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PROFESSOR: ROGERIO PEREIRA DA LUZ PATOLOGIA NEUROLOGICA: LESÕES MEDULARES A lesão na medula espinhal, também chamada de lesão medular, acontece quando, por algum motivo, a medula espinhal do paciente sofre algum dano ou lesão, fazendo com que a comunicação entre cérebro e corpo, e vice-versa, fique de algum modo prejudicada. É devido aà lesões na medula espinhal que as pessoas ficam paraplégicas (impossibilitadas de movimentar os membros inferiores) ou tetraplégicas (impossibilitadas de movimentar do pescoço para baixo) e o que determina isso é a região da medula espinhal afetada pela lesão. De modo geral, quanto mais alta na coluna vertebral for a lesão, mais o organismo do paciente é afetado. Nem sempre, no entanto, as lesões na medula espinhal resultam em paralisias e dificuldades de movimento. Alguns casos de lesão medular podem fazer com que o paciente apresente perda de sensibilidade, como formigamento e incômodos. Quais são os tipos de lesão na medula espinhal? De modo geral, os tipos de lesão na medula espinhal são classificados de acordo com quão afetada foi a medula espinhal do paciente. É importante ressaltar que, dependendo do tipo de lesão e da localização, o organismo pode ser afetado de diferentes formas. Se o paciente sofrer uma lesão na medula espinhal cervical, por exemplo, ele será afetado do pescoço para baixo, o que pode resultar em paraplegia, por exemplo. Já uma lesão na medula espinhal sacral, localizada na região do osso sacro, ao final da coluna, pode trazer problemas relacionados ao controle das necessidades básicas, como urinar e eliminar fezes, além de disfunções sexuais. Uma lesão na medula espinhal completa quer dizer que a medula espinhal do paciente foi realmente afetada e agora não há mais qualquer tipo de comunicação entre o cérebro e corpo, e vice-versa, a partir do ponto onde a lesão se encontra. Já uma lesão na medula espinhal incompleta significa que ainda há certa comunicação e o que o paciente consegue ou não fazer depende de qual área da medula espinhal permanece ativa. Por isso, existem diferentes classificações tanto para a paraplegia quanto para a tetraplegia, de acordo com os sintomas que o paciente apresenta e seus níveis de sensibilidade nos membros. Quais as causas de lesão na medula espinhal? De modo geral, as lesões na medula espinhal são divididas em dois conjuntos de causas: as traumáticas e as não traumáticas. As traumáticas são o tipo mais comum de lesão na medula espinhal, sendo que a grande maioria dos casos de lesão medular acontece em decorrência disso, e acontece quando o paciente sofre algum tipo de trauma, como queda ou acidente, que acaba por lesionar a medula espinhal. Movimentar o paciente de forma incorreta após esse acidente pode piorar ainda mais a lesão medular, por isso, recomenda-se que isso não seja feito e que se busque ajuda especializada com o Corpo de Bombeiros. As lesões medulares traumáticas são mais comuns em homens do que em mulheres e também podem acontecer devido a episódios de violência, como ferimentos causados por bala de fogo, por exemplo. Já as lesões medulares não traumáticas são aquelas causadas devido à uma doença ou a outro elemento que não o trauma. É o caso de doenças como a poliomielite, em que o vírus da pólio ataca as células que fazem parte da medula espinhal, causando lesões medulares. Deformidades na coluna vertebral, hérnia de disco e deslocamento de disco também podem vir a causar lesões na medula espinhal. Outros defeitos congênitos, como a espinha bífida, que acontece quando há um defeito no final da medula espinhal, por má-formação do feto, também podem causar lesões na medula espinhal. Ainda, existem lesões na medula espinhal, como a concussão da medula, que acontecem de modo temporário após um trauma ou algo do tipo. Por um período, o paciente pode perder a sensibilidade e seus movimentos, recuperando-os total ou parcialmente após uma determinada janela de tempo. Quais são os sintomas de lesão na medula espinhal? Por serem mais comuns após um trauma, as lesões na medula espinhal costumam apresentar sintomas bem claros, que podem incluir: • dor muito forte ou sensação de pressão em pontos diferentes do corpo, como pescoço e costas; • sensação de formigamento em diferentes partes do corpo; • perda da sensibilidade ao toque, à dor, ao frio e ao calor; • perda do controle em relação a diferentes parte do corpo; • incontinência urinária e fecal; • dificuldades respiratórias. Uma vez que a medula espinhal é uma estrutura extremamente delicada, ao ver alguém sofrer um acidente ou trauma em que a coluna possa ter sido afetada, é importante não movimentar esse paciente e chamar ajuda médica especializada para evitar causar piora nas lesões da medula espinhal. Por conta das dificuldades de movimento que acontecem em decorrência da lesão medular, o paciente pode apresentar outras condições, como problemas cardiovasculares, edemas e feridas na pele (úlceras de pressão), devido à falta de mobilidade corporal. A espasticidade, que faz com que os pacientes apresentem uma contração permanente dos músculos, também é um dos sintomas secundários de lesão medular. Como é o tratamento de lesão na medula espinhal? O tratamento de lesão na medula espinhal envolve um conjunto de diferentes médicos e especialistas, dependendo do caso do paciente. De modo geral, o indivíduo e seus familiares terão que adotar uma série de adaptações ao cotidiano, para apoiar o paciente em sua nova vida. O acompanhamento da lesão medular pode ser feito por um conjunto de especialistas, como neurologistas, ortopedistas, fisioterapeutas, enfermeiros, Técnicos e auxiliares de enfermagem, terapeutas ocupacionais, psicólogos, fonoaudiólogos e outros que vão indicar ao paciente o melhor jeito de recuperar sua qualidade de vida e adaptar sua realidade de acordo com suas novas capacidades. Para que sua reabilitação possa acontecer, o paciente pode ter que aprender novos jeitos de fazer suas atividades do cotidiano, além de encontrar novos gostos e interesses,. ande comprometimento dos membros inferiores. o Paraparético: indivíduos com comprometimento leve dos membros inferiores. Obs.: Níveis de lesão cervicais até torácico T11: apresentam paralisia espástica (contração muscular involuntária). Níveis de lesão torácico T12 para baixo: apresentam paralisia flácida (sem contração involuntária). Cada nível de lesão apresenta um Nível Neurológico de funcionalidade com uma característica funcional correspondente ao que o individuo é capaz de realizar. O Nível Neurológico do indivíduo é determinado pelo último nível da medula com atividade motora e sensitiva normal (geralmente é o nível imediatamente acima do nível da lesão). Esta característica funcional estabelecida pelo Nível Neurológico é a meta mínima de funcionalidade a ser trabalhada pela Fisioterapia. O Nível Neurológico, bem como a completude da lesão e sua Zona de Preservação Parcial (ZPP) ou grau de incompletude da lesão é estabelecido pelo Fisioterapeuta através da Tabela de Avaliação da ASIA (Tabela da American Sínal Cord Injury Association _ Associação Americana de Lesão Medular já validade no Brasil). Considerando o potencial da Neuroplasticidade Medular (capacidade dos neurônios em fazer conexões), a Fisioterapia, além de garantir a aquisição das habilidades características de cada Nível Neurológico, deve proporcionar o máximo aproveitamento do potencial residual abaixo da lesão, através de intensa e precisa estimulação: o nas lesões incompletas e, o na ZPP no caso da lesões completas. Seguem abaixo as metas mínimas de funcionalidade a serem adquiridas com a Fisioterapia para cada Nível Neurológico: Níveis Neurológicos (NN): (Meta mínima de funcionalidade) NN C1-C3 Indivíduos com esse tipo de lesão alta cervical necessitam de assistência ventilatoria para respirar. A fala é bem difícil e limitada. Os movimentos de pescoço e cabeça também. As metasfuncionais são facilitar a comunicação e a mobilidade independente em cadeira de rodas motorizada através de controle com a cabeça ou queixo. Adaptações com Tecnologia assistiva devem ser utilizadas com controle de voz para mínimas atividades e permitir assim a máxima autonomia no gerenciamento de suas necessidades. NN C4 A partir deste Nível Neurológico, os indivíduos já conseguem respirar necessitando de assistência manual apenas para a tosse. Possuem um melhor movimento da cabeça e pescoço e conseguem elevar os ombros. Com um equipamento adequado também podem controlar uma cadeira de rodas motorizada através de controle com a cabeça ou queixo. Adaptações com tecnologia assistiva devem ser utilizadas com controle de voz para mínimas atividades e permitir assim a máxima autonomia no gerenciamento de suas necessidades. NN C5 A principal aquisição neste nível é a capacidade de dobrar o cotovelo (flexão do cotovelo = atividade do músculo bíceps). O controle do movimento do ombro também está presente e proporciona aos individuos a possibilidade de levar sua mão ao rosto e à cabeça. Eles também conseguem virar a palma da mão para cima. Através dos movimentos dos ombros e do bíceps, conseguem realizar atividades simples com as mãos e pegar objetos com as duas mãos simultaneamente. Além disso, conseguem equilibrar-se sentados sem encosto, com o apoio dos braços.