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2024
A Educação Infantil e suas Interfaces com a Infância
Prof. Ms Ana Paula dos Santos Monteiro
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Diego Velázquez (Sevilha, Espanha, 1599 - Madri, Espanha,1660) no quadro Las Meninas pinta a si próprio e pinta seu próprio ato de pintar uma tela, ou seja, representa a si numa atividade de representar imagens em uma tela. Então, o quadro se constitui em uma metalinguagem. 
Concepções de Infância e Criança
. O reconhecimento de que ser criança é diferente de ser adulto, ou seja, a ideia de que a infância é um ciclo da vida com características próprias e distintas dos demais ciclos, o que o torna singular, foi historicamente construída. Um processo de construção social da infância e o papel que a escola vem desempenhando diante desta invenção da modernidade. (SARMENTO, 2002) 
Imagens da Infância
O que é infância?
Meu padlet formidável
Educação Infantil é um direito!
O lugar da criança brasileira na política pública de educação é o de sujeito histórico, protagonista e cidadão com direito à educação a partir do nascimento, em estabelecimentos educacionais instituídos com a função de cuidar e educar como um único e indissociável ato promotor de seu desenvolvimento integral, de forma global e harmônica, nos aspectos físico, social, afetivo e cognitivo. A educação infantil é a primeira etapa da educação básica a que todo cidadão brasileiro tem direito e que o Estado tem obrigação de garantir sem exceção nem discriminação.
(NUNES, CORSINO e DIDONET, 2011, p. 9)
Desenvolvimento infantil
As experiências vividas no espaço de Educação Infantil devem possibilitar à criança o encontro de explicações sobre o que ocorre à sua volta e consigo mesma enquanto desenvolve formas de sentir, pensar e solucionar problemas. Nesse processo, é preciso considerar que a criança necessita envolver-se com diferentes linguagens e valorizar o lúdico, as brincadeiras, as culturas infantis. 
Aprendizagem : Uma experiência social
A criança é concebida como “sujeito histórico e de direitos”
A aprendizagem é concebida como uma experiência social,
As atividades lúdicas são indispensáveis para o desenvolvimento da percepção, da imaginação, da fantasia e dos sentimentos da criança. Winnicott (1975)
O fazer pedagógico deve estar alicerçado na qualidade das relações, interações e mediações que compõem essa concepção sócio-histórica de aprendizagem
Interações criam vivências e aprendizagens
Estar junto aos outros significa estabelecer relacionamentos e interações vinculados aos contextos sociais e culturais. Portanto, a interação com os pais ou responsáveis, avós, irmãos mais velhos, professores e outras crianças é fundamental no desenvolvimento das crianças.
Proposta Curricular da Educação Infantil
Planejar é preciso!
Planejar é um ato de cuidado com a prática pedagógica destinada aos pequenos. O planejamento do professor de Educação Infantil é uma proposta que reorganiza e norteia todas as ações educativas que envolvem as crianças, tanto no âmbito pedagógico propriamente dito quanto nas inter-relações de todos os envolvidos nesse processo, dando voz às crianças e acolhendo a forma como elas significam o mundo e a si mesmas. 
Currículo e Práticas pedagógicas!
As práticas pedagógicas que compõem a proposta curricular da Educação Infantil devem ter como eixos norteadores as interações e a brincadeira, garantindo à criança os direitos de desenvolvimento e aprendizagem. 
Os temas a serem vivenciados pelas crianças devem partir do interesse delas, para tanto a prática com projetos de trabalho direciona o pensar na aprendizagem como um processo global e complexo, no qual conhecer a realidade e nela intervir não são atitudes dissociadas. O trabalho com projetos possibilita que a criança se torne verdadeiramente agente de sua própria aprendizagem, fomentando-lhe o desejo de aprender e propiciando-lhe a descoberta significativa do ato de pesquisar e buscar o conhecimento.
Currículo e Práticas Pedagógicas.
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Direitos de aprendizagem
PARA PENSARMOS: 
As nossas práticas pedagógicas 
auxiliam na garantia dos direitos de 
aprendizagem das nossas crianças?
É papel da Educação Infantil garantir à criança o direito de conviver, brincar, participar, explorar, expressar e conhecer-se.
CAMPOS
 DE
 EXPERIÊNCIAS
O trabalho com os campos de experiência “consiste em colocar no centro do projeto educativo o fazer e o agir das crianças [...] e compreender uma ideia de currículo na escola de educação infantil como um contexto fortemente educativo, que estimula a criança a dar significado, reorganizar e representar a própria experiência” 
(Fochi, 2015, p. 221-228).
O currículo por campos de experiências defende a necessidade de se conduzir o trabalho pedagógico na Educação Infantil por meio:
da organização de práticas abertas às iniciativas, 
dos desejos e formas próprias de agir das crianças, 
da mediação feita pelas professoras, 
do rico contexto de significativas aprendizagens.
Assim, os campos de experiências apontam para a imersão da criança em situações em que constroem noções, afetos, habilidades, atitudes e valores, e constituem sua identidade. 
Eles mudam o foco do currículo da perspectiva do/a professor/a para a perspectiva da criança, que empresta um sentido singular às situações que vivencia e efetiva aprendizagens.
O EU, O OUTRO E O NÓS
As crianças, na interação com outras crianças e adultos, vivem experiências de atenção pessoal e outras práticas sociais, nas quais aprendem a se perceber como um EU, alguém que tem suas características, desejos, motivos, concepções, a considerar seus parceiros como um OUTRO, com seus desejos e interesses próprios, e tomar consciência da existência de um NÓS, um grupo humano cada vez mais ampliado e diverso. Nesse processo vão se constituindo como alguém com um modo próprio de agir, sentir e pensar. 
PRÁTICAS PEDAGÓGICAS QUE AUXILIAM NA GARANTIA DOS DIREITOS DE APRENDIZAGEM NO CAMPO DE EXPERIÊNCIAS O EU, O OUTRO E O NÓS
OS 6 DIREITOS DE APRENDIZAGEM DENTRO DESSE CAMPO DE EXPERIÊNCIA, COMO GARANTI-LOS?
CORPO, GESTOS E MOVIMENTOS
Esse campo destaca experiências ricas e diversificadas em que gestos, mímicas, posturas e movimentos expressivos constituem uma linguagem vital com a qual as crianças se expressam, se comunicam e constroem conhecimentos sobre si e sobre o universo social e cultural.
PRÁTICAS PEDAGÓGICAS QUE AUXILIAM NA GARANTIA DOS DIREITOS DE APRENDIZAGEM NO CAMPO DE EXPERIÊNCIAS CORPO, GESTOS E MOVIMENTOS
OS 6 DIREITOS DE APRENDIZAGEM DENTRO DESSE CAMPO DE EXPERIÊNCIA, COMO GARANTI-LOS?
 TRAÇOS, SONS, CORES E FORMAS
As crianças vivem em ambientes onde a cada momento ocorrem situações envolvendo pessoas, atividades, espaços, objetos e materiais que elas buscam perceber, reconhecer, significar e representar, e o fazem pela apropriação de diferentes linguagens e recursos, como suas sensações, afetos e desejos, sua corporeidade, sua linguagem verbal, sua percepção das ações de seus parceiros e sua atenção voltada para os aspectos materiais do ambiente. 
PRÁTICAS QUE AUXILIAM NA GARANTIA DOS DIREITOS DE APRENDIZAGEM NO CAMPO DE EXPERIÊNCIAS TRAÇOS, SONS, CORES E FORMAS.	
ESCUTA, FALA, PENSAMENTO E IMAGINAÇÃO
A BNCC propõe que, ao longo de sua trajetória na Educação Infantil, as crianças construam conhecimentos a respeito da linguagem oral e escrita, por meio de gestos, expressões, sons da língua, rimas, leituras de imagens, de letras, da identificação de palavras em poesias, parlendas, canções, e também a partir da escuta e dramatização de histórias e da participação na produção de textos escritos. Apropriando-se desses elementos, as crianças podem criar novos gestos, falas, histórias e escritas, convencionais ou não. 
O PROFESSOR E A GARANTIA DOS DIREITOS DE APRENDIZAGEM NO CAMPO ESCUTA, FALA, PENSAMENTO E IMAGINAÇÃO.
ESPAÇOS, TEMPOS, QUANTIDADES, RELAÇÕES E TRANSFORMAÇÕES
À medida que a professora considera as unidades de Educação Infantil como
ambientes onde a curiosidade das crianças sobre o mundo físico e social pode alimentar a construção por elas de noções, comparações e implicações, ela as ajuda a construir explicações, conforme percebe seus gestos, sentimentos, intuições, seus motivos e sentidos pessoais nas respostas que elas dão. Nesse processo procuram articular o modo como as crianças agem, sentem e pensam com os conhecimentos já disponíveis na cultura sobre cada objeto de conhecimento.
O PROFESSOR E A GARANTIA DOS DIREITOS DE APRENDIZAGEM NO CAMPO ESPAÇOS, TEMPOS, QUANTIDADES, RELAÇÕES E TRANSFORMAÇÕES 
É proibido alfabetizar na Educação Infantil?
1° ponto: Embora crianças da pré-escola possam se alfabetizar por interesse particular a partir das interações e da brincadeira com a linguagem escrita, não cabe à pré-escola ter a alfabetização da turma como proposta.
2º ponto: As crianças não começam a aprender a linguagem escrita (ler e escrever) quando os adultos determinam qual seria a idade certa de realizar esse aprendizado.
NA EDUCAÇÃO INFANTIL, LIVRO É DE LITERATURA E MATERIAL DIDÁTICO É BRINQUEDO 
A formação do leitor desde a primeira infância
 A leitura abre um espaço discursivo dialógico entre o leitor e a obra no seu conjunto povoado de diferentes vozes: das ilustrações, dos personagens, do autor, do narrador, do projeto gráfico, das ideologias. No livro ilustrado, não só as palavras provocam efeitos de sentidos, mas também o texto visual, que permite entradas não lineares. As imagens também dizem, e as relações entre visual e verbal ampliam as possibilidades de diálogo. As ilustrações são importantes aliadas das crianças no processo de leitura, especialmente quando estas assumem o lugar de leitores e ainda não leem o texto escrito de forma convencional. 
O papel do lúdico no desenvolvimento infantil
O lúdico permite um desenvolvimento global e uma visão de mundo mais real. Por meio das descobertas e da criatividade, a criança pode se expressar, analisar, criticar e transformar a realidade. 
ESPAÇOS DA EDUCAÇÃO INFANTIL – SALA DE AULA OU SALA AMBIENTE?
	Os espaços precisam ser arrumados em ambientes que propiciem as interações entre as crianças e entre elas e os adultos, além de instigar, provocar, desafiar a curiosidade, a imaginação e a aprendizagem das crianças, sendo-lhes disponibilizados para o uso ativo e cotidiano.
As crianças precisam de espaços amplos para se movimentar. As áreas externas da instituição de Educação Infantil também devem ser exploradas pelas crianças, pois geralmente oferecem uma série de desafios, como áreas para correr e espaços para escalar, brincar etc. Seu uso deve ser planejado para criar desafios corporais e convidar as crianças à exploração. 
PROVINHA?
O que precisa ficar em evidência é que na Educação Infantil não existe qualquer tipo de PROVA para as crianças. Os muitos instrumentos de avaliação são formas de registros que servem como documentação do processo pedagógico, da reflexão e da própria formação dos professores.
Relatórios Avaliativos Individuais: são documentos importantes porque constituem a história do processo de desenvolvimento e de construção de conhecimento da criança, assegurando a sua individualidade.
Portfólios: são coleções de materiais que registram diferentes momentos e vivências das crianças nas instituições de Educação Infantil durante um período de tempo. Em uma dimensão pedagógica, são caixas ou pastas que recolhem os trabalhos produzidos pelas crianças em variadas modalidades de expressão. 
PORTFÓLIO
TRANSIÇÕES...
CONTEXTO FAMILIAR - CRECHE
 CRECHE – PRÉ-ESCOLA
PRÉ-ESCOLA – ENSINO FUNDAMENTAL
DO CONTEXTO FAMILIAR PARA A CRECHE...
A criança passa a relacionar-se com adultos diferentes do seu contexto familiar em uma fase que ainda está estabelecendo os vínculos familiares. 
São muitas mudanças, dentre elas a separação da família, além da mudança de rotina, de espaço, das pessoas com quem interage. Por isso, a importância de um período de acolhimento bem planejado, sendo necessário um olhar cuidadoso para essa transição. 
DA CRECHE PARA A PRÉ-ESCOLA
A política educacional compartilha a premissa de alguns estudos no sentido de que a criança que não passa pela Educação Infantil tem mais dificuldades na fase de alfabetização. 
Isso se torna muita das vezes um problema, pois muitos educadores acreditam que alfabetizar as crianças na faixa etária da pré-escola resolveria os problemas da alfabetização e do Ensino Fundamental. Deixam o cuidar - o educar e o brincar - em segundo plano, muitas vezes exigindo das crianças tarefas e atividades que comprometem o seu direito de ser criança.
DA PRÉ-ESCOLA PARA O ENSINO FUNDAMENTAL
Muitas vezes essa trajetória da Educação Infantil ao Ensino Fundamental não é compreendida como um processo contínuo, mas precisamos deixar evidente que a Educação Infantil não é período preparatório para o Ensino Fundamental, e muito menos processo precoce de escolarização.
* Precisamos da construção de práticas pedagógicas que integrem o educar e o cuidar, centradas nas interações e nas brincadeiras, que considerem a relação com as famílias, além da necessidade de diálogo com a continuidade do processo de escolarização da infância, considerando que o foco principal das práticas educativas, tanto na Educação Infantil quanto nos anos iniciais do Ensino Fundamental, é o sujeito e sua relação com a cultura. Assim, seria possível a construção de uma continuidade educativa no processo de escolarização da criança.
Como é a relação das crianças com a natureza?
“A natureza do brincar é a alegria.
A natureza é seu território primordial.”
 Lydia Hortélio 
Religar as crianças com a natureza: desemparedar
Reinventar os caminhos de conhecer
Dizer não ao consumismo e ao desperdício
Educação Especial e Inclusão
Pensar numa escola inclusiva é propiciar um espaço importante para que todos os alunos possam aprender juntos. Incluir todos os sujeitos nas situações de aprendizagem.
Educação Infantil do Campo, Comunidades Indígenas e Quilombolas no Estado do Rio de Janeiro .
Educação Infantil Indígena:
Os povos indígenas têm regulamentação própria no que se refere à Educação. 
Existem alguns povos que querem Educação Infantil e outros que, temendo o impacto nas suas culturas, rejeitam-na e reivindicam a educação da criança pequena no âmbito de suas práticas tradicionais.
As DCNEI (Resolução CNE/CEB nº 5/2009) consideram a autonomia dos povos indígenas. 
Porque muitas instituições de Educação Infantil insistem nisso?
Comunidades
 Quilombolas
Cada comunidade quilombola tem uma história de origem diferente, que compõe aspectos de sua organização. As comunidades quilombolas lutam por uma educação que contemple as contribuições da cultura afrodescendente. 
As comunidades quilombolas são grupos étnicos (predominantemente constituídos pela população negra rural ou urbana), que se autodefinem a partir das relações com a terra, o parentesco, o território, a ancestralidade, as tradições e práticas culturais próprias.
Educação Infantil do Campo
O campo, nos municípios do Estado do Rio de Janeiro, embora denominado assim no singular, possui uma diversidade geográfica, em recursos naturais e biomas, de florestas e matas, recursos hídricos, fauna e flora, que dele fazem parte nas formas de ocupação do espaço rural.
Nas propostas pedagógicas para a Educação infantil do Campo, é preciso considerar que o geral e o específico se dão em um movimento maior de construção de um projeto social, possibilitando novas relações humanas e novas concepções de sujeitos do campo e de sujeitos criança.
Diversidade Étnica e Racial
Na Educação Infantil, um elemento que precisamos levar em conta é a nossa raiz afrodescendente e a luta pelo seu reconhecimento, que tem repercutido em conquistas importantes do ponto de vista legal, tais como nos mostra algumas leis e resoluções que são nossos maiores exemplos da valorização e das
discussões em torno dessa temática.
A FORMAÇÃO DE PROFESSORES DA EDUCAÇÃO INFANTIL
Necessitamos de mudanças na formação dos profissionais da Educação Infantil (creche e pré-escolas), pois aprender a ser professor nos dias de hoje não é uma tarefa que se conclua após estudos referentes a conteúdos e técnicas de ensino.
Necessita-se de uma aprendizagem que aconteça por meio de situações práticas, exigindo o desenvolvimento de uma prática reflexiva competente, que aconteça continuamente ao longo da vida, com um fio condutor que produza os sentidos e significados do ser professor, garantindo ao mesmo tempo um intercâmbio entre a formação inicial, a continuada e as experiências vividas. 
Sabemos que discutir somente a formação do professor da Educação Infantil não basta para a realização de um bom trabalho, mas favorece a melhor compreensão sobre as experiências, os projetos e as atividades que devem ser desenvolvidas com crianças de 0 a 5 anos de idade.
'Educar é mostrar a vida a quem ainda não a viu.
O educador diz: “Veja!” – e, ao falar, aponta.
O aluno olha na direção apontada e vê o que nunca viu. Seu mundo se expande. Ele fica mais rico interiormente…‘
Rubem Alves
Obrigada!!!
Prof Ana Paula Monteiro
Tel:995159310
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