Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

Vivencias Veterinária IV:
1. Introdução:
O exame físico geral é uma etapa fundamental na prática clínica veterinária, permitindo a identificação precoce de alterações nos padrões fisiológicos dos animais. Em animais de grande porte, a realização deste exame requer técnicas adaptadas à anatomia, ao manejo e à segurança do paciente e da equipe. 
2. Sequência do Exame Físico Geral
Embora cada paciente possa demandar abordagens específicas, a sequência sugerida para um exame físico completo inclui:
• Inspeção Visual: Análise do comportamento, postura, locomoção, presença de claudicação ou anormalidades visíveis.
• Palpação: Verificação de alterações nos tecidos, linfonodos e estruturas internas.
• Auscultação: Uso do estetoscópio para avaliar sons cardíacos, respiratórios e digestivos.
• Percussão (quando aplicável): Complementa a palpação e a auscultação para identificar alterações em órgãos ou cavidades.
3. Avaliação dos Parâmetros Fisiológicos
3.1. Mucosas
• O que avaliar:
• Cor: Mucosas normais geralmente apresentam coloração rosa; alterações podem indicar problemas como choque (palidez) ou hipóxia (cianose).
• Umidade: Devem estar úmidas; mucosas secas podem sugerir desidratação.
• Tempo de Preenchimento Capilar (TPC): Pressionar levemente a gengiva ou a conjuntiva e observar o tempo de retorno da cor. Um TPC prolongado pode indicar comprometimento circulatório.
• Técnicas:
• Inspeção direta: Verificar visualmente a coloração e a umidade.
• Teste do TPC: Pressionar a mucosa e contar o tempo em segundos para que a cor retorne (normalmente deve ser inferior a 2 segundos).
3.2. Temperatura
• O que avaliar:
• A medição da temperatura corporal é fundamental para detectar febres, hipotermia ou variações que podem estar relacionadas a processos infecciosos, inflamatórios ou metabólicos.
• Técnicas:
• Termometria Retal: Utilização de termômetro digital ou aneroide, garantindo higienização e conforto para o animal.
• Considerações Específicas: Em bovinos, a temperatura normal costuma variar entre 38°C e 39,5°C; entretanto, deve-se sempre correlacionar com outros achados clínicos.
3.3. Linfonodos
• O que avaliar:
• Tamanho e Consistência: Linfonodos aumentados ou com consistência alterada podem sugerir processos infecciosos, inflamatórios ou neoplásicos.
• Sensibilidade: Dor ou sensibilidade à palpação pode indicar inflamação local ou sistêmica.
• Técnicas:
• Palpação Sistemática: Realizar a palpação dos linfonodos superficiais (como prescrotal, parotídeo, pré-supra mamários) de forma suave, observando variações em relação ao padrão normal do animal.
• Registro das Alterações: Anotar local, tamanho, consistência e qualquer sinal de dor durante a palpação.
3.4. Grau de Hidratação
• O que avaliar:
• Indica o equilíbrio hídrico do animal e é crucial para detectar estados de desidratação ou, em alguns casos, sobrecarga hídrica.
• Técnicas:
• Teste de Turgor Cutâneo: Pegar uma região de pele (geralmente na região do pescoço ou da cernelha) e elevar formando uma “preguinha”. O tempo que a pele leva para retornar à sua posição normal é avaliado; um retorno lento sugere desidratação.
• Avaliação das Mucosas: A umidade e o brilho das mucosas complementam a avaliação do estado hídrico.
• Avaliação dos Olhos: Em alguns casos, a posição dos olhos pode ajudar a indicar desidratação.
4. Técnicas Envolvidas na Prática
Para a execução adequada do exame físico geral, especialmente em animais de grande porte, é importante dominar e integrar as seguintes técnicas:
• Auscultação:
• Utilização de estetoscópio para identificar anormalidades no ritmo e intensidade dos batimentos cardíacos e sons respiratórios.
• Técnica de posicionamento para facilitar a escuta em áreas de difícil acesso.
• Palpação:
• Técnica de pressão controlada para identificar alterações nos tecidos, linfonodos e órgãos internos.
• Deve ser realizada de forma sistemática e comparativa (lado esquerdo x lado direito).
• Inspeção Visual:
• Avaliação minuciosa da postura, locomoção, e do aspecto geral do animal, observando sinais de desconforto ou alterações comportamentais.
• Termometria:
• Uso de equipamentos calibrados, com cuidados higiênicos e segurança, sobretudo quando o exame é realizado em campo.
• Técnica de contenção e manejo:
• Em animais de grande porte, é fundamental utilizar métodos de contenção adequados (como o uso de cabrestos, contenção mecânica ou sedação leve, quando necessário) para garantir a segurança do animal e do examinador.
• Treinamento prévio em técnicas de manejo seguro é indispensável.
1. Localização dos Linfonodos
Embora a distribuição possa variar entre espécies, alguns linfonodos superficiais são comumente avaliados em animais de grande porte:
• Linfonodos Mandibulares:
• Localização: Abaixo da mandíbula, próximos à base do lobo da orelha.
• Importância: São úteis para detectar alterações em processos infecciosos ou inflamatórios que afetem a cabeça e a região facial.
• Linfonodos Parotídeos:
• Localização: Próximos à articulação da mandíbula com a orelha, na região posterior ou inferior à base da orelha.
• Importância: Frequentemente aumentados em processos sistêmicos ou locais que acometem a cabeça.
• Linfonodos Superficiais Cervicais:
• Localização: Ao longo do pescoço, geralmente próximos à veia jugular.
• Importância: A avaliação desses linfonodos pode indicar alterações relacionadas a infecções ou inflamações no tronco do animal.
• Linfonodos Prescapulares:
• Localização: Na região anterior ou cranial à escápula, logo abaixo da ponta do ombro.
• Importância: São úteis para identificar alterações que possam estar relacionadas a infecções na região torácica ou membros anteriores.
(Vale lembrar que, em algumas espécies, podem ser avaliados outros grupos de linfonodos, como os pré-supra mamários e os inguinais, de acordo com a necessidade clínica.)
2. Técnica Correta para Palpação dos Linfonodos
Preparação e Condicionamento do Animal
• Manejo e contenção: Certifique-se de que o animal esteja adequadamente contido e calmo. Utilize técnicas de manejo que garantam a segurança tanto do examinador quanto do paciente.
• Ambiente: Realize o exame em um local com boa iluminação e onde o animal esteja habituado ao manejo.
Técnica de Palpação
• Posicionamento dos Dedos:
• Utilize os dedos indicador e médio para realizar a palpação, podendo usar a mão dominante para melhor sensibilidade.
• Em alguns casos, a técnica de “mão oposta” (ou seja, utilizar a mão que permita sentir com mais precisão) pode ajudar a comparar os dois lados do corpo.
• Movimentos e Pressão:
• Movimentos Circulares e de Deslizamento: Posicione os dedos sobre a região onde o linfonodo se espera e realize movimentos circulares suaves. Esse movimento permite detectar a consistência, o tamanho e a mobilidade do linfonodo.
• Pressão Moderada: Aplique uma pressão firme o suficiente para sentir estruturas subcutâneas, mas sem causar desconforto excessivo ao animal. A pressão deve ser gradualmente aumentada para identificar a profundidade e os contornos do linfonodo.
• Comparação Lateral: Sempre compare o linfonodo do lado esquerdo com o do lado direito, procurando por assimetrias em tamanho, forma e sensibilidade.
• Avaliação dos Aspectos:
• Tamanho e Forma: Linfonodos normais geralmente são pequenos, ovais e móveis. Aumento de tamanho pode indicar processos inflamatórios, infecciosos ou neoplásicos.
• Consistência: Um linfonodo normal tende a ser firme, mas não duro; alterações na consistência (mais líquido ou endurecido) podem ser indicativas de processos patológicos.
• Sensibilidade: Durante a palpação, observe se há reação de desconforto ou dor no animal, o que pode indicar inflamação local.
Sistema Digestório:
1. Introdução
O exame físico do sistema digestório é essencial na clínica veterinária para identificar alterações funcionais e anatômicas que podem afetar o bem-estar e a produtividade dos animais. Em ruminantes, o destaque é para o estômago compartimentalizado (rúmen, retículo, omaso e abomaso), enquanto em não ruminantes há um estômago simples comdiferentes padrões de localização e motilidade. A realização deste exame requer domínio das semiotécnicas – técnicas de observação, auscultação, palpação e, quando necessário, percussão – e conhecimento dos pontos de referência anatômicos (eixos do animal).
2. Plano de Exame Físico do Sistema Digestório
2.1. Abordagem Geral
A avaliação do sistema digestório deve ser feita de forma sistemática, seguindo uma sequência que permita a correlação dos achados e a identificação precoce de alterações. Os passos gerais incluem:
• Inspeção:
• O que fazer: Observar o contorno abdominal, a simetria, presença de distensão, padrões de movimento e sinais externos de desconforto ou alteração (como icterícia ou alterações na coloração da pele).
• Como fazer: Visualize o animal de frente, lateralmente e, se possível, de cima, identificando desvios no padrão normal da anatomia.
• Auscultação:
• O que fazer: Ouvir os sons intestinais (borborigmos) e, em ruminantes, os sons característicos do rúmen, que indicam a atividade motora e fermentativa.
• Como fazer: Utilize um estetoscópio, posicionando-o sobre as áreas pré-determinadas (por exemplo, a fossa paralumbar esquerda para o rúmen) e escute por variações em intensidade e ritmo.
• Palpação:
• O que fazer: Avaliar a consistência abdominal, identificar massas, dilatações ou sensibilidade local, além de localizar órgãos e estruturas específicas.
• Como fazer: Com movimentos circulares e de deslizamento, utilize os dedos (geralmente indicador e médio) para sentir os contornos e volumes dos órgãos. Compare os lados esquerdo e direito para detectar assimetrias.
• Percussão (quando aplicável):
• O que fazer: Auxiliar na identificação de acúmulos gasosos ou líquidos em determinadas regiões do abdômen.
• Como fazer: Percuta suavemente a parede abdominal e avalie a sonoridade, correlacionando com a anatomia esperada.
3. Semiotécnicas Específicas no Exame do Sistema Digestório
As semiotécnicas são métodos que possibilitam a obtenção de sinais clínicos a partir dos sentidos do examinador (visão, audição e tato). Para o sistema digestório, destacam-se:
• Inspeção: Permite identificar alterações visíveis, como distensão abdominal, assimetria e movimentos anormais.
• Auscultação: Esencial para avaliar a motilidade gastrointestinal. Em ruminantes, os sons do rúmen (ruminação e contrações rítmicas) são avaliados; em não ruminantes, os borborigmos intestinais são o foco.
• Palpação: Ajuda a definir a consistência dos órgãos, identificar pontos dolorosos e localizar áreas de acúmulo anormal (ex.: massas ou líquidos).
• Percussão: Complementa a avaliação, especialmente útil em identificar áreas com excesso de gás ou líquidos.
4. Exame do Sistema Digestório em Ruminantes
4.1. Anatomia e Localização
• Rúmen:
• Localização: Ocupa a maior parte da cavidade abdominal do lado esquerdo, estendendo-se da região do flanco até a linha média.
• Eixo: Considera-se o eixo longitudinal (craniocaudal) e o transversal para delimitar a região de avaliação.
• Retículo, Omaso e Abomaso:
• Retículo: Localiza-se logo abaixo do rúmen, na região cranial, próximo ao diafragma.
• Omaso: Fica situado na parte média do abdômen, próximo à linha média.
• Abomaso: É a “verdadeira” porção gástrica, localizada na região ventral, mais à direita, logo abaixo do diafragma.
4.2. Técnicas Práticas para Ruminantes
• Inspeção:
• Observe o contorno do flanco e da fossa paralumbar esquerda, onde o rúmen é mais facilmente perceptível.
• Auscultação:
• Posicione o estetoscópio na fossa paralumbar esquerda para ouvir os sons do rúmen. Verifique a frequência e a regularidade das contrações, que normalmente ocorrem de 3 a 4 vezes por minuto.
• Palpação:
• Com a mão posicionada na região do flanco, realize movimentos circulares para sentir a presença e a consistência do rúmen e identificar possíveis alterações (ex.: acúmulo anormal de gás ou alterações de volume).
• Utilize o eixo longitudinal para orientar a palpação, começando na região dorsal e seguindo em direção à parte ventral do abdômen.
• Percussão:
• Pode ser realizada para confirmar a presença de gás no rúmen, detectando áreas de timpanismo.
5. Exame do Sistema Digestório em Não Ruminantes
5.1. Anatomia e Localização
• Estômago:
• Localização: Geralmente localizado na região cranial e medial do abdômen, abaixo do diafragma e próximo à linha média.
• Eixo: A avaliação deve considerar o eixo sagital e o transversal, utilizando pontos de referência como a margem costal e o umbigo.
• Intestinos:
• Localização: Distribuídos pela cavidade abdominal, os intestinos podem ser avaliados através da inspeção e palpação para identificar movimentos peristálticos e eventuais distensões.
• Fígado e Vesícula Biliar:
• Localização: Embora não façam parte do trato gastrointestinal propriamente dito, sua avaliação é fundamental e costuma ser feita na região cranioventral, logo abaixo das costelas.
5.2. Técnicas Práticas para Não Ruminantes
• Inspeção:
• Observe o formato e a simetria do abdômen, atentando para sinais de distensão ou assimetria que possam sugerir acúmulo de líquidos ou gás.
• Auscultação:
• Posicione o estetoscópio na região cranial e medial para ouvir os sons gástricos e intestinais. Sons aumentados ou ausentes podem indicar obstruções ou alterações funcionais.
• Palpação:
• Com movimentos delicados, palpe a região abdominal para identificar a localização do estômago, intestinos e, se possível, o fígado.
• Utilize a linha média e eixos transversais para orientar a palpação e detectar áreas de sensibilidade ou alterações volumétricas.
• Percussão:
• A percussão pode ajudar a diferenciar áreas com presença de gás, líquido ou massas sólidas, complementando a avaliação tátil.
6. Considerações sobre os Eixos Anatômicos e Pontos de Referência
• Eixo Longitudinal (Craniocaudal):
• Serve para orientar a avaliação dos órgãos que se estendem da cabeça à cauda. Por exemplo, em ruminantes, o rúmen é avaliado ao longo do flanco esquerdo, do dorso ao ventre.
• Eixo Transversal (Dorsoventral):
• Importante para definir a profundidade dos órgãos. No exame abdominal, é fundamental para diferenciar estruturas superficiais das mais profundas.
• Linha Média e Planos Sagital e Frontal:
• Auxiliam na comparação bilateral dos órgãos e na identificação de assimetrias. A palpação e a auscultação devem ser realizadas de forma simétrica, possibilitando identificar desvios dos padrões normais.
7. Técnicas de Execução na Prática
• Preparação do Animal:
• Garanta a contenção segura e o conforto do animal. Em animais de grande porte, o uso de técnicas de manejo (cabresto, contenção mecânica ou sedação leve, se necessário) é fundamental para a realização segura do exame.
• Sequência de Avaliação:
• Comece com a inspeção, seguida pela auscultação e, por último, a palpação e percussão. Essa sequência evita que a manipulação altere os sons intestinais.
• Registro e Comparação:
• Documente as observações (frequência dos sons, consistência dos órgãos, sensibilidade à palpação) e compare com os padrões normais da espécie em questão.
• Prática e Treinamento:
• A familiaridade com os pontos de referência anatômicos e os eixos do animal melhora a acuidade do exame. A prática regular é essencial para desenvolver sensibilidade e precisão na avaliação.
Sistema Cardiovascular:
1. Introdução
O exame físico dos sistemas cardiovascular e respiratório é essencial para a avaliação clínica dos animais de grande porte, pois permite identificar alterações que podem comprometer a função cardíaca e pulmonar. Esse exame integra técnicas de inspeção, palpação, auscultação (e, quando necessário, percussão), e requer o conhecimento dos pontos de referência anatômicos e dos eixos (longitudinal, transversal e sagital) que orientam a avaliação.
2. Exame do Sistema Cardiovascular
2.1. Métodos e Objetivos
• Objetivo Geral:
Caracterizar a função e identificar alterações no sistema cardiovascular por meio da observação e avaliação física.
• Métodos Empregados:
• Inspeção: Verificar sinais externos como a cor das mucosas, presençade cianose, distensão das veias ou alterações na postura e na locomoção, que podem indicar insuficiência cardíaca.
• Palpação: Avaliar o pulso arterial (quando acessível) e a presença de vibrações ou frêmitos na parede torácica.
• Auscultação:
• Como Fazer:
Utilizar um estetoscópio com a cabeça do instrumento posicionada nos pontos de melhor transmissão do som cardíaco.
• Pontos de Referência:
• Apex Cardíaco: Em muitos animais de grande porte (como bovinos e equinos), o melhor local para auscultar os sons cardíacos é a parede torácica esquerda, na região do ápice (próximo à 5ª ou 6ª costela, dependendo da espécie).
• Base Cardíaca: Pode ser avaliada na região cranial ao coração.
• O que Identificar:
Ritmo, frequência, presença de sopros ou murmúrios, e a intensidade dos sons, comparando ambos os lados para identificar assimetrias.
2.2. Técnica Prática – Passo a Passo
1. Preparação e Contenção:
• Garanta que o animal esteja contido de maneira segura e confortável (uso de cabresto, contenção mecânica ou, se necessário, sedação leve).
• Posicione o animal em um local bem iluminado e com acesso fácil à parede torácica.
2. Inspeção:
• Observe a cor das mucosas (normalmente rosadas) e a presença de edema ou cianose.
• Verifique se há sinais de esforço respiratório que possam estar relacionados a falhas na função cardíaca.
3. Palpação:
• Utilize as mãos para identificar o pulso arterial em locais onde seja possível senti-lo (ex.: artéria femoral ou digital, se aplicável).
• Faça movimentos circulares leves na região torácica para detectar vibrações ou frêmitos que podem sugerir anormalidades.
4. Auscultação:
• Posicione o estetoscópio sobre o ápice cardíaco (geralmente na parede torácica esquerda, na região intermediária a ventral) e, em seguida, na base do coração.
• Escute atentamente os sons cardíacos, anotando qualquer irregularidade no ritmo ou murmúrios que possam indicar insuficiência valvar ou outros distúrbios.
5. Registro dos Achados:
• Documente a frequência cardíaca (normalmente variando de 40 a 80 batimentos por minuto, dependendo da espécie e do estado do animal), a qualidade dos sons e quaisquer alterações observadas.
3. Exame do Sistema Respiratório
3.1. Métodos e Objetivos
• Objetivo Geral:
Avaliar a integridade funcional dos pulmões e das vias aéreas, identificando alterações na ventilação, ruídos respiratórios e sinais de esforço.
• Métodos Empregados:
• Inspeção:
• O que Fazer: Observar o padrão respiratório, a simetria dos movimentos torácicos e a presença de dispneia ou taquipneia.
• Como Fazer: Visualize o animal em repouso e durante a respiração, observando a expansão do tórax e a utilização de músculos acessórios.
• Auscultação:
• Como Fazer:
Com o estetoscópio, ouça os sons pulmonares em diversos pontos da parede torácica.
• Pontos de Referência:
• Região Costal: Distribuída ao longo dos espaços intercostais, onde os sons respiratórios são mais bem percebidos.
• Região Ventral e Dorsal: A auscultação deve ser feita em ambos os lados, comparando a lateralidade.
• O que Identificar:
Sons normais (murmuros vesiculares) e alterações como crepitações, sibilos ou ruídos adventícios que podem indicar processos inflamatórios, consolidações ou obstruções.
3.2. Técnica Prática – Passo a Passo
1. Preparação e Contenção:
• Assegure que o animal esteja em posição de segurança e conforto, com acesso fácil a toda a região torácica. Em animais de grande porte, a contenção deve ser feita por profissionais experientes.
2. Inspeção:
• Observe o padrão respiratório: frequência (taquipneia, bradipneia) e esforço (uso de músculos acessórios, retração das costelas).
• Note assimetrias na expansão torácica, que podem indicar consolidação pulmonar ou derrame pleural.
3. Palpação e Percussão:
• Palpe o tórax para avaliar a simetria da expansão durante a inspiração e a expiração.
• A percussão pode ajudar a identificar áreas com excesso de gás (timpanismo) ou áreas de som maciço (consolidação).
4. Auscultação:
• Divida a parede torácica em quadrantes para garantir uma avaliação completa.
• Utilize o estetoscópio para auscultar:
• Região Costal: Entre as costelas, onde o som pulmonar é geralmente mais claro.
• Região Dorsal e Ventral: Compare os sons em ambos os lados para identificar discrepâncias.
• Anotações: Registre a presença de ruídos normais (murmuros vesiculares suaves e regulares) e quaisquer sons anormais, como sibilos, roncos ou crepitações.
5. Utilização dos Eixos Anatômicos:
• Eixo Longitudinal (Craniocaudal):
Ajuda a orientar a avaliação do tórax da parte cranial (próximo ao pescoço) à caudal (próximo ao diafragma).
• Eixo Transversal (Dorsoventral):
Auxilia na comparação da parte dorsal (próxima à coluna) com a parte ventral (próxima à parede abdominal).
• Linha Média Sagital:
Facilita a comparação simétrica entre os lados esquerdo e direito, crucial para identificar desvios ou assimetrias nos sons respiratórios e na expansão torácica.
4. Considerações Práticas e Técnicas Envolvidas
4.1. Preparação e Contenção
• Segurança:
A contenção do animal é fundamental para a segurança do examinador e do paciente. Técnicas específicas (cabresto, contenção mecânica ou sedação leve) devem ser aplicadas conforme o manejo do animal.
• Ambiente:
O exame deve ser realizado em ambiente bem iluminado e com espaço suficiente para manobras.
4.2. Técnicas Integradas de Avaliação
• Uso do Estetoscópio:
• Escolha um aparelho adequado para animais de grande porte, que permita captar sons de baixa frequência.
• Posicione-o cuidadosamente nos pontos de referência, garantindo boa aderência e contato com a pele.
• Palpação e Percussão:
• Realize movimentos circulares e de deslizamento com os dedos, aplicando pressão moderada.
• A percussão deve ser feita com toques leves e rápidos, auxiliando na diferenciação entre áreas normais e anormais.
• Documentação dos Achados:
• Registre os dados como frequência cardíaca e respiratória, qualidade dos sons, presença de murmúrios ou ruídos adventícios e quaisquer alterações na simetria torácica.
• A comparação bilateral e a utilização dos eixos anatômicos são fundamentais para detectar assimetrias e desvios.
4.3. Pontos de Referência e Eixos
• Identificação dos Eixos:
• Eixo Longitudinal (Craniocaudal):
Orienta a avaliação do tórax, auxiliando na localização dos pontos cardíacos (ápex e base) e na distribuição dos sons respiratórios.
• Eixo Transversal (Dorsoventral):
Auxilia na determinação da profundidade dos órgãos e na avaliação da expansão torácica.
• Linha Média Sagital:
Serve para comparar os lados esquerdo e direito, identificando assimetrias que podem ser indicativas de anomalias.
A técnica de balotamento é um procedimento de exame físico que consiste em pressionar suavemente uma região ou órgão com as mãos para, em seguida, liberá-lo e observar seu movimento de “quicar” ou retornar à posição original. Esse movimento pode indicar, por exemplo, a presença de líquido, gás ou alteração na mobilidade de determinada estrutura.
Em medicina veterinária, essa técnica é utilizada para complementar a avaliação de órgãos abdominais ou torácicos, ajudando a identificar:
• Acúmulo de Líquido: Em casos de derrames ou ascites, o órgão pode apresentar maior mobilidade devido ao excesso de líquido ao redor.
• Alterações de Consistência: Um órgão que se “balota” de forma diferente do esperado pode sugerir alterações patológicas, como inflamação ou aumento do volume.
• Mobilidade Anatômica: A técnica auxilia na avaliação comparativa da mobilidade entre os dois lados do corpo, contribuindo para identificar assimetrias ou deslocamentos.
Como fazer na prática:
1. Posicionamento: Garanta que o animal esteja contido e em posição adequada para o exame, com a área de interesse bem exposta e com boa iluminação.
2. Pressão com as Mãos: Com uma mão posicionada sobre a região a ser avaliada e a outra auxiliando na estabilização, aplique uma pressão moderada e firme.
3. Liberação Rápida: Após a compressão, solte rapidamente a pressão e observe se o órgão “balota” (ou seja, se apresenta um movimentorápido e visível de retorno à sua posição original).
4. Avaliação Comparativa: Compare o comportamento do mesmo órgão ou estrutura em ambos os lados (quando aplicável) para identificar eventuais alterações na mobilidade.
	
	ReplyForward
Add reaction
image1.png