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82 LIVRO DE QUESTÕES E) Seja qual for a modalidade de improbidade administrativa, aos agentes públicos por ela respon- sabilizados deve ser aplicada a sanção de perda da função pública independentemente do trânsito em julgado da sentença condenatória. Inicialmente importante destacar a obrigação do homem público de atuar de forma diligente, íntegra, justa e, sobretudo, responsável. Tal obrigação esta si- multaneamente ligada ao o dever de boa administração, exigindo deste agente, conduta que identifique os atos administrativos que protagoniza, com o real interesse público que deve invariavelmente motivar a sua ação. O que se deseja é a administração de interesses alheios, de toda a coletividade, com cuidados equiva- lentes àqueles dispensados na administração dos inte- resses pessoais. Qualquer pessoa que vive em sociedade, em espe- cial o homem público, na medida em que dirija seus passos no sentido no locupletamento pessoal, do tra- tamento da coisa pública em função dos próprios inte- resses, do descumprimento dos princípios constitucio- nais e do sistema normativo, na senda do desvio ético, deve ser chamado à responsabilidade, penalizado não só material, mas também moralmente. Com o advento da Constituição de 1988, o princípio da moralidade administrativa foi elevado à categoria de princípio constitucional e restou expresso no caput do art. 37, para, juntamente com a legalidade, impessoa- lidade, publicidade e eficiência, orientar a atividade da Administração Pública. O princípio da moralidade administrativa veio im- por ao administrador o cumprimento da lei de maneira honesta e leal às instituições que serve, pois somente assim o interesse público e a sociedade estarão bem servidas. Tal princípio relaciona-se com o princípio da lega- lidade, consagrado no art. 5º, inciso II, da Constituição que traz consignado que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei e consagrado também no art. 37 da Constituição, desti- nado, dessa vez, a informar a conduta dos agentes pú- blicos, restringido o seu campo de atuação àquilo que a lei permite, na medida em que a lei é a vontade da Administração. Como é sabido, ao particular é dado fazer tudo aquilo que a lei não proíbe e à Administração somente aquilo que a lei autorize. O dever de probidade, portanto, aparece como ele- mento essencial às ações do agente público, o qual deve proceder de maneira honesta e parecer proceder de ma- neira honesta, deve ser leal à instituição que serve, não se aproveitando do cargo, emprego ou função que ocu- pa na Administração para servir a interesse que não seja o interesse público. A Lei de Improbidade Administrativa – Lei 8429/92, em seu artigo 4º também dispõe sobre os deveres dos agentes públicos: Art. 4° Os agentes públicos de qualquer nível ou hie- rarquia são obrigados a velar pela estrita observância dos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade e publicidade no trato dos assuntos que lhe são afetos. A improbidade administrativa esta intimamente li- gada à conduta do administrador, do agente público, ao qual contraria as normas éticas e morais, as leis, costu- mes, ou seja, não atua de forma ilibada na administra- ção do patrimônio público, pois deixa de realizar com honradez e desonestidade os procedimentos da Admi- nistração Pública. A prática de atos de improbidade gera a respon- sabilização civil do agente público ou de terceiros que tenham participado ou, de qualquer forma, angariado benefícios pela prática ilícita. Cuidou assim o legislador de prever sanções aos atos de improbidade, que elencou no §4º do art. 37 nos- sa Carta Constitucional de 1988, o seguinte: Art. 37 (...) § 4º. Os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos direitos políticos, a perda da função pública, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma e gradação previstas em lei, sem prejuízo da ação penal cabível. Em conjunto com a força vinculante da Constituição Federal de 1988, surge também a Lei de Improbidade Administrativa - Lei n. 8.429/92, atribuindo como san- ções o ressarcimento do prejuízo, perdas dos bens ou valores, perda da função pública, suspensão dos direitos políticos, pagamento de multa civil entre outras. Diante do exposto, conclui-se que realmente não como se falar ofensa à moralidade ou a probidade ad- ministrativa, sem falar em ofensa a ordem jurídica, visto que diferentemente do particular, existem leis e princí- pios que preveem a obrigação do homem público de agir com probidade e moralidade, ferindo diretamente a ordem jurídica quando isso não acontece. Dessa forma, analisando as alternativas acima, cons- tatamos que a alternativa “d” é a correta, por estar de acordo com o regulamentado pela Lei 8.429/92. RESPOSTA: “D”. 277- (TJ/SP – ESCREVENTE TÉCNICO JUDICIÁRIO – VUNESP/2011). Em relação ao procedimento admi- nistrativo e ao processo judicial previstos na Lei n.º 8.429/92, assinale a alternativa correta.