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Contratos em Espécie
As principais características e disciplina dos seguintes contratos: compra e venda; doação; comodato;
mútuo; alienação fiduciária em garantia; fiança.
Prof. Filipe José Medon Affonso
1. Itens iniciais
Propósito
A compreensão dos principais tipos contratuais é essencial para os profissionais do Direito, tanto para uma
atuação a nível judicial quanto para uma atuação a nível empresarial, por meio da revisão e da confecção de
minutas de contratos.
Preparação
Antes de iniciar o conteúdo, tenha em mãos o Código Civil (Lei nº 10.406/2002), a Lei nº 9.514/1997 e o
Decreto-lei nº 911/1969.
Objetivos
Reconhecer os contratos de compra e de venda e doação.
Identificar a normativa básica aplicável aos contratos de comodato e mútuo.
Analisar principais características e elementos dos contratos de alienação fiduciária em garantia e 
fiança.
Introdução
Neste conteúdo, veremos um dos assuntos mais relevantes na prática do Direito Civil: os contratos em
espécie. Se pararmos para refletir, basicamente todas as nossas relações do dia a dia envolvem alguma
espécie contratual. 
Por exemplo, a locação que garante a moradia, a compra e venda que abastece a casa com mantimentos e
produtos de limpeza, a doação ocorrida na troca de presentes nas datas comemorativas, o contrato de
transporte firmado entre o passageiro e o aplicativo de mobilidade urbana, dentre muitos outros.
Apesar de muitas espécies contratuais serem tão antigas quanto o próprio Direito, é preciso cada vez mais
fazer uma releitura da disciplina. Isso porque, como aponta a doutrina, sobretudo dos partidários do Direito
Civil Constitucional, é preciso superar as análises meramente estruturais e estáticas para dar lugar a uma
abordagem dinâmica e funcional. 
A grande razão que justifica esse novo olhar é o fenômeno da constitucionalização do Direito, notadamente do
Direito Civil, que impõe ao intérprete a necessidade de realizar uma releitura dos institutos e das situações
jurídicas a partir de seu perfil funcional, atentando para a promoção da axiologia da Carta. 
Essa abordagem traz grandes reflexos para a chamada qualificação contratual, isto é: ao olharmos para uma
relação jurídica, precisamos compreender a qual espécie contratual ela se amolda, e isso deve ser feito
sempre em concreto, a partir de uma perspectiva funcional que leve em consideração o interesse das partes e
não meramente a aparência que remontaria a uma estrutura estática.
Feita essa ressalva de cunho mais metodológico, vamos, em primeiro lugar, esmiuçar os contratos de compra
e venda e doação, para, em seguida, analisar os contratos de mútuo e doação. Por fim, vamos debruçar sobre
a alienação fiduciária e a fiança.
Fica aqui desde já uma questão importante que deve ser objeto de reflexão por todos nós: qual a importância
dessa análise funcionalizante em vez de uma perspectiva meramente estrutural dos contratos? 
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1. Contratos de compra e venda e de doação
Compra e venda
Compra e venda
Neste vídeo, o professor Filipe Medon discorre sobre as características do contrato de compra e venda e suas
principais regras. 
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Iniciamos o estudo buscando, desde já, definir o primeiro objeto da nossa análise: o contrato de
compra e venda. 
Segundo Gustavo Tepedino e Paula Greco Bandeira (2021), o contrato de compra e venda é um negócio
jurídico em que o vendedor assume a obrigatoriedade de transferir o domínio de um bem ao comprador, o
qual, por sua vez, assume a obrigatoriedade de pagar pelo preço desse bem. 
Na clássica página de San Tiago Dantas (1978), o contrato de compra e venda é aquele em que uma parte se
obriga a transmitir o direito a outra a pagar o preço. Essas definições espelham o artigo 481 do Código Civil,
que dispõe que:
Pelo contrato de compra e venda, um dos contratantes se obriga a transferir o domínio de certa coisa, e
o outro, a pagar-lhe certo preço em dinheiro.
(ART. 481 DO CÓDIGO CIVIL)
Trata-se, inquestionavelmente, do contrato mais conhecido e mais comum. Sua disciplina serve, até mesmo,
como uma base para a análise das demais espécies contratuais, já que muitas derivam da compra e venda em
alguma medida.
Fato importante em relação a esta espécie reside no seu caráter obrigacional. Dito em outras palavras, o
Código Civil Brasileiro, em vez de conferir eficácia real à compra e venda, optou por dotar apenas de eficácia
obrigacional. Como explicam Cristiano Chaves de Farias, Nelson Rosenvald e Felipe Braga Netto (2021):
a compra e venda origina uma obrigação de dar, não operando a transferência da propriedade – que
somente advirá com a tradição ou registro em cartório, seja móvel ou imóvel o seu objeto,
respectivamente.
(FARIAS; ROSENVALD; BRAGA NETTO, 2021, p. 845)
Isso significa dizer que a propriedade de uma bicicleta não é transferida no momento da celebração do
contrato, mas tão somente no instante em que ocorre a sua tradição, isto é, a entrega da coisa para o
comprador. 
Por certo, há exceções e formas de tradição ficta, mas, em princípio, é preciso que haja a entrega, a
que designamos tecnicamente de tradição.
Outra consequência relevante desse caráter obrigacional se relaciona com as hipóteses de perda ou
deterioração da coisa. Ou seja: se a bicicleta do exemplo acima for roubada do vendedor ou perecer por
alguma razão antes da tradição (sem culpa do vendedor), os riscos correrão por conta do vendedor, que ainda
é tido como o proprietário (FARIAS; ROSENVALD; BRAGA NETTO, 2021, p. 845).
Em relação à classificação de compra e venda, a doutrina entende tratar-se de um contrato:
 
Típico e nominado
Bilateral
Consensual
Oneroso
Comutativo (salvo exceções de compras e vendas aleatórias)
Instantâneo (eventualmente de trato sucessivo)
Como exemplos dessa última classificação, pensemos, respectivamente, em uma compra e venda realizada à
vista e em uma compra e venda realizada a prazo. Além disso, são elementos essenciais da compra e venda: 
o preço;
a coisa; e
o consenso entre as partes, chamado por alguns autores de “consentimento”.
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Saiba mais
A respeito de tais elementos, é interessante sublinhar que a retirada do preço afasta a compra e venda,
já que “[a] transferência inter vivos graciosa da propriedade consiste no contrato de doação” (NEVES,
2021, p. 5). E, segundo o artigo 482 do Código Civil, “[a] compra e venda, quando pura, considerar-se-á
obrigatória e perfeita, desde que as partes acordarem no objeto e no preço”. 
Em relação ao objeto, adverte a doutrina que, “[a] rigor, qualquer coisa, corpórea ou não, pode ser objeto da
compra e venda, desde que lícita e moralmente alienável” (NEVES, 2021, p. 9). Isso não significa, contudo, que
o objeto deva ser sempre determinado: é possível que este seja determinável pelo gênero, pela qualidade e
pela quantidade. 
O Código admite, assim, a chamada venda
condicional, isto é, a compra e venda aleatória,
que se opera por meio de duas modalidades: 
venditio rei speratae ou emptio rei speratae,
isto é, a compra da coisa esperada (artigo 459
do Código Civil) e a compra e venda da
modalidade emptio spei, quando se compra a
esperança de uma coisa futura. 
Exemplo
Como principal exemplo desta última, tem-se o caso da compra realizada pelo pescador do lanço da
rede, já que este pode ou não receber algum peixe. 
Admite-se, também, a compra e venda de coisas futuras, isto é, aquelas que ainda não existem
quando as partes celebram a avença. 
Nessa direção, aponta o artigo 483 do Código Civil: 
A compra e venda pode ter por objeto coisa atual ou futura. Neste caso, ficará sem efeito o contrato se
esta não vier a existir, salvo se a intenção das partes era de concluir contrato aleatório.
(ART. 483 DO CÓDIGO CIVILl)
Como destacam Cristiano Chaves de Farias, Nelson Rosenvald e Felipe Braga Netto (2021), a coisa futura é
aquela sem posse de título no momento da conclusão do negócio jurídico. Mas, segundo os autores, essa
posse é adquirida depoispelo alienante, tornando-se imediatamente eficaz ao negócio, como se quem
adquire de boa-fé se transformasse em proprietário desde a data da tradição. Como exemplo, os autores
apontam a alienação de imóveis em construção – venda a non domino.
Em relação ao preço, o Código Civil traz algumas regras específicas, a saber, seu artigo 485, que prevê que a
fixação do preço pode ser deixada ao arbítrio de terceiro, que os contratantes logo designarem ou
prometerem designar. Se o terceiro não aceitar a incumbência, ficará sem efeito o contrato, salvo quando
acordarem os contratantes designar outra pessoa. 
Saiba mais
Ou seja: é possível que terceiro, seja ele pessoa natural ou jurídica, fixe o preço. É o que se costuma
chamar de “preço por avaliação” (FARIAS; ROSENVALD; BRAGA NETTO, 2021, p. 851). Na mesma direção,
o artigo 486 estabelece que também se poderá deixar a fixação do preço à taxa de mercado ou de
bolsa, em certo e determinado dia e lugar. 
Além disso, dispõe o artigo 487 que é lícito às partes fixar o preço em função de índices ou
parâmetros, desde que suscetíveis de objetiva determinação.
Finalmente, o artigo 488 traz que, convencionada a venda
sem fixação de preço ou de critérios para a sua
determinação, se não houver tabelamento oficial, entende-
se que as partes se sujeitaram ao preço corrente nas
vendas habituais do vendedor. Parágrafo único. Na falta de
acordo, por ter havido diversidade de preço, prevalecerá o
termo médio.
Esta última hipótese se trata, em verdade, de exceção à
regra geral de que o preço é elemento essencial de todo
contrato. O artigo 489 ainda dispõe ser nulo o contrato de
compra e venda quando se deixa ao arbítrio exclusivo de uma das partes a fixação do preço.
Importa mencionarmos, ainda, a existência de algumas cláusulas especiais, também denominadas adjetas, na
compra e venda. Vamos conhecê-las a seguir:
Cláusula retrovenda
Um primeiro exemplo é a chamada retrovenda, pacto anexo ao contrato de compra e venda. Nele, o
vendedor reserva-se o direito potestativo, que depende apenas de sua própria vontade, de reaver a
propriedade em até três anos mediante compra.
Esse direito de recompra está condicionado ao pagamento do preço somando-se as despesas
efetuadas pelo comprador. Em outras palavras, pela retrovenda, o alienante pode recomprar a coisa
no prazo de até três anos (FARIAS; ROSENVALD; BRAGA NETTO, 2021).
Um exemplo parece ser bem elucidativo. Imaginemos, assim, que um sujeito A decide vender uma
bicicleta ao sujeito B, mas reserva-se ao direito de, em até três anos, recomprar a coisa,
manifestando, portanto, o implemento de verdadeira condição resolutiva potestativa.
Assim dispõe o artigo 505 do Código Civil: “O vendedor de coisa imóvel pode reservar-se o direito de
recobrá-la no prazo máximo de decadência de três anos, restituindo o preço recebido e
reembolsando as despesas do comprador, inclusive as que, durante o período de resgate, se
efetuaram com a sua autorização escrita, ou para a realização de benfeitorias necessárias”.
Cláusula venda a contento
Outra cláusula especial é a chamada venda a contento, que “subordina a eficácia da compra e venda
a uma condição suspensiva, qual seja, a satisfação do comprador ao apreciar as qualidades da coisa
que lhe foi entregue” (FARIAS; ROSENVALD; BRAGA NETTO, 2021, p. 858).
O adquirente pode, então, desfazer o contrato caso a coisa não tenha as qualidades previstas, o que
explica a nomenclatura conferida pela doutrina de cláusula ad gustam. Como dispõe o artigo 509 do
Código Civil, a venda feita a contento do comprador entende-se realizada sob condição suspensiva,
ainda que a coisa lhe tenha sido entregue; e não se reputará perfeita, enquanto o adquirente não
manifestar seu agrado.
No artigo 510, o Código traz a chamada venda sujeita à prova: “Também a venda sujeita a prova
presume-se feita sob a condição suspensiva de que a coisa tenha as qualidades asseguradas pelo
vendedor e seja idônea para o fim a que se destina” Nesse caso, “a venda se perfaz se a coisa for
igual à amostra” (NEVES, 2021, p. 53).
Cláusula preferência ou preempção
Finalmente, aludimos à chamada preferência ou preempção, regulada pelos artigos 513 e 515 do
Código Civil. Dispõe o artigo 513 que “a preempção, ou preferência, impõe ao comprador a obrigação
de oferecer ao vendedor a coisa que aquele vai vender, ou dar em pagamento, para que este use de
seu direito de prelação na compra, tanto por tanto. Parágrafo único. O prazo para exercer o direito de
preferência não poderá exceder a cento e oitenta dias, se a coisa for móvel, ou a dois anos, se
imóvel”.
Nesta cláusula especial, o comprador assume uma promessa unilateral que consiste em oferecer a
coisa ao vendedor primitivo pelo preço equivalente ao da oferta feita por um terceiro interessado em
sua aquisição.
Desse modo, caso o comprador pretenda alienar a coisa adquirida e tenha recebido oferta de terceiro,
deverá notificar o vendedor, por qualquer meio idôneo, para que este exerça o seu direito de
preferência, adquirindo a coisa pelo preço equivalente ao que seria pago pelo terceiro (TEPEDINO;
KONDER; BANDEIRA, 2021, p. 315).
Essas são, em linhas gerais, as principais informações relacionadas à compra e venda. Passamos agora ao
estudo de outro contrato típico: a doação.
Doação
O estudo da doação apresenta uma grande vantagem, já que o Código Civil a definiu em seu artigo 538:
“Considera-se doação o contrato em que uma pessoa, por liberalidade, transfere do seu patrimônio bens ou
vantagens para o de outra.”. Ela consiste, portanto, em “negócio jurídico por meio do qual o doador, por
liberalidade, se obriga a transferir bens ou vantagens de seu patrimônio ao do donatário, que os aceita”
(TEPEDINO; KONDER; BANDEIRA, 2021, p. 344).
Em relação à sua classificação, ressalta José Roberto de Castro Neves (2021) que a doação é um modelo de
contrato unilateral, uma vez que existe atividade de apenas uma parte, sendo gratuito ou benéfico, não
havendo comutatividade. Além disso, concebe a doutrina que a doação se revela como um contrato típico e
nominado, assim como solene. 
São elementos caracterizadores da doação:
 
A sua natureza negocial.
O animus donandi, isto é, a intenção do doador de praticar uma liberalidade, sem esperar qualquer
contraprestação.
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A transferência de bens ou vantagens em favor do donatário, sendo que tal transferência pode se
operar tanto pela tradição (bens móveis) como por registro em cartório, por escritura pública, no caso
de bens imóveis.
A aceitação de quem recebe, que, no entanto, não precisa ser expressa.
Comentário
Tanto este último elemento é verdadeiro que o Código Civil traz em seu artigo 539 a seguinte regra: “O
doador pode fixar prazo ao donatário, para declarar se aceita ou não a liberalidade. Desde que o
donatário, ciente do prazo, não faça, dentro dele, a declaração, entender-se-á que aceitou, se a doação
não for sujeita a encargo”. 
São elementos componentes do contrato de doação:
 
Os sujeitos
O objeto
O mútuo consentimento
A forma
Comentário
Em relação a este último componente, dispõe o Código Civil em seu artigo 541 que: “A doação far-se-á
por escritura pública ou instrumento particular. Parágrafo único. A doação verbal será válida, se,
versando sobre bens móveis e de pequeno valor, se lhe seguir incontinenti a tradição”. 
No que diz respeito ao objeto, admite o Código
a chamada “doação em subvenções
periódicas”, regulada pelo artigo 545, que assim
dispõe: “A doação em forma de subvenção
periódica ao beneficiado extingue-se morrendo
o doador, salvo se esta outra coisa dispuser,
mas não poderá ultrapassar a vida do
donatário”.
Além disso, admite-se a chamada “doação com
cláusula de reversão”, presente no artigo 547,
que dispõe que o doador pode estipular que os
bens doados voltem ao seu patrimônio, se
sobreviver ao donatário. 
Finalmente, entende a doutrina ser possível que a doação venha acompanhada de cláusulas restritivas e
limitadoras, de que são exemplos a inalienabilidade, a impenhorabilidade e a incomunicabilidade.Quanto aos
sujeitos, admite o artigo 551 a chamada “doação conjuntiva”. Eis a dicção do texto legal: 
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Salvo declaração em contrário, a doação em comum a mais de uma pessoa entende-se distribuída entre
elas por igual. Parágrafo único. Se os donatários, em tal caso, forem marido e mulher, subsistirá na
totalidade a doação para o cônjuge sobrevivo.
(ART. 551 DO CÓDIGO CIVIL)
De outro lado, o doador deve ser, em princípio, uma pessoa com plena capacidade jurídica. Nada obstante, em
razão do advento do Estatuto da Pessoa com Deficiência, que alterou profundamente o regime das
incapacidades:
a depender da extensão da curatela, é possível a prática de atos jurídicos pelo relativamente incapaz,
inclusive, se for o caso, a celebração de negócios jurídicos.
(FARIAS; ROSENVALD; BRAGA NETTO, 2021, p. 875)
Por outro lado, não há dúvidas de que o incapaz possa receber a doação, como traz, por exemplo, o artigo
543 do Código Civil, ao prever que, se o donatário for absolutamente incapaz, dispensa-se a aceitação, desde
que se trate de doação pura. O Código também admite doações realizadas em favor de nascituros, que,
conforme o artigo 542, “(...) valerá, sendo aceita pelo seu representante legal”.
Dúvidas não há, também, em relação à possibilidade de que as pessoas jurídicas realizem ou aceitem
doações. Nada obstante, caso se trate de pessoa jurídica de direito público, devem ser atendidas às
exigências legais. 
Para finalizarmos este módulo, é necessário analisarmos algumas situações especiais de doação, além da
chamada promessa de doação. As doações podem ser: 
Doação pura e simples
Doação pura e simples é aquela tradicional, que não se submete a nenhuma circunstância ou evento.
Pensemos, por exemplo, no pai que doa uma bicicleta ao seu filho.
Doação com condição
Por seu turno, a doação com condição (condicional) é aquela que submete a eficácia da transferência
a um evento futuro e incerto, como o casamento futuro do donatário com pessoa certa e
determinada.
Antes do casamento, o donatário só pode requerer ao magistrado “medidas acautelatórias para a
preservação do objeto da doação, assegurando o seu direito futuro” (FARIAS; ROSENVALD; BRAGA
NETTO, 2021, p. 879).
Doação a termo inicial
Doação submetida a termo inicial é aquela que submete o exercício sobre o bem a um evento futuro e
certo. Durante o lapso havido entre a celebração e a ocorrência de tal evento, o donatário é titular,
mas não tem ainda o pleno exercício da coisa. Pensemos, por exemplo, na doação que se submete a
uma data certa no futuro.
Doação com encargo
Finalmente, a doação com encargo, também chamada de doação modal, caracteriza-se “pela
imposição de ônus ao donatário, o qual deverá executar prestação em benefício do doador, de
terceiro ou da coletividade, mas no interesse próprio na medida em que permite a concretização da
doação” (TEPEDINO; KONDER; BANDEIRA, 2021, p. 351).
Como exemplo, podemos pensar na pessoa que doa um imóvel rural a outra, com o encargo de que
ela auxilie nas obras de instituição protetora dos animais presente nas redondezas. Assim dispõe o
artigo 553: “O donatário é obrigado a cumprir os encargos da doação, caso forem a benefício do
doador, de terceiro, ou do interesse geral. Parágrafo único. Se desta última espécie for o encargo, o
Ministério Público poderá exigir sua execução, depois da morte do doador, se este não tiver feito”.
Diante da imposição desse encargo, esta modalidade de doação é, por vezes, caracterizada pela
doutrina como uma exceção à classificação dos contratos unilaterais. Apesar de não configurar
contraprestação, tornando o contrato bilateral ou sinalagmático, o ônus assumido pelo doador é uma
obrigação que, ao termo de seu vencimento, pode ser exigida juridicamente.
Esse ônus qualifica a doação como onerosa. Além disso, tal onerosidade estabelece que o doador
responda pelos vícios redibitórios e pela evicção (TEPEDINO; KONDER; BANDEIRA, 2021).
Situação peculiar referente às doações é a possibilidade de revogação. Como prevê o artigo 555: “A doação
pode ser revogada por ingratidão do donatário, ou por inexecução do encargo”. 
O artigo 557 especifica em seus incisos que “[p]odem ser revogadas por ingratidão as doações: 
I - se o donatário atentou contra a vida do doador ou cometeu crime de homicídio doloso contra ele;
II - se cometeu contra ele ofensa física;
III - se o injuriou gravemente ou o caluniou;
IV - se, podendo ministrá-los, recusou ao doador os alimentos de que este necessitava.
Podemos pensar, por exemplo, no caso do donatário que tentou matar o doador. Os artigos seguintes do
Código detalham essa situação, prevendo regras específicas, como aquela constante do artigo 564: 
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Não se revogam por ingratidão:I - as doações puramente remuneratórias;II - as oneradas com encargo já
cumprido;III - as que se fizerem em cumprimento de obrigação natural;IV - as feitas para determinado
casamento.
(ART. 564 DO CÓDIGO CIVIL)
Para terminarmos este módulo, falta mencionarmos a chamada promessa de doação, também chamada de 
pactum de donando ou pactum donationis. 
Alguns importantes doutrinadores acabam por negar
validade e eficácia a esse pré-contrato, sob o fundamento
principal da “necessidade de presença do animus donandi
no momento específico da celebração do negócio. 
Assim, permitem o arrependimento pelo promitente-doador,
não autorizando a execução no caso de inadimplemento
(FARIAS; ROSENVALD; BRAGA NETTO, 2021, p. 875).
Nada obstante, outra corrente advoga pelo cabimento
dessa promessa, argumentando, em primeiro lugar, pela
inexistência de qualquer dispositivo legal que proíba o ato.
Logo, se nada o proíbe, a autonomia privada o faculta. 
Além disso, defendem “que a liberalidade (ou seja, a vontade de doar) está presente no momento da
presença, vinculando, posteriormente, o promitente-doador. Até mesmo porque o animus donandi não pode
ser visto como um relance ou um relâmpago desregrado do doador” (FARIAS; ROSENVALD; BRAGA NETTO,
2021, p. 875).
Sinalizam Gustavo Tepedino e Paula Greco Bandeira, no entanto, que a maior parte da doutrina e da
jurisprudência não reconheceria “efeitos à promessa de doação, ao argumento de que esta jamais poderia ser
executada, sob pena de se transformar a liberalidade em obrigação. Em uma palavra, não se pode impor a
liberalidade e, assim, constituir ‘obrigação de doar’” (TEPEDINO; KONDER; BANDEIRA, 2021, p. 348).
Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.
Doação: elementos caracterizadores da doação
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Doação: doação com encargo
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Verificando o aprendizado
Questão 1
Estudamos neste módulo noções introdutórias sobre compra e venda. A esse respeito, é correto afirmar que
ela se trata de um contrato:
A
Atípico, inominado, unilateral, consensual e oneroso.
B
Típico, nominado, bilateral, consensual e oneroso.
C
Típico, inominado, bilateral, consensual e gratuito.
D
Atípico, nominado, unilateral, aleatório e oneroso.
E
Típico, nominal, unilateral, consensual e gratuito.
A alternativa B está correta.
Trata-se da correta classificação do contrato de compra e venda, que é típico, nominado, bilateral,
consensual e oneroso.
Questão 2
Em relação ao contrato de doação, é correto afirmar que:
A
Ele não pode ser revogado.
B
Ele pode ser revogado apenas nos casos de ingratidão.
C
Ele pode ser revogado apenas nos casos de inexecução do encargo..
D
Ele pode ser revogado apenas quando o doador assim o previr.
E
Ele pode ser revogado nos casos de ingratidão e inexecução do encargo.
A alternativa E está correta.
Conforme dispõe o art. 555 do Código Civil, a doação pode ser revogada por ingratidão do donatário ou por
inexecução do encargo.
2. Mútuo e comodato
Mútuo e comodato
As espécies contratuais mútuo e comodato são tratadas pelo Código como espécies do gêneroempréstimo.
Se pararmos para pensar, utilizamos a palavra empréstimo cotidianamente tanto quando queremos nos referir
ao mútuo quanto ao comodato, já que, em essência, ambos são muito parecidos. 
Como ensina Anderson Schreiber (2020), eles: 
[t]êm em comum o propósito de propiciar a utilização de coisa alheia. Diferem, contudo, quanto a
diversos aspectos, que incluem o objeto, o modo de sua celebração e seus efeitos. Correspondem, na
verdade, a funções distintas.
(SCHREIBER, 2020, p. 777)
Como esclarecem Farias, Rosenvald e Netto (2021), os contratos de comodato e mútuo se aproximam e se
repelem. Aproximam-se por serem espécies do gênero empréstimo, pois ocorre a cessão temporária de uma
coisa, com futura devolução. 
Doutro lado, repelem-se, porque, no mútuo, a propriedade da coisa se transfere àquele que a tomou
emprestada (bens fungíveis) e o mutuário deve restituir em mesma espécie, gênero e qualidade, enquanto no
comodato ocorre a transferência de posse (bens infungíveis), com o implacável dever de devolução da coisa
objeto da avença.
Além disso, enquanto no comodato existe sempre a gratuidade, no mútuo, há gratuidade ou onerosidade.
Dessa forma, para os autores, o empréstimo de uma casa configura comodato, enquanto o empréstimo de
dinheiro é um mútuo. Comecemos, então, pelo comodato. 
Comodato
Estabelece o artigo 579 do Código Civil que o comodato é o empréstimo gratuito de coisas não fungíveis,
perfazendo-se com a tradição do objeto. O exemplo mais clássico é o do amigo (comodante) que empresta a
casa de praia (coisa não fungível) para o outro (comodatário), desde que não cobre nenhuma remuneração em
troca (gratuidade). 
Temos, portanto, uma transferência da:
posse direta sobre bem infungível ao comodatário, formando-se o contrato com a entrega da coisa.
Opera-se, assim, o desdobramento da posse, de modo que a posse direta da coisa é transferida ao
comodatário e o comodante permanece com a posse indireta, podendo ambos, em consequência, se
valer dos interditos possessórios.
(TEPEDINO; KONDER; BANDEIRA, 2021, p. 453-454)
São elementos caracterizadores do comodato, portanto:
 
A gratuidade.
A infungibilidade do objeto.
A efetiva entrega da coisa (tradição).
Em relação ao prazo, alguns argumentam ser a temporariedade um elemento estrutural do comodato. Assim,
segundo o artigo 581, “o prazo para restituição da coisa pode ser determinado ou determinável – este último
apelidado de comodato precário” (FARIAS; ROSENVALD; BRAGA NETTO, 2021, p. 889).
Eis a dicção do dispositivo: “Se o comodato não tiver prazo convencional, presumir-se-lhe-á o necessário para
o uso concedido; não podendo o comodante, salvo necessidade imprevista e urgente, reconhecida pelo juiz,
suspender o uso e gozo da coisa emprestada, antes de findo o prazo convencional, ou o que se determine
pelo uso outorgado”. Em relação à sua classificação, podemos dizer que o comodato é um contrato: 
Real, já que só se torna perfeito com a efetiva entrega da coisa (tradição).
Unilateral, apesar de parte da doutrina considerá-lo um contrato bilateral imperfeito, já que o
comodatário eventualmente pode assumir deveres acidentais, como o pagamento de despesas
urgentes e necessárias.
Gratuito, benéfico e desinteressado.
Não solene, apesar do artigo 580 do Código Civil.
De natureza personalíssima (intuitu personae), salvo estipulação em sentido contrário.
O artigo 582 traz obrigações para o comodatário, dispondo que este é obrigado a conservar, como se sua
própria fora, a coisa emprestada, não podendo usá-la senão de acordo com o contrato ou a natureza dela, sob
pena de responder por perdas e danos. 
O comodatário constituído em mora, além de por ela responder, pagará, até restituí-la, o aluguel da
coisa que for arbitrado pelo comodante. 
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Em relação aos riscos, o artigo 583 traz que, se correndo
risco o objeto do comodato juntamente com outros do
comodatário antepuser este a salvação dos seus,
abandonando o do comodante, responderá pelo dano
ocorrido, ainda que se possa atribuir a caso fortuito, ou
força maior. 
Quanto às despesas, o artigo 584 prevê que o comodatário
não poderá jamais recobrar do comodante as despesas
feitas com o uso e gozo da coisa emprestada. Finalmente, o
artigo 585 dispõe que, se duas ou mais
pessoas forem simultaneamente comodatárias
de uma coisa, ficarão solidariamente
responsáveis para com o comodante.
Por derradeiro, em relação à extinção do
contrato de comodato, a doutrina aponta que
ela pode se dar: 
(i)
Pelo perecimento ou deterioração do bem (pode haver, também, a desapropriação pelo poder
público).
(ii)
Pelo regular cumprimento da obrigação de restituição.
(iii)
por resilição bilateral (distrato), se houver comunhão de vontades; e, ainda, 
(iv)
resilição unilateral (denúncia), devendo, nessa hipótese, a parte interessada “providenciar a
notificação da outra, dando ciência da cessação negocial e estipulando um prazo razoável para a
conclusão.” (FARIAS; ROSENVALD; BRAGA NETTO, 2021, p. 892).
Comodato
Neste vídeo, o professor Filipe Medon discorre sobre as características do contrato de mútuo e suas principais
regras. 
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Mútuo
Por sua vez, o mútuo é definido pelo artigo 586 do Código
Civil como o empréstimo de coisas fungíveis. 
O mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o que dele
recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e
quantidade. 
Exemplo
O exemplo mais notório é o do chamado mútuo feneratício, conhecido na noção vulgar como o
“empréstimo de dinheiro”. Assim, podemos imaginar que um sujeito A empresta certa quantia para um
sujeito B, que deve lhe restituir a quantia em dado momento. 
Como esclarecem Gustavo Tepedino e Paula Greco Bandeira, o mútuo tem por objetivo a transferência da
propriedade de bem fungível, com a finalidade de consumo por parte do mutuário. 
É por essa razão que aquele que empresta (mutuante) deve ser proprietário do bem objeto do contrato de
mútuo, “cuja tradição ao mutuário implica a transferência dos riscos da coisa a esse último (res perit domino)”.
Vale dizer, o mutuário responderá pelos riscos da coisa a partir da tradição (CC, art. 587). 
A transferência da propriedade constitui meio para atingir a finalidade do contrato de mútuo,
precisamente o consumo do bem fungível pelo mutuário.
(TEPEDINO; KONDER; BANDEIRA, 2021, p. 462)
Assim dispõe o artigo 587, no sentido de que este empréstimo transfere o domínio da coisa emprestada ao
mutuário, por cuja conta correm todos os riscos dela desde a tradição.
São elementos caracterizadores do mútuo:
 
A efetiva transferência da propriedade da coisa mutuada.
A fungibilidade e a consuntibilidade do bem.
A garantia de restituição da coisa emprestada. Vejamos, em relação a este último elemento, o artigo
590, dispondo que o mutuante pode exigir garantia da restituição se, antes do vencimento, o mutuário
sofrer notória mudança em sua situação econômica.
Em relação à sua classificação, o mútuo pode ser considerado um contrato: 
Real, já que só se aperfeiçoa com a entrega da coisa.
Unilateral.
Não solene.
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Tanto gratuito como oneroso, a depender da finalidade das partes. 
Imaginemos a este respeito, por exemplo, que o mutuante seja remunerado por juros. Nesse caso, muito
comum em empréstimos bancários, o mútuo assume uma feição onerosa, sendo, por isso, denominado de
mútuo feneratício, mútuo oneroso ou, ainda, mútuo frutífero. 
 
Sobre isso, dispõe o artigo 591: “Destinando-se o mútuo a fins econômicos, presumem-se devidos juros, os
quais, sob pena de redução, não poderão exceder a taxa a que se refere o art. 406, permitida a capitalização
anual”.
O mútuo deve ser, ainda, um contrato temporário, o que explica a previsão do artigo 592, que disciplina os
prazos caso as partes não os tenham fixado: 
Não se tendo convencionado expressamente, o prazo do mútuo será:I – até a próxima colheita, se o
mútuo for de produtos agrícolas, assim para o consumo, como parasemeadura;II – de trinta dias, pelo
menos, se for de dinheiro;III – do espaço de tempo que declarar o mutuante, se for de qualquer outra
coisa fungível.
(ARTIGO 592 DO CÓDIGO CIVIL)
Quanto à extinção, esta pode ocorrer por: 
resilição bilateral;
resilição unilateral, em favor do mutuário;
restituição da coisa equivalente quando do advento do termo;
resolução culposa.
Esta última se trata de forma anômala e deve ser
“judicialmente reconhecida, quando o mutuário descumpre
as suas obrigações, em especial quando descumpre o dever
de restituir o bem emprestado (e os juros convencionados,
quando se tratar de mútuo feneratício)” (FARIAS;
ROSENVALD; BRAGA NETTO, 2021, p. 895).
Analisadas as disciplinas do comodato e do mútuo,
passamos no módulo seguinte ao estudo da alienação
fiduciária em garantia e da fiança.
Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.
Comodato: elementos caracterizadores do comodato
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Comodato: extinção do contrato de comodato
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Verificando o aprendizado
Questão 1
Estudamos neste módulo a disciplina do comodato. A esse respeito, é correto afirmar que se trata de um
contrato:
A
Real, gratuito e oneroso.
B
Solene, unilateral e oneroso.
C
Benéfico, não solene e consensual.
D
Real, gratuito e benéfico.
E
Consensual, oneroso e desinteressado.
A alternativa D está correta.
Trata-se da classificação mais aceita em relação ao comodato, que é um contrato real, gratuito e benéfico.
Questão 2
A respeito do contrato de mútuo, é correto afirmar que o mútuo frutífero é aquele em que há empréstimo de:
A
Bens móveis
B
Bens imóveis
C
Frutos naturais
D
Frutos civis
E
Dinheiro
A alternativa E está correta.
Mútuo frutífero, também chamado de oneroso ou feneratício, é aquele que envolve o empréstimo de
dinheiro.o fiduciário,
no prazo de trinta dias, contados da data do registro de que trata o § 7º do artigo 26, promoverá
público leilão para a alienação do imóvel.
Finalmente, como regra geral, esclarece José Roberto de Castro Neves (2021) que, não havendo pagamento,
o credor (proprietário fiduciário) poderá intimar o devedor para constituí-lo em mora. Para isso, a Súmula 72
do STJ aponta a obrigatoriedade da prova da constituição em mora para obter a busca e a apreensão na
alienação fiduciária.
Em seguida, o credor poderá reclamar a busca e apreensão da coisa alienada fiduciariamente. Neves salienta
que, para alguns autores, somente as financeiras podem oferecer crédito nas alienações fiduciárias. 
Fiança
Como última espécie contratual analisada aqui, temos o contrato de fiança, que, tal como a alienação
fiduciária em garantia, também coloca em elevado patamar o elemento da confiança. A sua disciplina, no
Código Civil, encontra-se no intervalo dos artigos 818 a 839. 
O primeiro destes conceitua a fiança como o
contrato por meio de que uma pessoa garante
satisfazer ao credor uma obrigação assumida
pelo devedor, caso este não a cumpra.
Comecemos, então, por uma definição: 
Fiança é o contrato por meio do qual o fiador se obriga a cumprir a obrigação contraída pelo afiançado,
caso este último não a cumpra. A fiança é a principal modalidade de garantia pessoal ou fidejussória, ao
lado do aval, instituto atinente à disciplina dos títulos de crédito.
(SCHREIBER, 2020, p. 863)
Tal contrato é firmado entre o fiador e o credor do afiançado, dispensando à lei qualquer
consentimento, participação ou até mesmo ciência por parte do devedor. 
Tanto é assim que o Código chega a afirmar que este contrato pode ser celebrado contra a vontade do
devedor - esta a dicção do artigo 820, prevendo que se pode estipular a fiança, ainda que sem consentimento
do devedor ou contra a sua vontade. 
Nada obstante, “[o] devedor participa, obviamente, do contrato principal, fonte da obrigação afiançada. A
fiança é, nesse sentido, contrato acessório, encontrando justificativa no contrato principal e seguindo o seu
destino” (SCHREIBER, 2020, p. 863). Nessa linha, o artigo 824 estabelece que as obrigações nulas não são
suscetíveis de fiança, exceto se a nulidade resultar apenas de incapacidade pessoal do devedor. A exceção
estabelecida em tal artigo não abrange o caso de mútuo feito a menor.
É importante notarmos que, na fiança, o fiador
assume a obrigação de outra pessoa, que tem
uma dívida, caso este devedor não a adimpla.
Em outros termos, por força de um contrato, um
terceiro, o qual configura inicialmente estranho
na relação de obrigação entre credor e
devedor, assume a obrigação do devedor.
Nesse caso, o fiador tem a obligatio, porém não
o debitum, devendo ele pagar a dívida
originalmente de outra pessoa. Na fiança, caso
o devedor venha a falhar com o pagamento, o
fiador responderá subsidiariamente e, por isso, é possível afirmar que o dever do fiador permanece em
potência (NEVES, 2021). São características primordiais da fiança:
 
Acessoriedade
Subsidiariedade e benefício de ordem
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Em relação à acessoriedade, o fato de a fiança ser dependente funcional e estruturalmente da obrigação do
devedor traz algumas consequências, como o fato de a fiança não poder exceder a dívida principal, “nem se
contraída em condições mais onerosas; contudo poderá ficar aquém dela, num e noutro desses aspectos.”
(FARIAS; ROSENVALD; BRAGA NETTO, 2021, pp. 954-955).
Saiba mais
Além disso, a nulidade da obrigação principal pode implicar a invalidade da fiança, exceto, como aponta
o artigo 824, se a nulidade resultar apenas de incapacidade pessoal do devedor. Eis a literalidade do
dispositivo: “As obrigações nulas não são suscetíveis de fiança, exceto se a nulidade resultar apenas de
incapacidade pessoal do devedor. Parágrafo único. A exceção estabelecida neste artigo não abrange o
caso de mútuo feito a menor”. 
Finalmente, como consequência do princípio geral de que o acessório segue a sorte do principal, a extinção
da obrigação principal se traduz na extinção da fiança (FARIAS; ROSENVALD; BRAGA NETTO, 2021, p. 955).
A segunda característica primordial é a de subsidiariedade e benefício de ordem. Cristiano Chaves de Farias,
Nelson Rosenvald e Felipe Braga Netto esclarecem a esse respeito: 
O cumprimento pelo fiador só será exigível quando o devedor não cumpra nem possa cumprir a
obrigação que se encontra adstrito. Esta segunda característica da fiança, não se deve entender-se
isolada da anterior. Pois, se uma obrigação é apenas subsidiária e não também acessória de outra, não
haverá fiança. Destarte, a subsidiariedade da fiança se concretiza com o chamado benefício da
excussão, ou de ordem, consistente na vantagem outorgada ao fiador de exigir, caso acionado pelo
débito principal, que primeiramente sejam excutidos os bens do devedor afiançado.
(FARIAS; ROSENVALD; BRAGA NETTO, 2021, p. 956)
Nessa direção, preceitua o artigo 827 do Código Civil que o fiador demandado pelo pagamento da dívida tem
direito a exigir, até a contestação da lide, que sejam primeiro executados os bens do devedor. 
O fiador que alegar o benefício de ordem a que se refere este artigo deve nomear bens do devedor,
sitos no mesmo município, livres e desembargados, quantos bastem para solver o débito. 
Saiba mais
Nada obstante, o artigo 828 aponta que tal benefício não aproveita ao fiador se ele o renunciou
expressamente; se obrigou como principal pagador, ou devedor solidário; ou se o devedor for insolvente,
ou falido. 
Finalmente, em relação à extinção da fiança, podemos apontar que ela se opera tanto por causas diretas,
quanto indiretas, “variando conforme o término da relação contratual seja o reflexo da ruína do negócio
jurídico principal (extinção indireta), ou, se o decesso da fiança for fruto de circunstâncias internas, intrínsecas
à autônoma relação de garantia, mesmo que sobreviva o contrato base que lhe deu origem (extinção direta)”
(FARIAS; ROSENVALD; BRAGA NETTO, 2021, p. 960).
O Código Civil disciplina a extinção da fiança, sobretudo nos
artigos 837 a 839. Preceitua o artigo 837 que o fiador pode
opor ao credor as exceções que lhe forem pessoais, e as
extintivas da obrigação que competem ao devedor principal,
se não provierem simplesmente de incapacidade pessoal,
salvo o caso do mútuo feito a pessoa menor. 
Já o artigo 838 aponta que o fiador, ainda que solidário,
ficará desobrigado: se, sem consentimento seu, o credor
conceder moratória ao devedor; se, por fato do credor, for
impossível a sub-rogação nos seus direitos e preferências;
ou se o credor, em pagamento da dívida, aceitar amigavelmente do devedor objeto diverso do que este era
obrigado a lhe dar, ainda que depois venha a perdê-lo por evicção. 
Finalmente, o artigo 839 traz que, se for
invocado o benefício da excussão e o devedor,
retardando-se a execução, cair em insolvência,
ficará exonerado o fiador que o invocou, se
provar que os bens por ele indicados eram, ao
tempo da penhora, suficientes para a solução
da dívida afiançada. 
O Código traz, ainda, no artigo 836, regra no
sentido de que a obrigação do fiador passa aos
herdeiros, mas a responsabilidade da fiança se
limita ao tempo decorrido até a morte do fiador,
não podendo ultrapassar as forças da herança. 
Comentário
Isso quer isso dizer que, tendo em vista “sua índole de garantia personalíssima, a fiança se extingue com
o fato jurídico da morte do fiador” (FARIAS; ROSENVALD; BRAGA NETTO, 2021, p. 960). 
Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.
Fiança: características primordiais da fiança
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Fiança: extinção da fiança
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Verificando o aprendizado
Questão 1
Define-se a alienação fiduciária em garantia como:
A
O negócio jurídico por meio do qual o fiduciante transfere ao fiduciário apenas a possede certa coisa com o
escopo de garantir o pagamento de certo débito.
B
O negócio jurídico por meio do qual o fiduciário transfere ao fiduciante a posse de certa coisa com o escopo
de garantir o pagamento de certo débito.
C
O negócio jurídico por meio do qual o fiduciário transfere ao fiduciante a propriedade de certa coisa com o
escopo de garantir o pagamento de certo débito.
D
O negócio jurídico por meio do qual o fiduciante transfere ao fiduciário a propriedade de certa coisa com o
escopo de garantir o pagamento de certo débito.
E
O ato jurídico em sentido estrito por meio do qual o fiduciante transfere ao fiduciário a propriedade de certa
coisa com o escopo de garantir o pagamento de certo débito.
A alternativa D está correta.
Trata-se precisamente da definição do instituto.
Questão 2
É correto afirmar que a obrigação do fiador:
A
Extingue-se com a morte do fiador.
B
Passa aos herdeiros, mas a responsabilidade da fiança se limita ao prazo de dois anos após a morte do fiador,
e não pode ultrapassar as forças da herança.
C
Não passa aos herdeiros, de modo que a responsabilidade da fiança se limita ao prazo de dois anos após a
morte do fiador, e não pode ultrapassar as forças da herança.
D
Pode ser negada por seus herdeiros se a dívida foi constituída há mais de cinco anos antes de sua morte.
E
Passa aos herdeiros, mas a responsabilidade da fiança se limita ao tempo decorrido até a morte do fiador, e
não pode ultrapassar as forças da herança.
A alternativa E está correta.
De acordo com o art. 836 do Código Civil: a obrigação do fiador passa aos herdeiros; mas a
responsabilidade da fiança se limita ao tempo decorrido até a morte do fiador, e não pode ultrapassar as
forças da herança.
4. Conclusão
Considerações finais
Como vimos, a compreensão dos tipos contratuais dependerá sempre da análise em concreto, observada a
função que as partes pretenderam dar a certa estrutura. Os tipos contratuais estudados (compra e venda,
doação, comodato, mútuo, alienação fiduciária em garantia e fiança) são de extrema importância prática
porque estão muito presentes no cotidiano das pessoas.
É preciso, portanto, conhecer seus elementos essenciais, suas principais características e, finalmente, a
disciplina a eles aplicável, desde o nascimento até a extinção. 
Como observamos, cada contrato tem suas peculiaridades, por isso exigem grande atenção no seu estudo, já
que uma identificação equivocada pode conduzir à aplicação do regime jurídico relativo a outra espécie
contratual.
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Agora, o especialista fará uma revisão dos principais aspectos abordados.
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Assista ao vídeo Autonomia privada e o papel da vontade na atividade contratual, e veja como Gustavo
Tepedino aborda o assunto.
 
Pesquise a obra O contrato e sua função social, de Humberto Theodoro.
Referências
DANTAS, S. T. Programa de Direito Civil II: os contratos. Rio de Janeiro, RJ: Rio, 1978.
 
FARIAS, C. C.; ROSENVALD, N.; BRAGA NETTO, F. Manual de Direito Civil: volume único. 6. ed. Salvador, BA:
Juspodivm, 2021.
 
NEVES, J. R. C. Contratos. 3. ed. Rio de Janeiro, RJ: GZ, 2021.
 
SCHREIBER, A. Manual de Direito Civil Contemporâneo. 6. ed. São Paulo, SP: Saraiva Educação, 2020.
 
TEPEDINO, G.; KONDER, C. N.; BANDEIRA, P. G. Fundamentos do Direito Civil: vol. 3. Rio de Janeiro, RJ:
Forense, 2021.
	Contratos em Espécie
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Preparação
	Objetivos
	Introdução
	1. Contratos de compra e venda e de doação
	Compra e venda
	Compra e venda
	Conteúdo interativo
	Saiba mais
	Exemplo
	Saiba mais
	Cláusula retrovenda
	Cláusula venda a contento
	Cláusula preferência ou preempção
	Doação
	Comentário
	Comentário
	Doação pura e simples
	Doação com condição
	Doação a termo inicial
	Doação com encargo
	Vem que eu te explico!
	Doação: elementos caracterizadores da doação
	Conteúdo interativo
	Doação: doação com encargo
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	2. Mútuo e comodato
	Mútuo e comodato
	Comodato
	(i)
	(ii)
	(iii)
	(iv)
	Comodato
	Conteúdo interativo
	Mútuo
	Exemplo
	Vem que eu te explico!
	Comodato: elementos caracterizadores do comodato
	Conteúdo interativo
	Comodato: extinção do contrato de comodato
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	3. Alienação fiduciária e fiança
	Alienação fiduciária em garantia
	Alienação fiduciária em garantia
	Conteúdo interativo
	Definição de alienação fiduciária em garantia
	Fiança
	Saiba mais
	Saiba mais
	Comentário
	Vem que eu te explico!
	Fiança: características primordiais da fiança
	Conteúdo interativo
	Fiança: extinção da fiança
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	4. Conclusão
	Considerações finais
	Podcast
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	Referências

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