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ANTÍGENOS E ANTICORPOS 
 
Prof. Dr. Halan Deny Dal Pupo
Qualquer agente que tem a capacidade de se ligar especificamente a 
componentes da resposta imune, tais como anticorpos solúveis e 
linfócitos. 
Os antígenos são representados pelas bactérias, vírus, parasitas, 
fungos e substâncias “estranhas” que podem causar doenças.
https://muysalud.com/pt/doencas
Figura 1: Produção de anticorpos monoclonais
Levinson, Warren, 2011
Exigências para a imunogenicidade
Para que uma molécula seja considerada antígeno é necessário: 
• Ser estranho, já que o sistema imunológico sadio deve se ativar apenas 
contra substâncias ou microrganismos patogênicos e tolerar as moléculas 
e tecidos do organismo; 
• Alto peso molecular, pois as moléculas de baixo peso molecular não ativam 
a resposta imune dependente de linfócitos T; 
• Imunogenicidade (um corpo estranho deve ser capaz de ativar o sistema 
imunológico) e antigenicidade, ou seja, ser alvo dos mecanismos de defesa 
da resposta imune como os anticorpos ou imunoglobulinas (SANTOS, 2010).
• Compostos próprios não são imunogênicos para o indivíduo, mas existem 
alguns casos (ex.: doença auto-imune) em que um indivíduo desenvolve uma 
resposta imune contra seu próprio tecido (BENJAMINI et.al., 2002).
• O tamanho molecular é outra propriedade que deve ser atendida para se ter 
imunogenicidade. Admite-se que um tamanho mínimo é necessário; portanto, 
moléculas extremamente pequenas, como por exemplo aminoácidos ou 
monossacarídeos não são imunogênicos (STITES, et al., 1992). 
• Para ser imunogênico, um composto tem que apresentar um peso molecular 
mínimo. Geralmente, compostos com peso molecular menos que 1000 kDa 
não são imunogênicos (por exemplo a aspirina, a penicilina e a progesterona), 
se o peso está entre 1000 e 6000 kDa, podem ou não serem imunogênicos 
(por exemplo a insulina e o hormônio adrenocorticotrófico).
Algumas substâncias apresentam antigenicidade, porém não são capazes de 
ativar o sistema imune, recebendo denominação de haptenos.
O termo hapteno, proposto por Landsteiner em 1920, é designado a toda espécie 
molecular não imunogênica ao receptor, que se combina com uma macromolécula 
imunogênica carregadora ("carrier") sendo capaz de licitar uma resposta imune 
específica no hospedeiro. Ex.: exemplo clássico o metal, níquel que provoca 
dermatite de contato em alguns indivíduos.
 https://medicinanet.com.br/m/conteudos
Outra característica necessária para a imunogenicidade é a complexidade 
química, e para um determinado grau de complexidade físico química, a 
capacidade de responder a um dado antígeno é uma função da forma com que a 
resposta imune é controlada geneticamente (STITES, et al., 1992).
Por último, a capacidade de ser degradada, que é a capacidade de enzimas 
atuarem na mesma. A substância (antígeno) tem que ser estável o suficiente 
para poder chegar ao sítio de interação com células T e B necessárias para o 
desenvolvimento da resposta imune, por outro lado, especialmente no caso das 
proteínas, a substância tem que ser susceptível à degradação parcial que 
acontece durante o processamento de antígenos (CALICH, 2001).
Resposta primária e secundária
• A imunização inicial é a primeira exposição de um indivíduo a um imunógeno. 
Este primeiro contato com um antígeno seja por exposição natural ou vacinação 
leva a ativação de linfócitos B, que irão se diferenciar em plasmócitos 
produtores de anticorpos e em células de memória, o que irá ocasionar a 
produção de anticorpos específicos para o antígeno indutor. 
• Observa-se uma fase de aumento exponencial dos níveis de anticorpos após o 
início da resposta, seguindo de um efeito platô, onde os níveis dos mesmos não 
se alteram. 
• Na última fase da resposta primária, chamada de fase de declínio, acontece 
uma diminuição progressiva dos anticorpos específicos circulantes (JÚNIOR et al., 
2010).
O segundo contato com o mesmo imunógeno resulta em resposta secundária 
e pode acontecer depois que a resposta primária diminuiu ou desapareceu 
completamente (após semanas ou até anos) (BENJAMINI et al., 2002).
A dose de antígeno necessária para induzir a resposta secundária é menor, a 
produção de anticorpos é mais rápida e são atingidos níveis mais elevados. A 
fase de latência é mais curta e a exponencial é mais acentuada; a fase de platô 
é alcançada mais rapidamente e é mais duradoura e a fase de latência é mais 
lenta e persistente.
O intervalo de tempo desde o contato inicial com o antígeno irá interferir na 
magnitude da resposta secundária. Se for muito curto ou muito longo a resposta 
será menor, pois se for muito curto, os anticorpos ainda presentes formam 
complexos Ag/Ac que são eliminados rapidamente.
Benjamini et al. (2002) menciona que o período ótimo para a indução de resposta 
secundária é logo após a queda do nível de anticorpos da resposta primária que está 
abaixo dos limites de detecção. As células de memórias atuantes na esposta 
secundária são chamadas de linfócito B e T, e para a resposta secundária, dá-se o 
nome de memória.
Ligação antígeno-anticorpo
Os antígenos possuem estruturas químicas que favorecem a complementaridade 
com o anticorpo, através de ligações não-covalentes.
Essas interações são semelhantes ao que acontece com reações envolvendo 
enzimas.
Portanto são reversíveis e possuem afinidades diferentes com diversas 
substâncias.
Como um anticorpo pode se relacionar com antígenos com afinidades diversas, 
e le pode l igar -se com um que não se ja o seu an t ígeno de me lhor 
complementaridade através de ligações mais fracas com regiões semelhantes, 
mas não idênticas àquele que o induziu. Essa ligação é chamada de reação 
cruzada (MURO et al., 2009).
A relativa importância de cada uma destas interações depende das estruturas do 
sítio de ligação de cada anticorpo e do determinante antigênico. A força de ligação 
entre um único sítio de combinação de um anticorpo e um epítopo do antígeno é 
chamada de afinidade. Esta é a soma das forças de atração e repulsão resultantes 
da ligação entre o paratopo e seu epítopo.
Pelo fato de cada anticorpo ter quatro cadeias polipeptídicas e dois sítios de 
ligação de antígenos, eles são potencialmente multivalentes (ou polivalentes) na 
sua reação com o ant ígeno. Os ant ígenos , por sua vez, podem ser 
monovalentes (ex. pequenos grupos químicos e haptenos) ou multivalentes (ex. 
microrganismos).
A força pela qual um anticorpo multivalente se liga a um antígeno é chamada de 
avidez para diferenciá-la da afinidade, que é determinada pela ligação de um 
fragmento do anticorpo monovalente a um único epítopo antigênico. 
Epítopo: é a menor porção de antígeno com potencial de gerar a resposta imune. É a área da molécula 
do antígeno que se liga aos receptores celulares e aos anticorpos.
De acordo com Benjamini et al. (2002), os tipos de forças de ligação requerem 
que as partes que estão interagindo fiquem muito próximas entre si, e consistem 
principalmente em forças tipo Van de Waals, eletrostática e hidrofóbicas.
A ligação só acontece quando existe um encaixe perfeito entre o antígeno e 
anticorpo, que muitas vezes é comparado ao encaixe de chave fechadura.
Khan Academy. Acesso em: 03/01/2024.
Fonte:
1. Diagnóstico Laboratorial das Principais Doenças Infecciosas e Auto-imunes. 3ª 
ou 4ª ed - A. Walter Ferreira. Ed.Guanabara Koogan, 2013 ou 2015.
2. KINDT, Thomas J.; GOLDSBY, Richard A.; OSBORNE, Barbara A. 
2. Imunologia de Kuby - 6ª ed. Editora Bookman, 2008.PEAKMAN, Mark; 
VERGANI, Diego. Imunologia Básica e Clínica - 2ª ed. Editora Elsevier, 2011.

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