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DIREITO DO CONSUMIDOR PARA EMPREENDEDORES Autora: Cristina de Borborema Areas 2023.2 FIC EAD_ Direito do Consumidor para Empreendedores - 1 Responsabilidade do fornecedor Coordenadora e Organizadora Prof.ª Cristina de Borborema Areas Objetivos Ao final dos estudos desta semana, esperamos que você seja capaz de: Compreender os tipos de responsabilidade dos fornecedores; Distinguir os prazos para reclamação do consumidor; Relacionar a aplicação do conteúdo desta aula em situações práticas. Breve introdução Primeiramente, precisamos compreender que o fornecedor é responsável por eventuais danos que os produtos ou serviços podem provocar aos consumidores, não sendo permitida a inclusão de cláusula contratual que repasse essa responsabilização ao consumidor: A decisão de empreender é livre; o lucro decorrente dessa exploração é legítimo; o risco é total do empreendedor. Isso implica que, da mesma forma como ele não repassa o lucro para o consumidor, não pode, de maneira alguma, passar-lhe o risco. Nenhum risco, mesmo parcial, pode ser repassado. (NUNES, 2011, p.205). De acordo com o disposto no CDC, a responsabilidade do fornecedor é objetiva, ou seja, independe da verificação de culpa ou dolo, bastando a comprovação do nexo de causalidade entre o produto e/ou serviço e o dano. Nexo de causalidade: é o elo entre uma conduta praticada por um sujeito e o resultado desta conduta (dano). FIC EAD_ Direito do Consumidor para Empreendedores - 2 Já a relação de consumo entre profissionais liberais (dentistas, médicos, advogados, dentre outros) é subjetiva, ou seja, precisa da comprovação da ocorrência de culpa ou dolo (intenção de causar prejuízo em suas ações). Isso porque a obrigação dos profissionais liberais é, em geral, obrigação de meio, haja vista compreender a utilização de sua técnica e esforços de acordo com os protocolos técnicos aplicáveis, buscando a obtenção de benefício em linha com o usualmente esperado de sua técnica. Trata-se, portanto, de obrigação de cuidado, de diligência e perícia. Entretanto, quando a obrigação contratada pelo consumidor envolver expressamente a obtenção de resultado certo e prometido pelo profissional (como por exemplo, no caso de cirurgia estética), eventual não atingimento da finalidade prometida implicará em presunção de culpa, a qual será tida como do profissional liberal responsável pelo procedimento, a quem incumbirá comprovar a ausência de culpa e/ou o advento de situação de rompimento do nexo de causalidade. Cumpre destacar que o CDC disciplinou em seu art. 7º a responsabilidade solidária entre todos os fornecedores para reparação dos danos causados ao consumidor. Sendo assim, o consumidor pode escolher qualquer um dos fornecedores, pois todos respondem pelos danos causados. Todavia o responsável que for acionado, após indenizar o consumidor, poderá voltar-se contra os outros responsáveis solidários com o fito de ressarcimento ou divisão dos gastos. Responsabilização pelo fato do produto A responsabilidade pelo fato do produto tem como pressuposto a existência de produto/ serviço defeituoso, ou seja, que não apresenta a segurança esperada e, em razão de evento externo O profissional liberal é aquele que elabora regras pessoais de atendimento aos seus clientes, possui autonomia profissional, ou seja, não está subordinado a outrem, presta pessoalmente o serviço e sua atuação é lícita e eticamente admitida. A culpa pode ser caracterizada por 3 modalidades: 1)Imprudência (falta de cuidado + ação); 2)Negligência (falta de cuidado + omissão); 3)Imperícia (falta de qualificação geral para desempenho de uma atribuição). FIC EAD_ Direito do Consumidor para Empreendedores - 3 (acidente de consumo), coloca em risco a incolumidade física-psíquica do consumidor. Em termos de responsabilização, a regra é que todos os fornecedores envolvidos na relação de consumo são responsáveis solidários, assegurado o direito de regresso àquele que ressarciu o dano, de acordo com a participação na causação do evento danoso. Nesse sentido são considerados fornecedores: aqueles que fabricam, produzem e constroem (fornecedores reais); os que importam produtos industrializados ou in natura (fornecedores presumidos) e aqueles que colocam o seu nome no produto final (fornecedores aparentes). Observe que na responsabilização pelo fato do produto os responsáveis são: o fabricante, o produtor, o construtor e o incorporador. Na ocorrência do fato do produto, a responsabilidade do comerciante só ocorrerá quando: o fabricante, o construtor, o produtor ou o importador não puderem ser identificados; o produto for fornecido sem identificação clara do seu fabricante, produtor, construtor ou importador; não conservar adequadamente os produtos perecíveis. Já a responsabilidade dos produtos in natura (verduras, legumes, vegetais, carnes, aves e peixes, dentre outros, que vão ao mercado diretamente do produtor e não passa pelo sistema de industrialização e empacotamento) é do fornecedor imediato, ou seja, do lojista, feirante, dono do mercado, exceto quando identificado claramente o seu produtor. Para exemplificar a responsabilização solidária dos fornecedores, podemos citar o seguinte caso hipotético: um FIC EAD_ Direito do Consumidor para Empreendedores - 4 consumidor foi a padaria comprar peito de peru. Como a refrigeração dos laticínios não estava na temperatura correta e devido à má conservação do produto, o consumidor passou mal por intoxicação alimentar. Embora a responsabilidade seja solidária entre o produtor e o comerciante, o consumidor preferiu demandar apenas o produtor. O juiz entendeu que a empresa fabricante foi considerada responsável e a condenou ao pagamento de indenização por danos morais ao consumidor. Após isso, a empresa condenada exerceu o direito de regresso em face do comerciante da padaria, para reaver os gastos com o consumidor nos termos do art. 13 do CDC. Entretanto, se o comerciante for condenado a efetivar o pagamento ao prejudicado, este poderá exercer o direito de regresso contra os demais responsáveis, segundo sua participação na causação do evento danoso. A pretensão à reparação pelos danos causados por fato do produto prescreve em cinco anos, iniciando-se a contagem do prazo a partir do conhecimento do dano e de sua autoria. Responsabilização pelo fato do serviço O serviço é considerado defeituoso quando não fornece a segurança que o consumidor dele pode esperar, levando-se em conta as circunstâncias relevantes, tais como o modo do seu fornecimento, o resultado e os riscos que razoavelmente dele se esperam e a época em que foi fornecido. Nesses casos, o fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos. FIC EAD_ Direito do Consumidor para Empreendedores - 5 Ocorre o fato do serviço quando há a presença de um vício de segurança do produto ou do serviço, que expõe a risco a segurança pessoal e a incolumidade físico-psíquica do consumidor. São exemplos de fato do serviço: uma dedetização cuja aplicação de veneno seja feita em dosagem acima do recomendado, causando intoxicação no consumidor; um serviço de pintura realizado com tinta tóxica, igualmente causando intoxicação e uma instalação de kit-gás em automóvel, que venha a provocar um incêndio no veículo. Responsabilização pelo vício do produto Os fornecedores de produtos de consumo duráveis ou não duráveis respondem solidariamente pelosvícios de qualidade ou quantidade que os tornem impróprios ou inadequados ao consumo a que se destinam ou lhes diminuam o valor, assim como por aqueles decorrentes da disparidade, com a indicações constantes do recipiente, da embalagem, rotulagem ou mensagem publicitária, respeitadas as variações decorrentes de sua natureza, podendo o consumidor exigir a substituição das partes viciadas. Todavia, a responsabilização pelo vício do produto não é para sempre pois todos os produtos sofrem deteriorações decorrente do uso. Dessa forma para a caraterização da presença ou não de um vício no produto deve-se observar a vida útil do mesmo, ainda que o prazo de garantia tenha expirado. Logo, o fornecedor permanece responsável por garantir o desempenho do produto ou do bem durante todo o período de vida útil estimada. Em relação à responsabilidade do comerciante pelo vício do produto, a mesma é solidária e objetiva, diferentemente da responsabilidade pelo fato do produto, em que o comerciante responde apenas de forma subsidiária. FIC EAD_ Direito do Consumidor para Empreendedores - 6 Nos casos de vício de qualidade do produto, se o mesmo não for sanado no prazo máximo de 30 (trinta) dias, o consumidor poderá exigir, alternativamente e à sua escolha: substituição do produto por outro da mesma espécie, em perfeitas condições de uso; restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de eventuais perdas e danos; abatimento proporcional do preço. Contudo, se, em razão da extensão do vício, a substituição das partes viciadas puder comprometer a qualidade ou características do produto, diminuir-lhe o valor ou se tratar de produto essencial, o consumidor poderá fazer uso imediato das alternativas, dispensando-se o prazo de 30 dias. Cumpre destacar que nas hipóteses em que o fornecedor devolve o produto e o vício reaparece, o STJ tem entendido que não há renovação com nova concessão do prazo de 30 dias para o conserto, mas sim uma espécie de suspensão do prazo, o que daria ao fornecedor, em tese, apenas o prazo remanescente dos trinta dias anteriores para conserto do bem. (Ex.: liquidificador apresenta vício. O consumidor deixa para conserto na rede credenciada por 12 dias e o retira supostamente sanado. Entretanto, o mesmo vício reaparece ocasião em que o fabricante ou vendedor disporia de apenas 18 dias para consertá- lo). Esse prazo de 30 dias previsto pelo CDC pode ser reduzido ou ampliado, desde que não seja inferior a sete e nem superior a cento e oitenta dias, devendo a cláusula de alteração, ser convencionada em separado e alvo de ciência expressa do consumidor. Ocorre que nos casos de produto ou serviço essencial o prazo de 30 dias não precisa ser observado. FIC EAD_ Direito do Consumidor para Empreendedores - 7 Se o consumidor optar pela substituição do produto por um novo e essa substituição não for possível por ter o produto parado de ser produzido, é possível a “substituição por outro de espécie, marca ou modelo diversos, mediante complementação ou restituição de eventual diferença de preço”. No caso de vício de produtos “in natura” (ex.: vegetais, frutas e alimentos), apenas o produtor irá responder se este for identificado claramente pelo comerciante que expõe o produto à venda. Já o vício na quantidade do produto ocorre sempre que, respeitadas as variações decorrentes de sua natureza, o conteúdo líquido for inferior às indicações constantes do recipiente, da embalagem, rotulagem ou de mensagem publicitária, podendo o consumidor exigir, nestes casos, alternativamente e à sua escolha: abatimento proporcional do preço; complementação do peso ou medida; substituição do produto por outro da mesma espécie, marca ou modelo, sem os aludidos vícios; restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de eventuais perdas e danos. A responsabilidade no caso de quantidade de produto é solidária entre os fornecedores, mas o fornecedor imediato será diretamente responsável quando fizer a pesagem ou a medição e o instrumento utilizado não estiver aferido segundo os padrões oficiais. Consideram-se vícios de qualidade, as falhas que os tornem impróprios ao consumo ou lhes diminuam o valor, assim como por aqueles decorrentes da disparidade com as indicações constantes da oferta ou da mensagem publicitária. Pode-se citar como exemplo, a geladeira que não gela, o ferro elétrico que não esquenta, dentre outros. FIC EAD_ Direito do Consumidor para Empreendedores - 8 Responsabilidade civil pelo vício do serviço Segundo o art. 20, § 2º do CDC, são considerados como “impróprios” os serviços que se mostrem inadequados para os fins que razoavelmente deles se esperam, bem como aqueles que não atendam as normas regulamentares de prestabilidade. Sendo assim, o fornecedor de serviços responde pelos vícios de qualidade que os tornem impróprios ao consumo; vícios que diminuam o valor do serviço e vícios decorrentes da disparidade com as indicações constantes da oferta ou mensagem publicitária. Note-se, ainda, que no caso do vício do serviço inexiste a necessidade de se aguardar o prazo de trinta dias para reparação, pois se presume que a reexecução do serviço, em sendo constatado o vício, deve ser imediata. Ademais, releva destacar que a reexecução dos serviços poderá ser confiada a terceiros devidamente capacitados, por conta e risco do fornecedor.” No caso de vício do serviço aplica-se a regra de solidariedade, entre todos os envolvidos com a prestação. Nesses casos, de acordo com o art. 20 do CDC, o consumidor poderá exigir, alternativamente e a sua escolha: reexecução dos serviços, sem custo adicional e quando cabível, que poderá ser confiada a terceiros devidamente capacitados, por conta e risco do fornecedor; restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de eventuais perdas e danos; o abatimento proporcional do preço. FIC EAD_ Direito do Consumidor para Empreendedores - 9 Podemos citar como exemplos de vício do serviço a dedetização que não mata ou afasta insetos; a película automotiva mal fixada, que vem a descascar; o conserto mal executado de um celular, que faz com que o aparelho não funcione etc. Excludentes da responsabilidade do fornecedor por defeito do produto ou serviço O CDC no art. 12, §3º indica três excludentes de responsabilidade do fornecedor pelo defeito do produto: não ter colocado o produto no mercado; embora tenha colocado no mercado, o defeito não existe; culpa pelo acidente tenha sido exclusiva do consumidor ou de terceiro. Em relação as excludentes de responsabilidade pelo fato do serviço, o fornecedor apenas se eximirá da responsabilidade de indenizar quando provar que, tendo prestado o serviço, o defeito inexiste e culpa exclusiva do consumidor ou de terceiros. Importante destacar que o produto mesmo sendo amostra grátis está sujeito a todas as exigências legais como proteção contra vícios, defeitos, além da qualidade, garantia, durabilidade, etc. Prazo para resolução do fato e vício do produto ou serviço Nos casos de vício do produto, o fornecedor pode saná-lo em prazo não superior a trinta dias (art. 18, § 1º do CDC) e, no caso de vício de serviço, ao consumidor cabe optar entre exigir a reexecução dos serviços; a restituição do preço corrigido, sem prejuízo de eventuais perdas e danos, ou o abatimento proporcional do preço. Sendo a hipótese de vício do produto não sanado em trinta dias, cabe ao consumidor exigir: a substituição do produto por outro que esteja em perfeitas condições de uso; a restituição da quantia paga, FIC EAD_ Direito do Consumidor para Empreendedores - 10 devidamente corrigida, sem prejuízo de eventuais perdase danos ou o abatimento proporcional do preço. O consumidor poderá fazer uso imediato das alternativas acima sempre que, em razão da extensão do vício, a substituição das partes viciadas puder comprometer a qualidade ou características do produto, diminuir-lhe o valor ou se tratar de produto essencial. Em ambos os casos, as partes (fornecedor e consumidor) poderão convencionar a redução ou ampliação do prazo acima, não podendo ser inferior a sete nem superior a cento e oitenta dias. Nos contratos de adesão, a cláusula de prazo deverá ser convencionada em separado, por meio de manifestação expressa do consumidor. Em regra, consumidor só poderá ajuizar a ação, se o fornecedor não sanar o vício, reparando a coisa, no prazo de 30 dias. Este prazo, que é de garantia, pode ser ampliado, no contrato, para o máximo de 180 dias ou diminuído para até 07 dias. Trata-se de um prazo de garantia, é impeditivo, portanto, do início da fluência do prazo decadencial que veremos no próximo tópico. Dessa forma, se o produto que o consumidor comprou apresenta um vício, ele tem o direito de ter esse vício sanado no prazo de 30 dias (art. 18, § 1º do CDC). Para isso, o consumidor pode escolher para quem levará o produto a fim de ser consertado: a) para o comerciante; b) para a assistência técnica ou c) para o fabricante. No caso de não ser possível a substituição do bem, poderá haver substituição por outro da mesma espécie, marca ou modelo diverso, mediante complementação ou restituição de eventual diferença de preço. No caso de reexecução dos serviços, a mesma poderá ser confiada a terceiros devidamente capacitados, por conta e risco do fornecedor. FIC EAD_ Direito do Consumidor para Empreendedores - 11 No fornecimento de serviços que tenham por objetivo a reparação de qualquer produto considerar-se-á implícita a obrigação do fornecedor de empregar componentes de reposição originais adequados e novos, ou que mantenham as especificações técnicas do fabricante, salvo, quanto a estes últimos, autorização em contrário do consumidor. Prazos para reclamação O direito de reclamar dos vícios de produtos e serviços e a pretensão de reparar eventuais danos deles decorrentes submetem-se aos prazos decadencial e prescricional. O prazo decadencial é aplicável aos vícios e o prazo prescricional à pretensão indenizatória decorrente de acidentes de consumo (fato/defeito) Sendo assim, os danos causados por fato do produto e do serviço, prescreve em cinco anos a pretensão à reparação pelos danos causados, iniciando-se a contagem do prazo a partir do conhecimento do dano e de sua autoria (art. 27 do CDC). Em relação ao vício do produto ou serviço o direito de reclamar decairá em 30 (trinta) ou 90 (noventa) dias, conforme se trate de produtos ou serviços não duráveis ou duráveis. Veja a figura abaixo: FIC EAD_ Direito do Consumidor para Empreendedores - 12 No caso de vício oculto, é importante destacar que o prazo decadencial inicia-se no momento em que ele (o vício) se evidenciar. A reclamação formulada pelo consumidor obsta o transcurso do prazo decadencial. Caso o fornecedor negue-se a sanar o vício, o prazo decadencial recomeça no dia seguinte a resposta negativa. Quando, após a reclamação, o fornecedor recebe o produto para realizar o conserto (art. 18), o prazo permanece obstado. Caso o conserto não se realize a contento (não se efetive), o prazo para a reclamação judicial recomeça após a devolução do produto ao consumidor. Contudo, a reclamação realizada perante o PROCON não suspende o prazo decadencial. Nos casos de o fornecedor conceder prazo de garantia, a mesma deverá ser fornecida por escrito e o seu prazo é complementar à garantia legal, ou seja, primeiro computa-se o prazo de garantia contratual e depois será acrescido do prazo da garantia legal. Prazo decadencial Produto não durável ( perecível) -30 dias Se o vício for aparente, começa da entrega do bem ou do término da prestação do serviço. Se o vício for oculto, o prazo inicia-se no momento que ficar evidenciado o defeito. Produto durável-90 dias Se o vício for aparente começa a partir da entrega do bem ou do término da prestação do serviço. Se o vício for ocukto o prazo inicia-se no momento que for evidenciado o defeito FIC EAD_ Direito do Consumidor para Empreendedores - 13 Por fim, cabe destacar que: o art. 26 do CDC permite a venda de produtos ou serviços com vícios aparentes ou de fácil constatação mediante abatimento no preço. Nestes casos, o consumidor precisa ser informado para impedir o acionamento da garantia legal pelo consumidor em razão dos vícios aparentes que já se encontravam presentes no momento da aquisição. Quadro- resumo Compreendidos os tipos de responsabilização previstos no CDC, podemos sintetizar o conteúdo estudado nos seguintes quadros: Tipos de responsabilidade Responsabilidade pelo vício do produto. Há solidariedade entre fabricante e comerciante Responsabilidade pelo fato do produto ou defeito. Não há solidariedade entre fabricante e comerciante. Presente uma responsabilidade direta ou imediata do fabricante e uma responsabilidade subsidiária ou mediata do comerciante Responsabilidade civil pelo vício do serviço. Há solidariedade entre todos os envolvidos na prestação Responsabilidade civil pelo fato do serviço. Há solidariedade entre todos os envolvidos na prestação (TARTUCE E NEVES, 2021, p. 139) Responsabilidade pelo fato Do produto do fornecedor ( menos o comerciante) do comerciante Do serviço do fornecedor FIC EAD_ Direito do Consumidor para Empreendedores - 14 (Adaptado de GARCIA, 2017) (Adaptado de GARCIA, 2017) Responsabilidade pelo vício Do produto de qualidade de quantidade de qualidade de quantidade FA TO O prejuízo é extrínseco ao bem, ou seja, não há uma limitação da inadequaçaão do produto em si, mas uma inadequação que gera danos além dos produtos. A responsabilidade pelo fato centraliza sua atenção na garantia da incolumidade físico- psiquica do consumidor, protegendo sua saúde e segurança Prescrição FIC EAD_ Direito do Consumidor para Empreendedores - 15 (Adaptado de GARCIA, 2017) Referências BRASIL. Código de Defesa do Consumidor. Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990. GARCIA, Leonardo de Medeiros. Código de Defesa do Consumidor comentado artigo por artigo. Salvador, Juspodium,2016. CAVALIERI FILHO, Sergio. Programa de direito do consumidor. São Paulo: Atlas, 2019. NUNES, Luiz Antônio Rizzato. Comentários ao Código de Defesa do Consumidor. São Paulo, Saraiva, 2011. SOUZA, Sylvio Capanema de. Direito do consumidor. Rio de Janeiro: Forense, 2018. TARTUCE, Flavio; NEVES, Daniel. Manual de Direito do Consumidor. São Paulo: Método, 2022. THEODORO JÚNIOR, Humberto. Direitos do consumidor. Rio de Janeiro: Forense, 2017. Ví ci o O prejuízo é intríseco, estando o bem somente em desconformidade com o fim a que se destina. A responsabilidade pelo vício busca garantir a incolumidade econômica do consumidor Decadência FIC EAD_ Direito do Consumidor para Empreendedores - 16