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Direito do Consumidor - Teoria da Qualidade

Aula teórica de Direito do Consumidor sobre Teoria da Qualidade. Aborda fundamentação legal (arts. 8–28 do CDC), responsabilidade objetiva e solidária, vícios de produtos e serviços, garantia legal e remédios (substituição, restituição, abatimento), prazo de 30 dias e exemplos de produtos impróprios.

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DIREITO DO CONSUMIDOR - AULA TEÓRICA 04 – TEORIA DA QUALIDADE 
1. Fundamentação legal: Título I, cap. IV do CDC, “Da Qualidade de Produtos e 
Serviços, da Prevenção e da Reparação dos Danos”, artigos 8º a 28. 
2. Teoria da qualidade: objetiva o controle da adequação dos produtos e serviços 
colocados no mercado de consumo, assim como por traça as diretrizes para 
garantir a efetiva reparação do consumidor em caso de funcionamento 
inadequado do produto ou serviço adquirido. Regime similar à responsabilidade 
civil do CC. 
3. Peculiaridades do regime consumerista: responsabilidade civil objetiva e 
solidária, inspirada na teoria do risco do CC, de acordo com a qual, quem cria, 
com a sua atividade ou serviço, um risco, deve por ele responder sem culpa, 
inclusive por ter dele se beneficiado economicamente (risco-proveito). 
3.1. Caráter objetivo: a apuração da responsabilidade do fornecedor pelo 
funcionamento inadequado de algum produto ou serviço, assim como por práticas 
abusivas ou inserção de cláusulas contratuais abusivas e por infrações 
administrativas, dá-se de maneira objetiva. Exceções: 1) a responsabilidade dos 
profissionais liberais por acidentes ligados à prestação de seu serviço (nas 
obrigações de resultado há presunção de culpa); e 2) a responsabilidade penal 
diante dos tipos previstos nos arts. 61 a 80 do CDC. 
3.2. Caráter solidário: havendo mais de um fornecedor na cadeia de fornecimento, 
todos serão solidariamente responsáveis por eventual funcionamento inadequado 
do produto ou do serviço, aplicando-se também aos casos de práticas abusivas, 
abusos contratuais e infrações administrativas. Benefício ao consumidor. Vedação 
de denunciação da lide. Exceção: responsabilidade subsidiária do comerciante 
pelo fato do produto (art. 13 do CDC). 
3.3. Vício no produto ou serviço: no vício (arts. 18 a 25 do CDC), há um 
descompasso entre o produto e o serviço oferecido e as legítimas expectativas que 
o consumidor tinha. Atinge o produto ou serviço. 
Qualidade-adequação: os produtos e serviços devem atender ao que 
transpareceram em sua oferta (arts. 30 e 35 do CDC) e ao que razoavelmente dele 
se espera em termos de durabilidade e prestabilidade. 
O dever do fornecedor de reparar os vícios eventualmente encontrados nos 
produtos ou serviços fornecidos no mercado encontra-se geralmente atrelado à 
noção de “garantia legal”, prevista no art. 24 do CDC, independentemente do 
conteúdo contratual e observadas as regras de prescrição e decadência do CDC. 
A garantia contratual é complementar à garantia legal. 
3.3.1. Vício do produto: Os fornecedores de produtos de consumo duráveis ou não 
duráveis respondem solidariamente pelos vícios de qualidade ou quantidade que 
os tornem impróprios ou inadequados ao consumo a que se destinam ou lhes 
diminuam o valor, assim como por aqueles decorrentes da disparidade, com a 
indicações constantes do recipiente, da embalagem, rotulagem ou mensagem 
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publicitária, respeitadas as variações decorrentes de sua natureza, podendo o 
consumidor exigir a substituição das partes viciadas (art. 18 do CDC). 
Rol exemplificativo do § 6º do artigo 18: são impróprios ao uso e consumo: I - os 
produtos cujos prazos de validade estejam vencidos; II - os produtos deteriorados, 
alterados, adulterados, avariados, falsificados, corrompidos, fraudados, nocivos à 
vida ou à saúde, perigosos ou, ainda, aqueles em desacordo com as normas 
regulamentares de fabricação, distribuição ou apresentação; III - os produtos que, 
por qualquer motivo, se revelem inadequados ao fim a que se destinam. 
Violação dos deveres de qualidade (§ 1º do art. 18): não sendo o vício sanado no 
prazo máximo de trinta dias, pode o consumidor exigir, alternativamente e à sua 
escolha: I - a substituição do produto por outro da mesma espécie, em perfeitas 
condições de uso; II - a restituição imediata da quantia paga, monetariamente 
atualizada, sem prejuízo de eventuais perdas e danos; III - o abatimento 
proporcional do preço. 
Segundo o STJ, não há renovação de prazo para correção do vício, mas é possível 
a devolução de prazo remanescente. Possibilidade de redução ou ampliação do 
prazo por convenção com cláusula em separado e com manifestação expressa 
do consumidor, observado o mínimo de 7 e o máximo de 180 dias. 
Possibilidade de inobservância do prazo pelo consumidor sempre que, em razão 
da extensão do vício, a substituição das partes viciadas puder comprometer a 
qualidade ou características do produto, diminuir-lhe o valor ou se tratar de 
produto essencial. 
Em caso de impossibilidade de substituição do produto poderá haver substituição 
por outro de espécie, marca ou modelo diversos, mediante complementação ou 
restituição de eventual diferença de preço, sem prejuízo do disposto nos incisos II e 
III do § 1° supra. 
No caso de fornecimento de produtos in natura, será responsável perante o 
consumidor o fornecedor imediato, exceto quando identificado claramente seu 
produtor. 
Responsabilidade solidária por vício do produto, inclusive do comerciante. 
3.3.2. Vício de quantidade: os fornecedores respondem solidariamente pelos vícios 
de quantidade do produto sempre que, respeitadas as variações decorrentes de 
sua natureza, seu conteúdo líquido for inferior às indicações constantes do 
recipiente, da embalagem, rotulagem ou de mensagem publicitária, podendo o 
consumidor exigir, alternativamente e à sua escolha: I - o abatimento proporcional 
do preço; II - complementação do peso ou medida; III - a substituição do produto 
por outro da mesma espécie, marca ou modelo, sem os aludidos vícios; IV - a 
restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo 
de eventuais perdas e danos (art. 19 do CDC). 
3.3.3. Vício do serviço: O fornecedor de serviços responde pelos vícios de qualidade 
que os tornem impróprios ao consumo ou lhes diminuam o valor, assim como por 
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aqueles decorrentes da disparidade com as indicações constantes da oferta ou 
mensagem publicitária, podendo o consumidor exigir, alternativamente e à sua 
escolha: I - a reexecução dos serviços, sem custo adicional e quando cabível; II - a 
restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo 
de eventuais perdas e danos; III - o abatimento proporcional do preço (art. 20 do 
CDC). 
Rol exemplificativo do § 2º do art. 20: São impróprios os serviços que se mostrem 
inadequados para os fins que razoavelmente deles se esperam, bem como 
aqueles que não atendam as normas regulamentares de prestabilidade. 
A reexecução dos serviços poderá ser confiada a terceiros devidamente 
capacitados, por conta e risco do fornecedor. 
3.4. Fato do produto ou serviço: ocorrência de danos oriundos de ausência de 
segurança do produto ou serviço que atingem o consumidor em sua integridade 
física ou moral (acidente de consumo; defeito do produto ou serviço). Atinge o 
consumidor. Defeito de concepção (projeto, fabricação, execução); defeito de 
fabricação (a execução resulta em produto defeituoso); defeito de 
comercialização (comercializado de forma inadequada). 
Qualidade-segurança: ligada ao fato do produto, determina que os produtos e 
serviços devem atender às diretrizes de segurança impostas pela lei (ex.: arts. 8º a 
10 do CDC) e por órgãos técnicos responsáveis (art. 39, VIII, do CDC), vedando-se 
que representem ofensa ao patrimônio e/ou à integridade física ou psíquica do 
consumidor. 
O vício do produto é aquele que afeta apenas a sua funcionalidade ou a do 
serviço, sujeitando-se ao prazo decadencial do art. 26 do Código de Defesa do 
Consumidor – CDC. Quando esse vício for grave a ponto de repercutir sobre o 
patrimônio material ou moral do consumidor, a hipótese será de responsabilidade 
pelo fato do produto, observando-se, assim, o prazo prescricional quinquenal do 
art. 27 do referido diploma legal. (STJ REsp 1.176.323/SP – interpretação extensiva 
do conceito de fato do produto) 
Em homenagem ao princípio da reparação integral, o fatodo produto ou serviço 
poderá coexistir com o vício do produto ou serviço. 
3.4.1. Fato do produto: O fabricante, o produtor, o construtor, nacional ou 
estrangeiro, e o importador respondem, independentemente da existência de 
culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos 
decorrentes de projeto, fabricação, construção, montagem, fórmulas, 
manipulação, apresentação ou acondicionamento de seus produtos, bem como 
por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua utilização e riscos (art. 12 
do CDC). 
Rol exemplificativo do § 1º do art. 12: O produto é defeituoso quando não oferece 
a segurança que dele legitimamente se espera, levando-se em consideração as 
circunstâncias relevantes, entre as quais: I - sua apresentação; II - o uso e os riscos 
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que razoavelmente dele se esperam; III - a época em que foi colocado em 
circulação. 
O produto não é considerado defeituoso pelo fato de outro de melhor qualidade 
ter sido colocado no mercado. 
Responsabilidade subsidiária do comerciante (art. 13): O comerciante é 
igualmente responsável, nos termos do artigo anterior, quando: I - o fabricante, o 
construtor, o produtor ou o importador não puderem ser identificados; II - o produto 
for fornecido sem identificação clara do seu fabricante, produtor, construtor ou 
importador; III - não conservar adequadamente os produtos perecíveis. 
3.4.2. Fato do serviço: O fornecedor de serviços responde, independentemente da 
existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por 
defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes 
ou inadequadas sobre sua fruição e riscos (art. 14 do CDC). 
Rol exemplificativo do § 1º do art. 14: O serviço é defeituoso quando não fornece 
a segurança que o consumidor dele pode esperar, levando-se em consideração 
as circunstâncias relevantes, entre as quais: I - o modo de seu fornecimento; II - o 
resultado e os riscos que razoavelmente dele se esperam; III - a época em que foi 
fornecido. 
O serviço não é considerado defeituoso pela adoção de novas técnicas. 
3.5. Excludentes de Nexo de Causalidade: 
Art. 12, § 3º: O fabricante, o construtor, o produtor ou importador só não será 
responsabilizado quando provar: I - que não colocou o produto no mercado; II - 
que, embora haja colocado o produto no mercado, o defeito inexiste; III - a culpa 
exclusiva do consumidor ou de terceiro. 
Art. 14, § 3º: O fornecedor de serviços só não será responsabilizado quando provar: 
I - que, tendo prestado o serviço, o defeito inexiste; II - a culpa exclusiva do 
consumidor ou de terceiro. 
Embora inexista comando similar quanto ao vício, é consenso na prática que tais 
matérias também podem ser alegadas como rompimento de nexo de causalidade 
nos casos de vício do produto ou serviço, conforme entendimento do STJ. 
No caso da comprovação da ocorrência de fato que rompe o nexo de 
causalidade tal inversão do ônus da prova em desfavor do fornecedor opera em 
todos os casos, independente de atuação jurisdicional, sendo denominada ope 
legis. 
3.5.1. Caso fortuito ou força maior: apesar de não contemplado pela lei, a 
jurisprudência do STJ passou a acatar tais hipóteses como aptas ao rompimento 
do nexo causal, mas apenas nos casos fortuitos externos. 
a) Fortuito interno: o dano sofrido pela vítima guarda relação com a atividade 
desenvolvida pelo ofensor (Ex.: A súmula 479 do STJ dispõe que “As instituições 
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financeiras respondem objetivamente pelos danos gerados por fortuito interno 
relativo a fraudes e delitos praticados por terceiros no âmbito de operações 
bancárias”). 
b) Fortuito externo: nos casos em que o dano não guardar ligação com a atividade 
desenvolvida pelo ofensor haverá rompimento do nexo de causalidade (Ex.: 
“Banco não é responsável por fraude em compra on-line paga via boleto quando 
não se verificar qualquer falha na prestação do serviço bancário.” – REsp 
1.786.157/SP). 
3.5.2. Teoria do risco do desenvolvimento: trata-se de defeito que se evidencia 
somente após o fornecimento do produto ou serviço, de acordo com o avanço 
da ciência, ocasião em que os danos começam a aparecer. Há entendimentos 
divergentes na doutrina acerca do rompimento do nexo de causalidade nestes 
casos. 
“O laboratório tem responsabilidade objetiva na ausência de prévia informação 
qualificada quanto aos possíveis efeitos colaterais da medicação, ainda que se 
trate do chamado risco de desenvolvimento.” (REsp 1.774.372/RS) 
3.5.3. Recall: o fornecedor identifica a existência de defeito ou mau funcionamento 
em determinado produto ou serviço, hipótese em que, por força do art. 10, § 1º, 
do CDC, terá a obrigação de comunicar o fato às autoridades competentes e 
consumidores, disponibilizando solução gratuita ao problema. 
A realização da divulgação não importa em rompimento de nexo de causalidade 
com relação a eventuais danos causados pelo defeito ou mau funcionamento que 
deveria ser corrigido pelo recall, mesmo que o consumidor não tenha levado o 
produto para conserto após o chamamento (AgRg no REsp 1.261.067/RJ). 
No caso em que o fornecedor tenha convocado para a realização de recall e o 
consumidor não tenha atendido à convocação, há dúvida sobre a possibilidade 
de redução do valor da indenização por força da concorrência de culpas, tendo 
o STJ acolhido tal entendimento no REsp 287.849/SP, sem prejuízo de anotações 
doutrinárias acerca da inadequação da análise de culpa no sistema de 
responsabilidade objetiva adotado pelo CDC.

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