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Página | 2 Apostila Técnica Cirúrgica – Leticia Toigo, Gabriela Lorenzet, Larissa Panozzo, Nadine Baldo, Tainara Orlandin Conteúdo 1.CLASSIFICAÇÃO DAS CIRURGIAS .................................................................................................................................. 3 2.PRINCÍPIOS DA ASSEPSIA CIRÚRGICA........................................................................................................................... 7 3.PASSO A PASSO ANTISSEPSIA .................................................................................................................................... 10 4.ESTERILIZAÇÃO E DESINFECÇÃO ................................................................................................................................ 13 5.PREPARAÇÃO DO CAMPO OPERATÓRIO .................................................................................................................... 15 6.PREPARAÇÃO DA EQUIPE CIRÚRGICA ........................................................................................................................ 16 7.TEMPOS CIRÚRGICOS E MATERIAIS ........................................................................................................................... 17 8.TEMPOS CIRÚRGICOS E MATERIAIS ........................................................................................................................... 20 9.MATERIAIS ................................................................................................................................................................. 21 10.MONTAGEM DA MESA CIRÚRGICA .......................................................................................................................... 26 11. SUTURA E HEMOSTASIA.......................................................................................................................................... 27 12.TABELA DE FIOS ....................................................................................................................................................... 36 13.FLUXOGRAMA DE FIOS ............................................................................................................................................ 37 14.ANESTESIOLOGIA ..................................................................................................................................................... 38 15.MONITORAMENTO ANESTÉSICO ............................................................................................................................. 42 16.MEDICAÇÃO PRÉ-ANESTÉSICA (MPA) ...................................................................................................................... 44 17.PRIMEIRA PROVA ..................................................................................................................................................... 51 18.SIMULADO 1 ............................................................................................................................................................ 53 19.SIMULADO 2 ............................................................................................................................................................ 55 20.PROVA ..................................................................................................................................................................... 58 21.GABARITO PRIMEIRA PROVA ................................................................................................................................... 59 22.GABARITO SIMULADO 1........................................................................................................................................... 60 23.GABARITO SIMULADO 2........................................................................................................................................... 60 24.GABARITO PROVA .................................................................................................................................................... 62 file:///C:/Users/DELL_Vostro/Desktop/Apostila%20monitoria/APOSTILA%20TÉCNINCA.docx%23_Toc526098043 Página | 3 Apostila Técnica Cirúrgica – Leticia Toigo, Gabriela Lorenzet, Larissa Panozzo, Nadine Baldo, Tainara Orlandin 1. CLASSIFICAÇÃO DAS CIRURGIAS Leticia Toigo Classificação das cirurgias FINALIDADE Curativa: Extirpar ou corrigir a causa da doença, devolver a saúde. Ex: Apendicectomia; Remoção de osteossarcoma. Paliativa: Não resolve o problema, apenas alivia (melhora a qualidade de vida do animal) Ex: Gastrostomia; Tumores ulcerados com metástase. Diagnóstica: Ajudar no esclarecimento da doença Ex: Laparotomia exploratória. Reparadora: reconstrução Ex: Enxerto de pele em queimaduras Radical: Remoção parcial ou total de um órgão ou segmento corporal Ex: Apendicectomia, gastrectomia parcial, prostatectomia radical, mastectomia radical. URGÊNCIA Urgência: Precisa fazer cirurgia, mas a realização pode aguardar uma ocasião mais propícia e a estabilização do paciente. Ex: Fatura simples ou gastrectomia Emergência: Requer atenção imediata, situação critica (se não fizer nada o animal morre) Ex: Ferimento por arma de fogo em região precordial, hematoma subdural, hemorragia descontrolada. PORTE OU RISCO Cruenta: Excessiva perda de sangue; muita lesão tecidual. Incruenta: Pouca perda de sangue; pouca lesão tecidual Regular: Planejada (Ex: castração) Irregular: Sem planejamento, complicada (não se sabe o que esperar ao abrir) (Ex: perfuração ou ruptura de órgãos em acidente) Experimental: Desenvolvimento de novas técnicas (Ex: Ruminostomia) Leve: Sem perigo de vida (Ex: cirurgias oculares, remoção de miíase) Simples: Rápidas, envolvendo somente uma estrutura ou tecido (Ex: enxertos de pele) Grave: Com risco de vida (Ex: cirurgias cardíacas, toráxicas, muito sangramento, com comorbidades, etc.) Composta: Envolvendo mais de uma estrutura (Ex: tumores que acometem mais de um órgão) POTENCIAL DE CONTAMINAÇÃO Cirurgias limpas: realizadas em tecidos estéreis, não ocorre penetração nos tratos digestivo, respiratório ou urinário; Ex: artroplastia do quadril, cirurgia cardíaca. Potencialmente contaminada: realizada em tecido colonizados por flora microbiana, pode ocorrer penetração nos tratos digestivo, respiratório ou urinário, sem contaminação significativa Ex: histerectomia total abdominal, cirurgia do intestino delgado. Contaminada: realizada em tecidos traumatizados recentemente e abertos, flora bacteriana abundante, presença de inflamação aguda na incisão e cicatrização de segunda intenção. Ex: cirurgia de cólon, desbridamento de queimadura, cirurgia intranasal. Página | 4 Apostila Técnica Cirúrgica – Leticia Toigo, Gabriela Lorenzet, Larissa Panozzo, Nadine Baldo, Tainara Orlandin Infectada: cirurgia realizada na presença de processo infeccioso, tecido necrótico, corpos estranhos, feridas de origem suja Ex: cirurgia do reto e do ânus, com pus; Cirurgia abdominal em presença de pus e conteúdo de cólon; nefrectomia com infecção; Presença de vísceras perfuradas. ESPECIALIDADE Cirurgia cardiovascular; Cirurgia oftalmológica; Cirurgia torácica; Cirurgia abdominal; Cirurgia ortopédica; Neurocirurgia; Cirurgia oncológica; Cirurgia plástica ou reconstrutiva; Microcirurgia; Videocirurgia Definições cirúrgicas Operação: conjunto de manobras regulares e sincrônicas efetuadas pelo cirurgião, através das mãos com instrumentos Técnica cirúrgica: estudas as manobras operatórias. Etapas da cirurgia Pré operatório Avaliação pré operatória Conhecimento do paciente e caso clinico Preparação de material adequado ao procedimento Organização e preparaçãode gengiva Bloqueio nervo mentoniano o Anestesia de hemiarcada inferior o Indicações Extração dentária: caninos e incisivos Cerclagem de disjunção mentoniana Bloqueio do nervo palatino maior o Responsável pela inervação sensitiva do palato duro Bloqueio do plexo braquial Anestesia epidural o Entre L7-S1 Página | 51 Apostila Técnica Cirúrgica – Leticia Toigo, Gabriela Lorenzet, Larissa Panozzo, Nadine Baldo, Tainara Orlandin 17. PRIMEIRA PROVA Professor Gustavo 1) Sobre a utilização e características dos fios de sutura assinale a alternativa CORRETA: a. A capilaridade é um processo através do qual fluidos e bactérias são carreados aos tecidos principalmente por fios monofilamentares b. O fio catgut estimula intensa reação inflamatória, sendo absorvido através da hidrolise acida, seguida de colagenólise e proteólise c. Fios multifilamentares são mais facilmente manuseados e proporcionam maior segurança de no que os fios monofilamentares d. Os fios de aço cirúrgico são pouco recomendados em ambientes contaminados, devido a sua grande reatividade tecidual e. Fios absorvíveis sintéticos promovem maior reação tecidual, quando comparados aos absorvíveis de origem animal 2) Correlacione as colunas: 1. OSH 2. Nefrotomia 3. Esofagotomia 4. Gastropexia 5. Orquiectomia 6. Celiotomia mediana 7. Esplenorrafia 8. Cistotomia 3) Classificar os fios de sutura em fios absorvíveis ou não absorvíveis, e de um exemplo de onde se pode utilizar cada um a. Poligalactina 910: b. Ác. Poliglicólico: c. Categute cromado: d. Polidioxanona: e. Nylon: 4) Qual é a indicação dos diferentes tipos de fios utilizados em suturas cirúrgicas? a. Fios de polipropileno são indicados para sutura de vísceras como bexiga e intestinos b. Fios de sutura multifilamentares inabsorvíveis, como seda e poliéster, são indicados para o fechamento de feridas contaminadas c. Fios monofilamentares inabsorvíveis devem ser empregados na sutura de tendões por ser um material forte e minimamente reativo d. Fios multifilamentares absorvíveis são contraindicados para redução de tecido subcutâneo por causar exacerbada reação tecidual 5) Escolha a alternativa correta, sobre os métodos de esterilização a. Método físico por calor seco, a flambagem e a estufa, e físico por radiação, o oxido de etileno e o Cobalto 60 b. Método físico por calor seco, estufa, e físico por calor úmido, o uso da autoclave. ( ) Contra indicado sutura com fio inabsorvivel sintético ( ) Utilização de tesoura metzembaum ( ) Exploração de um órgão do sistema digestório ( ) Retirada dos ovários, tubas uterinas e útero ( ) Abertura do rim ( ) Fixação do estômago da parede abdominal ( ) Rafia órgão hematopoiético ( ) Exérese de pênis Página | 52 Apostila Técnica Cirúrgica – Leticia Toigo, Gabriela Lorenzet, Larissa Panozzo, Nadine Baldo, Tainara Orlandin c. Método físico por radiação, o raio ultravioleta, e físico por calor seco, o uso da autoclave d. Método químico por meio de líquidos, os aldeídos como o iodo e o gluteraldeído e. Nenhuma resposta acima esta correta 6) Assinale V ou F e corrija as incorretas: ( ) Os fios multifilamentares não devem ser utilizados em ferimentos contaminados pois aumentam as chances de infecção ( ) A capilaridade é uma característica física dos materiais de sutura indesejável em casos de infecções ( ) Fios com alta memória proporcionam uma melhor manipulação no momento da execução da síntese 7) Complete as questões abaixo: a) Sutura invaginante contaminante (atravessa mucosa) b) Sutura inversora não contaminante (não atravessa mucosa) c) Sutura eversora d) Sutura de tensão e) Sutura de aposição 8) Descreva 3 métodos diferentes de hemostasia na cirurgia veterinária. 9) Quais são as características de um fio ideal? 10) Quanto aos materiais cirúrgicos básicos utilizados na cirurgia veterinária, de o nome e o tecido utilizado de um instrumento de diérese, hemostasia e síntese. 11) Infecção do campo operatório é definido por uma infecção direta de parte do corpo, órgãos e espaços internos, resultante do ato cirúrgico. Esta é uma intercorrência de grande importância na cirurgia veterinária trazendo prejuízos físicos e econômicos ao paciente e seu tutor. Descreva quais são as principais complicações causadas por esta afecção. 12) Quanto as restrições/cuidados pré cirúrgicos, descreva quais são e as diferenças conforme idade do paciente e estado clinico quanto a necessidade de jejum, tratamento do pelo e da pele e excreções. Página | 53 Apostila Técnica Cirúrgica – Leticia Toigo, Gabriela Lorenzet, Larissa Panozzo, Nadine Baldo, Tainara Orlandin 18. SIMULADO 1 Letícia Toigo 1) Assinale a incorreta: a) Suturas têm como objetivo promover o reparo tecidual, hemostasia e suporte do tecido para boa cicatrização b) Pele e músculo geralmente demoram alguns dias para cicatrizar, diferente dos tendões que demoram meses c) Uma sutura ideal deve ter dano tecidual e resposta inflamatória mínima d) Quanto mais flexível o fio mais seguro o nó e) Capilaridade é o processo pelo qual o fluido e as bactérias são carreadas para o interstício das fibras monofilamentadas 2) V ou F justificando as falsas ( ) Força tênsil é a força que o fio tem até seu rompimento ( ) Segurança do nó é a capacidade da sutura de manter-se segura ( ) A origem do fio pode ser absorvível ou não absorvível ( ) Os fios monofilamentares devem ser prensados com cuidado pelo porta agulha, pois esmagam com facilidade ficando mais sensíveis ( ) Fios multifilamentares são trançados, aumentando o risco de contaminação ( ) Suturas absorvíveis são usadas em tecidos que tenham cicatrização em, no máximo, 60 dias. ( ) Categute é um fio sintético absorvível ( ) Materiais sintéticos absorvíveis tem reação tecidual mínima 3) Assinale a alternativa correta: I) Materiais orgânicos não absorvíveis, como seda, são usados em cirurgias cardiovasculares, porem são contraindicados em enxertos vasculares pois são multifilamentares e podem causar hemorragia II) Materiais sintéticos não absorvíveis monofilamentares, como poliéster, devem ser usados com cautela pois causa mais fibrose tecidual, podendo deixar o órgão mais afuncional III) As suturas metálicas devem ser fechadas apenas com torção, cuidando a região que ficar a ponta, pois causa reação tecidual mínima a) I e II corretas b) I e III corretas c) III correta d) I correta e) I, II e III corretas 4) Assinale a alternativa correta: I) A seleção de agulhas cirúrgicas depende do tipo de tecido e topografia da ferida II) A ponta da agulha pode ser cortante, cônica atraumática, corte cônico e de corte inverso ou lateral III) Agulhas com corte inverso de lateral são mais forte que agulhas convencionais, porém possuem maior risco de trauma por arrasto a) I e III corretas b) II e III corretas c) I e II corretas d) somente I e) I, II e III corretas 5) Quais são os fatores a considerar na seleção de sutura? 6) V ou F ( ) Na pele é mais utilizado o Nylon, por ser um fio monofilamentar sintético não absorvível ( ) Para o fechamento abdominal é feito o interrompido no SC e muscular e continuo na pele, usando polidioxanona que é um fio sintético monofilamentar absorvível ( ) O sultan é a sutura de preferência para o fechamento abdominal pois tem mais segurança ( ) Nos tendões deve ser usado um fio não absorvível monofilamentar como acido poliglicólico ( ) Plidioxanona pode ser usado em órgãos parenquimatosos ( ) Fios não absorvíveis podem causar cálculos na bexiga ( ) Ácido poliglicólico pode ser usado em todos os órgãos, com exceção da bexiga devido sua absorção rápida em urina Página | 54 Apostila Técnica Cirúrgica – Leticia Toigo, GabrielaLorenzet, Larissa Panozzo, Nadine Baldo, Tainara Orlandin ( ) Em feridas contaminadas ou infectadas não se deve usar fio monofilamentar absorvível, pois pode potencializar a contaminação e causar fistula ( ) Em vasos e anastomoses vasculares não deve ser utilizado fio multifilamentar e sim fio não absorvível monofilamentar ( ) Em hemostasias podem ser utilizados fios multifilamentares 7) Complete a segunda coluna de acordo com a primeira (1) Aposição (2) Eversão (3) Inversão (4) Sobreposição ( ) Uma borda sobre a outra ( ) Borda das feridas voltadas para o interior ( ) Bordas se encostam, no mesmo plano ( ) Maior contato das bordas, voltadas para fora ( ) Simples continua e intradérmica ( ) U deitado contínuo ( ) Connel e Lembert continuo ( ) PIS e Sultan ( ) U em pé 8) Assinale a correta: a) No PIS deve se pegar bordas pequenas para não correr o risco de necrosar o tecido (2 a 3 mm da incisão) b) Destros devem iniciar a sutura sempre pelo lado esquerdo c) Fios monofilamentares tem memória, se o primeiro nó não for feito corretamente ele abre d) O nó de cirurgião é feito com um nó duplo e dois nós simples e) O padrão colchoeiro horizontal deve ser feito com 3 a 6 mm da incisão 9) Assinale a alternativa incorreta a) O padrão Gambee reduz extravasamento do material do lúmen, é bastante utilizado em cirurgias intestinais b) O padrão continuo simples impede o extravasamento e fluido de ar, é usado no fechamento da Linha Alba e SC c) O padrão entrelaçado de Ford tem vantagem por ser feito rapidamente e possui maior estabilidade, bastante usado para fechamento de cavidades de grandes animais d) O padrão Lembert é para fechamento de vísceras ocas, penetra na serosa e muscular 8 a 10 mm da incisão e) Padrão Conell e Cushing tem o mesmo jeito de fazer, a diferença é que Conell entra até a submucosa e Cushing entra no órgão 10) Alguns fios tem particularidades e não podem ser utilizados em alguns tecidos, escreva alguns exemplos abaixo: Página | 55 Apostila Técnica Cirúrgica – Leticia Toigo, Gabriela Lorenzet, Larissa Panozzo, Nadine Baldo, Tainara Orlandin 19. SIMULADO 2 Leticia Toigo 1) Enumere a segunda coluna de acordo com a primeira: (1) Antissepsia (2) Antisséptico (3) Assepsia (4) Estéril (5) Barreira (6) Campo estéril (7) Contaminado (8) Contaminação cruzada (9) Desinfecção (10) Descontaminação (11) Técnica asséptica (12) Técnica estéril (13) Esterilização final e desinfecção ( ) Contaminação por microrganismos é impedida para manter a esterilidade durante todo processo cirúrgico ( ) Exclusão, destruição ou inibição do crescimento ou multiplicação de microrganismos corporais ( ) Transportando ou infectando por microrganismos ( ) Reduz ou inibe a migração de transmissão de microrganismos no ambiente ( ) Procedimento para destruição de agentes patogênicos no final do procedimento cirúrgico na sala cirúrgica, após a saída do paciente ( ) Limpeza e processos de desinfecção ou esterilização ( ) Composto químico que combate a sepse ( ) Ausência de microrganismos vivos ( ) Destruição de patógenos por ação química ou mecânica ( ) Ausência de microrganismos que causa doença ( ) Área em volta da incisão para o tecido ou local da introdução do instrumento preparado com equipamentos estéreis ( ) Método para prevenir a contaminação por microrganismos ( ) Transmissão de microrganismos de paciente para paciente ou objeto inanimado para paciente 2) Assinale a questão correta: I) A transmissão de microrganismos mais provável é pela própria equipe II) Existem dois tipos de fonte de contaminação: animais e inanimadas, como por exemplo ar e pelos, respectivamente. III) Lavar as mãos regularmente, usar luvas e não reutilizar o avental reduz a quantidade de microrganismos a) Somente II esta correta b) II e III corretas c) Somente I correta d) I e III corretas e) Somente III correta 3) Quais são os princípios da assepsia hospitalar (técnica estéril)? 5) Qual a diferença entre o nível critico, não critico e semicrítico da esterilização e desinfecção? 5) V ou F ( ) O melhor material de acondicionamento são os estojos perfurados embrulhados, pois tem ua proteção maior ao instrumento, maior velocidade de preparo e melhor condicionamento ( ) Os invólucros plásticos ou de papel são utilizados para materiais grandes, são selados com fita adesiva ou fecho plástico ( ) Os panos de esterilização são bastante utilizados por terem maciez e baixo custo ( ) O produto contamina com o tempo, não com eventos ( ) Duração da esterilidade depende de fatores como: tipo de material e embalagem, numero de manuseios e pessoas que manusearam, armazenamento, condições e método usado para lacrar . ( ) As cirurgias são classificadas quanto a finalidade, urgência, porte ou risco, potencial de contaminação e especialidade ( ) A cirurgia curativa tem como objetivo extirpar ou corrigir a causa da doença, devolvendo a saúde ao paciente, mastectomia radical é um exemplo desta finalidade ( ) Cirurgia paliativa não resolve o problema, apenas alivia e cirurgia reparadora é aquela que remove parcial ou totalmente um órgão ou segmento corporal ( ) Urgência é quando o paciente precisa fazer uma cirurgia mas pode aguardar uma ocasião propicia e emergência é quando requer atenção imediata, exemplo: hemorragia e fratura simples, respectivamente Página | 56 Apostila Técnica Cirúrgica – Leticia Toigo, Gabriela Lorenzet, Larissa Panozzo, Nadine Baldo, Tainara Orlandin 6) Escreva o potencial de contaminação e de um exemplo: a) Cirurgia realizada na presença de processo infeccioso, tecido necrótico, corpos estranhos, feridas de origem suja: ........................................................ b) Realizadas em tecidos colonizados por flora microbiana, pode ocorrer penetração nos tratos digestivo, respiratório ou urinário, sem contaminação significativa:.................................................. c) Realizadas em tecidos traumatizados recentemente e abertos, flora bacteriana abundante, presença de inflamação aguda na incisão e cicatrização de segunda intenção: ............................................................... d) Realizadas em tecidos estéreis, não ocorre penetração nos tratos digestivo, respiratório ou urinário: .......................................................................... 6) Uma cirurgia é dividida em 3 etapas, quais são elas? O que é importante em cada uma? 8) Escreva ao lado o significado de cada prefixo: a) Rino: b) Bléfaro: c) Adeno: d) Cárdia: e) Êntero: f) Hepato: g) Cólon: h) Cole: i) Procto: j) Espleno: k)Laparo l) Pielo: m) Hístero: n) Salpingo: o) Colpo p) Flebo: q) Otomia: r) Pexia: s) Litíase: t) Ectomia: u) Centese: v) Rafia: 9) Assinale a questão incorreta: a) Álcool 70% é um agente usado para limpeza de manchas e preparação do local da injeção b) Para limpeza de pisos e superfícies de balcões é usado hipoclorito, sua ação pro desinfetante é boa e pró asséptica moderada c) A esterilização por vapor é barata e difundida, possui alta temperatura, impossibilitada para materiais delicados, porém é pratica e segura d) A esterilização química é feita com óxido de etileno, mata os microrganismos alternando o metabolismo celular, usado para equipamentos sensíveis ao calor e umidade e) A esterilização com radiação ionizante é utilizada para equipamentos médicos, como por exemplo o estetoscópio. 10) Quais são as classificações e complicações de uma infecção do campo obrigatório? 11) V ou F ( ) É indicado um jejum de 6 a 12 horas para animais adultos para evitar vômitos e pneumonia por aspiração no trans e pós operatório ( ) Para felinos jovens ou idosos é indicado um jejum de 4 a 6h com jejum hídrico opcional ( ) Todos os animais deveriam fazer passeio antesda cirurgia para defecar e urinar, facilitando as cirurgias e a não contaminação, exceto animais que vão passar por cirurgia de bexiga ( ) O banho deve ser realizado no dia da cirurgia, assim retirando pelos soltos e outras impurezas presentes na pele ( ) Pacientes que tem problema de pele não deveriam passar por cirurgia eletiva, pois a infecção de pele aumenta o numero de bactérias ( ) A tricotomia deve ser realizada fora da sala cirúrgica, tendo uma ampla retirada de pelos 10 cm para cada lado da incisão ( ) Para realizar a limpeza de pele pode se utilizar álcool associado com clorexidina ( ) A preparação cutânea estéril é feita com a pinça de Sheron ( ) O enluvamento é bastante confiável, não precisando fazer a escovação cirúrgica detalhada ( ) A escovação com álcool é mais fácil e tem menos efeitos a pele, não necessita de enxague, comente indicada para escovações repetitivas ( ) A escovação com iodóforos não é inativada pelo material orgânico, diferente da escovação com gliconato de clorexidina que é inativada pelo material orgânico Página | 57 Apostila Técnica Cirúrgica – Leticia Toigo, Gabriela Lorenzet, Larissa Panozzo, Nadine Baldo, Tainara Orlandin ( ) A primeira escovação do dia deve ser de 5 a 7 minutos, enquanto as outras podem ser de apenas 1 a 2 ( ) O avental possui uma dobradura especial e é vestido juntamente com a luva em uma sala separada ( ) Método aberto de calçar a luva é quando outra pessoa coloca pra ti, minimizando assim as possibilidades de contaminação do avental ( ) Os braços devem se manter cima da cintura e do ombro, para que não ocorra infecção 12) Assinale a alternativa incorreta: a) O traçado da incisão deve ser uma leve escarificação com a ponta do bisturi colocado na caneta cirúrgica b) Na secção da pele o sentido da incisão deve ser crânio caudal/dorso ventral c) Secção magistral é realizada com um único movimento, sem levantamento do bisturi, enquanto a magistral breve é realizada rapidamente com movimento do pulso d) O nome punção se da quando o bisturi é introduzido pela ponta e circular/elíptica quando é realizada em um ou dois tempos e) Cesariana na égua é um exemplo de diérese muscular simples 13) O que é hemostasia? Quais são as pinças hemostáticas? 14) Coloque ao lado da ilustração o nome dos instrumentos que pertencem a cada número. Página | 58 Apostila Técnica Cirúrgica – Leticia Toigo, Gabriela Lorenzet, Larissa Panozzo, Nadine Baldo, Tainara Orlandin 20. PROVA Professora Natália 1. Monte um protocolo para um canino cardiopata, 8 anos, fêmea, SRD, que sera submetido a uma osteossíntese de radio e ulna, pesando 6 kg (MPA, indução e manutenção). Justifique o uso de tais medicações apresentando seus cálculos. 2. Diferencie: a. Anestesia dissociativa b. Anestesia injetável c. Anestesia inalatória 3. Relacione as colunas 1. Analgesia ( ) É um estado característico produzido por anestésicos dissociativos derivados da fenciclidina (cetamina e tiletamina) 2. Anestesiologia ( ) É a obtenção de um estado reversível de não reconhecimento do estimulo doloroso pelo córtex cerebral, podendo ser localizada ou geral em estado inconsciente 3. Anestesia ( ) Estado semelhante a tranquilização, embora com maior depressão do sistema nervoso central, em que o animal esta consciente e responde com menos intensidade a manipulação 4. Catalepsia ( ) Termo utilizado para descrever o estudo dos fármacos e das técnicas empregadas para a obtenção do estado anestésico 5. Sedação ( ) Consiste na perda da percepção e ausência de resposta ao estimulo doloroso 4. Qual é o objetivo da medicação pré-anestésica? 5. Qual ASA utilizada para classificar o grau de risco anestésico em um paciente cardiopata compensado? 6. Quais são os principais efeitos causados pelos opioides? 7. Cite os principais benzodiazepínicos utilizados na rotina anestésica veterinária. 8. Explique os planos anestésicos utilizados em uma anestesia inalatória. Página | 59 Apostila Técnica Cirúrgica – Leticia Toigo, Gabriela Lorenzet, Larissa Panozzo, Nadine Baldo, Tainara Orlandin 21. GABARITO PRIMEIRA PROVA Professor Gustavo 1) Sobre a utilização e características dos fios de sutura assinale a alternativa CORRETA: a) A capilaridade é um processo através do qual fluidos e bactérias são carreados aos tecidos principalmente por fios monofilamentares b) O fio catgut estimula intensa reação inflamatória, sendo absorvido através da hidrolise acida, seguida de colagenolise e proteólise c) Fios multifilamentares são mais facilmente manuseados e proporcionam maior segurança de no que os fios monofilamentares d) Os fios de aço cirúrgico são pouco recomendados em ambientes contaminados, devido a sua grande reatividade tecidual e) Fios absorvíveis sintéticos promovem maior reação tecidual, quando comparados aos absorvíveis de origem animal 2) Correlacione as colunas: 1. OSH 2. Nefrotomia 3. Esofagotomia 4. Gastropexia 5. Orquiectomia 6. Celiotomia mediana 7. Esplenorrafia 8. Cistotomia 3) Classificar os fios de sutura em fios absorvíveis ou não absorvíveis, e de um exemplo de onde se pode utilizar cada um a) Poligalactina 910: .absorvivel, tecido b) Ác. Poliglicólico:..aborvivel; hemostasia c) Categute cromado: absorvivel; serosa ou submucosa do intestino.. d) Polidioxanona: absorvivel, bexiga e) Nylon: não absorvível, pele. 4) Qual é a indicação dos diferentes tipos de fios utilizados em suturas cirúrgicas? a) Fios de polipropileno são indicados para sutura de vísceras como bexiga e intestinos b) Fios de sutura multifilamentares inabsorvíveis, como seda e poliéster, são indicados para o fechamento de feridas contaminadas c) Fios monofilamentares inabsorviveis devem ser empregados na sutura de tendões por ser um material forte e minimamente reativo d) Fios multifilamentares absorvíveis são contraindicados para redução de tecido subcutâneo por causar exacerbada reação tecidual 5) Escolha a alternativa correta, sobre os métodos de esterilização a) Método físico por calor seco, a flambagem e a estufa, e físico por radiação, o oxido de etileno e o Cobalto 60 b) Método físico por calor seco, estufa, e físico por calor úmido, o uso da autoclave. ( 8 ) Contra indicado sutura com fio inabsorvível sintético ( 5 ) Utilização de tesoura metzembaum ( 3 ) Exploração de um órgão do sistema digestório ( 1 ) Retirada dos ovários, tubas uterinas e útero ( 2 ) Abertura do rim ( 4 ) Fixação do estômago da parede abdominal ( 7 ) Rafia órgão hematopoiético ( 6 ) Exérese de pênis Página | 60 Apostila Técnica Cirúrgica – Leticia Toigo, Gabriela Lorenzet, Larissa Panozzo, Nadine Baldo, Tainara Orlandin c) Método físico por radiação , o raio ultravioleta, e físico por calor seco, o uso da autoclave d) Método químico por meio de líquidos, os aldeídos como o iodo e o gluteraldeído e) Nenhuma resposta acima esta correta 6) Assinale V ou F e corrija as incorretas: ( V ) Os fios multifilamentares não devem ser utilizados em ferimentos contaminados pois aumentam as chances de infecção ( V ) A capilaridade é uma característica física dos materiais de sutura indesejável em casos de infecções ( F ) Fios com alta memória proporcionam uma melhor manipulação no momento da execução da síntese 7) Complete as questões abaixo: a) Sutura invaginante contaminante (atravessa mucosa) connel b) Sutura inversora não contaminante (não atravessa mucosa) cushing c) Sutura eversora colchoeiro horizontal d) Sutura de tensão PLLP e) Sutura de aposição PIS 22. GABARITO SIMULADO 1 Letícia Toigo 1- E 2- 2- V, V, F, V, V, V, F, V 3- B 4- C 5- Tecido, tempo de cicatrização, potencial de inflamação, dimensão e força requerida na sutura.6- V, F, V, F, V, F, V, F, V, V 7- 4, 3, 1, 2, 1, 2, 3, 1, 2 8- D 9- E 10- Aço: não utilizar em tecidos pequenos e ligaduras por ser menos flexível Multifilamentares: todo fio multi causa lesão tecidual, não usar no útero Absorvível: nunca no tendão Ðeda: não usar em enxertos vasculares, pode causar hemorragia Ðu225ác. poliglicólico e poligalactina: não usar na bexiga!!!!!!! 23. GABARITO SIMULADO 2 Letícia Toigo 1- 12, 1, 7, 5, 13, 10, 2, 4 9, 3, 6, 11 2- D 3- Somente itens estéreis dentro do campo estéril; Pessoa estéril (vestida e enluvada, operar dentro do campo estéril); todo item usado no campo estéril deve estar esterilizado; Minimizar movimentação no ambiente cirúrgico; Equipamentos esterilizados. 4- Crítico: Equipamento ou implante que entra abaixo da pele ou membranas mucosas Página | 61 Apostila Técnica Cirúrgica – Leticia Toigo, Gabriela Lorenzet, Larissa Panozzo, Nadine Baldo, Tainara Orlandin Não critico: Equipamento que entra em contato com as mucosas ou pele; Não associado diretamente à cirurgia; Limpos e desinfetados terminalmente sem tratamento específico entre pacientes (Ex: laringoscópio) Semicrítico: Equipamento entra em contato com a pele ou membranas mucosas, para fins cirúrgicos sem penetração no corpo; limpos e desinfetados, reduzir nível de microrganismos, não é necessário esterilizar (Ex: vaginoscópio) 5- V, F, V, F, V, V, F, F, F 6- A) Infectada B) Potencialmente contaminada C) Contaminada D) Limpa 7- Pré operatório: avaliação pré operatória (conhecimento do paciente e caso clinico); preparação do material adequado ao procedimento, organização e preparação da sala cirúrgica, banho, tricotomia, posicionamento, antissepsia, jejum, histórico clinico, exame físico consistente, informação precisa sobre o paciente... Trans operatório: Diérese, hemostasia, síntese, manutenção do plano anestésico, controle da dor... Pós- operatório: Medicações, remoção das suturas; Pós imediato: limpeza da ferida, assegurar a recuperação suave da anestesia e a manutenção do conforto; manter aberta a comunicação com o tutor para o acompanhamento do paciente após a liberação do hospital. Manutenção controle: TR, TPC, FC, PA, FR, mucosa; Cuidados intensivos: analgesia adequada, balanço nutricional, restrição de atividade locomotora. 8- A) nariz B) pálpera C) glândula D) esfíncter esôfago-gástrico E) intestino delgado F) fígado G) intestino grosso H) vias biliares I) ânus J) baço K) parede abdominal L) parênquima renal M) útero N) tuba uterina O) vagina P) veia Q) abertura de órgão R) fixação S) cálculo T) retirada U) Punção V) Sutura 9- E 10- Incisional: campo real da cirurgia Superficial: pele ou tecido SC Profunda: camada profunda de tecidos moles (fáscia e músculo) Complicações: Aumento da morbidade e mortalidade, aumento do tempo de internação, maiores custos com tratamento pós operatório. Prevenção: assepsia e antissepsia!!!!!! 11- V, V, F, F, V, V, V, V, F, V, F, F, V, F, F 12- E 13- Instrumentos que tem por objetivo deter ou prevenir uma hemorragia, ou impedir a circulação de sangue em uma determinada área por um tempo limitado Kelly, Crille, Halsted... 14- 1 Pinça hemostática Crille curva 2 Pinça hemostática Crille reta 3 Pinça hemostática Kelly curva 4 Pinça hemostática Kelly reta 5 Pinça hemostática Halsted mosquito curva 6 Pinça hemostática Halsted mosquito reta 7 Tesoura Standard 8 Tesoura Mayo 9 Tesoura Metzembaum 10 Cabo de bisturi 11 Pinça de Backaus 12 Pinça de Allis 13 Pinça de Foster 14 Porta agulha Mayo-hegar 15 Pinça anatômica dente de rato 16 Pinça anatômica simples Página | 62 Apostila Técnica Cirúrgica – Leticia Toigo, Gabriela Lorenzet, Larissa Panozzo, Nadine Baldo, Tainara Orlandin 24. GABARITO PROVA Professora Natália Questão 3: 4- 3- 5- 2- 1da sala cirúrgica Banho; tricotomia; posicionamento; Antissepsia; Jejum (cuidar para indicar o tempo ideal, sem deixar o animal desidratado ou desnutrido) Histórico clinico Exame físico consistente Informação precisa sobre o paciente Quais exames são necessários antes da anestesia. Trans operatório Diérese (corte, abordagem, incisão) Hemostasia (parar sangramento) Síntese (fechamento/sutura) Manutenção de plano anestésico/ cirúrgico Controle da dor Pós operatório Medicações (anti-inflamatório, analgésico, antibiótico...) Remoção das suturas Pós operatório imediato Limpeza da ferida Assegurar a recuperação suave da anestesia e a manutenção do conforto Página | 5 Apostila Técnica Cirúrgica – Leticia Toigo, Gabriela Lorenzet, Larissa Panozzo, Nadine Baldo, Tainara Orlandin *** Manter aberta a comunicação com o cliente para o acompanhamento do paciente após a liberação do hospital*** Manutenção controle Temperatura: 38 (36/39) Perfusão: TPC, mucosa, FC, PA Ventilação: FR Cuidados intensivos: Analgesia adequada, balanço nutricional, restrição da atividade locomotora. Página | 6 Apostila Técnica Cirúrgica – Leticia Toigo, Gabriela Lorenzet, Larissa Panozzo, Nadine Baldo, Tainara Orlandin Página | 7 Apostila Técnica Cirúrgica – Leticia Toigo, Gabriela Lorenzet, Larissa Panozzo, Nadine Baldo, Tainara Orlandin 2. PRINCÍPIOS DA ASSEPSIA CIRÚRGICA Leticia Toigo Glossário: Antissepsia: exclusão, destruição ou inibição do crescimento ou multiplicação de microrganismos corporais. Antisséptico: Composto químico que combate a sepse. Assepsia: ausência de microrganismos que causam doença. Estéril: ausência de microrganismos vivos. Barreira: reduz ou inibe a migração ou transmissão de microrganismos no ambiente. Campo estéril: área em volta da incisão para o tecido ou local da introdução de um instrumento preparado com equipamentos estéreis. Contaminado: transportando ou infectado por microrganismos. Contaminação cruzada: transmissão de microrganismos de paciente para paciente ou de objeto inanimado para paciente. Desinfecção: destruição de patógenos por ação química ou mecânica (fricção). Descontaminação: limpeza e processos de desinfecção ou esterilização. Técnica Asséptica: método para prevenir a contaminação por microrganismos. Técnica estéril: contaminação por microrganismos é impedida para manter a esterilidade durante todo processo cirúrgico. Esterilização final e desinfecção: procedimento para destruição de agentes patogênicos no final do procedimento cirúrgico na sala cirúrgica, após saída do paciente. Transmissão de Microrganismos: Transmissão mais provável: pela própria equipe Fontes de contaminação: Fontes animais: pelos, pele, nasofaringe, orifícios (vulva ou ânus) Fontes inanimadas: Objetos contaminados (estrutura, moveis, equipamentos), ar (80 a 90% das contaminações) Reduzir a quantidade de microrganismos: lavar as mãos regularmente, uso de luvas, limpeza e descarte de equipamentos, tratamento adequado da roupa suja... Princípios de Assepsia hospitalar, técnica estéril: Somente itens estéreis dentro do campo estéril Pessoa estéril (vestida e enluvada, operar dentro do campo estéril) Todo item usado no campo estéril deve estar esterilizado Minimizar movimentação no ambiente cirúrgico Equipamentos esterilizados Níveis de esterilização e desinfecção Nível crítico: Equipamento ou implante que entra abaixo da pele ou membranas mucosas Nível não critico: Equipamento que entra em contato com as mucosas ou pele Não associado diretamente à cirurgia Limpos e desinfetados terminalmente sem tratamento especifico entre pacientes Ex: laringoscópio Página | 8 Apostila Técnica Cirúrgica – Leticia Toigo, Gabriela Lorenzet, Larissa Panozzo, Nadine Baldo, Tainara Orlandin Nível Semicrítico: Equipamento que entra em contato com a pele ou membranas mucosas Apenas para fins cirúrgicos sem penetração no corpo Limpos e desinfetados Reduzir nível de microrganismo Não é necessário esterilizar Ex: Vaginoscópio Preparações de pacotes cirúrgicos: Primeiros passos: Deve ser realizado quanto antes após o procedimento Instrumentos de tecido (limpos previamente da contaminação grosseira) Instrumentos Limpeza prévia manualmente ou com ultrassom e desinfetantes Complexos devem ser desmontados Com travas devem ser mantidos abertos Material de Acondicionamento: Devem permitir penetração do agente esterilizante Manter a esterilidade após o processo Estojos perfurados embrulhados Proteção maior ao instrumento Maior velocidade de preparo Melhor condicionamento Necessitam de câmara de esterilização maiores Invólucros plásticos ou de papel Selados com fita adesiva ou fecho plástico Apenas para materiais pequenos Não utilizar com materiais perfurantes Panos de esterilização Tecido de musselina 140 fios Macio, barato, absorvente, facilmente dispostos na câmara de esterilização Duplamente envolvido Duração da esterilidade Eventos contaminam o produto, não o tempo!! Optar por um máximo de 30 dias Dependem de fatores: Tipo do material e embalagem Número de manuseios e de pessoas que manusearam Armazenamento e condições (limpeza, temperatura...) Método usado para lacrar Página | 9 Apostila Técnica Cirúrgica – Leticia Toigo, Gabriela Lorenzet, Larissa Panozzo, Nadine Baldo, Tainara Orlandin 1. Preparação de pacotes: Método de embalagem 2. Método embalagem 3. Método de abertura: Página | 10 Apostila Técnica Cirúrgica – Leticia Toigo, Gabriela Lorenzet, Larissa Panozzo, Nadine Baldo, Tainara Orlandin 3. PASSO A PASSO ANTISSEPSIA Nadine Laura Baldo Antes de fazer a antissepsia 1. Retirar todos os pertences 2. Pijama cirúrgico 3. Touca 4. Máscara 5. Propé (colocar para passar a linha amarela) Degermação 1. Lavar as mãos e antebraços (até o cotovelo) normalmente com sabonete, 2. Abrir o pacote que tem a escova, 3. Começar a esfregar as pontas dos dedos, 4. Limpar face palmar das mãos de distal para proximal, 5. Lavar entre os dedos, 6. Lavar cada dedo, 7. Lavar a face dorsal da mão, de distal para proximal, 8. Lavar o punho, 9. Lavar o antebraço do punho ao cotovelo, 10. Começar tudo no outro braço, 11. Descartar a escova, 12. Abrir a torneira com o cotovelo, 13. Irrigar as mãos em um único movimento, dos dedos ao cotovelo, sem retornar, 14. Secar as mãos e antebraços com compressa estéril, dos dedos em direção ao cotovelo, uma face da compressa para cada mão, sem retornar, 15. Ficar com as mãos acima do cotovelo. Paramentação 1. Pegar o avental pela gola para desdobrar, vestir e alguém fecha atrás, 2. Abrir o pacote interno das luvas, 3. Colocar primeiro a luva esquerda, segurando pela borda dobrada, 4. Depois, colocar os dedos dentro da borda dobrada da luva direita, colocar e ajustar os dedos, 5. Cobrir o punho do avental com a luva, 6. Tocar na roupa apenas da cintura até o peito e manter as mãos acima do cotovelo. Montagem da mesa Curvos antes dos retos, equipamentos virados para o instrumentador. Mais grosseiro antes do mais delicado. A diferença entre o porta agulha e as pinças hemostáticas é o serrilhado multidirecional do porta agulhas. A diferença entre as pinças hemostáticas de Crille e de Rochester Pean é que a última possui serrilhado mais grosseiro. Página | 11 Apostila Técnica Cirúrgica – Leticia Toigo, Gabriela Lorenzet, Larissa Panozzo, Nadine Baldo, TainaraOrlandin A diferença entre as pinças hemostáticas de Kelly e Crille é que a Kelly possui serrilhado só até a metade, e a Crille até o final. Diérese 1. Bisturi 2. Tesoura Standard 3. Tesoura de Mayo romba-romba curva 4. Tesoura de Mayo romba-fina reta 5. Tesoura Metzembaum curva 6. Tesoura Metzembaum reta Hemostasia 1. Pinça hemostática de Halsted curva 2. Pinça hemostática de Halsted reta 3. Pinça hemostática de Kelly curva 4. Pinça hemostática de Kelly reta 5. Pinça hemostática de Crille curva 6. Pinça hemostática de Crille reta 7. Pinça hemostática de Rochester Pean curva 8. Pinça hemostática de Rochester Pean reta Síntese 1. Porta-agulhas de Mayo-Hegar/Mathieu/Olsen-Hegar Especiais 1. Pinça de campo de Backhaus 2. Pinça tecidual de Allis 3. Pinça de Foester 4. Pinça anatômica 5. Pinça dente de rato 6. Afastadores de Farabeuf/Weitlaner 7. Gancho Antissepsia do paciente 1. Dobrar as gazes em 2 e colocar entre os dedos 2. Pegar a gaze com a pinça Foester e apoiar no animal 3. O volante molha a compressa com iodo/clorexidine/álcool 4. Com um lado da gaze, passar de cranial para caudal, no centro, e progredir para a periferia sem retornar 5. Virar a gaze e começar do outro lado, de cranial para caudal 6. Repetir o processo com as outras gazes, alternando álcool e clorexidine Colocação do pano de campo 1. Desdobrar longe do corpo 2. Fazer uma dobra e girar as mãos 3. Colocar sobre o animal e não mexer Página | 12 Apostila Técnica Cirúrgica – Leticia Toigo, Gabriela Lorenzet, Larissa Panozzo, Nadine Baldo, Tainara Orlandin 4. Colocar as Bakhauss abaixo da dobra Preparação de pacote (LAP) 1. Deixar o pano em um quadrado 2. Dobrar cada ponta para dentro e voltar uma pontinha 3. Deixar o último lado maior para que dê a volta em todo o pacote Página | 13 Apostila Técnica Cirúrgica – Leticia Toigo, Gabriela Lorenzet, Larissa Panozzo, Nadine Baldo, Tainara Orlandin 4. ESTERILIZAÇÃO E DESINFECÇÃO Gabriela Lorenzet AGENTE USO PRÁTICO DESINFECCÇÃO ANTISSEPSIA MECANISMO DE AÇÃO PRECAUÇÕES ÁLCCOL 70% Limpeza de manchas, preparação do local para injeção Boa Muito boa Desnaturação da proteína, interrupção metabólica e lise celular Corrosivo para aço inoxidável, volátil HIPOCLORITO Limpeza de pisos e superfícies de balcões Boa Moderada Liberação de cloro livre e oxigênio Inativada por resíduos orgânicos, corrosivo para metais COMPOSTOS DO IODO Limpeza de pisos escuros e superfícies de balcões Boa Boa Iodação e oxidação de moléculas essenciais Mancha produtos e tecidos orgânicos GLUTARALDEÍDO Desinfetante de lentes e instrumentos delicados Boa, esterilizante Não Alquilação de proteínas e ácido nucléico Odor na reação ao tecido (enxaguar instrumento antes do uso) ESTERILIZAÇÃO À vapor Barata, prática, segura Não usada para materiais delicados Alta temperatura e umidade 10 a 25min a 132°C-135°C 15 a 30min a 121°C Exige espaço entre pacotes de 2,5 a 5cm, pacotes pesados na periferia Deslocamento por gravidade: mais utilizado na veterinária Pré-vácuo 3 a 4min a 132-135°C *Esporos podem resistir ao calor e umidade À flash Esterilização de emergência: materiais não embalados e não estéreis dificilmente será material asséptico 3min a 132-135°C Química – Óxido de Etileno Gás inflamável e explosivo, depressão do SNC, irritação dos olhos (catarata) e mucosas, carcinogênese Usado para equipamentos sensíveis Longo período de ação Não utilizar em acrílicos, itens farmacêuticos e soluções Química – Plasma Gás peróxido de hidrogênio Baixa temperatura – método de escolha para equipamentos sensíveis ao calor Química – Ácido Peracético Usada para materiais orgânicos (ex.: endoscópio) FALHAS NA ESTERILIZAÇÃO - Limpeza incorreta - Desmontagem do equipamento - Uso inapropriado Página | 14 Apostila Técnica Cirúrgica – Leticia Toigo, Gabriela Lorenzet, Larissa Panozzo, Nadine Baldo, Tainara Orlandin Química – Radiação Ionizante Elevado custo Usada para aventais, toalhas, forros Química – À Frio Glutaraldeído – carcinogênese Para borrachas e instrumentos delicados INDICADORES DE ESTERILIZAÇÃO Página | 15 Apostila Técnica Cirúrgica – Leticia Toigo, Gabriela Lorenzet, Larissa Panozzo, Nadine Baldo, Tainara Orlandin 5. PREPARAÇÃO DO CAMPO OPERATÓRIO Gabriela Lorenzet SSI – infecção do campo operatório: causada no local da incisão cirúrgica e que acontece em até 30 dias (em implantes: até um ano após). Aumenta 2x as chances de óbito e pode ser incisional, superficial ou profunda. PREVENÇÃO: antissepsia e assepsia. 1. Jejum 6 a 12h sólido (cirurgia eletiva em animal saudável) 48h + antibiótico (cirurgia de intestino grosso) 4 a 8h hídrico (opcional): permanece pouco tempo no estômago 4 a 6h (jovens, idosos e felinos): redução do metabolismo, hipoglicemia, desidratação. 2. Excreções Diminuir chance de contaminação: bolsa de tabaco, passeio prévio, enema. 3. Tratamento pele e pelo: para remoção de microrganismos, reduzir contagem microbiana, rápida e minimamente irritante, inibir rapidamente recolonização. Tricotomia: próximo ao início da cirurgia, fora da sala de cirurgia, ampla (10cm para cada lado), uso de lubrificantes e/ou condicionador, creme depilatório. Lesões, escoriações, dermatites: porta de infecção. 360° para acesso venoso e procedimento nos membros. Soluções para limpeza Compostos hipoalergênicos e atóxicos Iodo, clorexidine, álcool, hexaclorofeno e sais Obrigação ter composto alcoólico como primeira e última solução de limpeza Ação química + ação mecânica. 4. Posicionamento Decúbitos lateral, dorsal, ventral e trem lemburg. Cordas, sacos de areia, calhas, fitas, dispositivos a vácuo. Almofada aquecedora, eletrocautério. Feito entre a tricotomia e a antissepsia do paciente. Altera conforme o paciente e o procedimento Página | 16 Apostila Técnica Cirúrgica – Leticia Toigo, Gabriela Lorenzet, Larissa Panozzo, Nadine Baldo, Tainara Orlandin 6. PREPARAÇÃO DA EQUIPE CIRÚRGICA Gabriela Lorenzet Pijama cirúrgico: usado apenas no ambiente cirúrgico, camisa frouxa por dentro da calça, calça de elástico ou cordão, colocado comento junto da roupa íntima. Gorro: tapar têmporas e pelos da nuca, cobrir todo o cabelo. Máscara: filtro hidrofílico, conter gotículas. Propé: calçado específico do ambiente cirúrgico. Avental cirúrgico: reutilizável ou descartável. Escovação cirúrgica: primeira do dia = 5-7 minutos; seguintes = 2-3 minutos. Retirar joias, pulseiras, relógios. Unhas limpas, naturais e saudáveis. Braço e antebraço livre de lesões. Remover sujeiras e gordura, reduzir bactérias transitórias, NÃO usar escovas. Manter mãos mais altas que o cotovelo. Soluções para escovação: ação rápida, largo espectro, não irritante. Álcool: mais fácil e com menos efeitos a pele, não necessita enxague. Gliconato de clorexidine: amplo espectro, atividade residual, menos irritante. Iodóforos: amplo espectro, atividade contra esporos, mínimo 2min em contato com a pele. Álcool + clorexidine ou iodo: amplo espectro. Paramentação: Avental. Luvas: colocação pelos métodos fechado, aberto ou assistido. Manutenção da esterilidade: Não tocar ou inclinar-se sobre a área estéril, braços e mãos sempre acima da cintura e abaixo do ombro. Costas não são estéreis. Gola, ombro e abaixo do braço não são estéreis. OBS.: ASSISTIR VÍDEO SOBRE ESCOVAÇÃO CIRÚRGICA, PARAMENTAÇÃO. Página | 17 Apostila Técnica Cirúrgica –Leticia Toigo, Gabriela Lorenzet, Larissa Panozzo, Nadine Baldo, Tainara Orlandin 7. TEMPOS CIRÚRGICOS E MATERIAIS Gabriela Lorenzet DIÉRESE Traçado da incisão: Bisturi, caneta cirúrgica, corante (azul de metileno). Secção da Pele: Magistral: um só movimento sem levantar bisturi. Magistral Breve: movimento do pulso. Serrilhada: serra. Punção: bisturi pela ponta. Circular/elíptica: em um ou dois tempos. Com tesoura: na ausência de bisturi, cirurgia reparadora. Secção de Subcutâneo: Com bisturi: paciente magro, às cegas. Por planos: em camadas. Com tesoura: divulsão do subcutâneo e secção. Diérese Muscular: Simples: cesariana no flanco de bovino. Composta: cesariana em égua. Magistral, com tesouro, com os dedos (sentido das fibras). Curetagem: raspagem. Desbridamento: tecido necrosado, fibrosado. Divulsão ou deslocamento: separar os tecidos com tesouras, pinças hemostáticas, dedos ou gaze. Diérese incruenta: raios laser, criobisturi, bisturi ultrassônico. Hemorragia Feridas arteriais: hemorragias persistentes. Feridas venosas: facilmente colabáveis, tamponamento para hemostasia. Secção de capilares: tamponamento/compressão. Contusão de vasos: camada interna do vaso está lesionada, facilita trombose. Ligadura de grandes vasos: Artérias: gangrena, amputação. Veias: congestão e edema. Remoção do sangramento: auxílio de instrumentos ou manual. HEMOSTASIA: “Deter ou prevenir uma hemorragia ou impedir a circulação de sangue” Temporária: Torniquete; Tamponamento compressivo; Compressão digital; Clampes atraumáticos, fios, fitas. Definitiva: Página | 18 Apostila Técnica Cirúrgica – Leticia Toigo, Gabriela Lorenzet, Larissa Panozzo, Nadine Baldo, Tainara Orlandin Fragmento muscular, gordura, adesivo de fibrina. Coagulação térmica. Frio ou calor. Pinças hemostáticas. Ligaduras Método das 3 pinças Nó de Miller modificado Método de dividir Síntese de vasos EXÉRESE: “Remoção ou extirpação cirúrgica”. Bisturi: cabo 3 (lâminas 10, 11, 12, 15) e cabo 4 (lâminas 20, 21, 22, 25). Empunhadura bisturi: Princípios básicos da incisão: estabilidade do tecido, controle preciso da profundidade, incisão completa em uma única passada, lâmina perpendicular ao tecido. Tesoura Empunhadura: LÁPIS PONTA DO DEDO PALMAR ESTOCADA LÂMINA INVERTIDA TRIPÉ REVÉS TENAR DESLIZAMENTO Página | 19 Apostila Técnica Cirúrgica – Leticia Toigo, Gabriela Lorenzet, Larissa Panozzo, Nadine Baldo, Tainara Orlandin Estilo da lâmina da tesoura: Utilidade da tesoura: Secção de tecidos: Metzembaum, Mayo. Divulsão: Metzembaum, Mayo. Corte de fio: standard. SÍNTESE Porta agulhas: Hegar, Olsen-Hegar, Mathieu. Pinças anatômicas: com dente, sem dente. Allis: pinça de fáscia muscular. ROMBA PONTIAGUDA CURVA RETA ROMBA FINA Página | 20 Apostila Técnica Cirúrgica – Leticia Toigo, Gabriela Lorenzet, Larissa Panozzo, Nadine Baldo, Tainara Orlandin 8. TEMPOS CIRÚRGICOS E MATERIAIS Nadine Laura Baldo DIÉRESE HEMOSTASIA EXÉRESE Incruenta Laser Bisturi ultrassônico Criobisturi Traçado Azul de Metileno Bisturi Caneta Sentido Cranio-caudal Dorso-ventral Secção Magistral Magistral breve Punção Elíptica Serrilhada Tesoura Subcutâneo Paciente magro/às cegas Por planos Tesoura Músculo Magistral Com os dedos Tesoura Curetagem Desbridamento Outros Escarificação Divulsão Esmagamento Hemorragia Arterial Venosa Capilar Mista Persistente Gangrena Colaba fácil Congestão Contida por compressão Ligadura Procurar lesão Trombose Temporária Definitiva Fita Fio Clampe atraumático Posição Adrenalina local Compressão digital Pinças hemostáticas (Crille, Kelly, Rochester-Pean) Síntese de vaso Ligadura Calor/frio Adesivo de fibrina Impedir a circulação sanguínea Amputação Bisturi Tesoura Lápis Ponta dos dedos Palmar Lâmina invertida Deslizamento Estocada Tripé Tenar Revés Empunhadura Lâmina Reta Curva Mayo-hegar Mathieu Olsen-hegar Anatômica Dente de rato SÍNTESE Metzembaum Mayo Standard Porta-agulhas Pinça Cruenta Pele Página | 21 Apostila Técnica Cirúrgica – Leticia Toigo, Gabriela Lorenzet, Larissa Panozzo, Nadine Baldo, Tainara Orlandin CRILE HALSTED MOSQUITO KELLY ROCHESTER-PEAN 9. MATERIAIS Nadine Laura Baldo P I N Ç A S H E M O S T Á T I C A S Página | 22 Apostila Técnica Cirúrgica – Leticia Toigo, Gabriela Lorenzet, Larissa Panozzo, Nadine Baldo, Tainara Orlandin MAYO METZEMBAUM T E S O U R A S Página | 23 Apostila Técnica Cirúrgica – Leticia Toigo, Gabriela Lorenzet, Larissa Panozzo, Nadine Baldo, Tainara Orlandin FARABEUF WEITLANER CABO 3 CABO 4 A F A S T A D O R E S B I S T U R I S Página | 24 Apostila Técnica Cirúrgica – Leticia Toigo, Gabriela Lorenzet, Larissa Panozzo, Nadine Baldo, Tainara Orlandin HEGAR MATHIEU OLSEN-HEGAR PINÇA DENTE DE RATO PINÇA ANATÔMICA P O R T A - A G U L H A S ESPECIAIS Página | 25 Apostila Técnica Cirúrgica – Leticia Toigo, Gabriela Lorenzet, Larissa Panozzo, Nadine Baldo, Tainara Orlandin BACKAUS FOESTER ALLIS E S P E C I A I S Página | 26 Apostila Técnica Cirúrgica – Leticia Toigo, Gabriela Lorenzet, Larissa Panozzo, Nadine Baldo, Tainara Orlandin 10. MONTAGEM DA MESA CIRÚRGICA Leticia Toigo Página | 27 Apostila Técnica Cirúrgica – Leticia Toigo, Gabriela Lorenzet, Larissa Panozzo, Nadine Baldo, Tainara Orlandin 11. SUTURA E HEMOSTASIA Leticia Toigo Características da sutura: Função: promover o reparo tecidual, hemostasia e suporte do tecido para boa cicatrização Diferenças na cicatrização o Tipos de tecido Pele, SC e músculo → dias Fáscias → semanas Tendões → meses o Doenças Infecções Obesidade Desnutrição Distúrbios metabólicos de colágeno: principalmente doenças que envolvem cortisol o Medicações Alguns pacientes não podem deixar de usar determinada medicação, e algumas retardam a cicatrização (ex: imunossupressores) o Variação individual Sutura ideal o Perda de força de tensão X ganho de força no tecido o Absorvida (reduzir material estranho) com menos reação tecidual o Boa segurança de nó/facilidade de manipulação o Dano tecidual e resposta inflamatória mínimo o Biocompatibilidade o Preferência subjetiva (familiaridade/disponibilidade) o Inibir crescimento bacteriano o Resistente a contratação do tecido o Não capilar, não alérgica, não carcinogênica, não ferromagnética Tamanho da sutura o Menor tamanho possível (reduz trauma e quantidade de material estranho) o Gerar mesma força do tecido suturado o A segurança do nó não esta ligada a espessura do fio o Quanto mais grosso o fio, mais difícil fazer o nó o 12─0 até 7 Flexibilidade o Rigidez de tensão e diâmetro o Influência na manipulação e utilização o Flexíveis Ex: náilon → relativamente rígido comparado a seda Poliéster: média rigidez Ligaduras e padrões contínuos o Menos flexíveis Ex: fio de aço Página | 28 Apostila Técnica Cirúrgica – Leticia Toigo, Gabriela Lorenzet, Larissa Panozzo, Nadine Baldo, Tainara Orlandin Não utilizados em ligaduras e tecidos pequenos (porque não consegue dar o nó direito) Superfície e revestimento o Influencia na passagem pelo tecido: magnitude dotrauma o arrasto/fricção/rasgo Lisos: Tecidos delicados (olhos), órgãos parenquimatosos Necessitam de maior tensão para segurar aposição Menor firmeza do nó (menos seguro) Trançados Mais resistentes Geralmente revestidos: reduz arrasto e capilaridade Capilaridade o Processo pelo qual o fluido e as bactérias são carreadas para o interstício das fibras multifilamentadas Todo material trançado tem capilaridade Revestimento reduz capilaridade Não utilizar em locais contaminados Força Tênsil o Medida em libras ─ força que o fio tem até seu rompimento o Devem ser fortes quanto o tecido suturado o Não exercer demasiadamente a força do tecido Segurança do nó o É a capacidade da sutura de manter sua estrutura segura ─ força para desatar ou romper um nó o Expressa como porcentagem da força tênsil Materiais de sutura: o Classificação: Comportamento no tecido: Absorvível: hidrolise ─ Sintético X Orgânico ─ enzimas Não absorvível: encapsulamento Origem do fio: Sintético Orgânico Metálico Composição do fio: Monofilamentar: o Fio único o Menor resistência o Não tem interstício, diminuindo o risco de contaminação o Cuidar com danos por esmagamento : algumas vezes ao serem pegos com o porta agulha, esmagam, deve-se cuidar o local onde pegar o fio pois quanto mais perto da sutura, mais sensível Multifilamentar o Trançado de fios o Todo fio multifilamentar causa lesão tecidual o Aumenta a maleabilidade e flexibilidade o Revestidos ou não o Causam arrasto o São os mais utilizados e mais seguros Suturas absorvíveis: Página | 29 Apostila Técnica Cirúrgica – Leticia Toigo, Gabriela Lorenzet, Larissa Panozzo, Nadine Baldo, Tainara Orlandin Maioria perde a força de tensão em 60 dias: suturar com esse tipo de fio quando a cicatrização por em , no máximo, 60 dias Desaparecem do tecido (fagocitose; hidrolise) Absorção completa varia entre os materiais NUNCA suturar tendão Exemplos: Categute, ácido Poliglicólico, poligalactina 910 (Vycril), polidioxanona (PSD), poligliconato, poliglecaprone 25 (Monocryl) Materiais orgânicos absorvíveis: o Submucosa ou serosa do intestino o Perda de força rapidamente o Reação tecidual intensa o Pode ser revestido de cromo o Categute é o mais conhecido Materiais sintéticos absorvíveis: o Reação tecidual mínima (degradado por hidrolise) o Tempo para perda de força e reabsorção mais constante o Infecções e exposição a enzimas não as afetam o Cuidados com degradação em bexiga!!! Ex: poligalactina 910; ácido Poliglicolico, poliglecaprone: degradam mais rapidamente em urina contaminada Polidioxanona e poligliconato: mais indicados Materiais monofilamentares absorvíveis: o Mantém força tênsil por mais tempo que multifilamentares o Absorção completa em seis meses : força tênsil em tordo de 60 dias o Mais moderna poliglecaprone Absorção em 56 dias Retém 30% de tensão nos 10 primeiros dias Materiais multifilamentares absorvíveis o Ex: ác. Poliglicólico, vycril o Revestidos o Plisorb é o mais moderno, boa força tênsil inicial e absorção em 60 dias o Vycril Rapid: força tênsil similar ao náilon (perde 50% em 5 a 6 dias), absorção em 42 o Vycril plus: tem triclosan ─ agente bactericida Materiais orgânicos não absorvíveis o Multifilamentar revestida e não revestida o Excelente manuseio o Usados em cirurgia cardiovascular o Contraindicado em enxertos vasculares porque ele é multifilamentar e pode causar hemorragia o Não utilizar em locais infectados porque ele não tem proteção o Ex: seda Materiais sintéticos não absorvíveis o Multifilamentares (poliéster) o Monofilamentares (polipropileno─nylon) Causa fibrose, podendo deixar o órgão cada vez mais afuncional Resistentes Reduzem a reação tecidual mínima Suturas metálicas: Página | 30 Apostila Técnica Cirúrgica – Leticia Toigo, Gabriela Lorenzet, Larissa Panozzo, Nadine Baldo, Tainara Orlandin o Aço inoxidável o Monofilamento e multifilamento o Reação tecidual mínima (exceto no nó) : fazer uma torção ao invés do nó e cuidar a região que fica a ponta o Tendência de cortar tecido/fragmentar/migrar o Estável em ferida contaminada Agulhas cirúrgicas: o A seleção depende de: Tipo de tecido: permeabilidade/densidade/espessura Topografia da ferida ─ profunda ou estreita Características da agulha Tipo de olho Comprimento Diâmetro Força/ductilidade/poder de corte o Componentes básicos Agulhas de olho Corte maior que o fio Pouco utilizada: preferência estampada Corpo da agulha Tipo e profundidade no tecido Agulhas retas: usar as mãos Agulhas curvas: usar porta agulha Ponta da agulha Cortante: o 2 ou 3 arestas cortantes opostas (terceira porção côncava) o Tecidos difíceis de penetrar o Ex: pele Cônica atraumática: o Ponta afilada que espalha o tecido sem cortar o Ex: tecido SC e intestino o Órgãos parenquimatosos : ponta cega ; ponta arredondada o Ex: rim/fígado Corte cônico: o Arestas cortantes opostas o Tecido fibroso consistente e denso o Cirurgia cardiovasculares o Ex: tendões, enxertos vasculares Corte inverso ou lateral: o Terceira ponta na parte convexa o Mais forte que agulhas convencionais o Reduz tecido cortado o Corte lateral (agulha espátula ─ procedimento oftálmico) o Corre menos risco de causar trauma por arrasto Página | 31 Apostila Técnica Cirúrgica – Leticia Toigo, Gabriela Lorenzet, Larissa Panozzo, Nadine Baldo, Tainara Orlandin Sutura para diferentes tecidos: o Fatores a considerar Duração necessária para auxiliar na recuperação da ferida ou tecido Risco de infecção Efeito do material na cicatrização Dimensão e força requerida na sutura o Pele: Monofilamentar sintético ou absorvível Ex: nylon, polipropileno Sutura absorvível Deve ser removida (não tem contato com fluidos para absorção) Usadas no SC o Reduzir espaço morto e tensão na pele Preferir monofilamentar o Fechamento abdominal Três planos: musculatura, sc, pele Padrão continuo (SC e musculatura) ou interrompido (pele) Maioria utiliza continuo simples, não utilizar categute Continuas: fio monofilamentar, fio maior que interrompidas Serrar nós com cuidado: três ou quatro nós quadrados (6 a 8 meios nós) Absorvível padrão: polidioxanona (PSD) o Músculos e tendões Agulha Característica do tecido Exemplo Cortante Tecidos difíceis de penetrar Pele Cônica atraumática Com ponta ─ espalha o tecido sem cortar Ponta cega ─ arredondada Tecido SC e intestino Órgãos parenquimatosos Corte cônico Arestas cortantes opostas Tendão, enxertos vasculares Corte inverso ou lateral Reduz tecido cortado Processos oftálmicos Página | 32 Apostila Técnica Cirúrgica – Leticia Toigo, Gabriela Lorenzet, Larissa Panozzo, Nadine Baldo, Tainara Orlandin Difíceis de suturar Absorvíveis ou não absorvível Agulha cônica ou corte cônico Musculatura Multifilamentares: entrelaçado de ford, colchoeiro vertical o Não dispor paralelamente o Considerar padrão Tendões o Forte e não absorvível o Minimamente reativo o Agulha cônica ou corte cônico o Nylon ou fio de aço o Usar maior fio possível, mas cuidar com o trauma o Órgãos parenquimatosos Monofilamentar absorvível Multifilamentares ─ arrasto corta o tecido Ex: rim, fígado, baço o Órgãos viscerais ocos Absorvível Prevenir permanência de material estranho Sutura não absorvível ─ calculogênica Ácido poliglicólico Não usar na bexiga, tem chance de causar cálculo Absorvido muito mais rápido em urina contaminada (usar polidioxanona) o Feridas contaminadas ou infectadas Evitar em feridas altamente contaminadas e infectadas Não utilizar multifilamentar não absorvível (sedae poliéster) Potencializa a contaminação Causa fístulas Preferir absorvíveis Não utilizar categute Nylon e polipropileno Geram menos infecção que metálicos o Vasos e anastomoses vasculares Anastomose: ligar um vaso no outro Não usar fio multifilamentar Absorvível ou não absorvível Não absorvível: preferência Relação agulha X fio deve ser 1x1 (fio não pode ser mais grosso) Usar polipropileno o Hemostasia Parada da passagem do sangue Usar multifilamentar absorvível Ácido Poliglicolico Padrões de sutura o Classificação Como justapõe o tecido Interrompido Continuo o Aposição o Eversão o Inversão ou invaginante Página | 33 Apostila Técnica Cirúrgica – Leticia Toigo, Gabriela Lorenzet, Larissa Panozzo, Nadine Baldo, Tainara Orlandin Tipo de tecido Dérmica Subcuticular ou intradérmica Subcutâneo Muscular Conjuntiva Mucosa/submucosa/serosa (encontrado em órgãos ocos) Padrões de sutura Padrão subcutâneo e subcuticular o Subcutâneo Eliminar espaço morto Reduzir tensão da sutura dérmica Simples ou continua Preferência por absorvível o Subcuticular ou intradérmica Usada no lugar da dermorrafia Aposição perfeita da pele Evitar retirada de pontos Reduzir formação de cicatrizes Absorvível é preferível Padrão de sutura interrompida o Padrão interrompido simples (PIS) Evitar que o nó fique sobre a incisão Pele e outros órgãos Pegar borda grande se não pode causar necrose do tecido 2 a 3mm da borda da incisão Destros ─ suturas da direita para esquerda Sutura de aposição Vantagem ─ um ponto não fragiliza demais suturas Desvantagem ─ demorada o Padrão colchoeiro horizontal “U” deitado ou Wolf / Associada com stent 6 a 8 mm da entrada e saída Sutura de tensão Desvantagem ─ eversão do tecido o Padrão colchoeiro vertical Em “U” em pé ou Donatti/associada com stent 6 a 8 mm da entrada a borda para ambos os lados 4 mm da borda Sutura de tensão Vantagem Mais forte que horizontal Interrompe menos vascularização da borda Desvantagem: demorada o Padrão Gambee Utilizada para intestinos Evita inversão de mucosa Reduz extravasamento do material do lúmen Página | 34 Apostila Técnica Cirúrgica – Leticia Toigo, Gabriela Lorenzet, Larissa Panozzo, Nadine Baldo, Tainara Orlandin Padrão de sutura contínua o Padrão continuo simples Serie de sutura PIS Inicia e termina com ponto simples Vantagem Máxima aposição relativamente segura Impede extravasamento de fluido e ar Fechamento de linha alba e SC Cuidado com efeito bolsa de tabaco (Ex: no intestino) o Padrão entrelaçado de Ford Continuo simples parcialmente bloqueado Vantagens Colocada rapidamente Aguenta tensão Aposiciona melhor o tecido que PIS Maior estabilidade em rupturas Desvantagens Quantidade de material Difícil remover o Padrão Lembert Variação de colchoeiro vertical continuo Padrão de inversão Fechamento de vísceras ocas Penetra na serosa e muscular 8 a 10 mm da incisão Distancia da borda de 3 a 4 mm o Padrão de Connel e Cushing Jeito de fazer é igual, porém connel entra no lúmen e cushing entra ate a submucosa Mesmo padrão ─ muda o tecido que abrange Não muito usado para órgãos ocos Causa excessiva invaginação Cushing é usado para fechamento de vesícula urinaria Amarração de nós o Importante: Ponto mais fraco da sutura No mínimo duas laçadas sobrepostas Voltas paralelas ─ Ex: nó quadrado Voltas em cruz ─ Ex: nó triplo Segurança do nó Bem atados/ tombados/amarrados/evitar triplos Coeficiente do material Extremidade das pontas Nó de cirurgião sobrepondo quadrados Fios multi melhores que mono Multi tem memoria, se não fizer certo o primeiro nó ele abre Evitar tensão exagerada/exceto em ligaduras de hemostasia Tipos de nós: Cirurgião Quadrado Meia volta Nó de cirurgião: Nó duplo + 3 nós simples Página | 35 Apostila Técnica Cirúrgica – Leticia Toigo, Gabriela Lorenzet, Larissa Panozzo, Nadine Baldo, Tainara Orlandin Nó de cirurgião com 1 o Meia volta fechando com outro no quadrado Técnicas e materiais para hemostasia Ligadura simples (A) Ligadura transfixante o De halsted (B) o Modificada (C) Ligadura de tecido o Cruzada (D) o Simples (E) o Colchoeiro (F) o Nós de bastão (G) Ligadura de pedículo vascular o Técnica das 3 pinças (H) o Dividir e conquistar (I) D E D F A B C G H I Página | 36 Apostila Técnica Cirúrgica – Leticia Toigo, Gabriela Lorenzet, Larissa Panozzo, Nadine Baldo, Tainara Orlandin 12. TABELA DE FIOS Nadine Laura Baldo Categute Poligalactina 910 Ácido poliglicólico Poliglecaprone 25 Polidioxanona Composição Multifilamentar Multifilamentar Multifilamentar Monofilamentar Monofilamentar Duração 70 dias 56-70 dias 60-90 dias 90-120 dias 180 dias Origem Orgânico Sintético Sintético Sintético Sintético Marca Vicryl Dexon Monocryl PDS Usos Gastrointestinais, vasos, subcutâneo, ginecológicas e urológicas Gastrointestinais, oftalmológicas, subcutâneo, ginecológicas e urológicas Músculos, fáscias, subcutâneo *Absorvido rapidamente na urina Plástica, urologia, órgãos parenquimatosos (arrastamento) Tendões, cápsulas articulares, parede abdominal, órgãos ocos (cálculo), órgãos parenquimatosos Seda Poliéster Nylon Aço inox Polipropileno Composição Multifilamentar Multifilamentar Monofilamentar Monofilamentar Monofilamentar Duração 1 ano Indefinida Perde com o tempo Indefinida Indefinido Origem Orgânico Sintético Sintético Mineral Sintético Marca Mersilene Acrilex Prolene Usos Oftálmica, cardíaca Aponeuroses, tendões e vasos Pele, ferida infectada Fraturas Sutura intradérmica, vascular ABSORVÍVEIS NÃO ABSORVÍVEIS Página | 37 Apostila Técnica Cirúrgica – Leticia Toigo, Gabriela Lorenzet, Larissa Panozzo, Nadine Baldo, Tainara Orlandin 13. FLUXOGRAMA DE FIOS Leticia Toigo Página | 38 Apostila Técnica Cirúrgica – Leticia Toigo, Gabriela Lorenzet, Larissa Panozzo, Nadine Baldo, Tainara Orlandin 14. ANESTESIOLOGIA Larissa Conte Panozzo Estuda e proporciona ausência ou alivio da dor e outras sensações, do paciente que necessita passar por procedimentos médicos, como cirurgias ou exames diagnósticos para identifica e tratar possíveis alterações das funções vitais. Terminologia • Analgesia: retirada da dor, sem influenciar nas demais propriedades sensitivas, e sem perda da consciência; • Analgésico: ↓ ou interrompe a via de transmissão nervosa e percepção da dor, tendo ação central ou periférica; • Anestésicos: fármacos responsáveis pela anestesia, bem como equipamentos e condutas clínicas relacionadas com o ato cirúrgico; • Sedação: estado de sonolência, do qual o animal aparenta estar inconsciente mas responde a estímulos de dor; • Tranquilização: mudança de comportamento que ↓ a ansiedade e causa relaxamento, sem perda da consciência. Indiferente a dores de baixa intensidade; •Neurolepto-analgesia: estado de narcose, com profunda analgesia e sem perda da consciência; •Hipnose: indução artificial do sono, mas podendo ser facilmente despertado; • Narcose: profunda sedação, no qual o animal está completamente desligado do ambiente que o cerca; • Anestesia geral: perda total e reversível da consciência, sem sentir qualquer estímulo doloroso (IV ou inalatória); • Anestesia cirúrgica: estagio da anestesia geral que o paciente encontra-se com total relaxamento muscular, analgesia ideal e inconsciência total; • Anestesia dissociativa: dissociação do sistema tálamo-cortical e límbico, sem percepção do ambiente que o cerca; • Anestesialocal: administração de fármacos que produzem anestesia em parte localizada do organismo sem envolver inconsciência; • Anestesia regional: bloqueio do tronco nervoso, sem causar inconsciência, mas com perda regional; Razões para realização da anestesia • Procedimento cirúrgico; • Procedimento diagnóstico; • Coleta de material; • Contenção de animais bravos; • Transporte/manipulação de animais silvestres; Atribuições do anestesista • Escolha do fármaco ideal para cada caso (tipo de cirurgia, espécie, raça, idade...); • Preparo pré anestésico; • Execução perfeita; • Separação de todos materiais necessários antes do inicio da cirurgia (aparelhos, drogas, sondas, laringoscópio, abridor de boca...); • Orientar o cirurgião: quando pode iniciar, estado do paciente no decorrer da cirurgia, e possíveis acidente; • Não ajudar na cirurgia; • Registrar os parâmetros vitais a cada 10 minutos (FC, FR, Tº, pressão arterial); • Não sair de perto do paciente, pois será o único responsável caso ocorram problemas relacionados a anestesia; Passos 1. Identificação: nome, sexo, raça, idade, peso, data, nome do anestesista, nome do estagiário; Página | 39 Apostila Técnica Cirúrgica – Leticia Toigo, Gabriela Lorenzet, Larissa Panozzo, Nadine Baldo, Tainara Orlandin 2. Anamnese semiológica básica: Possui alguma doença? Qual?, Já passou por cirurgia? Por que? Toma alguma medicação? Qual?, É alérgico a alguma medicação? Já passou por transfusão? Por que e quantas? Está em jejum? Se for fêmea, já deu cria? Quantas? É castrada?; 3. Exame físico: inspeção, auscultação, palpação, olfação, percussão, desidratação, FR, FC, pulso; Classificação da desidratação: por ressecamento da mucosa, ↓ da elasticidade da pele, TPC, profundidade do globo, pulso e FC, dizendo se é discreta (4-5%), moderada (6-8%), severa (9-12%) ou grave (>12%); Página | 40 Apostila Técnica Cirúrgica – Leticia Toigo, Gabriela Lorenzet, Larissa Panozzo, Nadine Baldo, Tainara Orlandin 4. Avaliação laboratorial pré-cirúrgica: + Testes de rotina: hemograma completo e bioquímicos com ALT, FA, uréia/creatinina e glicose; + Testes adicionais (irão variar conforme idade): estado do paciente, enfermidades, idade; • Grau de risco conforme o ASA: 5. Sugestão de exames Preparo do paciente: estabilização, antibióticos profiláticos, jejum; Fluidoterapia: sempre indicado o uso, por facilitar a aplicação de medicações em casos de emergência, e também iniciada na suspeita de hemorragia ou choque? + Pacientes hipovolêmicos: cães 60 a 90 ml/kg/h e gatos 45 a 60 ml/kg/h + Casos de choque: ¼ da dose em 15 a 30 minutos iniciais, reavaliar; Pequenos animais: sólido 8-12h e absoluto 4- 6h; Equino: absoluto 12h; Bovinos: ½ sólido de 48h; Pequenos roedores e aves: abosluto máximo de 3h; Coelhos: absoluto de 6h Página | 41 Apostila Técnica Cirúrgica – Leticia Toigo, Gabriela Lorenzet, Larissa Panozzo, Nadine Baldo, Tainara Orlandin + Duração da ação: 1h após infusão – 10%; Riscos por falta de jejum • Regurgitação e aspiração do conteúdo (pneumonia aspirativa); • Obstrução das vias aéreas; • Comprometimento circulatório: grande aporte de sangue no TGI para realizar a digestão; • Em ruminantes, distenção de rúmen que dificulta ventilação; • Em equinos, ruptura do estomago por queda na indução; Saber qual o procedimento cirúrgico: gravidade, tempo de cirurgia, se será cruenta, grau de estímulo álgico, doença concomitante, temperamento do animal, onde será realizado o procedimento e se já passou por anestesia anteriormente; Definições do protocolo anestésico Página | 42 Apostila Técnica Cirúrgica – Leticia Toigo, Gabriela Lorenzet, Larissa Panozzo, Nadine Baldo, Tainara Orlandin 15. MONITORAMENTO ANESTÉSICO Larissa Conte Panozzo Objetivo: ter uma prática anestésica segura, estável e contínua, registrada em planilhas para fazer o reconhecimento de anormalidades e poder facilitar a correção dos problemas. Profundidade anestésica: • Estágio I: analgesia e perda de consciência; • Estágio II: fase de excitação e delírio; • Estágio III: anestesia cirúrgica: 1º plano: superficial, com reflexo palpebral, globo centralizado e ↑ tônus muscular 2º e 3º planos: adequado, sem reflexo palpebral, globo rotacionado, e ↓ tônus muscular 4º plano: profundo, sem reflexo palpebral e corneal, midríase (pupilas diltadas), globo centralizado e respiração agônica (profunda e tensa); • Estágio IV: choque bulbar e morte; Monitoramento cardiovascular: avaliação da frequência e ritmo cardíaco; • Se estiver ↑ indica dor, se estiver ↓ indica aprofundamento ou medicação causando bradicardia; • Métodos de avaliação: 1) Estetoscopia normal ou traqueoesofágica; 2) Pulso periférico (palpação): pode estar regular/irregular, e fraco/forte/filiforme (quase não sente); 3) TPC/coloração das mucosas: olhar gengivas/pálpebras/vulva, ajudando na avaliação da oxigenação, tônus vascular periférico e perfusão tecidual, sendo normal de 1 a 3s 4) Eletrocardiograma: avalia a atividade elétrica do coração, encontrando arritmias (batimentos irregulares) e bloqueios atrioventriculares da passagem do batimento atrial para ventricular. Funcionamento: onda P (sístole atrial, despolarização do átrio), complexo QRS (sístole ventricular, despolarização do ventrículo) e onda T (diástole ventricular e atrial, e repolarização de ambos); Principal monitor: SER HUMANO Página | 43 Apostila Técnica Cirúrgica – Leticia Toigo, Gabriela Lorenzet, Larissa Panozzo, Nadine Baldo, Tainara Orlandin 5) Pressão arterial: avalia a perfusão tecidual, sendo sistólica 90 a 120 mmHg, média de 60 a 120 mmHg e diastólica 55 a 90 mmHg. Método direto/invasivo: padrão ouro, exige experiência. Método indireto ou não invasivo: Doppler ultrassonográfico e método oscilométrico; 6) Pressão venosa central: com um cateter na entrada do átrio, avalia-se a pressão de sangue que chega; Monitoramento pulmonar: • A frequência informa se está sentindo dor (↑), a profundidade (↑ ou ↓), se está em acidose metabólica; • Estar respirando NÃO QUER DIZER QUE ESTÁ OXIGENANDO; • Oximetria de pulso: ajuda a identificar a hipoxia antes do animal apresentar cianose. Limitações: hipotensão, vasoconstrição, pigmentação de mucosas (se for da raça Chow Chow observar outras mucosas e não língua); • Capnometria e capnografia: avalia a quantidade de CO2 expirada ou inspirada (deve ser zero); Temperatura: quanto mais baixa, maior a dificuldade de recuperação e os riscos de morte. Débito urinário: sempre sondar para ver se animal está produzindo de 1 a 2mL/h, caso contrário, está sendo fornecida pouca fluidoterapia ou ele apresenta hipotensão; Dor: causará alterações comportamentais, sistêmicas e retardo da cicatrização (por liberar cortisol); • Como reconhecer: comportamento (agressivo, choro, se esconde, parâmetros aumentados, postura), alterações fisiológicas, resposta a fármacos (se continuar após fornecimento de bloqueadores da dor, não é) e conversa com o proprietário; Escores de dor: 1) Leve: orquiectomias e pele (AINE + dipirona); 2) Moderada: OSH, nodulectomias, tumores superficiais, cirurgias viscerais (AINE + dipirona e/ou opioides); 3) Intensa: mastectomias, fraturas simples, tumores invasivos (AINE + dipirona + opioides); 4) Excruciante: osteossarcomas e fraturas múltiplas (AINE + dipirona + opioides + bloqueadores regionais). FC: Cão: 70-120 Felino: 110-130 Equino: 32-44 Bovino: 50-80 >36°C: mínimo efeito nocivo; 32-34°C: recuperação prolongada; 28-30°C: arritmias atriais; 25-36°C: liberação inadequada e O2;22-23°C: cessa ventilação espontânea; Vantagens Desvantagens Baixo custo Dispensa o uso de equipamento específicos Não produz poluição ambiental Não promove sobrecarga pulmonar Impossibilidade de superficialização rápida Eliminação dependente da estabilidade orgânica Recuperação prolongada GRUPOS FÁRMACOS Barbitúricos Tiopental/ Pentobarbital Alquil-fenóis Propofol Compostos imidazólicos Etomidato Derivados da fenciclidina Cetamina/ Tiletamina Miorrelaxante central Éter gliceril-guaiacol (EGG) BARBITÚRICOS AGENTE CLASSIFICAÇÃO LATENCIA PERIODO HABIL OBSERVAÇÃO Fenobarbital Longa 20 – 30 min 6 – 12 horas Animais com histórico de convulsão Pentobarbital Curta 30 – 60 seg 60 – 120 min Casos de epilepsia severa Tiopental Ultra-curta 15 – 30 seg 10 – 20 min Indução anestésica o Biotransformação hepática, pequena porcentagem no cérebro e rins, eliminação renal o Potentes hipnóticos, depressores não seletivos, pode causar completa depressão bulbar, levando o animal a entrar em choque e a morte. o Redistribuição para a gordura o Causam redução do consumo de O2 cerebral, redução da pressão intracraniana, depressão do centro termorregulador. Redução do debito cardíaca (inotropismo negativo), redução do consumo de O2 pelo miocárdio, redução da pressão vascular central, redução da pressão intraocular, peristaltismo e das secreções, queda na taxa de filtração glomerular e depressão fetal. COMPOSTOS IMIDAZÓLICOS o Etomidato o Liga-se a albumina, são rapidamente distribuídos para cérebro, baço, pulmão, fígado e intestino; o Rápido período de latência (30 min), duração do efeito (10 – 15 min); biotransformação hepática e plasmática, eliminação 87% renal (sendo 3% inalterados) e 13% pela bile; o Não possui efeito cumulativo, não é observada tolerância adquirida após doses repetidas, promove relaxamento muscular razoável, não confere analgesia, não tem indicação para manutenção anestésica; o Usado em cardiopatas, por ter mínimas alterações cardiovasculares, também indicado para neurocirurgias o Pode causar vômitos e náuseas, dor a injeção, mioclonias, excitação, apneia transitória, diminuição da re-sintese do ácido ascórbico. Associa-se com opioides ou benzodiazepínicos. COMPOSTOS ALQUI-FENÓIS o Propofol Página | 48 Apostila Técnica Cirúrgica – Leticia Toigo, Gabriela Lorenzet, Larissa Panozzo, Nadine Baldo, Tainara Orlandin o Elevado grau de ligação as proteínas plasmáticas, alto volume de distribuição, recuperação rápida e efeito não cumulativo o Biotransformação hepática, plasmática, pulmonar e renal, eliminação renal o Ausência de fenômenos excitatórios, desprovido de efeitos analgésicos, depressão respiratória, apneia transitória, hipotensão sistêmica, evitar o uso em pacientes geriátricos ou hipovolêmicos, atravessa a barreia placentária, podendo causar depressão fetal. ÉTER GLICERIL-GUAIACOL (EGG) o Potente miorrelaxante central associado a mínima depressão respiratória o Utilizado em associação com barbitúricos ou benzodiazepínicos (anestesia) o Mais utilizado em equinos, em procedimentos de curta duração o Administração IV, aplicar lentamente e cuidar para não sair do vaso sanguíneo, pois causa necrose tecidual; o Meia vida de 20 a 25 minutos o Biotransformação hepática, eliminação renal. Anestesia dissociativa Estado anestésico induzido por fármacos derivados das ciclohexaminas; Interrompem a transmissão ascendente cerebral se, promover depressão generalizada do cérebro; o CETAMINA, distribuição para os tecidos magros, biotransformação hepática, eliminação renal, devido a sua alta lipossolubilidade, atravessa a barreira placentária rapidamente, atingindo o feto, não podendo ser utilizada em cesárias. o TILETAMINA + ZOLAZEPAM (Zoletil ® ), administração via IV, de forma lenta Bloqueiam os receptores muscarínicos dos neurônios centrais e podem potencializar os efeitos inibitórios do GABA, potencializam os efeitos da seratonina, dopamina e Na por bloquear a captação, agonistas de receptores opioides, potencializando seus efeitos. Causa depressão do tálamo, centro dolorosos, sistema reticular mesencefálico, ativação do sistema límbico (hiperexcitabilidade), vasodilatação cerebral, aumento do fluxo sanguíneo cerebral (PIO, PIC, LCR), não tendo indicações para realização de cirurgias de neurocrânio. Associação de dissociativos com α-2 adrenergicos o Discreta analgesia visceral e somática, associar a opioides na MPA, excelente miorrelaxamento, intensa depressa hemodinâmica, depressão respiratória. Retorno anestésico com excitação (vocalização e se batendo) Associação de dissociativos com benzodiazepínicos o Utilização de benzodiazepínicos e analgésicos na MPA, miorrelaxamento satisfatório, ativação hemodinâmica, diminuição do risco de convulsão e retorno anestésico mais suave. Anestesia geral intravenosa Realizar Fluidoterapia SEMPRE CARACTERISTICAS DOS ANESTESICOS DISSOCIATIVOS Catalepsia Hipertonia muscular Nistagmo Manutenção dos reflexos protetores Midríase Analgesia somático Página | 49 Apostila Técnica Cirúrgica – Leticia Toigo, Gabriela Lorenzet, Larissa Panozzo, Nadine Baldo, Tainara Orlandin Anestésicos locais Lidocaína/ Tetracaína/ Bupivacaína/ Ropivacaína... Causam bloqueio temporário e reversível da condução nervosa Perda da sensibilidade dolorosa Não promove perda da consciência Farmacocinética o Absorção Os anestésicos locais atravessam as membranas do nervo por difusão Fatores relacionados a absorção Local da injeção Dose Presença de vasoconstritor o Reduz a velocidade de absorção o Biotransformação Hepática o Excreção Renal Mecanismo de ação o Impedem a geração e a condução de impulsos nervosos na membrana nervosa, aumentando o limiar de excitabilidade o Local de ação: membrana celular o Bloqueiam a condutância dos canais de Na, impedindo a deflagração do potencial de ação Usos o Procedimentos cirúrgicos o Alivio de dores intensas o Antiarrítmicos Toxicidade o Local Dor Infecção Lesão de nervos e vasos o Sistêmica Sobre dose Administração rápida via epidural Sintomatologia o SNC Depressão Inicial: convulsão, olhar fixo, êmese, salivação, epistótomo Acentuada: sonolência a hipnose, apneia o Sistema cardiovascular Depressão Bradicardia, vasodilatação, diminuição do debito cardíaco Tipos de anestesias locais Superficial ou tópica Infiltrativa Perineural Espinhal Intra-articular Página | 50 Apostila Técnica Cirúrgica – Leticia Toigo, Gabriela Lorenzet, Larissa Panozzo, Nadine Baldo, Tainara Orlandin Vantagens Desvantagens Efeito reversível Após seu emprego há recuperação completa da condução nervosa Perda da sensibilidade dolorosa pelo bloqueio da condução nervosa do estimulo doloroso ao SNC Não causa tranquilização, sedação ou inconsciência Ação especifica e seletiva Doses tóxicas Lidocaína Bupivacaína Curto período de latência Curto período anestésico Bom miorrelaxamento e analgesia Baixo custo Formas farmacêuticas: - líquido (injetável e spray) - gel Longo período de latência Longo período anestésico Miorrelaxamento insatisfatório Mais potente que a lidocaína Doses devem ser adequadas para cada técnica Principais técnicas de anestesia local o Botão anestésico o Anestesia infiltrativa o Anestesia infiltrativa em 3 dimensões Técnicas de bloqueio oftálmicos o Retrobulbar o Peribulbar o Bloqueio do nervo auriculopalpebral Bloqueio do nervo maxilar o Efeitos sobre: Maxila Lábio Dentes superiores Narina Bloqueio do nervo infraorbitário o Efeitos na: Arcada dentária superior unilateral Conforme difusão do anestésico o Indicações Extração dentária: canino superior Sutura