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SELETIVIDADE ALIMENTAR NA CRIANÇA COM TEA: UMA ABORDAGEM NUTRICIONAL CAMILA NUNES Nutricionista formada pela UFRJ. Nutricionista no STUDIO SENSORIAL. Experiência nutrição materno infantil com ênfase em crianças atípicas e com seletividade alimentar. Mestre em ciência dos alimentos pela UFRRJ. Especialista em Nutrição no Esporte pela Faculdade São Camilo. Especialista em Fitoterapia aplicada a Nutrição Clínica. Co-fundadora da oficina de culinária Carambolas!, oficina que promove autonomia e independência na cozinha da criança típica e não típica. O QUE É O AUTISMO? “O Autismo é caracterizado por uma variedade de desordens no desenvolvimento psicomotor que afeta a capacidade de comunicação, interação interpessoal e do estado comportamental do indivíduo, é conhecido também como Transtorno do Espectro Autista (TEA). “ O MUNDO DO AUTISTA EQUIPE MULTIDISCIPLINAR AUTISTA NEUROPEDIATRA TERAPIA OCUPACIONAL FONAUDIOLOGO PSICÓLOGOS ESTÍMULOS SENSORIAIS VESTIBULAR PROPRIOCEPTIVO+ NA REFEIÇÃO NA REFEIÇÃO NA REFEIÇÃO “Alimento enlatado era intolerável devido à sua textura viscosa. Eu não comia tomates há um ano, depois que um tomate cereja havia estourado na minha boca enquanto eu estava comendo. A estimulação sensorial de ter aquele pequeno pedaço de fruta explodir na minha boca foi demais para suportar e eu não ia correr nenhum risco de que isso acontecesse novamente.” NA CIÊNCIA Existem também nestes pacientes uma associação frequente (até 91%) de sintomas gastrintestinais, como constipação, diarreia, distensão gasosa e dor abdominal. NUTRIÇÃO • Os indivíduos portadores de TEA tendem a possuir desordens gastrointestinais, como diminuída produção de enzimas digestivas, inflamações da parede intestinal e permeabilidade intestinal alterada. • Dados sugerem que as crianças autistas possuem de duas a três vezes mais chances de serem obesas do que adolescentes na população em geral. Portanto, os cuidados nutricionais são elementos valiosos na prevenção de doenças, como a obesidade infantil e para a manutenção da independência funcional, participação social e qualidade de vida. • O inadequado estado nutricional, a limitada variedade de alimentos e a gravidade da sintomatologia associada ao TEA podem causar significativo impacto na qualidade de vida dos pacientes, pais e cuidadores. NUTRIÇÃO PERMEABILIDADE INTESTINAL O sistema digestivo da criança autista, ao invés de ser uma fonte de alimento, torna-se uma importante fonte de toxicidade. Os microrganismos patogênicos acabam danificando a integridade da parede intestinal, levando ao aumento na liberação de todo o tipo de toxina e inundações de microrganismos circulantes na corrente sanguínea, elevando a possibilidade da invasão no cérebro, o que normalmente pode ocorrer no segundo ano de vida em crianças que não foram amamentadas. NUTRIÇÃO Certas proteínas alimentares, podem desencadear respostas exacerbadas do sistema imunológico, por exemplo, a glaiadina, proveniente do glúten, que podem levar a uma resposta inflamatória, que impede a absorção completa de peptídeos, levando ao aumento da toxicidade, que por sua vez atravessam a barreira hematoencefálica e atuam nos receptores opióides no sistema nervoso central. NUTRIÇÃO É muito comum as crianças autistas possuírem deficiências nutricionais, pois a maioria apresenta uma alimentação monótona. Porem, mesmo que a criança possua uma dieta variada e adequada nutricionalmente, ela precisa ser capaz de executar três funções básicas: • Digerir e quebrar adequadamente o alimento até uma forma absorvível; • Absorver os nutrientes através do TGI saudável; • Converter os nutrientes em uma forma utilizável em nível celular. TRANSTORNO DO PROCESSAMENTO SENSORIAL 80 A 90% DOS PORTADORES DE TEA POSSUEM TPS. Este transtorno altera a interpretação que o cérebro faz dos estímulos que recebemos através dos sistemas sensoriais, como por exemplo a textura dos alimentos, resultando em comportamentos atípicos, os quais são observados no autismo. SELETIVIDADE ALIMENTAR ASPECTO SENSORIAL Quando a origem do problema é sensorial, há dois sistemas que podem estar envolvidos, o tátil e proprioceptivo, geralmente devido à hipersensibilidade de ambos. Nesses casos, o individuo aceita apenas alimentos com texturas semelhantes, como alimentos secos e não acompanhados de caldo ou molho, ou simplesmente não aceita colocar na boca nenhum tipo de alimento. NUTRIÇÃO TERAPIA OCUPACIONAL RIGIDEZ DE PENSAMENTO Quando a origem do problema está na rigidez de pensamento, isso se reflete na exigência de um padrão de cores e formas dos alimentos, como, por exemplo, que sejam na cor branca ou no formato palito. É preciso identificar quais são os rituais, as manias, as exigências apresentadas diariamente pelo individuo e “quebrar este padrão”, de forma sutil e respeitando os seus limites. NUTRIÇÃO TERAPIA OCUPACIONAL HÁBITOS ALIMENTARES Nesses casos, uma alimentação que pode ser entendida como restrita devido a fatores sensoriais, porque costuma ser composta por alimentos secos, pode ser devida aos hábitos alimentares. Esses alimentos geralmente são compostos por macarrão instantâneo, salgadinho, bolacha recheada, ou seja, alimentos que não são saudáveis, mas que são comprados pelos pais, que, pela dificuldade de fazer o filho/filha se alimentar, acabam recorrendo a esses alimentos. COMO TRABALHAR AS TEXTURAS • IDENTIFICAR PRIMEIRO QUAL A TEXTURA QUE REJEITA • TRABALHAR A DIVERSIDADE DOS ALIMENTOS EM CIMA DO QUE A CRIANCA ACEITA • DAR EXEMPLOS – LIQUIDOS – COMO FAZER A EVOLUCAO • NÃO ENGANAR A CRIANÇA à PERDE A CONFIANCA