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1. Características do Pentateuco 
O Pentateuco é uma obra literária complexa composta por narrativas e leis, onde os 
personagens principais operam geralmente em vastos contextos temporais e espaciais. 
Em muitos casos, esses personagens transcendem esses limites, como ocorre com 
Yahvé, que está além do espaço e do tempo. Embora o Pentateuco se assemelhe a outras 
obras literárias modernas, ele apresenta características únicas, como sua função 
teológica e histórica. O primeiro capítulo discute o origem e significado dos nomes 
dados aos cinco livros da Bíblia, além das questões específicas que envolvem a sua 
interpretação e importância. 
 
2. Nomes do Pentateuco 
Torá e Pentateuco são os dois termos mais utilizados para se referir aos cinco primeiros 
livros da Bíblia. 
Torá (hebraico): O termo significa “instrução”, mas também se refere a uma coleção de 
leis ou livros específicos. Na Bíblia Hebraica, é comumente usado para designar as leis 
ou o conjunto de livros (cf. Lv 11,46; Dt 31,26). 
Pentateuco (grego): Deriva de penta (cinco) e teuchos (estojo ou rolo para livros), usado 
pela primeira vez no século II d.C. para se referir aos cinco livros da Bíblia. 
Na tradição judaica, o Pentateuco é também conhecido como "os cinco quintos da 
Torá", e é considerado essencial para a religião e a cultura judaica. 
Tradução Grega: A Septuaginta (LXX) traduz a palavra Torá por nómos (lei), e também 
distingue a "Lei" dos "Profetas" e "Escritos". 
3. Nomes dos Livros do Pentateuco 
Os nomes dos livros em hebraico são dados com base na primeira palavra significativa 
de cada livro: 
 
Génesis: Beresit ("no princípio"). 
Êxodo: Semot ("nomes"). 
Levítico: Wayyiqra ("e chamou"). 
Números: Bemidbar ("no deserto"). 
Deuteronômio: Debarim ("palavras"). 
Na tradução grega da Septuaginta, os títulos foram adaptados para refletir o conteúdo de 
cada livro: 
 
Génesis: Origens (referente à origem do mundo e do povo de Israel). 
Êxodo: Saída (relata a saída de Israel do Egito). 
Levítico: Levítico (relativo às leis e ritos levíticos). 
Números: Números (baseado nos censos registrados no livro). 
Deuteronômio: Segunda Lei (reinterpretação das leis dadas no Sinai). 
Versões latinas: Adotaram e adaptaram os nomes gregos para as línguas modernas, 
como Génesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. 
 
1. Predomínio dos Géneros Narrativo e Legal 
Narrativa: 
Predomina na primeira parte do Pentateuco (Génesis 1 até Êxodo 19). 
Génesis é o único livro completamente narrativo. 
Leis: 
A partir de Êxodo 20 até Deuteronómio, as leis se tornam o gênero dominante. 
Nos livros que seguem Génesis, narrativas e leis alternam-se, com destaque para a Lei 
no Sinai e o Código deuteronômico. 
2. Unidade entre Narrativas e Leis 
A Torá é vista como uma mistura de narrativa e lei, onde ambos os elementos se 
interligam formando uma unidade literária e teológica. 
Leis inseridas em narrativas: As leis não existem isoladamente, mas são introduzidas no 
contexto histórico e comunitário de Israel, dando-lhes uma função prática e normativa. 
3. Interrupção das Narrativas por Leis 
A interrupção das narrativas por grandes blocos de leis é algo que desafia a 
sensibilidade literária moderna, que normalmente busca fluidez narrativa. 
Esse estilo, embora estranho para o leitor contemporâneo, tem um propósito teológico, 
pois fortalece a ideia de que a lei divina deve ser parte integrante da vida do povo de 
Israel. 
4. Origem das Leis 
Historicamente, é provável que os códigos legais tenham sido originados 
independentemente das seções narrativas, mas foram depois inseridos na narrativa como 
forma de dar-lhes legitimidade e permanência. 
Isso implica que as leis podem ter sido tradicionalmente transmitidas separadas, mas 
mais tarde integradas no contexto das histórias de Israel para formar a estrutura coesa do 
Pentateuco. 
 
1. Princípios da Narrativa Bíblica (Sternberg) 
De acordo com Sternberg, a narrativa bíblica segue três princípios fundamentais: 
 
Ideológico: Busca estabelecer e transmitir uma visão de mundo específica, refletindo os 
valores e crenças do povo de Israel. 
Historiográfico: As narrativas estão organizadas de forma a conectar eventos históricos, 
criando uma continuidade temporal que, embora não seja uma cronologia exata, 
organiza a história de forma significativa. 
Estético: A forma como o texto é organizado e estruturado, com atenção ao estilo 
narrativo, que vai além do conteúdo e busca transmitir uma mensagem de forma eficaz. 
2. Historiografia no Pentateuco 
As narrativas do Pentateuco têm um marcado caráter histórico, mas não são uma crônica 
estritamente factual. Elas não têm como objetivo apenas relatar os acontecimentos, mas 
ensinar lições para o presente e o futuro (não são história no sentido moderno, mas têm 
um objetivo pedagógico). 
Classificação da História: 
História mítica: Relatada em Gn 1-11, trata das origens do mundo e da humanidade. 
História legendária: Relacionada aos patriarcas e a fundação de Israel. 
História antiga: Relata o tempo de Israel no Egito e o Êxodo. 
História contemporânea: Descreve a conquista de Canaã, ocorrendo em tempo real para 
os israelitas da época. 
3. Definição de Historiografia Israelita Antiga (Van Seters) 
Van Seters propôs cinco critérios para definir a historiografia israelita antiga: 
 
Forma literária intencional: A historiografia não é acidental, mas uma forma literária 
planejada. 
Descrição e interpretação: Não se limita a descrever os eventos, mas também interpreta 
e valoriza os acontecimentos. 
Causalidade moral: Relaciona eventos com suas causas e consequências morais. 
Pertinência nacional ou étnica: A história reflete a perspectiva de uma nação ou grupo 
específico. 
Função literária: Forma parte das tradições literárias do povo e é central para a 
construção da sua identidade nacional. 
4. Historiografia no Pentateuco 
Historiografia Deuteronomista: Relata a história de Israel desde sua fundação até a 
queda de Jerusalém, sendo a principal fonte de uma história estruturada da nação de 
Israel. 
Historiografia Yahvista e Sacerdotal: Estas narrativas (em Génesis a Números) servem 
como complemento e prelúdio da historiografia Deuteronomista, com foco nas origens 
do mundo e a história dos patriarcas. 
5. Desconfiança sobre a Credibilidade Histórica 
Com a tendência moderna de datar os textos do Pentateuco de forma mais tardia, cresce 
a desconfiança quanto à sua credibilidade histórica. Os documentos mais tardios se 
distanciam dos eventos originais, o que diminui a confiança na precisão dos relatos. 
Abordagens neohistoricistas propõem que a literatura bíblica deve ser vista mais como 
um reflexo dos tempos em que foi escrita, do que como uma evidência fiel dos eventos 
históricos que descreve. 
 
2. Ideologia do Pentateuco 
A ideologia presente no Pentateuco está profundamente marcada por uma perspectiva 
teológica que interpreta a história de Israel como uma história de salvação. Esse 
conceito foi um dos avanços mais significativos dos estudos modernos sobre o 
Pentateuco, pois ele enfatiza que as narrativas bíblicas não são apenas sobre eventos 
históricos, mas sim sobre as gestas de Yahvé atuando na história para salvar e abençoar 
o seu povo. Em vez de serem apenas relatos históricos, os livros do Pentateuco mostram 
o Deus salvador, atuando na vida de Israel e abençoando a sua história. 
 
O Pentateuco apresenta duas grandes categorias teológicas: 
 
História: Relacionada aos eventos históricos narrados, como o Êxodo e a peregrinação 
pelo deserto, que têm um caráter de salvação histórica. 
Providência: Refere-se ao ato de Deus abençoar o povo, presente de forma destacada em 
Génesis e Deuteronômio, com narrativas de bênçãos e promessas feitas a figuras como 
Abraão e Moisés. 
Além disso, o Pentateuco também é resultado de um processo espiritual e canônico. Ele 
não é apenas uma coleção de textos religiosos,mas uma Escritura normativa, que foi 
formada e reconhecida como autoridade dentro da comunidade de fé de Israel, sendo 
essencial para a identidade espiritual e prática do povo. 
 
3. Estética no Pentateuco 
A estética do Pentateuco é caracterizada pela diversidade de formas literárias e recursos 
estilísticos usados pelos autores bíblicos. Os textos foram compostos de maneira 
criativa, com a utilização de diferentes estruturas literárias, como diálogos, monólogos 
interiores e conselhos, além de simetria e repetição para destacar ideias e temas 
importantes. 
 
Pluralidade de Estilos: 
 
O Pentateuco apresenta uma variedade de estilos e línguas, o que reflete a diversidade 
de fontes e a riqueza literária do texto. 
A mudança de prosa para poesia é um dos recursos estéticos mais marcantes. Isso é 
usado para intensificar sentimentos ou realçar ideias importantes. 
A poesia, frequentemente inserida ao final de histórias ou seções, serve para dar ênfase 
a momentos significativos, como o Cântico de Moisés após o Êxodo (Êxodo 15), ou as 
bênçãos de Isaac (Génesis 49) e Moisés (Deuteronômio 32). 
Poesia como Culminação: 
 
A poesia serve como uma culminação das narrativas, especialmente nos momentos de 
ação de graças ou bênçãos, como no caso do Cântico de Êxodo 15, onde a expressão de 
louvor a Yahvé segue a libertação dos israelitas do Egito. 
 
1. Grandes Coleções de Leis 
O Pentateuco preserva três grandes coleções de leis: 
 
Código da Aliança (Ex 20,22-23,19): 
Relacionado com normas éticas e sociais, regulando a vida comunitária e a justiça. 
Lei de Santidade (Lv 17-26): 
Enfoca a santidade do povo, com normas sobre pureza e práticas rituais, destacando o 
culto a Deus. 
Código Deuteronômico (Dt 12-26): 
Reinterpretação e ampliação das leis dadas no Sinai, focando na adoração a Deus e na 
justiça social. 
Além dessas, existem três coleções menores: 
 
Duas versões do Decálogo (Dez Mandamentos): uma em Êxodo 20,2-17 e outra em 
Deuteronômio 5,6-21. 
O Direito de privilégio de Yahvé (Ex 34,10-26), que inclui leis exclusivas para a 
adoração a Yahvé e a aliança com Israel. 
2. Áreas Cobertas pelas Leis 
As leis do Pentateuco cobrem todos os aspectos da vida e podem ser agrupadas em três 
áreas principais: 
 
Jurídica (Jus): Regras relacionadas à justiça e à regulação das relações sociais e 
interpessoais. 
Ética (Ethos): Normas sobre a moralidade, a conduta e a santidade da comunidade. 
Cultual (Cultus): Leis sobre o culto, sacrifícios e práticas religiosas. 
3. Origem das Leis 
As leis do Pentateuco surgem da história e são temporais e caducas, ou seja, foram 
estabelecidas em um contexto específico da história de Israel. 
Em culturas antigas como a do Oriente Próximo, as leis eram vistas como originárias de 
autoridades humanas, mas a Bíblia as atribui diretamente a Yahvé, que as entrega ao 
povo de Israel. 
Distinção entre o Decálogo e as outras leis: 
O Decálogo foi transmitido diretamente por Deus (Êxodo 20,2; Deuteronômio 5,6). 
As outras leis foram transmitidas por Moisés (Êxodo 20,18-22; Deuteronômio 5,22-31). 
4. A Legislação e a Comunidade de Israel 
As leis foram moldadas dentro da comunidade israelita, um povo livre que 
experimentou o poder de Deus, especialmente na libertação do Egito e na ratificação da 
aliança no Sinai. 
O Pentateuco apresenta as leis não apenas como um dom de Deus, mas também como 
uma tarefa para Israel: uma maneira de viver em fidelidade com Yahvé e garantir a 
justiça e a santidade no meio da comunidade. 
5. Fundamentação das Leis 
As leis bíblicas frequentemente recorrem à história de Israel para justificar sua validade 
e importância. 
O tom parenético (exortativo) é uma característica importante da legislação bíblica, com 
"cláusulas motivantes" que buscam persuadir o povo a ser fiel à vontade de Deus. Isso 
aparece em muitos relatos como advertências e exortações para manter a aliança e viver 
segundo os mandamentos dados. 
 
 
Personagens Principais do Pentateuco 
1. Yahvé (Deus) 
Yahvé é o personagem central e principal do Pentateuco, cuja presença é constante e 
decisiva. Ele é descrito não apenas como o Criador do mundo no início de Gênesis, mas 
também como o salvador e legislador que guia e dá leis a Israel. Seu nome aparece mais 
de 1.800 vezes no Pentateuco, refletindo sua importância em todo o texto. Em muitos 
momentos cruciais, Yahvé intervém diretamente para moldar o destino de Israel, seja 
libertando-os do Egito ou guiando-os no deserto. 
 
Características de Yahvé no Pentateuco: 
 
Deus criador: Em Gênesis 1-2, Yahvé é apresentado como o Criador de todas as coisas, 
ordenando o cosmos com sabedoria e propósito. 
Deus libertador: Em Êxodo, ele se revela como o salvador de Israel, resgatando-os da 
escravidão no Egito e guiando-os para a Terra Prometida. 
Deus legislador: Yahvé também assume o papel de legislador, dando a Moisés as leis 
para o povo, incluindo o Decálogo (Dez Mandamentos) e outras normas fundamentais. 
Deus guerreiro: Durante o Êxodo, Yahvé é descrito como um guerrero, combatendo 
contra os inimigos de Israel e garantindo sua vitória, como visto na travessia do Mar 
Vermelho. 
Yahvé é visto como o Deus de Abraão, Isaac e Jacob, estabelecendo uma aliança com 
os patriarcas e continuando a relação com Israel, seu povo eleito. O nome de Yahvé é 
inseparável da história de Israel e suas promessas. 
 
2. Abraão 
Abraão é considerado o pai de Israel e o primeiro patriarca da linhagem escolhida por 
Deus. Sua história é marcada pela chamada divina (Gn 12), quando Deus o convoca a 
deixar sua terra e se lançar em uma jornada de fé. Deus promete fazer dele “uma grande 
nação” (Gn 12,2), e essa promessa é o ponto de partida para a história de Israel. 
 
Aspectos significativos da vida de Abraão: 
 
A fé e obediência: Abraão se destaca pela sua fé inabalável em Deus, que é testada 
diversas vezes, como no sacrifício de Isaac (Gn 22), onde ele demonstra estar disposto a 
obedecer a Deus, mesmo em situações extremas. 
O pacto com Deus: A aliança de Deus com Abraão estabelece a base teológica para a 
história de Israel. A promessa de uma descendência numerosa e a terra de Canaã como 
herança do povo de Israel são centrais para toda a narrativa. 
Figura mítica e teológica: Abraão não é apenas uma figura histórica, mas também 
teológica. As narrativas sobre ele são mais do que biográficas; elas têm um caráter 
paradigmático, ensinando aos israelitas sobre a fé, a obediência e a confiança nas 
promessas de Deus. 
3. Jacob / Israel 
Jacob, mais tarde renomeado Israel, é o patriarca que dá origem às doze tribos de Israel. 
Sua história, contada principalmente em Gênesis 25-50, é uma das mais complexas do 
Pentateuco, refletindo o caráter ambíguo e as lutas internas do povo de Israel. 
 
Elementos importantes sobre Jacob / Israel: 
 
Transformação de Jacob em Israel: Jacob recebe o nome de Israel em Gn 32,28, após 
uma luta com um ser divino. Essa mudança de nome simboliza sua transformação de 
um homem enganador para o líder escolhido por Deus para fundar o povo de Israel. 
A luta e a bênção: A vida de Jacob é marcada por lutas (tanto internas quanto externas), 
mas também por bênçãos. Sua jornada inclui engano (como na relação com seu irmão 
Esaú) e reconciliação (com Esaú e com Deus). 
A história das doze tribos: Jacob é o patriarca das doze tribos de Israel, representando a 
totalidade do povo de Israel. As tribos são formadas pelos filhos de Jacob, sendo sua 
história profundamente conectada à história de Israel. 
O Deus de Jacob: Ele é frequentemente descrito como o "Deus de Jacob", enfatizando 
sua relação especial com o patriarca, mas também refletindo a tensão entre a fraqueza 
humana e a força divina. 
4. Moisés 
Moisés é indiscutivelmente o personagem mais importante no Pentateuco, sendo o líder 
que libertou Israel da escravidão no Egito e mediador entre Deus e o povo escolhido. 
Suamissão divina começa em Êxodo 3, quando ele é chamado por Deus na sarça 
ardente para conduzir o povo de Israel à liberdade. 
 
Características de Moisés: 
 
Líder e profeta: Moisés é descrito tanto como líder quanto como profeta, sendo 
escolhido por Deus para ser o mediador da aliança e das leis entre Deus e Israel. 
O mediador da aliança: Em Êxodo 19-24, Moisés intercede pelo povo de Israel, recebe 
as Dez Leis e estabelece a aliança entre Deus e Israel. 
Mediador e intercessor: Moisés desempenha um papel central como intercessor entre 
Deus e o povo, especialmente quando este se rebela ou se queixa durante a peregrinação 
no deserto (Ex 15,22-25; Nm 11). 
A relação com Deus: Moisés tem uma relação singular com Deus, sendo descrito como 
"o servo de Deus" (Ex 14,31), com quem Deus fala face a face (Nm 12,6-8). 
A vida de Moisés é mais do que uma biografia; é uma seudobiografia ligada ao destino 
de Israel. Sua jornada espiritual reflete a missão de Deus de salvar e conduzir o povo 
escolhido, com ele sendo o instrumento principal de Deus para essa tarefa. 
 
Dimensão Temporal no Pentateuco 
O tempo desempenha um papel essencial na estrutura do Pentateuco, com duas 
dimensões principais que organizam as narrativas: 
 
Tempo narrado: Refere-se à duração dos eventos relatados, medidos em dias, anos ou 
até séculos. Por exemplo, no Gênesis, o tempo narrado abrange eventos que acontecem 
ao longo de milênios, como a criação e os relatos de Adão, Noé e os patriarcas. Já no 
Êxodo, os eventos ocorrem ao longo de um período de 40 anos, o tempo da 
peregrinação no deserto. 
Tempo de narrar: Relaciona-se ao tempo que o narrador leva para contar esses eventos, 
que é medido pela quantidade de palavras, versículos ou capítulos. Por exemplo, a 
narrativa sobre a saída do Egito pode se estender por vários capítulos, mas o tempo 
efetivo que passou durante essa jornada é bem mais curto. 
O tempo narrado no Pentateuco mostra uma grande variação: 
 
No Gênesis, o tempo abrange 2.666 anos, representando dois terços do tempo total de 
4.000 anos do mundo, o que reflete a natureza mitológica e legendária de seus relatos. 
Antes do dilúvio, os patriarcas vivem centenas de anos, e após ele, essa longevidade 
diminui progressivamente, até que figuras como Abraão e seus descendentes têm vidas 
de 200-100 anos. 
Por outro lado, a seção de Deuteronômio cobre apenas um único dia, o último dia da 
vida de Moisés. 
Essa disparidade temporal tem uma função teológica e narrativa importante, pois as 
longas durações no Gênesis refletem o caráter mítico e fundacional da história humana, 
enquanto os eventos mais recentes, como a jornada no deserto, refletem uma história 
mais próxima e histórica para o povo de Israel. 
 
2. Dimensão Espacial no Pentateuco 
O espaço também é crucial para a narrativa do Pentateuco, especialmente em relação 
aos movimentos e à itinerância do povo de Israel: 
 
Itinerância dos Patriarcas: Desde Ur dos Caldeus, passando por Harán, Canaã, e até 
Egito, os patriarcas como Abraão, Isaac, e Jacob vivem uma vida nômade, movendo-se 
constantemente de um lugar para outro. Esses movimentos refletem o caráter itinerante 
e peregrino do povo de Israel antes de se estabelecer na terra prometida. 
Jornada do Povo de Israel: Após a libertação do Egito, os israelitas atravessam o deserto 
do Sinai até chegar a Canaã. Esta jornada é marcada por constantes mudanças de 
localização, como registrado em Números 33, com uma lista das estações de 
acampamento do povo. O objetivo final dessa peregrinação é chegar à terra prometida, 
que é repetidamente destacada como um tema dominante desde Gênesis 12 até 
Deuteronômio 34. 
A terra de Canaã é a meta final dos dois grandes itinerários que atravessam o 
Pentateuco: primeiro, os patriarcas saem da Mesopotâmia até Canaã e, mais tarde, os 
israelitas percorrem o deserto até alcançar a terra prometida. Assim, o Pentateuco é 
envolto em movimentos e promessas de lugar, com Canaã sendo a meta final das 
viagens, representando a aliança divina e a bênção prometida a Israel. 
 
Problemas Especiais no Pentateuco 
1. Duplicados e Repetições 
O Pentateuco apresenta uma característica literária única com a presença de duplicados 
e repetições em várias seções. Esses elementos ajudam a dar ao texto uma fisonomia 
peculiar, refletindo a complexidade e a diversidade das fontes que compõem a obra. 
 
Nas narrativas, é comum encontrar duas ou mais versões de um mesmo evento. Por 
exemplo: 
 
Gênesis 1,1-2,3 e Gênesis 2,4-3,24 oferecem dois relatos da criação. 
Êxodo 16 e Números 11,4-35 repetem episódios sobre o maná e as codornizes. 
O episódio do mar Vermelho tem duas versões em Êxodo 14 e outras fontes. 
Nas leis, também aparecem duplicações, como: 
 
O Decálogo (Dez Mandamentos) é repetido em Êxodo 20,2-17 e Deuteronômio 5,6-21. 
Leis sobre escravos e préstimos a juros também são repetidas em diferentes livros 
(Êxodo 21,2-11; Levítico 25,39-55; Deuteronômio 15,12-18). 
Esses duplicados refletem a natureza das fontes que foram reunidas ao longo do tempo 
para compor o Pentateuco, com diferentes tradições e perspectivas sendo sobrepostas ou 
repetidas para destacar sua importância. 
 
2. Linguagem, Estilo e Teologia 
O Deuteronômio apresenta um estilo e vocabulário próprios, com várias expressões que 
não aparecem em outros livros do Pentateuco. O uso de certos termos e frases distingue 
este livro dos demais: 
 
"Amar a Yahvé" e "com todo o coração e alma" são expressões frequentemente usadas 
em Deuteronômio, com um tom exortativo e teológico. 
A frase "fazer o que é reto aos olhos de Yahvé" é uma instrução central. 
A ênfase na centralização do culto é evidente com expressões como "o lugar que Yahvé 
escolher" para o templo, algo característico da teologia deuteronômica. 
Por outro lado, Gênesis a Números utilizam termos que não aparecem em 
Deuteronômio, como "aliança eterna" e "glória de Yahvé", que são típicos da teologia 
sacerdotal. Este contraste reflete a diferente ênfase teológica entre o Deuteronômio e os 
outros livros, sendo que o primeiro foca mais na aliança bilateral e nas obrigações 
humanas (pode ser rompida), enquanto a aliança sacerdotal é unilateral e eterna. 
 
3. Tetrateuco, Pentateuco, Hexateuco e Enneateuco 
Existem diferentes teorias sobre como classificar os livros do Pentateuco e seus textos 
associados, com algumas propostas que incluem ou excluem certos livros, com base em 
critérios literários, teológicos e cronológicos: 
 
Tetrateuco: A ideia de separar o Pentateuco em dois blocos – o Tetrateuco (os primeiros 
quatro livros) e Deuteronômio – sugere que Deuteronômio tem um estilo e teologia 
distintos, com uma ênfase especial em ensinamentos sobre a fidelidade a Deus e a 
centralização do culto. 
 
Hexateuco: Considera-se o conceito de Hexateuco, que incluiria Gênesis a Josué, pois o 
Pentateuco termina com a morte de Moisés e não inclui a entrada de Israel em Canaã. A 
ideia de que Josué originalmente fazia parte de um único bloco com os cinco primeiros 
livros sugere uma continuidade narrativa entre a promessa de Deus e o cumprimento da 
promessa com a conquista de Canaã. 
 
Enneateuco: Para alguns estudiosos, seria mais adequado falar de Enneateuco (Gênesis 
a Reis), dado que o Pentateuco não é o fim da história de Israel. A narrativa de Josué a 
Reis está diretamente conectada aos eventos do Pentateuco, formando uma narrativa 
contínua que abrange desde a criação do mundo até o exílio babilônico. 
Capítulo II: A Interpretação do Pentateuco 
O estudo do Pentateuco tem evoluído ao longo dos séculos, refletindo as correntes 
intelectuais de cada época. Desde os primeiros estudos humanísticos do Renascimento 
até os métodos mais modernos, como a crítica literária, a forma de interpretar as 
Escrituras tem mudado significativamente. Este capítulo oferece uma visão geral dos 
métodos utilizados na interpretação do Pentateuco,destacando a crítica histórica e a 
crítica literária, e como esses métodos têm levado a uma maior compreensão do texto. 
 
1. Período Pré-crítico 
Durante o período pré-crítico, a tradição judaica e a cristã sempre atribuíram a Moisés a 
autoria do Pentateuco, incluindo relatos de sua morte (Deuteronômio 34:5-12). Filão de 
Alexandria e Josefo também afirmaram que Moisés teria escrito sobre sua própria 
morte. Esta visão teve grande apoio por séculos, baseada em passagens como: 
 
Êxodo 17,14: Yahvé ordena que Moisés escreva sobre a vitória de Israel sobre os 
amalequitas. 
Êxodo 24,4: Moisés teria escrito o Código da Aliança. 
Êxodo 34,27: Moisés seria o autor do Direito de Privilegio de Yahvé. 
Números 33,2: Moisés teria registrado, como em um diário, as etapas da jornada pelo 
deserto. 
Contudo, alguns textos sugerem que Moisés não pode ter escrito tudo o que é atribuído 
ao Pentateuco. Por exemplo, em Deuteronômio 31,9, Moisés é referido na terceira 
pessoa (“Moisés escreveu”), o que é peculiar, pois o texto normalmente usaria a 
primeira pessoa se Moisés fosse o autor. Além disso, Josefo e Filão de Alexandria 
afirmaram que Moisés escreveu sobre sua própria morte, o que indica dúvidas quanto à 
autoria de todo o Pentateuco. O Talmud também questiona essa autoria, sugerindo que 
Josué adicionou o capítulo final de Deuteronômio (34,5-12). 
 
Apesar das dúvidas, a tradição mosaica do Pentateuco foi amplamente aceita, e até 
comentaristas medievais como Ibn Ezra concordaram com a ideia de que Moisés 
poderia ter sido o autor principal, mas com acréscimos posteriores por outros autores. 
 
2. Exegese Pré-crítica 
A exegese pré-crítica é caracterizada por uma abordagem ahistórica, focando mais nas 
ideias teológicas subjacentes aos textos do que nas questões históricas ou autorais. Esse 
tipo de interpretação não se aprofundava nas discussões sobre quem foi o autor, mas 
aceitava a tradição mosaica sem grandes questionamentos. 
 
Estudos Histórico-Críticos Clássicos do Pentateuco 
A crítica histórico-crítica surge como um método sistemático para analisar o processo 
de formação dos textos bíblicos. Essa abordagem se caracteriza por utilizar métodos 
científicos com o objetivo de examinar os textos de maneira empírica e objetiva, assim 
como ocorre com outros textos antigos. Durante o Iluminismo, houve uma mudança de 
perspectiva: os textos bíblicos passaram a ser vistos mais como documentos históricos 
do que como textos inspirados diretamente por Deus. 
 
1. Crítica Literária e Suas Primeiras Contribuições 
A crítica literária tem como um dos seus principais objetivos determinar se um texto é 
homogêneo ou se possui múltiplos autores. A literatura bíblica, em comparação com a 
literatura moderna, apresenta textos que nem sempre são coerentes ou concluídos de 
forma unificada. Em muitas partes do Pentateuco, há sinais claros de que diferentes 
fontes e autores foram envolvidos na sua composição. 
 
Primeiros Passos na Crítica Literária: 
No século XV, Alfonso de Madrigal (El Tostado) já questionava se Moisés seria o único 
autor do Pentateuco ou se Esdras teria tido um papel na compilação dos textos. Esse 
questionamento se tornaria um tema central para os estudiosos no futuro, especialmente 
nos séculos seguintes. 
 
Richard Simon (1638-1712), considerado o fundador da crítica bíblica moderna, 
observou no Pentateuco duplicações, tensões e mudanças de estilo que sugeriam que 
Moisés não seria o único responsável pela sua autoria. Simon postulou que o Pentateuco 
resultava de fontes diferentes, com adicionamentos ocorrendo ao longo do tempo, sendo 
Esdras o compilador final. 
 
2. Hipóteses Documentárias 
O surgimento das hipóteses documentárias foi uma tentativa de explicar a 
multiplicidade de fontes que compõem o Pentateuco: 
 
Hipótese de Witter e Astruc: 
Witter e Astruc observaram que em alguns trechos do Pentateuco, Deus é chamado por 
Elohim em algumas passagens e Yahvé em outras. Isso os levou a sugerir que o 
Pentateuco poderia ter duas fontes principais: a Elohista (que usa Elohim) e a Yahvista 
(que usa Yahvé). Astruc expandiu a pesquisa para todo o Gênesis e o início do Êxodo, 
sugerindo que o Pentateuco era composto por diferentes fontes. 
 
Hipótese dos Fragmentos (Geddes e Vater): 
No final do século XVIII, Geddes e Vater propuseram que o Pentateuco era uma 
coleção de fragmentos independentes, não contínuos. Esses fragmentos teriam sido 
agrupados por diferentes recopiladores (Elohista e Yahvista). Embora explicasse 
algumas questões, essa teoria não dava conta de todas as complexidades do texto, 
especialmente nas seções narrativas. 
 
Hipótese dos Complementos (Kelle e Ewald): 
Ao contrário da hipótese anterior, Kelle e Ewald acreditavam que o Pentateuco tinha 
uma unidade narrativa central, mas que foi completado e adicionado por outras fontes 
ao longo do tempo. Eles sugeriram que o Elohista seria o texto original, completado 
posteriormente por outros textos. 
 
3. Datando o Pentateuco: De Wette 
De Wette foi um estudioso chave que utilizou a reforma de Josias (622 a.C.) como base 
para datar o Pentateuco, especialmente os textos relacionados à centralização do culto. 
Ele sugeriu que as leis deuteronômicas (como as encontradas em Deuteronômio) foram 
introduzidas nessa época. Esse estudo ajudou a estabelecer uma datagem mais precisa 
dos textos, associando-os a eventos históricos específicos. 
 
4. A Nova Hipótese Documentária: Hupfeld, Graf e Wellhausen 
A teoria mais refinada da crítica literária veio com Hupfeld, Graf, e Wellhausen. Em 
suas análises, eles sugeriram a existência de quatro fontes principais no Pentateuco: 
 
J (Yahvista): A mais antiga das fontes, com uma teologia focada em uma visão 
antropomórfica de Deus. 
E (Elohista): Outra fonte importante, com foco no uso do nome Elohim para Deus. 
D (Deuteronômio): Uma fonte mais recente, relacionada à reforma religiosa de Josias. 
P (Sacerdotal): A fonte sacerdotal, que reflete uma visão mais formal e centrada no 
culto e nas leis do templo. 
Wellhausen sintetizou essas ideias, mostrando como essas fontes foram unidas ao longo 
do tempo, com a fonte sacerdotal sendo a mais recente. Ele também destacou a evolução 
histórica do culto e das instituições de Israel, o que teve um impacto significativo na 
compreensão da evolução da religião de Israel e suas práticas. 
 
A Crítica de Forma e a Crítica da Tradição: Gunkel, Von Rad e Noth 
1. Crítica de Forma 
Objetivo da Crítica de Forma: O estudo da forma (ou form criticism) tem como 
principal objetivo identificar e analisar as unidades literárias que compõem um texto, 
com foco nas situações e circunstâncias em que esses textos surgiram. A crítica de 
forma busca determinar como essas unidades, muitas vezes de natureza independente, 
foram agrupadas e modificadas ao longo do tempo. A forma se refere ao texto 
individual e concreto, enquanto o gênero é mais abstrato, refletindo o tipo ideal ou 
típico de texto. 
 
Distinção entre Forma e Gênero: A crítica de forma não deve ser confundida com a 
classificação por gênero literário, que é uma abstração teórica. Ao analisar a literatura 
bíblica, percebe-se que muitos textos, especialmente os do Antigo Testamento, foram 
compostos originalmente para ocasiões específicas (por exemplo, orações, cânticos ou 
relatos de eventos significativos). A crítica de forma investiga a situação vital (ou Sitz 
im Leben) que deu origem a esses textos. Gunkel, um dos principais pioneiros, 
acreditava que o estudo da forma poderia revelar muito sobre a história das tradições 
por trás dos textos e como elas foram transmitidas oralmente antes de serem registradas. 
 
A Contribuição de Gunkel: Hermann Gunkel é considerado o fundador da crítica de 
forma. Ele introduziu o conceito de que a literatura do Antigo Israel deveria ser vista 
dentro de seu contexto cultural e histórico. Gunkel sugeriu que textos comoGênesis 
eram compostos por "lendas" (Sagen), pequenas narrativas populares que, inicialmente 
independentes, foram agrupadas e passadas oralmente antes de serem formalmente 
registradas. Para ele, a unidade de estudo não estava nas fontes literárias tradicionais, 
mas sim nas unidades literárias pequenas que compõem os textos. 
 
2. Crítica da Tradição 
Objetivo da Crítica da Tradição: A crítica da tradição (ou tradition criticism) busca 
estudar a transmissão das tradições orais e escritas ao longo do tempo, desde sua 
formulação original até sua finalização nas Escrituras. Ela foca na expansão, 
combinação e reestruturação de unidades literárias, como narrativas, códigos legais, 
oráculos e provérbios. O estudo da tradição investiga como essas unidades se 
transformaram e foram reinterpretadas em diferentes contextos históricos e teológicos. 
 
Von Rad e a Crítica da Tradição: Gerhard von Rad ampliou a ideia de Gunkel ao focar 
na história da tradição do Pentateuco. Von Rad propôs que a origem do Hexateuco 
(Gênesis a Josué) estava em um "pequeno credo histórico" encontrado em 
Deuteronômio 26,5b-9, um resumo da história de salvação, que servia como profissão 
de fé em momentos de celebração da aliança em Siquém. Ele argumentava que a 
tradição Yahvista foi a responsável por unir e dar forma a essas narrativas e traduzi-las 
para um texto coeso, inserindo as tradições de Sinaí e outros relatos de forma 
sistemática. 
 
O Papel do Yahvista: Para Von Rad, o Yahvista foi o principal autor que deu coerência 
literária ao Hexateuco. Ele reuniu tradições dispersas, incorporou a história do Sinaí e 
construiu uma narrativa contínua a partir de diferentes mitos e relatos. Von Rad sugeriu 
que o Elohista e o Sacerdotal desempenharam um papel menor, sendo fontes 
secundárias que contribuíram para o desenvolvimento posterior do texto. 
 
3. Noth e a Crítica da Tradição 
Noth e a Tradição Pan-Israelita: Norman Noth aprofundou a crítica da tradição ao 
enfatizar que as tradições do Pentateuco têm uma orientação pan-israelita, refletindo um 
processo coletivo de construção e transmissão. Ele observou que essas tradições foram 
formadas ao redor de cinco temas fundamentais: 
A saída do Egito. 
A entrada em Palestina. 
A promessa a Abraão. 
A marcha pelo deserto. 
O Sinaí. 
Esses temas, inicialmente independentes, foram unidos ao longo do tempo, com a 
integração de tradições secundárias (como as pragas do Egito, a Páscoa, os episódios da 
conquista de Canaã e as histórias de Isaac e Jacó). 
 
Tradições Orais e Cultuais: Noth acreditava que as tradições fundamentais do 
Pentateuco provinham de tradições orais, em grande parte cultuais e populares, que 
foram fixadas por escrito pelos autores das fontes do Pentateuco. Cada uma dessas 
fontes impôs suas próprias interpretações teológicas e traços literários. A fonte 
sacerdotal (P), por exemplo, teve um papel significativo na estruturação final do 
Pentateuco, especialmente nas seções legais e narrativas. 
 
 
Estudos Histórico-Críticos Recentes do Pentateuco 
Nos últimos anos, a crítica histórico-crítica do Pentateuco passou por uma evolução 
significativa. O método tradicional, particularmente a teoria documentária de 
Wellhausen, começou a ser questionado por vários estudiosos a partir da década de 
1960. O próprio Winnett, em 1965, pediu uma revisão dos fundamentos da teoria 
documentária, e em 1969, Rendtorff criticou fortemente essa abordagem no V 
Congresso Mundial de Estudos Judaicos. Isso marcou o início de um período de 
distanciamento e até mesmo ruptura com as abordagens tradicionais, com novos 
modelos emergindo, incluindo hipóteses fragmentárias e complementares. 
 
a) Novo Modelo de Hipótese Fragmentária: Rendtorff e Blum 
Rendtorff questionou fortemente a teoria documentária, negando a existência da fonte J 
(Yahvista) e propondo um modelo diferente de interpretação, baseado na história da 
tradição. Ele acreditava que o Pentateuco não era composto por fontes independentes, 
mas por "grandes unidades" que representavam temas e tradições distintas que se 
uniram progressivamente para formar o texto final. Essas grandes unidades incluem 
temas como a História dos Origens, as Histórias Patriarcais, o Êxodo, o Sinaí, e a 
Conquista da Terra. 
 
Blum, discípulo de Rendtorff, expandiu essa ideia e aplicou-a detalhadamente aos 
capítulos de Gênesis e Êxodo-Números, argumentando que o Pentateuco foi composto 
em duas grandes composições tardias: uma de natureza deuteronômica e outra 
sacerdotal, ambas elaboradas com base em tradições mais antigas. Ele datou essas 
composições como pós-exílicas, refletindo um processo longo de formação e 
reinterpretação das tradições orais e escritas. 
 
b) Novo Modelo de Hipótese Complementária: Schmid, Rose e Van Seters 
Schmid e outros estudiosos, como Rose e Van Seters, propuseram um novo modelo que, 
embora reconheça a existência da fonte J (Yahvista), sugere que essa fonte não remonta 
à época de Salomão, como defendido por Von Rad, mas seria uma obra composta no 
exílio. Eles argumentam que a obra de J não era uma grande narrativa de um único 
autor, mas sim uma corrente teológica que se baseava nas tradições proféticas e nas 
ideias do Deuteronômio. 
 
Van Seters sustentou que o Pentateuco não deveria ser visto como a história fundacional 
de Israel, mas sim como uma expansão da História Deuteronomista, que abrange a 
história de Israel desde a conquista até a perda da terra. Ele sugeriu que o Pentateuco foi 
composto posteriormente para preencher as lacunas históricas da história que se inicia 
com Josué. 
 
c) Combinação das Hipóteses Documentária, Fragmentária e Complementária: Zenger 
Zenger propôs um modelo mais híbrido, que combina a teoria documentária com 
elementos das hipóteses de fragmentos e complementos. Ele argumentou que o 
Pentateuco foi formado a partir de três grandes conjuntos de textos preexistentes: 
 
A história jerosolimitana (relacionada aos patriarcas e ao Êxodo), que remonta a 690 
a.C.. 
A obra sacerdotal (com seu núcleo central, incluindo o Código de Santidade e outras 
adições), datada da época pós-exílica. 
O Deuteronômio, com sua reforma cultual e jurídica associada à época de Josias. 
Ele sugeriu que esses conjuntos se fundiram em uma obra complexa, realizada 
principalmente sob o impulso de Esdras, com o apoio das autoridades persas, para ser 
usada como um documento oficial para a comunidade judaica pós-exílica. 
 
d) Códigos Legais e Estratos Narrativos: Otto 
Otto, por sua vez, se concentrou na relação entre os códigos legais e as seções narrativas 
no Pentateuco. Ele argumentou que a Lei da Aliança (Êxodo 20,24-23,12) é o mais 
antigo dos três grandes códigos legais, enquanto o Deuteronômio (século VII a.C.) 
reflete uma reforma cultual que reinterpretou o Código de Aliança dentro do contexto 
da centralização do culto. A Lei de Santidade (Levítico 17-26) seria uma compilação 
mais recente, baseada em elementos dos códigos anteriores, mas voltada para a criação 
de um novo Israel pós-exílico. 
 
Otto propôs que a evolução dessas coleções legais reflete uma história contínua de 
interpretação e reformulação dos textos legais, começando com o Código de Aliança, 
passando pelo Deuteronômio e chegando à Lei de Santidade, que finalmente consolidou 
a revelação dada no Sinaí. 
 
 
Estudos Literários no Pentateuco 
Nos últimos tempos, a análise literária do Pentateuco se distanciou da crítica histórico-
crítica tradicional, adotando métodos mais focados no texto em si e não em suas origens 
históricas ou autorais. A principal mudança foi a transição de uma abordagem ahistórica 
e sincrônica, que vê o texto como um “monumento” literário a ser interpretado por seu 
valor estético, ao invés de ser considerado apenas um documento histórico. Os estudos 
literários no Pentateuco se concentraram principalmente no texto final e seu efeito sobre 
os leitores,priorizando os aspectos estéticos e as estruturas literárias. 
 
a) Análise Retórica 
A análise retórica foi revitalizada como método de estudo do Pentateuco, especialmente 
após o discurso de Muilenburg em 1968, que convidou os estudiosos a aplicar a crítica 
retórica para complementar os estudos bíblicos. A retórica bíblica possui características 
próprias, como o uso de paralelismo (típico da poesia hebraica) e estruturas 
concêntricas. Esses recursos ajudam a construir unidades literárias que possuem 
coerência interna, sendo essenciais para uma melhor compreensão do texto como um 
todo. 
 
A retórica bíblica, em comparação com a retórica grecolatina, se destaca por seu foco 
em mostrar (ao invés de convencer logicamente), guiando os leitores a uma 
compreensão mais profunda dos textos. A análise se concentra em entender como os 
discursos são construídos para gerar impacto, e como as estratégias persuasivas se 
aplicam nas narrativas e nos discursos teológicos presentes no Pentateuco. 
 
b) Análise Narrativa 
A análise narrativa se concentra em examinar as narrativas bíblicas como piezas 
literarias em si mesmas, focando em elementos como a trama, os personagens e o ponto 
de vista do narrador. Esse método foi popularizado pela Nova Crítica Literária e destaca 
a importância de entender como a história é contada ao invés de apenas focar no 
conteúdo histórico. 
 
Um conceito central na análise narrativa é a distinção entre autor implícito e leitor 
implícito. O autor implícito se refere à visão de mundo e às decisões narrativas 
refletidas no texto, enquanto o leitor implícito é o público ideal para o qual a narrativa 
foi construída. Este método também se preocupa em estudar o uso do narrador 
onisciente, que transmite informações essenciais que não seriam acessíveis aos leitores 
de outra forma. 
 
c) Análise Semiótica 
A análise semiótica (ou estruturalista) foca na identificação das estruturas subjacentes 
ao texto, buscando entender como as categorias lógicas e os sistemas de significação 
moldam a narrativa. Com raízes no formalismo russo de V. Propp e nos estudos 
linguísticos de F. de Saussure, esse método visa revelar a gramática do relato, ou seja, 
os padrões e estruturas fundamentais que regem o texto. 
 
Embora a análise semiótica tenha encontrado certa resistência devido ao seu 
vocabulário complexo, ela tem contribuído significativamente para a compreensão das 
relações entre diferentes elementos narrativos e o significado global dos textos bíblicos. 
Estudos como os de Leach e Barthes exploraram como as estruturas narrativas podem 
ser lidas de maneira a revelar significados mais profundos. 
 
Balance e Tarefa 
Após vários séculos de discussão sobre os problemas levantados pelo Pentateuco, os 
exegetas ainda não conseguiram chegar a uma solução satisfatória para as questões 
colocadas. Isso reflete não apenas a complexidade dos temas, mas também as limitações 
dos métodos e a fragilidade das hipóteses. Nenhum método foi capaz até agora de 
explicar adequadamente a diversidade de dados que o Pentateuco contém. Contudo, os 
estudos bíblicos recentes ajudaram a perceber essas limitações, revisando os 
fundamentos, critérios e conclusões anteriores. 
 
Pontos Principais: 
 
Centralidade do Texto: Um consenso crescente aponta para a necessidade de iniciar a 
análise com o texto final, sem recorrer inicialmente a fontes ou divisões 
preestabelecidas. A leitura sincrônica deve preceder qualquer operação diacrônica. Isso 
não significa que as camadas anteriores do texto não tenham importância, mas que a 
leitura final deve ser o ponto de partida para compreender melhor a totalidade do texto. 
 
Integração dos Métodos: Para responder adequadamente aos problemas do Pentateuco, é 
necessário integrar os métodos históricos e literários, considerando tanto os aspectos 
sincrônicos quanto diacrônicos. O estudo dos textos literários pode enriquecer a análise 
histórica, e os estudos históricos podem esclarecer certos aspectos que os métodos 
literários não conseguem resolver. 
 
Leitura Teológica: O Pentateuco não deve ser lido apenas como um documento 
histórico ou uma obra literária, mas também como uma composição espiritual. A obra 
não só reflete uma história e uma estética, mas também carrega um profundo mensagem 
teológica e ética. Essa abordagem integral é necessária para entender a profundidade da 
Palavra Bíblica, que deve ser interpretada com base nos pilares literários e históricos, 
mas também religiosos. 
 
Questões Abertas: Muitos problemas da exegese do Pentateuco continuam sendo 
debatidos e não serão resolvidos tão cedo. Não se deve simplesmente ignorá-los ou 
aceitá-los como certos, mas apresentá-los como questões abertas, aguardando mais 
tempo e reflexão para um esclarecimento mais profundo. 
 
Capítulo III - O Livro do Génesis 
I. Introdução 
O Génesis ocupa uma posição central nos estudos bíblicos e tem sido uma fonte de 
interesse desde os primeiros dias da crítica histórica. De facto, as discussões sobre a sua 
autoria e composição remontam a nomes-chave como Witter, Astruc, Hupfeld e Gunkel, 
figuras fundadoras das hipóteses documentária e da crítica de forma. Mais 
recentemente, estudiosos como Van Seters, Rendtorff, Blum e Carr continuaram a 
expandir essas discussões, abordando temas que vão da análise literária ao estudo 
histórico do livro. 
 
Por ser um livro narrativo que contém algumas das passagens mais primordiais na 
tradição literária, o Génesis tem atraído a atenção de estudiosos também na área da 
crítica literária moderna, como demonstram as obras de Fokkelman, Prewit e White. 
Com os avanços da crítica literária e a multiplicação de estudos utilizando diferentes 
métodos, é possível afirmar que o Génesis continua a ser uma obra de grande 
importância para os estudiosos da Bíblia, seja do ponto de vista histórico, teológico ou 
literário. No entanto, apesar do grande número de abordagens, há pouca unanimidade 
quanto a muitas das questões que o Génesis levanta, especialmente no que diz respeito à 
sua composição e estrutura. 
 
1. Narrativas, Genealogias e Fórmulas Toledot 
O Génesis é composto principalmente por duas grandes formas literárias: narrativas e 
genealogias. As narrativas são imprevisíveis e frequentemente surpreendentes, enquanto 
as genealogias fornecem uma estrutura ordenada e lógica para o texto. As genealogias 
são particularmente importantes, pois ajudam a estabelecer uma ligação entre as 
diversas figuras e famílias que surgem ao longo do livro. 
 
As Fórmulas Toledot 
O termo toledot (do verbo hebraico yalad, que significa “engendrar”) é fundamental 
para entender a estruturação do Génesis. As fórmulas toledot são usadas para indicar a 
descendência de uma figura central, e surgem dez vezes ao longo do livro. A função 
destas fórmulas é estruturar o Génesis, organizando-o em unidades narrativas e 
genealógicas. Abaixo, são apresentados os exemplos dessas fórmulas: 
 
2,4: “Estes são os descendentes do céu e da terra.” 
5,1: “Este é o livro da descendência de Adão.” 
6,9: “Estes são os descendentes de Noé.” 
10,1: “Estes são os descendentes dos filhos de Noé, Sem, Cam e Jafé.” 
11,10: “Estes são os descendentes de Sem.” 
11,27: “Estes são os descendentes de Terá.” 
25,12: “Estes são os descendentes de Ismael.” 
25,19: “Estes são os descendentes de Isaac.” 
36,1: “Estes são os descendentes de Esaú, que é Edom.” 
37,2: “Estes são os descendentes de Jacó.” 
Estas fórmulas funcionam como marcos estruturantes, ligando as genealogias às 
narrativas e permitindo que o texto se organize de forma mais coerente. 
 
Tipos de Genealogias 
Dentro das genealogias do Génesis, podemos distinguir dois tipos principais: 
 
Genealogias verticais (ou lineares): Apresentam uma única linha de descendência, como 
a genealogia de Adão até Noé (capítulo 5) e de Sem até Terá (capítulo 11). 
Genealogias horizontais (ousegmentadas): Apresentam várias linhas de descendência 
ao mesmo tempo, como as genealogias dos filhos de Noé (capítulo 10), de Ismael 
(capítulo 25) e de Esaú (capítulo 36). 
As genealogias verticais são fundamentais para o desenvolvimento da narrativa, pois 
criam um quadro no qual as narrativas podem ser inseridas. Por exemplo, a genealogia 
de Adão em Gn 5 estabelece o quadro para a narrativa sobre Noé e a inundação, e a 
genealogia de Sem em Gn 11 estabelece o contexto para a história de Terá e Abrahão. 
 
As genealogias horizontais, embora também importantes, têm um papel mais secundário 
e marginal, ao apresentar múltiplas linhagens ao mesmo tempo, como as descendências 
de Ismael ou de Esaú. 
 
A Função Social e Política das Genealogias 
As genealogias no Génesis não são apenas uma forma literária, mas também 
desempenham uma função sócio-política. Na antiguidade, as genealogias eram usadas 
para legitimar dinastias reais e estabelecer a posição social das famílias. No contexto 
bíblico, as genealogias ajudam a legitimar a linha de Adão a Jacó, ligando o povo de 
Israel aos seus antepassados, como Abrahão, Isaac, Jacó e seus filhos, que seriam as 
doze tribos de Israel. 
 
O Texto de Gn 2,4 
Uma das fórmulas toledot mais debatidas é Gn 2,4, que serve como uma transição entre 
as narrativas da criação do mundo e a história de Adão e Eva. Alguns estudiosos 
sugerem que Gn 2,4 funciona como um ponte entre as narrativas de Gn 1,1-2,3 e Gn 
2,4b-3,24, ligando a criação e os eventos seguintes, como a origem da humanidade e a 
queda do homem. 
 
2. Contexto histórico e social 
Historicidade das Escrituras Sagradas: 
 
Durante muito tempo, acreditou-se que a inspiração divina garantia a historicidade dos 
textos bíblicos, fazendo com que livros como o Gênesis fossem lidos quase como 
documentos históricos. Essa leitura mais literal tratava os textos como registros 
inquestionáveis da história, sem considerar tanto a sua artisticidade ou as formas 
narrativas que os compõem. No entanto, esse ponto de vista foi desafiado, 
especialmente a partir do século XVII, quando surgiram os primeiros questionamentos 
sobre a precisão histórica dos relatos bíblicos. 
História dos Origens (Gn 1-11): 
 
A questão da historicidade da História dos Origens foi colocada em evidência já no 
século XVII, quando de la Peyrère sugeriu a ideia de uma humanidade pré-adâmica, 
devido às discrepâncias entre o relato bíblico e o conhecimento das antigas civilizações 
como a caldeia, egípcia e chinesa. 
No século XVIII, estudiosos como Eichhorn e Gabler introduziram o conceito de mito 
ao debater o relato da criação, questionando se as histórias contadas no Gênesis 1-11 
são mitológicas ou representam realidades históricas. A visão moderna tende a ver esses 
capítulos como mitos fundacionais de uma tradição monoteísta, diferenciando-se das 
mitologias do Antigo Oriente Próximo, mas com algumas semelhanças estruturais. 
Histórias Patriarcais (Gn 12-50): 
 
A questão da historicidade das Histórias patriarcais continuou a ser debatida, 
especialmente no século XX. Inicialmente, muitos estudiosos acreditavam que os 
relatos sobre Abrahão, Isaac, Jacó e José tinham um valor histórico significativo, dado 
que paralelos com documentos extrabíblicos do segundo milénio a.C. eram encontrados 
(por exemplo, documentos de Mari, Nuzi e Ugarit). No entanto, estudos mais recentes 
têm questionado essa visão, apontando que os relatos patriarcais provavelmente 
refletem a época de sua redação (primeiro milénio a.C.), particularmente durante o 
período monárquico ou até exílico e pós-exílico. As informações presentes nesses textos 
não podem ser usadas para datar os patriarcas historicamente, mas sim para entender 
melhor o contexto da redação do Pentateuco. 
3. Teologia 
Deus Criador: 
 
O Deus do Gênesis é apresentado como o Criador absoluto e sem genealogia, o que o 
distancia radicalmente de todos os outros personagens do livro. Ele não entra em cena 
como os demais, mas começa a ação criando o mundo e estabelecendo a ordem do 
universo. Sua posição de Criador e Senhor absoluto de toda a criação é um tema central, 
reforçando sua soberania sobre o cosmos e os seres vivos. 
Deus da Bênção e da Promessa: 
 
O tema da bênção divina percorre o livro do Gênesis e está intimamente ligado às 
promessas que Deus faz aos homens, como visto em passagens como Gn 12,1-3, onde 
Deus promete a Abrahão que ele será pai de uma grande nação. A bênção de Adão 
(1,28) é transmitida aos seus descendentes, e a genealogia de Adão (Gn 5) enfatiza a 
transmissão da imagem e da bênção divina através das gerações, com especial destaque 
para a linhagem que chega até Noé e, em seguida, a de Abrahão. Este último recebe a 
promessa de que sua descendência será uma bênção para toda a humanidade, refletindo 
a continuidade do plano de Deus para a criação e para seu povo. 
Deus da Aliança: 
 
A aliança divina é outro pilar teológico fundamental no Gênesis, evidenciada pela 
aliança com Noé (Gn 9,8-17) e com Abrahão (Gn 15 e 17). Em ambos os casos, Deus 
faz promessas irrevogáveis que moldam a história de seu povo. As promessas de terras e 
descendentes são características de sua aliança com Abrahão, e essas promessas são 
continuadas ao longo das gerações. 
4. Estrutura e Divisões 
Evolução da Narrativa: 
 
O estudo de Cohn sobre a estrutura narrativa do Gênesis revela uma evolução 
significativa no livro. Inicialmente, em Gn 1-11, Deus aparece de forma constante, 
intervindo diretamente nos acontecimentos. A medida que o livro avança, 
principalmente a partir de Gn 12, Deus passa a se comunicar de forma mais distante 
com os personagens, aparecendo principalmente a Abrahão, ocasionalmente a Jacó e 
nunca mais diretamente a José. Ao mesmo tempo, os personagens humanos começam a 
ganhar mais autonomia, refletindo uma mudança na forma de narrar a história, que se 
torna mais coesa e centrada nas ações humanas. 
Divisão do Gênesis: 
 
A estrutura do Gênesis pode ser dividida em quatro grandes seções narrativas: 
História dos Origens (Gn 1-11) — onde são narrados os primeiros eventos da criação e 
o início da humanidade. 
História de Abrahão (Gn 11-25) — centrada em Abrahão e na formação da promessa 
divina. 
História de Jacó (Gn 25-36) — que foca nas vidas de Jacó e seus filhos, especialmente 
os conflitos familiares. 
História de José (Gn 37-50) — onde a história de José é contada e culmina com a 
reconciliação com seus irmãos e o estabelecimento do povo de Israel no Egito. 
Essas divisões coincidem com a estrutura apresentada pelas fórmulas toledot, que são 
encontradas ao longo do Gênesis e servem como uma espécie de marcador para a 
transição de uma narrativa para outra, ligando as diferentes seções e fornecendo coesão 
ao livro.

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