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DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO E
DA EMPREITADA
1- PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS
 Diferente da atividade de produção ou fabricação, serviço é a atividade econômica da qual não resulta um produto tangível. Como exemplo, podemos citar a atividade de transporte e atividade exercida pelos profissionais liberais. A locação ou prestação de serviços é o contrato em que uma das partes (prestador) se obriga para com a outra (tomador) a fornecer-lhe a prestação de uma atividade, mediante remuneração.
 Constitui prestação de serviços toda espécie de serviço ou trabalho lícito, material ou imaterial, contratada mediante retribuição (art. 594, CC), excluída as relações de emprego e outros serviços regulados por legislação específica. No contrato de prestação de serviços regulados pelo código civil a remuneração é paga por quem contrata o serviço (normalmente o tomador) e tem as seguintes características:
a) É bilateral, pois gera obrigação para ambos os contratantes;
b) Oneroso, considerando que há benefício recíproco para as partes;
c) Consensual, pois se aperfeiçoa com o simples acordo de vontade das partes, independente de qualquer fato ou materialidade subseqüente.
 Seja qual for a sua natureza, qualquer serviço, desde que lícito, pode ser objeto do aludido contrato, não se fazendo distinção entre trabalho braçal ou intelectual. Estabelece o Código Civil que a prestação de serviço não se poderá convencionar por mais de 4 (quatro) anos, embora o contrato tenha por causa o pagamento de dívida de quem o presta, ou se destine à execução de certa e determinada obra; neste caso, decorridos 4 (quatro) anos, dar-se-á por findo o contrato, ainda que não concluída a obra.
 O prazo de contratação dos serviços não pode ser excessivamente longo, pois poderia ser caracterizado como escravidão. Assim, para os contratos firmados com prazo determinado, este não poderá ser superior a quatro anos. Na ausência de prazo fixo, qualquer das partes unilateralmente, mediante aviso prévio, pode rescindir o contrato. 
 Não se conta no prazo do contrato o tempo em que o prestador de serviço, por culpa sua, deixou de servir.
 Não havendo prazo estipulado, nem se podendo inferir da natureza do contrato, ou do costume do lugar, qualquer das partes, a seu arbítrio, mediante prévio aviso, pode resolver o contrato. Os serviços de natureza trabalhista são regulados por legislação própria, não sendo atividade vinculada ao código civil. No que concerne ao vínculo empregatício, no contrato individual de trabalho pressupõe-se a continuidade, a dependência econômica e a subordinação.
 Qualquer da partes, a seu arbítrio, mediante prévio aviso, pode resolver o contrato. O aviso deve ser dado com antecedência de oito dias, se o salário se houver fixado por tempo de um mês, ou mais; com antecipação de quatro dias, quando ajustado por semana, ou quinzena; e de véspera, quando se tenha contratado por menos de sete dias.
 Se o prestador de serviço não foi contratado para certo e determinado trabalho, entender-se-á que se obrigou a todo e qualquer serviço compatível com as suas forças e condições (art. 601, CC). Quando o contrato é celebrado por tempo certo, ou por obra determinada, não se pode ausentar, ou despedir, sem justa causa, antes de preenchido o tempo ou concluída a obra. Se o fizer, terá direito a retribuição vencida, mas responderá por perdas e danos. Se for despedido sem justa causa, á outra parte será obrigada a pagar-lhe por inteiro a retribuição vencida, e por metade a que lhe tocaria de então ao termo legal do contrato (art. 603).
 Na relação obrigacional, nem aquele a quem os serviços são prestados, poderá transferir a outrem o direito aos serviços ajustados, nem o prestador de serviços, sem aprazimento da outra parte, dar substituto que os preste. Quanto a capacidade legal para a prestação do serviço, se o trabalho for prestado por quem não possua título de habilitação, ou não satisfaça requisitos outros estabelecidos em lei, não poderá quem os prestou cobrar a retribuição normalmente correspondente ao trabalho executado. Mas se deste resultar benefício para a outra parte, o juiz atribuirá a quem o prestou uma compensação razoável, desde que tenha agido com boa-fé. Não se aplica a segunda parte deste artigo, quando a proibição da prestação de serviço resultar de lei de ordem pública.
 Ocorre o término do contrato de prestações de serviço com a morte de qualquer das partes, bem como pelo escoamento do prazo, pela conclusão da obra, pela resilição do contrato mediante aviso prévio, por inadimplemento de qualquer das partes ou pela impossibilidade de sua continuação, por força maior (art. 607).
 Observe-se que o prestador de serviço contratado por tempo certo, ou por obra determinada, não se pode ausentar, ou despedir, sem justa causa, antes de preenchido o tempo, ou concluída a obra. Se despedir sem justa causa, terá direito à retribuição vencida, mas responderá por perdas e danos. O mesmo dar-se-á, se despedido por justa causa.
2- DA EMPREITADA
 Empreitada é contrato em que uma das partes (o empreiteiro) obriga-se a realizar determinada obra, pessoalmente ou por meio de terceiros, mediante remuneração a ser paga pela outra (o dono da obra), de acordo com as instruções desta e sem relação de subordinação. Na empreitada o objeto da prestação é a obra em si, permanecendo inalterada a remuneração, qualquer que seja o tempo de trabalho. A execução do serviço é dirigida pelo próprio empreiteiro, é o empreiteiro que assume os riscos do empreendimento, sem estar subordinado ao dono da obra.
 Verifica-se assim que a empreitada, por gerar uma obrigação de resultado, tem por escopo apenas o resultado final, que pode ser a construção de uma obra material ou criação intelectual ou artística, não levando em consideração a atividade do empreiteiro em si. Mesmo que gaste um tempo maior do que prevista para concluir a obra, não terá direito a qualquer acréscimo. Da mesma forma, fará jus a remuneração integral, se por ventura consumir menor tempo.
 A empreitada é contrato bilateral (gera obrigações para ambas as partes); consensual (aperfeiçoa-se com o acordo de vontades); comutativo (cada parte pode antever os ônus e as vantagens delas advindos); oneroso (ambas as partes obtém proveito) e não solene (de forma livre). As empreitadas podem ser contratadas considerando duas modalidades: a empreitada somente da mão-de-obra (lavor) ou a empreitada mista, incluindo materiais.
 As empreitadas podem ser contratadas considerando duas modalidades: a empreitada somente da mão-de-obra (lavor) ou a empreitada mista, incluindo materiais. Desta matéria trata o código civil em seus artigos 610 a 613. Por este diploma legal, o empreiteiro de uma obra pode contribuir para ela só com seu trabalho ou com ele e os materiais. A obrigação de fornecer os materiais não se presume; resulta da lei ou da vontade das partes. Por outro lado, o contrato para elaboração de um projeto não implica a obrigação de executá-lo, ou de fiscalizar-lhe a execução. 
 Em decorrência da entrega dos materiais podem advir alguns ônus decorrentes dos riscos que normalmente não são considerados na contratação. Assim estabelece o código que, quando o empreiteiro fornece os materiais, correm por sua conta os riscos até o momento da entrega da obra, a contento de quem a encomendou, se este não estiver em mora de receber. Mas se estiver, por sua conta correrão os riscos. 
 Destaque-se que se o empreiteiro só forneceu mão-de-obra, todos os riscos em que não tiver culpa correrão por conta do dono. Sendo, porém a empreitada unicamente de lavor (art. 610), se a coisa perecer antes de entregue, sem mora do dono nem culpa do empreiteiro, este perderá a retribuição, se não provar que a perda resultou
de defeito dos materiais e que em tempo reclamara contra a sua quantidade ou qualidade.
 A empreitada pode ser convencionada a preço fixo ou global e a preço por medidas ou por etapas. Na primeira, a preço fixo ou global, a obra é ajustada por preço invariável, fixado antecipadamente pelas partes e insuscetível de alteração, para mais ou para menos. O preço engloba toda a obra e, por essa razão, é de extrema relevância, para garantia, tanto do proprietário quanto do empreiteiro.
 A entrega da obra pode ser feita por partes, a medida que for sendo parcialmente concluída ou somente após a conclusão. Antes que seja efetuado o pagamento é importante que seja devidamente dimensionado e examinado o que está sendo pago, pois, segundo o código, tudo o que se pagou presume-se verificado. E mais, o que se mediu presume-se verificado se, em 30 (trinta) dias, a contar da medição, não forem denunciados os vícios ou defeitos pelo dono da obra ou por quem estiver incumbido da sua fiscalização.
 No que tange a prejuízos decorrentes de uso inadequado de materiais, o empreiteiro é obrigado a pagar estes materiais recebidos, se por imperícia ou negligência os inutilizar. Concluída a obra, se constata que o empreiteiro a realizou de acordo com a encomenda e, portanto, que o resultado prometido foi alcançado, não pode o dono negar a recebê-la e apagar o preço ajustado.
 A extinção do contrato de empreitada ocorre pelo seu cumprimento e pode resolver-se se um dos contratantes não cumpre qualquer das cláusulas assumidas. Por fim, não se extingue o contrato de empreitada pela morte de qualquer das partes, salvo se ajustado em consideração às qualidades pessoais do empreiteiro. A responsabilidade do empreiteiro pode ser analisada sob os seguintes aspectos: a) quanto aos riscos da obra; b) quanto a solidez e segurança dos edifícios e outras construções consideráveis; c) quanto a perfeição da obra; d) quanto a responsabilidade pelo custo dos materiais; e e) quanto aos danos causados a terceiros.
 Os pequenos defeitos, que não afetam a segurança e a solidez da obra, são considerados vícios redibitórios, que devem ser alegado no prazo decadencial de um ano, contado da entrega efetiva. A principal obrigação do dono da obra é efetuar o pagamento do preço, e receber a obra, se estiver de acordo com o ajuste ou o costume do lugar.

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