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06/03/2020 Grupos de Alimentos e Guias Alimentares https://cead.uvv.br/graduacao/conteudo.php?aula=grupos-de-alimentos-e-guias-alimentares&dcp=composicao-dos-alimentos&topico=2 1/12 Lição 02 Grupos de Alimentos e Guias Alimentares Composição dos Alimentos Começar a aula 1. Grupos de alimentos e seus principais nutrientes Iniciaremos agora a compreensão dos alimentos quanto à sua composição. Para isso, percorreremos todos os grupos de alimentos, um a um, conceituando, caracterizando e analisando as propriedades nutricionais destes grupos. Antes, porém, é importante que façamos um resumo de como esses grupos se organizam. Passemos agora a analisar os principais grupos alimentares e suas respectivas contribuições no que diz respeito à composição nutricional. Vale lembrar que aqui faremos um breve resumo da composição dos grupos alimentares. No momento oportuno faremos a descrição mais detalhada de cada grupo nos módulos seguintes. 06/03/2020 Grupos de Alimentos e Guias Alimentares https://cead.uvv.br/graduacao/conteudo.php?aula=grupos-de-alimentos-e-guias-alimentares&dcp=composicao-dos-alimentos&topico=2 2/12 Os cereais são representados por grãos como arroz, trigo, aveia, milho, centeio, cevada e outros. São reconhecidos por serem as principais fontes de carboidratos entre os grupos de alimentos. Vale ressaltar que o fornecimento de carboidratos pelos cereais se refere a carboidratos complexos, ou seja, aqueles compostos por moléculas maiores, como o amido. Por essa característica, os cereais são as principais fontes de energia para a alimentação humana e o grupo com maior recomendação para consumo, em termos quantitativos. Outros nutrientes podem ser encontrados nos cereais, a depender do nível de processamento pelos quais passaram. As vitaminas do complexo B, especialmente a vitamina B1, são um exemplo destes nutrientes. Alguns minerais também podem ser encontrados, especialmente na casca e na película do grão, estruturas ausentes nos cereais polidos. Ainda no interior do grão, junto ao amido, podem ser encontradas quantidades consideráveis de proteínas de médio a baixo valor biológico. As Frutas, Verduras e Legumes, reconhecidos pela vasta variedade presente na natureza, são considerados os grupos de alimentos com a função principal de fornecer vitaminas, minerais e fibras, além de serem, normalmente, pouco calóricos. As frutas são as principais responsáveis pelo fornecimento de vitamina C na dieta. Outros nutrientes também podem ser encontrados, mas a variedade e o teor dos nutrientes nas frutas variam muito entre as espécies e cores das frutas. Algumas, por exemplo, são ricas em vitamina A, como o mamão. Outras podem ser ricas em alguns minerais, como potássio, a exemplo da banana. Além de vitaminas e minerais, as frutas são excelentes fornecedoras de água e carboidratos simples, especialmente a frutose; fibras solúveis e insolúveis. As hortaliças (verduras e legumes) possuem características nutricionais também variadas. As verduras são consideradas, via de regra, excelentes fontes de minerais (especialmente ferro, cálcio e magnésio) e vitaminas (especialmente A e C). Os legumes podem possuir quantidades variadas de carboidratos, podendo concentrar mais de 20% deste nutriente no alimento (como inhame, mandioca e batata baroa). Outros legumes podem apresentar vitaminas C, A e do complexo B, a depender da espécie. Outra consideração importante a se fazer quanto a este grupo de alimentos é que possui uma vasta variedade dos chamados compostos bioativos, a maioria com função antioxidante, que contribuem para a redução do risco de diversas doenças. As leguminosas são representadas por alimentos como o feijão, a soja, o grão-de-bico, a ervilha e a lentilha. Dentre os alimentos de origem vegetal, as leguminosas são inegavelmente aquelas com maior teor proteico. Para alimentação isentas em carne ou outros alimentos de origem animal, as leguminosas se tornam fundamentais para garantir o adequado fornecimento deste nutriente, essencial para diversas funções orgânicas, mesmo consideradas de baixo à médio valor biológico. Os grupos de alimentos. https://cead.uvv.br/conteudo/wp-content/uploads/2018/07/aula_comali_top1_img01.jpg 06/03/2020 Grupos de Alimentos e Guias Alimentares https://cead.uvv.br/graduacao/conteudo.php?aula=grupos-de-alimentos-e-guias-alimentares&dcp=composicao-dos-alimentos&topico=2 3/12 Além de proteínas, as leguminosas são também ricas em alguns minerais como ferro e algumas vitaminas do complexo B. Outro nutriente muito presente nas leguminosas é o carboidrato, presente sob a forma de amido (digerível) ou fibra alimentar (não digerível). Além do seu conteúdo nutricional, as leguminosas apresentam uma grande diversidade de fatores antinutricionais, o que requer do profissional da nutrição uma atenção especial para que os métodos de cocção e preparo das leguminosas sejam suficientes para reduzir ao máximo o teor de fatores antinutricionais, e dessa forma, garantir um maior aproveitamento dos nutrientes presentes. Carnes e ovos são as melhores fontes de proteína e ferro da dieta humana. Além da quantidade satisfatória, as proteínas presentes nas carnes e ovos são de alto valor biológico, ou seja, possuem ótimas digestibilidade e composição aminoacídica. Uma das proteínas do Ovo, a ovoalbumina, é considerada uma das melhores proteínas na natureza, em termos de qualidade. O ferro presente nas carnes é o chamado “ferro heme”, com biodisponibilidade superior ao presente nos alimentos de origem vegetal. Outro nutriente fundamental das carnes e ovos, assim como de outros alimentos de origem animal, é a vitamina B12 (cianocobalamina), uma vez que essa vitamina não é encontrada naturalmente em alimentos de origem vegetal. Outros nutrientes importantíssimos são encontrados especialmente na carne, como o zinco e a vitamina A (retinol). As carnes o os ovos também são importantes fornecedores de gorduras, incluindo o colesterol. Quando nos referimos aos leites e derivados, aludimos especificamente ao leite propriamente dito e aos seus variantes queijo e iogurte, uma vez que outros derivados do leite não apresentam características nutricionais completas. É o caso do creme de leite, da manteiga e dos sorvetes ou outros doces produzidos a partir do leite. Leite, queijo e iogurte, portanto, apresentam, dentre suas características principais, duas funções importantes: a de fornecer proteína de excelente qualidade, especialmente a caseína, a lactoglobulina e a lactoalbumina, e também cálcio de excelente biodisponibilidade. Outros nutrientes também podem ser encontrados no leite e seus derivados, especialmente a vitamina A (leite e iogurte integrais) e o fósforo. Vale ressaltar que o queijo, por possuir reduzida umidade quando comparado ao leite e ao iogurte, apresenta maior densidade nutricional (constituintes sólidos são mais concentrados). Nos leites e iogurtes integrais, haverá presença de gorduras. A lactose, carboidrato do leite, é encontrado em proporções que não ultrapassam 5% do alimento. Os açúcares e alimentos açucarados compõem as categorias de alimentos com maior densidade energética (calorias) e maior pobreza nutricional. Esses alimentos são compostos basicamente por carboidratos simples (açúcares, especialmente a sacarose) o que configura alimentos com alto índice glicêmico (que reflete a capacidade do alimento em elevar a glicose sanguínea – glicemia) e potencialmente prejudiciais à saúde quando consumidos em grandes quantidades. Assim como os açúcares e alimentos açucarados, óleos e gorduras são alimentos ou constituintes alimentares com alta densidade energética e fornecem basicamente um tipo de nutriente: os lipídios. Esses alimentos possuem basicamente a função de fornecer energia e ácidos graxos essenciais (ômega 3 e ômega 6) e podem carrear consigo outros nutrientes, especialmente as vitaminas lipossolúveis (Vitaminas A, D, E e K). Podem ser extraídos de grãos, como soja, milho, amendoim e outros, e também de alguns frutos, como o dendê e a azeitona, ou extraídosde alimentos de origem animal, como o leite de onde se obtém o creme de leite e a manteiga e a banha proveniente do porco. 06/03/2020 Grupos de Alimentos e Guias Alimentares https://cead.uvv.br/graduacao/conteudo.php?aula=grupos-de-alimentos-e-guias-alimentares&dcp=composicao-dos-alimentos&topico=2 4/12 É importante que fique entendido que uma alimentação saudável, sob a ótica das necessidades alimentares e nutricionais, perpassa pela ideia de que devemos consumir alimentos de todos os grupos ao longo de um dia, garantindo a oferta total dos nutrientes que necessitamos. Contudo, a existência dos grupos alimentares não nos remete, automaticamente, às escolhas alimentares. Para isso existem os chamados Guias Alimentares, dos quais trataremos a seguir. PARA REFLETIR Você consome alimentos de todos esses grupos no seu dia a dia? Faça essa observação: ao longo de um dia, observe quais grupos mais aparecem e quais grupos menos aparecem (ou não aparecem) na sua alimentação. 2. Guias alimentares O conhecimento e reconhecimento dos grupos alimentares é um primeiro passo para que as pessoas façam suas escolhas de forma a promover saúde. Partindo do pressuposto, por exemplo, que frutas e hortaliças são alimentos saudáveis, podemos inferir que, então, não há limitação quanto à quantidade ingerida ou às substituições realizadas? Supondo que um indivíduo consuma laranja, que é de fato um alimento saudável. Então, se ele consumir 10 laranjas de uma só vez, e está fazendo isso em substituição a uma refeição inteira (almoço, por exemplo), ainda temos uma prática alimentar saudável? Mais uma vez, apesar de o alimento consumido ser saudável, fora de um contexto ele pode representar um hábito e consumo não saudável. Sendo assim, a ideia dos guias alimentares nos parece bastante apropriada. Trata-se de instrumentos de orientação dietética baseados em alimentos e na organização dos grupos alimentares, e não em nutrientes. A definição dos guias alimentares e a justificativa para sua existência é o alto índice de doenças relacionadas à alimentação em todo o mundo, especialmente a obesidade e outras doenças associadas ou não a ela, como diabetes, hipertensão e câncer. Veja abaixo uma imagem que mostra a evolução do excesso de peso na população brasileira, de acordo com a última Pesquisa de Orçamento Familiar (POF 2008-2009) no Brasil. 06/03/2020 Grupos de Alimentos e Guias Alimentares https://cead.uvv.br/graduacao/conteudo.php?aula=grupos-de-alimentos-e-guias-alimentares&dcp=composicao-dos-alimentos&topico=2 5/12 A intenção dos guias alimentares é, portanto, serem orientadores de uma dieta balanceada e promotora da saúde, de forma que o indivíduo escolha, autonomamente, os alimentos do seu dia a dia. Os guias alimentares representam um conjunto de orientações dietéticas que promovem o bem- estar nutricional e permitem alcançar as necessidades nutricionais da população. Ressalta-se que o foco dos guias alimentares são os alimentos, não os nutrientes. De acordo com Barbosa, Colares e Soares (2008), orientar o consumo de alimentos, sem focar no nutriente, torna mais fácil a compreensão do que seriam hábitos alimentares saudáveis. Obviamente que o entendimento é que fazendo escolhas alimentares apropriadas o indivíduo alcançará seus requerimentos nutricionais. As recomendações dos guias possuem caráter mais provisório e global por serem baseados em uma variedade de informações incluindo evidências indiretas sobre a complexa relação entre componentes alimentares e o processo saúde-doença (ARAÚJO; SICHIERI, 2014). Ainda segundo Araújo e Sichieri (2014), “(...) o objetivo primordial dos guias alimentares e traduzir de forma simples e de fácil compreensão o conhecimento científico da nutrição a respeito da alimentação saudável. Para isso é importante considerar os principais problemas nutricionais da população alvo do guia, bem como os aspectos relacionados à identidade cultural de uma população, tendo em vista as características econômicas e sociais que determinam o custo e a disponibilidade dos alimentos.” Os guias alimentares, normalmente, são elaborados e implementados tendo como foco as populações saudáveis e padrões, com vistas a evitar doenças já citadas anteriormente. Mas ocasionalmente, podem ser elaborados guias alimentares para populações especificas, como atletas, vegetarianos, diabéticos, idosos, crianças, dentre outros. Evolução do Excesso de Peso no Brasil. 2.1. Elaboração dos guias alimentares https://cead.uvv.br/conteudo/wp-content/uploads/2018/07/aula_comali_top1_img02_.png 06/03/2020 Grupos de Alimentos e Guias Alimentares https://cead.uvv.br/graduacao/conteudo.php?aula=grupos-de-alimentos-e-guias-alimentares&dcp=composicao-dos-alimentos&topico=2 6/12 Uma importante reflexão que precisamos fazer sobre os guias alimentares é que eles não são elaborados com base em pressupostos teóricos e depois inseridos para sua adoção pela população alvo. O processo de elaboração de guias alimentares é complexo e envolve uma série de etapas que consideram, em primeira análise, os hábitos alimentares e fatores de risco relacionados à alimentação por parte da população. Vejamos, então, as principais considerações sobre as 6 etapas para formulação dos guias alimentares, segundo Araújo e Sichieri (2014) e Barbosa, Colares e Soares (2008): i. Planejamento: essa fase inclui a observação e caracterização dos principais fatores de risco e problemas associados à alimentação na população. Primeiro, busca-se identificar os grupos populacionais alvos do guia, ou seja, é necessário estabelecer se o guia será direcionado para menores de dois anos ou será para crianças maiores de 2 anos ou será para adolescentes o mesmo para adultos ou idosos. A partir da Identificação do público-alvo, caracterizam-se os principais problemas de saúde associados à alimentação nesta população, com auxílio da literatura científica. Por fim, se obtém um perfil das principais enfermidades, em termos de prevalência, na referida população e a viabilidade de soluções por meio de intervenções nutricionais. ii. Definição dos objetivos: esta fase consiste em formular quais serão os objetivos do guia para a prevenção e redução das doenças identificadas na etapa 1 a fim de promover hábitos e estilos de vida saudáveis que previnam tais enfermidades. iii. Elaboração técnica dos guias alimentares: a etapa 3 pressupõe o trabalho técnico dos profissionais da área de nutrição, visando transformar as metas qualitativas em quantidade de alimentos a serem ingeridos ao longo do dia, considerando a quantidade de nutrientes nos alimentos bem como seu porcionamento adequado traduzidos em medidas caseiras. iv. Seleção e pré-teste das orientações viáveis: esta fase compreende a necessidade de adaptação das recomendações à linguagem apropriada para a formulação das mensagens traduzidas pelo guia. É um trabalho feito por profissionais das ciências sociais, em pequena escala, com abordagem qualitativa. v. Elaboração dos guias alimentares: nesta etapa são feitas as mensagens e, quando for de interesse, a representação gráfica do guia para permitir a memorização das recomendações. A orientação é de que tais recomendações sejam sintetizadas em 6 a 8 mensagens e, adicionalmente, pode ser elaborada uma representação gráfica das orientações, com o intuito de facilitar a compreensão e a memorização das mensagens; vi. Validação, ensaio e ajustes dos guias alimentares: esta etapa é fundamental para assegurar que as mensagens, ou a representação gráfica, tenham sido compreendidas de forma aplicável e persuasiva pela população. De fato, de nada adiantaria mensagens corretas sendo divulgadas, mas incapazes de gerarem mudanças alimentares por não serem devidamente compreendidas pela população. Outras duas etapas podem ser incluídas nesta análise, que diz respeito à implementação e à avaliação, o que torna os guias alimentares algo em constante alteração, refletindo as mudanças alimentares impostas pela globalização e modernização dos hábitosalimentares. 06/03/2020 Grupos de Alimentos e Guias Alimentares https://cead.uvv.br/graduacao/conteudo.php?aula=grupos-de-alimentos-e-guias-alimentares&dcp=composicao-dos-alimentos&topico=2 7/12 2.2. Representações dos Guias Alimentares Conforme citado nas etapas de elaboração, os guias alimentares podem ser representados ou não por ícones/gráficos que resumam de forma didática as mensagens propostas para a população específica. Os países podem adotar ou não mensagens gráficas como guias alimentares oficiais. Vejamos alguns exemplos em países diversos: País Representação Gráfica Costa Rica Círculo da Alimentação Saudável Argentina Elipse dos Grupos de Alimentos Canadá Arco-íris China Pagoda Cuba Pratos dispostos em uma mesa EUA Prato Guatemala Panela Familiar dos Alimentos Honduras Cesta de Alimentos México Roda dos Alimentos Reino Unido Prato Saudável República Dominicana Pilão da Alimentação e Nutrição Uruguai Prato da Boa Alimentação Venezuela Peão dos Alimentos Fonte: FAO (2014) 06/03/2020 Grupos de Alimentos e Guias Alimentares https://cead.uvv.br/graduacao/conteudo.php?aula=grupos-de-alimentos-e-guias-alimentares&dcp=composicao-dos-alimentos&topico=2 8/12 O Brasil não adota, nem nunca adotou, nenhuma mensagem gráfica como guia alimentar oficial. Desde 2006, quando foi elaborado nosso primeiro guia alimentar, a proposta era a de resumir as orientações em mensagens – denominadas “10 passos para uma alimentação saudável”. Atualmente na sua segunda edição, o Guia Alimentar para a População Brasileira (BRASIL, 2014) é reconhecido como um dos mais modernos instrumentos de promoção da alimentação saudável no mundo, com orientações que perpassam não só a questão biológica do alimento, mas inclui também as questões socioambientais e políticas da alimentação, focando na qualidade da alimentação quanto ao processamento dos alimentos consumidos sem deixar de lado a valorização dos tradicionais grupos alimentares aqui apresentados. Além disso, o Brasil conta com um guia alimentar específico para crianças menores de 2 anos de idade, uma vez que o Guia Alimentar para a População Brasileira é destinado à população acima de 2 anos. Veja a imagem abaixo com as capas dos referidos materiais. Os 10 passos para uma alimentação saudável, criados e divulgados pela 2ª edição do Guia Alimentar para a População Brasileira (BRASIL, 2014) orienta quanto à escolha dos alimentos quanto ao seu nível de processamento e enfatiza os preceitos de um sistema alimentar saudável, ressaltando a importância do ambiente alimentar, tanto o que se come quanto o que se produz e comercializa. Aprofunde seus conhecimentos sobre os diferentes guias alimentares na América Latina clicando aqui. Guias Alimentares oficiais no Brasil: Guia Alimentar para a População Brasileira (1ª e 2ª edições – 2006 e 2014) e Guia Alimentar para Crianças Menores de 2 anos (2010). http://www.audyn.org.uy/sitio/repo/arch/i3677s.pdf https://cead.uvv.br/conteudo/wp-content/uploads/2018/07/aula_comali_top1_img03-768x333.png 06/03/2020 Grupos de Alimentos e Guias Alimentares https://cead.uvv.br/graduacao/conteudo.php?aula=grupos-de-alimentos-e-guias-alimentares&dcp=composicao-dos-alimentos&topico=2 9/12 2.3. A Pirâmide dos Alimentos A pirâmide dos alimentos é, talvez, um dos gráficos mais utilizados e conhecidos dentre os guias alimentares. O Brasil nunca utilizou este instrumento como guia oficial, mas é fato que sua difusão entre os profissionais de saúde e população em geral repercutiu muito e até hoje este guia é utilizado. Antes da disseminação da Pirâmide dos Alimentos como guia alimentar, a roda de alimentos era utilizada em diversos países, incluindo Estados Unidos e Brasil. Após pesquisa para verificar qual forma gráfica era mais aceita pela população, na década de 1980, constatou-se que a distribuição dos alimentos em formas de roda não surtia mais os resultados esperados. A roda apresentava os alimentos divididos conforme a sua função (construtores reguladores e energéticos) sem representação hierárquica, o que provocava interpretações variadas e controvertidas sobre a alimentação. Outras formas de apresentação foram testadas, de forma que a pirâmide foi selecionada como ícone mais adequado ao entendimento. Os Estados Unidos adotaram a pirâmide dos alimentos como guia oficial em 1992. Em 1999, considerando a boa repercussão deste ícone, PHILIPPI et al. (1999) elaboraram uma adaptação da proposta americana de pirâmide de alimentos para o Brasil. A pirâmide dos alimentos adaptada para a população brasileira baseou-se inicialmente no planejamento de três dietas com diferentes valores energéticos: 1600 Kcal, 2200 Kcal e 2800 Kcal. De acordo com PHILIPPI (2008, p. 11), “Foram organizados oito grupos de alimentos adaptados para os hábitos alimentares brasileiros e para o estabelecimento do número de porções dos diferentes grupos, os alimentos foram organizados em medidas usuais para a população brasileira e o respectivo peso em gramas. Cada medida usual também foi estimada segundo valor energético médio de cada porção do grupo alimentar. A medida usual de consumo (fatia, copo de requeijão, unidade) foi a terminologia adotada em complementação ou substituição às medidas caseiras (colher de sopa, xícara). A adoção de medida usual permite um melhor entendimento da quantidade do alimento, uma vez que está presente na prática alimentar diária do indivíduo e na cultura do país.” Comparativamente à pirâmide americana, de 1992, várias modificações foram realizadas neste modelo brasileiro: adequação do tamanho das porções usuais; Pirâmide Alimentar Adaptada para a População Brasileira (1ª versão). https://cead.uvv.br/conteudo/wp-content/uploads/2018/07/aula_comali_top1_img04.png 06/03/2020 Grupos de Alimentos e Guias Alimentares https://cead.uvv.br/graduacao/conteudo.php?aula=grupos-de-alimentos-e-guias-alimentares&dcp=composicao-dos-alimentos&topico=2 10/12 inclusão de alimentos regionais; adaptação da quantidade de porções dos diferentes níveis energéticos; maior incentivo ao consumo de frutas, legumes e verduras, com definição de porções maiores. separação das leguminosas e oleaginosas (castanhas e nozes) do grupo de carnes e ovos separação dos grupos “óleos e gorduras” e “açúcares e alimentos açucarados” e definição quantitativa de seu consumo; inclusão de legendas de óleos e gorduras e açúcares, distribuídos por todos os níveis da pirâmide, para indicar a presença destes componentes nos alimentos. Em 2005, a pirâmide alimentar brasileira foi novamente adaptada, com vistas a se ajustar aos padrões dietéticos nacionais, que indicavam um consumo médio de 2.000 Kcal diárias pelo brasileiro adulto. Mesmo com tais adaptações, a pirâmide alimentar é considerada um instrumento com algumas limitações no que diz respeito à promoção da autonomia nas escolhas alimentares. O que você acha? Para o detalhamento de como se deu a elaboração desta pirâmide alimento, acesse o link abaixo: Artigo “Pirâmide alimentar adaptada: guia para escolha dos alimentos”: Clique aqui para acessar. Pirâmide Alimentar Adaptada para a População Brasileira (2ª versão). http://www.scielo.br/pdf/rn/v12n1/v12n1a06 https://cead.uvv.br/conteudo/wp-content/uploads/2018/07/aula_comali_top1_img05.png 06/03/2020 Grupos de Alimentos e Guias Alimentares https://cead.uvv.br/graduacao/conteudo.php?aula=grupos-de-alimentos-e-guias-alimentares&dcp=composicao-dos-alimentos&topico=2 11/12 2.3.1 Os princípios da Pirâmide dos Alimentos A pirâmide alimentar é norteada por três princípios básicos, independentemente da versão deste guia. O primeiro deles é a moderação, que está representada pela quantidade de porções de cada grupo de alimentos. Este princípio indica que o consumo de alimentos deve se limitar à quantidade de porções, sendo que o excesso pode trazer prejuízos à saúde humana, especialmente quando se tratar de alimentos ricos em açúcares ou gorduras. O segundo princípio é o da variedade, que indica a necessidade de consumirmos alimentosdos vários grupos e também diferentes alimentos dentro do próprio grupo. Este princípio visa garantir o consumo de todos os nutrientes necessários, considerando as especificidades dos grupos e dos alimentos, além de coibir a monotonia alimentar. O terceiro princípio é o da proporcionalidade, que diz respeito à ideia de que quanto maior o tamanho do grupo na pirâmide, maior deve ser o consumo dos alimentos. Por exemplo, os alimentos da base da pirâmide, representada pelo grupo de cereais, pães, tubérculos e raízes, devem ser consumidos em maior quantidade (5 a 9 poções) quando comparados aos alimentos do ápice da pirâmide (óleos e gorduras, 1 a 2 porções, por exemplo). PARA REFLETIR Quais as vantagens e desvantagens que você consegue perceber na utilização da pirâmide alimentar como instrumento de educação alimentar e nutricional? Faça uma breve busca na bibliografia e liste tais evidências! 3. Conclusão Neste tópico nos dedicamos a analisar os grupos de alimentos e sua relação com os guias alimentares. A premissa é simples: a mera existência e conhecimento sobre os grupos alimentares acerca de suas características de composição nutricional não são suficientes para elucidar como esses mesmos grupos devem se organizar em uma dieta habitual para promover a alimentação adequada e saudável de uma população. Desta forma, os guias alimentares baseados em alimentos se destinam a este fim: propor, de diferentes formas, a organização dos grupos alimentares para que os indivíduos, autonomamente, consigam fazer escolhas que garantam uma rotina habitual que promova saúde através de uma 06/03/2020 Grupos de Alimentos e Guias Alimentares https://cead.uvv.br/graduacao/conteudo.php?aula=grupos-de-alimentos-e-guias-alimentares&dcp=composicao-dos-alimentos&topico=2 12/12 alimentação adequada e saudável. 4. Referências ARAUJO, M. C.; SICHIERI, R. Formulação, avaliação e aplicações de guias alimentares. In: CARDOSO, M. A. (org.). Nutrição em Saúde Coletiva. São Paulo: Atheneu, 2014. BARBOSA, R. M. S.; COLARES, L. G. T.; SOARES, E. A. Desenvolvimento de guias alimentares em diversos países. Revista de Nutrição, v.21, n. 4, p. 455-467, 2008. BRASIL. Ministério da Saúde. Departamento de Atenção Básica. Coordenação Geral de Alimentação e Nutrição. Guia Alimentar para a População Brasileira. 2. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2014. GOMES, H. M. S.; TEIXEIRA, E. M. B. Pirâmide alimentar: guia para alimentação saudável. Boletim Técnico IFTM, ano 2, n. 3, p. 10-15, 2016. MARTINS, K. A.; FREIRE, M. C. M. Guias alimentares para populações: aspectos históricos e conceituais. Brasil Médica. v.45, n.4, p.291-302, 2008. ORGANIZACIÓN DE LAS NACIONES UNIDAS PARA LA ALIMENTACIÓN Y LA AGRICULTURA. El estado de las guias alimentarias basadas em alimentos em América Latina y el Caribe. FAO: Roma, 2014. PHILIPPI, S. T. Alimentação Saudável e a pirâmide dos alimentos. In: PHILIPPI, S. T. (coord.). Pirâmide dos Alimentos: fundamentos básicos da nutrição. Barueri, São Paulo: Manole, 2008. PHILIPPI, S. T. et al. Pirâmide alimentar adaptada: guia para escolha de alimentos. Revista de Nutrição, v.12, n.1, p. 65-80, 1999. YouTube. (2015, Abril, 06). Senado Federal. Guia traz 10 novas regras para uma alimentação saudável. 04min26seg. Disponível em: . Acesso em: 29 maio 2018. YouTube. (2013, Janeiro, 25). Marinha Farinha Filmes. Muito Além do Peso – Oficial. 01h23min43seg. Disponível em: . Acesso em: 12 jun 2018.