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Prática dos recursos ao TST Profa. Carolina Tupinambá Descrição Você vai adquirir conhecimentos práticos acerca da interposição de recursos ao Tribunal Superior do Trabalho (TST). Propósito O entendimento das principais nuances dos recursos processados no TST é fundamental para uma atuação exitosa no âmbito desse tribunal. Preparação Antes de iniciar seu estudo, tenha em mãos a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) – Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, e o Código de Processo Civil (CPC) – Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015. Objetivos Módulo 1 Recurso de revista Classificar as espécies de recursos processados no âmbito do Tribunal Superior do Trabalho. Módulo 2 Outros recursos cabíveis ao TST Reconhecer a vivência prática recursal superior no âmbito da Justiça do Trabalho. Introdução A compreensão e o domínio das ferramentas jurídicas é essencial para aqueles que atuam no campo da Justiça do Trabalho, e entre essas ferramentas, os recursos ao Tribunal Superior do Trabalho (TST) desempenham um papel central. Neste conteúdo, vamos explorar de forma detalhada alguns desses recursos. Começaremos com o recurso de revista, um instrumento jurídico de caráter extraordinário e fundamentação vinculada, regulamentado pelo artigo 896 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Sua principal função é buscar a exata aplicação do direito objetivo, não permitindo o reexame de fatos, mas com foco na verificação do direito em questão. Aqui, apresentaremos detalhadamente os requisitos para interposição do recurso, incluindo os pressupostos de admissibilidade, como o prequestionamento e a transcendência. Além disso, abordaremos as hipóteses em que o recurso é cabível, bem como seus prazos e o rito a ser seguido. Você vai notar que o recurso de revista é uma ferramenta técnica, e a forma como é elaborado e fundamentado desempenha um papel crucial em sua aceitação pelos tribunais. Além do recurso de revista, destacaremos os embargos de divergência, discutindo sua competência, prazos de interposição, as situações em que podem ser empregados, e o seu papel na uniformidade da jurisprudência. Também conheceremos os embargos infringentes, um recurso de natureza ordinária, especificamente aplicado a casos de dissídios coletivos complexos, que exigem análise detalhada dos pressupostos recursais. Por fim, discutiremos os agravos regimental e interno, ambos relacionados a decisões monocráticas, cada um com suas particularidades quanto ao cabimento e à competência. Em resumo, vamos fornecer um panorama completo dos recursos cabíveis ao TST, facilitando a compreensão de suas nuances e peculiaridades. Material para download Clique no botão abaixo para fazer o download do conteúdo completo em formato PDF. Download material javascript:CriaPDF() 1 - Recurso de revista Ao �nal deste módulo, você será capaz de classi�car as espécies de recursos processados no âmbito do Tribunal Superior do Trabalho. Entendendo o recurso de revista Confira, neste vídeo, o que é o recurso de revista e quais são suas principais características. Natureza e características gerais O recurso de revista é classificado como de natureza extraordinária e de fundamentação vinculada, cujo órgão julgador é o Tribunal Superior do Trabalho (TST), sendo disciplinado no art. 896 da CLT. Entenda melhor essas classificações dos recursos! Natureza extraordinária Recursos dessa natureza surgem na tutela do direito objetivo, em busca de sua exata aplicação. Portanto, impedem a análise dos fatos ocorridos, inclusive o reexame de provas, restringindo-se à verificação do direito em tela, conforme expressão da Súmula nº 126 do TST. Além do recurso de revista, encontramos, nessa categoria, no processo do trabalho especificadamente, os embargos para a seção de direitos individuais. Fundamentação vinculada Essa definição decorre da necessidade de indicação de vício específico da decisão impugnada. No caso do recurso de revista, a vinculação encontra-se na demonstração de divergência ou de violação literal de dispositivo de lei federal ou afronta direta e literal à Constituição Federal. O recurso de revista tem como propósito impugnar acórdão dos Tribunais Regionais do Trabalho (TRTs) proferidos em grau de recurso ordinário. Isso significa que o recurso de revista somente caberá depois do julgamento do recurso ordinário, impondo, dessa forma, que a demanda tenha se iniciado na Vara do Trabalho. É por isso que não cabe, como regra, recurso de revista de ação de competência originária dos tribunais, como ação rescisória e dissídio coletivo, entre outros. Da mesma forma, não cabe recurso de revista de decisão proferida em agravo de instrumento decidido pelo TRT, posto que não houve antes o julgamento de um recurso ordinário (Súmula nº 218 do TST). Prazo e preparo O recurso de revista observa a regra geral dos recursos trabalhistas, devendo ser interposto no prazo de 8 dias úteis, tendo o mesmo prazo para as contrarrazões. A Fazenda Pública, o Ministério Público do Trabalho e a Defensoria Pública têm o prazo em dobro, ou seja, 16 dias — CPC, arts. 180, 183 e 186 —, inclusive para as contrarrazões. Atenção! Os feriados locais devem ser comprovados pelas partes, sob pena de ser considerado o recurso intempestivo. Para a interposição do recurso de revista, é necessário que o recorrente arque com as custas processuais e com o depósito recursal — o que é chamado de preparo. O preparo das custas processuais poderá ser alterado em função do resultado do julgamento do recurso ordinário em dissídios individuais (Súmula nº 25 do TST). Quanto ao depósito recursal, o recurso de revista está sujeito às mesmas regras do recurso ordinário. O valor do teto do depósito recursal como pressuposto de admissibilidade do recurso de revista é o dobro do fixado para o recurso ordinário. Sobre o depósito recursal, é relevante o conteúdo do enunciado da Súmula nº 128 do TST. Vamos conferir as isenções de preparo! O MPT (art. 790-A, II, da CLT). As pessoas jurídicas de direito público. A massa falida (Súmula nº 86 do TST). Os que litigam sob o pálio da assistência judiciária sindical (art. 14 da Lei nº 5.584, de 26 de junho de 1970). Os beneficiários da justiça gratuita, as entidades filantrópicas e as empresas em recuperação judicial (art. 899, § 10, da CLT). A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) – Orientação Jurisprudencial (OJ) nº 247, II, da S b ã E i li d Di ídi I di id i I Tanto o cumprimento da tempestividade quanto a comprovação do preparo devem ser indicados na peça recursal, assim como anexados seus comprovantes. Na prática advocatícia, orienta-se que o preparo e a tempestividade sejam tópicos iniciais do recurso de revista, pois são pressupostos extrínsecos que, caso ausentes, impedem o conhecimento da peça recursal. Dessa forma, facilita ao julgador bem como à própria admissão dos recursos, tanto no recurso de revista quanto nos demais, a identificação do cumprimento de tais requisitos. Competência para julgamento A competência para julgar o recurso de revista é das Turmas do TST, representadas na imagem. Confira! Turmas do TST. Pressupostos especí�cos de admissibilidade Neste vídeo, você compreenderá os requisitos específicos de admissibilidade do recurso de revista, tratando especialmente do prequestionamento e da transcendência. Subseção Especializada em Dissídios Individuais I (SBDI-1) do TST. O recurso de revista deve preencher todos os pressupostos genéricos direcionados aos demais recursos, como cabimento, tempestividade, representação e preparo, entre outros. Nesse recurso, não é aplicável o jus postulandi, por força da Súmula nº 425 do TST. Portanto, não pode a parte, sem representação de um advogado, postular perante o TST. Ao contrário dos pressupostos genéricos, o cumprimento dos pressupostos específicos de admissibilidade do recurso de revista é tarefa muitas vezes árdua para os advogados.A jurisprudência é extremamente restritiva. Por isso, é fundamental que o advogado se esforce nessa parte do recurso, sob pena de sequer ser conhecido. Os advogados devem cumprir, portanto, os pressupostos específicos de admissibilidade. São eles: Prequestionamento Transcendência Vejamos com mais detalhes cada um desses pressupostos. Prequestionamento Consiste na obrigatoriedade de que haja decisão prévia acerca do direito objetivo supostamente violado ou aplicado de forma divergente. Em outras palavras, “[...] diz-se prequestionada a matéria ou questão quando na decisão impugnada haja sido adotada, explicitamente, tese a respeito” (Súmula nº 297, 1, do TST). Por tese explícita, deve-se entender a tese jurídica apreciada e decidida pelo tribunal a quo (de origem), independentemente de ter constado, no acórdão impugnado, referência ao dispositivo legal. O que se impõe, portanto, é juízo de valor proferido expressamente pelo tribunal a quo. Isso significa que a matéria estará prequestionada se, por exemplo, o acórdão impugnado explanar que não há violação ao princípio do contraditório, sem que haja necessidade de especificar o art. 5º, LV, da Constituição Federal (CF) de 1988 (OJ nº 118 da SDI-I do TST). Somente haverá prequestionamento se houver tese jurídica expressamente adotada na fundamentação do acórdão. Com o CPC, a tese jurídica poderá estar declarada inclusive no voto vencido. Vejamos o que prevê, in verbis, o art. 941, 3º. § 3º O voto vencido será necessariamente declarado e considerado parte integrante do acórdão para todos os fins legais, inclusive de pré-questionamento. (Lei nº 13.105/2015) No momento da interposição do recurso de revista, o recorrente deverá indicar o trecho da decisão recorrida que consubstancia o prequestionamento da controvérsia objeto do recurso de revista, ou seja, o recorrente deverá destacar em seu recurso o trecho da decisão que corresponde à sua insurgência (CLT, art. 896, § 1-A), sob pena de não conhecimento. Desse modo, não haverá tese jurídica e, portanto, prequestionamento, se a decisão do TRT simplesmente adotar os fundamentos da decisão de primeiro grau (OJ nº 151 da SDI-I do TST), uma vez que falta juízo de valor sobre a matéria. Pode ocorrer de a parte invocar a matéria em seu recurso principal (por exemplo, recurso ordinário), mas o tribunal não se manifestar sobre ela. Nesse caso, incumbe-lhe opor embargos declaratórios objetivando o pronunciamento sobre o tema, sob pena de preclusão (Súmula nº 297, II, do TST). Sendo opostos os embargos de declaração, caso o tribunal, ainda assim, não se pronuncie sobre o tema, será considerada prequestionada a matéria (Súmula nº 297, III, do TST). Tem-se aqui o chamado prequestionamento ficto. O CPC/2015 adota a tese do TST, reconhecendo o prequestionamento ficto, conforme se observa em seu art. 1.025 (TST-IN nº 39/2016, art. 90, parágrafo único). Confira! Art. 1.025. Consideram-se incluídos no acórdão os elementos que o embargante suscitou, para fins de pré-questionamento, ainda que os embargos de declaração sejam inadmitidos ou rejeitados, caso o tribunal superior considere existentes erro, omissão, contradição ou obscuridade. (TST-IN nº 39/2016) É muito importante atentar para o fato de que o prequestionamento ficto tem incidência para o TST apenas na hipótese de questão jurídica, mantendo a rigidez do prequestionamento quanto à matéria de fato, já que esta deve ser esgotada na instância ordinária. Desse modo, se o Tribunal Regional for provocado a se manifestar sobre determinado fato, por meio de embargos de declaração, e negar a existência de omissão, não haverá prequestionamento ficto, admitindo- se o recurso de revista por negativa de prestação jurisdicional, ou seja, por violação do art. 832 da CLT, do art. 489 do CPC/2015 e do art. 93, IX, da CF/1988 (Súmula nº 459 do TST). O art. 896, § 1º-A, inciso IV, da CLT, acrescentado pela Lei nº 13.467, de 13 de julho de 2017, trata exatamente dessa hipótese, ou seja, da omissão de pronunciamento do tribunal referente à matéria de fato ou de prova. Veja o que consta no dispositivo sobre a atuação do recorrente! IV - transcrever na peça recursal, no caso de suscitar preliminar de nulidade de julgado por negativa de prestação jurisdicional, o trecho dos embargos declaratórios em que foi pedido o pronunciamento do tribunal sobre questão veiculada no recurso ordinário e o trecho da decisão regional que rejeitou os embargos quanto ao pedido, para cotejo e verificação, de plano, da ocorrência da omissão. (Decreto-Lei nº 5.452/1943) Caso existam embargos de declaração para suprir omissão do TRT e caso este não se pronuncie expressamente acerca da matéria impugnada, haverá consequências. Vamos conferi-las! Matéria de direito Neste caso, estará preenchido o prequestionamento ficto, e o TST poderá examinar a matéria. Matéria de fato Neste caso, haverá a possibilidade de conhecimento da nulidade da prestação jurisdicional pelo TST, determinando-se o retorno dos autos ao TRT para manifestação acerca de tais matérias. O TST entende que, nascendo a violação na própria decisão recorrida (por exemplo, julgamento extra petita no TRT, ou seja, aquele diferente do pedido formulado pelo autor), não será exigível o prequestionamento (OJ nº 119 da SDI-I do TST). Na prática forense, é comum que o pleito do recurso de revista se baseie na alegação de negativa de prestação jurisdicional. Para isso, é ônus da parte, na interposição do recurso de revista, o que consta no art. 896, § 1º-A, inciso IV, da CLT. Transcendência O recurso de revista será analisado se oferecer transcendência com relação aos reflexos gerais de naturezas econômica, política, social ou jurídica (CLT, art., 896-A). Isso significa que a causa não pode produzir reflexos apenas para as partes, mas ultrapassar (transcender) aquela relação processual. Aproxima-se da repercussão geral exigida no recurso extraordinário para o Supremo Tribunal Federal (STF) (CPC/2015, art. 1.035, §1º), sendo um pressuposto intrínseco do recurso de revista. É o último pressuposto a ser verificado pelo TST. De acordo com o art. 896-A, § 1º, da CLT, “são indicadores de transcendência, entre outros: I. econômica, o elevado valor da causa; II. política, o desrespeito da instância recorrida à jurisprudência sumulada do Tribunal Superior do Trabalho ou do Supremo Tribunal Federal; III. social, a postulação, por reclamante-recorrente, de direito social constitucionalmente assegurado; IV. jurídica, a existência de questão nova em torno da interpretação da legislação trabalhista”. A análise da existência ou não da transcendência é exclusiva do TST, sendo vedada sua verificação pelo presidente do TRT (CLT, art. 896-A, § 6º). Nesse contexto, o art. 896-A, § 2º, da CLT declina que “[...] poderá o relator, monocraticamente, denegar seguimento ao recurso de revista que não demonstrar transcendência, cabendo agravo desta decisão para o colegiado”. O prazo do agravo é de oito dias úteis (TST-IN nº 39, art. §1º, §2º). Interposto o agravo da decisão monocrática que denegou seguimento ao recurso de revista por ausência de transcendência, no julgamento do agravo, o recorrente poderá realizar sustentação oral sobre a questão da transcendência durante 5 minutos em sessão (art. 896-A, § 1º e § 3º, da CLT). Mantido o voto do relator quanto a não transcendência do recurso, será lavrado acórdão com fundamentação sucinta, que constituirá decisão irrecorrível no âmbito do tribunal (art. 896-A, § 4º, da CLT). Impede, portanto, a interposição dos embargos de divergência para a SDI. Esse dispositivo, porém, não impede a interposição dos embargos de declaração, uma vez que todas as decisões, inclusive aquela em análise, estão sujeitas aos embargos. Do mesmo modo, caberá recurso extraordinário para o STF, desde que estejam presentes seus pressupostos. O art. 896-A, § 5º, da CLT, por fim, declina que: “É irrecorrível a decisão monocráticado relator que, em agravo de instrumento em recurso de revista, considerar ausente a transcendência da matéria”. Na prática, o requisito do prequestionamento é ainda mais fácil de ser cumprido do que o da transcendência, ainda mais pelo fato de não ser possível levar ao julgamento do colegiado tal análise, quando o relator do agravo de instrumento em recurso de revista não considere cumprido tal requisito. Esse é o destino de milhares de recursos de revista atualmente. Cabimento Neste vídeo, você verá as diferentes hipóteses de cabimento do recurso de revista. Confira! O recurso de revista será cabível quando demonstrada a: Divergência jurisprudencial. Violação literal de disposição de lei federal ou afronta direta e literal à Constituição Federal. Vejamos com mais detalhes cada uma dessas hipóteses. Primeira hipótese A divergência jurisprudencial é entendida como a existência de decisões conflitantes, ou seja, quando analisado um dispositivo legal, embasado em fatos idênticos ou semelhantes, cada tribunal interpreta o dispositivo de modo diverso. A divergência jurisprudencial a legitimar o recurso de revista, nos termos das alíneas “a” e “b” do art. 896 da CLT, ocorre quando os TRTs: a. “derem ao mesmo dispositivo de lei federal interpretação diversa da que lhe houver dado outro Tribunal Regional do Trabalho, no seu Pleno ou Turma, ou a Seção de Dissídios Individuais do Tribunal Superior do Trabalho, ou contrariarem súmula de jurisprudência uniforme dessa Corte ou súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal;” b. “derem ao mesmo dispositivo de lei estadual, Convenção Coletiva de Trabalho, Acordo Coletivo, sentença normativa ou regulamento empresarial de observância obrigatória em área territorial que exceda a jurisdição do Tribunal Regional prolator da decisão recorrida, interpretação divergente, na forma da alínea a.” Interpreta-se como dispositivo de lei federal a lei no sentido formal e material. Não cabe recurso de revista com base em norma regulamentar do Ministério do Trabalho, decretos, portarias etc. Atenção! A divergência deve ser entre tribunais regionais diferentes, não servindo a divergência existente entre turmas de um mesmo TRT (OJ nº 111 da SDI-I do TST). Isso ocorre, porque o TST tem a função de unificar a jurisprudência nacional em sede de matéria trabalhista, afastando a dissidência entre os tribunais regionais. A divergência dentro do mesmo tribunal é resolvida, internamente, por meio do incidente de uniformização, e não diretamente pelo recurso de revista. Em contrapartida, será cabível o recurso de revista quando contrariar decisões da SDI (I ou II), assim como as súmulas e as orientações jurisprudenciais e precedentes normativos. Nesse sentido, tem-se a OJ nº 219 da SDI-I do TST. Observe! Recurso de Revista ou de Embargos fundamentado em Orientação Jurisprudencial do TST É válida, para efeito de conhecimento do recurso de revista ou de embargos, a invocação de Orientação Jurisprudencial do Tribunal Superior do Trabalho, desde que, das razões recursais, conste o seu número ou conteúdo. (TST, OJ nº 219 da SDI-I) É possível que uma empresa esteja sediada em mais de uma regional, de modo que uma norma estadual, uma convenção coletiva, um acordo coletivo, uma sentença normativa e um regulamento de empresa sejam interpretados de forma divergente pelos tribunais regionais. Somente terá cabimento o recurso de revista por divergência se a norma extrapolar o âmbito de pelo menos um tribunal regional (OJ nº 147 da 91-1 do TST). Não cabe invocar no recurso de revista divergência com: TJ Tribunal de Justiça TRF Tribunal Regional Federal STJ Superior Tribunal de Justiça STF Supremo Tribunal Federal O recurso de revista terá cabimento, portanto, quando houver divergência de interpretação das seguintes normas e, também, extrapolar o âmbito de pelo menos um TRT. Confira! Lei federal Lei estadual Acordo coletivo Observe na imagem as divergências autorizadoras. Divergências autorizadoras. Confira o que diz o art. 896, § 7º, da CLT sobre o tema. Art. 896, § 7º A divergência apta a ensejar o recurso de revista deve ser atual, não se considerando como tal a ultrapassada por súmula do Tribunal Superior do Trabalho ou do Supremo Tribunal Federal, ou superada por iterativa e notória jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho. Sentença normativa Regulamento empresarial Convenção coletiva de trabalho (Decreto-Lei nº 5.452/1943) A comprovação da divergência jurisprudencial está disposta no art. 896, § 8º, da CLT, bem como na Súmula nº 337 do TST. Por fim, se a decisão recorrida resolver determinado item do pedido por diversos fundamentos, a jurisprudência transcrita deve abranger a todos (Súmula nº 23 do TST). Segunda hipótese Além da divergência jurisprudencial, o recurso de revista será cabível quando a decisão do tribunal regional for proferida em violação literal à disposição de lei federal ou como afronta direta e literal à Constituição Federal. No processo do trabalho, o recurso de revista poderá abranger legislação infraconstitucional e norma constitucional. Difere do processo civil, em que o recurso é bifurcado, uma vez que as violações à legislação infraconstitucional são remetidas ao STJ, por meio do recurso especial, enquanto as afrontas à Constituição Federal são encaminhadas ao STF, por meio do recurso extraordinário. Na seara laboral, primeiro, esgota-se toda a jurisdição trabalhista. Somente após, caso persista a violação à Constituição Federal, será admitido o recurso extraordinário ao STF. Nessa hipótese, o recorrente deverá indicar expressamente o dispositivo de lei ou da Constituição considerado violado (Súmula nº 221 do TST). Não se exige, porém, que a parte utilize os termos contrariar, ferir, violar etc. (OJ nº 257 da SDI-I do TST). Em se tratando de violação de norma constitucional, o recorrente deverá demonstrar a afronta direta ao comando legal, vedando-se a ofensa indireta ou reflexa da norma constitucional. A ofensa indireta ou reflexa ocorrerá quando o recorrente tiver de invocar uma norma infraconstitucional para chegar à norma constitucional. Nesse caso, não será admitido o recurso de revista nem o extraordinário (Súmula nº 636 do STF). Portanto, caso ocorra a violação reflexa da norma constitucional, o recorrente deverá invocar o dispositivo infraconstitucional considerado violado, para que seu recurso seja cabível, sendo insuficiente (ou desnecessária) a indicação do dispositivo constitucional. Rito Neste vídeo, você conhecerá os aspectos procedimentais do recurso de revista e saberá como avaliar sua admissibilidade no rito sumaríssimo e na execução. Rito sumaríssimo e fase de execução Veja o que consta no art. 896, § 9º, da CLT. 896, § 9º Nas causas sujeitas ao procedimento [rito] sumaríssimo, somente será admitido recurso de revista por contrariedade à súmula de jurisprudência uniforme do Tribunal Superior do Trabalho ou à súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal e por violação direta da Constituição Federal. (Decreto-Lei nº 5.452/1943) Conforme Súmula nº 442 do TST, não caberá recurso de revista no rito sumaríssimo quando: Violar lei federal. Na fase de execução, o cabimento do recurso de revista é ainda mais restrito, sendo admitido apenas quando houver ofensa direta e literal de norma da Constituição Federal (art. 896, § 2º, da CLT). No mesmo sentido, entende-se a Súmula nº 266 do TST. A Lei nº 13.015, de 21 de julho de 2014, ampliou o cabimento do recurso de revista na fase de execução em duas hipóteses. São elas: Execução fiscal. Controvérsias que envolvam a Certidão Negativa de Débitos Trabalhistas (CNDT). Nesses dois casos, o recurso de revista será cabível por violação à lei federal e por divergência jurisprudencial, mas também por ofensa à Constituição Federal (CLT, art. 896, § 10). O quadro a seguir apresenta um resumo das hipóteses de cabimento do recurso de revista. Confira! Ritoordinário Rito sumaríssimo Fase de execuçã Afrontar a Constituição Federal. Afrontar a Constituição Federal. Afrontar a Constituição Federal. Houver divergência jurisprudencial. Contrariar orientação jurisprudencial do TST. Rito ordinário Rito sumaríssimo Fase de execuçã Contrariar súmula do TST. Contrariar súmula do TST. Contrariar súmula do vinculante do STF. Contrariar súmula do vinculante do STF. Violar lei federal. Contrariar orientação jurisprudencial. Divergência jurisprudencial. Hipóteses de cabimento do recurso de revista. Carolina Tupinambá. Portanto, não cabe recurso de revista contra: Decisão interlocutória. Acórdão proferido em agravo de instrumento. Decisão monocrática do desembargador no recurso ordinário. Acórdão proferido em processo de competência originária do TRT. Relevância da comprovação da regularidade formal do recurso de revista O recurso de revista ilustra via recursal extremamente técnica. A Instrução Normativa nº 23, de 5 de agosto de 2003, do TST, recomenda que sejam indicadas as folhas dos autos em que se encontram: A procuração. O depósito recursal e as custas. Os documentos que comprovam a tempestividade do recurso. É preciso que a peça recursal explicite o trecho da decisão recorrida que consubstancie o prequestionamento da controvérsia trazida no recurso e o dispositivo de lei, súmula, orientação jurisprudencial do TST ou ementa (com todos os dados que permitam identificá-la) que atrite com a decisão regional. Para comprovação da divergência justificadora do recurso, é necessário que o recorrente cite a fonte oficial ou repositório em que foi publicado e transcreva, nas razões recursais, as ementas e/ou trechos dos acórdãos trazidos à configuração do dissídio, a fim de demonstrar os conflitos de teses que justifiquem o conhecimento do recurso. Comentário Na prática, é muito difícil que um recurso de revista seja ao menos conhecido quanto mais provido. A organização da estrutura do recurso, com a identificação precisa do preenchimento de cada requisito, é fundamental para que o recurso de revista seja exitoso. Prática advocatícia no recurso de revista Os erros mais comuns encontrados na prática advocatícia no âmbito dos recursos de revista são a busca pelo reexame de fatos e provas, vedada pela Súmula nº 126 do TST, e o debate de matéria não prequestionada (Súmula nº 297 do TST) ou a não apresentação de modo adequado dos trechos que demonstrariam o prequestionamento (art. 896, § 1º-A, I, da CLT). Apesar de amplamente debatidos na teoria e notoriamente conhecidos pelos advogados trabalhistas, na prática, a linha entre o que é reexame de fatos e provas ou o que foi ou não prequestionado, por exemplo, é tênue. Em relação à apresentação da transcendência, a lei não menciona a forma como deve ser feita. No entanto, aconselha-se que o advogado apresente uma preliminar destacada e fundamentada, apontando os motivos jurídicos, econômicos, políticos e sociais, destacadamente, que possam convencer os julgadores do TST de que a questão transcende ao interesse meramente individual da questão posta em juízo. Em resumo, veja algumas práticas advocatícias no âmbito do recurso de revista! A indicação do inciso do artigo 114 da Constituição Federal quando debatida a competência material é necessária. A transcrição integral do acórdão recorrido ou dos capítulos da decisão infirmada no recurso de revista interposto não se presta ao fim de demonstração do prequestionamento. É necessário que a parte recorrente transcreva especificamente os trechos da decisão regional que consubstanciam o prequestionamento das matérias objeto do recurso de revista. Orienta-se que se crie tabela com colunas, destacando e promovendo o cotejo analítico entre os dispositivos legais e constitucionais invocados ou a divergência jurisprudencial noticiada e os fundamentos adotados pela Corte de Origem, não sendo suficiente a mera transcrição da ementa da decisão recorrida nas razões do recurso de revista. Primeira prática Segunda prática A viabilidade do recurso, em termos formais, arguindo a negativa de prestação jurisdicional pressupõe o cumprimento do requisito intrínseco estabelecido no art. 896, § 1º-A, inciso IV, da CLT, qual seja, “[...] transcrever na peça recursal [...] o trecho dos embargos declaratórios em que foi pedido o pronunciamento do tribunal sobre questão veiculada no recurso ordinário e o trecho da decisão regional que rejeitou os embargos quanto ao pedido [...]”. Recomenda-se que também seja transcrito o trecho da própria peça dos embargos de declaração para fazer a ligação com a decisão. A busca de peças nos processos em que ocorreu provimento ao recurso de revista é interessante, pois assim se verifica a forma como os requisitos foram cumpridos. O isolamento dos fundamentos utilizados no recurso e a confrontação específica, um a um, com o acórdão regional são aconselháveis. Os advogados, na prática forense, comumente copiam e colam a inicial, a defesa ou mesmo as razões do recurso ordinário como razões do recurso de revista, o que deve ser veementemente evitado, pois leva, na maioria dos casos, ao não seguimento do recurso de revista. Terceira prática Quarta prática Quinta prática Sexta prática Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 Juliana Moura trabalhou durante cinco anos para a Joalheria Montana Ltda. Por ser uma empregadora que vende joias, a uniformização de Juliana ocorria dentro da loja, com necessidade de maquiagem apresentável e utilização de joias que eram devolvidas ao final do expediente. O procedimento de vestimenta das joias e devolução envolvia cerca de 15 minutos antes da marcação no relógio de ponto e 15 minutos após a marcação, todos os dias. Com isso, ao se desligar da empregadora, Juliana, entre outros pedidos, requereu horas extras em razão do tempo gasto para se uniformizar e se despir todos os dias. O juízo trabalhista de primeira instância concedeu tal pleito, que foi reformado pelo Tribunal Regional, sede de recurso ordinário. Na qualidade de advogado de Juliana, indique a medida judicial cabível em face do acórdão do TRT e quais seriam os fundamentos jurídicos para isso. Digite sua resposta aqui Exibir solução O advogado de Juliana deverá interpor recurso de revista e terá como fundamento a divergência jurisprudencial, já que é entendimento pacificado nessa corte que, ultrapassados cinco minutos, observado o limite de 10 minutos diários, será considerado como extra o tempo que exceder a jornada normal, independentemente das atividades desenvolvidas pelo empregado nesse tempo residual, consoante à Súmula nº 366 do TST. 2 - Outros recursos cabíveis ao TST Ao �nal deste módulo, você será capaz de reconhecer a vivência prática recursal superior no âmbito da Justiça do Trabalho. Embargos de divergência O TST tem competência para julgar duas modalidades de embargos: De divergência (embargos à SDI) Infringentes Para começar, vamos tratar dos embargos de divergência. Entendendo os embargos de divergência Neste vídeo, você compreenderá o cabimento e os principais aspectos dos embargos de divergência. Competência e prazo para interposição A competência para julgar os embargos de divergência é da Seção Especializada em Dissídios Individuais I do TST (SDI-1), nos termos do art. 3º, III, alínea b, da Lei nº 7.701, de 21 de dezembro de 1988. O prazo do recurso é de oito dias úteis, de acordo com o artigo 894, II, da CLT. Hipóteses de cabimento Apesar de esse recurso não estar mais presente com essa nomenclatura no CPC, sua previsão na CLT continua mantida, no artigo 894 e no artigo 232 do Regimento Interno do TST. Seu objetivo é estimular o consenso da jurisprudência do tribunal, e sua natureza é extraordinária. Havendo divergência entre tribunais regionais diferentes, é cabível o recurso de revista com o objetivo deunificar o entendimento em âmbito nacional. É cabível quando houver decisões conflitantes entre as turmas do TST. Já os embargos de divergência, também denominados embargos para a SDI, têm a finalidade de acabar com a divergência interna do TST (art. 894, II, da CLT e art. 3º, lll, alínea b, da Lei nº 7.701/1988). Embargos infringentes Neste vídeo, você compreenderá o cabimento e outras características relevantes dos embargos infringentes. Competência e prazo para interposição A competência para julgamento dos embargos infringentes é da SDC do TST. O prazo é de oito dias úteis, de acordo com o artigo 894, I, alínea a, da CLT e o art. 2º, II, da Lei nº 7. 701/1988. Hipóteses de cabimento Diferentemente dos embargos de divergência, os embargos infringentes têm natureza ordinária, apesar de serem de competência do TST. Isso ocorre por ser uma espécie de duplo grau interno de jurisdição, em casos de dissídios coletivos que tenham extensão territorial que ultrapasse mais de um TRT, sendo, portanto, de competência originária do TST. Nesse caso, como a decisão é proferida em primeira instância pelo TST, o recurso cabível são os embargos infringentes. O cabimento do recurso será em face de decisão não unânime em dissídio coletivo de competência do TST, de competência originária desse tribunal. A intenção é levar ao colegiado o voto minoritário, a fim de que o reanalise. O cabimento pressupõe os seguintes requisitos cumulativos: Dissídio coletivo. Decisão não unânime. A necessidade de decisão não unânime se justifica, porque, considerando que o julgamento do dissídio coletivo e do recurso são feitos pela mesma seção, não haverá lógica em admiti-lo quando a decisão for unânime. Da decisão unânime são cabíveis, em tese, somente os embargos de declaração e o recurso extraordinário, desde que preenchidos os requisitos legais. Os embargos infringentes pressupõem acórdão não unânime proferido pela SDC nas seguintes hipóteses: Julgamento do dissídio coletivo Homologação de conciliação Extensão ou revisão de sentença normativa Pressupostos recursais Como um recurso de natureza ordinária, os embargos infringentes devem preencher todos os pressupostos extrínsecos e intrínsecos típicos de recursos dessa natureza. Quanto à representação, nos termos da Súmula nº 425 do TST, a capacidade postulatória nos embargos é restrita ao advogado, não se aplicando o jus postulandi, por ser de competência do TST. Não é exigido depósito recursal nesse recurso, pois é oriundo de um dissídio coletivo, com sentença normativa, e o depósito só é exigido em sentenças condenatórias (Súmula nº 161 do TST). Competência originária do TST. Agravo regimental e agravo interno Neste vídeo, apresentamos as semelhanças e as diferenças entre o agravo interno e o agravo regimental. Confira! Características comuns Tanto o agravo interno quanto o agravo regimental decorrem de decisão monocrática e buscam levar ao conhecimento do colegiado a decisão proferida pelo relator. Os dois agravos têm prazo de oito dias úteis. O agravo regimental será cabível quando não houver qualquer outro recurso com previsão legal, mas estiver disciplinado no regimento interno do tribunal. Exemplo Concessão de efeito suspensivo pelo presidente do TST em recurso ordinário no dissídio coletivo (TST-RI, art. 235, V). Mas, havendo previsão legal, o agravo será interno (art. 894, § 3º, da CLT e art. 932 do CPC). O agravo interno não exige preparo. A competência de ambos os recursos é do órgão colegiado a que o prolator da decisão monocrática integra, por exemplo, a Turma do Tribunal. Agravo de instrumento Diferentemente do processo cível, em que o agravo de instrumento é cabível contra decisões interlocutórias, no processo trabalhista, esse agravo está previsto no art. 897, alínea b, da CLT. É o recurso cabível contra decisões que denegarem seguimento a outros recursos, ou seja, em que o primeiro juízo de admissibilidade é negativo. Assim, o que se pretende com o agravo de instrumento é destrancar o recurso principal para que seja admitido e analisado pelo tribunal a que se destina. No caso, o processamento de agravo de instrumento perante o TST visa destrancar o recurso de revista. O TST fixou tese, em 2021, de que não é necessário renovar, na interposição do agravo de instrumento, razões do mérito do recurso de revista que não tenham sido examinadas no despacho que negou seu seguimento com base em aspecto processual (Súmula nº 126 do TST, que veda o reexame de fatos e provas). Na prática, é bom indicar os pontos a serem examinados, mas sem se aprofundar em sua análise, a fim de que a peça não se estenda muito e seja efetivamente um agravo de instrumento, e não uma repetição do recurso de revista que se visa destrancar. Competência e prazo para interposição De acordo com o artigo 897, § 4º, da CLT, o agravo de instrumento será apreciado pelo órgão competente para julgar o recurso denegado (trancado). O agravo deverá ser interposto e processado no órgão recorrido e somente após remetido ao órgão a que caberá julgar o recurso. Em processos desse tipo, o depósito recursal corresponderá a 50% do valor do depósito do recurso ao qual se pretenda destrancar. No caso de gratuidade de justiça, são isentos do depósito recursal: Entidades �lantrópicas Bene�ciários da justiça gratuita Empresas em recuperação judicial Na hipótese de esse agravo ser interposto em decorrência de denegação de seguimento a recurso extraordinário para o STF, não é devido depósito recursal, pois, para tal recurso, aplica-se o CPC, e não a CLT. Hipóteses de cabimento De acordo com o art. 775 da CLT, o prazo para interposição do agravo de instrumento é de oito dias úteis. O agravo de instrumento é usado para destrancar outros recursos que forem denegados por meio de despachos dos juízos. Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 João Emanuel trabalha como frentista em um posto de gasolina. A convenção coletiva de sua categoria prevê que o pagamento realizado por clientes por meio de cheques não é recomendável, mas permite tal prática, se inevitável, desde que o empregado anote a placa do veículo, o número de telefone e a identidade do cliente. Em um dia de véspera de alta do preço do combustível, o posto de gasolina recebeu demanda superior ao esperado. Atendendo a dois carros ao mesmo tempo, João Emanuel aceitou o pagamento em cheque de um deles, mas não cumpriu o procedimento indicado pela convenção de sua categoria. O cheque apresentado, quando compensado, não tinha fundos. Diante da ausência das informações do consumidor, o empregador descontou o valor, parceladamente, do salário do frentista. Após a rescisão de seu contrato, João Emanuel ajuizou ação trabalhista pelo rito ordinário, cobrando os valores descontados. A ação foi julgada improcedente em primeira instância, mas, em grau de recurso, a decisão foi reformada e o pedido, julgado procedente. Na qualidade de advogado da empresa, adote a medida jurídica cabível, de forma a estruturá-la preenchendo os pressupostos necessários e fundamentando-a com a tese jurídica pertinente ao caso. Digite sua resposta aqui Exibir solução Para o caso de João Emanuel, cabe interposição de recurso de revista, nos termos dos artigos 896 e 893, III, da CLT. Devem ser apresentadas duas peças: Uma de manifestação do recurso dirigida à Presidência do TRT e outra de encaminhamento ao TST. Ainda é necessário observar a indicação da parte, a numeração dos autos do processo e a identificação correta do nome do recurso interposto. A peça deve ser estruturada de modo a apresentar: Tópicos de preparo – depósito recursal e custas (artigo 896, alíneas “a” e “c”, da CLT). Tempestividade. Fundamentos de divergência. Após a identificação desses tópicos, deve-se passar para o tópico do juízo de admissibilidade, destacando o preenchimento do requisito do prequestionamento e da transcendência.Feitos esses tópicos, é interessante realizar uma breve síntese dos fatos, indicando o que ocorreu tanto na sentença originária quanto no acórdão de julgamento do recurso ordinário e se foram interpostos embargos de declaração ou não, principalmente para tornar mais robusta a comprovação do tópico do prequestionamento. Tendo finalizado tal tópico, passa-se aos fundamentos jurídicos do recurso de revista. O cabimento da peça se baseará na contrariedade do acórdão do julgamento do recurso ordinário, a entendimento da Seção de Direitos Individuais do TST, comprovado o cabimento do recurso de revista na modalidade do artigo 896, alínea a, da CLT, na seguinte parte: “a) derem ao mesmo dispositivo de lei federal interpretação diversa da que lhe houver dado outro Tribunal Regional do Trabalho, no seu Pleno ou Turma, ou a Seção de Dissídios Individuais do Tribunal Superior do Trabalho [...]”. A interpretação diversa foi do artigo 462, § 1º, da CLT, que, conforme SDI fixada em sua Orientação Jurisprudencial nº 251, entende pela licitude do desconto salarial, quando o frentista não observar as orientações previstas em instrumento coletivo e aceitar cheque que posteriormente se verificará sem fundos. Vejamos: “OJ-SDI1-251 DESCONTOS. FRENTISTA. CHEQUES SEM FUNDOS (inserida em 13.03.2002) É lícito o desconto salarial referente à devolução de cheques sem fundos, quando o frentista não observar as recomendações previstas em instrumento coletivo”. Tendo em vista que o enunciado aponta o procedimento a ser adotado, segundo convenção coletiva de sua categoria, o caso se amolda à Orientação Jurisprudencial em comento (citada) e ao acórdão do recurso ordinário que a afrontou. Também cabe indicar na fundamentação o art. 7º, inciso XXVI, da Constituição Federal, que destaca o “reconhecimento das convenções e acordos coletivos de trabalho” como direito dos trabalhadores. Para finalizar o recurso de revista, é importante indicar quais seriam os pedidos. No caso em questão, sugere-se a seguinte estruturação de tal tópico: Diante do exposto, requer: O conhecimento e o provimento do presente recurso de revista, posto que preenchidos os pressupostos de admissibilidade, com a vulneração dos preceitos legais invocados, e demonstrada a afronta ao artigo 7º, XXVI, da Constituição Federal bem como a aplicação de entendimento divergente do fixado na Orientação Jurisprudencial nº 251 deste tribunal. A notificação do recorrido, para se manifestar, querendo. O total provimento ao recurso para decretar-se a licitude do desconto realizado pela recorrente, tendo em vista a não adoção do procedimento determinado pela convenção coletiva da categoria do recorrido, quando do recebimento de cheques como forma de pagamento. Considerações �nais A atuação advocatícia em sede de recursos no Tribunal Superior do Trabalho (TST) é mais sofisticada e requer atenção dos juristas. Afinal, além de ser muito mais difícil o cumprimento dos requisitos específicos de admissibilidade, a apresentação dos recursos deve se atentar sobremaneira à forma e à clareza dos tópicos. Deve-se esmiuçar cada ponto do recurso exposto, a fim de diferenciar o conteúdo das petições anteriormente apresentadas nas instâncias inferiores ou no próprio TST, mas em julgamento de outro recurso. Por exemplo, as razões do recurso de revista devem se preocupar em apontar bem o prequestionamento e a transcendência, sob pena de o recurso sequer ser conhecido. Já na fundamentação, o advogado não pode repetir o conteúdo apresentado no recurso ordinário: A petição é dirigida ao TST e tem fundamento diverso daquele apresentado para os TRTs. O mesmo comentário é válido para os demais recursos processados pelo TST. É sempre interessante que, na atuação nos tribunais, tanto os regionais quanto o TST — ainda mais neste —, o advogado aja para além do papel. A marcação de despacho com o ministro relator, a apresentação de memoriais e o conhecimento profundo do caso são diferenciais que podem ajudar sobremaneira ao alcance do êxito intentado. Explore + Veja como Francisco Ferreira Jorge Neto e Jouberto de Quadros Pessoa Cavalcante discorrem sobre a prática dos recursos ao TST nos livros Direito do Trabalho e Direito Processual do Trabalho. Referências CAIRO JUNIOR, J. Curso de Direito Processual do Trabalho. 14. ed. Salvador: JusPodivm, 2021. LEITE, C. H. B. Curso de Direito Processual do Trabalho. 20. ed. São Paulo: SaraivaJur, 2022. MARTINS, S. P. Direito Processual do Trabalho. 44. ed. São Paulo: SaraivaJur, 2022. MIESSA, E. Processo do trabalho. 7. ed. São Paulo: JusPodivm, 2019. Material para download Clique no botão abaixo para fazer o download do conteúdo completo em formato PDF. Download material O que você achou do conteúdo? Relatar problema javascript:CriaPDF()