vítima. 
b) Cobrança vexatória ou gravosa: consuma-se com o emprego do meio vexatório ou 
gravoso na cobrança do tributo ou contribuição social, independentemente de seu efetivo rece-
bimento. 
A tentativa é possível. Ex.: com o devido aparato já se acha na casa ou estabelecimento 
do ofendido, mas é obstado antes que inicie a cobrança. 
 
16.1.3.3. Excesso de exação qualificado (art. 316, § 2º, do CP) 
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104 
Nessa modalidade mais gravosa do crime de excesso de exação, pune-se o funcionário 
público que, em vez de recolher o tributo ou contribuição social, indevidamente exigido (§ 1º), 
para os cofres públicos, desvia-o em proveito próprio ou alheio. 
 
16.1.4. Corrupção passiva (art. 317 do CP) 
16.1.4.1. Conduta típica 
Trata-se de crime de ação múltipla. Três são as condutas típicas previstas: 
a) Solicitar: pedir, manifestar que deseja algo. Não há o emprego de qualquer ameaça 
explícita ou implícita. O funcionário solicita vantagem, e a vítima cede por deliberada vontade. 
b) Receber: aceitar, entrar na posse. Significa obter, direta ou indiretamente, para si ou 
para outrem, vantagem indevida. 
Aqui a proposta parte de terceiros e a ela adere o funcionário, ou seja, o agente não só 
aceita a proposta como recebe a vantagem indevida. 
Ao contrário da primeira modalidade, é condição essencial para sua existência que haja a 
anterior configuração do crime de corrupção ativa, isto é, o oferecimento de vantagem indevida 
(art. 333). Sem essa oferta pelo particular,de causalidade ou nexo causal (art. 13 do CP) 
Via de regra, a conduta do agente produz o resultado criminoso de forma direta. Trata-se 
de relação de causa (conduta) e efeito (resultado): nexo de causalidade. 
Todavia, pode ocorrer de, aliada à conduta do agente, outra causa contribuir para o resul-
tado. É a chamada concausa. 
Esta “concausa” pode ser absolutamente independente ou relativamente independente, 
dependendo se teve ou não origem na conduta do agente. 
 
2.1.1. Causas absolutamente independentes 
A expressão “absolutamente” serve para designar que a outra causa independente por si 
só produziu o resultado. São causas que não se inserem na linha do desdobramento natural da 
conduta do agente, ou seja, causas inusitadas, desvinculadas da ação do agente, surgindo de 
fonte distinta. Há, na verdade, uma quebra do nexo causal. 
São três as espécies de causas absolutamente independentes: 
a) Preexistentes: trata-se de causa que existia antes da conduta do agente e produz o 
resultado independentemente da sua atuação. Ex.: o agente desfere um disparo de arma de fogo 
contra a vítima, que, no entanto, vem a falecer pouco depois, não em consequência dos ferimen-
tos recebidos, mas porque antes ingerirá veneno com a intenção de se suicidar. 
b) Concomitantes: são as causas que não têm nenhuma relação com a conduta e pro-
duzem o resultado independentemente desta, no entanto, por coincidência, atuam exatamente 
no instante em que a ação é realizada. Ex.: “A” desfere golpe de faca contra “B” no exato mo-
mento em que este vem a falecer exclusivamente por força da queda da marquise de um prédio 
em sua cabeça. 
c) Supervenientes: são causas que atuam após a conduta. Ou seja, que surgem depois 
da conduta desenvolvida pelo agente. Ex.: “A” ministra veneno na alimentação de “B”. Antes de 
o veneno produzir efeitos, há um desabamento ou incêndio na casa da vítima, que morre exclu-
sivamente por conta dos escombros que caíram sobre sua cabeça ou queimada pelo fogo. 
*Consequência: quando a causa é absolutamente independente da conduta do sujeito, 
o problema é resolvido pelo caput do art. 13: o agente responde somente por aquilo que deu 
causa. Nos exemplos, a causa da morte não tem ligação alguma com o comportamento do 
1ª Fase | 42° Exame da OAB 
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agente. Em face disso, ele não responde pelo resultado morte, mas, sim, pelos atos praticados 
antes de sua produção. Isso porque ocorreu quebra do nexo causal. Assim, se o dolo era de 
matar, o agente responderia por tentativa de homicídio. 
Cuidado! Se o enunciado apontar dolo de lesão corporal, por exemplo, o agente respon-
derá por aquilo que deu causa: lesão corporal (leve, grave ou gravíssima). 
 
2.1.2. Causas relativamente independentes 
Como são causas independentes, produzem por si sós o resultado, não se situando 
dentro da linha de desdobramento causal da conduta. Por serem, no entanto, apenas relativa-
mente independentes, encontram sua origem na própria conduta praticada pelo agente. 
Aqui não há, de regra, uma quebra do nexo causal, mas uma soma entre as causas, que, 
ao final, conduzem ao resultado lesivo. 
Também são três as espécies de causas relativamente independentes: 
a) Preexistentes: a causa que efetivamente gerou o resultado já existia ao tempo da 
conduta do agente, que concorreu para a sua produção. Nesse caso, como há uma soma de 
causas e não quebra do nexo causal, o agente responde pelo resultado pretendido. No caso, 
homicídio consumado, a menos que não tenha concorrido para ele com dolo ou culpa. 
Cuidado: se o agente não sabia do estado de saúde da vítima ou não lhe era previsível, 
não poderia lhe ser atribuído o resultado morte. Assim, se pretendia ferir a vítima, agredindo-a 
com um soco e esta, em razão da hemofilia, desconhecida pelo agente, vem a falecer em razão 
da eclosão de uma hemorragia, o agente somente será responsabilizado pelo delito de lesão 
corporal (leve, grave ou gravíssima, conforme constar no enunciado). 
b) Concomitantes: a causa que efetivamente produziu o resultado surge no exato mo-
mento da conduta do agente. Ex.: considera-se o ataque à vítima, por meio de faca, que, no 
exato momento da agressão, tentando desviar dos golpes, a vítima se desequilibra e cai de um 
penhasco, sofre ataque cardíaco, vindo a falecer, apurando-se que a soma desses fatores (cau-
sas) produziu a morte, já que a agressão e o ataque cardíaco, considerados isoladamente, não 
teriam o condão do produzir o resultado morte. 
c) Supervenientes (art. 13, § 1°, do CP): a causa que efetivamente produziu o resultado 
ocorre depois da conduta praticada pelo agente. Ex.: o agente desfere um golpe de faca contra 
a vítima, com a intenção de matá-la. Ferida, a vítima é levada ao hospital e sofre acidente no 
trajeto, vindo, por este motivo, a falecer. A causa é independente, porque a morte foi provocada 
pelo acidente e não pela facada, mas essa independência é relativa, já que, se não fosse o 
1ª Fase | 42° Exame da OAB 
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ataque, a vítima não estaria na ambulância acidentada e não morreria. Tendo atuado posterior-
mente à conduta, denomina-se causa superveniente. 
Na hipótese das causas supervenientes, embora exista nexo físico-naturalístico, a lei, por 
expressa disposição do art. 13, § 1°, do CP, que excepcionou a regra geral, exclui a imputação 
do resultado ao agente, devendo, no entanto, responder pelos atos anteriores efetivamente pra-
ticados. Assim, o agente não responde pelo resultado ocorrido, mas somente pelos atos anteri-
ores, que, no caso, foi tentativa de homicídio. 
Cuidado! Se o enunciado apontar dolo de lesão corporal, por exemplo, o agente respon-
derá pelos atos anteriores praticados, no caso, lesão corporal (leve, grave ou gravíssima). 
 
2.2. Relevância da omissão: crimes omissivos (art. 13, § 2°, do CP) 
O crime omissivo configura-se quando o agente deixa de fazer aquilo que poderia e deve-
ria fazer, que estaria obrigado em virtude de lei. 
Os crimes omissivos podem ser próprios ou impróprios (ou comissivos por omissão). 
 
2.2.1. Crimes omissivos próprios 
O verbo nuclear do tipo descreve uma conduta omissiva. Nesse caso, o crime consiste 
em o sujeito amoldar a sua conduta ao tipo legal que descreve uma conduta omissiva. Em sín-
tese, o agente será responsabilizado por não cumprir o dever de agir contido implicitamente na 
norma incriminadora. 
Exemplo: crime de omissão de socorro: 
 
Art. 135. Deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à 
criança abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, ao desamparo ou em 
grave e iminente perigo; ou não pedir, nesses casos, o socorro da autoridade pública: 
Pena – detenção, de um a seis meses, ou multa. 
Parágrafo único. A pena é aumentada de metade, se da omissão resulta lesão corporal de 
natureza grave, e triplicada, se resulta a morte. 
 
2.2.2. Crimes omissivos impróprios ou comissivos por omissão (art. 13, 
§ 2°, do CP) 
Para que alguém responda por crime comissivo por omissão é preciso que tenha o dever 
jurídico de impedir o resultado, previsto no art. 13, § 2°, do CP: 
a) Ter por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância: nesse caso, por expressa 
imposição da lei, o agente estará obrigado a agir para evitar o resultado, como, por exemplo, 
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13 
entre pais e filhos, entre cônjuges. Assim, se o agente se omitir, ou seja, deixar de agir, quando 
lhe era possível, responderá pelo resultado gerado. Ex.: mãe que deixa de alimentar o filho, que, 
por conta da sua negligência, acaba morrendo por inanição. Essa mãe deverá responder pelo 
resultado gerado, qual seja, homicídio culposo. Se, de outro lado, a mãe desejou a morte do filho 
ou assumiu o risco de produzi-la, responderá por homicídio doloso. 
b) De outra forma, assumir a responsabilidade de impedir o resultado: aqui a obriga-
ção de agir para evitar o resultado não decorrenão há como falar em recebimento de vantagem. 
c) Aceitar a promessa de recebê-la: nessa modalidade típica, basta que o funcionário 
concorde com o recebimento da vantagem. Não há o efetivo recebimento dela. Deve haver, ne-
cessariamente, uma proposta formulada por terceiros, à qual adere o funcionário, mediante a 
aceitação de receber a vantagem. 
Na corrupção passiva, o funcionário, em troca de alguma vantagem, pratica ou deixa de 
praticar ato de ofício para beneficiar alguém. O ato a ser praticado pode ser ilegítimo, ilícito ou 
injusto. É a chamada corrupção própria. 
Ex.: o funcionário do cartório criminal solicita indevida vantagem econômica para suprimir 
documentos do processo judicial. 
Também configura o crime a prática de ato legítimo, lícito, justo. É a chamada corrupção 
passiva imprópria. 
Ex.: oficial de justiça solicita vantagem econômica ao advogado, a fim de dar prioridade 
ao cumprimento do mandado judicial expedido em processo em que aquele atua. 
 
16.1.4.2. Consumação e tentativa 
Trata-se de crime formal. Portanto, a consumação ocorre com o ato de solicitar, receber 
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105 
ou aceitar a promessa de vantagem indevida. 
A corrupção passiva consuma-se instantaneamente, isto é, com a simples solicitação da 
vantagem indevida, o recebimento desta ou com a aceitação da mera promessa daquela. 
O tipo penal não exige que o funcionário pratique ou se abstenha da prática do ato funci-
onal. Se isso suceder, haverá mero exaurimento do crime, o qual constitui condição de maior 
punibilidade (causa de aumento de pena prevista no § 1º do art. 317). 
A tentativa é de difícil ocorrência, mas não é impossível. Basta que haja um iter criminis a 
ser cindido. Ex.: solicitação feita por carta, a qual é interceptada pelo chefe de repartição. 
 
16.1.4.3. Causa de aumento de pena (art. 317, § 1º) 
Eleva-se em 1/3 a pena do agente que, em razão da vantagem recebida ou prometida, 
efetivamente retarda (atrasa ou procrastina) ou deixa de praticar (não leva a efeito) ato de ofício 
que lhe competia desempenhar ou termina praticando o ato, mas desrespeitando o dever funci-
onal. É o que a doutrina classifica de corrupção exaurida. 
 
16.1.4.4. Figura privilegiada (art. 317, § 2º) 
Trata-se de conduta de menor gravidade, na medida em que o agente pratica, deixa de 
praticar ou retarda o ato de ofício, não em virtude do recebimento de vantagem indevida, mas 
cedendo a pedido ou influência de outrem, isto é, para satisfazer interesse de terceiros ou para 
agradar ou bajular pessoas influentes. 
 
16.1.5. Prevaricação (art. 319 do CP) 
16.1.5.1. Conduta típica 
O crime de prevaricação caracteriza-se pela conduta do funcionário público em retardar 
ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de 
lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal. 
a) Retardar: é atrasar, adiar, protelar, procrastinar, não praticar o ato de ofício dentro do 
prazo estabelecido (crime omissivo). 
Ex.: atendente de cartório judicial que, devendo expedir alvará de soltura, por não simpa-
tizar com o advogado, deixa de fazê-lo com a brevidade que a medida exige. 
b) Deixar de praticar: trata-se de mais uma modalidade omissiva do crime em estudo. 
Aqui, no entanto, ao contrário da conduta precedente, há o ânimo definitivo de não praticar o ato 
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106 
de ofício. 
c) Praticar (contra disposição expressa de lei): cuida-se aqui de conduta comissiva, em 
que o agente efetivamente executa o ato, só que de forma contrária à lei. 
O interesse pessoal é qualquer proveito, vantagem, podendo ser patrimonial ou moral. 
Quanto ao interesse patrimonial, importa distinguir algumas situações: 
1) se o ato praticado, retardado ou omitido tiver sido objeto de acordo anterior entre o 
funcionário e o particular, visando aquele indevida vantagem, o crime passará a ser 
outro: corrupção passiva; 
2) se houver, anteriormente à prática ou omissão do ato, a exigência de vantagem 
indevida pelo funcionário público, haverá o crime de concussão. 
 
Sentimento pessoal: reflete um estado afetivo ou emocional do próprio agente, que pode 
manifestar-se em suas mais variadas formas, tais como amor, paixão, emoção, ódio. 
 
16.2. Dos crimes praticados por particular contra a Administração em 
geral 
16.2.1. Resistência (art. 329 do CP) 
16.2.1.1. Conduta típica 
A conduta típica consiste em opor-se o particular à execução de ato legal mediante o 
emprego de violência ou ameaça. 
Para grande parte da doutrina, a violência e a ameaça devem ser dirigidas à pessoa do 
funcionário, e não contra coisas, por exemplo, quebrar os vidros da viatura policial. Poderá o 
agente, nesse caso, responder pelo crime de dano qualificado. 
A oposição pode também se dar mediante o emprego de ameaça, a qual pode ser real, 
por exemplo, apontar uma faca para o funcionário público ou uma arma de fogo, ainda que des-
municiada; ou verbal, por exemplo, indivíduo que promete ao policial, que, se ele for preso, man-
dará seus comparsas eliminá-lo. 
 
16.2.1.2. Consumação e tentativa 
Consuma-se com o emprego da violência ou ameaça contra o funcionário. 
Tratando-se de crime formal, não se exige que o agente efetivamente impeça a execução 
do ato legal. 
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É perfeitamente possível a tentativa. Por exemplo: agente é impedido por terceiros de 
desferir uma paulada no funcionário público. Ressalve-se que, no caso de ameaça, somente 
haverá a tentativa se ela for realizada por escrito. 
 
16.2.2. Desobediência (art. 330 do CP) 
16.2.2.1. Conduta típica 
O delito de desobediência em muito se parece com o de resistência, uma vez que em 
ambos o sujeito ativo pretende subtrair-se à execução de ato legal; contudo, no crime de deso-
bediência, não ocorre o emprego de violência ou ameaça contra funcionário público. 
O núcleo do tipo está consubstanciado no verbo desobedecer, desatender, não aceitar, 
não se submeter, no caso, à ordem legal de funcionário público. 
Para que exista o crime de desobediência é necessário que haja ordem legal emanada 
de funcionário público competente. Não se cuida aqui de pedido ou solicitação, por exemplo, de 
promotor de justiça que, mediante ofício, solicita documentos. 
 
16.2.2.2. Consumação e tentativa 
Trata-se de delito formal (aquele que não exige resultado naturalístico, consistente na 
ocorrência de algum prejuízo efetivo para a administração por conta do não cumprimento da 
ordem). 
A tentativa somente é possível na forma comissiva do descumprimento da ordem legal. 
 
16.2.3. Desacato (art. 331 do CP) 
16.2.3.1. Conduta típica 
O desacato consiste na prática de qualquer ato ou emprego de palavras que causem ve-
xame, humilhação, falta de respeito ao funcionário público. 
Pode implicar qualquer tipo de palavra grosseira ou ato ofensivo contra a pessoa que 
exerce função pública, incluindo ameaças e agressões físicas. 
Ex.: cuspir no rosto do oficial de justiça, atirar papéis no promotor de justiça, rogar praga 
contra o funcionário. 
No exercício da função: diz com a ofensa praticada contra funcionário público que esteja 
no desempenho de sua função, isto é, praticando atos de ofício. 
Em razão do exercício da função: nessa hipótese, o funcionário está fora do exercício de 
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108 
sua função, mas a ofensa contra ele irrogada diz respeito a ela. 
 
16.2.3.2. Consumação e tentativa 
Trata-se de crime formal (delito que não exige o resultado naturalístico, consistente no 
efetivo desprestígio da função pública). Consuma-se, portanto, no momento em que os atos 
ofensivos são praticados (vias de fato, lesão corporal, gestos, gritos etc.) ou as palavras ultra-
jantes irrogadas (calúnia, difamação, injúria) são proferidas contra o funcionário público. 
Como se trata de crime formal, não se exige que o funcionário públicose sinta ofendido 
com os atos praticados. 
 
16.2.4. Corrupção ativa (art. 333 do CP) 
16.2.4.1. Conduta típica 
As ações nucleares do tipo estão consubstanciadas nos verbos: 
Oferecer vantagem indevida, ou seja, propor ou apresentar para que seja aceita. 
Prometer vantagem indevida, isto é, comprometer-se, fazer promessa, garantir a entrega 
de algo ao funcionário. 
Por não se tratar de crime bilateral, prescinde-se da aceitação da vantagem pelo funcio-
nário público. Caso aceite, o funcionário deverá responder pelo delito de corrupção passiva. 
 
16.2.4.2. Consumação e tentativa 
Trata-se de crime formal, uma vez que a consumação se dá com a simples oferta ou 
promessa de vantagem indevida por parte do agente ao funcionário público, isto é, independen-
temente de ele aceitá-la ou recusá-la. Também não é necessário que o funcionário pratique, 
retarde ou omita o ato de ofício de sua competência. 
A tentativa é possível. Ex.: suponha-se a hipótese de que a correspondência contendo a 
oferta de dinheiro não chegue às mãos do funcionário destinatário por ter sido apreendida pela 
polícia. 
 
16.2.4.3. Causa de aumento de pena (art. 333, par. ún.) 
Eleva-se a pena em 1/3 quando, em razão da promessa ou da vantagem, o funcionário 
público efetivamente atrasa ou não faz o que deveria, ou mesmo pratica o ato, infringindo dever 
funcional. Nessa hipótese, o crime é material, isto é, exige resultado naturalístico. 
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16.2.5. Descaminho (art. 334 do CP) 
16.2.5.1. Conduta típica 
Descaminho é a fraude voltada a frustrar, total ou parcialmente, o pagamento de direitos 
de importação ou exportação ou do imposto de consumo sobre mercadorias. 
Em síntese, no descaminho, o agente busca iludir, mediante o emprego de fraude, o pa-
gamento de direito ou imposto devido em face de entrada e saída de mercadoria não proibida. 
Princípio da insignificância: O STF, baseado no art. 20 da Lei nº 10.522/2002 e na 
Portaria MF nº 75/2012, estabeleceu que o valor que dispensa a cobrança fiscal em juízo é de 
R$ 20.000,00, incidindo, em relação a esse valor, o princípio da insignificância. 
 
16.2.5.2. Consumação e tentativa 
O descaminho consuma-se com a liberação pela alfândega, sem o pagamento dos im-
postos inerentes. Consuma-se, ainda, com a entrada e saída da mercadoria do território nacional. 
A tentativa é possível. No caso de exportação, o crime é tentado se a mercadoria não 
chega a sair do País. No caso de importação, se o agente entrar com a mercadoria no País, mas 
for preso na alfândega, o crime já estará consumado. 
 
16.2.5.3. Figuras equiparadas (art. 334, § 1º) 
Incorre na pena do caput do art. 334 (reclusão, de 1 a 4 anos) quem: 
 
I – pratica navegação de cabotagem, fora dos casos permitidos em lei; 
II – pratica fato assimilado, em lei especial, a descaminho; 
III – vende, expõe à venda, mantém em depósito ou, de qualquer forma, utiliza em proveito 
próprio ou alheio, no exercício de atividade comercial ou industrial, mercadoria de proce-
dência estrangeira que introduziu clandestinamente no País ou importou fraudulentamente 
ou que sabe ser produto de introdução clandestina no território nacional ou de importação 
fraudulenta por parte de outrem; 
IV – adquire, recebe ou oculta, em proveito próprio ou alheio, no exercício de atividade 
comercial ou industrial, mercadoria de procedência estrangeira, desacompanhada de do-
cumentação legal ou acompanhada de documentos que sabe serem falsos. 
 
16.2.5.4. Causa de aumento de pena (art. 334, § 3º) 
A pena aplica-se em dobro se o crime de descaminho é praticado em transporte aéreo, 
marítimo ou fluvial. 
 
16.2.6. Contrabando (art. 334-A do CP) 
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Direito Penal 
110 
16.2.6.1. Conduta típica 
Contrabando é a clandestina importação ou exportação de mercadorias cuja entrada no 
País, ou saída dele, é absoluta ou relativamente proibida. 
 
16.2.6.2. Consumação e tentativa 
Na importação ou exportação de mercadorias proibidas com passagem pelos órgãos al-
fandegários, o crime consuma-se quando transposta a barreira fiscal, mesmo que a mercadoria 
não chegue ao seu destino. 
A tentativa é possível. No caso de exportação, o crime é tentado se a mercadoria não 
chega a sair do País. No caso de importação, se o agente entrar com a mercadoria no País, mas 
for preso na alfândega, o crime já estará consumado. 
 
16.2.6.3. Figuras equiparadas (art. 334-A, § 1º) 
§1º Incorre na mesma pena quem: 
 
I – pratica fato assimilado, em lei especial, a contrabando; 
II – importa ou exporta clandestinamente mercadoria que dependa de registro, análise ou 
autorização de órgão público competente; 
III – reinsere no território nacional mercadoria brasileira destinada à exportação; 
IV – vende, expõe à venda, mantém em depósito ou, de qualquer forma, utiliza em proveito 
próprio ou alheio, no exercício de atividade comercial ou industrial, mercadoria proibida 
pela lei brasileira; 
V – adquire, recebe ou oculta, em proveito próprio ou alheio, no exercício de atividade 
comercial ou industrial, mercadoria proibida pela lei brasileira. 
 
16.2.6.4. Causa de aumento de pena (art. 334-A, § 3º) 
A pena aplica-se em dobro se o crime de descaminho é praticado em transporte aéreo, 
marítimo ou fluvial. 
17. Dos crimes contra a Administração da Justiça 
17.1. Denunciação caluniosa (art. 339 do CP) 
17.1.1. Conduta típica 
Trata-se da conduta do agente que dá causa à instauração de inquérito policial, de proce-
dimento investigatório criminal, de processo judicial, de processo administrativo disciplinar, de 
inquérito civil ou de ação de improbidade administrativa contra alguém, imputando-lhe crime, 
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Direito Penal 
111 
infração ético-disciplinar ou ato ímprobo de que o sabe inocente. 
O elemento do tipo “alguém” indica, nitidamente, tratar-se de pessoa certa, não se po-
dendo cometer o delito ao indicar para a autoridade policial apenas a materialidade do crime e 
as várias possibilidades de suspeitos. 
 
17.1.2. Elemento subjetivo 
É o dolo, consistente na vontade livre e consciente de dar causa à instauração de inves-
tigação policial, de processo judicial, instauração de investigação administrativa contra alguém, 
imputando-lhe crime. 
É imprescindível que o denunciante saiba (dolo direto) que o denunciado é inocente, con-
forme expressa exigência legal contida na expressão “de que o sabe inocente”. Sem ele, não há 
crime. A dúvida (dolo eventual) afasta a tipicidade do delito. 
 
17.1.3. Consumação 
Trata-se de crime formal, ou seja, delito que não exige, para sua consumação, resultado 
naturalístico, consistente no efetivo prejuízo para a administração da justiça. 
Consuma-se, portanto, com a instauração de investigação policial, de processo judicial, 
de investigação administrativa, inquérito civil ou ação de improbidade administrativa contra al-
guém. 
Não se exige que a autoridade policial, formalmente, instaure o inquérito policial para que 
se consume o crime. Basta que inicie investigação policial no sentido de coletar dados que apu-
rem a veracidade da denúncia. 
 
17.2. Comunicação falsa de crime ou de contravenção (art. 340 do CP) 
17.2.1. Conduta típica 
Consubstancia-se no verbo provocar, isto é, dar causa à ação da autoridade pública (de-
legado de polícia, juiz, promotor de justiça, bem como todas as autoridades administrativas que 
tenham atribuição legal para iniciar investigações). 
Na hipótese, o agente comunica à autoridade a prática de crime ou contravenção penal 
que não se verificou. 
Ao contrário do que ocorre no crime de denunciação caluniosa, não há no delito em estudo 
a imputação a uma pessoa determinada da prática de crime. Se assim suceder, estará 
1ª Fase | 42° Exame da OAB 
Direito Penal 
112 
caracterizado o crime de denunciação caluniosa. 
 
17.2.2. Consumação e tentativa 
É crime formal, que não exige, para sua consumação, resultadonaturalístico. 
Consuma-se, portanto, o crime no momento em que a autoridade pratica alguma ação no 
sentido de elucidar o fato criminoso. Semelhantemente ao crime de denunciação caluniosa, não 
se exige a efetiva instauração de inquérito policial. 
É possível a tentativa. Desse modo, se o agente fizer a comunicação falsa à autoridade, 
e esta não iniciar as investigações por circunstâncias alheias à vontade dele, haverá tentativa. 
 
17.3. Falso testemunho ou falsa perícia (art. 342 do CP) 
17.3.1. Conduta típica 
Trata-se de crime de ação múltipla, pois três são as ações típicas: 
1) “Fazer afirmação falsa”. Segundo a doutrina, cuida-se aqui da falsidade positiva, 
pois o agente declara a ocorrência de fato inverídico. 
Ex.: testemunha que, para forjar um álibi em favor do acusado, afirma falsamente 
que, no momento do crime, ele estava em sua companhia. 
2) “Negar a verdade”. Essa modalidade constitui a chamada falsidade negativa, pois 
o agente tem ciência da verdade, mas nega o que sabe. 
Ex.: testemunha de acusação que nega falsamente que a vítima de homicídio tenha 
anteriormente tentado estuprar a filha do acusado. 
3) “Calar a verdade”. É, segundo a doutrina, a chamada reticência. Aqui há o silêncio 
a respeito do que se sabe ou se recusa em manifestar a ciência que se tem dos 
fatos. Há, assim, resistência por parte do agente em declarar a verdade. Não há, 
ao contrário das demais modalidades, qualquer afirmação falsa ou negativa. 
Ex.: perito que omite dados relevantes ao elaborar o laudo pericial, de forma a criar 
prova benéfica ao acusado. 
 
17.3.2. Sujeitos do delito 
Trata-se de crime de mão própria (de atuação pessoal ou de conduta infungível). Nesse 
passo, somente pode ser cometido pelo sujeito em pessoa. 
São sujeitos ativos desse delito a testemunha, o perito, o tradutor ou o intérprete. A Lei nº 
1ª Fase | 42° Exame da OAB 
Direito Penal 
113 
10.268/2001 acrescentou um novo sujeito ativo, não previsto na antiga redação do dispositivo, 
qual seja, o contador que atue em processo judicial, ou administrativo, inquérito policial ou em 
juízo arbitral. 
Se a testemunha não assina o compromisso de dizer a verdade, não pode praticar o delito 
em tela. Portanto, é indispensável que seja reconhecida como testemunha, e não como simples 
declarante ou informante, pessoas estas que não narram seu entendimento sobre algo sem o 
compromisso de dizer a verdade. 
 
17.3.3. Consumação e tentativa 
É crime formal, não exigindo, portanto, para a sua consumação, resultado naturalístico. 
Consuma-se o falso testemunho com o encerramento do depoimento. Em tese, o crime 
consuma-se no momento em que é proferido o falso; contudo, como o depoente pode retificar o 
que foi declarado até o encerramento do depoimento, entende-se consumado o crime nesse 
exato instante. 
 
17.3.4. Retratação (art. 342, § 2º) 
No caso, o agente, antes da sentença no processo em que ocorreu o falso testemunho, 
declara a verdade. 
Na realidade, o crime já se consumou no momento em que o depoimento foi encerrado, 
contudo, a lei faculta ao agente o direito de arrepender-se antes da prolação da sentença de 
primeiro grau, possibilitando com isso o esclarecimento da verdade dos fatos e, consequente-
mente, a extinção da punibilidade. 
Trata-se, portanto, de condição resolutiva da punibilidade. Embora já consumado o crime, 
a punição depende, ainda, de o agente não se retratar ou declarar a verdade, oportunamente. 
 
17.4. Favorecimento pessoal (art. 348 do CP) 
17.4.1. Conduta típica 
Comete este delito o agente que presta auxílio, de qualquer natureza, a quem acaba de 
cometer um crime, com a finalidade de subtraí-lo à ação da autoridade, prejudicando a ação de 
autoridade pública (policiais civis ou militares, membros do Judiciário). 
O favorecimento pessoal é delito acessório, ficando sua tipificação na dependência da 
existência de um crime antecedente, que pode ser de qualquer natureza (doloso, culposo, 
1ª Fase | 42° Exame da OAB 
Direito Penal 
114 
tentado ou consumado etc.). 
Não incidirá o crime de favorecimento pessoal quando em relação ao fato anterior: a) 
houver causa excludente de ilicitude; b) já estiver extinta a punibilidade; c) houver escusa abso-
lutória. 
Se o agente autor do crime antecedente vier a ser absolvido por qualquer motivo (salvo 
na hipótese de absolvição imprópria, em que é aplicada medida de segurança), o sujeito que o 
auxiliou não poderá ser condenado pelo crime de favorecimento pessoal. 
 
17.4.2. Consumação e tentativa 
O crime consuma-se no momento em que, prestado o efetivo auxílio, o agente favorecido 
obtém êxito em sua ocultação, ainda que momentaneamente. Trata-se, pois, de crime material. 
É possível a tentativa, por exemplo, quando o auxílio chega a ser prestado, mas o agente 
beneficiário não se livra da autoridade. 
 
17.4.3. Escusa absolutória (art. 348, § 2º) 
Se quem presta o auxílio é ascendente, descendente, cônjuge ou irmão do criminoso, fica 
isento de pena. 
 
17.5. Favorecimento real (art. 349 do CP) 
17.5.1. Conduta típica 
O presente dispositivo visa a tutelar a administração da justiça, no sentido de punir o com-
portamento daquele que auxilia o criminoso a tornar seguro o proveito do crime. 
Comete este delito o agente que prestar a criminoso, fora dos casos de coautoria ou de 
receptação, auxílio destinado a tornar seguro o proveito do crime. 
Assim como o delito anterior, o favorecimento real também é delito acessório, ficando sua 
tipificação na dependência da existência de um crime antecedente, que pode ser de qualquer 
natureza (doloso, culposo, tentado ou consumado etc.). 
Para a incidência deste delito, o auxílio deve ser destinado a tornar seguro o proveito do 
crime, referindo-se a qualquer vantagem alcançada com a prática do delito principal, podendo 
abranger: 
a) o objeto material do crime, como o próprio bem subtraído; 
b) o preço do crime, por exemplo, dinheiro que o homicida ganhou para matar alguém. 
1ª Fase | 42° Exame da OAB 
Direito Penal 
115 
Não incide o delito se o agente desconhece a procedência criminosa do bem. 
Se autor do crime antecedente for menor de idade ou já estiver extinta a sua punibilidade, 
pela prescrição, por exemplo, continua sendo possível o favorecimento real, pois o objeto conti-
nua sendo produto de crime. A menoridade e a extinção da punibilidade apenas impedem a 
aplicação de sanção penal ao autor do crime antecedente. 
Somente haverá o crime de favorecimento real se o agente não estava previamente ajus-
tado com os autores do delito antecedente. Se houve prévio ajuste, o agente responderá pelo 
mesmo delito, em concurso de pessoas. 
 
17.5.2. Consumação e tentativa 
O crime consuma-se no momento em que o agente presta auxílio, independentemente de 
saber se o agente conseguiu ou não tornar seguro o proveito do crime anterior. Trata-se, pois, 
de crime formal. 
É possível a tentativa. 
 
1ª Fase | 42° Exame da OAB 
Direito Penal 
116 
 
 
	1. Aplicação da Lei Penal
	1.1. Da lei penal no tempo (art. 2o do CP)
	1.1.1. Abolitio criminis (art. 2o, caput, do CP)
	1.1.2. Novatio legis in mellius (art. 2º, par. ún., do CP)
	1.1.3. Novatio legis incriminadora
	1.1.4. Novatio legis in pejus
	1.1.5. Crime permanente e crime continuado e a lei penal mais benéfica
	1.2. Lei temporária e lei excepcional (art. 3 do CP)
	1.3. Do tempo do crime (art. 4 do CP)
	1.4. Territorialidade (art. 5 do CP)
	1.5. Do lugar do crime (art. 6 do CP)
	1.6. Extraterritorialidade (art. 7 do CP)
	1.7. Conflito aparente de normas
	1.7.1. Princípio da especialidade
	1.7.2. Princípio da subsidiariedade
	1.7.3. Princípio da consunção
	2. Do crime
	2.1. Relação de causalidade ou nexo causal (art. 13 do CP)
	2.1.1. Causas absolutamente independentes
	2.1.2. Causas relativamente independentes
	2.2. Relevância da omissão: crimes omissivos (art. 13, § 2 , do CP)
	2.2.1. Crimes omissivos próprios
	2.2.2. Crimes omissivosimpróprios ou comissivos por omissão (art. 13, § 2 , do CP)
	2.3. Iter criminis e tentativa (art. 14 do CP)
	2.3.1. Iter criminis
	2.3.2. Tentativa (art. 14, II, do CP)
	2.4. Desistência voluntária e arrependimento eficaz (art. 15 do CP)
	2.4.1. Desistência voluntária
	2.4.2. Arrependimento eficaz
	2.4.3. Consequência
	2.5. Arrependimento posterior (art. 16 do CP)
	2.6. Crime impossível (art. 17 do CP)
	2.7. Crime doloso e culposo (art. 18 do CP)
	2.7.1. Crime doloso
	2.7.2. Teoria do crime culposo
	2.8. Erro de tipo essencial e erro de proibição
	2.8.1. Erro de tipo essencial
	2.8.2. Do erro de proibição (art. 21 do CP)
	2.9. Erro de tipo acidental
	2.9.1. Erro quanto à pessoa (art. 20, § 3 , do CP)
	2.9.2. Erro na execução ou aberratio ictus (art. 73 do CP)
	2.9.3. Resultado diverso do pretendido ou aberratio criminis (art. 74 do CP)
	2.10. Descriminante putativa
	2.10.1. Conceito
	2.10.2. Espécies
	2.11. Coação moral irresistível e obediência hierárquica (art. 22 do CP)
	2.11.1. Coação moral irresistível
	2.11.2. Obediência hierárquica
	2.12. Excludentes de ilicitude (art. 23 do CP)
	2.12.1. Estado de necessidade (art. 24 do CP)
	2.12.2. Legítima defesa (art. 25 do CP)
	2.12.3. Estrito cumprimento do dever legal
	2.12.4. Exercício regular de direito
	2.12.5. Consentimento do ofendido
	3. Da Imputabilidade Penal
	3.1. Inimputabilidade por doença mental, desenvolvimento mental incompleto ou desenvolvimento mental retardado (art. 26, caput, do CP)
	3.2. Da inimputabilidade por embriaguez completa proveniente de caso fortuito ou força maior (art. 28, § 1 , do CP)
	4. Concurso de Pessoas (arts. 29, 30 e 31 do CP)
	4.1. Conceito
	4.2. Requisitos
	4.2.1. Pluralidade de condutas
	4.2.2. Relevância causal das condutas
	4.2.3. Do liame subjetivo e normativo (vínculo subjetivo e normativo entre os participantes)
	4.2.4. Identidade de infração para todos os participantes
	4.3. Participação de menor importância (art. 29, § 1º, do CP)
	4.4. Da cooperação dolosamente distinta ou desvio subjetivo entre os participantes (art. 29, § 2º, do CP)
	4.5. Comunicabilidade dos elementares e circunstâncias do crime (art. 30 do CP)
	5. Aplicação da Pena
	5.1. Regime inicial de cumprimento de pena (art. 33 do CP)
	5.2. Penas restritivas de direitos (art. 44 do CP)
	5.2.1. Conceito
	5.2.2. Requisitos objetivos
	5.2.3. Requisitos subjetivos
	5.2.4. Penas restritivas de direitos e violência doméstica ou familiar contra a mulher
	5.3. Da pena de multa (arts. 49, 50, 51 e 60 do CP)
	5.3.1. Conceito
	5.3.2. Critério de fixação da pena de multa
	5.3.3. Execução da pena de multa
	5.4. Da aplicação da pena (art. 68 do CP)
	5.4.1. Primeira fase da fixação da pena: pena-base e circunstâncias jurídicas
	5.4.2. Segunda fase da fixação da pena: circunstâncias agravantes e atenuantes
	5.4.3. Terceira fase da aplicação da pena: causas de aumento e de diminuição da pena
	5.5. Da reincidência (art. 63 do CP)
	5.5.1. Eficácia temporal da condenação anterior para efeito da reincidência
	5.5.2. Crimes que não induzem reincidência
	5.6. Concurso de crimes
	5.6.1. Concurso material (art. 69 do CP)
	5.6.2. Concurso formal (art. 70 do CP)
	5.6.2.1. Conceito
	5.6.2.2. Concurso formal perfeito e concurso formal imperfeito
	5.6.2.3. Aplicação da pena no concurso formal
	5.6.3. Concurso material benéfico (art. 70, par. ún., do CP)
	5.6.4. Crime continuado (art. 71 do CP)
	5.6.4.1. Conceito
	5.6.4.2. Requisitos
	5.6.4.3. Crime continuado específico (art. 71, par. ún., do CP)
	5.6.4.4. Aplicação da pena
	6. Da Suspensão Condicional da Pena
	6.1. Conceito
	6.1.1. Requisitos objetivos
	6.1.2. Requisitos subjetivos
	6.2. Condições
	6.3. Período de prova
	6.3.1. Causas de revogação do sursis
	6.4. Extinção da pena
	7. Do Livramento Condicional
	7.1. Conceito
	7.2. Requisitos
	7.3. Livramento condicional vedado
	7.4. As causas de revogação do livramento condicional
	7.4.1. Causas de revogação obrigatória
	7.4.2. Causas de revogação facultativa
	8. Efeitos da Condenação
	8.1. Efeitos principais
	8.2. Efeitos secundários
	8.2.1. Efeitos secundários de natureza penal
	8.2.2. Efeitos secundários de natureza extrapenal
	8.2.3. Efeitos genéricos
	8.2.4. Efeitos específicos
	8.2.5. Confisco alargado
	9. Extinção da Punibilidade
	9.1. Conceito
	9.2. Efeitos da extinção da punibilidade
	9.3. Causas de extinção de punibilidade (art. 107 do CP)
	9.3.1. Morte do agente
	9.3.2. Da anistia, graça e indulto
	9.3.2.1. Anistia
	9.3.2.2. Graça
	9.3.2.3. Indulto
	9.3.3. Lei posterior que deixa de considerar o fato criminoso (abolitio criminis)
	9.3.4. Prescrição, decadência e perempção
	9.3.4.1. Decadência
	9.3.4.2. Perempção
	9.3.5. Da renúncia ao direito de queixa ou perdão aceito nos crimes de ação penal privada
	9.3.6. Da retratação do agente
	9.3.7. Perdão judicial
	9.4. Prescrição
	9.4.1. Introdução
	9.4.2. Imprescritibilidade
	9.4.3. Prazos para o cálculo da prescrição (art. 109 do CP)
	9.4.4. Redução dos prazos de prescrição em face da idade do sujeito (art. 115 do CP)
	9.4.5. Prescrição da pretensão punitiva
	9.4.5.1. Prescrição da pretensão punitiva em abstrato (art. 109, caput, do CP)
	9.4.5.2. Prescrição da pretensão punitiva retroativa (art. 110, § 1º, parte final, do CP)
	9.4.5.3. Prescrição da pretensão punitiva intercorrente ou superveniente à sentença condenatória (art. 110, § 1º, do CP)
	9.4.6. Prescrição da pretensão executória (art. 110, caput, do CP)
	9.4.6.1. Conceito
	9.4.6.2. Termos iniciais da prescrição da pretensão executória (art. 112 do CP)
	9.4.6.3. Prescrição no caso de evasão do condenado ou de revogação do livramento condicional (art. 113 do CP)
	9.4.7. Causas suspensivas da prescrição
	9.4.7.1. Causas suspensivas da prescrição punitiva
	9.4.7.2. Causas suspensivas da prescrição da pretensão executória (art. 116, par. ún., do CP)
	9.4.8. Causas interruptivas da prescrição (art. 117 do CP)
	9.4.8.1. Pelo recebimento da denúncia ou da queixa
	9.4.8.2. Pela pronúncia
	9.4.8.3. Pela decisão confirmatória da pronúncia
	9.4.8.4. Pela publicação da sentença ou acórdão condenatórios recorríveis
	9.4.8.5. Pelo início ou continuação do cumprimento da pena
	9.4.8.6. Pela reincidência
	10. Crimes contra a vida
	10.1. Homicídio
	10.1.1. Homicídio privilegiado (art. 121, § 1º, do CP)
	10.1.2. Homicídio qualificado (art. 121, § 2º, do CP)
	10.1.3. Homicídio privilegiado-qualificado
	10.1.4. Homicídio culposo (art. 121, § 3º, do CP)
	10.1.5. Perdão judicial (art. 121, § 5º, do CP)
	10.2. Induzimento, instigação ou auxílio a suicídio ou a automutilação
	10.2.1. Conceito de suicídio e automutilação
	10.2.2. Consumação
	10.2.3. Figuras qualificadoras
	10.2.4. Causas de aumento de pena
	10.2.5. Vítima menor de 14 anos ou contra quem não tem discernimento para a prática do ato
	10.3. Infanticídio (art. 123 do CP)
	10.3.1. Conceito
	10.3.2. Sujeitos do delito
	10.4. Aborto (arts. 124 a 128 do CP)
	10.4.1. Aborto provocado pela gestante ou com seu consentimento (art. 124)
	10.4.2. Aborto provocado por terceiro sem o consentimento da gestante (art. 125 do CP)
	10.4.3. Aborto consensual (art. 126)
	10.4.4. Aborto legal (art. 128)
	11. Lesão Corporal (art. 129 do CP)
	11.1. Lesão corporal leve ou simples (art. 129, caput)
	11.2. Lesão corporal grave (art. 129, § 1º)
	11.3. Lesão corporal gravíssima (art. 129, § 2º)
	11.4. Lesão corporal seguida de morte (art. 129, § 3 )
	11.5. Violência doméstica (art. 129, § 9º)
	11.6. Lesão corporal contra a agente de segurança pública (art. 129, § 12, do CP)
	11.7. Lesão corporal no contexto de violência doméstica e familiar contra a mulher (art. 129, §13, do CP)
	12. Crimes contra a honra
	12.1. Calúnia (art. 138 do CP)
	12.2. Difamação (art. 139 do CP)
	12.3. Injúria (art. 140 do CP)
	12.4. Ação penal
	13. Crimes Contra o Patrimônio
	13.1. Furto (art. 155 do CP)
	13.1.1. Conceito
	13.1.2. Consumação e tentativa
	13.1.3. Furto noturno (art. 155, § 1º, do CP)
	13.1.4. Furto privilegiado (art. 155, § 2º, do CP)
	13.1.5. Furto qualificado (art. 155, § 4º, do CP)
	13.1.5.1. Com destruiçãoou rompimento de obstáculo à subtração da coisa
	13.1.5.2. Com abuso de confiança, ou mediante fraude, escalada ou destreza
	13.1.5.3. Com emprego de chave falsa
	13.1.5.4. Mediante concurso de duas ou mais pessoas
	13.1.5.5. Furto de veículo automotor (art. 155, § 5º, do CP)
	13.1.5.6. Emprego de explosivo que cause perigo comum
	13.1.5.7. Utilização de substâncias explosivas
	13.1.5.8. Alterações promovidas pela Lei nº 14.155/2021
	13.2. Roubo (art. 157 do CP)
	13.2.1. Conduta típica
	13.2.2. Roubo próprio e roubo impróprio
	13.2.3. Consumação e tentativa
	13.2.4. Causas especiais de aumento de pena: roubo majorado (circunstanciado) - art. 157, § 2º
	13.2.5. Roubo com emprego de arma de fogo (art. 157, § 2º-A, do CP)
	13.2.6. Roubo com emprego de explosivo ou de artefato análogo que cause perigo comum
	13.2.7. Roubo qualificado pelo resultado (art. 157, § 3º, do CP)
	13.3. Extorsão (art. 158 do CP)
	13.3.1. Conduta típica
	13.3.2. Consumação e tentativa
	13.3.3. Extorsão qualificada (art. 158, §§ 2º e 3º)
	13.3.4. Extorsão qualificada pela privação da liberdade (art. 158, § 3º)
	13.4. Extorsão mediante sequestro (art. 159 do CP)
	13.4.1. Conduta típica
	13.4.2. Consumação
	13.4.3. Formas qualificadas (art. 159, § 1º, do CP)
	13.4.4. Extorsão mediante sequestro qualificada pelo resultado: lesão grave ou morte (art. 159, §§ 2º e 3º, do CP)
	13.4.5. Delação premiada (art. 159, § 4º, do CP)
	13.5. Dano (art. 163 do CP)
	13.5.1. Conduta típica
	13.5.2. Dano qualificado (art. 163, par. ún., do CP)
	13.5.3. Ação penal (art. 167 do CP)
	13.6. Apropriação indébita (art. 168 do CP)
	13.6.1. Conduta típica
	13.7. Estelionato (art. 171 do CP)
	13.7.1. Conduta típica
	13.7.2. Consumação e tentativa
	13.7.3. Fraude no pagamento por meio de cheque (art. 171, § 2º, VI, do CP)
	13.7.4. Ação penal (art. 171, § 5º, do CP)
	13.7.5. Alterações promovidas pela Lei nº 14.155/2021
	13.8. Receptação (art. 180 do CP)
	13.8.1. Conduta típica
	13.8.2. Receptação qualificada (art. 180, § 1º, do CP)
	13.8.3. Receptação punível autonomamente (art. 180, § 4º, do CP)
	13.8.4. Perdão judicial (art. 180, § 5º, do CP)
	13.8.5. Tipo qualificado (art. 180, § 6º, do CP)
	13.9. Escusas absolutórias (arts. 181 a 183 do CP)
	13.9.1. Imunidade absoluta (art. 181)
	13.9.2. Imunidade relativa (art. 182, I, II e III, do CP)
	13.9.3. Exclusão de imunidade ou privilégio (art. 183 do CP)
	14. Crimes contra a Dignidade Sexual
	14.1. Estupro (art. 213 do CP)
	14.1.1. Conduta típica
	14.1.2. Sujeito ativo e passivo
	14.1.3. Consumação e tentativa
	14.1.4. Formas qualificadas (art. 213, §§ 1º e 2º, do CP)
	14.2. Violação sexual mediante fraude (art. 215 do CP)
	14.2.1. Conduta típica
	14.2.2. Consumação e tentativa
	14.3. Importunação sexual (art. 215-A do CP)
	14.3.1. Conduta típica
	14.3.2. Consumação e tentativa
	14.4. Estupro de vulnerável (art. 217-A do CP)
	14.4.1. Conduta típica
	14.4.2. Consumação ou tentativa
	14.4.3. Formas qualificadas (art. 217-A, §§ 3º e 4º, do CP)
	14.4.4. Ação penal (art. 225 do CP)
	15. Crimes contra a Fé Pública
	15.1. Moeda falsa (art. 289 do CP)
	15.1.1. Conduta típica
	15.1.2. Consumação e tentativa
	15.1.3. Formas equiparadas (art. 289, § 1º, do CP)
	15.1.4. Privilégio (art. 289, § 2º, do CP)
	15.1.5. Falsificação funcional (art. 289, § 3º, do CP)
	15.2. Falsificação de documento público (art. 297 do CP)
	15.2.1. Conduta típica
	15.2.2. Consumação e tentativa
	15.3. Falsificação de documento particular (art. 298 do CP)
	15.3.1. Conduta típica
	15.3.2. Consumação e tentativa
	15.4. Falsidade ideológica (art. 299 do CP)
	15.4.1. Conduta típica
	15.4.2. Consumação e tentativa
	16. Crimes contra a Administração Pública
	16.1. Dos crimes praticados por funcionário público contra a Administração em geral
	16.1.1. Peculato (art. 312 do CP)
	16.1.1.1. Conduta típica
	16.1.1.2. Sujeitos do delito
	16.1.1.3. Peculato culposo (art. 312, § 2º, do CP)
	16.1.2. Concussão (art. 316 do CP)
	16.1.2.1. Conduta típica
	16.1.2.2. Consumação e tentativa
	16.1.3. Excesso de exação (art. 316, § 1º, do CP)
	16.1.3.1. Conduta típica
	16.1.3.2. Consumação e tentativa
	16.1.3.3. Excesso de exação qualificado (art. 316, § 2º, do CP)
	16.1.4. Corrupção passiva (art. 317 do CP)
	16.1.4.1. Conduta típica
	16.1.4.2. Consumação e tentativa
	16.1.4.3. Causa de aumento de pena (art. 317, § 1º)
	16.1.4.4. Figura privilegiada (art. 317, § 2º)
	16.1.5. Prevaricação (art. 319 do CP)
	16.1.5.1. Conduta típica
	16.2. Dos crimes praticados por particular contra a Administração em geral
	16.2.1. Resistência (art. 329 do CP)
	16.2.1.1. Conduta típica
	16.2.1.2. Consumação e tentativa
	16.2.2. Desobediência (art. 330 do CP)
	16.2.2.1. Conduta típica
	16.2.2.2. Consumação e tentativa
	16.2.3. Desacato (art. 331 do CP)
	16.2.3.1. Conduta típica
	16.2.3.2. Consumação e tentativa
	16.2.4. Corrupção ativa (art. 333 do CP)
	16.2.4.1. Conduta típica
	16.2.4.2. Consumação e tentativa
	16.2.4.3. Causa de aumento de pena (art. 333, par. ún.)
	16.2.5. Descaminho (art. 334 do CP)
	16.2.5.1. Conduta típica
	16.2.5.2. Consumação e tentativa
	16.2.5.3. Figuras equiparadas (art. 334, § 1º)
	16.2.5.4. Causa de aumento de pena (art. 334, § 3º)
	16.2.6. Contrabando (art. 334-A do CP)
	16.2.6.1. Conduta típica
	16.2.6.2. Consumação e tentativa
	16.2.6.3. Figuras equiparadas (art. 334-A, § 1º)
	16.2.6.4. Causa de aumento de pena (art. 334-A, § 3º)
	17. Dos crimes contra a Administração da Justiça
	17.1. Denunciação caluniosa (art. 339 do CP)
	17.1.1. Conduta típica
	17.1.2. Elemento subjetivo
	17.1.3. Consumação
	17.2. Comunicação falsa de crime ou de contravenção (art. 340 do CP)
	17.2.1. Conduta típica
	17.2.2. Consumação e tentativa
	17.3. Falso testemunho ou falsa perícia (art. 342 do CP)
	17.3.1. Conduta típica
	17.3.2. Sujeitos do delito
	17.3.3. Consumação e tentativa
	17.3.4. Retratação (art. 342, § 2º)
	17.4. Favorecimento pessoal (art. 348 do CP)
	17.4.1. Conduta típica
	17.4.2. Consumação e tentativa
	17.4.3. Escusa absolutória (art. 348, § 2º)
	17.5. Favorecimento real (art. 349 do CP)
	17.5.1. Conduta típica
	17.5.2. Consumação e tentativade lei, mas do fato de o agente ter assumido a 
responsabilidade de impedi-lo. Ex.: babá que, por negligência, deixa de cumprir corretamente 
sua obrigação de cuidar da criança, que acaba caindo na piscina e, por isso, morre afogada. 
Nesse caso, responderá pelo resultado gerado, qual seja, homicídio culposo. Se, de outro lado, 
desejou a morte da criança ou assumiu o risco de produzi-la, responderá por homicídio doloso. 
c) Com o comportamento anterior, criar o risco da ocorrência do resultado: nesta 
hipótese, o sujeito, com o comportamento anterior, cria situação de perigo para bens jurídicos 
alheios penalmente tutelados, de sorte que, tendo criado o risco, fica obrigado a evitar que ele 
se degenere ou desenvolva para o dano ou lesão. Ex.: aluno veterano, por ocasião de um trote 
acadêmico, sabendo que a vítima não sabe nadar, joga o incauto calouro na piscina. Nesse caso, 
contrai o dever jurídico de agir para evitar o resultado, sob pena de responder por homicídio. 
 
2.3. Iter criminis e tentativa (art. 14 do CP) 
2.3.1. Iter criminis 
O primeiro momento do iter criminis é a cogitação. O agente idealiza, internamente, a 
atividade criminosa. É exatamente por isso que a fase da cogitação não é punível. 
Nos atos preparatórios, é a partir dos atos preparatórios que o agente começa a materi-
alizar, ou seja, exteriorizar sua busca pela consumação da infração penal. A aquisição de uma 
arma, por exemplo, para a prática do homicídio constitui ato preparatório. Da mesma forma, o 
estudo do local do crime, buscando identificar a melhor hora e forma de ingressar no ambiente, 
constitui ato preparatório do crime de furto. 
Os atos preparatórios, via de regra, não são puníveis, nem na forma tentada, uma vez 
que, nos termos do art. 14, II, do CP, afigura-se necessário o início da execução do delito, com 
a realização da conduta nuclear descrita no tipo penal. 
Todavia, em casos excepcionais, o legislador descreve atos que na sua concepção seriam 
preparatórios como delitos autônomos, por exemplo, os crimes de associação criminosa (art. 288 
do CP) e petrechos para falsificação de moedas (art. 291 do CP). 
1ª Fase | 42° Exame da OAB 
Direito Penal 
14 
Nos atos executórios, o agente passa a desenvolver conduta voltada a realizar o verbo 
nuclear do tipo. A partir dos atos executórios, o fato passa a ser punível, ao menos na forma 
tentada. Isso porque o próprio art. 14, II, do CP atrelou a tentativa ao início da execução do crime, 
condicionando, pois, sua punibilidade ao início da prática de atos executórios. 
A consumação é o momento de conclusão do delito, reunindo todos os elementos do tipo 
penal. 
Atenção: o exaurimento não integra o iter criminis, que encerra com a consumação. O 
crime exaurido, também chamado de esgotado, é aquele no qual, após ser alcançada a consu-
mação, continua produzindo efeitos decorrentes da conduta lesiva do agente. Ex.: a consumação 
do crime de corrupção passiva (art. 317 do CP) ocorre com a solicitação da vantagem indevida. 
O efetivo proveito ulterior com o recebimento dessa vantagem não integra o iter criminis, consti-
tuindo-se no exaurimento do crime. 
 
2.3.2. Tentativa (art. 14, II, do CP) 
Nos termos do art. 14, II, do CP, para caracterizar ao menos crime tentado, deve o agente 
passar pelos atos preparatórios e dar início à execução do delito, que, por razões alheias à 
sua vontade, não alcance a consumação. 
Algumas infrações que não admitem a tentativa: 
a) Crimes culposos: no crime culposo, o agente não deseja nem assume o risco na 
produção do resultado. Na tentativa, o agente deseja ou assume o risco na produção do resul-
tado, que, no entanto, não ocorre por circunstâncias alheias à sua vontade. Logo, verifica-se a 
absoluta incompatibilidade entre o crime culposo e a tentativa. 
Há, no entanto, uma classe de crimes culposos que admitem a tentativa: culpa imprópria. 
b) Crimes preterdolosos: nos crimes preterdolosos, a conduta é desenvolvida de forma 
dolosa, mas o resultado agravador é culposo. Assim, como no crime preterdoloso o resultado 
agravador não é desejado pelo agente, não há que se falar em tentativa, que pressupõe a não 
consumação do delito por circunstâncias alheias à sua vontade. 
c) Contravenções penais: nos termos do art. 4° do Decreto-lei nº 3.688/1941, “não é 
punível a tentativa de contravenção”. 
d) Crimes omissivos próprios: os crimes omissivos próprios não admitem tentativa, por-
que não se afigura possível fracionar a conduta omissiva do agente. Isso porque ou o agente 
observa o seu dever de agir implícito no tipo penal, e o crime se consuma; ou pratica a conduta, 
e não há crime. 
1ª Fase | 42° Exame da OAB 
Direito Penal 
15 
Os crimes omissivos impróprios admitem tentativa. 
e) Crimes unissubsistentes: os crimes unissubsistentes ou de ato único não admitem 
tentativa, diante da impossibilidade de fracionamento dos atos de execução. Ou seja, não é pos-
sível dar início à execução do delito e não atingir a consumação por circunstâncias alheias à 
vontade do agente. 
 
2.4. Desistência voluntária e arrependimento eficaz (art. 15 do CP) 
Na desistência voluntária e no arrependimento eficaz, o agente dá início à execução do 
delito, mas não consuma por vontade própria, ou porque desistiu de prosseguir nos atos execu-
tórios, ou porque se arrependeu eficazmente. 
 
2.4.1. Desistência voluntária 
A desistência voluntária caracteriza-se por um comportamento negativo do agente, que, 
após dar início à execução do delito, adota uma postura de abstenção, ou seja, cessa o seu 
comportamento delitivo, não leva adiante a atividade executória; mesmo podendo prosse-
guir, desiste da realização típica. 
Tomemos como exemplo a conduta do agente que, com a intenção homicida, desfere um 
disparo de arma de fogo contra a vítima, acertando-a em região não letal. Podendo prosseguir, 
já que tinha mais cinco balas no revólver, o agente resolve, por vontade própria, não efetuar mais 
disparos, deixando a vítima sobreviver. 
 
2.4.2. Arrependimento eficaz 
No arrependimento eficaz, o agente, após ter esgotado todos os meios à sua disposição 
para a consumação do delito, arrepende-se e, adotando uma postura ativa, impede que o resul-
tado se produza. 
Exemplo: agente que, com a intenção homicida, após efetuar disparos de arma de fogo 
contra a vítima, utilizando todas as balas do revólver, arrepende-se e, adotando postura ativa, 
leva a vítima até o hospital, que, submetida a intervenção cirúrgica exitosa, acaba sobrevivendo. 
 
2.4.3. Consequência 
Nos termos da parte final do art. 15 do CP, verificada hipótese de desistência voluntária 
ou arrependimento eficaz, o agente jamais responderá pelo crime na modalidade tentada, já que, 
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como visto, trata-se de causa excludente da tipicidade da tentativa, mas pelos atos até então 
praticados, se típicos. 
Assim, o agente que ingressa numa residência e, por ato voluntário, desiste de consumar 
a subtração, não responderá por tentativa de furto, mas pelos atos até então praticados, quais 
sejam, violação de domicílio (art. 150 do CP). 
 
2.5. Arrependimento posterior (art. 16 do CP) 
Trata-se de causa obrigatória de diminuição da pena que incide quando o agente, res-
ponsável pelo crime praticado sem violência ou grave ameaça à pessoa, repara o dano provo-
cado ou restitui a coisa, desde que de forma voluntária, até o recebimento da denúncia ou da 
queixa. 
Assim, se o agente subtraiu uma TV do seu local de trabalho e, ao chegar em casa com 
a coisa subtraída, é convencido pela esposa a devolvê-la, o que efetivamente vem a fazer no dia 
seguinte, mesmo quando o fato já havia sido registrado na delegacia, haverá arrependimento 
posterior, com reflexo na dosimetria da pena. 
 
2.6. Crime impossível (art. 17 do CP) 
O crime impossível por ineficácia absoluta do meio guarda relação com o meio de 
execução ou instrumento utilizado pelo agente, que,por sua natureza, será incapaz de produzir 
qualquer resultado, ou seja, jamais alcançará a consumação do delito. É o caso do agente que, 
pretendendo matar a vítima, usa como meio executório arma completamente defeituosa, que 
jamais efetuaria qualquer disparo. 
O crime impossível pela impropriedade absoluta do objeto guarda relação com o ob-
jeto material, compreendendo a pessoa ou coisa sobre o qual recai a conduta do agente. Tome-
mos como exemplo a conduta do agente que, pretendendo matar a vítima, desfere vários dispa-
ros de arma de fogo contra o seu corpo, verificando-se, após, que, ao receber os disparos, já se 
encontrava morta, em decorrência de ter sofrido, momentos antes, fulminante ataque cardíaco. 
Evidente, neste caso, a impropriedade absoluta do objeto, diante da impossibilidade de ceifar a 
vida de pessoa que já estava morta. 
 
2.7. Crime doloso e culposo (art. 18 do CP) 
2.7.1. Crime doloso 
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Com o sistema finalista, o dolo passou a integrar a conduta, elemento do fato típico. Trata-
se de um elemento psicológico introduzido no tipo penal, característico do crime doloso. 
a) Dolo direto: também chamado dolo determinado, intencional, imediato ou incondicio-
nado, é aquele que se caracteriza pela vontade do agente estar dirigida especificamente à pro-
dução do resultado típico, abrangendo os meios utilizados para tanto. No dolo direto, o agente 
quer o resultado por ele anteriormente representado. Adota-se a teoria da vontade. 
b) Dolo eventual: em relação ao dolo eventual, adota-se a teoria do consentimento ou 
assentimento, inserta na expressão “assumiu o risco de produzi-lo”, encartada no art. 18, I, do 
CP. Tomemos como exemplo a conduta do agente que pretende atirar contra o seu desafeto, 
que se encontra conversando com outra pessoa. O agente prevê que também pode atingir a 
outra pessoa, mas segue em diante na sua conduta, assumindo o risco de errar o disparo contra 
o seu desafeto e atingir a outra pessoa, sendo-lhe indiferente quanto ao resultado que possa a 
vir a ser produzido em relação ao terceiro. Se efetuar disparos matando o seu desafeto e também 
a outra pessoa, o agente responderá por dois crimes de homicídio: o primeiro, a título de dolo 
direto; o segundo, a título de dolo eventual. 
 
2.7.2. Teoria do crime culposo 
É a conduta humana voluntária desenvolvida sem observar o dever de cuidado objetivo, 
que, por imprudência, negligência ou imperícia, produz um resultado involuntário, objetivamente 
previsível, que poderia ter sido evitado. 
A inobservância do dever objetivo de cuidado, que é a quebra do dever de cuidado im-
posto a todos, é manifestada por meio de três modalidades de culpa, todas previstas no art. 18, 
II, do CP: imprudência, negligência e imperícia. 
1) Imprudência: a conduta imprudente caracteriza-se por um agir positivo, sem a ob-
servância do dever de cuidado objetivo. Ocorre quando o agente pratica fato peri-
goso, de forma intempestiva e precipitada. Tomemos como exemplo condutor de 
veículo automotor que, imprimindo excessiva velocidade, atropela e mata um pe-
destre. 
2) Negligência: trata-se de modalidade negativa de culpa, em que a inobservância 
do dever de cuidado do agente é retratada pela ausência de cautela e precaução. 
É a culpa na forma de deixar de adotar as cautelas. Tomemos como exemplo o 
condutor de veículo que, antes de sair de viagem, deixa de reparar os pneus e 
verificar os freios. 
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3) Imperícia: a imperícia caracteriza-se pela falta de capacidade, preparo ou de co-
nhecimentos técnicos suficientes de agente autorizado a desempenhar determi-
nada arte, profissão ou ofício. Assim, se um médico cirurgião, que não domina de-
terminada técnica inerente à certa intervenção cirúrgica, causar a morte do paci-
ente, responderá por homicídio culposo (art. 121, § 3°, do CP), já que agiu com 
imperícia no exercício da sua profissão. 
 
Na culpa consciente há a previsão do resultado, mas o agente realiza a conduta consi-
derando, sinceramente, que nenhum resultado se produzirá ou, ainda, que reúne habilidade su-
ficiente para evitá-lo. É a chamada culpa com previsão. Ex.: Leonardo conduz seu veículo por 
uma avenida. No banco do carona está sua namorada, Célia. Durante o percurso, Leonardo 
imprime velocidade excessiva no veículo, gerando protestos por parte de Célia, que lhe pedia 
para reduzir a velocidade. Leonardo responde dizendo que nada aconteceria, até porque era um 
excelente motorista. Todavia, ao fazer uma curva, Leonardo perde o controle do veículo e atro-
pela uma pessoa, causando-lhe a morte. Diante disso, Leonardo responderá pelo crime de ho-
micídio culposo na condução de veículo automotor (art. 302 da Lei nº 9.503/1997). Note-se que, 
no caso, havia por parte do motorista a previsibilidade do resultado, que não era aceito nem 
esperado e, ainda, a leviana percepção de que sua habilidade como condutor impediria a produ-
ção de qualquer evento lesivo. 
 
2.8. Erro de tipo essencial e erro de proibição 
2.8.1. Erro de tipo essencial 
O erro de tipo essencial pode ser: 
a) Invencível, inevitável, escusável: é aquele erro em que qualquer pessoa, nas mes-
mas circunstâncias, incorreria. É o erro inevitável, desculpável ou escusável, que não poderia 
ser evitado, mesmo por uma pessoa cautelosa e prudente. 
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Tomemos como exemplo a conduta de uma estudante que deixa seu celular carregando 
na tomada da sala de aula e sai para comprar café na cantina do local. Quando retorna, retira 
um celular da tomada que, na verdade, não era o seu aparelho, mas de sua colega, que havia 
colocado um celular idêntico para carregar em substituição ao da estudante. Nesse caso, há 
evidente erro de tipo, pois a estudante, por conta da falsa percepção da realidade (supôs ser seu 
o celular, já que idêntico), errou em relação ao elemento “alheio” do tipo que define o crime de 
furto. E, trata-se de erro de tipo invencível, porque qualquer pessoa, nas circunstâncias, consi-
deraria que era o seu telefone celular que estava carregando na tomada em que havia deixado. 
O erro de tipo invencível, inevitável ou escusável exclui o dolo e a culpa. Sendo a conduta 
elemento do fato típico, a ausência de dolo ou culpa leva à atipicidade da conduta. 
b) Vencível, evitável ou inescusável: é aquele erro em que uma pessoa mais cautelosa 
e prudente, nas mesmas circunstâncias, não incorreria. É o erro evitável, indesculpável ou ines-
cusável, que uma pessoa cautelosa e prudente teria evitado. Assim, se o fato for punido sob a 
forma culposa, o agente responderá por crime culposo. Quando o tipo, entretanto, não admitir 
essa modalidade, a consequência será inexoravelmente a exclusão do crime, já que configurará 
fato atípico. 
No exemplo do caçador que praticava a caça em mata próxima à zona urbana, onde havia 
circulação de pessoas, o agente responderá pelo crime de homicídio culposo, já que se trata de 
erro de tipo vencível. 
 
2.8.2. Do erro de proibição (art. 21 do CP) 
O erro de proibição é o erro que incide sobre a ilicitude do fato. Encontra-se discipli-
nado no art. 21 do CP. 
No erro de proibição, o agente tem consciência da conduta praticada, mas lhe falta poten-
cial consciência da ilicitude do fato. 
O erro de proibição pode ser: 
a) erro de proibição escusável, inevitável ou invencível: ocorre quando o erro sobre a 
ilicitude do fato é impossível de ser evitado, valendo-se o ser humano da sua diligência ordinária. 
Ex.: um telejornal de alcance nacional informa, de forma equivocada, a aprovação da lei que 
autoriza a eutanásia de doentes em estágio terminal. Não havendo nenhuma razão para duvidar 
da veracidade da notícia, o agente dirige-se até o hospital e desliga os aparelhos que mantinham 
vivo um ente querido, que se encontrava sofrendo com a doença que o acometia e em estágio 
terminal,causando-lhe a morte. Praticou fato típico e ilícito, mas lhe faltou potencial consciência 
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da ilicitude, incidindo o erro de proibição inevitável, cuja consequência será a exclusão da culpa-
bilidade. 
b) erro de proibição inescusável ou evitável: ocorre quando o erro sobre a ilicitude do 
fato que não se justifica, pois, se tivesse havido um mínimo de empenho em se informar, o agente 
poderia ter tido conhecimento da realidade. O critério de aferição do erro de proibição inescusá-
vel, vencível ou evitável encontra-se no parágrafo único do art. 21 do CP, segundo o qual “con-
sidera-se evitável o erro se o agente atua ou se omite sem a consciência da ilicitude do fato, 
quando lhe era possível, nas circunstâncias, ter ou atingir essa consciência”. Tratando-se de erro 
de proibição evitável, permanece hígida a culpabilidade do agente, sendo, no entanto, causa 
de diminuição da pena de um sexto a um terço. 
 
2.9. Erro de tipo acidental 
2.9.1. Erro quanto à pessoa (art. 20, § 3°, do CP) 
O erro sobre pessoa, previsto no art. 20, § 3°, do CP, incide quando o agente desenvolve 
conduta voltada a atingir a pessoa pretendida, mas, confundindo-se em relação à sua identidade, 
atinge pessoa diversa. 
Consideremos, por exemplo, a hipótese do filho desalmado que, pretendendo matar seu 
pai, realiza disparos de arma de fogo contra o homem que estava na varanda da residência do 
genitor, causando a morte deste. O filho, então, deixa o local satisfeito, por acreditar ter concluído 
seu intento delitivo, mas vem a descobrir que matara um amigo de seu pai, que contava com 65 
anos de idade, que, de costas, era com ele parecido. 
Nesse caso, nos termos do art. 20, § 3°, do CP, consideram-se as condições e qualidades 
da vítima pretendida. Logo, o filho desalmado responderá pelo crime de homicídio, com a inci-
dência da agravante de ter praticado crime contra ascendente, prevista no art. 61, II, e, 1ª parte, 
do CP. 
 
2.9.2. Erro na execução ou aberratio ictus (art. 73 do CP) 
A aberratio ictus pode ocorrer quando, por acidente, o agente, em vez de atingir a pessoa 
pretendida, atinge pessoa diversa. Suponhamos, nesse caso, que o agente pretende matar Wil-
son, deixando na sua mesa de trabalho uma xícara de café contendo veneno. Todavia, quem 
toma o café é Pedro, que acaba falecendo. 
Pode ocorrer também quando, por erro nos meios de execução, o agente, em vez de 
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atingir a pessoa pretendida, atinge pessoa diversa. Ex.: agente pretendendo matar Wilson, visu-
aliza a vítima, tendo-a como certa, faz a mira e efetua o disparo, mas, no entanto, erra o alvo 
pretendido, atingindo pessoa diversa, que se encontrava próxima ao local. 
A consequência jurídica da conduta do agente encontra-se retratada no art. 73, 1ª parte, 
do CP, que faz expressa remissão ao art. 20, § 3°, do CP. Ou seja, na hipótese de erro na exe-
cução, deve-se observar o disposto no art. 20, § 3°, segundo o qual, embora tenha atingido pes-
soa diversa, o agente deve receber tratamento penal considerando-se as condições ou qualida-
des da pessoa pretendida (vítima virtual), desprezando-se as condições pessoais da vítima efe-
tivamente atingida. 
Na aberratio ictus com resultado duplo, o agente, além de atingir a vítima pretendida, 
atinge também pessoa diversa. Nesse caso, com uma única ação, o agente produz mais de um 
resultado: atinge a pessoa pretendida e também pessoa diversa. Por essa razão, o art. 73, 2ª 
parte, do CP faz expressa remissão ao art. 70 do CP, devendo ser aplicada a regra do concurso 
formal de crimes. 
 
2.9.3. Resultado diverso do pretendido ou aberratio criminis (art. 74 do 
CP) 
Na aberratio criminis, o agente pretende ofender determinado bem jurídico, mas, por aci-
dente ou erro na execução, acaba produzindo resultado diverso do pretendido. Na verdade, o 
agente pretendia praticar um crime, mas acaba praticando crime diverso do pretendido. 
Na aberratio criminis com unidade simples, o agente somente atinge o bem jurídico di-
verso do pretendido. Ou seja, o agente quer atingir uma coisa e atinge uma pessoa. Nesse caso, 
o agente responde pelo resultado produzido a título de culpa, se o fato é previsto como crime 
culposo. 
Assim, se o agente, pretendendo atingir o veículo do desafeto, com o intuito de praticar o 
crime dano, por erro na execução, não atingir o objeto, mas somente uma pessoa que se encon-
trava próxima ao local, responderá por lesão corporal culposa (art. 129, § 6°, do CP), se resultar 
lesão corporal; ou por homicídio culposo (art. 121, § 3º, do CP), se resultar morte. 
Na aberratio criminis com resultado duplo, o agente, além de praticar o crime pretendido, 
também acaba produzindo um resultado diverso do pretendido. Ou seja, com uma ação ou omis-
são, acaba provocando dois resultados. Nesse caso, como expressamente prevê a parte final do 
art. 74 do CP, aplica-se a regra do concurso formal de crimes (art. 70 do CP), considerando-se 
a pena do crime mais grave aumentada de um sexto até metade, de acordo com o número de 
1ª Fase | 42° Exame da OAB 
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resultados diversos produzidos. 
 
2.10. Descriminante putativa 
2.10.1. Conceito 
É a causa excludente da ilicitude erroneamente imaginada pelo agente. Só existe, por-
tanto, na mente, na imaginação do agente. Por essa razão, é também conhecida como descri-
minante imaginária ou erroneamente suposta. 
Logo, o sujeito, por erro plenamente justificado pelas circunstâncias do caso concreto, 
supõe estar diante de uma situação de estado de necessidade, legítima defesa, estrito cumpri-
mento do dever legal ou em exercício regular do direito. Quando isso ocorre, aplica-se o disposto 
no art. 20, § 1º, 1ª parte do CP. 
 
2.10.2. Espécies 
a) Descriminante putativa por erro de tipo: trata-se, na verdade, de erro de tipo permis-
sivo, uma vez que o agente, erroneamente, imagina estar diante de uma situação de perigo 
inexistente, ou de uma agressão injusta inexistente, mas que, se existisse, tornaria sua ação 
legítima. 
Assim, por exemplo, se o agente praticar uma conduta supondo estar diante de uma 
agressão injusta, mas que, na verdade, não existe, trata-se de legítima defesa putativa. Se o 
agente pratica uma conduta supondo estar numa situação de perigo, que, na verdade, não existe, 
trata-se de estado de necessidade putativo. 
Os efeitos são os mesmos do erro de tipo, já que a descriminante putativa por erro de 
tipo não é outra coisa senão erro de tipo essencial incidente sobre tipo permissivo. 
Assim, cuidando-se de erro invencível, há exclusão do dolo e culpa. Tratando-se de erro 
vencível, responde o sujeito por crime culposo, se prevista a modalidade culposa. Provando-se 
que o sujeito não foi diligente ao se verificar as circunstâncias do fato, responde por crime de 
homicídio culposo (art. 20, § 1°, do CP). 
b) Descriminante putativa por erro de proibição: o agente tem perfeita noção de tudo 
o que está ocorrendo. Não há qualquer engano acerca da realidade. Não há erro sobre a situação 
de fato. Ele supõe que está diante da causa que exclui o crime, porque avalia equivocadamente 
a norma: pensa que esta permite, quando, na verdade, ela proíbe; imagina que age certo, quando 
está errado; supõe que o injusto é justo. 
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O sujeito imagina estar em legítima defesa, estado de necessidade etc., porque supõe 
estar autorizado e legitimado pela norma a agir em determinada situação. 
Ex.: uma pessoa de idade avançada recebe um violento tapa em seu rosto, desferido por 
um jovem atrevido. O idoso tem perfeita noção do que está acontecendo, sabe que seu agressor 
está desarmado e que o ataque cessou. Não existe, portanto, qualquer equívoco sobre a reali-
dade concreta. Nessa situação, no entanto, imagina-se equivocadamente autorizado pelo orde-
namento jurídico a matar aquele que o humilhou,atuando, assim, em legítima defesa de sua 
honra. 
As consequências dessa descriminante putativa encontram-se no art. 21 do CP e são as 
mesmas do erro de proibição direto ou propriamente dito. 
O dolo não pode ser excluído, porque o engano incide sobre a culpabilidade e não sobre 
a conduta (por isso, erro de proibição). Se o erro for inevitável, o agente terá cometido um crime 
doloso, mas não responderá por ele; se evitável, responderá pelo crime doloso, com pena dimi-
nuída de um sexto a um terço. 
 
2.11. Coação moral irresistível e obediência hierárquica (art. 22 do CP) 
2.11.1. Coação moral irresistível 
Na coação moral, o agente coator, para alcançar o resultado desejado, emprega grave 
ameaça contra o coagido, que, por medo de suportar um mal grave contra si ou contra outrem, 
acaba realizando a conduta criminosa exigida. Nesse caso, em relação ao coagido, incide a 
causa de exclusão da culpabilidade decorrente da inexigibilidade de conduta diversa. 
Ex.: se o sujeito é coagido a assinar um documento falso, responde pelo crime de falsi-
dade o autor da coação. O coato não responde pelo crime, uma vez que sobre o fato incide a 
causa de exclusão da culpabilidade. Assim, quando o sujeito comete o fato típico e antijurídico 
sob coação moral irresistível, não há culpabilidade em face da inexigibilidade de outra conduta 
(não é reprovável o comportamento). A culpabilidade desloca-se da figura do coato para a do 
coator. 
Convém sinalar que, se o sujeito pratica o fato sob coação física irresistível, não praticará 
crime por ausência de conduta. Trata-se de causa excludente da tipicidade. 
 
2.11.2. Obediência hierárquica 
A ordem não manifestamente ilegal é aquela que revela aparente legalidade, mas que, na 
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realidade, é contrária ao direito. O subordinado, por força da ordem emanada do superior hierár-
quico, realiza a conduta que lhe foi ordenada, considerando-a lícita, quando, na realidade, cons-
titui fato típico e ilícito. 
Tomemos como exemplo a hipótese de um Delegado de Polícia que determina a um ins-
petor de polícia recém-empossado na instituição que conduza um desafeto até a Delegacia, sem 
nenhuma razão plausível para isso. Desconhecendo os motivos do superior hierárquico, o su-
bordinado cumpre estritamente a ordem. Nesse caso, o subordinado não será responsabilizado 
criminalmente, já que incide em seu favor a causa excludente de culpabilidade. O crime de abuso 
de autoridade deve ser atribuído exclusivamente ao autor da ordem. 
Se a ordem for manifestamente ilegal, tanto o superior hierárquico quanto o subordinado 
responderão pelo delito praticado. Nesse caso, para o superior hierárquico incide a agravante 
genérica descrita no art. 62, III, 1ª parte, do CP. E em relação ao subordinado, aplica-se a ate-
nuante prevista no art. 65, III, c, do CP. 
 
2.12. Excludentes de ilicitude (art. 23 do CP) 
As causas legais de exclusão de ilicitude estão previstas no art. 23 do CP: estado de 
necessidade, legítima defesa, estrito cumprimento do dever legal e exercício regular do direito. 
 
2.12.1. Estado de necessidade (art. 24 do CP) 
Tem como fundamento um estado de perigo para certo interesse jurídico, que somente 
pode ser resguardado mediante a lesão de outro. 
Ex.: um pedestre joga-se na frente de um motorista, que, para preservar a vida humana, 
opta por desviar e colidir com outro que se encontrava estacionado nas proximidades. Entre 
sacrificar uma vida e um bem material, o agente fez a opção claramente mais razoável. Não 
pratica crime de dano, pois o fato, apesar de típico, não é ilícito. 
 
2.12.2. Legítima defesa (art. 25 do CP) 
A legítima defesa, nos termos em que é proposta pelo nosso Código Penal, exige a pre-
sença simultânea dos seguintes requisitos: a) agressão injusta; b) atual ou iminente; c) contra 
direito próprio ou alheio; d) reação com os meios necessários; e) moderação no uso dos meios 
necessários; f) elemento subjetivo: consciência de que está reagindo a injusta agressão. 
A agressão injusta deve decorrer de ação ou omissão humana. Não há legítima defesa 
1ª Fase | 42° Exame da OAB 
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contra ataque instintivo e espontâneo de um animal, porque ausente consciência e vontade ine-
rente à agressão. Nesse caso, como vimos, o agente estará diante de uma situação de perigo, 
ensejando a incidência do estado de necessidade. 
Convém registrar, no entanto, que, se o agente atiça um animal, cão feroz, por exemplo, 
a atacar a vítima, estaremos diante de uma agressão injusta, não em decorrência do comporta-
mento do animal, mas pela conduta do agente instigador, que usou o cão como verdadeira arma 
ou instrumento de ataque. Nesse caso, tratando-se de agressão injusta humana (agente que 
atiçou o animal a atacar), a vítima poderá praticar um fato típico, que não será ilícito, porque 
estará amparada pela legítima defesa. 
A Lei nº 13.964/2019 introduziu o parágrafo único ao art. 25 do CP, segundo o qual “Ob-
servados os requisitos previstos no caput deste artigo, considera-se também em legítima defesa 
o agente de segurança pública que repele agressão ou risco de agressão a vítima mantida refém 
durante a prática de crimes”. É o caso, por exemplo, de o agente de segurança efetuar disparos 
contra o sujeito que, durante a prática de roubo a banco, mantém vítima refém. 
 
2.12.3. Estrito cumprimento do dever legal 
Estará ao abrigo do estrito cumprimento do dever legal o agente que praticar um fato típico 
em face do cumprimento de um dever observando rigorosamente os limites impostos pela lei, de 
natureza penal ou não. Ex.: policial que prende o agente em flagrante ou mediante cumprimento 
de mandado de prisão, embora atinja o seu direito de liberdade, não comete crime algum, porque 
amparado pelo estrito cumprimento do dever legal. 
 
2.12.4. Exercício regular de direito 
A Constituição Federal dispõe que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer al-
guma coisa senão em virtude de lei (art. 5°, II). Logo, se a lei autoriza o agente a praticar deter-
minada conduta, não poderá, à evidência, considerá-la ilícita. 
Qualquer pessoa pode exercitar um direito subjetivo ou uma faculdade prevista em lei 
(penal ou extrapenal). Exemplo clássico é do particular que realiza a prisão em flagrante, con-
forme prevê o art. 301 do CPP. A prática de determinadas atividades esportivas produz, invaria-
velmente, lesões corporais, tais como o futebol, o boxe e a luta livre. 
 
2.12.5. Consentimento do ofendido 
1ª Fase | 42° Exame da OAB 
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O consentimento do ofendido, como causa excludente de ilicitude, incide nos crimes em 
que é o único titular do bem ou interesse penalmente tutelado, e que pode dele livremente dispor, 
ou seja, somente em relação a bens disponíveis. 
As infrações penais que geralmente admitem a possibilidade do consentimento do ofen-
dido, por tutelarem, em regra, bens disponíveis, envolvem: a) crimes contra o patrimônio, prati-
cados sem violência ou grave ameaça; b) crimes contra a integridade física; c) crimes contra a 
honra; d) crimes contra a liberdade individual. 
Ex.: imaginemos que o agente está praticando a subtração de um celular, momento em 
que é avistado pela vítima, que consente com o desapossamento, por considerar que as funções 
do aparelho já estão superadas. O fato é típico, pois se enquadra na descrição do modelo de 
conduta proibida prevista no art. 155 do CP; não será, contudo, ilícito, por força do consentimento 
da vítima, já que se trata de bem disponível. 
 
3. Da Imputabilidade Penal 
 
3.1. Inimputabilidade por doença mental, desenvolvimento mental in-
completo ou desenvolvimento mental retardado (art. 26, caput, do CP) 
A inimputabilidade pela enfermidade mental é aferida pelo critério biopsicológico. Isso sig-
nifica que, além de o agente estar acometido da enfermidade, é necessário que, em consequên-
cia desse estado biológico, o agenteseja, no momento da conduta, inteiramente incapaz de 
entender o caráter ilícito do fato ou de determinar- se de acordo com esse entendimento. 
A natureza jurídica da sentença que reconhece a inimputabilidade pela enfermidade men-
tal é absolutória imprópria, pois o juiz aplicará medida de segurança, consistente em internação 
em hospital de custódia ou tratamento ambulatorial, nos termos do art. 386, par. ún., III, do CPP. 
O período de duração da medida de segurança, segundo o Código Penal, é por tempo 
indeterminado, perdurando enquanto não ficar constada a cessação da periculosidade do agente 
(art. 97, § 1º, do CP). Como forma de evitar a aplicação de uma sanção de caráter perpétuo, o 
STJ estabeleceu um limite para o prazo de duração da medida de segurança, que seria o cor-
respondente à pena máxima cominada ao delito pelo qual o agente foi acusado, conforme se 
extrai da Súmula 527 do STJ. 
A semi-imputabilidade ou imputabilidade diminuída ou restrita encontra previsão no art. 
26, par. ún., do CP. Trata-se, na verdade, de uma causa de diminuição da pena. 
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3.2. Da inimputabilidade por embriaguez completa proveniente de caso 
fortuito ou força maior (art. 28, § 1°, do CP) 
Quando a embriaguez acidental, proveniente de caso fortuito ou força maior, for completa, 
ou seja, apta a deixar o agente, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de en-
tender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento, há exclu-
são da imputabilidade, nos termos do que dispõe o art. 28, § 1°, do CP. 
Quando a embriaguez acidental, proveniente de caso fortuito ou força maior, é incompleta, 
não há exclusão da imputabilidade. O sujeito responde pelo crime com a pena atenuada, desde 
que haja redução de sua capacidade intelectiva ou volitiva. A sentença é condenatória. Aplica-
se o disposto no art. 28, § 2º, do CP. 
A embriaguez voluntária ou culposa não excluem a imputabilidade (art. 28, II, do CP). 
 
4. Concurso de Pessoas (arts. 29, 30 e 31 do CP) 
 
4.1. Conceito 
Ocorre quando duas ou mais pessoas, em conjugação de esforços e comunhão de von-
tades, reúnem-se para a prática de um ou mais delitos. 
 
4.2. Requisitos 
4.2.1. Pluralidade de condutas 
Para que haja concurso de pessoas, exige-se que cada um dos agentes tenha realizado 
ao menos uma conduta relevante. Pode ser em coautoria, em que há duas condutas principais; 
ou autoria e participação, em que há uma conduta principal e outra acessória, praticadas, res-
pectivamente, por autor e partícipe. 
 
4.2.2. Relevância causal das condutas 
Para justificar a punição de duas ou mais pessoas em concurso, afigura-se necessário 
que a conduta do agente tenha efetivamente contribuído, ainda que minimamente, para a produ-
ção do resultado. Em outras palavras, se a conduta não tem relevância causal, isto é, se não 
contribuiu em nada para a produção do resultado, não pode ser considerada integrante do con-
curso de pessoas. 
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Ex: empregada doméstica, desejando se vingar da patroa, após verificar a presença de 
um cidadão com atitude de quem pretendia ingressar na residência para praticar subtração, deixa 
a porta da frente aberta. Contudo, o cidadão ingressa na residência pela porta dos fundos. Nesse 
caso, como a conduta da empregada doméstica foi absolutamente irrelevante para a subtração, 
ela não será responsabilizada criminalmente. 
 
4.2.3. Do liame subjetivo e normativo (vínculo subjetivo e normativo en-
tre os participantes) 
Os agentes devem atuar conscientes de que participam de crime comum, ainda que não 
tenha havido acordo prévio de vontades. Ou seja, devem agir em busca da produção de um 
mesmo resultado. 
Ex.: uma empregada doméstica, percebendo a presença de um ladrão, para vingar-se do 
patrão, deliberadamente deixa a porta aberta, facilitando a prática do furto. O agente ingressa 
pela porta da frente e pratica a subtração. Embora não tenha ocorrido ajuste prévio, há vínculo 
subjetivo entre a conduta da empregada doméstica e do ladrão, já que ambos pretendiam a 
subtração de objetos na residência. Por isso, a empregada responderá pelo crime de furto qua-
lificado pelo concurso de pessoas (art. 155, § 4º, IV, do CP), ao passo que o outro agente pelo 
crime de furto simples, já que não sabia que estava sendo auxiliado, ou seja, não sabia que outra 
pessoa concorreu para a prática do furto. 
 
4.2.4. Identidade de infração para todos os participantes 
Nos termos do art. 29 do CP, todos que concorrem para o crime respondem pelo mesmo 
delito, na medida de sua culpabilidade. 
 
4.3. Participação de menor importância (art. 29, § 1º, do CP) 
Essa causa de diminuição da pena alcança somente o partícipe. 
Imaginemos que o agente apenas deu carona para o comparsa até o local onde ele iria 
praticar a subtração e foi embora. Nesse caso, concorreu para o crime de furto, já que, se não 
tivesse dado carona ao comparsa, o furto não teria ocorrido da forma como ocorreu. Todavia, a 
participação foi de menor importância, podendo o agente que deu carona responder pelo crime 
de furto qualificado pelo concurso de pessoas, com a pena diminuída em 1/6 a 1/3. 
 
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4.4. Da cooperação dolosamente distinta ou desvio subjetivo entre os 
participantes (art. 29, § 2º, do CP) 
O agente que desejava praticar um delito, sem a condição de prever a concretização de 
crime mais grave, deve responder pelo que pretendeu fazer, não se podendo a ele imputar outra 
conduta indesejada, sob pena de se estar tratando de responsabilidade objetiva. 
Ex.: “A” determina a “B” que espanque “C”. “B” mata “C”. Segundo o art. 29, § 2º, “A” 
responde por crime de lesão corporal, cuja pena deve ser aumentada até metade se a morte da 
vítima lhe era previsível. 
 
4.5. Comunicabilidade dos elementares e circunstâncias do crime (art. 
30 do CP) 
Via de regra, as circunstâncias e condições pessoais relacionadas a um dos agentes não 
se comunica aos outros que contribuíram para a prática delituosa. 
Todavia, há determinadas circunstâncias ou condições pessoais que compõem, integram 
o tipo penal, figurando, no caso, como verdadeira elementar no tipo penal. Nesse caso, quando 
também constituem o tipo penal, ou seja, figuram como elementares do tipo penal, as circuns-
tâncias ou condições pessoais relacionadas a um dos sujeitos se comunicam aos demais coau-
tores ou partícipes. 
Ex.: “A”, funcionário público, comete um crime de peculato (art. 312), com a participação 
de “B”, não funcionário público. A condição pessoal (funcionário público) é elementar do crime 
de peculato, comunicando-se, portanto, ao agente que não é funcionário público. Logo, os dois 
respondem por crime de peculato. 
De outro lado, as circunstâncias objetivas alcançam o partícipe ou coautor se, sem haver 
praticado o fato que as constitui, integraram o dolo ou culpa. 
Ex.: “A” instiga “B” a praticar homicídio contra “C”. “B”, para a execução do crime, emprega 
asfixia. O partícipe não responde por homicídio qualificado (art. 121, § 2º, III, 4ª figura), a não ser 
que o meio de execução empregado pelo autor principal tenha ingressado na esfera de seu 
conhecimento. 
5. Aplicação da Pena 
 5.1. Regime inicial de cumprimento de pena (art. 33 do CP) 
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Após estabelecer a quantidade da pena imposta da sentença, cumpre ao juiz fixar o re-
gime inicial de cumprimento da pena privativa de liberdade, levando em conta: a) a quantidade 
da pena imposta; b) a reincidência; c) as circunstâncias judiciais do art. 59 do CP. 
Nos termos do art. 33, caput, do CP, nos crimes apenados com reclusão, o juiz poderá 
fixar o regime inicial fechado, semiaberto ou aberto. Aos crimes apenados com detenção, o juiz 
poderá fixar o regime inicial semiaberto ou aberto. 
Logo, nos crimes apenados com detenção, não é possívelao juiz fixar o regime inicial 
fechado, podendo, no entanto, haver regressão para o regime fechado, no caso, por exemplo, 
de falta grave. 
O início do cumprimento da pena para os crimes apenados com reclusão dar-se-á da 
seguinte forma, nos termos do art. 33, § 2º, do CP: 
a) o condenado a pena superior a oito anos deverá começar a cumprir a pena privativa 
de liberdade no regime fechado; 
b) o primário, cuja pena seja superior a quatro anos e não exceda a oito, poderá, 
desde o princípio, cumpri-la em regime semiaberto; 
c) o primário, cuja pena seja igual ou inferior a quatro anos, poderá, desde o início, 
cumpri-la em regime aberto. 
 
Cuidado: 
Súm. nº 269 do STJ: É admissível a adoção do regime prisional semi-aberto aos reinci-
dentes condenados à pena igual ou inferior a 4 anos se favoráveis as circunstâncias judi-
ciais. 
 
Nos crimes apenados com detenção, os critérios para a definição do regime inicial são os 
seguintes: 
a) se a pena for superior a quatro anos, o juiz fixará o regime inicial semiaberto; 
b) se a pena for igual ou inferior a quatro anos, o regime inicial será o aberto; 
c) se o condenado for reincidente, o regime inicial será o semiaberto, independente-
mente da quantidade da pena. 
 
Além disso, a imposição de regime inicial mais severo depende de fundamentação ade-
quada, não se revestindo a gravidade em abstrato do delito motivação idônea para a fixação do 
regime de cumprimento de pena mais severo do que a pena aplicada exigir. É o que se extrai 
das Súm. nº 718 e 719 do STF, e Súm. nº 440 do STJ. 
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5.2. Penas restritivas de direitos (art. 44 do CP) 
5.2.1. Conceito 
Nos termos do art. 43 do CP, as penas restritivas de direitos são: a) prestação pecuniária; 
b) perda de bens e valores; c) prestação de serviço à comunidade ou a entidades públicas; d) 
interdição temporária de direitos; e) limitação de fim de semana. 
As penas restritivas de direitos são substitutivas, uma vez que o juiz, depois de fixar a 
pena privativa de liberdade, verificando a presença dos requisitos, efetua a substituição por uma 
ou mais penas restritivas de direitos, conforme o caso. Isso porque não há, no preceito secun-
dário dos tipos penais incriminadores, previsão direta de pena restritiva de direitos, mas tão so-
mente pena privativa de liberdade. 
 
5.2.2. Requisitos objetivos 
a) Quantidade da pena aplicada: o legislador estabeleceu como parâmetro para a con-
cessão da pena restritiva de direitos a pena aplicada na sentença, independentemente da pena 
abstratamente cominada no preceito secundário do tipo penal. 
Nos crimes dolosos, praticados sem violência ou grave ameaça, apenados com reclusão 
ou detenção, o limite estabelecido pelo legislador é de 4 (quatro) anos. 
No caso de condenação por crime culposo, a substituição será possível, independente-
mente da quantidade da pena imposta, não existindo tal requisito, ainda que resulte violência 
contra a pessoa, por exemplo, no homicídio culposo do Código Penal (art. 121, § 3º) e no homi-
cídio culposo na condução de veículo automotor (art. 302 do CTB). 
Cuidado: nos termos do art. 312-B do CTB, se o agente for condenado pela prática do 
crime de homicídio culposo na condução de veículo automotor qualificado por estar sob efeito 
de álcool (art. 302, § 3º, do CTB), ou pelo crime de lesão corporal culposa na condução de veículo 
automotor sob o efeito de álcool, resultando em lesão corporal gravíssima, não terá direito ao 
benefício da substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos (art. 303, § 2º, 
CTB). 
b) Natureza do crime cometido: em relação aos crimes dolosos, as penas restritivas de 
direitos são aplicáveis aos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa. Nos cri-
mes culposos, será possível a aplicação do benefício, ainda que tenha decorrido crime a partir 
de resultado violento (homicídio culposo, por exemplo), já que não havia dolo de violência ou 
grave ameaça na conduta do agente. 
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5.2.3. Requisitos subjetivos 
Os requisitos subjetivos levam em conta as características pessoais do sentenciado. 
a) Réu não reincidente em crime doloso: nos termos do art. 44, II, do CP, para conces-
são do benefício, é necessário que o sujeito não seja reincidente em crime doloso. O texto não 
trata de qualquer reincidente. Refere-se ao não reincidente em crime “doloso”, de modo que não 
há impedimento à aplicação da pena alternativa quando: a) os dois delitos são culposos; b) o 
anterior é culposo e o posterior é doloso; c) o anterior é doloso e o posterior culposo. 
Ainda que o réu seja reincidente em crime doloso, o Código Penal, no seu art. 44, § 3º, 
prevê uma exceção. Se, em face de condenação anterior, a medida for socialmente recomendá-
vel e a reincidência não se tenha operado em virtude da prática do mesmo crime, será possível 
aplicar a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos. 
b) A culpabilidade, os antecedentes, a conduta ou a personalidade ou ainda os mo-
tivos e circunstâncias recomendarem a substituição: conforme o art. 44, III, do CP, “a culpa-
bilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do condenado, bem como os mo-
tivos e as circunstâncias indicarem que essa substituição seja suficiente”. 
Convém notar que esses requisitos praticamente reproduzem as circunstâncias judiciais 
previstas no art. 59, caput, do CP, com exceção de duas: comportamento da vítima e conse-
quências do crime, coincidentemente as únicas de natureza objetiva. Logo, verifica-se que o art. 
44, III, do CP somente levou em conta as circunstâncias subjetivas. 
 
5.2.4. Penas restritivas de direitos e violência doméstica ou familiar con-
tra a mulher 
Nos termos do art. 17 da Lei nº 11.340/2006, conhecida como Lei Maria da Penha, “É 
vedada a aplicação, nos casos de violência doméstica e familiar contra a mulher, de penas de 
cesta básica ou outras de prestação pecuniária, bem como a substituição de pena que implique 
o pagamento isolado de multa”. 
Conforme a Súm. nº 588 do STJ, a prática de crime ou contravenção penal contra a mulher 
com violência ou grave ameaça no ambiente doméstico impossibilita a substituição de pena pri-
vativa de liberdade por restritiva de direitos. 
 
5.3. Da pena de multa (arts. 49, 50, 51 e 60 do CP) 
5.3.1. Conceito 
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Trata-se de uma sanção penal, de natureza patrimonial, consistente no pagamento de 
determinada quantia em pecúnia, previamente fixada em lei, em favor do Fundo Penitenciário 
Nacional. 
 
5.3.2. Critério de fixação da pena de multa 
Diversamente da pena privativa de liberdade, cujo sistema é o trifásico, a aplicação da 
pena de multa observa um sistema bifásico, comportando, pois, duas fases distintas e sucessi-
vas. 
Para o cálculo da pena de multa, o Código Penal adotou o sistema do dia-multa. 
Na 1ª fase, o juiz deverá estabelecer o número de dias-multa, que varia de, no mínimo, 
10 (dez) dias-multa a, no máximo, 360 (trezentos e sessenta) dias-multa. É o que se extrai do 
art. 49 do CP. 
Para chegar ao número de dias-multa, o Magistrado considera as circunstâncias judiciais 
do art. 59, caput, do CP, bem como eventuais atenuantes e agravantes, além de causas de 
diminuição e aumento de pena. 
Na 2ª fase, o juiz deverá fixar o valor do dia-multa, não podendo ser inferior a um trigésimo 
do salário mínimo mensal de referência vigente ao tempo do fato, nem superior a cinco vezes 
esse salário (art. 49, § 1º, do CP). 
Para aferir o valor do dia-multa, o juiz deverá considerar a situação econômica do réu, 
podendo chegar ao triplo, se considerada insuficiente e ineficaz diante da situação financeira do 
réu, conforme dispõe o art. 60 do CP. 
 
5.3.3. Execução da pena de multa 
Conforme o ordenamento jurídico vigente, a inadimplência no pagamento da multa estatal 
não

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