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06/03/2020 Grupos de Alimentos e Guias Alimentares
https://cead.uvv.br/graduacao/conteudo.php?aula=grupos-de-alimentos-e-guias-alimentares&dcp=composicao-dos-alimentos&topico=2 1/12
Lição 02
Grupos de Alimentos e Guias
Alimentares
Composição dos Alimentos
Começar a aula
1. Grupos de alimentos e seus principais
nutrientes
Iniciaremos agora a compreensão dos alimentos quanto à sua composição. Para isso,
percorreremos todos os grupos de alimentos, um a um, conceituando, caracterizando e analisando
as propriedades nutricionais destes grupos.
Antes, porém, é importante que façamos um resumo de como esses grupos se organizam.
Passemos agora a analisar os principais grupos alimentares e suas respectivas contribuições no que
diz respeito à composição nutricional. Vale lembrar que aqui faremos um breve resumo da
composição dos grupos alimentares. No momento oportuno faremos a descrição mais detalhada de
cada grupo nos módulos seguintes.
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Os cereais são representados por grãos como arroz, trigo, aveia, milho, centeio, cevada e outros.
São reconhecidos por serem as principais fontes de carboidratos entre os grupos de alimentos. Vale
ressaltar que o fornecimento de carboidratos pelos cereais se refere a carboidratos complexos, ou
seja, aqueles compostos por moléculas maiores, como o amido. Por essa característica, os cereais
são as principais fontes de energia para a alimentação humana e o grupo com maior recomendação
para consumo, em termos quantitativos. Outros nutrientes podem ser encontrados nos cereais, a
depender do nível de processamento pelos quais passaram. As vitaminas do complexo B,
especialmente a vitamina B1, são um exemplo destes nutrientes. Alguns minerais também podem
ser encontrados, especialmente na casca e na película do grão, estruturas ausentes nos cereais
polidos. Ainda no interior do grão, junto ao amido, podem ser encontradas quantidades
consideráveis de proteínas de médio a baixo valor biológico.
As Frutas, Verduras e Legumes, reconhecidos pela vasta variedade presente na natureza, são
considerados os grupos de alimentos com a função principal de fornecer vitaminas, minerais e
fibras, além de serem, normalmente, pouco calóricos. As frutas são as principais responsáveis pelo
fornecimento de vitamina C na dieta. Outros nutrientes também podem ser encontrados, mas a
variedade e o teor dos nutrientes nas frutas variam muito entre as espécies e cores das frutas.
Algumas, por exemplo, são ricas em vitamina A, como o mamão. Outras podem ser ricas em alguns
minerais, como potássio, a exemplo da banana. Além de vitaminas e minerais, as frutas são
excelentes fornecedoras de água e carboidratos simples, especialmente a frutose; fibras solúveis e
insolúveis. As hortaliças (verduras e legumes) possuem características nutricionais também
variadas. As verduras são consideradas, via de regra, excelentes fontes de minerais (especialmente
ferro, cálcio e magnésio) e vitaminas (especialmente A e C). Os legumes podem possuir quantidades
variadas de carboidratos, podendo concentrar mais de 20% deste nutriente no alimento (como
inhame, mandioca e batata baroa). Outros legumes podem apresentar vitaminas C, A e do complexo
B, a depender da espécie. Outra consideração importante a se fazer quanto a este grupo de
alimentos é que possui uma vasta variedade dos chamados compostos bioativos, a maioria com
função antioxidante, que contribuem para a redução do risco de diversas doenças.
As leguminosas são representadas por alimentos como o feijão, a soja, o grão-de-bico, a ervilha e
a lentilha. Dentre os alimentos de origem vegetal, as leguminosas são inegavelmente aquelas com
maior teor proteico. Para alimentação isentas em carne ou outros alimentos de origem animal, as
leguminosas se tornam fundamentais para garantir o adequado fornecimento deste nutriente,
essencial para diversas funções orgânicas, mesmo consideradas de baixo à médio valor biológico.
Os grupos de alimentos.
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Além de proteínas, as leguminosas são também ricas em alguns minerais como ferro e algumas
vitaminas do complexo B. Outro nutriente muito presente nas leguminosas é o carboidrato,
presente sob a forma de amido (digerível) ou fibra alimentar (não digerível). Além do seu conteúdo
nutricional, as leguminosas apresentam uma grande diversidade de fatores antinutricionais, o que
requer do profissional da nutrição uma atenção especial para que os métodos de cocção e preparo
das leguminosas sejam suficientes para reduzir ao máximo o teor de fatores antinutricionais, e
dessa forma, garantir um maior aproveitamento dos nutrientes presentes.
Carnes e ovos são as melhores fontes de proteína e ferro da dieta humana. Além da quantidade
satisfatória, as proteínas presentes nas carnes e ovos são de alto valor biológico, ou seja, possuem
ótimas digestibilidade e composição aminoacídica. Uma das proteínas do Ovo, a ovoalbumina, é
considerada uma das melhores proteínas na natureza, em termos de qualidade. O ferro presente
nas carnes é o chamado “ferro heme”, com biodisponibilidade superior ao presente nos alimentos
de origem vegetal. Outro nutriente fundamental das carnes e ovos, assim como de outros alimentos
de origem animal, é a vitamina B12 (cianocobalamina), uma vez que essa vitamina não é
encontrada naturalmente em alimentos de origem vegetal. Outros nutrientes importantíssimos são
encontrados especialmente na carne, como o zinco e a vitamina A (retinol). As carnes o os ovos
também são importantes fornecedores de gorduras, incluindo o colesterol.
Quando nos referimos aos leites e derivados, aludimos especificamente ao leite propriamente
dito e aos seus variantes queijo e iogurte, uma vez que outros derivados do leite não apresentam
características nutricionais completas. É o caso do creme de leite, da manteiga e dos sorvetes ou
outros doces produzidos a partir do leite. Leite, queijo e iogurte, portanto, apresentam, dentre suas
características principais, duas funções importantes: a de fornecer proteína de excelente qualidade,
especialmente a caseína, a lactoglobulina e a lactoalbumina, e também cálcio de excelente
biodisponibilidade. Outros nutrientes também podem ser encontrados no leite e seus derivados,
especialmente a vitamina A (leite e iogurte integrais) e o fósforo. Vale ressaltar que o queijo, por
possuir reduzida umidade quando comparado ao leite e ao iogurte, apresenta maior densidade
nutricional (constituintes sólidos são mais concentrados). Nos leites e iogurtes integrais, haverá
presença de gorduras. A lactose, carboidrato do leite, é encontrado em proporções que não
ultrapassam 5% do alimento.
Os açúcares e alimentos açucarados compõem as categorias de alimentos com maior
densidade energética (calorias) e maior pobreza nutricional. Esses alimentos são compostos
basicamente por carboidratos simples (açúcares, especialmente a sacarose) o que configura
alimentos com alto índice glicêmico (que reflete a capacidade do alimento em elevar a glicose
sanguínea – glicemia) e potencialmente prejudiciais à saúde quando consumidos em grandes
quantidades.
Assim como os açúcares e alimentos açucarados, óleos e gorduras são alimentos ou constituintes
alimentares com alta densidade energética e fornecem basicamente um tipo de nutriente: os
lipídios. Esses alimentos possuem basicamente a função de fornecer energia e ácidos graxos
essenciais (ômega 3 e ômega 6) e podem carrear consigo outros nutrientes, especialmente as
vitaminas lipossolúveis (Vitaminas A, D, E e K). Podem ser extraídos de grãos, como soja, milho,
amendoim e outros, e também de alguns frutos, como o dendê e a azeitona, ou extraídosde
alimentos de origem animal, como o leite de onde se obtém o creme de leite e a manteiga e a banha
proveniente do porco.
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É importante que fique entendido que uma alimentação saudável, sob a ótica das necessidades
alimentares e nutricionais, perpassa pela ideia de que devemos consumir alimentos de todos os
grupos ao longo de um dia, garantindo a oferta total dos nutrientes que necessitamos.
Contudo, a existência dos grupos alimentares não nos remete, automaticamente, às escolhas
alimentares. Para isso existem os chamados Guias Alimentares, dos quais trataremos a seguir.
PARA REFLETIR
Você consome alimentos de todos esses grupos no seu dia a dia? Faça essa observação: ao longo de
um dia, observe quais grupos mais aparecem e quais grupos menos aparecem (ou não aparecem)
na sua alimentação.
2. Guias alimentares
O conhecimento e reconhecimento dos grupos alimentares é um primeiro passo para que as pessoas
façam suas escolhas de forma a promover saúde. Partindo do pressuposto, por exemplo, que frutas
e hortaliças são alimentos saudáveis, podemos inferir que, então, não há limitação quanto à
quantidade ingerida ou às substituições realizadas? Supondo que um indivíduo consuma laranja,
que é de fato um alimento saudável. Então, se ele consumir 10 laranjas de uma só vez, e está
fazendo isso em substituição a uma refeição inteira (almoço, por exemplo), ainda temos uma
prática alimentar saudável? Mais uma vez, apesar de o alimento consumido ser saudável, fora de
um contexto ele pode representar um hábito e consumo não saudável.
Sendo assim, a ideia dos guias alimentares nos parece bastante apropriada. Trata-se de
instrumentos de orientação dietética baseados em alimentos e na organização dos grupos
alimentares, e não em nutrientes. A definição dos guias alimentares e a justificativa para sua
existência é o alto índice de doenças relacionadas à alimentação em todo o mundo, especialmente a
obesidade e outras doenças associadas ou não a ela, como diabetes, hipertensão e câncer. Veja
abaixo uma imagem que mostra a evolução do excesso de peso na população brasileira, de acordo
com a última Pesquisa de Orçamento Familiar (POF 2008-2009) no Brasil.
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A intenção dos guias alimentares é, portanto, serem orientadores de uma dieta balanceada e
promotora da saúde, de forma que o indivíduo escolha, autonomamente, os alimentos do seu dia a
dia.
Os guias alimentares representam um conjunto de orientações dietéticas que promovem o bem-
estar nutricional e permitem alcançar as necessidades nutricionais da população.
Ressalta-se que o foco dos guias alimentares são os alimentos, não os nutrientes. De acordo com
Barbosa, Colares e Soares (2008), orientar o consumo de alimentos, sem focar no nutriente, torna
mais fácil a compreensão do que seriam hábitos alimentares saudáveis.
Obviamente que o entendimento é que fazendo escolhas alimentares apropriadas o indivíduo
alcançará seus requerimentos nutricionais. As recomendações dos guias possuem caráter mais
provisório e global por serem baseados em uma variedade de informações incluindo evidências
indiretas sobre a complexa relação entre componentes alimentares e o processo saúde-doença
(ARAÚJO; SICHIERI, 2014).
Ainda segundo Araújo e Sichieri (2014),
“(...) o objetivo primordial dos guias alimentares e traduzir de forma simples e de fácil
compreensão o conhecimento científico da nutrição a respeito da alimentação saudável. Para
isso é importante considerar os principais problemas nutricionais da população alvo do guia,
bem como os aspectos relacionados à identidade cultural de uma população, tendo em vista
as características econômicas e sociais que determinam o custo e a disponibilidade dos
alimentos.”
Os guias alimentares, normalmente, são elaborados e implementados tendo como foco as
populações saudáveis e padrões, com vistas a evitar doenças já citadas anteriormente. Mas
ocasionalmente, podem ser elaborados guias alimentares para populações especificas, como atletas,
vegetarianos, diabéticos, idosos, crianças, dentre outros.
Evolução do Excesso de Peso no Brasil.
2.1. Elaboração dos guias alimentares
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Uma importante reflexão que precisamos fazer sobre os guias alimentares é que eles não são
elaborados com base em pressupostos teóricos e depois inseridos para sua adoção pela população
alvo. O processo de elaboração de guias alimentares é complexo e envolve uma série de etapas que
consideram, em primeira análise, os hábitos alimentares e fatores de risco relacionados à
alimentação por parte da população.
Vejamos, então, as principais considerações sobre as 6 etapas para formulação dos guias
alimentares, segundo Araújo e Sichieri (2014) e Barbosa, Colares e Soares (2008):
i. Planejamento: essa fase inclui a observação e caracterização dos principais fatores de risco e
problemas associados à alimentação na população. Primeiro, busca-se identificar os grupos
populacionais alvos do guia, ou seja, é necessário estabelecer se o guia será direcionado para
menores de dois anos ou será para crianças maiores de 2 anos ou será para adolescentes o
mesmo para adultos ou idosos. A partir da Identificação do público-alvo, caracterizam-se os
principais problemas de saúde associados à alimentação nesta população, com auxílio da
literatura científica. Por fim, se obtém um perfil das principais enfermidades, em termos de
prevalência, na referida população e a viabilidade de soluções por meio de intervenções
nutricionais.
ii. Definição dos objetivos: esta fase consiste em formular quais serão os objetivos do guia para a
prevenção e redução das doenças identificadas na etapa 1 a fim de promover hábitos e estilos
de vida saudáveis que previnam tais enfermidades.
iii. Elaboração técnica dos guias alimentares: a etapa 3 pressupõe o trabalho técnico dos
profissionais da área de nutrição, visando transformar as metas qualitativas em quantidade de
alimentos a serem ingeridos ao longo do dia, considerando a quantidade de nutrientes nos
alimentos bem como seu porcionamento adequado traduzidos em medidas caseiras.
iv. Seleção e pré-teste das orientações viáveis: esta fase compreende a necessidade de adaptação
das recomendações à linguagem apropriada para a formulação das mensagens traduzidas pelo
guia. É um trabalho feito por profissionais das ciências sociais, em pequena escala, com
abordagem qualitativa.
v. Elaboração dos guias alimentares: nesta etapa são feitas as mensagens e, quando for de
interesse, a representação gráfica do guia para permitir a memorização das recomendações. A
orientação é de que tais recomendações sejam sintetizadas em 6 a 8 mensagens e,
adicionalmente, pode ser elaborada uma representação gráfica das orientações, com o intuito
de facilitar a compreensão e a memorização das mensagens;
vi. Validação, ensaio e ajustes dos guias alimentares: esta etapa é fundamental para assegurar que
as mensagens, ou a representação gráfica, tenham sido compreendidas de forma aplicável e
persuasiva pela população. De fato, de nada adiantaria mensagens corretas sendo divulgadas,
mas incapazes de gerarem mudanças alimentares por não serem devidamente compreendidas
pela população.
Outras duas etapas podem ser incluídas nesta análise, que diz respeito à implementação e à
avaliação, o que torna os guias alimentares algo em constante alteração, refletindo as mudanças
alimentares impostas pela globalização e modernização dos hábitosalimentares.
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2.2. Representações dos Guias Alimentares
Conforme citado nas etapas de elaboração, os guias alimentares podem ser representados ou não
por ícones/gráficos que resumam de forma didática as mensagens propostas para a população
específica. Os países podem adotar ou não mensagens gráficas como guias alimentares oficiais.
Vejamos alguns exemplos em países diversos:
País Representação Gráfica
Costa Rica Círculo da Alimentação Saudável
Argentina Elipse dos Grupos de Alimentos
Canadá Arco-íris
China Pagoda
Cuba Pratos dispostos em uma mesa
EUA Prato
Guatemala Panela Familiar dos Alimentos
Honduras Cesta de Alimentos
México Roda dos Alimentos
Reino Unido Prato Saudável
República Dominicana Pilão da Alimentação e Nutrição
Uruguai Prato da Boa Alimentação
Venezuela Peão dos Alimentos
Fonte: FAO (2014)
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O Brasil não adota, nem nunca adotou, nenhuma mensagem gráfica como guia alimentar oficial.
Desde 2006, quando foi elaborado nosso primeiro guia alimentar, a proposta era a de resumir as
orientações em mensagens – denominadas “10 passos para uma alimentação saudável”.
Atualmente na sua segunda edição, o Guia Alimentar para a População Brasileira (BRASIL, 2014) é
reconhecido como um dos mais modernos instrumentos de promoção da alimentação saudável no
mundo, com orientações que perpassam não só a questão biológica do alimento, mas inclui também
as questões socioambientais e políticas da alimentação, focando na qualidade da alimentação
quanto ao processamento dos alimentos consumidos sem deixar de lado a valorização dos
tradicionais grupos alimentares aqui apresentados.
Além disso, o Brasil conta com um guia alimentar específico para crianças menores de 2 anos de
idade, uma vez que o Guia Alimentar para a População Brasileira é destinado à população acima de
2 anos.
Veja a imagem abaixo com as capas dos referidos materiais.
Os 10 passos para uma alimentação saudável, criados e divulgados pela 2ª edição do Guia
Alimentar para a População Brasileira (BRASIL, 2014) orienta quanto à escolha dos alimentos
quanto ao seu nível de processamento e enfatiza os preceitos de um sistema alimentar saudável,
ressaltando a importância do ambiente alimentar, tanto o que se come quanto o que se produz e
comercializa.
Aprofunde seus conhecimentos sobre os diferentes guias alimentares na América Latina clicando
aqui.
Guias Alimentares oficiais no Brasil: Guia Alimentar para a População Brasileira (1ª e 2ª edições – 2006 e 2014) e Guia
Alimentar para Crianças Menores de 2 anos (2010).
http://www.audyn.org.uy/sitio/repo/arch/i3677s.pdf
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2.3. A Pirâmide dos Alimentos
A pirâmide dos alimentos é, talvez, um dos gráficos mais utilizados e conhecidos dentre os guias
alimentares. O Brasil nunca utilizou este instrumento como guia oficial, mas é fato que sua difusão
entre os profissionais de saúde e população em geral repercutiu muito e até hoje este guia é
utilizado.
Antes da disseminação da Pirâmide dos Alimentos como guia alimentar, a roda de alimentos era
utilizada em diversos países, incluindo Estados Unidos e Brasil. Após pesquisa para verificar qual
forma gráfica era mais aceita pela população, na década de 1980, constatou-se que a distribuição
dos alimentos em formas de roda não surtia mais os resultados esperados. A roda apresentava os
alimentos divididos conforme a sua função (construtores reguladores e energéticos) sem
representação hierárquica, o que provocava interpretações variadas e controvertidas sobre a
alimentação. Outras formas de apresentação foram testadas, de forma que a pirâmide foi
selecionada como ícone mais adequado ao entendimento.
Os Estados Unidos adotaram a pirâmide dos alimentos como guia oficial em 1992. Em 1999,
considerando a boa repercussão deste ícone, PHILIPPI et al. (1999) elaboraram uma adaptação da
proposta americana de pirâmide de alimentos para o Brasil.
A pirâmide dos alimentos adaptada para a população brasileira baseou-se inicialmente no
planejamento de três dietas com diferentes valores energéticos: 1600 Kcal, 2200 Kcal e 2800 Kcal.
De acordo com PHILIPPI (2008, p. 11),
“Foram organizados oito grupos de alimentos adaptados para os hábitos alimentares
brasileiros e para o estabelecimento do número de porções dos diferentes grupos, os
alimentos foram organizados em medidas usuais para a população brasileira e o respectivo
peso em gramas. Cada medida usual também foi estimada segundo valor energético médio de
cada porção do grupo alimentar. A medida usual de consumo (fatia, copo de requeijão,
unidade) foi a terminologia adotada em complementação ou substituição às medidas caseiras
(colher de sopa, xícara). A adoção de medida usual permite um melhor entendimento da
quantidade do alimento, uma vez que está presente na prática alimentar diária do indivíduo
e na cultura do país.”
Comparativamente à pirâmide americana, de 1992, várias modificações foram realizadas neste
modelo brasileiro:
adequação do tamanho das porções usuais;
Pirâmide Alimentar Adaptada para a População Brasileira (1ª versão).
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inclusão de alimentos regionais;
adaptação da quantidade de porções dos diferentes níveis energéticos;
maior incentivo ao consumo de frutas, legumes e verduras, com definição de porções maiores.
separação das leguminosas e oleaginosas (castanhas e nozes) do grupo de carnes e ovos
separação dos grupos “óleos e gorduras” e “açúcares e alimentos açucarados” e definição
quantitativa de seu consumo;
inclusão de legendas de óleos e gorduras e açúcares, distribuídos por todos os níveis da
pirâmide, para indicar a presença destes componentes nos alimentos.
Em 2005, a pirâmide alimentar brasileira foi novamente adaptada, com vistas a se ajustar aos
padrões dietéticos nacionais, que indicavam um consumo médio de 2.000 Kcal diárias pelo
brasileiro adulto.
Mesmo com tais adaptações, a pirâmide alimentar é considerada um instrumento com algumas
limitações no que diz respeito à promoção da autonomia nas escolhas alimentares. O que você
acha?
Para o detalhamento de como se deu a elaboração desta pirâmide alimento, acesse o link
abaixo:
Artigo “Pirâmide alimentar adaptada: guia para escolha dos alimentos”: Clique aqui para acessar.
Pirâmide Alimentar Adaptada para a População Brasileira (2ª versão).
http://www.scielo.br/pdf/rn/v12n1/v12n1a06
https://cead.uvv.br/conteudo/wp-content/uploads/2018/07/aula_comali_top1_img05.png
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2.3.1 Os princípios da Pirâmide dos Alimentos
A pirâmide alimentar é norteada por três princípios básicos, independentemente da versão deste
guia.
O primeiro deles é a moderação, que está representada pela quantidade de porções de cada grupo
de alimentos. Este princípio indica que o consumo de alimentos deve se limitar à quantidade de
porções, sendo que o excesso pode trazer prejuízos à saúde humana, especialmente quando se
tratar de alimentos ricos em açúcares ou gorduras.
O segundo princípio é o da variedade, que indica a necessidade de consumirmos alimentosdos
vários grupos e também diferentes alimentos dentro do próprio grupo. Este princípio visa garantir
o consumo de todos os nutrientes necessários, considerando as especificidades dos grupos e dos
alimentos, além de coibir a monotonia alimentar.
O terceiro princípio é o da proporcionalidade, que diz respeito à ideia de que quanto maior o
tamanho do grupo na pirâmide, maior deve ser o consumo dos alimentos. Por exemplo, os
alimentos da base da pirâmide, representada pelo grupo de cereais, pães, tubérculos e raízes,
devem ser consumidos em maior quantidade (5 a 9 poções) quando comparados aos alimentos do
ápice da pirâmide (óleos e gorduras, 1 a 2 porções, por exemplo).
PARA REFLETIR
Quais as vantagens e desvantagens que você consegue perceber na utilização da pirâmide
alimentar como instrumento de educação alimentar e nutricional? Faça uma breve busca na
bibliografia e liste tais evidências!
3. Conclusão
Neste tópico nos dedicamos a analisar os grupos de alimentos e sua relação com os guias
alimentares. A premissa é simples: a mera existência e conhecimento sobre os grupos alimentares
acerca de suas características de composição nutricional não são suficientes para elucidar como
esses mesmos grupos devem se organizar em uma dieta habitual para promover a alimentação
adequada e saudável de uma população.
Desta forma, os guias alimentares baseados em alimentos se destinam a este fim: propor, de
diferentes formas, a organização dos grupos alimentares para que os indivíduos, autonomamente,
consigam fazer escolhas que garantam uma rotina habitual que promova saúde através de uma
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alimentação adequada e saudável.
4. Referências
ARAUJO, M. C.; SICHIERI, R. Formulação, avaliação e aplicações de guias alimentares. In:
CARDOSO, M. A. (org.). Nutrição em Saúde Coletiva. São Paulo: Atheneu, 2014.
BARBOSA, R. M. S.; COLARES, L. G. T.; SOARES, E. A. Desenvolvimento de guias alimentares
em diversos países. Revista de Nutrição, v.21, n. 4, p. 455-467, 2008.
BRASIL. Ministério da Saúde. Departamento de Atenção Básica. Coordenação Geral de
Alimentação e Nutrição. Guia Alimentar para a População Brasileira. 2. ed. Brasília:
Ministério da Saúde, 2014.
GOMES, H. M. S.; TEIXEIRA, E. M. B. Pirâmide alimentar: guia para alimentação saudável.
Boletim Técnico IFTM, ano 2, n. 3, p. 10-15, 2016.
MARTINS, K. A.; FREIRE, M. C. M. Guias alimentares para populações: aspectos históricos e
conceituais. Brasil Médica. v.45, n.4, p.291-302, 2008.
ORGANIZACIÓN DE LAS NACIONES UNIDAS PARA LA ALIMENTACIÓN Y LA
AGRICULTURA. El estado de las guias alimentarias basadas em alimentos em
América Latina y el Caribe. FAO: Roma, 2014.
PHILIPPI, S. T. Alimentação Saudável e a pirâmide dos alimentos. In: PHILIPPI, S. T. (coord.).
Pirâmide dos Alimentos: fundamentos básicos da nutrição. Barueri, São Paulo: Manole,
2008.
PHILIPPI, S. T. et al. Pirâmide alimentar adaptada: guia para escolha de alimentos. Revista
de Nutrição, v.12, n.1, p. 65-80, 1999.
YouTube. (2015, Abril, 06). Senado Federal. Guia traz 10 novas regras para uma
alimentação saudável. 04min26seg. Disponível em: . Acesso em: 29 maio 2018.
YouTube. (2013, Janeiro, 25). Marinha Farinha Filmes. Muito Além do Peso – Oficial.
01h23min43seg. Disponível em: .
Acesso em: 12 jun 2018.

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