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PREPARAÇÃO EXTENSIVA
DELEGADO DE POLÍCIA – TURMA 8
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AVISO IMPORTANTE
O material será disponibilizado com os dados pessoais do participante, em área de acesso restrita. O
compartilhamento indevido de materiais da PREPARAÇÃO EXTENSIVA DELEGADO DE POLÍCIA – TURMA 8
ensejará a interrupção imediata do serviço, bem como adoção das medidas cabíveis.
Qual a duração do curso?
A PREPARAÇÃO EXTENSIVA DELEGADO DE POLÍCIA – TURMA 8 é dividida em 30 semanas.
Qual o principal material da preparação e quando ele é enviado?
O principal material da nossa preparação é o e-book dividido em metas com doutrina e questões
sobre o tema. Este material será disponibilizado na nossa plataforma sempre aos finais de semana para que
vocês possam utilizá-lo ao longo da semana.
Quais materiais serão disponibilizados neste curso?
1- E-book de doutrina e questões - Este e-book é dividido em metas, que correspondem aos
dias da semana em que o aluno deve cumprir. No início de cada meta, disponibilizamos os artigos
relacionados ao tema, ao passo que no final disponibilizamos questões de concursos anteriores para
treinamento (disponibilizado semanalmente);
2- E-book de Súmulas por assunto - Este e-book visa orientar nosso aluno, a partir de um
cronograma, a realizar uma leitura das principais súmulas dos Tribunais Superiores (disponibilizado
integralmente no início do curso);
3- E-book de Lei Seca - Compilamos as principais leis, que possuem grande incidência em
concursos de Delegado de Polícia e que são específicas para o seu concurso. Esse e-book visa, através de um
cronograma elaborado por nossa equipe, organizar o estudo tão importante da lei seca (disponibilizados
semanalmente).
4- E-book de Jurisprudência - Selecionamos os principais julgados mais recentes para facilitar o
seu estudo. Com o cronograma criado pela nossa equipe, você estudará os principais informativos de uma
maneira constante e leve (disponibilizados semanalmente).
5- E-book de Revisão (ciclos de revisão) – Com o objetivo de sedimentar o estudo realizado ao
longo do curso, utilizaremos o nosso método de revisão 5x1, ou seja, a cada 5 semanas de conteúdo, teremos
uma semana de revisão.
Como eu devo me guiar com este material?
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PREPARAÇÃO EXTENSIVA
DELEGADO DE POLÍCIA – TURMA 8
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Isto é bem intuitivo. No E-book principal (doutrina e questões), cada meta se refere a um dia
da semana (Meta 1, Segunda-feira; Meta 2, terça-feira, etc).
Acreditamos que o melhor método de estudo é a partir da edificação de uma base de
conhecimento pautada no tripé doutrina – lei seca – jurisprudência, aliada à constante resolução de questões
objetivas.
Por isso, aconselhamos que se inicie o dia estudando a meta do dia (E-book principal doutrina
e questões). No momento do estudo não tente resumir a matéria, pois nossas metas diárias já suprirão esta
necessidade. O ideal é que tome notas inteligentes em post-its e façam grifos para a revisão. Notas
inteligente são aquelas que sem precisar esgotar o tema faz com que você relembre os principais pontos. A
organização das suas anotações é crucial para sua aprovação.
Atendendo sugestões, explicaremos melhor como vocês devem se guiar com esse material:
Passamos a indicar no Caderno de Doutrina, antes de iniciar a meta, os artigos correspondentes,
além dos dispositivos que reputamos mais relevantes e com maior probabilidade de estar na sua prova.
A leitura desses dispositivos fará parte do ciclo de revisão semanal proposto pelo curso (método
5x1).
Encerrado o estudo da doutrina passe para a resolução dos exercícios e súmulas selecionadas.
Até aqui foi feito o mais importante.
Após tudo isso, se sobrar tempo, é hora de ler a lei seca do caderno de leis. Essa tarefa de
repetição de leitura de artigos não demandará muito tempo por dia e é essencial para a sua aprovação.
Lembramos que os artigos indicados nos cadernos de Lei seca não correspondem à meta
justamente para que vocês sempre leiam mais vezes a letra da lei, independentemente de ter estudado o
tema ou não.
Estamos abertos a críticas e sugestões. Este é um processo coletivo no qual a participação de
vocês é fundamental para que a preparação para a prova seja potencializada. Evite a possibilidade de ter
a sua posse impedida em razão compartilhamento ilegal e indevido do material deste material sem
autorização.
Vamos Juntos!
Equipe Dedicação Delta.
Prezado(a) aluno(a),
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Caso possua alguma dúvida jurídica sobre o conteúdo disponibilizado no curso, pedimos que utilize a sua
área do aluno. Há um campo específico para enviar dúvidas.
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Mde um só: ficarão exonerados os demais devedores, respondendo apenas o causador
pelas perdas e danos.
SOLIDARIEDADE X INDIVISIBILIDADE
SOLIDARIEDADE INDIVISIBILIDADE
Fonte Vontade das partes ou da lei. Decorre de uma prestação
que tem por objeto uma coisa
ou um fato NÃO suscetível de
divisão por sua natureza, mas
pode decorrer de motivo de
ordem econômica ou razão
determinante do negócio
jurídico.
Extinção Falecimento de um dos co-devedores ou
co-credores, SALVO se a obrigação for
indivisível.
NÃO se extingue com o
falecimento de co-credor ou
co-devedor.
Perdas e danos Permanece mesmo ocorrendo a
conversão em perdas e danos.
Perde a qualidade de
indivisível se a obrigação se
resolver em perdas e danos.
Juros moratórios TODOS os devedores respondem pelos
juros de mora, ainda que a ação tenha
sido proposta contra um, mas o culpado
responde aos outros pela obrigação
acrescida.
Se for culpa de um só
devedor, os demais ficam
exonerados.
Interrupção da prescrição Aproveita aos demais. NÃO aproveita aos demais.
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6.5. Quanto ao resultado
a) Obrigações condicionais. Obrigações condicionadas a evento futuro e incerto. Nesses casos, a aposição
de cláusula dessa natureza no ato negocial subordina a sua eficácia e os direitos e deveres decorrentes do
negócio jurídico.
b) Obrigações a termo: Obrigações condicionadas a evento futuro e certo. Poderá o devedor antecipar o
pagamento, sem que isso caracterize enriquecimento sem causa do credor, eis que apenas a exigibilidade
está suspensa.
c) Obrigações modais. São oneradas com encargo imposto a uma das partes que experimentará um
benefício.
6.6. Quanto ao conteúdo
a) Obrigações de meio. O devedor se obriga a empreender sua atividade, sem garantir, todavia, o resultado
esperado. Ex: Obrigação assumida pelos médicos SALVO as cirurgias plásticas estéticas (obrigação de
resultado).
b) Obrigação de resultado. O devedor se obriga não apenas a empreender a sua atividade e a produzir o
resultado esperado pelo credor.
c) Obrigações de garantia: Objetivam eliminar riscos sobre o credor, reparando suas consequências.
7. TRANSMISSÃO DAS OBRIGAÇÕES
7.1. Cessão de crédito
É negócio jurídico bilateral ou sinalagmático, gratuito ou oneroso, pelo qual o credor transfere a
outrem, no todo ou em parte, a sua posição na relação obrigacional.
a) Algumas características:
• Independe de anuência do devedor, mas deve haver a notificação prévia.
• Em regra, possui eficácia inter partes, NÃO se exigindo sequer forma escrita para que tenha validade;
Se mediante terceiros, é necessária a celebração de uma acordo escrito, por instrumento público ou
particular.
• Se cessão de crédito onerosa, o cedente fica responsável junto ao cessionário pela existência do
crédito ao tempo em que lhe cedeu (cessão pro solvendo).
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b) Classificação:
I) Quando à origem:
• Legal;
• Judicial;
• Convencional.
II) Quanto às obrigações:
• A título oneroso: Assemelha-se a contrato de compra e venda, diante da presença de remuneração;
• A título gratuito: Assemelha-se a contrato de doação.
* ATENÇÃO:
• Cessão de crédito: Forma de transmissão das obrigações;
• Sub-rogação: Regra especial de pagamento.
III) Quanto à extensão:
• Total;
• Parcial.
IV) Quanto à responsabilidade do cedente:
• Cessão pro soluto: Confere quitação plena e imediata do débito do cedente para com o
concessionário, exonerando o cedente pela solvência do cedido;
• Cessão pro solvendo: A transferência do crédito é feita com o intuito de extinguir a obrigação apenas
quando o crédito for efetivamente cobrado.
7.2. Cessão de débito ou assunção de dívida
É negócio jurídico bilateral pelo qual o devedor, com a anuência do credor, e de forma expressa ou
tácita, transfere a um terceiro a posição de sujeito passivo da relação obrigacional.
I) Assunção cumulativa:
• Dois novos devedores responsabilizam-se pela dívida;
• O antigo devedor continua responsável, em conjunto, com o novo devedor.
II) Classificação:
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• Assunção por expromissão: Terceira pessoa assume espontaneamente o débito da outra, sendo que
o devedor originário NÃO toma parte nessa operação. Pode ser:
Liberatória;
Cumulativa.
• Assunção por delegação: O devedor originário transfere o débito a terceiro, com anuência do credor.
DICA:
• Assunção de dívida: Deve ter Anuência (conhecimento do credito);
• Cessão de dívida: Deve ter Ciência (notificação)
7.3. Cessão de contrato
É negócio jurídico atípico, e consiste na transferência integral da posição ativa ou passiva contratual
(transmissibilidade global). Ex: Contrato de gaveta.
Requisitos:
• Contrato bilateral quanto aos seus efeitos (com direitos e deveres equivalentes para ambas
as partes);
• Consentimento do cedido.
8. ADIMPLEMENTO E EXTINÇÃO DAS OBRIGAÇÕES
8.1. Pagamento direto
a) Elemento subjetivo
Quem deve pagar:
• Regra: Quem deve pagar é o devedor. É possível, no entanto, que qualquer interessado pague.
• Terceiro interessado: É quem tem interesse patrimonial na sua extinção (ex: fiador, avalista,
herdeiro) – Se houver pagamento, há sub-rogação legal ou automática.
• Terceiro NÃO interessado:
Faz o pagamento em seu próprio nome: tem direito de reembolsar-seno que pagou, mas
NÃO se sub-roga nos direitos do credor. Se pagar antes de vencida a dívida, só terá direito ao
reembolso no seu vencimento.
Pagamento em nome e conta do devedor, sem oposição deste: NÃO terá direito a nada, pois
é como se fizesse doação
A quem pagar:
• Regra: Credor.
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• Exceção: O pagamento pode ser feito ao representante do credor.
b) Elemento Objetivo: Objeto e prova do pagamento
• Objeto do pagamento: É a prestação. O credor não é obrigado a receber outra, diversa da que lhe é
devida, ainda que mais valiosa. Ainda que a obrigação tenha por objeto prestação divisível, o
pagamento não pode ser efetuado por partes, se assim não se ajustou, nem o devedor é obrigado a
receber dessa forma (PRINCÍPIO DA IDENTIDADE FÍSICA DA PRESTAÇÃO).
• Quitação: É o ATO JURÍDICO que prova o pagamento, materializado pelo recibo. Quem paga tem o
direito de obter a prova de que está pagando, podendo reter o pagamento ou consigná-lo.
Hipóteses de presunção relativa do pagamento:
• Nas prestações de trato sucessivo, o pagamento da última prestação presume o
pagamento das demais (art. 322, CC/02);
• Quitação do capital, sem reserva de juros (art. 323, CC/02):
• Entrega do título ao devedor (art. 386, CC/02).
c) Lugar do pagamento
• Obrigação quesível: Pagamento no domicílio do devedor. Não havendo contratação específica
quanto ao local do cumprimento da obrigação, será considerada quesível. É a regra geral do Código
Civil.
• Obrigação portável: Estipula-se, pelo instrumento negocial ou natureza da obrigação que o local do
pagamento será o domicílio do credor.
d) Tempo do pagamento
• Obrigação instantânea: Ocorre com o cumprimento imediato;
• Obrigação de execução diferida: O cumprimento deverá ocorrer uma só vez no futuro;
• Obrigação de execução continuada ou trato sucessivo: O cumprimento se protrai no tempo. Ex:
Obrigação de prestar alimentos.
- Vencimento antecipado da dívida: VIDE ART. 333, do CC/02 (rol exemplificativo).
8.2. Regras especiais de pagamento
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a) Consignação em pagamento: É forma de extinção das obrigações, constituindo-se em um pagamento
indireto da prestação avençada. Consiste em uma faculdade à disposição do devedor para que, ante o
obstáculo ao recebimento criado pelo credor ou quaisquer outras circunstâncias impeditivas do pagamento,
exerça o direito de adimplir a prestação, mediante depósito da coisa devida.
Efetiva-se mediante depósito judicial ou em estabelecimento bancário da quantia ou coisa devida. A
consignação libera o devedor do vínculo obrigacional, isentando-o dos riscos e de eventual obrigação de
pagar os juros moratórios e a cláusula penal (ou multa contratual).
De acordo com Cristiano Pinto, o pagamento em consignação se revela por meio de depósito judicial ou em
estabelecimento bancário que pode ser realizado pelo devedor ou por terceiro juridicamente interessado,
advertindo que o terceiro desinteressado também poderá pagarem nome e na conta do devedor, não sendo
possível fazê-lo em nome próprio.
I. Objeto: Bens móveis ou imóveis, relacionados com a obrigação de dar.
II. Natureza: Possui natureza mista, por ser instituto de direito material e instrumental.
III. Hipóteses – Art. 335, CC/02:
Art. 335. A consignação tem lugar:
I - se o credor não puder, ou, sem justa causa, recusar receber o pagamento, ou dar
quitação na devida forma;
II - se o credor não for, nem mandar receber a coisa no lugar, tempo e condição
devidos;
III - se o credor for incapaz de receber, for desconhecido, declarado ausente, ou
residir em lugar incerto ou de acesso perigoso ou difícil;
IV - se ocorrer dúvida sobre quem deva legitimamente receber o objeto do
pagamento;
V - se pender litígio sobre o objeto do pagamento.
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Possibilidade de levantamento do depósito pelo devedor:
• Antes da aceitação ou impugnação do depósito: O devedor possui total liberdade para levantar o
depósito, uma vez que a importância ainda não saiu do seu patrimônio jurídico (art. 338).
• Depois da aceitação ou impugnação do depósito pelo credor: o depósito só poderá ser levantado
com a anuência do credor, que perderá a preferência e a garantia que lhe competia sobre a coisa
consignada, com liberação dos fiadores e co-devedores que não tenham anuído (art. 340).
• Julgado procedente o depósito: o devedor já não poderá levantá-lo, ainda que o credor consinta,
senão de acordo com os outros devedores e fiadores (art. 339).
Consignação de coisa certa e de coisa incerta:
A consignação pode ser de coisa certa ou incerta (nesse caso, deve haver a concentração do débito), mas não
cabe para obrigações de fazer ou não fazer, já que a consignação se refere ao depósito da coisa devida.
b) Pagamento com sub-rogação: É a substituição do sujeito ativo, passando a terceira pessoa a ser o novo
credor da relação obrigacional, é o cumprimento da dívida por um terceiro.
Efeitos da sub-rogação:
• Liberatório: extinção do débito em relação ao devedor original;
• Translativo: transferência da relação obrigacional para o novo credor.
Classificação:
i) Sub-rogação legal (art. 346, do CC/02): Pagamentos por terceiros interessados na dívida. Exemplos:
• Credor que paga a dívida do devedor comum a outro credor;
• Fiador que paga a dívida doprincipal.
ii) Sub-rogação convencional (art. 347, do CC/02): Pagamentos efetivados por terceiros NÃO interessados
na dívida. É forma de pagamento indireto, há negócio jurídico celebrado com terceiro não interessado.
Art. 347. A sub-rogação é convencional:
I – quando o credor recebe o pagamento de terceiro e expressamente lhe transfere
todos os seus direitos;
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II – quando terceira pessoa empresta ao devedor a quantia precisa para solver a
dívida, sob a condição expressa de ficar o mutuante sub-rogado nos direitos do
credor satisfeito.
Hipóteses de sub-rogação:
Art. 346. A sub-rogação opera-se, de pleno direito, em favor:
I - do credor que paga a dívida do devedor comum;
II - do adquirente do imóvel hipotecado, que paga a credor hipotecário, bem como
do terceiro que efetiva o pagamento para não ser privado de direito sobre imóvel;
III - do terceiro interessado, que paga a dívida pela qual era ou podia ser obrigado,
no todo ou em parte.
Pagamento com sub-rogação x cessão de crédito
PAGAMENTO COM SUB-ROGAÇÃO CESSÃO DE CRÉDITO
Regra especial de pagamento ou forma de pagamento
indireto, pela mera substituição do credor, mantendo-se
os demais elementos obrigacionais.
Forma de transmissão das obrigações.
NÃO há necessidade de notificar o devedor, SALVO art.
347, I, do CC/02.
Deve notificar o devedor para que saiba a
quem pagar (art. 290, do CC).
Caráter gratuito Caráter gratuito ou oneroso
Arts. 346-351 Arts. 286-298
c) Imputação de pagamento: É a possibilidade de escolha do débito pelo devedor.
I. Requisitos:
• Pluralidade de débitos;
• Identidade de sujeitos (credor e devedor);
• Liquidez e vencimento de dívidas da mesma natureza;
• Suficiência do pagamento para solver qualquer das dívidas.
II. Ordem de imputação legal: Caso não haja manifestação do sujeito ativo e passivo, haverá a imputação
legal na seguinte ordem:
1º - Havendo capital e juros, primeiro os juros;
2º - Dívidas líquidas e vencidas em primeiro lugar, primeiro as dívidas mais antigas;
3º - Dívidas mais onerosas, se vencidas e líquidas ao mesmo tempo.
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4º - A imputação será de todas as dívidas na mesma proporção (posicionamento doutrinário).
d) Dação Em Pagamento
A doutrina também chama essa forma satisfativa de pagamento datio in solutum. O devedor cumpre
a obrigação com prestação diversa, mediante aceitação do credor, extinguindo a obrigação. Exemplo: o
devedor deveria entregar prestação pecuniária ao credor, que aceita receber imóvel em troca.
É possível a dação em pagamento de pensão alimentícia? (por exemplo, se o
devedor não tiver como pagar os alimentos, é possível que dê em pagamento um
imóvel?)
O STJ entende ser possível a dação de pagamento de imóvel em favor de devedor
de alimentos (HC 20317/SP) para efeito de exoneração do devedor. Não significa,
com isso, ter havido adiantamento de herança legítima (Resp 629117/DF).
O STJ também admite que o imóvel seja dado em pagamento ainda que
contrariamente à vontade do credor, pois a liberdade do devedor está em jogo (ela
está sujeito à prisão civil), circunstância que justifica a mitigação da regra que exige
a aceitação do devedor para realização da dação em pagamento.
STJ: Na dação em pagamento de imóvel sem cláusula que disponha sobre a
propriedade das árvores de reflorestamento, a transferência do imóvel inclui a
plantação. (INFO 651)
e) Novação: Forma de pagamento indireto em que ocorre a substituição de uma obrigação anterior por uma
nova, diversa da primeira criada pelas partes. O principal efeito é a extinção da dívida primitiva, se não houver
estipulação em contrário.
I. Elementos Essenciais:
• Existência de obrigação anterior (obrigação antiga);
• Existência de nova obrigação válida;
• Intenção de novar.
II. Novação Subjetiva x Sub-rogação
• Novação Subjetiva: Cria-se um novo vínculo, totalmente independente do primeiro.
• Sub-rogação: Na sub-rogação, há apenas alteração da estrutura obrigacional, surgindo só um novo
credor;
III. Classificação:
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• Novação objetiva ou real: O devedor contrai com o credor nova dívida para extinguir a primeira (art.
360, I, do CC);
• Novação subjetiva ou pessoal: Há substituição dos sujeitos da relação jurídica obrigacional, criando-
se nova obrigação, com novo vínculo entre as partes. Pode ser:
Novação Subjetiva ativa;
Novação Subjetiva passiva.
• Novação subjetiva passiva por expromissão: Um terceiro assume a dívida do devedor originário,
pois é ele que indicará uma terceira pessoa para assumir o seu débito, havendo concordância do
credor.
• Novação mista (doutrina): Ao mesmo tempo substitui-se o objeto e um dos sujeitos da relação
jurídica.
f) Compensação: Ocorre quando duas pessoas são, ao mesmo tempo, credoras e devedoras umas das outras.
Efetua-se entre dívidas:
• Líquidas
• Vencidas
• De coisas fungíveis.
Espécies:
• Compensação legal: Decorre de lei e independe de convenção entre os sujeitos da relação
obrigacional.
• Convencional: Tem origem no poder de livre disposição das partes.
• Judicial: Trata-se de uma decisão judicial constitutiva, na qual o juiz, embora originariamente
ausente a liquidez, define que o crédito é pronta e facilmente liquidável.
→ Jurisprudência: A prescrição somente obsta a compensação se for anteriorao momento da coexistência
das dívidas. STJ, 3ª Turma. REsp 1.969.468-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 22/02/2022 (Info 726).
“No direito civil, diz-se que a “compensação opera por força de lei”. Isso significa que no momento em que
coexistem as dívidas a compensação ocorre de pleno direito, mesmo que não haja naquele instante uma
declaração judicial. Por essa razão, se a compensação é alegada em juízo, a sentença não é constitutiva
(não é a sentença que faz a compensação). A sentença será declaratória de algo que já aconteceu, tendo
efeitos ex tunc, retroagindo à data da coexistência dos créditos.”. Fonte: Dizer o Direito.
g) Confusão: Ocorre quando as figuras do devedor e do credor se reúnem na mesma pessoa, seja por ato
inter vivos ou mortis causa.
Requisitos:
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• Unidade da relação obrigacional;
• Reunião, na mesma pessoa, das qualidades de credor e devedor;
• Ausência de separação de patrimônios.
h) Remissão de dívidas: Ocorre quando o credor libera o devedor, no todo ou em parte, sem receber
pagamento. É um perdão da dívida.
Requisitos:
• Ânimo de perdoar;
• Agente capaz para alienar gratuitamente, além da legitimação para dispor do crédito;
• Aceitação do perdão;
Algumas características:
• NÃO se admite em prejuízo de terceiros, e se opera apenas inter partes;
• Pode ser revogada unilateralmente, desde que não tenha ainda gerado um direito contrário.
• O perdão concedido ao devedor principal extingue a obrigação dos fiadores e liberta as garantias
reais.
• Se forem vários os devedores, a remissão concedida a um deles extingue a obrigação na parte que
lhe corresponde. Sendo indivisível, os demais credores somente poderão exigir a prestação com
desconto da parte relativa ao remitente.
9. INADIMPLEMENTO
Pode ocorrer das seguintes formas:
• Inadimplemento absoluto;
• Inadimplemento parcial;
• Violação positiva do contrato.
9.1. Inadimplemento absoluto
Trata-se do descumprimento TOTAL da obrigação. A obrigação principal converte-se em obrigação
de indenizar, se inadimplemento culposo.
Não cumprindo a obrigação, responde pelo objeto + perdas e danos + juros compensatórios +
cláusula penal (se prevista) + atualização monetária + custas + honorários contratuais.
* Atenção: Obrigações negativas só ensejam inadimplemento absoluto.
9.2. Inadimplemento relativo
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Mora – É o atraso, retardamento ou imperfeita satisfação da obrigação.
a) Principal efeito: Responsabilização do devedor por todos os prejuízos causados ao credor + juros +
atualização + honorários advocatícios.
b) TEORIA DO ADIMPLEMENTO SUBSTANCIAL: Ocorre nas hipóteses em que a obrigação tiver sido quase
toda cumprida. NÃO caberá a extinção do contrato, mas apenas outros efeitos jurídicos, visando à
manutenção da avença.
c) Requisitos:
I. Se do devedor:
• Existência de dívida líquida e certa;
• Vencimento (exigibilidade da dívida);
• Culpa do devedor.
II. Se do credor:
• Oferta regular do devedor;
• Recusa do credor;
• Culpa do credor.
d) Classificação:
I. Mora ex re ou automática: Quando a obrigação for positiva, líquida e com data fixada para o
adimplemento, a inexecução da obrigação implica a mora do devedor de forma automática.
II. Mora ex persona ou mora pendente: Caracterizada se não houver estipulação de termo final para a
execução da obrigação assumida. Dependerá de protesto, notificação ou interpelação para constituir a mora.
III. Mora irregular ou presumida: Obrigações de ato ilícito – Há mora desde que praticado o fato.
e) Purgação x cessação da mora:
• Purgação: Atuação reparadora do sujeito moroso. Efeitos ex nunc.
• Cessação: Decorre da própria extinção da obrigação, como ocorre com novação ou remissão de
dívida. Efeitos ex tunc.
JUROS: São frutos civis da coisa, rendimentos do capital.
I) Quanto à origem:
• Convencionais: Decorrem de acordo entre as partes;
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• Legais: Decorrem da norma jurídica.
II) Quanto à relação com o inadimplemento:
• Moratórios: Decorrem do retardamento culposo no cumprimento da obrigação.
• Compensatórios: Decorrem da utilização consentida do capital alheio, a exemplo do
inadimplemento total da obrigação. Devem ser previstos no contrato, estipulados pelos
contratantes.
STJ: Entende que os juros das instituições bancárias e financeiras podem ser fixados segundo
as regras de mercado.
ESQUEMA DE JUROS E CORREÇÃO MONETÁRIA:
• Termo inicial dos juros moratórios:
Responsabilidade extracontratual: Juros fluem a partir do evento danoso (art.
398, do CC/02 + Súmula 54 do STJ);
Responsabilidade contratual:
▪ Obrigação líquida: Juros a partir do vencimento da obrigação (art. 397)
= MORA EX RE;
▪ Obrigação Ilíquida: Juros a partir da citação (art. 405) = MORA EX
PERSONA.
• Termo inicial da correção monetária:
Danos morais: Incide desde a data do arbitramento (S. 362 STJ);
Danos materiais: Incide correção sobre a dívida por ato ilícito a partir do
efetivo prejuízo (S. 43 STJ).
9.3. Cláusula Penal
(= MULTA CONTRATUAL OU PENA CONVENCIONAL)
É penalidade de natureza civil, imposta pela inexecução parcial ou total de um dever patrimonial
assumido. É pactuada no caso de violação da obrigação, sendo obrigação acessória que visa a garantir o valor
das perdas e danos em caso de descumprimento,e a garantir o cumprimento da obrigação principal. Pode
ser:
• Compensatória: Em caso de inadimplemento total da obrigação. Nesse caso o credor deve exigir
apenas a cláusula penal OU o cumprimento da obrigação principal alternativamente. Trata-se de
opção em benefício do credor.
• Moratória: Visa assegurar o cumprimento de uma cláusula ou evitar a mora. -> nesse caso o credor
pode exigir a cláusula penal + o cumprimento da obrigação principal cumulativamente.
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Cláusula penal MORATÓRIA Cláusula penal COMPENSATÓRIA
Simples retardamento no cumprimento da
obrigação (mora) ou descumprimento de
cláusula específica.
Total descumprimento da obrigação principal.
Credor pode exigir o valor da cláusula penal + o
cumprimento da obrigação principal.
Credor pode exigir o valor da cláusula penal OU o
cumprimento da obrigação principal -> opção em
benefício do credor
ATENÇÃO! Teses fixadas pelo STJ:
Tema 970: “A cláusula penal moratória tem a finalidade de indenizar pelo
adimplemento tardio da obrigação, e, em regra, estabelecida em valor equivalente
ao locativo, afasta-se sua cumulação com lucros cessantes.”
Tema 971: “No contrato de adesão firmado entre o comprador e a
construtora/incorporadora, havendo previsão de cláusula penal apenas para o
inadimplemento do adquirente, deverá ela ser considerada para a fixação da
indenização pelo inadimplemento do vendedor. As obrigações heterogêneas
(obrigações de fazer e de dar) serão convertidas em dinheiro, por arbitramento
judicial.”
(Processos de origem: REsp 1635428 REsp 1498484 REsp 1614721 REsp 1631485)
→ Jurisprudência:
Em um contrato no qual foi estipulada uma CLÁUSULA PENAL, caso haja o
inadimplemento, é possível que o credor exija o valor desta cláusula penal e mais
as perdas e danos?1
1. Se for cláusula penal MORATÓRIA: SIM.
2. Se for cláusula penal COMPENSATÓRIA: NÃO.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.335.617-SP, Rel. Min. Sidnei Beneti, julgado em 27/3/2014.
INFO 593 STJ- SERVIÇOS ADVOCATÍCIOS Cláusula penal em contratos de serviços
advocatícios
1 https://dizerodireitodotnet.files.wordpress.com/2018/08/info-627-stj.pdf
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http://www.stj.jus.br/repetitivos/temas_repetitivos/pesquisa.jsp?novaConsulta=true&tipo_pesquisa=T&sg_classe=REsp&num_processo_classe=1614721
https://ww2.stj.jus.br/processo/pesquisa/?aplicacao=processos.ea&tipoPesquisa=tipoPesquisaGenerica&termo=REsp%201635428%20REsp%201498484%20REsp%201614721%20REsp%201631485
https://dizerodireitodotnet.files.wordpress.com/2018/08/info-627-stj.pdf
PREPARAÇÃO EXTENSIVA
DELEGADO DE POLÍCIA – TURMA 8
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Não é possível a estipulação de multa no contrato de honorários para as hipóteses
de renúncia ou revogação unilateral do mandato do advogado,
independentemente de motivação, respeitado o direito de recebimento dos
honorários proporcionais ao serviço prestado. É direito do advogado renunciar ou
da parte revogar o mandato a qualquer momento e sem necessidade de declinar
as razões. Isso porque a relação entre advogado e cliente é pautada pela confiança,
fidúcia, sendo um contrato personalíssimo (intuitu personae). Apesar de o
advogado não poder exigir multa pelo fato de o contratante ter revogado o
mandato, ele poderá cobrar o valor dos honorários advocatícios na proporção dos
serviços que já foram prestados.
Cláusula penal em contratos advocatícios:
• é lícita para situações de mora e/ou inadimplemento (ex: multa pelo atraso no
pagamento dos honorários).
• não é permitida para as hipóteses de renúncia ou revogação do mandato (ex:
multa pelo fato de o cliente ter decidido revogar o mandato e constituir outro
advogado).
STJ. 4ª Turma. REsp 1.346.171-PR, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em
11/10/2016 (Info 593).2
9.4. Arras Ou Sinal
As ARRAS ou SINAL consistem em uma disposição convencional por meio da qual uma das partes
entrega à outra determinado bem (geralmente dinheiro), firmando a segurança do negócio jurídico
pactuado. As arras podem ser:
(a) CONFIRMATÓRIAS: São previstas no contrato com o objetivo de reforçar, incentivar que as partes
cumpram a obrigação combinada. “Melhor vc cumprir, pq do se não cumprir eu fico com seu dinheiro”.
Se a parte que deu o sinal voltar atrás, ela perde o valor do sinal que foi dado. Se a parte que recebeu
as arras voltar atrás, terá que devolver o sinal recebido mais o valor equivalente, com correção, juros e
honorários.
As arras confirmatórias servem como uma espécie de indenização mínima. Assim, nos termos do art.
419 do CC, em se tratando de arras confirmatórias (que não permitem o direito de arrependimento), é
possível à parte inocente pleitear
(i) indenização suplementar, provando que seu prejuízo foi superior ao valor do sinal, OU
2 https://www.dizerodireito.com.br/2017/01/informativo-comentado-593-stj.html
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(ii) a execução do contrato, com as perdas e danos.
Recentemente o STJ decidiu que “a fixação das arras confirmatórias se dá em percentual inferior a
20% do valor do bem, variando, mais precisamente, entre 10% e 20%. Entender de forma diversa implicaria
onerar excessivamente a parte que deu as arras, ainda que a ela tenha sido atribuída culpapela rescisão do
contrato, e beneficiar a parte que as recebeu. Em outras palavras, seria uma fonte de enriquecimento
desproporcional”. ( REsp 1.513.259-MS, 16/2/2016)
(b)- PENITENCIAIS: garantem o direito de arrependimento, em favor de qualquer das partes, que perderá o
valor das arras para a outra, vedada indenização suplementar (art. 420 do CC).“Vc pode até se arrepender, e
se o fizer as arras cobrem meus custos”.
# Diferentemente do que ocorre nas arras confirmatórias, nas arras penitenciais a parte tem o
direito de arrependimento. Como o arrependimento é um direito que a parte tem, se ela o exerce, não há
inadimplemento, mas a conseqüência será a perda do valor das arras. Portanto, as arras penitenciais
servem para compensar a contraparte pelo exercício do direito de arrependimento, visto que o
arrependimento é um direito da parte, não implicando inadimplemento, ainda que o dano seja maior que
o valor das arras, a contraparte não tem direito a indenização suplementar.
IMPORTANTE: Recentemente decidiu o STJ que na hipótese de inexecução do contrato, revela-se
inadmissível a cumulação das arras com a cláusula penal compensatória, sob pena de ofensa ao princípio
do non bis in idem.
Na hipótese de inadimplemento, as arras funcionam como uma espécie de cláusula penal
compensatória, representando o valor previamente estimado pelas partes para indenizar a parte não culpada
pela inexecução do contrato. A perda das arras, na hipótese, representa o efeito da resolução imputável e
culposa. Assim, as arras, a princípio, têm a função de indicar que a obrigação será cumprida. No entanto,
ocorrendo a inexecução contratual elas passam a ter função de cláusula penal. Tanto nas arras confirmatórias
como nas arras penitenciais, se a parte que deu as arras não executar o contrato, a outra parte (inocente)
poderá reter as arras, ou seja, ficar com elas para si.
Arras confirmatórias Arras penitenciais
Visam reforçar, incentivar que as partes
cumpram a obrigação combinada.
Visam assegurar o direito de arrependimento.
“Melhor você cumprir, porque se não
cumprir eu fico com seu dinheiro”.
“Você pode até se arrepender, e se o fizer as arras cobrem
meus custos”.
Funcionam como indenização mínima,
admitindo-se a indenização suplementar.
Quantificam economicamente o direito de arrependimento,
não admitindo indenização suplementar
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Disse a Ministra Nancy Andrighi: “Nesse contexto, evidenciado que, na hipótese de inadimplemento
do contrato, as arras apresentam natureza indenizatória, desempenhando papel semelhante ao da cláusula
penal compensatória, é imperiosa a conclusão no sentido da impossibilidade de cumulação de ambos os
institutos, em face do princípio geral da proibição do non bis in idem (proibição da dupla condenação a
mesmo título).”
9.5 Violação positiva dos contratos:
Decorre da violação dos deveres anexos, relacionados à boa-fé objetiva.
Como o tema foi cobrado em concursos:
CEBRASPE – PCRJ/2021 – Delegado de Polícia. Acerca de adimplemento e extinção das obrigações, assinale
a opção correta.
a) O credor não é obrigado a receber prestação diversa da que lhe é devida, salvo se mais valiosa.
Resposta: Errada (art. 313, CC).
b) O pagamento deve ser efetuado no domicílio do credor, salvo se as partes convencionarem
diversamente, ou se o contrário resultar da lei, da natureza da obrigação ou das circunstâncias.
Resposta: Errada (art. 327, CC).
c) A entrega do título ao devedor firma a presunção do pagamento.
Resposta: Correta (art. 324, CC).
d) Nos termos do Código Civil, a remissão de dívida pelo credor extingue a obrigação independentemente de
aceitação do devedor.
Resposta: Errada (art. 385, CC).
e) A obrigação se extingue por compensação quando na mesma pessoa se confundem as qualidades de
credor e devedor.
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Resposta: Errada (art. 381, CC – refere-se ao instituto da “confusão”).
CEBRASPE – PCRJ/2021 – Delegado de Polícia. Acerca da transmissão das obrigações, prevista no Código
Civil Brasileiro, assinale a opção correta.
a) A cessão de contrato, também chamada cessão de posição contratual, é vedada no direito brasileiro,
mesmo se ambos os contratantes estiverem de acordo com a cessão.
Resposta: Errada (art. 299, CC).
b) Salvo disposição em contrário, na cessão de um crédito abrangem-se todos os seus acessórios.
Resposta: Correta (art. 287, CC).
c) Na cessão de crédito, salvo estipulação em contrário, o cedente responde pela solvência do devedor.
Resposta: Errada (art. 296, CC).
d) Na cessão de crédito pro solvendo, o cedente responde apenas pela existência e validade do crédito
cedido.
Resposta: Errada (art. 295, CC).
e) Na assunção de dívida, o novo devedor pode opor ao credor todas as exceções pessoais que competiam
ao devedor primitivo.
Resposta: Errada (art. 302, CC).
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Referências Bibliográficas:
Flávio Tartuce. Manual de Direito Civil.
Nelson Rosenvald. Curso de Direito Civil – Parte Geral e LINDB.
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QUESTÕES PROPOSTAS
1 - 2018 - FUMARC - PC-MG - FUMARC - 2018 - PC-MG -
Delegado de Polícia Substituto
Considere as seguintes afirmativas a respeito do direito das
obrigações:
I. O credor de coisa certa não pode ser obrigado a receber
outra, ainda que mais valiosa. II. Não incorre na obrigação de
indenizar perdas e danos o devedor que recusar a prestação
a ele só imposta, ou só por ele exequível. III. Na obrigação de
dar coisa incerta, antes da escolha, não poderá o devedor
alegar perda ou deterioração da coisa, ainda que por força
maior ou caso fortuito. IV. Quando a obrigação é indivisível,
os devedores são solidários, de sorte que a remissão de um
aproveita a todos, extinguindo a dívida.
Estão CORRETAS apenas as afirmativas:
A-I e III.
B-I e IV.
C-I, II e IV.
D-II e III.
2 - 2018 - FUMARC - PC-MG - FUMARC - 2018 - PC-MG -
Delegado de Polícia Substituto
Nas obrigações negativas, o devedor é considerado
inadimplente:
A-a partir da sua citação.
B-a partir da sua constituição em mora pelo credor.
C-a partir do ajuizamento da ação pelo credor.
D-desde o dia em que executou o ato de que se devia abster.
3 - 2014 - NUCEPE - PC-PI - NUCEPE - 2014 - PC-PI - Delegado
de Polícia
São exemplos de obrigação de fazer infungível.
I- Celebração de contrato oneroso, no qual a arquiteta
Marina, contraiu obrigação intuitu personae de decorar o
imóvel de Celeste.
II- Celebração de contrato oneroso de uma banda para tocar
em uma festa.
III- Contrato oneroso com oficina para recuperar o motor de
um veículo.
IV- Celebração de contrato gratuito com fins de realizar
inscrição em um concurso em cidade diferente do domicílio
do mandante.
A-Estão corretos os itens II e III.
B-Apenas o item I está correto.
C-Estão corretos os itens I e II, somente.
D-Apenas o item IV é falso.
E-Estão corretos os itens II e IV.
4 - 2013 - UEG - PC-GO - UEG - 2013 - PC-GO - Delegado de
Polícia - 2ª prova
Na obrigação, se um dos devedores solidários falecer
deixando herdeiros, a obrigação não se extingue
automaticamente, de acordo com o Código Civil. Assim,
falecendo um dos devedores solidários, tendo esse devedor
deixado 2 (dois) filhos, o Código Civil dispõe o seguinte:
A-os filhos do falecido estarão obrigados ao cumprimento
integral da obrigação, uma vez que têm o dever de adimplir
com todas as obrigações deixadas pelo pai.
B-como a obrigação é solidária, os herdeiros não estão
obrigados ao pagamento da obrigação, pois os demais
devedores estão obrigados pela integralidade do débito.
C-nenhum dos herdeiros é obrigado a pagar importância que
supere a quota que corresponder ao seu quinhão hereditário.
D-a solução é idêntica ao que o Código Civil trouxe quando há
falecimento de devedor em obrigação indivisível, com os
herdeiros obrigados ao cumprimento total da obrigação,
independente de sua quota.
5 - 2013 - UEG - PC-GO - UEG - 2013 - PC-GO - Delegado de
Polícia - 1ª prova
Obrigações não executadas geram inadimplemento, ou seja,
a falta da prestação devida ocasiona uma crise na relação
obrigacional, sendo necessária a intervenção do
ordenamento jurídico, que neste sentido, dispõe o seguinte:
A-o Código Civil, acerca do estudo da responsabilidade civil
por danos morais, obedece à matéria consoante aos estudos
do direito da personalidade no campo do direito da dignidade
humana, segundo disposto no artigo 1º, inciso III da CF, sem
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PREPARAÇÃO EXTENSIVA
DELEGADO DE POLÍCIA – TURMA 8
SEMANA 07/30
43
acrescentar diferenças em relação à culpa ou não do agente
inadimplente.
B-é cabível prisão por dívida, nos moldes do artigo 5º, inciso
LXVII, da Constituição Federal, sendo que o sistema
infraconstitucional fica mitigado em relação ao disposto neste
sentido, assim como os tratados internacionais de direitos
humanos que são absorvidos como lei ordinária, de acordo
com a corrente monista, pela qual o direito brasileiro fez
opção.
C-a legislação pátria responde ao inadimplemento
viabilizando o dever de indenizar, sendo a reparação
completa por envolver todo o prejuízo experimentado pelo
lesado, por isso a indenização dos danos é admitida em lei,
pois funciona como uma compensação em prol de quem
sofreu danos emergentes e lucros cessantes.
D-os juros estão incluídos no estudo dos frutos civis, como
rendimento de capital subdividindo-se em moratórios e
compensatórios. No caso de inadimplemento com ou sem
culpa, os juros compensatórios traduzem uma indenização
para o inadimplemento no cumprimento da obrigação de
restituir pelo devedor, sendo uma verdadeira sanção.
6 - 2013 - UEG - PC-GO - UEG - 2013 - PC-GO - Delegado de
Polícia - 1ª prova
No que concerne ao estudo do adimplemento, são várias as
situações de extinção das obrigações que não são precedidas
pelo pagamento ordinário. Diante do exposto, tem-se que:
A-no caso de o devedor ser simultaneamente devedor e
credor, aplicar-se-á a modalidade de extinção das prestações
por novação tanto objetiva como subjetiva, de acordo com a
vontade e eticidade das partes envolvidas.
B-no caso da consignação em pagamento de dívida em
dinheiro, é facultativo ao solvens respeitar os requisitos
objetivos e subjetivos previamente ajustados para o
pagamento, sendo bastante o depósito efetivo para elidir sua
mora.
C-sub-rogação do pagamento é prevista no ordenamento
jurídico civil nos casos de o devedor possuir duas ou mais
obrigações para com um mesmo credor, e posteriormente
paga uma quantia insuficiente para liquidação da dívida.
D-considera-se pagamento a consignação que pode ser
conceituada como o meio judicial ou extrajudicial adotado
pelo devedor ou terceiro para libertar-se da obrigação
depositando o valor devido nos casos e formas legais.
7 - 2013 - UEG - PC-GO - UEG - 2013 - PC-GO - Delegado de
Polícia - 1ª prova
João e Maria firmaram contrato de compra e venda, nos
moldes do Código Civil. Ficou estipulado, em uma das
cláusulas do referido contrato, que João pagará a dívida
perante Maria, mediante a entrega de R$ 400.000,00 ou um
apartamento devidamente cientificado nesse valor. Assim,
tem-se que:
A-se todas as prestações estipuladas em contrato vierem a se
tornar impossíveis, mesmo com culpa do devedor, extinguir-
se-á a obrigação.
B-a categoria das obrigações plurais ou compostas é formada
pelas obrigações cumulativas, facultativas e alternativas, no
caso do exemplo acima, tem-se um exemplotípico da
modalidade das obrigações facultativas.
C-de acordo com o exemplo acima, sendo este uma obrigação
alternativa, de acordo com o ordenamento civil atual, em se
tratando da escolha do objeto, esta cabe ao credor, Maria, ou
ao sujeito ativo da prestação, se outra coisa não se estipulou.
D-cabe a João promover a escolha, se outra coisa não se
estipulou, restando irrevogável quando a individuação do
objeto chega ao conhecimento de Maria, salvo se no contrato
celebrado exista cláusula de arrependimento.
8 - 2013 - UEG - PC-GO - UEG - 2013 - PC-GO - Delegado de
Polícia - 1ª prova
Em se tratando do Direito das Obrigações, parte especial do
Código Civil, tem-se que:
A-a possibilidade jurídica e a ilicitude do objeto prestacional
se confundem, como se verifica em caso de abuso do direito
que fere a ilicitude do objeto jurídico da relação obrigacional,
caracterizando a sua impossibilidade jurídica.
B-no estudo da obrigação de dar coisa certa revela-se o
princípio da gravitação jurídica, pelo qual a obrigação de dar
a coisa certa dispensa os seus acessórios.
C-havendo perda do objeto da prestação, antes da tradição,
caso em que a inutilização da coisa deu-se por circunstâncias
alheias à diligência do devedor, a solução será a resolução
contratual pela falta superveniente do objeto, sem ônus para
a parte alienante.
D-sobre a teoria do risco proveito, sendo culpado o devedor
obrigacional, cabe unicamente ao credor exigir o equivalente
com pagamento de juros e correções monetárias pertinentes.
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9 - 2012 - MS CONCURSOS - PC-PA - MS CONCURSOS - 2012
- PC-PA - Delegado de Polícia
O pagamento significa cumprimento ou adimplemento de
qualquer espécie de obrigação, podendo ser direto ou
indireto, constituindo meio normal de extinção da obrigação.
Assim, analise os itens abaixo marcando V(verdadeiro) ou
F(falso) e assinale a alternativa que apresenta a sequência
correta, de cima para baixo.
( ) Se se der em pagamento coisa fungível, não se poderá
mais reclamar do credor que, de boa-fé, a recebeu e
consumiu, ainda que o solvente não tivesse o direito de
aliená-la.
( ) É requisito essencial de validade que o pagamento seja
feito ao credor ou a quem de direito o represente, sob pena
de só valer depois de por ele ratificado, ou tanto quanto
reverter em seu proveito, ou propiciar o direito à repetição.
( ) O objeto do pagamento é a prestação, não podendo o
credor receber prestação diversa da que lhe é devida, ainda
que mais valiosa.
( ) Por não ser o pagamento presumível, o devedor que paga
tem direito a quitação regular, e pode reter ou consignar o
pagamento, enquanto não lhe seja dada.
( ) A quitação, que sempre poderá ser dada por instrumento
particular, designará o valor e a espécie da dívida quitada, o
nome do devedor, ou quem por este pagou, o tempo e o lugar
do pagamento, com a assinatura do credor, ou do seu
representante, haja vista que, sem tais requisitos, será
inválida, mesmo que de seus termos ou das circunstâncias
resultar haver sido paga a dívida.
A-V; F; V; V; F.
B-V; V; F; V; F.
C-F; V; V; F; F.
D-V; V; F; V; V.
E-F; F; F; V; V.
10 - 2012 - FGV - PC-MA - FGV - 2012 - PC-MA - Delegado
de Polícia
João, Joaquim e Manoel são devedores solidários da quantia
de R$ 150.000,00 a Paulo Roberto. No dia do vencimento,
apenas Manoel honrou com o pagamento de sua quota-
parte.
Considerando o fato narrado, assinale a afirmativa incorreta.
A-A solidariedade entre os devedores não pode ser
presumida, devendo resultar da lei ou da vontade das partes.
B-Paulo Roberto não tem direito de exigir e de receber de um
ou de todos os devedores, parcial ou totalmente, a dívida
comum.
C-Caso Manoel tivesse satisfeito a dívida por inteiro, teria
direito a exigir de cada um dos co-devedores a sua quota.
D-Se João falecer deixando herdeiros, nenhum destes será
obrigado a pagar senão a quota que corresponder ao seu
quinhão hereditário, pois a obrigação é divisível.
E-Caso um dos devedores solidários seja demandado, pode
opor ao credor as exceções que lhe forem pessoais e as
comuns a todos
11 - 2012 - FUNCAB - PC-RJ - FUNCAB - 2012 - PC-RJ -
Delegado de Polícia
É modalidade de extinção direta de dívida pecuniária:
A-pagamento.
B-dação empagamento.
C-confusão.
D-compensação.
E-novação.
12 - 2012 - CESPE / CEBRASPE - PC-AL - CESPE / CEBRASPE -
2012 - PC-AL - Delegado de Polícia
Com relação às pessoas naturais, às pessoas jurídicas e aos
bens, julgue os itens a seguir.
Pode-se classificar as uvas colhidas na época da safra da uva
vermelha como frutos percipiendos e aquelas que ainda estão
na videira, como frutos pendentes.
Certo
Errado
13 - 2012 - UEG - PC-GO - UEG - 2008 - PC-GO - Delegado de
Polícia
A disciplina jurídica das obrigações sofre grande influência do
regime econômico vigente e tem muita influência na vida
econômica do país, estendendo-se às diferentes atividades
humanas de natureza patrimonial. Por essa razão, o direito
das obrigações deve promover o realizar da vida econômica,
conferindo-lhe segurança e agilidade. Considerando o direito
obrigacional pátrio, é CORRETO afirmar:
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PREPARAÇÃO EXTENSIVA
DELEGADO DE POLÍCIA – TURMA 8
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A-a novação, por criar nova obrigação, convalida obrigação
extinta.
B-a novação impede a discussão de obrigações contraídas em
contratos anteriores ao que se novou.
C-é impossível novar em obrigação nula, tendo em vista que
a novação propõe a substituição daquela dívida por outra.
D-a novação não se presta a confirmar obrigação anulável,
restando ao devedor o direito de argüir o vício sobre
obrigação que novou.
14 - 2011 - FUMARC - PC-MG - FUMARC - 2011 - PC-MG -
Delegado de Polícia
Considerando-se às obrigações de dar coisa certa, é
INCORRETO afrmar que
A-se a coisa perder, sem culpa do devedor, antes da tradição,
ou pendente condição suspensiva, fica resolvida a obrigação,
suportando o proprietário o prejuízo.
B-se a coisa se perder, por culpa do devedor, responderá este
pelo equivalente, mais perdas e danos.
C-se a coisa se deteriorar, sem culpa do devedor, poderá o
credor, a seu critério, resolvera obrigação, ou aceitar a coisa,
abatido de seu preço o valor que perdeu.
D-se a coisa se deteriorar, por culpa do devedor, poderá o
credor exigir o equivalente, ou aceitar a coisa no estado em
que se acha, sem no entanto, tem direito a reclamar, em um
ou em outro caso, indenização por perdas e danos.
15 - 2009 - CEPERJ - PC-RJ - CEPERJ - 2009 - PC-RJ - Delegado
de Polícia
Assinale a alternativa correta, se houver:
A-Na obrigação de dar coisa certa o devedor sempre
responde pelo perecimento da coisa antes da tradição.
B-A obrigação de dar coisa certa engloba os acessórios da
coisa ainda que não mencionados, salvo se o contrário
resultar do titulo ou das circunstâncias do caso.
C-Na obrigação de restituir coisa certa, o credor está obrigado
a receber a coisa de volta, ainda que deteriorada por culpa do
devedor sem direito a indenização em razão da regra “res
perit domino”
D-A obrigação é indivisível em existindo pluralidade de
devedores e somente quando a coisa não for suscetível de
divisão cômoda
E-Nenhuma das alternativas acima.
16 - 2009 - CESPE / CEBRASPE - PC-RN - CESPE - 2009 - PC-
RN - Delegado de Polícia
Com relação às obrigações, segundo o direito civil, assinale a
opção correta.
A-A obrigação de dar coisa certa não abrange os acessórios,
ainda que resulte do título ou das circunstâncias do caso.
B-Enquanto não ocorrer a tradição, a coisa pertencerá ao
devedor, mas os melhoramentos e acrescidos pertencerão ao
credor.
C-Se determinada coisa restituível se deteriorar, o credor terá
direito a indenização, mesmo sem a culpa do devedor.
D-Nas obrigações de dar coisa incerta, determinada pelo
gênero e pela qualidade, a escolha pertence ao credor.
E-Se determinada coisa se perder por culpa do devedor, este
responderá pelo equivalente, mais perdas e danos.
17 - 2009 - CESPE / CEBRASPE - PC-PB - CESPE - 2009 - PC-
PB - Delegado de Polícia
Assinale a opção incorreta com referência às obrigações
contratuais e extracontratuais.
A-Na obrigação indivisível, subsiste a indivisibilidade ainda
que a obrigação se converta em perdas e danos.
B-No caso da solidariedade ativa, convertendo-se a prestação
em perdas e danos em razão do inadimplemento desta,
subsiste, para todos os efeitos, a solidariedade.
C-Na cessão de crédito por título oneroso, o cedente não se
responsabiliza pela solvência do devedor, salvo estipulação
em contrário.
D-Purga-se a mora por parte do credor, se este oferecer-se a
receber o pagamento e sujeitar-se aos efeitos da mora até a
mesma data.
E-No caso de dano causado por comportamento omissivo do
agente da administração pública, a responsabilidade do
Estado é subjetiva.
18 - 2009 - UESPI - PC-PI - UESPI - 2009 - PC-PI - Delegado
de Polícia
No que é pertinente às obrigações de 'dar', assinale a
alternativa correta.
A-Até a tradição pertence ao devedor a coisa, com os seus
melhoramentos e acrescidos, pelos quais poderá exigir
aumento no preço.
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B-Quando a coisa se deteriora, antes da entrega e sem culpa
do devedor, poderá o credor recebê-la no estado em que se
encontra, sem direito de exigir um abatimento no preço, uma
vez que, sem culpa do devedor, não há responsabilidade.
C-A obrigação de dar coisa certa só abrange os acessórios que
vierem expressamente mencionados.
D-No caso da coisa certa se perder antes da entrega, o
devedor não poderá alegar caso fortuito e força maior para
excluir sua responsabilidade.
E-A coisa certa será indicada, ao menos, pelo gênero e pela
quantidade.
19 - 2008 - PC-MG - PC-MG - PC-MG - 2008 - PC-MG -
Delegado de Polícia
As seguintes afirmativas concernentes às obrigações naturais
e ao pagamento indevido estão corretas, EXCETO
A-a dívida de jogo, por novação, poderá converter-se em
obrigação civil.
B-a obrigação natural não é exigível. Contudo, se o devedor
pagar espontaneamente, o pagamento será válido.
C-a obrigação natural pode ser garantida pelo próprio
devedor ou por terceiros. Contudo, a garantia oferecida pelo
próprio devedor não transforma a obrigação natural em civil.
D-fica isento de restituir pagamento indevido aquele que,
recebendo-o como parte de dívida verdadeira, inutilizou o
título, deixou prescrever a pretensão ou abriu mão das
garantias que asseguravam seu direito.
Respostas3
3 1: A 2: D 3: B 4: C 5: C 6: D 7: D 8: C 9: B 10: B 11: A 12: E 13: C 14: D 15: B 16: E 17: A 18: A 19: A
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META 2
DIREITO PROCESSUAL PENAL: PROVAS (PARTE I)
Olá pessoal. Antes de começarmos o estudo do nosso material, é importante lembrar que vários
dispositivos da L.13964/19 estão com a eficácia suspensa. Decidimos deixar os apontamentos no
material para o caso do STF julgar o mérito da ADI 6298.
Medidas cautelares concedidas para suspender sine die a eficácia:
(a) Da implantação do juiz das garantias e seus consectários (Artigos 3º-A, 3º-B, 3º-C, 3º-D, 3ª-
E, 3º-F, do Código de Processo Penal);
(b) Da alteração do juiz sentenciante que conheceu de prova declarada inadmissível (157,
§5º, do Código de Processo Penal);
(c) Da alteração do procedimento de arquivamento do inquérito policial (28, caput, Código
de Processo Penal); e
(d) Da liberalização da prisão pela não realização da audiência de custodia no prazo de 24
horas (Artigo 310, §4°, do Código de Processo Penal);
FOCO NA LEI SECA
TODOS OS ARTIGOS RELACIONADOS AO TEMA
CF/88
⦁ Art. 5º, XI e XII
⦁ Art. 5º, LV e LVI
⦁ Art. 5º, LXIII
⦁ Art. 93, IX
CÓDIGO PENAL
⦁ Art. 65, III
⦁ Art. 150
⦁ Art. 342
CÓDIGO DE PROCESSO PENAL
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⦁ Art. 3º-A
⦁ Art. 3º-C, §3º
⦁ Art. 6º, III
⦁ Art. 155 a 250 (engloba teoria geral da prova e provas em espécie)
⦁ Art. 260
⦁ Art. 366 e 367
⦁ Art. 400, 401, 406, §2º, 411, §2º
⦁ Art. 422
⦁ Art. 474
⦁ Art. 532
OUTROS DIPLOMAS LEGAIS
⦁ Art. 50, §1º, 57 e 54, III da Lei de Drogas
⦁ art. 7º, inc. XIX, da Lei 8.906/94
⦁ Lei 9296/96
ARTIGOS MAIS IMPORTANTES – NÃO DEIXE DE LER!
CF/88
⦁ Art. 5º, XI e XII
⦁ Art. 5º, LV e LVI
CPP
⦁ Art. 3ª-A e 3ª-C, §3º
⦁ Art. 155 a 157
⦁ Ar. 158 a 159
⦁ Art. 167, 168 e 169
⦁ Art. 182 e 184
⦁ Art. 185, caput, §§2º, 5º e 10º
⦁ Art. 187
⦁ Art. 197 e 200
⦁ Art. 203, 206 e 207
⦁ Art. 217 e 221
⦁ Art. 239
⦁ Art. 240 a 245
⦁ Art. 366
OUTROS DIPLOMAS LEGAIS
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⦁ Lei 9296/96 (há muita jurisprudência sobre interceptação telefônica feita de forma ilícita)
1. INTRODUÇÃO
1.1 Acepções da palavra prova
(LIMA, 2017, p. 583)
I- Prova como atividade probatória: conjunto de atividades de verificação e demonstração,
mediante as quais se procura chegar à verdade dos fatos relevantes para o julgamento. Nesse sentido,
identifica-se o conceito de prova com a produção dos meios e atos praticados no processo visando ao
convencimento do juiz sobre a veracidade (ou não) de uma alegação sobre um fato;
II- Prova como resultado: caracteriza-se pela formação da convicção do órgão julgador no curso do
processo quanto à existência (ou não) de determinada situação fática. É a convicção sobre os fatos alegados
pelas partes;
III- Prova como meio: instrumentos idôneos à formação da convicção do órgão julgador.
Destinatários da prova: são todos aqueles que devem formar uma convicção. Assim, o destinatário
é o órgão jurisdicional sobre o qual recai a competência para julgar o delito.
1.2 Espécies de prova
a Provas cautelares x antecipadas x não repetíveis
• Provas cautelares: aquelas em que há um risco de desaparecimento do objeto da prova em razão
do decurso do tempo, em relação às quais o contraditório será diferido. Podem ser produzidas na
fase investigatória ou na fase judicial e em regra dependem de autorização judicial;
• Provas não repetíveis: uma vez produzidas, não podem ser novamente coletadas ou produzidas,
em virtude do desaparecimento da fonte probatória. Podem ser produzidas na fase investigatória
e na fase judicial e em regra não dependem de autorização judicial;
• Provas antecipadas: são as produzidas com a observância do contraditório real, perante a
autoridade judicial, em momento processual distinto daquele legalmente previsto, ou até mesmo
antes do início do processo, em virtude de situação de urgência e relevância. É indispensável prévia
autorização judicial e elas podem ser produzidas na fase investigatória e em juízo.
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Obs.: Não se esqueça que as provas cautelares, antecipadas e irrepetíveis são exceções ao desvalor
probatório do inquérito policial, de modo que, quando produzidas em sede de investigação criminal, podem
ser utilizadas para fundamentar uma condenação.
b Prova direta e prova indireta (LIMA, 2017, p. 591):
• Prova direta: permite conhecer o fato por meio de uma única operação inferencial;
• Prova indireta: para alcançar uma conclusão acerca de um fato a provar, o juiz precisa realizar ao
menos duas operações inferenciais. Em um primeiro momento, a partir da prova indireta produzida,
chega à conclusão sobre a ocorrência de um fato, que ainda não é o fato a ser provado. Conhecido
esse fato, por meio de um segundo procedimento inferencial, chega ao fato a ser provado.
c Prova nominada x inominada
• Prova nominada: É aquela que tem previsão legal (o nomen iuris da prova tem previsão no CPP ou
em legislação especial), com ou sem procedimento probatório previsto em lei. Ex. quebra de sigilo
bancário, telefônico, bancários (no cartão de débito, pode-se descobrir várias coisas sobre a pessoa),
etc.
• Prova Inominada: É aquela que não tem previsão legal.
PROVA NOMINADA PROVA INOMINADA
É a prova prevista em lei, pouco
importando se o procedimento está
previsto em lei.
Ex: Exame de corpo de delito (art. 157,
CPP).
É a prova que não possui previsão legal. De
acordo com a doutrina, vigora no Processo Penal
o princípio da liberdade quanto aos meios de
prova. Assim, ainda que o meio de prova não
tenha previsão legal, será admitido, desde que
não seja uma prova ilícita, imoral e antiética.
Ex. reconhecimento fotográfico por e-mail em
casos de estupro.
d Prova típica x prova atípica
• Prova Típica: É aquela cujo procedimento probatório está previsto no texto da lei.
• Prova Atípica: É aquela que não tem procedimento probatório previsto em lei. Ex.:
reconhecimento de pessoas - é uma prova nominada e típica
PROVA TÍPICA PROVA ATÍPICA
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É a prova que possui seu procedimento
probatório previsto em lei. Ex.:
reconhecimento de pessoas (art. 226 do
CPP**).
Obs.: o reconhecimento é uma prova nominada
(previsto em lei) eIR
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DELEGADO DE POLÍCIA – TURMA 8
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Sumário
META 1 ............................................................................................................................................................ 11
DIREITO CIVIL: DAS OBRIGAÇÕES .................................................................................................................... 11
1. CONCEITO .................................................................................................................................................... 11
2. DIREITOS REAIS X DIREITOS OBRIGACIONAIS .............................................................................................. 11
3. DIREITOS OBRIGACIONAIS X DIREITOS DA PERSONALIDADE ...................................................................... 12
4. ELEMENTOS DA RELAÇÃO JURÍDICA OBRIGACIONAL .................................................................................. 13
4.1. Elemento Subjetivo ............................................................................................................................................... 13
4.2. Elemento Objetivo ................................................................................................................................................. 13
4.3. Elemento imaterial: vínculo jurídico ..................................................................................................................... 13
5. OBRIGAÇÕES ................................................................................................................................................ 14
6. MODALIDADES DE OBRIGAÇÕES ................................................................................................................. 15
6.1. Quanto à prestação (conteúdo) ............................................................................................................................ 15
6.2. Quanto ao elemento subjetivo .............................................................................................................................. 18
6.3. Quanto ao objeto .................................................................................................................................................. 21
6.4. Quanto à divisibilidade .......................................................................................................................................... 22
6.5. Quanto ao resultado ............................................................................................................................................. 24
6.6. Quanto ao conteúdo ............................................................................................................................................. 24
7. TRANSMISSÃO DAS OBRIGAÇÕES ............................................................................................................... 24
7.1. Cessão de crédito .................................................................................................................................................. 24
7.2. Cessão de débito ou assunção de dívida ............................................................................................................... 25
7.3. Cessão de contrato ................................................................................................................................................ 26
8. ADIMPLEMENTO E EXTINÇÃO DAS OBRIGAÇÕES ........................................................................................ 26
8.1. Pagamento direto .................................................................................................................................................. 26
8.2. Regras especiais de pagamento ............................................................................................................................ 27
9. INADIMPLEMENTO ...................................................................................................................................... 33
9.1. Inadimplemento absoluto ..................................................................................................................................... 33
9.2. Inadimplemento relativo ....................................................................................................................................... 33
9.3. Cláusula Penal ....................................................................................................................................................... 35
9.4. Arras Ou Sinal ........................................................................................................................................................ 37
9.5 Violação positiva dos contratos:............................................................................................................................. 39
QUESTÕES PROPOSTAS ................................................................................................................................... 42
META 2 ............................................................................................................................................................ 47
DIREITO PROCESSUAL PENAL: PROVAS (PARTE I) ........................................................................................... 47
1. INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................... 49
1.1 Acepções da palavra prova ..................................................................................................................................... 49
1.2 Espécies de prova ................................................................................................................................................... 49
1.3 Terminologia da Prova............................................................................................................................................ 54
1.4 Indícios ............................................................................................................................................................ 55
2. OBJETO DA PROVA ...................................................................................................................................... 57
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probatório previsto em lei).
É a prova que não possui seu procedimento
previsto em lei. Ex.: reconstituição do crime e
interceptação ambiental.
Obs.: é prova nominada (prevista em lei) e
atípica (procedimento não está previsto m lei).
** DO RECONHECIMENTO DE PESSOAS E COISAS
Art. 226. Quando houver necessidade de fazer-se o reconhecimento de pessoa,
proceder-se-á pela seguinte forma:
I - a pessoa que tiver de fazer o reconhecimento será convidada a descrever a
pessoa que deva ser reconhecida;
Il - a pessoa, cujo reconhecimento se pretender, será colocada, se possível, ao lado
de outras que com ela tiverem qualquer semelhança, convidando-se quem tiver de
fazer o reconhecimento a apontá-la;
III - se houver razão para recear que a pessoa chamada para o reconhecimento, por
efeito de intimidação ou outra influência, não diga a verdade em face da pessoa
que deve ser reconhecida, a autoridade providenciará para que esta não veja
aquela;
IV - do ato de reconhecimento lavrar-se-á auto pormenorizado, subscrito pela
autoridade, pela pessoa chamada para proceder ao reconhecimento e por duas
testemunhas presenciais.
Parágrafo único. O disposto no III deste artigo não terá aplicação na fase da
instrução criminal ou em plenário de julgamento.
O art. 226 do CPP estabelece formalidades para o reconhecimento de pessoas (reconhecimento
pessoal). O descumprimento dessas formalidades enseja a nulidade do reconhecimento?
• 1ª C - NÃO. Posição pacífica da 5ª Turma. As disposições contidas no art. 226 do CPP configuram uma
recomendação legal, e não uma exigência absoluta. Assim, é válido o ato mesmo que realizado de forma
diversa da prevista em lei. STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp 1665453/SP, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado
em 02/06/2020.
• 2ª C - SIM. Há recente julgado da 6ª Turma do STJ, que fixou as seguintes conclusões:
d.1 O reconhecimento de pessoas deve observar o procedimento previsto no art. 226 do Código de
Processo Penal, cujas formalidades constituem garantia mínima para quem se encontra na
condição de suspeito da prática de um crime;
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d.2 À vista dos efeitos e dos riscos de um reconhecimento falho, a inobservância do procedimento
descrito na referida norma processual torna inválido o reconhecimento da pessoa suspeita e não
poderá servir de lastro a eventual condenação, mesmo se confirmado o reconhecimento em juízo;
d.3 Pode o magistrado realizar, em juízo, o ato de reconhecimento formal, desde que observado o
devido procedimento probatório, bem como pode ele se convencer da autoria delitiva a partir do
exame de outras provas que não guardem relação de causa e efeito com o ato viciado de
reconhecimento;
d.4 O reconhecimento do suspeito por simples exibição de fotografia(s) ao reconhecedor, a par de
dever seguir o mesmo procedimento do reconhecimento pessoal, há de ser visto como etapa
antecedente a eventual reconhecimento pessoal e, portanto, não pode servir como prova em ação
penal, ainda que confirmado em juízo. STJ. 6ª Turma. HC 598886-SC, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz,
julgado em 27/10/2020 (Info 684).
Recentemente, houve nova decisão do STF sobre o reconhecimento de pessoas:
A desconformidade ao regime procedimental determinado no art. 226 do CPP deve
acarretar a nulidade do ato e sua desconsideração para fins decisórios, justificando-
se eventual condenação somente se houver elementos independentes para
superar a presunção de inocência. STF. 2ª Turma. RHC 206846/SP, Rel. Min. Gilmar
Mendes, julgado em 22/2/2022 (Info 1045).
O reconhecimento(fotográfico ou presencial) efetuado pela vítima, em sede inquisitorial, não constitui
evidência segura da autoria do delito, dada a falibilidade da memória humana, que se sujeita aos efeitos
tanto do esquecimento, quanto de emoções e de sugestões vindas de outras pessoas que podem gerar
“falsas memórias”, além da influência decorrente de fatores, como, por exemplo, o tempo em que a vítima
esteve exposta ao delito e ao agressor; o trauma gerado pela gravidade do fato; o tempo decorrido entre o
contato com o autor do delito e a realização do reconhecimento; as condições ambientais (tais como
visibilidade do local no momento dos fatos); estereótipos culturais (como cor, classe social, sexo, etnia etc.)
O reconhecimento fotográfico serve como prova apenas inicial e deve ser ratificado
por reconhecimento presencial, assim que possível. E, no caso de uma ou ambas as
formas de reconhecimento terem sido efetuadas, em sede inquisitorial, sem a
observância (parcial ou total) dos preceitos do art. 226 do CPP e sem justificativa
idônea para o descumprimento do rito processual, ainda que confirmado em juízo,
o reconhecimento falho se revelará incapaz de permitir a condenação, como regra
objetiva e de critério de prova, sem corroboração do restante do conjunto
probatório, produzido na fase judicial. STJ. 5ª Turma. HC 652284/SC, Rel. Min.
Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 27/04/2021.
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Vimos acima julgados, o STJ e STF compartilham do mesmo entendimento. Se a nulidade do
reconhecimento só foi decretada depois de o réu ter sido condenado, isso significa que ele deverá ser
absolvido? Ex: o réu foi condenado pelo juiz; em apelação, o TJ decide que o reconhecimento foi nulo
porque descumpriu as formalidades; esse réu será absolvido?
Depende:
• Se a condenação somente se fundamentou no reconhecimento: sim. O réu deverá ser necessariamente
absolvido.
• Se a condenação se baseou também em outros elementos de prova independentes e não contaminados:
não. Neste caso, a condenação poderá ser mantida.
Desse modo, se declarada a irregularidade do ato, eventual condenação já proferida poderá ser mantida, se
fundamentada em provas independentes e não contaminadas.
(fonte: dizer o direito).
Caiu na prova Delegado AM – 2022! Sobre o reconhecimento fotográfico, de acordo com a atual
orientação do STJ, é correto afirmar que o reconhecimento fotográfico realizado na investigação serve
apenas como prova inicial, dependendo de posteriormente haver reconhecimento pessoal. (Item
correto).
e Prova anômala x prova irritual:
PROVA ANÔMALA PROVAIRRITUAL
É aquela utilizada para fins diversos
daqueles que lhe são próprios, com
características de outra prova típica, ou
seja, existe meio de prova legalmente
previsto para a colheita da prova. Porém,
deixa-se de lado esse meio de prova para
valer-se de outro. É prova obtida por meios
ilegítimos, podendo caracterizar uma
nulidade absoluta ou relativa, a depender
do caso concreto.
Ex.: a testemunha - seu conhecimento deve
vir aos autos através de um depoimento
prestado em juízo, e não através de uma
É aquela produzida sem a observância do
modelo típico previsto em lei. É prova
ilegítima.
Ex.: reconhecimento em juízo que não
segue o procedimento descrito no art. 226
do CPP.
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mera certidão juntada aos autos, sob pena
de violação aos princípios do contraditório
e da ampla defesa
1.3 Terminologia da Prova
Fonte de Prova x Meio de Prova x Meio de Obtenção de Prova:
Segundo Renato Brasileiro:
• Fontes de prova: “derivam do fato delituoso em si, independentemente da existência do processo,
sendo que sua introdução no feito se dá através dos meios de prova”.
• Meios de prova: “dizem respeito a uma atividade endoprocessual que se desenvolve perante o juiz,
com a participação dialética das partes, cujo objetivo precípuo é a fixação de dados probatórios no
processo”
• Meios de obtenção de prova: “referem-se a certos procedimentos, em regra, extraprocessuais, que
têm como objetivo precípuo a identificação de fontes de prova”.
FONTE DE PROVA
MEIO DE PROVA
MEIO DE OBTENÇÃO DE
PROVA
Cometido o fato delituoso,
tudo aquilo que possa
esclarecer alguém cerca do
crime pode ser conceituado
como fonte de prova (ex.
pessoas, coisas).
Portanto, a fonte de prova
deriva do fato delituoso em
si, independentemente da
existência do processo,
sendo que sua introdução
nos autos do processo
ocorre através dos meios de
prova.
Ex. Renato está com uma
arma na mão, aponta para
São os instrumentos através dos
quais as fontes de prova são
introduzidas no processo.
Dizem respeito a uma atividade
endoprocessual, que se
desenvolve perante o juiz, com
a participação das partes, em
fiel observância ao
contraditório e à ampla defesa.
Ex. a pessoa que presenciou o
crime praticado por Renato, ao
prestar o depoimento, passará a
ser um meio de prova. A arma da
prática do crime para se tornar
um meio de prova, deve ser
apreendida, periciada, etc.
Refere-se a certos
procedimentos, em regra
extraprocessuais, geralmente
realizados por outros agentes
que não o juiz, cujo objetivo é
a identificação das fontes de
prova.
Nesse caso, o contraditório
será diferido, ou postergado.
Esse é o trabalho da
autoridade policial. Não se
pode dar ciência a uma pessoa
da investigação, senão ela vai
tentar dificultar a investigação.
Ex. interceptação telefônica.
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alguém, atira e a pessoa
morre. Após, ele deixa a arma
em cima da mesa. As pessoas
na sala de aula que
presenciaram o crime são
fonte de prova, pois elas têm
conhecimento sobre o fato
delituoso. A arma também é
fonte de prova. Futuramente
essas pessoas serão
chamadas a depor em juízo.
O depoimento em juízo é que
será o meio de prova.
CESPE/2020: Documento público que comprove determinado fato delituoso sob investigação e que seja
apreendido no cumprimento de mandado de prisão funcionará como meio de prova, enquanto o mandado
de busca será caracterizado como meio de obtenção de fontes materiais de prova. Item correto.
1.4 Indícios
a Sinônimo de prova indireta
Inicialmente, é necessário entender o significado de prova direta. Prova direta é aquela que permite
conhecer o fato por meio de uma única operação inferencial. Cita-se, como exemplo, o homicídio realizado
na frente de outra pessoa
Por outro lado, na prova indireta para chegar a determinada conclusão o juiz é obrigado a realizar
pelo menos duas operações inferenciais. Por exemplo, gato e rato em uma caixa fechada, só sai o gato,
testemunha só vê o gato saindo. Prova-se que saiu apenas o gato de lá, mas não se tem a prova direta que
ele comeu o rato, é uma prova indireta, pois o rato não está em nenhum lugar.
CPP, art. 239: Considera-se indício a circunstância conhecida e provada, que, tendo
relação com o fato, autorize, por indução, concluir-se a existência de outra ou
outras circunstâncias.
Pergunta-se: é possível condenar alguém com base em indícios (usado como sinônimo de prova
indireta)?
R.: SIM, desde que se trate de indícios plurais, coerentes e coesos, e não de um único indício isolado.
Observe como o tema foi cobrado na prova do TRF4: A prova indiciária, também chamada de circunstancial,
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tem o mesmo valor das provas diretas, como se atesta na Exposição de Motivos do Código de Processo Penal,
em que se afirma não haver hierarquia de provas por não existir necessariamente maior ou menor prestígio
de uma com relação a qualquer outra. Correta!
Uma nota importante: A jurisprudência entende que a testemunha de “ouvir dizer” – conhecida no
direito norte-americano como hearsayrule – não produz um depoimento confiável e, portanto, não serve
como indício de autoria.
O testemunho por ouvir dizer (hearsayrule), produzido somente na fase
inquisitorial, não serve comofundamento exclusivo da decisão de pronúncia, que
submete o réu a julgamento pelo Tribunal do Júri. STJ. 6ª Turma. REsp 1373356-BA,
Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 20/4/2017 (Info 603).
b Sinônimo de prova semiplena:
Prova semiplena é uma prova de menor valor persuasivo, não autoriza um juízo de certeza, mas de
mera probabilidade.
É considerada relevante quando houver decretação de medidas cautelares (fumus comissi delicti):
CPP, art. 312 - A prisão preventiva poderá ser decretada como garantia da ordem
pública, da ordem econômica, por conveniência da instrução criminal, ou para
assegurar a aplicação da lei penal, quando houver prova (juízo de certeza) da
existência do crime e indício (prova semiplena) suficiente de autoria e de perigo
gerado pelo estado de liberdade do imputado.
Pergunta-se: é possível condenar alguém com base em uma prova semiplena?
R.: NÃO!
ATENÇÃO: Delegado de polícia trabalha com indícios e não com provas no caso concreto.
Pergunta-se: É possível a pronúncia do acusado baseada exclusivamente em elementos informativos
obtidos na fase inquisitorial?
• 1ª C - NÃO. Haverá violação ao art. 155 do CPP. Além disso, muito embora a análise aprofundada
seja feita somente pelo Júri, não se pode admitir, em um Estado Democrático de Direito, a pronúncia
sem qualquer lastro probatório colhido sob o contraditório judicial, fundada exclusivamente em
elementos informativos obtidos na fase inquisitorial. Nesse sentido: STJ. 5ª Turma. HC 560.552/RS,
Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 23/02/2021. STJ. 6ª Turma. HC 589.270, Rel. Min. Sebastião Reis
Júnior, julgado em 23/02/2021.
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É a posição que tem prevalecido, devendo ser adotada em
provas objetivas!
• 2ª C - SIM. É possível admitir a pronúncia do acusado com base em indícios derivados do inquérito
policial, sem que isso represente afronta ao art. 155. Embora a vedação imposta no art. 155 se
aplique a qualquer procedimento penal, inclusive dos do Júri, não se pode perder de vista o objetivo
da decisão de pronúncia não é o de condenar, mas apenas o de encerrar o juízo de admissibilidade
da acusação (iudicium accusationis). Na pronúncia opera o princípio in dubio pro societate, porque
é a favor da sociedade que se resolvem as dúvidas quanto à prova, pelo Juízo natural da causa.
Constitui a pronúncia, portanto, juízo fundado de suspeita, que apenas e tão somente admite a
acusação. Não profere juízo de certeza, necessário para a condenação, motivo pelo qual a vedação
expressa do art. 155 do CPP não se aplica à referida decisão. Nesse sentido: STJ. 5ª Turma. AgRg no
AgRg no AREsp 1702743/GO, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 15/12/2020. STJ. 6ª Turma.
AgRg no AREsp 1609833/RS, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 06/10/2020.
→ Futuro Delta, atenção a alguns termos importantes referentes à Provas:
a) Vestígio: “todo objeto ou material bruto, visível ou latente, constatado ou recolhido, que se relaciona à
infração penal” (art. 158-A, §3º, CPP).
b) Evidência: é o vestígio que, após as devidas análises, tem constatada, técnica e cientificamente, sua relação
com o fato periciado.
c) Indício: “circunstância conhecida e provada, que, tendo relação com o fato, autorize, por indução, concluir-
se a existência de outra ou outras circunstâncias” (art. 239 do CPP).
d) Prova: é o meio de se demonstrar a verdade de um fato, destinando-se à formação do livre convencimento
motivado do juiz. É produzida sob o crivo do contraditório e da ampla defesa.
e) Elementos de informação: aqueles colhidos na fase inquisitorial (pré-processual), com a finalidade de
embasar a opinio delicti do órgão acusador. Também viabilizam a decretação de medidas cautelares. Em geral,
não autorizam uma condenação, pois não foram formados mediante o contraditório e a ampla defesa.
2. OBJETO DA PROVA
Trata-se da verdade (ou falsidade) de uma afirmação sobre um fato que interessa à solução do
processo.
PRECISA SER PROVADO NÃO PRECISA SER PROVADO
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- Imputação constante da peça acusatória.
Obs.: Cabe à acusação provar nexo causal, fato
típico, autoria, participação, dolo e culpa.
Cabendo à defesa provar os fatos modificativos,
extintivos e impeditivos.
- Os costumes devem ser provados. Ex: furto
praticado durante o repouso noturno,
dependerá do lugar onde ocorre - Vigência de
regulamentos e portarias.
OBS: se a portaria é complemento de uma
norma penal em branco, presume-se que o juiz
a conhece.
Ex: Portaria 344 da ANVISA, complemento da lei
de drogas.
- Direito estrangeiro, estadual e municipal,
salvo em relação a localidade em que exerce
jurisdição Obs.: O juiz está obrigado a conhecer
o direito estadual e municipal APENAS da
localidade em que exerce jurisdição.
- Fatos não contestados ou incontroversos.
Obs.: Diversamente do que ocorre no Processo
Civil, não existe confissão presumida no
Processo Penal.
CPP, art. 197: O valor da confissão se aferirá
pelos critérios adotados para os outros
elementos de prova, e para a sua apreciação o
juiz deverá confrontá-la com as demais provas
do processo, verificando se entre ela e esta
existe compatibilidade ou concordância.
ATENÇÃO! Em relação ao acusado revel, os
fatos NÃO se presumem verdadeiros, tendo em
- Fatos axiomáticos ou intuitivos: são
evidentes. Ex: cocaína causa dependência, não
precisa provar.
- Fatos inúteis: não interessam à causa.
- Presunções legais: afirmação da lei, de que
um fato é existente ou verdadeiro,
independentemente de prova.
Pode ser:
• Absoluta (iurie et de iure): não admite prova
em contrário. Exemplo: inimputabilidade do
menor de 18 anos.
• Relativa (iuris tantum): admite prova em
contrário. Inverte o ônus da prova
Obs.: a presunção de violência nos crimes
sexuais não mais subsiste. O simples fato de
manter uma relação sexual com menorde 14
anos configura uma elementar do crime de
estupro de vulnerável. Nesse sentindo:
Súmula 593 STJ: O crime de estupro de
vulnerável se configura com a conjunção
carnal ou prática de ato libidinoso com menor
de 14 anos, sendo irrelevante eventual
consentimento da vítima para a prática do ato,
sua experiência sexual anterior ou existência
de relacionamento amoroso com o agente.
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vista a regra probatória que deriva do princípio
da presunção de inocência.
O único efeito da revelia no Processo Penal é a
desnecessidade de intimação do acusado para
os demais atos processuais, salvo em se
tratando de sentença condenatória ou
absolutória imprópria.
3. PROVA EMPRESTADA
Segundo Renato Brasileiro, “consiste na utilização em um processo de prova que foi produzida em
outro, sendo que esse “transporte” da prova é feito por meio de certidão extraída daquele”.
• Forma: Deve ser feita através de documentos.
• Valor probatório: A prova emprestada terá o mesmo valor que possuía no processo de origem.
• Requisitos: O contraditório deverá ter sido observado quanto às mesmas partes no processo de origem.
Do contrário, é considerada uma prova documental, não tendo o valor de prova emprestada.
Nesse sentindo, o art. 372 do NCPC: O juiz poderá admitir a utilização de prova produzida em outro
processo (prova emprestada), atribuindo-lhe o valor que considerar adequado, observado o contraditório.
A CF, ao tratar sobre interceptação telefônica, afirma que só pode ser utilizada em investigação
criminal ou no curso da instrução criminal (reserva constitucional QUALIFICADA). Assim, pelo menos em tese,
não é possível interceptação telefônica em processo administrativo e em processo cível. Contudo, é
perfeitamente possível ser utilizada em processo cível ou administrativo a título de prova emprestada, eis
que o contraditório já foi exercido no processo criminal.
Este é o entendimento do STF, vejamos:
STF: “(...) A jurisprudência desta Corte admite o uso de prova emprestada em
processo administrativo disciplinar, em especial a utilização de interceptações
telefônicas autorizadas judicialmente para investigação criminal. Precedentes.
Recurso ordinário a que se nega provimento”. (STF, 1ª Turma, RMS 28.774/DF, Rel.
Min. Roberto Barroso, j. 09/08/2016).
Compartilhamento no inquérito civil das provas colhidas em investigação criminal
mesmo que acobertadas pelo sigilo
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PREPARAÇÃO EXTENSIVA
DELEGADO DE POLÍCIA – TURMA 8
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É possível compartilhar as provas colhidas em sede de investigação criminal para
serem utilizadas, como prova emprestada, em inquérito civil público e em outras
ações decorrentes do fato investigado. Esse empréstimo é permitido mesmo que
as provas tenham sido obtidas por meio do afastamento ("quebra") judicial dos
sigilos financeiro, fiscal e telefônico. STF. 1ª Turma. Inq 3305 AgR/RS, Rel. Min.
Marco Aurélio, red. p/ o acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em 23/2/2016 (Info
815).
O STJ possui o mesmo entendimento:
Súmula 591 STJ - É permitida a prova emprestada no processo administrativo
disciplinar, desde que devidamente autorizada pelo juízo competente e respeitados
o contraditório e a ampla defesa.
Obs.: O STJ possui julgados em que afirma que é possível a prova emprestada proveniente de ação
penal que não participaram as partes.
Renato Brasileiro, no enanto, salienta que este entendimento é equivocado, uma vez que não há
como chamar de prova emprestada a prova produzida sem a participação da parte. Seria, em verdade,
prova documental.
STJ: “(...) Consolidou-se a jurisprudência desta Corte Superior de Justiça no sentido
da admissibilidade, uma vez observado o devido contraditório, de prova
emprestada (PROVA DOCUMENTAL) proveniente de ação penal da qual não
participaram as partes do feito para o qual a prova será trasladada”. (STJ, 6ª Turma,
AgRg no REsp 1.471.625/SC, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, DJe
10/06/2015).
4. PRINCÍPIO DA NÃO AUTOINCRIMINAÇÃO X TEORIA GERAL DA PROVA
a Conceito
A garantia da não autoincriminação consiste no direito de não produzir prova contra si próprio, essa
garantia vem sendo muito cobrada em prova no termo em latim “nemo tenetur se detegere” que está
positivado no artigo 8º, g, do Pacto de São José da Costa Rica que que garante a pessoa o “direito de não
ser obrigado a depor contra si mesma, nem a declarar-se culpada”.
b Previsão Normativa
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Na CF/88 - art. 5º, LXIII, através da menção ao direito ao silêncio, que é um dos desdobramentos do
princípio do nemo tenetur se detegere.
Art.5º, LXIII, CF - O preso será informado de seus direitos, entre os quais o de
permanecer calado, sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado;
Na CADH - art.8º, item 2, alínea “g”:
Artigo 8º, item 2, CADH – (...) Durante o processo, toda pessoa tem direito, em
plena igualdade, às seguintes garantias mínimas:(...) g) direito de não ser obrigado
a depor contra si mesma, nem a declarar-se culpada;
c Desdobramentos do Princípio da Não Autoincriminação:
1 Direito ao silêncio – consiste no direito de não responderàs perguntas formuladas pela autoridade,
funcionando como espécie de manifestação passiva de defesa. É uma forma de se exercer a
autodefesa.
2 Direito de não ser constrangido a confessar a prática de ilícito penal
3 Inexigibilidade de dizer a verdade ou direito de mentir – Cuidado! Mentiras defensivas são toleradas
pelo ordenamento jurídico, porém mentiras agressivas, incriminadoras de 3º não estão sob o manto
do direito de defesa.
4 Direito de não praticar qualquer comportamento ativo que possa incriminá-lo – consiste no direito
de não adotar comportamentos ativos que colaborem com a atividade persecutória do Estado.
5 Direito de não produzir nenhuma prova incriminadora invasiva - A prova invasiva é aquela que
envolve penetração no organismo humano, para extração ou utilização de alguma parte dele. Ou
seja: se a prova for invasiva, a pessoa não precisa fazer. Ex. DNA, esperma, saliva, pele, unha
CESPE/2018: Por força do princípio da verdade real, se uma autoridade policial determinar que um indiciado
forneça material biológico para a coleta de amostra para exame de DNA cujo resultado poderá constituir
prova para determinar a autoria de um crime, o indiciado estará obrigado a cumprir a determinação. Item
incorreto.
Obs.1: A CF/88 prevê que o investigado/acusado seja expressamente informado sob o direito ao silêncio,
sob pena de nulidade das provas obtidas.
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Leading case – interrogatório sub-reptício: HC 80949
EMENTA HC 80.949:. 3. Ilicitude decorrente - quando não da evidência de estar o
suspeito, na ocasião, ilegalmente preso ou da falta de prova idônea do seu
assentimento à gravação ambiental - de constituir, dita "conversa informal",
modalidade de "interrogatório" sub-reptício, o qual - além de realizar-se sem as
formalidades legais do interrogatório no inquérito policial (C.Pr.Pen., art. 6º, V) -,
se faz sem que o indiciado seja advertido do seu direito ao silêncio. 4. O privilégio
contra a auto-incriminação – nemo tenetur se detegere -, erigido em garantia
fundamental pela Constituição -além da inconstitucionalidade superveniente da
parte final do art. 186 C.Pr.Pen. - importou compelir o inquiridor, na polícia ou em
juízo, ao dever de advertir o interrogado do seu direito ao silêncio: a falta da
advertência - e da sua documentação formal -faz ilícita a prova que, contra si
mesmo, forneça o indiciado ou acusado no interrogatório formal e, com mais razão,
em "conversa informal" gravada, clandestinamente ou não
Obs.2: Testemunhas também são destinatárias da garantia da não autoincriminação? (questão prova oral
Amapá, Delegado, 2017)
R.: Em regra, as testemunhas são obrigadas a se manifestar, sob pena de praticarem o crime de
desobediência ou falso testemunho. No entanto, quando a resposta a determinada pergunta puder importar
em autoincriminação, elas podem sim se valer do direito ao silêncio. Dessa forma, as testemunhas são
titulares da garantia constitucional ao silêncio (direito a não autoincriminação), mas seu exercício é
realizado pontualmente em relação a perguntas cujas respostas podem importar autoincriminação.
Veja a jurisprudência sobre o tema:
Inf. 754, STF. Se o indivíduo é convocado para depor como testemunha em uma
investigação e, durante o seu depoimento, acaba confessando um crime, essa
confissão não é válida se a autoridade que presidia o ato não o advertiu
previamente de que ele não era obrigado a produzir prova contra si mesmo, tendo
o direito de permanecer calado. STF. 2ª Turma, 2014.
Inf. 816, STF:Determinada pessoa foi convocada a depor na condição de
testemunha. Antes de iniciar o depoimento, ela assinou termo no qual assumiu o
compromisso de dizer a verdade. O termo dizia que "a depoente compromete-se a
dizer a verdade, ressalvadas as garantias constitucionais aplicáveis".
Posteriormente, descobriu-se que essa pessoa também estaria envolvida no
esquema criminoso, razão pela qual foi denunciada. O STF entendeu que não houve
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nulidade neste depoimento porque, embora a denunciada tenha sido ouvida na
condição de testemunha, assumindo o compromisso de dizer a verdade, consta
do termo de depoimento que ela foi informada de que estavam ressalvadas
daquele compromisso “as garantias constitucionais aplicáveis”. Logo, foi a ela
conferido o direito de não responder a perguntas cujas respostas pudessem
eventualmente acarretar sua autoincriminação. STF. Plenário.
Obs.3: O silêncio do indiciado/acusado é uma garantia constitucional e não pode ser explorado em seu
desfavor.
5. PROVAS INADMISSÍVEIS
• Considerações iniciais: A vedação de provas ilícitas está amparada no Estado Democrático de Direito.
Não é admissível que o Estado tenha uma postura delituosa na produção de provas. Agindo assim, o
Estado, estaria se nivelando ao próprio criminoso.
• Fundamento: Proteção aos direitos fundamentais.
De nada adiantaria a CF prever a inviolabilidade das ligações telefônicas, por exemplo, se fosse
permitido ao Estado grampear sem autorização judicial. Ou, ainda, não faria sentindo proteger o domicílio
se fosse permitido a entrada sem mandado ou flagrante para fazer buscas.
Como todo e qualquer direito fundamental, o direito à prova não tem natureza absoluta. Está sujeito
a limitações porque coexiste com outros direitos igualmente protegidos pelo ordenamento jurídico.
• Previsão Constitucional: A Constituição Federal, em seu art. 5º, LVI, veda a admissibilidade de provas
obtidas por meios ilícitos.
CF, art. 5º, LVI: “são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios
ilícitos;”.
5.1 Distinção Entre Prova Ilícita e Prova Ilegítima
A distinção foi trazida para o Brasil por Ada Pellegrini, mas é uma criação de Pietro Novolone.
PROVA ILÍCITA PROVA ILEGÍTIMA
É a prova produzida com violação à regra de
direito material.
É a prova produzida com violação à regra de
direito processual.
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Obs.: o art. 157, caput, do CPP conceituou
“provas ilícitas” como: “obtidas em violação a
normas constitucionais ou legais”. No entanto,
a redação não é clara, pois deixa dúvidas se as
“normas legais” seriam somente de direito
material ou de direito material e processual.
Há duas correntes:
- Interpretação extensiva: o conceito de prova
ilícita, a partir da reforma processual de 2008,
passou a abranger o conceito de prova
ilegítima. Como a lei não estabeleceu nenhuma
distinção, a prova ilícita violaria tanto uma
norma legal de direito material como também
uma norma legal de direito processual. Assim, a
distinção não teria mais sentido algum.
- Interpretação restritiva: quando o dispositivo
faz referência às “normas legais” ele estaria
fazendo menção apenas às normas legais de
direito material.
Ex art. 479, CPP;
Momento: É produzida antes do processo
(extraprocessual).
Ex: Confissão obtida mediante tortura.
Obs.: é possível que haja prova ilícita dentro do
processo, por exemplo, o juiz não adverte o
acusado que possui direito ao silêncio.
Momento: É produzida no curso do processo
(endoprocessual)
Ex: Exame cadavérico feito por apenas um
perito não oficial (deveriam ser dois)
Consequências: Por serem inadmissíveis,
deverão ser excluídas (desentranhadas) do
processo, nos termos do art. 157, §3º do CP.
Consequências: Declaração de nulidade
(absoluta ou relativa) – aplica-se a Teoria das
Nulidades.
O reconhecimento da prova ilícita ou da prova ilegítima que enseja a nulidade absoluta tem como
consequência imediata o desentranhamento dos autos e sua inutilização, para que não se possa influenciar
indevidamente o convencimento do magistrado.
Cuidado!!! O que deve ser desentranhado dos autos é a PROVA, e não os autos processuais que
fazem menção à prova ilícita. Assim já decidiu o STF:
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As peças processuais que fazem referência à prova declarada ilícita não devem
ser desentranhadas do processo. Se determinada prova é considerada ilícita, ela
deverá ser desentranhada do processo. Por outro lado, as peças do processo que
fazem referência a essa prova (exs: denúncia, pronúncia etc.) não devem ser
desentranhadas e substituídas. A denúncia, a sentença de pronúncia e as demais
peças judiciais não são "provas" do crime e, por essa razão, estão fora da regra que
determina a exclusão das provas obtidas por meios ilícitos prevista art. 157 do CPP.
Assim, a legislação, ao tratar das provas ilícitas e derivadas, não determina a
exclusão de "peças processuais" que a elas façam referência. STF. 2ª Turma. RHC
137368/PR, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 29/11/2016 (Info 849).
STF determinou o desentranhamento do termo de colaboração premiada de
Antônio Palocci do processo penal que tramita contra Lula, cuja juntada aos autos
teria sido promovida indevidamente, de ofício, pelo ex-Juiz Sérgio Moro. A defesa
do ex-Presidente Lula impetrou habeas corpus no STF pedindo o
desentranhamento do “Termo de Colaboração de Antônio Palocci Filho”, cuja
juntada aos autos foi promovida de ofício, pelo então Juiz Federal Sérgio Moro. O
STF entendeu que essa juntada foi ilícita e determinou o seu desentranhamento.
Os Ministros apontaram três circunstâncias envolvendo essa conduta que
revelariam a parcialidade do magistrado na condução do processo: Em primeiro
lugar, o termo de colaboração foi juntado quando a fase de instrução processual
havia sido encerrada, de forma que as declarações sequer estariam aptas a
fundamentar a prolação da sentença. Em segundo, aconteceu cerca de três meses
após a decisão judicial que o homologara. Para os Ministros, essa demora parece
ter sido cuidadosamente planejada para gerar verdadeiro fato político na semana
que antecedia o primeiro turno das eleições presidenciais. Ato contínuo à juntada,
foi determinado o imediato levantamento do sigilo, com clara finalidade de que
fosse dada publicidade às imputações dirigidas ao réu, sem que as circunstâncias
narradas no ajuste fossem relevantes para a ação penal em andamento. Em
terceiro, o fato de a juntada e o levantamento do sigilo terem ocorrido por iniciativa
do próprio juiz, isto é, sem qualquer provocação do órgão acusatório. A
determinação da juntada desse termo de delação, nesses moldes, consubstancia
inequívoca quebra da imparcialidade. STF. 2ª Turma. HC 163943 AgR/PR, rel. orig.
Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 4/8/2020
(Info 985).
A prova ilícita não será inutilizada quando:
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PREPARAÇÃO EXTENSIVA
DELEGADO DE POLÍCIA – TURMA 8
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1 Quando a prova PERTENCER LICITAMENTE a alguém
− Pode ser que essa prova ilícita que foi desentranhada do processo seja um objeto qualquer que
pertence de maneira lícita a um terceiro.
− Ex. alguém viola o domicílio de alguém e pega uma carta. Se essa carta é reconhecida como ilícita
num futuro processo, ela não precisa ser destruída, pois a carta, em si, é um objeto lícito
pertencente a alguém.
2ª) Quando a PROVA ILÍCITA CONSISTIR NO CORPO DE DELITO em relação àquele que praticou um crime
para obtê-la.
− A prova ilícita pode ser a prova do crime da pessoa que a produziu.
− Ex. Caso dos policiais que foram apurar um crime de corrupção supostamente praticado por uma
escrivã e tiraram a roupa da mulher à força (para pegar o dinheiro de corrupção que ela
supostamente guardava na calcinha). Ospoliciais, inclusive, gravaram todo o fato. Se, no processo
de apuração da corrupção, essa prova for reconhecida como ilícita, não pode ela ser destruída,
porque ela prova a prática de crime de abuso de autoridade ou constrangimento ilegal por parte dos
policiais.
5.2 TEORIA DA PROVA ILÍCITA POR DERIVAÇÃO:
São meios probatórios que, não obstante lícitos em sua essência, decorrem de prova anteriormente
obtida por meios ilícitos, restando, dessa forma, contaminados pela ilicitude originária. Exemplo: confissão
de homicídio mediante tortura.
A prova ilícita por derivação é uma aplicação da teoria americana da árvore dos frutos envenenados,
segundo a qual o defeito existente no tronco contamina os frutos.
A prova ilícita por derivação surge no Direito Americano, no julgado Silverthorne Lumber Co. X EUA
(1920) e depois outro julgado em 1939 (Caso Nardone x EUA). A partir desse segundo julgado, começa a ser
utilizada a chamada Teoria dos Frutos da Árvore envenenada (“fruits of poisonous tree theory”).
No Brasil, ao julgar o HC 80.949, o STF considerou ilícita uma gravação feita por policiais de confissão
do acusado sem que houvesse advertência formal quanto ao direito ao silêncio.
Essa Teoria era somente adotada pela jurisprudência, mas com a reforma do CPP em 2008, tornou-
se texto legal (art. 157, §1º):
Art. 157, § 1o São também inadmissíveis AS PROVAS DERIVADAS DAS ILÍCITAS,
salvo quando não evidenciado o nexo de causalidade entre umas e outras, ou
quando as derivadas puderem ser obtidas por uma fonte independente das
primeiras.
Veja uma decisão em que o STJ aborda expressamente a Teoria (REsp 1.630.097/RJ – 5ª T. STJ)
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O Tribunal de origem considerou que, embora nada de ilícito houvesse sido
encontrado em poder do acusado, a prova da traficância foi obtida em flagrante
violação ao direito constitucional à não autoincriminação, uma vez que aquele foi
compelido a reproduzir, contra si, conversa travada com terceira pessoa pelo
sistema viva-voz do celular, que conduziu os policiais à sua residência e culminou
com a arrecadação de todo material estupefaciente em questão. 2. Não se cogita
estar diante de descoberta inevitável, porquanto este fenômeno ocorre quando a
prova derivada seria descoberta de qualquer forma, com ou sem a prova ilícita, o
que não se coaduna com o caso aqui tratado em que a prova do crime dependeu
da informação obtida pela autoridade policial quando da conversa telefônica
travada entre o suspeito e terceira pessoa. 3. O relato dos autos demonstra que a
abordagem feita pelos milicianos foi obtida de forma involuntária e coercitiva, por
má conduta policial, gerando uma verdadeira autoincriminação. Não se pode
perder de vista que qualquer tipo de prova contra o réu que dependa dele mesmo
só vale se o ato for feito de forma voluntária e consciente.4. Está-se diante de
situação onde a prova está contaminada, diante do disposto na essência da teoria
dos frutos da árvore envenenada (fruitsof the poisonoustree), consagrada no art.
5º, inciso LVI, da Constituição Federal, que proclama a nódoa de provas,
supostamente consideradas lícitas e admissíveis, mas obtidas a partir de outras
declaradas nulas pela forma ilícita de sua colheita.
5.2.1 Limitações à Teoria da Prova Ilícita por Derivação:
Com o passar dos anos, a Suprema Corte Americana entendeu que a Teoria da Prova Ilícita por
Derivação não poderia ser aplicada de forma ilimitada. Diante disso, surgiram teorias que visam a licitude da
prova.
São elas: Teoria da Fonte independente, descoberta inevitável, nexo atenuado e teoria do encontro
fortuito de prova.
1.a TEORIA DA FONTE INDEPENDENTE:
• Conceito: Trata-se da prova obtida de forma independente, não sendo contaminada pelo
veneno da prova ilícita (de um lado ela tem relação com a prova ilícita, mas por outro lado tem uma fonte
independente que a torna lícita).
Segundo Renato Brasileiro, “se o órgão da persecução penal demonstrar que obteve, legitimamente,
novos elementos de informação a partir de uma fonte autônoma de prova, que não guarde qualquer relação
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de dependência, nem decorra da prova originariamente ilícita, com esta não mantendo vínculo causal, tais
dados probatórios são admissíveis, porque não contaminados pela mácula da ilicitude originária”.
• Origem:
Essa teoria tem origem no direito americano (The Independent Source Limitation) no caso Bynum X
US, onde o cidadão foi preso ilegalmente e, com essa prisão, fizeram uma identificação datiloscópica. Com a
identificação (ilegal por derivação) acharam suas digitais na cena do crime. Pela ilegalidade a Corte exclui
essa identificação. No entanto, posteriormente, verificaram que já existia uma identificação no sistema do
FBI, de forma independente, o que possibilitou o processo e a condenação do Bynum.
A Teoria da Fonte Independente já era adotada pelo STF (RHC 90.376, HC 83921), vindo a ser inserida
no art. 157, §1º.
Art. 157, § 1º São também inadmissíveis as provas derivadas das ilícitas, salvo
quando não evidenciado o nexo de causalidade entre umas e outras, ou quando as
derivadas puderem ser obtidas por uma FONTE INDEPENDENTE das primeiras.
ATENÇÃO: segundo a doutrina, o legislador teria cometido um equívoco na redação do art. 157, §2º,
pois na verdade ele conceituou no § 2º não a limitação da fonte independente, mas a teoria da descoberta
inevitável da prova.
1.b TEORIA DA DESCOBERTA INEVITÁVEL:
Essa teoria também tem origem no direito norte-americano (The Inevitable Discovery Limitation) no
julgado Nix X Williams II (1984). O cidadão era suspeito de matar alguém, porém o cadáver não era localizado.
Ele foi coagido e confessou onde estava o cadáver, que foi apreendido (prova ilícita por derivação). No
entanto, no caso concreto, duzentos voluntários da cidade já estavam fazendo uma varredura atrás do
cadáver. A Suprema Corte então decidiu: Realmente o cadáver foi descoberto por meio ilícito, porém na
situação concreta, como os 200 moradores já estavam nas imediações do cadáver, a descoberta seria
inevitável, portanto a apreensão do cadáver foi lícita.
Segundo Renato Brasileiro, “se restar demonstrado que a prova derivadada ilícita seria produzida de
qualquer modo, independentemente da prova ilícita originária, tal prova deve ser considerada válida”.
Cuidado: Não é possível se valer dessa teoria com base em dados meramente especulativos, sendo
indispensável a existência de dados concretos que demonstrem que a descoberta seria inevitável. Em outras
palavras: a descoberta inevitável que conduz à licitude de uma prova colhida de forma irregular está pautada
em um JUÍZO DE INEVITABILIDADE. Assim, as provas ilícitas podem ser aproveitadas desde que seja
cabalmente provado que a prova chegaria nos autos de qualquer maneira (juízo de inevitabilidade),
considerando-se o rumo regular e lícito das investigações, o que tornaria irrelevante a sua obtenção
primária ilícita.
O STJ (HC 52.995) foi o primeiro Tribunal Superior a adotar a Limitação da Descoberta Inevitável. O
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STF possui alguns precedentes adotando a referida teoria (HC 91.867).
STJ: “(...) A inviolabilidade dos sigilos é a regra, e a quebra, a exceção. Sendo
exceção, deve-se observar que a motivação para a quebra dos sigilos seja de tal
ordem necessária que encontre apoio no princípio da proporcionalidade, sob pena
de se considerarem ilícitas as provas decorrentes dessa violação. Assim, a par da
regra da liberdade dos meios de prova, excetua-se a utilização daquelas obtidas por
meios ilegais, conforme dispõe o inciso LVI do art. 5º da Constituição Federal,
inserindo-se, nesse contexto, as oriundas da quebra de sigilo sem autorização
judicial devidamente motivada. Entretanto, no caso, há que se fazer duas
considerações essenciais que afastam, por completo, a proteção que ora é
requerida por meio de reconhecimento de nulidade absoluta do feito. A primeira
diz respeito a própria essência dessa nulidade que, em tese, ter-se-ia originado com
a publicidade dada pelo banco ao sobrinho da vítima, que também era seu
herdeiro. (...) Tratou-se toda a operação bancária de um golpe efetivado por meio
de um engodo. Titularidade solidária que detinha uma das pacientes e que agora é
reclamada para efeitos de autorização legal, decorreu de ilícito efetivado contra
vítima. Pretende-se, na verdade, obter benefício com a própria prática criminosa.
Impossibilidade de se beneficiar da própria torpeza. A segunda consideração, não
menos importante, é que o extrato ou documento de transferência foi obtido por
herdeiro da vítima, circunstância que ocorreria de qualquer maneira após a sua
habilitação em inventário, a ensejar, da mesma maneira, o desenrolar do
processo tal qual como ocorreu na espécie. Acolhimento da teoria da descoberta
inevitável; a prova seria necessariamente descoberta por outros meios legais. No
caso, repita-se, o sobrinho da vítima, na condição de herdeiro, teria,
inarredavelmente, após a habilitação no inventário, o conhecimento das
movimentações financeiras e, certamente, saberia do desfalque que a vítima
havia sofrido; ou seja, a descoberta era inevitável. Ordem denegada” (STJ, 6ª
Turma, HC 52.995/AL, Rel. Min. Og Fernandes, Dje 04/10/2010)
Para muitos doutrinadores, essa teoria teria sido adotada pelo legislador no art. 157, §2º, in verbis:
Art. 157, §2o Considera-se fonte independente* (descoberta inevitável) aquela que
por si só, seguindo os trâmites típicos e de praxe, próprios da investigação ou
instrução criminal, seria capaz de conduzir ao fato objeto da prova.
Cuidado para não confundir com a teoria da fonte independente vista acima!!! Com efeito, quando
o referido dispositivo faz menção à fonte independente, quis, na verdade, trazer o conceito da limitação da
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descoberta inevitável.
Obs.: Alguns doutrinadores (posição minoritária) afirmam que a adoção desta teoria pelo Brasil seria
inconstitucional, pois ela estaria limitando por demais a vedação da prova ilícita constante da CF.
1.c LIMITAÇÃO DA MANCHA PURGADA, NEXO ATENUADO OU TINTA DILUÍDA (TEORIA DOS VÍCIOS
SANADOS):
Como todas as demais, essa teoria também tem origem no Direito Americano (Teoria dos Vícios
Sanados ou da Tinta Diluída ou da Mancha Purgada – “purge taint limitation” ou “atenuated connection
limitation”).
Ocorre quando um ato posterior, totalmente independente, afasta a ilicitude originária. O vício da
ilicitude originária é atenuado em virtude do espaço temporal decorrido entre a prova primária e a
secundária, ou por conta de circunstâncias supervenientes na cadeia probatória ou da vontade de um dos
envolvidos em colaborar com a persecução criminal.
Essa teoria foi adotada no caso Wong Sun v. United States (1963). Nesse caso, policiais da 'delegacia
de entorpecentes' entraram num domicílio sem 'causa provável' (indícios probatórios necessários para tal) e
prenderam ilegalmente 'A', o qual, quase imediatamente depois, acusou 'B' de ter vendido a droga. Os
policiais, em seguida, prenderam ilegalmente 'B', o qual, por sua vez, implicou 'C', que também foi preso
ilegalmente. Vários dias mais tarde, depois de 'C' ter sido libertado, 'C' voluntariamente confessou oralmente
aos policiais da delegacia de entorpecentes, durante seu interrogatório policial. A Suprema Corte excluiu a
apreensão da droga encontrada com 'B' e as declarações de 'B' por terem sido 'frutos' da entrada ilegal na
sua casa e da sua prisão ilegal.
Entretanto, rejeitou que a confissão de 'C' fosse fruto da sua prisão ilegal, pois, embora 'C' pudesse
nunca ter confessado se ele jamais tivesse sido preso ilegalmente, sua ação voluntária de confessar, depois
de ter sido solto e alertado de seus direitos, tinha tornado a conexão entre a prisão e a declaração tão
atenuada que a 'nódoa' da ilegalidade tinha se dissipado.
A prova primária e a secundária, ou por conta de circunstâncias supervenientes na cadeia probatória
ou da vontade de um dos envolvidos em colaborar com a persecução criminal.
Segundo Renato Brasileiro, “não se aplica a teoria da prova ilícita por derivação se o nexo causal
entre a prova primária e a secundária for atenuado em virtude do decurso do tempo, de circunstâncias
supervenientes na cadeia probatória, da menor relevância da ilegalidade ou da vontade de um dos
envolvidos em colaborar com a persecução criminal. Nesse caso, apesarde já ter havido a contaminação de
um determinado meio de prova em face da ilicitude ou ilegalidade da situação que o gerou, um
acontecimento futuro expurga, afasta, elide esse vício, permitindo-se, assim, o aproveitamento da prova
inicialmente contaminada”.
NÃO HÁ julgados (STF e STJ) adotando essa teoria no Brasil. No entanto, alguns doutrinadores (Andrei
Borges de Mendonça e Guilherme Madeira) entendem que essa teoria, também, foi colocada no art. 157,
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§1º, in verbis:
Art. 157, § 1o São também inadmissíveis as provas derivadas das ilícitas (prova
ilícita por derivação), salvo quando não evidenciado o nexo de causalidade entre
umas e outras (teoria da tinta diluída), ou quando as derivadas puderem ser obtidas
por uma fonte independente das primeiras (teoria da fonte independente).
1.d TEORIA DO ENCONTRO FORTUITO DE PROVAS:
A teoria do encontro fortuito ou casual de provas é utilizada nos casos em que, no cumprimento de
uma diligência relativa a um delito, a autoridade policial casualmente encontra provas pertinentes à outra
infração penal, que não estavam na linha de desdobramento normal da investigação.
Fala-se em encontro fortuito de provas ou serendipidade quando a prova de determinada infração
penal é obtida a partir de diligência regularmente autorizada para a investigação de outro crime. Nesses
casos, a validade da prova inesperadamente obtida está condicionada à forma como foi realizada a diligência:
se houve desvio de finalidade, abuso de autoridade, a prova não deve ser considerada válida; se o encontro
da prova foi casual, fortuito, a prova é válida.
• Se tais elementos forem obtidos de maneira fortuita, são plenamente válidos;
• Se tiver ocorrido desvio de finalidade, deve ser reconhecida a ilicitude da prova.
Exemplo: Alguém mantendo um tigre em casa. O IBAMA descobre. Pede-se ao juiz um mandado de
busca e apreensão para o tigre. Na hora que a autoridade policial entra na casa começa a abrir gavetas,
destruir paredes etc. Nessa diligência a autoridade encontra documentos que comprovam um crime
tributário. Pode usar esse documento como prova?
Nesse caso, como a autoridade destrói paredes e abre gavetas, ele está desviando a finalidade de
buscar o tigre. Portanto, é prova ilícita. Se fosse o contrário, ou seja, procurando documentos e achasse o
tigre por acaso, seria lícito.
A teoria do encontro fortuito de provas não deve ser trabalhada única e exclusivamente para as
hipóteses de cumprimento de mandados de busca e apreensão. Sua utilização também se apresenta útil no
tocante ao cumprimento de interceptações telefônicas. Isso porque é comum que, no curso de uma
interceptação telefônica regularmente autorizada pelo juiz competente para investigar crime punido com
pena de reclusão, sejam descobertos elementos probatórios relativos a outros delitos e/ou outros indivíduos.
Em tais hipóteses, verificando-se que não houve desvio de finalidade no cumprimento da diligência, dúvidas
não temos quanto à validade dos elementos assim obtidos.
A serendipidade pode ser de 1º ou 2º grau:
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▪ Serendipidade ou encontro fortuito de primeiro grau - quando os encontros fortuitos são de fatos
conexos ou continentes com os fatos sob investigação. Nesse caso, a prova produzida pode ser
valorada pelo juiz.
▪ Serendipidade ou encontro fortuito de segundo grau - quando se trata de fatos não conexos ou
quando não exista continência com os fatos sob investigação. Nesse caso, a prova produzida vale
como notitia criminis.
A serendipidade pode ser objetiva ou subjetiva:
▪ Serendipidade subjetiva: Ocorre quando, no curso da medida, surgirem indícios do envolvimento
criminoso de outra pessoa que inicialmente não estava sendo investigada. Ex: durante a
interceptação telefônica instaurada para investigar João, descobre-se que um de seus comparsas é
Pedro (Deputado Federal)
▪ Serendipidade objetiva: Ocorre quando, no curso da medida, surgirem indícios da prática de outro
crime que não estava sendo investigado.
Obs.: Crime achado:
Segundo entendimento do STF (HC 129.678), crime achado é a infração penal desconhecida e não
investigada até o momento em que se descobre o delito. Em caso concreto apreciado pelo referido órgão,
apesar de ter sido autorizada para investigar um crime de tráfico de drogas, a interceptação telefônica
acabou por revelar a prática de um delito de homicídio. Nesse caso, presentes os requisitos constitucionais
e legais, a prova deve ser considerada lícita.
Obs.: Mandado de busca e apreensão em escritório de advocacia:
De acordo com a Lei 8.906/94, com redação dada pela Lei 11.767/08, o mandado de busca e
apreensão a ser realizado em escritório de advocacia deve ser ESPECÍFICO e PORMENORIZADO, a ser
cumprido na presença de representante da OAB, sendo vedada a utilização de documentos e objetos
pertencentes a clientes do advogado investigado, salvo se tais clientes também estiverem sendo investigados
como partícipes ou coautores do advogado.
Ou seja, no cumprimento de mandado de busca e apreensão em escritório de advocacia não se aplica
a teoria do encontro fortuito quanto a documentos não referentes ao investigado, pois estariam protegidos
pelo sigilo, não fazendo parte do objeto da diligência. Seria, assim, configurado um desvio de finalidade da
diligência, ocasionando a ilicitude das provas.
Imagine, por exemplo, que “A” é advogado. O escritório de “A” foi objeto de uma busca e apreensão
porque “A” era suspeito de ter praticado o crime “X”. Durante a busca e apreensão foram apreendidos
documentos relacionados com “B” (cliente de “A”) que não era investigado pelo crime “X”. Por conta desses
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documentos apreendidos, “B” foi denunciado pelo crime “Y”. “B” impetrou habeas corpus no STJ afirmando
que a apreensão dos documentos foi ilegal.
DESTAQUES JURISPRUDENCIAIS SOBRE PROVA ILÍCITA
A determinação judicial para identificação dos usuários que operaram em
determinada área geográfica, suficientemente fundamentada, não ofende a
proteção à privacidade e à intimidade
A quebra do sigilo de dados armazenados não obriga a autoridade judiciária a indicar
previamente as pessoas que estão sendo investigadas, até porque o objetivo
precípuo dessa medida é justamente de proporcionar a identificação do usuário do
serviço ou do terminal utilizado. Logo, a ordem judicial para quebra do sigilo dos
registros, delimitada por parâmetros de pesquisa em determinada região e por
período de tempo, não se mostra medida desproporcional, porquanto, tendo como
norte a apuração de gravíssimos crimes, não impõe risco desmedido à privacidade e
à intimidade dos usuários possivelmente atingidos por tal diligência. STJ. 3ª Seção.
RMS 61302-RJ, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 26/08/2020 (Info 678).
Não é lícita a prova obtida por meio de abertura de carta, telegrama ou qualquer
encomenda postada nos Correios, ante a inviolabilidade do sigilo das
correspondências
Sem autorização judicial ou fora das hipóteses legais, é ilícita a prova obtida
mediante abertura de carta, telegrama, pacote ou meio análogo. STF. Plenário. RE
1116949, Rel. Min. Marco Aurélio, Rel. p/ Acórdão Min. Edson Fachin, julgado em
18/08/2020 (Repercussão Geral – Tema 1041) (Info 993).
Caiu prova Cespe 2022! Assinale a opção correta no que tange aos meios de prova
no processo penal: Sem autorização judicial ou fora das hipóteses legais, é ilícita a
prova obtida mediante abertura de carta, telegrama, pacote ou meio análogo.
(Item correto).
Resp 1.854.065, 6ª T, STJ – 20204
São inválidas as provas obtidas pela guarda municipal em atividade investigativa,
iniciada após denúncia anônima, que extrapola a situação de flagrante.
4 Fonte: Leia mais: https://delegadoplantonista.webnode.com.br/news/provas-obtidas-por-guarda-municipal-por-meio-de-
denuncia-anonima-sao-invalidas/
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https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/116ce3668c6d5c744252b9a1cb67b8d4?categoria=12&subcategoria=130
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/116ce3668c6d5c744252b9a1cb67b8d4?categoria=12&subcategoria=130
https://delegadoplantonista.webnode.com.br/news/provas-obtidas-por-guarda-municipal-por-meio-de-denuncia-anonima-sao-invalidas/?utm_source=copy&utm_medium=paste&utm_campaign=copypaste&utm_content=https%3A%2F%2Fdelegadoplantonista.webnode.com.br%2Fnews%2Fprovas-obtidas-por-guarda-municipal-por-meio-de-denuncia-anonima-sao-invalidas%2F
https://delegadoplantonista.webnode.com.br/news/provas-obtidas-por-guarda-municipal-por-meio-de-denuncia-anonima-sao-invalidas/?utm_source=copy&utm_medium=paste&utm_campaign=copypaste&utm_content=https%3A%2F%2Fdelegadoplantonista.webnode.com.br%2Fnews%2Fprovas-obtidas-por-guarda-municipal-por-meio-de-denuncia-anonima-sao-invalidas%2F
PREPARAÇÃO EXTENSIVA
DELEGADO DE POLÍCIA – TURMA 8
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Por unanimidade, a 6ª Turma do Superior Tribunal de Justiça decidiu que são
inválidas as provas obtidas pela guarda municipal em atividade investigativa,
iniciada após denúncia anônima, que extrapola a situação de flagrante.
Com base nesse entendimento, os ministros negaram provimento a recurso do
Ministério Público que pedia o restabelecimento da sentença que condenou um
homem por tráfico de drogas. O MP sustentava a validade das provas obtidas
pelos guardas municipais que efetuaram a prisão em flagrante do acusado.
Segundo os autos, após denúncia anônima, os guardas municipais abordaram o
réu e, não encontrando entorpecentes com ele, seguiram até um terreno nas
proximidades, onde teriam apreendido maconha e filme plástico supostamente
utilizado para embalar a droga.
Inf. 659, 6ª T, STJ – 2019
É ilícita a prova obtida por meio de revista íntima realizada com base unicamente
em denúncia anônima
É ilícita a prova obtida por meio de revista íntima realizada com base unicamente
em denúncia anônima. Caso concreto: a diretora da unidade prisional recebeu uma
ligação anônima dizendo que Rafaela, que iria visitar seu marido João, tentaria
entrar no presídio com droga. Diante disso, a diretora ordenou que a agente
penitenciária fizesse uma revista minuciosa em Rafaela. Na revista íntima efetuada,
a agente penitenciária encontrou droga escondida na vagina da visitante. Rafaela
confessou que estava levando a droga para seu marido. A prova colhida é ilícita.
STJ. 6ª Turma. REsp 1695349-RS, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em
08/10/2019 (Info 659).
Inf. 953, 1ª T. STF – 2019
A perícia realizada por perito papiloscopista não pode ser considerada prova
ilícita nem deve ser excluída do processo
O exame de corpo de delito deve ser realizado por perito oficial (art. 159 do CPP).
Do ponto de vista estritamente formal, o perito papiloscopista não se encontra
previsto no art. 5º da Lei nº 12.030/2009, que lista os peritos oficiais de natureza
criminal. Apesar disso, a perícia realizada por perito papiloscopista não pode ser
considerada prova ilícita nem deve ser excluída do processo. Os peritos
papiloscopistas são integrantes de órgão público oficial do Estado com diversas
atribuições legais, sendo considerados órgão auxiliar da Justiça. Não deve ser
mantida decisão que determinava que, quando o réu fosse levado ao Plenário do
Júri, o juiz-presidente deveria esclarecer aos jurados que os papiloscopistas – que
realizaram o laudo pericial – não são peritos oficiais. Esse esclarecimento retiraria
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3. PROVA EMPRESTADA .................................................................................................................................. 59
4. PRINCÍPIO DA NÃO AUTOINCRIMINAÇÃO X TEORIA GERAL DA PROVA ..................................................... 60
5. PROVAS INADMISSÍVEIS .............................................................................................................................. 63
5.1 Distinção Entre Prova Ilícita e Prova Ilegítima ........................................................................................................ 63
5.2 TEORIA DA PROVA ILÍCITA POR DERIVAÇÃO: ......................................................................................................... 66
5.2.1 Limitações à Teoria da Prova Ilícita por Derivação: ......................................................................................... 67
6. ÔNUS DA PROVA ......................................................................................................................................... 79
6.1 Distribuição do Ônus da Prova ............................................................................................................................... 79
6.2 Da Iniciativa Probatória do Juiz e o Sistema Acusatório – L. 13964/19. ................................................................. 80
7. SISTEMAS DE AVALIAÇÃO (VALORAÇÃO) DA PROVA: ................................................................................. 82
8. CADEIA DE CUSTÓDIA DAS PROVAS E L. 13964/19 ..................................................................................... 86
8.1 Considerações iniciais ............................................................................................................................................. 89
8.2 Quebra da cadeia de custódia, princípio da mesmidade e desconfiança .............................................................. 90
8.3 Fases da cadeia de custódia ................................................................................................................................ 91
9. MEIOS DE PROVA EM ESPÉCIE ..................................................................................................................... 98
9.1 Exame de Corpo de Delito ...................................................................................................................................... 98
9.2 Interrogatório Judicial .......................................................................................................................................... 103
QUESTÕES PROPOSTAS ................................................................................................................................. 117
META 3 .......................................................................................................................................................... 121
DIREITO PROCESSUAL PENAL: PROVAS (PARTE II) ........................................................................................ 121
9.3 Confissão .............................................................................................................................................................. 121
9.4 Prova Testemunhal ............................................................................................................................................... 124
9.5 Busca e Apreensão ............................................................................................................................................... 140
9.5.1. Busca Pessoal ................................................................................................................................................ 142
9.5.2. Busca Domiciliar ............................................................................................................................................ 143
QUESTÕES PROPOSTAS ................................................................................................................................. 169
META 4 .......................................................................................................................................................... 171
LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL: LEI DE CRIMES AMBIENTAIS ......................................................................... 171
1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS .......................................................................................................................... 171
2. BEM JURÍDICO ........................................................................................................................................... 173
3. SUJEITO ATIVO ........................................................................................................................................... 175
4. RESPONSABILIDADE PENAL DA PESSOA JURÍDICA. ................................................................................... 176
5. APLICAÇÃO DA PENA PARA AS PESSOAS FÍSICAS ...................................................................................... 181
5.1 Método trifásico de aplicação da pena ................................................................................................................ 181
5.2 Cômputo da multa ................................................................................................................................................ 184
5.3 Possibilidade de substituição da PPL por PRD ...................................................................................................... 184
6. INSTITUTOS DESPENALIZADORES NOS CRIMES AMBIENTAIS ................................................................... 189
6.1 Transação Penal nos crimes ambientais ............................................................................................................... 189
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6.2 Suspensão condicional do processo nos crimes ambientais ................................................................................ 190
6.3 Suspensão condicional da pena nos crimes ambientais....................................................................................... 192
7. AÇÃO PENAL E PRESCRIÇÃO. ..................................................................................................................... 193
7.1 Ação Penal ............................................................................................................................................................ 193
7.2 Termo de ajustamento de conduta x ação penal ................................................................................................. 193
7.3 Prescrição nos crimes ambientais: ....................................................................................................................... 195
8. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA AOS CRIMES AMBIENTAIS ...................................................................... 195
9. COMPETÊNCIA ...........................................................................................................................................https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/4e246a381baf2ce038b3b0f82c7d6fb4?categoria=12&subcategoria=130&ano=2019&palavra-chave=ilícita+&criterio-pesquisa=texto_literal
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/2ea1202aed1e0ce30d41be4919b0cc99?categoria=12&subcategoria=130&assunto=422&ano=2019
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/2ea1202aed1e0ce30d41be4919b0cc99?categoria=12&subcategoria=130&assunto=422&ano=2019
PREPARAÇÃO EXTENSIVA
DELEGADO DE POLÍCIA – TURMA 8
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a neutralidade do conselho de sentença. Isso porque, para o jurado leigo, a
afirmação, pelo juiz, no sentido de que o laudo não é oficial equivale a tachar de
ilícita a prova nele contida. Assim, cabe às partes, respeitado o contraditório e a
ampla defesa, durante o julgamento pelo tribunal do júri, defender a validade do
documento ou impugná-lo. STF. 1ª Turma. HC 174400 AgR/DF, rel. orig. Min.
Roberto Barroso, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 24/9/2019
(Info 953).
Inf. 955, 6ª T. STJ – 2019
É ilícita a prova obtida mediante conduta da autoridade policial que atende, sem
autorização, o telefone móvel do acusado e se passa pela pessoa sob investigação
Não tendo a autoridade policial permissão do titular da linha telefônica, ou mesmo
da Justiça, para ler mensagens nem para atender ao telefone móvel da pessoa sob
investigação e travar conversa por meio do aparelho com qualquer interlocutor que
seja se passando por seu dono, a prova obtida dessa maneira arbitrária é ilícita. No
caso concreto, o policial atendeu ao telefone do condutor, sem autorização para
tanto, e passou-se por ele para fazer a negociação de drogas e provocar o flagrante.
Esse policial também obteve acesso, sem autorização pessoal nem judicial, aos
dados do aparelho de telefonia móvel em questão, lendo as mensagens. STJ. 6ª
Turma. HC 511484-RS, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 15/08/2019 (Info
655).
Inf. 661 - HC 470937, 5ª T. STJ – 2019
É ilícita a prova obtida em revista pessoal feita por agentes de segurança
particular
Caso concreto: o homem passava pela catraca de uma das estações da Companhia
Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), com uma mochila nas costas, quando foi
abordado por dois agentes de segurança privados da empresa. Os seguranças
acreditavam que se tratava de vendedor ambulante e fizeram uma revista, tendo
encontrado dois tabletes de maconha na mochila do passageiro. O homem foi
condenado pelo TJ/SP por tráfico de drogas (art. 33 da Lei nº 11.343/2006). O STJ,
contudo, entendeu que a prova usada na condenação foi ilícita considerando que
obtida mediante revista pessoal ilegal feita pelos agentes da CPTM. Segundo a
CF/88 e o CPP, somente as autoridades judiciais, policiais ou seus agentes, estão
autorizados a realizarem a busca domiciliar ou pessoal. Diante disso, a 5ª Turma do
STJ concedeu habeas corpus para absolver e mandar soltar um homem acusado de
tráfico de drogas e condenado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo com base em
prova recolhida em revista pessoal feita por agentes de segurança privada da
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https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/4eb0194ddf4d6c7a72dca4fd3149e92e?categoria=12&subcategoria=130&assunto=422&ano=2019
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/4eb0194ddf4d6c7a72dca4fd3149e92e?categoria=12&subcategoria=130&assunto=422&ano=2019
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Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). STJ. 5ª Turma. HC
470.937/SP, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 04/06/2019.
Inf. 932, 5ª T. TF – 2019
São ilegais as provas obtidas por policial militar que, designado para coletar dados
nas ruas como agente de inteligência, passa a atuar, sem autorização judicial,
como agente infiltrado em grupo criminoso
Determinado policial militar foi designado para participar, nas ruas, à paisana, de
passeatas e manifestações, a fim de coletar dados para subsidiar a Força Nacional
de Segurança em atuação estratégica diante dos movimentos sociais e dos
protestos ocorridos no Brasil em 2014. Para essa atividade, não se exigia prévia
autorização judicial. No curso de sua atividade originária, o referido policial,
percebendo que algumas pessoas estavam se reunindo para planejar a prática de
crimes, aproximou-se desses suspeitos, ganhou a sua confiança e infiltrou-se no
grupo participando das conversas virtuais e das reuniões presenciais dos
envolvidos. Assim, o policial ultrapassou os limites da sua atribuição original e
passou a agir como agente infiltrado. Ocorre que a infiltração de agentes somente
pode acontecer após prévia autorização judicial, o que não havia no caso. Diante
disso, o STF declarou a ilicitude e determinou o desentranhamento da infiltração
realizada pelo policial militar e dos depoimentos por ele prestados em sede policial
e em juízo, nos termos do art. 157, § 3º, do CPP. STF. 2ª Turma. HC 147837/RJ, Rel.
Min. Gilmar Mendes, julgado em 26/2/2019 (Info 932).
Inf. 640. STJ – 2018
É nula decisão judicial que autoriza o espelhamento do WhatsApp via Código QR
para acesso no WhatsApp Web. Também são nulas todas as provas e atos que dela
diretamente dependam ou sejam consequência, ressalvadas eventuais fontes
independentes. Não é possível aplicar a analogia entre o instituto da interceptação
telefônica e o espelhamento, por meio do WhatsApp Web, das conversas realizadas
pelo aplicativo WhatsApp. STJ. 6ª Turma. RHC 99735-SC, Rel. Min. Laurita Vaz,
julgado em 27/11/2018 (Info 640).
Inf. 603, 5ª T. STJ - 2017
Sem consentimento do réu ou prévia autorização judicial, é ilícita a prova, colhida
de forma coercitiva pela polícia, de conversa travada pelo investigado com terceira
pessoa em telefone celular, por meio do recurso "viva-voz", que conduziu ao
flagrante do crime de tráfico ilícito de entorpecentes.
No julgamento do RHC 51.531-RO, Rel. Min. Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe de
5/9/2016, esta Corte teve a oportunidade de apreciar matéria semelhante ao caso
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PREPARAÇÃO EXTENSIVA
DELEGADO DE POLÍCIA – TURMA 8
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aqui tratado, considerando ilícito o acesso aos dados do celular e das conversas de
whatsapp extraídas do aparelho celular da acusada, dada a ausência de ordem
judicial para tanto, ao entendimento de que, no acesso aos dados do aparelho, se
tem a devassa de dados particulares, com violação à intimidade do agente. No caso
presente, embora nada de ilícito houvesse sido encontrado em poder do acusado,
a prova da traficância foi obtida em flagrante VIOLAÇÃO AO DIREITO
CONSTITUCIONAL À NÃO AUTOINCRIMINAÇÃO, uma vez que aquele foi compelido
a reproduzir, contra si, conversa travada com terceira pessoa pelo sistema viva-voz
do celular, que conduziu os policiais à sua residência e culminou com a arrecadação
de todo material estupefaciente em questão. Desse modo, está-se diante de
situação onde a prova está contaminada, diante do disposto na essência da teoria
dos frutos da árvore envenenada (fruitsof the poisonoustree), consagrada no art.
5º, inciso LVI, da Constituição Federal, que proclama a nódoa de provas,
supostamente consideradas lícitas e admissíveis, mas obtidas a partir de outras
declaradas nulas pela forma ilícita de sua colheita. 5ª Turma. REsp 1.630.097-RJ,
Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 18/4/2017
Inf. 583, STJ – 2016
Mesmo sem autorização judicial, polícia pode acessar conversas do Whatsapp da
vítima morta, cujo celular foi entregue pela sua esposa
Não há ilegalidade na perícia de aparelho de telefonia celular pela polícia, sem
prévia autorização judicial, na hipótese em que seu proprietário - a vítima - foi
morto, tendo o referido telefone sido entregue à autoridade policial por sua
esposa. STJ. 6ª Turma.RHC 86076-MT, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, Rel. Acd. Min.
Rogerio Schietti Cruz, julgado em 19/10/2017 (Info 617). Cuidado para não
confundir: Sem prévia autorização judicial, são nulas as provas obtidas pela polícia
por meio da extração de dados e de conversas registradas no Whatsapp presentes
no celular do suposto autor de fato delituoso, ainda que o aparelho tenha sido
apreendido no momento da prisão em flagrante. STJ. 5ª Turma. RHC 67379-RN, Rel.
Min. Ribeiro Dantas, julgado em 20/10/2016 (Info 593). STJ. 6ª Turma. RHC 51531-
RO, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 19/4/2016 (Info 583).
Info 1025 – Principais conclusões jurídicas do STF a respeito da “Operação Jabuti”
Decisões importantíssimas sobre Fishing expedition (muita atenção a essa terminologia!)
Conceito: Fishing expedition consiste em “uma investigação especulativa indiscriminada, sem objetivo certo
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ou declarado, que ‘lança’ suas redes com a esperança de ‘pescar’ qualquer prova, para subsidiar uma futura
acusação. Ou seja, é uma investigação prévia, realizada de maneira muito ampla e genérica para buscar
evidências sobre a prática de futuros crimes. Como consequência, não pode ser aceita no ordenamento
jurídico brasileiro, sob pena de malferimento das balizas de um processo penal democrático de índole
Constitucional.” (MELO E SILVA, Philipe Benoni. Fishing Expedition: a pesca predatória por provas por parte
dos órgãos de investigação.
Nas palavras do Min. Gilmar Mendes, a prática da fishing expedition consiste em “investigações genéricas
para buscar elementos incriminatórios aleatoriamente, sem qualquer embasamento prévio” (HC 163461).
→ Não é possível o fenômeno fishing expedition (ou pescaria/expedição probatória)
Os indícios de autoria antecedem as medidas invasivas, não se admitindo em um Estado Democrático de
Direito que primeiro sejam violadas as garantias constitucionais para só então, em um segundo momento, e
eventualmente, se justificar a medida anterior, sob pena de se legitimar verdadeira fishing expedition.
STJ. 5ª Turma. AgRg no RMS 62.562-MT, Rel. Min. Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT),
Rel. Acd. Min. Reynaldo Soares Da Fonseca, julgado em 07/12/2021.
Para sermos suncintos, apenas vamos colocar as principais conclusões acerca da Operação Jabuti,
recomenda-se a leitura para melhor compreensão do caso. ( Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível
em:
.)
→ Os conselhos seccionais da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) possuem legitimidade para
ingressar com reclamação perante o Supremo Tribunal Federal (STF) em defesa dos interesses
concretos e das prerrogativas de seus associados, nos termos da expressa previsão legal. STF. 2ª
Turma. Rcl 43479/RJ, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 10/8/2021 (Info 1025).
→ Diante de flagrante ilegalidade, é possível a concessão de “habeas corpus” de ofício em sede de
reclamação constitucional, nos termos do art. 193, II, do Regimento Interno do STF (RISTF) e do art.
654, § 2º, do Código de Processo Penal. STF. 2ª Turma. Rcl 43479/RJ, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado
em 10/8/2021 (Info 1025).
→ Compete à Justiça estadual processar e julgar fatos envolvendo entidades integrantes do
denominado “Sistema S”. STF. 2ª Turma. Rcl 43479/RJ, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em
10/8/2021 (Info 1025)
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→ Além de violar prerrogativas da advocacia, a deflagração de amplas,inespecíficas e desarrazoadas
medidas de busca e apreensão em desfavor de advogados pode evidenciar a prática de “fishing
expedition”. STF. 2ª Turma. Rcl 43479/RJ, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 10/8/2021 (Info 1025).
→ Extrai-se do art. 394 e seguintes do CPP que a produção probatória após o oferecimento da
denúncia deve ocorrer em juízo, com as garantias do contraditório e da ampla defesa. STF. 2ª Turma.
Rcl 43479/RJ, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 10/8/2021 (Info 1025).
Ainda sobre o tema. HC 663.055 STJ: Ingresso em domicílio para efetuar prisão não permite busca por
drogas e armas:
Admitir a entrada na residência especificamente para efetuar uma prisão não
significa conceder um salvo-conduto para que todo o seu interior seja vasculhado
indistintamente, em verdadeira pescaria probatória (fishing expedition).
6. ÔNUS DA PROVA
Ônus da prova é o encargo (faculdade) que recai sobre a parte de provar a veracidade do fato por ela
alegado, resultando de sua inatividade uma situação de desvantagem perante o Direito. O que se prova na
verdade é a afirmativa, porque o fato em si não tem como ser provado.
6.1 Distribuição do Ônus da Prova
Há duas corretes que tratam sobre a distribuição do ônus da prova no Processo Penal, vejamos:
1ª C (minoritária) – o acusado não possui nenhum ônus da prova do Processo Penal, uma vez que a CF
consagra o princípio da presunção de inocência. Desta forma, o ônus da prova recai, integralmente, sobre
a acusação.
2ª C (majoritária) – é possível haver distribuição do ônus da prova. Portanto, haverá ônus da prova para
acusação e para a defesa. Traz para o Processo Penal, embora com certas dificuldades, a distribuição prevista
no art. 373, I e II, do CPC).
ÔNUS DA ACUSAÇÃO ÔNUS DA DEFESA
⦁ Existência de fato típico (1) ⦁ Causas excludentes de ilicitude
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⦁ Autoria/Participação
⦁ Nexo causal
⦁ Dolo/Culpa (alguns defendem que
seriam presumidos) (2)
Obs. deve haver um juízo de certeza.
⦁ Causas excludentes de culpabilidade
⦁ Causas extintivas de punibilidade
Álibi (3)
Observações:
1. Pela teoria da RATIO COGNOSCENDI (ou indiciariedade) se o fato é típico, presume-se que seja
ilícito. Por isso, a acusação só prova a tipicidade, pois quanto ao resto há uma presunção iuris tantum
(relativa) da existência. Diante disto, caso provada a tipicidade, mas havendo dúvida no caso da excludente
da ilicitude, deveria o juiz condenar, pois a tipicidade é indício da ilicitude, mas não foi esse o entendimento
do CPP.
2. Quanto à culpa a doutrina é pacífica quanto à necessidade de prova da acusação. Já no que se
refere ao dolo, muitos autores dizem ser presumido, não precisando de prova, ou seja, cabendo à defesa
provar sua ausência. No entanto, tal entendimento não procede, principalmente em um Estado onde vige o
princípio da presunção de inocência do acusado. A prova do dolo é feita a partir da análise dos elementos
objetivos do caso concreto, até porque não é possível provar um elemento intelectivo. Devem ser observados
os elementos objetivos para chegar à conclusão da existência do dolo.
3. Espécie de prova indireta da defesa.
4. A defesa não precisa produzir um juízo de certeza para lograr êxito em uma absolvição, nos termos
do art. 386 do CPP.
6.2 Da Iniciativa Probatória do Juiz e o Sistema Acusatório – L. 13964/19.
A principal alteração no capítulo de provas, a nosso ver, não foi a inserção normativa da cadeia de
custódia e sim a reafirmação do sistema acusatório e a vedação imposta ao juiz de substituir as partes na
atividade probatória, conforme Art. 3- A do CPP:
“Art. 3º-A. O processo penal terá estrutura acusatória, vedadas a iniciativa do juiz
na fase de investigação e a substituição da atuação probatória do órgão de
acusação. ”
Apesar do novo Art. 3-A do CPP, a L.13964/19 não alterou de forma expressa o Art. 156 do CPP, que
positiva a iniciativa probatória do juiz. Sendo assim, nos parece que o Art. 156 do CPP foi tacitamente
revogado.
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Entretanto, importante aguardar o posicionamento da jurisprudência e da doutrina a respeito do
tema.
A única alteração feita no capítulo I, do título VII do CPP foi a inserção do §5º ao Art. 157, com a
seguinte redação:
Art. 157. [...]
§ 5º O juiz que conhecer do conteúdo da prova declarada inadmissível não poderá
proferir a sentença ou acórdão. ” (NR)
O §5º positivou o que a muito tempo clamava a doutrina5, que sempre afirmou que
o mero desentranhamento da prova ilícita não era a única solução a ser tomada,
pois, o juiz que tem contato com a prova ilícita, passa a ser impedido para o
julgamento.
O §5º positivou o que há muito tempo clamava a doutrina6, que sempre afirmou que o mero
desentranhamento da prova ilícita não era a única solução a ser tomada, pois, o juiz que tem contato com a
prova ilícita, passa a ser impedido para o julgamento.
“Quanto ao problema da contaminação do juiz que teve contato com a prova ilícita
e que deve(ria) ser impedido de julgar, o veto ao § 4º do art. 157 deve ser analisado
a partir de seus próprios “fundamentos”, de que a exclusão desse juiz
comprometeria a “eficácia” do processo penal, gerando tumulto nas comarcas de
juízo único. Logo, a contrário senso, nas varas em que existam dois ou mais juízes,
não se justificaria a manutenção do juiz contaminado! Não havendo o motivo
apontado no veto, não há mais o menor fundamento para – erroneamente –
manter um juiz contaminado no processo, proferindo sentença a partir da
convicção formada com base na prova ilícita. É óbvio que o juiz que conheceu a
prova ilícita não pode julgar, pois está contaminado. Não basta desentranhar a
prova; deve-se “desentranhar” o juiz!”
Ressalta-se que parte da doutrina afirma que não haveria impedimento se foi o próprio juiz a quo
que identificou a ilicitude. Isso porque, como ele pode ser tido por impedido se ele se limitou a fazer o que
manda a Constituição, ou seja, não admitir provas ilícitas? Se ele agiu em conformidade com a Constituição,
não podemos extrair desse seu comportamento qualquer causa de impedimento. Por outro lado, se o
reconhecimento da ilicitude proveio deuma instância superior, portanto, esse juiz não pode prosseguir,
porque além de o juiz já ter assimilado aquela informação, para ele está tudo certo, ou seja, ele vai
5 (Jr, 2016, p. 363)
6(Jr, 2016, p. 363)
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desentranhar aquela prova à contra gosto, contra sua vontade, dando cumprimento a uma determinação
que proveio de órgão jurisdicional de instância superior, e aí sim se justifica o seu afastamento, o seu
impedimento (Marcos Dutra).
7. SISTEMAS DE AVALIAÇÃO (VALORAÇÃO) DA PROVA:
a) Sistema das ordálias (ordálios) ou “juízos de Deus”: Ordálio ou ordália é um tipo de prova
judiciária usado para determinar a culpa ou a inocência do acusado por meio da participação de elementos
da natureza e cujo resultado é interpretado como um juízo divino. Também é conhecido como juízo de Deus
(judicium Dei, em latim).
Atribuía-se uma vontade divina na avaliação das provas. Um exemplo era a chamada prova pelo fogo,
caso o sujeito caminhasse tantos metros sobre brasa seria inocente, entre outros. Buscava na revelação
divina a inocência ou culpabilidade do réu.
Ensina-nos João Bernadino Gonzaga:
“Se por qualquer motivo ao conviesse o duelo, recorria-se aos ordálios (...) os
métodos variavam muito, mas em regra consistiria na prova de fogo ou na prova
da água. Por exemplo, o réu devia transportar com as mãos nuas, por determinada
distancia, uma barra de ferro incandescente. Enfaixavam depois as feridas e
deixavam transcorrer certo número de dias. Findo o prazo se as queimaduras
houvessem desaparecido, considerava-se inocente ou acusado; em que o réu devia
por exemplo submergir, durante o tempo fixado, seu braço numa caldeira cheia de
água fervente. A expectativa dos julgadores era de que o culpado, acreditando no
ordálio e por temos a sua consequência, preferisse desde logo confessar a própria
responsabilidade, dispensando o doloroso teste.”
b) Sistema da Íntima Convicção: Também chamado de Sistema da Certeza Moral do Juiz.
Utiliza duas premissas importantes:
1 O juiz é livre para valorar as provas
2 O juiz não é obrigado a fundamentar o seu convencimento.
Perceba que como o juiz não é obrigado a fundamentar seu convencimento, nada impede que se
utilize de provas que não constem dos autos do processo. Podendo, inclusive, empregar conhecimentos
particulares sobre a demanda. Aqui, não há como analisar o caminho percorrido pelo juiz para chegar à sua
conclusão.
ATENÇÃO: Em regra, não é adotado no Brasil, salvo em relação aos jurados no Tribunal do Júri.
Obs.: É válido apenas para os jurados. As decisões do Juiz-Presidente devem ser fundamentadas.
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c) Sistema da Verdade Legal/Tarifário de Provas/Certeza Moral do Legislador: Os meios de prova
têm valor probatório fixado em abstrato pelo legislador, cabendo ao juiz fazer tão somente um cálculo
aritmético.
Era o Sistema probatório que vigorava no processo inquisitorial (que se opõe ao sistema acusatório
adotado pela CF/88). A confissão, por exemplo, tinha valor absoluto, por isso, muitas vezes, utilizava-se a
tortura para que o suposto acusado confessasse.
Em regra, não é adotado no Brasil. Há algumas exceções. Vejamos:
1 Prova quanto ao estado das pessoas – está sujeita as restrições estabelecidas na lei civil (certidão
de casamento, certidão de óbito, certidão de nascimento).
Art. 155, Parágrafo único. Somente quanto ao estado das pessoas serão
observadas as restrições estabelecidas na lei civil.
Art. 62. No caso de morte do acusado, o juiz somente à vista da certidão de óbito,
e depois de ouvido o Ministério Público, declarará extinta a punibilidade.
Súmula. 74 STJ: Para efeitos penais, o reconhecimento da menoridade do réu
(menor de 21 anos – atenuante) requer prova por documento hábil.
2 Crimes que deixam vestígios – o CPP é claro ao afirmar que há necessidade de exame de corpo e
delito.
CPP, Art. 158. Quando a infração deixar vestígios, será indispensável o exame de
corpo de delito, direto ou indireto, não podendo supri-lo a confissão do acusado.
d) Sistema do Livre Convencimento Motivado ou da Persuasão Racional do Juiz: Alguns
doutrinadores, sob a ótica do NCPC, afirmam que o correto é Sistema do Convencimento Motivado e não
mais utilizado a expressão “livre”.
Possui duas características:
1 O juiz possui ampla liberdade na valoração da prova, que tem abstratamente o mesmo valor;
2 O juiz é obrigado a fundamentar.
ATENÇÃO: Em regra, é o sistema adotado pelo Brasil (lembrar das exceções vistas acima).
Encontra-se previsto no art. 93, IX da CF, art. 155 do CPP e 401, §1º, CPP (conforme informativo 918
do STF)
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CF Art. 93. Lei complementar, de iniciativa do Supremo Tribunal Federal, disporá
sobre o Estatuto da Magistratura, observados os seguintes princípios:
IX todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e
FUNDAMENTADAS TODAS AS DECISÕES, sob pena de nulidade, podendo a lei
limitar a presença, em determinados atos, às próprias partes e a seus advogados,
ou somente a estes, em casos nos quais a preservação do direito à intimidade do
interessado no sigilo não prejudique o interesse público à informação; CPP,
Art. 155: O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em
contraditório judicial, não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos
elementosinformativos colhidos na investigação, ressalvadas as provas cautelares,
não repetíveis e antecipadas.
Parágrafo único. Somente quanto ao estado das pessoas serão observadas as
restrições estabelecidas na lei civil.
Art. 400. Na audiência de instrução e julgamento, a ser realizada no prazo máximo
de 60 (sessenta) dias, proceder-se-á à tomada de declarações do ofendido, à
inquirição das testemunhas arroladas pela acusação e pela defesa, nesta ordem,
ressalvado o disposto no art. 222 deste Código, bem como aos esclarecimentos dos
peritos, às acareações e ao reconhecimento de pessoas e coisas, interrogando-se,
em seguida, o acusado.
§ 1o As provas serão produzidas numa só audiência, podendo o juiz indeferir as
consideradas irrelevantes, impertinentes ou protelatórias.
Efeitos da adoção do Sistema do Convencimento Motivado pelo ordenamento brasileiro:
✓ Não existe prova de valor absoluto (ausência de hierarquia).
✓ Ausência de limitação quanto aos meios de prova – provas inominadas.
✓ O juiz deve valorar todas as provas produzidas no processo, mesmo que para afastá-las (exemplo:
mesmo que o juiz não acolha, se ele a afastar, deverá declarar por motivo não é crível). Assim, não basta
o direito a produzir a prova, surge o direito de que a prova seja apreciada pelo juiz – contraditório.
✓ Somente são válidas as provas constantes do processo, conhecimentos privados do juiz não tem
validade.
O direito à produção de provas não é absoluto, haja vista que a própria lei
processual penal, em seu artigo 400, § 1º, faculta ao julgador, desde que de forma
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fundamentada, indeferir as provas consideradas irrelevantes, impertinentes ou
protelatórias. STF. 2ª Turma. HC 191858, 628075, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado
em 30/11/2020.
Explicação via Dizer o Direito:
O julgador deve realizar um controle de admissibilidade de provas requeridas pelas
partes, a partir dos critérios de relevância e pertinência.
Assim, é a doutrina de Gustavo Badaró: “nos sistemas probatórios em que às partes
é assegurado um verdadeiro direito à prova, os critérios de admissibilidade devem
ser concebidos a partir de um regime de inclusão: a regra é que os meios de prova
requeridos pelas partes devem ser admitidos. Somente haverá exclusão nos casos
de manifesta irrelevância ou impertinência do meio probatório requerido pelas
partes”. (Processo Penal. 6ª ed. RT, 2018. p. 409)
A discricionariedade associada ao deferimento da produção probatória decorre
implicitamente do sistema de persuasão racional, em que o Estado-Juiz figura como
destinatário do conjunto probatório e atua, mediante critérios de liberdade
regrada, nas etapas de admissão e valoração da prova (AgR no HC 173.777, Rel.
Min. Edson Fachin, Segunda Turma, DJe 12.12.2019)
e) Teoria racionalista da prova (STF, Info 935): O Supremo Tribunal Federal, em um julgado da 2ª
Turma, publicado no informativo 935, com a temática do in dubio pro societate no processo penal, propôs a
adoção de um novo sistema de valoração da prova, o sistema racionalista.
Saindo de um sistema em que os critérios eram totalmente vinculados, passou-se para um modelo
de “livre convencimento”, em que uma pretensa liberdade do julgador ocasionou total abertura à
discricionariedade no juízo de fatos.
Por isso, é importante que adote uma teoria racionalista da prova segundo a qual:
• Não deve haver critérios de valoração das provas rigidamente definidos na lei;
• No entanto, por outro lado, o juízo sobre os fatos deve ser pautado por critérios de lógica e racionalidade,
podendo ser controlado em âmbito recursal ordinário.
A valoração racional da prova é uma imposição constitucional decorrente:
• Do direito à prova (art. 5º, LV, CF/88); e
• Do dever de motivação das decisões judiciais (art. 93, IX).
Standard probatório
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Um pressuposto fundamental para a adoção de uma teoria racionalista da prova é a definição de
standards probatórios, que são denominados “modelos de constatação” (KNIJNIK, Danilo. A prova nos juízos
cível, penal e tributário. Forense, 2007, p. 37).
Os modelos de constatação são níveis de convencimento ou de certeza, que servem de critério para
que seja proferida decisão em determinado sentido. Ex: o modelo de constatação para se condenar alguém
é baseado em provas concretas produzidas sob o crivo do contraditório e da ampla defesa no processo
judicial.
Em resumo, a teoria racionalista da prova propõe a criação de parâmetros para a valoração da prova,
já que, segundo a teoria, o livre convencimento motivado poderia dar margem ao decisionismo e a
fundamentações vazias. Como parâmetro de valoração trabalha com a ideia de “standards probatórios” ou
modelos de constatação, que são critérios racionais e objetivos.
8. CADEIA DE CUSTÓDIA DAS PROVAS E L. 13964/19
Art. 158-A. Considera-se cadeia de custódia o conjunto de todos os procedimentos
utilizados para manter e documentar a história cronológica do vestígio coletado em
locais ou em vítimas de crimes, para rastrear sua posse e manuseio a partir de seu
reconhecimento até o descarte.
§ 1º O início da cadeia de custódia dá-se com a preservação do local de crime ou
com procedimentos policiais ou periciais nos quais seja detectada a existência de
vestígio.
§ 2º O agente público que reconhecer um elemento como de potencial interesse
para a produção da prova pericial fica responsável por sua preservação.
§ 3º Vestígio é todo objeto ou material bruto, visível ou latente, constatado ou
recolhido, que se relaciona à infração penal. ’
‘Art. 158-B. A cadeia de custódia compreende o rastreamento do vestígio nas
seguintes etapas:
I - reconhecimento: ato de distinguir um elemento como de potencial interesse
para a produção da prova pericial;
II - isolamento: ato de evitar que se altere o estado das coisas, devendo isolar e
preservar o ambiente imediato, mediato e relacionado aos vestígios e local de
crime;
III - fixação: descrição detalhada do vestígio conforme se encontra no local de crime
ou no corpo de delito, e a sua posição na área de exames, podendo serilustrada
por fotografias, filmagens ou croqui, sendo indispensável a sua descrição no laudo
pericial produzido pelo perito responsável pelo atendimento;
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IV - coleta: ato de recolher o vestígio que será submetido à análise pericial,
respeitando suas características e natureza;
V - acondicionamento: procedimento por meio do qual cada vestígio coletado é
embalado de forma individualizada, de acordo com suas características físicas,
químicas e biológicas, para posterior análise, com anotação da data, hora e nome
de quem realizou a coleta e o acondicionamento;
VI - transporte: ato de transferir o vestígio de um local para o outro, utilizando as
condições adequadas (embalagens, veículos, temperatura, entre outras), de modo
a garantir a manutenção de suas características originais, bem como o controle de
sua posse;
VII - recebimento: ato formal de transferência da posse do vestígio, que deve ser
documentado com, no mínimo, informações referentes ao número de
procedimento e unidade de polícia judiciária relacionada, local de origem, nome de
quem transportou o vestígio, código de rastreamento, natureza do exame, tipo do
vestígio, protocolo, assinatura e identificação de quem o recebeu;
VIII - processamento: exame pericial em si, manipulação do vestígio de acordo com
a metodologia adequada às suas características biológicas, físicas e químicas, a fim
de se obter o resultado desejado, que deverá ser formalizado em laudo produzido
por perito;
IX - armazenamento: procedimento referente à guarda, em condições adequadas,
do material a ser processado, guardado para realização de contraperícia,
descartado ou transportado, com vinculação ao número do laudo correspondente;
X - descarte: procedimento referente à liberação do vestígio, respeitando a
legislação vigente e, quando pertinente, mediante autorização judicial.’
‘Art. 158-C. A coleta dos vestígios deverá ser realizada preferencialmente por perito
oficial, que dará o encaminhamento necessário para a central de custódia, mesmo
quando for necessária a realização de exames complementares.
§ 1º Todos vestígios coletados no decurso do inquérito ou processo devem ser
tratados como descrito nesta Lei, ficando órgão central de perícia oficial de
natureza criminal responsável por detalhar a forma do seu cumprimento.
§ 2º É proibida a entrada em locais isolados bem como a remoção de quaisquer
vestígios de locais de crime antes da liberação por parte do perito responsável,
sendo tipificada como fraude processual a sua realização.’
‘Art. 158-D. O recipiente para acondicionamento do vestígio será determinado pela
natureza do material.
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§ 1º Todos os recipientes deverão ser selados com lacres, com numeração
individualizada, de forma a garantir a inviolabilidade e a idoneidade do vestígio
durante o transporte.
§ 2º O recipiente deverá individualizar o vestígio, preservar suas características,
impedir contaminação e vazamento, ter grau de resistência adequado e espaço
para registro de informações sobre seu conteúdo.
§ 3º O recipiente só poderá ser aberto pelo perito que vai proceder à análise e,
motivadamente, por pessoa autorizada.
§ 4º Após cada rompimento de lacre, deve se fazer constar na ficha de
acompanhamento de vestígio o nome e a matrícula do responsável, a data, o local,
a finalidade, bem como as informações referentes ao novo lacre utilizado.
§ 5º O lacre rompido deverá ser acondicionado no interior do novo recipiente.’
‘Art. 158-E. Todos os Institutos de Criminalística deverão ter uma central de
custódia destinada à guarda e controle dos vestígios, e sua gestão deve ser
vinculada diretamente ao órgão central de perícia oficial de natureza criminal.
§ 1º Toda central de custódia deve possuir os serviços de protocolo, com local para
conferência, recepção, devolução de materiais e documentos, possibilitando a
seleção, a classificação e a distribuição de materiais, devendo ser um espaço seguro
e apresentar condições ambientais que não interfiram nas características do
vestígio.
§ 2º Na central de custódia, a entrada e a saída de vestígio deverão ser
protocoladas, consignando-se informações sobre a ocorrência no inquérito que a
eles se relacionam.
§ 3º Todas as pessoas que tiverem acesso ao vestígio armazenado deverão ser
identificadas e deverão ser registradas a data e a hora do acesso.
§ 4º Por ocasião da tramitação do vestígio armazenado, todas as ações deverão ser
registradas, consignando-se a identificação do responsável pela tramitação, a
destinação, a data e horário da ação.’
‘Art. 158-F. Após a realização da perícia, o material deverá ser devolvido à central
de custódia, devendo nela permanecer.
Parágrafo único. Caso a central de custódia não possua espaço ou condições de
armazenar determinado material, deverá a autoridade policial ou judiciária
determinar as condições de depósito do referido material em local diverso,
mediante requerimento do diretor do órgão central de perícia oficial de natureza
criminal.’
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8.1 Considerações iniciais
“A cadeia de custódia contribui para a validação da prova pericial e o respectivo
laudo gerado”. Ettore Ferrari Júnior
A cadeia de custódia é um conceito que já era utilizado em todas as disciplinas que integram as
ciências criminalísticas e consiste, segundo o novo Art. 158-A do CPP, noconjunto de todos os
procedimentos utilizados para manter e documentar a história cronológica do vestígio coletado em locais
ou em vítimas de crimes, para rastrear sua posse e manuseio a partir de seu reconhecimento até o
descarte.
Considerando todas as fontes de informação disponíveis em investigações (como por exemplo,
confissões, testemunhas, vídeo-vigilância, etc.) a evidência material desempenha um papel central e
especialmente importante. Excetuando-se as provas materiais, todas as outras fontes de informação sofrem
com problemas de confiabilidade limitada. A evidência material, quando identificada e apropriadamente
tratada, oferece a melhor perspectiva para prover informações objetivas e confiáveis envolvendo o incidente
sob investigação.
Sendo assim, a cadeia de custódia possui a função de garantir a integridade da prova. Ela é
importante porque garante a idoneidade e rastreabilidade dos vestígios com a finalidade de preservar a
confiabilidade e transparência até que o processo seja concluído.
Nesse sentido nos ensina o Professor Aury Lopes Jr7:
“A prova serve, a um só tempo, para buscar a reconstituição (aproximativa e
parcial) de um fato passado, histórico, para um juiz ‘ignorante’ (pois ignora os
fatos). É a prova que permite a atividade recognitiva (e não cognitiva, pois indireta)
do juiz em relação ao fato histórico (story of the case) narrado pela acusação. Ao
mesmo tempo tem uma função persuasiva, pois é através dela que se permite a
construção do convencimento, da decisão. Por isso, as provas servem para obter a
captura psíquica do julgador, para formar sua convicção. A preservação das fontes
de prova é, portanto, fundamental, principalmente quando se trata de provas cuja
produção ocorre fora do processo, como é o caso da coleta de DNA, interceptação
telefônica, etc. Trata-se de verdadeira condição de validade da prova. ”
Para que uma evidencia seja admissível em um tribunal, esta precisa ser autenticada, ou seja, será
preciso comprovar a autenticidade e integridade desta. Essa autenticação hoje em dia é o grande desafio e
o maior questionamento que deve ser seriamente considerado, já que a cadeia de custódia é considerada
como o elo fraco das investigações criminais.
7 (Jr, A importância da cadeia de custódia para preservar a prova penal, 2015)
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Com o advento da L. 13964/19 e a positivação da cadeia de custódia no Código de Processo penal a
discussão sobre a necessidade de ser preservar os vestígios volta à baila no processo penal.
8.2 Quebra da cadeia de custódia, princípio da mesmidade e desconfiança
A discussão acerca da quebra da cadeia de custódia adquire especial relevância nas provas que tem
pretensão de ‘evidência’, verdadeiros atalhos para obtenção da tão almejada (e ilusória) “verdade”, tais
como as interceptações telefônicas ou o DNA. São provas que acabam por sedar os sentidos e anular o
contraditório.
Nestas situações, por serem obtidas ‘fora do processo’, é crucial que se demonstre de forma
documentada a cadeia de custódia e toda a trajetória feita, da coleta até a inserção no processo e valoração
judicial. Ora, se um acusado reponde pelo crime de tráfico e o laudo pericial definitivo ainda não foi realizado,
é imprescindível que se tenha a garantia de que a substância apreendida em poder do acusado seja a mesma
submetida a análise.
Geraldo Prado nos traz como exigência dos princípios da “mesmidade”8 e da “desconfiança”.
1 Princípio da Mesmidade
Por “mesmidade” (forma aproximada a empregada na língua espanhola, que não possui
correspondente em português e não pode ser traduzido como ‘mesmice’), entende-se a garantia de que a
prova valorada é exatamente e integralmente aquela que foi colhida, correspondendo, portanto “a
mesma”. Não raras vezes, por diferentes filtros e manipulações feitas pelas autoridades que
colhem/custodiam a prova, o que é trazido para o processo não obedece a exigência de “mesmidade”, senão
que corresponde ao signo de ‘parte do’, que constitui, em última análise, ‘a outro’ e não ‘ao mesmo’.
Questão recorrente nas interceptações telefônicas está na violação da “mesmidade” e, por via de
consequência, do direito da defesa de ter acesso a integralidade da prova na sua originalidade (manifestação
do contraditório=direito a informação e paridade de armas), na medida em que a prova é ‘filtrada’ pela
autoridade policial ou órgão acusador, que traz para o processo (e submete ao contraditório diferido) apenas
o que lhe interessa. Não é ‘a mesma’ prova colhida, mas apenas aquela que interessa ao acusador, subtraindo
o acesso da defesa. A manipulação (e aqui se emprega no sentido físico do vocábulo, sem juízo de desvalor
ou atribuição de má-fé ao ‘manipulador’) é feita durante a custódia e viola exatamente as regras de
preservação da idoneidade.
2 Princípio da Desconfiança
Já a “desconfiança” (decorrência salutar em democracia, onde se desconfia do poder, que precisa
ser legitimado sempre) consiste na exigência de que a prova (documentos, DNA, áudios etc.) devam ser
‘acreditados’, submetidos a um procedimento que demonstre que tais objetos correspondem ao que a
8 (Prado, Ainda sobre a quebra da cadeia de custódia das provas, pp. 16-17)
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parte alega ser. Como explica Geraldo Prado, o tema de provas exige a intervenção de regras de
“acreditação”, pois nem tudo que ingressa no processo pode ter valor probatório, há que ser “acreditado”,
legitimado, valorado desde sua coleta até a produção em juízo para ter valor probatório.
A exigência de proteção da cadeia de custódia da prova, ao fim e ao cabo, impõe um novo olhar, mais
democrático, que supera a ideia de que a presunção de veracidade dos agentes públicos é verdadeira
panaceia para nossos problemas.
Assim, conforme conclui Aury Lopes Jr, citando Geraldo Prado:
“A resposta, para além de tudo o que já se disse sobre o valor e imprescindibilidade
de estrito respeito às “regras do jogo”, está na necessidade de incorporar um
“efeito dissuasório” (deterrent effect) que serve de desestímulo às agências
repressivas quanto à tentação de recorrerem a práticas ilegais para obter a
punição” (Geraldo Prado). ”
8.3 Fases da cadeiade custódia
Como forma de facilitar a fixação das diversas fases da cadeia de custódia, vamos trabalhar com a
divisão em duas grandes fases: a fase interna e fase externa (não vamos adotar necessariamente a ordem
dos incisos).
A FASE EXTERNA:
A fase externa compreende todos os passos entre a preservação do local de crime ou apreensões dos
elementos de prova e a chegada do vestígio ao órgão pericial encarregado de processá-lo. Compreende,
portanto, a preservação do local de crime, a busca do vestígio, seu reconhecimento, isolamento, fixação,
coleta, acondicionamento, transporte e recebimento.
I Do isolamento
“Art. 158-B. A cadeia de custódia compreende o rastreamento do vestígio nas
seguintes etapas: [...]
II - isolamento: ato de evitar que se altere o estado das coisas, devendo isolar e
preservar o ambiente imediato, mediato e relacionado aos vestígios e local de
crime; ”
Entendemos que antes mesmo de se realizar o reconhecimento, o local deve ser isolado para que,
após uma análise pelo perito, possa ser identificado o que é relevante ou não na compreensão da cena do
crime.
O isolamento do local deve ser um isolamento físico, através de fitas, cordas ou outros meios,
abrangendo o local propriamente dito e as vias de acesso. Quando o tiro ocorreu em local fechado, uma
residência, por exemplo, muitas vezes os familiares da vítima, na tentativa de socorrê-la ou de preservar sua
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imagem, alteram o local. Em locais abertos os populares também podem alterar o local9. É o art. 169 do CPP
que determina o isolamento do local, nos seguintes termos:
“Art. 169. Para efeito de exame do local onde houver sido praticada a infração, a
autoridade providenciará imediatamente para que não se altere o estado das coisas
até a chegada dos peritos, que poderão instruir seus laudos com fotografias,
desenhos ou esquema elucidativos. ”
A atuação da autoridade policial na preservação do local é de vital importância. Essa atuação, por
vezes, deve ser firme, enérgica, evitando a alteração ou a subtração de vestígios materiais importantes,
relacionados com o fato. A própria autoridade policial ou seu agente deve respeitar o local evitando o
deslocamento ou o recolhimento, antes da chegada dos peritos, de qualquer vestígio material. O perito oficial
deve ser a primeira pessoa a adentrar no local.
Cabe ressaltar que, segundo o Art. 158-C do CPP, o ingresso em local isolado por tipificar o crime de
fraude processual:
“Art. 158-C. [...]
§ 2º É proibida a entrada em locais isolados bem como a remoção de quaisquer
vestígios de locais de crime antes da liberação por parte do perito responsável,
sendo tipificada como fraude processual a sua realização. ”
II Do reconhecimento
Como já afirmamos acima, o reconhecimento da importância de cada elemento deve ser feito pelo
perito criminal que analisará a cena do crime, não devendo ser feito pelo policial militar ou mesmo pela
autoridade policial e seus agentes. O próprio Código de Processo Penal estabelece que cabe à Autoridade
Policial preservar o local do crime para que o perito criminal possa realizar a análise (reconhecimento) de
cada um dos elementos.
“Art. 158-B. A cadeia de custódia compreende o rastreamento do vestígio nas
seguintes etapas:
I - reconhecimento: ato de distinguir um elemento como de potencial interesse
para a produção da prova pericial; ”
III Da fixação (descrição)
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A terceira fase do procedimento é a descrição pormenorizada do vestígio e de tudo que o cerca.
Todos aqueles que tiveram contato com o vestígio serão objeto da descrição, bem como eventual alteração.
Na prática, ainda é comum um corpo ser fotografado ao lado de objetos pessoais que não são descritos no
laudo e acabam se perdendo pelos diversos departamentos para que são remetidos. Tudo deve ser descrito.
“Art. 158-B. A cadeia de custódia compreende o rastreamento do vestígio nas
seguintes etapas:
III - fixação: descrição detalhada do vestígio conforme se encontra no local de crime
ou no corpo de delito, e a sua posição na área de exames, podendo ser ilustrada
por fotografias, filmagens ou croqui, sendo indispensável a sua descrição no laudo
pericial produzido pelo perito responsável pelo atendimento; ”
IV Da coleta
A coleta dá-se no momento em que o vestígio é retirado do local original. É realizada
preferencialmente por perito oficial (Art. 158-C do CPP) e deve preservar as características originais do
vestígio
“Art. 158-B. A cadeia de custódia compreende o rastreamento do vestígio nas
seguintes etapas:
IV - coleta: ato de recolher o vestígio que será submetido à análise pericial,
respeitando suas características e natureza; ”
“Art. 158-C. A coleta dos vestígios deverá ser realizada preferencialmente por
perito oficial, que dará o encaminhamento necessário para a central de custódia,
mesmo quando for necessária a realização de exames complementares. ”
V Do acondicionamento
Acondicionar significar “pôr ou guardar em” e, no processo penal, possui o sentido de embalar o
vestígio de modo que não haja contaminação ou desnaturação do mesmo. Sendo assim, o acondicionamento
possui a finalidade de manter íntegras as características físicas, químicas e biológicas do vestígio.
A alteração legislativa é salutar, entretanto esbarra na falta de estrutura do Estado, que na maioria
dos Estados da federação, sequer disponibiliza recipientes plásticos adequados para o acondicionamento de
vestígios. Resta aguardar como a novidade legislativa será implementada.
Importante ainda, que todo recipiente utilizado para acondicionar o vestígio será selado com lacre e,
sempre que necessário, os lacres violados serão acondicionados em outro recipiente, mantendo o registro
da cadeia de custódia.
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“Art. 158-B. A cadeia de custódia compreende o rastreamento do vestígio nas
seguintes etapas: [...]
V - acondicionamento: procedimento por meio do qual cada vestígio coletado é
embalado de forma individualizada, de acordo com suas características físicas,
químicas e biológicas, para posterior análise, com anotação da data, hora e nome
de quem realizou a coleta e o acondicionamento; ”
“Art. 158-D. O recipiente para acondicionamento do vestígio será determinado
pela natureza do material.
§ 1º Todos os recipientes deverão ser selados com lacres, com numeração
individualizada, de forma a garantir a inviolabilidade e a idoneidade do vestígio
durante o transporte.
§ 2º O recipiente deverá individualizar o vestígio, preservar suas características,
impedir contaminação e vazamento, ter grau de resistência adequado e espaço
para registro de informações sobre seu conteúdo.
§ 3º O recipiente só poderá ser aberto pelo perito que vai proceder à análise e,
motivadamente, por pessoa autorizada.
§ 4º Após cada rompimento de lacre, deve se fazer constar na ficha de
acompanhamento de vestígio o nome e a matrícula do responsável, a data, o local,
a finalidade, bem como as informações referentes ao novo lacre utilizado.
§ 5º O lacre rompido deverá ser acondicionado no interior do novo recipiente. ”
Obs.: Em 2017 (Info. 608), o STJ entendeu que a ausência de lacre em todos os documentos e bens
apreendidos durante uma busca e apreensão, não torna automaticamente ilegítima a prova obtida. No
entanto, diante da recente introdução da cadeia de custódia pelo Pacote Anticrime, devemos ficar atentos
se o posicionamento irá permanecer o mesmo.
Inicialmente, consigne-se que a disciplina das nulidades, no processo penal é regida
pelo art. 563 do CPP, segundo o qual "nenhum ato será declarado nulo, se da
nulidade não resultar prejuízo para a acusação ou para a defesa". É assente, ainda,
na jurisprudência desta Corte e do STF que a demonstração do prejuízo é essencial
à alegação de nulidade, seja ela relativa ou absoluta. Ante a presunção de
validade e legitimidade dos atos praticados por funcionários públicos, compete à
defesa demonstrar de forma concreta o descumprimento das formalidades legais
e essenciais do ato e, especificamente, que o material apreendido e
eventualmente não lacrado foi corrompido ou adulterado, de forma a causar
prejuízo à defesa e modificar o conteúdo da prova colhida. Por fim, à mingua de
exigência legal específica, a ausência de lacre em todos os documentos e bens
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apreendidos – que decorreu da grande quantidade de material – desacompanhada
de maiores dados concretos sobre efetiva interferência dos agentes públicos ou da
acusação sobre as provas colhidas –, não tem o condão de nulificar o ato e a ação
penal.
VI Do transporte
Como condição de validade da prova, o vestígio coletado e acondicionado deve ser transportado de
forma adequada. Ganha relevo o transporte dos vestígios biológicos, que deve ser transportado em veículo
que assegure a manutenção das características originais do vestígio, inclusive quanto à temperatura.
A degradação do DNA de amostras biológicas, utilizadas em investigação criminal, pode ocorrer
decorrente de um processo natural de exposição ao meio ambiente. Luz, umidade, temperaturas elevadas,
bem como contaminações bacterianas ou fúngicas levam à degradação química do DNA humano (SCHNEIDER
et al, 2004).
“Art. 158-B. A cadeia de custódia compreende o rastreamento do vestígio nas
seguintes etapas: [...]
VI - transporte: ato de transferir o vestígio de um local para o outro, utilizando as
condições adequadas (embalagens, veículos, temperatura, entre outras), de modo
a garantir a manutenção de suas características originais, bem como o controle de
sua posse;
Por fim, a fase interna se encerra com o recebimento do vestígio no órgão responsável pelo
armazenamento do vestígio. Portanto, a fase de recebimento é, ao mesmo tempo, o momento em que se
encerra a fase interna e que dá início à fase externa.
B FASE INTERNA
A fase interna compreende todas as etapas entre a entrada do vestígio no órgão pericial até sua
devolução juntamente com o laudo pericial, ao órgão requisitante da perícia. Compreende, portanto, a
recepção e conferência do vestígio, a classificação, guarda e/ou distribuição do vestígio, análise pericial
propriamente dita, guarda e devolução do vestígio de prova, guarda de vestígios para contraperícia, e registro
da cadeia de custódia.
I Do recebimento
Conforme dito acima, a fase de recebimento é, ao mesmo tempo, o momento em que se encerra a
fase interna e que dá início a fase externa. É o momento da transferência da posse do vestígio, que também
deve guardar o procedimento adequado.
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“Art. 158-B. A cadeia de custódia compreende o rastreamento do vestígio nas
seguintes etapas: [...]
VII - recebimento: ato formal de transferência da posse do vestígio, que deve ser
documentado com, no mínimo, informações referentes ao número de
procedimento e unidade de polícia judiciária relacionada, local de origem, nome de
quem transportou o vestígio, código de rastreamento, natureza do exame, tipo do
vestígio, protocolo, assinatura e identificação de quem o recebeu;
II Do processamento
O processamento do vestígio dá-se durante a manipulação do mesmo para a realização do exame
pelo perito, com a posterior confecção do laudo. É o momento onde propriamente se realiza a perícia.
“Art. 158-B. A cadeia de custódia compreende o rastreamento do vestígio nas
seguintes etapas: [...]
VIII - processamento: exame pericial em si, manipulação do vestígio de acordo com
a metodologia adequada às suas características biológicas, físicas e químicas, a fimde se obter o resultado desejado, que deverá ser formalizado em laudo produzido
por perito;
III Do armazenamento
“Art. 158-B. A cadeia de custódia compreende o rastreamento do vestígio nas
seguintes etapas: [...]
IX - armazenamento: procedimento referente à guarda, em condições adequadas,
do material a ser processado, guardado para realização de contraperícia,
descartado ou transportado, com vinculação ao número do laudo correspondente;
O vestígio que serviu de base à perícia, deverá ser disponibilizado no ambiente do órgão oficial, para
exame pelo assistente técnico, conforme, o CPP:
Art. 159. § 6o. Havendo requerimento das partes, o material probatório que serviu
de base à perícia será disponibilizado no ambiente do órgão oficial, que manterá
sempre sua guarda, e na presença de Perito Oficial, para exame pelos Assistentes,
salvo se for impossível a sua conservação.
Com a L.13964/19, surgiu a imposição aos institutos de criminalística de criar suas respectivas
centrais de custódia, que serão responsáveis pelo armazenamento e registro da manipulação dos vestígios.
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“Art. 158-E. Todos os Institutos de Criminalística deverão ter uma central de
custódia destinada à guarda e controle dos vestígios, e sua gestão deve ser
vinculada diretamente ao órgão central de perícia oficial de natureza criminal.
§ 1º Toda central de custódia deve possuir os serviços de protocolo, com local
para conferência, recepção, devolução de materiais e documentos, possibilitando
a seleção, a classificação e a distribuição de materiais, devendo ser um espaço
seguro e apresentar condições ambientais que não interfiram nas características do
vestígio.
§ 2º Na central de custódia, a entrada e a saída de vestígio deverão ser
protocoladas, consignando-se informações sobre a ocorrência no inquérito que a
eles se relacionam.
§ 3º Todas as pessoas que tiverem acesso ao vestígio armazenado deverão ser
identificadas e deverão ser registradas a data e a hora do acesso.
§ 4º Por ocasião da tramitação do vestígio armazenado, todas as ações deverão ser
registradas, consignando-se a identificação do responsável pela tramitação, a
destinação, a data e horário da ação.’
Art. 158-F. Após a realização da perícia, o material deverá ser devolvido à central
de custódia, devendo nela permanecer.
Parágrafo único. Caso a central de custódia não possua espaço ou condições de
armazenar determinado material, deverá a autoridade policial ou judiciária
determinar as condições de depósito do referido material em local diverso,
mediante requerimento do diretor do órgão central de perícia oficial de natureza
criminal. ”
IV Do descarte
A Lei 13964/19 chama de “descarte” a fase de liberação do vestígio. Cuidado, nessa fase pode ocorrer
a restituição do objeto ao proprietário, a destruição propriamente, como no caso das drogas ou ser dada
outra destinação conforme a lei, dependendo, em alguns casos, de autorização judicial. Perceba que a fase
do descarte é o momento em que o vestígio sai da guarda da central de custódia.
“Art. 158-B. A cadeia de custódia compreende o rastreamento do vestígio nas
seguintes etapas: [...]
X - descarte: procedimento referente à liberação do vestígio, respeitando a
legislação vigente e, quando pertinente, mediante autorização judicial.”
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Jurisprudência sobre o tema:
Qual é a consequência decorrente da quebra da cadeia de custódia (break in the chain of custody)?
Existem duas correntes sobre o tema:
- 1ª corrente: a consequência é a ilicitude da prova, com a sua exclusão, assim como das demais provas dela
derivadas.
- 2ª corrente: a quebra da cadeia de custódia não leva, obrigatoriamente, à ilicitude ou à ilegitimidade da
prova, devendo ser analisado o caso concreto.
O STJ adota a 2ª corrente:
As irregularidades constantes da cadeia de custódia devem ser sopesadas pelo magistrado com
todos os elementos produzidos na instrução, a fim de aferir se a prova é confiável. STJ. 6ª Turma.
HC 653.515-RJ, Rel. Min. Laurita Vaz, Rel. Acd. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 23/11/2021 (Info
720).
9. MEIOS DE PROVA EM ESPÉCIE
9.1 Exame de Corpo de Delito
Conceitos:
a Corpo de delito: trata-se do conjunto de vestígios materiais deixados pela infração penal. A expressão
“corpo de delito” não necessariamente significa o corpo de uma pessoa, mas sim os vestígios deixados
pelo crime, ou seja, diz respeito à materialidade da infração penal.
➢ Ex: Crime de Latrocínio (art. 157, §3º, CP) em um apartamento. Nesse caso, o corpo de delito não se
resume ao cadáver, abrangendo também todos os vestígios perceptíveis pelos sentidos humanos,
tais como eventuais marcas de sangue deixadas no chão, a arma de fogo utilizada para a prática do
delito, eventuais sinais de arrombamento da porta do apartamento, etc.
b Exame: é uma análise feita por pessoas com conhecimentos técnicos ou científicos sobre os vestígios
deixados pela infração penal, seja para fins de comprovação da materialidade do crime, seja para fins de
comprovação da autoria.
O professor Renato Brasileiro explica que como o magistrado não é dotado de conhecimentos
enciclopédicos, e se vê obrigado a julgar causas das mais variadas espécies, afigura-se necessário recorrer a
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especialistas, os quais, dotados de conhecimentos198
10. CRIMES AMBIENTAIS EM ESPÉCIE: .......................................................................................................... 202
10.1 Crimes Contra A Fauna ....................................................................................................................................... 203
10.1.1. Art. 29 – Crime de caça: .............................................................................................................................. 203
10.1.2. Art. 30 – Exploração Irregular de Peles e Couros de Anfíbios e Répteis ..................................................... 206
10.1.3. Art. 31 – Introdução Irregular de Espécime Animal no País ....................................................................... 206
10.1.4. Art. 32 – Maus Tratos ................................................................................................................................. 206
10.1.5. Art. 33 – Perecimento de Espécies da Fauna Aquática ............................................................................... 211
20.1.6. Art. 34 – Pesca Predatória .......................................................................................................................... 212
10.1.7. Art. 35 – Pesca Mediante Explosivos, Substâncias Tóxicas ou Assemelhados ............................................ 212
10.1.8. Art. 37 – Exclusão Do Crime ........................................................................................................................ 214
10.2 Crimes Contra A Flora ......................................................................................................................................... 214
10.2.1. Art. 38 – Destruição, Dano ou Utilização de Floresta de Preservação Permanente: .................................. 215
10.2.2. Art. 39 – Corte de Árvore em Floresta de Preservação Permanente: ........................................................ 215
10.2.3. Art. 40 – Dano a Unidades de Conservação de Proteção Integral .............................................................. 215
10.2.4. Art. 41 – Incêndio Em Mata ou Floresta ..................................................................................................... 217
10.2.5. Art. 42 – Soltar Balões................................................................................................................................. 218
10.2.6. Art. 44 – Extração de Minerais de Floresta de Domínio Público ou de Preservação Permanente ............. 218
10.2.7. Art. 45 – Transformação Da Madeira De Lei Em Carvão ............................................................................. 218
10.2.8. Art. 46 – Comércio ou Industrialização Irregular de Produtos Vegetais ..................................................... 218
10.2.9. Art. 48 – Impedimento ou Dificultação de Regeneração das Florestas ou Vegetação ............................... 219
10.2.10. Art. 49 – Destruir, Danificar, Lesar ou Maltratar, por Qualquer Modo ou Meio, Plantas de Ornamentação
de Logradouros Públicos ou em Propriedade Privada ............................................................................................ 220
10.2.11. Art. 50 – Destruição ou Dano de Floresta ou Vegetação de Especial Preservação .................................. 221
10.2.12. Art. 51 – Comercialização Ou Utilização De Motosserra Sem Licença Ou Registro .................................. 221
10.2.13. Art. 52 – Ingresso Irregular em Unidade de Conservação Portando Substância ou Instrumento para caça
ou exploração florestal ........................................................................................................................................... 222
10.2.14. Art. 53 – Causas de Aumento de pena para os crimes contra a flora ....................................................... 222
10.3. Crimes de Poluição ............................................................................................................................................ 222
10.4. Execução de pesquisa, lavra ou extração de recursos mineirais ....................................................................... 225
QUESTÕES PROPOSTAS ................................................................................................................................. 231
META 5 .......................................................................................................................................................... 237
MEDICINA LEGAL: SEXOLOGIA ....................................................................................................................... 237
1. CONCEITOS IMPORTANTES........................................................................................................................ 237
2. PERÍCIAS ..................................................................................................................................................... 238
2.1 Perícia da Virgindade e Himenologia .................................................................................................................... 238
2.2 Rotura X Entalhe ................................................................................................................................................... 239
2.3 Presença de Carúnculas Puntiformes ................................................................................................................... 241
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2.4 Perícia da Conjunção Carnal ................................................................................................................................. 242
2.4.1 Sinais de Possibilidade X Sinais de Certeza da Conjunção Carnal ................................................................. 243
2.5 Perícia em Ato Libidinoso Diverso da Conjunção Carnal ...................................................................................... 244
2.5.1 Perícia no Coito Oral ...................................................................................................................................... 245
2.5.2 Perícia de Coito Anal ...................................................................................................................................... 245
2.6 Perícia da Gravidez ............................................................................................................................................... 246
2.7 Perícia do Parto .................................................................................................................................................... 247
2.8 Perícia do Aborto .................................................................................................................................................. 248
2.9 PERÍCIA DO INFANTICÍDIO .................................................................................................................................... 252
2.9.1 Perícia na Criança ........................................................................................................................................... 253
3. PROVA DE VIDA EXTRAUTERINAespecíficos acerca do assunto, podem auxiliar o juiz no
esclarecimento do fato delituoso (2017, pág. 654).
Cumpre destacarmos que, o exame de corpo de delito não é a única espécie de exame pericial.
Ex.: perícia de insanidade mental (não é exame de corpo de delito).
c Laudo de exame de corpo de delito: refere-se a uma peça técnica elaborada pelos peritos durante ou
após a conclusão do exame pericial.
Estrutura:
• Preâmbulo: qualificação do perito oficial ou dos peritos não oficiais e do objeto da perícia;
• Exposição: narrativa de tudo que é observado pelos experts;
• Fundamentação: motivos que levaram os experts à conclusão final;
• Conclusão técnica: resposta aos quesitos.
d Momento para a juntada do laudo pericial:
Candidato, o laudo pericial pode ser juntado a qualquer momento?
R.: Em regra, o laudo pericial não funciona como condição de procedibilidade. Ou seja, o laudo é
dispensável quando do oferecimento da denúncia.
Todavia, temos exceções, hipótese em que o laudo funcionará como condição de procedibilidade:
1 Laudo de Constatação na Lei de Drogas: o laudo em comento é o chamado laudo provisório (laudo de
constatação).
2 Crimes contra a propriedade imaterial
No caso da lei de drogas, existem dois laudos, o primeiro, conhecido como laudo de constatação,
sendo este verdadeira condição de procedibilidade para o oferecimento da denúncia e para a própria
lavratura do auto de prisão em flagrante e posteriormente, o chamado de laudo definitivo.
LAUDO DE CONSTATAÇÃO DE DROGAS CRIMES CONTRA A PROPRIEDADE IMATERIAL
Lei n.º 11.343/06, art. 50, § 1º: “Para efeito da
lavratura do auto de prisão em flagrante e
estabelecimento da materialidade do delito, é
suficiente o laudo de constatação da natureza e
quantidade da droga, firmado por perito oficial
ou, na falta deste, por pessoa idônea”.
CPP, art. 525: “No caso de haver o crime
deixado vestígio, a queixa ou a denúncia não
será recebida se não for instruída com o exame
pericial dos objetos que constituam o corpo de
delito”.
Dessa forma, temos que, em regra, o laudo pericial pode ser juntado durante o curso do processo,
desde que o seja de antecedência mínima de dez dias, em relação a audiência UNA de instrução e
julgamento, desde que com 10 dias de antecedência da audiência; pois este é o prazo mínimo exigido para
pedir os esclarecimentos.
O laudo pericial pode ser juntado, inclusive, durante o processo, desde que com antecedência
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mínima de dez dias da audiência uma de instrução e julgamento. Nesse sentido, vejamos o que dispõe o art.
400 do CPP.
CPP, art. 400: “Na audiência de instrução e julgamento, a ser realizada no prazo
máximo de 60 (sessenta) dias, proceder-se-á à tomada de declarações do ofendido,
à inquirição das testemunhas arroladas pela acusação e pela defesa, nesta ordem,
ressalvado o disposto no art. 222 deste Código, bem como aos esclarecimentos dos
peritos, às acareações e ao reconhecimento de pessoas e coisas, interrogando-se,
em seguida, o acusado”.
Na AIJ é possível esclarecimentos dos peritos, contudo, para que esses esclarecimentos ocorram
se faz necessário que esse pedido de esclarecimentos deve ser feito com antecedência mínima de dez dias
(CPP, art. 159, § 5º, I).
e Obrigatoriedade de realização do exame de corpo de delito:
Nos moldes do art. 158 do CPP, “quando a infração deixar vestígios, será indispensável o exame de
corpo de delito, direto ou indireto, não podendo supri-lo a confissão do acusado”.
A obrigatoriedade da realização do exame pericial é exemplo nítido de resquício do sistema da prova
tarifada, posto que parece o legislador conferir maior valor probatório ao exame em comento em detrimento
das demais provas, tanto que exige a sua realização, seja direto ou indireto.
O exame de corpo de delito somente será obrigatório quando a infração deixar vestígio (infrações
penais não transeuntes/não passageiras/delito de fato permanente).
▪ Infração não transeunte: é aquela que deixou vestígios. Portanto, será obrigatória a realização do
exame de corpo de delito. Ex.: crime de homicídio cujo cadáver foi encontrado.
▪ Infrações transeuntes: é aquela que não deixa vestígios. Portanto, não será possível o exame de
corpo de delito. Ex.: injúria verbal que não tenha sido objeto de captação.
f Exame do corpo de delito direto e indireto:
▪ Exame de corpo de delito direto: é aquele realizado diretamente pelo perito oficial (ou por dois
peritos não oficiais) sobre o próprio corpo de delito, – funciona como a regra
▪ Exame de corpo de delito indireto:
⦁ 1ª corrente: Trata-se de exame feito por peritos com base no relato de testemunhas ou com base
na análise de documentos. É a posição minoritária.
⦁ 2ª corrente: Não é um exame propriamente dito, mas apenas a prova testemunhal ou
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101
documental suprindo a ausência do exame direto. É a posição majoritária. CPP.
Art. 167: “Não sendo possível o exame de corpo de delito, por haverem
desaparecido os vestígios, a prova testemunhal poderá suprir-lhe a falta”.
Exame de corpo de delito direto Exame de corpo de delito indireto
O exame de corpo de delito direto é aquele
feito por perito oficial (ou dois peritos não
oficiais) sobre o próprio corpo de delito.
- 1ª C: é um exame feito por peritos com base
no relato de testemunhas ou com base na
análise de documentos.
- 2ª C: é o disposto ao teor do art. 167 do CPP.
Não é um exame propriamente dito, mas
apenas uma espécie de prova testemunhal ou
documental suprindo a ausência de corpo de
delito direto. É a posição majoritária.
g Prioridade na realização do Exame de Corpo de Delito:
Foi publicada no dia 03/10/2018 a Lei nº 13.721/2018, que altera o Código de Processo Penal para
estabelecer prioridades na realização do exame de corpo de delito. Vamos entender o que mudou.
Conforme já conceituado, o Exame de corpo de delito “é uma análise feita por pessoas com
conhecimentos técnicos ou científicos sobre os vestígios materiais deixados pela infração penal para
comprovação da materialidade e autoria do delito.” (LIMA, Renato Brasileiro de. Código de Processo Penal
comentado. Salvador: Juspodivm, 2016, p. 553). A realizaçãodo exame de corpo de delito é indispensável no
caso de crimes que deixam vestígios. Nesse sentido, diz o caput do art. 158 do CPP. Vejamos:
Art. 158. Quando a infração deixar vestígios, será indispensável o exame de corpo
de delito, direto ou indireto, não podendo supri-lo a confissão do acusado.
A Lei nº 13.721/2018 acrescenta um parágrafo único ao art. 158 do CPP afirmando que deverá ser
dada prioridade à realização do exame de corpo de delito quando se tratar de crime que envolva:
• Violência doméstica e familiar contra mulher;
• Violência contra criança ou adolescente
• Violência contra idoso ou
• Violência contra pessoa com deficiência.
h PERITOS:
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Segundo Renato Brasileiro, o perito é um auxiliar do juízo, dotado de conhecimentos técnicos ou
científicos sobre determinada área do conhecimento humano, que tem a função estatal de realizar exames
periciais, fornecendo dados capazes de auxiliar o magistrado por ocasião da sentença.
Como decorrência lógica do fato de ser auxiliar do juízo, o perito tem a obrigação/dever de ser
imparcial (mesmas características do magistrado), podendo ser arguida contra este as mesmas causas de
impedimento e suspeição do juiz.
Cumpre destacarmos ainda que, o perito é considerado funcionário público tanto o oficial, que
exerce cargo, quanto o não oficial, que desenvolve sua função pública, transitoriamente e sem remuneração.
É possível ainda que seja feita por mais de um perito oficial, na hipótese de tratar-se de perícia
complexa. Nesse sentido:
Art. 159. § 7º Tratando-se de perícia complexa que abranja mais de uma área de
conhecimento especializado, poder-se-á designar a atuação de mais de um perito
oficial, e a parte indicar mais de um assistente técnico.
Art. 159. § 1º Na falta de perito oficial, o exame será realizado por 2 (duas) pessoas
idôneas, portadoras de diploma de curso superior preferencialmente na área
específica, dentre as que tiverem habilitação técnica relacionada com a natureza
do exame.
Caiu na prova Delegado – PB 2022! Em relação à prova criminal, é correto afirmar que, a na falta de perito
oficial, o exame será realizado por duas pessoas idôneas, com formação superior preferencialmente na área
técnica relacionada à perícia. (item correto) Letra de lei.
i ASSISTENTE TÉCNICO:
A figura do assistente técnico foi inserida ao Código de Processo Penal com o advento da Lei n.
11.689/08.
É pessoa dotada de conhecimentos técnicos, científicos ou artísticos, que traz ao processo
informações especializadas, relacionada ao objeto da perícia. O assistente é auxiliar das partes e por isso tem
atuação parcial. Ele só poderá atuar durante o curso do processo (contraditório diferido). Para fins penais,
ele NÃO é considerado funcionário público, pois não exerce cargo, emprego ou função. É contratado para
descredibilizar o laudo oficial (é parcial). Lembre-se que a admissão do assistente é deliberada pelo juiz em
ato irrecorrível. Contudo, quem se sentir prejudicado poderá manejar mandado de segurança.
Responsabilidade Penal - O assistente responde por crime de falsa perícia? Não, apenas o perito
pode praticar esse crime (falsa perícia – art. 342 do CP). Trata-se de crime próprio. Contudo, há quem defenda
poder responder por falsidade ideológica se inserir informações falsas.
Distinção - O assistente técnico diferencia-se do perito nos seguintes aspectos:
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ASSISTENTE TÉCNICO PERITO
É auxiliar das partes. Logo, a sua atuação é
parcial;
É auxiliar do juízo. Logo, a sua atuação deve ser
imparcial.
Sua atuação ocorre na fase processual.
Sua atuação ocorre na fase investigatória ou
processual.
Não é considerado funcionário público.
É considerado funcionário público para fins
penais, tanto o perito oficial quanto o perito
não oficial.
Não responde por falsa perícia. Responde pelo crime de falsa perícia, tipificado
ao teor do art. 342 do Código Penal (crime de
mão própria).
9.2 Interrogatório Judicial
É o ato processual por meio do qual o juiz ouve o acusado sobre sua pessoa e sobre a imputação que
lhe é feita.
Parte da doutrina argumenta que o interrogatório judicial atualmente divide-se em duas fases: a
primeira fase correspondente aos questionamentos sobre a pessoa e a segunda fase que é o questionamento
sobre a imputação.
O questionamento sobre a vida pessoal do acusado é feito para fins de posterior análise das
circunstâncias judiciais, caso o referido seja condenado (valoração das circunstâncias judiciais). Alguns
doutrinadores denominam essa fase de “pregressamento”.
Nesse sentido, a legislação:
Art. 187. O interrogatório será constituído de duas partes: sobre a pessoa do
acusado e sobre os fatos.
§ 1º Na primeira parte o interrogando será perguntado sobre a residência, meios
de vida ou profissão, oportunidades sociais, lugar onde exerce a sua atividade, vida
pregressa, notadamente se foi preso ou processado alguma vez e, em caso
afirmativo, qual o juízo do processo, se houve suspensão condicional ou
condenação, qual a pena imposta, se a cumpriu e outros dados familiares e sociais.
Em 2016 tivemos uma alteração legislativa ocasionada pelo Estatuto da 1ª Infância, passando a se
exigir o questionamento à respeito da existência de filhos da pessoa do interrogado. Nessa esteira, o art. 185,
§10 do CPP.
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Art. 185. § 10. Do interrogatório deverá constar a informação sobre a existência de
filhos, respectivas idades e se possuem alguma deficiência e o nome e o contato de
eventual responsável pelos cuidados dos filhos, indicado pela pessoa presa.
Esse procedimento passou a ser necessário diante da nova possibilidade de prisão domiciliar em
razão da existência de filhos.
Art. 318. Poderá o juiz substituir a prisão preventiva pela domiciliar quando o
agente for:
V - mulher com filho de até 12 (doze) anos de idade incompletos;
VI - homem, caso seja o único responsável pelos cuidados do filho de até 12 (doze)
anos de idade incompletos. (Incluído pela Lei nº 13.257, de 2016).
ATENÇÃO: O interrogatório de qualificação não está abrangido pelo nemo tenetur se detegere,
caracterizando inclusive crime de falsa identidade (Súmula 522 do STJ).
A 2ª parte do interrogatório, por sua vez, diz respeito aos fatos imputados.
Art. 187. § 2º Na segunda parte será perguntado sobre:
I - ser verdadeira a acusação que lhe é feita;
II - não sendo verdadeira a acusação, se tem algum motivo particular a que atribuí-
la, se conhece a pessoa ou pessoas a quem deva ser imputada a prática do crime, e
quais sejam, e se com elas esteve antes da prática da infração ou depois dela;
III - onde estava ao tempo em que foi cometida a infração e se teve notícia desta;
IV - as provas já apuradas;
V - se conhece as vítimas e testemunhas já inquiridas ou por inquirir, e desde
quando, e se tem o que alegar contra elas;
VI - se conhece o instrumento com que foi praticada a infração, ou qualquer objeto
que com esta se relacione e tenha sido apreendido;
VII - todos os demais fatos e pormenores que conduzam à elucidação dos
antecedentes e circunstâncias da infração;
VIII - se tem algo mais a alegar em sua defesa.
a Natureza Jurídica do Interrogatório Judicial:
Há duas correntes:
• 1ª Corrente: argumenta ser MEIO DE PROVA, em decorrência da própria localização topográfica do
interrogatório judicial no CPP entre os “meios de prova”. Ademais, pelo momento em que este era
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realizado (antes de 2008 era o 1º ato da audiência).
• 2ª Corrente: aduz que o interrogatório é um MEIO DE DEFESA: é a possibilidade do réu apresentar sua
versão dos fatos como expressão do exercício da autodefesa. Quem alega ser meio de defesa o faz
argumentando que o referido possui direito ao silêncio (se fosse meio de prova o acusado estaria
obrigado a responder as acusações); realização do interrogatório que passou a ser o ato final da
audiência.
Atualmente, prevalece o entendimento de que se trata o interrogatório de um MEIO DE DEFESA.
Cumpre recordarmos ainda que, a ampla defesa divide-se na defesa técnica (exercida por meio do
advogado) e autodefesa (exercida pelo acusado) – direito de presença; direito de audiência e capacidade
postulatória autônoma.
b Características do interrogatório: O interrogatório caracteriza-se por ser um:
✓ Ato personalíssimo: o interrogatório necessita ser exercido pessoalmente pelo acusado, com
exceção do interrogatório da pessoa jurídica que é realizado na pessoa de seu representante legal.
✓ Assistido tecnicamente: a defesa técnica é obrigatória na realização do interrogatório, sendo a sua
ausência causa de nulidade absoluta. Além da presença, a defesa técnica terá o direito de entrevista
reservada.
✓ Ato contraditório: após o advento da Lei nº 10.792/03 o interrogatório passou a ser reconhecido
como meio de defesa. Anteriormente, não havia contraditório e nem ampla defesa no interrogatório
judicial, sendo um ato privativo do juiz.
Art. 188. Após proceder ao interrogatório, o juiz indagará das partes se restou
algum fato para ser esclarecido, formulando as perguntas correspondentes se o
entender pertinente e relevante.
Obs.: Em regra, o método de realização do interrogatório é o presidencialista: o juiz pergunta primeiro,
posteriormente as partes farão suas perguntas por meio do juiz.
1º) perguntas do juiz
2º) perguntas das partes, por intermédio do juiz.
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Exceção no procedimento do júri: A exceção está na 2ª fase do júri, por força do artigo 474, do CPP.
Na 2ª fase do júri, temos em se tratando de interrogatório as perguntas começando pelo juiz, mas as partes
farão perguntas diretamente, e depois os jurados farão as perguntas via juiz.
1º) perguntas do juiz
2º) perguntas das partes, diretamente
3º) perguntas dos jurados, por intermédio do juiz.
Atente-se à recente decisão jurisprudencial sobre o tema:
Não cabe a pretensão de realizar o interrogatório de forma virtual ao foragido por
considerável período, pois a situação não se amolda ao art. 220 do CPP O
interrogatório é um ato que concretiza o direito de autodefesa do réu, além de ser
meio de prova. Assim, o juiz deve assegurar ao acusado a possibilidade de ser
ouvido. Ao tratar sobre o depoimento das testemunhas, o art. 220 do CPP, permite
que aquelas impossibilitadas, por enfermidade ou por velhice, de comparecer para
depor, sejam inquiridas onde estiverem. Mas, no caso do réu que teve sua prisão
preventiva decretada e se encontra foragido, não é possível que o interrogatório
seja realizado de forma virtual (por videoconferência ou no local onde estiver). Isso
porque não há previsão desta circunstância no art. 220 do CPP. STJ. 6ª Turma. HC
640.770-SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 15/06/2021.
O ato de delegação da condução e direção de produção de prova oral à autoridade
estrangeira, a fim de que esta proceda diretamente à inquirição da testemunha
ou do investigado, não encontra qualquer tipo de respaldo constitucional, legal
ou jurisprudencial
Caso concreto: o Tribunal de Paris solicitou cooperação jurídica em matéria penal,
na modalidade auxílio direto, a fim de que fossem realizadas diversas diligências no
Brasil, dentre as quais a oitiva de investigado e busca e apreensão no seu endereço,
para subsidiar apuração criminal que ocorre na Justiça da França. O pedido da
autoridade francesa foi embasado em Acordo de Cooperação Judiciária em Matéria
Penal, na Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção e na Convenção das
NaçõesUnidas contra a Criminalidade Organizada Transnacional. O pleito foi
encaminhado ao Ministério da Justiça do Brasil, que o remeteu ao Procurador-Geral
da República o qual, por sua vez, designou Procurador da República atuante no Rio
de Janeiro para a execução das diligências. O Membro do Ministério Público Federal
requereu o deferimento das medidas assecuratórias ao Juízo da 9ª Vara Federal do
Rio de Janeiro, no que foi atendido. O investigado impetrou habeas corpus
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sustentando a nulidade de sua oitiva porque todas as perguntas foram formuladas
direta e exclusivamente pela Autoridade Judiciária francesa que acompanhava o
Membro do Ministério Público Federal nomeado para realizar as diligências. O STJ
concordou com o pedido da defesa. O ato de delegação da condução e direção de
produção de prova oral à autoridade estrangeira, a fim de que esta proceda
diretamente à inquirição da testemunha ou do investigado, não encontra qualquer
tipo de respaldo constitucional, legal ou jurisprudencial. Trata-se de ato eivado de
nulidade absoluta, por ofensa à soberania nacional, o qual não pode produzir
efeitos dentro de investigações penais que estejam dentro das atribuições das
autoridades brasileiras. STJ. 6ª Turma. RHC 102322-RJ, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado
em 12/05/2020 (Info 672).
c Ausência do interrogatório:
Uma vez caracterizado como meio de defesa, a ausência do interrogatório é causa de nulidade
absoluta em decorrência da violação ao exercício do direito de defesa, sem prejuízo da opção do próprio
acusado pelo não exercício do direito de audiência (nessa hipótese não haverá nulidade).
Nesse sentido, preleciona Renato Brasileiro “como o interrogatório é meio de defesa –
desdobramento do direito de audiência, a sua ausência é causa de nulidade absoluta. Não obstante, o
acusado pode optar pelo não exercício do direito de audiência, ocasião em que não haverá nulidade”.
É importante lembrar que trabalhar com nulidade é sempre trabalhar com prejuízo. Assim, com uma
sentença absolutória não existe prejuízo, logo, não existe nulidade. Haverá prejuízo evidente caso haja
sentença condenatória.
Inf. 580, STJ: Ainda que o réu tenha constituído advogado antes do oferecimento
da denúncia - na data da prisão em flagrante - e o patrono tenha atuado, por
determinação do Juiz, durante toda a instrução criminal, é nula a ação penal que
tenha condenado o réu sem a sua presença, o qual não foi citado nem compareceu
pessoalmente a qualquer ato do processo, inexistindo prova inequívoca de que
tomou conhecimento da denúncia. (2016 – 6ª turma)
d Momento de realização do interrogatório judicial no procedimento comum e no procedimento do Júri:
• ANTES DE 2008: o interrogatório era o primeiro ato da instrução processual. Atualmente, o
interrogatório será realizado em audiência una, após a oitiva da vítima, das testemunhas de acusação
e de defesa, esclarecimentos dos peritos, acareações e reconhecimento de pessoas e coisas, ou seja,
é o último ato da instrução processual, firmando a tese de que se trata de um meio de defesa.
• COM O ADVENTO A LEI Nº 11.719/2008: último ato da instrução – interrogatório judicial.
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− Dessa forma, temos que desde o advento das Leis n. 11.719/08 e 11.689/08, o interrogatório passou
a ser o último ato da instrução probatória (reforça a natureza jurídica de meio de defesa).
− O CPP, art. 400, é aplicado ao procedimento comum e ao procedimento do júri:
Inobstante a previsão do CPP, há leis especiais que preveem o interrogatório ainda no início da
instrução probatória.
⦁ Lei de Drogas: art. 57, Lei 11.343/2006;
⦁ CPPM: art. 302;
⦁ Procedimento originários dos tribunais: Lei nº 8.038/90
⦁ Procedimento especial na Lei de Licitações:
Diante desse cenário, não se sabia ao certo qual a regra a aplicar, a norma geral do CPP ou as
respectivas leis especiais. Contudo, recentemente o STF manifestou-se sobre a problemática. Nessa esteira,
o STF pacificou a questão entendendo que a mudança introduzida em 2008 não possui somente o status
de lei ordinária, mas vem ao encontro da ampla defesa (afastamento da regra hermenêutica, a qual
preceitua que a lei especial prevalece sobre a lei geral): sob a ótica da ampla defesa é melhor ao acusado
ser interrogado ao final.
Em suma, o STF passou a entender que todas as regras especiais acima perderam a razão de ser:
STF - Decidiu que interrogatório ao final da instrução criminal se aplica a processos
militares. Por maioria de votos, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF)
decidiu que se aplica ao processo penal militar a exigência de realização do
interrogatório do réu ao final da instrução criminal, conforme previsto no artigo
400 do Código de Processo Penal (CPP). Na sessão desta quinta-feira (3), os
ministros negaram o pedido no caso concreto – Habeas Corpus (HC) 127900 [para
os processos criminais com instrução ainda não encerrada até 10.03.2016 não é
necessário aplicar tal orientação] – tendo em vista o princípio da segurança jurídica.
No entanto, fixaram a orientação no sentido de que, a partir da publicação da ata
do julgamento [10.03.2016], seja aplicável a regra do CPP às instruções não
encerradas nos processos de natureza penal militar e eleitoral e a todos os
procedimentos penais regidos por legislação especial.
O STJ já tinha decisão nesse sentido a respeito da Lei de Drogas:
O interrogatório, na Lei de Drogas, é o último ato da instrução
O art. 400 do CPP prevê que o interrogatório deverá ser realizado como último ato
da instrução criminal. Essa regra deve ser aplicada: • nos processos penais militares;
• nos processos penais eleitorais e • em todosos procedimentos penais regidos por
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legislação especial (ex: lei de drogas). Essa tese acima exposta (interrogatório como
último ato da instrução em todos os procedimentos penais) só se tornou
obrigatória a partir da data de publicação da ata de julgamento do HC 127900/AM
pelo STF, ou seja, do dia 11/03/2016 em diante. Os interrogatórios realizados nos
processos penais militares, eleitorais e da lei de drogas até o dia 10/03/2016 são
válidos mesmo que tenham sido efetivados como o primeiro ato da instrução. STF.
Plenário. HC 127900/AM, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 3/3/2016 (Info 816).
STJ. 6ª Turma. HC 397382-SC, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em
3/8/2017 (Info 609).
Obs.: O STF entende que o acusado não pode assistir interrogatório do corréu mesmo que seja advogado
Se houver mais de um acusado, cada um dos réus não terá direito de acompanhar
o interrogatório dos corréus. Segundo o CPP, havendo mais de um acusado, eles
deverão ser interrogados separadamente (art. 191). Ex.: João e Pedro são réus em
uma ação penal. No momento em que forem ser interrogados, um não poderá ouvir
o depoimento do outro. Logo, quando João for ser interrogado, Pedro terá que sair
da sala, ficando, contudo, seu advogado presente. No instante em que Pedro for
prestar seus esclarecimentos, será a vez de João deixar o recinto, ficando
representado por seu advogado. Se o réu for advogado e estiver atuando em causa
própria, mesmo assim deverá ser aplicada a regra do art. 191 do CPP. Em outras
palavras, quando o corréu for ser interrogado, o acusado (que atua como
advogado) terá que sair da sala de audiência. STF. 2ª Turma. HC 101021/SP, Rel.
Min. Teori Zavascki, julgado em 20/5/2014 (Info 747).
Cuidado quando se tratar de delação premiada!!! De acordo com entendimento do STF, o advogado
do réu delatado deverá, obrigatoriamente, estar presente no interrogatório do corréu delator
O advogado de um réu deverá, obrigatoriamente, estar presente no interrogatório
do corréu que com ele responde o mesmo processo criminal? REGRA: não. A
presença da defesa técnica é imprescindível durante o interrogatório do réu por ela
representado, não quanto aos demais. Assim, é obrigatória a presença do advogado
no interrogatório do seu cliente. No interrogatório dos demais réus, essa presença
é, em regra, facultativa. EXCEÇÃO: se o interrogatório é de um corréu delator, a
presença do advogado dos réus delatados é indispensável. Neste caso, deve-se
exigir a presença dos advogados dos réus delatados, pois, na colaboração
premiada, o delator adere à acusação em troca de um benefício acordado entre as
partes e homologado pelo julgador natural. Normalmente, o delator presta
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contribuições à persecução penal incriminando eventuais corréus, razão pela qual
seus advogados devem acompanhar o ato. Se o advogado do corréu não comparece
ao interrogatório do réu delator, haverá nulidade? Depende: • Se o corréu foi
delatado no interrogatório e seu advogado não compareceu: sim, haverá nulidade.
• Se o corréu não foi delatado no interrogatório: não. Isso porque não houve
prejuízo. STF. 2ª Turma. AO 2093/RN, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 3/9/2019
(Info 955).
e Condução coercitiva x Interrogatório.
• Natureza jurídica: Trata-se de medida cautelar pessoal, o conduzido é privado momentaneamente da
sua liberdade de locomoção.
• Competência: Apesar de o STF possui um julgado no sentindo de que o delegado poderia determinar
a condução coercitiva, o ideal é entender que apenas o juiz poderá determinar, sendo medida sujeita
a reserva de jurisdição.
• Finalidade: A condução coercitiva visa:
✓ Interrogatório
✓ Reconhecimento de pessoa
✓ Identificação
ATENÇÃO!!!
Na ADPF 444, o Ministro Gilmar Mendes, em 18 de dezembro de 2017, em medida liminar, proibiu
a condução coercitiva para interrogatórios, com base nos seguintes argumentos:
e.1 O STF entendeu que a condução coercitiva viola a liberdade de locomoção.
e.2 O STF entendeu que a condução coercitiva viola a dignidade da pessoa humana:
Assim, caso seja determinada a condução coercitiva de investigados ou de réus para interrogatório,
tal conduta poderá ensejar:
⦁ A responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade
⦁ A ilicitude das provas obtidas
⦁ A responsabilidade civil do Estado. Modulação dos efeitos: o STF afirmou que o entendimento acima
não desconstitui (não invalida) os interrogatórios que foram realizados até a data do julgamento,
ainda que os interrogados tenham sido coercitivamente conduzidos para o referido ato processual.
⦁
STF. Plenário. ADPF 395/DF e ADPF 444/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgados em
13 e 14/6/2018 (Info 906)
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Segundo RenatoBrasileiro, a condução coercitiva continua cabível para outras hipóteses que não
sejam o interrogatório!!! Questão prova oral Delegado de Sergipe, 2018.
Insta salientar que, com o advento da Lei 13.869/2019 (Nova Lei de Abuso de Autoridade), conduzir
coercitivamente investigado ou testemunha, quando manifestamente descabida ou sem prévia intimação,
configura crime, à luz do crime de abuso de autoridade.
Art. 10. Decretar a condução coercitiva de testemunha ou investigado
manifestamente descabida ou sem prévia intimação de comparecimento ao juízo:
Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.
Embora a norma se refira a “comparecimento ao juízo”, é certo que o instituto da condução
coercitiva, tradicionalmente, também se aplica em âmbito policial, mormente quando envolve testemunhas,
ofendidos ou investigados recalcitrantes, tudo isso em analogia aos artigos 201, parágrafo único; 218 e 260,
todos do Código de Processo Penal, daí a necessidade de, a título de precaução, efetuarmos algumas
ponderações a respeito, afinal o tipo também fala em “investigado”.
No mais, são dois os comportamentos puníveis: “decretar condução coercitiva manifestamente
descabida” ou “decretar condução coercitiva sem prévia intimação de comparecimento”.
A condução coercitiva, pelo próprio nome, impõe obrigatoriedade de acatamento e, por senso
jurídico, pressupõe que a pessoa foi devidamente cientificada e não atendeu ao chamado da autoridade.
Aplicabilidade com relação à condução de vítimas conquanto a lei se refira apenas a “testemunha” e
“investigado”: é certo que cautelas devem ser igualmente adotadas com relação às vítimas, a fim de que a
lisura sempre paute o trabalho da polícia judiciária. Insta consignar que o STF já tinha se manifestado sobre
o tema e entendeu que o art. 260 é considerado não recepcionado com a ordem vigente.
Por maioria de votos, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) declarou que a condução
coercitiva de réu ou investigado para interrogatório, constante do artigo 260 do Código de Processo Penal
(CPP), não foi recepcionada pela Constituição de 1988. A decisão foi tomada no julgamento das Arguições
de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPFs) 395 e 444, ajuizadas, respectivamente, pelo Partido
dos Trabalhadores (PT) e pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). O emprego da medida, segundo o
entendimento majoritário, representa restrição à liberdade de locomoção e viola a presunção de não
culpabilidade, sendo, portanto, incompatível com a Constituição Federal.
O que o art. 10 fez foi apenas tipificar a conduta que já era não recepcionada. Agora conduzir
coercitivamente é crime. Como se não bastasse, foi além do investigado, alcançando a testemunha, pois no
julgado nas ADPF’s nada disseram sobre as testemunhas.
Malgrado a lei tipifique a conduta de decretar condução coercitiva manifestamente descabida” ou
“decretar condução coercitiva sem prévia intimação de comparecimento, tanto para o autor como a para a
testemunha e, o STF já se manifestou sobre a não recepção da condução coercitiva para o investigado, por
violar o direito ao silêncio.
Pelo que se percebe no tipo penal, ele não vedou qualquer forma de condução coercitiva, pois
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fazendo uma interpretação a contrário senso, percebemos que até é possível, nas hipóteses de prévia
notificação de comparecimento e esta notificação não é atendida.
Ocorre que só podemos interpretar esse dispositivo, no sentido de que a condução coercitiva nessa
hipótese, só alcança a testemunha ou o investigado, apenas para sua qualificação pessoal e não para seu
interrogatório, já que o STF se pronunciou sobre o tema e, por conseguinte, sua não recepção.
Obs. Ainda é perfeitamente possível a condução coercitiva de vítimas, porquanto não gozam do mesmo
status de investigado ou testemunhas, nos moldes do art. 201, CPP.
ATENÇÃO: O tipo penal usa as expressões investigado e testemunha, portanto à luz do princípio da
legalidade, nada obsta a condução coercitiva do réu, pois seria analogia in malan partem.
Nesse sentido professor Rogério Sanches e Rogério Greco (Abuso de Autoridade, pag. 97):
“Assim, em virtude da redação legal, entendemos que se for decretada a condução
coercitiva manifestamente descabida do acusado não se poderá falar em abuso de
autoridade por parte do juiz que a decretou, sendo esta, portanto, uma falha que
não poderá ser preenchida via analogia”.
1.e INTERROGATÓRIO POR VIDEOCONFERÊNCIA:
A Lei Estadual 11.819/05, do Estado de SP, regulamentou o interrogatório por videoconferência. O
STF entendeu que a referida lei era formalmente inconstitucional, uma vez que tratava de Direito Processual
Penal, portanto, a competência para a regulamentação seria da União e não dos Estados.
STF: “(...) Interrogatório do réu. Videoconferência. Lei nº 11.819/05 do Estado de
São Paulo. Inconstitucionalidade formal. Competência exclusiva da União para
legislar sobre matéria processual. Art. 22, I, da Constituição Federal. A Lei nº
11.819/05 do Estado de São Paulo viola, flagrantemente, a disciplina do art. 22,
inciso I, da Constituição da República, que prevê a competência exclusiva da União
para legislar sobre matéria processual. Habeas corpus concedido”. (STF, Tribunal
Pleno, HC 90.900/SP, Rel. Min. Menezes Direito, DJe 200 22/10/2009).
Diante disso, todos os interrogatórios por videoconferência foram anulados.
Em 2009, foi publicada a Lei 11.900/09 que incluiu o interrogatório por videoconferência ao CPP.
Salienta-se que a Lei 11.900/09 não validou os interrogatórios anteriores.
Considerações:
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• O interrogatório por videoconferência tem caráter excepcional, ou seja, só ocorre em casos específicos;
• Sua realização depende de decisão fundamentada da autoridade judiciária, devendo as partes serem
intimadas com 10 dias de antecedência (art. 185, §3º).
Art. 185, §3o Da decisão que determinar a realização de interrogatório por
videoconferência, as partes serão intimadas com 10 (dez) dias de antecedência.
• É obrigatória a presença de advogados do réu no presídio e no fórum;
Art. 185, § 5o Em qualquer modalidade de interrogatório, o juiz garantirá ao réu o
direito deentrevista prévia e reservada com o seu defensor; se realizado por
videoconferência, fica também garantido o acesso a canais telefônicos reservados
para comunicação entre o defensor que esteja no presídio e o advogado presente
na sala de audiência do Fórum, e entre este e o preso.
Apesar de o dispositivo falar em defensor, quando se tratar de réu com condições financeiras,
entender-se-á como advogado de defesa e não defensor público.
Além disso, o ato por videoconferência deve atender a alguma das finalidades previstas, quais
sejam (art. 185, §2º):
✓ Prevenir risco à segurança pública (réu preso);
✓ Viabilizar a participação do acusado no ato processual (aqui pode se referir a réu solto);
✓ Para impedir a influência do acusado no ânimo da testemunha ou da vítima.
✓ Para responder à gravíssima questão de ordem pública.
Art. 185, § 2o. Excepcionalmente, o juiz, por decisão fundamentada, de ofício ou a
requerimento das partes, poderá realizar o interrogatório do réu preso por sistema
de videoconferência ou outro recurso tecnológico de transmissão de sons e
imagens em tempo real, desde que a medida seja necessária para atender a uma
das seguintes finalidades:
I - prevenir risco à segurança pública, quando exista fundada suspeita de que o
preso integre organização criminosa ou de que, por outra razão, possa fugir durante
o deslocamento;
Não pode ser um risco genérico, que é inerente a qualquer transporte de preso.
Deve ser demonstrada fundada suspeita no sentido de o réu integrar organização
ou que vá fugir.
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II - viabilizar a participação do réu no referido ato processual, quando haja relevante
dificuldade para seu comparecimento em juízo, por enfermidade ou outra
circunstância pessoal;
Seja por enfermidade ou qualquer circunstância pessoal que dificulte sua
presença na sede do juízo, como localização diversa e longínqua da comarca onde
corre a causa.
OBS: Vale lembrar que a videoconferência não serve apenas para interrogatório,
mas para garantir a presença do acusado em qualquer ato processual.
III - impedir a influência do réu no ânimo de testemunha ou da vítima, desde que
não seja possível colher o depoimento destas por videoconferência, nos termos do
art. 217 deste Código; IV - responder à gravíssima questão de ordem pública.
ATENÇÃO: Segundo o STJ, é válida a realização do interrogatório por videoconferência no caso de
dificuldade de deslocamento do acusado até o local da audiência
Não há ilegalidade ou nulidade na decisão do juiz que opta pela escolha de
realização do interrogatório do réu por meio de videoconferência em razão da
dificuldade de deslocamento do acusado até o local da audiência, bem como pelo
risco à segurança pública, haja vista a insuficiência de agentes para realizar a
escolta. Em obediência ao princípio pas de nullité sans grief, que vigora plenamente
no processo penal pátrio (art. 563 do CPP), não se declara nulidade de ato se dele
não resulta demonstrado efetivo prejuízo para a parte. STJ. 6ª Turma. AgRg no RHC
125373/RS, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 18/08/2020.
A escassez de agentes penitenciários para realizar a escolta de detentos é
argumento válido para justificar a excepcionalidade da audiência por meio remoto.
STJ. 5ª Turma. AgRg no HC 587424/SC, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado
em 06/10/2020.
Outros entendimentos jurisprudenciais sobre o interrogatório:
Inf. 625, STJ – 2018 - O simples fato de o juiz ser “duro” no interrogatório não
implica quebra da imparcialidade
A condução do interrogatório do réu de forma firme e até um tanto rude durante
o júri não importa, necessariamente, em quebra da imparcialidade do magistrado
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e em influência negativa nos jurados. STJ. 6ª Turma. HC 410161-PR, Rel. Min. Maria
Thereza de Assis Moura, julgado em 17/04/2018 (Info 625).
Inf. 878, STF – 2017 - Há excesso de prazo em caso de réu preso há mais de quatro
anos sem ter sido sequer realizado seu interrogatório
Em um caso concreto, o réu foi preso preventivamente pela suposta prática de
delitos previstos na Lei nº 11.343/2006 (Lei de Drogas). Ocorre que já se passaram
mais de quatro anos desde a prisão preventiva sem haver, sequer, audiência de
interrogatório. Diante disso, o STF entendeu que havia flagrante excesso de prazo
na segregação cautelar e, por essa razão, concedeu habeas corpus para determinar
a soltura do paciente. Embora a razoável duração do processo não possa ser
considerada de maneira isolada e descontextualizada das peculiaridades do caso
concreto, diante da demora no encerramento da instrução criminal, sem que o
paciente, preso preventivamente, tenha sido interrogado e sem que tenham dado
causa à demora, não se sustenta a manutenção da constrição cautelar. STF. 2ª
Turma. HC 141583/RN, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 19/9/2017 (Info 878).
RHC 65977, STJ – 2016 - Falta de registro no termo de interrogatório de que foi
garantido o direito ao silêncio para o acusado
A falta do registro do direito ao silêncio não significa que este não tenha sido
comunicado ao interrogado, pois o registro não é exigido pela lei processual. Em
outras palavras, não é porque não está escrito no termo de interrogatório que o
interrogando foi advertido de que poderia ficar em silêncio que se irá,
obrigatoriamente, declarar a nulidade do ato. STJ. 6ª Turma. RHC 65977/BA, Rel.
Min. Nefi Cordeiro, julgado em 10/03/2016.
Inf. 547, STJ – 2014:
O art. 221 do CPP prevê que determinadas autoridades, quando forem chamadas
para servirem como testemunhas, serão ouvidas em local, dia e hora previamenteajustados entre eles e o juiz. Essa garantia do art. 221 NÃO é aplicada quando a
autoridade é convocada para ser ouvida na condição de investigado ou de acusado.
STJ. 5ª Turma.
Art. 221. O Presidente e o Vice-Presidente da República, os senadores e deputados
federais, os ministros de Estado, os governadores de Estados e Territórios, os
secretários de Estado, os prefeitos do Distrito Federal e dos Municípios, os
deputados às Assembléias Legislativas Estaduais, os membros do Poder Judiciário,
os ministros e juízes dos Tribunais de Contas da União, dos Estados, do Distrito
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Federal, bem como os do Tribunal Marítimo serão inquiridos em local, dia e hora
previamente ajustados entre eles e o juiz.
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QUESTÕES PROPOSTAS
1 - 2021 - FUMARC - PC-MG - FUMARC - 2021 - PC-MG -
Delegado de Polícia Substituto
Está CORRETO ao se afirmar que:
A-É defeso ao juiz dar prosseguimento ao julgamento do
feito, estando pendente o cumprimento de carta precatória
expedida para inquirição de testemunhas arroladas pela
defesa.
B-No do rito dos crimes funcionais, não se admite
manifestação da defesa antes do juízo prelibação da inicial
acusatória.
C-Nos casos afetos à lei antitóxicos, o interrogatório do réu
deve ser realizado ao final da instrução criminal.
D-O advogado deverá ser intimado da data da audiência
designada perante o juízo deprecado.
2 - 2021 - FAPEC - PC-MS - FAPEC - 2021 - PC-MS - Delegado
de Polícia
Considerando o que dispõe o Código de Processo Penal e o
entendimento dos tribunais superiores sobre a busca e
apreensão, assinale a alternativa correta.
A-Dispõe o CPP que a busca pessoal dependerá de mandado
judicial, exceto no caso de prisão ou quando houver fundada
suspeita de que a pessoa esteja na posse de arma proibida.
B-De acordo com o CPP, a busca pessoal em mulher deverá
ser feita por outra mulher, mesmo que haja retardamento ou
prejuízo da diligência, o que deve ser suportado pela polícia,
em homenagem à intimidade e à integridade corporal da
mulher a ser revistada.
C-Para o Supremo Tribunal Federal, não é nula a entrevista
realizada pela autoridade policial com o investigado, durante
a busca e a apreensão em sua residência, mesmo que não
tenha sido assegurado a ele o direito à prévia consulta a seu
advogado e sem que ele tenha sido comunicado sobre seu
direito ao silêncio e de não produzir provas contra si mesmo.
Isso porque tais garantias são imprescindíveis apenas por
ocasião de seu o interrogatório formal.
D-De acordo com o Superior Tribunal de Justiça, não há
nulidade na busca e na apreensão efetuada por policiais, sem
prévio mandado judicial, em apartamento que não revela
sinais de habitação, nem mesmo de forma transitória ou
eventual, se a aparente ausência de residentes no local se alia
à fundada suspeita de que o imóvel é utilizado para a prática
de crime permanente.
E-Entende o STF que a denúncia anônima, isoladamente, não
autoriza o emprego de método invasivo de investigação como
a interceptação telefônica, mas possibilita que a autoridade
policial represente ao Poder Judiciário pela expedição de
mandado de busca domiciliar, tendo em vista que, por meio
de tal diligência, é possível reunir elementos que confirmem
as informações iniciais e subsidiem a instauração do inquérito
policial. Isto porque a inviolabilidade do domicílio não pode
ser entendida como um escudo para a prática de infrações
penais no interior das residências.
3 - 2021 - FAPEC - PC-MS - FAPEC - 2021 - PC-MS - Delegado
de Polícia
Acerca do interrogatório do acusado e da confissão, é
INCORRETO afirmar:
A-diz o CPP que, excepcionalmente, por decisão
fundamentada, o juiz pode determinar o interrogatório do
réu preso por sistema de videoconferência quando visar, por
exemplo, a viabilizar a sua participação no referido ato
processual à vista de relevante dificuldade para seu
comparecimento em juízo, por enfermidade ou outra
circunstância pessoal.
B-para o Superior Tribunal de Justiça, é válida a realização do
interrogatório do réu por videoconferência, em razão da
dificuldade de deslocamento do acusado até o local da
audiência, bem como pelo risco à segurança pública, haja
vista a insuficiência de agentes para realizar a escolta.
C-o STJ entende, que a confissão qualificada, compreendida
como aquela em que o acusado admite a prática do fato
delituoso, mas alega ter agido sob o manto de uma
excludente de ilicitude ou de culpabilidade, não autoriza a
aplicação da atenuante prevista na alínea “d” do inciso III do
art. 65 do Código Penal, mesmo que utilizada para corroborar
o acervo probatório e fundamentar a condenação.
D-dispõe do CPP que a confissão é divisível e retratável, sem
prejuízo do livre convencimento do juiz, fundado no exame
das provas em conjunto.
E-à luz do CPP, no interrogatório do surdo, as perguntas lhes
são apresentadas por escrito e ele as responderá oralmente.
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118
4 - 2021 - FAPEC - PC-MS - FAPEC - 2021 - PC-MS - Delegado
de Polícia
Sobre o exame de corpo de delito e as perícias em geral,
assinale a alternativa correta.
A-De acordo com o Código de Processo Penal, o exame de
corpo de delito e outras perícias serão realizados por perito
oficial, portador de diploma de curso superior, que prestará
compromisso de bem e fielmente desempenhar o encargo.
B-Consoante o entendimento do Superior Tribunal de Justiça,
é necessária, como regra, a realização de perícia para a
identificação de voz captada nas interceptações telefônicas.
C-Entende, o STJ que é possível, em situações excepcionais, a
comprovação da materialidade do crime de tráfico de drogas
pelo laudo de constatação provisório, desde que esteja
dotado de certeza idêntica à do laudo definitivo e que tenha
sido elaborado por perito oficial em procedimento e com
conclusões equivalentes.
D-Dispõe o CPP que, em caso de lesões corporais, o exame
pericial complementar para fins de classificação do delito
previsto no art. 129, § 1o , I, do Código Penal (lesão corporal
de natureza grave, quando resulta incapacidade para as
ocupações habituais, por mais de trinta dias), deverá ser feito
logo que decorra o prazo de 30 dias, contado da data do
crime, não podendo ser suprido por prova testemunhal.
E-O exame de corpo de delito é mais relevante no caso de
infrações penais transeuntes, já que essas deixam vestígios
materiais, sobre os quais recai o exame.
5 - 2021 - FAPEC - PC-MS - FAPEC - 2021 - PC-MS - Delegado
de Polícia
A lei nº 13.964/19, popularmente conhecida como Pacote
Anticrime, introduziu no Código de Processo Penal disciplina
acerca do procedimento da cadeia de custódia. De acordo
com o que dispõe o código, assinale a alternativa INCORRETA.
A-A etapa de reconhecimento consiste no ato de distinguir
um elemento como de potencial interesse para a produção da
prova pericial.
B-O armazenamento é o procedimento referente à guarda,
em condições adequadas, do material a ser processado,
guardado para realização de contraperícia, descartado ou
transportado, com vinculação ao número do laudo
correspondente.
C-O recebimento é ato formal de transferência da posse do
vestígio, que deve ser documentado com, no mínimo,
informações referentes ao número de procedimento e
unidade de polícia judiciária relacionada, local de origem,
nome de quem transportou o vestígio, código de
rastreamento, natureza do exame, tipo do vestígio,
protocolo, assinatura e identificação de quem o recebeu.
D-A coleta dos vestígios deverá ser realizada exclusivamente
por perito oficial, que dará o encaminhamento necessário
para a central de custódia, salvo quando for necessária a
realização de exames complementares.
E-O transporte consiste no ato de transferir o vestígio de um
local para o outro, utilizando as condições adequadas
(embalagens, veículos, temperatura, entre outras), de modo
a garantir a manutenção de suas características originais, bem
como o controle de sua posse.
6- 2021 - NC-UFPR - PC-PR - NC-UFPR - 2021 - PC-PR -
Delegado de Polícia
Conforme a doutrina de Gustavo Badaró, “o ônus da prova é
a faculdade de os sujeitos parciais produzirem as provas sobre
as afirmações de fatos relevantes para o processo, cujo
exercício poderá levá-los a obter uma posição de vantagem
ou impedir que sofram um prejuízo”.
(BADARÓ, Gustavo. Processo penal. Rio de Janeiro: Campus
Jurídico / Elsevier, 2012, p. 272.)
A respeito do “ônus da prova”, considere as seguintes
afirmativas:
1. A dúvida sobre a tipicidade da conduta (incluindo a ação ou
a omissão) levará a um julgamento absolutório.
2. O ônus da prova da autoria delitiva, bem como da
participação no concurso de agentes, pesa sobre a acusação.
3. A acusação tem o ônus de provar o elemento subjetivo do
delito.
4. Em caso de “fundada dúvida” sobre a excludente de
ilicitude, vigora o princípio do in dubio pro societat.
Assinale a alternativa correta.
A-Somente a afirmativa 4 é verdadeira.
B-Somente as afirmativas 1 e 4 são verdadeiras.
C-Somente as afirmativas 2 e 3 são verdadeiras.
D-Somente as afirmativas 1, 2 e 3 são verdadeiras.
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119
E-As afirmativas 1, 2, 3 e 4 são verdadeiras.
7 - 2021 - FGV - PC-RN - FGV - 2021 - PC-RN - Delegado de
Polícia Civil Substituto
Tramita no âmbito interno da Polícia Civil do Estado do Rio
Grande do Norte processo administrativo disciplinar (PAD)
que apura eventual falta funcional praticada por certo
delegado de polícia. Durante a instrução do PAD, foi
verificada pela autoridade competente que o conduz a
necessidade de obtenção de prova emprestada, consistente
em interceptação telefônica realizada no bojo de processo
criminal. De acordo com a jurisprudência dos Tribunais
Superiores, o compartilhamento de prova pretendido é:
A-inviável, pois a Constituição da República de 1988 prevê
que é inviolável o sigilo da correspondência e das
comunicações telegráficas, de dados e das comunicações
telefônicas;
B-inviável, pois a Constituição da República de 1988 prevê
que a interceptação telefônica somente pode ser utilizada
para fins de investigação criminal ou instrução processual
penal;
C-viável, desde que devidamente autorizada pelo juízo
criminal competente e respeitados os princípios do
contraditório e da ampla defesa;
D-viável, independentemente de prévia autorização pelo
juízo criminal, porque, uma vez produzida, a prova pertence
ao Estado que é uno;
E-inviável, pois a Constituição da República de 1988 prevê que
a interceptação telefônica somente pode ser produzida no
âmbito de investigação e processo criminal ou ação de
improbidade administrativa.
8- 2021 - FGV - PC-RN - FGV - 2021 - PC-RN - Delegado de
Polícia Civil Substituto
Após a expedição de mandado de busca e apreensão em
determinado endereço, policiais compareceram à residência
de Antônio para apreender documentos referentes à
investigação da prática do crime de lavagem de dinheiro. Os
policiais nada encontraram na diligência, mas acharam uma
conta de luz de outro endereço em nome do investigado. Os
policiais, então, se dirigiram imediatamente ao novo
endereço,e, após tocarem a campainha e não serem
atendidos, arrombaram a porta do apartamento, na presença
de um vizinho. No local, foram encontrados diversos
documentos que demonstravam a prática do crime objeto da
investigação. Considerando a legislação vigente, a prova
obtida será:
A-válida, por tratar-se de encontro fortuito de provas;
B-nula, pois a busca e apreensão sempre exige a presença
física do morador;
C-nula, pois, diante da ausência do morador, era
indispensável para a validade a presençade duas
testemunhas para o arrombamento do local;
D-nula, pois realizada em local distinto daquele constante do
mandado de busca e apreensão;
E-válida, pois obtida em outro domicílio que
comprovadamente também seria do investigado contra o
qual deferida a medida original.
9 - 2021 - FGV - PC-RN - FGV - 2021 - PC-RN - Delegado de
Polícia Civil Substituto
No curso de inquérito policial para investigar a prática de
crime sexual, a autoridade policial entendeu necessária a
realização de exame de DNA de Leonardo, suspeito do delito,
para colher informações sobre a sua autoria. Nesse sentido, a
prova em questão:
A-não poderá ser recusada por Leonardo, diante da sua
condição de indiciado, independentemente de exigir
comportamento ativo ou passivo;
B-poderá ser realizada, independentemente da concordância
de Leonardo, ainda que invasiva, mas exige decisão judicial
prévia;
C-poderá ser recusada por Leonardo no curso do inquérito
policial, mas não no curso de processo judicial;
D-poderá ser realizada sobre material descartado por
Leonardo, independentemente de sua concordância;
E-poderá ser realizada independentemente da concordância
de Leonardo, ainda que exija comportamento ativo do
agente, desde que sujeita ao contraditório e ampla defesa.
10 - 2021 - INSTITUTO AOCP - PC-PA - INSTITUTO AOCP -
2021 - PC-PA - Delegado de Polícia Civil
A respeito da cadeia de custódia, assinale a alternativa
correta.
A-O início da cadeia de custódia dá-se com o ato de transferir
o vestígio de um local para o outro, utilizando as condições
adequadas.
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120
B-Uma das etapas da cadeia de custódia, o armazenamento,
consiste no procedimento por meio do qual cada vestígio
coletado é embalado de forma individualizada, de acordo
com suas características físicas, químicas e biológicas, para
posterior análise, com anotação da data, hora e nome de
quem realizou a coleta e o acondicionamento.
C-É proibida a entrada em locais isolados bem como a
remoção de quaisquer vestígios de locais de crime antes da
liberação por parte do perito responsável, sendo tipificada
como fraude processual a sua realização.
D-O recipiente para acondicionamento do vestígio será
determinado pela natureza do material e só poderá ser
aberto pelo perito que vai proceder à análise, pela autoridade
policial e, motivadamente, por pessoa autorizada.
E-Após a realização da perícia, o material deverá ser
devolvido à central de custódia, devendo nela iniciar o
procedimento de descarte.
Respostas10
10 1: C 2: D 3: C 4: C 5: D 6: D 7: C 8: D 9: D 10: C
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META 3
DIREITO PROCESSUAL PENAL: PROVAS (PARTE II)
9.3 Confissão
Previsão Legal: Arts. 197 a 200 do CPP.
Art. 197. O valor da confissão se aferirá pelos critérios adotados para os outros
elementos de prova, e para a sua apreciação o juiz deverá confrontá-la com as
demais provas do processo, verificando se entre ela e estas existe compatibilidade
ou concordância.
Art. 198. O silêncio do acusado não importará confissão, mas poderá constituir
elemento para a formação do convencimento do juiz. (não recepcionado)
Art. 199. A confissão, quando feita fora do interrogatório, será tomada por termo
nos autos, observado o disposto no art. 195.
a Conceito
Ocorre a confissão quando o próprio acusado admite a veracidade acerca da imputação, quer
perante a autoridade policial quer perante a autoridade judiciária.
Alguns autores afirmam que a confissão é um testemunho duplamente qualificado, uma vez que:
− Do ponto de vista objetivo, a confissão recai sobre fatos contrários ao interesse de quem confessa.
− Do ponto de vista subjetivo, a confissão provém do próprio acusado e não de terceiros
b Natureza Jurídica
Confissão tem natureza jurídica de atenuante genérica, à luz do art. 65, III, do CP.
Art. 65 - São circunstâncias que sempre atenuam a pena: (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)
III - ter o agente
d) confessado espontaneamente, perante a autoridade, a autoria do crime;
c Valor Probatório:
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Antigamente, a confissão possuía valor absoluto, por isso era chamada de “rainha das provas”. Assim,
diante da confissão do réu (que muitas vezes acontecia após tortura) sua condenação era imperativa.
Atualmente, qualquer prova tem valor relativo (não existe prova de valor absoluto), e a confissão
não se trata de exceção, conforme o art. 197:
Art. 197. O valor da confissão se aferirá pelos critérios adotados para os outros
elementos de prova, e para a sua apreciação o juiz deverá confrontá-la com as
demais provas do processo, verificando se entre ela e estas existe compatibilidade
ou concordância.
Vale lembrar que é pacífico na jurisprudência a impossibilidade de condenação baseada SOMENTE
em confissão, sem que seja confrontada com outros meios de prova que a confirmem ou contraditem.
Súmula 545/STJ - Quando a confissão for utilizada para a formação do
convencimento do julgador, o réu fará jus à atenuante prevista no art. 65, III, d, do
Código Penal.
d Espécies de Confissão:
2.1 Confissão extrajudicial: É a confissão feita fora do processo e sem observância do contraditório e da
ampla defesa.
− Qual o valor dessa confissão (em geral no APF)? A doutrina entende que a confissão extrajudicial................................................................................................................ 254
4. PARAFILIAS ................................................................................................................................................. 257
QUESTÕES PROPOSTAS ................................................................................................................................. 262
MEDICINA LEGAL: ENERGIAS FÍSICAS NÃO MECÂNICAS ............................................................................... 266
1. PRINCIPAIS AGENTES VULNERANTES ........................................................................................................ 266
2. ENERGIAS FÍSICAS NÃO MECÂNICAS ......................................................................................................... 267
2.1 Temperatura – Lesões Por Ação Térmica ............................................................................................................. 267
2.1.1 Calor – Aumento Da Temperatura ............................................................................................................ 267
2.1.2 Termonoses X Queimaduras .......................................................................................................................... 270
2.1.3 Frio – Diminuição da Temperatura ................................................................................................................ 281
2.2 Lesões Por Ação Elétrica ....................................................................................................................................... 284
2.2.1 Ação da Eletricidade Natural (Fulguração) .................................................................................................... 285
2.2.2 Ação Da Eletricidade Industrial (Eletroplessão) ............................................................................................. 286
2.3 Energias Barométricas (Baropatias) ..................................................................................................................... 290
2.3.1 Explosões ....................................................................................................................................................... 293
QUESTÕES PROPOSTAS ................................................................................................................................. 296
META 6 – REVISÃO SEMANAL ........................................................................................................................ 299
Direito Civil: Das Obrigações ...................................................................................................................................... 299
Direito Processual Penal: Provas ................................................................................................................................ 300
Legislação Penal Especial: Lei De Crimes Ambientais ................................................................................................. 302
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CONTEÚDO PROGRAMÁTICO DA SEMANA 07
META DATA DIA ASSUNTO
1 13/06 SEG DIREITO CIVIL: Das Obrigações
2 14/06 TER DIREITO PROCESSUAL PENAL: Provas (Parte I)
3 15/06 QUA DIREITO PROCESSUAL PENAL: Provas (Parte II)
4 16/06 QUI LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL: Lei de Crimes Ambientais
5 17/06 SEX
MEDICINA LEGAL: Sexologia
MEDICINA LEGAL: Energias Físicas Não Mecânicas
6 18,19/06 SÁB/DOM [REVISÃO SEMANAL]
ATENÇÃO
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Conte sempre conosco.
Equipe DD
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META 1
DIREITO CIVIL: DAS OBRIGAÇÕES
TODOS OS ARTIGOS RELACIONADOS AO TEMA
CÓDIGO CIVIL
⦁ Art. 233 ao 420
⦁ Art. 81 e 882
ARTIGOS MAIS IMPORTANTES – NÃO DEIXE DE LER!
⦁ Art. 233 a 240
⦁ Art. 247 a 251
⦁ Art. 257 a 263
⦁ Art. 269, 270 e 274
⦁ Art. 282, 283 e 285
⦁ Art. 286 e 288
⦁ Art. 304, 305 e 310
⦁ Art. 313, 314 e 322
⦁ Art. 327 a 330 e 333
⦁ Art. 335, 340, 344 e 345
⦁ Art. 347, 356, 360, 368, 375 e 380
⦁ Art. 389 a 393
⦁ Art. 395, 395, 396
⦁ Art. 401 a 405
⦁ Art. 408 a 416
1. CONCEITO
• Sentido amplo: Existência de relação jurídica;
• Sentido estrito: refere-se ao objeto do pagamento (débito).
• Pode ser vista como um processo voltado ao cumprimento de um dever.
2. DIREITOS REAIS X DIREITOS OBRIGACIONAIS
O CC/02 adota a TEORIA DUALISTA, diferenciando os direitos reais dos obrigacionais:
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Direitos Reais Direitos Obrigacionais
Numerus clausus Numerus apertus
Direito de sequela NÃO há sequela
Eficácia erga omnes Eficácia inter partes (relativa)
Registrabilidade e publicidade Forma livre, em regra
Pessoa x coisa Pessoa x pessoa (pessoas determináveis ou
determinadas)
Encerra direito de gozo, fruição ou garantia
sobre a coisa corpórea
Encerra direitos de crédito a uma prestação,
entre sujeitos
Caráter permanentes ou perpétuo Caráter transitório
ATENÇÃO: FIGURAS HÍBRIDAS ENTRE DIREITO REAL E OBRIGACIONAL
a) Obrigações propter rem: Aderem à coisa (e não à pessoa), transmitindo-se automaticamente ao seu
novo titular, desde que haja transferência da propriedade. São obrigações que NÃO emanam da
vontade, mas do registro da propriedade. Ex: IPTU, IPVA, Taxas condominiais.
b)não
tem valor probatório; já a jurisprudência, admite sua utilização subsidiária (art. 155).
Art. 155. O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em
contraditório judicial, NÃO podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos
elementos informativos colhidos na investigação, ressalvadas as provas cautelares,
não repetíveis e antecipadas.
2.2 Confissão judicial: É feita no curso do processo penal, perante a autoridade judiciária. Seu valor
probatório é maior do que o da confissão extrajudicial, pois o acusado está perante o juiz, assistido por
um advogado e confrontado pela acusação.
Possui duas espécies, quais sejam:
2.1 Própria – feita perante a autoridade judiciária competente;
2.2 Imprópria – feita perante a autoridade judiciária incompetente.
2.3 Confissão explícita: Ocorre quando é feita de maneira clara e inequívoca.
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2.4 Confissão implícita: Ocorre quando o acusado pagar a indenização, por exemplo. Não tem valor
probatório, não sendo admitida no processo penal.
ATENÇÃO: No entanto, no JECRIM a composição civil dá ensejo à renúncia ao direito de queixa ou
representação da vítima.
2.5 Confissão simples: O acusado confessa a prática do delito sem invocar qualquer tese de defesa.
2.6 Confissão qualificada: O acusado confessa a prática do delito, mas opõe algum fato modificativo,
impeditivo ou extintivo do direito de punir. Exemplo: excludente da ilicitude ou culpabilidade.
2.7 Confissão ficta ou presumida: Não existe confissão ficta no processo penal, como no processo civil,
decorrente da revelia. Tal presunção não ocorre, pois vige no processo penal o nemo tenetur se detegere
(direito ao silêncio).
E revelia existe? Depende, conforme os Arts. 366 e 367. Se o acusado for citado por edital e não
comparecer e nem constituir advogado, ficam suspensos o processo e o prazo prescricional, não ocorrendo
a revelia (art. 366).
Art. 366. Se o acusado, citado por EDITAL, não comparecer, nem constituir
advogado, ficarão suspensos o processo e o curso do prazo prescricional, podendo
o juiz determinar a produção antecipada das provas consideradas urgentes e, se for
o caso, decretar prisão preventiva, nos termos do disposto no art. 312.
Todavia se o acusado foi citado ou intimado pessoalmente e não compareceu, será decretada sua
REVELIA (art. 367).
Art. 367. O processo seguirá sem a presença do acusado que, citado ou intimado
PESSOALMENTE para qualquer ato, deixar de comparecer sem motivo justificado,
ou, no caso de mudança de residência, não comunicar o novo endereço ao juízo.
Ou seja, a revelia no processo penal não produz a confissão ficta e tem como único efeito prático a
desnecessidade de intimação do acusado para prática dos atos processuais, salvo em relação à sentença
condenatória, da qual deve ser cientificado.
2.8 Confissão delatória: Também é conhecida como CHAMAMENTO DE CORRÉU ou DELAÇÃO PREMIADA.
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• Materialização da delação premiada: Na prática (de lege ferenda) vem sendo lavrado um acordo
sigiloso entre a acusação e a defesa (quase um contrato), a ser submetido à homologação do juiz.
• Valor probatório da delação premiada: Para a jurisprudência do STF, uma delação premiada, por si
só, não é fundamento idôneo para a condenação, devendo estar respaldada por outros elementos
probatórios.
e Características da Confissão:
✓ Ato personalíssimo: Não se pode transmitir o poder de confessar, apenas o acusado pode confessar.
Vale lembrar que o art. 198 não foi recepcionado pela CF, pois viola o direito ao silêncio.
✓ Ato livre e espontâneo: O acusado possui direito ao silêncio, irá optar por confessar ou não o ato
criminoso.
✓ Ato retratável: Acusado pode se retratar da confissão a qualquer momento, no todo ou em parte
(art. 200).
Art. 200. A confissão será divisível e RETRATÁVEL, sem prejuízo do livre
convencimento do juiz, fundado no exame das provas em conjunto.
✓ Ato divisível: O acusado pode confessar um delito e negar outros. O juiz pode considerar verdadeira
apenas uma parte da confissão, não valorando a parte que considerar inverossímil. Ex: Juiz aceita a
confissão do ato, mas repudia a alegação de fato impeditivo (excludente de culpabilidade).
Enunciado 13 da I Jornada de Direito Penal e Processo Penal CJF/STJ - A inexistência de confissão
do investigado antes da formação da opinio delicti do Ministério Público não pode ser interpretada como
desinteresse em entabular eventual acordo de não persecução penal.
9.4 Prova Testemunhal
a Conceito de Testemunha:
Toda pessoa humana capaz de depor e estranha ao processo, chamada a se manifestar sobre fato
percebido por seus sentidos e relativos à causa.
Quem pode ser testemunha? QUALQUER pessoa física pode ser testemunha, conforme art. 202 do
CPP:
Art. 202. Toda pessoa poderá ser testemunha.
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b Deveres da Testemunha:
1 DEVER DE DEPOR:
Em regra, toda pessoa possui a obrigação de depor. Percebe-se que a testemunha, ao contrário do
acusado, não tem direito ao silêncio, com exceção das hipóteses em que sua manifestação puder lhe
incriminar (ne nemo tenetur se detegere).
No entanto, aqui também existem exceçõesObrigações de ônus real: Limitam o uso e gozo da propriedade, constituindo um gravame. Limitam-
se ao valor da coisa e desaparecem com o perecimento da coisa. Ex: Penhor, hipoteca, anticrese.
c) Obrigações de eficácia real: Sem perder o caráter de direito pessoal, ou direito a uma prestação,
ganham oponibilidade a terceiros, que adquiram direitos sobre determinados bens, tendo em vista
o seu registro. Ex: Direito de preferência em contrato de locação.
ÔNUS REAIS OBRIGAÇÕES PROPTER REM
A responsabilidade pelo ônus real é limitada ao
bem onerado.
Na obrigação propter rem responde o devedor
com todos os seus bens, ilimitadamente, pois é
este que se encontra vinculado.
O ônus real desaparece, perecendo o objeto. Os efeitos da obrigação propter rempodem
permanecer, mesmo havendo perecimento da
coisa.
Os ônus reais implicam sempre uma prestação
positiva.
As obrigações propter rem podem surgir com
uma prestação negativa.
3. DIREITOS OBRIGACIONAIS X DIREITOS DA PERSONALIDADE
Direitos obrigacionais Direitos da personalidade
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Patrimoniais Extrapatrimoniais
Inter partes Erga omnes
Prescritíveis Imprescritíveis
Transmissíveis Intransmissíveis
Disponíveis Indisponíveis
Compensáveis Incompensáveis
Renunciáveis Irrenunciáveis
Relativos Absolutos
4. ELEMENTOS DA RELAÇÃO JURÍDICA OBRIGACIONAL
4.1. Elemento Subjetivo
a) Sujeito ativo: É o credor da prestação, seja positiva ou negativa.
b) Sujeito passivo: É o devedor.
*ATENÇÃO: Relações obrigacionais complexas – a mesma pessoa é, ao mesmo tempo, credora e
devedora de prestações. Ex: Locador.
4.2. Elemento Objetivo
PRESTAÇÃO
• Dar, fazer, não fazer;
• Obrigação lícita, possível, determinada ou determinável;
• Objeto:
Direto ou imediato: É a prestação devida – dar, fazer ou não fazer;
Indireto ou mediato: É o bem da vida.
4.3. Elemento imaterial: vínculo jurídico
É a relação que se estabelece entre o credor e o devedor. Não representa uma subjugação do devedor ao
credor, pois atualmente existe uma paridade entre credor e devedor.
a) Correntes doutrinárias:
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• Monista ou unitária: Uma só relação jurídica vinculando credor e devedor através da prestação; a
obrigação está consubstanciada por um único elemento: o vínculo jurídico que une a prestação e os
elementos subjetivos.
• Dualista ou binária (Adotada pelo CC/02): Determina que a obrigação é concebida por uma relação
de débito e crédito. Há dois vínculos:
Dever de satisfazer a prestação;
Autorização legal de constranger o patrimônio do devedor.
O débito (schuld) e a responsabilidade (haftung). Assim, o schuld é o dever legal de cumprir a obrigação, o
dever existente por parte do devedor. Não cumprido o schuld, surgirá a responsabilidade, o haftung.
*Atenção:
• Débito sem responsabilidade: obrigações imperfeitas, naturais ou incompletas;
• Obrigação sem débito: garantia oferecida por um terceiro. Ex: Fiança.
OBRIGAÇÃO NATURAL
É um débito cuja a responsabilização patrimonial é judicialmente inexigível. Não obstante, uma vez cumprida
espontaneamente, ocorre a irrepetibilidade do pagamento. Prevê o art. 882 do CC que “não se pode repetir
o que se pagou para solver dívida prescrita, ou cumprir obrigação judicialmente inexigível”. Nessa mesma
linha, no que se refere às dívidas de jogo ou aposta, preceitua o art. 814 do CC, que “As dívidas de jogo ou
de aposta não obrigam a pagamento; mas não se pode recobrar a quantia, que voluntariamente se pagou,
salvo se foi ganha por dolo, ou se o perdente é menor ou interdito.
* A lógica da obrigação natural não se aplica à seara tributária, de modo que quando o contribuinte paga
dívida prescrita, há direito à restituição.
5. OBRIGAÇÕES
Esquema do Código Civil
Modalidades Transmissão Adimplemento e
extinção
Inadimplemento
Dar coisa certa Cessão de crédito Pagamento:
- Em consignação
- Com sub-rogação
Mora
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- Imputação de
pagamento
Dar coisa incerta Assunção de dívida
(cessão de débito)
Dação em pagamento Perdas e danos
Fazer Cessão de contrato Novação Juros legais
Não fazer Compensação Arras ou sinal
Alternativas Confusão
Divisíveis Remissão da dívida
Indivisíveis
Solidárias
6. MODALIDADES DE OBRIGAÇÕES
6.1. Quanto à prestação (conteúdo)
Dar, fazer ou não fazer
a) Obrigação positiva de dar: consistem na atividade de dar, entregar ou restituir. Subdividem-se em
obrigações de dar coisa certa e obrigações de dar coisa incerta.
I. Obrigações de dar coisa certa: O devedor obriga-se a dar, entregar ou restituir coisa específica,
determinada, certa. Não poderá o credor ser constrangido a receber outra senão aquela descrita no
título da obrigação. Art. 313 do CC:
Art. 313, CC: O credor não é obrigado a receber prestação diversa da que lhe é
devida, ainda que mais valiosa.
Caso consinta em receber prestação diversa em substituição à originária, estará praticando a dação
em pagamento (art. 356).
Aplica-se para as obrigações de dar coisa certa a regra de que o acessório segue o principal. o devedor
não poderá se negar a dar ao credor aqueles bens que, sem integrar a coisa principal, secundam-na por
acessoriedade (art. 233).
Até a tradição, a coisa pertence ao devedor, com os seus melhoramentos e acrescidos, pelos quaispoderá exigir aumento no preço; se o credor não anuir, poderá o devedor resolver a obrigação (art. 237).
Se houve perecimento ou deterioração do objeto:
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• Se a coisa se perder, sem culpa do devedor, antes da tradição, ou pendente condição
suspensiva, fica resolvida a obrigação para ambas as partes, suportando o prejuízo o
proprietário da coisa que ainda não a havia alienado (art. 234);
• Se a coisa se perder, com culpa do devedor, responderá este pelo equivalente, mais perdas
e danos.
Se ocorrer deterioração (prejuízo parcial):
• Se a coisa se deteriora sem culpa do devedor, poderá o credor, a seu critério, resolver a
obrigação, ou aceitar a coisa, abatido de seu preço o valor que perdeu (art. 235);
• Se a coisa se deteriora por culpa do devedor, poderá o credor exigir o equivalente, ou aceitar
a coisa no estado em que se acha, com direito a reclamar, em um ou outro caso, a
indenização pelas perdas e danos.
II. Obrigações de restituir: A prestação consiste na devolução da coisa recebida pelo devedor.
Art. 238, CC: Se a obrigação for de restituir coisa certa, e esta, sem culpa do
devedor, se perder antes da tradição, sofrerá o credor a perda, e a obrigação se
resolverá, ressalvados os seus direitos até o dia da perda.
Art. 240, CC: Se a coisa restituível se deteriorar sem culpa do devedor, recebê-la-á
o credor, tal qual se ache, sem direito a indenização; se por culpa do devedor,
observar-se-á o disposto no art. 239. E o art. 239 dispõe que “se a coisa se perder
por culpa do devedor, responderá este pelo equivalente, mais perdas e danos”.
Art. 239 CC: “se a coisa se perder por culpa do devedor, responderá este pelo
equivalente, mais perdas e danos”.
Acréscimos e melhoramentos da coisa:
• Se tais benefícios se agregaram à coisa principal, sem concurso de vontade ou despesa para
o devedor, lucrará o credor, desobrigado da indenização (art. 241).
• Se os melhoramentos exigiram concurso de vontade ou despesa para o devedor, o CC
determina que sejam aplicadas as regras atinentes aos efeitos da posse, quanto às
benfeitorias realizadas (art. 242). Quanto aos frutos, aplicam-se também as regras previstas
pelo legislador ao tratar dos efeitos da posse.
III. Obrigações de dar dinheiro: Importa a entrega de uma quantia de dinheiro pelo devedor ao credor,
com liberação daquele. Deve se realizar em moeda corrente, pelo valor nominal (PRINCÍPIO DO
NOMINALISMO). Nesse sentido, dispõe o art. 315, CC:
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As dívidas em dinheiro deverão ser pagas no vencimento, em moeda corrente e pelo valor nominal,
salvo o disposto nos artigos subsequentes.
* ATENÇÃO – OBRIGAÇÕES VALUTÁRIAS: Segundo Maria Helena Diniz, são obrigações pactuadas
em moeda estrangeira.
IV. Obrigação de dar coisa incerta (genéricas): A prestação consiste na entrega de coisa especificada
apenas pela espécie e quantidade, conforme art. 243 do CC. No entanto, a indeterminabilidade do
objeto deve ser meramente relativa.
Concentração do débito ou da prestação devida: É a operação, por meio da qual se especifica a
prestação, convertendo a obrigação genérica em determinada.
A quem cabe a escolha: A escolha, por princípio, cabe ao devedor. Essa liberdade de escolha,
contudo, não é absoluta, eis que o devedor não poderá dar a coisa pior, nem será obrigado a dar a melhor
(princípio da equivalência das prestações).
Como nas obrigações de dar coisa incerta a prestação é inicialmente indeterminada, não poderá o
devedor, antes de efetuada a sua escolha, alegar perda ou deterioração da coisa, ainda que por força maior
ou caso fortuito (art. 246). O gênero, segundo tradicional entendimento, não perece jamais.
Feita a escolha, as regras que passarão a ser aplicadas serão aquelas previstas para as obrigações de
dar coisa certa.
b) Obrigação de fazer: Pretende o credor a prestação de um fato, e não o bem que eventualmente dele
resulte. Em tais casos, a depender da possibilidade ou não de o serviço ser prestado por terceiro, a
prestação do fato poderá ser fungível ou infungível.
• Obrigação de fazer fungível: Quando a obrigação possa ser realizada por outrem, nos termos
do seu art. 249, do CC.
É possível deferir ao credor o exercício da autoexecutoriedade, em caso de urgência na obtenção da
obrigação de fazer fungível (art. 249, parágrafo único).
Exemplo: João contrata José para construir um muro. José descumpre o acordo e nada faz. Vendo que seus
preciosos cavalos de raça vão fugir da Fazenda, João mesmo ergue o muro e depois pede ressarcimento.
A expressão "autoexecutoridade" refere-se à desnecessidade de autorização judicial prévia.
As medidas acima existem no plano judicial. No plano extrajudicial, o art. 249, parágrafo único, do CC, passou
a possibilitar a autotutela civil, para cumprimento das obrigações de fazer fungível, nos seguintes termos:
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“Em caso de urgência, pode o credor, independentemente de autorização judicial, executar ou mandar
executar o fato, sendo depois ressarcido”. Para ilustrar, imagine-se o caso de contratação de uma
empreitada. Sendo pago o preço antecipadamente e negando-se o empreiteiro a desempenhar sua tarefa, o
tomador que tem urgência poderá contratar o serviço de outrem, pleiteando depois a indenização cabível
do empreiteiro original.
• Obrigação de fazer infungível: São as obrigaçõespersonalíssimas (intuitu personae), cujo
adimplemento não poderá ser realizado por qualquer pessoa, em atenção às qualidades
especiais daquele que se contratou. Tais pessoas não poderão, sem prévia anuência do
credor, indicar substitutos, sob pena de descumprirem a obrigação personalíssima pactuada.
As obrigações de fazer podem ainda ser classificadas em instantâneas ou duradouras:
• Obrigações de fazer instantâneas: aperfeiçoam-se em um único momento;
• Obrigações de fazer duradouras: a execução da obrigação protrai-se no tempo de forma continuada,
ou de modo periódico, mediante trato sucessivo.
Descumprimento da obrigação de fazer:
• Se a prestação do fato se torna impossível sem culpa do devedor: resolve-se a obrigação,
sem que haja a consequente obrigação de indenizar.
• Se a impossibilidade decorrer de culpa do devedor: este poderá ser condenado a indenizar a
outra parte pelo prejuízo causado (art. 249, CC).
c) Obrigação de não fazer: Tem por objeto uma prestação negativa, um comportamento omissivo do
devedor. Implica uma abstenção, impedindo que o devedor pratique um ato que normalmente não
lhe seria vedado, tolere ato que normalmente não admitiria ou, mesmo, obrigue-se a não praticar
um ato jurídico que em princípio ser-lhe-ia lícito. Ex.: não construir muros, não possuir animais.
6.2. Quanto ao elemento subjetivo
a) Obrigações fracionárias: Concorre uma pluralidade de devedores ou credores, de forma que cada um
deles responde apenas por parte da dívida ou tem direito apenas a uma proporcionalidade do crédito. As
obrigações fracionárias ou parciais podem ser, do ponto de vista ideal, decompostas em tantas obrigações
quantos os credores ou devedores, pois, encaradas sob a ótica ativa, não formam um crédito coletivo, e, sob
o prisma passivo, coligam-se tantas obrigações distintas quanto os devedores, dividindo-se o cumprimento
da prestação entre eles. Ex: Dívidas de dinheiro.
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b) Obrigações conjuntas (unitárias ou de mão comum): Concorre uma pluralidade de devedores ou
credores, impondo-se a todos o pagamento conjunto de toda a dívida, não se autorizando a um dos credores
exigi-la individualmente.
c) Obrigações disjuntivas: Existem devedores que se obrigam alternativamente ao pagamento da dívida.
Desde que um dos devedores seja escolhido para cumprir a obrigação, os outros estarão consequentemente
exonerados, cabendo, portanto, ao credor a escolha do demandado. Diferem das obrigações solidárias por
lhes faltar a relação interna que é própria do mecanismo da solidariedade, justificando, nesta última, o direito
regressivo do devedor que paga.
d) Obrigações solidárias: Existe solidariedade quando, na mesma obrigação, concorre uma pluralidade de
credores, cada um com direito à dívida toda (solidariedade ativa), ou uma pluralidade de devedores, cada
um obrigado à dívida por inteiro (solidariedade passiva). Nada impede que se fale também em solidariedade
mista, ainda que não haja previsão legal específica. Podem ser:
• Obrigação solidária pura e simples: NÃO contem condição, termo e encargo;
• Obrigação solidária condicional: efeitos subordinados a um evento futuro e incerto;
• Obrigação solidária a termo: efeitos subordinados a evento futuro e certo.
I) Algumas Características:
• Cada credor poderá exigir o pagamento de qualquer devedor no todo, como se fosse o único
existente, assim como o devedor poderá exonerar-se pagando o total a qualquer credor.
• O objeto é único, embora concorram mais de um credor ou devedor, cada um deles com direito ou
obrigado a toda a dívida.
• A solidariedade não se presume (art. 265 do CC), resulta da lei ou vontade das partes.
II) Solidariedade ativa: Diz respeito à existência de mais de um credor.
• Falecimento de um dos credores na obrigação solidária ativa: Se um dos credores falecer, a
obrigação se transmite a seus herdeiros, cessando a solidariedade em relação aos sucessores, uma
vez que cada qual somente poderá exigir a quota do crédito relacionada com o seu quinhão de
herança (refração do crédito), prevista no art. 270 do CC. A prestação poderá ser reclamada por
inteiro nos seguintes casos:
Se o credor falecido só deixou um herdeiro;
Se todos os herdeiros agem conjuntamente;
Se indivisível a prestação.
• Solidariedade ativa e prescrição:
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A citação válida contra devedor fracionário não se estende aos demais;
A interrupção do credor solidário se estende aos demais;
O julgamento contrário a um dos credores solidários não atinge os demais; o julgamento
favorável aproveita-lhes, a menos que se funde em exceção pessoal ao credor que o obteve
(art. 274, CC).
III) Solidariedade passiva: Quando, em determinada obrigação, concorre uma pluralidade de devedores,
cada um deles obrigado ao pagamento de toda a dívida:
Art. 275: O credor tem direito a exigir e receber de um ou de alguns dos devedores,
parcial ou totalmente, a dívida comum; se o pagamento tiver sido parcial, todos os
demais devedores continuam obrigados solidariamente pelo resto. Parágrafo
único. Não importará renúncia da solidariedade a propositura de ação pelo credor
contra um ou alguns dos devedores”.
Exceções pessoais do devedor demandado: O devedor que for demandado poderá opor ao credor
as exceções que lhe forem pessoais e, bem assim, as defesas que forem comuns a todos os devedores. Não
lhe aproveita, contudo, as defesas pessoais de outro devedor.
Responsabilidade dos devedores solidários: Se a prestação se impossibilitar por dolo ou culpa de
um dos devedores, todos permanecerão solidariamente obrigados ao pagamento do valor pelo equivalente.
Entretanto, pelas perdas e danos só responderá o culpado (art. 279). Na solidariedade ativa a situação é
diferente, mantendo-se a solidariedade também pelas perdas e danos. Todos os devedores solidários sempre
respondem pelo débito, mesmo não havendo descumprimento por parte de um ou de alguns. Porém, quanto
às perdas e danos somente será responsável o devedor que agiu com culpa estrita ou dolo.
Falecimento dos devedores solidários: No caso de falecimento de um dos devedores solidários,
cessa a solidariedade em relação aos sucessoresdo de cujus, eis que estes somente serão responsáveis até
os limites de seus quinhões correspondentes, salvo se obrigação for indivisível.
O devedor que satisfez a dívida por inteiro tem direito a exigir de cada um dos co-devedores a sua
cota, dividindo-se igualmente por todos a do insolvente, se o houver, presumindo-se iguais, no débito, as
partes de todos os co-devedores (ar. 283).
O credor pode renunciar à solidariedade em favor de um, de alguns ou de todos os devedores.
Todavia, no caso de rateio entre os co-devedores, contribuirão também os exonerados da solidariedade pelo
credor, pela parte que na obrigação incumbia o insolvente (art. 284).
A tabela abaixo ajuda na compreensão e fixação do tema:
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SOLIDARIEDADE ATIVA
(VÁRIOS CREDORES)
SOLIDARIEDADE PASSIVA (VÁRIOS DEVEDORES)
A, B, C e D são credores de E em 100 reais. A é credor de B, C, D e E em 80 reais.
Pagamento parcial extingue a dívida até o
montante que foi pago -> Se E pagar 10 a qlqr
credor, passa a dever 70.
Pagamento parcial e remissão obtida por um
devedor, não aproveitam aos outros devedores,
mas abate o montante total -> se E pagar 10, passa
a dever apenas mais 10 e os outros continuam a
dever 20 cada, passando a dívida para um total de
70.
Se B falecer deixando 2 herdeiros, cada herdeiro
tem direito de exigir apenas 10, salvo se a obrigação
for indivisível.
Se B falecer deixando 2 herdeiros, cada herdeiro
deve pagar apenas 10, salvo se a obrigação for
indivisível.
Se A tornar-se absolutamente incapaz ou se
ausentar do país a serviço público, a prescrição se
suspende apenas em relação a ele, salvo se a
obrigação for indivisível
Se A tornar-se absolutamente incapaz ou se
ausentar do país a serviço público, a prescrição se
suspende em prejuízo a todos os devedores.
Se A protestar judicialmente o título, a prescrição se
interrompe em benefício de todos.
* Obs.: se não houver solidaridade, a interrupção
não favorece os demais credores.
Se A protestar judicialmente o título, a prescrição se
interrompe em prejuízo de todos.
* Obs.: se não houver solidaridade, a interrupção
não prejudica os demais devedores.
6.3. Quanto ao objeto
a) Obrigações alternativas (disjuntivas): Têm por objeto duas ou mais prestações, mas apenas uma será
cumprida como pagamento, o que aumenta a chance de satisfação do credor. Ex: Vender casa na praia ou
trocá-la por terreno.
Impossibilidade de cumprimento das obrigações alternativas:
• Impossibilidade total:
Sem culpa do devedor: extingue-se a obrigação (art. 256);
Com culpa do devedor:
▪ Se a escolha cabe ao devedor: deverá pagar o valor da prestação que por último se
impossibilitou mais perdas e danos (art. 254);
▪ Se a escolha cabe ao credor: poderá exigir o valor de qualquer das prestações, mais
perdas e danos (art.255).
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DELEGADO DE POLÍCIA – TURMA 8
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• Impossibilidade parcial:
Sem culpa do devedor: Concentração do débito na prestação subsistente (art. 253);
Com culpa do devedor:
▪ Se a escolha cabe o devedor: concentração do débito na prestação subsistente (art.
253);
▪ Se a escolha cabe ao credor: poderá exigir a prestação remanescente ou o valor da que
se impossibilitou, mais perdas e danos (art. 255).
b) Obrigações facultativas. O CC não cuidou dessa espécie obrigacional, também denominada obrigação com
faculdade alternativa ou obrigação com faculdade de substituição. A obrigação é considerada facultativa
quando, ao nascer a obrigação, o objeto é único, mas para facilitar o pagamento, o devedor tem a excepcional
faculdade de se libertar por prestação diferente.
• O credor não tem a opção, e só e só pode exigir a prestação principal;
• Só o devedor pode optar pela prestação facultativa.
c) Obrigações cumulativas (conjuntivas): Têm por objeto uma pluralidade de prestações, que devem ser
cumpridas simultaneamente. No caso de perda do bem, aplica-se a mesma regra relativa às obrigações de
dar coisa certa (arts. 234 a 236).
6.4. Quanto à divisibilidade
a) Divisível: Admitem fracionamento.
b) Indivisível: Segundo o art. 258, do CC, a obrigação é indivisível quando a prestação tem por objeto uma
coisa ou um fato não suscetíveis de divisão, por sua natureza, por motivo de ordem econômica, ou dada a
razão determinante do negócio jurídico.
Formas de indivisibilidade:
• Natural: Decorre da própria natureza da prestação;
• Legal;
• Contratual: Decorre da vontade das próprias partes, que estipulam a indivisibilidade no
próprio título da obrigação.
Pluralidade:
• Devedores: se concorrerem dois ou mais devedores, cada um deles estará obrigado pela dívida toda.
• Credores: poderá qualquer deles exigir a dívida inteira. O devedor se desobrigará:
Pagando a todos os credores conjuntamente;
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Pagando a um, dando este caução de ratificação dos outros credores.
Recebendo a dívida por inteiro, o credor deverá repassar aos outros, em dinheiro, as partes que lhes
caibam no total (art. 261).
Se um dos credores remitir a dívida, a obrigação não ficará extinta para com os outros, mas estes só
a poderão exigir, descontada a quota do credor remitente (art. 262).
Perda da indivisibilidade - Art. 263, do CC: Perde a qualidade de indivisível a obrigação que se
resolver em perdas e danos.
• Se houver culpa de todos: responderão igualmente
• Culpa