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CENTRO DE FORMAÇÃO
EM CIÊNCIAS DO ESPORTE
N E P
ARTIGOS CIENTÍFICOS SOBRE
INICIAÇÃO ESPORTIVA UNIVERSAL:
METODOLOGIA E PRÁTICA
http://www.unigra.com.br/
10 ARTIGOS CIENTÍFICOS SOBRE INICIAÇÃO
ESPORTIVA UNIVERSAL: METODOLOGIA E
PRÁTICA
10 ARTIGOS CIENTÍFICOS SOBRE INICIAÇÃO
ESPORTIVA UNIVERSAL: METODOLOGIA E
PRÁTICA
Núcleo de Ensino e Pesquisa - NEP
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NÚCLEO DE ENSINO E PESQUISA
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TRO D E F O R M A Ç Ã O E M C I Ê NCIA
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São Leopoldo/RS
2023
CENTRO DE FORMAÇÃO
EM CIÊNCIAS DO ESPORTE
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Núcleo de Ensino e Pesquisa, NEP
10 artigos científicos sobre iniciação
esportiva universal: metodologia e
prática
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Artigos científicos
10 artigos sobre Iniciação Esportiva Universal - metodologia e
prática
1 A influência da iniciação esportiva universal no desenvolvimento motor de um
grupo de escolares do ensino fundamental I.
2 A iniciação esportiva universal nas aulas de educação física.
3 Iniciação esportiva para escolares: os impactos na coordenação e no
desempenho motor após um programa de ensino.
4 Iniciação esportiva universal: análise pedagógica de sua prática.
5 Iniciação esportiva universal aplicada ao handebol: influência do processo de
ensino- aprendizagem-treinamento no conhecimento tático e busca visual 
6 Iniciação esportiva universal pode ser aplicada em contextos diferentes?
7 Metodologia do ensino dos esportes coletivos: iniciação esportiva universal,
aprendizado incidental–ensino intencional.
8 O ensino do futsal através da metodologia da iniciação esportiva universal:
uma aplicação prática.
9 Validação de protocolo de categorização de metodologias de ensino nos
esportes coletivos com base na Iniciação Esportiva Universal - uma escola da
bola: exemplo do futebol
10 Vinte anos de iniciação esportiva universal: o conceito de jogar para aprender e
aprender jogando, um pedagógico ABC-D
INICAÇÃO ESPORTIVA UNIVERSAL
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Coleção Pesquisa em Educação Física - Vol.11, n.1, 2012 - ISSN: 1981-4313 
35 
Recebido em: 24/02/2012 Emitido parece em: 04/04/2012 Artigo original 
A INFLUÊNCIA DA INICIAÇÃO ESPORTIVA UNIVERSAL NO DESENVOLVIMENTO MOTOR 
DE UM GRUPO DE ESCOLARES DO ENSINO FUNDAMENTAL I
Patrick Costa Ribeiro Silva1, Ione Maria Ramos Paiva1, Luis Gustavo Rabello1 
RESUMO 
O objetivo do presente estudo foi analisar o nível de coordenação motora em crianças que 
praticam apenas educação física regular de duas escolas públicas e de crianças que participam de uma 
escolinha de iniciação esportiva universal e também fazem educação física regular, porém de uma 
escola particular do município de Varginha - MG. O teste utilizado para avaliar o nível de coordenação 
motora foi o KTK (Körperkoordination Test für Kinder), no qual é composto por uma bateria de quatro 
testes: marcha à retaguarda ou retrocedendo (MR), saltos laterais (SL), saltos monopedais (SM) e 
transposição lateral (TL) e pode ser aplicado em crianças de 4,5 anos a 14,5 anos. A partir dos 
resultados obtém-se o nível de coordenação motora de cada criança, com intuito de identificar possíveis 
relações e influências sobre o nível de coordenação motora das crianças. A amostra foi composta por 20 
crianças de ambos os sexos de cada escola que estão cursando o ensino fundamental I, onde para não 
considerar-se muitas diferenças em relação ao desenvolvimento maturacional optou-se por 30 crianças 
do 2° ano e outras 30 do 3° ano, o que corresponde por 60 crianças como alvo da pesquisa. Após a 
análise e discussão dos dados, será possível evidenciar a influência do nível de coordenação motora 
dessas crianças de três instituições de ensino que recebem em suas atividades motoras estímulos 
diferentes. 
Palavras-chave: KTK, coordenação motora. 
THE INFLUENCE OF SPORTS INITIATION UNIVERSAL MOTOR DEVELOPMENT OF A 
GROUP OF STUDENTS IN THE ELEMENTARY SCHOOL 
ABSTRACT 
The purpose of this study was to analyze the level of motor coordination in children who practice 
Futsal. The test used to assess the level of motor coordination was the KTK (Körperkoordination Test für 
Kinder),which is composed of a battery of four tests: walking backwards or backwards (MR), lateral jumps 
(SL),jumps monopedais (SM) implementation and lateral (TL) and can be applied to children from 4.5 
years to 14.5 years. From the results obtained by the level of coordination of each child, with the aim of 
identifying possible relationships and influences on the level of motor coordination of children. The 
sample comprised 20 children of both sexes from each school who are enrolled in elementary school, 
where for many do not consider differences in relation to maturational we chose 30 children from 2 years 
and another 30 in the 3rd year, which corresponds to 60 children as a target of research. After analysis 
and discussion of the data, you can show the influence of the level of coordination of these three children 
who receive educational institutions in their motor activities different stimuli. 
Keyword: KTK, motor coordination. 
INTRODUÇÃO 
A etapa de iniciação esportiva é um período que abrange desde o momento em que as crianças 
iniciam-se nos esportes até a decisão por praticarem uma modalidade. 
Pelo fato de existir diversos fatores não motivacionais e falta de qualificação profissional, alguns 
educadores físicos acabam adotando metodologias inadequadas a cada faixa etária, que não se 
baseiam no princípio da aprendizagem motora, cognitiva, afetiva e social, consequentemente, 
desmotivando o aluno que quer brincar e interagir. Com isto, a especialização precoce a um determinado 
esporte ou movimento desmotiva a criança e ocorre o abandono frustrante da modalidade. 
A educação física escolar tem função primordial na fase de iniciação esportiva universal, pois 
através da mesma tem um aumento da quantidade e das qualidades das atividades, onde o foco e o 
melhoramento das capacidades motoras e físicas podem auxiliar no aprendizado. 
 
Pesquisa em Educação Física - Vol.11, n.1, 2012 - ISSN: 1981-4313 36 
O objetivo deste estudo é a necessidade de averiguar a influência da iniciação esportiva 
universal no desenvolvimento motor de alunos que praticam as atividades(x²), obten-
do-se as frequências observadas e esperadas. Os demais tipos de 
segmento presentes tratam dos conteúdos das propostas meto-
dológicas da IEU+EB. Os subitens JDICT, capacidades táticas gerais 
e estruturas funcionais são inerentes ao desenvolvimento da ca-
pacidade de jogo, que somados representaram 591,25 minutos do 
Revista Pensar a Prática. 2021, v.24:e70107
Iniciação esportiva para escolares: os impactos na coordenação e no desempenho motor...
Nayanne Dias Araújo • Henrique de Oliveira Castro • Allana Lendary Bernardo Ramos • Tatiane 
Mazzardo • Gabriella Nelli Monteiro • Layla Maria Campos Aburachid
tempo total da intervenção. Verificou-se que o desenvolvimento 
da capacidade de jogo sobressaiu frente ao demais conteúdos (ca-
pacidades coordenativas e habilidades técnicas gerais) voltados ao 
desenvolvimento da aprendizagem motora (X²= 20,635; p=0,000).
Os subitens que compuseram o item Quantidade de partici-
pantes (Tabela 1) estão relacionados à disposição dos alunos du-
rante as atividades, realizadas individualmente, em cooperação, 
em situações de igualdade, superioridade e inferioridade numéri-
ca. Encontrou-se diferenças significativas entre as frequências ob-
servadas e esperadas para a configuração 3 ou mais (x²= 143,341; 
p=0,000), indicando uma prevalência do ensino por meio dos jogos.
A delimitação espacial mostra o espaço em que ocorriam as 
conversas com o professor, assim como as atividades durante as 
sessões de aulas. Os espaços da quadra foram divididos em cam-
pos de jogo reduzidos, para a aplicação das atividades desenvol-
vidas em pequenos grupos. Os subitens quadra de voleibol, 1/2 
quadra de voleibol e quadra de futsal foram utilizados com mais 
frequência nas aulas, e condizem com o item número de parti-
cipantes (Tabela 1), pois as atividades com maior quantidade de 
alunos envolvidos por grupo requereram um espaço maior. Logo, 
não se encontrou diferenças significativas entre as frequências ob-
servadas e esperadas (x²= 0, 653; p=0,957), confirmando que, em 
pelo menos três espaços, as atividades ocorreram de maneira dis-
tribuída. O espaço círculo central representou o maior tempo das 
aulas, pois foi utilizado para o item de tipos de segmento da aula, 
previamente citado, Conversa com professor, e não entrou no cál-
culo no qui-quadrado, pois a intenção foi observar as diferenças 
nos locais das ações práticas. 
Análise estatística
Após a verificação da normalidade dos dados, aplicou-se esta-
tística descritiva (frequência absoluta e relativa, mediana e inter-
valo interquartílico), inferencial (teste de Wilcoxon, Mann-Witney e 
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aderência) e a equação de probabilidade condicional. Para avalia-
ção da concordância intra e inter-observador, utilizou-se o Kappa 
Cohen, com avaliações de teste-reteste sendo realizadas com in-
tervalo de sete dias e análise atendendo a 10% da amostra (duas 
sessões de aula). Os resultados intra e inter-observador da catego-
rização das aulas resultaram em concordância quase perfeita (0,98 
e 0,96, respectivamente). Foi adotado o valor de p≤0,05. 
Resultados
Impactos da coordenação motora e desenvolvimento motor, 
considerando o efeito tempo e sexo
No grupo experimental, as meninas apresentaram melhora 
nas tarefas (trave, salto lateral e transposição), os meninos nas ta-
refas (trave, salto monopedal e transposição), e ambos obtiveram 
melhoras no quociente motor geral (Tabela 2). 
Tabela 2. Coordenação motora considerando os efeitos tempo e sexo para o 
grupo experimental
Sexo Pré-teste Pós-teste p
Tarefas
♀
Md (I IQ – III IQ) Md (I IQ – III IQ)
Trave de equilíbrio 87,0 (75,0 – 95,0) 107,0 (90,0 – 111,0) 0,018*
Salto monopedal 87,0 (75,0 – 96,0) 94,0 (76,0 – 99,0) 0,236
Salto lateral 77,0 (74,0 – 110,0) 96,0 (81,0 – 109,0) 0,075*
Transposição 81,0 (57,0 – 89,0) 91,0 (86,0 – 101,0) 0,018*
Quociente motor 103,0 (96,0 – 111,0) 117,0 (104,0 – 124,0) 0,018*
Trave de equilíbrio
♂
84,0 (80,0 – 99,0) 102,0 (95,5 – 109,5) 0,008*
Salto monopedal 82,0 (75,0 – 92,0) 95,0 (81,0 – 99,0) 0,008*
Salto lateral 92,0 (82,5 – 104,5) 101,0 (92,0 – 110,0) 0,059*
Transposição 76,0 (72,5 – 83,5) 91,0 (62,5 – 96,5) 0,373
Quociente motor 102,0 (100,0 – 122,0) 115,0 (105,0 – 122,5) 0,006*
Nota: ♀ = meninas; ♂ = meninos; Wilcoxon *p≤0,05
Fonte: autores.
No desenvolvimento motor foi possível perceber melhoras es-
tatisticamente significativas para o grupo experimental nos esco-
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res de locomoção, controle de objetos e quociente motor (Tabela 
3). O grupo controle não obteve melhora significativa após a inter-
venção em tarefa ou escore algum para as duas variáveis (coorde-
nação motora e desenvolvimento motor).
Tabela 3. Desenvolvimento motor intragrupo considerando os efeitos tempo e 
sexo para o grupo experimental
Sexo Pré-teste Pós-teste p
Escores
♀
Md (I IQ – III IQ) Md (I IQ – III IQ)
Locomoção 7,0 (5,0 – 8,0) 9,0 (9,0 – 12,0) 0,018*
Controle de objetos 5,0 (3,0 – 7,0) 8,0 (7,0 – 9,0) 0,018*
Quociente motor 76,0 (67,0 – 82,0) 94,0 (88,0 – 100,0) 0,018*
Locomoção
♂
7,0 (5,5 – 7,5) 11,0 (7,5 – 13,0) 0,007*
Controle de objetos 5,0 (4,0 – 6,0) 9,0 (7,0 – 10,0) 0,005*
Quociente motor 73,0 (71,5 – 99,0) 100,0 (82,0 – 104,5) 0,005*
Nota: ♀ = meninas; ♂ = meninos; Wilcoxon *p≤0,05
Fonte: autores.
A Tabela 4 apresenta os resultados de tamanho de efeito, 
agrupando-se ambos os sexos, para coordenação e para o desen-
volvimento motor. 
Tabela 4. Tamanho do efeito dos grupos experimental e controle nas compa-
rações intergrupos, considerando o efeito tempo para coordenação e desen-
volvimento motor
Coordenação 
motora Δ Controle Δ Experimental
Tarefas Md P25 P75 Md P25 P75 p TE
Trave
Salto monopedal
Salto lateral
Transposição
Quociente motor
11,9%
19,7%
30,0%
27,7%
14,8%
-1,7%
7,9%
11,2%
4,2%
10,3%
26,5%
26,7%
40,6%
40,0%
16,9%
17,3%
5,5%
6,9%
9,4%
8,6%
4,2%
0,0%
0,0%
-1,5%
4,9%
29,6%
15,7%
11,8%
28,5%
12,9%
0,208
0,022*
0,012*
0,093
0,016*
-
0,511
0,560
-
0,538
-
Grande
Grande
-
Grande
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Iniciação esportiva para escolares: os impactos na coordenação e no desempenho motor...
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Desenvolvimen-
to motor Δ Controle Δ Experimental
Escores Md P25 P75 Md P25 P75 p TE
Locomoção -20,0% -33,3% 20,8% 53,6% 24,3% 85,7% 0,001* 0,739 Grande
Controle de ob-
jetos
0,0% -50,0% 175,0% 62,5% 24,3% 129,2% 0,080 - -
Quociente motor 2,3% -12,3% 16,8% 27,9% 14,9% 46,2%Henrique de Oliveira Castro • Allana Lendary Bernardo Ramos • Tatiane 
Mazzardo • Gabriella Nelli Monteiro • Layla Maria Campos Aburachid
Tabela 5. Chance de alteração na classificação dos grupos experimental e con-
trole para os níveis de coordenação e desenvolvimento motor.
Controle Experimen-
tal
Chance de 
alteração
Classifica-
ções f % p f % p
Experimental/
Controle*
Coordenação 
motora (QM)
Bom
pré 0 0,0
0,012
3 15,0
0,046
4,12
pós 2 10,0 10 50,0
Normal
pré 13 65,0 16 80,0
-3,50
pós 16 80,0 10 50,0
Regular
pré 6 30,0 1 5,0
0,18
pós 2 10,0 0 0,0
Baixo
pré 1 5,0 0 0,0
0,00
pós 0 0,0 0 0,0
Desenvolvimen-
to motor (QM)
Acima da 
média
pré 0 0,0
0,864
0 0,0
0,492
0,00
pós 0 0,0 1 5,0
Média
pré 0 0,0 0 0,0
6,50
pós 0 0,0 13 65,0
Abaixo da 
média
pré 1 5,0 4 20,0
0,00
pós 0 0,0 4 20,0
Pobre
pré 4 20,0 13 65,0
-12,57
pós 6 30,0 2 10,0
Muito pobre
pré 15 75,0 3 15,0
0,88
pós 14 70,0 0 0,0
Nota: QM = quociente motor; f = frequência de ocorrência de participantes; *Chance de Alteração na Classificação 
(((PÓSG2-PRÉG2) / (NG2-PRÉG2)) / ((PÓSG1-PRÉG1) / (NG1-PRÉG1))). Valores positivos indicam chance para aumen-
tar o n no momento pós, no grupo experimental em relação a chance do grupo controle. Valores negativos indi-
cam chance para reduzir o n no momento pós, no grupo G2 em relação a chance do grupo G1; p = Qui-quadrado 
para tendência.
Fonte: autores.
Quanto ao nível de coordenação motora após a intervenção, o 
grupo experimental aumentou em 4,12 vezes sua chance de man-
ter seus participantes na classificação da coordenação boa, o que 
fez, consequentemente, reduzir a chance de mantê-los classifica-
dos como coordenação normal (- 3,15 vezes). Ao considerar o ní-
vel de desenvolvimento motor, o grupo experimental reduziu em 
12,57 vezes a chance de manter seus participantes na classificação 
pobre, o que por outro lado, aumentou em 6,5 vezes sua chance 
de se manter na classificação média.
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Discussão
O estudo objetivou identificar os impactos do IEU+EB para a 
formação esportiva geral de crianças de oito a 10 anos, no contex-
to de ensino escolar, sobre o nível de coordenação motora e do 
desenvolvimento motor, considerando os efeitos tempo e sexo, 
e analisar a chance de alteração na classificação das variáveis. A 
hipótese do estudo de que a proposta metodológica híbrida do 
IEU+EB promoveria melhorias na coordenação motora e no desen-
volvimento motor das crianças foi confirmada. A categorização das 
sessões de aula creditou a coerência da aplicação dos conteúdos 
de ensino, prevalecendo dentre eles o desenvolvimento da capa-
cidade de jogo frente aos conteúdos voltados ao desenvolvimento 
da aprendizagem motora, confirmando a execução das propos-
tas metodológicas da IEU+EB (GRECO et al., 2020), que levam em 
consideração que os indivíduos na faixa etária do estudo devem 
aprender jogando. Os conteúdos de JDICT, capacidades táticas 
básicas e estruturas funcionais, inerentes ao desenvolvimento da 
capacidade de jogo, representaram somados 591,25 minutos do 
tempo total da intervenção. Tais resultados corroboram o estudo 
com IEU de Lages e colaboradores (2021) que, em sua intervenção, 
computaram o tempo de 789,12 minutos em 22 aulas de Educação 
Física. Da mesma forma, com o estudo de Silva (2015), também 
com IEU que apontou o conteúdo capacidades táticas básicas pre-
sentes em 86% das aulas.
A maior frequência de atividades no estudo se apresentou na 
configuração de 3 ou mais participantes, seguida de atividades in-
dividuais, que caracterizaram a aplicação dos conteúdos de capa-
cidade de jogo e de capacidades coordenativas, respectivamente. 
Quanto a capacidade de jogo, o estudo de Aburachid e colabora-
dores (2019), por se tratar de uma intervenção com um método 
integrativo com 48 jovens do ensino médio (15,1±0,64 anos), tam-
bém estimulou este conteúdo, mas quatro vezes menos em tem-
po de aplicação. Isso se deve ao maior foco em jogos reduzidos e 
voltados à especificidade do badminton, e também por estimular 
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mais tempo o domínio de prática específica, explorando pouco o 
uso de espaços grandes da quadra, mas sim, as ½ quadras de bad-
minton. Lages e colaboradores (2021), apesar de aplicarem o IEU, 
concederam aos alunos, em todas as aulas da intervenção, 184,15 
minutos de prática de jogo formal de basquetebol (39,63 minutos), 
futsal (96,01 minutos) e handebol (48,51 minutos), o que não ocor-
reu no presente estudo. 
Destaca-se que o presente estudo foi realizado com crianças 
com faixa etária mais baixa (oito a 10 anos), que devem ser bas-
tante estimuladas quanto aos conteúdos para desenvolvimento 
da capacidade de jogo (JDICT, capacidades táticas básicas e estru-
turas funcionais) e a aprendizagem motora (coordenação motora 
e habilidades técnicas gerias), além de que, esta não se trata de 
uma fase de aprendizagem de especialização esportiva, mas sim 
de iniciação. Apesar de Greco, Morales e Aburachid (2017) indica-
rem que, na faixa etária do presente estudo, as crianças são capa-
zes de realizar atividades de coordenação motora em duplas, esse 
conteúdo foi tratado de maneira menos complexa, pois os alunos 
ainda não tinham experiência prática anterior de coordenação 
motora com bola. Dessa forma, tal conteúdo foi aqui estimulado, 
em sua maioria, na configuração de participação individual (298,23 
minutos), para que posteriormente fosse estimulado em duplas 
(1 a 1) (155,7 minutos). Esta dificuldade é reforçada com os resul-
tados do estudo de Silva, Zampier e Silva (2016), que encontram 
valores de referência fracos para a coordenação motora com bola 
em uma amostra de 911 escolares de 7 a 15 anos de idade, de 
ambos os sexos. 
Collet e colaboradores (2007), com o voleibol infantil, aplica-
ram a maioria de suas atividades na configuração de 3 ou mais 
alunos, computando maior frequência de ocorrência para o uso da 
quadra inteira. Porém, não se pode apontar que essa informação 
corrobora o presente estudo, pois, no estudo de Collet e colabo-
radores (2007), os jogos reduzidos foram os mais aplicados, e, em 
muitos casos, utiliza-se neles toda a quadra de voleibol. O mesmo 
ocorreu no estudo realizado por Mazzardo e colaboradores (2020) 
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no handebol. Tal fato é bem distinto do ocorrido aqui, uma vez 
que o uso de grandes espaços serviu para a estimulação da capaci-
dade geral de jogo como: jogos de mão, pé, raquete, bastão; jogos 
de invasão, de campo, de rede, dentre outros sem especificidade 
esportiva.
Nas comparações considerando o tempo e sexo para coor-
denação motora, os estudos apontam que escolares do sexo 
masculino obtiveram escores médios superiores aos do sexo fe-
minino, mesmo quando não encontradas diferenças estatisti-
camente significativas entre os mesmos (SILVA; ZAMPIER; SILVA, 
2016); FERNANDES; MOURA; SILVA, 2017; PELOZIN et al., 2009; 
LOPES et al., 2003). Neste estudo, as meninas apresentaram di-
ficuldades na tarefa de salto monopedal, enquanto os meninos 
no salto lateral; ambas exigiam a capacidade de ritmo, que não 
foi foco direto das atividades nas sessões de aula, mas inerente 
a elas. Vaz e colaboradores (2021) e Lages e colaboradores(2021) 
também encontraram resultados positivos na coordenação moto-
ra de escolares, mas sem distinção de sexo.
No desenvolvimento motor, percebeu-se melhoras estatisti-
camente significativas para o grupo experimental em ambos os 
sexos e a não melhoria do grupo controle para nenhuma tarefa 
ou quociente motor. Esse resultado corrobora os encontrados nos 
estudos de intervenção de Nobre e colaboradores (2012), Costa 
e colaboradores (2014), Souza e colaboradores (2016) e Nobre, 
Bandeira e Valentini (2016), que obtiveram melhores resultados 
para o sexo masculino e feminino para os escores de locomoção e 
controle de objetos. 
Os resultados obtidos pelos impactos da intervenção sobre 
a coordenação motora foram grandes para o grupo experimen-
tal, com exceção das tarefas trave e transposição, assemelhando-
-se ao estudo de Lages e colaboradores (2021) e de Fernandes, 
Moura e Silva (2017). Lages e colaboradores (2021), em sua inter-
venção com IEU, encontraram efeito grande para duas tarefas, e 
Fernandes, Moura e Silva (2017) constataram um efeito grande 
nas tarefas salto monopedal, salto lateral, trave e médio na trans-
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posição, em 43 escolares com idades entre 6 e 7 anos, de ambos 
os sexos, participantes de um programa de aulas com aborda-
gem Desenvolvimentista voltadas ao atletismo. Em contrapartida, 
na intervenção que conteve as capacidades táticas básicas da EB, 
ocorrida com escolares com idade entre 5 e 10 anos no contratur-
no, Vaz e colaboradores (2021) encontraram impactos grandes em 
todas as tarefas do KTK.
Nos impactos para o desenvolvimento motor, os efeitos foram 
grandes nos escores de locomoção e quociente motor para o gru-
po experimental. Na análise intergrupos, também se evidenciou 
grandes efeitos para o grupo experimental, apresentando diferen-
ças estatisticamente significativas para o escore de locomoção e 
quociente motor. Esses resultados se aproximam com os do estu-
do de Nobre, Bandeira e Valentini (2016), em que os efeitos para 
os escores de locomoção foram grandes, o que não ocorreu aqui 
com os escores de controle de objetos. Destaca-se que os partici-
pantes do estudo não estavam acostumados a utilizar materiais 
diversificados nas aulas, o que gerou maior dificuldade para na 
execução das tarefas de controle de objetos.
 Finalmente, a análise da chance de alteração na classificação 
da coordenação motora e do desenvolvimento motor mostrou mu-
danças temporais do processo, pelos cálculos de razão de chances 
e razão de prevalência, análise pouco comum nos estudos da edu-
cação física, mas sim, na área da epidemiologia, como afirmam 
Francisco e colaboradores (2008). O estudo de Lopes e colabora-
dores (2015) encontrou, por meio da razão de chance, que o índice 
de massa corporal, a circunferência da cintura, o percentual de 
gordura corporal e a razão cintura/estatura estão positiva e signifi-
cativamente relacionados à pouca coordenação motora dos sujei-
tos de ambos os sexos. Neste estudo, pode-se inferir que o grupo 
que participou da intervenção teve mais chances de manter ou 
aumentar as classificações de coordenação motora e desenvolvi-
mento motor em relação ao grupo controle.
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Conclusão
Conclui-se que os resultados dos impactos grandes após 
a intervenção e da chance de alteração da classificação, em sua 
maioria, reforçam a melhoria dos níveis de coordenação motora 
e desenvolvimento motor. Apesar de existirem demais estudos de 
intervenção que avaliaram tais variáveis no país, este foi o primei-
ro estudo que encontrou resultados efetivos na aplicação dessa 
proposta híbrida (IEU+ EB), confirmando a efetividade de métodos 
que exploram a aprendizagem incidental dos alunos.
Como limitação, pelo fato de o espaço de intervenção ser o 
real ambiente escolar, no horário das aulas de Educação Física, por 
vezes a quadra ficava ocupada com outras aulas ou ensaios para 
eventos. Nesses dias, as aulas eram transferidas para um espaço 
reduzido da quadra ou esperava-se o término dos ensaios para 
iniciar, diminuindo sua duração. 
Recomenda-se a realização de mais estudos de campo que 
busquem verificar a aplicabilidade de variadas propostas meto-
dológicas sobre a aprendizagem e desenvolvimento motor e co-
nhecimento tático que influenciam no processo de ensino-apren-
dizagem de escolares. Pretende-se, com esse estudo, contribuir 
para as investigações de intervenção voltados para o estímulo da 
aprendizagem incidental, confirmando seu aporte empírico para 
o aprendizado dos alunos na fase de iniciação esportiva, tanto na 
escola quanto em clubes e escolinhas de esportes.
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Publisher 
Universidade Federal de Goiás. Faculdade de Educação Física 
e Dança. Publicação no Portal de Periódicos UFG. As ideias expres-
sadas neste artigo são de responsabilidade de seus autores, não 
representando, necessariamente, a opinião dos editores ou da 
universidade.
SILVA, Mário Moreno Rabelo; SANTOS, Heliany Pereira dos. iniciação esportiva universal: análise 
pedagógica de sua prática. In: SIMPÓSIO INFÂNCIA E EDUCAÇÃO, 2006, Catalão. Anais eletrônicos [CD-
ROM], Catalão: CaCUFG, 2006. n.p. 
________________________________________________________________________ 
 
 
INICIAÇÃO ESPORTIVA UNIVERSAL: ANÁLISE PEDAGÓGICA DE SUA PRÁTICA 
SILVA, Mário Moreno Rabelo1, SANTOS, Heliany Pereira dos2
 
Palavras-chave: Esporte escolar, iniciação esportiva universal, basquetebol 
 
1. JUSTIFICATIVA/BASE TEÓRICA 
O esporte moderno surgiu na comunidade européia por volta do século XIII com 
caráter competitivo inspirado nas atividades corporais de movimento da época. 
Foi na Inglaterra, no auge da sociedade aristocrática que os jogos tradicionais 
ligados a festas (da colheita, religiosas, etc) são sufocados e inicia-se a esportivização 
dos elementos da cultura corporal de movimento das classes populares. Agora, 
esvaziados de suas funções de manutenção da ordem e preparação de homens 
saudáveis, os jogos tradicionais passam a representarem uma ameaça à ordem pública 
sendo reprimida a sua prática. 
Por representarem ameaças à propriedade e à ordem pública os novos jogos são 
expulsos do meio social e adentram os muros das escolas ingleses passando a incorporar 
alguns princípios e normas que regem a sociedade capitalista industrial emergente, dentre 
eles o principio da competição, do rendimento, do Record, da racionalização e da 
cientificização do treinamento o qual configura-se com formas definidas conforme as 
regras estabelecidas para a sua prática cuja disciplina torna-se o ponto forte dessa nova 
forma de praticar atividades consideradas lúdicas nas horas de lazer da burguesia. 
(BETTI, 1991). 
Embora essa nova prática esportiva fosse um privilégio da aristocracia inglesa aos 
poucos, as classes populares interessam-se pela participação nas novas atividades 
culturais e o esporte moderno espalha-se por todo o mundo e torna-se uma instituição 
social, devido ao envolvimento das mais diversificadas pessoas tornando-se um objeto de 
estudo muito importante em vista das múltiplas possibilidades para a sua difusão, 
espetacularização e consumo, muitas vezes simbólico em âmbito global, vêm constituindo 
portanto, uma das mais diversificadas possibilidades de manifestações da cultura corporal 
seja enquanto prática, seja pelos princípios e valores que expressa e ajuda a consolidar. 
(KUNZ, 2002) 
Não podemos negar que o esporte contribui para o desenvolvimento físico e 
harmonioso da criança, prepara-a fisiologicamente para o esforço, auxilia o seu equilíbrio 
físico e psíquico, participa na formação da sua vontade, do seu caráter e favorece a sua 
adaptabilidade social. 
Devemos ser conscientes também de que o esporte não pode mais ser visto 
através de uma fragmentação do seu caráter social em relação ao sentido e significado do 
seu ensino, valorizando não apenas o seu caráter técnico-tático, mas a construção de um 
conhecimento mais criterioso das funções, determinações e ralações possíveis através da 
sua possibilidade. 
Sobre essa valorização, autores como Garganta (1998), afirma que a construção 
do conhecimento referente à prática de esportes deve edificar-se a partir de perspectivas 
que se focalizam na lógica interna ou natureza do jogo: 
A lógica interna do jogo é o produto da interação contínua entre as principais 
convenções do regulamento e a evolução das soluções do regulamento e a 
evolução das soluções práticas encontradas pelos jogadores, decorrentes das 
suas habilidades táticas, técnicas e físicas. (20). 
Não podemos esquecer ainda, que o esporte quer seja coletivo ou individual, 
trabalhado de forma a valorizar em demasia a performance física em detrimento de outras 
possibilidades mais pedagógicas, encontra-se presente em nosso cotidiano conquistando 
cada vez mais adeptos. Sendo necessário para uma prática desportiva bem planejada 
buscar a cada momento uma melhor metodologia para se trabalhar. 
Um desafio que deve orientar novos estudos e experiências é justamente 
identificar diferentes formas de modificação do esporte e, noutro sentido, formas de esse 
esporte modificado retornar a sociedade de modo que, também nesse cenário mais 
amplo, possa provocar tensões e representar ainda mais um espaço para a emancipação 
do homem. 
Uma das formas mais significativas de manifestações esportivas que conhecemos 
refere-se ao esporte de rendimento ou espetáculo. Esta modalidade apresenta-se como 
modelo para outras perspectivas de esporte seja enquanto prática de lazer, ou enquanto 
prática educacional, o que não podemos esquecer é que este configura-se como principal 
característica a aproximação ao mundo do trabalho, é pautado por códigos de vitória e 
derrota, da maximização do rendimento e da racionalização dos meios. Portanto, o 
esporte de rendimento corrompe a espontaneidade sobrepujando a criatividade e 
liberdade de ação escondida no ato de jogar simplesmente enquanto prática de lazer. 
A maioria dos autores que trabalham com o treinamento esportivo, divide o 
processo em três etapas: principiante avançado e alto nível. Por sua vez, na prática 
escolar, essas etapas não são respeitadas. Há um grande anseio em atingir altos níveis 
de rendimento o quanto antes, de modo que a forma de condução da especialização é 
preconizada, e, portanto, os fatores biológicos e psicossociais das crianças não são 
levados em conta, prejudicando sua formação. Por isso, Greco et all (1998) vem propor o 
processo de ensino aprendizagem e treinamento baseado em princípios de ordem 
pedagógica, metodológica, biológica, de organização e gerenciamento que darão 
diretrizes na forma de aplicação deste processo priorizando atividades que enfatizam o 
ensino dos esportes através de um método situacional onde a criança aprende através 
das possibilidades existentes e estabelecidas pelo próprio jogo. 
Não queremos com esta pesquisa, desprover o esporte de rendimento de 
significados nem tão pouco descaracterizá-lo no meio social, apenas esclarecer que ao 
ensiná-lo devemos fazê-lo respeitando suas características educativas, pois esta 
manifestação apresenta-se tão rica sob o ponto de vista cultural como outra qualquer e 
não é simplesmente negando que iremos transformar a sua prática, muitas vezes 
repetitiva e mecânica em uma prática carregada de significados que contribuirão para a 
formação do cidadão crítico, participativo e autônomo socialmente. 
Percebemos que os esportes têm sido ensinados, nas escolas à luz de diferentes 
perspectivas metodológicas, as quais subentendem distintas focagens a propósito dos 
conteúdos de cada um. Tais diferenças podem assumir importância ímpar para a reflexão 
e estudo, desde que questionadas e esclarecidas suficientemente, de forma a 
responderem com o princípio da formação humana. 
Defendemos que o conteúdos relacionado ao esporte, terá importância na 
formação do aluno, dependendo da forma que será transmitido, condicionando ou 
incentivando ao aluno, a aquisição dos seus conhecimentos de forma autônoma sem 
interferir mecanicamente na resposta motora. 
Pensando nessa possibilidade de formação motora individual, propomos neste 
projeto de pesquisa a possibilidade de detectar como a iniciação esportivaestá sendo 
pensada e praticada no meio escolar para os alunos da 5ª e 6ª série do ensino 
fundamental. Propomos este trabalho voltado para a iniciação esportiva por perceber 
empiricamente que os principais conteúdos propostos para as aulas de Educação Física 
no meio escolar estão voltados para a participação dos alunos nos eventos escolares 
realizados oficialmente pelas Secretarias de Educação, tanto municipal quanto estadual. 
Escolhemos a abordagem defendida por Greco et all (1998), por apresentar uma 
proposta pedagógica considerada nova e que tem provocado no meio acadêmico, 
calorosos debates e que valoriza a aprendizagem dos esportes na iniciação esportiva 
respeitando as etapas do desenvolvimento e considera a coordenação e aprendizagem 
motora como essencial na prática esportiva. 
 
2. OBJETIVOS 
O que se pretende nesta pesquisa é analisar as abordagens pedagógicas que 
privilegiam o ensino do esporte na escola e identificar nas aulas de Educação Física da 
rede estadual de ensino de Catalão (5ª e 6ª série) se a abordagem defendida por 
Greco et all (1998) é utilizada pelos professores na transmissão do conteúdo para a 
iniciação esportiva. 
 
3. METODOLOGIA 
Trata-se de uma pesquisa qualitativa de cunho exploratório, cuja opção 
metodológica se justifica por possibilitar que seja captada a riqueza e a multiplicidade de 
formas e conteúdos presentes no processo estudado. Com esta pesquisa, pretendemos, 
através de uma fundamentação teórico-conceitual refletir acerca da abordagem 
pedagógica intitulada Iniciação Esportiva Universal proposta por Greco et all (1998). Para 
legitimarmos as discussões realizadas sobre a abordagem, priorizamos também, uma 
pesquisa de campo, pautada em observações de aulas de Educação Física das escolas 
públicas estaduais de Catalão de 5ª e 6ª série para detectarmos em quais perspectivas 
metodológicas os conteúdos são transmitidos para os alunos. Para as observações, 
utilizaremos como instrumentos de registro das aulas em diário de campo e fotografias. 
(MINAYO et al 2004). (os registros serão previamente autorizados pela escola e pelo 
professor). 
 
4. ANÁLISE DOS DADOS 
 A pesquisa encontra-se em fase de análise e discussão das obras I e II de Greco 
et all (1998) e elaborando o roteiro para observação que será o instrumento de coleta dos 
dados utilizado para no campo de investigação. 
 . 
4. CONCLUSÃO 
Não podemos apresentar conclusões finais, apenas considerações parciais que 
até o presente momento encontra-se em fase de discussão. No entanto, apresentamos 
alguns apontamentos oriundos dessas discussões, dentre eles podemos citar que não 
percebe-se uma clareza quanto a fundamentação teórica utilizada como referência na 
construção da abordagem, como também deixam transparecer uma probabilidade 
ineficiente quanto a aplicabilidade da mesma no âmbito educacional, pois, desconsideram 
a rotatividade de alunos e professores nesse meio, o que dificultará a continuidade na 
assimilação dos conhecimentos referentes ao ensino do esporte na escola. Enfatizamos 
que estas são considerações preliminares e necessitam de estudos mais aprofundados. 
 
5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
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7 – GRECO, Pablo Juan. Et all. Iniciação Esportiva Universal 2: metodologia da iniciação 
esportiva na escola e no clube. Belo Horizonte: UFMG, 1998 b. 
 
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9 - SANTOS, Heliany Pereira dos. O ensino do handebol na primeira série do ensino 
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UNICAMP, 2002. 
 
FONTE DE FINANCIAMENTO – PROLICEN/UFG. 
 
 
 
1 Bolsista PROLICEN 2006, curso Educação Física Campus Catalão/UFG. morenoudi@gmail.com 
2 Orientadora PROLICEN 2006, curso Educação Física Campus Catalão/UFG. helianyps@yahoo.com.br 
CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE HANDEBOL
Filiada à International Handball Federation
Confederación Sur Centro Americano de Balonmano
Comitê Olímpico do Brasil
63
Iniciação esportiva universal aplicada ao handebol: influência do
processo de ensino- aprendizagem-treinamento no conhecimento tático e
busca visual
Lucas de Castro Ribeiro1, Pablo Juan Greco1*
1Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional, Universidade Federal de
Minas Gerais (UFMG).
*Autor correspondente: pablojgreco@gmail.com
Resumo
Este estudo objetivou comparar o nível de conhecimento tático declarativo, processual,
bem como as estratégias de busca visual de jogadoras de duas equipes escolares de
handebol, antes e após um processo de ensino-aprendizagem-treinamento, aplicado com
base no modelo da Iniciação Esportiva Universal. Vinte e seis voluntárias do sexo feminino
com idades entre 11 e 14 anos participaram do estudo, divididas em dois grupos:
Instituição 1 e Instituição 2. Aplicaram-se 25 sessões de treinamento semelhantes para
cada uma das instituições. Para coleta de dados do conhecimento tático declarativo
utilizaram-se 15 cenas (com validade de conteúdo) de jogos de handebol. Registraram-se
os dados por meio das declarações verbais das participantes e de um equipamento de
rastreamento ocular (busca visual-eye tracking), o qual registrou o número e duração de
fixações visuais totais e apenas em locais relevantes das cenas. Os testes de busca visual e
de conhecimento tático declarativo foram aplicados simultaneamente, as cenas de vídeo
são analisadas pelos jogadores e o aparelho de busca visual registra o movimento ocular
em paralelo. Para registrar o conhecimento tático processual aplicou-se o Teste de
Conhecimento Tático Processual: Orientação Esportiva, no qual se considera o número de
ações ofensivas e defensivas realizadas durante os quatro minutos de jogo 3x3 em espaço
de nove metros. Aplicou-se também um questionário demográfico para obtenção de dados
relacionados à experiência prévia no handebol. A observação e a categorização das sessões
de treinamento ocorreram com base na proposta de Stefanello (1999). Utilizou-se o teste de
Shapiro-Wilk para testar a normalidade dos dados do conhecimento tático declarativo,
processual e da busca visual. Optou-se então pelo teste t pareado para analisar o
conhecimento tático declarativo e pelo procedimento não paramétrico de Wilcoxon para
comparar os demais resultados do pré e do pós-teste. Calculou-se o tamanho do efeito para
as três variáveis analisadas. Utilizou-se também o coeficiente de correlação intra classe
para verificar a confiabilidade inter e intra-avaliador em relação ao conhecimento tático
processual e categorização das sessões de treinamento. Recorreu-se ao software SPSS 22
para realizar as análises do conhecimento tático declarativo, processual e busca visual. Os
resultados apontaram aumento significativo para o nível de conhecimento tático
declarativo nas duas instituições participantes. Para o conhecimento tático processual
ocorreu aumento significativo do número de ações no critério marcação ao jogador com
bola, somente para a Instituição 1. Em relação à busca visual, os resultados indicaram
aumento significativo no número e na duração das fixações em locais relevantes apenas
para a Instituição 2. Esses resultados sugerem que a aplicação do modelo de
RESUMOS RIBEIRO; GRECO,2022
mailto:pablojgreco@gmail.com
CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE HANDEBOL
Filiada à International Handball Federation
Confederación Sur Centro Americano de Balonmano
Comitê Olímpico do Brasil
64
ensino-aprendizagem-treinamento da Iniciação Esportiva Universal contribuiu para a
melhora do conhecimento tático declarativo e processual na Instituição 1, mas não buscou
o visual das participantes. Para a Instituição 2, as sessões de treinamento contribuíram para
a melhora no conhecimento tático declarativo e na busca visual, mas não no conhecimento
tático processual. A experiência prévia em competições de nível mais elevado das
jogadoras da Instituição 2 pode ter influenciado os diferentes resultados encontrados nas
duas instituições. Recomenda-se a realização de outros estudos que tratem dessa temática e
aprofundem a análise, de maneira a obter mais detalhes sobre as sessões de treino (registro
das instruções dos treinadores, por exemplo), assim como na verificação da manutenção
dos resultados, por meio da aplicação de testes de retenção.
Palavras-chaves: Conhecimento Tático, Busca visual, Handebol, Iniciação esportiva
universal.
Link para acesso a dissertação completa: não disponível
Referência: RIBEIRO, Lucas de Castro. INICIAÇÃO ESPORTIVA UNIVERSAL
APLICADA AO HANDEBOL: influência do processo de ensino-
aprendizagem-treinamento no conhecimento tático e busca visual. 2019. 256 folhas.
Dissertação (Mestrado em Ciências do Esporte) - Escola de Educação Física, Fisioterapia e
Terapia Ocupacional, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2019.). 
RESUMOS RIBEIRO; GRECO, 2022
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Iniciação Esportiva Universal pode ser aplicado em contextos diferentes?
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Siomara Aparecida da Silva
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XVII Congresso de Ciências do Desporto e de Educação Física dos Países de Língua Portuguesa
Fortaleza - CE, 25 a 28 de setembro de 2018
Cuidar da Casa Comum: da Natureza, da Vida, da Humanidade. Oportunidades e responsabilidades do desporto e da Educação Física. 384
Vol. II
INICIAÇÃO ESPORTIVA UNIVERSAL PODE SER APLICADA 
EM CONTEXTOS DIFERENTES?
Siomara Aparecida da Silva1
Wanda Maria Costa Braga1
César Milagres da Silva1
1Universidade Federal de Ouro Preto, Ouro Preto- MG, Brasil
E-mail: siomarasilva.lamees@gmail.com
Agradecimentos: A equipe do Laboratório de Metodologia do Ensino dos Esportes (LAMEES).
Resumo
O objetivo do estudo foi analisar a aplicabilidade da Metodologia da Iniciação Esportiva Universal (IEU) em con-
textos diferentes. Dois grupos (treino/escolinha e aulas de educação física escolar) foram submetidosa um se-
mestre de sessões de aula/treino, planejados, estruturados e aplicados de acordo com a Metodologia de ensino 
da IEU. As aulas/treinos foram filmadas, analisadas através de vídeos e tabuladas em uma planilha de Excel. Para 
comparar se houve diferença significativa entre os quantitativos de conteúdos das aulas/treinos utilizou-se o 
teste t-Student (paulas de educação física. Assim, a comparação dos conteúdos entre os grupos foi realizada pelo valor 
percentual de representação e não por tempo de realização dos mesmos.
O processo de descrição de atividades se deu de acordo com os conteúdos da metodologia apli-
cada. Conteúdo Aprendizagem Tática, Conteúdo Aprendizagem Motora (presentes na metodologia), 
e as Interferências do Professor que correspondiam à: realização da chamada, organização da turma, 
explicação de atividades, feedbacks, variações de atividades e finalização das sessões aulas/treinos.
No Grupo A (contexto treino/escolinha), 749 minutos do tempo correspondeu à Interferência do 
Professor e 1.069 minutos de realização de atividades (58,79%). No grupo B (contexto escola), 414 minutos 
do tempo correspondeu à Interferência do Professor e 505 minutos de realização de atividades (54,97%).
Figura 1. Percentuais dos Conteúdos Desenvolvidos e das Interferências do Professor.
A tabela 1 demonstra o tempo e o percentual correspondente de cada conteúdo identificado e 
seus respectivos parâmetros desenvolvidos. Para o Conteúdo Aprendizagem Tática (Capacidades Táti-
cas Básicas, Jogos para o Desenvolvimento da Inteligência e Criatividade e Estruturas Funcionais). Para 
o Conteúdo Aprendizagem Motora (Habilidades Técnicas e Coordenação Motora). 
XVII Congresso de Ciências do Desporto e de Educação Física dos Países de Língua Portuguesa
Fortaleza - CE, 25 a 28 de setembro de 2018
Cuidar da Casa Comum: da Natureza, da Vida, da Humanidade. Oportunidades e responsabilidades do desporto e da Educação Física. 387
Vol. II
Tabela 1. Quantitativo de Conteúdos Aprendizagem Tática e Aprendizagem Motora.
CONTEÚDOS
GRUPOS
Grupo A % Grupo A tempo Grupo B % Grupo B tempo
CTB 22,79% 414 min 21,58% 198 min
Aprendizagem Tática (AT) JDIC 1,48% 27 min 1,84% 17 min
EF 3,53% 64 min 4,12% 38 min
Total de AT Conteúdo Aprendizagem Tática 27,80% 505 min 27,54% 253 min
Aprendizagem Motora (AM)
HT 19,26%* 351 min 12,32%* 113 min
CM 11,73% 213 min 15,11% 139 min
Total de AM Conteúdo Aprendizagem Motora 30,99% 564 min 27,43% 252 min
Nota: CTB = Capacidade Tática Básica; JDIC = Jogos de Desenvolvimento da Inteligência e Criatividade; HT = Habilidade Técnica; CM = Coordenação Motora; (*pEsportivo (1ª Ed. P. 187-216). São Paulo, Barueri: Manole. 
Greco, P. J., Silva, S. A. & Santos, L. R. (2009). Organização e Desenvolvimento Pedagógico do Esporte no Programa 
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Kröger, C., Roth, K. (2002). Escola da Bola: Um ABC para iniciantes nos jogos esportivos, (2ª ed.). São Paulo: Phorte.
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21(4), 291-299.
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Reverdito, R. S. & Scaglia, A. J. (2009). Pedagogia do esporte: Jogos coletivos de invasão, (1ªed.). São Paulo: Phorte. 
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View publication stats
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Metodologia do ensino dos esportes coletivos: iniciação esportiva universal, aprendizado 
incidental–ensino intencional 
 
 
Pablo Juan Greco (1) 
 
 
 
Resumo 
 
O presente texto descreve uma proposta de ensino-aprendizagem-treinamento dos esportes 
particularmente dos jogos esportivos coletivos (não só na escola), tendo como premissa as 
interações entre as formas de aprendizagem do aluno e de ensino do professor. Sugere-se uma 
sequencia de conteúdos a serem abordados no decorrer do processo de iniciação esportiva 
conforme recomendado na literatura contemporânea. Resumidamente apresenta-se uma 
abordagem metodológica que prioriza uma sequencia da ênfase focada inicialmente nas 
formas de aprendizagem incidental, e sua paulatina evolução para as formas de aprendizado 
intencional na iniciação aos esportes. Também considera-se imprescindível, paralelamente ao 
planejamento do ensino-aprendizagem dos esportes, ensinar mais do que esporte. É necessário 
motivação e mobilização de forças do aluno e do professor com a finalidade de se promover 
uma nova cultura esportiva. A escola é a célula de origem da iniciação esportiva e perpassa 
sua influencia para as diferentes instituições abocadas a essa tarefa (escolinhas e clubes). A 
função do professor no planejamento direcionado intencionalmente a provocar a 
aprendizagem incidental não pode ser confundido com “rolar a bola”. Destaca-se que o jogar 
livremente na infância foi substituído da nossa cultura. Portanto, quais são hoje as alternativas 
para o ensino-aprendizagem-treinamento dos esportes na escola? A compreensão, delimitação 
e projeção dessa tríade caracteriza o marco referencial de uma visão sistêmica e dinâmica do 
processo pedagógico numa sequencia –incidental-intencional, relacionada particularmente 
como opção metodológica para os esportes coletivos. Não é plausível direcionar o processo de 
ensino-aprendizagem-treinamento na escola ou na fase de iniciação esportiva unicamente pelo 
viés da seleção de talentos e/ou do modelo do campeão. Também se considera inadequado o 
direcionamento via propostas relacionadas com as variadas manifestações da concepção 
critico-social, sem considerar a importância do conteúdo programático inerente a “saber o que 
e saber como fazer”. Na concepção de um processo de ensino-aprendizagem dos esportes, é 
preciso considerar, as características culturais e sociais da população beneficiada, bem como 
a evolução do referencial tático-técnico das modalidades, isto é, a validade ecológica de uma 
proposta ao longo do tempo. Assim, em um primeiro momento recomenda-se seguir os 
princípios de aprender jogando (ênfase nos processos incidentais de aprendizagem) e jogar 
para aprender (ênfase os processos formais de aprendizagem) em um segundo momento. 
Afinal, é indispensável retomar o ensino do esporte de forma qualitativamente diferente na 
escola e oportunizar uma “iniciação esportiva universal: uma escola da bola”. 
 
 
Palavras Chaves: Esporte Escolar; Iniciação Esportiva; Métodos de Ensino. 
 
_________________________ 
 
1 Pós-Doutorado em Ciências do Movimento Humano ESEF, UFRGS, BRASIL. 
 Docente do Departamento de Esportes e do Programa de Pós Graduação Stricto Sensu em Ciências do Esporte EEFFTO, UFMG. 
 Coordenador do Centro de Estudos de Cognição e Ação EEFFTO, UFMG. 
1 Introdução 
 
Conforme o referencial teórico, ou do marco politico-pedagógico que se tome como 
base, os processos pedagógicos de ensino-aprendizagem dos esportes revelam os paradigmas 
conceituais que os sustentam. Essa temática tem suscitado anos de acirradas discussões e 
debates aqui no Brasil (GAYA, 2000; BRACHT, 2000; STIGGER; LOVISOLO, 2009). 
Neste aporte será descrito um dos modelos de ensino-aprendizagem-treinamento dos 
esportes, para aplicação na iniciação esportiva não só na escola, bem como para escolinhas e 
clubes. A terminologia “iniciação esportiva” se presta a inúmeros equívocos e aparece com 
diferentes significados na literatura esportiva. Em muitos casos é considerada como uma 
simples aprendizagem de rotinas (técnicas) e jogadas (tática) restrita a aquisição de 
fundamentos básicos para que o praticante os desenvolva no contexto do jogo. 
Pesquisas recentes tem comprovado a sequencia dos conteúdos independente da 
instituição em que o processo metodológico seja aplicado bem como a adequação da proposta 
ao longo do tempo (GRECO, 2004a; KRÖGER; ROTH, 1999; ROTH, e col. 2002; 2005; 
COSTA, et. al, 2007; LIMA, 2008). Esta concepção de ensino-aprendizagem-treinamento se 
apresenta gradativamente como alternativa aos métodos tradicionais (analítico, global, misto) 
de ensino dos esportes que imperaram até a data em escolas, escolinhas e clubes. Também se 
considera um contraponto e opção pedagógica para ás correntes fenomenológica, critico-
social - entre outras - que se desenvolveram no Brasil nos anos 80. (BRACHT, 1986, 2000, 
2003; KUNZ, 1988; BETTI, 1991,1995; COLETIVO DE AUTORES, 1992; DAOLIO, 2003, 
2004; MOREIRA, 1991; e recentemente ASSIS, 2001). 
 Os métodos de ensino-aprendizagem dos esportes apresentam uma profunda interação 
com os processos de iniciação esportiva nas escolas e clubes conforme evidenciado em 
propostas presentes na literatura nacional e internacional (BUNKER, THORPE, 1982; 
THORPE, BUNKER, ALMOND, 1986; BAYER, 1986; SIEDENTOP, 1987; KREBS, 1992; 
TANI et al., 1988; TANI, 1991; SIEDENTOP, 1994; GRAÇA; OLIVEIRA, 1995; 
WERNER, THORPE, BUNKER, 1996; GRIFFIN, MITCHELL, OSLIN, 1997; RINK, 
FRENCH, TJEERDSMA, 1996; GRECO, 1998; GRECO, BENDA, 1998; SIEDENTOP, 
1998; AGUILLA LASIERA, BURGUES, 2000; RAAB, 2001; TANI, 2001; BARBANTI, et. 
al, 2002; BOHME, 2000, 2004; DARIDO, 2003, 2004; DARIDO, BASSOLI OLIVEIRA, 
2009; GRECO, 2004ab; GAYA, TORRES,desenvolvidas em uma 
escolinha de iniciação esportiva universal, e a influência em termos de bagagem motora de alunos que 
praticam apenas as aulas de educação física regularmente. 
 Este artigo será de fundamental importância acadêmica e social, pois trará novos dados para a 
realização de novas pesquisas. 
CONSIDERAÇÕES GERAIS 
Ao aprender uma habilidade, as pessoas desenvolvem um padrão adequado de coordenação de 
movimento de acordo com suas possibilidades e necessidades. Um exemplo disso são as crianças que 
aprendem naturalmente algumas ações como engatinhar, sugar, manipular,necessárias para sua 
sobrevivência. No decorrer da vida essas necessidades são alteradas,sim como as habilidades, 
tornando-as precisas de mudanças e adaptações. Entretanto, à medida que continuam a praticar, 
tornam-se cada vez mais habilidosas. Para Gallahue (2003), a capacidade de coordenação motora é 
definida como a habilidade de juntar, em modelos eficientes de movimento, sistemas motores separados 
com modalidades variadas. Assim, quanto mais complexas as tarefas motoras, maior nível de 
coordenação será preciso para um desempenho eficiente. Isto significa que quando uma criança pratica 
um esporte deve haver um estímulo positivo, como também um ambiente que o favoreça e um feedback 
adequado. Caso contrário poderá ocorrer um processo errôneo da aprendizagem em que ocasionará 
insucessos refletidos sobre a capacidade de executar padrões de movimento. 
ESCOLA DA BOLA 
Na escola da bola ou método de iniciação esportiva universal (IEU) as crianças podem provar de 
forma rica e variada diferentes formas de movimento. Sem se sentir presa a um só movimento que causa 
monotonia, onde ela joga apenas para se divertir e interagir com o meio. Através deste método ela tem o 
uso frequente da técnica e principalmente um convívio com a tática do jogo. Tal método tem a finalidade 
de participação e não de competição, onde jogando todos são campeões e aprendem jogando. 
Segundo Greco (2003), o objetivo da “Escola da Bola” é enfatizar o procedimento em que as 
crianças possam provar e experimentar de forma rica e variada diferentes alternativas de movimento, 
sem pressões psicológicas e fundamentalmente sem ter que adotar modelos ou parâmetros de 
rendimento consagrados pelos e para os adultos. Elas devem aprender "somente" a jogar com liberdade, 
reconhecer e perceber situações de forma a compreendê-las desde o ponto de vista tático e junto com 
isso poderá incorporar no seu conhecimento diferentes formas de elaboração de regras de 
comportamento tático nos jogos. O tipo e qualidade da realização dos seus movimentos (técnica), não é 
o tema central do processo de aprendizagem, pois se entende que: “jogar faz o campeão”, como 
também “jogar se aprende jogando” (GRECO, 2003). 
A iniciação esportiva universal enfatiza a aprendizagem geral por meio do jogo e treinamento 
que envolve variadas formas de movimentos que englobam a coordenação, as habilidades básicas e a 
atividade motora cognitiva. Além da relação da criança com objetos e o outro. 
Uma proposta dessa natureza evita, concomitantemente, dispersões e oposições circunstanciais 
de grupos minoritários que desejam uma prática esportiva direcionada ao modelo do adulto, da procura 
do alto rendimento esportivo precocemente, bem como daqueles que disfarçam o caráter político 
partidário da sua ação pedagógica. Estes grupos negam ou criticam a prática esportiva e, por falta de 
conhecimento específico na área (produto de uma formação uni-direcionada, sem conteúdo técnico 
específico adequado) reduzem a atividade esportiva a situações amorfas, mal apresentadas e mal 
direcionadas que desestimulam os alunos a sua prática, e consequentemente ao seu abandono 
(GRECO, 2002). 
INICIAÇÃO ESPORTIVA UNIVERSAL X DESENVOLVIMENTO MOTOR 
O exercitar-se é uma parte importante da iniciação esportiva universal para o aspecto da 
universalidade esportiva. O papel da atividade física, na forma de brincadeiras, jogos e esportes, não 
pode ser exageradamente especificado. O crescimento e o desenvolvimento motor ocorrem em um 
ambiente social que inclui a atividade física. A necessidade de afiliação a um grupo é uma razão 
frequentemente citada para a participação em brincadeiras e em esportes (GREENDORFER, 1987). 
 
Coleção Pesquisa em Educação Física - Vol.11, n.1, 2012 - ISSN: 1981-4313 
37 
Os psicólogos empregam a expressão “desenvolvimento motor” para descrever a emergência de 
várias capacidades de movimentar-se e usar o corpo de maneiras hábeis. Ele inclui várias habilidades de 
movimento, como engatinhar, caminhar, correr e andar de bicicleta, assim como as habilidades 
manipulativas, como agarrar ou apanhar objetos, atirar bolas, segurar um lápis ou usar uma agulha. 
Quase todas as habilidades básicas estão completas por volta dos 6 ou 7 anos de idade. Depois disso, a 
mudança é principalmente a melhora de desempenho, conforme a criança refina as habilidades básicas 
e as integra em sequências de movimento cada vez mais complexas (MALINA, 1982 apud BEE, 1996). 
No início da infância as habilidades de movimento básicas são as manipulativas, locomotoras e 
estabilizadoras. Com isto, a crianças desenvolvem estas habilidades em atividades simples do dia-a-dia 
como engatinhar, agarrar e se manter firme no próprio eixo corporal. Estas habilidades estarão formadas 
por completo por volta dos 6 ou 7 anos de idade, levando em consideração o principio de individualidade 
biológica. 
Segundo Bee (1996), embora quase todas as crianças e adolescentes atravessem as várias 
sequências do desenvolvimento na mesma ordem, existem grandes diferenças individuais no índice e 
timidez das mudanças físicas, assim como na forma ou habilidades físicas da criança. Essas diferenças 
são interessantes em si mesmas, mas também são importantes por causa da maneira pela qual podem 
afetar a autoimagem de uma criança, seus relacionamentos com os iguais e seus contatos gerais com o 
mundo que a cerca. 
As crianças e adolescentes podem atravessar seu desenvolvimento em ordens semelhantes, 
porém os relacionamentos e contatos com o outro e diante do meio que ela está inserida podem afetar 
de maneira direta a autoimagem da criança. 
Já para Gallahue (2003), os fatores de controle motor, do equilíbrio (tanto do equilíbrio estático 
quanto do equilíbrio dinâmico) e da coordenação (tanto a coordenação motora rudimentar quanto a 
coordenação visual-animal), em conjunto com os fatores de produção de força de agilidade, velocidade e 
energia, tendem como os componentes que mais influenciam o China motor. Os fatores de controle 
motor (equilíbrio e coordenação) são de particular importância no inicio da infância, quando a criança 
está obtendo controle de suas habilidades motoras fundamentais. 
A partir da fundamental habilidade de controle motor do equilíbrio estático ou dinâmico, da 
coordenação motora rudimentar e óculo-manual, a criança começa a enxergar o mundo de maneira 
diferente e executar ações abstratas. Obtendo o controle de suas habilidades motoras rudimentares e 
fundamentais a criança consegue criar e aprender significativamente (GALLAHUE, 2003). 
A INICIAÇÃO ESPORTIVA UNIVERSAL COMO IMPORTANTE FERRAMENTA PEDAGÓGICA 
Na iniciação esportiva universal existem inúmeros fatores que a tornam altamente complexa, 
pois além de se trabalhar com seres humanos, o que por si só já é complexo, ela trabalha também com 
aprendizagem. Sendo assim é de grande importância estudos que deem um norte para os professores e 
treinadores, haja vista as inúmeras mudanças que ocorrem com crianças em idade de iniciação 
esportiva. Sendo assim é de suma importância a utilização de uma metodologia de ensino adequada 
para cada faixa etária, respeitando-se a questão motora, cognitiva, social e afetiva. 
A inserção do método de iniciação esportiva universal no plano pedagógico obrigatório das 
instituições de ensino no ensino fundamental I pode ser uma importante ferramenta interdisciplinar dos 
professores regentes2004; SCAGLIA, 2004; TANI, MANOEL, 2004; 
BENTO, 2006; DE ROSE, 2006; CAVALLI, 2008; GRECO, SILVA, SANTOS, 2009; 
REVERTIDO, SCAGLIA, PAES, 2009; REVERDITO; SCAGLIA, 2009; BASSOLI, 
PERIM, 2009). Considera-se aqui importante destacar a interação ensino-aprendizagem-
treinamento, uma trilogia na qual as interações os fazem indivisíveis entre sim, o que leva a 
sempre apresentar sua sequencia. 
 Ao se analisar diferentes abordagens pedagógicas deve-se considerar que o 
desenvolvimento dos processos metodológicos - particularmente nos esportes coletivos -
implicam em ensinar mais do que esporte. Portanto, é necessário relacionar o “como ensinar o 
esporte” com os aspectos vinculados a “ensinar pelo esporte” (FREIRE, 2003; DARIDO, 
2009; GRECO; SILVA; SANTOS, 2009). Isto é, torna-se impreterivelmente necessário 
considerar que todo processo de ensino-aprendizagem relaciona-se com a perspectiva do 
treinamento, considerando este fenômeno nos seus diferentes níveis de rendimento‼! (como 
ensinar o esporte); bem como as influencias que se exercem no decorrer do processo de 
desenvolvimento, na formação de uma visão crítica e humanística dos valores do esporte; que 
se vinculam ao desenvolvimento de competências, capacidades, comportamentos, atitudes, 
valores, de forma crítica e reflexiva oportunizando e favorecendo o processo de formação da 
personalidade (ensinar pelo esporte). Todo processo de ensino-aprendizado-treinamento se 
constitui das interações que se estabelecem entre professor-aluno no ato de aprender-educar. 
Portanto, quando se ensina o esporte, ensina-se muito mais do que uma modalidade esportiva, 
desenvolve-se cidadania, humanidade, personalidade,... (ao respeito veja, por exemplo, 
BENTO, 1999, 2004, 2006). 
 
 
2. Considerações teóricas 
 
A estruturação e planejamento do processo de ensino-aprendizagem inicia-se com a 
reflexão sobre as diferentes manifestações e vivências que as crianças tem na infância e 
adolescência. Portanto, ao planejar é necessário identificar os diferentes momentos históricos 
e sociais nos quais o processo pedagógico se insere considerando não somente a 
transformação da sociedade ao longo das décadas; bem como e importante projetar a evolução 
tático-técnica das modalidades no futuro. Assim, destaca-se que as investigações em 
pedagogia do esporte “têm apresentado diferentes formas de ensinar os esportes e apontado à 
necessidade de realizar alterações curriculares na formação inicial em Educação Física para 
fomentar uma nova cultura esportiva” (NASCIMENTO et al., 2009). 
Em décadas passadas a prática de atividades físicas e esportivas ocorria de forma 
espontânea, as crianças brincavam livremente em diferentes espaços. Por exemplo, a rua, o 
campo de várzea, os pátios de escola, de apartamentos, nos jardins, nas praças, etc. em todos 
esses era possível ver as crianças utilizar seu tempo conforme o espaço disponível, fazendo 
desses espaços “seu espaço” e o “seu tempo”, para se divertir, para jogar. Um aspecto 
importante de se destacar está relacionado com a intencionalidade do jogar dessas crianças. A 
motivação de jogar levava as crianças a estar juntos se divertir mas elas não sabiam que 
também estavam aprendendo!. Na prática, por exemplo, “bente altas”, ou “taco” como se 
denomina em Rio Grande do Sul, “mãe da rua”, “rouba bandeira”, jogar 3 x 3 + 1 goleiro ao 
futebol, ou handebol na rua, entre outros, as crianças simplesmente jogavam. 
Oportunizavam-se nesses momentos ricas e variadas experiências motoras que constituíam 
um amplo repertório de movimentos denominados de “base motora”. Esta vivencia era 
fundamental para à aprendizagem das técnicas específicas solicitadas posteriormente nos 
esportes. 
O ensino-aprendizagem-treinamento dos esportes deve caracterizar-se por almejar o 
desenvolvimento da personalidade dos alunos, facilitar e propiciar a aquisição e crescimento 
cultural, sendo o conhecimento da área dos esportes sempre colocado em interação com uma 
consciência crítica sobre saúde, qualidade de vida, conscientização de valores, etc. 
relacionados com uma prática direcionada à formação de hábitos de vida salutar, entre outras 
positivas contribuições que o esporte proporciona (ensinar o esporte e ensinar por meio do 
esporte). 
Lamentavelmente ainda hoje não há um aporte metodológico para o ensino-
aprendizagem dos esportes nas escolas, escolinhas, nos clubes, enfim na iniciação esportiva 
consistente. Conforme a reflexão de Tani (2008) “a ideologização” (sentido sócio-político) e a 
“politização” (sentido partidário) das discussões em relação a área de educação física, que 
estendemos também para o ensino dos esportes e particularmente dos jogos esportivos 
coletivos (basquetebol, futebol, futsal, handebol, voleibol, e aqueles que eventualmente 
possam ser regionalmente integrados) “solicita de convergência em substituição à divergência 
que caracterizou os debates e embates das diferentes abordagens da Educação Física Escolar 
nos últimos 20 anos”. 
No início dos anos oitenta, na Europa, divulgaram-se e consolidara-se propostas 
metodológicas que se enquadram nas denominados processos de ensino-aprendizado formal, 
de aprendizagem intencional para o ensino das modalidades esportivas. Entre elas se 
destacam: 
 
 O “Modelo da Educação Desportiva” (SIEDENTOP, 1987; 1994); 
 O “Modelo desenvolvimentista” (RINK, 1993, RINK, et. al, 1996); 
 O “Modelo de Ensino dos Jogos pela Compreensão” (BUNKER; THORPE, 
1982, 1986; THORPE; BUNKER; ALMOND, 1986); 
 O “Modelo da Competência nos Jogos de Invasão” (MUSCH; MERTENS, 
1991; MESQUITA, 2006; MESQUITA; GRAÇA, 2006); 
 O “Modelo Integrado” (FRENCH et al., 1996). 
 
O “Modelo de Educação Desportiva” objetiva a socialização por intermédio da prática 
do esporte, em claro paradoxo à díade rendimento e competição presentes no método analítico 
e também das metodologias via pré-desportivos e jogos de iniciação. A proposta se 
caracteriza pelo papel ativo e de cooperação entre os praticantes (professores e alunos) na 
organização das diferentes tarefas, bem como na distribuição de funções e responsabilidades. 
Não é abandonado o fator lúdico e a contextualização esportiva, com um peso substantivo à 
prática motora (SIEDENTOP, 1987, 1994, 1998). Este método sustenta-se em três pilares: o 
desenvolvimento da competência esportiva (o saber fazer), a compreensão e o saber apreciar 
os valores culturais que qualificam a prática, conferindo o verdadeiro significado (cultura 
esportiva) e finalmente o entusiasmo pelo desporto, ou seja, da atração despertada nas 
crianças/adolescentes pelo fenômeno esporte (DYSON; GRIFFIN; HASTIE, 2004). 
O Modelo Desenvolvimentista (RINK, 1993) remete-se ao estilo de ensino não-
diretivo, respeitando o princípio de multidimensionalidade da técnica (NASCIMENTO, 
2004). É característico neste modelo a sequência das situações de aprendizagem. Procura-se 
saber observar como o aluno aprende. O modelo fornece atividades para o aluno criar o 
melhor caminho referente ao desenvolvimento das suas potencialidades (RINK, 1993). 
Das propostas de ensino-aprendizado intencional, destaca-se como mais empregada o 
“Teaching Games for Understanding” –TGFU- traduzido livremente do inglês como 
“Modelo de Ensino dos Jogos pela Compreensão” (BUNKER; THORPE, 1982; THORPE; 
BUNKER; ALMOND, 1986), aplicado em diferentes países. A proposta objetiva a promoção 
de um processo de aprendizagem social, já que para se praticar um esporte é necessário 
desenvolver o senso crítico do aluno, particularmente em relação aos aspectos táticos do jogo. 
Assim, o aluno estará apto a resolver os problemas inerentes ao jogo, em decorrência da 
compreensão da lógica do jogo. Um dos diferencias deste modelo em relação ao método 
analítico e ao método global, que reinaram na Europa nos anos 60-70e 70-80 respectivamente, 
refere-se à ordem de apresentação dos conteúdos táticos e técnicos.O conhecimento tático é 
oferecido antes das habilidades técnicas. As habilidades técnicas são introduzidas no 
momento em que o aluno entende “o quando”, e “o que fazer”. Essa proposta conta com um 
grande grupo de pesquisadores na área –particularmente de língua inglesa- que continuamente 
apresentam novidades apoiadas em pesquisas realizadas em diversos contextos culturais. Na 
sua essência propõe-se um inicio do processo de aprendizado das modalidades a partir da 
compreensão tática dos esportes, em segundo momento do desenvolvimento da competência 
técnica. Parte-se do pressuposto da intenção do praticante de querer aprender a praticar uma 
modalidade e “o porquê” de empregá-las, que sempre se remetem a “posteriori” de saber “o 
que fazer”. 
Lamentavelmente as pesquisas (DARIDO, BONFOGO, 1993; GIMENEZ, 1998,1999; 
MEMMERT, 2004; NASCIMENTO, 2004; COSTA, NASCIMENTO, 2004; MOREIRA, 
2005; MENDES, 2006; COLLET, NASCIMENTO, DONEGA, 2007; MORALES, GRECO, 
2007; COLLET, DONEGA, NASCIMENTO, 2009; MORALES, GRECO, ANDRADE, 
2009; MATIAS, GRECO, 2010), constatam que no Brasil ainda apresenta-se no processo de 
ensino-aprendizagem-treinamento, nas diferentes modalidades esportivas, ou seja, na 
iniciação esportiva em geral, na escola, escolinhas ou no clube uma predominância de 
aplicação do método analítico. Isto leva à reflexão sobre a necessidade de se rever o processo 
de formação de recursos humanos, a formação de professores e de graduados em Educação 
Física nas instituições de ensino superior, os que aparentemente não recebem nas disciplinas 
relacionadas com os esportes informações atualizadas sobre a evolução das concepções de 
ensino-aprendizagem. 
Graça e Oliveira (1995), contrapondo os princípios do método analítico com as novas 
correntes metodológicas, salientam com muita propriedade que “o ensino do jogo não deverá 
ser perspectivado como aquisição de um somatório de habilidades isoladas que se auto- 
justifiquem”. Nessa direção dois conceitos pedagógicos surgem como importantes 
alternativas, por um lado as propostas de aprendizado intencional e incidental. 
Assim nas modernas concepções intencionais de aprendizado a tática assume um lugar 
de destaque, seguido da aprendizagem dos “fundamentos” ou das técnicas especificas de cada 
modalidade. 
As propostas da “Iniciação Esportiva Universal”(GRECO, BENDA, 1998, GRECO, 
1998), e escola da Bola (KRÖGER, ROTH, 2002) podem ser consideradas como ensaios que 
apresentam uma estruturação do processo de iniciação esportiva, dos seis anos em diante, 
seguindo uma concepção pedagógica que enfatiza os valores da aprendizagem incidental, do 
“jogar para aprender” e posteriormente se “aprender jogando”. Uma integração na forma de 
uma “Iniciação Esportiva Universal: uma escola da bola - IEU + EB (GRECO, no prelo), 
surge como proposta plausível. Para tal, e necessário considerar aspectos comuns das bases 
filosóficas, pedagógicas e didático-metodológicas que ambas as propostas refletem. Dessa 
união se concretiza uma proposta que resgata a cultura do jogo na rua, na praia, no pátio da 
escola, suas tradições e variabilidade de opções, para serem oportunizados na escola, nas 
escolinhas e nos clubes no momento da iniciação esportiva. 
Neste aporte serão enfatizadas as formas de aprendizagem incidental, mas que se 
sustentam na intencionalidade do processo de ensino-aprendizado-treinamento planejado de 
forma sistemática pelo professor. Assim, nas propostas da Iniciação Esportiva Universal 
(GRECO, BENDA 1998; GRECO, 1998; GRECO, SILVA, SANTOS, 2009) e na Escola da 
Bola (KRÖGER, ROTH, 2002), se reconhece – conforme Garganta (1995)- a natureza aberta, 
imprevisível, e portanto tática da tomada de decisão sobre o que fazer, sendo que na aplicação 
das técnicas especificas inerentes a cada um dos Jogos Esportivos Coletivos está presente 
previamente um processo de desenvolvimento da capacidade coordenativa e de “Habilidades 
Técnicas” que formam a base da iniciação ao treinamento do gesto especifico às modalidades. 
 
 
3. Iniciação Esportiva Universal: incidental-intencional, ou jogar para aprender e 
aprender jogando. 
 
Neste aporte serão descritos resultados de estudos realizados no Centro de Estudos de 
Cognição e Ação –CECA- da Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional 
da UFMG, bem como de outros grupos de pesquisa relacionados com o ensino do esporte na 
escola, escolinhas e categorias de base em clubes (GRECO, 1998; KRÖGER, ROTH, 1999; 
ROTH, RAAB, GRECO, SAMULSKI, 2000; GRECO, 1995, 2001, 2002, 2004abc;GRECO, 
SISTO, 1995; ROTH, KRÖGER, MEMMERT, 2002; GRECO, ROTH, SCHÖRER, 2004; 
GRECO, SILVA, 2008). 
A sequência metodológica que se sugere segue um desenho progressão de conteúdos 
denominados de “A-B-C” que são relacionados entre sim pelos “Jogos de Inteligência e 
Criatividade Tática- os JICT. Como recomendado na literatura internacional inicia-se o 
processo de aprendizagem pelos conteúdos táticos, pela aprendizagem tática (A) e sua 
complementação com o processos de aprendizagem motora (B) e dirige-se posteriormente ao 
treinamento tático e técnico (C). O conjunto desses “tijolos”, como os denominam Kröger e 
Roth (1999) são integrados na orientação “universal” da proposta afim de potencializar os 
efeitos da aprendizagem pelos JICT. 
 
 
 
 
 
FIGURA1: Iniciação esportiva universal: aprendizado incidental–ensino intencional 
(GRECO, 2012). 
 
Na figura se destaca que os Jogos de Inteligência e Criatividade Tática –JICT- estão 
presentes em cada um dos momentos, no “A-B-C” do processo. São os JICT que permitem as 
relações entre os diferentes momentos –A, B,C- e por meio do qual se concretiza o principio 
de jogar para aprender e de aprender jogando. Os JICT são jogos que as crianças na rua, na 
praia, jogam sem pensar no esporte, jogos tradicionais, como mãe da rua e outros que são 
jogados nos pátios das escolas, nos momentos de diversão, inclusive sem a presença de 
adultos, mas que apresentam em seu desenvolvimento diferentes exigências táticas 
(particularmente dos processos cognitivos de percepção, atenção, memória/conhecimento, 
pensamento, entre outros) e motoras (coordenativas principalmente) que conformam uma 
base de experiências, de vivências inigualáveis para o desenvolvimento das crianças e dos 
iniciantes. 
 
 Da aprendizagem tática ao treinamento tático: 
 
Utilizando uma metáfora da aprendizagem da língua nativa de uma criança, e fazendo 
sua comparação com o aprendizado do jogo coloca-se que um jogador deve ter uma adequada 
“leitura” da situação que defronta, mas também saber “escrever” o jogo, portanto o 
“vocabulário” deve ser amplo. Assim, para compreender e interpretar o jogo é necessário que 
o jogador saiba reconhecer as letras, as palavras, às frases, e explanar sobre elas. No jogo 
torna-se necessário ler o contexto, ver o ambiente, compreender a situação, ou seja, interpretar 
o jogo. No esporte se tomam constantemente decisões, por exemplo, no handebol, passar ou 
lançar a gol, isto implica na participação de diferentes processos cognitivos, de 
recepção/elaboração de informação, etc. que permitam essa tomada de decisão. Na literatura 
na área da psicologia do esporte diferentes teorias abordam o tema (ALLEN, REEBER, 1980; 
ARAUJO, 2005), sendo que neste trabalho segue-se o posicionamento da teoria da ação 
(NITSCH, 2009); do comportamento antecipativo (HOFFMANN, 1993ab); do conhecimento 
implícito (REBER, 1989); da criatividade (GUILFORD,1950); e a teoria da modularidade da 
mente (FODOR, 1986), levando também em consideração autores que indiretamente 
influenciaram a proposta tais como Atlan (2006), Morin e Le Moigne (2000, 2007) em suas 
considerações sobre complexidade e inteligência e de Ramos (2009), e Stacey (1995) sobre 
caos. 
Ao se considerar as decisões necessárias a eficácia do participante no jogo torna-se 
necessário organizar ao longo do tempoo processo de aprendizagem tática, a “leitura” tática 
implica na compreensão da situação, e as frases a serem “escritas” são as ações motoras que 
os jogadores realizam na situação. Essas ações são compostas de várias “palavras motoras” 
que são as habilidades fundamentais (correr, saltar, lançar, receber, empurrar, rebater, etc.), 
que por sua vez, constituem cerne do processo de aprendizagem motora. Portanto, é 
necessário um processo de aprendizagem tática para que o principiante aprenda a “ler” o jogo, 
tenha “leitura” e compreensão do mesmo. Quem joga na rua aprende de forma incidental as 
regras táticas do jogo que está jogando, o que vai facilitar sua compreensão e sua orientação 
tática no Esporte. Mas para jogar, quase paralelamente, ao mesmo tempo é necessário que o 
principiante desenvolva sua capacidade de “escrever” o jogo, ou seja, de saber fazer. Torna-se 
necessário organizar o processo de aprendizagem motora desse aluno alertando sobre os 
perigos dos “vícios de linguagem” (ou seja, erros de realização da técnica) na iniciação 
esportiva, pois por outro lado esta pode levar a uma especialização precoce. 
No processo compreendido da aprendizagem tática ao treinamento tático, os jogos e 
atividades direcionados ao desenvolvimento das capacidades táticas básicas (KRÖGER; 
ROTH, 2002) tem por finalidade a compreensão da lógica do jogo, particularmente dos Jogos 
Esportivos Coletivos, pelo praticante. Kröger e Roth (2002) apresentam uma sistematização 
da lógica do jogo, para que a criança compreenda a dinâmica dos Jogos Esportivos Coletivos 
(basquete, futebol-futsal, handebol, hockey, rugby, voleibol). Em um jogo, o time em ataque 
controla o objeto do jogo (a bola), e o outro tenta interceptá-lo ou impedir os movimentos do 
adversário. Assim, os integrantes de cada equipe desenvolvem estratégias para, por exemplo, 
conquistar o gol, para fazer o gol (acertar o alvo). Para isso é necessário: transportar a bola 
para o objetivo, que pode ser feito de forma individual, por exemplo, no futebol ou no futsal, 
conduzindo a bola, ou passando esta aos colegas. Dependendo da situação uma destas opções 
terá mais sucesso, portanto é importante se compreender a importância de jogar 
coletivamente ou jogar em conjunto, já que assim as chances de sucesso aumentam. 
Portanto, quem tem a bola deve reconhecer os espaços que se apresentam no jogo para 
avançar, aproximar-se do alvo. Quem não tem a bola precisa oferecer-se, orientar-se, ou 
seja, como se diz geralmente no handebol e no basquetebol, sair da marcação, facilitando a 
ação de passe do colega, criando opções para este passar. Pode-se, também assim, ao se passar 
criar superioridade numérica, já que após o passe é importante se deslocar para ser 
novamente opção de recepção, se facilita a obtenção do gol, não deixando o adversário 
proceder a defesa na ação; mas, caso seja necessário para superar a ação do adversário, 
quem está com a bola pode fintar, criar chance de gol. 
O segundo conteúdo presente na aprendizagem tática se refere as “Estruturas 
Funcionais”. Estas têm a finalidade de reduzir a complexidade que o esporte formal apresenta, 
muitos jogadores solicitando decisões simultaneamente. Por exemplo, jogar handebol com 
seis jogadores em quadra mais um goleiro é difícil para os iniciantes, é muita gente, muitos 
jogadores querendo a bola ao mesmo tempo, jogar futebol 11 x 11 no campo é muito 
complexo, muita gente, muito espaço, muitas dificuldades no manejo da bola, etc. 
Nas “Estruturas Funcionais” em um primeiro momento, o jogo é simplificado em 
relação à quantidade de jogadores e, portanto, simplificam-se as alternativas de combinações 
táticas. Joga-se com uma quantidade menor de participantes (por exemplo, no basquete 2 x 2; 
ou handebol 3 x 3 com ou sem goleiro, com ou sem curinga), mas mantendo as características 
das modalidades esportivas (situações com ataque-defesa, colaboração e oposição) e, quando 
existe igualdade numérica, incentiva-se a marcação individual. Os problemas dos iniciantes 
ao jogar qualquer modalidade esportiva consistem na dificuldade e na complexidade das 
ações que decorrem simultaneamente – muitos colegas para se relacionar, muitas coisas para 
se observar em uma mesma ação e paralelamente como expresso acima, as dificuldades 
lógicas no manejo da bola, dos elementos necessários a realização da técnica. Isso deve ser 
evitado na iniciação para melhor compreensão da lógica do jogo, para poder “pensar, ver, 
escrever e ter vocabulário” no jogo. 
Quando o número de participantes no jogo é diminuído, as alternativas táticas de 
tomada de decisão também são diminuídas, mas as soluções táticas e técnicas são 
preservadas, ou seja, a ideia do jogo é mantida. As estruturas funcionais foram propostas com 
o objetivo de se apresentar o jogo para as crianças da mesma forma como elas o praticavam 
sem a presença de adultos. Incentiva-se a jogar com diferentes estruturas funcionais de jogo: 1 
X 1 +1; 1 X 1; 2 X 1; 2 X 2 + 1; 2 X 2; 3 X 2; 3 X 3 + 1; 3 X 3 (entre outras formas). Essas 
formas de organização apresentam situações com igualdade, inferioridade ou superioridade 
numérica (as atividades com curinga “+1” são ofertadas antes que as situações de igualdade 
numérica como forma de facilitar o processo de aprendizado. Para facilitar a compreensão do 
jogo e sua prática, sugere-se a sistematização da ação do “curinga”. Os curingas (podem ser 
vários colegas, ou somente um colega para ambas as equipes). Eles sempre apoiam a ação do 
atacante (ou do defensor), mas não podem fazer gol; são somente apoios. Eles “jogam” na 
realidade, realizam a função do meio fio/guia nas brincadeiras de futebol na rua. Os curingas 
podem estar em locais fixos, dentro ou fora do campo (nas laterais, em espaços demarcados, 
em espaços abertos, etc.), ou seja, existem diferentes alternativas didáticas e metodológicas de 
emprego dos curingas. É importante destacar que a sua função é auxiliar no transporte da bola 
da equipe em ataque, auxiliar na realização de ações táticas (BAYER, 1986; GRAÇA; 
OLIVEIRA, 1995). A ideia, o caráter e os objetivos do jogo esportivo não são alterados. Os 
procedimentos de “deixar jogar” e de “aprender fazendo” são priorizados. Nas “Estruturas 
Funcionais direcionadas” o jogo toma contornos de exercitação de situações onde se 
pratiquem as ações táticas de grupo de ataque e defesa em pequenos espaços de jogo. 
 
 
 
 Da Aprendizagem motora ao treinamento técnico: 
 
 
O primeiro conteúdo na aprendizagem motora a ser desenvolvido se relaciona com a 
estruturação do processo de ensino-aprendizagem-treinamento das capacidades coordenativas 
(NEUMAIER, 1999; NEUMAIER; MECHLING, 1995ab), a faixa etária considerada 
importante para se proceder ao seu desenvolvimento abrange até os 12-14 anos. Assim, é 
fundamental apresentar atividades, principalmente exercícios e posteriormente formas jogadas 
dos mesmos nos quais se relacione a informação oriunda dos receptores de informação (os 
sentidos) e a motricidade (a ação motora resultante), em condições de pressão. Ou seja, os 
sentidos recebem informação do ambiente (percepção) e nosso organismo deve proceder a 
executar uma ação motora em resposta a situação apresentada. Esta resposta motora deve ser 
condicionada pelos mesmos elementos de dificuldade que se encontram presentes nas 
modalidades esportivas no momento de executar ações. São os denominados “Condicionantes 
da Motricidade” ou fatores de pressão presentes em todas as modalidades esportivas, de forma 
isolada ou em combinações. A formula para o ensino-aprendizagem-treinamento das 
capacidades coordenativas consiste em se apresentar habilidades simples (com/sem bola), 
relacioná-las com os elementos de pressão da percepção, dos sentidos que procedem à 
recepção da informação, e que a resposta motora a ser realizada seja colocada também em 
situação de pressão semelhante as que acontecemnas modalidades esportivas. No quadro um 
(1), a seguir se observam as relações dos analisadores com os fatores de pressão da 
motricidade. 
 
Quadro 1: receptores de informação, fatores de pressão e as características da motricidade (com base em 
Neumaier e Mechling, 1995ab). 
Receptores de informação / os 
Analisadores (percepção) 
 
 Fatores de 
pressão 
Características da motricidade, é 
necessário 
Visual Tempo Minimizar o tempo ou maximizar a 
velocidade. 
Acústico Precisão Apresentar a maior exatidão possível. 
Tátil Organização Resolver, superar exigências simultâneas, 
em paralelo. 
Cinestésico Complexidade / 
Sequencia 
Resolver, superar exigências em sequencia, 
uma atrás da outra. 
 
Vestibular (equilíbrio) 
Variabilidade Superar exigências ambientais variáveis e 
situações diferentes. 
Carga Vencer exigências de tipo físico-
condicionais ou psíquicas. 
Fonte: Iniciação Esportiva Universal e Escola da Bola: uma integração das duas propostas. Greco, P. 
J. In: Garcia, E. S.; Lemos, K.,L.,M.: Temas Atuais em Educação Física e Esportes X. 2005. 
 
 
 
 
 
 
No quadro dois (2) são apresentados exemplos de atividades para trabalhar a coordenação. 
 
 
Quadro 2: Exemplo de atividades para o ensino-aprendizagem-treinamento da coordenação. 
Pressão de organização Analisador vestibular (equilíbrio) 
Lançar a bola para cima e pegá-la após um 
giro completo sobre o eixo longitudinal; 
 
Circundução dos braços simultaneamente e 
em sentido contrário; 
Andar paralelo a uma linha reta e 
simultaneamente cruzar os braços, abrir e 
fechar as pernas e pés; 
Balançar-se acima de um banco sueco e 
conduzir uma bola; 
Jogo da sombra com o colega quicando uma 
bola; 
Dançar com bolas conforme a música; 
Balançar-se acima de um banco sueco, 
lançar e pegar uma bola; 
Fonte: Iniciação Esportiva Universal e Escola da Bola: uma integração das duas propostas. Greco, P. 
J. In: Garcia, E. S.; Lemos, K.,L.,M.: Temas Atuais em Educação Física e Esportes X.2005 
 
 
Como se observa na foto no quadro dois (2), os praticantes se deslocam quicando a 
bola, andando sobre pneus e mantendo a distância de um bambolê entre eles. Nesta atividade, 
apresenta-se como forma de treinamento da coordenação, na qual o analisador equilíbrio e a 
habilidade de driblar a bola são associados, sendo as exigências de sequencia, organização os 
condicionantes de pressão da motricidade escolhidos. 
 
No processo de aprendizagem motora ao treinamento técnico o segundo conteúdo a ser 
desenvolvido se relaciona com a melhoria das habilidades, denominadas de habilidades 
técnicas. Neste caso, o termo habilidades adquire uma conotação ampla, geral, são habilidades 
que devem ser apresentadas, pois estas antecedem ao treinamento da técnica especifica de 
uma modalidade, por exemplo, o passe de peito no basquetebol, ou o lançamento com apoio 
do handebol, etc. As habilidades técnicas consistem em um conjunto de atividades 
direcionadas a melhoria da coordenação que servirá de base para o domínio das técnicas. No 
ensino-aprendizagem-treinamento das habilidades técnicas (KRÖGER; ROTH, 1999), a idade 
sugerida seria até os s 10-12 anos. Nessa faixa etária é importante apresentar atividades e 
jogos nos quais se reúnam os elementos da técnica comuns ao conjunto das modalidades 
esportivas. Parte-se do conceito de se desenvolver as potencialidades das crianças a partir das 
semelhanças na realização dos gestos nas diferentes modalidades. As habilidades técnicas 
constituem-se de uma sucessão específica de movimentos, completos ou parciais, que podem 
ser utilizados como solução ao problema da dinâmica gerada numa situação esportiva. 
No quadro três (3) a seguir são descritas as habilidades técnicas conforme 
comprovadas por Hossner (1995) e reagrupadas por Kröger e Roth (1999). 
 
Quadro 3: Habilidades técnicas e seus objetivos. 
Habilidades Técnicas Objetivo: (definição e exemplo) 
Organização dos ângulos Organizar, regular e conduzir de forma precisa à direção de uma bola lançada, 
chutada ou rebatida. 
Controle (regulação) da força Controlar, conduzir, regular de forma precisa a força de uma bola lançada, chutada 
ou rebatida. 
Determinar o tempo de passe e 
da bola. 
Determinar o momento espacial para passar, chutar ou rebater uma bola de forma 
precisa. 
Determinar linhas de corrida e 
tempo da bola. 
Determinar com precisão a direção e a velocidade de uma bola que é enviada na sua 
direção no momento de correr e pegar. 
Se oferecer (se preparar). O importante é se oferecer, se preparar ou iniciar a condução de movimento no 
momento certo. 
Antecipar a direção e distância 
do passe. 
Determinar a correta direção e distância de uma bola passada prevendo-a 
corretamente. 
Antecipação da posição 
defensiva. 
Antecipar, prever, a real posição de um ou vários defensores. 
Observar deslocamentos. Perceber os movimentos, deslocamentos de um ou vários adversários. 
Fonte: Iniciação Esportiva Universal e Escola da Bola: uma integração das duas propostas. Greco, P. J. 
In: Garcia, E. S.; Lemos, K.,L.,M.: Temas Atuais em Educação Física e Esportes X. 2005. 
 
 No quadro quatro (4) a seguir se apresentam exemplos de atividades para 
desenvolvimento das habilidades técnicas. 
Parâmetros Atividade Fotografia 
Controle 
força. 
 
Organização 
dos ângulos. 
 
Antecipar a 
direção e 
distância do 
passe. 
Acertar a bola: 
Dois alunos um de cada lado de uma quadra de 
vôlei- peteca (rede mais baixa),. Um com uma 
bola de tênis ou semelhante e uma raquete. Vai 
passar a bola por cima da rede. 
Objetivo do colega que vai receber, e está com 
um bambolê, é observar a bola enviada pelo 
colega do outro lado da rede, em que momento 
a mesma atinge seu ponto mais alto, calcular 
onde vai cair no próprio campo, e lançar o 
bambolê no chão, no local onde a bola enviada 
pelo colega vai quicar. 
Variação: Os dois com raquete, passe e quem 
recebe lança o bambolê e sem perder a sequência, 
rebate a bola para o outro lado. Nesse caso 
teremos também o condicionante coordenativo 
pressão de tempo!!!! 
Fonte: Iniciação Esportiva Universal e Escola da Bola: uma integração das duas propostas. Greco, P. J. 
In: Garcia, E. S.; Lemos, K.,L.,M.: Temas Atuais em Educação Física e Esportes X. 2005. 
 
 
 
4. Os Jogos de inteligência e criatividade tática – JICT – 
 
Para se jogar qualquer modalidade esportiva, e também qualquer jogo, se pressupõe que o 
praticante compreenda a lógica do mesmo. Portanto é necessário na prática se desenvolver a 
compreensão tática do jogo, se conhecer quais são os parâmetros constitutivos da 
compreensão (tática) dos esportes. Importante observar que em muitos jogos de invasão, por 
exemplo, “rouba bandeira” existe uma serie de elementos que são comuns a varias 
modalidades esportivas. Bayer (1986) foi um dos primeiros autores a desenvolver um 
conceito de ensino dos esportes a partir dos seus elementos comuns. Entre estes foram 
considerados: a bola ou elemento do jogo; o espaço de jogo, isto é o terreno de jogo, o campo 
de jogo com suas marcações; o objetivo do jogo (gol-ponto); os colegas; os adversários; que 
devem respeitar determinadas regras do jogo que pela sua vez são controlados por um arbitro 
/ mediador; jogo no qual se pode ter a presença de um público. Estes são os elementos 
comuns nos esportes considerando seus aspectos organizacionais. Mas temos outro aspecto 
que é fundamental no esporte que também se apresenta em um jogo: a situação, o marco 
situacional, ou seja, o contexto ambiental em que as ações serão realizadas. Considerar este 
aspecto implica que sejam tomadas decisões, realizadas escolhas. Portanto, em todo jogo bem 
como nos esportes se solicitam os processos cognitivos de atenção, antecipação, percepção, 
memória/conhecimento, pensamento, tomada de decisão, inteligência... 
Segundo Guia, Ferreira & Peixoto (2004), um JEC “apresenta um conjunto de indivíduos 
em interação mútua, com relações einterpelações coerentes e consequentes, com objetivos 
convencionados e funções específicas definidas”. 
 
No esporte ainda se devem considerar as situações em que um participante está em ataque 
ou em defesa, assim sendo, os Jogos de Inteligência e Criatividade Tática deveriam 
apresentar: 
 
 Jogos onde se tenham 2 / 3 elementos do jogo. (defesa / ataque e retorno / CA) 
 Jogos onde existam variações de situações. 
 Jogos onde se tenha diversidade e complexidade da Atenção / Percepção. 
 Jogos onde se tenha diversidade e complexidade de decisões. 
 
 
Nos Jogos de Inteligência e Criatividade tática é necessário a captação da informação 
relativa a particularidade da situação, para a concretude da tomada de decisão. Na situação de 
jogo para encontrar a solução ao problema que se defronta é preciso agir de modo contrário a 
previsibilidade, isto significa muitas vezes que a criança deve criar soluções para se “adaptar” 
a imprevisibilidade do jogo. Portanto os processos cognitivos são solicitados a contribuir na 
resolução de problemas presentes no contexto do jogo, via a execução de uma habilidade 
motora (GARGANTA, 1998, 2002, 2005; 2006; GARGANTA, GREGHAINE, 1999; 
MESQUITA, 2005; MATIAS; LIMA; GRECO, 2012). 
 
 
5. Considerações finais 
 
O direcionamento do processo de ensino descrito neste texto se apóia no conceito de 
oportunizar a aluno vivencias de movimentos, formas de aprendizagem incidental. Porém de 
uma forma sistematicamente planejada pelo professor de forma intencional, consciente, 
direcionada a promover a interação entre “como ensinar o esporte” e “ensinar por meio do 
esporte” de forma a ensinar mais do que esporte. 
Assim, no texto resgata-se a importância do jogo, do jogar, daquelas formas que a 
criança vivenciava na rua com seus colegas ou como era na várzea. Considera-se nestas 
propostas (IEU – Escola da Bola), que o tipo e qualidade da realização dos movimentos 
(técnicas) não são o tema central do processo de aprendizagem. Logo, a maior relevância 
descrita pelos mesmos é "jogar para aprender em primeiro momento e aprender jogando em 
segundo momento, sendo seguidos de um”. 
Ambas as propostas visam oportunizar que a criança aprenda rápida e adequadamente 
os conteúdos táticos das modalidades esportivas e suas regras táticas básicas, porém não pela 
via da repetição de driles, exercícios e jogadas programadas. O aprendizado por meio de 
“jogos para desenvolvimento da inteligência tática”, de “Estruturas Funcionais” gerais 
primeiro e direcionadas posteriormente com a orientação do professor, oportunizam que o 
praticante jogue de forma variada e lhe seja solicitado uma adequada solução a cada uma das 
situações de jogo que defronta. Constrói-se assim uma passagem das formas de aprendizagem 
incidental para os métodos de aprendizagem intencional-formal. Ao jogar as crianças estão 
aprendendo por meio da transformação dos jogos e das atividades em experiências, vivencias 
que ficam na sua memória. Conforme o momento e a situação experimentada elaboram 
informações do ambiente, ou seja, decorrem mentalmente processos perceptivos e decisórios, 
que se relacionam com a cognição e a ação. 
Na escola, especificamente na disciplina de Educação Física, é fundamental 
proporcionar aos alunos meios para desenvolverem seu conhecimento esportivo, 
oportunizando a apropriação de uma cultura esportiva. Toda metodologia de ensino deve estar 
integrada em um Sistema de Formação e Treinamento Esportivo. 
Os princípios para uma proposta integrada para a Iniciação Esportiva seguem os 
conceitos de “jogar para aprender, aprender jogando”. O desenvolvimento da capacidade de 
jogo se inicia com a aprendizagem tática. Jogar é um evento dinâmico que requer 
conhecimento tático, solicitando certa qualidade técnica. Há características táticas similares 
entre as modalidades esportivas, mesmo que a solicitação de técnicas de gestos motores seja 
especificas a cada uma delas. Esse aspecto revela a importância do desenvolvimento das 
capacidades coordenativas e das habilidades técnicas que servem de base motora para a 
realização da técnica especifica em estádios mais avançados, bem como facilitam a tomada de 
decisão tática no jogo. Assim, através do jogar, almeja-se construir alternativas para que as 
crianças/adolescentes aprendam a ser, a fazer, a conhecer e a conviver. 
Ainda se tem muito a percorrer na Educação Física e particularmente na Iniciação 
Esportiva. Como já colocara em outros trabalhos, para alguns “ser professor é fácil, ser um 
bom professor solicita coragem, dedicação, tempo, estudo e, principalmente, o desejo de se 
sentir realizado somente ao ver o progresso dos seus alunos” (GRECO, SILVA, SANTOS, 
2009). 
Assim, no ensino dos esportes, e particularmente dos Jogos Esportivos Coletivos é 
preciso elaborar propostas pedagógicas inter e transdisciplinares das modalidades que 
integrem os aspectos comuns aos Jogos Esportivos Coletivos, por exemplo, os presentes na 
inter-relação da tríade tempo-espaço-situação relativo ao momento tático do jogo. Estas 
propostas de ensino-aprendizagem-treinamento devem considerar os componentes estruturais 
(numero de jogadores) e funcionais (ataque–defesa) dos Jogos Esportivos Coletivos, 
relacionando os métodos de ensino-aprendizagem-treinamento, com o desenvolvimento das 
capacidades inerentes ao rendimento esportivo em seus diferentes níveis de manifestação. 
Requer o conhecimento das concepções pedagógicas existentes, que se apóiem em uma 
plataforma teórica ampla. 
 
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Endereço para correspondência: 
Pablo Juan Greco 
Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) 
Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional (EEFFTO) 
Centro de Estudos de Cognição e Ação (CECA) 
Av. Antônio Carlos, 6627, Campus UFMG Pampulha 
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil 
CEP: 31270-901 / Telefone: (31) 3409-23.29 
Email: grecopj@ufmg.br 
 
 
14.° CONEX – Apresentação Oral – Resumo Expandido - ISSN 2238-9113 1 
ISSN 2238-9113 
ÁREA TEMÁTICA: (marque uma das opções) 
 
( ) COMUNICAÇÃO 
( ) CULTURA 
( ) DIREITOS HUMANOS E JUSTIÇA 
(X ) EDUCAÇÃO 
( ) MEIO AMBIENTE 
( ) SAÚDE 
( ) TRABALHO 
( ) TECNOLOGIA 
 
 
O ENSINO DO FUTSAL ATRAVÉS DA METODOLOGIA DA INICIAÇÃO ESPORTIVA UNIVERSAL: 
UMA APLICAÇÃO PRÁTICA 
Claudia Moraes E Silva Pereira (claudiamoraesuepg@gmail.com) 
Alfredo César Antunes (alfredo.cesar@hotmail.com) 
 
RESUMO – O trabalho objetiva descrever a experiência obtida na modalidade de futsal do Projeto de Extensão 
“Escola de Esportes: Centro de Iniciação e Pedagogia do Esporte” através da aplicação da metodologia de 
trabalho de Iniciação Esportiva Universal (IEU) elaborada por Greco e Benda (1998). A pesquisa contribui com 
a avaliação do trabalho desenvolvido por professores e acadêmicos do curso que atuam na área de iniciação 
esportiva. Foi utilizado o relato de experiência para atingir a análise referente à avaliação. Nesse aspecto, os 
pontos positivos atingidos foram a melhora motora e técnica dos alunos do Projeto na modalidade de futsal bem 
como a importância de se trabalhar com um norte metodológico tal qual se coloca a metodologia da IEU. Como 
pontos negativos foi apontada a necessidade de um maior planejamento das atividades, assim como o 
aprofundamento teórico sobre a metodologia. Este aspecto, se transformado, pode contribuir para maiores 
resultados efetivos futuramente. 
 
 
 
PALAVRAS-CHAVE – Pedagogia do Esporte. Metodologia. Iniciação Esportiva. Futsal. 
 
 
 
Introdução 
 
A Pedagogia do Esporte é uma linha de pesquisa dentro da área de Educação Física 
que objetiva formular e debater formas de trabalho com o esporte no processo de iniciação 
esportiva de crianças e adolescentes. Entende o esporte como um fenômeno sociocultural, 
plural e complexo, indo além da compreensão do mesmo como prática esportivizada, voltado 
apenas para o desenvolvimento de gestos técnicos, restrito em suas possibilidades de 
aplicação (PAES; BALBINO, 2005). 
O trabalho com a Pedagogia do Esporte fundamenta-se em três pressupostos. O 
primeiro refere-se à função educacional do esporte, no sentido de utilizar o esporte como 
conteúdo e ferramenta para a formação de sujeitos. O segundo ponto relaciona-se ao foco de 
trabalho, o qual se volta inteiramente em quem joga, isto é, o indivíduo praticante de 
14.° CONEX – Apresentação Oral – Resumo Expandido - ISSN 2238-9113 2 
determinada modalidade. E, por fim, o deslocamento das discussões das sequências 
pedagógicas previamente estipuladas para o âmbito dos procedimentos pedagógicos 
(metodológicos e socioeducativos), ou seja, nas formas de ensinar o ensino do esporte, 
levando em consideração diversos fatores sociais, culturais e motores presentes no grupo 
trabalhado (PAES; BALBINO, 2005). 
Neste aspecto, o trabalho apresenta um relato de experiência do Projeto de Extensão 
“Escola de Esportes: Centro de Iniciação e Pedagogia do Esporte” do curso de Educação 
Física da Universidade Estadual de Ponta Grossa, na modalidade de futsal, no ano de 2015. 
Neste, utilizamos como metodologia de trabalho a Iniciação Esportiva Universal (IEU) 
formulada por Juan Pablo Greco e Rodolfo Novellino Benda, a qual se estabilizou como base 
para o processo de ensino-aprendizagem da modalidade em duas turmas participantes do 
Projeto: a primeira com idade entre 8 a 12 anos, e a segunda entre 13 e 17 anos. 
O Projeto tem por objetivo proporcionar experiências em diversas modalidades 
esportivas e também contribuir para um desenvolvimento da melhoria das habilidades e das 
capacidades motoras de crianças e adolescentes. É um projeto de iniciação esportiva que visa 
aproximar a comunidade para a prática esportiva. 
 
Objetivos 
 
O objetivo do presente trabalho é descrever a experiência obtida na modalidade de 
futsal do Projeto de Extensão “Escola de Esportes: Centro de Iniciação e Pedagogia do 
Esporte” através da aplicação da metodologia de trabalho de Iniciação Esportiva Universal. 
Ainda, busca elencar os pontos positivos e negativos que surgem no decorrer do 
desenvolvimento da mesma e no processo de ensino-aprendizagem de crianças e adolescentes 
participantes do projeto. 
 
 
Referencial teórico-metodológico 
 
A abordagem da Iniciação Esportiva Universal visa a melhoria sistemática, 
planejada, consciente e duradoura do nível de desempenho em qualquer atividade esportiva e 
do cotidiano. Greco, Benda (2007) apontam que o sistema de formação esportiva é formado 
por quatro estruturas: administrativa, instituições, áreas de aplicação, conteúdos e temporal. 
Para nosso trabalho, centramos na estrutura temporal, a qual “abrange uma sequência de fases 
e momentos que caracterizam e compõe os diferentes níveis de rendimento esportivo, 
14.° CONEX – Apresentação Oral – Resumo Expandido - ISSN 2238-9113 3 
conforme as diferentes faixas etárias e acervo de experiência” (GRECO, BENDA, RIBAS, 
2007, p. 63). 
O objetivo desta fase é facilitar o desenvolvimento posterior de habilidades 
esportivas complexas, necessárias para se alcançar êxito na atividade esportiva. Portanto, 
Greco, Benda e Ribas (2007, p. 64) trabalham com o conceito de ensino-aprendizagem-
treinamento (EAT) por considerar “que não existe treinamento sem a fase de ensino-
aprendizagem, e não é possível ensinar-aprender sem proceder ao treinamento daquilo que foi 
ensinado-aprendido”. 
Preocupados com a especialização precoce e a aplicação de atividades de alto 
rendimento para crianças em processo de desenvolvimento, os autores criticam as etapas de 
desenvolvimento pautadas em Principiante, Avançado e Alto Nível. Tal denominação não 
define de forma precisa o processo de treinamento. Portanto reforçam a ideia de se trabalhar 
em torno ao conceito de ensino-aprendizagem-treinamento. 
Nós aceitamos o treinamento com crianças e adolescentes como um passo dentro do 
processo de ensino-aprendizagem-treinamento e não com o objetivo de atingir altos 
rendimentos. Treinamento com crianças e adolescentes é treinamento de formação, 
de preparação para uma vida salutar, onde a atividade física é um meio que o 
indivíduo conscientizou. (GRECO, BENDA, RIBAS, 2007, p. 65) 
 
Dessa forma, o processo deensino-aprendizagem-treinamento é um processo 
complexo e planejado para a melhora do rendimento e produção de adaptações morfológicas e 
funcionais. O treinamento deve ser entendido como uma orientação do desenvolvimento de 
suas capacidades sem especificidade da modalidade esportiva. Deve buscar uma quantidade 
variada e criativa de experiências de movimentos em todas as áreas (GRECO, 2001). 
A estrutura temporal divide-se em 9 fases que adequam os conteúdos a serem 
desenvolvidos, considerando que o processo de ensino-aprendizagem-treinamento deve inter-
relacionar com alternativas pedagógicas. Inicia-se com o desenvolvimento da coordenação 
para posteriormente desenvolver a técnica esportiva (GRECO, 2001). 
As fases se dividem em: Pré-escolar (3 a 6 anos); Fase Universal (6 a 12 anos); Fase 
de Orientação (13 a 14 anos); Fase de Direção (14 a 16 anos); Fase de Especialização (16 a 18 
anos); Fase de Recreação e Saúde (16 anos); Fase de Aproximação/Integração (18 a 21 anos); 
Fase de Alto Nível (21 anos); Fase de Readaptação (a partir dos 18 anos) (GRECO, BENDA, 
RIBAS, 2007). 
Abaixo reproduzimos o esquema apresentado pelos autores o qual facilita o 
entendimento das fases de ensino-aprendizagem-treinamento expostos pela metodologia da 
Iniciação Esportiva Universal. 
14.° CONEX – Apresentação Oral – Resumo Expandido - ISSN 2238-9113 4 
Figura 1 – Fases de níveis de rendimento esportivo 
 
Fonte: GRECO, BENDA, 1998. 
 
Até os 12 anos, o aprendizado acontece pelo desenvolvimento de capacidades 
coordenativas, com a presença forte do lúdico. Como ferramentas de trabalho é indicado a 
utilização de jogos de perseguição e estafetas, jogos reduzidos, iniciação às técnicas e táticas 
nos esportes. Dos 12 aos 16 anos é a fase de correção dos erros técnicos no intuito de ampliar 
o repertório motor. O jogo de futsal, por exemplo, pode ser utilizado de maneira recreativa e 
educativa, base para a ação motora inteligente. Atividades com situações reais de jogo são 
utilizadas no treinamento tais como ataques e contra-ataques. A partir dos 16 anos o aluno 
poderá optar, de acordo com seu estágio de desenvolvimento, entre o esporte de alto nível ou 
recreacional, pois a base motora está totalmente formada. Aperfeiçoa-se o potencial físico, 
técnico e tático para possíveis competições (GRECO, BENDA, 1998). 
Assim, a metodologia de trabalho da Iniciação Esportiva Universal fundamenta os 
trabalhos na modalidade de futsal com crianças e adolescentes participantes do Projeto de 
Extensão “Escola de Esportes: Centro de Iniciação e Pedagogia do Esporte”. No próximo 
tópico abordamos alguns resultados alcançados através da experiência realizada no ano de 
2015, tais quais nos fazem refletir sobre a importância do planejamento no ensino do futsal 
dentro a metodologia abordada. 
 
Resultados 
 
A modalidade de futsal do Projeto Escola do Esporte é uma das atividades que 
apresentam maior quantidade de participantes. Em 2015 a participação totalizou 
aproximadamente 80 participantes. A faixa etária atendida pela modalidade é de 8 a 17 anos. 
14.° CONEX – Apresentação Oral – Resumo Expandido - ISSN 2238-9113 5 
Foram formadas duas turmas para o ensino da modalidade: uma turma com alunos entre 8 e 
12 anos e outra com alunos entre 13 e 17 anos. 
As aulas aconteciam nas dependências do departamento de Educação Física, no 
Ginásio de Esportes da UEPG. Eram ofertadas em dois dias da semana: terça-feira e quinta-
feira, nos horários entre 13:30 e 16:00hrs. Acadêmicos do curso, juntamente com a supervisão 
dos professores responsáveis pelo projeto, elaboraram e aplicaram as aulas planejadas com 
base na metodologia da Iniciação Esportiva Universal. 
Nos treinamentos de crianças até 12 anos, o trabalho desenvolvido era mais voltado à 
coordenação e contato com a bola, com um aspecto mais recreativo. A iniciação ao esporte 
acontece de forma lúdica, com perspectiva do desenvolvimento dos fundamentos básicos 
como, por exemplo, os elementos técnicos. No início do treino era aplicado um aquecimento 
lúdico, passando para o alongamento, atividades relacionadas aos fundamentos e a finalização 
em alguns minutos de jogo coletivo. A cada dia o fundamento trabalhado se diversificava para 
contemplar o maior número de fundamentos do futsal possíveis. 
Nos treinos com alunos a partir de 13 anos ocorre uma alteração na perspectiva de 
trabalho, em função da abordagem que a Iniciação Universal se configura. O objetivo se 
aproxima ao treinamento e a especialização nas técnicas e táticas do futsal. Nos treinos, 
inicialmente iniciávamos um trabalho de treinamento da parte técnica e tática, para, 
posteriormente, aplicar situações próximas ao jogo ou o jogo propriamente dito. Os 
fundamentos do futsal trabalhados tecnicamente e taticamente foram: passe, domínio, chute, 
drible, condução. Todos foram abordados durante o ano sempre com persistência dos 
treinadores para um melhor aproveitamento. 
Foi possível observar uma melhora física e motora comparado ao início do projeto, 
bem como nas relações interpessoais entre os participantes. Porém, como pontos negativos e 
possíveis de transformações foi identificado uma dificuldade de relacionar a teoria com a 
prática, que pode ser resolvida com maiores estudos e planejamentos. 
Durante o trabalho desenvolvido percebemos avanços em diversos aspectos o que 
contribuiu para o desenvolvimento das crianças e dos adolescentes nesta modalidade 
esportiva. Realizamos alguns amistosos com o objetivo de verificar os ensinamentos 
trabalhados e situações reais de jogo. Vale ressaltar que a metodologia escolhida contribuiu 
para o processo de ensino-aprendizagem-treinamento no futsal, porém percebemos que há a 
necessidade de um trabalho maior no planejamento das atividades para que possamos alcançar 
resultados mais efetivos. 
 
14.° CONEX – Apresentação Oral – Resumo Expandido - ISSN 2238-9113 6 
Considerações Finais 
 
A metodologia de Iniciação Esportiva Universal contribui de forma efetiva para o 
processo de ensino-aprendizagem-treinamento com crianças e adolescentes vinculados ao 
Projeto. Neste aspecto, consideramos que o aprofundamento na teoria abordada é de extrema 
importância na condução de um trabalho efetivo de desenvolvimento motor. 
O planejamento de atividades torna-se imprescindível no tocante à realização do 
Projeto, já que um bom trabalho pressupõe um bom planejamento. A partir disso, a facilidade 
em atingir resultados positivos pode ser constante. 
Assim, o Projeto de Extensão “Escola de Esportes: Centro de Iniciação e Pedagogia 
do Esporte”, tendo como norte a metodologia de Iniciação Esportiva Universal, contribui com 
o atendimento de crianças e adolescentes que buscam a inserção em alguma atividade 
esportiva, colaborando com o desenvolvimento física, motor e técnico dos indivíduos na 
modalidade de futsal. 
 
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Validação de protocolo de categorização de metodologias de 
ensino nos esportes coletivos com base na IniciaçãoEsportiva
Universal - uma escola da bola: exemplo do futebol
Validación del protocolo para la clasificación de las metodologías de enseñanza en los deportes de
 equipo basado en Iniciación Deportiva Universal - una escuela de la pelota: un ejemplo en el fútbol
 
* Mestrando do Programa de Pós-graduação em Ciências do Esporte da
UFMG. Membro do Centro de Estudos de Cognição e Ação (CECA)
** Graduandos da Escola de Educação Física, Fisioterapia
e Terapia Ocupacional da UFMG. Membros do CECA
*** Mestre em Ciências do Esporte (UFMG) (2009). Membro do CECA.
**** Professor Adjunto da Escola de Educação Física, Fisioterapia
e Terapia Ocupacional da UFMG. Doutor em Psicologia Educacional (Unicamp, 1995)
Coordenador do CECA
Vinícius de Oliveira Viana Soares*
Humberto Felipe de Sousa Santos**
Marcelo Rochael de Melo Lima**
Layla Maria Campos Aburachid***
Pablo Juan Greco****
viniciusovsoares@yahoo.com.br
 
 
 
 
Resumo
 A categorização dos conteúdos do treino esportivo permite descrever e analisar a estrutura de sessões em semanas típicas de treinamento, e paralelamente,
controlar o método de ensino utilizado em uma determinada população, de forma a regular o processo de treinamento. Os objetivos do presente estudo foram adaptar
e validar um protocolo de categorização de metodologias de ensino nos jogos esportivos ao exemplo do futebol, com base em trabalho desenvolvido por Stefanello
(1999) e Saad (2002), mas adaptado ao referencial teórico presente na proposta da Iniciação Esportiva Universal - uma escola da bola (Greco, Silva, 2009). A validação
seguiu os procedimentos sugeridos na psicometria, em relação ao Coeficiente de Validade do Conteúdo (CVC) proposto por Hernández-Nieto (2002) e Balbinotti et al.
(2006) para os critérios: clareza de linguagem, relevância ecológica e representatividade dos itens. Os resultados sugerem um número satisfatório de itens validados,
levando-se em conta os itens segmentos do treino, tipos de segmentos de treino e níveis que detalham cada tipo de segmento do treino.
 Unitermos: Categorização. Treinamento. Futebol
 
 Apoio: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ): processo nº 485989/2007-7
 
 
http://www.efdeportes.com/ Revista Digital - Buenos Aires - Año 15 - Nº 144 - Mayo de 2010
1 / 1
Introdução
 A observação sistemática ou categorização das sessões de treinamento é o processo metodológico para a verificação empírica da
organização do treino esportivo. Um dos primeiros estudos concebidos na área foi o trabalho de doutoramento de Stefanello (1999),
posteriormente aplicado e adaptado ao futsal por Saad (2002), e Moreira e Greco (2005). Seguem-se a eles estudos aplicando a essa
metodologia observacional em diferentes níveis de prática esportiva em instituições diversas, como, por exemplo, equipes esportivas,
escolas e “escolinhas” de diferentes modalidades, conforme pode ser visualizado na tabela 1.
Tabela 1. Pesquisas brasileiras relevantes no âmbito da estruturação e organização de sessões de treinamento e métodos de E-A-T técnico-tático
Autores/Ano Modalidade Amostra Objetivo da Pesquisa
Tipo de
protocolo
Ramos,
Nascimento e
Graça (2009)
Basquetebol
Treinador de
basquetebol
Descrever a forma como um
treinador representa seu
programa de treinamento na
formação desportiva de jovens,
relativamente aos propósitos,
às estratégias, aos modelos
curriculares e às aprendizagens
dos jogadores.
Entrevistas
semi-
estruturadas;
observação
sistemática
das sessões de
treino; análise
de
documentos e
anotações
pessoais;
procedimentos
de estimulação
de memória
Collet,
Donegá,
nascimento
(2009)
Voleibol
Jogadores e
treinadores de
voleibol
Caracterizar a organização
pedagógica do processo E-A-T
Stefanello
(1999)
http://www.efdeportes.com/
https://www.googleadservices.com/pagead/aclk?sa=L&ai=C1Ru5as6VY5vIE_DM998PgIuqKOqkzetspNXUmcMNrqmk_PYdEAEg4u-BAmDNyLKPpAOgAbb_v_0CyAEBqQJi5PVSEZeoPqgDAaoE3AFP0KOVgpX8VftyE-gI2htWVLjs5cbr-aeq3PVliTPT8rkGI-yGI6YSpY60pbGrl_VGc72vwa-79C7GyaSeLv2jzBknmpGRwjdbKvwK75c6OzZG3KlmKcw1oFgrmSfrH7RdkB_nKETyMfaL2m1ZinHHC06rFxEqOm7jrRk6202noBg18MjCe7eF1TLfk-vQry2adY-0VOMmVihrYKiIX1KFHMUVUOqt2EowQDzegEHNFXXA6X4Hth9UCQhTfBy_n0xWE4i2VPFHQ1vzqLsvVvM9PiTo569qifw_oR8_wAS9jKyErQOQBgGAB7KAwIIBiAcBkAcCqAeOzhuoB5PYG6gH7paxAqgH_p6xAqgHpKOxAqgH1ckbqAemvhuoB5oGqAfz0RuoB5bYG6gHqpuxAqgH_56xAqgH35-xAtgHAdIIEggAEAIYGjIBADoHn8CAgICABLEJtG-7oo0tDHKACgGYCwHICwG4DAHYEw2IFBDQFQGYFgH4FgGAFwE&ae=1&num=1&cid=CAQSQwDq26N9uvkShu3kkeFAce2miiAmm8J0KrXG0i82cjYP6XOcJ21kzi6z3fu8DlKlVHeccRN1DQbh17P_NSY3u2HrnFsYASAT&sig=AOD64_07wkQm6R-nArytinpgf569Z_xcLA&client=ca-pub-7621742700180041&nb=8&adurl=https://streamyard.com%3Futm_source%3Dgoogle%26utm_medium%3Dcpc%26utm_campaign%3D2-display%26utm_content%3D115167921725%26utm_term%3D%26gclid%3DCj0KCQiAnNacBhDvARIsABnDa6-q3R8NyTlriyyVpKyoqB97AFG03FLpxGqoIMoIgCtHxTTDv-GljosaAhDjEALw_wcB
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mailto:viniciusovsoares@yahoo.com.br
http://www.efdeportes.com/
Morales, Silva,
Matias, Reis,
Greco (2009)
Basquetebol
Praticantes de
mini-
basquetebol
Analisar e caracterizar as
metodologias empregadas no
processo de E-A-T técnico-
tático no mini-basquetebol
Stefanello
(1999)
Silva e Greco
(2009)
Futsal
Equipes de
futsal
Verificar a influencia de
métodos de ensino-
aprendizagem-treinamento (E-
A-T) com o desenvolvimento do
conhecimento tático processual
divergente (criatividade) e
convergente (inteligência)
Saad (2002)
Collet,
Nascimento e
Santos (2008)
Hóquei de
Grama
Atletas de
Hóquei sobre
Grama
Analisar os exercícios técnico-
táticos empregados no
processo de treinamento
Saad (2002)
Morales e
Greco (2007)
Basquetebol
40 praticantes
de mini-
basquetebol
Observar e descrever o
processo de E-A-T técnico-
tático aplicado no basquetebol
e sua influência no nívele outros profissionais da equipe pedagógica quanto ao desenvolvimento social dos 
alunos, que terão a oportunidade através deste mesmo método, de compartilhar conhecimentos e 
experiências através de movimentos diversificados, criando-se na escola um ambiente democrático e 
formador de pessoas ativas, críticas e responsáveis. 
 INICIAÇÃO ESPORTIVA UNIVERSAL: INSTITUIÇÕES DE ENSINO X CLUBES 
Nos Estados Unidos, e cada vez mais em outros países industrializados, as crianças não 
brincam tanto na rua ou nos pátios como antigamente; elas jogam em times ou grupos organizados: Liga 
Infantil de beisebol, Liga Pee Wee de futebol, clubes de natação e assim por diante. Muitas crianças 
iniciam estes programas aos 6 ou 7 anos, geralmente com grande entusiasmo. Mas a participação atinge 
seu pico aos 10 ou 11 anos de idade depois declina rapidamente. Por quê? 
 
Pesquisa em Educação Física - Vol.11, n.1, 2012 - ISSN: 1981-4313 38 
Os treinadores amadores geralmente não conhecem bem as habilidades motoras normais para 
uma criança de 6 ou 7 anos: quando eles veem uma criança que ainda não sabe arremessar habilmente 
uma bola, ou que chuta mal, rotulam essa criança de desajeitada ou descoordenada. A partir daí, estas 
crianças perfeitamente normais quase não são colocadas para jogar, nem encorajadas. Somente as 
estrelas – as crianças com um desenvolvimento das habilidades motoras incomumente bom ou precoce 
– recebem o máximo de atenção e exercício. (GALLAHUE, 2003. cap. 12). 
De fato, 6 ou 7 anos é realmente muito cedo para a maioria das crianças começar a jogar em 
campos de tamanhos grandes ou em jogos competitivos (KOLATA, 1992). Seria muito melhor esperar 
até os 9 ou 10 anos de idade para iniciá-la em jogos competitivos, e fazer as crianças passarem os 
primeiros anos aprendendo e aperfeiçoando habilidades básicas em atividades divertidas, 
independentemente de seu nível de habilidade. Atividades que envolvam o máximo possível de 
movimento. Um especialista, Vern Seefeldt, diretor do Institute for the Study of Youth Sports na Michigan 
State University, diz: que as crianças precisam viver situações que sua participação e capacidade de 
aprender habilidades sejam maximizadas. Num jogo adulto, tentar jogar a bola de modo que o batedor 
não possa ser rebatê-la, ou chutar a bola onde ela não possa ser recuperada. Com as crianças, precisa-
se fazer exatamente o contrário (KOLATA, 1992). 
Se as crianças iniciam atividades esportivas organizadas já aos 6 ou 7 anos, as primeiras 
experiências devem ser cuidadosamente selecionadas. O futebol ou a natação são especialmente bons, 
não apenas porque todos vão fazer um exercício aeróbio, mas também porque as habilidades básicas 
estão dentro das capacidades da criança dessa idade. O beisebol, pelo contrário, não é um bom esporte 
para a criança de 6 ou 7 anos, porque requer uma verdadeira coordenação olho-mão para bater ou 
pegar a bola, e a maioria das crianças de 7 anos ainda não é proficiente nessa coordenação. 
(GALLAHUE, 2003. cap. 12) 
Sendo assim, deixar a criança experimentar vários esportes para ver qual deles ela gosta mais, e 
selecionar programas em que todas as crianças recebam treinamento e encorajamento igual e em que a 
competição seja inicialmente pouco valorizada é a proposta de universalidade esportiva. 
BENEFÍCIOS DA INSERÇÃO DO MÉTODO DE INICIAÇÃO ESPORTIVA UNIVERSAL NAS ESCOLAS 
E CLUBES 
Considerando, o crescimento da educação física no meio educacional e saúde dos estudantes 
da educação infantil ao ensino médio e a reformulação das estruturas organizacionais e pedagógicas de 
ensino e aprendizagem, esta pesquisa vem revelar os fatores positivos de uma metodologia de ensino 
que é a iniciação esportiva universal, pouco usada nas redes regulares de ensino e clubes que buscam o 
desenvolvimento integral do ser humano por meio de projetos sociais e não de busca de resultados 
imediatos. 
Com isto, por meio desta pesquisa, será mostrado um desenvolvimento sequenciado de 
aprendizagem, iniciando-se pela recreação com movimentos diversos de uma linha desenvolvimentista 
na educação infantil, logo após no ensino fundamental I, com isso enfatizando o método de iniciação 
esportiva universal e posteriormente no ensino fundamental II com o aluno tendo já certa bagagem 
motora, desenvolver o que CBC prega que são os esportes, atividades rítmicas e expressivas, ginásticas 
e danças. Por fim no ensino médio, o aluno pode tomar grande interesse pela atividade física, podendo 
optar pela busca de uma qualidade de vida, ou recorrer ao esporte de alto rendimento através do clube 
que terá um atleta desenvolvido motoramente falando em termos de experiência de movimento. 
ESPECIALIZAÇÃO PRECOCE 
Em tempos hodiernos, onde a competição impera na sociedade, e a espera por resultados 
rápidos é enorme, a iniciação esportiva vem sofrendo várias situações que vão contra os princípios 
básicos da pedagogia da iniciação desportiva, entre eles, especialização precoce, estabilização da 
aprendizagem, entre outros inúmeros fatores. 
O ensino dos esportes coletivos em processo na busca pela aprendizagem é de suma 
importância que haja uma metodologia de ensino coerente com o público-alvo, baseada em 
conhecimentos técnicos e científicos e não apenas em conhecimentos empíricos e em repetições de 
sistemas que deram certo com alguns públicos, mas que podem não dar certo em alguma população 
diferente. 
 
Coleção Pesquisa em Educação Física - Vol.11, n.1, 2012 - ISSN: 1981-4313 
39 
a) O que caracteriza uma especialização precoce? 
Segundo Marques (1991) a especialização precoce tem resultado basicamente de preocupações 
de responsáveis (treinadores, dirigentes, pais) pela preparação desportiva das crianças e jovens 
talentos, no sentido de potenciar a sua formação desportiva especializada e, com isso, obter resultados 
num determinado desporto ou especialidade desportiva de uma forma rápida. Potenciar preparação 
desportiva, isto é orientá-la de uma forma unilateral prematuramente, forçar os ritmos de incremento das 
cargas de treino, já que é sabido que a preparação multilateral não leva à obtenção de elevados 
rendimentos. A formação multilateral tem reflexos em longo prazo no rendimento e faz parte integrante 
do processo pedagógico unitário de formação e de educação no treino desportivo, mas pela sua 
orientação multivariada não cria as condições para os êxitos imediatos, numa dada disciplina. 
b) Consequências de uma especialização precoce 
As consequências deste processo e dos pressupostos que lhe estão associados - aumento das 
cargas especializadas, grande rigidez e disciplina no treino bem como a pressão das competições, em 
idades baixas estão hoje a ser estudados em alguns países e as conclusões têm sido unânimes: só uma 
percentagem muito reduzida de campeões em idades jovens chega à idade dos elevados rendimentos. 
Uma percentagem muito significativa abandona cerca dos 15/17 anos antes, portanto, de atingir a etapa 
de performances maximais (MARQUES, 1991). Os motivos avançados para o abandono são 
fundamentalmente os que resultam de uma organização muito rígida do treino – cargas excessivas e 
monótonas - e que se traduzem por estagnação dos resultados e insucesso nas competições, saturação 
do treino e aversão à prática desportiva, problemas escolares e familiares resultantes de uma 
participação tão intensa nas tarefas da preparação. 
INTERESSE PELA ATIVIDADE FÍSICA 
Segundo Thiers (1998), a liberdade do movimento é o encontro maior de todos os desejos e não 
tê-los é a ausência da vida. Se o desenvolvimento não ocorrer, poderá haver uma perda no desempenho 
das tarefas exigidas no cotidiano, e a criança poderá ficar inibida por não conseguir ter o mesmo domínio 
do colega e ter de certo modo, medo de fazer algo por falta de confiança, e ver o esporte como algo que 
a envergonhe e consequentemente não praticando. Deste modo, o risco do sedentarismo precoce 
aumenta ainda mais. 
O sedentarismo constitui um fator de riscode
rendimento do conhecimento
tático processual (CTP)
Stefanello
(1999)
Collet,
Nascimento,
Ramos e
Donegá
(2007)
Voleibol
Atletas e
treinadores de
Voleibol
Analisar o processo de ensino-
aprendizagem-treinamento do
voleibol infantil
masculino,caracterizando a
complexidade estrutural das
atividades, das tarefas e do
campo ecológico
Stefanello
(1999)
Costa, Lima,
Matias e
Greco (2007)
Voleibol
Jogadoras de
voleibol
Verificar o processo de ensino-
aprendizagem-treinamento em
uma equipe feminina de
voleibol e se esse processo
favorece o desenvolvimento
do conhecimento tático das
jogadoras
Nascimento,
Barbosa
(2000)
Ramos, Graça,
Nascimento
(2006)
Basquetebol
Estudantes
universitários de
Educação Física
Descrever as atividades de
ensino do basquetebol em
contexto escolar
Entrevista
semi-
estruturada e
observação
sistemática de
aulas
Moreira e
Greco (2005)
Futsal
Jogadores de
Futsal
Considerar a forma
metodológica de E-A-T e os
resultados da assimilação e
compreensão técnico-tático de
atletas de futsal
Saad (2002)
 A maior parte dos estudos retratados na tabela 1 relacionam-se com as modalidades basquetebol (4) e voleibol (3). Os objetivos
variam desde descrever e analisar a estrutura de sessões em semanas típicas de treinamento a outros que utilizam a categorização dos
treinamentos como uma forma de avaliação do método de ensino utilizado em sessões de treinamento. Através de um delineamento pré
e pós-teste, é possível verificar a influência dos métodos de ensino-aprendizagem-treinamento nos comportamentos técnicos e táticos.
 Os objetivos do presente estudo consistiram em adaptar e validar um protocolo de categorização de metodologias de ensino nos jogos
esportivos coletivos, ao exemplo do futebol, com base nos conceitos de Stefanello (1999) e Saad (2002). Almejaram-se validar um
número satisfatório de itens levando-se em conta os segmentos do treino, tipos de segmentos de treino e níveis que detalham os tipos de
segmento do treino.
 A busca pela validação do protocolo de categorização dos treinamentos do futebol justifica-se perante a necessidade de instrumentos
pedagógicos de avaliação de processos metodológicos e sua aplicação na área dos esportes e da Educação Física. O protocolo contribui
para o entendimento da organização e estruturação das sessões de treinamento no futebol, e a partir de então, poder determinar o
método de E-A-T predominante. O protocolo é passível de adaptação a outros jogos esportivos coletivos, o que permite continuidade dos
estudos no âmbito da categorização dos treinos.
Material e métodos
Procedimentos eticos
 Todos os peritos participantes assinaram um termo de consentimento livre e esclarecido e foram informados de que poderiam
abandonar a pesquisa ou serem excluídos da amostra, sem nenhum prejuízo.
Consolidação do conteúdo
 A proposta de categorização do treinamento é composta de itens como: identificação; complexidade estrutural da atividade;
segmentos do treino; tipo de segmento do treino; nível técnica; e nível tática. O protocolo de categorização baseia-se nas planilhas
desenvolvidas por Stefanello (1999) e Saad (2002), as que foram acrescidos conteúdos específicos da metodologia de ensino situacional,
com destaque nas propostas da Iniciação Esportiva Universal (GRECO e BENDA, 1998) e da Escola da Bola (KROGER e ROTH, 1999).
 A identificação refere-se a apontadores iniciais da equipe e treino a ser categorizado. No presente estudo sugere-se a entrada dos
dados: “nome da equipe”; “nome do treinador”; “data”; “dia da semana”; “local”; “turno”; “número da sessão de treino”; “número da
atividade em uma sessão de treino”; e “conteúdo descritivo da atividade”.
 A complexidade estrutural da atividade refere-se à estrutura participativa e relacional da sessão de treinamento (STEFANELLO, 1999).
Sugere-se, portanto, o detalhamento do “horário de início de cada atividade”, que compreende o horário em minutos e segundos de seu
inicio; a “duração da atividade”, que compreende o período de persistência temporal da atividade em uma sessão, representada em
minutos e segundos Saad, (2002); a “delimitação espacial” segundo o modelo apresentado por Garganta (1997) em que o espaço das
atividades, e no presente caso do campo de jogo, é dividido longitudinalmente por corredores e transversalmente em setores, formando
12 quadrantes; o “número de jogadores” que compreende o numero de jogadores participantes em uma sessão de treinamento; o “modo
de participação” que pode ser considerado de maneira individual, duplas, trios, pequenos grupos, grandes grupos Saad, (2002); e a
“atividade molar”, individualizada ou massificada, segundo o critério de êxito que pela sua vez podem ser diferenciados ou não (SAAD,
2002).
 Segmentos de treino representam momentos distintos do microssistema esportivo (STEFANELLO, 1999). No presente estudo os
momentos representados são: conversa com o treinador, atividade inicial, treino físico, treino técnico, treino-tático, jogo formal, e pausa.
 Os tipos de segmento do treino permitem descrever as diferentes formas de operacionalização do processo instrucional. Assim, não
basta saber, por exemplo, que o treino aplicado é um treino “técnico”, que visa desenvolver a competência do individuo em solucionar
questões motoras específicas do esporte através das capacidades coordenativas e técnico-motoras (GRECO, 1998). É preciso determinar
se o treinamento técnico aplicado é de exercícios isolados, exercícios combinados, exercícios aplicados, ou jogos aplicados, classificações
derivadas de proposta formulada por (ROTH e HOSSNER, 1997).
 Os níveis do segmento do treino são os padrões, estágios do treinamento e/ou formas operacionais dos tipos de segmento do treino,
que uma vez percebidas, permitem uma categorização mais detalhada da atividade. Assim, não basta saber, por exemplo, que o treino
aplicado é um treino “técnico” do tipo “exercício aplicado”, em que exercícios com atenção direcionada a pontos chaves do movimento ou
funções específicas da ação em situações de estresse psíquico, físico, competitivo, ou de percepção modificada do ambiente (ROTH e
HOSSNER, 1997). É preciso especificar a “habilidade técnica” utilizada (no caso do futebol, condução; passe; chute; drible; recepção;
cabeceio; proteção da bola); e as “tarefas e tipos de habilidades” (simplificação; repetição; desviar a atenção; dirigir a atenção),
entendidas como alternativas para caracterização dos métodos de treinamento técnico segundo a fase de aprendizado no plano dos
objetivos e dos conteúdos (HOSSNER e ROTH, 1997).
 Todos os segmentos do treino, tipo de segmento do treino e níveis do segmento do treino podem ser visualizados na tabela 2. Para
atender os objetivos do estudo apresenta-se um maior detalhamento dos aspectos técnico-táticos
Segmento do
treino
Tipo de segmento do treino Nível
Conversa com o
treinador
 
Atividade inicial
Capacidade motora condicional
de resistência
 
Capacidade motora condicional
de força
Capacidade motora coordenativa
Capacidade motora mista de
velocidade
Capacidade motora mista de
flexibilidade
Jogos para desenvolver a
inteligência
Treinamento
Físico
Capacidade motora condicional
de resistência
 
Capacidade motora condicional
de força
Capacidade motora coordenativa
Capacidade motora mista de
velocidade
Capacidade motora mista de
flexibilidade
Treinamento
Técnico
Exercícios isolados Técnicas (condução; passe; chute;
drible; recepção; cabeceio; proteção
da bola)Exercícios combinados
Exercícios aplicados Tarefas e tipos de habilidades
(simplificação; repetição; desviar a
atenção;dirigir a atenção)Jogos aplicados
Treinamento
Tático
Capacidades táticas básicas
Complexidade estrutural da tarefa
tática (aquisição; fixação e
diversificação; aplicação da tática)
Condição da tarefa tática
(superioridade; igualdade; ou
inferioridade numérica do ataque)
Capacidade tática básica (acertar o
alvo; transportar a bola aoobjetivo;
reconhecer espaços; sair da
marcação; criar superioridade
numérica; superar a ação do
adversário; jogo coletivo)
Jogos para desenvolver a
inteligência
Complexidade estrutural da tarefa
tática (aquisição; fixação e
diversificação; aplicação da tática)
Condição da tarefa tática
(superioridade; igualdade; ou
inferioridade numérica do ataque)
Estruturas funcionais
Complexidade estrutural da tarefa
tática (aquisição; fixação e
diversificação; aplicação da tática)
Condição da tarefa tática
(superioridade; igualdade; ou
inferioridade numérica do ataque)
Sistematização da ação (estruturas
1x0; 1x0+c; 1x1+c; 1x1; 1x2+c; 1x2;
1x3+c; 1x3; 2x0; 2x0+c; 2x1+c; 2x1;
2x2+c; 2x2; 2x3+c; 2x3; 3x0+c;
3x1+c; 3x1; 3x2+c; 3x2; 3x3+c; 3x3)
Tática de grupo/coletiva ofensiva
(saída de bola; inversão de bola;
triangulação; ultrapassagem; jogada-
ensaiada; conta-ataque; penetração)
Tática de grupo/coletiva defensiva
(individual; zona; mista; zona
pressionante)
Jogos situacionais
Complexidade estrutural da tarefa
tática (aquisição; fixação e
diversificação; aplicação da tática)
Condição da tarefa tática
(superioridade; igualdade; ou
inferioridade numérica do ataque)
Sistematização da ação (estruturas
1x0; 1x0+c; 1x1+c; 1x1; 1x2+c; 1x2;
1x3+c; 1x3; 2x0; 2x0+c; 2x1+c; 2x1;
2x2+c; 2x2; 2x3+c; 2x3; 3x0+c;
3x1+c; 3x1; 3x2+c; 3x2; 3x3+c; 3x3)
Tática de grupo/coletiva ofensiva
(saída de bola; inversão de bola;
triangulação; ultrapassagem; jogada-
ensaiada; conta-ataque; penetração)
Tática de grupo/coletiva defensiva
(individual; zona; mista; zona
pressionante)
Jogo Formal
Livre
 
Sistema
Pausa
Recuperação ativa
 
Recuperação passiva
Procedimentos de validade de conteúdo
 A validação seguiu os procedimentos de Coeficiente de Validade do Conteúdo (CVC) propostos por Hernández-Nieto (2002) e Balbinotti
et al. (2006) para os critérios: clareza de linguagem, relevância ecológica e representatividade dos itens.
 Para a validação teórica foram implementados: na validade de conteúdo I (clareza da linguagem e relevância ecológica), um
documento com todas as definições dos segmentos de treino, tipos de segmento de treino e níveis de aplicação dos métodos de E-A-T no
futebol foram apresentados a juízes. Os peritos avaliaram conforme uma escala tipo Likert, de 1 a 5 pontos, que vai de muitíssimo
(relevante) até pouquíssimo (relevante), escrevendo o valor que melhor representa sua opinião. A “clareza de linguagem” avalia se a
linguagem usada nas definições esta clara e objetiva, proporcionando compreensão e aplicação no futebol. A “relevância ecológica” avalia
o quanto cada item reproduz realmente o que pode ocorrer durante as sessões de treinamento do futebol.
 Para a validade de conteúdo II (representatividade do item), foi elaborado um documento com toda a planilha de categorização
validada que foi apresentada em forma de segmentos de treino, tipos de segmento e níveis. Novamente os peritos avaliaram através de
uma escala tipo Likert, de 1 a 5 pontos, que vai de muitíssimo (relevante) até pouquíssimo (relevante), escrevendo o valor que melhor
representa sua opinião. A “representatividade do item” avalia se os níveis subjacentes realmente representam parâmetros que compõem
os tipos de segmento de treino.
 Solicitou-se colaboração de um total de sete (07) juízes, que segundo Ericsson, et al. (2006) assumem o conceito de indivíduo muito
habilidoso e reconhecido em um campo específico. Os peritos do estudo são estudiosos em pedagogia do esporte que trabalham com a
proposta da Iniciação Esportiva Universal - uma escola da bola enquanto referencial teórico. O critério de seleção consistia ainda em que
os mesmos não tivessem participado previamente de nenhuma parte do processo desta pesquisa, atendendo solicitações de (BALVINOTTI
ET AL, 2006). Valores de concordância ≥ 0,8 entre os peritos foram aceitos, enquanto resultados ≤ 0,7 foram classificados como
insatisfatórios, conforme sugestões de (HERNANDEZ-NIETO, 2002).
Resultados
 Os resultados do CVC foram estabelecidos de acordo com as indicações presentes na literatura na área da psicometria (PASQUALI,
1999; HERNÁNDEZ-NIETO, 2002; PASQUALI, 2007) e referenciados separadamente para cada critério nas tabelas 3, 4 e 5.
 Para a clareza de linguagem os resultados de CVCc foram superiores a 0,80 em todos os 88 itens (100%). O valor da validade de
conteúdo atingido, representado por um CVCt = 0,961.
 Para a relevância ecológica 85 itens (96%) obtiveram valores de CVCc superiores a 0,80. 3 itens (4%) obtiveram valores críticos entre
0.71 e 0.79 no CVCc, sendo: itens 65, 66, e 80. O CVCt alcançado foi de 0,949.
 Para a representatividade do item 30 dos 33 itens (91%) obtiveram CVCc superior a 0,80. Entretanto, 3 itens (9%) obtiveram valores
críticos entre 0.71 e 0.79 no CVCc, sendo: itens 3,5, e 30. A validade de conteúdo foi dada por um CVCt = 0,937.
Discussão
 Um número satisfatório de itens foram validados, levando-se em conta os segmentos do treino, tipos de segmentos de treino e níveis
que detalham os tipos de segmento do treino.
 Os valores superiores a 0,80 alcançados pelo CVCc de cada item no critério clareza de linguagem, resultando em um CVCt = 0961
indica que a linguagem usada nas definições está clara e objetiva, proporcionando compreensão e aplicação no futebol. Esse quesito é
importante para garantir um padrão de utilização em futuras categorizações do treinamento, o que permitirá encontrar fidedignidade das
observações intra e inter-avaliadores.
 Para a “relevância ecológica” o objetivo de avaliar o quanto cada item reproduz realmente pode ocorrer durante as sessões de
treinamento do futebol teve resultados satisfatórios em 96% dos itens. Apenas as sistematizações da ação em “3x0+c”, “3x1+c”; e a
tática de grupo coletiva defensiva em “zona” obtiveram resultados inferiores a 0,80, considerada a mínima para a validação.
 A representatividade do item avalia se os níveis subjacentes realmente representam parâmetros que compõem os tipos de segmento
de treino ou se ele deveria ser alocado em outro local na planilha, ou seja, em outro parâmetro. Destaca-se que os treinos de força e
velocidade não foram aceitos enquanto atividades iniciais do treinamento, pois não são atividades relacionadas a esse momento na
estrutura de uma sessão conforme o referencial teórico proposto na Iniciação Esportiva Universal - uma escola da bola, sendo, portanto,
alocados exclusivamente nos treinos físicos. O jogo formal livre, representado pelo jogo de futebol com todas as suas regras e normas
orientadoras, mas sem que o treinador interfira de maneira regular e sistemática no jogo, não pode ser alocado em outro parâmetro e
acabou por ser excluído da planilha final.
 Conclui-se assim que o método de CVC pode auxiliar na construção e validação de uma planilha de categorização dos treinamentos em
futebol, e que os métodos de ensino adotados como conteúdo na construção do protocolo se faz pertinente segundo peritos em
pedagogia do esporte.
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em 40 Anos de CBCE
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Larissa Lara
Pedro Athayde
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S É R I E
40 ANOS
Treinamento esportivo: 
um olhar multidisciplinar
Volume 12 
43
C A P Í T U L O
Vinte anos de iniciação esportiva universal: 
o conceito de jogar para aprender e aprender jogando, 
um pedagógico ABC-D
Pablo Juan Greco 
Gibson Moreira Praça
Juan Carlos Pérez Morales
Layla Maria Campos Aburachid
Schelyne Ribas
A revolução dos modelos de ensino-aprendizagem na década de 70-80
No início dos anos oitenta, uma publicação revolucionou a concep-
ção pedagógica do ensino das modalidades esportivas. Repensar os méto-
dos de ensino-aprendizagem se constituía no ‘leitmotiv’ (motivo condu-
tor) apresentado por Bunker e Th orpe (1982), denominado de Teaching 
Games for Understanding (TGfU) (traduzido livremente como ‘ensino do 
jogo pela compreensão’) que se consolida com o texto de Almond (1986). 
Concretamente, se propõe a passagem de um pensamento de ensino cen-
trado na tarefa (método analítico), para um centrado no aluno (HOPPER, 
2002), de uma progressão da tática para a técnica (BUNKER; THORPE, 
1982; GRIFFIN; MITCHELL; OSLIN, 1997; ALMOND, 1986), de uma 
ênfase (vital diferença) na compreensão tática TGfU, partir da compreensão 
(conhecimento tático declarativo), para a projeção de dois aspectos centrais, 
conforme destaca Almond (2015): os conceitos de ‘compreensão do jogo’ 
(por exemplo, como trabalhar em equipe e pela equipe), e de ‘compreensão 
no jogo’ (por exemplo, a necessidade de aprender a superar os adversários, 
entre outros). A ação do professor objetiva questionar, demandar do aluno 
via análise da situação de jogo a relação entre ‘o que fazer’, ‘por que’ e poste-
riormente ‘como fazer’. O TGfU evidencia-se como concepção mais ampla 
que simplesmente focar na tática, relaciona-se com a necessária percepção do 
educador relativa às difi culdades do aluno para, não somente compreender, 
3
44
Pablo Juan Greco - Gibson Moreira Praça - Juan Carlos Pérez Morales - Layla Maria Campos Aburachid - 
Schelyne Ribas
mas também realizar, e demostrar seu conhecimento, via desempenho no 
jogo. O TGfU assume função social, via interação no grupo e da compreen-
são do esporte como meio de aprender. No TGfU o aprendiz resulta cons-
trutor ativo da própria aprendizagem. O conceito original do ensino pela 
compreensão se espalhou pelo mundo, emergiram adaptações e modifi cações 
que, apoiadas na matriz inicial, apresentam diversas interpretações e harmo-
nizações a questões culturais, etc. Entre estas propostas se destacam: o Game 
Sense (DEN DUYN, 1997), o Tactical Games Model (METZLER, 2000), 
o Play Practice (LAUNDER, 2001; LAUNDER; PILTZ, 2013), o Tactical-
decision Learning Model (GRÉHAIGNE; WALLIAN; GODBOUT, 2005), 
o Invasion Games Competence Model (TALLIR et al., 2007), o Games Concept 
Approach (MCNEILL et al., 2004), o Modelo da Educação Desportiva 
(SIEDENTOP, 1987; 1994; 1998; HASTIE; SMITH, 2006), o Modelo 
Desenvolvimentista (RINK; FRENCH; TJEERDSMA, 1996), o Modelo 
da Competência nos Jogos de Invasão (MUSCH; MERTENS, 1991) e o 
Modelo Integrado (FRENCH et al., 1996). Em português, observam-se 
a proposta de ‘Abordagem Progressiva no Voleibol’ (MESQUITA et al., 
2013) e a ‘Metodologia do Ensino dos Esportes Coletivos’ (GONZALEZ; 
BRACHT, 2012). O TGfU e o Modelo da Educação Desportiva foram as 
propostas que (timidamente) se divulgaram no Brasil. Ambas enfatizam a 
importância da sequência dos conteúdos com objetivo de engajar o prati-
cante, sua adesão, para melhoria da sua cultura esportiva e das suas práxis 
(METZLER, 2000). Ambas propostas se norteiam acentuadamentepara 
alunos a partir aproximadamente dos 12 anos de idade.
A segunda revolução na década de 90: a aprendizagem incidental jogar 
para aprender
No fi nal dos anos noventa, com base em premissas oriundas da psi-
cologia, relacionadas com as formas de aprendizagem incidental (REBER, 
1989), da relação cognição-cérebro- aprendizagem (MEMMERT, 2009; 
RAAB, 2001), das interações pessoa-tarefa-ambiente (NITSCH, 2009), 
somadas aos pressupostos do diálogo das funções executivas com a apren-
dizagem e das descobertas nas neurociências, se apresentam à comunidade 
acadêmica novos conceitos pedagógicos e metodológicos para o ensino dos 
esportes. Concretamente, as propostas denominadas de Escola da Bola (EB) 
(KRÖGER; ROTH, 2002), Escola da Bola Jogos de Raquete (ROTH; 
KRÖGER; MEMMERT, 2017), Escola da Bola Jogos de Arremesso 
(ROTH; MEMMERT; SCHUBERT, 2017), direcionam-se principalmente 
para crianças de 04-06 a 10 anos de idade, concomitante à obra intitulada 
Iniciação Esportiva Universal (IEU) (GRECO; BENDA, 1998; GRECO, 
45
Capítulo 3 – Vinte anos de iniciação esportiva universal: o conceito de jogar para aprender e aprender jogando, 
um pedagógico ABC-D
1998). Essas concepções evoluíram conceitualmente ao longo dos anos, 
contudo, seu foco permanece centrado no aluno, na aprendizagem inci-
dental, na descoberta, na integração dos processos de aprendizagem tática 
e motora, no jogar (tática) e exercitar jogando (coordenação e Famílias de 
Habilidades Esportivas), como alternativas metodológicas. As premissas 
conceituais: jogar para aprender e aprender jogando (GRECO et al., 2015) 
promovem a criatividade, amplitude e complexidade crescente da percep-
ção, produção e aumento da complexidade da busca de soluções. As idades 
sugeridas delineiam parâmetros para referenciar a práxis, variações para 
acima, ou para abaixo emergem por diferentes motivos, elas incentivam a 
ação do professor na busca das adequações necessárias. Um aspecto que as-
sume fundamental importância tanto no conceito do ensino dos jogos pela 
compreensão, quanto na proposta da aprendizagem incidental fomenta-se 
na escolha das atividades na tríade objetivos-conteúdos-método. Jogar por 
si só, pode não provocar aprendizagens. A função do professor se direciona 
conforme um ensino intencional (intencionalidade pedagógica), por meio 
da escolha de atividades que provocarão o aprendizado incidental dos alu-
nos. Aprendizado incidental depende da intencionalidade pedagógica do 
professor! 
A concepção pedagógica: jogar para aprender e aprender jogando, uma 
Iniciação Esportiva Universal (IEU)
A concepção pedagógica do modelo IEU (GRECO; BENDA, 1998; 
GRECO, 1998; GRECO; SILVA; SANTOS, 2009; GRECO et al., 2015) 
soma os postulados da Escola da Bola (EB) em interação com o desenvolvi-
mento temporal da tríade objetivos, conteúdos, métodos. Formula-se uma 
concepção de ensino-aprendizagem-treinamento, em que treinamento se 
defi ne, consonantemente com Grosser, Starischka e Zimmermann (1989), 
como um processo pedagógico, complexo, relacionado com a melhoria 
do rendimento (nas suas diferentes formas de manifestação), respeitando 
aspectos biológicos, psicológicos e pedagógicos que coadunam para con-
cretizar uma orientação psicomotora e sociocultural integrada na formação 
da personalidade.
A concepção pedagógica da IEU adota um marco poli teórico a partir 
da teoria da ação (NITSCH, 2009). Se relaciona à teoria do comportamento 
antecipativo (HOFFMAN, 1993), aos postulados da aprendizagem inci-
dental (BERRY; BROADBENT, 1984; HAYES; BROADBENT, 1988), a 
aquisição de expertise (ERICCSON, 2003), recorre-se à interação das teorias 
cognitivas (STERNBERG, 1999), com os sistemas dinâmicos (ARAÚJO, 
2005), a criatividade (GUILFORD, 1950; 1966; MEMMERT, 2007), e 
46
Pablo Juan Greco - Gibson Moreira Praça - Juan Carlos Pérez Morales - Layla Maria Campos Aburachid - 
Schelyne Ribas
fundamentalmente com a proposta da EB. Alicerça-se também em pesquisas 
de Memmert e König (2012), Raab (2003), Williams e Davis (1998), Roth 
et al. (1999), entre outros. A proposta se embasa na interação dos meca-
nismos cerebrais e a aprendizagem, ou seja, conservar-recuperar-associar 
é, portanto, aprender. Nosso cérebro é fonte de registro e integração do 
conhecimento, permite ao indivíduo atuar no mundo e adquirir consciência 
dele (MARINA, 1995). Todo sujeito se adapta conforme a dinâmica do 
processo de aprendizagem, isto é, o cérebro se modifi ca de forma constante, 
a fi m de garantir novas adaptações. 
O jogo do ABC-D na aprendizagem incidental
Na organização do processo de ensino-aprendizagem-treinamen-
to, na metáfora de uma alfabetização esportiva, de um ABC-D, a partir 
das respostas as perguntas ‘para que’, ‘por quê?’ (fi nalidade, intenciona-
lidade), se equaciona o ‘o que ensinar?’ (quais os conteúdos – estrutura 
substantiva- ‘A’), com os aspectos relacionados ao ‘quando ensinar?’ (quem 
é a pessoa, momento do seu desenvolvimento, estrutura temporal ‘B’), 
com ‘como ensinar’ (estrutura metodológica ‘C’). Essas três estruturas se 
estabelecem a partir das relações que emergem nas situações de ensino-
-aprendizagem-treinamento, metaforicamente, um jogo do ‘ABC-D’ da 
IEU. Por que Universal? Pois a proposta adota os elementos universais dos 
esportes (BAYER, 1986), se direciona ao universo dos diferentes tipos de 
esportes (invasão, rede, raquete/bastão), um axioma de respeito à cultura 
e experiência, de movimentos do iniciante. Se descarta uma sequência de 
exercícios ou de jogos previamente fabricados para que todos os realizem da 
mesma forma. Ao contrário, sugere-se que o professor adapte as atividades 
e jogos a realidade cultural e de movimentos da criança. Uma organização 
compartilhada entre professor-aluno, preconiza a variedade das atividades 
(mão-pé-raquete/bastão) em substituição a monótonas repetições, etc. O 
processo de ensino-aprendizagem centra-se no aluno, a aula se inicia com 
jogos (motivação), depois exercícios coordenativos, volta-se ao jogo. Se vei-
culam jogos reduzidos, em igualdade numérica, superioridade numérica e 
com recurso do curinga, para facilitar ao aluno a compreensão dos princí-
pios táticos comuns dos diferentes grupos ou famílias de esportes.
Postula-se uma diferenciação dos processos de jogar para apren-
der - aprendizagem incidental - e aprender jogando - metodologias ativas 
(MEMMERT; KÖNIG, 2012). O paradigma da IEU assenta-se no princí-
pio do aluno como arquiteto ativo da sua própria aprendizagem. Se fortalece 
a aquisição de experiências cooperativas, com a valorização do engajamento 
social via jogo, a experimentação de forma livre, com recurso ao resgate de 
47
Capítulo 3 – Vinte anos de iniciação esportiva universal: o conceito de jogar para aprender e aprender jogando, 
um pedagógico ABC-D
jogos da cultura popular (por exemplo, rouba bandeira), que se remode-
lam, apropriados ao nível de cada participante, com objetivo a facilitar a 
compreensão de futuros problemas específi cos do esporte. O ‘jogar para 
aprender’ demanda do professor a apresentação ao aluno de jogos em que 
o mesmo perceba sinais relevantes (por exemplo, defensor sai a marcar?), 
e que gradativamente melhore sua execução motora, complementado com 
a melhoria da coordenação e das famílias de habilidades esportivas, com 
crescente aumento da difi culdade. Se defende uma construção gradativa das 
interações entre o praticante e a bola, com o espaço, com o colega, com o 
adversário, com o contexto da situação (tomada de decisão tática). Se recorre 
aos parâmetros comuns (universais) dos jogos esportivos coletivos, a bola, 
o espaço, o objetivo do jogo (gol), os colegas, os adversários, o público, a 
arbitragem, as regras do jogo (BAYER, 1986). Nessa sequência agregou-se 
o parâmetro situacional, no intuito de caracterizar a ideia de que cada ação 
apresenta semelhanças com outras, porém ao mesmo tempo ela é única 
(GRECO, 1995).
No jogo do ABC-D da IEU, a concepção metodológica (C) se cons-
trói nas interaçõesentre os processos de aprendizagem tática ao treinamento 
tático (A), da aprendizagem perceptivo-motora ao treinamento técnico (B) e 
do treinamento técnico-tático (C). Nas práxis estes processos se relacionam 
e estimulam via Jogos de Inteligência e Criatividade Tática (JICT) (D). A 
proposta se constrói didaticamente idealizada numa sequência de alfabe-
tização esportiva, um jogo do ABC-D. Se objetiva desenvolver a ‘leitura’ 
tática do jogo (via aprendizagem tático-técnica: ‘A’), aplica-lo no jogo, ou 
seja, ‘escrever’ (via aprendizagem perceptivo-motora: ‘B’), para que o aluno 
adquira uma rica e variada ‘gramática’ de soluções e movimentos (‘A’ + ‘B’), 
que permeiem as possibilidades de prática em outros níveis de rendimento 
(‘C’). 
As estruturas de uma proposta pedagógica para ensinar intencionalmente e 
aprender incidentalmente
A fi gura 1, a seguir, representa as interações dos processos de ensi-
no-aprendizagem-treinamento (‘ABC-D’) veiculados na IEU. Essas rela-
cionam-se entre sim no contexto conceitual de jogar para aprender. Os 
denominados Jogos de Inteligência e Criatividade Tática (JICT) (‘D’), estão 
presentes em cada um dos momentos do ‘ABC-D’. Os JICT são media-
dores, facilitadores das relações entre aprendizagem tática e motora, por 
meio deles se concretiza o princípio de jogar para aprender e de aprender 
jogando. Estes jogos solicitam os processos cognitivos de percepção, atenção, 
48
Pablo Juan Greco - Gibson Moreira Praça - Juan Carlos Pérez Morales - Layla Maria Campos Aburachid - 
Schelyne Ribas
memória/conhecimento, pensamento, entre outros. Suas exigências motoras 
se destacam na coordenação. Se favorece adquirir vivências de movimentos 
inigualáveis para o desenvolvimento perceptivo motor.
Figura1 – Estrutura metodológica do jogar para aprender e aprender jogando no 
conceito da Iniciação Esportiva Universal
Fonte: (GRECO et al., 2015). 
Os Jogos de Inteligência e Criatividade Tática (JICT)
Na proposta da IEU, a criatividade se desenvolve via aprendizagem 
incidental, se torna seu conteúdo imanente. Jogar para aprender depende 
da oferta de jogos, da qualidade dos mesmos e do ‘poder’ desses em relação 
a evolução cognitiva, tática, motora, de socialização, etc. que os mesmos 
detêm. Os JICT permitem a reedição dos jogos da cultura popular, que 
as crianças praticam sem pensar no esporte (na rua, na praia, nas praças) 
e apresentam-se como possibilidades de variação com mão, pé, raquete/
bastão. Jogos tradicionais como mãe da rua ou rouba-bandeira e outros 
que são jogados nos pátios das escolas, nos momentos de diversão, prin-
cipalmente sem a presença de adultos. Propiciam o desenvolvimento de 
processos cognitivos (percepção, atenção, tomada de decisão) e motores, o 
que os confi gura como vetores motivacionais. Se relacionam com as capa-
cidades técnico-táticas individuais, com as habilidades motoras, favorecem 
a motivação, demandam a coordenação individual, com o colega, com o 
material, adversário, favorecem o desenvolvimento da atenção (pelo amplo 
foco que apresentam), e do pensamento divergente (buscar soluções as si-
tuações de jogo), encorajam, a percepção livre, complexidade e diversidade 
da percepção.
49
Capítulo 3 – Vinte anos de iniciação esportiva universal: o conceito de jogar para aprender e aprender jogando, 
um pedagógico ABC-D
O ABC-D da aprendizagem tática ao treinamento tático: jogar é jogar para 
aprender (incidental)
No conceito da IEU, o processo da aprendizagem tática ao treina-
mento técnico-tático se confi gura com três conteúdos, construídos didatica-
mente no intuito de promover o aprendizado incidental: ‘A’ as Capacidades 
Táticas Básicas (modifi cadas de KRÖGER; ROTH, 1999), ‘B’ as Estruturas 
Funcionais Gerais, ‘C’ as Estruturas Funcionais Direcionadas. Nesse ABC, 
os jogos objetivam que o aluno compreenda a lógica do jogo, sua dinâmica, 
quer dizer, a ‘compreensão do jogo’ e ‘compreensão no jogo’ (ALMOND, 
1986).
As capacidades táticas básicas (‘A’) relacionam-se com a progressiva 
compreensão da lógica interna dos jogos. Conforme pesquisas de Kröger e 
Roth (1999), implica na apresentação de jogos que permitam ao praticante 
inferir a sequência inerente aos jogos esportivos coletivos conforme descritos 
no quadro 1.
Quadro 1 – Defi nição das Capacidades Táticas Básicas ‘A’
Fonte: (modifi cado de KRÖGER; ROTH, 1999).
Em relação ao item ‘B’, as denominadas Estruturas Funcionais (na 
literatura conceitualizados como pequenos jogos), incluem três tipos de jo-
gos (igualdade, superioridade numérica e curinga) e se apresentam os ciclos 
do jogo (ataque, retorno defensivo, defesa, contra-ataque). A fi nalidade de 
reduzir o número de participantes permite minimizar a complexidade do 
esporte formal. No jogo com pequenas sociedades se utilizam os elementos 
técnico-táticos comuns dos jogos esportivos coletivos. Esse conceito está de 
acordo com proposta de Côté, Baker e Abernethy (2003) de contrapor o 
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Schelyne Ribas
jogo deliberado à pratica deliberada nas aulas de educação física. As crianças 
jogam como na rua. Nas Estruturas Funcionais Gerais (e sequencialmen-
te nas direcionadas) trabalham-se os conceitos formulados por Garganta 
(1998), fundamentado nas relações interpessoais no jogo, assim didatica-
mente aumenta-se a complexidade e difi culdade por meio da construção de 
relações: eu-bola (inicialmente); eu-bola-colega-adversário, equipe-equipe 
adversária e sucessivamente
Para facilitar o processo de Ensino-Aprendizagem-Treinamento, nas 
Estruturas Funcionais se joga com constelações em situações de superiori-
dade numérica, igualdade numérica ou com curinga (jogador que apoia os 
atacantes, mas não faz gol, fi xo ou móbil, além de fazer o papel do ‘meio fi o’ 
em comparação ao jogo da rua), para variar as percepções/decisões em situa-
ções de ataque versus defesa. Reitera-se, o jogo se apresenta como as crianças 
o praticam na rua. São jogos situacionais, isto é, ancorados em situações 
reais do esporte competitivo, no entanto, com número reduzido de joga-
dores. Se joga com grande variedade de constelações (número de jogadores, 
por exemplo, 1x1+1; 1x1; 2x1; 2x2+1; 3x3, etc.). Sugere-se que o mesmo 
jogo se pratique com mão-pé-raquete/bastão, para modifi car os tempos de 
ação, a construção de regras de ação (GREGHAINE; GODBOUT, 1998). 
O quadro 2, a seguir, apresenta opções de variação a ser praticadas 
quando se joga e aplicam as Estruturas Funcionais (gerais e direcionadas) 
na aula.
Quadro 2 – Alternativas de variação da forma de organizar quando utilizado as 
estruturas funcionais
Parâmetro Tipo de alternativas, características
Espaço
Maior, menor, formatos não convencionais. Quadra toda, meia 
quadra. Alterar dimensões. Incorporar zonas de fi nalização, zonas 
proibidas, zonas obrigatórias, número de pessoas por espaço.
Tempo
Modifi car a duração do jogo. Limitar tempo de posse de bola, 
limitar tempo de realização de ações. Limitar velocidade do 
ataque, limitar o momento da defi nição, aumentar ou reduzir a 
velocidade do jogo. Solicitar trocas de velocidade.
Regras Mudar sistema de pontuação, limitar tipos de ações (por exemplo: 
duplo dribling no basquetebol, no handebol, andar, etc.).
Número de
Jogadores
Jogos em: Igualdade numérica, superioridade numérica no ataque, 
inferioridade numérica no ataque, com curinga(s)
Técnica
Limitar tipo de ações na realização do passe, dribling (sim/
não), limitar tipo de técnica (exemplo: só passe indireto, no 
basquetebol).
51
Capítulo 3 – Vinte anos de iniciação esportiva universal: o conceito de jogar para aprender e aprender jogando, 
um pedagógico ABC-D
Tática Uso de meios táticos de grupo (por exemplo: tabelas, 
cruzamentos, bloqueios).
Curinga(s)
Um para ambas as equipes, atua somente no ataque da equipe 
em posse de bola. Um para cada equipe, mais de um por equipe, 
por setores, curinga no ataque, na defesa, fi xo, comdeslocamento 
dentro/fora do campo. Não pode fazer gol/defi nir. Só função de 
apoio
Goleiro
FIXO: no gol, só defende; MÓVEL: pode atacar, só joga no 
campo defensivo, campo todo, pode fazer gol (cria superioridade 
numérica).
Fonte: os autores.
Em relação ao conteúdo ‘C’, as Estruturas Funcionais Direcionadas, 
são formas de jogo com os mesmos critérios das anteriores, porém, as varia-
ções técnico-táticas se direcionam a desenvolver e aplicar os meios táticos de 
grupo de ataque e/ou defesa (tabelas, cruzamentos, bloqueios/troca de mar-
cação, contra bloqueios, entre outros), incorporados de forma incidental, via 
jogos. Se apresenta uma proximidade do jogo real, já que os participantes 
se posicionam no campo como na modalidade específi ca. Por exemplo, 
formam-se grupos de jogadores nas posições de ataque no handebol, ponta, 
armador e pivô, contra três defensores, etc. 
Da aprendizagem perceptivo-motora ao treinamento técnico-tático: 
aprendizagem esportivo motora incidental
O ABC que incentiva a organização do processo de aprendizagem 
do ‘como fazer’ constitui-se dos tópicos de desenvolvimento das Famílias 
de exigências na Coordenação (A), das Famílias de Habilidades Motoras 
(B), e das Famílias de Habilidades Esportivas (C). Nos processos de ensi-
no-aprendizagem (A+B) não se objetiva desenvolver a técnica, na acepção 
de um modelo ideal de movimento, e sim formas gestuais que se realizem 
de forma espontânea, experimentando, para permitir uma ampla bagagem 
de experiências motoras, de forma a se relacionar a ação adequadamente na 
tríade tempo-espaço-energia para resolver questões motoras. Andar de bici-
cleta, carrinho de rolimã, perna de pau, subir em árvores, pular corda, entre 
outros, eram práticas cotidianas nas ‘crianças de antigamente’. Importante 
destacar que o prazer de conseguir realizar uma tarefa representa um fa-
tor chave subjacente à motivação e participação na prática de esportes em 
seus diferentes níveis de rendimento, particularmente na aula de Educação 
Física (COX; ULLRICH-FRENCH, 2010). A sensação da própria compe-
tência física está conectada à realização adequada das habilidades motoras 
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Pablo Juan Greco - Gibson Moreira Praça - Juan Carlos Pérez Morales - Layla Maria Campos Aburachid - 
Schelyne Ribas
(WALLHEAD; NTOUMANIS, 2004). Ambos os fatores confl uem para 
que o praticante se sinta valorizado e dessa forma se integre com prazer à 
prática (MARTENS, 1996). 
Em relação ao desenvolvimento das Famílias de Exigências na 
Coordenação (A), Starosta (1990) considera esse construto como a capa-
cidade do ser humano de realizar movimentos complexos de forma rápi-
da e exata, em diferentes condições ambientais e sob pressões contextuais 
adversas. Destaque para a menção de ser uma capacidade do ser humano 
em interação com aspectos de exatidão e rapidez, relacionada as condições 
(pressões, constraints e aff ordances) que o ambiente (contexto de jogo) im-
põe. Coordenar a realização de tarefas motoras ocorre na tríade tempo-es-
paço e energia, em movimentos com o próprio corpo, com objeto(s), com 
colegas. A coordenação é necessária não somente nos esportes, também na 
vida cotidiana, e na melhoria da aprendizagem. 
Nesta perspectiva, o construto ‘capacidades coordenativas’ não 
apresenta na literatura uma clara defi nição dos seus elementos constitutivos, 
particularmente o pressuposto epistêmico-nomológico das mesmas. Nesse 
contexto, academicamente se consideram as categorias de exigências na 
coordenação ao realizar tarefas motoras. Se estabeleceram, portanto, as 
relações entre os canais de recepção e elaboração de informação (os órgãos 
dos sentidos, visual, acústico, Cinestésico, tátil, vestibular/equilíbrio, a 
denominada via aferente) do ser humano e as pressões ambientais derivadas 
dos próprios objetivos do esporte. Neumaier e Mechling (1995), Kröger e 
Roth (1999), elaboraram o modelo das pressões que se colocam na realização 
de movimentos nos esportes conforme as solicitações do ambiente (pressão 
de tempo, precisão, complexidade/sequência, organização/simultaneidade, 
variabilidade, carga e manejo de bola, a denominada via eferente). No as-
pecto operacional, os ‘condimentos’ necessários para uma adequada receita 
de treinamento da coordenação indicam realizar o mesmo exercício com 
inclusão dos diferentes elementos de pressão, sucessivamente. Também que 
a mesma atividade se realize com mão, pé, raquete ou bastão, para variar 
os tempos de ação e as formas de controle do movimento e, se modifi que a 
percepção visual e o equilíbrio ao realizar a tarefa. Nesse contexto, emerge a 
necessidade de recorrer à maior variedade possível de materiais (bola, bastão 
bambolê, corda, coletes, cones, banco sueco, plinto, sacolinhas, perna de 
pau, skate, carrinho de rolimã, trampolim, colchão). 
Em relação ao item ‘B’, desenvolver as Famílias de Habilidades 
Motoras, habilidades como correr, saltar, arremessar, se equilibrar estarão 
presentes nas atividades de desenvolvimento das famílias de Exigências na 
Coordenação. Objetivamente, a fórmula para trabalha-las no dia a dia con-
53
Capítulo 3 – Vinte anos de iniciação esportiva universal: o conceito de jogar para aprender e aprender jogando, 
um pedagógico ABC-D
fi gura-se na ideia de um equalizador, isto é, variar de forma alternada as 
exigências na recepção de informação (particularmente difi cultar a ação do 
receptor visual e do equilíbrio) com as pressões na motricidade (fi gura 2).
Figura 2 – Fórmula para o desenvolvimento das famílias de exigências na 
coordenação
Fonte: (modifi cado de KRÖGER; ROTH, 1999).
O item ‘C’ do processo inclui o desenvolvimento das denominadas 
Famílias de Habilidades Esportivas, conceito modifi cado em relação a pro-
posta original de Kröger e Roth (1999) denominado habilidades técnicas. A 
escolha na modifi cação do termo e pequenas variações nos conteúdos deriva 
da busca de uma adequada precisão conceitual. Desenvolver as Famílias de 
Habilidades Esportivas signifi ca preparar o caminho para a aprendizagem 
das técnicas por meio de atividades que promovam transferências e efei-
tos positivos na realização de tarefas motoras, particularmente com bola. 
Conforme Tani (2016), recorrendo a vários autores, habilidade se defi ne 
como expressão do grau de profi ciência na execução do movimento. Se con-
fi gura como uma ação complexa e intencional envolvendo toda uma cadeia 
de mecanismos sensórios, centrais e motores, a qual mediante o processo de 
aprendizagem, tornou-se organizada e coordenada para alcançar objetivos 
predeterminados com máxima certeza (WHITING, 1975), e também com 
o mínimo de dispêndio de energia (GUTHRIE, 1952). As sete Famílias 
de Habilidades Esportivas se consideram tarefas perceptivo-motoras que se 
relacionam com as difi culdades dos esportes (quadro 3).
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Quadro 3 – Famílias de Habilidades Esportivas
Fonte: (modifi cado de ROTH; KRÖGER, 2011). 
Conforme Tani (2016) a técnica é algo objetivo cujas especifi cações se 
expressam, por exemplo, por meio da fala ou da escrita, implica em se ter in-
formações de antemão sobre a forma ideal de realizar um movimento. Técnica 
implica em efi ciência e /ou efi cácia (MESQUITA; MARQUES; MAIA, 2001), 
seu desenvolvimento se inicia no momento ‘C’, descrito a seguir. 
O modelo pendular do treinamento técnico-tático: a passagem do 
incidental para o intencional
A função do treinamento tático e técnico se modifi ca de acordo com 
os níveis de rendimento que se deseja alcançar e consoante com a estrutura 
temporal do processo de ensino-aprendizagem-treinamento (iniciantes, alto 
nível de rendimento). Planifi car implica relacionar objetivo(s), conteúdo(s) 
e método com nível de rendimento, considerando a fase temporal (faixas 
etárias), o grupo de esportes (invasão, raquete, etc.), os materiais e insta-
lações disponíveis, a frequência de treinos por semana, o significado da 
interação condição física/técnica/tática da modalidade, etc. No alto nível de 
rendimento esportivo o treinamento tático-técnico objetiva a melhoria da 
tomada de decisão e adequada solução motora para obter o resultado (nem 
sempre representada pelo movimento ideal). Nos jogos esportivos coletivos, 
realizar uma técnica implica relacionar a tomada de decisão, com o grau 
de difi culdade da tarefa (condições do atleta realiza-la), com a situação de 
jogo (parâmetro decisional). O processo de Tomada de Decisão se organiza 
durante as fases da ação (Interpretação-Antecipação-Realização), confor-
me propósitos subjetivos, é intencional, dirigido e regulado psiquicamente 
pelos sistemas social-cognitivo-emocional-automático (NITSCH, 2009). 
Particularmente nos esportes de invasão, de rede e de combate, o compor-
tamento decisional está impregnado de intencionalidade, ou seja, resulta 
55
Capítulo 3 – Vinte anos de iniciação esportiva universal: o conceito de jogar para aprender e aprender jogando, 
um pedagógico ABC-D
eminentemente tático, a técnica emerge para operacionalização da toma-
da de decisão. Nesse contexto, conforme as características pedagógicas da 
IEU, se formula uma proposta de integração do treinamento técnico-tático 
descrita num modelo pendular cujo eixo principal se centra nos processos 
de atenção. Esses estabelecem o diálogo da memória de trabalho com a de 
longo prazo, com o acoplamento da recepção/elaboração de informação via 
processos de botom-up e top-down. Os processos cognitivos constituem uma 
unidade concatenada com o processo decisório. A decisão intuitiva afl ora 
com base na experiência acumulada, acessada via atenção. A construção 
do modelo pendular do treinamento técnico-tático, se sustenta nas teorias 
cognitivas (NITSCH, 2009; STERNBERG, 2002), dos sistemas dinâmi-
cos/ecológicos (ARAUJO, 2005), e particularmente o modelo SMART 
(RAAB, 2007), o denominado ‘Situation Model of Anticipated Response-
consequences in Tactical Decision’, e recentemente sua versão Extended and 
Revised– estendido e revisado (RAAB, 2015) traduzido livremente como 
‘Modelo de Antecipação das Consequências das Respostas em Situação de 
Decisões Táticas’). Raab (2015) destaca a relação entre os processos ‘Top-
down e Botton-up’ na elaboração de informação e de formas de pensamento, 
ou seja, a Tomada de Decisão decorre de forma simultânea nas interações do 
tratamento da informação desses processos (RAAB, 2003). Neste sentido, 
o reconhecimento da situação de jogo ocorre de forma implícita (decisões 
intuitivas) ou explicita (decisões deliberativas), conforme a situação tem-
poral para tomar decisão. 
Os modelos SMART e SMART-ER formulam uma interação bidi-
recional entre a Tomada de Decisão e o complexo Percepção-Ação. Ambos 
se relacionam com as teorias de aprendizado do controle antecipativo do 
comportamento (HOFFMANN, 1993). Oliveira et al. (2009), consideram 
que ao longo do tempo o cérebro organiza as experiências para melhorar a 
Tomada de Decisão. O nível de rendimento do conhecimento tático-téc-
nico evidencia-se na tomada de decisão na situação de jogo (AFONSO; 
GARGANTA; MESQUITA, 2012; DAVIDS et al., 2013) o que implica 
que a cognição não pode ser dissociada da ação (MORIN; LE MOIGNE, 
2007). Muitas situações de jogo não permitem que a tomada de decisão 
seja planejada com antecedência, há contextos nos quais o jogador desen-
volve sua ação caracterizada por elevada pressão temporal (OUDEJANS; 
NIEUWENHUYS, 2009). Pesquisas mostraram que a memória de trabalho 
infl uencia diretamente a focalização da atenção e a busca visual (KREITZ 
et al., 2015) direcionando os estímulos para o que está armazenado na me-
mória de longo prazo (MORIYA; KOSTER; RAEDT, 2014) graças ao au-
mento da rapidez e precisão das tarefas atencionais (KREITZ et al., 2015). 
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Com base nesses pressupostos teóricos, se postula o modelo pendular 
do treinamento técnico-tático. Se considera que os processos de atenção 
constituem o eixo do pêndulo. Esse se ‘movimenta’ tanto no sentido vertical, 
quanto no eixo horizontal (do centro direciona-se aos lados, volta ao centro, 
entre outros). Quando o movimento pendular está no centro, se direciona/
aumenta o nível de atenção na atividade, por exemplo, no objetivo do trei-
namento técnico: estabilizar a técnica, realizá-la com fl uência e consistência, 
bem como corrigir desvios do movimento, enquanto no treinamento tático 
direciona-se a atenção para o aprendizado e assimilação dos sinais relevantes 
para a tomada de decisão. O movimento se afasta do centro, se dilui o foco 
atencional, se apresentam atividades que provoquem o desvio da atenção, 
tarefas duplas, que permitem avaliar quanto foi adquirido nas atividades de 
direcionamento da atenção.
No plano vertical o treinamento tático considera-se um desenvol-
vimento didático (A-B-C) em três momentos: inicial-posicional-deci-
sional (GRECO, 2013). No treinamento técnico (com base em FITTS; 
POSSNER, 1967) os passos decorrem da aprendizagem verbal-cognitivo, 
associativo, automatização, conforme descrito na quadro 4. 
Quadro 4 – O A-B-C do modelo pendular no treinamento técnico-tático no sentido 
vertical
Momento/ 
objetivo Tática Técnica
A
Inicial: direcionamento para 
aspectos da mecânica da 
movimentação na situação
Verbal-cognitivo: aproximação 
cognitiva, compreender como se 
realiza o gesto técnico
B Posicional: ênfase nos 
processos perceptivos
Associativo: melhorar a fl uidez do 
movimento, combinar e associar 
(tática) os movimentos, a situação 
C
Decisional: ênfase na 
melhoria da Tomada de 
decisão
Automatização: realizar o movimento 
sem pensar, regulação automatizada 
de forma fl exível (cerebelo).
Fonte: os autores.
No sentido horizontal, no treinamento tático se consideram os des-
vios da atenção por meio de tarefas tático-coordenativas e tático-técnicas, 
enquanto o desvio da atenção no treinamento técnico se materializa nas 
tarefas técnico-coordenativas e técnico-táticas. Na fi gura 3, observa-se um 
ABC na horizontal (fases e etapas) e outro na vertical (desvio e direciona-
mento da atenção).
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Capítulo 3 – Vinte anos de iniciação esportiva universal: o conceito de jogar para aprender e aprender jogando, 
um pedagógico ABC-D
Figura 3 – Modelo pendular do treinamento técnico-tático nos esportes, particular-
mente para os jogos esportivos e de combate
Fonte: (modifi cado de GRECO et al., 2015). 
Como operacionalizar o desvio e/ou o direcionamento da atenção 
nas práxis:
• Direcionamento da atenção: exercícios que incentivem o atleta a 
descobrir os sinais relevantes (por exemplo, defensor sai a marcar 
(sim/não), posição do corpo- frontal/diagonal, etc.); no treinamen-
to técnico, estabilizar a técnica (corrigir desvios do modelo ideal, 
fi xar a atenção no decorrer do movimento, corrigir os erros com 
exercícios específi cos ás partes do movimento). 
• Desvio da atenção: retirar a atenção da situação/ou do movimento, 
colocando tarefas duplas por meio de atividades em que a tomada 
de decisão e/ou a motricidade estejam sobre pressão. No handebol, 
realizar lançamentos por cima de um obstáculo que difi culta a vi-
são, ou realizar o lançamento a determinado ângulo, sinalizado pelo 
goleiro (pressão tempo e precisão). Realizar passes entre jogadores 
com duas bolas, com defensor. Realização de tarefas alheias ao 
movimento durante sua execução, como a realização de operações 
matemáticas (por exemplo, o treinador pergunta, 7x2? Durante o 
arremesso no basquetebol), ou colocar locais a se observar durante 
a realização motora.
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Considerações Finais
Os modelos de ensino-aprendizagem pela compreensão, particular-
mente o TGfU e o Modelo da Educação Desportiva, tímida e gradativa-
mente disseminam-se no Brasil. Nessecontexto, observa-se notoriedade 
para a obra de Gonzalez e Bracht (2012) intitulada ‘Metodologia do Ensino 
dos Esportes Coletivos’, que apresenta uma solida, terminante e axiomática 
adaptação cultural para o ensino dos esportes. Em relação a modelos centra-
dos no aluno que evidenciam a aprendizagem incidental, mais de vinte anos 
decorreram desde o início da proposta da Iniciação Esportiva Universal. A 
mesma passou por adaptações, correções, que resultaram de investigações 
relativas a seus efeitos, suas potencialidades e fragilidades. 
O cerne da proposta sustenta-se nos processos de aprendizagem in-
cidental (do aluno) e reclama por um ensino (do professor) intencional. Se 
apresenta como uma construção pedagógica, com princípios axiomáticos 
na relação à interação objetivos-conteúdos-métodos, com diversidade de 
campos de aplicação, do ensino-aprendizado ao treinamento, postula jogar 
para aprender e aprender jogando. Na concepção apresentada, merecem 
destaques a preocupação no desenvolvimento da coordenação e das habili-
dades, aspectos bastante negligenciados na maioria das propostas, bem como 
a possibilidade de o professor utilizar separadamente, ou combinando de 
formas diferentes os conteúdos apresentados. Um bom professor não cópia, 
procura, com base no seu conhecimento temático, organizar e adaptar o 
mesmo a realidade ambiental (social-cultural-material-instalações-objetivos, 
entre outros) em que trabalha.
Uma boa leitura e o desejo de muita inspiração para um adequado 
destino.
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Ciências do Esporte, Educação Física 
e Produção do Conhecimento 
em 40 Anos de CBCE
Treinamento esportivo: 
Volume 12
O volume 12 – Treinamento esportivo: um olhar multidisciplinar – que 
compõe a Coleção Ciências do Esporte, Educação Física e produção do 
conhecimento em 40 anos de CBCE, apresenta diversos olhares cientí�cos 
acerca da complexa realidade do esporte, com base em disciplinas como a 
�siologia, a pedagogia, a história ou a psicologia do esporte. Neste volume, 
ao longo de nove capítulos, o leitor poderá acessar conhecimentos atuali-
zados sobre diversos assuntos relacionados ao monitoramento, ao treina-
mento, à aprendizagem, à análise, à preparação, à avaliação e à recupera-
ção, em diversos esportes individuais e coletivos, incluindo modalidades 
esportivas olímpicas e paralímpicas. Com certeza, o olhar será diferente 
após a imersão em capítulos elaborados por autores nacionais de reconhe-
cida quali�cação, nas suas respectivas áreas de conhecimento. 
um olhar multidisciplinar
ISBN 978-65-5569-023-1
9 786555 690231 >
View publication stats
https://www.researchgate.net/publication/342960998
	_GoBack1para o desenvolvimento de doenças, que são 
apontadas como responsáveis, direta ou indiretamente, pelas elevadas percentagens de mobilidade e 
mortalidade. 
O estilo de vida é cada vez mais sedentário devido à ausência de tempo, pois as crianças ficam 
horas entretidas pela televisão e vídeo-game, deixando de lado brincadeiras que estimulam seu corpo 
assim como o espaço para as crianças brincarem é cada vez mais limitado devido o desenvolvimento 
industrial (THIERS, 1998). 
Hoje a televisão é um grande fator no desenvolvimento da obesidade, pois, indiferente do futsal 
ou algo que exige muito do movimento, ela é um meio de lazer passivo (DÂMASO e TOCK, 2005). 
MATERIAL E MÉTODOS 
Foi empregada uma pesquisa de caráter experimental, que teve como alvo vinte alunos do 
ensino fundamental I de ambos os sexos de cada instituição de ensino do município de Varginha - MG. 
Sendo uma instituição da rede particular de ensino e que possui uma escolinha de Iniciação Esportiva 
Universal em suas dependências e duas instituições da rede pública que não possuem escolinhas de 
IEU em suas dependências. 
Foram realizados os relatórios de desenvolvimento dos alunos em ficha individual de cada 
instituição de ensino, onde foi aplicado em alunos que frequentam somente as aulas de Educação Física 
regularmente (grupo controle) e alunos que fazem parte de uma escolinha de iniciação esportiva 
universal (grupo experimental). Sendo as seguintes instituições participantes da pesquisa: 
 Escola Estadual Professora Aracy Miranda; 
 Escola Estadual Coronel Gabriel Penha de Paiva; 
 Colégio Marista. 
 
Pesquisa em Educação Física - Vol.11, n.1, 2012 - ISSN: 1981-4313 40 
RESULTADOS 
Figura 1. Primeira estação: avaliação do teste de equilíbrio. 
 
Na primeira estação foi realizado o teste de equilíbrio, onde processava o número de vezes que 
o aluno errava para obtenção do resultado. A partir dos dados obtidos através da média individual de 
cada aluno, observou-se um alto índice de erros do grupo controle, comparado ao grupo experimental. 
Figura 2. Terceira estação: Avaliação de números de saltos laterais em um determinado tempo. 
 
 
 
 
 
Na segunda estação utilizada, foi realizado o teste de saltos laterais onde se processava o 
número de saltos laterais que o aluno conseguia executar em um determinado espaço de tempo. Neste 
gráfico percebe-se certa equiparação de resultados entre os grupos, mas evidenciando que o grupo 
experimental teve um melhor desempenho sobre o grupo controle. 
 
 
 
 
Coleção Pesquisa em Educação Física - Vol.11, n.1, 2012 - ISSN: 1981-4313 
41 
Figura 3. Segunda estação: Avaliação de saltos com apenas uma perna, no local em um determinado 
tempo. 
 
 
 
Na terceira estação foi realizado o teste de saltos com apenas uma perna, onde se processava o 
número de vezes que o aluno errava para alcance do resultado. Nota-se neste gráfico o baixo índice de 
erros do grupo experimental, processando erros apenas de um aluno, enquanto que seis alunos do 
grupo controle obtiveram erros nesta estação. 
Figura 4. Quarta estação: Avaliação de transposição lateral em um espaço de 6 metros. 
 
 
Na quarta estação foi realizado o teste de transposição lateral em um espaço de seis metros, 
onde se processava o número de vezes que o aluno colocava a tábua específica no solo para se 
transferir até o fim dos seis metros. Nota-se a partir dos resultados obtidos neste teste que os alunos do 
grupo controle obtiveram um maior número de transposições em relação aos alunos do grupo 
experimental. 
DISCUSSÃO DE RESULTADOS 
Considerando a questão dos alunos do grupo experimental receber estímulos diferentes na 
escolinha de iniciação esportiva universal e nas aulas de educação física regular, baseando-se em no 
máximo quatro dias semanais e os alunos do grupo controle, ou seja, das escolas públicas receberem 
 
Pesquisa em Educação Física - Vol.11, n.1, 2012 - ISSN: 1981-4313 42 
estímulos que não se restringem somente nas duas aulas de educação física semanal, e sim nas 
brincadeiras e atividades das ruas, parques e interações com o próprio ambiente social. Porém constata-
se que apesar dos estímulos ilimitados dos alunos do grupo controle e limitados do grupo experimental, 
a qualidade do estímulo da escola particular que possui escolinha de iniciação esportiva universal se 
sobressai sobre os estímulos recebidos nas duas aulas semanais de educação física das escolas 
públicas. 
CONCLUSÃO 
Após a análise dos resultados obtidos neste trabalho, concluiu-se que apesar dos alunos do 
grupo controle receber estímulos ilimitados, ou seja, por não se restringir apenas no espaço escolar e os 
alunos do grupo experimental vivenciarem as atividades motoras mais restritamente no espaço escolar e 
por terem mais acesso e atração em casa pelas tecnologias de um mundo cada vez mais globalizado; 
mesmo assim a qualidade dos estímulos recebidos na escolinha de iniciação esportiva universal por 
poderem experimentar de forma rica e variada diferentes alternativas de movimentos se sobressai na 
bateria de testes do KTK, identificando-se que o nível de coordenação motora das crianças da escola 
particular que participam de escolinha de iniciação esportiva universal se sobressai sobre as crianças 
das duas escolas públicas participantes da pesquisa que tem apenas as duas aulas semanais de 
educação física regular. 
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1
 Centro Universitário do Sul de Minas. 
 
 
Órgão de fomento da pesquisa: FAPEMIG 
 
Rua João Evangelista Lima, 54 
Vila Mendes 
Varginha/MG 
37018-150
A INICIAÇÃO ESPORTIVA UNIVERSAL NAS AULAS DE EDUCAÇÃO 
FÍSICA 
 SCHRUBER, Juliano Rodrigues 
 AFONSO, Carlos Alberto 
 
 
Resumo 
 
Pretendeu-se, no presente trabalho, verificar a possibilidade de incerir a metodologia da 
iniciação esportiva universal nas aulas de educação física. Atualmente, A resistência à pratica 
de esportes verificada entre as crianças e jovens decorre, em boa, parte da maneira como a 
iniciação esportiva vem sendo desenvolvida nas escolas. O conhecimento que o professor 
possui acerca das metodologias, do conteúdo, das tarefas motoras e da intervenção de 
instrução no processo de ensino-aprendizagem revela-se fundamental para a melhoria do 
desempenho motor e para a obtenção do sucesso na aprendizagem. O presente estudo visa 
investigar as metodologias nas aulas de educação física, discutir os pressupostos teóricos da 
metodologia da iniciação esportiva universal, sugerir formas de aplicação nas escolas. Os 
resultados evidenciam que as concepções didático-metodológicas de ensino valorizadas pelos 
professores causam diferentes impactos na estruturação e condução da prática das tarefas 
motoras e do jogo. Os conteúdos e as tarefas de aula são selecionados e estruturados de 
acordo com a vontade dos professores em alguns casos, pois muitos planejam as aulas juntos 
com seus alunos. A maioria dos professores acredita que as metodologias e os conteúdos não 
funcionam praticamente no campo escolaradotando a sua própria metodologia. 
 
 
Introdução 
 
A iniciação esportiva é o período em que a criança inicia a prática regular de um 
esporte e é orientada para várias modalidades esportivas. 
Nesse momento, o objetivo imediato é dar continuidade ao desenvolvimento integral 
da criança e não há preocupação com competições regulares. 
A iniciação esportiva nas escolas é um dever que cabe aos professores de educação 
física, no decorrer de suas aulas. Para tornar nossos alunos aptos a prática desportiva o 
professor pode optar por varias metodologias. 
A metodologia universal proposta por Greco & Benda (1998) é uma delas e, é 
composta por nove fases: Fase pré-escolar, Fase universal, Fase de orientação, Fase de 
Direção, Fase de especialização, Fase de aproximação, Fase de Alto nível, Fase de 
recuperação e Fase de Recreação e Saúde. 
Nesse trabalho, optou-se por discutir a metodologia da iniciação esportiva universal 
que abrange as faixas etárias de 4-6 e 11-12 anos. 
 
 1219 
Referencial Teórico 
Iniciação esportiva 
Greco & Benda (1998) desenvolveram um quadro mostrando as fases e níveis do 
rendimento esportivo. Duração e relação com a idade e freqüência de treinamento. 
 
NÍVEL DE RENDIMENTO
Fase
Pré-
escolar
Fase
Univer-
sal
Fase
Orienta-
ção
Fase
Direção
Fase
Recreação
/Saúde
Fase 
Readap-
tação
Fase 
Especia-
lização
Fase 
Aproxima
ção/
Integração
Fase
Alto 
Nível
 
Dentro desse trabalho compreenderemos as fases pré-escolar, fase universal, fase de 
orientação e fase de direção. 
A fase pré-escolar, segundo (GRECO & BENDA 1998 apud KREBS, 1992) propicia 
ao aluno uma vivencia diversificada de movimentos, sem que haja exigência de um padrão 
ideal, caracterizando assim um sistema totalmente aberto, isto é: não existe execução errada 
de movimento. Neta fase, denominada pelo autor de estimulação motora, o padrão de 
movimento deve ser tomado apenas como estimulo para que a criança construa seu próprio 
plano motor. Atividades básicas de deslocamento, equilíbrio, acoplamento, esquema corporal, 
relação espaço-temporal, entre outras são próprias e devem, preferencialmente, ser 
apresentadas em formas jogadas, tipo de jogos de imitação e perseguição. 
Fase universal abrange dos 6 aos 12 anos, a freqüência das atividades não deve 
ultrapassar três vezes na semana, para não interferir em outro interesse e necessidade que a 
criança possa manifestar. Conforme Greco & Benda (1998 apud GALLAHUE, 1989) Nesta 
fase a criança encontra com as habilidades básicas de locomoção, manipulação e estabilização 
em refinamento progressivo, podendo assim, participar de um numero maior e mais complexo 
de atividades motoras. Colocam que as crianças de 6-8 anos devem trabalhar com jogos de 
 1220 
perseguição, estafetas, jogos relevos, dentre outros. Já com crianças de 8-10 anos, pode-se 
começar a desenvolver jogos coletivos, através de pequenos jogos (reduzidos), jogos de 
iniciação, grandes jogos e em alguns casos, jogos pré-desportivos. É importante ressaltar que 
o processo de ensino-aprendizagem-treinamento das capacidades físicas nesta fase, deve, 
impreterivelmente, estar adequado ao nível de desenvolvimento e de experiência da criança, 
respeitando o que Greco & Benda (apud MARTIN, 1991) denomina de “fases sensíveis”, as 
quais hoje não têm a confirmação cientifica da sua real abrangência. 
A fase de orientação que se inicia por volta dos 11-12 anos e abrange até os 13-14 
anos. A freqüência recomendada é de 3 encontros semanais, com duração média de 60 a 90 
minutos cada. Segundo Greco & Benda (1998), é neste momento que começa a ocorrer a 
automatização de grande parte dos movimentos, liberando a atenção do praticante para a 
percepção de outros estímulos que ocorrem, simultaneamente, à ação que está sendo 
realizada. Partindo do nível de rendimento alcançado na fase anterior, deve-se procurar o 
desenvolvimento e aperfeiçoamento das capacidades físicas e técnicas. Aqui, é importante 
destacar que se deve ter como um dos objetivos a iniciação técnica: o gesto do esporte em 
sua forma global, ações motoras gerais que servem para a solução de tarefas esportivas 
(porém, sem realizar treinamento pelas técnicas das diferentes disciplinas esportivas), 
observando quais são as exigências que se apresentam em cada um desses objetivos. Aqui o 
jogo em qualquer forma de organização (jogos de iniciação, pré-desportivos, grandes jogos, 
jogo recreativo, entre outros), tem um sentido recreativo, porém possui um alto valor 
educativo, pois serão estabelecidas as bases para uma “ação inteligente”. 
Fase de direção por volta dos 13-14 anos e abrange os 15-16 anos. Pode-se começar 
com o aperfeiçoamento e a especialização técnica em uma modalidade desportiva. É 
importante destacar a necessidade de que o jovem realize e participe de duas ou três 
modalidades esportivas, preferentemente complementares, ou seja, daquelas nas quais não 
existam fatores que possam interferir no processo de transferência de técnica. Destacamos a 
importância do processo de ensino-aprendizagem-treinamento, onde varias modalidades 
esportivas sejam oferecidas à criança, e não a “escolinha” de um único esporte ou atividade 
repetitiva nas “temporadas” ou na aula de educação física formal que levam à especialização 
precoce e não permitem concretizar o princípio da “variabilidade da prática”, conceito que é 
de fundamental importância para o desenvolvimento de habilidades motoras e do treinamento 
técnico-tático. Dentro das atividades educacionais ma escola, o esporte deve ser orientado 
para a participação, a integração e a sociabilização. Cabe ao clube a incorporação dos jovens 
 1221 
com talento para a formação das categorias de base que são inerentes aos esportes por ele 
incentivados. 
 
Esporte na Educação Física 
O esporte com bolas são os mais conhecidos na área da educação física. Compõem, de 
modo geral, os esportes coletivos, que precisam de um elemento comum a todos os jogadores 
a fim de integrá-los a um único objetivo. Quem realiza esse papel integrador é a bola, objetiva 
que precisa ser compartilhado por todos os jogadores. (Freire & Scaglia 2003). 
O jogo é utilizado como componente curricular por várias disciplinas, mas é na 
disciplina de Educação Física, que este, se destaca através da realização dos Jogos Esportivos. 
Apesar dos jogos esportivos ocuparem um papel de destaque dentro da Educação Física 
escolar, os mesmos, não tem sofrido avanços nas últimas décadas, podendo isto ser facilmente 
observado através dos currículos apresentados pela maioria das escolas, as quais, por um 
longo período vêm desenvolvendo seus programas de Jogos, baseados em modelos centrados 
nas habilidades técnicas. 
Graça (1995) coloca que o esporte é para alguns, o grande protagonista da Educação 
Física, para outros, no entanto, o grande colonizador da Educação Física contemporânea. Em 
qualquer dos casos, temos que reconhecer que o esporte é atualmente, o elemento central 
dentro de nossa profissão, o qual se tornou um elemento muito controvertido e problemático 
do ponto de vista educativo. 
A ênfase dada ao ensino de jogos esportivos, onde as habilidades técnicas, são o ponto 
central do conteúdo desenvolvido durante as aulas de educação Física, tem reforçado a idéia 
de que a função do esporte na escola está mais em treinar do que em educar. Para GRAÇA 
(1995), quando ensina-se através do modelo da racionalidade técnica, onde os meios são 
instrumentos para alcançar um fim específico, acaba-se separando a teoria da prática, a 
condição física da técnica, a técnica da tática e por conseqüência as habilidades técnicas do 
contexto real do jogo. Esta forma de ensino de jogos esportivos tradicionais, apresenta muitas 
limitações, pois não considera certos fatores característicos jogos, como a complexidade, a 
adaptabilidade e a incerteza. 
Apesar dos Jogos Esportivos Tradicionais sofrerem umainfinidade de críticas, quanto 
ao seu desenvolvimento na educação Física escolar, o esporte continua sendo o conteúdo 
dominante nos programas dessa disciplina. Os Jogos esportivos tradicionais são entendidos 
como jogos esportivos institucionalizados, os quais possuem regras específicas, englobando o 
handebol, futebol, basquetebol, voleibol, futsal entre outros. 
 1222 
Metodologia 
Essa pesquisa caracteriza-se por ser de cunho qualitativo/descritivo e contou com a 
participação dos Professores da disciplina de Educação Física que lecionam, nas séries iniciais 
do ensino fundamental, em colégios municipais da região do Cajuru na Cidade de Curitiba. 
Optou-se por usar um questionário que com sete perguntas abertas. 
 
Analise e discussão dos dados 
Os resultados obtidos da coleta de dados apresentaram respostas pontuais com relação 
às questões que foram formuladas. 
Na primeira, investigou-se se os profissionais pesquisados têm como objetivo buscar a 
formação continuada. Os dados nos mostram que 17% dos professores não têm nenhum tipo 
de especialização apenas a graduação; 83% fizeram pós-graduação, porém, nenhuma dos 
professores especializou-se em iniciação esportiva, desenvolvimento motor ou 
psicomotricidade. 
Nenhuns dos professores que responderam o questionário têm mestrado, doutorado e 
pós-doutorado. 
Segundo Alves (2006 apud MOLINA NETO, 1997) o campo da formação do 
profissional em educação física, em relação às praticas de formação continuada, 
freqüentemente vem se assentando em cursos de pequena duração, atualizações e atividades 
de repasse de conhecimentos. No entanto, a formação do professor para espaços tão 
complexos, como são as nossas escolas, precisa superar tais perspectivas. 
A segunda questão colocada no questionário foi visando unificar os conteúdos na 
educação física procuramos saber quais os conteúdos que os professores pesquisados 
ministram em suas aulas. 
Verificamos que os professores usam vários conteúdos sendo visto na tabela a seguir: 
Conteúdos Citados 
Ginástica Geral 07 
Psicomotricidade 02 
Dança 10 
Jogos 08 
Brincadeiras Cantadas 03 
Brinquedos Tradicionais 01 
Jogos com Bola 01 
Jogos cooperativos 03 
 1223 
Lutas 06 
Corporeidade 01 
Esportes coletivos 06 
Desenvolvimento Motor 04 
Esportes individuais 04 
Esportes cognitivos 03 
recreação 01 
Os resultados mostram 15 conteúdos diferentes usados nas aulas de educação física. 
Freire E Scaglia (2003) colocam, um dos problemas mais graves que se perpetuam na 
disciplina de educação física é a insuficiente definição dos conhecimentos que devem ser 
desenvolvidos por ela junto aos alunos. Os professores sentem muita dificuldade em 
responder perguntas tais como: “O que a educação física ensina na primeira série(ou na 
segunda...)?”. Os temas e subtemas, vinculados os seus respectivos conteúdos, podem 
informar adequadamente ais professores, aos alunos, aos dirigentes, aos país. 
A terceira pergunta foi relacionada quanto à seleção e ao planejamento das aulas, ou 
seja, de que maneira o professor planeja sua aula e como a seleciona. Com isso, constato-se 
que as aulas seguem uma progressão pedagógica fazendo com que o aluno receba o 
conhecimento e trabalhe suas aptidões físicas, sem interferência do meio. 
Os dados coletados mostram que 41% dos professores pesquisados planejam suas 
aulas de acordo com a necessidade e interesse dos alunos. Um dos professores deu a seguinte 
resposta: “planejo junto com os alunos, vendo as necessidades deles seleciono as atividades e 
eles escolhem na medida do possível”. Apenas 29% realizam um planejamento semestral e 
dedicam-se ao planejamento semanal, uma vez por semana, sendo sempre as quartas-feiras à 
tarde, pois são os dias nos quais os professores permanecem nas escolas sem ministrar aulas 
apenas para estudar e planejar suas aulas. Outros 29% não planejam suas aulas 
adequadamente, tendo varias respostas que não condizem com que foi perguntado. Um 
professor repondeu: “planejo minhas aulas de acordo com o material que tenho no dia”. 1% 
realiza seu planejamento, analisando a idade e adequando os conteúdos à faixa etária 
buscando um enriquecer gradativamente seu acervo motor. 
Na educação física Gallahue & Ozmun (2002) falam em Propor atividades que estejam 
ao nível de maturação e desenvolvimento da criança. Reforço das atividades positivas da 
criança. Sempre sugerir atividades que estimulem o desenvolvimento dos dois lados do corpo 
(lateralidade). 
 1224 
Na quarta pergunta teve como objetivo saber qual a opinião dos professores, em 
relação à idade que a criança deve iniciar sua vida esportiva. Assim compreende-se o porquê 
da existência da iniciação esportiva precoce que, segundo Greco & Benda (1998), Gallahue & 
Ozmun (2002), Freire (1998) e Santana(2003), prejudica a formação das crianças. 
Percebemos que 41% dos professores acham que a criança deve iniciar sua vida 
esportiva com 10 anos, 17% responderam que com 09 anos seria uma faixa etária adequada, 
pois, segundo uma resposta de um professor “com nove anos a criança está um pouco mais 
madura psicologicamente e aceita bem as regras”, 11% dos professores responderam que a 
iniciação esportiva se da aos 6 anos, 11% responderam que devesse iniciar a pratica 
desportiva com 8 anos, 5% responderam com 7 anos e apenas 5 % com 12 anos. 
Segundo Greco & Benda (1998) as faixas etárias, o ensino-aprendizagem-treinamento 
deve ser administrada conforme a idade e o nível de experiência motora. A ação do processo 
de ensino-aprendizagem-treinamento deveria ser voluntária, não atropelando outros possíveis 
interesses. Esta fase tem uma duração de 3 a 6 anos, e se inicia, geralmente, aos 5/6 anos. 
A quinta pergunta se refere a qual metodologia de ensino que os profissionais utilizam 
durante as suas aulas para a criança iniciar sua vida esportiva, com isso entenderemos as 
maneiras que são utilizadas as metodologias propostas praticamente de forma a adequadar a 
realidade da escola e condizendo com o nível maturacional e psicológico do aluno. 
Os dados nos mostram que 52% utilizam a metodologia humanista ou “linha critico 
social” em suas aulas, 22% utilizam a metodologia tecnicista ou analítica, 21% não utilizam 
nenhuma forma de metodologia em suas aulas. 5% fazem um misto das metodologias 
existentes na educação física. 
Segundo Hurtado (1988) Método de ensino é o conjunto de procedimentos lógicos e 
psicologicamente ordenados, de que se vale o professor para levar o educando a elaborar 
conhecimentos, adquirir técnicas ou habilidades e a incorporar atitudes ideais. 
A sexta pergunta teve como objetivo averiguar se os professores conhecem a 
metodologia da Iniciação Esportiva Universal (GRECO & BENDA, 1998). O maior interesse 
foi verificar se a literatura estudada é aplicada nas escolas atualmente. 
Descobrimos que 95% dos professores nunca ouviram falar da metodologia estudada e 
que apenas 5% conhecem a metodologia e aplicam em suas aulas. 
GRECO & BENDA (1998) apresentam uma nova metodologia avançada, diferente e, 
talvez, polemica. Que têm por objetivo a conscientização do professor e do aluno, da 
importância da pratica desportiva, tornando o individuo capaz de compreender e aprender a 
 1225 
modalidade esportiva, de discernir diferentes situações-problema e agir, de forma 
independente e inteligente, para a solução das tarefas-problema no esporte. 
A sétima e a oitava serão analisadas juntamente, na discussão de dados (pelas 
respostas dadas). Procurou-se saber como os professores estruturam as tarefas motoras em 
suas aulas. Por meio dessa estruturação, ele definirá os caminhos e as estratégias de ensino-
aprendizagem no desporto, com o objetivo de conduzir o jovem praticante, na aquisição 
progressiva da aprendizagem das habilidades motoras desportivas, para que o aluno possa ter 
garantida a sua participação nas tarefas propostas e no próprio jogo, de modo a alcançaro 
sucesso desejado, dentro das características especificas e das exigências do jogo. (AFONSO, 
2003 apud MEINEL, 1984). 
Os dados coletados nos mostram que a questão 7, que abordava a estruturação das 
tarefas motoras por meio da I.E.U., foi respondida apenas por 10% da amostra. Além disso, os 
professores em vez de responder como estruturam as tarefas motoras em suas aulas 
responderam a maneira em que conduzem suas aula metodologicamente. 
Na oitava pergunta, houve uma grande divergência de respostas. Os professores 
colocaram muitas respostas, mais nenhuma condizente ao assunto. Um professor respondeu: 
“Eu faço um aquecimento, depois uma brincadeirinha e dou uma bola de futebol, uma de 
voleibol e ás vezes, para eles não enjoarem uma raquete ou taco de bets.” 
 
Conclusão 
Os resultados evidenciam que as concepções didático-metodológicas de ensino, 
valorizadas pelos professores, causam diferentes impactos na estruturação e condução da 
prática das tarefas motoras e das atividades, durante a aula de Educação Física . Os conteúdos 
e as tarefas de aula são selecionados e estruturados de acordo com a vontade dos professores 
em alguns casos, pois muitos planejam as aulas, juntos com seus alunos. 
Por meio das pesquisas feitas, conclui-se que os professores de educação física da 
regional do Cajuru em Curitiba, na sua maioria não pensam em uma formação continuada, 
talvez, por causa dos baixos salários da classe. Não foi apontada nenhuma especialização em 
iniciação esportiva, prejudicando o desenvolvimento da criança, não seguindo nenhuma 
literatura para uma melhor aprendizagem e desenvolvimento motor dos seus alunos. 
 1226 
Os professores não se preocupam em estruturar suas aulas, adequadamente. O que 
detectou foi professor soltando, a bola para as crianças, sem ao menos preocupar-se com que 
estava ocorrendo. 
A iniciação esportiva nas escolas é um dever que cabe aos professores de Educação 
Física, em suas aulas. E, para tornar nossos alunos aptos à prática desportiva o professor pode 
optar por varias metodologias. 
Assim sugere-se a utilização da metodologia da Iniciação Esportiva Universal que 
apresenta uma filosofia de atuação adequada á melhor compreensão da atividade física, da 
educação física e da iniciação esportiva, a partir de pesquisas, nas áreas da coordenação e da 
aprendizagem motora e dos treinamentos técnicos e táticos. 
 
REFERÊNCIAS 
 
AFONSO, A. CARLOS; O conhecimento do treinador a respeito das metodologias de 
ensino e do treinador do voleibol na formação.Tese de Doutorado, Portugal, Universidade 
do Porto, 2003. 
 
ALVES, F. WANDERSON; A formação continuada e o desenvolvimento profissional do 
professor: paradigmas, saberes e práticas nos cursos de especialização em educação 
física escolar. Universidade Estadual de Goiás. Goiás, 2006. CDD. 20.ed. 378.124. 
 
FREIRE, B. JOÃO; SCAGLIA, J. ALCIDES; Educação como pratica corporal. São Paulo: 
Scipione, 2003. 
 
GALLAHUE, L. DAVID; OZMUN C. JOHN; Compreendendo o desenvolvimento motor 
Bebês, Crianças, Adolescentes e Adultos. Editora Phorte – 3. ed. São Paulo 2002. 
 
GRAÇA, AMÂNDIO; Os como e os quandos no ensino dos jogos. Revista portuguesa dos 
jogos desportivos. Universidade do Porto, 1995. 
 
GRECO, J. PABLO; BENDA, N. RODOLFO; Iniciação esportiva universal: 1. Da 
aprendizagem motora ao treinamento técnico. Editora UFMG, Belo Horizonte, 1998. 
 
HURTADO, G.G. JOHANN; O ensino da Educação física: uma abordagem metodológica. 
Prodil – 3. ed. Porto Alegre, 1988. 
 
Revista Pensar a Prática | ISSN: 1980-6183
Revista Pensar a Prática. 2021, v.24:e70107
DOI 10.5216/rpp.v24.70107
Iniciação esportiva para escolares: os 
impactos na coordenação e no desempenho 
motor após um programa de ensino
Sports initiation for schoolchildren: impacts on 
coordination and motor performance after a teaching 
program
Iniciación deportiva para estudiantes: los impactos en la 
coordinación y en el desempeño motriz después de un 
programa de enseñanza
Nayanne Dias Araújo
Universidade Federal de Mato Grosso, Cuiabá, Mato Grosso, Brasil.
nayanne_araujo@hotmail.com
Henrique de Oliveira Castro
Universidade Federal de Mato Grosso, Cuiabá, Mato Grosso, Brasil.
henriquecastro88@yahoo.com.br
Allana Lendary Bernardo Ramos
Universidade Federal de Mato Grosso, Cuiabá, Mato Grosso, Brasil.
allana_lendary@hotmail.com
Tatiane Mazzardo
Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil.
tatimazzardo@hotmail.com
Gabriella Nelli Monteiro
Faculdade Centro Mato-Gossense, Sorriso, Mato Grosso, Brasil.
gnm_cba@hotnail.com
Layla Maria Campos Aburachid
Universidade Federal de Mato Grosso, Cuiabá, Mato Grosso, Brasil.
laylabur@hotmail.com
mailto:nayanne_araujo@hotmail.com
mailto:henriquecastro88@yahoo.com.br
mailto:allana_lendary@hotmail.com
mailto:tatimazzardo@hotmail.com
mailto:gnm_cba@hotnail.com
mailto:laylabur@hotmail.com
http://h
https://orcid.org/0000-0002-0983-0380
http://lattes.cnpq.br/5334413653185106
https://orcid.org/0000-0002-0545-164X
http://lattes.cnpq.br/1889880741208820
https://orcid.org/0000-0002-5435-7297
http://lattes.cnpq.br/1895986166123319
https://orcid.org/0000-0001-5732-1540
http://lattes.cnpq.br/5133971713951212
https://orcid.org/0000-0001-6656-4560
http://lattes.cnpq.br/8364032326574669
http://orcid.org/0000-0002-0116-9014
http://lattes.cnpq.br/8307738208768434
Revista Pensar a Prática | ISSN: 1980-6183
Revista Pensar a Prática. 2021, v.24:e70107
DOI 10.5216/rpp.v24.70107
Resumo: O objetivo do estudo foi identificar os impactos das propostas 
metodológicas, Iniciação Esportiva Universal e Escola da Bola, sobre 
o nível de coordenação motora e desenvolvimento motor de alunos 
participantes de aulas de Educação Física escolar. Participaram 40 
crianças (grupo experimental e controle) com idade entre oito e 10 
anos (7,85±0,48), de ambos os sexos. Durante 17 sessões, os sujeitos 
vivenciaram os conteúdos inerentes às propostas metodológicas, que 
tiveram sua concordância e coerência comprovados pela categorização 
das aulas. A aprendizagem incidental foi capaz de provocar melhorias na 
coordenação motora e no desenvolvimento motor, com grande efeito 
após a intervenção e aumento de chances de alteração das classificações 
propostas pelos testes aplicados.
Palavras-chave: Crianças. Educação Física. Aprendizagem.
Abstract: The aim of study was to identify the impacts of the methodological 
proposals Iniciação Esportiva Universal and Ball School on the level of 
motor coordination and motor performance of students participating in 
school Physical Education classes. 40 children participated (experimental 
and control group) aged 8 to 10 years (7.85±0.48), of both genders. 
During 17 sessions, the subjects experienced the contents inherent to 
the methodological proposals, with agreement and coherence proven by 
class categorization. Incidental learning was able to cause improvements 
in motor coordination and motor performance, with large effect size 
after intervention and increased chances of changing the classifications 
proposed by the applied tests.
Keywords: Children. Physical Education. Learning.
Resumen: El objetivo del estudio ha sido identificar los impactos de las 
propuestas metodológicas de Iniciación Deportiva Universal y Escuela 
del Balón sobre el nivel de coordinación motriz y motricidad de alumnos 
practicantes de clases de Educación Física escolar. 40 niños y niñas 
han participado (grupo experimental y control) con edad entre 8 y 10 
años (7,85±0,48). Durante 17 sesiones, experimentaron los contenidos 
inherentes a las propuestas metodológicas, que tuvieron su consistencia 
Revista Pensar a Prática | ISSN: 1980-6183
Revista Pensar a Prática. 2021, v.24:e70107
DOI 10.5216/rpp.v24.70107
y coherencia comprobados por la categorización de los contenidos 
desarrollados en las aulas. El aprendizaje incidental provocó mejoras 
en la coordinación motriz y motricidad, con tamaño del efecto grande 
después de laintervención y aumento de posibilidades de cambio de las 
clasificaciones propuestas por los testes aplicados. 
Palabras-clave: Niños. Educación Física. Aprendizaje.
Submetido em: 30-08-2021 
Aceito em: 09-09-2021
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Introdução
As transformações, ocorridas nos últimos anos, na pedagogia 
aplicada à Educação Física no contexto escolar proporcionam aos 
professores direcionamentos para o que ensinar e para o que os 
alunos devem aprender. Antes do planejamento e implementa-
ção, por exemplo, de um método de ensino, os professores devem 
considerar várias questões que orientam não só o processo de se-
leção de suas atividades, mas, como afirmam Gurvitch e Metzler 
(2013), devem considerar ainda as competências (tipos de resulta-
dos de aprendizagem pretendidos, enquadramento da tarefa de 
cada atividade de aprendizagem e envolvimento dos alunos) para 
além do conhecimento do conteúdo.
As formas de iniciar a criança no esporte, visando sua forma-
ção geral, receberam novas estruturações e reformulações, che-
gando a se tornarem propostas metodológicas de ensino compro-
vadas empiricamente por meio de estudos de intervenção (GRECO; 
MEMMERT; MORALES, 2010; MEMMERT, 2006; MEMMERT; ROTH, 
2007; MESQUITA et al., 2005). Estas propostas de iniciação esporti-
va se contrapõem aos métodos nomeados como tradicionais (ana-
lítico, global e misto), sendo anunciadas como métodos contempo-
râneos de ensino. Elas trazem consigo características pedagógicas 
comuns que geralmente contemplam os seguintes pontos: o aluno 
é o centro do processo de ensino, o domínio da prática é geral, o 
jogo deve ser estimulado desde o início, e a aprendizagem inciden-
tal deve ser estimulada antes da aprendizagem intencional. Diz-se, 
geralmente, que as intensidades de estímulos por aprendizagem 
intencional e incidental provocam variação no domínio de práti-
ca, como no caso do Teaching Games for Unserstanding (TGfU) e do 
Modelo Desenvolvimentista (ABURACHID et al., 2019). No Brasil, a 
comunidade acadêmica passou a se preocupar com as diferentes 
maneiras de desenvolver o processo de ensino-aprendizagem de 
crianças, com a realização de estudos sobre a iniciação esportiva, 
principalmente nos últimos quatro anos (ABURACHID et al., 2019; 
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BETTEGA et al., 2019; KRAHENBÜHL; LEONARDO, 2018; LAGES et 
al., 2021; VAZ et al., 2021).
Kleynen e colaboradores (2014) conceituam a aprendizagem 
intencional/explícita como uma aprendizagem que gera conheci-
mento verbal no desempenho do movimento, e necessita do en-
volvimento da memória de trabalho. Por outro lado, a aprendi-
zagem incidental/implícita envolve a aquisição não intencional e 
automática de conhecimento, com pouco ou quase nenhum au-
mento do conhecimento verbal no desempenho do movimento. 
Como exemplo prático de aprendizagem incidental, durante uma 
aula, o professor propõe aos alunos a realização de uma ativida-
de (podendo ser um exercício ou jogo), e os alunos, individual ou 
coletivamente, realizam a atividade sem demais instruções espe-
cíficas. Desta forma, identificam, por meio da prática, a melhor 
forma de executar as ações para atingir seu objetivo. A Iniciação 
Esportiva Universal (IEU) (GRECO; BENDA, 1998) e a Escola da Bola 
(EB) (KRÖGER; ROTH, 2005) são propostas metodológicas contem-
porâneas que estimulam a aprendizagem incidental e o domínio 
geral da prática. 
O domínio da prática decorre por meio da aprendizagem de 
conteúdos específicos ou gerais (RAAB, 2015). No domínio da prá-
tica específico, o professor estimula o aprendizado do aluno di-
rigindo-o à execução de fundamentos específicos de um esporte 
para chegar à melhor decisão em situações mais estreitas. Já no 
domínio da prática geral, os jogos táticos contemplam diferentes 
situações, ampliando os conceitos semelhantes entre os esportes, 
proporcionando, portanto, a transferência de seus conhecimentos 
(RAAB, 2015). As propostas metodológicas IEU e EB compreendem 
que a execução das tarefas para o desenvolvimento da capacidade 
de jogo se constrói por meio de processos pedagógicos do conhe-
cido para o novo, do geral para o específico e do simples para o 
complexo (GRECO et al., 2020).
Uma das variáveis, objeto de estudos atualmente em crianças, 
que se utiliza das propostas da IEU e EB é o desempenho motor. 
O estudo de Vaz e colaboradores (2021) demonstrou melhorias 
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na coordenação motora grossa de 73 crianças entre entre cinco 
e 10 anos de idade após uma intervenção baseada na estrutura 
TARGET e EB. Em outro estudo, desenvolvido por Lages e colabo-
radores (2021), após uma intervenção com o IEU com 24 crianças 
de 10 a 12 anos de idade, pertencentes a escolas das áreas ru-
ral e urbana, houve melhorias na coordenação motora com bola. 
Adicionalmente, estudos como os realizados por Cabral, Aburachid 
e Greco (2012), Aburachid e colaboradores (2015), Aburachid e co-
laboradores (2019) e Mazzardo e colaboradores (2020), além de 
aplicarem conteúdos por meio da aprendizagem incidental, tam-
bém os combinaram com o ensino de técnicas esportivas específi-
cas (handebol, voleibol, futsal e badminton) por meio da aprendi-
zagem intencional. 
Conforme observado, estudos de intervenção utilizando pro-
postas de aprendizagem incidental/implícita foram capazes de 
promover mudanças positivas nas variáveis de coordenação mo-
tora e desenvolvimento motor. Porém, nenhum estudo anterior 
avaliou os níveis de coordenação e desenvolvimento motor após 
uma intervenção metodológica híbrida do IEU+EB com crianças de 
oito a 10 anos no contexto escolar. Desta forma, o presente es-
tudo objetiva identificar os impactos do IEU+EB para a formação 
esportiva geral de crianças de oito a 10 anos, no contexto de ensi-
no escolar, sobre o nível de coordenação motora e do desenvolvi-
mento motor, considerando os efeitos tempo e sexo, e analisar a 
chance de alteração na classificação das variáveis. De acordo com 
os estudos expostos anteriormente, formula-se a hipótese que a 
proposta IEU+EB promoverá melhorias na coordenação motora e 
no desenvolvimento motor das crianças. 
Materiais e Métodos
Participantes
Inicialmente 40 escolares do ensino fundamental (grupo expe-
rimental = 20; grupo controle = 20), com idade entre oito e 10 anos 
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(7,85±0,48), determinados de forma não probabilística intencional, 
participariam do estudo. 
Como critério de inclusão, foram selecionados os escolares 
que estavam na faixa etária determinada e que não praticavam 
atividades esportivas extracurriculares. Foram excluídos do estu-
do os escolares que faltaram no momento de aplicação dos testes, 
que faltaram mais de três aulas ou que se recusaram a participar. 
Uma criança do grupo controle mudou-se de escola, e por isso, 
foi excluída do estudo. Outro participante do grupo experimental 
faltou a aplicação do pós-teste. Os dados obtidos deste sujeito no 
pré-teste foramduplicados no pós-teste, como permite o procedi-
mento de análise de intenção de tratar (GUPTA, 2011). Então, para 
o grupo controle foram analisadas 19 crianças.
Instrumentos
Para avaliação da coordenação motora, utilizou-se o 
Korperkoordination Test fur Kinder (KTK) (KIPHARD; SCHILLING, 
1974), validado para a população brasileira por Moreira e colabo-
radores (2019). Para avaliação do desenvolvimento motor, utili-
zou-se o Test of Gross Motor Development - second edition (TGMD-2) 
(ULRICH, 2000), validado para a população brasileira por Valentini 
e colaboradores (2008).
 
Procedimentos
O estudo caracteriza-se como descritivo com delineamento 
quase-experimental de grupo controle não equivalente. O estudo 
respeitou as normas estabelecidas pelo CNS e foi aprovado pelo 
CEP-UFMT sob o protocolo CAAE: 57863616.4.0000.5541 (parecer 
nº 1.928.736). Todos os alunos pertencentes às duas turmas do 3º 
ano do ensino fundamental de uma escola municipal da cidade de 
Cuiabá-MT foram convidados a participar. O delineamento seguiu 
a seguinte cronologia:
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a. Todos os participantes realizaram o pré-teste, a fim de 
quantificá-los quanto às variáveis dependentes antes da interven-
ção pedagógica. Neste momento foram aplicados o questionário 
de dados demográficos e os testes KTK e TGMD-2.
b. Durante os três meses de intervenção pedagógica, os par-
ticipantes do grupo experimental vivenciaram os conteúdos ine-
rentes às propostas metodológicas IEU+EB. Conforme Greco e 
colaboradores (2015) e Greco e colaboradores (2020), essas pro-
postas se complementam quanto aos conteúdos, e, por este mo-
tivo, decidiu-se aplicá-las em conjunto. A aplicação da intervenção 
foi realizada pela pesquisadora responsável, a fim de garantir que 
os conteúdos fossem empregados conforme as propostas meto-
dológicas e que a condição de aprendizagem emergida por parte 
dos alunos fosse incidental, como realizado em estudos prévios 
(PÍFFERO; VALENTINI, 2010; MAZZARDO et al., 2020). O grupo con-
trole continuou recebendo aulas de Educação Física com o pro-
fessor da escola. Todas as sessões de aula foram filmadas e ca-
tegorizadas, conforme a planilha de categorização validada por 
Soares e colaboradores (2010), permitindo-se observar a qualida-
de intencional do professor quanto as características pedagógicas 
das propostas metodológicas (ABURACHID et al., 2019). No que se 
refere à quantidade de sessões de aulas, baseando-se em consta-
tações de outros estudos (BRAUNER; VALENTINI, 2009; PÍFFERO; 
VALENTINI, 2010; MOREIRA; MATIAS; GRECO, 2013), o grupo ex-
perimental realizou 17 sessões de aulas, com duração média de 
90 minutos, para verificar se a intervenção produziria resultados 
positivos no processo de ensino-aprendizagem. O grupo controle 
participou da mesma quantidade de aulas com mesmo tempo mé-
dio de duração.
c. Após o período de três meses, ambos os grupos realiza-
ram o pós-teste. Neste momento foram aplicados os testes KTK e 
TGMD-2.
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Os procedimentos adotados estão descritos, de forma esque-
mática, na Figura 1.
Figura 1. Design experimental.
Nota: KTK = Korperkoordination Test fur Kinder; TGMD-2 = Test of Gross Motor Development - second edition; IEU = 
Iniciação Esportiva Universal; EB = Escola da bola; min = minutos.
Fonte: autores.
 
Intervenção pedagógica
Os participantes do grupo experimental receberam uma 
unidade didática conforme a proposta metodológica da IEU+EB 
(GRECO et al., 2015; GRECO et al., 2020), completando um tempo 
total de 1.524,58 minutos. A progressão pedagógica das aulas le-
vou em consideração a estimulação diversificada dos membros do 
corpo, uso de distintos implementos. Elegeu-se o modelo hélice de 
articulação vertical e horizontal (VICKERS, 1990; RINK, 2010) para 
estabelecer tais progressões. Na articulação vertical, adicionam-se 
elementos à tarefa com níveis de dificuldade distintas, para garan-
tir que se atinja o resultado final (inter-tarefas), e na articulação 
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horizontal, as tarefas propõem a estimulação das habilidades com 
níveis de dificuldades semelhantes (intra-tarefas). 
Os conteúdos tratados foram: capacidades coordenativas, ha-
bilidades técnicas, capacidades táticas básicas e pequenos jogos 
por meio de estruturas funcionais (criando situações de superiori-
dade, inferioridade e igualdade numéricas), além dos jogos para o 
desenvolvimento da inteligência e criatividade tática (JDICT), con-
forme constante no Quadro 1.
Quadro 1. Características pedagógicas do IEU+EB aplicados na intervenção de 
ensino.
Conteúdos Proposta meto-
dológica
Formas de aprendi-
zagem Domínio da prática
Ap
re
nd
iz
a-
ge
m
 m
ot
or
a Capacidades
coordenativas
EB
Incidental
estimulada por am-
bas as propostas 
metodológicas
Geral
estimulada por am-
bas as propostas 
metodológicas
Habilidades técnicas 
gerais EB
Ca
pa
ci
da
de
 
de
 jo
go
Capacidades táticas 
gerais EB
Estruturas funcionais IEU
JDICT IEU
Nota: JDICT = Jogos para o desenvolvimento da inteligência e criatividade tática; IEU = Iniciação Esportiva 
Universal; EB = Escola da bola.
Fonte: autores.
Categorização das aulas
As informações referentes à categorização das aulas, trazem 
à tona os temas abordados via conteúdos de ensino da IEU+EB. 
Por meio da categorização das aulas, apresentam-se as distribui-
ções das frequências de ocorrência e do tempo referente ao indi-
car tipos de segmento de aula e conteúdos de ensino, conforme a 
Tabela 1.
Revista Pensar a Prática. 2021, v.24:e70107
Iniciação esportiva para escolares: os impactos na coordenação e no desempenho motor...
Nayanne Dias Araújo • Henrique de Oliveira Castro • Allana Lendary Bernardo Ramos • Tatiane 
Mazzardo • Gabriella Nelli Monteiro • Layla Maria Campos Aburachid
Tabela 1. Frequência de ocorrência e tempo do indicador tipos de segmento 
da aula, quantidade de participantes e delimitação espacial.
Tipos segmento de aula f Min.
Quantidade 
de partici-
pantes f Min.
Delimitação 
espacial f Min.
Conversa com o professor 85 453,28 1 a 1 13 155,70 Círculo central 85 453,28
JDICT 12 182,70 Individual 22 298,23 Quadra de 
vôlei 20 266,42
Capacidades coordenati-
vas 20 269,72 1x1+1 1 7,80 ½ quadra de 
vôlei 22 253,30
Habilidades técnicas 
gerais 18 210,33 2 a 2 1 9,13 Quadra de 
futsal 19 246,18
Capacidades táticas gerais 23 274,48 2x2 5 61,77 1/2 quadra de 
futsal 9 130,48
Estruturas funcionais 12 134,07 2x2+1 1 12,73 1/4 quadra de 
vôlei 11 120,20
 2x1 3 32,13 1/4 quadra de 
futsal 4 54,72
 3x3 1 6,32
 3x1 1 9,25
 3x3+1 2 24,08
 3 ou mais 26 366,32
Nota: JDICT = Jogos para o desenvolvimento da inteligência e criatividade tática; f = frequência de ocorrência; min 
= minutos.
Fonte: autores.
A duração média das sessões de aula foi de 90 minutos, totali-
zando 1.524,58 minutos nas 17 sessões. Para além dos conteúdos 
transmitidos, inseriu-se a conversa com o professor. Nesse item 
constam o tempo para a orientação pedagógica, mudança/troca 
das atividades e hidratação, o que explica seu amplo quantitativo 
temporal (453,28 min).
Para identificar se o emprego do método de ensino foi aplicado 
coerentemente, utilizou-se o cálculo do qui-quadrado

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