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DO EMPRESTIMO
 Empréstimo é o contrato pelo qual uma das partes entrega á outra coisa fungível ou infungível, com a obrigação de restituí-la. O empréstimo, em qualquer de suas modalidades, pertence a categoria dos contratos que tem por objeto a entrega de uma coisa. Quem a recebe fica obrigado a restituí-la, tal como acontece na locação. Como somente se perfaz com a tradição, é contrato de natureza real.
 
1. ESPÉCIES
 O Código Civil designa, com o vocábulo empréstimo, dois contratos de reconhecida importância: o comodato e o mútuo. Têm eles em comum a entrega de uma coisa. Diferenciam-se, todavia, profundamente. O primeiro é empréstimo para uso apenas, e o segundo, para consumo.
 No comodato, a restituição será a da própria coisa emprestada, ao passo no mútuo será de uma coisa equivalente. O primeiro é essencialmente gratuito, enquanto o mútuo tem, em regra, caráter oneroso.
DO COMODATO
 É contrato benéfico, pelo qual uma pessoa entrega a outrem alguma coisa infungível, para que a use graciosamente e, posteriormente, a restitua. São três as características essenciais do contrato de comodato: gratuidade, infungibilidade do objeto e aperfeiçoamento com a tradição deste.
 A gratuidade decorre da própria natureza do comodato, pois se confundiria com a locação, se fosse oneroso. Em geral o contrato de comodato tem natureza intuitu personae, traduzindo um favorecimento pessoal do comodatário, embora essa circunstância não seja essencial. O contrato é intuito personae, porque o objeto não poderá ser cedido pelo comodatário, sob o mesmo título, a terceiro, por traduzir um favorecimento pessoal e, ainda, que a circunstância de o contrato de comodato, por sua própria natureza, revestir-se de caráter intuitu personae não induz seja ele vitalício ou perpétuo.
 A infungibilidade do objeto implica a restituição da mesma coisa recebida em empréstimo. Se fungível ou consumível, haverá mútuo. Mas pode ela ser móvel ou imóvel. Os bens incorpóreos, suscetíveis de uso ou posse, como o direito autoral, a patente de invenção, o nome ou marca comercial, a linha telefônica e outros, também pode ser dada em comodato.
 A necessidade da tradição para o aperfeiçoamento do comodato torna-o um contrato real. Somente com a entrega, e não antes, fica perfeito o contrato. Recebendo a coisa, o comodatário passa a exercer a posse direta, permanecendo a indireta com o comodante. O comodato é, também, contrato unilateral, temporário e não solene. É unilateral porque, aperfeiçoando-se com a tradição, gera obrigações apenas para o comodatário.
 O empréstimo é para uso temporário. Se for perpétuo, transforma-se em doação. O ajuste pode ser por prazo determinado ou indeterminado. O comodante pode pedir a restituição da coisa emprestada, antes de expirado o prazo, se demonstrar em juízo a sua necessidade, urgente e imprevista, sendo esta reconhecida pelo juiz. Como a lei não exige forma especial para a validade do contrato de comodato, podendo ser utilizada até a verbal, é contrato não solene.
 Os tutores, curadores, e em geral todos os administradores de bens alheios não poderão dar em comodato, sem autorização especial, os bens confiados a sua guarda. Para figurar em contrato de comodato as partes devem ter capacidade geral para contratar. Sendo o comodato baseado na confiança, é vedada a cessão de uso mediante subcomodato, à falta de expressa autorização. Sem ela, a subcontratação constitui abuso, com desvio de finalidade.
1. DIREITOS E OBRIGAÇÕES DO COMODATÁRIO
 Os direitos do comodatário concernem ao uso e gozo da coisa emprestada, que são ilimitados, mas sujeitos a regras disciplinadoras. Estas consistem, basicamente, em:
a) CONSERVAR A COISA- conservar como se sua própria fora, a coisa emprestada, evitando desgastá-la. Não pode alugá-la, nem emprestá-la sem autorização. A obrigação de conservar e manter a coisa traz como conseqüência a responsabilidade do comodatário pelo dano que lhe advenha. Em princípio não se permite ao comodatário fazer seus os frutos da coisa. Todavia, não existe incompatibilidade entre o dever de conservação e a percepção de frutos, podendo esta ser autorizada, expressa ou tacitamente.
b) USAR A COISA DE FORMA ADEQUADA- o comodatário não pode usá-la senão de acordo com o contrato, ou a natureza dela, sob pena de responder por perdas e danos.
c) RESTITUIR A COISA- deve esta ser restituída no prazo convencionado, ou, não sendo este determinado, findo o necessário ao uso concedido. O comodatário incorrerá em mora quando se negar a restituir a coisa emprestada, estando vencido o prazo estabelecido no contrato.
2. DIREITOS E OBRIGAÇÕES DO COMODANTE
 A rigor o comodante não tem obrigações, todavia, é possível que obrigações possam surgir, eventualmente. O comodante tem a obrigação de reembolsar o comodatário pelas despesas extraordinárias e urgentes que este fizer na coisa, que importem em gastos que excedam da sua conservação normal e não possam esperar que, avisado, o primeiro as efetue tempestivamente.
 Compete também indenizar o comodatário dos prejuízos causados por vício oculto da coisa, dos quais tinha conhecimento. Tem ainda a obrigação de receber a coisa em restituição, findo o prazo do comodato. Os direitos do comodante correspondem as obrigações do comodatário: exigir do comodatário que conserve a coisa; exigir que o mesmo efetue os gastos para conservação, uso e gozo da coisa; arbitrar e cobrar aluguel, em caso de atraso na restituição.
3. EXTINÇÃO DO COMODATO
 Extingue-se por diversas formas:
a) PELO ADVENTO DO TERMO CONVENCIONADO- ou não havendo estipulação nesse sentido, pela utilização da coisa de acordo com a finalidade para que foi emprestada.
b) PELA RESOLUÇÃO- Por iniciativa do comodante, em caso de descumprimento, do comodatário de suas obrigações, por usá-la de forma diversa da convencionada.
c) POR SENTENÇA- a pedido do comodante, provada a necessidade imprevista e urgente.
d) PELA MORTE DO COMODATÁRIO- se o contrato for celebrado intuitu personae, pois nesse caso não se transmite aos herdeiros.
e) PELO PERECIMENTO DO OBJETO.
DO MÚTUO
 O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis, pelo qual o mutuário obriga-se a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade. A característica fundamental do mútuo é a transferência da propriedade da coisa emprestada, como decorrência natural da impossibilidade de ser restituída na sua individualidade. É, por isso, modalidade de contrato translativo.
 Constitui empréstimo para consumo, pois o mutuário não é obrigado a devolver o mesmo bem, do qual se torna dono, mas sim coisa da mesma espécie. A fungibilidade da coisa emprestada é o primeiro requisito do contrato de mútuo.
1. CARACTERÍSTICAS
 O mútuo é contrato real, porque se aperfeiçoa com a entrega da coisa emprestada. Tem o mútuo a finalidade de conceder a outra parte plena disposição, implicando, desta forma, transferência do domínio. Tem fins econômicos o mútuo que não é feito por simples amizade ou cortesia, mas visando uma contraprestação. Os juros constituem a renda do dinheiro, o proveito auferido do capital emprestado, como o aluguel é a retribuição pelo uso da coisa locada.
 Caracteriza-se o mútuo, ainda como contrato unilateral, porque entregue a coisa emprestada, nada mais cabe ao mutuante, recaindo as obrigações somente ao mutuário. É também contrato não solene, por não ser exigida nenhuma formalidade especial para a sua celebração. É por fim, temporário, pois será doação se não houver prazo determinado.
 Como o mútuo transfere o domínio, o mutuante deve ser proprietário daquilo que empresta e ter capacidade para dispor da coisa. O mutuário também deve ser habilitado para obrigar-se. Em princípio
inexistem obrigações para o mutuante. Todavia há sua responsabilidade pelos prejuízos decorrentes de vícios ou defeitos da coisa, de que tinha conhecimento.
 As obrigações do mutuário resumem-se em uma só: restituir, no prazo convencionado, a mesma quantidade e qualidade de coisas recebidas e, na sua falta, pagar o seu valor, tendo em vista o tempo e o lugar em que, segundo a estipulação, se devia fazer a restituição, quando o contrato não tiver dinheiro por objeto. Se a coisa, ao tempo do pagamento, estiver desvalorizada, deve ser restituído o valor que tinha na data do empréstimo, pelo qual ingressou no patrimônio do mutuário.
Mútuo feito à menor não pode ser reembolsado nem do menor, nem de seus fiadores, exceção artigo 589.

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