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Direito Administrativo 
 Prof. Flávio Germano 
 
 Direito Administrativo 
Ficha de Aula: Agentes Públicos 
Prof. Flávio Germano 
 
 
I – Conceito e Espécies de Agente Público 
 
 A expressão AGENTE PÚBLICO designa toda pessoa física investida em função, transitória ou 
permanentemente, remuneradamente ou não. 
 
 Celso Antônio Bandeira de Mello, em formulação bem didática, classifica os agentes públicos 
em três categorias: 
 
a) Agentes Políticos - São os titulares dos cargos estruturais à organização política do País, ou seja, 
ocupantes dos cargos que integram o arcabouço constitucional do Estado, o esquema fundamental do Poder. 
São eles: o Presidente da República, os Governadores, Prefeitos e respectivos vices, os auxiliares imediatos 
dos Chefes de Executivo (Ministros e Secretários das diversas pastas), bem como os Senadores, Deputados 
federais, estaduais e os Vereadores. O vínculo que tais agentes entretêm com o Estado não é de natureza 
profissional, mas de natureza política, sustenta o jurista referido. Hely Meirelles ainda inclui nesta categoria, 
expressamente, os membros do Ministério Público, da Magistratura, dos Tribunais de Contas e os 
representantes diplomáticos. 
 
b) Servidores Estatais - Designação genérica para abarcar todos os que entretêm com o Estado e entidades 
de sua Administração Indireta uma relação de trabalho de natureza profissional e caráter não eventual sob 
vínculo de dependência. São eles: 
 
b.1 Servidores Públicos – Todos os que mantêm com a União, Estados, Distrito Federal, Municípios, 
respectivas autarquias e fundações de direito público relação de trabalho de natureza profissional e caráter 
não eventual sob vínculo de dependência. Compreendem as seguintes espécies: 
b.1.1 Servidores titulares de cargos públicos nas entidades supra-referidas; 
b.1.2 Servidores empregados das pessoas supra-referidas; 
b.1.3 Contratados por tempo determinado, nos termos do art. 37, IX da CF (servidores temporários), nas 
pessoas supra-referidas. 
 
b.2 Servidores das pessoas governamentais de direito privado – empregados das empresas estatais e das 
fundações governamentais de direito privado 
 
c) Particulares em colaboração com a Administração - exercentes de função pública, ainda que 
permanecendo alheios ao aparelho estatal. São eles: 
 
c.1 Requisitados para prestação de atividade pública. Ex.: jurados, mesários eleitorais etc; 
c.2 Prestadores de serviço com base na Lei 8.666/93; 
c.3 Os que sponte propria assumem a gestão da coisa pública. Ex.: gestores de negócios públicos; 
c.4 Concessionários e permissionários de serviços públicos, bem como os delegados de função ou ofício 
público. 
 
 Na classificação de Hely Meirelles, que é diferente da acima citada, os servidores públicos estão 
abrangidos pela categoria dos AGENTES ADMINISTRATIVOS. 
 
Assim expõe: “Os servidores públicos constituem subespécie dos agentes públicos administrativos, categoria 
que abrange a grande massa de prestadores de serviços à Administração e a ela vinculados, por relações 
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 profissionais, em razão de investidura em cargos e funções, a título de emprego e com retribuição 
pecuniária.” 
 
II – Organização da Administração Pública 
 
 Para organizar ou montar a sua estrutura funcional, a Administração Pública cria cargos, 
empregos e funções; institui classes e carreiras; faz provimentos e lotações, estabelece vencimento, 
vencimentos, remuneração, subsídio e vantagens, e delimita os deveres e direitos de seus servidores. 
Algumas dessas noções merecem destaque: 
 
a) Cargo Público - É a mais simples unidade de poderes e deveres estatais que pode ser expressa por um 
agente público. Os cargos públicos são acessíveis aos brasileiros (assim como aos estrangeiros, na forma 
da lei), criados por lei, com denominação própria e vencimento pago pelos cofres públicos. 
 
b) Classe - É o agrupamento de cargos de mesma profissão, e com idênticas atribuições, responsabilidades e 
vencimentos. 
 
c) Carreira (Série de Classes) - É o agrupamento de classes da mesma profissão ou atividade, escalonadas 
segundo a hierarquia do serviço, para acesso privativo dos titulares dos cargos que a integram. 
 
d) Grupo Ocupacional – Conjunto de séries de classes e classes únicas, de atividades profissionais correlatas 
ou afins quanto à natureza dos respectivos trabalhos ou ao ramo de conhecimento aplicado em seu 
desempenho. 
 
e) Quadro de Pessoal - É o conjunto de carreiras, cargos isolados e funções de confiança (gratificadas) de um 
mesmo serviço, órgão ou Poder. 
 
f) Cargo de Carreira - É o que se escalona em classes, para acesso privativo dos seus titulares, até o da mais 
alta hierarquia profissional. 
 
g) Cargo Isolado - É o que não se escalona em classes, por ser o único na sua categoria. 
 
h) Cargo Técnico - É o que exige conhecimentos profissionais especializados para seu desempenho, dada a 
natureza científica ou artística das funções que encerra. 
 
i) Cargo em Comissão - É aquele vocacionado para ser ocupado em caráter transitório por pessoa de 
confiança da autoridade competente para preenchê-lo, a qual também pode exonerar “ad nutum”, ou seja, 
livremente, quem o esteja titularizando. O provimento desses cargos dispensa o concurso público. 
 
j) Cargo de Provimento Efetivo ou, simplesmente, Cargo Efetivo - É o que supõe a permanência de seu 
titular. É ocupado em caráter definitivo, com fixidez, e provido mediante concurso público de prova ou de 
provas e títulos. Essa fixidez, entretanto, não é absoluta. 
 
i) Provimento - É o ato de de alguém para ocupar um cargo público. Pode ser originário, inicial ou autônomo 
(só a nomeação, no regime estatutário) ou derivado (promoção, reintegração, reversão, aproveitamento e 
transferência, estes previstos na Lei 6.123/68). Em sala de aula ponderaremos sobre 
inconstitucionalidades existentes na reversão e na transferência. 
k) Vacância - É a abertura de vaga em cargo dantes ocupado. A vacância resulta de demissão, exoneração e 
de outras causas prevista em lei. 
 
l) Posse - É o ato de aceitação do cargo e um compromisso de bem-servir. Não é forma de provimento. Para 
Hely Meilrelles, a posse é a “conditio juris” da função pública. Vide conceito na Lei 6.123/68. 
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m) Empregos públicos são núcleos de encargos de trabalho a serem preenchidos por agentes contratados 
para desempenhá-los, sob vínculo ou relação trabalhista. 
Observe-se que não se deve confundir cargo público com emprego público. Cargo público é 
posto de trabalho sob regime estatutário ou institucional, definido unilateralmente pelo Poder Público. 
Emprego, por seu turno, é posto de trabalho sob regime contratual. Os empregados, ainda que públicos, 
são, portanto, submetidos à CLT. 
 
n) Funções Públicas são plexos unitários de atribuições, criados por lei, correspondentes a encargos de 
direção, chefia ou assessoramento, a serem exercidas por titular de cargo efetivo, da confiança da 
autoridade que as preenche. Aqui, a expressão função pública, de múltiplos sentidos, foi entendida como 
função de confiança. Também pode ser usada como designativa da contratação temporária, nos termos do 
art. 37, IX, da CF. 
 
o) Efetividade – Característica do provimento de certos cargos. 
 
p) Estabilidade– É o direito de não ser demitido do serviço público, salvo se incidir em falta funcional grave, 
apurada em processo judicial ou processo administrativo em que lhe seja assegurada ampla defesa ou em 
conseqüência de avaliação periódica de desempenho, igualmente assegurada ampla defesa. 
A Emenda Constitucional 19/98 deu nova redação ao art. 169 da Constituição da República, 
passando a prever o desligamento de servidores estáveis, fora das hipóteses previstas no art. 41. A Lei 
Federal nº 9.801, de 16 de junho de 1999, trata dessa matéria. 
 
III - Competência para Organização da Estrutura Funcional da Administração Pública 
 
 É da entidade estatal a que pertence a respectiva estrutura, respeitadas as normas 
constitucionais federais, que são aplicáveis a todos os entes da Federação. 
 
IV - Responsabilidade dos Servidores Públicos 
 
 O servidor responde civil, penal e administrativamente pelo exercício irregular de suas 
atribuições. 
 A responsabilidade civil decorre de ato omissivo ou comissivo, doloso ou culposo, que resulte 
em prejuízo ao erário (Fazenda Estadual) ou a terceiros. Tratando-se de dano causado a terceiros, 
responderá o servidor perante a Fazenda Pública, em ação regressiva, proposta após transitar em julgado a 
decisão que houver condenado a indenizar o terceiro (art. 196, §§ 2º do Estatuto dos Servidores Estaduais). 
 A obrigação de reparar o dano estende-se aos sucessores e contra eles será executada, até o 
limite do valor da herança recebida. 
 A responsabilidade penal abrange os crimes e contravenções ao servidor, nessa qualidade. 
 A responsabilidade administrativa resulta de ato omissivo ou comissivo praticado no 
desempenho de cargo ou função. Dispõe o art. 198 do Estatuto Estadual a responsabilidade administrativa 
não será elidida pelo ressarcimento do dano. 
 As sanções civis, penais e administrativas poderão cumular-se, sendo independentes entre si. 
 A responsabilidade administrativa do servidor será afastada no caso de absolvição criminal que 
negue a existência do fato ou sua autoria. 
 Vale lembrar que a condenação do servidor na esfera criminal, por estar decidida a existência 
do fato e reconhecido o seu autor, projeta efeitos nos processos civil e administrativo. 
 Importantes sobre a matéria são os seguintes dispositivos: CP, art. 92, I; CPP, arts. 63, 64, 66, 
67; CC, art. 935. Também a Súmula 18 do STF: “Pela falta residual, não compreendida na absolvição pelo 
juízo criminal, é admissível a punição administrativa do servidor público.” 
 
V - Regime Jurídico dos Servidores Públicos 
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 O regime constitucional dos servidores públicos está delineado, especialmente, nos arts. 37 a 41, da 
CF. O regime jurídico-legal dos servidores titulares de cargos públicos federais está consubstanciado na Lei 
8.112/90.

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